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Conceito de Função Patologia Ele se refere ao diagnóstico de quaisquer doenças, lesões, distúrbios ou condições anormais que sejam caracterizados por um conjunto particular de sinais e sintomas e reconhecidos pelo paciente ou pelo médico como anormais. A presença da patologia pode gerar o sofrimento e interferência no estado funcional. O impacto depende de vários fatores. Estes incluem porem não se limitam: · Comorbidade (o grau e a localização do edema, a qualidade do suprimento vascular, a presença de infecção e o grau de atrofia). · O estado geral de saúde do paciente. · A idade do paciente. · A situação nutricional do paciente. O paciente é encaminhado para a fisioterapia com o diagnostico medico, porem isso estabelece a maneira como vai ser tratado o paciente. O fisioterapeuta faz o diagnostico que identifica o impacto de uma condição ou função. Se a intervenção da fisioterapia for justificada, o seu objetivo é restaurar a função, tendo como foco da intervenção a redução e a prevenção dos fatores de risco e a diminuição do impacto dos danos, de limitações funcionais e de incapacidades. Danos - representam uma perda ou anormalidade da estrutura ou função anatômica, fisiológica ou psicológica que resulta em mudanças subjacentes no estado normal e contribui para a doença. Os danos podem manifestar-se de forma objetiva, por exemplo, pela redução da amplitude de movimento, deformidade articular, marcha anormal e perda de força, potência, resistência ou propriocepção. Os danos também podem manifestar-se de forma subjetiva, por exemplo, pela dor (ver a seguir), sensibilidade, rigidez matinal ou fadiga. · Dano primário – pode resultar de patologia ativa ou de doença. O dano primário pode criar danos secundários, levando a patologias secundárias. · Dano secundário – origina-se do dano primário e da patologia. O Guide to Physical Therapist Practice2 usa Padrões de prática preferenciais dos grupos de danos musculoesqueléticos que ocorrem juntos. Por exemplo: · O Padrão 4B faz referência a condições resultantes de distúrbios posturais. · O Padrão 4C faz referência a condições resultantes de distúrbios no desempenho muscular. · O Padrão 4D faz referência a condições resultantes de distúrbios na mobilidade articular, na função motora, no desempenho muscular e na amplitude de movimento associadas a disfunções do tecido conjuntivo. · O Padrão 4E faz referência a condições resultantes de distúrbios na mobilidade articular, na função motora, no desempenho muscular e na amplitude de movimento associadas a inflamações localizadas. · O Padrão 4F faz referência a condições resultantes de distúrbios na mobilidade articular, na função motora, no desempenho muscular, na amplitude de movimento e na integridade reflexa associadas com distúrbios na coluna vertebral. · O Padrão 4G faz referência a condições resultantes de distúrbios na mobilidade articular, na função motora, no desempenho muscular e na amplitude de movimento associadas a fraturas. · O Padrão 4H faz referência a condições resultantes de distúrbios na mobilidade articular, na função motora, no desempenho muscular e na amplitude de movimento associadas a artroplastia articular. · O Padrão 4I faz referência a condições resultantes de distúrbios na mobilidade articular, na função motora, no desempenho muscular e na amplitude de movimento associadas a cirurgia óssea ou de tecido mole. · O Padrão 4J faz referência a condições resultantes de distúrbios na função motora, no desempenho muscular, na amplitude de movimento, na marcha, na locomoção, no equilíbrio e na função motora associadas a amputações. · O padrão 5F faz referência a condições resultantes de distúrbios na integridade nervosa periférica e desempenho muscular associadas a lesões nervosas periféricas. A dor pode ter grande influência sobre a capacidade de funcionamento, dependendo de sua localização e gravidade. Contudo, a percepção de dor é altamente individual, podendo ser influenciada pela dor em diferentes graus. Embora não seja possível uma quantificação absoluta de dor, sua gravidade pode ser estimada utilizando-se uma escala analógica visual ou uma escala numérica. O PDI é um instrumento de auto-registros usado para avaliar o grau no qual a dor crônica interfere em várias atividades diárias. O PDI consiste em uma série de escalas de 0 a 10 nas quais o indivíduo classifica a interferência relacionada à dor. O MPQ contém uma lista de palavras selecionadas para refletir os componentes sensoriais, afetivos e avaliar os componentes da experiência da dor. Um dos objetivos do processo de exame é determinar quais danos estão relacionados às limitações funcionais do paciente. Após a identificação desses danos, é possível determinar quais podem ser solucionados por intervenções fisioterapêuticas. Limitação funcional- O termo limitação funcional refere-se à restrição, apresentada por um indivíduo, da capacidade de executar uma atividade física ou tarefa de maneira eficiente. Em outras palavras, limitações funcionais são restrições na execução de ações físicas e mentais básicas. As medidas das limitações funcionais incluem teste de desempenho sensório-motor durante atividades como caminhar, escalar, flexionar, mudar de lugar, erguer e carregar. É importante que essas medidas avaliem a capacidade do paciente de executar tarefas que ele considere importantes. Para identificar os objetivos funcionais, Randall e McEwen49 re- comendam os seguintes passos: · 1.Determinação do resultado esperado pelo paciente. · 2.Desenvolvimento do conhecimento das atividades de autoajuda, trabalho e lazer e os ambientes em que essas atividades ocorrem. · 3. Determinação, em conjunto com o paciente, dos objetivos relacionados aos resultados pretendidos Após obter consenso sobre os objetivos, o fisioterapeuta deve descrevê-los de modo que contenham os seguintes elementos: · Quem (o paciente) · Fará o quê (atividades) · Sob quais condições (no ambiente domiciliar ou de trabalho) · Como (a quantidade de assistência ou número de tentativas necessárias para a conclusão exitosa) · Quando (data-limite) Uma vez que esses objetivos funcionais sejam estabelecidos, o fisioterapeuta terá condições de classificá-los de acordo com a dificuldade. As tarefas funcionais re- produzem a tarefa como um todo ou detalham seus componentes fundamentais e as demandas físicas necessárias para executar cada tarefa. A recuperação dos requisitos menores pode ser o objetivo de curto prazo, enquanto a conclusão de toda a tarefa será de longo prazo. Incapacidade- A incapacidade pode ser definida como a dificuldade no desempenho de papéis e tarefas sociais dentro de um ambiente sociocultural e físico (da higiene pessoal a hobbies, passeios, sono), como resultado de um problema de saúde ou físico. A incapacitação, que pode ser temporária ou permanente, é a diferença entre o que a pessoa pode fazer e o que precisa ou gostaria de fazer. Três modelos costumam ser utilizados para descrever incapa- cidade: os modelos Moral (o mo- delo de idéias, as origens, os objetivos da intervenção e os benefícios e efeitos negativos do modelo); Médico (a perspectiva de que a incapacidade está dentro dos indivíduos e possui algum grau de estigma ou patologia) e Social (incapacitação no ambiente e na sociedade, que falha em acomodar de forma adequada e incluir as pessoas incapacitadas). A incapacidade não está, necessariamente, relacionada a qualquer dano à saúde ou condição médica, embora uma condição médica ou dano possa causar ou contribuir para a incapacidade. Para qualquer nível de saúde ou diagnóstico específico, algumas pessoas podem ser consideradas incapazes e outras não. Assim, não há relação linear entre os danos e a incapacidade. Ex: Duas pessoas com a mesma patologia com danos e limitações funcionais semelhantes,apresentam diferentes níveis de incapacidade. É importante que o terapeuta evite ver o processo de incapacidade como um percurso de uma só direção, com progressão inevitável para a incapacidade. Vários fatores, incluindo o nível de interação do paciente com o ambiente e os efeitos potenciais da reabilitação, podem causar interação bidirecional ou reversão entre os componentes do processo de incapacidade. Essa interação bidirecional pode ser referida como processo de capacitação. · Teste de Desempenho Físico (TDF)- O TDF é uma medida baseada na medição da AVDI e da AVDB que foi usada para descrever e monitorar o desempenho físico. A administração do TDF leva cerca de 10 minutos. O escore é baseado no tempo utilizado para completar uma série de tarefas diárias normais, como escrever uma frase, simular a ingestão de ali- mentos, vestir e retirar um casaco, girar o corpo 360° permanecendo de pé, erguer um livro, pegar um pequeno objeto do chão e andar 50 metros. · Questionário do Estado Funcional (QEF)- O QEF é uma auto-medição das funções físicas, psicológicas e sociais em pa- cientes ambulatoriais. O teste dura cerca de 15 minutos e possui confiabilidade construtiva e convergente. · Perfil do Impacto de Doenças (PID) - O PID é usado amplamente para medir o estado de saúde dos pacientes. Ele avalia os resultados físicos e psicossociais sob a ótica do próprio paciente. O PID é composto de 136 itens que fazem referência às seguintes áreas: deambulação, mobilidade, movimentos e cuidados com o corpo, interação social, comunicação, estado de alerta, comportamento emocional, sono e repouso, alimentação, trabalho, atividades domésticas e atividades recreacionais e passatempos. Se trata de um questionário. · Índice de Classificação Funcional (ICF)- O ICF é um instrumento destinado a fazer medições quantitativas da percepção subjetiva da função e da dor no sistema musculoesquelético espinal. O ICF consiste em 10 itens que medem a dor e a função no pescoço e nas costas. · Escala Funcional Específica do Paciente (EFEP)- A EFEP é uma medida de resultados específica do paciente, que investiga o estado funcional pedindo que o paciente descreva atividades que são difíceis de executar com base em sua condição e classifique o nível de limitação em cada uma delas. A EFEP se mostrou válida e solícita às mudanças dos pacientes com várias condições clínicas, como dor no joelho, dor lombar, dor no pescoço e radiculopatia cervical. · Avaliação Breve da Função Musculoesquelética (ABFM) - A ABFM consiste em um questionário de 46 itens. Os primeiros 34 itens se referem às atividades da vida diária. O paciente classifica seus problemas ou dificuldades com essas tarefas para proporcionar um índice de disfunção. Os 12 itens restantes são classificados de acordo com o nível de preocupação do paciente e fornecem ao terapeuta um índice de preocupação. · Formulário Breve de 36 Itens para Pesquisar a Saúde- O FB-36 é uma medida geral do estado de saúde usando um autorregistro com oito subescalas de saúde. A versão mais objetiva do teste leva de 7 a 10 minutos para ser completada, a pontuação é razoavelmente fácil e questiona funções físicas, sociais e emocionais; sanidade men- tal; energia; dor e percepção geral da saúde. Outro exemplo de QVRS é o modelo de Patrick de pro- moção de saúde para pessoas com incapacidades82 que repre- senta quatro planos amplos de resultados: o ambiente total, as oportunidades, o processo de incapacitação e a qualidade de vida. Ambiente total Biologia ao longo da vida Cuidado com a saúde Ambiente social e físico Estilo de vida e comportameto Oportunidade Vida Idependente igualdade Participação Total Auto-suficiência econômica O processo de incapacitação Qualidade de vida Doença ou lesão Danos Restrição das atividades Limitação funcional variáveis contextuais > Quando a doença não é receptíveis à modificação – essa características inatas, incluem idade, sexo, origem étnica e condições socioeconômicas. Por sua vez, os fatores modificáveis são características que os indivíduos podem controlar ou ajustar. O impacto exercido por estes sobre o percurso da patologia-incapacitação ou sobre o processo de incapacitação depende da capacidade dos indivíduos e das expectativas impostas pelo ambiente social e ocupacional imediato. modificadores externos > descrever aquelas condições secundárias que influenciam o nível de incapacitação, mas não estão diretamente relacionadas ao próprio processo da doença. Esses modificadores externos incluem a presença de depressão ou comorbidade. (p. ex., dores causadas por pressão, contraturas, infecções no trato urinário). Modificadores externos Idade Sexo Educação Renda Origem étnica Estado civil Apoio social Modificadores específicos Situação econômica Patologia Danos Limitações funcionais Incapacitaçao Variáveis contextuais Comorbidade, Depressão, Outras medicações, Autoeficácia, Intervenções incorretas, Reações adversas às intervenções, Uso de álcool e outros comportamentos de estilo de vida ,Cobertura de Seguro-saúde, Litígio. Nível de atividade - Uma série de estudos associou os níveis de atividade física e o início da incapacitação Reação à doença- Diferentes origens culturais estão associa- das a diferentes crenças sobre dor, estratégias de enfrentamento, expressões de dor e resposta ao cuidado com a saúde. Origem educacional- Pacientes com menor educação formal tendem a ter aumento da frequência de incapacitação. Estratégias compensatórias e cobertura de seguro-saúde - Algumas pessoas simplesmente não têm recursos emocionais e sociais para enfrentar os problemas da vida, em especial em tempos de adversidade.