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Roubo e extorsão

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ESSE MATERIAL É COMPLEMENTAR (MERO APOIO) E ESTÁ BASEADO NAS OBRAS DE ROGÉRIO GRECO E CESAR ROBERTO BITENCOURT INDICADAS NA BIBLIOGRAFIA E QUE COMPOEM O PLANO DE ENSINO. 
SERVE APENAS COMO REFERÊNCIA E DEVE SER LIDO EM CONJUNTO COM AS OBRAS REFERIDAS, O CÓDIGO PENAL E A JURISPRUDÊNCIA, NÃO DISPENSANDO AS OBSERVAÇÕES E DISCUSSÕES EFETUADAS EM AULA.
CAPÍTULO II DO ROUBO E DA EXTORSÃO 
Com alterações recentes de 2018
Roubo	
        Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
        Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
        § 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
        § 2º  A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:                 (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
        I – (revogado);                (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
        II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
        III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
        IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior;                   (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
        V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.                   (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
        VI – se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego.                 (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
        § 2º-A  A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):                 (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
        I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;                 (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
        II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum.                 (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
        § 3º  Se da violência resulta:                 (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
        I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;                  (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
        II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa.                 (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
Trata-se da mesma subtração que ocorre no crime de furto, porém, soma-se a ela o emprego de violência ou grave ameaça à pessoa.
(Difere do crime de extorsão, previsto no artigo 158 do CP, pois aquele envolve o constrangimento e a dependência da atuação da vítima). 
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência:
Subtrair
Especial fim de agir = para si ou para outrem
Coisa alheia móvel = mesma do furto
Emprego de violência própria ou imprópria à pessoa ou da grave ameaça (esse fator é que torna o roubo especial em relação ao furto).
Violência própria: violência física contra a pessoa (vis corporalis). Subjulgar. Essa violência é praticada para obter sucesso na prática da subtração. Pode ser: Direta (imediata) ou indireta (mediata).
Violência imprópria: o agente usa de outro meio que reduz a possibilidade de resistência da vítima (narcótico, embriaguez). Está na última parte do caput do artigo. 
Grave ameaça: É a vis compulsiva: capaz de infundir temor à vítima, permitindo que ela seja subjulgada. No caso, essa grave ameaça deve ser iminente, psíquica, anunciada pela própria situação. (não confundir com o crime de ameaça do artigo 147 do CP, pois lá o que se tem é a promessa de mal futuro). 
Trata-se de crime complexo, pluriofensivo, o qual protege precipuamente o bem jurídico patrimônio (mas abarca a integridade física, a liberdade individual e a vida).
É crime comum quanto ao sujeito ativo e quanto ao sujeito passivo.
Doloso – não há modalidade culposa
Comissivo – aceita a modalidade omissiva se for garante 
Plurissubsistente – admite a forma tentada.
Com relação a consumação no crime de roubo há uma recente jurisprudência sobre o momento da consumação:
Súmula 582 do STJ: Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.
Desse modo, aparentemente, a figura do roubo tentado está mais difícil de figurar, pois essa corte está dispensando a posse mansa e pacífica. 
Roubo próprio: ocorre quando o agente utiliza de violência ou grave ameaça para praticar o delito (modalidade prevista no caput).
Roubo impróprio – ocorre quando a violência ou grave ameaça é empreendida durante ou depois da subtração, na forma prevista no §1º do artigo 157 do CP. 
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa para si ou para terceiro.
Desse modo, no roubo impróprio a finalidade inicial do sujeito ativo era não violenta (furto), o qual se transformou em roubo. Ex: é surpreendido dentro da residência e emprega a violência para escapar. 
Obs: Se o sujeito ativo já estava na posse mansa e pacífica da coisa (ou seja, já havia passado algum tempo da prática da subtração) e é surpreendido, e com isso, vem a empregar violência para escapar ou assegurar a coisa, será considerada a prática do furto mais o crime correspondente à violência praticada, como lesão corporal, por exemplo. 
Para ser roubo impróprio, a violência deve ser utilizada para assegurar a impunidade do crime ou assegurar a detenção da coisa alheia móvel para si ou para terceiro. O ato deverá ser contínuo (subtração mais emprego de violência/grave ameaça). Finalidade específica.
Consumação: no roubo próprio, Súmula 582 – inversão da posse mediante emprego da violência ou grave ameaça.
No roubo impróprio consuma-se com o simples emprego da violência ou grave ameaça.
OBS: A destruição da coisa faz consumar o crime em ambas as modalidades acima.
Elemento subjetivo: É o dolo, mais o fim especial de agir para si ou para outrem. Não há previsão de modalidade culposa.
Obs: No roubo impróprio o agente deverá ter um elemento subjetivo além desses que é assegurar a impunidade ou detenção da coisa.
Se a vítima nada possui? Alguns entendem como crime impossível com relação a furto e roubo.
Bitencourt entende que é tentativa de roubo; 
Grecco entende que deve se aplicar o crime de ameaça ou da violência correspondente.
Roubo de uso não existe: pode eventualmente ser considerado constrangimento ilegal. 
Causas de aumento:
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:	
Esse parágrafo 2º traz consigo as causas especiais de aumento de pena, as quais são aplicadas no terceiro momento da dosimetria da pena. São majorantes, por isso denomina-se roubo majorado.
Quanto maior a incidência de majorantes, maior a proporção da pena a ser aplicada:
Presença de mais de uma causa de aumento?
3 correntes
1 – Aplica-se apenas uma majorante – as demais ficam como circunstâncias judiciais, efetivando o aumento na primeira fase do cálculo da pena– art. 59 do CP;
2 – Aplica-se mais de uma majorante permite o julgador na terceira fase sair de 1/3 e ir mais para ½ na aplicação do cálculo; 
3 – Pode aplicar mais de uma majorante, mas aumenta somente em 1/3.
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma; 
(revogado);                (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
Esse inciso foi revogado em 2018. Ele abrangia arma de uma forma geral (arma de fogo e arma imprópria – tipo faca e porrete). O que se discute