Prévia do material em texto
Autores: Profa. Angélica Segóvia de Araujo Prof. Jorge Alexandre da Silva Ginástica Artística Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Professores conteudistas: Angélica Segóvia de Araujo/Jorge Alexandre da Silva Angélica Segóvia de Araujo Graduada em Educação Física pela Fefisa (1984); Especialista em Ginástica Artística pela USP (1985); Pós‑graduada em Treinamento Desportivo pela FMU (1999); Docente da Universidade Paulista (UNIP) desde 2011; Professora de Ginástica Artística do Colégio Marista Arquidiocesano de São Paulo desde 1989; Arbitra Estadual de Ginástica Artística; Coordenadora da Liga Escolar de Ginástica Artística de São Paulo desde 2010. Jorge Alexandre da Silva Graduado em Educação Física pela Osec (1989); Pós‑graduado em Treinamento Desportivo pela Universidade Gama Filho (2007); Docente da Universidade Paulista (UNIP) desde 2006; funcionário público concursado da Prefeitura Municipal de Barueri desde 1998, atuando nas funções de treinador de Ginástica Artística de 1998 a 2009, Gerente Esportivo de 2009 a 2015 e Diretor de Esportes em 2015. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Z13 Zacariotto, William Antonio Informática: Tecnologias Aplicadas à Educação. / William Antonio Zacariotto ‑ São Paulo: Editora Sol. il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XVII, n. 2‑006/11, ISSN 1517‑9230. 1.Informática e tecnologia educacional 2.Informática I.Título 681.3 ? Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice‑Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice‑Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice‑Reitor de Pós‑Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez Vice‑Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Vitor Andrade Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Sumário Ginástica Artística APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 ORIGENS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA ...........................................................................................................9 1.1 Definindo conceitos ...............................................................................................................................9 1.2 A ginástica desde a Antiguidade .................................................................................................... 10 1.3 A ginástica artística na atualidade................................................................................................ 11 1.3.1 A Federação Internacional de Ginástica e suas afiliadas .........................................................11 1.3.2 A ginástica artística pelo mundo ..................................................................................................... 13 1.3.3 A evolução técnica da ginástica artística brasileira .................................................................. 14 1.3.4 A distribuição da ginástica artística pelo Brasil ......................................................................... 16 2 HISTÓRIA DA GINÁSTICA ARTÍSTICA ....................................................................................................... 18 2.1 Aspectos históricos da ginástica artística no Brasil ............................................................... 23 2.2 Aspectos históricos da Federação Internacional de Ginástica (FIG) ................................ 25 2.3 A ginástica artística nas olimpíadas ............................................................................................. 26 3 APARELHOS E PROVAS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA............................................................................. 28 3.1 Prova de exercícios de solo............................................................................................................... 28 3.1.1 A prova de solo masculino ................................................................................................................. 30 3.1.2 A prova de solo feminino .................................................................................................................... 30 3.1.3 Origem da prova de solo ...................................................................................................................... 31 3.2 Prova de salto sobre a mesa ............................................................................................................ 31 3.2.1 Origem da prova de salto .................................................................................................................... 34 3.3 As barras paralelas simétricas ......................................................................................................... 36 3.3.1 Origem das paralelas ............................................................................................................................. 37 3.4 A prova de cavalo com alças ........................................................................................................... 37 3.4.1 A origem do cavalo com alças ........................................................................................................... 38 3.5 A prova de argolas ............................................................................................................................... 38 3.5.1 A origem das argolas ............................................................................................................................. 39 3.6 A prova de barra fixa ........................................................................................................................... 39 3.6.1 A origem da barra fixa .......................................................................................................................... 40 3.7 A trave de equilíbrio ............................................................................................................................ 40 3.7.1 A origem da trave de equilíbrio ........................................................................................................ 41 3.8 As barras paralelas assimétricas ..................................................................................................... 42 3.8.1 A origem das barras paralelas assimétricas ................................................................................. 43 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 3.9 Aparelhos auxiliares............................................................................................................................ 44 3.9.1 Minitrampolim ......................................................................................................................................... 45 3.9.2 Trampolim acrobático (cama elástica) ........................................................................................... 46 3.9.3 Tumbletrack ............................................................................................................................................... 46 3.9.4 Colchões ..................................................................................................................................................... 48 4 SEGURANÇA E AUXÍLIO MANUAL ............................................................................................................ 51 4.1 As formas de auxílio na ginástica artística ................................................................................ 51 4.2 O auxílio manual e o bom ajudante ............................................................................................. 52 4.3 Acidentes na ginástica artística ..................................................................................................... 53 4.4 Definindo prioridades ......................................................................................................................... 56 Unidade II 5 A PRÁTICA DA GINÁSTICA ARTÍSTICA E SEUS BENEFÍCIOS ............................................................ 61 5.1 Ginástica artística – atividade física ............................................................................................. 62 5.1.1 Ginástica artística – atividade física formativa .......................................................................... 62 5.1.2 Ginástica artística – preparação física .......................................................................................... 63 5.1.3 Ginástica artística ao alcance de todos (saúde) ......................................................................... 64 5.2 Ginástica artística – esporte ............................................................................................................ 64 5.2.1 Ginástica artística – iniciação esportiva ....................................................................................... 65 5.2.2 Ginástica artística – nível intermediário ....................................................................................... 66 5.2.3 Ginástica artística – esporte de alto rendimento ...................................................................... 66 5.3 A importância da ginástica artística ............................................................................................ 67 5.3.1 Contribuição da ginástica artística.................................................................................................. 67 6 METODOLOGIAS DE ENSINO ....................................................................................................................... 69 6.1 Terminologias ......................................................................................................................................... 70 6.1.1 As posições básicas do corpo ............................................................................................................. 70 6.1.2 A relação executante aparelho .......................................................................................................... 70 6.1.3 O sentido do movimento ..................................................................................................................... 71 6.1.4 Descrição de exercícios ......................................................................................................................... 71 6.1.5 Posicionamento das mãos em suspensão ..................................................................................... 72 6.2 Padrões básicos de movimento ...................................................................................................... 74 6.2.1 Bases mecânicas da ginástica artística .......................................................................................... 81 6.3 As ações motoras (Leguet) ................................................................................................................ 82 6.4 As famílias (Carrasco) ......................................................................................................................... 84 Unidade III 7 A PRÁTICA DA GINÁSTICA ARTÍSTICA E SUAS RELAÇÕES COM O CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO DO PRATICANTE ......................................................................................................... 91 7.1 Por que os ginastas são baixos? ..................................................................................................... 91 7.2 Influências da prática da ginástica artística no desenvolvimento do praticante ...... 92 7.3 Por que a prática da ginástica artística é iniciada muito cedo? ....................................... 93 7.4 Fatores que podem influenciar o crescimento e maturação dos ginastas ................... 93 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 7.4.1 Iniciação precoce com cargas desproporcionais ........................................................................ 93 7.4.2 Dieta alimentar hipocalórica .............................................................................................................. 94 7.4.3 Treinamento excessivo .......................................................................................................................... 94 7.4.4 Prevenção e cuidados ........................................................................................................................... 95 8 CÓDIGO DE PONTUAÇÃO: PRINCÍPIOS E COMPOSIÇÃO DE SÉRIES ........................................... 96 8.1 Estrutura da ginástica artística em competições .................................................................... 98 8.1.1 Composição de uma equipe ............................................................................................................... 98 8.1.2 Arbitragem ................................................................................................................................................. 99 9 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 APRESENTAÇÃO Caro aluno, Seja bem‑vindo ao programa de estudo EaD! Nesta disciplina você vai compreender o conteúdo da ginástica artística com perspectivas pedagógicas de formação do cidadão e transformação social, bem como refletir sobre os aspectos pedagógicos e científicos do treinamento esportivo que possam facilitar e aprimorar o aprendizado. O objetivo deste livro‑texto é inserir os alunos no universo cultural da ginástica artística. Ainda, pretende‑se facilitar o acesso aos conhecimentos básicos necessários para que sejam capazes de desenvolver e aplicar programas de iniciação de ginástica artística, proporcionando a condução da atividade de modo seguro e consciente, adaptando‑a de forma apropriada às diferentes situações, faixas etárias e condições dos praticantes, despertando a consciência crítica aos benefícios que a atividade pode proporcionar aos seus agentes. Tem o intuito fazer como que o aluno reconheça a ginástica artística como um conteúdo da Educação Física e oferecer conhecimentos técnicos e científicos a respeito da ginástica artística e sua aplicabilidade no mercado de trabalho. Ainda, almeja apresentar seus conceitos afins e a importância de conhecer e utilizar a sua terminologia. Além de acompanhar as atividades propostas neste livro‑texto, é vital que o aluno consulteas referências bibliográficas indicadas, pois o material estudado não encerra o assunto. INTRODUÇÃO A ginástica artística é uma modalidade competitiva reconhecida pela Federação Internacional de Ginástica (FIG), dividida em gênero masculino e feminino. A ideia deste livro‑texto é demonstrar o percurso e desenvolvimento dessa categoria desde a Antiguidade e seu inicio na Europa – a partir da escola alemã como a conhecemos hoje. Ainda, situar os alunos historicamente nas ocorrências ao longo dos tempos, as modificações de seu código de pontuação impostas pelas evoluções que a modalidade teve e seus métodos desenvolvidos para aprimoramentos. Como trabalhar com a ginástica artística nas diferentes possibilidades de atuação de um educador físico, em clubes, academias, na iniciação esportiva, como auxiliar outras modalidades esportivas e atividades extracurriculares. Essas são algumas das questões que este livro‑texto visa elucidar. Na unidade I apresentaremos a origem da ginástica artística, seus conceitos, a sua prática desde sua origem e como ela está nos moldes atuais, suas confederações e onde é mais atuante. Destacaremos seus aspectos históricos – da Alemanha até sua chegada ao Brasil – e a origem da FIG. Vamos conhecer os aparelhos e provas que pertencem ao gênero feminino e masculino da ginástica artística. 10 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Na unidade II abordaremos a prática da ginástica artística e seus benefícios, acentuando a importância de se aprender ginástica artística e o seu valor no desenvolvimento motor da criança. Conheceremos seu desenvolvimento nos aspectos motor, psico‑afetivo e cognitivo. Analisaremos os vários métodos de treinamento, além de abordar um tema que é essencial para a prática dessa modalidade, a segurança. Na unidade III vamos estudar um tema polêmico para a ginástica artística, o crescimento estatural, assunto muito discutido. Por fim, falaremos sobre seu código de pontuação e suas modificações ao longo dos anos. 11 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Unidade I 1 ORIGENS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA 1.1 Definindo conceitos A ginástica artística (GA), também conhecida no Brasil como ginástica olímpica, é uma das modalidades gímnicas de competição reconhecidas pela FIG. É dividida em GAF ou ginástica artística feminina (em inglês WAG) e GAM, ginástica artística masculina (MAG, em inglês), e a FIG considera os gêneros masculino e feminino como modalidades independentes. É um dos mais tradicionais esportes olímpicos, estando presente desde a primeira edição dos jogos da era moderna, 1896. Exige de seus praticantes muita força, flexibilidade, equilíbrio e, principalmente, coordenação motora. É necessária muita coragem e determinação por parte do praticante, pois os desafios são constantes e as exigências da modalidade requerem muitas horas de treinamento e dedicação. É um esporte individual, apesar de haver premiação por equipes nas competições. Na GA o atleta se utiliza de grandes aparelhos fixos como base para a realização de suas rotinas (ou séries), podendo estar apoiado, equilibrado ou suspenso no equipamento. As provas são diferentes para homens e mulheres: • homens: exercícios de solo, cavalo com alças, argolas, salto sobre a mesa, barras paralelas simétricas e barra fixa; • mulheres: salto sobre a mesa, barras paralelas assimétricas, trave de equilíbrio e exercícios de solo. Nas competições organizadas pela Confederação Brasileira de Ginástica, entidade responsável pela ginástica artística em nosso país, é adotada a seguinte divisão por categoria de idade: • feminino: pré‑infantil: 9 e 10 anos; infantil: 11 e 12; juvenil 13 a 15; adulto: 16 em diante; • masculino: pré‑infantil: 9 a 11; infantil: 12 a 14; juvenil 15 a 17; adulto: 18 em diante. A matriz da ginástica artística é atribuída ao pedagogo alemão Johann Friedrich Ludwig Christoph Jahn, ou simplesmente Ludwig Jahn, que desenvolveu um método de treinamento físico visando à formação de jovens soldados, utilizando como referências as mais diversas atividades e equipamentos, alguns já existentes e outros que ele próprio desenvolveu. 12 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Saiba mais Muitas informações sobre a ginástica artística podem ser encontradas nos sites das entidades oficiais da modalidade em âmbito regional, nacional e internacional: <www.fig‑gymnastics.com>. <www.cbginastica.com.br>. <http://fpginastica.com.br/>. 1.2 A ginástica desde a Antiguidade A prática de exercícios metodizados visando à melhoria da condição física ou mesmo o entretenimento remonta o início das civilizações humanas. Egípcios, gregos, romanos, chineses, indianos e tantas outras culturas desenvolveram metodologias e termos que até hoje são utilizados em nossas modalidades de ginástica. Nas pirâmides, tumbas e papiros há inscrições e desenhos que nos mostram que os egípcios faziam exercícios acrobáticos muito parecidos com certos movimentos ginásticos da atualidade. Há 5.000 anos equilibrismo e contorcionismo eram utilizados na China para o treinamento de guerreiros e como forma de entretenimento. Gregos e egípcios também realizam números de equilibrismo com bolas, algo muito similar à ginástica rítmica atual. Aliás, os gregos cunharam a palavra ginástica – gymnástiké, que em sentido literal significa “exercitar‑se nu”, que era a forma como eles costumavam se exercitar. Os romanos utilizaram a ginástica para a preparação de soldados, sendo que o cavalo com alças atual e o antigo cavalo de salto são derivações do cavalo de pau usado por esse povo. Exercícios executados em barras já eram feitos por gregos, chineses e até esquimós, que já efetuavam movimentos de rotação em torno delas, os famosos giros gigantes. A partir de 1800 surgem na Europa movimentos que visavam à sistematização dos exercícios físicos para os mais variados fins, são as chamadas escolas europeias de ginástica. Estudiosos da Suécia, França, Inglaterra e Alemanha buscaram, através das atividades gímnicas, o desenvolvimento das raças, a prevenção de doenças, o treinamento de soldados, a manutenção da saúde dos trabalhadores, entre outras atribuições. Foi na escola alemã que se desenvolveu a ginástica artística, idealizada por um de seus mais ilustres e controvertidos expoentes, o pedagogo Johann Friedrich Ludwig Christoph Jahn, pioneiro dessa modalidade olímpica. 13 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Figura 1 – Ludwuig Jahn em três fases de sua vida Ludwig Jahn desenvolveu o seu método de treinamento físico, o turnkunst, nome que cunhou em substituição à palavra ginástica, um termo estrangeiro. Jahn, por ser um nacionalista convicto, não o aceitava. Seu trabalho se tornou a semente da ginástica artística atual. Da Alemanha a ginástica de Jahn se expandiu para o restante do mundo, e hoje é um dos esportes mais praticados e está presente em todos os continentes. 1.3 A ginástica artística na atualidade 1.3.1 A Federação Internacional de Ginástica e suas afiliadas Atualmente a Ginástica Artística é organizada e difundida por diversas entidades esportivas oficiais e não oficiais, seja em âmbito regional, nacional ou mundial. A mais importante delas é a FEDERAÇÃO INTERNACIONAL DE GINÁSTICA, sediada em Lausanne na Suíça. A entidade possui um comitê para cada uma das sete modalidades de ginástica pelas quais responde, a saber: Ginástica Para Todos (ou Ginástica Geral), Ginástica Artística Feminina, Ginástica Artística Masculina, Ginástica Rítmica,Ginástica Acrobática, Ginástica de Trampolim e Ginástica Aeróbica Esportiva. Esses comitês são responsáveis pela elaboração e revisão de regras, organização dos eventos, pelos cursos de formação de árbitros e treinadores e demais atividades relacionadas às atividades gímnicas. 14 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Observação A FIG é a mais antiga federação esportiva do mundo (foi criada em 1881), a princípio com o nome de Federação Europeia de Ginástica. Saiba mais PÚBLIO, N. S. Evolução histórica da ginástica olímpica. Guarulhos (SP): Phorte, 1998. Federação Internacional de Ginástica União Panamericana de Ginástica União Europeia de Ginástica União Africana de Ginástica União Asiática de Ginástica Figura 2 – Organograma das entidades continentais subordinadas à FIG e responsáveis pela organização das ginásticas em âmbito continental e pelas federações nacionais FIG – Federação Internacional de Ginástica CBG – Confederação Brasileira de Ginástica Federações estaduais de ginástica UPAG – União Panamericana de Ginástica Entidade responsável pela organização e desenvolvimento das modalidades ginásticas em nível mundial, reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) Entidade responsável pela organização e desenvolvimento das modalidades ginásticas no Brasil, reconhecida pela FIG e pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) Entidades responsáveis pela organização e desenvolvimento das modalidades ginásticas nos estados da federação, reconhecidas pela Confederação Brasileira de Ginástica Entidade responsável pela organização e desenvolvimento das modalidades ginásticas nas américas, reconhecida pela FIG e pelo COI Figura 3 – Hierarquia das entidades – da FIG às federações estaduais brasileiras 15 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA No Brasil a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) é a entidade responsável pela regulamentação de todas as competições oficiais das ginásticas competitivas e também dos eventos oficiais de Ginástica Para Todos, definindo as normativas e elaborando os calendários dos eventos nacionais, competitivos ou não. A CBG é filiada à FIG desde 1951 e é subordinada ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Hoje a CBG conta com 24 federações estaduais filiadas. A) B) Figura 4 – Logotipos oficiais da Federação Internacional de Ginástica (A) e da Confederação Brasileira de Ginástica (B) Além das entidades oficiais, existem as ligas e federações não oficiais que procuram atender a seguimentos específicos, como federações escolares, ligas regionais e outros. 1.3.2 A ginástica artística pelo mundo Até o início da década de 1990, a ginástica artística ainda era muito concentrada na Europa e na Ásia. Os países da Cortina de Ferro, formada pela extinta União Soviética, e nações do leste europeu dominavam o cenário internacional. Na Ásia a já tradicional escola japonesa e a emergente China também apresentavam bons resultados em competições. Com o fim da Guerra Fria e o início de movimentos separatistas – que deram fim à União Soviética e criaram o sistema socialista em alguns países, muitas nações abriram suas economias e suas fronteiras. Então, diversos treinadores e ginastas de países desse antigo bloco puderam migrar para outras terras em busca de melhores oportunidades e condições de vida. Os Estados Unidos receberam muitos desses treinadores. Entre os primeiros a chegar estava Bela Karolyi, técnico da romena Nádia Comaneci, ginasta campeã olímpica em Montreal em 1976 com apenas 14 anos e primeira ginasta a alcançar a nota dez na ginástica. Karolyi foi um dos responsáveis por elevar os EUA ao status de potência olímpica nesse esporte. Formou grandes ginastas: Mary Lou Retton, Betty Okino, Kim Zmeskal, Kristie Phillips e Kerri Strug, medalhistas em olimpíadas e campeonatos mundiais. Esse êxodo de treinadores do bloco soviético, além de promover novos espaços para a prática da modalidade, ajudou a elevar o nível esportivo de muitos países, em especial no continente americano. Os mapas a seguir ilustram bem a evolução da ginástica nas américas após a chegada dos estrangeiros: 16 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Campeonato mundial de ginástica artística de 1989 – Distribuição global de medalhas Europa ...........................33 medalhas Ásia ................................... 9 medalhas América do Norte ......... 1 medalha Figura 5 – Fim do século XX: a ginástica artística concentrada na Europa e parte da Ásia Campeonato mundial de ginástica artística de 2013 – Distribuição global de medalhas Europa ........................... 11 medalhas Ásia ................................. 11 medalhas América do Norte .......13 medalha America do Sul ............... 1 medalha Figura 6 – Grande evolução da ginástica na América e melhor distribuição pela Europa e Ásia Lembrete Federação Internacional de Ginástica (FIG) é a entidade responsável pelas ginásticas competitivas em nível mundial e a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) exerce o mesmo papel em nível nacional. 1.3.3 A evolução técnica da ginástica artística brasileira A exemplo do que ocorreu em outras partes do mundo, muitos treinadores estrangeiros aportaram no Brasil após a derrocada do comunismo. Ucranianos, romenos, russos, bielo‑russos e até cubanos vieram trabalhar a convite de clubes e até desenvolvendo nossas seleções nacionais. 17 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Entre 2001 e 2008, a seleção brasileira de ginástica artística foi comandada pelo ucraniano Oleg Ostapenko, formador de diversas medalhistas olímpicas e mundiais, como Tatyana Lysenko (dois ouros olímpicos em Barcelona – 1992), Tatiana Gutsu (também dois ouros na mesma olimpíada), Lilia Podkopayeva (vice‑campeã individual geral no Mundial de 1999). No Brasil, ajudou a aprimorar a técnica de ginastas como Daiane dos Santos e Daniele Hypólito, que posteriormente tornaram‑se medalhistas mundiais. Ainda houve uma grande evolução dos resultados por equipe, inicialmente no gênero feminino, e mais recentemente no masculino. Essa evolução interferiu nos resultados brasileiros em competições internacionais, trazendo visibilidade à modalidade. Atletas da ginástica se tornaram ídolos nacionais. Os irmãos Daniele e Diego Hypólito, Jade Barbosa, Daiane dos Santos e, atualmente Arthur Zanetti com sua inédita conquista olímpica, são inspiração para novos praticantes. Hoje a modalidade é conhecida e praticada em todo o Brasil. O quadro a seguir demonstra a evolução técnica da equipe feminina do Brasil ao longo das duas últimas décadas: Tabela 1 – Evolução dos resultados em ginástica artística feminina do Brasil em campeonatos mundiais, de 1995 a 2015 Ano País campeão Classificação do Brasil Ginasta brasileira mais bem colocada 1995 Romênia 21º Soraya Carvalho – 37º 1997 Romênia *** *** 1999 Romênia Somente individual Daniele Hypólito – 27º 2001 Romênia 11º Daniele Hypólito – 4º 2003 Estados Unidos 8º Camila Comin – 19º 2006 China 7º Daniele Hypólito – 21º 2007 Estados Unidos 5º Jade Barbosa – 3º 2009 *** (não houve CIV) Bruna Leal – 14º 2010 Rússia 10º Jade Barbosa – 15º 2011 Estados Unidos 14º Daniele Hypólito – 13º 2014 Estados Unidos 16º Daniele Hypólito – 34º 2015 Estados Unidos 9º Flavia Saraiva – 24º Fonte: Gymnasticsresults.com (16 dez. 2016). A ginástica artística masculina do Brasil também vem apresentandouma grande evolução, porém um pouco mais tardia que a feminina. Se a ginástica feminina tem conseguido classificar equipes completas para os jogos olímpicos desde 2004, os homens pela primeira vez tiveram uma equipe completa nos jogos do Rio de Janeiro. Foi a ginástica masculina que teve a honra de trazer a primeira medalha olímpica da ginástica brasileira, com o ouro de Arthur Zanetti na prova de argolas dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. 18 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Apesar desses relatos, como destaca Schiavon (2013), o bom desempenho técnico de nossas equipes competitivas em eventos internacionais nos últimos anos não reflete a realidade da ginástica brasileira. Observação É importante ressaltar que a evolução da ginástica artística brasileira também é fruto de uma melhor preparação dos treinadores através de intercâmbios, maior participação em eventos internacionais e cursos. 1.3.4 A distribuição da ginástica artística pelo Brasil A ginástica artística se encontra bem difundida pelo Brasil. A região Norte é a que apresenta o menor número de entidades ligadas às federações estaduais. A região Sudeste possui o maior número de entidades federadas, e a Federação Paulista de Ginástica é a que detém o maior número de filiados. AM 3 RR 4 PA 2 MA 8 TO 4 GO 4 MS 6 SP 39 MG 15 ES 9 BA 5 CE 11 RN 18 PB 3 PE 8 AL 5 AL 5 RJ 33PR 11 SC 12 RS 21 DF 9 0 20 40 60 80 100 120 Sul Sudeste Centro Oeste Quantidade de filiados por região Nordeste Norte Figura 7 – Quadro de entidades filiadas às federações estaduais por região Embora haja praticantes de ginástica artística por todo o País, podemos observar uma grande desigualdade entre as regiões se comparadas às condições materiais, de conhecimento técnico, disponibilidade de locais para a prática etc. Mesmo nas regiões mais desenvolvidas do Sul e do Sudeste, 19 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA poucos são os locais capazes de abrigar um trabalho de excelência. Como consequência dessa falta de estrutura, há em nossas competições uma grande disparidade de participantes por categorias. Tomemos como exemplo o Campeonato Brasileiro: enquanto nos níveis iniciantes (pré‑infantil e infantil) temos mais competidores e equipes, na categoria “Adulto” esse número é muito baixo. Isso ocorre devido a diversos fatores, como a falta de equipamentos adequados para o trabalho de ginastas de alto nível, desconhecimento técnico dos treinadores, mão de obra insuficiente (um mesmo treinador com diversas categorias), escassez de cursos especializados para a formação de treinadores, ausência de políticas públicas para o esporte de rendimento, entre tantos outros. Dessa forma, o trabalho iniciado não segue adiante e várias gerações de ginastas são perdidas. A tabela a seguir, com dados dos campeonatos brasileiros da modalidade nas categorias infantil e adulto, exemplifica bem essa situação: Tabela 2 – Número de equipes e ginastas participantes do Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, edição 2015, categorias infantil (“A” e “B”) e Adulto Categorias Equipes Total de equipes Atletas Total de atletas Infantil Infantil “A” 5 11 19 45 Infantil “B” 6 26 Adulto Adulto “A” 4 4 20 20 Adulto “B” Não há Não há Fonte: CBG (2016). Schiavon (2013) observa que há a participação quase que exclusiva de ginastas e entidades das regiões Sul e Sudeste em campeonatos nacionais; entre 2003 e 2009, tivemos a presença em campeonatos brasileiros de uma ginasta pré‑infantil do Rio Grande do Norte e três infantis de Brasília em 2004, além de uma ginasta infantil do Pará em 2006. Podemos afirmar que não há na prática ginástica artística de alto rendimento fora do eixo Sul‑Sudeste. Segundo a autora, “os únicos dois centros de treinamento para a ginástica artística são o da Secretaria de Esporte do Estado do Paraná, Curitiba, e o Centro de Treinamento ‘Time Brasil’, inaugurado em 2012 no Rio de Janeiro” (SCHIAVON, 2013). Recentemente, como os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, vários conjuntos completos de equipamentos oficiais importados foram adquiridos pela Confederação Brasileira de Ginástica e Ministério do Esporte e distribuídos pelo País, com o intuito de habilitar outras regiões à formação de ginastas de competição. Contudo, alguns dirigentes e técnicos argumentam que esse tipo de ação só tem efetividade quando associada à formação de treinadores locais que consigam aproveitar bem os dispositivos e que estejam aptos a desenvolver as potencialidades de jovens talentos. Além disso, existe uma série de questionamentos quanto à distribuição do material, uma vez que são voltados à ginástica de alto rendimento e muitos dos centros agraciados não dispõem de ginastas desse gabarito. 20 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Saiba mais GINÁSTICA recebe a maior quantidade de equipamentos em 40 anos. Portal Brasil, 28 ago. 2014. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/esporte/2014/08/ ginastica‑recebe‑maior‑quantidade‑de‑equipamentos‑em‑40‑anos>. Acesso em: 15 dez. 2016. 2 HISTÓRIA DA GINÁSTICA ARTÍSTICA Como vimos, a ginástica artística (GA) iniciou‑se no século XIX na Alemanha. Johann Friedrich Ludwig Christoph Jahn era filho de um pastor protestante, teórico nacionalista e homem político. Nasceu em Lanz, nas cercanias de Lenzen, aldeia de Brandenburgo na atual Alemanha, em 11 de agosto de 1778. Jahn era professor em Berlim, e em 1811 criou o primeiro campo de ginástica ao ar livre, na floresta de Hasenheide. A ginástica artística atual, com seus aparelhos sofisticados, teve muita influência dos métodos e aparelhos, que foram improvisados em árvores e utilizados por Jahn para fins militares. Tudo começou em 1806, quando houve um confronto entre a França e a Prússia na Batalha de Jena. Napoleão rompe acordo com o rei Frederico Guilherme III, invadindo a Prússia. A derrota nesta batalha influenciou as atitudes do professor Jahn, que resolveu promover a prática de exercícios para a preparação física dos jovens prussianos a fim de expulsar o exército invasor. Não houve planejamento adequado das tropas prussianas. Então, houve desordem e confusão, fazendo com que a derrota se transformasse em um verdadeiro desastre. A corte de Berlim não tomou precaução para a possibilidade de uma possível derrota. Jahn resolveu estimular a mocidade prussiana para se preparar fisicamente para expulsar o exército invasor. O trabalho de Jahn foi a célula mater da ginástica olímpica, também chamada de ginástica artística. Ele lecionava num instituto e ele era o responsável pela saída bissemanal dos alunos. Fazia excursões em dias livres à floresta Hasenheide (parada das lebres), onde realizava batalhas simuladas. Em 19 de junho de 1811, foi inaugurado o primeiro local para a prática de ginástica alemã ao ar livre, denominado Volks Park (parque do povo). Nas palavras de Jahn (1816): “Caminhar, correr, saltar, lançar, sustentar‑se são exercícios que nada custam, que podem ser praticados em toda parte, gratuitos como o ar. Isso o Estado pode oferecer a todos: para os pobres, para a classe média e para os ricos, tendo cada um sua necessidade” (NUNOMURA; PICCOLO, 2005). Como afirma Públio (2008): “Ao passear pelo lado oeste do parque, passa‑se pelo Jahn Eiche (o carvalho de Jahn). A história conta que aos galhos dessa árvore, com mais de 400 anos de idade e tombada pelo governo alemão, foram realizadas os primeiros ensaios e treinos de ginástica”. 21 Re vi sã o: V ito r - Dia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Os aparelhos de ginástica eram feitos com recursos próprios, pelos ginastas, que também faziam a manutenção e ampliação dos aparelhos utilizados. O interessante é que todos podiam praticar esta atividade física, e com o tempo adultos da cidade de Berlim se juntaram aos alunos dos ginásios locais. Neste primeiro ano foram vistas cerca de 300 pessoas, e em 1812 este número chegava a 500 pessoas exercendo as atividades. Para Jahn, a vestimenta a ser usada para o exercício deveria ser durável e permitir todos os movimentos do corpo. Sugeria que todos os uniformes fossem iguais, casaco e calças, de linho cru, de cor cinza, para evitar distinção entre pobres e ricos. Ainda considerava que o campo de ginástica deveria estar localizado no meio do verde, longe da cidade e de suas más influências. Na realidade existiram três campos na floresta de Hasenheide, o primeiro foi de 1811 a 1812; o segundo, de 1812 a 1819/20; e o terceiro de 1844 a 1934. Figura 8 – O primeiro turnplatz (campo de ginástica), 1811‑1812 Figura 9 – O segundo turnplatz de 1812‑1819/20 Figura 10 – O terceiro turnplatz de 1844‑1934 22 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Jahn proíbe a palavra gimnasia e a substitui por turnkunst, por considerar o caráter nacionalista em seu sistema, e por sua origem alemã. As palavras inventadas por Jahn tornaram‑se termos técnicos da ginástica em aparelhos na Alemanha. São elas: turnen – praticar ginástica; turnplatz – local de ginástica; turner – ginasta; voltigieren – balançar, voltear; torner – lutar, brigar; turntag – dia da ginástica; e turnkunst – arte ginástica. Conforme Públio (2008) destaca: “O turnen tinha também o objetivo moral: alcançar autoconfiança, autodisciplina, independência, lealdade e audiência. Essas eram as metas a serem atingidas por meio de atividades completas e informais”. Muitas vezes Jahn afirmou que a ginástica para ele era um elemento vital para a educação popular e deveria “resgatar a regularidade da formação humana, atribuindo importância ao corpo, em contraponto à espiritualização exclusiva, contrabalançando o refinamento através da masculinidade reconquistada, e abranger e envolver o homem como um todo, numa convivência jovial”. Em março de 1813, o rei Frederico Guilherme publicou o manifesto A meu povo, e Jahn, acompanhado de 137 ginastas, participaram ativamente na libertação nacional contra o poderio estrangeiro de Napoleão, sendo Jahn o comandante do terceiro batalhão. Então, o campo de ginástica foi destruído por vândalos. Em 1815 foi reconstruído e ampliado, a paz retorna e os alunos são divididos em grupos, de acordo com a idade, categoria e capacidade, estabelecendo uma hierarquia. Em 1817 estava tão ampliado, que comportava de 1.400 a 1.600 ginastas, com condições de praticar as atividades simultaneamente. Em 1816 Jahn, junto com E. B. Eiselen lança sua grande obra: Die deutsche turnkunst (A arte alemã da ginástica), que nada mais é do que sua experiência desta prática em Hasenheide, Berlim. Figura 11 – Desenhos da capa do livro Die deutsche turnkunst Jahn introduziu alguns aparelhos já conhecidos e outros da sua página, invenção e adaptação. A barra horizontal, embora conhecida anteriormente, foi direcionada e tornou‑se popular no playground do Jahn. As barras paralelas surgiram lá, mas não se sabe quem as inventou. Esse aparelho foi idealizado para fortalecer os braços e o corpo em exercícios de volteio (giros no cavalo) (PÚBLIO, 2008). 23 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Existiam muitos outros aparelhos como: • um tronco de árvore sobre suportes, a 152 cm do chão (precursor da trave de equilíbrio); • pares de postes para salto em altura; • carneiros ou cavalos de voltear (precursores do cavalo com alças); • um mastro de navio com 15 m de altura, com barras horizontais no alto das quais pendiam cordas; • três mastros para escalada muito lisos; • o mastro triplo, compostos de mastros ligados por traves horizontais com corda e uma escalada inclinada; • diversas barras horizontais, em diferentes alturas, para exercícios de suspensão; • pistas para corridas em linha reta e em círculos; • local de arremesso de dardos; • área para lutas livres. A partir de 1814, o ponto alto das atividades era o Festival de Ginástica, feito em comemoração da Batalha de Leipizig, sempre em 18 de outubro, quando milhares de pessoas compareciam para assistir às apresentações. Jahn criou as sociedades de ginástica alemã (turverine), enquanto a Alemanha introduziu as demonstrações de massa, onde participaram 6 mil ginastas no primeiro festival, organizado em Berlim, em 1861. Após a vitória sobre Napoleão, o grande sonho de Ludwig Jahn era a unidade alemã, que foi frustrado no Congresso de Viena, quando se manteve a separação da Prússia em pequenos estados independentes. Um movimento de oposição passa a ser formar entre os jovens. Por sua influência sobre os estudantes e sua clara posição sobre o assunto, Jahn passa a ser perseguido e considerado como revolucionário por incitar os jovens à subversão. Em junho de 1819, acusado de coautor de um assassinato, ele é detido, reclusão que dura até 1825, para depois ser recluso a uma residência forçada. Por conta da conotação política dada à ginástica por Jahn, ocorre o Bloqueio Ginástico, que vigora de 1820 a 1842, quando os turnplatz são fechados e toda terminação contendo o radical turn censurada. E. B. Eiselen, discípulo de Jahn, salvou a ginástica durante essa época difícil. Iniciou a ginástica em salões e estimulou sua prática pelas mulheres. Com isso os turnens (ginastas) passaram a treinar em salas fechadas. Exercícios que dependiam antes de grandes espaços físicos (corridas, arremessos, lançamentos) foram excluídos e os aparelhos adaptados e ampliados para facilitar a execução de novos movimentos. Os artefatos foram modificados para que coubessem em lugares pequenos. A FIG situa neste momento a origem da ginástica artística, por volta de 1820. 24 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Jahn reabilitou‑se em 1825, mas forçado a ficar em sua residência sob vigilância policial, foi proibido de fazer qualquer contato com a população estudantil e também de residir em Berlim ou em qualquer cidade universitária. Em 1840 Jahn é liberado definitivamente e condecorado por Frederico Guilherme IV com a Cruz de Ferro, alta distinção alemã, pela coragem na guerra da independência do país. Em 1842, ao fim do Bloqueio Ginástico, a educação física na Alemanha era feita em ambientes fechados e a ginástica de Jahn encontra terreno fértil para desenvolver‑se. O bloqueio da ginástica ocorreu no período de 1820 a 1842, o que ocasionou a emigração de diversos ginastas alemães que difundiram a modalidade para o mundo inteiro. Em 1848, toma partido no Parlamento Germânico, que se reuniu em Frankfurt, tornando‑se autoridade como deputado. Em 15 de outubro de 1852, Jahn morre em sua casa em Freyburg. Após sua morte, a partir de 1924, decidiu‑se que a sua casa seria utilizada como albergue da juventude e sede da ginástica, e em 1936 foi inaugurado um museu que ainda existe. O museu expõe a vida de Jahn e a sua importância para o movimento ginástico na Alemanha. E ainda permanecem peças de suas obras como o famoso cavalo com rabo e também uma maquete (miniatura) de seu primeiro campo de ginástica em Hasenheide. Atualmente, a sua memória é venerada como a de um herói nacional. Lembrete Ludwig Jahn é considerado o pai de ginástica artística, sendoo criador de diversos aparelhos que compõem a ginástica atual. Figura 12 – Cavalo de Janh – interior do Museu de Freyburg 25 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Observação Apesar dos excelentes resultados alcançados recentemente pela ginástica artística do Brasil, a modalidade ainda é muito carente de centros de treinamento adequados, sobretudo treinadores especializados. 2.1 Aspectos históricos da ginástica artística no Brasil A ginástica foi introduzida por imigrantes alemães no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, por volta de 1824, durante o Bloqueio Ginástico na Alemanha. Fundaram diversas sociedades ginásticas, que serviam como ponto de reunião e apoio dos imigrantes, passando a desenvolver atividades de lazer, e depois gímnicas. A sociedade mais antiga do Brasil e também da América do Sul é a Sociedade Ginástica de Joinville – Turnverein Joinville, em Santa Catarina, de 1858. Figura 13 – Sociedade Ginástica de Joinville, a mais antiga da América do Sul, (16 de novembro de 1858) Em 1895 criaram a fundação da Turnerchaft von Rio Grande do Sul (Liga de Ginástica do Rio Grande do Sul), a primeira entidade desportiva em âmbito estadual instituída no Brasil. Seu idioma era o alemão. Hoje corresponde ao Sogipa, onde é considerado o berço da ginástica “olímpica” nacional. Até 1938 os alemães criaram muitas sociedades de ginástica com suas características próprias, depois é que foram nacionalizadas. Em 1942 foi fundado o Departamento de Ginástica na Federação Atlética Rio‑Grandense (Farg), que originou 20 anos depois a Federação do Rio Grandense de Ginástica (FRG), sendo o primeiro estado a oficializar a prática da ginástica olímpica no Brasil. Em 1948 foi fundada em São Paulo a Federação Paulista de Halterofilismo (FPH), que, a pedido do diretor do Departamento de Educação Física do Estado (Defe), passou a ser uma federação eclética, denominando‑se Federação Paulista de Ginástica e Halterofilismo (FPGH). Finalmente, em 1956, foi criada a Federação Paulista de Ginástica (FPG). 26 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Segundo Públio (2008), depois de um período que foi considerado como “heroico”, desde o início da colonização dos alemães no Rio Grande do Sul, em 1824, a ginástica olímpica foi oficializada, com a filiação em 1951 das federações de RS, SP e RJ à Confederação Brasileira de Desportos (CBD). A CBD se vincula à FIG, tornando‑se legalmente internacional. Neste mesmo ano se iniciam oficialmente os campeonatos brasileiros de ginástica. Em 1974 o Brasil leva pela primeira vez uma equipe feminina ao Campeonato Mundial da Bulgária e em 1978 a ginástica se desmembra da CBD, tornando‑se a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG). Em 1980 tivemos a primeira participação do Brasil nos Jogos Olímpicos de Moscou com os ginastas João Luiz Ribeiro e Cláudia Magalhães. Em 1992, Luiza Parente é representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de Barcelona. No ano de 1999, com a 17ª colocação no Campeonato Mundial em Pequim, o Brasil consegue classificar duas ginastas para as Olimpíadas de Sidney: Daniele Hypólito e Camila Comin. Em 2000 – Olimpíadas de Sidney, Daniele Hypólito obtém uma surpreendente 21° colocação na competição individual geral. Em 2001 a ginasta Daniele Hypólito consegue a primeira medalha do Brasil em um mundial, ficando com a segunda colocação no solo. Em 2003 Daiane dos Santos executa um exercício de alto grau de dificuldade no solo, que recebe seu nome – “Dos Santos” – pela Federação Internacional de Ginástica e ganha a primeira medalha de ouro para o Brasil em um mundial, ajudando a equipe brasileira a conquistar a oitava colocação, o que permitiu pela primeira vez que o país levasse uma equipe completa para os Jogos Olímpicos da Grécia em 2004. Desse modo, nos Jogos de Atenas, a equipe feminina do Brasil classifica‑se em 9°, a apenas 0,079 da final olímpica; Daniele Hypólito fica em 12° e Camila Comin em 14° na final individual geral. Em 2007, nos Jogos Pan‑Americanos do Rio de Janeiro, as equipes masculina e feminina do Brasil ficam com a medalha de prata. No Mundial de Stuttgart, Alemanha, a equipe feminina do Brasil classifica‑se em 5° lugar na final por equipes e, mais uma vez, classificam uma equipe completa para os Jogos Olímpicos. Na final individual geral, a ginasta Jade Barbosa fica com a medalha de bronze. No setor masculino o ginasta Diego Hypólito ganha a medalha de ouro na final do aparelho solo. Em 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim – China, no feminino o Brasil faz história ao classificar‑se para a final por equipes, terminando a competição em 7° lugar, e no individual geral Jade Barbosa se classifica em 10° lugar. Na equipe masculina Diego Hypólito classifica‑se em 1° para a final de solo, porém termina em 6° após falhar na última acrobacia de sua série. Em 2012, nos Jogos Olímpicos de Londres, tivemos nossa primeira medalha olímpica no setor masculino com o ginasta Arthur Zanetti fazendo história, tornando‑se o primeiro campeão olímpico do Brasil nas argolas. 27 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Em 2016, pela primeira vez disputamos uma olimpíada com a equipe masculina e feminina completa. Nosso medalhista olímpico de 2012 consegue mais uma medalha nas argolas – prata. Diego Hypólito obtém outra medalha de prata no aparelho solo, seguido por Arthur Nory Oyakawa Mariano – bronze – no mesmo aparelho. 2.2 Aspectos históricos da Federação Internacional de Ginástica (FIG) O belga Nicolas J. Cupérus (1842‑1928) foi quem se dedicou para que os exercícios físicos fossem propagados. Já havia um grande número de agremiações de ginástica espalhadas pela Europa, sendo a primeira na Suíça, em 1832; em 1860 foi criado na Alemanha; em 1865, origina‑se a Federação da Bélgica; em 1867, a Federação da Polônia; em 1868, a Holandesa; em 1873, a União da Sociedade de Ginástica da França. Desse modo, em 1881 Cupérus convidou vários representantes das federações a participarem da primeira Assembleia Internacional de Ginástica em Liège, Bélgica. Fundou‑se a Federação Europeia de Ginástica, com o próprio Nicolas J. Cupérus como presidente, e a partir de 1921 passou a se chamar Federação Internacional de Ginástica, ainda com Nicolas J. Cupérus na presidência. Nos primeiros torneios, as provas não eram apenas de ginástica. Havia também provas atléticas e até folclóricas (saltos, lançamento de pedras, halteres, subidas em corda lisa, corrida de velocidade, natação, bailados etc.), mudando a cada torneio, dependendo do país que o organizava (PÚBLIO, 2008). A partir dos Jogos Olímpicos de 1952, a ginástica artística foi reconhecida como esporte olímpico, no conceito atual, com regras definidas quanto a julgamento, aparelhagem, número de ginastas por equipes, avaliação, e a FIG trabalhando junto com o Comitê Olímpico Internacional. Até 1948, nos Jogos Olímpicos de Londres e no Campeonato Mundial de 1954, em Roma, as competições eram realizadas ao ar livre (estádios), passando a partir daí a serem efetuadas em recintos fechados. Figura 14 – O alemão Weingartner nas argolas. Cartão‑postal do Museu Olímpico de Lausanne 28 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I A FIG homologou em 16 de março de 1979 o termo gymnastique artistique (ginástica artística) no estatuto da CBG (Confederação Brasileira de Ginástica). A CBG, através de uma assembleia realizada em 2006, oficializou a denominação ginástica artística para a modalidade esportiva que também é adotada em muitos países, apesarde no Brasil ainda ser possível deparar‑se com o termo “ginástica olímpica”. 2.3 A ginástica artística nas olimpíadas Em 1896 a ginástica já se faz presente na primeira olimpíada da era moderna, em Atenas. As provas incluíam barras paralelas e barra fixa (individual e por equipes), cavalo com arções, salto sobre o cavalo e subida na corda lisa vertical. Em 1900, houve uma competição combinada com salto em altura, salto com vara, salto em distância e o cabo de guerra. Em 1908 as equipes eram compostas de muitos ginastas, mais de 50. Em 1932, em Los Angeles, os americanos inseriram o tumbling e as “massas com balanceamento”, que foram eliminadas pelos alemães em seguida. As mulheres apareceram pela primeira vez na ginástica nos Jogos de Amsterdã, em 1928, começando a competir nos aparelhos masculinos (paralela masculina baixa e argolas com balanço), além dos exercícios em conjunto. Só começaram a competir oficialmente em Berlim em 1936, quando foram introduzidas as provas de trave de equilíbrio e paralelas assimétricas. Nessa mesma olimpíada a ginástica masculina passou a ser realizada sempre nos seis aparelhos. A partir dos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, a ginástica artística feminina passou a competir nos quatro aparelhos, quando deixou de ter as provas de conjunto. Então, essas provas foram chamadas de ginástica moderna, e depois ginástica rítmica desportiva (GRD), e hoje é outra modalidade olímpica, a ginástica rítmica (GR). Figura 15 – Karl Schumann. Salto sobre o cavalo. Primeira medalha olímpica alemã individual 29 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Figura 16 – Salto feminino sobre o cavalo Figura 17 – Nadia Comaneci. Campeã Individual, Jogos Olímpicos de 1976 Figura 18 – Vera Caslavska,1964 30 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Figura 19 – Sawao Kato, bicampeão olímpico 3 APARELHOS E PROVAS DA GINÁSTICA ARTÍSTICA Como sabemos, a ginástica artística em um primeiro momento surgiu como uma atividade exclusiva para os homens, uma vez que o objetivo de seu criador, Ludwig Jahn, era a formação de soldados. Contudo, desde sua criação, a ginástica sofreu diversas adaptações e evoluções até chegar ao formato que conhecemos hoje. No presente a ginástica artística é praticada por homens e mulheres. As provas da ginástica mudaram muito ao longo das décadas, até chegarmos ao formato atual, em que há provas comuns aos dois gêneros e exclusivas para cada naipe. As provas comuns aos gêneros masculino e feminino são salto sobre a mesa e exercícios de solo; as provas exclusivamente masculinas são cavalo com alças, argolas, barras paralelas simétricas e barra fixa; as provas exclusivas das mulheres são as barras paralelas assimétricas e a trave de equilíbrio. 3.1 Prova de exercícios de solo A prova de solo da ginástica artística, seja para homens, seja para mulheres, é realizada sobre o tablado, aparelho que em um primeiro momento parece um simples carpete, mas que na verdade possui várias partes. Assim, descreveremos a composição do aparelho e suas finalidades. O tablado é uma superfície quadrada de aproximadamente 14 x 14 metros. Possui várias camadas, cada qual com uma finalidade específica. A parte superior, onde o ginasta se apresenta, é feita de material acarpetado, geralmente em duas cores: a parte interna, de cor mais clara, compreende a área de competição, na qual o ginasta deve se manter durante sua rotina e mede 12 x 12 metros; a parte externa, mais escura, tem cerca de 2 metros de largura e é uma área de segurança, caso o ginasta saia da área de competição durante a execução de sua série. 31 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Alguns tablados são de cor única, e nesses casos a área de competição é separada da área de segurança por uma linha demarcatória, em geral uma fita de velcro de 5 cm. Alguns carpetes são feitos em uma única peça de 14 x 14 metros e outros são constituídos de esteiras que são unidas por fitas de velcro da mesma cor do tecido. Área de competição 12 x 12 metros Área de segurança: 2 metros Figura 20 – Desenho representando a vista superior de um tablado de solo Abaixo do carpete há uma camada de espuma de látex ou de poliuretano, com o objetivo de absorver os impactos das aterrissagens dos ginastas, sem, contudo, ser demasiadamente macio a ponto de dificultar o equilíbrio ou a impulsão nos exercícios. Sob a espuma estão diversas placas de compensado sobre as quais são fixadas molas (metálicas ou de borracha) para auxiliar na impulsão dos movimentos e também amortecer os impactos. Carpete Espuma Compensado Molas metálicas Carpete Espuma Compensado Molas de borracha Figura 21 – Cortes laterais de tablados de solo com molas metálicas e de borracha e suas camadas 32 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Figura 22 – Solo. Olimpíadas de 2016, Rio de Janeiro 3.1.1 A prova de solo masculino Na prova de solo masculina, o ginasta realiza movimentos e ligações acrobáticas (saltos mortais), associados a exercícios de velocidade, força, flexibilidade e equilíbrio. A duração da rotina masculina deve ser de no mínimo 50 e no máximo 70 segundos. A série masculina não é acompanhada por música e nem há a avaliação da parte coreográfica da série por parte da arbitragem. Muitos questionam a não inclusão de música e coreografia nas rotinas masculinas. Tal fato está ligado à própria história da modalidade, que se desenvolveu valorizando a força e a virilidade associada à figura masculina. “A FIG sempre se opôs ao que chamam de movimentos afeminados para os exercícios masculinos, mas o assunto de se colocar música para o exercício de solo masculino sempre foi e é discutido, tendo sido, até o presente, rejeitado” (PÚBLIO, 1998). 3.1.2 A prova de solo feminino Segundo o código de pontuação da FIG, o objetivo principal da ginasta que se exercita no solo é apresentar uma rotina que combine, de forma equilibrada, elementos ginásticos e expressões artísticas, criando uma composição que esteja em harmonia com o tema e as características da música escolhida. Dessa forma, em sua prova de solo, a ginasta será avaliada não só por sua destreza em executar movimentos acrobáticos difíceis, mas também por sua expressão corporal e artística. Nenhuma das duas partes (acrobacias ou coreografia) deve prevalecer, devendo haver um equilíbrio entre elas na série, realizada ao som da música. Uma expressão corporal pobre e a falta de harmonia na prova de solo feminino pode levar a ginasta a perder pontos. A duração da apresentação feminina não deve ser menor que 1’10 (70 segundos) e não deve exceder 1’30 (90 segundos). 33 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA 3.1.3 Origem da prova de solo Os exercícios de solo são uma evolução dos movimentos calistênicos, aos quais foram acrescentados elementos acrobáticos. As exibições com aparelhos manuais ou livres sempre fizeram parte do programa de competições da ginástica, mas, quando da separação da ginástica nas modalidades artística e rítmica, os aparelhos portáteis ficaram com a segunda. A prova de solo masculina foi oficializada no Campeonato Mundial de Luxemburgo em 1930, quando passou a fazer parte do programa oficial da ginástica artística. É interessante notar que as provas eram coletivas, com vários ginastas executando movimentos de forma sincronizada. Finalmente, em 1932 – nos Jogos Olímpicos de Los Angeles,tornou‑se uma apresentação individual. Já a prova de solo feminina foi a junção de duas vertentes. Em algumas competições nos Estados Unidos, havia a exposição tradicional, com movimentos derivados da calistênia e outra chamada de dança. Com a inclusão da música, houve a vinculação das duas apresentações, o que agradou ao público. A prova feminina de solo foi incluída no programa da Ginástica Artística e oficializada nos Jogos Olímpicos de Helsinque, em 1952. 3.2 Prova de salto sobre a mesa Originalmente conhecida como salto sobre o cavalo, essa prova faz parte dos programas masculino e feminino. Atualmente a única diferenciação entre as provas de homens e mulheres é a altura na qual a mesa é colocada. Na regra oficial da FIG para o masculino, a altura é de 1,35 m; para o feminino, 1,25 m. O salto é uma prova na qual a velocidade e a potência são fundamentais. Vista lateral Vista superior Colchão de aterrisagem Pista de corrida: 1m x 25m Trampolim de molas Figura 23 – Equipamentos que compõem a prova de salto sobre a mesa Os equipamentos que compõem a prova são a mesa de salto, o trampolim de molas, a pista de corrida e os colchões de aterrissagem. 34 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Figura 24 – Salto sobre a mesa. Olimpíadas de 2016, Rio de Janeiro O colchão no qual o ginasta aterrissa possui linhas demarcatórias que determinam o espaço ideal para a chegada e serve de referência visual para os árbitros. Se, ao aterrissar, o ginasta se desviar do centro, pisar nas linhas laterais ou além delas, vai sofrer penalizações na avaliação do salto. A prova de salto possui três fases bem distintas durante a sua execução: A primeira é a abordagem do trampolim, em que a corrida executada pelo ginasta até o salto para o trampolim é a parte mais importante do exercício. Nenhum ginasta é capaz de realizar bons saltos se não conseguir dominar perfeitamente sua corrida. Além de ser veloz, o atleta tem de ser preciso, não variando as passadas ou desacelerando a velocidade de aproximação, uma vez que ele tem estar no máximo da aceleração ao fim da corrida, ganhando energia, que então será transformada em potência nas outras fases do salto. Figura 25 – Corrida aproximação até abordagem do trampolim Depois temos o primeiro voo – ou “entrada” do salto, que compreende a fase aérea na qual o ginasta sai do trampolim até o apoio na mesa de salto. 35 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Figura 26 – 1º voo: saída do trampolim até o apoio na mesa Existem algumas formas de entrada para o salto. As mais importantes são: Em “reversão”, quando não há uma rotação no eixo longitudinal do corpo do ginasta após a saída do trampolim até o apoio na mesa; ainda é considerada uma reversão quando há uma rotação no eixo longitudinal de 360º; em ambos os casos, o ginasta, no momento do apoio, estará com as costas voltadas para o colchão de aterrissagem. A “rondada” (“rodante”, “roda” e “árabe”) ocorre quando há uma rotação no eixo longitudinal do corpo do ginasta entre 90º e 180º após a saída do trampolim até o apoio na mesa; a parte anterior ou a lateral do corpo do atleta estará voltada para os colchões no momento do apoio das mãos na mesa. Já o salto Yurchenko que consiste na realização de uma rondada sob a pista de corrida, finalizando com os pés no trampolim, com o ginasta de costas para a mesa de salto e, finalmente, a projeção do corpo para trás ao apoio na mesa. Também pode ser feito com rotações de 180º ou 360º no eixo longitudinal do corpo do ginasta na fase de voo. 360º180º Reversão Yurchenco Reversão com uma volta Yurchenco com meia volta Rondada ou rodante Yurchenco com uma volta 360º 180º Figura 27 – Possíveis formas de execução do 1º voo 36 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I A terceira fase é o segundo voo, que representa o momento entre a perda de contato das mãos do ginasta com a mesa de salto, sendo finalizado com a aterrissagem sobre os colchões. É nessa fase que o ginasta busca realizar o maior número de rotações em todos os eixos do corpo para alcançar maiores pontuações na prova. O segundo voo pode ser executado sem mortais (rotações de 360º ou mais em torno do eixo transversal do corpo), que são os saltos mais simples do código de pontuação, ou com um ou mais mortais. A quantidade de rotações em um ou mais eixos do corpo é que define a dificuldade e, consequentemente, o valor de cada salto. Figura 28 – 2º voo: saída da mesa até a aterrissagem nos colchões É interessante notar que, apesar do código considerar os mortais no segundo voo como rotações a partir de 360º, nenhum salto com mortal tem menos que 540º de rotação, uma vez que, no segundo voo, o ginasta parte da posição invertida do corpo. Saiba mais No site da FIG, é possível fazer o download dos códigos de pontuação da ginástica artística masculina e feminina: <http://www.fig‑gymnastics.com>. 3.2.1 Origem da prova de salto A caixa de salto foi desenvolvida pelo estudioso sueco Pehr Henrik Ling, o precursor da Educação Física, no início do século XIX. A caixa de salto se originou com Ling e seus seguidores. É escusado dizer que se alguém inventou o cavalo haveria outro para saltar sobre ele. Originalmente, saltava‑se sobre a largura, usando os arções como apoio das mãos. Depois, os homens saltavam sobre o comprimento (longitudinalmente) e as mulheres, sobre sua largura (transversalmente), logicamente sem os arções (PÚBLIO, 1998). 37 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Contudo, o cavalo é bem mais antigo que isso. Os romanos o desenvolveram por volta de 375 d.C., com o intuito de treinar seus soldados em exercícios de cavalaria, monte e desmonte, poupando os animais. Ludwig Jahn introduziu o cavalo em seu primeiro Turnplatz em 1811, e o chamou de “cavalo de saltos”. Seus discípulos saltavam sobre o pescoço do cavalo, que também tinha calda e crina. Ao longo dos anos, o aparelho foi sendo modernizado, perdeu as alças, calda, cabeça e crina, tornando‑se mais cilíndrico. Nas competições masculinas os ginastas precisavam transpor o cavalo em seu sentido longitudinal a uma altura de 1,35 m; nos torneios femininos, saltavam no sentido transversal do cavalo, colocado a 1,25 m. Figura 29 – Antigo cavalo para saltos Entretanto, com a evolução das técnicas de salto e o advento de uma nova forma de entrada, o Yurchenko, fizeram com que ele fosse modificado. Os acidentes em competição passaram a ser frequentes, sobretudo para as mulheres, uma vez que elas saltavam no sentido transversal do cavalo. O aparelho tinha aproximadamente 40 cm de largura, o que exigia das atletas uma precisão muito grande quando se projetavam às cegas, de costas para o cavalo, ao executarem o Yurchenko. Então, a FIG interviu, diminuindo o valor de saltos vindos dessa nova forma de entrada para desfavorecer seu uso; porém, devido às vantagens biomecânicas que proporciona, facilitando muito as rotações no segundo voo e, por conseguinte, gerando melhores pontuações para os ginastas, a medida não se mostrou efetiva. Depois a FIG desenvolveu um novo equipamento para a prova de salto: a mesa. Mais larga, longa, com uma pequena área inclinada e de cor diferente na frente, esse aparelho trouxe mais segurança à prova e ainda favoreceu a criação de novas técnicas. Associada a essa evolução, também houve uma redução na quantidade de acidentes. A mesa de salto foi oficializada no ano de 2001. 38 Re vi sã o:V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Figura 30 – Mesa de salto (90 cm de largura x 1,20 m de comprimento) 3.3 As barras paralelas simétricas A prova de barras paralelas simétricas ou simplesmente barras paralelas é exclusiva do gênero masculino. O aparelho consiste de dois barrotes de fibra de vidro recobertos com uma capa de madeira, colocados paralelamente a uma altura de 2 m do solo. O corpo do aparelho é de ferro e, pelo fato de ser bem pesado, dispensa o uso de cabos de aço para fixação. As barras têm 3,50 m de comprimento e um diâmetro entre 41 e 51 mm. É possível fazer pequenos ajustes na distância entre as barras para adaptá‑la ao porte físico do ginasta, porém a margem é pequena: entre 42 e 52 cm. Abaixo e em volta do aparelho há colchões para proteger o ginasta em eventuais quedas e também para a realização da saída ao término de sua rotina. Figura 31 – Barras paralelas simétricas montadas para competição 39 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA A prova de paralelas é constituída basicamente de movimentos de embalo (balanços) entre as barras e elementos de voo com retomada, além de passagens pela parada de mãos, elementos de força e posições corporais como diversos tipos de esquadros. A rotina de paralela exige do ginasta muito equilíbrio, coordenação e agilidade. 3.3.1 Origem das paralelas Elas foram desenvolvidas pelo próprio Ludwig Jahn e anexadas ao seu turnplatz (área aberta para a prática da ginástica) em 1812. Ele elaborou o equipamento para fortalecer os braços dos alunos, que tinham dificuldade na execução do volteio do “carneiro”, espécie de cavalo estreito, hoje conhecido como “potrinho”. Os primeiros movimentos descritos são o de flexionar e estender os braços para fortalecê‑los e o balanço para o desenvolvimento corporal. Diferentemente do aparelho atual, as primeiras paralelas eram fixadas no solo. A prova de paralelas está presente no programa da ginástica desde a primeira edição dos jogos da era moderna, em 1896, quando foram realizadas provas individuais e por equipes. 3.4 A prova de cavalo com alças A prova de cavalo com alças ou arções pertence à ginástica masculina. Nela o ginasta precisa deslocar‑se sobre os braços por toda a extensão do aparelho, em movimentos de tesoura, volteios com pernas unidas e afastadas, elevações à parada de mãos, elementos esses executados sobre o corpo do cavalo e sobre as alças. O ginasta não pode fazer elementos estáticos durante a execução da rotina, que deve ser contínua. O aparelho tem 1,15 de altura, medidos a partir do chão, comprimento total de 1,60 m e 35 cm de largura. As alças, feitas de material plástico e recoberta com madeira, ajustam‑se entre 40 e 45 cm e têm 12 cm de altura. O corpo do cavalo é arredondado para evitar traumas e revestido de tecido maleável. As alças têm formato cilíndrico e também tem perfil arredondado nos cantos. Como nos demais equipamentos da ginástica, são instalados colchões de proteção no entorno do aparelho. A prova requer do executante muita resistência, equilíbrio e agilidade, além da sempre necessária coordenação motora. Figura 32 – Cavalo com alças, lado esquerdo e argolas, lado direito 40 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I 3.4.1 A origem do cavalo com alças Como já visto anteriormente, o cavalo foi desenvolvido pelos romanos para o treinamento de soldados. Data do século IV a primeira descrição do cavalo de madeira, através dos desenhos do romano Vegetino, nos quais é possível verificar os soldados se exercitando no aparelho. Jahn incluiu o artefato em seu primeiro turnplatz no ano de 1811 para exercícios de saltos, e ele o chamou de “trabalho lateral”. 3.5 A prova de argolas Os exercícios nas argolas fazem parte do programa masculino da ginástica artística. O equipamento compreende um pórtico de metal de aproximadamente 6,0 m de altura, fixado ao solo por meio de cabos de aço. Dele pendem dois cabos de aço, que, em sua extremidade inferior, unem‑se a duas faixas de couro ou outro material resistente, que, por sua vez, sustenta as argolas. As argolas ficam distantes do solo (2,80) e são separadas lateralmente em 50 cm. Têm diâmetro interno de 18 cm e sua empunhadura é de 28 mm. 1,20 m min 260 30 0 28 0 Figura 33 – Medidas das argolas Força e equilíbrio são fundamentais para a realização dos movimentos nas argolas, o único aparelho móvel da ginástica. Posições estáticas de força, embalos da suspensão ao apoio e movimentos de rotação compõem essa prova. Durante os movimentos dinâmicos, as argolas se movimentam junto com o ginasta, porém, quando o atleta executa uma posição estática, as argolas devem permanecer imóveis. 41 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA 3.5.1 A origem das argolas Aparentemente as argolas são de origem italiana, pois eram chamadas de romischi rings ou aros romanos. No início havia argolas em formato triangular, além da tradicional figura redonda; o formato triangular provavelmente era baseado nos estribos utilizados para montaria. As primeiras argolas eram feitas de ferro e recobertas com couro; depois vieram as argolas de madeira, mais finas, mas que se quebravam com frequência. As argolas atuais são feitas de material sintético (plástico ou fibra de vidro) e recobertas com uma película de madeira. 3.6 A prova de barra fixa Essa prova também é exclusiva dos homens. O corpo da barra fixa é constituído de dois tubos metálicos de diâmetros diferentes, de forma que um se encaixa dentro do outro, permitindo a regulagem da altura do aparelho através de pequenos furos espaçados regularmente. O equipamento é fixado ao solo por meio de cabos de aço. A barra deve estar a 2,80 m do solo, tem comprimento total de 2,40 m e 28 mm de diâmetro. É feita em aço, porém possui elasticidade suficiente para acompanhar os movimentos, sem, contudo, deformar‑se com o uso. Os movimentos característicos da barra fixa são os grandes balanços (giros gigantes), as largadas, as retomadas, as trocas constantes de posicionamento das mãos (tomadas dorsal, palmar, mista e cubital) e direções dos movimentos. A rotina deve ser contínua, pois as pausas ao longo da série são penalizadas pela arbitragem. Lembrete A prova de barra fixa não é considerada uma prova de força, exigindo mais da parte coordenativa e da agilidade do ginasta, tanto é que os movimentos devem ser feitos utilizando o embalo do corpo – elementos feitos com uso demasiado e evidente da força são penalizados. Figura 34 – Barra fixa 42 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Figura 35 3.6.1 A origem da barra fixa A barra é um aparelho muito antigo, anterior à criação da ginástica de Jahn. Contudo, coube a ele popularizar seu uso. As primeiras barras eram de madeira e, em meados do século XIX, foram substituídas por barras de aço. Os exercícios em barras estão associados à ação natural das crianças de subir e se pendurar nos galhos das árvores, provavelmente por isso o aparelho é tão antigo. Corroborando essa ideia está o fato da primeira barra da Jahn ter sido chamada de “galho horizontal de carvalho”. 3.7 A trave de equilíbrio A trave de equilíbrio certamente é o aparelho mais desafiador da ginástica artística feminina. Para um bom desempenho nessa prova, não basta ter excelente técnica e preparo físico, mas sim um grande controle emocional. O nome da prova se justifica pelas dimensões do aparelho: a trave, apesar de ter 5,0m de comprimento, tem apenas 10 cm de largura e está a 1,25 m de altura do solo. Seu corpo metálico é recoberto por uma fina camada de espuma e sobre ela um tecido semelhante ao feltro. A parte superior, onde se dá o contato dos pés da ginasta, não pode ser muito macia para não comprometer a estabilidade. Assim, a trave é um aparelho rígido e as quedas sobre ela e aterrissagens mal executadas costumam ser doloridas. 43 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Figura 36 – Trave oficial de competição Figura 37 – Trave de equilíbrio Os exercícios executados na trave se assemelham muito com as acrobacias e saltos de dança realizados no solo. Mortais em todas as direções, giros sobre os pés, elementos de força, equilíbrios e saltos derivados do balé compõem o repertório de movimentos. A rotina também precisa ser coreografada, como no solo, porém não há música. O tempo de duração máximo da série é de 90 segundos. 3.7.1 A origem da trave de equilíbrio Assim como outros aparelhos da ginástica, a trave de equilíbrio segue uma tendência natural do ser humano, a de brincar de equilibrar‑se em superfícies estreitas. Quem nunca brincou de caminhar sobre a guia das ruas, sobre troncos caídos e linhas estreitas no chão? No turnplatz havia troncos longos e estreitos nos quais os alunos se equilibravam e simulavam combate. Quando a atividade passou a ser feita em ambientes fechados – o “tronco 44 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I flutuante”, como era chamado na época, foi reduzido e adaptado. As primeiras traves eram feitas de madeira polida, sem coberturas ou materiais que auxiliassem a diminuição dos impactos e se mantiveram assim até o início dos anos 1980, quando foi recoberta com couro ou camurça. Figura 38 – Representação artística do turnplatz, onde se vê o “tronco flutuante” A trave foi inserida nos Jogos Olímpicos de 1936, ainda como evento de apresentação. É importante notar que as traves da época eram ainda mais estreitas, com apenas 8 cm de largura. Atualmente as traves utilizadas em competições oficiais possuem sistema de amortecimento e são mais confortáveis para a prática dos exercícios. 3.8 As barras paralelas assimétricas A prova de barras paralelas assimétricas é exclusiva do gênero feminino. O aparelho consiste de duas barras horizontais posicionadas em alturas diferentes, daí a denominação “assimétricas”. A barra baixa está a 1,70 m do solo e a alta a 2,50 m, mas pode haver pequenas variações nessas medidas, de acordo com a estatura das ginastas e da distância das barras, uma vez que a regra permite um afastamento entre elas de até 1,80 m, medidos da borda inferior da barra alta até a borda superior da barra baixa. Assim como a barra fixa e as argolas, a paralela assimétrica é fixada ao solo por meio de cabos de aço. Suas barras são de fibra de vidro recobertas com uma película de madeira, tendo um diâmetro de 40 mm. Ao longo da rotina nas paralelas, as ginastas precisam alternar seus movimentos entre as barras, ora na baixa, ora na alta. E é justamente essa troca constante entre elas, realizada com belos elementos de voo, que torna a prova interessante e complexa. Os movimentos executados pelas mulheres nas assimétricas são muito similares aos exercícios efetuados pelos homens na barra fixa: giros gigantes, trocada de posição das mãos e direção dos movimentos, largadas e retomadas das barras e outros elementos efetuados de forma contínua, uma vez que interrupções na rotina são penalizadas. Soma‑se a esses elementos as trocas entre as barras, que conferem um toque especial à prova. 45 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Figura 39 – As barras paralelas assimétricas Figura 40 3.8.1 A origem das barras paralelas assimétricas É a mais recente das provas da ginástica. No início das competições, as assimétricas nada mais eram que uma paralela masculina onde os barrotes eram posicionados em alturas diferentes. Não havia, como hoje, um equipamento desenvolvido exclusivamente para as mulheres. As apresentações nessa prova têm início a partir dos Jogos de Berlim, em 1936. 46 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Figura 41 – Barras paralelas assimétricas, 1936 A assimétrica sofreu diversas adaptações ao longo das décadas para se adequar à evolução dos movimentos. Nas primeiras apresentações as ginastas se apoiavam na paralela para realizar posições estáticas e poses, nada muito dinâmico. Conforme as séries foram ganhando dinamismo, o equipamento sofreu as primeiras alterações, e um suporte lateral foi inserido para manter a estabilidade durante a execução dos movimentos. Em 1967 as mulheres passam a contar com um aparelho exclusivo, onde era possível regular a distância entre as barras. Era estável, pois era fixado ao solo por meio de cabos de aço, configuração que se mantém até hoje. Os barrotes tinham o mesmo formato ovalado da paralela masculina, porém foram encurtados, ficando com 2,40 m. A última grande reforma foi a mudança no formato dos barrotes, que se tornaram redondos e mais finos para facilitar a empunhadura das ginastas. Saiba mais É possível fabricar equipamentos com materiais adaptados. Saiba mais em: NUNOMURA, M.; PICCOLO, V. L. N. (Orgs.) Compreendendo a ginástica artística. São Paulo: Phorte, 2005. 3.9 Aparelhos auxiliares Observar um ginasta se apresentando nos faz pensar como é possível levar um ser humano a realizar acrobacias tão espetaculares e desafiadoras. Formar um atleta de alto nível demanda muito anos de treinamento bem planejado, estruturado e utilizando uma gama enorme de equipamentos. Como vimos, existem várias provas na ginástica artística, 47 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA cada qual com seu aparelho específico, e elas usam os chamados aparelhos oficiais. Entretanto, não é possível formar um ginasta utilizando apenas esses acessórios. Alguns são muito grandes ou muito altos para o trabalho com alunos iniciantes, dificultando o auxílio manual efetuado pelos treinadores, fundamentais para um bom aprendizado e para a segurança dos ginastas. Os chamados aparelhos auxiliares existem justamente para suprir a necessidade de criar condições de trabalho que levem gradativamente os ginastas a serem capazes de executar os movimentos em condições reais de competição em aparelhos oficiais. Eles podem ser empregados em competições com regras adaptadas, o que é comum nas categorias de base, na qual as crianças são muito pequenas, haja vista a ginástica artística ser uma modalidade em que os praticantes iniciam muito jovens e tendem a ser pequenos em estatura. Vários são os equipamentos e suas utilidades. 3.9.1 Minitrampolim É um dos aparelhos mais utilizados nos ginásios e em competições de base, pois substitui o trampolim oficial de salto sobre a mesa, que é muito duro para crianças leves ou que ainda não desenvolveram força suficiente nos membros inferiores para saltar com desenvoltura. Também é usado para o aprendizado de movimentos que exijam muita repulsão de pernas e braços, como os mortais. Feito de peças tubulares de aço, o corpo do minitrampolim é um quadrado de aproximadamente 1,20 x 1,20 m no qual são fixadas molas de metal. Estas, por sua vez, unem‑se a uma lona quadrada, onde os ginastas se impulsionam para os saltos. Está apoiada em dois cavaletes que têm alturas reguláveis, e em geral uma das partes do minitrampolim (frenteou trás) está mais elevada. Ainda possui uma capa protetora de plástico ou lona sobre as molas. Tela de nylon Vista lateral do aparelho Protetor de molas Molas Figura 42 – Minitrampolim 48 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I 3.9.2 Trampolim acrobático (cama elástica) O trampolim acrobático é um esporte olímpico e, dentro da FIG, está englobado no Comitê das Ginásticas de Trampolim. Conhecido popularmente com “cama elástica”, o aparelho que dá nome ao esporte é utilizado nos ginásios de ginástica artística para o treinamento de elementos de elevado grau de dificuldade, como os mortais simples, duplos mortais e mortais com piruetas; também possibilita uma infinidade de exercícios educativos. 6 metros 3 metros Vista lateral Molas Figura 43 – Trampolim acrobático 3.9.3 Tumbletrack É um aparelho de molas e possui uma cama elástica muito longa. Mais maleável que o tablado de solo, porém menos elástico que o trampolim acrobático, é muito útil para o treinamento das sequências de acrobacias de solo. Possibilita ao ginasta, por exemplo, executar várias repetições de sequências acrobáticas de solo, sem, contudo, gerar o desgaste físico, que seria natural se os mesmos exercícios estivessem sendo realizados no tablado. Também possibilita o treinamento de elementos de salto sobre a mesa, basta colocá‑la no fim do tumbletrack para que o ginasta ganhe impulso no aparelho para efetuar os saltos. 15 metros de comprimento Proteção das molas Vista lateral 2,40m de largura Figura 44 – Tumbltrak 49 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Para cada aparelho oficial em um ginásio, há diversos aparelhos auxiliares. Vamos destacar alguns deles a seguir. Para o aprendizado do salto sobre a mesa, por exemplo, substituímos a mesa pelo plinto, que consiste em uma caixa de madeira com diversas repartições que permitem regular sua altura, sendo um equipamento muito comum não só em ginásios de ginástica, mas também em escolas e ginásios esportivos. É muito usado como apoio para realizar elementos de preparação física, por exemplo, uma sequência de saltos pliométricos; é muito útil para auxiliar exercícios em locais elevados, como as barras superiores da paralela assimétrica. Nas traves de equilíbrio adaptadas há uma diversidade muito grande de traves: de chão, as baixas, as mais largas e as de tecido. Esses aparelhos proporcionam à ginasta uma adaptação gradual, até que ela esteja apta e segura para realizar os elementos na trave oficial, que tem 1,25 m de altura. Permitem, ainda, que o treinador exerça um auxílio manual mais seguro e confortável, uma vez que estão mais próximas ao solo. O fosso de espumas é um equipamento mais comum em locais voltados à formação de equipes de alto rendimento. Consiste basicamente numa depressão de aproximadamente 1,50 m de profundidade, escavada no piso do ginásio. Possui bordas protegidas, assim como sua base, e é preenchido com milhares de quadrados de espuma, lembrando uma piscina de bolinhas de playgrounds. No fosso são inseridos os aparelhos da ginástica, de forma que o ginasta possa treinar saídas de grande dificuldade, treinar as largadas e retomadas das barras, finalizar seus saltos de solo e da mesa. Praticamente todos os aparelhos do ginásio têm alguma ligação com o fosso. Nas barras adaptadas as barrinhas de chão são muito úteis para o ensino das posições corporais dos ginastas nos aparelhos com barras, para a correção das posições das mãos etc. Os “taquinhos” são pequenas barras utilizadas aos pares para simular posições e movimentos da paralela masculina e para o condicionamento físico de homens e mulheres. O cogumelo e o potrinho são equipamentos que auxiliam os ginastas no aprendizado dos elementos no cavalo com alças. Por serem mais estreitos, facilitam a aquisição dos volteios, que são a base dos elementos dessa prova. Já o protetor de trave proporciona uma chegada menos impactante ao fim dos elementos com voo, protegendo as articulações das ginastas, além de aumentar levemente a área de aterrissagem da trave, facilitando o aprendizado dos elementos. Os espaldares são muito populares e são semelhantes a escadas verticais, sendo utilizados na realização de exercícios de preparação física, não só na ginástica, mas também em academias e escolas. Por fim, temos a corda lisa vertical, artefato empregado na ginástica desde a criação dos turnplatz, e inclusive já fez parte do programa olímpico da modalidade em suas primeiras edições. Sua finalidade é o fortalecimento dos membros superiores dos ginastas, que devem escalá‑la das mais diversas formas. Todo ginásio que se preze tem uma corda pendurada no teto. 50 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Barrinha de chão Trave baixa Camara de trator Taquinho Protetor de trave Cogumelo Plinto Fosso Borda de proteção Bloco de espuma Cinturão Figura 45 3.9.4 Colchões Os colchões hoje desempenham um papel fundamental para a ginástica artística, que é a proteção dos ginastas durante os treinamentos ou nas competições. A princípio, quando a ginástica era praticada ao ar livre, não eram utilizados colchões. Os elementos eram mais simples e os aparelhos mais baixos. Também podia haver areia embaixo dos equipamentos para amortecimento. Com a prática em locais fechados, somada à evolução dos movimentos, os colchões foram ganhando importância. Antes eram mais finos e feitos de algodão e estopa (alguns modelos ainda são encontrados em escolas). Posteriormente os colchões de competição foram padronizados: com 10 cm de largura, eram feitos com material sintético e eram mais macios que os anteriores, para assimilar melhor os impactos. Hoje os colchões oficiais de competição têm 20 cm de largura. Em alguns casos específicos, pode haver um colchão adicional de 10 cm, mais macio, utilizado para as aterrissagens. Há nos ginásios de ginástica uma série de colchões próprios para treinamento, com formas, medidas e densidades muito diferentes entre eles, permitindo infinitas possibilidades de uso. A seguir vamos acentuar diversos tipos. • colchão rampa: muito utilizado no ensino de habilidades como os rolamentos para frente e para trás, reversões e outros elementos, pois facilita a rotação do corpo devido à sua construção inclinada. 51 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Figura 46 – Colchão rampa • colchão protetor de trampolim ou colchão em “u”: foi desenvolvido quase que simultaneamente à mesa de salto para evitar acidentes na execução das rondadas (rodantes). Em competições seu uso é obrigatório quando o ginasta executa a entrada em Yurchenko. Figura 47 – Colchão em “U” • colchão gordo: é macio e com 30 cm de espessura, ideal para a realização de movimentos nos quais os ginastas necessitem de uma segurança adicional, como quando finalizam sobre as costas, na fase de aprendizagem de chegadas difíceis e exercícios educativos com os mais variados fins. Figura 48 – Colchão “gordo” • colchão oficial: possui a largura padrão exigida pelo regulamento da FIG, que é de 20 cm. Alguns modelos têm um lado mais firme – para as saídas das provas – e um lado mais macio, que fica logo abaixo dos aparelhos, para amortecer melhor ulguma queda. 52 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Figura 49 – Colchão oficial de competição • colchão tipo sarneige: tem 5 cm de espessura, dotado de fixadores develcro que possibilitam a formação de uma pista acrobática de solo. É muito utilizado em trabalhos de base. Figura 50 – Colchão sarneige • colchão octagonal: usado para o ensino de habilidades como flic‑flac, reversões lentas (pontes) e outros. Figura 51 – Colchão octagonal 53 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA O Brasil não possui normas técnicas para a fabricação de aparelhos de ginástica artística, o que ocasiona uma série de problemas com a qualidade dos equipamentos, favorecendo o aumento de lesões nos ginastas. Observação Órgãos públicos também têm problemas quando realizam licitações para a compra de equipamentos, pois, com a ausência de normativas para a fabricação, empresas inidôneas e tecnicamente despreparadas entram nos processos licitatórios com preços muito baixos e equipamentos de péssima qualidade. 4 SEGURANÇA E AUXÍLIO MANUAL Quando pensamos em desenvolver uma atividade como a ginástica artística, logo pensamos nas dificuldades encontradas em desenvolvê‑la. Destacamos os obstáculos em relação aos materiais, ao seu espaço físico, ao perigo dos exercícios, aos acidentes possíveis, ao medo da prática, à falta de conhecimento dos professores, às lesões. Desse modo, dificilmente vamos aplicá‑las em nosso programa de Educação Física ou em qualquer outro ambiente. Assim, se desenvolvermos essa modalidade de maneira segura e preventiva, tais justificativas se tornam quase inexistentes, pois muitos estudos comprovam os aspectos benéficos do desenvolvimento dessa atividade. Ela deve ser desenvolvida de forma apropriada e progressiva (NUNOMURA, 2005). Após diversas pesquisas, Nunomura (2008) revela que o item segurança é o critério mais importante (98%) para um bom professor de ginástica. Sem o domínio e conhecimento sobre este tema, sua atuação seria limitada. Todo docente deve prever possíveis riscos de acidentes e estabelecer procedimentos para preveni‑los. 4.1 As formas de auxílio na ginástica artística A ginástica artística é um dos esportes mais belos, porém um dos mais difíceis de serem trabalhados. Isso se deve ao grande número de aparelhos em que um ginasta tem de treinar, pelas imposições físico‑motoras e pela complexidade dos movimentos, dos mais básicos aos mais avançados. De acordo com Araújo (2002, p. 13), “[...] mesmo esses elementos mais simples obrigam o cumprimento de vários pressupostos”. São eles: • motivação para a prática; • prática constante e ininterrupta da atividade ao longo de vários anos; • local para a prática bem equipado, com condições de segurança e agradável para o convívio; • professores preparados, motivados e com domínio das técnicas da modalidade. 54 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I Outro fator fundamental para o ensino da ginasta artística é a questão do auxílio. Existem diversas formas de auxílio que o treinador pode oferecer ao ginasta durante as sessões de treinamento. Citaremos alguns desses auxílios. • Material: diversos materiais são utilizados para facilitar a aprendizagem dos movimentos, como as camas elásticas, colchões de queda e aparelhos de proporções menores. Podem proporcionar mais força, menos impacto, mais segurança etc. • Metodológico: refere‑se à metodologia aplicada ao ensino da habilidade, por exemplo, as progressões pedagógicas. Os exercícios educativos devem ser bem escolhidos, de forma a promover um aprendizado partindo do mais simples em direção ao mais complexo. Outro fator que merece menção são as “dicas”, ou seja, o feedback, que deve ser constante ao longo das atividades. • Psicológico: tem por finalidade ofertar segurança e bem‑estar para que o ginasta execute adequadamente os exercícios propostos. Sempre está associada aos demais tipos de auxílio apresentados (material, manual, metodológico). • Manual: é vital para o ensino das habilidades da ginástica artística. Trata‑se do auxílio direto prestado ao executante por outra pessoa. Diferentemente de outras modalidades, a segurança no ensino de vários movimentos da ginástica artística depende desse auxílio. Lembrete O trabalho de treinador exige preparação física, portanto estar bem condicionado fisicamente é essencial para a manutenção das condições de saúde! 4.2 O auxílio manual e o bom ajudante Para o ensino das habilidades da ginástica artística, é preciso que o treinador também desenvolva técnicas específicas de auxílio manual, de forma a garantir a integridade física do aluno e a sua evolução constante. O objetivo primordial do auxílio manual é a prevenção de lesões, mas ela visa à correção do gesto técnico, além de auxiliar o aluno no processo de desenvolvimento da propriocepção. O auxílio tem de ser preciso, nem mais nem menos; auxiliar bem é ajudar no lugar certo, no momento exato e na intensidade necessária. Muita ajuda faz com que o aluno não se esforce em executar um movimento sozinho, e a pouca ajuda pode ocasionar falhas de execução ou até provocar lesões. Características do bom ajudante: • domínio sobre os movimentos ensinados; • sabe se posicionar em relação ao aluno e ao aparelho; 55 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA • possui boa preparação física para ser rápido na reação e preciso na intervenção; • está sempre atento; • sabe antecipar‑se a uma possível falha de execução, através do conhecimento das técnicas e das características pessoais do executante; • entende que a integridade física e psíquica do aluno se sobrepõe à preocupação com a precisão técnica; • protege a si mesmo, evitando sobrecargas que podem, ao longo do tempo, gerar lesões incapacitantes. Segundo Araújo (2002), podemos distinguir concretamente apenas três tipos de ajuda: a manipulação, a impulsão e a parada. Manipulação: quando o ajudante ou os ajudantes intervêm nos locais e momentos apropriados e conduzem o aluno pelas trajetórias e velocidades adequadas, de forma que o execute o elemento ou apenas parte do elemento, mas “dentro” do que se considera “boa técnica”. Trata‑se de “pegar” no aluno e “fazer com ele” o movimento. Impulsão: quando se fornecem, ao aluno, pequenos ou maiores impulsos em fases importantes do elemento, sejam para lhe fornecer amplitude de movimentos, sejam para posicioná‑lo em trajetória mais adequada, sejam para lhe dar ou manter velocidade, ritmo, fluidez ou continuidade de movimento, sejam ainda para lhe facilitar a obtenção de postura corporal ou seguimentar. Trata‑se de impulsionar no momento fulcral do movimento. Parada: normalmente no fim do elemento, a fim de facilitar a obtenção de posição equilibrada e estável do aluno. No entanto, frequentemente, o ajudante intervém em outras fases dos movimentos, travando o aluno para lhe permitir diminuir a velocidade de execução, ou chegando mesmo a interromper completamente o elemento quando se apercebe de que da sua continuidade pode ocorrer acidente. Trata‑se de parar o aluno. Em geral, quando ensinamos habilidades mais complexas, iniciamos com a ajuda por manipulação, passando pela impulsão e finalizando com a parada. O bom treinador deve saber em qual momento passar de uma para outra, através da observação constante da qualidade da execução e segurança do aluno. Muitos dos acidentes ocorridos na ginástica artística têm relação com a troca precoce ou escolha inadequada do tipo de ajuda utilizado. 4.3 Acidentes na ginástica artística Como vimos, a ajuda, quando usada adequadamente, é um fator importante na prevenção de lesões na ginástica artística. Entretanto, ela é apenas uma das formas de obstar os acidentes, que podem 56 Re vi sã o:V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I ocorrer por várias causas. Segundo Tsukamoto e Nunomura (2003, p. 104), os acidentes na ginástica artística podem ter causas intrínsecas ou extrínsecas. Podemos destacar como causas intrínsecas: • fator psicológico (emoção; medo; falta ou excesso de confiança; dependência do professor); • fator biológico (fadiga; perda da ação reflexa; preparação física e/ou aquecimento inadequados; recuperação insuficiente; presença de distúrbios fisiológicos); • disciplina (falta de atenção e concentração; não obediência ao professor e às regras; utilização incorreta dos equipamentos). Temos como causas extrínsecas: • fator pedagógico (orientação inadequada no ensino das habilidades e na utilização dos dispositivos; ajuda inapropriada); • instalações (piso; iluminação; altura do teto; espaço entre os aparelhos); • equipamentos (má conservação e/ou instalação). Com cuidados simples, pode‑se evitar a maior parte dos acidentes. Como forma de prevenção, podemos citar alguns cuidados: Em relação ao aluno, temos: manutenção da forma física e psicológica, exigir habilidades adequadas à idade e condição técnica do executante. Ordenar o uso de vestimentas adequadas: roupas justas, confortáveis e apropriadas à prática de atividades esportivas; não permitir o uso de adereços como pulseiras, correntes, brincos grandes e destacados das orelhas, anéis, relógios; cabelos longos sempre deverão estar presos com elástico, nunca com presilhas metálicas ou de plástico que possam machucar a cabeça do executante. Em geral o ginasta realiza o treinamento descalço, porém pode‑se permitir o uso de calçados adequados, no caso as sapatilhas; não convém executar a prática com meias, pois são escorregadias e podem levar a quedas. 57 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA Figura 52 – O collant é a vestimenta utilizada nos treinamentos e competições Com o local de trabalho, citamos: manutenção constante dos equipamentos, disposição adequada no espaço físico, utilização de materiais de segurança (colchões auxiliares e outros), emprego correto dos colchões para as aterrissagens e com espaço suficiente para tal, atenção a objetos pontiagudos ou salientes próximo aos aparelhos ou no solo etc. Observar a iluminação do local, evitando ambientes escuros; também se deve avaliar a disposição dos aparelhos em relação às lâmpadas, de forma a evitar que os ginastas executem movimentos com o rosto de frente para a luz. Com o professor, destacam‑se os seguintes cuidados: ajudar adequadamente nas habilidades; manter‑se fisicamente preparado para auxiliar os alunos; manter‑se atento às condições do espaço físico; observar as vestimentas e acessórios usados pelos alunos; assegurar a aprendizagem correta dos exercícios e o desenvolvimento progressivo da condição física do ginasta. Outras medidas de prevenção podem ser utilizadas: O alongamento antes e após a prática da atividade é essencial. Muitos dos movimentos realizados pelos ginastas exigem altos níveis de flexibilidade associados a movimentos explosivos, como os saltos, por exemplo; portanto, uma musculatura bem preparada no que tange à flexibilidade é um fator crucial para diminuirmos as possibilidades de lesões por estiramento, por exemplo. Já o alongamento após as atividades pode ser aplicado como forma de relaxamento; nesse caso, não se deve trabalhar no limiar do alongamento das fibras musculares, pois o músculo pode estar em fadiga e o alongamento forte pode causar acidentes. O trabalho preventivo de força é um fator importante. Uma musculatura bem desenvolvida ajuda a absorver os impactos dos movimentos e protege as articulações; existe uma infinidade de exercícios que podem ser utilizados com regularidade e servem a esse propósito específico. Destacamos, ainda, os seguintes itens: • desenvolvimento da consciência corporal; • dieta adequada para manter os níveis de energia; • trabalho conjunto com médicos e fisioterapeutas. Mesmo com todos os cuidados, as lesões na ginástica artística, como em qualquer esporte, acabam ocorrendo. Segundo Nunomura (2002), as principais incidências de lesões na ginástica artística se relacionam aos seguintes itens: • parte anatômica envolvida; • equipamentos; • níveis de habilidade; 58 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I • uso incorreto dos meios de proteção (aparelhos e ajuda manual); • ausência de aparelhos de proteção; • falta de concentração, resultante do trabalho exaustivo e repetitivo; • fragilidade do sistema musculoesquelético em crianças, gerando fraturas por estresse. 4.4 Definindo prioridades Sempre devemos analisar alguns aspectos e o que realmente importa para ensinar de forma segura nossos alunos. Então, irrompem as seguintes questões: O que fazer se queremos a todo custo ensinar uma habilidade e não dispomos dos materiais adequados? E se a série do campeonato exige a execução de determinada habilidade? Meu ginasta vai receber descontos pela falta desta habilidade? Vamos perder pontos preciosos? Deseja‑se garantir a integridade de seus ginastas? Tudo precisa ser muito bem avaliado, sem dúvida são questões que devem pautar o nosso trabalho, para podermos definir, afinal, o que é mais importante. Lembrete Os acidentes podem estar relacionados a causas extrínsecas e intrínsecas! Resumo Vimos que a ginástica artística, ou ginástica olímpica – como muitos a conhecem, tem sua origem na Antiguidade. É um dos mais tradicionais esportes olímpicos, estando presente desde a primeira edição dos jogos da era moderna, no ano de 1896, em Atenas. No Brasil a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) é a entidade responsável pela regulamentação de todas as competições oficiais das ginásticas competitivas e também dos eventos oficiais de Ginástica Para Todos, estabelecendo as normativas e elaborando os calendários dos eventos nacionais, competitivos ou não. Até o início da década de 1990 a ginástica artística ainda era muito concentrada na Europa e na Ásia. Os países da Cortina de Ferro, formada pela extinta União Soviética e países do Leste Europeu dominavam o cenário internacional. Na Ásia a já tradicional escola japonesa e a emergente China 59 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA também apresentavam bons resultados em competições. Com o fim da Guerra Fria, muitos treinadores migraram para outros países, principalmente para os Estados Unidos. Um dos mais conhecidos é Bela Karolyi, técnico da romena Nádia Comaneci, ginasta campeã olímpica em Montreal em 1976 com apenas 14 anos e primeira ginasta a alcançar a nota dez na ginástica. Nádia Comaneci foi o grande divisor de águas com relação à faixa etária das meninas que praticavam a ginástica artística, que até então tinha como base mulheres mais velhas, e a partir dela a idade precoce preponderou no feminino. Karolyi se mudou para os Estados Unidos e foi um dos responsáveis por elevar o país ao status de potência olímpica nesse esporte. No período entre 2001 e 2008, a seleção brasileira de ginástica artística feminina foi comandada pelo treinador ucraniano Oleg Ostapenko, formador de diversas medalhistas olímpicas e mundiais. Ele elevou o nível de nossas ginastas, criando a seleção permanente. Outro aspecto que destacamos nesta unidade foi sobre a história da ginástica artística. Iniciou‑se no século XIX, na Alemanha, pelo alemão Johann Friedrich Ludwing Christoph Jahn, que é considerado o pai da ginástica. Ele começou este trabalho com finalidademilitar, a fim de expulsar o exército invasor de Napoleão, mas depois foi ganhando adeptos e se expandindo pelo mundo, chegando ao Brasil através da colônia alemã, que se instalou na região Sul do país, onde teve seu início, até se tornar a ginástica artística como a conhecemos hoje. Estudamos todas as provas e aparelhos da ginástica artística atuais e ainda destacamos os aparelhos auxiliares, que são imprescindíveis para o treinamento da modalidade, desde a iniciação até o alto rendimento. Ainda relatamos que as provas comuns aos gêneros masculino e feminino são o salto sobre a mesa e os exercícios de solo. As provas exclusivamente masculinas são: cavalo com alças, argolas, barras paralelas simétricas e barra fixa; as femininas, as barras paralelas assimétricas e a trave de equilíbrio. Exercícios Questão 1. A ginástica é uma prática que envolve o esforço físico corporal na forma de apoios, suspensões, saltos, giros. Ela está presente em civilizações antigas milenares e se desenvolveu como atividade educativa, preparatória e lúdica. A ginástica artística é atualmente uma modalidade esportiva competitiva e faz parte de uma estrutura institucionalizada de forma hierarquizada a partir da FIG 60 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I (Federação Internacional de Ginástica), com sede em Lausanne, Suíça. As origens da ginástica artística estão associadas à: Figura 53 A) Ginástica francesa militar, desenvolvida pelo general Francisco Amoros para treinar as tropas de Napoleão Bonaparte. Era voltada para exercícios com pesos, marchas e sequências coreografadas na escola Joinville‑le‑Pont (1852). B) Ginástica sueca, desenvolvida por Per Henrik Ling no Real Instituto de Ginástica de Estocolmo (1813), tendo como embasamento exercícios bastante vigorosos (usando apenas o corpo) e visando à formação de um povo fortalecido. C) Ginástica dinamarquesa, desenvolvida pelo pedagogo Franz Nachtegall (1777‑1847), idealizador de uma doutrina ginástica altamente pedagógica. Em 1804 ele fundou o Instituto de Ginástica de Copenhague. D) Ginástica natural de Georges Herbert (1875‑1957), oficial da Marinha francesa e criador de um método que visava à utilização plena do corpo para vencer obstáculos naturais do meio ambiente hostil. Ele dirigiu o Colégio de Atletas de Reims (1913). E) Ginástica alemã (turnen) de Ludwig Jahn (1778‑1852), que desenvolveu profundamente a ginástica militar prussiana de cunho nacionalista e político, incitando a juventude patriótica a se preparar para as guerras de unificação da Alemanha. Resposta correta: alternativa E. Análise das alternativas A) Alternativa incorreta. Justificativa: a ginástica francesa militar teve desdobramento no desenvolvimento nas doutrinas ginásticas escolares e visava à formação física de jovens. 61 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 GINÁSTICA ARTÍSTICA B) Alternativa incorreta. Justificativa: a ginástica desenvolvida por Ling teve fundamentação patriótica, mas seu desdobramento resultou nas Ginastradas, grandes festivais mundiais de ginástica geral, ou Ginástica para Todos. C) Alternativa incorreta. Justificativa: a ginástica dinamarquesa foi uma das primeiras doutrinas modernas de ginástica e serviu de base para a ginástica de Ling na Suécia. D) Alternativa incorreta. Justificativa: a ginástica natural de Herbert se desenvolveu na França com o bombeiro David Belle e deu origem à prática do Le Parkour. E) Alternativa correta. Justificativa: Jahn criou um método de ginástica bem intensivo usando diversos aparelhos e visando à formação patriótica de jovens prussianos. Desenvolveu‑se em instituições esportivas, dando origem à atual ginástica artística. Questão 2. A ginástica artística é uma modalidade competitiva de grande destaque na atualidade e suas competições oficiais compreendem campeonatos estaduais, nacionais, Copas do Mundo, Campeonatos Mundiais e Jogos Olímpicos. A competição é composta de exercícios diferentes para homens e mulheres. Figura 54 I – Competição para homens: exercícios de solo, cavalo com alças, argolas, salto sobre a mesa, barras paralelas simétricas e barra fixa. II – Competições para homens: exercícios de solo, argolas, barra fixa, trave de equilíbrio, salto sobre 62 Re vi sã o: V ito r - D ia gr am aç ão : M ár ci o - 12 /0 1/ 20 17 Unidade I a mesa e barras paralelas assimétricas. III – Competições para mulheres: exercícios de solo, cavalo com alças, barras paralelas assimétricas e salto sobre a mesa. IV – Competição para mulheres: salto sobre a mesa, barras paralelas assimétricas, trave de equilíbrio e exercícios de solo. V – Competições para homens: exercícios de solo, cavalo com alças, argolas, trampolim acrobático e barra fixa. Estão corretas apenas as afirmativas: A) III e V. B) I e IV. C) II e III. D) IV e V. E) I e III. Resposta desta questão na plataforma.