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CENTRO UNIVERSITÁRIO PARA O DESENVOLVIMENTO DO ALTO VALE DO ITAJAÍ Curso de Direito (7ª fase) Disciplina: Direito Processual Civil IV Profª Mª: Franciane Hasse Acadêmica: Hemelyn Djulya Hormann 1007342 Exercício 1. “Y” figura como executado em ação movida por “Z”. Devidamente citado para o pagamento da quantia obrigacional, o demandado deixa de proceder com o pagamento no prazo legal, motivo pelo qual o Oficial de Justiça procedeu à penhora e à avaliação de bens, lavrou o respectivo auto e intimou o executado de tais atos, nos exatos termos da lei. A penhora recaiu sobre uma vaga de garagem que possuía matrícula própria no Registro de Imóveis e que fora indicada pelo credor na inicial da ação de execução. Y opôs embargos do devedor, por meio do qual arguiu que o objeto da penhora constituía bem de família, estando insuscetível ao ato constritivo. Considerando a situação apresentada, responda: o embargante está correto nas suas razões? R: Não, pois é possível realizar penhora de vaga de garagem com registro imobiliário autônomo, e não se considera bem de família, conforme a súmula 449 do STJ dispõe: Súmula 449/STJ. “A vaga de garagem que possui matrícula própria no registro de imóveis não constitui bem de família para efeito de penhora”. Portanto, não há como confundir a garagem com registro imobiliário autônomo com a unidade habitacional, não é bem de família e pode ser penhorado conforme acima. Exercício 2. Miguel e Joana, irmãos, figuram respectivamente como locatário e fiadora em contrato de locação residencial celebrado com Antônio, no qual consta cláusula em que Joana renuncia ao benefício de ordem. Diante da ausência de pagamento dos valores acordados, Antônio promoveu ação de execução por título extrajudicial em face de ambos os devedores. Miguel foi citado cinco dias úteis antes de Joana, sendo que o comprovante de citação de Joana foi juntado aos autos vinte dias úteis após o de Miguel. Diante do exposto, responda aos itens a seguir: a) Opostos embargos à execução por Joana, esta pleiteia que primeiro sejam penhorados os bens de Miguel. Deve ser acolhida essa alegação? R: Não, com a renuncia do benefício de ordem pela fiadora, não existe direito para que sejam penhorados primeiro os bens do afiançado, como podemos ver o que dispõe o artigo 828, inciso I, do Código Civil: Art. 828. Não aproveita este benefício ao fiador: I - se ele o renunciou expressamente; E no artigo 794, §3º, do Código de Processo Civil que dispõe: Art. 794. O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam executados os bens do devedor situados na mesma comarca, livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à penhora. § 3º O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de ordem. b) O prazo para Miguel apresentar embargos à execução findou antes ou depois de iniciar o prazo para Joana embargar a execução? R: O prazo para Miguel apresentar embargos à execução findou antes de iniciar o prazo para Joana embargar a execução. Quando se tem mais de um executado, o prazo para cada um deles embargar é contado a partir da juntada do respectivo comprovante da citação, conforme o artigo 915, §1º, do Código de Processo Civil: Art. 915. Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze) dias, contado, conforme o caso, na forma do art. 231. § 1º Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles embargar conta-se a partir da juntada do respectivo comprovante da citação, salvo no caso de cônjuges ou de companheiros, quando será contado a partir da juntada do último. Portanto, o prazo para Miguel apresentar embargos terminou quinze dias úteis após a juntada de seu comprovante de citação, o que ocorreu antes da juntada do comprovante de citação de Joana. c) O prazo para oposição de embargos seria de 15 (quinze) dias, contados em dobro, se Miguel e Joana possuíssem advogados distintos? R: Não, conforme o artigo 915, §3º do Código de Processo Civil: Art. 915. Os embargos serão oferecidos no prazo de 15 (quinze) dias, contado, conforme o caso, na forma do art. 231. § 3º Em relação ao prazo para oferecimento dos embargos à execução, não se aplica o disposto no art. 229. Art. 229. Os litisconsortes que tiverem diferentes procuradores, de escritórios de advocacia distintos, terão prazos contados em dobro para todas as suas manifestações, em qualquer juízo ou tribunal, independentemente de requerimento. Observa-se que não se aplica o disposto no artigo 229 do CPC em relação ao prazo para oferecimento dos embargos à execução, conforme dispõe o artigo 915, §3º do CPC . Exercício 3. Ronaldo tem um crédito de R$ 20.000,00 com Celso. O referido crédito foi proveniente de contrato de mútuo celebrado entre as partes, subscrito por duas testemunhas. Apesar do vencimento da obrigação, Celso não cumpre o avençado. Ronaldo propõe ação de execução para o adimplemento da obrigação, restando evidenciado que Celso efetivamente doou seus dois únicos bens (automóveis) para Jorge antes da propositura da ação. De acordo com as informações constantes no caso, responda aos itens a seguir: a) É possível identificar algum vício na doação dos bens (automóveis)? R: Identificamos fraude contra credores, conforme nos artigos 158 e 159 do Código Civil: Art. 158. Os negócios de transmissão gratuita de bens ou remissão de dívida, se os praticar o devedor já insolvente, ou por eles reduzido à insolvência, ainda quando o ignore, poderão ser anulados pelos credores quirografários, como lesivos dos seus direitos. §1º Igual direito assiste aos credores cuja garantia se tornar insuficiente. §2º Só os credores que já o eram ao tempo daqueles atos podem pleitear a anulação deles. Art. 159. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano. Pois a doação dos bens ocorreu antes da propositura da ação de execução, a doação dos únicos bens reduz o devedor à insolvência b) Indique o instrumento processual do qual Ronaldo pode se valer para permitir que os bens doados possam ser expropriados na execução proposta. Fundamente a resposta com os dispositivos legais pertinentes. R: Ação Pauliana ou Ação Revocatória, prevista no artigo 161 do Código Civil, é uma opção de agir para que o credor Ronaldo não seja prejudicado e consiga perseguir os bens alienados em fraude contra credores: Art. 161. A ação, nos casos dos arts. 158 e 159, poderá ser intentada contra o devedor insolvente, a pessoa que com ele celebrou a estipulação considerada fraudulenta, ou terceiros adquirentes que hajam procedido de má-fé.