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Cap 1 Flexibilização das Leis Trabalhista

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da referida norma, estabelecia jornada de 8 horas diárias, proibição de trabalho de 
menores de 12 anos, limitação da jornada dos menores de 16 anos a seis horas, jornada 
máxima noturna de sete horas, descanso semanal, proteção a maternidade, salário-
mínimo, direito de greve, indenização de dispensa, seguro social e proteção contra 
acidente de trabalho. 
 
Consequentemente todas as constituições advindas após 1917 tiveram 
artigos expressos tratando sobre o Direito do Trabalho. 
 
Em 1919 surgiu o Tratado de Versalhes, sendo criados assim a 
Organização Internacional do Trabalho (OIT), sendo responsável por em proteger as 
relações de empregados e empregadores no âmbito internacional. 
 
Após muita evolução nos direitos trabalhistas, podemos citar com um 
grau maior de importância a Declaração Universal dos Direitos do Homem em 1948, 
prevendo férias remuneradas periódicas, repouso e lazer. 
 
 
1.2 No Brasil 
 
 
As constituições brasileiras de início apenas regulavam sobre a forma 
do Estado e o sistema de governo. Somente com o tempo passaram a tratar de todos os 
ramos do direito. 
 
Prova disso que a Constituição de 1824 apenas tratou de abolir as 
corporações de ofício, passando a ter uma maior liberdade de exercício das profissões. 
Já a constituição de 1891 reconheceu a liberdade de associação. 
Como podemos ver o Direito do Trabalho no Brasil é recente, mais 
precisamente teve seu marco inicial com a Revolução de 1930. Somente a partir desse 
período as leis trabalhistas começou a se desenvolver e ganhar seu espaço na sociedade. 
 
Apesar de ter existido várias Leis e Tratados esparsos com o intuito de 
proteger os trabalhadores, foi somente implementado o direito do trabalho na 
Constituição Federal em 1934. Esse fato só ocorreu após o Brasil ter assinado o 
compromisso internacional com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), criada 
pelo Tratado de Versalhes em 1919. 
 
Com a criação de diversas leis esparsas que visava a proteção dos 
trabalhadores, fez-se necessário uma sistematização dessas regras, surgindo assim a 
Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Dessa forma esclarece Arnaldo Süssekind : 
 
"A multiplicidade de normas legais no campo do trabalho, sancionadas ou 
decretadas em distintas fases de nossa evolução jurídica-política, confundido 
os seus destinatários, intérprete e aplicadores, estava a exigir o ordenamento 
das respectivas disposições num único texto." (2005, p. 60) 
 
Pelo fato que existir inúmeras leis, em 1º de Maior de 1943 a 
Consolidação das Leis Trabalhistas enfim foi aprovada pelo Decreto-lei n. 5.45. sendo 
que só passou a vigorar em 10 de novembro do mesmo ano. 
 
 
1.3 Princípios do Direito do Trabalho 
 
 
Antes de adentrarmos no tema da Flexibilização das Leis Trabalhistas, 
é importante entendermos quais são os principais princípios que regem o Direito do 
Trabalho. 
 
O termo princípio nos remete a idéia de Paulo Bonavides: (2003, p. 
255 - 256) "Princípio do latim pricipiu, significa, numa acepção vulgar, início, começo, 
origem das coisas. Tal noção deriva da linguagem da geometria, onde designa as 
verdades primeiras [...]". Para o entendimento de Miguel Reale: 
 
Princípios são enunciações normativas de valor genérico, que condicionam e 
orientam a compreensão do ordenamento jurídico, a aplicação e integração 
ou mesmo para a elaboração de novas normas.São verdades fundantes de um 
sistema de conhecimento, como tais admitidas, por serem evidentes ou por 
terem sido comprovadas, mas também por motivos de ordem prática de 
caráter operacional, isto é, como pressupostos exigidos pelas necessidades da 
pesquisa e da práxis. (2003, p.37) 
 
 
Com esses ensinamentos, conseguimos extrair a verdadeira essência 
do significado da palavra princípio, que seria a base inicial de tudo, ou seja, a partir 
dessa base que o Direito do Trabalho passou a criar forma. 
 
Apesar do Direito do Trabalho ser regido por diversos princípios, 
estudaremos apenas os considerados mais importantes de acordo com Mauricio 
Godinho Delgado (2016. p. 200): Princípio da Proteção, Princípio da Imperatividade 
das Normas Trabalhistas, Princípio da Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas, 
Princípio da Inalterabilidade Contratual Lesiva, Princípio da Intangibilidade Salarial, 
Princípio da Primazia da Realidade e Princípio da Continuidade da Relação de 
Emprego. 
 
 
1.3.1 Princípio da Proteção 
 
 
O princípio da proteção, como o próprio nome já diz, serve para 
proteger o empregado em relação ao empregador. Essa proteção é necessária, visto que 
o empregado é a parte considerada hipossuficiente da relação empregatícia. 
 
Plá Rodrigues (1993. p. 42-43), compreende que ao reconhecer a 
desigualdade das partes na relação de trabalho, o legislador buscou uma compensação 
jurídica para evitar a desigualdade econômica existente entre as partes. 
 
Grande parte da doutrina entende que tal fundamento é considerado 
como sendo o principal princípio existente no direito do trabalho. Inclusive Américo Plá 
Rodrigues (1993, p. 42-43), entende que mencionado princípio possui três dimensões 
distintas: o princípio do in dubio pro operario, o princípio da norma mais favorável e o 
princípio da condição mais benéfica. 
 
a) In dubio pro operário: 
 A expressão In dubio vem do latim que significa "na dúvida" ou seja, 
qualquer dúvida existente na aplicação de uma lei ou em sua interpretação, deve 
prevalecer a vantagem para o trabalhador. 
 
Colaborando com nossa explicação, Romar (2013, p.47) nos ensina 
que: " [...] diante de vários sentidos possíveis de uma determinada norma, o juiz ou 
intérprete deve optar por aquele que seja mais favorável ao trabalhador." 
 
Portanto, qualquer dúvida existente deve prevalecer a interpretação 
mais vantajosa ao empregado, visto que esse é considerado como a parte mais fraca na 
relação trabalhista. 
 
b) Norma mais favorável 
Diante da lei existente e dos inúmeros tratados e convenções coletivas 
realizadas propiciam a colisão de mais de uma norma existente para a aplicação do caso 
concreto. Através dessa conflito de normas surge o princípio da norma mais favorável. 
 
Mencionado princípio possui um entendimento simples, que será 
aplicado quando existirem uma pluralidade de normas jurídicas vigentes sendo aceito a 
mais favorável ao trabalhado de acordo com o caso concreto. 
 
 Alguns doutrinadores a exemplo de Mauricio Godinho Delgado 
(2016) aprofundam ainda mais ao estudo desse princípio, chegando a dividi-lo em três 
situações em que devem ser aplicados. Sendo a primeira no momento da elaboração da 
norma pelo legislador, no confronto entre duas normas concorrentes e por fim na 
interpretação das regras jurídicas existentes. 
 
c) Condição mais benéfica 
Esse princípio protege o contrato de trabalho durante a sua vigência se 
revestindo de caráter de direito adquirido. O princípio somente abrange a proteção das 
cláusulas existentes no contrato de trabalho. 
 
Com isso, as condições impostas ao empregado diante do contrato, 
somente poderão ser substituídas por uma mais benéfica, pois entende-se que tal direito 
já tenha sido adquirido por esse trabalhador no momento da constituição do contrato. 
 
 
1.3.2 Princípio da Imperatividade das Normas Trabalhistas 
 
 
O presente princípio restringe a autonomia das partes na elaboração do 
contrato de trabalho, assegurando que as garantias fundamentais do trabalhador sejam 
respeitadas mesmo existindo algum contrato que as desrespeitem. 
 
De acordo com Delgado (2015, p.204), rege no direito do trabalho a 
imperatividade das normas elencadas na CLT, não podendo as partes envolvidas dispor 
de uma flexibilização para melhor satisfazer seus objetivos. 
 
 
1.3.3 Princípio da Indisponibilidade dos Direitos Trabalhistas 
 
 
Este princípio também pode ser denominado de Princípio da 
Irrenunciabilidade dos Direitos

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