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Roubo e extorsão

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é que com a mudança somente ficou a arma de fogo, incluída no §2º-A abaixo descrito. Desse modo, a utilização de armas impróprias (facas, porretes, canivetes) para a prática de intimidação no roubo não fazem mais incidir esse aumento de pena, uma vez que ele foi revogado.
É uma revogação tácita, uma lei posterior melhor (reformatio in mellius) uma vez que a alteração nova do artigo 157, nada mais falou sobre arma imprópria. 
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
No furto isso qualifica o crime. No roubo é causa de aumento. Mesmas observações relativas ao furto. Cuidar com eventuais combinações com o artigo 288 do CP para evitar o bis in idem. 
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância.
Dois fatores devem estar presentes: a vítima deve estar em serviço e o agente deve conhecer essa circunstância. Pode ser qualquer coisa transportada como valor. 
Obs: O office boy levando valores? Pode. O proprietário da empresa? Entende-se que não, pois não está a serviço. Tipicidade estrita.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro Estado ou para o exterior; (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
Mesmas observações do furto. 
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
Majorante inserida em função do sequestro relâmpago.
Esse inciso veio para solucionar uma questão, na qual anteriormente era aplicado o concurso entre o roubo e o 159 do CP (extorsão mediante sequestro), o que elevava demais a pena. 
Exige-se que seja a vítima do próprio roubo, senão estaremos diante de outros tipos penais.
A privação de liberdade da vítima é meio de execução do roubo, consistindo em garantia, em beneficio do agente, contra a ação policial.
A privação da vítima não pode ser prolongada – princípio da razoabilidade, pois, nesse caso, considera-se novo crime autônomo. Ex: a vítima depois do roubo permanece no carro, enquanto outros crimes são praticados.
Cuidar para não confundir com extorsão do art. 158 do CP, o qual veremos a seguir. 
NOVO: § 2º-A  A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):                 (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo;        (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
Essa majorante incide devido ao poder de intimidação exercido sobre a vítima e não em decorrência do perigo que ela corre.
A arma deve ser de fogo apenas (princípio da taxatividade), não possibilitando analogias in mallam partem (consideram-se todas as de fogo, como revólver, pistola, metralhadoras e outras nesse sentido).
Algumas considerações doutrinárias e jurisprudenciais sobre arma de fogo:
A arma que não possuía condições de disparo não pode ser considerada para efeito desse aumento. Impossibilidade da potencialidade lesiva. 
Arma de brinquedo: Antes existia a súmula 174, a qual foi cancelada em 24/10/01, ofendia o princípio da legalidade. Desse modo, a arma de brinquedo, por mais que seja similar a uma arma de fogo, não pode ser considerada para majorar o crime de roubo.
  Súmula 174: “No crime de roubo, a intimidação feita com arma de brinquedo autoriza o aumento de pena.” (Cancelada)
Com relação a arma descarregada ou defeituosa, considera-se mero acidente se eventualmente disparar. No entanto, o STJ já decidiu algumas vezes pela incidência do aumento de pena.
Existe divergência: Alguns doutrinadores entendem que se o sujeito ativo somente mostrar que possui a arma não incide a majorante, sendo necessário o efetivo emprego da arma, pois o tipo refere violência “exercida” com o emprego de arma. Nesse caso, seria necessário empregá-la.
        II – se há destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum.                 (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
        
Parágrafo inserido para combater regular mais especificamente os casos de roubos em caixas eletrônicos (princípio da especialidade). Antes dele, poderia se aplicar o roubo mais o crime de explosão previsto no artigo 251 do CP (em concurso material). Agora, aplica-se apenas essa majorante.
  § 3º  Se da violência resulta:                 (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018) Esse artigo foi dividido em dois incisos agora
        I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e multa;                  (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018) 
A pena máxima desse inciso I aumentou (antes era 15 anos). Trata-se do roubo qualificado pela lesão corporal (grave ou gravíssima) ou morte, ou seja, qualificado pelo resultado.
A violência física (só violência) empregada que deve causar o resultado lesão. Ex: se a vítima morrer de ataque do coração não será latrocínio, mas sim roubo mais homicídio culposo (culposo se tinha conhecimento da condição cardíaca da vítima).
A maioria da doutrina entende que o resultado pode ser imputado a título de dolo ou culpa. 
Deve ser aplicada a regra do artigo 19 do CP:
Agravação pelo resultado(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o agente que o houver causado ao menos culposamente.(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
        II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa.                 (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
O inciso II do §3º é que corresponde ao latrocínio, o qual é considerado crime hediondo.
Para essas formas qualificadas do §3º, não se aplicam as majorantes do §2º do mesmo artigo. 
Não haverá a incidência da qualificadora do parágrafo terceiro se os agentes criminosos atingirem-se entre si. Também não incidirá se a polícia ou a vítima atingir os agentes criminosos. 
Será considerado latrocínio:
Caso o sujeito ativo venha a atirar na vítima e acidentalmente mata a outro agente criminoso. (Art. 20,§3º do CP – Erro sobre a pessoa).
E se durante o crime várias pessoas morrem? STF entende que uma única subtração, uma vítima, várias mortes, mesmo com vários atos desdobrados, há crime único. O número de mortes atua como agravante judicial na determinação da pena base. 6ª Turma 7.04.92 JSTF34/313.
Se forem várias subtrações com várias mortes? Nesse caso haverá concurso de crimes. 
A competência para julgamento dos crimes de latrocínio é do juiz comum, isto porque o principal bem jurídico protegido é o patrimônio, a não ser se esse tenha conexão com outro homicídio. 
Consumação e tentativa no latrocínio:
Homicídio consumado mais subtração consumada = latrocínio consumado
Homicídio tentado mais subtração tentada = latrocínio tentado
Homicídio consumado mais subtração tentada = divergências, mas STF já se pronunciou Súmula 610 do STF:
 Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não se realize o agente a subtração de bens da vítima.
Essa súmula ofende o artigo 14, I do CP – não se reúne todos os elementos do tipo complexo.
Art. 14 - Diz-se o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Crime consumado (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua definição legal; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Tentativa (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
Homicídio tentado mais subtração consumada = divergências, mas maioria por latrocínio tentado.
A ação penal para o delito do artigo 157 é pública incondicionada;
Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
Muito confundido com o roubo.
O bem jurídico protegido nesse caso é a liberdade individual, o patrimônio e a liberdade psíquica. 
Nesse crime a vítima é constrangida,

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