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UNIVERSIDADE DE JOINVILLE- UNIVILLE DEPARTAMENTO DE DIREITO DISCIPLINA DE PSICOLOGIA JURÍDICA PROFESSORA DRA. LUANA DE CARVALHO GUSSO Nome: JANI FLORIANO Turma 4º. Período. Noturno. Avaliação Bimestral de Psicologia Sua avaliação é individual, com valor de até 10 pontos. A data de entrega é dia 02 de julho de 2019 em sala de aula. Atenciosamente, Profa. Luana. Questão 1: 1. Segundo a Psicanálise, disserte sobre as relações entre o inconsciente, pré-consciência e a consciência. A psicanálise tem por objeto de estudo o determinismo psíquico, sendo que a sua função é esclarecer que nada ocorre por acaso e que existe uma continuidade na vida mental. Ou seja, cada evento mental tem explicação consciente ou inconsciente. Segundo Mlodinow (2013, p.21) “o comportamento humano é produto de um interminável fluxo de percepções, sentimentos e pensamentos, tanto no plano consciente quanto no inconsciente”. É neste sentido que devemos entender, portanto, o que é consciência, pré-consciência e inconsciente. A consciência, na concepção de Freud, é o que chama de parte visível, onde estão as imagens, ideias, recordações e pensamentos que são acessíveis através da simples invocação. O inconsciente é o “círculo maior que abrange em si o círculo menor da consciência; tudo o que é consciente tem um estágio prévio inconsciente, enquanto o inconsciente pode permanecer nesse estágio e ainda assim reclamar o valor pleno de uma produção psíquica.” (FREUD, 1894 apud MLODINOW, 2013). Deve-se destacar que a teoria de Freud para explicar o que é inconsciência foi revolucionária e um marco na história da psicologia. O mundo inconsciente não pode ser entendido como abstrato, pois está lá e existe. Apenas não está acessível de imediato. Segundo o pai da psicanálise, no entanto, é possível acessar através dos sonhos e nos erros involuntários de escrever e falar. Em relação a pré-consciência pode-se entender como aquela parte do inconsciente que pode se tornar rapidamente consciente, em que as porções de memórias são facilmente acessadas. O Pré-Consciente é como uma ampla área das lembranças de que a consciência precisa para resgatar suas funções 2. Procure uma jurisprudência que faça menção a Psicanálise (ou ao seu uso pelo Direito). Pode ser ainda um laudo, autopsia psicológica ou acórdão de Tribunal de Justiça. ESTADO DE SANTA CATARINA TRIBUNAL DE JUSTIÇA Habeas Corpus (criminal) n. 4023602-79.2018.8.24.0000, de Itajaí Relator: Desembargador Ernani Guetten de Almeida HABEAS CORPUS. PACIENTE PRESO PREVENTIVAMENTE E DENUNCIADO PELA SUPOSTA PRÁTICA DOS CRIMES TIPIFICADOS NOS ARTS. 147, CAPUT, 329, CAPUT, E 331, DO CÓDIGO PENAL. SUPERVENIÊNCIA DE LAUDO DE SANIDADE MENTAL QUE APONTOU QUE O PACIENTE SOFRE DE TRANSTORNO ESQUIZOAFETIVO E CONCLUIU QUE ESTE ERA INCAPAZ DE ENTENDER A ILICITUDE DAS AÇÕES COMETIDAS. ACUSADO QUE SUSPENDEU TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO. POSSIBILIDADE CONCRETA DE REITERAÇÃO CASO VOLTE A INTERROMPER O USO DE MEDICAÇÃO. IMPOSIÇÃO DE MEDIDA CAUTELAR CONSISTENTE EM INTERNAÇÃO PROVISÓRIA EM HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO PSIQUIÁTRICO QUE SE MOSTRA ADEQUADA AO CASO CONCRETO. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL, ARTS. 282, INC. II, E 319, INC. VII. ORDEM PARCIALMENTE CONCEDIDA. (TJSC, Habeas Corpus (Criminal) n. 4023602-79.2018.8.24.0000, de Itajaí, rel. Des. Ernani Guetten de Almeida, Terceira Câmara Criminal, j. 02-10-2018). a) Realize uma breve descrição do caso: A Defensoria Pública do Estado de Santa Catarina impetrou habeas corpus com pedido liminar em favor de P. M. da S., que foi preso em flagrante após supostamente efetuar ameaças contra sua vizinha, resistir às ordens policiais e desacatar os mesmos. O Juiz de Direito da 2ª Vara Criminal da comarca de Itajaí homologou a prisão em flagrante do paciente e a converteu em preventiva por ter sido denunciado por: - Crimes contra a liberdade pessoal Art. 147 - Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave - Crimes praticados por particular contra a administração pública Art. 329 - Opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela A justificativa para a solicitação do HC foi de que os delitos imputados ao réu possuem penas abstratas baixas e que ele é o paciente e estaria acometido por distúrbio mental, razão pela qual realizava tratamento até o ano de 2014. Dessa forma, o cárcere não seria local adequado para sua manutenção, razão pela qual a prisão preventiva poderia ser substituída por medidas cautelares diversas, dentre elas tratamento de saúde. b) Aponte o uso da psicanálise no caso: P. M. da S., faz tratamento ambulatorial no CAPS II em Itajaí desde 2006, porém, segundo o relato do Juiz, não comparece na referida entidade desde 2014, o que pode explicar o seu atual comportamento (totalmente desmedido). Afirma que o quadro demonstra que a realização de exame médico-legal é medida de rigor, uma vez que há dúvidas acerca da sua higidez mental. No Sistema de Automação do Judiciário, verificou-se que nos autos de origem foi juntado laudo de sanidade mental que apontou que o paciente sofre de transtorno esquizoafetivo – CID 10 - F25, que "[...] existe um nexo causal entre o transtorno psiquiátrico apresentado pelo examinado e o delito [...]", concluindo que "[...] o examinado P. M. da S. a época dos fatos narrados na Denúncia, encontrava-se totalmente incapaz de entender o caráter ilícito do ato que cometeu, assim como também se encontrava totalmente incapaz de se determinar de acordo com esse entendimento [...]". Entender os motivos que o levaram a praticar os atos de gravidade é fundamental para o tratamento do réu. O próprio relator, Desembargador Ernani Guetten de Almeida, afirma que “observadas as circunstâncias dos delitos supostamente cometidos, a condição psiquiátrica do paciente e a possibilidade de reiteração em caso de descontinuação do tratamento clínico, faz-se necessária a imposição de medida cautelar consistente em internação provisória em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico”. c) Disserte sobre seu entendimento sobre a relação do Direito e da Psicanálise. O direito só existe porque existe a relação entre nós, homens e mulheres convivendo em sociedade, e, para isso, precisamos de regras e limites que organizam as relações e definem o que podemos e devemos fazer. Claro que isso nem sempre ocorre de forma harmônica. Assim, pode-se entender o direito como sendo um: O conjunto de normas de conduta e de organização, constituindo uma unidade e tendo por conteúdo a regulamentação das relações fundamentais para a convivência e sobrevivência do grupo social, tais como as relações familiares, relações econômicas, as relações superiores de poder, e ainda a regulamentação dos modos e formas através das quais o grupo social reage à violação das normas. (BOBBIO, 1998, p. 349). No entanto, as ações humanas nem sempre seguem uma lógica considerada racional a exemplo do que aconteceu no caso apresentado. Por isso, entender da psicanálise acaba sendo fundamental para entender as ações dos homens na sociedade. Como vimos, nem sempre a racionalidade do comportamento humano em sociedade pode ser limitada pelas leis. Cada vez mais compreender o que de fato interfere na forma de agir das pessoas torna- se fundamental para o operador jurídico. REFERÊNCIAS • BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política. Brasília: UnB, 1998 • MLODINOW, Leonard. Subliminar: como o inconsciente influencia nossas vidas. [Minha Biblioteca].