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Indexação Qualis A R ev is ta d o M éd ic o V et er in ár io • w w w .r ev is ta ve te q u in a. co m .b r ANO 13 - Nº 75 - JANEIRO / FEVEREIRO 2018 • Uso de cerclagem e resina acrílica na osteossíntese mandibular em equino: relato de caso • Escala para avaliação do bem-estar em equídeos atletas • Encarceramento em forame epiplóico em equino: relato de caso • Sialoadenite e hiperplasia gengival induzidas por desgaste dentário irregular em equino: relato de caso • Sinais clínicos em equídeos naturalmente infectados por Burkholderia mallei no Estado de Alagoas: relato de caso • Sablose como causa de síndrome cólica em um equino • Ruptura do ligamento da cabeça do fêmur em uma égua: dor, limitação de movimento e achados de necrópsia • Ortopedia Equina: Qual é o verdadeiro espaço articular em uma Radiografia? A OSTEODISTROFIA FIBROSA NA CAVIDADE ORAL A OSTEODISTROFIA FIBROSA NA CAVIDADE ORAL • 1 S U M Á R I O ANO 13 - Nº 75 - JANEIRO / FEVEREIRO 2018 FOTO CAPA: Equident FOTO DESTAQUE: Arquivo pessoal do autor 1. REVISTA BRASILEIRA DE MEDICINA EQUINA (ISSN 1809-2063) - publica artigos Científicos, Revisões Bibliográficas, Relatos de Ca- sos e/ou Procedimentos e Comunicações Curtas, referentes à área de Equinocultura e Medicina de Equídeos, que deverão ser destinados com exclusividade. 2. Os artigos Científicos, Revisões, Relatos e Comunicações curtas devem ser encaminhados via eletrônica para o e-mail: (lucianarevistaequina@gmail.com) e editados em idioma Portugu- ês. Todas as linhas deverão ser numeradas e paginadas no lado inferi- or direito. O trabalho deverá ser digitado em tamanho A4 (21,0 x 29,0 cm) com, no máximo, 25 linhas por página em espaço duplo, com margens superior, inferior, esquerda e direita em 2,5 cm, fonte Times New Roman, corpo 12. O máximo de páginas será 15 para artigo cien- tífico, 25 para revisão bibliográfica, 15 para relatos de caso e 10 para comunicações curtas, não incluindo tabelas, gráficos e figuras. Figu- ras, gráficos e tabelas devem ser disponibilizados ao final do texto, sendo que não poderão ultrapassar as margens e nem estar com apre- sentação paisagem. 3. O artigo Científico deverá conter os seguintes tópicos: Título, Resumo e Unitermos (em Português, Inglês e Espanhol); Introdução; Material e Métodos; Resultados e Discussão; Conclusão e Referências. Agrade- cimento e Apresentação; Fontes de Aquisição; Informe Verbal; Comitê de Ética e Biossegurança devem aparecer antes das Referências. Pesquisa envolvendo seres humanos e animais obrigatoriamente devem apresentar parecer de aprovação de um comitê de ética institucional já na submissão (Modelo .doc, .pdf). 4. A Revisão Bibliográfica deverá conter os seguintes tópicos: Títu- lo, Resumo e Unitermos (em Português, Inglês e Espanhol); Introdu- ção; Desenvolvimento (pode ser dividido em sub-títulos conforme ne- cessidade e avaliação editorial); Conclusão ou Considerações Finais; e Referências. Agradecimento e Apresentação; Fontes de Aquisição e Informe Verbal devem aparecer antes das Referências. 5. O Relato de Caso e/ou Procedimento deverá conter os seguintes tópicos: Título, Resumo e Unitermos (em Português, Inglês e Espa- nhol); Introdução; Relato de Caso ou Relato de Procedimento; Discus- são (que pode ser unida a conclusão); Conclusão e Referências. Agra- decimento e Apresentação; Fontes de Aquisição e Informe Verbal de- vem aparecer antes das Referências. NORMAS PARA PUBLICAÇÃO DE ARTIGOS NA REVISTA BRASILEIRA DE MEDICINA EQUINA 6. A comunicação curta deverá conter os seguintes tópicos: Título, Resumo e Unitermos (em Português, Inglês e Espanhol); Texto (sem subdivisão, porém com introdução; metodologia; resultados e discus- são e conclusão; podendo conter tabelas ou figuras); Referências. Agradecimento e Apresentação; Fontes de Aquisição e Informe Verbal; Comitê de Ética e Biossegurança devem aparecer antes das referênci- as. Pesquisa envolvendo seres humanos e animais obrigatoriamente devem apresentar parecer de aprovação de um comitê de ética institucional já na submissão. (Modelo .doc, .pdf). 7. As citações dos autores, no texto, deverão ser feitas no sistema numérico e sobrescritos, como descrito no item 6.2. da ABNR 10520, conforme exemplo: “As doenças da úvea são as enfermidades mais diagnosticadas nessa espécie, com prevalência de até 50%15”. “Se- gundo Reichmann et al.15 (2008), as doenças da úvea são as enfermi- dades mais diagnosticadas nessa espécie, com prevalência de até 50%”. No texto pode citar-se até 2 autores, se mais, utilizar “et al.” Exemplo: Thomassian e Alves (2010). Neste sistema, a indicação da fonte é feita por uma numeração única e consecutiva, em algaris- mos arábicos, remetendo à lista de referências ao final do artigo, na mesma ordem em que aparecem no texto. Não se inicia a nume- ração das citações a cada página. As citações de diversos docu- mentos de um mesmo autor, publicados num mesmo ano, são distin- guidas pelo acréscimo de letras minúsculas, em ordem alfabética, após a data e sem espacejamento, conforme a lista de Referências. Exem- plo: De acordo com Silva11 (2011a). 8. As Referências deverão ser efetuadas no estilo ABNT (NBR 6023/ 2002) conforme normas próprias da revista. 8.1. Citação de livro: AUER, J.A.; STICK, J.A. Equine Surgery. Phila- delphia: W.B. Saunders,1999, 2.ed., 937p. TOKARNIA, C.H. et al. (Mais de dois autores) Plantas tóxicas da Ama- zônia a bovinos e outros herbívoros. Manaus: INPA, 1979, 95p. 8.2. Capítulo de livro com autoria: GORBAMAN, A. A comparative pathology of thyroid. In: HAZARD, J.B.; SMITH, D.E. The thyroid. Balti- more: Williams & Wilkins, 1964, cap.2, p.32-48. 8.3. Capítulo de livro sem autoria: COCHRAN, W.C. The estimation of sample size. In: ______. Sampling techniques. 3.ed., New York: John Willey, 1977, cap.4, p.72-90. 8.4. Artigo completo: PHILLIPS, A.W.; COURTENAY, J.S.; RUSTON, R.D.H. et al. Plasmapheresis of horses by extracorporal circulation of blood. Research Veterinary Science, v.16, n.1, p.35-39, 1974. 8.5. Resumos: FONSECA, F.A.; GODOY, R.F.; XIMENES, F.H.B. et al. Pleuropneumonia em equino por passagem de sonda nasogástrica por via errática. Anais XI Conf. Anual Abraveq, Revista Brasileira de Medi- cina Equina, Supl., v.29, p.243-44, 2010. 8.6. Tese, dissertação: ESCODRO, P.B. Avaliação da eficácia e segu- rança clínica de uma formulação neurolítica injetável para uso perineu- ral em equinos. 2011. 147f. Tese (doutorado) - Instituto de Química e Biotecnologia. Universidade Federal de Alagoas. ALVES, A.L.G. Avaliação clínica, ultrassonográfica, macroscópica e histológica do ligamento acessório do músculo flexor digital profundo (ligamento carpiano inferior) pós-desmotomia experimental em equi- nos. 1994. 86 f. Dissertação (Mestrado) - Faculdade de Medicina Ve- terinária e Zootecnia. Universidade Estadual Paulista. 8.7. Boletim: ROGIK, F.A. Indústria da lactose. São Paulo: Departa- mento de Produção Animal, 1942. 20p. (Boletim Técnico, 20). 8.8. Informação verbal: Identificada no próprio texto logo após a in- formação, através da expressão entre parênteses. Exemplo: ...são achados descritos por Vieira (1991 - Informe verbal). Ao final do texto, antes das Referências Bibliográficas, citar o endereço completo do autor (incluir e-mail), e/ou local, evento, data e tipo de apresentação na qual foi emitida a informação. 8.9. Documentos eletrônicos: MATERA, J.M. Afecções cirúrgicas da coluna vertebral: análise sobre as possibilidades do tratamento cirúr- gico. São Paulo: Departamento de Cirurgia, FMVZ-USP, 1997, 1 CD. GRIFON, D.M. Artroscopic diagnosis of elbow displasia. In: WORLD SMALL ANIMAL VETERINARY CONGRESS, 31., 2006, Prague, Czech Republic. Proceedings… Prague: WSAVA, 2006, p.630-636. Acessado em 12 fev. 2007. Online. Disponível em: http://www.ivis.org/ proceedings/wsava/2006/lecture22/Griffon1.pdf?LA=1. 9. Os conceitos e afirmações contidos nos artigos serão de inteira responsabilidade do(s) autor(es). 10. Os artigos serão publicados em ordem de aprovação. 11. Os artigos não aprovadosserão arquivados havendo, no entanto, o encaminhamento de uma justificativa pelo indeferimento. 12. Em caso de dúvida, consultar os volumes já publicados antes de dirigir-se à Comissão Editorial. • Escala para avaliação do bem-estar em equídeos atletas (Página 4) • Encarceramento em forame epiplóico em equino: Relato de caso (Página 10) • Uso de cerclagem e resina acrílica na osteossíntese mandibular em equino: Relato de caso (Página 14) • Sablose como causa de síndrome cólica em um equino (Página 18) • Ruptura do ligamento da cabeça do fêmur em uma égua: dor, limitação de movimento e achados de necrópsia (Página 22) • Sinais Clínicos em equídeos naturalmente infectados por Burkholderia mattei no estado de Alagoas: Relato de caso (Página 26) • Sialoadenite e hiperplasia gengival induzidas por desgaste dentário irregular em equino: Relato de caso (Página 30) • Odontologia Equina: A Osteodistrofia fibrosa na cavidade oral (Página 32) • Agronegócio: Desafios econômicos na comercialização de Feno (Página 36) • Informativo Equestre: Hidroterapia em Equinos (Página 40) •Gestão Empresarial: Reuniões, ajudam ou atrapalham o Médico Veterinário? (Página 41) • Ortopedia Equina: Qual é o verdadeiro espaço articular em uma Radiografia? (Página 42) 14 www.passoapasso.org.br dr.jairocardenas@yahoo.com.br 10 18 14 32 42 2 • E D I T O R I A L FUNDADOR Synesio Ascencio (1929 - 2002) DIRETORES José Figuerola, Maria Dolores Pons Figuerola EDITOR RESPONSÁVEL Fernando Figuerola JORNALISTA RESPONSÁVEL Russo Jornalismo Empresarial Andrea Russo (MTB 25541) Tel.: (11) 3875-1682 russo.jornalismo@gmail.com PROJETO GRÁFICO Studio Figuerola EDITOR DE ARTE Roberto J. Nakayama MARKETING Master Consultoria e Serviços de Marketing Ltda. Milson da Silva Pereira milsonbiconsult@gmail.com PUBLICIDADE / EVENTOS Diretor Comercial: Fernando Figuerola Fones: (12) 3959-2412 (11) 99184-7056 fernandofiguerola@terra.com.br ADMINISTRAÇÃO Fernando Figuerola Pons ASSINATURAS: Tel.: (12) 3959-2412 WhatsApp (12) 99790-0262 editoratrofeu@terra.com.br REVISTA BRASILEIRA DE MEDICINA EQUINA é uma publicação bimestral da EditoraTroféu Ltda. 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Gobesso Nutrição e Fisiologia do Exercício cateto@usp.br Aline Emerim Pinna Diagnóstico por Imagem aepinna@id.uff.br André Luis do Valle De Zoppa Cirurgia alzoppa@usp.br Cláudia Acosta Duarte Clínica Cirúrgica de Equídeos claudiaduarte@unipampa.edu.br Daniel Lessa Clínica lessadab@vm.uff.br Fernando Queiroz de Almeida Gastroenterologia, Nutrição e Fisiologia Esportiva almeidafq@yahoo.com.br Flávio Desessards De La Côrte Cirurgia delacorte2005@yahoo.com.br Geraldo Eleno Silveira Clínica Cirúrgica de Equinos geraldo@vet.ufmg.br Guilherme Ferraz Fisiologia do Exercício guilherme.de.ferraz@terra.com.br Henrique Resende Anatomia e Equinocultura resende@dmv.ufla.br Jairo Jaramillo Cardenas Cirurgia e Anestesiologia Equina dr.jairocardenas@yahoo.com.br Jorge Uriel Carmona Ramíres Clínica e Cirurgia carmona@ucaldas.edu.co José Mário Girão Abreu Clínica zemariovet@gmail.com.br Juliana Regina Peiró Cirurgia juliana.peiro@gmail.com Luiz Carlos Vulcano Diagnótico de Imagem vulcano@fmvz.unesp.br Luiz Cláudio Nogueira Mendes Clínica de Grandes Animais luizclaudiomendes@gmail.com Marco Antônio Alvarenga Clínica e Reprodução Equina malvarenga@fmvz.unesp.br Marco Augusto G. da Silva Clínica Médica de Equídeos silva_vet@hotmail.com Maria Verônica de Souza Clínica msouza@ufv.br Max Gimenez Ribeiro Clinica Cirúrgica e Odontologia mgrvet@bol.com.br Neimar V. Roncati Clinica, Cirurgia e Neonatologia neimar@anhembi.br Roberto Pimenta P. Foz Filho Cirurgia robertofoz@gmail.com Renata de Pino A. Maranhão Clínica renatamaranhao@yahoo.com Silvio Batista Piotto Junior Diagnóstico e Cirurgia Equina abraveq@abraveq.com.br Tobyas Maia de A. Mariz Equinocultura e Fisiologia Equina tobyasmariz@hotmail.com Tendências de Marketing na Equinocultura Recentemente, Sophie Barrington, da Archer Creative, pu- blicou um artigo discutindo as perspectivas do marketing na equi- nocultura para os próximos 10 anos. Ela destaca a importância do uso de vídeos, nos seus mais diversos formatos (streaming ao vivo, 360 graus, animação, etc.). A autora revela que os usuá- rios do YouTube consomem um bilhão de horas de vídeo diaria- mente. Já os usuários do Facebook observam oito bilhões de vídeos por dia. E, 82% dos usuários do Twitter visualizam o con- teúdo do vídeo. Parece claro que as ações de marketing devem incluir vídeos. Mas o papel não está aposentado. Além do vídeo, tudo que compõem o marketing digital deve ser incrementado, entretanto, há a ressalva importante que o material impressa ainda será ne- cessário e deve sempre ser usados em parceria com mídias digi- tais ainda por, pelo menos, a próxima década. Após uma forte expansão na quantidade de informações disseminadas com uso intensivo da internet, verificada nos últi- mos anos, a qualidade voltará ser valorizada. As empresas no setor equestre deverão dar atenção ao conteúdo do que divul- gam tanto em redes sociais quanto em seus próprios portais. O marketing de influenciadores é cada vez mais utilizado na indústria relacionado ao cavalo em nível mundial. Mas é preci- so tomar o cuidado de não confundir esse marketing com a sim- ples contratação de celebridades (ou artistas do momento): é necessário ter credibilidade, autoridade, para capitalizar a influ- ência. Artigos e autores das publicações nas diversas revistas (jor- nals e magazines) deverão estar cada vez mais frequentes e vi- sualizados não apenas no meio acadêmico, mas também nas iniciativas de marketing, preferencialmente acompanhados de vídeos ilustrando seus estudos e recomendações. Roberto Arruda de Souza Lima Professor da ESALQ/USP raslima@usp.br • 3 4 • Clarisse Simões Coelho Universidade Federal da Bahia Helena Emília Cavalcanti de Costa Cordeiro Manso Universidade Federal Rural de Pernambuco Helio Cordeiro Manso Filho* (helio.mansofo@ufrpe.br) Universidade Federal Rural de Pernambuco José Dantas Ribeiro Filho Universidade Federal de Viçosa José Mário Girão Abreu Universidade Estadual do Ceará Pierre Barnabé Escodro Universidade Federal de Alagoas Sandra Regina Fonseca de Araújo Valença Universidade Federal Rural de Pernambuco * Autor para correspondência Escala para avaliação do “Scale for assessing well-being in athletes equids” “Escala para evaluacion del bienestar en equídeos atletas” em equídeos atletas RESUMO: Nas últimas décadas, com o desenvolvimento da hipiatria, o bem-estar (BE) passou a ser tema regular nas discussões técnicas e projetos científicos dessa área da medicina veterinária. Diferentes grupos passaram a estudar e incluir aspectos do BE animal nas atividades esportivas com equídeos. Esse trabalho objetivou o desenvolvimento de um modelo de avaliação de BE para equídeos em atividades atléticas e de trabalho, facilitando a análise por hipiatras nas diferentes regiões do país. Serão utilizados sete parâmetros da hipiatria, os quais têm largo amparo científico paraserem empregados na determinação do bem-estar: (1) Escore corporal, (2) Frequência cardíaca de repouso e recuperação, (3) Presença de ferimentos/sangramentos, (4) Dor/claudicação, (5) Concentração de leucócitos, (6) Concentração de eritrócitos, hemoglobina e volume globular e (7) Creatinaquinase (CK). O sistema consiste em pontuar cada item e o somatório desta pontuação será confrontado na escala indicando o nível de BE no qual o animal se encontra. Para cada parâmetros, a ausência de anormalidade representará o valor da pontuação “0” (zero), enquanto a presença de anormalidade e penalização significa “1” (um). Assim, quanto mais pontos um animal obtiver, menor será a condição de BE que ele possui. A implementação de um sistema de avaliação do BE do atleta poderá contribuir para o melhor acompanhamento dos equídeos atletas e de trabalho e assim para o exercício da hipiatria nas suas diferentes áreas. O sistema é simples, mas baseado em parâmetros científicos, largamente utilizados em diversos países e no Brasil, podendo ser aplicados com eficiência contribuindo, assim, para o desenvolvimento da Equideocultura nacional e atendendo aos anseios da sociedade no século XXI. Unitermos: cavalo, esporte, bem-estar animal, frequência cardíaca, creatinaquinase ABSTRACT: In the last decades with the development of hipiatry, the well-being has become a regular theme in the technical discussions and scientific projects of this veterinary area. different groups started to study and include aspects of the welfare in the sport activities with equidae. This work aimed at the development of a model of evaluation of equine welfare in athletic and work activities, facilitating the analysis by equine veterinarians in different regions of the country. Seven parameters of hipiatry will be used, which have wide scientific support to be used in the determination of well-being. They are: body score, recovery heart rate, presence of wounds / bleeding, pain / claudication, leukocyte concentration, erythrocyte concentration, hemoglobin concentration, globular volume and creatine kinase (CK). The system consists of punctuating each item and the sum of this score will be confronted in the scale indicating the level of welfare in which the animal is. For each parameter, the absence of abnormality will represent the score value "0" (zero), while the presence of abnormality and penalty means "1" (one). Thus, the more points an animal gets, the less welfare it has. The implementation of a system of evaluation of the athlete's well-being may contribute to the better monitoring of the equidae athletes and of work and thus to the exercise of hipiatry in its different areas. The system is simple but based on scientific parameters, widely used in several countries and in Brazil, and can be applied efficiently, thus contributing to the development of the National equine production and meeting the yearnings of society in the 21st century. Keywords: horses, sport, welfare, heart rate, creatine kinase RESUMEN: En las últimas décadas, con el desarrollo de la hipiatría, el bienestar (BE) pasó a ser tema regular en las discusiones técnicas y proyectos científicos de esa área de la medicina veterinaria. Diferentes grupos pasaron a estudiar e incluir aspectos del BE animal en las actividades deportivas con équidos. Este trabajo objetivó el desarrollo de un modelo de evaluación de BE para équidos en actividades atléticas y de trabajo, facilitando el análisis por hipiatras en las diferentes regiones del país. siete parámetros hipiatria serán utilizados, que tienen apoyo científico amplia para ser empleados en la determinación del bienestar: (1) la condición corporal, (2) la frecuencia cardíaca en reposo y la recuperación, (3) la presencia de lesión / sangrado, (4 (5) concentración de leucocitos, (6) concentración de eritrocitos, hemoglobina y volumen globular y (7) creatinaquinasa (CK). El sistema consiste en puntuar cada ítem y la suma de esa puntuación será confrontada en la escala indicando el nivel de BE en el cual el animal se encuentra. Para cada parámetro, la ausencia de anormalidad representará el valor de la puntuación "0" (cero), mientras que la presencia de anormalidad y penalización significa "1" (uno). Así, cuanto más puntos obtenga un animal, menor será la condición de BE que posee. La implementación de un sistema de evaluación del BE del atleta puede contribuir al mejor seguimiento de los équidos atletas y de trabajo y así para el ejercicio de la hipiatría en sus diferentes áreas. El sistema es simple, pero basado en parámetros científicos, ampliamente utilizados en diversos países y en Brasil, pudiendo ser aplicados con eficiencia contribuyendo así al desarrollo de la Equidocultura nacional y atendiendo a los anhelos de la sociedad en el siglo XXI. Palabras claves: caballo, deporte, bienestar animal, frecuencia cardíaca, creatinaquinasa • 5 têm amparo científico para serem empregados na determinação do bem-estar. São eles: (1) Escore corporal, (2) Frequência cardíaca de recuperação, (3) Presença de ferimentos, sangramentos e taras, (4) Dor/claudicação, (5) Concentração de leucócitos, (6) Concen- tração de eritrócitos, concentração de hemoglobina, volume globu- lar e (7) Creatinaquinase (CK) (Quadro 1). O sistema consiste em pontuar cada item e o somatório desta pontuação será confrontado na escala indicando o nível de bem- estar no qual o animal se encontra (Quadro 2). Para cada indica- dor, a ausência de anormalidade representará o valor da pontuação “0” (zero), enquanto a presença de anormalidade representará o valor da pontuação “1” (um). Assim, quanto mais pontos um ani- mal obtiver, menor será a condição de bem-estar que ele possui. Para equídeos que somarem 3 (três) ou menos pontos, o sistema indica ausência de comprometimento do seu bem-estar. Equídeos que estão com pontuação entre 4 e 5 apresentam qualidade inter- mediária na escala de bem-estar, os equídeos com pontuações atin- gindo 6 (seis) até 7 (sete) possuem nítido comprometimento do seu bem-estar (Quadro 2). Essa escala poderá ser utilizada a qualquer momento da vida do animal e não serve como uma declaração ou Introdução Ao longo das últimas décadas, a Medicina Veterinária Equina Brasileira desenvolveu-se em diversas áreas, favorecendo boas prá- ticas nos diversos de sistemas de criação em várias regiões do Bra- sil. Associados a esses fatores, a grande utilização de processos mais tecnológicos, tem favorecido a difusão e o uso dessas técnicas com bases científicas, produzindo melhoras significativas na cria- ção de equídeos, e que incorporem as práticas de bem-estar animal (BEA). O bem-estar em animais pode ser definido de forma que per- mita pronta relação com outros conceitos, como necessidades, li- berdades, adaptação, controle, capacidade de previsão, sentimen- tos, sofrimento, dor, ansiedade, medo, tédio, estresse e saúde. Es- tas diretrizes, estabelecidas na sociedade pós-guerra, precisam de adaptações, segundo a espécie em questão e de sua utilização, pro- curando seguir a medicina veterinária baseada na evidências cien- tíficas. Esses novos conceitos conduziram ao desenvolvimento de sistemas de avaliações simples e objetivos6,7,21 que procuraram di- fundir as boas-práticas de criação e de BEA entre todos os envolvi- dos com os equídeos atletas. Alguns grupos de pesquisa nacionais vêm desenvolvendo in- vestigações em cavalos atletas, visando compreender as respostas biológicas nas diferentes modalidades esportivas. O aumento do rendimento atlético depende de diversos fatores psíquicos e físi- cos, alimentação e idade do animal, justificando a busca por pro- gramas de treinamento e nutrição para cada tipo de atividade eques- tre. Com a maior intensificação nas criações e práticas esportivas com equídeos, e em virtude da maior compreensão da fisiologia nos animais dos aspectos que levam ao estresse, os agentes de de- fesa animal e a classe médico veterinária têm contribuído para que a utilização desses animais seja realizada dentro dos conceitosde BEA e da senciência. Em seu excelente livro (Zootecnia Especial - Equídeos), ain- da atual para os dias de hoje, o prof. Guilherme Hermsdorff (1956) já destacava que as boas-práticas de criação e de BEA deveriam ocupar todas as áreas da Equideocultura, desde a criação até as fases de treinamento, competição e trabalho, favorecendo o melho- ramento genético e o desenvolvimento de todo o sistema de cria- ção no Brasil, e ainda recordando-se que de acordo com o Código de Conduta da Federação Equestre Internacional (FEI, 2014), o bem-estar de equinos deverá ser soberano perante as outras de- mandas. A investigação do bem-estar dos equídeos deve se assentar na medicina baseada nas evidências científicas. Diferentes parâme- tros fisiológicos têm sido utilizados para avaliação de condiciona- mento atlético e acompanhamento de treinamento físico e tais in- formações podem também serem usadas na avaliação da saúde, conforto e prazer dos animais. O estabelecimento de uma escala poderá facilitar a compreensão do grau de BEA no qual o animal ou grupo deles está sendo submetido6,7,21. Essa escala poderá favo- recer a melhora nas práticas de criação e treinamento dos animais atletas e de serviços, e assim estimular a aplicação das boas-práti- cas de treinamento e competição em toda a indústria. Esse trabalho objetivou o desenvolvimento de uma escala de avaliação de BEA para equídeos em atividades atléticas e de trabalho pelos hipiatras nas diferentes regiões do país. Sugestão de modelo para avaliação do Bem-Estar em cavalos e outros equídeos atletas e como utilizá-lo Serão utilizados sete parâmetros na prática da hipiatria, os quais Quadro 1: Sistema de avaliação para a formação da escala de bem-estar nos equídeos atletas e de trabalho ITEM A SER AVALIADO AVALIAÇÃO “ 0 ” “ 1 ” 1 ESCORE CORPORAL 4-6 ≤3 1 até 9 ≥7 2 FERIMENTOS/SANGRAMENTO Sem ferimentos ou Presente Arreios - professora, esporas, cicatrizes associadas Acidentes - recentes ou antigos ao esporte ou trabalho Sem sangramento 3 DOR ou CLAUDICAÇÃO Ausente Presente Escala do Obel (1-5). Obel ≤1 Obel 2-5 4 FC @ Repouso no boxe ou 20-50 ≥64/72bpm FC Recuperação ≤30min de ≤64/72 @ 30min ≥64/72bpm finalizado o exercício 5 [NEUTRÓFILOS] Normalidade para o Fora da normalidade: laboratório em uso acima ou abaixo 6 ANEMIA Normalidade para o Fora da normalidade: Combinar He, Hb e Ht/VG laboratório em uso acima ou abaixo 7 Creatinaquinase (CK) Normalidade Horário da colheita: entre 4 e ≤400UI ≥500 UI 5 horas após exercício TOTAL de PONTOS ---###--- Quadro 2: Sistema de classificação na escala de bem-estar para equídeos atletas e de trabalho Pontuação Conclusões 0 até 3 Animais submetidos as boas-práticas de bem-estar em suas atividades esportivas Entre 4 e 5 Animais que devem refazer a sua avaliação pois estão próximos ao comprometimento o seu bem-estar De 6 até 7 Animais com bem-estar comprometido, necessitando de adequação pra recuperar o bem-estar 6 • atestado definitivo do BEA, pois trata-se de um processo dinâmico e em constante evolução. Em qualquer situação, desde competições, manejo e outras práticas que envolvam equídeos, os critérios clínicos ou de bom senso terão impacto maior na avaliação global do animal, superan- do a própria pontuação do protocolo. Assim, as 7 (sete) variáveis supracitadas e/ou outras, não contempladas na proposta, mas que o avaliador julgue de importância temporal, terão caráter individual na determinação na condição do BEA. Também, os centros de com- petição ou treinamento podem obter uma certificação de bem-estar dos animais alojados com base nessa escala, que poderia ter vali- dade de 30 dias, ou uma certificação a partir de um programa de avaliação regular ao longo do ano ou de um período, devidamente acompanhado por profissionais habilitados. Parâmetros utilizados na Avaliação do Bem-estar de Equídeos e sua interpretação ESCORE CORPORAL A avaliação do escore corporal (EC) tem sido largamente uti- lizada na avaliação dos equídeos, sendo que há pelo menos dois padrões para equinos2,3,7 e um para os asininos6. Essa diferença en- tre as espécies deve-se a distribuição do acúmulo de gordura, que nos asininos é muito peculiar, formando “cachos de gordura” ou lipomas. Os muares apresentam uma distribuição do acúmulo de gordura um pouco mais semelhante aos equinos. Basicamente, esses índices de EC indicam que o número mais baixo, normalmente “1”, podendo ser “0”, revelam um animal ca- quético, muito magro e muitas vezes com escaras no corpo e em visível quadro de estado catabólico. Já o número mais elevado, seja o 9 usado no padrão americano2 ou 5 utilizado no padrão in- glês3, indicam animais obesos. Essa distribuição para os jumentos segue o padrão de 1 até 56. Mesmo sabendo-se que esse tipo de avaliação é subjetivo e, que a determinação da composição corporal poderia ser mais efici- ente na determinação da percentagem de gordura corporal e a mas- sa livre de gordura4,5, ele é bastante difundido entre veterinários, zootecnistas e criadores. Apesar dessa característica, o IEC tem servido como indicador da eficiência do programa nutricional e intensidade de treinamento/trabalho, fornecendo importantes infor- mações. Deve ser ainda enfatizado que para cada modalidade esporti- va ou tipo de trabalho pode haver um EC que reflita adequadamen- te as demandas energéticas da atividade física. Por exemplo, cava- los de enduro e de corrida usualmente apresentam EC mais próxi- mos de 4/5, enquanto cavalos de provas de marcha e salto/adestra- mento o padrão 5/6, em uma escala de 1 até 9. Esse é um fato que o avaliador deve considerar quando se propõe utilizar o EC para com- por a tabela de pontuação aqui descrita. Penalização: Animais com escores inferiores a 3 ou superio- res a 7, indicam anormalidade e serão penalizadas no siste- ma de escala de avaliação. FERIMENTOS, SANGRAMENTOS, TARAS E CICATRIZES A presença de ferimentos, sangramentos, taras e cicatrizes são importantes aspectos nas avaliações do BEA dos equídeos desde longa data, tanto que há séculos é um dos ítens a ser considerado durante a compra e negociações de animais. No caso de animais atletas, ferimentos com sangramentos podem estar associados aos erros no arreamento (“pegadura de sela”) ou ao mau trato do ani- mal. Especificamente, ferimentos na cabeça, principalmente nos olhos e língua, algumas partes do tronco, costados (esporas) e flan- cos (chicotes). Adicionalmente, a atividade física executada pode levar ao aparecimento de inúmeros tipo de taras, principalmente nos mem- bros (ovas, exostoses, tendinites crônicas, etc), que podem ter sido adquiridas durante competições ou mesmo em treinamentos. Por isso, equídeos atletas devem treinar, competir e trabalhar obede- cendo os padrões cíclicos de treinar-competir-recuperar, evitando o desgaste precoce dos tecidos envolvidos com as práticas esporti- vas. A presença dessas taras pode tornar o andamento irregular e facilitar o aparecimento de ferimentos, como sangramentos, em diferentes partes do corpo do animal. Penalização: Lesões que estejam interferindo claramente na performance/treinamentos, as feridas com sangramento, e lesões típicas de maus-tratos serão penalizadas no sistema de escala de avaliação. DOR E CLAUDICAÇÃO A dor é excelente indicador de BEA em qualquer espécie, sendo que nos equídeos esse talvez seja uma das principais causas do baixo rendimento ou da perda de capacidade atlética10. O diagnós- tico para a dor se baseia no exame físico realizado pelo veterinário, seguindo o padrão de avaliações de BEA que seguem o sistema da FEI (2014), onde o veterinário realiza o exame apenas visualmente para as claudicações como o animal ao passo e ao trote, desmonta- do, e puxado com cabresto de cabo longo em linha reta. Caso os animais necessitem de palpação e manobras diagnós- ticas, como flexões e extensões forçadas, e uso da pinça de casco, ou métodos mais sofisticados, como bloqueios anestésicos e técni- cas de diagnóstico por imagem (radiografias e ultrassonografia),ele poderá ser penalizado e retirado das competições. O sistema de escala de dor/claudicação mais empregado no Mundo para a avaliação da dor, principalmente as associadas a lo- comoção, talvez seja o descrito por Obel (1948), que desenvolveu uma escala para animais com laminite, mas que hoje é empregada para qualquer tipo de claudicação nos equídeos. Na atual proposta de avaliação, o hipiatra deve identificar se o animal está ou não com dor, sabendo-se que esse tipo de exame pode ser como o ani- mal parado ou em movimento7,10, e seguindo o padrão da FEI (2014) descrito acima. Penalização: Caso seja determinado que o animal esteja com dor ou com claudicação, graus de 2 até 5, nas escala Obel (1948), ele será penalizadas no sistema de escala de avaliação. FREQUÊNCIA CARDÍACA: REPOUSO E DE RECUPERAÇÃO A avaliação da frequência cardíaca (FC) sempre foi muito es- tudada por veterinários e hipiatras; contudo nas últimas décadas, ela passou a ter grande importância devido a maior difusão das provas de resistência e enduro por todo o mundo. Assim, a FEI (2014) passou a incluir em suas avaliações de bem-estar do atleta a determinação da FC de recuperação em diferentes fases da compe- tição9,10,16. A FC cardíaca dos animais bem condicionados são mais bai- xas do que as observadas nos não treinados, quando submetidos • 7 todos ao mesmo tipo de desafio ou competição, contribuindo, as- sim, para um maior eficiência energética e prolongando o tempo até a fadiga12,13,14. Também, deve-se observar que senilidade inter- fere nesse parâmetro, da mesma forma que animais jovens podem também apresentar FC mais elevadas do que os adultos. A mensuração da FC em repouso deve ser realizada com o animal em ambiente calmo, de preferência no seu boxe/baia. Já a mensuração da FC em recuperação é realizada em até 30 minutos após o término do esforço físico, em ambiente calmo, sem a monta- ria ou arreado e para animais condicionados deverá estar abaixo de 64-72bpm (FEI, 2014). Penalização: Caso a FC de recuperação seja superior a 64- 72 bpm no período não superior à 30 minutos, o cavalo será penalizadas no sistema de escala de avaliação. CONCENTRAÇÃO DE LEUCÓCITOS, ERITRÓCITOS, HEMOGLOBINA E HEMATÓCRITO A utilização de exames laboratoriais e sua correta interpreta- ção são imprescindíveis para a boa conduta clínica e resolução dos processos mórbidos que acometem os animais. Na atualidade, ob- servou-se o desenvolvimento e a disponibilidade comercial de muitos aparelhos utilizados em laboratórios de análise clínica. Essa evolução ocorreu principalmente nos contadores automáticos de células e nos aparelhos automáticos de bioquímica. Isso tem se tra- duzido numa maior facilidade para realização de exames e, conse- quentemente, em diagnósticos clínicos mais refinados. Porém, para que o veterinário possa usufruir desse grande avanço, é imprescin- dível saber solicitar e interpretar esses resultados obtidos com o auxílio de técnicas tradicionais de análise ou com o auxílio de má- quinas de última geração. Um aspecto importante nesse tipo de avaliação será a coleta das amostras. Para avaliação desses parâmetros, o ideal é colher o sangue em tubos com anticoagulante EDTA, preferencialmente pela parte da manhã sem movimentar ou estressar os animais. Cavalos Puro-Sangue apresentam grande desenvolvimento do baço e qual- quer movimento podem estimular a contração desse órgão, aumen- tando assim o número de hemácias/eritrócitos (He), concentração de hemoglobina (Hb) e o hematócrito (Ht) ou volume globular (VG), comprometendo a avaliação. Finalmente, deve-se enfatizar que a correta interpretação deve ser feita procurando valores de normalidade na literatura condi- zentes com faixa etária, sexo, alimentação, tipo de esforço realiza- do e as condições climáticas onde os animais são criados17,18. Penalização: Animais com concentrações desses parâmetros sanguíneos (leucócitos e He/Hb/Ht) acima ou abaixo dos pa- râmetros da normalidade para raça e modalidade esportiva, aceitos na literatura nacional e internacional, serão penali- zadas no sistema de escala de avaliação. ENZIMA CREATINAQUINASE (CK) Nos últimos anos, a determinação da concentração da enzima muscular creatinaquinase (CK) ou creatinakinase passou a ser am- plamente utilizada como forma de avaliação da saúde dos equídeos atletas. Ela é encontrada livre no citoplasma de células musculares e são extravasadas dessas células quando há lesão ou aumento da permeabilidade de sarcolema. Todo tipo de exercício físico provo- ca algum grau de transporte, mas quanto maior for a lesão muscu- lar, maior será a elevação da CK no sangue dos animais9,19. Para melhor entendimento desse processo, estudos realizados por Valberg indicaram que valores de CK acima de 400-500 UI/L indicam lesão muscular significativa, sinalizando que o animal pre- cisa de repouso para se recuperar e, dependendo do caso, necessi- tará de tratamento clínico. Desse modo, para um avaliação precisa o sangue do animal deverá ser colhido cerca de 4 até 6 horas após o exercício, já que após 24 horas a concentração de CK pode retor- nar a valores basais, dependendo da extensão da lesão19,20. Penalização: Animais com concentrações da CK acima de 500UI entre 4 e 5 horas de finalizado o exercício físico ou competição serão penalizadas no sistema de escala de avali- ação. OUTROS PARÂMETROS Outros parâmetros poderiam ter sido utilizados, entre eles a concentração de cortisol, o número de linfócitos, a interação entre animais (visual, olfativa, táctil, etc) e o programa alimentar. O cor- tisol sempre foi utilizado como biomarcador do bem-estar, mas re- centemente alguns pesquisadores passaram a discutir a real impor- tância dele para o entendimento desse tipo de avaliação21. Além disso, existem questões a serem resolvidas para que sua determina- ção seja utilizada, entre eles: o tipo de teste (radioimunoensaio, ELISA, quimioluminescência, etc), a marca e o valor do kit comer- cial e o horário da coleta, e a disponibilidade de laboratórios locais e além do tipo da amostra. O número de linfócitos faz parte do hemograma. Essa determi- nação é importante, pois as linfopenias usualmente estão associadas à estresse, infecções e desordens inflamatórias graves e agudas. Finalmente, o programa alimentar que pode ser associado com o índice de escore corporal, pois uma alimentação não compatível com o tipo de atividade física resultará em perda ou ganho excessi- vo de gordura, modificando o escore corporal. A interação entre animais também é importante, pois os equídeos são animais gregá- rios, daí o seu incremento nas últimas décadas das práticas que aumentem a interação entre os animais. Aqueles sistemas de cria- ção e alojamento com animais recolhidos em “prisões” isoladas tem diminuído, pois há o entendimento que assim como nos huma- nos, os equídeos são animais gregários. Do mesmo modo, a huma- nização é tão prejudicial quanto o isolamento para todos os ani- mais domésticos, comprometendo o bem-estar. Conclusão A implementação de um sistema de avaliação do BEA-Atleta poderá contribuir para o melhor acompanhamento dos equídeos atletas e de trabalho e assim para o exercício da hipiatria nas suas diferentes áreas. O sistema é simples, mas baseado em parâmetros científicos, largamente utilizados em diversos países e no Brasil, podendo ser aplicados com eficiência contribuindo, assim, para o desenvolvimento da Equideocultura nacional e atendendo aos an- seios da sociedade no século XXI. Contudo, deve-se recordar que ele deverá ser um processo dinâmico e atualizado regularmente. Referências 1. HERMSDORFF, G.E. Zootecnia especial, Volume 1 - Equideos. Edição pu- blicada sob os auspícios da Universidade Rural e do Escritório Técnico de Agri- cultura, Brasil-Estados Unidos, 1956. 8 • 2. HENNEKE, D.R.; POTTER, G.D.; KREIDER, J.L.; YEATES, B.F. Relati- onship Between Condition Score, Physical Measurements and Body Fat Percen- tage in Mares, Equine Veterinary Journal, 15 (4): 371-372, 1993. 3. CARROLL, C.L.; HUNTINGTON,P.J. Body Condition Scoring and Weight Estimation of Horses, Equine Veterinary Journal, 20 (1): 41-45, 1988. 4. ABREU, J.M.G.; MANSO FILHO, H.C.; MANSO, H.E.C.C.C. Composição corporal nos cavalos de trabalho. Ciência Animal Brasileira, 10 (4): 1122- 1127, 2009. 5. KEARNS, C.F.; McKEEVER, K.H.; KUMAGAI, K.; ABE, T. Fat-free mass is related to one-mile race performance in elite standartbred horses. The Veteri- nary Journal, 163 (3): 260-266, 2002. 6. THE DONKEY SANCTUARY. CONDITION SCORING AND WEIGHT ESTIMATION. Research Department. The Donkey Sanctuary, Published 2013. Revised October 2014, p.4. 7. 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Low plasma cortisol and fecal cortisol metabolite measures as indicators of compromised welfare in domestic horses (Equus caballus). PLoS ONE 12(9): e0182257, 2017. • 9 10 • “The epiploic incarceration in horses: case report” “Encarcelamiento en forame epiplóico en equinos: estúdio de caso” Gustavo Morandini Reginato*, (gmorandinivet@gmail.com) Julia de Assis Arantes Mestrandos do Programa de Biociência Animal da Fac. de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Univ. de São Paulo Gonçalo da Rocha Morona, Pedro Henrique Salles Brito, Marília Alves Ferreira, Roberto Romano do Prado Filho Residentes do Programa de Clínica Médica e Cirúrgica de Equinos pela Fac. de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Univ. de São Paulo Renata Gebara Sampaio Dória Professora da Área de Clínica e Cirurgia de Equinos da Fac. de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Univ. de São Paulo *autor para correspondência RESUMO: O encarceramento em forame epiplóico em equinos é observado em 2-10% das cólicas encaminhadas para a cirurgia, causando um comprometimento vascular que pode levar a necessidade de ressecção do segmento de alça intestinal afetado ou, até mesmo, eutanásia do animal. Um equino, macho, castrado, 400 kg, 5 anos de idade, da raça Mangalarga foi admitido com sinais de cólica, que tinha duração de 24 horas. Após os exames pertinentes, foi indicada a cirurgia, a qual foi negada pelo proprietário. Após tentativa de manutenção da vida do animal, foi indicada a eutanásia, sendo diagnosticado encarceramento de íleo no forame epiplóico na necropsia. Foi avaliado que o animal possuiria um bom prognóstico caso a laparotomia fosse realizada. Unitermos: sablose, cólica, isquemia, aprisionamento, hérnia ABSTRACT: The epiploic incarceration in horses is observed in 2-10% of the cramps referred for surgery, causing vascular impairment that may lead to the need for resection of the affected intestinal segment or even euthanasia of the animal. A horse, 400 kg, male, 5-year-old, Mangalarga was admitted with signs of colic, which lasted 24 hours. After the pertinent examinations, the surgery was indicated, which was denied by the owner. After trying to maintain the life of the animal, euthanasia was indicated, being diagnosed incarceration of ileus in the epiploic foramen at necropsy. It was evaluated that the animal would have a good prognosis if the laparotomy was performed. Keywords: sablosis, colic, ischemia, imprisonment, hernia RESUMEN: El encarcelamiento en foramen epiplóico en equinos se observa en el 2-10% de los cólicos derivados a la cirugía, generando un compromiso vascular que puede llevar a la necesidad de resección del segmiento de las asas intestinales afectadas o, y incluso, la eutanasia del animal. Un equino, macho, castrado, 400 kg, 5 años de edad, de la raza Mangalarga fue admitido con señales de cólico, que tenía una duración de 24 horas. Después de los exámenes pertinentes, fue indicada la cirugía, la cual fue negada por el propietario. Después de un intento de mantenimiento de la vida del animal, fue indicada la eutanasia, siendo diagnosticado encarcelamiento de íleo en el foramen epiplóico en la necropsia. Se evaluó que el animal tendría un buen pronóstico si se realizaba la laparotomía. Palabras clave: sablosis, cólico, isquemia, aprisionamiento, hernia em forame epiplóico em equino: relato de caso • 11 Introdução O forame epiplóico localiza-se na região abdominal dorsal direita, circundado basicamente pelo processo caudal do fígado, veia cava, veia porta e pregagastropancreática. Ele possui circun- ferência variável entre os equinos, sendo descrito de 6,8 a 16,6 cm1. Denomina-se encarceramento ou aprisionamento intestinal no forame epiplóico ou ainda hérnia intestinal no forame epiplóico, quando um segmento de alça intestinal se instala neste forame e dali não retorna novamente à sua posição anatômica, havendo um comprometimento vascular e de trânsito intestinal do segmento afe- tado. Dos animais que são encaminhados para laparotomia, 2-10% são em decorrência de encarceramento no forame epiplóico2,3,4. Geralmente os encarceramentos ocorrem com partes do intestino delgado5, mas há relatos de outras regiõesdo intestino, como o ceco6 e cólon maior7. Frequentemente o encarceramento ocorre da esquerda para a direita1,9. Sugere-se que para que o encarceramento ocorra, o intes- tino inverte a bolsa omental e então passa pela curvatura menor do estômago percorrendo por dentro do vestíbulo do omento, o qual possui um formato de funil, desembocando no forame epiplóico, que é mais firme e estreito, fazendo com que a alça se encarcere neste local1. Para a decisão se o caso é cirúrgico, leva-se em contao histó- rico, avaliação física, palpação transretal, ultrassonografia transa- bdominal2,8 e, para um diagnóstico mais preciso pode-se utilizar a laparoscopia abdominal9. Apesar disso, a laparotomia exploratória entra como o diagnóstico mais preciso nos casos de encarceramen- to de forame epiplóico. A aerofagia, cólica nos últimos 12 meses, e altura de cernelha são tidos como fatores predisponentes à ocorrência do encarcera- mento no forame epiplóico10. Esta afecção deve ser tratada cirurgi- camente e pode ser necessária a realização de ressecção e enteroa- nastomose da parte afetada pela isquemia devido ao comprometi- mento tecidual, podendo chegar a mais de 17m de segmento remo- vido5. A recorrência desta afecção é baixa, mas pode ocorrer pelo não fechamento do forame por tecido fibroso, que ocorre em al- guns animais após a laparotomia. Nos animais em que há persistên- cia do forame aberto, a recidiva pode ser evitada fechando o fora- me cirurgicamente, com animal em posição quadrupedal, com au- xílio de um laparoscópio9,11. Relato de Caso Um equino, macho, castrado, 400 kg, 5 anos de idade, da raça Mangalarga foi admitido na Unidade Didática Clínico-Hospitalar (UDCH) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), campus Fernando Costa, com queixa de síndrome cólica. Na anamnese foi informado que o animal havia apresentado desconforto abdominal há cerca de 24 horas antes da admissão, com piora do quadro após 6 horas. Após manifestação dos sintomas mais graves foi realizada palpa- ção transretal por veterinário particular, na qual identificou-se uma compactação em flexura pélvica. Foi realizada então a sondagem nasogástrica, para lavagem gástrica que apresentou um conteúdo fétido. Após isso, deu-se início à fluidoterapia enteral, porém, den- tro de duas horas o animal começou a apresentar refluxo espontâ- neo, sendo cessada a administração. O animal ficou em observação por mais 12 horas, porém como manteve-se com quadro de dor abdominal intensa, foi encaminhado para a UDCH. O animal era mantido em regime semi-confinado com forne- cimento de 3 kg de concentrado comercial para equinos fornecidos duas vezes ao dia, grama coast-cross, sal mineral e água ad libi- tum. Possuía histórico de extração de dois dentes devido a altera- ções na arcada dentária e ainda realização de laparotomia há cinco meses como forma de tratamento de compactação de cólon e sa- blose que não foram solucionadas pelo tratamento clínico. Nesta cirurgia, também realizada na UDCH, foi encontrada grande quan- tidade de areia a qual sugeriu-se ser a responsável pela evolução clínica do animal. Foi necessária a realização de enterotomia para remoção do conteúdo intestinal compactado, que se estendia por duas regiões, sendo uma no colón ventral, em região de flexura eternal e a outra no cólon dorsal em região próxima à flexura pélvi- ca até o cólon transverso. Após procedimento cirúrgico o animal evoluiu bem, com alta médica após 15 dias, porém apresentou como consequência uma hérnia incisional de 5 cm. Passou 5 meses sem apresentar qualquer tipo de sintoma, até que teve esta primeira ocorrência. No exame físico o animal apre- sentava mucosa oral com halo toxêmico, frequência cardíaca de 80 bpm, hipomotilidade intestinal e à palpação transretal foi possível identificar uma compactação em flexura pélvica de consistência firme e sem possibilidade de determinar sua extensão.Também ha- via presença de intestino delgado distendido palpável. Foi indica- da a laparotomia exploratória, porém não houve autorização do proprietário para realização da mesma. Foi dada continuidade no tratamento clínico com realização de fluidoterapia parenteral com Ringer Lactato e para analgesia realizou-se 1,1 mg/kg de flunixin meglumine BID e infusão contínua de lidocaína (bolus de 1,3 mg/ kg seguido de 0,05 mg/kg/min de lidocaína a 2% sem vaso constri- tor) quando havia aumento de dor. Em momentos que a terapia analgésica não era efetiva, administrou-se 0,5 mg/kg de xilazina (IV) para obtenção de resposta mais efetiva. Ao exame hematológico observou-se sequestro de leucócitos com 1200/mL (referência: 5400-14300/mL) e pela mensuração de lactato sérico obteve-se 3,14 mmol/L (referência: 1,11-1,76 mmol/ L). Após ultrassonografia em região de linha média ventral foi ob- servado que não seria possível realizar a coleta de líquido peritone- al ao acesso de alto risco de perfuração de alça por conta da exten- sa compactação. Figura 1: Visualização do forame epiplóico com a extremidade do la- paroscópio dentro do mesmo. D= duodeno; MD= mesoduodeno; GSL= ligamento gastroesplênico; S= estômago; P= pâncreas; O= omento maior; DR= recesso dorsal. (Fonte: Equine Veterinary Journal, v.47, n.3, p.313-318, 2014) 12 • A cada uma hora era avaliada a presença de refluxo entero- gástrico através da sonda nasogástrica, que foi mantida no animal. O animal apresentou refluxo durante 24 horas e após esse período de internação era retirado 12L de refluxo por hora. Após 28 horas de internação, o animal já não respondia à analgesia, a palpação transretal ainda havia presença de intestino delgado palpável e, somado aos exames hematológico e sérico, julgou-se necessário a realização da eutanásia do animal. Imediatamente após a eutanásia deu-se início à necropsia, na qual pôde-se observar que havia compactação de cólon dorsal di- reito com presença de conteúdo alimentar e sablose, além disso, foi possível realizar o diagnóstico definitivo de encarceramento de íleo no forame epiplóico, com comprometimento vascular e injúria te- cidual de grau leve do segmento afetado (figura 2). sim como no episódio de cólica anterior, o que leva a crer que o animal estava em local no qual havia contaminação de areia no ali- mento ou na água ingerida, ou que o mesmo ingeria areia do ambi- ente por espontânea vontade, contribuindo para o acúmulo da mes- ma nas alças intestinais13. Valores de lactato são encontrados em animais com cólica, es- tando relacionados principalmente a desidratação e hipóxia tecidu- al, sendo que neste caso a causa mais provável deste aumento seja a hipóxia tecidual devido ao processo isquêmico encontrado no seg- mento de íleo que ficou encarcerado14. Além disso, a leucopenia observada provavelmente está relacionada ao sequestro observado em situações nas quais há comprometimento de alça intestinal devi- do a um processo estrangulativo15. A sobrevida a curto prazo de casos de encarceramento de fora- me epiplóico é em torno de 80% e a longo prazo 70%2,16. Isso soma- do aos achados clínicos e de necropsia, leva a crer que, caso o ani- mal tivesse sido submetido à cirurgia, as chances de sucesso seriam grandes, provavelmente acompanhado de um bom prognóstico no pós-cirúrgico. Referências 1. BERGEN, T.; DOOM, M.; BROECK, W. et al. A topographic anatomical study of the equine epiploic foramen and comparison with laparoscopic visualization. Equine Veteri- nary Journal, v.47, p.313-318, 2015. 2. VACHON, A.M.; FISCHER, A.T. Small intestinal herniation through the epiploic fora- men: 53 cases (1987-1993). Equine Veterinary Journal, v.27, n.5, p.373-380, 1995. 3. MAIR, T.S.; SMITH, L.J. 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KOROLAINEN, R.; KAIKKONEN, R.; RUOHONIEMI, R. Ultrasonography in moni- toring the resolution of intestinal sand accumulations in the horse. Equine Veterinary Education, v.15, n.6, p.331-336, 2003. 14. NAPPERT, G.; JOHNSON, P.J. Determination of the acid-base status in 50 horses ad- mitted with colic between December 1998 and May 1999. The Canadian Veterinary Jour- nal, v.42, p.703-707, 2001. 15. LASKOSKI, L.M.; LOCATELLI-DITTRICH, R.; VALADÃO, C.A.A. et al. Systemic leukopenia, evaluation of laminar leukocyte infiltration and laminar lesions in horses with naturally occurring colic syndrome. Research in Veterinary Science, v.101, n.15-21, 2015. 16. KILCOYNE, I.; DECHANT, J.E.; NIETO, J.E. Comparison of clinical findings and short- term survival between horses with intestinal entrapment in the gastrosplenic ligament and horses with intestinal entrapment in the epiploic foramen. JAVMA, v.249, n.6, 2016. Figura 2: Segmento de íleo com comprometimento vascular devido a encarceramento no forame epiplóico em equino. .......................................................................................................................... Discussão Pela avaliação do segmento encarcerado no momento da ne- cropsia foi avaliado que, caso esse animal passasse por procedimen- to cirúrgico, não seria necessária a realização de ressecção e anasto- mose daquele segmento devido à avaliação do aspecto da alça, que se apresentava com boa condição de recuperação vascular e tecidu- al, o que aumenta as chances de sobrevida do animal e diminui as chances de complicações pós-operatórias12. Esse animal apresentou cólica por compactação seguida de la- parotomia 5 meses antes deste evento e isso é um dos fatores predis- ponentes para o encarceramento em forame epiplóico descrito na literatura10. Além disso, havia presença de sablose novamente, as- A R Q U IV O P E S S O A L D O S A U TO R E S • 13 14 • Uso de cerclagem e resina acrílica na “Use of cerclage and acrylic resin on mandibular osteosynthesis in horses: case report” “Uso de cerclaje y resina acrílica en la osteosintesis mandi- bular en equino: relato de caso” .................................. Áthila Henrique C. Costa*, (athila_henrique_@hotmail.com) Cinthia D.S. Lima Graduandos do Curso de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Campina Grande, PB Caio S. Pereira, Rodolfo M. Bastos Residentes da Clínica Médica de Grandes Animais, Universidade Federal de Campina Grande, PB Daniel M. Assis Hospital Veterinário, Universidade Federal de Campina Grande, PB Eldinê G.M. Neto Unidade Acadêmica de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Campina Grande, PB * Autor para correspondência mandibular em equino: relato de caso RESUMO: O presente trabalho tem por objetivo relatar um caso de fratura mandibular em um cavalo Quarto de milha com 8 meses de idade, atendido no Hospital Veterinário da Universidade Federal de Campina Grande, Patos-PB. O animal havia fratura a mandíbula após pular a parede da baia e bater com a boca no solo. No exame físico o animal apresentava parâmetros clínicos dentro dos valores de referência para espécie, porém, notou-se região de dentes incisivos presa apenas por um segmento de mucosa. O exame de raio-x foi utilizado para confirmar existência de fratura completa no espaço interdental da mandíbula, afetando os dois ramos da mandíbula, caudal às raízes dos dentes incisivos. Optou-se pelo uso de cerclagem e aplicação de resina acrílica na osteossíntese mandibular. O procedimento cirúrgico ocorreu em decúbito lateral mediante sedação e manutenção na anestesia geral inalatória, além de bloqueio local. Após a cirurgia foi feita administração de antibióticos, analgésico, anti-inflamatório, alimentação líquida enriquecida com suplementos e limpeza com antissépticos bucais. Houve consolidação total da fratura permitindo o retorno da capacidade de apreensão dos alimentos. Unitermos: fratura mandibular, cavalo, dente ABSTRACT: The present study aims to report a case of mandibular fracture in a quarter-mile horse at 8 months of age, attended at the Veterinary Hospital of the Federal University of Campina Grande, Patos-PB. The animal had fractured its jaw after it had jumped from the bay wall and hit its mouth on the ground. In the physical examination, the animal presented clinical parameters within the reference values for the species, however, it was observed a region of incisor teeth held only by a segment of mucosa. The x-ray examination was used to confirm the existence of a complete fracture in the interdental space of the mandible, affecting the two branches of the mandible, caudal to the roots of the incisor teeth. The use of cerclage and application of acrylic resin in mandibular osteosynthesis was chosen. The surgical procedure was performed in lateral decubitus by means of sedation and maintenance in general inhalation anesthesia, in addition to local blockade. After surgery, administration of antibiotics, analgesic, anti-inflammatory, liquid feeding enriched with supplements and cleaning with oral antiseptics were done. There was total consolidation of the fracture allowing the return of the food seizure capacity. Keywords: mandibular fracture, horse, tooth RESUMEN: El presente trabajo tiene por objetivo relatar un caso de fractura mandibular en un caballo Cuarto de Milla con 8 meses de edad, atendido en el Hospital Veterinario de la Universidad Federal de Campina Grande, Patos-PB. El animal había fracturado la mandíbula después de saltar la pared de la bahía y golpear con la boca en el suelo. En el examen físico el animal presentaba parámetros clínicos dentro de los valores de referencia para especie, sin embargo, se notó región de dientes incisivos presa sólo por un segmento de mucosa. El examen de rayo-x se utilizó para confirmar la existencia de fractura completa en el espacio interdental de la mandíbula, afectando las dos ramas de la mandíbula, caudal a las raíces de los dientes incisivos. Se optó por el uso de cerclaje y aplicación de resina acrílica en la osteosíntesis mandibular. El procedimiento quirúrgico ocurrió en decúbito lateral mediante sedación y mantenimiento en la anestesia general inhalatoria, además de bloqueo local. Después de la cirugía se efectuó la administración de antibióticos, analgésico, anti-inflamatorio, alimentación líquida enriquecida con suplementos y limpieza con antisépticos bucales. Se produjo una consolidación total de la fractura permitiendo el retorno de la capacidad de aprehensión de los alimentos. Palabras clave: fractura mandibular, caballo, diente FO N TE : H V -U FC G • 15 Introdução As fraturas de mandíbula em equinos requerem bastante atenção, pois, dificultam a apreensão de alimentos pelos ani- mais e consequentemente a sua alimentação, principalmente quando acometem a região dos dentes incisivos ou espaço in- terdental6. Diversas etiologias são incriminadas no desencadeamento das fraturasde mandíbula, dentre elas: traumatismos diretos em consequência de coices de outros animais ou acidentes au- tomobilísticos, pode ter caráter iatrogênica após exodontia ou resultante de uma periostite alveolar. Os sinais clínicos são va- riados, como evidência do trauma na área acometida, desvio para lado da fratura, halitose, falta na aposição dos dentes, res- tos alimentares junto ao local da fratura, disfagia, exterioriza- ção da língua, sialorreia e dependendo da gravidade pode ha- ver edema e dor na articulação temporo-mandibular, assim como crepitação e sangue no canal auditivo correspondente ao lado da fratura7. O diagnóstico pode ser realizado clinicamente por meio da inspeção e palpação da mandíbula e exames complementa- res radiográficos podem confirmar e avaliar a extensão e natu- reza da fratura. Após avaliação da fratura, diversos tratamentos podem ser instituídos tais como a cerclagem, placas compressi- vas, pinos intramedulares, parafusos, talas acrílicas, fixadores externos, entre outros visando sempre estabilizar o foco da fra- tura, restaurar a estrutura óssea e alinhar novamente os dentes para possibilitar mais uma vez a mastigação e apreensão dos alimentos3. O objetivo deste relato é descrever um caso de fratura de mandíbula em potro tratada por técnica de cerclagem e aplica- ção de resina acrílica para osteossíntese mandibular. Relato de Caso Foi atendido no Hospital Veterinário da Universidade Fe- deral de Campina Grande um potro da raça Quarto de Milha com oito meses de idade, com 208 kg de peso corporal e queixa de trauma oral após acidente em baia. Previamente ao encami- nhamento hospitalar o animal havia recebido 10 ml de Flunixin meglumine na propriedade (sem que houvesse qualquer pres- crição por Médico Veterinário). No exame físico, a frequência cardíaca, frequência respi- ratória, temperatura corporal e motilidade intestinal estavam dentro dos valores de referência para espécie, porém notou-se região dos dentes incisivos da mandíbula presa a mandíbula apenas por um segmento de mucosa e presença de halitose. Exames radiográficos foram realizados nas projeções dorso- ventral e latero-lateral com intuito de determinar o tipo e exten- são das lesões. O exame radiográfico confirmou a presença de fratura completa no espaço interdental da mandíbula, afetando os dois ramos da mandíbula, caudal as raízes dos dentes incisi- vos representada na figura 1. Diante do quadro, optou pelo procedimento cirúrgico (os- teossíntese mandibular) em decúbito lateral utilizando como Figura 1: Radiografia do crânio equino evidenciando fratura completa do espaço interdental, projeção latero-lateral .......................................................................................................................... FO N TE : H V -U FC G Figura 2: Exame radiográfico do crânio equino após redução da fratura do espaço interdental onde é possível evidenciar a correta aproxima- ção dos bordos da fratura por meio da cerclagem, projeção latero- lateral .......................................................................................................................... medicação pré-anestésica inicialmente acepromazina (0,1 mg/ kg, IV) e após 15 minutos, diazepam (0,5 mg/kg, IV) e cetami- na (2 mg/kg, IV) aplicados simultaneamente e por fim manu- tenção sob anestesia geral inalatória com isoflurano, além do bloqueio local com 10 ml de lidocaína sem vasoconstrictor de- positados no forame mandibular em ambas hemiarcadas. Teve início a cirurgia com realização de cerclagem entre os dentes 701 e 702, com ancoragem no ramo direito da mandíbula atra- vés de perfuração com furadeira ortopédica. O mesmo procedi- mento foi realizado entre os dentes 801 e 802 com fixação no lado esquerdo, uma terceira cerclagem foi inserida na sínfise mentoniana até espaço interdental 701-801, todos os fios de aço usados com espessura 0,8 mm (figura 2). Aplicou-se ain- da, resina acrílica sobre a área de união dos fios. FO N TE : H V -U FC G 16 • No pós-operatório, utilizou como antibioticoterapia o me- tronidazol (15 mg/kg, VO, 12/12 horas, 10 dias) associado ao ceftiofur (4.4 mg/kg, IM, 12/12 horas, 10 dias). O protocolo analgésico foi baseado na utilização de tramadol (1 mg/kg, IV, 12/12 horas, 3 dias) e como anti-inflamatório fenilbutazona (3 mg/kg, IV, 12/12 horas, 4 dias). Como suporte para a recupera- ção do animal, realizou-se adição de suplementos ao leite à base de minerais e vitaminas, limpeza da ferida com água e clorexi- dine alcoólica e aplicação de pomada cicatrizante. Após 60 dias realizou-se a retirada da cerclagem e resina acrílica obtendo consolidação total da fratura (figura 3) e re- torno da função de apreensão do animal permitindo sua alta hospitalar. mm. A modificação da espessura do fio se deu considerando disponibilidade do material no momento e idade mais jovem, além do tamanho menor. Aplicou-se ainda, resina acrílica sobre a área de união dos fios como método de auxílio na fixação em conjunto com a cerclagem, além de ser fácil aplicação, aquisição e baixo custo como citado por Pimentel4 (2012). A cavidade oral é um local bastante contaminado fazendo- se necessário a utilização de maneira profilática de antimicro- bianos. O tratamento suporte pós-operatório segue o recomen- dado por Thomassian5 (2005) que indica utilização de alimen- tos pastosos ou líquidos nos primeiros dias visando diminuir a pressão da mastigação, assim como aplicação de antibióticos e limpeza com soluções antissépticas do local. Conclusão O procedimento cirúrgico em conjunto com a terapia de suporte pós-operatória mostraram-se eficazes para a recupera- ção do animal, por meio da consolidação da fratura e reposici- onamento dos dentes incisivos. Permitiu-se a oclusão adequada da mesa dentária e conse- quentemente restauração da saúde do animal e da capacidade de apreensão dos alimentos. Além disto, esta terapia possui um custeio menor e eficácia comprovada possibilitando aten- der a população de menor poder aquisitivo que representa a grande maioria dos atendimentos do Hospital Veterinário - UFCG. Referências 1. AUER, J.A.; STICK, J.A. Equine surgery, 4.ed., St. Louis: Elsevier Saunders, 2012. 2. ALVES, G.E.S. et al. Fraturas odontomaxilares e mandibulares em equí- deos tratados por diferentes técnicas de osteossíntese. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia, v.60, n.6, p.1382-1387, 2008. 3. FREITAS, F.C. et al. Osteossíntese associado à homeopatia na consoli- dação óssea de fratura mandibular em equino. Nucleus Animalium, v.2, n.2, nov. 2010. 4. PIMENTEL, L.F.R.O. Estudo biomecânico de flexão (ex-vivo) em osteotomia no diastema de mandíbulas de equinos estabilizada com placas bloqueadas e implantes transdentários. Tese (doutorado) - De- partamento de cirurgia, Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Universidade de São Paulo, 2012. 5. THOMASSIAN, A. Enfermidade dos Cavalos, 4.ed., São Paulo: Li- vraria Varela, 2005. 6. VALADÃO, C.A.A. et al. Uso de cerclagem e resina acrílica em fratu- ras mandibulares dos equídeos. Ciência Rural, v.24, n.2, p.323-327, 1994. 7. VALLEJO, A.V.H.; PARDO, M. Fratura de mandíbula em um equino Appallosa: relato de caso. Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária, n.21, jul. 2011. Figura 3: Exame radiográfico do crânio de um equino 60 dias após redução da fratura do espaço interdental onde é possível evidenciar total recuperação após cerclagem e aplicação de resina acrílica, pro- jeção latero-lateral .......................................................................................................................... FO N TE : H V -U FC G Resultados e Discussão A inspeção e palpação são métodos do exame físico os quais em conjunto são capazes de diagnosticar casos como este, principalmente, devido aos dentes incisivos mandibulares esta- rem preso apenas por um segmento da mucosa e pendular. Al- ves et al2 (2008) afirma que não é possível dispensar as radio- grafias, pois, estas são imprescindíveis para avaliar gravidadeda lesão e traçar um plano cirúrgico. Este autor também cita animais embaiados e jovens como fator de risco para ocorrên- cia de acidentes como ocorreu neste relato. A utilização de cerclagem é descrita como método mais empregado nos casos de fraturas tanto mandibulares como ma- xilares utilizando-se dos dentes adjacentes para ancoragem2. Segundo Auer e Stick1 (2012) este procedimento é indicado neste tipo de fratura, porém o fio de aço sugerido é de espessura 2,5 • 17 18 • Introdução O acúmulo de areia no trato gastrointestinal, também conhecido como sablose, pode originar tanto irritação da mucosa quanto obstrução2,3. Areia com textura mais fina costuma acumular no cólon ven- tral; já a areia mais grossa é normalmente encontra- da no cólon dorsal. Porém, existem diferenças entre organismos, uma vez que alguns animais conseguem eliminar essa areia de forma fisiológica e outros não conseguem, levando a uma patologia entérica4. Equinos que vivem em regiões de solo arenoso e com pasto pobre em forragem são mais propensos à ingestão de areia. Além disso, existem relatos de equinos, principalmente potros, que ingerem areia deliberadamente3,4,5. Os sinais clínicos apresentados podem variar de sintomas discretos a intensos. A diarreia é um si- nal comum, uma vez que a areia provoca irritação e como causa de síndrome cólica em um equino “Sablosis as a cause of colic syndrome in an equine” “Acumulación de arena en el tracto intestinal como causa de síndrome cólico en un equino” Maysa R. Franco* (maysarfranco@gmail.com) Acadêmica do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Pio Décimo Adryano C. Carvalho Acadêmico do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Pio Décimo Rachel L.F.S. Andrade Professora Mestre do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Pio Décimo * Autora para correspondência inflamação da mucosa intestinal. Em casos de com- pactação é possível observar sinais semelhantes ao de uma cólica normal, em que o peso do acúmulo causa dor intensa e leva o animal a deitar e rolar a fim de reduzir a pressão causada pelo material com- pactado1,2,4,5. Esses movimentos abruptos, juntamente com a inflamação da mucosa, pode resultar em rup- tura intestinal e, consequentemente, endotoxemia e peritonite1,5. O diagnóstico de cólica por ingestão de areia pode ser difícil, pois a maioria dos sintomas tam- bém está relacionada com outros tipos de cólicas e os testes para identificação de areia nas fezes nem sempre são fidedignos1. Em alguns casos é possível detectar a presença de areia através da palpação re- tal, da identificação da areia no material fecal, da aus- cultação, ao ouvir a fricção das partículas de areia durante as contrações intestinais, além de radiografia RESUMO: O objetivo deste trabalho é relatar um caso de sablose associado a síndrome cólica em uma égua da raça Quarto de Milha, 21 anos, pesando 450 kg, apresentando quadro clínico agudo. O diagnóstico foi realizado através das alterações macroscópicas observadas durante a necrópsia. A sablose é uma afecção do sistema digestório que pode causar desde lesões simples na mucosa intestinal até obstrução total do lúmen. Os sinais clínicos com frequência são equivalentes aos de síndrome cólica e diarreia relacionada à abrasão da areia na mucosa intestinal. Embora não seja uma das causas mais comuns de cólica em equídeos, a sablose deve ser considerada diagnóstico diferencial no estabelecimento de causa morte por síndrome cólica. Unitermos: areia, cólica, equino, sablose ABSTRACT: The objective of this work is to report a case of sablosis associated with colic syndrome in a Quarter Horse mare, aged 21 years, weighing 450 kg, presenting an acute clinical condition. The diagnosis was made through macroscopic changes observed during necropsy. Sablosis is a condition of the digestive system that can cause from simple lesions in the intestinal mucosa to total obstruction of the lumen. The clinical signs are often equivalent to those of colic syndrome and diarrhea related to sand abrasion in the intestinal mucosa. Although not one of the most common causes of colic in equines, sablosis should be considered as a differential diagnosis in establishing cause death by colic syndrome. Keywords: colic, equine, impaction, sand RESUMEN: El objetivo de este trabajo es relatar un caso de acumulación de arena en el tracto intestinal asociado al síndrome cólico en una yegua de la raza Cuarto de Milla, 21 años, pesando 450 kg, presentando cuadro clínico agudo. El diagnóstico se realizó através de los cambios macroscópicos observados durante la necropsia. La acumulación de arena en el tracto intestinal es una afección del sistema digestorio que puede causar desde lesiones simples en la mucosa intestinal hasta obstrucción total del lumen. Los signos clínicos con frecuencia son equivalentes a los de síndrome cólico y diarrea relacionada con la abrasión de la arena en la mucosa intestinal. Aunque no es una de las causas más comunes de cólico en équidos, la acumulación de arena en el tracto intestinal debe ser considerada diagnóstico diferencial en el establecimiento de causa muerte por síndrome cólico. Palabras clave: acumulación, areno, cólico, equino • 19 e ultrassonografia abdominal1,2,3,4,5. A paracentese pode ser realiza- da, entretanto deve ser executada com cautela para que não haja perfuração da alça intestinal. O líquido peritoneal geralmente está normal, exceto quando o curso da cólica está avançado com altera- ções da permeabilidade da alça ou mesmo já existe ruptura intesti- nal4,5. O tratamento mais comum em casos de sablose é o uso de laxantes como muciloide do Psyllium, óleo mineral e sulfato de magnésio, e hidratação via endovenosa. Em casos de compactação a principal abordagem é o procedimento cirúrgico. O prognóstico é considerado bom quando a compactação é pequena e passiva de reversão1,2,3,4. Este relato tem como objetivo documentar um caso de sablo- se como causa de síndrome cólica em um equino. Relato de Caso Uma égua da raça Quarto de Milha, 21 anos, pesando 450 kg, apresentou sinais de cólica e logo foi acionado um médico veteri- nário para acompanhamento. Na avaliação epidemiológica do lo- cal foi possível observar que se tratava de uma região de solo are- noso. A partir de uma primeira análise, a égua se apresentava com manifestação significativa de desconforto, desidratação moderada e atonia intestinal. O tratamento inicial instituído foi lavagem gás- trica, aplicações IV de Ringer Lactato, sorbitol na dose de 50-100 g/animal, dipirona na dose de 25 mg/kg e flunixin meglumine na dose de 1,1 mg/kg. Fez-se uma reavaliação e foi observado hipo- motilidade, porém quando realizada a palpação foi constatado pre- sença de compactação na extensão do cólon próximo à flexura pél- vica. Diante disto, foi recomendada a realização do tratamento ci- rúrgico. Todavia, devido à idade e o baixo valor zootécnico do ani- mal foi excluída a possibilidade de intervenção cirúrgica. O animal foi à óbito cerca de 24h após o início dos sintomas. Na necropsia observou-se ascite e presença de conteúdo intestinal por toda a cavidade abdominal (Figura 1). Após uma análise dos segmentos do intestino, foi possível observar uma ruptura na região do cólon ventral direito (Figura 2), além de fecaloma na região de cólon dorsal esquerdo (Figura 3) logo após a flexura pélvica e, colocado como causa principal da síndrome cólica, verificou-se a presença de areia na região distal do colon dorsal direito. Figura 1: Presença de conteúdo intestinal por toda a cavidade abdo- minal Figura 2: Ruptura na região do cólon ventral direito Figura 3: Fecaloma na região de cólon dorsal esquerdo FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L FO N TE : A R Q U IV O P E S S O A L 20 • Resultados e Discussão Em análise sobre predileção por sexo e raça, não foi observa- do tamanha relevância; porém, em relação à idade, os animais jo- vens possuem maior predisposição, relatos mostram que potros com menosde 1 ano podem consumir areia de forma deliberada4,5. Segundo Reed et al4 (2010), equinos com acesso a solos are- nosos ou pobre em pastagem tem predisposição a ingestão de areia. Dessa forma, é possível afirmar que a região na qual o animal vi- via, predispôs o mesmo a apresentação de um quadro de sablose. De acordo com Southwood2 (2013), equinos que consomem areia podem apresentar sinais de diarreia e escore corporal abaixo do normal, causado pela abrasão na mucosa intestinal. Quando uma quantidade excessiva de areia resulta em obstrução, o animal apre- senta sinais associados como dor abdominal, taquicardia e disten- são abdominal. Os sinais clínicos apontados pela literatura coinci- dem com o presente relato, com exceção da diarreia, provavelmen- tepelo curso hiperagudo da afecção. A ascite e a presença de conteúdo intestinal por toda a cavida- de abdominal, certamente decorreu da presença de inflamação que culminou em extravasamento de conteúdo intestinal na região da ruptura no cólon ventral direito. Além disso, observou-se a presen- ça de fecaloma na região de cólon dorsal esquerdo, logo após a flexura pélvica. Instituído como principal causa da síndrome cóli- ca no presente relato, verificou-se a presença de areia na região distal do colon dorsal direito. Baseado nos achados da necrópsia foi possível chegar ao diagnóstico de sablose. Embora o animal deste relato não tenha resistido, é válido citar que a intervenção cirúrgica é a melhor opção nos casos de falha na resposta a terapia analgésica, mudança do fluido peritone- al indicando alteração mural de alça ou piora no quadro clínico do animal2,5. Conclusões A sablose deve ser inserida na relação de afecções intestinais que cursam com diarreia e dor abdominal aguda, sendo considera- da diagnóstico diferencial para as variadas etiologias da síndrome cólica, assim como para salmonelose, parasitismo e doença das al- ças inflamadas. A necropsia permitiu o diagnóstico de compacta- ção por areia, além de apresentar presença de fecaloma e ruptura intestinal. Referências 1. EPSTEIN, K.L. Sand impaction. In: WILSON, D.A. Clinical Veterinary Advi- sor: The Horse. Philadelphia: W.B. Saunders, 2011, Section I, p.513-515. 2. HACKETT, E.S. Specific causes of colic. In: SOUTHWOOD, L.L. Practical Guide to Equine Colic. Pennsylvania: Wiley-Blackwell, 2013, 1.ed., cap.17, p.217- 218. 3. MAIR T.S., LOVE S., SCHUMACHER J. et al. Equine Medicine, Surgery and Reproduction. Philadelphia: W.B. Saunders, 2013, 2.ed., cap.3, p.62. 4. REED, S.M.; BAYLY, W.M. & SELLON, D. Equine Internal Medicine. St Louis, Missouri: Saunders Elsevier, 2010, 3.ed., part II, cap.15, p.890. 5. WHITE N.A. & EDWARDS B. Handbook of Equine Colic. Oxford: Butterworth Heinemann, 2001, 1.ed., cap.4, p.75-76. • 21 22 • Introdução As lesões da articulação coxofemoral são incomuns em equi- nos4,9, apresentando como principal desafio o diagnóstico, princi- palmente em condições de trabalho como as de países em desen- volvimento. A crepitação, assimetria pélvica ou a palpação retal anormal estão frequentemente ausentes1,3,9. As radiografias de inci- dência ventro-dorsal com o cavalo em decúbito dorsal são de gran- de valia, mas requerem anestesia geral e o cavalo pode sofrer mais lesões durante a recuperação7,8,9. Além disso, equipamentos com potência de penetração à essa articulação são raros no Brasil. A avaliação ultrassonográfica da pelve e da articulação coxofemoral pode ser realizada no ambulatório e campo, sendo opção menos onerosa para diagnóstico de luxação e sub-luxação coxofemoral2,3. A articulação coxofemoral permite os movimentos de flexão, extensão, abdução, adução e rotação. Dessa forma, a variabilidade ligamentar existente na articulação coxofemoral dos equinos ga- rante uma maior estabilidade e distribuição de tensão. A cabeça femoral está ancorada profundamente no acetábulo pelo ligamento da cabeça do fêmur (LCF), ligamento redondo da articulação co- xofemoral ou Ligamentum Capitis Femoris5; com apoio de seu li- Andrezza C. Aragão da Silva* (andrezzaaragaovet@hotmail.com) Mestranda Medicina Veterinária Universidade Federal de Alagoas Wilson F. Fortes Júnior (wfortesjr@hotmail.com) Médico Veterinário Autônomo Mestre, Curitiba-PR Pierre Barnabé Escodro (pierre.escodro@vicosa.ufal.br) Professor Adjunto UFAL Ivan Deconto Professor Titular Universidade Federal do Paraná * Autora para correspondência da cabeça do fêmur em uma égua: dor, limitação de movimento e achados de necrópsia gamento acessório, que são mantidos pelo ligamento acetabular transverso. Essas estruturas, em combinação com as fáscias liga- mentares fibrocartilaginosas acetabulares, cápsula articular e po- tente musculatura, permitem que a articulação coxofemoral equina resista a diferentes forças significativas e repetitivas2,7,8. Os casos de ruptura do LCF são pouco descritos na literatura, pois o LCF é o maior e mais forte ligamento entre a cabeça do fêmur e o acetábulo. Hendrickson4 citou como principal sinal clíni- co a rotação lateral da patela e pinça, com desvio medial da articu- lação társica. Ainda, nesses casos pode haver crepitação articular, averiguada por palpação transretal. As lesões no LCF normalmen- te são resultantes de uma hiperextensão da cabeça do fêmur, que ao promover a biomecânica da movimentação acelera a degeneração articular, levando à uma osteoartrite e sub-luxação1,3. Devido às particularidades da espécie equina, a terapêutica instituída em casos de ruptura de ligamento seria a estabilização da articulação através de um pino articulado associado a uma tera- pia anti-inflamatória e antimicrobiana, entretanto, a atividade es- portiva desses animais é nula pela perda da biomecânica no galo- pe4,7,10. Poucos relatos citam a evolução de casos de ruptura do RESUMO: Uma égua, 6,5 anos, mestiça da raça Quarto de Milha, foi atendida com claudicação grau 4 no membro pélvico esquerdo. Foram realizados bloqueios anestésicos perineurais e articulares no intuito de diagnóstico, porém não responsivos. O animal progrediu pela dor, em menos de trinta dias, para prostração e decúbito contínuo. Optou-se pela eutanásia, sendo que no diagnóstico post-mortem constatou-se ruptura do ligamento da cabeça do fêmur (LCF), degeneração acetabular e sub-luxação. Os casos de ruptura do LCF são pouco descritos e/ou diagnosticados na rotina clínica de equinos, havendo necessidade de mais estudos em relação ao diagnóstico com utilização de ultrassonografia, prognóstico e viabilidade de manutenção de vida do animal. Unitermos: claudicação pélvica, lesão proximal, Ligamentum Capitis Femoris ABSTRACT: A 6.5-year-old mare, half-blooded Quarter Horse was assisted with grade 4 lameness on the left pelvic limb. Perineural and articular anesthetic blocks were performed for diagnosis, but not responsive. Animal progressed through pain, in less than thirty days, to prostration and continuous decubitus. Euthanasia was chosen, and post-mortem diagnosis revealed rupture of the femoral head ligament (LCF), acetabular degeneration and sub-luxation. The cases of LCF rupture are few described and / or diagnosed in the clinical routine of horses, requiring further studies in relation to the diagnosis using ultrasound, prognosis and viability of life maintenance of the animal. Keywords: pelvic lameness, proximal injury, Ligamentum Capitis Femoris RESUMEN: Una yegua, 6,5 años mestiza de la raza Cuarto de Milla, fue atendida con claudicación grado 4 en el miembro pélvico izquierdo. Se realizaron bloqueos anestésicos perineurales y articulares con el propósito de diagnóstico, pero no responsivos. El animal progresó por el dolor, en menos de treinta días, para postración y decúbito continuo. Se optó por la eutanasia, siendo que en el diagnóstico post-mortem se constató ruptura del ligamento de lacabezadel fémur (LCF), degeneración acetabular y sub-luxación. Los casos de ruptura del LCF son poco descritos y/o diagnosticados en la rutina clínica de equinos, habiendo necesidad de más estudios en relación aldiagnóstico con utilización de ultrasonografía, pronóstico y viabilidad de mantenimiento de vida del animal. Palabras clave: claudia pélvica, lesión próxim, Ligamentum Capitis Femoris "Rupture of the femoral head ligament in a mare: pain, motion limited and necropsy findings" "Ruptura del conexión de la cabeza del fémur en una égua: dolor, limitación de movimiento y achados de necropsia" • 23 LCF, avaliando grau de dor e prognóstico. O objetivo desse artigo é relatar o caso de uma égua que apre- sentou claudicação progressiva e decúbito prolongado por dor, evo- luindo para eutanásia, com diagnóstico patológico de ruptura do LCF. Relato de Caso Uma égua, 6,5 anos de idade, mestiça da raça Quarto de Mi- lha, de utilidade de laço comprido e trabalho com gado, foi atendi- da em uma propriedade rural situada na região metropolitana de Curitiba. Há aproximadamente três semanas apresentava claudica- ção grau 1 a 2 no membro pélvico esquerdo, sendo que o proprietá- rio administrou fenilbutazona na dose de 4 mg/kg/oral por cinco dias e manteve animal em trabalho. O animal só foi retirado após 10 dias do início do quadro, quando a mesma não apoiava mais o membro ao solo, com claudicação grau 410, ficando solta em pique- te pequeno. Inicialmente ao exame clínico, notou-se rotação lateral de patela e pinça, com desvio medial da articulação társica. Suspei- tou-se de uma lesão na articulação társica ou tíbio-fêmur patelar. Foram realizadas anestesias perineurais em nervos digitais planta- res, nervo tibial, nervos fibulares e nervo safeno para fins de diag- nóstico de claudicação, porém nenhum bloqueio foi responsivo. O bloqueio articular tíbio-fêmur patelar também não apresentou alte- ração digna de nota. Posteriormente foi realizado infiltração de 20 mL de lidocaina na articulação coxofemoral, conforme descrito por Moyer et al.6, que também teve melhora menor que 20%, sendo pouco responsiva. Ao decorrer dos dias o animal começou a demonstrar ainda maiores sinais de dificuldade de apoio do membro, sendo notória a instabilidade quando este se posicionava em posição quadrupedal. Havia um desvio lateral a partir da região da articulação coxofe- moral até a extremidade do dígito, sendo destoado pela projeção medial do jarrete, essa particularidade evoluiu progressivamente com o decorrer dos dias. Foi implementada a terapêutica para a redução da dor com o uso de flunixin meglumine (1,1 mg/kg/BID/IV 5 dias). Após sete dias, retornou-se a propriedade e a égua se apresentava em decúbi- to esternal, apoiando seu peso sempre do lado direito, prostrada e com sinais de dor, depressão, abaixamento da cabeça, relutância em se movimentar. Devido ao prognóstico desfavorável foi requi- sitada a eutanásia do animal. Resultados e Discussão Os sinais clínicos observados foram os mesmos citados por Hendrickson4, caracterizados pela rotação lateral da patela e pinça, com desvio medial da articulação társica. Porém, não se observou crepitação articular. Nos procedimentos diagnósticos, o bloqueio da articulação coxofemoral foi pouco responsivo, sendo que pode ter ocorrido por erro na técnica (menos provável) ou devido a sub- luxação e osteoartrite, que piora os resultados do bloqueio anesté- sico articular. Outro fator relevante a ser discutido, é que em menos de 30 dias do início do quadro, a égua apresentava-se em decúbito contí- nuo. A terapia conservativa em casos de ruptura de LCF pode apre- sentar prognóstico ruim, apesar da paciente ter ficado solta em pi- quete, sem restrição total de movimentos. Mesmo se realizado ul- trassom diagnóstico, dentro das condições e tempo de atendimen- to, não haveria mudança de prognóstico. Após a realização da eutanásia foi realizada a necrópsia, sen- do possível visualizar a ruptura do LCF e áreas de alteração no acetábulo e na cabeça do fêmur, sugerindo o mau posicionamento articular (sub-luxação), resultado do aumento do coeficiente de atrito e certamente baixa qualidade do líquido articular da articulação coxofemoral (Figura1). Figura 1: Áreas de alterações na região acetabular, visualizadas duran- te a realização da necrópsia em uma égua ......................................................................................................... Conclusão O bloqueio coxofemoral não promoveu a neurotmese para reduzir ou neutralizar a sensibilidade na região afetada e auxiliar o diagnóstico, certamente pelo estado avançado da artrite que, por influência do pH dificulta o efeito anestésico. A lesão coxofemoral grave compromete significativamente o prognóstico. Referências 1. ALMANZA, A.; WHITCOMB, M.B. Ultrasonographic diagnosis of pelvic frac- tures in 28 horses. Proc Am Assoc Equine Pract, v.49, p.50-54, 2003. 2. BENNETT, D.; CAMPBELL, J.R.; RAWLINSON, J.R. Coxofemoral luxation complicated by upward ûxation of the patella in the pony. Equine Vet J, v.9, p.192- 194, 1977. 3. BRENNER, S.; WHITCOMB, M.B. Ultrasonographic diagnosis of coxofemoral subluxation in horses. Veterinary Radiology & Ultrasound, v.50, n.4, p.423- 428, 2009. 4. HENDRICKSON, D.A. The coxofemoral joint. In: STASHAK, T.S. (ed): Ada- ms’ lameness in horses, 5.ed., Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2002, p.1037-1043. 5. KIRICI, Y.; KILIÇ, C.; ÖZTA, A.E. The Ligament of Head of Femur and Its Arteries. Journal of Clinical and Analytical Medicine, v.1, n.2, p.22-25, 2010. 6. MOYER, W. A Guide to Equine: Joint Injection and Regional Anesthesia. Pennsyl- vania: Veterinary Learning Systems, 2007. 7. PLATT, D.; WRIGHT, I.M.; HOULTON, J.E.F. Treatment of chronic coxofemo- ral luxation in a Shetland pony by excision arthroplasty of the femoral head: a case report. Br Vet J, v.146, p.374-379, 1990. 8. PORTIER, K.; WALSH, C.M. Coxofemoral luxation in a horse during recovery from general anaesthesia. Vet Rec, v.159, p84-85, 2006. 9. RUTKOWSKI, J.A.; RICHARDSON, D.W. A retrospective study of 100 pelvic fractures in horses. Equine Vet J, v.21, p.256-259, 1989. 10. STASHAK, T.S. (ed): Adams’ lameness in horses, 5.ed., Philadelphia: Lip- pincott Williams & Wilkins, 2002. FO N TE : W IL S O N F . F O R TE S J U N IO R 24 • • 25 26 • em equídeos naturalmente infectados por Burkholderia mallei no estado de Alagoas: relato de caso “Clinical Signs in equids naturally infected by Burkholderia mallei in the state of Alagoas: case report” “Signos Clínicos en équidos infectados naturalmente por Burkholderia mallei en el estado de Alagoas: reporte de caso” Dayane K.G.O. Araújo, Egbely M.C. Santos, Tiago R. Santos Graduandos em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Alagoas Karla P.C. Silva Profa. Adjunta da Universidade Federal de Alagoas Larissa O. Rocha Mestranda em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Alagoas Maria Nazaré S. Ferreira* (nazarepinheiro05@gmail.com) Graduanda em Medicina Veterinária da Universidade Federal de Alagoas * Autora para correspondência RESUMO: Há alguns anos o mormo chegou a ser considerado erradicado no Brasil pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), porém tem ganhado importância devido ao aumento no número de casos nos últimos anos em todos os estados brasileiros. Os sinais clínicos foram reconhecidos desde que a doença foi registrada pela primeira vez por Hipócrates e Aristóteles e as formas de manifestação da doença são prepatente, hiperaguda, aguda e crônica. Objetivou-se relatar os achados clínicos de equídeos naturalmente infectados com mormo em propriedades consideradas foco pela Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas - ADEAL e pelo MAPA no estado de Alagoas. Os sinais clínicos observados nos animais acometidos foram, apatia, dispneia estertorosa, nódulos linfáticos infartados (aumentados), expectoração nasal mucopurulenta bilateral em 3/16 dos animais observados, 1/16 animal apresentou a forma crônica evidenciada pelo edema de membro posterior esquerdo, com presença de lesões ulceradas, linfagite disseminada, expectoração de secreção nasal serosanguinolenta bilateral (hemoptise) edispneia severa. Por fim os sinais clínicos e achados macroscópicos observados nos animais naturalmente infectados por Burkholderia mallei no estado de Alagoas corroboram com o descrito na literatura veterinária e para que haja o controle e a não disseminação da doença, animais positivos devem ser eutanasiados e propriedades foco devem ser interditadas. Unitermos: Burkholderia mallei, mormo, sinais clínicos ABSTRACT: A few years ago the glanders came to be considered eradicated in Brazil by the Ministry of Agriculture, Livestock and Food Supply (MAPA), but has gained importance due to the increase in the number of cases in recent years in all Brazilian states. The clinical signs were recognized since the disease was first recorded by Hippocrates and Aristotle and the forms of the disease manifestation are prepatente, hyperacute, acute and chronic. This study aimed to report the clinical findings of equids naturally infected with glanders properties considered focus by the Defense Agency and Agricultural Inspection of Alagoas - ADEAL and the map in the state of Alagoas. The clinical signs observed in animals affected were, apathy, dyspnea stertorous, infarcted lymph nodes (increased), expectoration mucopurulent bilateral nasal in 3/16 of animals observed, 1/16 animal presented the chronic form evidenced by edema in the left posterior limb, with the presence of ulcerated lesions, linfagite disseminated, the expectoration of nasal secretion serosanguinolenta bilateral (hemoptysis) and severe dyspnea. Finally, the clinical signs and macroscopic findings observed in animals naturally infected by Burkholderia mallei in Alagoas state corroborate with the previously described in the literature on veterinary and for which there is no control and the spread of the disease, positive animals should be euthanized and focus should be interditadas properties. Keywords: Burkholderia mallei, glanders, clinical signs RESUMEN: Hace unos años el Muermo llegó a ser considerado erradicado en Brasil por el Ministerio de Agricultura, Ganadería y Alimentación (MAPA), pero ha adquirido mayor importancia debido al aumento en el número de casos en los últimos años en todos los estados brasileños. Los signos clínicos fueron reconocidos desde que la enfermedad fue grabado por primera vez por Hipócrates y Aristóteles y las formas de las manifestaciones de la enfermedad son prepatente, Hiperaguda, aguda y crónica. Este estudio tiene como objetivo informar los hallazgos clínicos de équidos infectados naturalmente con el Muermo consideran propiedades focus por la Agencia de Defensa e Inspección Agrícola de Alagoas - ADEAL y el MAPA en el estado de Alagoas. Los signos clínicos observados en los animales afectados fueron, apatía, disnea estertorosa, ganglios linfáticos infartados (aumento), expectoración nasal mucopurulento bilateral en 3/16 (tres/dieciséis) de animales observados, 1/16 (uno/dieciséis) animal presentado la forma crónica evidenciada por edema en la extremidad posterior izquierda, con la presencia de lesiones ulceradas, linfagite difundido, la expectoración de secreción nasal serosanguinolenta bilateral (hemoptisis) y disnea severa. Por último, los signos clínicos y los hallazgos macroscópicos observados en los animales infectados naturalmente por Burkholderia mallei en el Estado de Alagoas corroborar con las descritas previamente en la literatura sobre veterinaria y para los cuales no hay control y la propagación de la enfermedad, los animales positivos deben ser sacrificados y el enfoque debe ser interditadas propiedades. Palabras clave: Burkholderia mallei, muermo, signos clínicos • 27 Introdução No Brasil a equideocultura já foi sinônimo de criação para trabalho por tração, sela e carga, mas atualmente, a finalidade dos equídeos para os brasileiros mudou e estes animais são emprega- dos para o lazer, esporte e nas terapias de pessoas com deficiência. A população de equinos no Brasil é a quarta maior do mundo, de- monstrando assim a importância sobre os conhecimentos acerca das enfermidades que os acometem8,1. Devido à crescente demanda e aumento da produção de equi- nos no país, algumas complicações em relação à proliferação de doenças infectocontagiosas são observadas. Dentre as enfermida- des que afetam os equinos, o segundo grupo com maior prevalên- cia são as associadas ao trato respiratório, ficando atrás somente dos distúrbios musculoesqueléticos2. Dentre as infecções do trato respiratório, as de maior ocorrência são as de origem bacteriana comumente detectadas após outras infecções, caracterizando estes agentes como patógenos oportunistas7. Há alguns anos o mormo chegou a ser considerado erradica- do no Brasil pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abasteci- mento (MAPA), porém tem ganhado importância devido ao au- mento no número de casos nos últimos anos em todos os estados brasileiros. Essa enfermidade tem grande impacto sanitário e eco- nômico, pois uma vez diagnosticada, os equídeos acometidos de- vem ser submetidos à eutanásia, além de causar impactos no co- mércio destes8. A transmissão ocorre através da ingestão de secreções diges- tórias e respiratórias expelidas de animais infectados, geralmente em cochos de água ou comida coletivos. Também pode haver a transmissão por via aérea ou cutânea8. Os sinais clínicos de mormo foram reconhecidos desde que a doença foi registrada pela primeira vez por Hipócrates e Aristóte- les, e parecem ter mudado pouco desde os primeiros dias. Tradici- onalmente, a infecção com Burkholderia mallei pode apresentar- se como uma doença prepatente, hiperaguda, aguda ou crônica. Neste último caso podem aparecer as formas pulmonar, nasal ou cutânea4,5. O mormo apresentado da forma prepatente não causa surgi- mento de sinais clínicos. Na fase hiperaguda, morte em até 72 ho- ras, sem outros sinais clínicos. A forma aguda é mais vista em bur- ros e pode ser fatal dentro de 7-10 dias, caracterizada por febre (moderada a alta), depressão, septicemia, tosse causada por bron- copneumonia e rápida perda de peso, podendo haver um corrimen- to nasal purulento a hemorrágico (unilateral ou bilateral) e gângli- os linfáticos submaxilares aumentados. Já a forma crônica é mais frequente em cavalos e é vista como uma série de episódios agudos a partir do qual o cavalo pode aparecer e se recuperar, com uma progressão gradual culminando na morte, esta progressão pode ocorrer ao longo de meses ou anos. Ocasionalmente, os animais infectados podem se recuperar, mas eles continuam a ser uma fonte potencial de infecção. A forma cutânea de mormo é caracterizada por úlceras em forma de cratera, que podem se desenvolver em torno do focinho e nos membros, especialmente os membros pos- teriores, mas pode aparecer em qualquer parte do corpo. As úlce- ras são frequentemente associadas com os vasos linfáticos de ras- treamento para os linfonodos regionais. Os vasos linfáticos podem tornar-se alargados e ter uma aparência com fio e as úlceras descar- regam um exsudado amarelo espesso. Na forma nasal, pode apre- sentar uma descarga nasal unilateral ou bilateral, que pode consis- tir em amarelo grosso para exsudato hemorrágica, podendo apre- sentar crostas. Pode haver formação de úlceras grandes no septo nasal, que ao cicatrizarem deixam cicatrizes estreladas, podendo causar uma linfadenopatia regional com inchaço indolor dos gân- glios linfáticos. A glote pode ser afetada, o que pode levar à difi- culdade em respirar6. A forma pulmonar é uma extensão da forma nasal para o trato respiratório inferior, em que forma abscessos acin- zentados de vários tamanhos (5-10 mm), que podem aparecer den- tro do parênquima pulmonar. As úlceras podem ser encontradas na traqueia. Além disso, abcessos semelhantes podem desenvolver-se no fígado e no baço5. Objetivou-se relatar os achados clínicos de equídeos natural- mente infectados com mormo em propriedades consideradas foco, pela Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (ADE- AL) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA),no ano de 2017, confirmados através dos Testes Oficiais de Fixa- ção de Complemento e Western Blotting. Relato de Caso Foram estudados dois focos positivos para o mormo de acor- do com a ADEAL e MAPA no estado de Alagoas, o primeiro loca- lizado na cidade de São Luiz do Quitunde, Região do Leste Alago- ano, e o segundo foco localizado na cidade de Satuba, Região Me- tropolitana de Maceió. No primeiro foco, foram estudados 11 ani- mais, durante o período de nove meses. Eram realizadas visitas semanais para coleta de material, utilizados em outra pesquisa. No segundo foco, foram estudados cinco animais, porém não foi pos- sível fazer o acompanhamento, pois após o diagnóstico positivo dos animais, eles foram eutanasiados pelos agentes da ADEAL e MAPA, a pedido do proprietário. Resultados e Discussão No primeiro foco (F1), onde havia inicialmente 11 equídeos, os animais eram utilizados para tração e transporte, a propriedade não era fechada e esses animais coabitavam numa área que havia outros pequenos criadores que possuíam equídeos para tração ou transporte. Todos os animais tinham contato constante, dentre eles existiam oito equinos, dois asininos e um muar. Foram positivos e confirmados nos testes oficiais para mormo incialmente três ani- mais (dois equinos e um asinino), após o diagnóstico esses foram isolados dos demais para posterior eutanásia. Durante o estudo, um quarto animal (A4), que foi assintomático durante quatro meses, apresentou expectoração de secreção mucopurulenta e edema nos membros posteriores, e esse veio a óbito em sete dias após o início dos sintomas, sem diagnóstico oficial confirmatório. Após quatro meses de acompanhamento da propriedade, um quinto animal (A5) foi positivo nos testes oficiais, porém não apresentou sintomatolo- gia do mormo durante todo o estudo, ficando isolado dos demais aguardando a eutanásia. Os três animais positivos inicialmente (A1; A2 e A3) apresentaram discreta secreção nasal bilateral, que não era constante durante o período de observação, em alguns momen- tos não apresentavam evidência clínica de mormo. Mas durante a necropsia destes animais foram observados piogranulomas no pul- mão e em linfonodos de cabeça e pescoço, de onde foi possível reisolar a bactéria Burkholderia mallei, confirmadas por testes fe- notípicos, moleculares e histopatológicos. No segundo foco (F2), onde havia cinco equinos, dois apre- sentam-se positivos nos testes Oficiais de Fixação de Complemento 28 • (triagem) e Western Blotting (confirmatório). No primeiro animal (A6) observou-se edema de membro posterior esquerdo, com pre- sença de lesões ulceradas, linfagite disseminada, expectoração de secreção nasal serosanguinolenta bilateral (hemoptise) e dispneia severa. O segundo animal (A7) apresentava apatia, dispneia ester- torosa, nódulos linfáticos infartados (aumentados) e expectoração nasal mucopurulenta bilateral. Esses animais haviam sido tratados com antibiótico e anti-inflamatório pelo proprietário antes da reali- zação do diagnóstico e identificação do foco. Os animais foram eutanasiados sem a permissão para necrópsia, no entanto ainda foi possível isolar e identificar da secreção nasal a bactéria Burkhol- deria mallei. De acordo com Dittimann et al.³ (2015), a maioria dos equi- nos positivos para Burkholderia mallei não apresentam sinais clí- nicos no momento do diagnóstico. Porém, naqueles em que a evo- lução da doença não foi interrompida pela eutanásia, os sinais clí- nicos característicos da forma crônica da enfermidade puderam ser observados. Esses sinais principalmente incluem febre, anorexia, dispneia inspiratória, tosse e secreção nasal catarropurulenta, po- dendo ter presença de sangue, úlceras nos cornetos e no septo na- sal, aumento de tamanho dos linfonodos e linfagite granulomatosa que confere a pele um aspecto de rosário. Conclusão O mormo é uma doença infectocontagiosa grave e de caráter zoonótico que tem importante impacto econômico na saúde única. Os sinais clínicos e os achados macroscópicos em animais natural- mente infectados por Burkholderia mallei no estado de Alagoas corroboram com a descrição de literatura. Para o controle os ani- mais positivos devem ser eutanasiados e as propriedades sedes de focos devem ser interditadas. Referências 1. ALMEIDA, F.Q.; SILVA, V.O. Progresso científico em equideocultura na 1ª década do século XXI. Rev. Bras. Zoot., v.39, p.119-129, 2010. 2. CHANTER, N. et al. Characterization of the Lancefield group C Strepto- coccus 16S-23S RNA gene intergenic spacer and its potential for identificati- on and sub-specific typing. Epidem. Infec., v.118, p.125-135, 1997. 3. DITTIMANN, L.R. et al. Aspectos clínico-patológicos do mormo em equi- nos: revisão de literatura. Alm. Med. Vet. Zoo, 2015. 4. HUNTING, W.M. Glanders. J. Comp. Path. Therap., v.15, p.215-244, 1902. 5. KETTLE, A.N.B.; NICOLETTI, P.L. Glanders. In: Equine Infectious Di- seases, 2.ed., Eds: D.C. Sellon and M.T. Long, Elsevier Press, St Louis, 2014, p.333-336, 6. KETTLE, A.N.B.; WENERY, U. Glanders and the risk for its introduction through the international movement of horses. Equine Vet. 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O bom fun- cionamento do aparelho bucal deve ser levado a sério, pois é de fundamental importância à mastigação, para que o alimento seja adequadamente triturado e para uma melhor digestão e absorção Kaliane Costa Graduanda em Medicina Veterinária pela UFPB Walter Henrique Cruz Pequeno* (walterpequeno@hotmail.com) Programa de Residência em Clínica e Cirurgia Animal da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, Campus II, Centro de Ciências Agrárias Rubia Avlade Guedes Sampaio Mestranda em Patologia Animal no Programa de Ciência Animal da UFPB/CCA Igor Mariz Dantas Programa de Residência em Clínica e Cirurgia Animal da Universidade Federal da Paraíba - UFPB, Campus II, Centro de Ciências Agrárias Ruy Brayner de Oliveira Filho Médico Veterinário do Hospital Veterinário da UFPB/CCA Isabella de Oliveira Barros Profa. Adjunta do Departamento de Medicina Veterinária da UFPB/CCA * Autor para correspondência induzidas por desgaste dentário irregular em equino: relato de caso “Sialoadenite and gengival hyperplasia induced by irregular dental wear in equine: case report” “Sialoadenita e hiperplasia gengival inducida por desgaste dental irregular en equinos: reporte de un caso” ....................................... dos nutrientes necessários5. A mecânica bucal através dos dentes tem a finalidade de reduzir drasticamente o tamanho das partículas apreendidas pelos lábios e dentes, umedece-las e pré-digeri-las, para uma melhor digestão gástrica e absorção intestinal1. Uma vez que uma boa oclusão melhora também, o conforto durante o processo de mastigação de qualquer animal6. A rotina no cuidado dos dentes é essencial para a saúde dos ca- valos. Exames periódicos e manutenção regular, são procedimentos RESUMO: A rotina no cuidado dos dentes é essencial para a saúde dos equinos. Exames periódicos e manutenção regular são procedimentos extremamente necessários devido à alteração na dieta e padrões alimentares dos equinos que ocorreram principalmente com o advento da domesticação e confinamento desses animais. Uma das consequências dessa saúde bucal acometida são as hiperplasias gengivais. Hiperplasia gengival é o aumento não inflamatório da gengiva associada ao desgaste da arcada dentária, levando a excessivos traumas. De forma secundária, pode-se levar a uma lesão nas glândulas salivares,conhecida como sialoadenite. O objetivo desse trabalho é relatar o caso atendido no Hospital Veterinário de Grandes Animais-UFPB, equino, Quarto de Milha, fêmea, 7 anos. Durante a anamnese, o proprietário relatou o crescimento progressivo de uma massa localizada na cavidade oral. Após a avaliação física o paciente foi encaminhado para a cirurgia, onde se retirou o tecido acometido encaminhando o fragmento o histopatológico, confirmando a presença de hiperplasia gengival e sialoadenite. Essas entidades patológicas são pouco frequentes, clinicamente pode ser confundida com uma neoplasia. Por isso, é necessário o conhecimento das alterações possíveis das glândulas salivares bem como dos recursos de exames complementares disponíveis para o diagnóstico destas, são imprescindíveis, tendo em vista que existem afecções com a apresentação clínica bastante similar. Unitermos: cavidade oral, glândula salivar, odontologia ABSTRACT: Routine teeth care is essential for the health of horses. Periodic examinations and regular maintenance are extremely necessary procedures due to changes in diet and eating patterns of horses that occurred mainly with the advent of domestication and confinement of these animals. One of the consequences of this affected oral health is the gingival hyperplasias. Gingival hyperplasia is the non inflammatory increase of the gum associated with tooth artery wear, leading to excessive trauma. Secondarily, it can lead to an injury to the salivary glands, known as sialoadenitis. The objective of this work is to report the case attended at the Veterinary Hospital of Large Animals-UFPB, equine, Quarter of a Mile, female, 7 years. During the anamnesis, the owner reported the progressive growth of a mass located in the oral cavity. After the physical evaluation, the patient was referred to surgery, where the affected tissue was removed and the histopathological fragment was removed, confirming the presence of gingival hyperplasia and sialoadenitis. These pathological entities are uncommon, clinically can be confused with a neoplasia. Therefore, it is necessary to know the possible alterations of the salivary glands as well as the resources of complementary tests available for the diagnosis of these, are essential, considering that there are affections with the very similar clinical presentation. Keywords: oral cavity, salivary gland, dentistry RESUMEN: La rutina en el cuidado de los dientes es esencial para la salud de los equinos. Exámenes periódicos y mantenimiento regular son procedimientos extremadamente necesarios debido a la alteración en la dieta y patrones alimentarios de los equinos que ocurrieron principalmente con el advenimiento de la domesticación y confinamiento de esos animales. Una de las consecuencias de esta salud bucal acometida son las hiperplasias gingivales. Hiperplasia gingival es el aumento no inflamatorio de la encía asociada al desgaste de la arcada dental, llevando a excesivos traumas. De forma secundaria, se puede llevar a una lesión en las glándulas salivares, conocida como sialoadenitis. El objetivo de este trabajo es relatar el caso atendido en el Hospital Veterinario de Grandes Animales-UFPB, equino, Cuarto de Milla, hembra, 7 años. Durante la anamnesis, el propietario relató el crecimiento progresivo de una masa localizada en la cavidad oral. Después de la evaluación física el paciente fue encaminado a la cirugía, donde se retiró el tejido acometido encaminando el fragmento el histopatológico, confirmando la presencia de hiperplasia gingival y sialoadenitis. Estas patologías son poco frecuentes, clínicamente puede confundir se con una neoplasia. Por eso, es necesario el conocimiento de las alteraciones posibles de las glándulas salivares así como de los recursos de exámenes complementarios disponibles para el diagnóstico de estas, son imprescindibles, teniendo en vista que existen afecciones con la presentación clínica bastante similar. Palabras clave: cavidad oral, glándula salivar, odontología • 31 extremamente necessários devido à alteração na dieta e padrões alimentares dos cavalos que ocorreram principalmente com o ad- vento da domesticação e confinamento desses animais4. Problemas dentários causam, frequentemente, lacerações in- tra-orais nos tecidos moles, com consequente dor à mastigação, mudança da biomecânica dentária e queda no desempenho atlético do animal3. Uma das consequências dessa saúde bucal acometida são as hiperplasias gengivais. A hiperplasia gengival é o aumento não inflamatório da gengiva, que pode gerar inflamação local e a replicação celular no tecido. Essa inflamação pode estar associada ao desgaste da arcada dentária, levando a excessivos traumas, e assim ocasionando ao aumento gengival focal ou generalizado. De forma secundária, pode-se observar lesões nas glândulas salivares, denominada sialoadenite. As sialoadenites compreendem todos os processos inflamató- rios que acometem as glândulas salivares e são acompanhadas de dor, aumento de volume e redução do fluxo salivar da glândula acometida. Elas podem ser classificadas em agudas ou crônicas. A patogênese das sialoadenites não é completamente compreendida, mas é provável que envolva uma combinação de diversos fatores etiológicos que contribuem para a redução do fluxo salivar. Má higiene oral, obstrução do ducto por sialolitíase, tumores ou cor- pos estranhos são considerados fatores locais que podem levar ao desenvolvimento da enfermidade2. Sendo assim o objetivo do pre- sente trabalho é relatar um caso de um equino apresentando sialo- adenite e hiperplasia gengival secundária as alterações de desgaste dentário. Relato de Caso Foi atendido no Hospital Veterinário de Grandes Animais- UFPB, no dia 29 de agosto de 2017, um equino, fêmea, Quarto de Milha, 7 anos de idade, pesando 413 kg, que apresentava como queixa principal uma massa na cavidade oral com progressão de aproximadamente 4 meses com odor fétido e predisposição ao acu- mulo de ingesta. No decorrer do exame físico, observou-se aumen- to dos linfonodos submandibulares e parotídeos, tártaro, halitose, hiperplasia do palato e da mucosa do lábio superior direito, além de ondas e ganchos dentários. O tratamento estabelecido inicial- mente foi a correção odontológica e soro antitetânico, limpeza bu- cal com clorexidine BID e dipirona 20 mg/kg SID, por 3 dias. Após 30 dias de repouso e nenhuma remissão da massa, o animal foi encaminhado para o setor de cirurgia, no qual realizou-se retirada do tecido exacerbado localizado no lábio superior direito utilizan- do como medicação pré-anestésica detomidina na dose 20 mcg/kg IV, após 15 minutos indução com cetamina 2 mg/kg associada com diazepam 0,1 mg/kg e sendo mantido como infusão tripla de Éter Gliceril Guaiacol (EGG) a 5% diluído em 500 ml de solução glico- sada, acrescido de 500 mg de xilazina 10 % e 1g de cetamina, a velocidade da infusão dependia da monitoração dos parâmetros car- díacos e respiratórios assim como reflexos palpebrais e corneanos. Como protocolo do pós-cirúrgico, utilizou-se penicilina benzatina na dose de 20.000 UI/kg SID, durante 5 dias, flunixina meglumine, 1,1 mg/kg SID, durante 3 dias e limpeza da ferida cirúrgica com soro e albocresil. Foi coletado amostra do tecido e encaminhados para o histopatológico. Nos achados microscópicos notou-se que a glândula salivar apresentava infiltrado multifocal a coalescente, além de uma inflamação mista considerável. Chamando atenção tam- bém para o tecido de granulação e o epitélio da gengiva, no quais estavam marcadamente hiperplásicos, sendo diagnosticado com si- aloadenite e hiperplasia gengival. Discussão Durante o exame físico não foi observado alterações signifi- cantes na frequência cardíaca e respiratória, tempo de preenchi- mento capilar, coloração da mucosa e temperatura, apresentando apenas sinais clínicos na cavidade oral, com presença da massa na região do lábio superior direito, além de desgastes dentários, como pontas, ondas e ganchos dentários. Os parâmetros observados não foram suficientes parafinalizar o diagnóstico, sendo assim inicial- mente foi realizado uma correção odontológica para evitar um dano maior. Por conseguinte, foi solicitado um histopatológico do frag- mento, encontrando na glândula salivar infiltrados multifocais e uma inflamação mista considerável. Tais características microscó- pica levou ao diagnóstico de sialoadenite e hiperplasia gengival, secundárias a um desgaste da arcada dentária do animal. Animais com afecções locais normalmente não apresentam sintomatologia sistêmica assim como o animal do presente relato que apresentou apenas sinais clínicos locais. Segundo Gomes2, uma infecção retrógrada causada por mi- crorganismos da cavidade oral resulta diretamente em um processo inflamatório do parênquima glandular. Entretanto, a outra hipótese sugere que repetidos quadros de inflamação aguda levam a uma metaplasia da mucosa do epitélio, resultando em um aumento do conteúdo de muco, estase e consequentes episódios de inflamação. Além da má higiene oral, obstrução do ducto por sialolitíase, tu- mores ou corpo estranho são considerados fatores locais que po- dem levar ao desenvolvimento das sialoadenites. O animal do pre- sente relato provavelmente apresentou sialoadenite devido a oclu- são dos ductos salivares devido a hiperplasia, na qual foi causada por traumas excessivos na mucosa gengival. O tratamento instituído para o animal foi a ressecção cirúrgica de todo local acometido juntamente com a correção dentária, evi- tando maiores danos futuros. Associado a isso fez uso de antibacte- riano e anti-inflamatório sistêmicos, levando em consideração a grande quantidade de bactérias localizadas na cavidade oral, bem como a exacerbada inflamação local. Tratamento este foi de funda- mental importância para a recuperação do paciente. Conclusão O conhecimento das alterações possíveis das glândulas sali- vares bem como dos recursos de exames complementares disponí- veis para o diagnóstico destas, são imprescindíveis, tendo em vista que existem afecções com a apresentação clínica bastante similar. É através da conclusão do diagnóstico que obteremos o emprego do tratamento apropriado e reabilitação dos pacientes. Além da avaliação e correção dentária de forma periódica, evitando o apa- recimento de diversas afecções, principalmente na cavidade oral que podem ocasionar problemas como hiperplasia gengival e pos- síveis casos de sialoadenite. Referências 1. BRIGHAM, E.J.; DUNCANSON, G.R. Equine Veterinary Education, v.12, 2.ed., 2000, p.63- 67. 2. GOMEZ, R.T.; NAVES, M.D.; CARMO, M.A. et al. Sialoadenites: revisão de literatura sobre a etiologia, o diagnóstico e o tratamento. Arquivos em Odontologia, Belo Horizonte, v.42, n.4, p.257- 336, out./dez. 2006. 3. LANE, J.G. A review of dental disorders of the horse, their treatment and possible fresh approaches to management. Equine Veterinary Education, v.6, p.113-211, 1994. 4. SOUZA, L.M.P. Odontologia Equina. Acessado em 27 de outubro de 2017. Disponível no site: http://www.informativocavalos.com.br/Vet.%20odontologia.htm. 5. SWENSON, M.J.; REECEE, W.O. Dukes. Fisiologia dos Animais Domésticos, 11.ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1996, p.856. 6. THOMASSIAN, A. Enfermidade dos Cavalos, 4.ed., São Paulo: Varela, 2005, p.265-276. 32 • ODONTOLOGIA EQUINA A OSTEODISTROFIA FIBROSA NA CAVIDADE ORAL O Hiperparatireoidismo Nutricional Secundário ou Osteo- distrofia Fibrosa, ou também conhecido como “Doença da Cara Inchada”, é um distúrbio endócrino relacionado ao manejo nu- tricional errôneo em equinos. Os ossos da cabeça são os mais gravemente acometidos, havendo espessamento dos ossos mandibular, maxilar, palatino, zigomático e lacrimal, por isso recebe o nome popular de “cara inchada”, ilustrado na Figura 1. Esta doença também atua no osso alveolar, contribuindo para que sejam observadas alterações intraorais. Figura 1: Face do equino tumefeita em função da osteodistrofia fibrosa. (Fonte: Equident) Este desequilíbrio endócrino ocorre devido ao aumento da liberação do hormônio PTH (paratormônio), o qual atua reti- rando cálcio dos ossos e liberando-o para a corrente sanguí- nea. O excesso do mineral fósforo (P) na dieta faz com que o cálcio (Ca) dos ossos seja retirado para que o equilíbrio na relação Ca:P seja mantido. Os primeiros ossos a sofrerem com a remoção do cálcio são os ossos da face, e irão apresentar uma deposição excessiva de tecido conjuntivo e osteóide por estímulo dos osteoblastos, levando ao aumento progressivo na espessura dos ossos6. Posteriormente os ossos afetados são: mandíbula, crânio, costelas, vértebras e ossos longos5. Quando ocorre retirada do cálcio dos ossos, há uma substitui- ção de tecido ósseo por tecido fibroso, como este tecido pos- sui um volume maior, o animal apresenta um aspecto de cara inchado, caracterizando a doença2. Os equinos requerem em sua dieta uma relação cálcio:fósforo de aproximadamente 1:1. Uma relação de 1:3 ou menor, pode levar à osteodistrofia fibrosa. O desequilíbrio nu- tricional ocorre com dietas com baixos níveis de cálcio, exces- so de fósforo e níveis normais ou deficientes de cálcio, e/ou dietas com quantidades inadequadas de vitamina D. Como con- sequência do desequilíbrio na relação Ca:P da dieta, geral- mente devido a ingestão de rações com altos níveis de fósforo, há hiperfosfatemia e estímulo da paratireóide (hiperparatireoi- dismo nutricional) com aumento da secreção do paratormônio (PTH), causando reabsorção óssea para elevar a calcemia8. Este desequilíbrio pode ocorrer também, devido a inges- tão de pastagens que contêm oxalatos. Neste caso, a ingestão de Ca e P e sua relação podem estar normais, mas o Ca não está disponível para absorção. O oxalato é uma substância presente em algumas forragens que, ao ser absorvido pelo or- ganismo, se une ao Ca formando oxalato de cálcio, impedin- doa metabolização deste mineral pelo organismo8,9,10. Em con- sequência da baixa absorção de Ca, ocorre aumento na secre- ção do paratormônio pelas células da paratireóide, levando a um aumento da reabsorção óssea, com consequente substi- tuição do tecido ósseo por tecido fibroso, caracterizando a os- teodistrofia fibrosa2. Dietas ricas em farelo de trigo contribuem para o desen- volvimento deste distúrbio endócrino, visto que o ácido fítico presente neste farelo liga-se ao cálcio, elevando assim os ní- veis de fosfato7. De acordo com Thomassian (2005) a deficiência de vita- mina D em cavalos estabulados também é uma causa secun- dária de “cara inchada”, uma vez que ela é necessária para que ocorra a absorção de cálcio pelo organismo. Além de se- cundário à alimentação, o hiperparatireoidismo também pode ser secundário à insuficiência renal crônica, uma vez que ocor- re diminuição da excreção de fósforo com consequente hiper- fosfatemia e aumento na produção de paratormônio13. Cavalos jovens estão predispostos ao desenvolvimento desta desordem, contudo pode ocorrer também em equinos de idade avançada7. SINAIS CLÍNICOS O proprietário normalmente observa alguma alteração no equino quando o quadro da doença já é moderado a severo. Animais que estejam cursando com osteodistrofia fibrosa apre- sentam uma deformidade facial, e em quadros mais adianta- dos, podem apresentar também claudicação e ruído respirató- rio, em função do estreitamento das conchas nasais. As claudicações podem ter relação com microfraturas, avulsão de tendões e ligamentos, ou até mesmo fraturas mais severas. Dificuldade mastigatória associada à perda de peso são sinais comuns desta doença, e podem ser explicados pela subs- tituição do tecido ósseo por cartilaginoso no alvéolo dentário. Isto compromete a inserção do ligamento periodontal no osso alveolar, promovendo mobilidade dentária, que pode chegar a perda dentais. Este quadro gera dificuldade mastigatória e incapacidade de triturar o alimento, pois o animal sente dor ao • 33 mastigar. Desta forma, a caquexia é um sintoma normalmente encontrado em casos avançados. Em quadros graves, a de- glutição fica prejudicada, e até mesmo a ingestade água. O sangramento entre os espaços interdentais durante o procedimento de odontoplastia, também é um sinal clínico que deve ser avaliado com cuidado pelo médico-veterinário, pois ele pode sinalizar que o ancoramento do dente em seu alvéolo está comprometido, e representa um quadro inicial de lesão do periodonto. Quando este sangramento ocorre isoladamente em um espaço interdental, sugere uma doença periodontal local, mas quando ocorre entre todos os dentes, pode-se suspeitar de osteodistrofia fibrosa (Figura 2). para avaliar claudicações e o ruído respiratório são fundamen- tais no diagnóstico e, na maioria dos quadros, suficientemente conclusivos. A avaliação intraoral do paciente pode demonstrar aumento dos ossos alveolares, facilmente visíveis nos dentes incisivos nos quadros avançados da doença. Muita cautela com a apli- cação do espéculo oral, pois este animal pode sofrer fratura iatrogênica de maxila ou mandíbula, em função da perda ós- sea que culmina na afecção. É comum o cliente requisitar a presença do odontólogo equino nestes casos de osteodistrofia fibrosa, pois o equino normalmente está perdendo peso progressivamente e relutan- te para alimentar-se. Contudo o médico-veterinário deve sem- pre realizar uma boa anamnese e exame físico previamente ao procedimento. Em casos avançados da doença, o tratamento dental pode ser evitado, a fim de prevenir lesões iatrogênicas, como fraturas de face. O nível fisiológico de cálcio no plasma de equinos adultos é de 10,2 a 14,3 mg/dl e se mantém aproximadamente nestes níveis durante toda a vida do animal11. Os níveis plasmáticos de fosfato inorgânico variam de 2,1 a 5,9 mg/dl, no entanto, a fosfatemia em cavalos varia com a idade1. Segundo Mendez & Riet-Correa (2007), pode não haver al- terações significativas nos níveis séricos de Ca e P de equinos com esta afecção; no entanto, os níveis de cálcio tendem a ser mais baixos que o normal, e os valores séricos do fósforo inor- gânico e a atividade da fosfatase alcalina (FA) mais elevados. A análise da concentração de Ca no sangue não é uma ferramenta de diagnóstico precisa, porque, em função dos mecanismos homeostáticos, a calcemia geralmente se encon- tra dentro dos limites de referência. Dessa forma, a avaliação da dieta a que os animais são submetidos é uma forma mais confiável de detectar o problema2. Segundo Genesi (2016), doenças ósseas generalizadas como osteossarcoma e outras neoplasias ósseas (primárias ou secundárias), raquitismo, os- teomalácia, hiperparatireoidismo apresentam maior atividade sérica da FA devido a proliferação de osteoblastos que acom- panham estes distúrbios. O aumento de FA de origem óssea é facilmente distinguida dos quadros hepáticos e hepatobiliares pela falta de elevação da atividade de enzimas do parênquima hepático (ALT e AST). O exame radiológico auxilia no desfecho do diagnóstico e deve ser observada a densidade dos ossos da face, especial- mente nos alvéolos, e áreas radioluscentes periapicais, com- patíveis com perda da integridade periodontal. A radiografia de ossos longos para avaliação da densidade óssea, auxilia na definição da extensão da doença. TRATAMENTO Restabelecer o equilíbrio da dieta, remover o agente cau- sador do desequilíbrio nutricional, permitir que o animal tenha acesso ao sol diariamente, representam os pontos chave de um bom tratamento de osteodistrofia fibrosa. A evolução do processo estaciona logo que o tratamento é instituído, contudo a regressão da tumefação de face não regride. O nivelamento dental auxiliará nos quadros menos graves para distribuir a pressão mastigatória entre os molares, contu- do em quadros graves de perda óssea, o tratamento dentário Garanhões usados para monta apresentam dificuldade de saltar no momento do acasalamento, em função do envolvi- mento locomotor da doença. Quando há comprometimento dos membros locomotores, relutância em movimentar-se e galopar também são descritas. Estes sinais aparecem em decorrência do aumento da atividade osteoclástica das lamelas ósseas externas com ruptura das inserções dos tendões e das trabé- culas ósseas que dão suporte à cartilagem articular6. As deformações dos ossos da face, podem causar obs- trução da passagem nasal, resultando em ruído nas vias aére- as superiores. O ruído respiratório muito marcado caracteriza um estreitamento da passagem de ar nas vias aéreas superio- res, (conchas nasais), visto que os ossos da face sofrem pri- meiramente com a substituição do seu tecido ósseo por tecido fibroso, que por sua vez ocupa mais espaço. DIAGNÓSTICO Uma anamnese minuciosa, envolvendo questionamentos a respeito do tipo de alimento, local onde o animal permanece e pastoreia, exposição ao sol, é importante para o desfecho do diagnóstico. O exame físico completo é essencial no diagnóstico desta doença. Observar os ossos da face, o animal em movimento Figura 2: Sangramento em praticamente todos espaços interden- tais em dentes molares maxilares durante o nivelamento dentário. Indicativo de periodontite associada à osteodistrofia fibrosa. Esta imagem é de um tratamento dental ainda não finalizado, apenas para demonstrar os espaços interdentais. (Fonte: Equident) 34 • ODONTOLOGIA EQUINAODONTOLOGIA EQUINA pode prejudicar o animal, em vista do risco de fratura iatrogêni- ca da maxila ou mandíbula. Em casos avançados da doença, o prognóstico é bastan- te desfavorável em função do compromentimento do sistema vital do equino, especialmente a parte respiratória e digestória. Quando há obstrução respiratório significativa, a traqueosto- mia é a escolha; contudo quando a dificuldade de deglutição e ingesta de água estão presentes, então a esofagostomia é in- dicada. Algumas situações a eutanásia poderá ser a única for- ma de reduzir a angústia do animal. RELATO DE CASO Equino, macho castrado, da raça Crioula, 20 anos, sob confinamento, recebendo ração comercial e feno de alfafa apre- sentou dificuldade para deglutir, escore corporal 2 (escala de 1-9)4, conforme figura 3, dificuldade de respiração ruidosa e aumento de volume dos ossos da face (incisivo, nasal, mandi- bular e alveolar), conforme figura 4. Na avaliação intraoral, foi observado aumento de volume dos ossos alveolares incisivos (figura 4), maxilares e mandibulares. Optou-se por não usar espéculo oral neste equino, em função do risco de fratura ia- trogênica. Devido à deformação dos ossos da face ocorreu obstrução da passagem de ar em conchas nasais e seios pa- ranasais, resultando em respiração ruidosa nas vias aéreas superiores e dispnéia. Após o exame clínico, a suspeita foi os- teodistrofia fibrosa. Adicionalmente foram feitas radiografias de face, que re- velaram radiopacidade em seios paranasais, indicativo de pre- sença de tecido fibroso nos compartimentos rostrais e caudais, e perda de densidade óssea mandibular, maxilar e em alvéo- los dentais (figuras 5 e 6). A radiografia do osso longo (rádio) apresentou-se normal. Estas imagens sugerem um quadro de osteodistrofia fibrosa severo porém de curso recente, que afe- tou os ossos da face inicialmente. Figura 3: equino cursando com osteodistrofia fibrosa, com escore corporal 2, segundo Henneke (1983). (Fonte: Equident) Figura 4: Deformação dos ossos da face pela osteodistrofia fibro- sa. A) Aumento de volume em conchas nasais. B) Alargamento dos ramos mandibulares. C), D) e E) Alvéolos dentários dos incisi- vos alargados e retração gengival em incisivos. (Fonte: Equident) Figura 5: Projeção dorso-ventral: observa-se perda da densidade óssea mandibular e alveolar e opacidade em seios rostrais e cau- dais. (Fonte: Equident) No exame bioquímico, a concentração sérica de Ca e P não estava alterada, contudo a fosfatase alcalina, elevada (675,68 mg/dl). O hemograma revelou anemia, leucopenia, neu- tropenia e desidratação. Como tratamento, foi sugerida a hospitalização do animal para terapia de suporte, com indicação de esofagostomia e tra- queostomia, devido a sua incapacidade de deglutir e obstru- ção respiratória respectivamente. Contudo devidoao avanço da osteodistrofia fibrosa e o comprometimento da saúde do animal o proprietário optou pela eutanásia. • 35 M.V. Lizzie Dietrich (Lizzie.dietrich@gmail.com) Certificada pela IAED (International Association of Equine Dentistry), Proprietária da Equident - RS M.V. Izaura Scherer Médica Veterinária Autônoma Monitora da II Turma do Curso da Equident Apoio: ORTOVET www.ortovet.com.br DISCUSSÃO E CONCLUSÃO A instabilidade dentária presente nesta doença gerada pela reabsorção alveolar promove dor mastigatória e por fim perda de peso progressiva, não são raros os casos de perda dental. Alguns sinais clínicos como o sangramento nos espa- ços interdentais e a mobilidade dental devem ser diferencia- dos de doença periodontal. No caso da osteodistrofia fibrosa, a periodontite é disseminada e associada ao aumento de vo- lume alveolar. Síndrome de Hipercementose Odontoclástica Equina (SHOE) pode ser confundida com esta doença, porém a SHOE cursa com hipercementose, perda da integridade do periodonto e fístula. O exame radiológico auxilia no diagnósti- co diferencial, além do histórico, quadro clínico e exame físico que contribuem para um diagnóstico definitivo da osteodisto- fia fibrosa. O fato do animal estar sob constante confinamento, sem exposição solar, pode ter sido o fator desencadeante deste relato de caso. Considerando que a radiação ultravioleta B da luz solar estimula a produção da pré-vitamina D, que, por sua vez, é convertida nos rins para a forma biologicamente ativa, a vitamina D, e sem esta não é possível que o organismo faça a absorção do cálcio. Os níveis bioquímicos de Ca e P foram normais por ser um processo avançado e mecanismos home- ostáticos tendem a compensar os níveis destes minerais. Já a FA estava elevada devido ao aumento da atividade osteoblás- tica presente nesta doença. A eutanásia foi a opção escolhida devido ao comprometimento geral da saúde do animal, ao avanço da doença, uma vez que não existe a regressão dos sinais clínicos e do quadro clínico, e também pelo sofrimento respiratório. Como meio preventivo, a dieta do animal deve ser criteri- osamente avaliada, afim de que a relação Ca:P esteja balan- ceada, respeitando os valores de 1:1. Outro cuidado é evitar o acesso de equinos a pastagens ricas em oxalato, uma vez que este interfere na absorção de cálcio intestinal, e também permitir que o animal tenha contato com o sol algumas horas Figura 6: Projeção oblíqua lateral: radiopacidade em seios parana- sais e perda da densidade óssea alveolar e maxilar. (Fonte: Equident) por dia. Em casos iniciais a dieta pode ser corrigida reequili- brando os níveis de Ca:P no organismo, isso fará com que cessem as alterações ósseas, todavia os sinais já existentes não reverterão. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 1. ENBERGS,H.; KARP, H.P.; SCHONHERR, U. 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Também fazem parte desse grupo muitos moradores das áreas urbanas que optaram por esporte e lazer a cava- lo, mantendo animais em haras e hípicas. Como traço co- mum, nota-se que esse novo perfil de usuários de cavalos tem estimulado a criação de animais em áreas mais restri- tas, estabulados ou semi estabulados, em detrimento da criação a pasto. Isto provoca mudanças na alimentação des- ses animais, com uso mais intensivo de feno. A manuten- ção de equinos sob o fornecimento de feno ou alimentos volumosos é essencial para a manutenção da atividade e saúde do seu trato digestório. A produção de feno no Brasil avançou nas últimas dé- cadas, sendo encontradas propriedades exclusivamente produtoras de feno e, inclusive, regiões onde há concen- tração da produção. Como exemplo, pode-se citar Bandei- rantes, no Paraná, onde há centenas de produtores de alfa- fa no município e arredores. Trata-se, do ponto de vista eco- nômico, uma atividade bastante atrativa, pois, ao contrário de outras culturas, é possível obter até dez safras a cada ano, o que proporciona menor sazonalidade no fluxo de caixa, facilitando o controle financeiro dos empreendimen- tos. Usualmente a desidratação da forrageira é realizada sem auxilio de equipamentos, utilizando-se exclusivamen- te das condições ambientais (sol e ventos). Atualmente, convivem dois sistemas de produção de feno no Brasil. Um, no qual a produção de feno não é prin- cipal atividade da propriedade, mas apenas uma fonte de renda complementar, e outro, mais profissional. No primei- ro caso, a produtividade é baixa, em torno de 7 toneladas de matéria seca por hectare/ano, no caso de alfafa, e com baixa longevidade da cultura. O contraste com a produção profissional, empresarial, é grande. A produtividade é cer- ca do triplo, atingindo 20 toneladas de matéria seca por hectare/ano, e o alfafal com maior longevidade, aproximan- do-se de 10 anos. As diferenças entre os dois sistemas de- vem-se tanto à qualidade do manejo (controle de ervas daninhas e uso de fertilizantes) quanto à maneira que ocor- re o corte e a secagem. Muitas vezes a comercialização é realizada através de intermediários e a qualidade é muito heterogênea em relação às diversas características, como umidade (temperatura do fardo), coloração, odor, maciez, e presença de fungo. Para que ocorra a produção de feno de alta qualidade, o produtor necessita realizar investimentos elevados em ma- quinários(trator, ceifadeira, batedor/enleirador, enfardadei- ra e elevador de fardos, por exemplo), destacando que ain- da não há oferta adequada de serviços terceirizados para as etapas de produção de feno. Isto implica em maior ne- cessidade de capital, com investimentos superando R$ 10 mil por hectare apenas com os custos de implantação. Outros R$ 6 mil reais são gastos anualmente com custos variáveis e administrativos. Como toda atividade agrícola, que ocorre “a céu aberto”, os riscos climáticos e de pragas e doenças estão sempre presentes, provocando volatilida- de na quantidade produzida e nos preços. A sazonalidade de preços de feno acompanha a variação climática, menor no verão e início do outono em razão do maior volume ofe- recido; maior no inverno e primavera, devido à escassez do produto no mercado. Nota-se que a produção de feno de boa qualidade, com manejo adequado e necessidade de investimentos em ma- quinários e insumos, ainda é de alto risco no Brasil (volatili- dade de quantidade produzida e dos preços), sem contar com prêmio pela maior qualidade. De um modo geral, o mercado não diferencia o bom feno do ruim, pois há forte assimetria de informação (o comprador detém bem menos informação sobre o produto do que o vendedor). A aparência externa (ver Quadro 1) tem sido a princi- pal forma de escolha do consumidor. Entretanto, sempre deveria haver uma correta análise bromatológica de amos- tras dos lotes comercializados, atentando-se a variáveis como proteína bruta, fibra insolúvel em detergente neutro, fibra insolúvel em detergente ácido, nitrogênio ligado à fra- ção fibrosa e concentração de minerais (cálcio, fósforo, potássio, magnésio). A falta de padronização de feno permite, de certa for- ma, a entrada de curiosos que começam a produzir a forra- gem, sem o mínimo conhecimento das exigências da cul- tura, no objetivo de ocupar o pequeno pedaço da terra que possuem e gerar alguma renda. Muitos destes produtores deixam de realizar operações essenciais, como por exem- plo, a adubação de manutenção, após cada corte, por se tratar de uma despesa muito custosa para a produção de feno. Como o feno é uma cultura em que se pode realizar várias colheitas durante o ano, grande quantidade de nutri- entes é extraída do solo e devem ser repostas. Esta opera- ção torna-se indispensável para garantir produções de alta qualidade e manter a longevidade da cultura. O resultado dessa situação é a oferta de produtos de diferentes tipos (A, B e C), competindo no mercado como se fossem o mesmo tipo. Os produtos com alta qualidade, classificados como tipo A, por suas boas características • 37 físicas e químicas, poderiam ser vendidos por um preço mais alto; e os de baixa qualidade, classificados como feno B e C com preços mais baixos. Os preços de venda de feno praticados no mercado também oscilam bastante, conforme as condições ambi- entais. Normalmente, na época em que há maior disponibi- lidade de chuvas, o preço diminui, pois, a oferta do produto aumenta; portanto, no inverno, em que se tem uma estia- gem, o preço do feno aumenta. A queda da produção tam- bém pode ser ocasionada por temperaturas baixas, pra- gas, doenças, competição com plantas daninhas. Outra situação que ocorre é a venda ainda ser feita em algumas regiões, principalmente em São Paulo, por unida- de e não por peso. Isso se agrava pelos fardos serem con- feccionados em tamanhos e pesos variados, o que ocorre tanto pela falta de regulagem da enfardadeira quanto pela negligência de alguns produtores, o que torna difícil o co- mércio justo deste mercado. Para incentivar a produção de feno de alta qualidade, é necessário que ocorra padronização do produto. Sem a adequada certificação, o mercado será sempre caracteri- zado por guerra de preços em detrimento da qualidade, podendo ocasionar graves consequências ao comprador e baixa oferta do produto. Muitas vezes, o comprador não conhece a qualidade do alimento fornecido aos seus cava- los, o que pode afetar o desempenho e metabolismo dos animais, trazendo graves consequências. Uma adequada certificação deverá definir normas para Roberto Arruda de Souza Lima (raslima@usp.br) Engenheiro Agrônomo, Doutor em Economia Aplicada, Prof. ESALQ/USP; Coordenador do Equonomia Gabriela Furtado Mari Engenheira Agrônoma, Shearer do Brasil Agropecuária e Participações Ltda. a correta produção de feno, padronização, classificação e comercialização. Assim, orientará e apoiará o produtor na melhoria contínua do manejo de sua área, aumento da efi- ciência e produtividade, gestão da propriedade, cumprimen- to da legislação ambiental e trabalhista e conservação dos recursos naturais. A certificação poderá ser aplicada em fazendas de todos os tamanhos e localizações, sejam em empresas, propriedades familiares ou grupos em coopera- tivas. O trabalho consistirá em acompanhar todas as ope- rações realizadas na produção do feno, desde o planeja- mento agrícola, passando pelas operações em campo até a análise bromatológica do feno desidratado produzido, mesmo após ser armazenado. Auditorias realizadas por profissionais habilitados e es- pecializados, somada a relatórios periódicos dará ao pro- dutor um certificado agrícola, comprovando a qualidade do produto e seu manejo sustentável. O processo de certificação oferece possibilidades para a diferenciação e fortalecimento do produtor rural, com oti- mização de recursos usados no agronegócio, impacto po- sitivo no meio ambiente, oferta de produto de qualidade e melhores resultados na nutrição animal. Quadro 1: Características para seleção visual do Feno a) Observar o conteúdo de vários fardos, avaliar com maior atenção e melhorar a eficiência dessa avaliação; b) Escolher fenos que tenham hastes finas, folhosos, macios ao tato e com coloração verde característica. Não se preocupar apenas com a coloração externa, pois uma leve descoloração pode ocorrer devido ao sol durante o armazenamento; c) Evitar fenos muito secos, excessivamente expostos ao sol, com cheiro de bolor, empoeirados ou fermentados; d) Selecionar aqueles que tenham sido cortados com a forrageira ainda não madura, antes do florescimento. Exami- nar para a presença de perfilhos reprodutivos e sementes; e) Evitar os fenos que contenham plantas tóxicas, plantas invasoras, sujidades e outros materiais estranhos; f) Examinar os fardos quanto à presença de insetos, aranhas e outros animais potencialmente problemáticos; g) Rejeitar os fardos excessivamente pesados em relação ao seu volume. Observar se estão quentes ao toque, pois podem conter umidade excessiva, levando ao aparecimento de fungos e podendo causar combustão espontânea nos fardos armazenados; h) Adquirir feno novo e usá-lo em seguida, para utilizar seu melhor valor nutricional; i) Manter os fardos em locais secos, longe do solo e das paredes, ventilados e livres da incidência de sol e das chuvas, onde possam ser vistoriados e retirados com facilidade; j) Identificar o lote adquirido ou produzido e avaliar o resultado das análises bromatológicas desse lote para conhe- cer seu verdadeiro valor nutricional. Fonte: DOMINGUES, J.L. Uso de volumosos conservados na alimentação de equinos. R. Bras. Zootec., Viçosa, v.38, n.spe, p.259-269, July 2009. 38 • • 39 40 • HIDROTERAPIA EM EQUINOS Hugo Garcia da Silveira (hugogvet@gmail.com) Médico Veterinário - CRMV 38695/SP CEO - Informativo Equestre Whatsapp: +55 16 99644-6886 A fisioterapia veterinária é uma área que está em expansão e vem se tornando cada vez mais popular não só como ajuda tera- pêutica mas também como um método muito útil no treino do atleta equino. É visto que cada vez mais, os médicos veterinários que atuam na ortopedia estão vendo a necessidade de incorpo- rar essa especialidade no tratamento para melhorar a recupera- ção e a qualidade de vida dos animais. A fisioterapia apresenta como principais benefícios melhoria da função e qualidade dos movimentos, alívio da dor que pode interferir no bem-estar do animal, redução de edemas e complicações, diminuiçãono tem- po de recuperação, redução de custos para o proprietário, além de ser hoje utilizada como um tratamento fundamental na recu- peração pós-cirúrgica. Além disso, ajuda a reduzir a inflamação e minimiza ou previne atrofias musculares. Algumas das técnicas empregadas na medicina veterinária são: hidroterapia, crioterapia, eletroterapia, termoterapia, laser- terapia, cinesioterapia e massoterapia. Uma das técnicas da Fisioterapia que nos mostra resultados promissores com os equinos é a hidroterapia, que representa o uso da água como forma de tratamento. A água possui algumas propriedades únicas que a tornam um agente terapêutico de gran- de valor. Esta técnica promove diversos efeitos benéficos, desde fisiológicos até psicológicos. A água reduz o peso do animal e o impacto do exercício, sendo estas as maiores vantagens desta te- rapia, já que podemos tratar sem sobrecarregar. A terapia na água promove aumento na circulação, aumento da mobilidade e flexi- bilidade, diminuição da dor, fortalecimento de tônus muscular e ainda uma grande melhora no equilíbrio, coordenação e manu- tenção de postura. Associado a isso, a água também funciona como um excelente estímulo proprioceptivo e sensorial, e que comple- menta perfeitamente as outras técnicas utilizadas na melhora de um paciente. A pressão hidrostática é sentida quando o animal é submer- so na água e torna-se mais evidente para o paciente no momento da inspiração, pois a água provoca uma resistência à expansão torácica. A compressão abdominal também aumenta a pressão das vísceras contra o diafragma, portanto, é preciso ter cuidado com pacientes que possuem problemas cardíacos ou respiratóri- os ao utilizar piscinas. Com o corpo submerso, também ocorrerá maior pressão sobre os vasos sanguíneos periféricos, forçando o sangue a se concentrar mais na circulação central. Isso leva a um aumento do débito cardíaco, favorecendo o sistema circulatório. A pressão também pode ajudar o movimento de um animal com problemas na locomoção, pois transmite uma sensação de sus- tentação. A hidroterapia pode ser associada aos efeitos de calor e frio, quando a água é aquecida ou resfriada. A água aquecida promo- ve aumentos da frequência respiratória, do suprimento sanguí- neo ajudando em contraturas musculares, alívio da dor e no rela- xamento geral do paciente. Na água gelada, as principais altera- ções fisiológicas são diminuições no metabolismo celular, na di- minuição da permeabilidade capilar e alívio da dor. Quanto maior a variação térmica, maior será o efeito fisiológico produzido, des- de que outros fatores sejam semelhantes. A hidroterapia possui algumas modalidades. Pode ser reali- zada através de imersão total (natação em piscinas, tanques ou cursos de água naturais), imersão parcial (reabilitação em esteira na água), duchas e botas com turbilhão. Na modalidade de imersão total, o animal encontra-se prati- camente submerso, deixando apenas a cabeça e parte do pesco- ço para fora da água, não tendo apoio no piso, portanto tem que movimentar constantemente os membros para se manter na su- perfície. Essa técnica promove movimentos de adução, abdução e lateralizados. Na imersão parcial o animal deve apoiar-se no fundo do piso da piscina para realização desta prática, o animal se exercita na água, estimulando o tato e a coordenação motora com mínimo impacto sobre as articulações. O uso dessa técnica auxilia tam- bém na melhora da resistência, mobilidade, condicionamento e aumento da queima de calorias no equino. A temperatura da água, velocidade e inclinação da esteira são reguláveis e são determina- das de acordo com o objetivo da terapia e a necessidade específi- ca do paciente. Nas duchas, a água exerce uma ação de massagem sobre os tecidos, melhorando a circulação sanguínea e linfática, quando a pressão é realizada. Pode ser gelada ou quente, assim os benefíci- os do frio e do calor potencializam-se ao da massagem. Nas botas com turbilhão, o membro do animal é posicionado dentro da bota, gerando um turbilhão ao ser ligado com uma bomba externa. O efeito da massagem com o turbilhonamento da água atua como um fluxo irregular de água que varia em qualquer ponto, gerando mais resistência ao movimento do que um fluxo contínuo de água indo em apenas uma direção. Nessa modalidade também pode se utilizar água quente ou gelada. A temperatura associa-se ao efeito de massagem da água sobre os tecidos. Vale ressaltar sobre algumas contraindicações da técnica, como a presença de feridas abertas, diarreia, incontinência uriná- ria, infecções, disfunções cardíacas e respiratórias. Além disso, o local deve contar com sistema de filtragem da água para remoção das partículas e dos pelos, assim como controle do pH, algas e micro-organismos. • Myrian Megumy Tsunokawa Hidalgo: Médica Veterinária residente na área de Clínica Médica, Cirúrgica, Reprodução e Obstetrícia de Animais de Produção e Equídeos na UENP - Univ. Estadual do Norte do Paraná - Bandeirantes, PR • Christiane Penna (Revisão Técnica): Veterinária responsável pela Villa dos Cavallos - Itapecerica da Serra, SP REFERÊNCIAS: 1. BECKER, B.E. Biophysiologic aspects of hydrotherapy. In: COLE, A.J.; BECKER, B.E. Comprehen- sive aquatic therapy, 2.ed., Boston, Butterworth-Heinemann, p.19-56, 2004. 2. CARVALHO, I.S.M.R. Fisioterapia Veterinária. Grupo Hospital Veterinário de Almada, Rio de Janeiro, 2008. 3. LEVINE, D. et al. Reabilitação e fisioterapia na prática de pequenos animais. São Paulo: Roca, 2008. 4. MIKAIL, S.; PEDRO, R.C. Fisioterapia Veterinária. Barueri, São Paulo: Manole, 2006. 5. SGUARIZI, G. CRMV regulamenta fisioterapia veterinária. In: CRMV Paraná, n.22, Ano V, Jan/Mar, p.10-11, 2007. • 41 GESTÃO EMPRESARIAL Prof. Euclides Germiniani Neto Prof. dos cursos de Graduação em Marketing e da Pós-Graduação em Veterinária no IBVET nos módulos de Gestão Comercial e Marketing e-mail: e.germiniani@gmail.com No momento em que vivemos, é sempre im- portante separar um momento para alinharmos con- teúdos e metas com o time, decisões e caminhos a serem tomados durante os trabalhos na empresa. Isso acaba sendo até mais rotineiro do que ne- cessário e, por fim, nossa agenda está preenchida por reuniões desnecessárias. Se você não passou por isso, provavelmente irá passar. Reuniões sem objetivo e mal preparadas ge- ralmente mais atrapalham e não trazem benefícios. Além da perda literal de tempo, podem gerar confli- tos e uma descrença de que as mesmas são impor- tantes, quando na verdade são, se bem preparadas e conduzidas. Vou mostrar aqui algumas dicas rápidas para um melhor aproveitamento deste tempo: Tenha Objetivo e Pauta Visíveis Defina o que deve ser alcançado quando a reu- nião terminar (objetivo) e os itens que ajudarão tor- nar isso possível (pauta). Pode ser enviado aos par- ticipantes antes e podem até mesmo estar à vista em uma folha de papel ou no computador. Impor- tante evitar pautas muito grandes. Dica: Utilize um celular para cronometrar a reu- nião. Apenas para isso, para evitar a distração. Algu- mas empresas recolhem o celular e devolvem so- mente após a reunião. Isso ajuda também em ou- tros afazeres do dia. Conduza a Reunião Escolha uma pessoa para conduzir a reunião, de forma que organize a conversa, as ideias, registre as ações posteriores e corte conversas paralelas. Não Trabalhe na Reunião Se não for uma reunião em que algum traba- lho deva ser feito, mas apenas discutido, não caia no erro de agir durante, além de tomar tempo, o foco da discussão é perdido. Envie um e-mail de Fechamento Ao terminar, envie um e-mail aos participan- tes agradecendo a presença e pontuando as princi- pais ideias e ações definidas. Uma reunião produtiva costuma ser rápida e depende muito do pulso de quem a está conduzin- do. E é sempre importante que saiam delas ações para serem tomadas e verificadas no próximo encontro. REUNIÕES Ajudam ou atrapalham o Médico-Veterinário? LA O B LO G G E R .C O M /C LI P A R T- O F- B U S IN E S S -M E E TI N G .H TM L • 4142 • ORTOPEDIA EQUINA Prof. Dr. Jairo Jaramillo Cardenas (dr.jairocardenas@yahoo.com.br) QUAL É O VERDADEIRO ESPAÇO ARTICULAR EM UMA RADIOGRAFIA? INTRODUÇÃO Muito se fala sobre colapso articu- lar (Foto 1), redução do espaço articu- lar, dor do osso sub-condral, etc, mas muitas vezes esses conceitos podem chegar a ser difíceis de diagnosticar quando se encontram na fase sub-agu- da; não estou querendo dizer que não seja possível que eles aconteçam, mas sim que é necessário ter informações de imagem mais contundentes para analisar o prognóstico e falar com sa- bedoria com o proprietário. O fato de não ver uma redução do espaço articular numa radiografia, não quer dizer que o cavalo não o tenha, mas existem algumas manobras que são muito úteis e que muita gente não as conhece ou se as conhece não as usa. A Ressonância magnética é um modelo de imagem que tem trazido muitos benefícios para nossa Medici- na Veterinário no Brasil, mas mesmo assim muita gente acredita que ela seja a única maneira de fazer uma leitura precisa ou confiável da superfície arti- cular. No meu ponto de vista, a ultras- sonografia (Foto 2A e 2B) e a radio- grafia contrastada (Foto 3) podem dar informações que em alguns aspectos conseguem ser iguais ou mais especí- ficas que a ressonância magnética quando se fala “especificamente” da situação da cartilagem hialina como parte da superfície articular e parcial- mente do osso sub-condral superficial. Observem como na Foto 2A, se com- para uma superfície articular saudável (região preta / anecóica) demarcada pela seta amarela e uma região altera- da composta por lise óssea (seta azul) e engrossamento da cartilagem hialina com características degenerativas co- nhecidas como condromaláica (seta vermelha) num côndilo medial femoral; FOTO 1: Representação fotográfica de uma radiografia DP de um boleto do membro torácico direito, mostrando um colapso medial de fácil diagnóstico. O aumento do espaço articular lateral é antagônico ao colapso medial contralateral. FOTO 2: A) Representação fotográfica de uma ultrassonografia do côndilo femoral destacan- do a cartilagem normal (seta amarela), uma cartilagem com condromalâisa (seta vermelha) e com lise do osso sub-condral (seta azul); B) Representação ultrassonográfica de uma fibrila- ção de cartilagem hialina da tróclea medial do tâlus. Observe que a imagem parece fora de foco. Foto 1 Foto 2 A Foto 2 B M O N TA D A S E A D A P TA D A S P E LO A U TO R M O N TA D A S E A D A P TA D A S P E LO A U TO R • 43 Já na Foto 2B, se destaca uma ima- gem ultrassonográfica de uma tróclea medial do talus com um processo de fibrilação severa decorrente por uma perda total da cartilagem (seta verde); observe como nesta imagem parece que a imagem capturada ficou fora de foco. Outro aspecto é que existe uma lei- tura errônea em relação a qual é o es- paço articular verdadeiro de uma arti- culação. Na Foto 4, vemos uma radio- grafia DP de um boleto, onde normal- mente se acredita que o espaço articu- lar é o espaço entra as duas linhas amarelas; este conceito é incorreto; esta linha radioluscente, é o espaço entre os dois ossos sub-condrais e não é o espaço articular. Quando compara- mos a radiografia DP de outro boleto com artrografia, podemos visualizar realmente qual é o espaço articular (Le- tra “B” com cor amarela), nesta ima- gem o contraste se distribui entre as duas superfícies de cartilagem hialina (Letra “A” com cor azul), tornando en- tão o exame mais sensível (Foto 5). A artrografía utiliza um meio de con- traste puro com um volume conhecido, dependendo da articulação e respeitan- do os métodos rigorosos de assepsia. Quando o meio de contraste se difun- de dentro da superfície articular, ele apresenta imagens que não podería- mos ver sem esta técnica. Aqui algumas das aplicações da ar- trografia são: a) Visualiza o espaço articular real de uma articulação b) Demarca a distribuição dos recessos c) Detecta irregularidades da superfície articular ou colapsos prematuros d) Detecta linhas de fratura por estresse e) Mapeia saída de contraste por feridas que tiveram penetração sinovial f) Sensibiliza a interpretação do grau de hipertrofia da membrana sinovial, en- tre outros. FOTO 3: Representação fotográfica de uma radiografia DP (esquerda) e LM (direita) de um boleto do membro torácico esquerdo com artrografia. Observe os inúmeros recessos anatô- micos que esta articulação têm. Isto sensibiliza a distribuição anatômica radiográfica para interpretação. FOTO 4: Representação fotográfica de uma radiografia DP de um boleto do membro torácico direito, com uma ampliação lateral, destacando o espaço entre os dois ossos sub-condrais, sendo este espaço mal interpretado como o espaço articular. FOTO 5: Representação fotográfica de uma artrografia DP de um boleto do membro torácico direito, destacando o meio de contraste no verdadeiro espaço articular (linha amarela – letra B), e a sensibilidade de destacar a região radioluscente representando a cartilagem hialina (seta azul – letra A) da 1a falange e do 3o metacarpiano. Cada vez que for radiografar um ca- valo, lembre-se da Foto 6; desta ma- neira, o raciocínio será outro e a capa- cidade diagnóstica de suspeitar se con- verte na capacidade de confirmar uma A A B Foto 3 Foto 4 Foto 5 M O N TA D A S E A D A P TA D A S P E LO A U TO R M O N TA D A S E A D A P TA D A S P E LO A U TO R M O N TA D A S E A D A P TA D A S P E LO A U TO R 44 • ORTOPEDIA EQUINA erosão de cartilagem, um começo de redução do espaço articular ou qual- quer uma das alterações citadas nesta coluna. No programa de Xeque-Mate, treinamento integrado do aparelho lo- comotor, você conseguira entender e executar este e muitos outros tipos de exames radiográficos e de alto poder diagnóstico no cavalo atleta. Espero que tenha sido uma informa- ção relevante para seu conhecimento e a sua rotina e caso queira conhecer mais em detalhe desta técnica, da ana- tomia radiográfica, laudos, diagnóstico de patologias, falsos positivos e nega- tivos, entre outras, lhes espero no trei- namento integrado Xeque-Mate espe- cificamente no módulo de radiologia; desta forma, nos vemos em breve. FOTO 6: Representação fotográfica de uma radiografia DP de um boleto do membro torácico direito, destacando-a com o meio de contraste (direita) e sem o meio de contraste (esquerda) para relembrar qual é o verdadeiro espaço articular. Esta radiografia contrastada se aplica para praticamente todas as articulações do cavalo. Foto 6 M O N TA D A S E A D A P TA D A S P E LO A U TO R TREINAMENTO INTEGRADO DO APARELHO LOCOMOTOR DO EQUINO “XEQUE-MATE” PARA 2018 Em breve consultar o site www.equarter.com.br NOVIDADES PARA 2018 !NOVIDADES PARA 2018 !