Prévia do material em texto
ANTROPOMETRIA E COMPOSIÇÃO CORPORAL Docente: Valéria Mariz ANTROPOMETRIA O termo antropometria tem sua origem do grego: anthropo, que significa homem, e metron, medida. Por definição, a antropometria envolve a obtenção de medidas físicas de um indivíduo para relacioná-las com um padrão que reflita o seu crescimento e desenvolvimento. Essas medidas físicas compõem a avaliação nutricional. O estudo da composição corporal encontra relevância e aplicação na avaliação e no acompanhamento de indivíduos saudáveis, doentes crônicos ou agudos e também em praticantes de atividade física e até mesmo em atletas de alto nível. AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA Desenvolvida em fins do século XIX pelos antropólogos, utilizava aparelhos simples para quantificar diferenças na formas humana. Método objetivo que inclui: peso corporal, estatura, espessura das dobras cutâneas, perimetrias e diâmetros ósseos. (CALIXTO-LIMA, GONZALEZ, 2013) MASSA GORDA MASSA ADIPOSA TERMINOLOGIAS MASSA GORDA (análise: cadáver) = Todos os lipídeos extraídos do tecido adiposo e de outros tecidos corporais. MASSA ADIPOSA = Composto por lipídeos (83%), água (15%), eletrólitos (1%) e proteínas (1%). MASSA LIVRE DE GORDURA = Todos os tecidos e resíduos corporais livres de LIP. MASSA MAGRA = Massa corpórea livre de gordura e os LIP essenciais. ( MASSA MUSC) COMPOSIÇÃO CORPORAL A avaliação precisa da composição corporal desempenha um papel importante em um programa abrangente de nutrição total e de aptidão física por seis motivos importantes: Fornece um ponto de partida para basear as decisões atuais e futuras sobre a perda e o ganho ponderais; Estabelece objetivos realistas sobre como alcançar da melhor maneira um equilíbrio “ideal” entre os compartimentos de gordura e livre de gordura do corpo; Está relacionada com o estado geral de saúde, tendo um papel importante na formulação dos objetivos a curto e a longo prazos para a saúde e para a aptidão física; COMPOSIÇÃO CORPORAL 4. Monitora as mudanças nos compartimentos de gordura e livre de gordura do corpo durante os regimes de exercícios de diferentes durações e intensidades, além de programas de reabilitação que utilizam diferentes modalidades e práticas de tratamento; 5. Apresenta uma mensagem importante a respeito da necessidade de modificar o estilo de vida, particularmente para aumentar a quantidade e a qualidade da atividade física a partir do início da vida adulta e ao longo de toda a vida, independentemente se o indivíduo está tentando ganhar ou reduzir o peso corporal; 6. Permite que os nutricionistas esportivos interajam com as pessoas para quem eles fornecerão informações de qualidade relacionadas com a nutrição, o controle de peso, o exercício, o treinamento e a reabilitação. PADRÕES DE REFERÊNCIA MÉTODO DUPLAMENTE INDIRETO São os mais aconselháveis porque: facilidade e rapidez de coleta, não invasivo, facilidade de interpretação, pequenas restrições culturais, baixo grau de colaboração do avaliado, reprodutibilidade, condições pré-avaliatórias simples, praticidade de realização, entre outras vantagens, fazem dos métodos duplamente indiretos os mais empregados. Adicionalmente, esse método exige avaliador treinado e experiente, escolha de equipamento e de protocolos adequados para obtenção e discussão dos resultados. Suas técnicas consistem basicamente em realizar mensurações de dobras cutâneas, perímetros e diâmetros ósseos, em vários segmentos amostrais. Esse princípio baseia-se no pressuposto de que, em adultos saudáveis, metade a 1/3 da gordura corporal é subcutânea e esta apresenta boa relação entre gordura na área subcutânea e densidade corporal. MÉTODO DUPLAMENTE INDIRETO Índice de massa corporal Uso melhor para massa e estatura IMC = Massa corporal, kg ÷ Estatura, m2 Exemplo de cálculo do índice de massa corporal Homem: Estatura = 175,3 cm/ 1,753 m Massa corporal = 97,1 kg IMC = 97,1 kg ÷ (1,753 m) 2 = 97,1 ÷ 3,073 = 31,6 kg/m2 Nesse exemplo, o IMC está acima do limiar superior dos valores de IMC, colocando o indivíduo na classificação de obesidade. Limitações do índice de massa corporal para os indivíduos fisicamente ativos O IMC não considera a distribuição da gordura corporal, chamada de padrão de adiposidade. Além disso, aumentos na massa óssea, na massa muscular e na quantidade de volume plasmático induzidos pelo treinamento físico, sozinhos ou combinados, podem aumentar o numerador (massa) da equação do IMC. Um IMC elevado pode levar a uma interpretação incorreta de excesso de gordura corporal em pessoas relativamente magras e com excesso de massa muscular causado pela constituição genética ou pelo treinamento físico. Limitações do índice de massa corporal para os indivíduos fisicamente ativos EXEMPLO: O IMC de sete jogadores da linha defensiva de uma equipe de futebol apresentava média de 31,9 kg/m2 (média do IMC da equipe inteira = 28,7 kg/m2), sinalizando claramente que esses atletas profissionais têm sobrepeso e colocando-os na categoria de risco moderado de mortalidade. Seu teor de gordura corporal, 18% para os jogadores e 12,1% para o time inteiro, NÃO indica um excesso de gordura, sugerindo um erro de classificação ao utilizar o IMC como padrão. DOBRAS Considerações gerais para a realização de medidas de dobras: Medir sempre o hemicorpo direito, a menos que haja uma recomendação específica (lado não dominante), estando o avaliado em uma posição cômoda e com a musculatura relaxada. Recomenda-se a posição ortostática para a maioria das medidas; Ao medir, é imprescindível a determinação exata do ponto anatômico, de preferência conforme a padronização do autor, além de seguir o procedimento técnico adequado, minimizando as diferenças inter e intra-avaliadores ; Separar o tecido adiposo subcutâneo do tecido muscular e estruturas mais profundas, por meio dos dedos polegar e indicador da mão esquerda; Destacar a DC colocando o polegar e o dedo indicador, separados aproximadamente 4 cm entre si, sobre uma linha perpendicular ao eixo que acompanha a dobra da pele. Quanto mais espesso for o tecido subcutâneo, maior deverá ser a distância entre o polegar e o dedo indicador para destacar a dobra ; Ajustar as extremidades do equipamento cerca de 1 cm do ponto anatômico; Elevar a dobra cutânea por volta de 1 cm acima do ponto de medida e mantê-la elevada enquanto faz a medida; Soltar a pressão das hastes do compasso lentamente e aguardar 2 a 4 s para fazer a leitura, dependendo do plicômetro e da habilidade do avaliador ; Realizar três medidas de cada DC alternadas e que não difiram 5% uma da outra, caso uma nova série de três medidas seja realizada. Tirar a média ou considerar o valor intermediário; Abrir o compasso lentamente e liberar a DC, evitando “beliscar” o avaliado. DOBRAS G. Peitoral masculino. H. Suprailíaca. I. Coxa J. Panturrilha. PARÂMETROS PARA REFERÊNCIA Considerações gerais para medidas de perimetrias corporais O plano da fita deve estar adjacente à pele, e suas bordas, perpendiculares em relação ao eixo do segmento que se quer medir (com exceção da medida do perímetro da cabeça e do pescoço). Medir o perímetro em sua extensão máxima, com o zero da fita estando por baixo do valor da leitura. Realizar as mensurações exercendo leve pressão sobre a pele; evitar apertar excessivamente a fita. Para manter constante a pressão exercida sobre a pele; Não deixar o dedo entre a fita e a pele e, sempre que possível, medir sobre a pele nua. Para mensurações de tronco, cintura e abdômen, realizar a leitura na fase final da expiração normal. G. Coxa distal. H. Panturrilha. Coxa proximal. QUAL MENSURAÇÃO PODEMOS CONSIDERAR CORRETA? QUAL MENSURAÇÃO PODEMOS CONSIDERAR CORRETA? DOBRAS CUTÂNEAS A obtenção das dobras cutâneas (DC) é uma das medidas antropométricas mais comumente utilizada nas estimativas de parâmetros da composição corporal; No entanto, a disposição da gordura não se apresenta uniforme por todo o corpo. As medidas devem ser feitas em várias regiõespara obter um termo médio de sua quantidade; Nos indivíduos com tecido subcutâneo moderadamente firme, a medida é rápida e de fácil execução e leitura; já tecidos mais flácidos ou facilmente compressíveis ou não facilmente deformáveis ou muito firmes apresentam problema na obtenção de medidas fidedignas. PERCENTIL DE VALORES OU SOMA DAS DOBRAS É evidente que indivíduos com distribuição centrípeta da gordura (região do tronco) apresentam riscos mais elevados para aparecimento ou desenvolvimento de distúrbios metabólicos e cardiovasculares, o acompanhamento das variações regionais dos valores de espessura de dobra cutânea pode ser avaliado como indicativo para a prevenção de eventuais problemas de saúde decorrentes do excesso de gordura corporal. Gordura total: soma das nove dobras (tricipital, subescapular,peitoral,bicipital,da coxa, axilar média, supra-ilíaca, abdominal,panturrilha) *tronco anterior (abdominal), posterior (subescapular) e medial (suprailíaca) — e de membro superior (tríceps) e inferior (coxa) Gordura do tronco: soma de cinco dobras (subescapular, axilar média, peitoral, suprailíaca e abdominal) e duas (subescapular e suprailíaca) Gordura de membros: soma de quatro dobras (tríceps, bíceps, coxa e panturrilha medial) A soma da espessura das dobras cutâneas para analisar o comportamento da gordura e distribuição é dividida da seguinte maneira: As dobras mais referenciadas na literatura e que compõem a maioria das equações antropométricas preditivas para determinação da gordura corporal são: tríceps, bíceps, subescapular, abdominal, axilar média, peitoral, suprailíaca, coxa e panturrilha. Embora Costa reconheça a dificuldade de se estabelecerem pontos de corte para os dados levantados, propôs alguns percentis e possíveis implicações relacionadas com o total de gordura corporal: REFERÊNCIAS Petroski EL. Antropometria: técnicas e padronizações. Porto Alegre: Pallotti, 1999. Rossi L. Nutrição esportiva. In: Ramos GM, Ramos A. Enfermagem e nutrição. São Paulo: EPU; 2005. p. 153-67. Mahan LK, Escott-Stump S. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. São Paulo: Roca; 2002.