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Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO O MUNDO TRABALHO: DA ERA AGRÍCOLA À ERA DA INFORMAÇÃO ..........................................................................................3 1. A NATUREZA COMO CENTRO DOS SISTEMAS PRODUTIVOS .......3 2. A TECNOLOGIA IMPERA NOS NOVOS MODOS DE PRODUÇÃO ...............................................................................................4 REFERÊNCIAS ...................................................................................................8 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 O MUNDO TRABALHO: DA ERA AGRÍCOLA À ERA DA INFORMAÇÃO Quando paramos para pensar a respeito de tudo o que produzimos e consumimos, intuitivamente observamos que a maneira como isso acontece tende a se modificar continuamente. Não por acaso temos essa percepção. Afinal, vivemos na era da informação, uma era na qual a velocidade e a volatilidade 1 são percebidas a olhos vistos. Mas será que sempre foi assim? Nem sempre vivemos nessa velocidade impressionante e, mesmo hoje, em pleno século XXI, há diversas comunidades em diferentes locais do planeta que produzem e consomem à moda antiga, de forma ainda arcaica, em ritmo mais lento que uma cidade urbana. Nesta aula, estudaremos como o nosso modo de produção se modificou ao longo dos séculos, desde que a humanidade se deu conta de que podia, de alguma forma, controlar e manipular alguns dos recursos do ambiente ao redor. 1. A NATUREZA COMO CENTRO DOS SISTEMAS PRODUTIVOS Antes disso, vivíamos na era nômade, quando os homens eram apenas coletores e caçadores e se deslocavam de uma parte a outra toda vez que os recursos para a sua subsistência acabavam. Partiam, assim, em busca de novas terras férteis e de novos recursos para repetir esse ciclo continuamente. Só podemos falar em processo produtivo quando esse homem nômade, após séculos de experiência acumulada como coletor e caçador, passa a distinguir diferentes tipos de vegetação e de animais em seus diferentes estágios de evolução. A era da agricultura nasce quando o homem se dá conta de que pode controlar e manipular parte dos recursos à sua volta, quando passa a ter a capacidade de interferir e de modificar seu hábitat, em outras palavras: de transformá-lo. Presume-se que essa possibilidade de transformação tenha começado há cerca de 12 mil anos em diferentes áreas do planeta bastante distantes entre si. A observação dos fenômenos cíclicos da natureza e das relações de causa e efeito permite ao homem acumular e acondicionar alimentos não apenas para a subsistência imediata, mas também para os tempos fora da colheita. Essa mudança permite que o homem passe não apenas a se assentar, mas também a utilizar o tempo de forma diferente, pois sua nova condição, ineditamente sedentária, o permite explorar outras aplicações de sua engenhosidade e criatividade em diferentes âmbitos da vida cotidiana, seja: 1. na criação das primeiras moradias, feitas principalmente de pedra, barro e madeira; 1 Conceito da química e da física que analisa a velocidade e determina a ordem de grandeza com que determinada substância muda de um estado para outro. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 2. na lida dos campos de cultivo, desde a semeadura até a colheita, especialmente de trigo, cevada, feijão, batatas, milho e alguns tipos de legumes; 3. na construção de criadouros de peixes e de pequenos reservatórios de água, já interferindo no fluxo natural das águas; 4. na criação e no pastoreio de animais como cabras, ovelhas, gado bovino e porcos; 5. na pequena produção têxtil com peles de animais e o beneficiamento do linho. 6. na confecção de utensílios de cerâmica, ornamentos e ferramentas para uso doméstico, pessoal, e também de caça, feitos especialmente de pedra e de metal. Assim, a terra se tornaria o principal fator de produção e seus donos seriam os mais poderosos, com destaque para os senhores feudais na Idade Média. Interessante destacar que em diferentes partes do mundo se observa que o surgimento da escrita se dá na era da agricultura, pois é quando surgem os primeiros registros de controle, com a marcação de ciclos, dias e quantidades. De acordo com Lévy (1994): A escrita foi inventada diversas vezes e separadamente nas grandes civilizações agrícolas da Antiguidade. Reproduz, no domínio da comunicação, a relação com o tempo e o espaço que a agricultura havia introduzido na ordem da subsistência alimentar. O escriba cava sinais na argila de sua tabuinha assim como o trabalhador cava sulcos no barro de seu campo. É a mesma terra, são instrumentos de madeira parecidos, a enxada primitiva e o cálamo distinguindo-se quase que apenas pelo tamanho. O Nilo banha com a mesma água a cevada e o papiro. Nossa página vem do latim pagus, que significa o campo do agricultor. 2. A TECNOLOGIA IMPERA NOS NOVOS MODOS DE PRODUÇÃO Após séculos e séculos com a terra como centro do sistema produtivo; os mestres e aprendizes das corporações de ofício como produtores dos bens artesanais e manufaturados que eram comercializados; e os animais como as forças motrizes responsáveis pelo transporte e funcionamento das máquinas agrícolas, a nova tecnologia de grandes máquinas inaugura um novo modo de produção. Para saber mais Corporações de ofício As corporações de ofício eram responsáveis por regulamentar e organizar o trabalho artesanal na Idade Média, por volta do século XVII. Havia três níveis na hierarquia: o mestre, o oficial e os aprendizes. Os mestres de um mesmo ofício, como alfaiates, sapateiros e ferreiros, dentre outros, estabeleciam regras de convivência que evitavam a concorrência entre os artesãos, como preço justo, uso de matérias-primas de qualidade e proibição de produtos similares que fossem de outra cidade. O mestre remunerava seus aprendizes oferecendo moradia e alimentação. Ele tinha o controle da produção e estabelecia o ritmo do trabalho. É o embrião do surgimento da burguesia. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 No século XVIII tem início a Era Industrial, especialmente na Inglaterra. As mudanças dessa era são tão profundas que é recorrente denominá-la como Revolução Industrial. As grandes estrelas são os pesados maquinários movidos inicialmente a vapor e carvão e, depois, à energia elétrica das indústrias que operam um sistema de produção mecanizado em grande escala. O novo modo de produção trouxe mudanças estruturais de ordem econômica e social. Um dos principais impactos gerados pelo maior número de trabalhadores na indústria foi o aumento do fluxo migratório do campo para a cidade, aumentando a população urbana de maneira desordenada; enquanto a diminuição de trabalhadores no campo resultou no declínio da população rural. Pela primeira vez na história temos mais pessoas nas cidades do que nos campos. De 1780 a 1880, a cidade de Londres passou de 800 mil habitantes para 5 milhões. A relação de trabalho também muda, pois, no lugar dos antigos artesãos e camponeses que detinham o controle de parte da matéria-prima e dos meios de produção, os trabalhadores na indústria passam a vender seu tempo e sua capacidade de trabalho como horistas ou empregados assalariados nas fábricas, destituídos de qualquer propriedade que garantisse o próprio sustento. Dessa forma, formam a chamada classe operária ou proletariado. Já a classe dominante é constituída pelos proprietários dos bens de produção e de capital, os chamados industriais e capitalistas. A mecanização exacerbada leva à alienação2 dos trabalhadores do processo produtivo, na medida em que muitos deles não têm ideia de como o próprio trabalho se encaixa no grande quebra-cabeça do bem que está sendo produzido. As etapas do trabalho tão divididas e repetitivas foram eternizadas, artisticamente,no clássico filme Tempos Modernos, de Charlie Chaplin, que mostra um operário completamente desmiolado apertando tudo o que vê pela frente e sendo conduzido pelas engrenagens do grande maquinário fabril. Para saber mais TEMPOS MODERNOS O filme Tempos Modernos de Charlie Chaplin mostra de forma lúdica e profunda a que ponto pode chegar a alienação no trabalho. Seu principal personagem é um operário boa-praça que se torna completamente desmiolado apertando tudo o que vê pela frente. O filme ilustra de que forma o homem se confunde com as engrenagens do maquinário fabril e de que forma a alienação pode levar à insanidade. Os trabalhadores são pouco valorizados no início desse novo sistema de produção, que é caracterizado por baixos salários, precárias condições do ambiente de trabalho e jornadas de até 18 horas de trabalho por dia. A situação das mulheres e crianças era ainda pior, pois eram submetidas às mesmas condições com salários ainda menores. Entretanto, os sindicatos, em seu papel de representação e de luta pelos trabalhadores, especialmente ao longo do século XX, obtêm conquistas importantes, como melhores salários, redução da jornada e melhores 2 O termo alienação é utilizado aqui na concepção negativa do trabalho, atribuída pelos filósofos Karl Marx e Georg Wilhelm Friedrich Hegel, uma vez que, na produção industrial, a excessiva fragmentação do processo produtivo impede que o homem se realize e humanize por meio de uma das dimensões mais importantes de sua expressão e habilidades que é o trabalho. Ao não reconhecer sua contribuição no processo produtivo superespecializado, ele se desumaniza e se escraviza. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 condições do ambiente de trabalho. Essas definições passam a ser regulamentadas pelas legislações trabalhistas e pelas indústrias. Na evolução da Era Industrial surge uma nova categoria de trabalhadores chamada de white collar (colarinhos- brancos), que são os trabalhadores que ocupam cargos de chefia, de supervisores a diretores, representando o interesse do capital. Os demais trabalhadores são os blue collar (camisas azuis), em menção ao uniforme dos trabalhadores fabris. Na Era Industrial surgem condições objetivas para a produção em massa, a prática de excedentes e o consumo sem precedentes, pois no processo produtivo artesanal não era possível produzir uma grande quantidade de produtos e ter excedentes vultosos em virtude da própria capacidade produtiva. Em meados do século XX, surgem os primeiros sinais da Era da Informação. Também chamada de pós- modernismo, pós-capitalismo, era do conhecimento ou era do espetáculo, inaugura-se uma era em que a tecnologia de informações e o setor de serviços se sobrepõem ao setor industrial como principais vetores da economia. Um mundo em que as comunicações e o processo de globalização transcendem o espaço físico e a materialidade. Especialmente com o surgimento da internet, trocamos a tangibilidade pela intangibilidade, o concreto pelo abstrato, a função pelo design. Um mundo onde os símbolos e os signos desempenham papéis tão ou mais importantes do que a própria matéria-prima e a funcionalidade de um bem adquirido. O mundo caminha rumo ao que o grande teórico da comunicação McLuhan denominou de “aldeia global”, ou ainda ao que o artista plástico Andy Warhol mostrou em suas reproduções das latas de sopa Campbell’s e de Marilyn Monroe antecipando os “15 minutos de fama” que todos teríamos nos reality shows da TV. Figura 1 – Reproduções de Andy Warhol. No mercado de consumo, o foco sai do produto e vai para o consumidor. A produção em massa das sociedades industriais cede espaço para produtos personalizados tanto quanto possível. Assim, a humanidade encontra-se na passagem para um novo paradigma, na transição para um novo modo de utilização dos recursos materiais, bem como de novas formas de expressão do ponto de vista sociocultural. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 De acordo com Pierre Lévy (1994), a tecnologia de informações é uma nova linguagem que sucede a oralidade e a escrita. Tanto os teóricos simpáticos à tecnologia quanto os céticos em relação a ela têm em comum a abordagem de que a tecnologia de informação conduzirá o homem moderno a uma nova forma de comunicar, de gestar o conhecimento da humanidade e de interagir com o mundo. Não é por acaso que as áreas que mais se sobressaem na era da informação são aquelas fortemente ligadas à linguagem, a saber: a comunicação, a cibernética, a informática e a telemática (SARAIVA, 1995). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Iniciação à teoria das organizações. Barueri: Manole, 2010. LÉVY, P. As tecnologias da inteligência – O futuro do pensamento na era da informática. Rio de Janeiro: Editora 34, 1994. SARAIVA, E. C. O executivo na era digital. Monografia de Mestrado. São Paulo, EAESP/FGV, 1995. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. A ADMINISTRAÇÃO COMO CIÊNCIA ...................................................3 2. ABORDAGEM CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO ................................5 2.1. Administração científica: pode me chamar de Taylorismo ....................5 2.2.Fordismo ........................................................................................................6 2.3. Teoria clássica da Administração ...............................................................6 3. ABORDAGEM HUMANÍSTICA DA ADMINISTRAÇÃO .......................7 4. ABORDAGEM NEOCLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO ........................7 5. ABORDAGEM ESTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO ..................8 6. TEORIA COMPORTAMENTAL OU BEHAVORISTA DA ADMINISTRAÇÃO...........................................................................................9 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 10 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 11 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 AS PRINCIPAIS ESCOLAS DE ADMINISTRAÇÃO E ABORDAGENS ORGANIZACIONAIS Existe um ditado que diz “Nada mais prático do que uma boa teoria”. Essa talvez seja uma das principais razões pelas quais tantas teorias, modelos e metodologias são desenvolvidos e documentados. Alguns deles, inclusive, chegam a ser patenteados e só podem ser utilizados por organizações e pessoas credenciadas, a fim de garantir o seu padrão de qualidade e identidade. No caso das teorias e abordagens administrativas e organizacionais, o conhecimento de que dispomos pode ser dividido em duas grandes linhas: 1. as teorias, os modelos e metodologias que explicam os porquês das situações de trabalho e de negócios observadas na prática; e 2. as teorias, os modelos e metodologias que propõem melhorias e inovações do ambiente organizacional e das práticas de negócios por meio de conceitos, ferramentas e modelos de gestão, tema de nosso componente curricular. As duas teorias apresentam justificativas e explicações próprias e configuram o que é denominado como um “campo de conhecimento” da Administração e/ou Gestão. Há muita polêmica com relação às duas denominações, como se significariam o mesmo conceito ou se haveria diferenças. O fato é que no Brasil a maioria das escolas desse ramo se autodenomina “Escola de Administração”. Em outras palavras, os cursos oferecidos e o diploma são de Administração; e a entidade de classe de seus profissionais é o Conselho Regional de Administração (CRA). Entretanto, é interessante observar que, após o início da atividade profissional – não apenas no domínio das organizações, mas nos próprios cursos de educação continuada, oferecidos por essas escolas –, os termos de referência mudam para gestore gestão. Portanto, não se preocupe com as duas terminologias, pois ambas são utilizadas para o mesmo campo de conhecimento. 1. A ADMINISTRAÇÃO COMO CIÊNCIA Foi apenas no início do século XX que a Administração se configurou num campo de conhecimento próprio e ganhou status de ciência. Inicialmente se constituiu com base nos conhecimentos da engenharia e, aos poucos, foram adicionados os conhecimentos da psicologia, da antropologia e da sociologia. Numa fase posterior, a biologia, a física quântica e o design também passaram a integrar a visão administrativa e de gestão que herdamos nos tempos atuais. O surgimento da Administração como ciência tem muito a ver com a visão cartesiana – nome derivado de quem a desenvolveu, René Descartes1 . Os princípios estabelecidos por Descartes no “Discurso do Método” influenciaram não apenas a concepção da administração moderna, mas de todas as áreas da ciência. Nossa visão 1 Descartes (1596-1650) foi um filósofo, matemático e físico francês, considerado o fundador da filosofia moderna, figura-chave na revolução científica. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 do que é racional, objetivo, pragmático e científico, em síntese do que pode ou não ser considerado ciência, fundamenta-se nos princípios desse discurso, a saber: 1. Princípio da dúvida sistemática ou da evidência: não aceitar como verdadeira coisa alguma, enquanto não se souber com evidência, clara e distintamente, aquilo que é realmente verdadeiro. Com essa dúvida sistemática, evita-se a precipitação. 2. Princípio da análise de decomposição: dividir e decompor cada dificuldade ou problema em tantas partes quantas sejam possíveis e necessárias à sua melhor adequação e solução, e resolvê-las cada uma separadamente. 3. Princípio da síntese ou composição: conduzir ordenadamente os nossos pensamentos e o nosso raciocínio, a partir dos objetivos e assuntos mais fáceis e simples de se conhecer, para passarmos gradualmente aos mais difíceis. 4. Princípio da enumeração ou da verificação: fazer, em tudo, recontagens, verificações e revisões tão gerais que seja certificado que nada foi omitido ou deixado de lado. É visível como seguimos como produtores – e exigimos como usuários e consumidores – que os princípios estabelecidos por Descartes sejam considerados nas diversas esferas da vida. Quando atravessamos uma ponte, fazemos um exame laboratorial, dirigimos um veículo, acompanhamos um julgamento ou compramos um produto, esperamos que quem nos forneceu todos esses bens e serviços tenha: construído uma ponte que sustente o peso de seus transeuntes, identificado a patologia corretamente, fabricado um acelerador e um breque que funcionem, remetido as provas periciais aos verdadeiros envolvidos, e especificado corretamente a composição e o peso indicados nos rótulos. Não poderia ser diferente. Afinal, esses princípios nos asseguram confiança e previsibilidade. Entretanto, nem todas as situações podem ser previstas e conduzidas pelo famoso “Manual de Instruções”. Há muitas situações no mundo do trabalho que não é possível prever e não possuem um passo a passo, especialmente quanto às relações humanas e às ofertas de bens e serviços que dependem das escolhas dos humanos. Em função disso, outros domínios do conhecimento humano passaram a integrar a Administração, como: a psicologia, filosofia, sociologia, antropologia, física quântica e biologia. Para se caracterizarem como ciência, todas essas áreas devem seguir os princípios de Descartes, mas trazem também outros tipos de explicação e abordagem não necessariamente comprováveis e verificáveis pela visão cartesiana. Por isso, criou-se um jargão nas organizações que diz: “Você tem uma visão muito cartesiana”. Em geral, esse jargão é usado quando uma pessoa não apresenta olhares mais amplos que levem em conta o ambiente à volta. Assim, atém-se exclusivamente ao que pode ver, comprovar e verificar. Por essa razão, a Administração está no campo das ciências humanas e contém um pouco de tudo, mas com fortes ares de ciência. Se você se aprofundar nas diversas teorias, verá que, mesmo nos conceitos fortemente relacionados às ciências humanas, como o comportamento organizacional, deve haver comprovações e demonstrações para a tomada de decisões no mundo organizacional. E não poderia ser diferente. Afinal, para ser considerado ciência, o viés cartesiano tem de estar presente. Portanto, todas as teorias e abordagens organizacionais seguem esse caminho e são influenciadas pelas concepções das áreas de exatas, humanas e biológicas, em maior ou menor grau. Trata-se de uma área fascinante em que você poderá aprender conceitos múltiplos, desde a escola mais tradicional, formal e cartesiana – em que Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 tudo é medido, comprovado, contado; até chegar a derivas bastante abertas que consideram conceitos como a intuição, a visão sistêmica e a complexidade. 2. ABORDAGEM CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO 2.1. Administração científica: pode me chamar de Taylorismo O marco inicial é a contribuição de Frederick Winslow Taylor (1856-1915), engenheiro americano, considerado o “pai da Administração” e o criador da teoria da administração científica. Taylor contribuiu de várias formas para o mundo do trabalho que herdamos até hoje. Entre suas contribuições, destaca-se a Organização Racional do Trabalho (ORT), um corolário de definições que estabelece as melhores condições e a melhor maneira de desenvolver determinado trabalho, sempre com base em métodos científicos, a saber: 1. Análise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos 2. Estudo da fadiga humana 3. Divisão do trabalho e especialização do operário 4. Desenho de cargos e tarefas 5. Incentivos salariais e prêmios de produção 6. Homo economicus2 : considera apenas o aspecto racional do homem. 7. Condições ambientais de trabalho 8. Padronização de métodos e máquinas 9. Supervisão funcional A análise de Taylor dos tempos e movimentos mudou completamente a relação do trabalhador com o trabalho, numa época em que os próprios trabalhadores determinavam o ritmo e a maneira de realizá-lo. Ele observou como eles executavam o trabalho e concluiu que podia dividi-lo em tarefas. Assim, para cada tarefa descreveu seus movimentos e estabeleceu o tempo necessário e a melhor maneira de realizá-la, ou seja, identificou o padrão que todos os trabalhadores deveriam seguir. A modernização dos processos do trabalho na indústria, obedecendo a uma orientação científica nas suas observações e experimentações, é uma herança cartesiana, com forte base na engenharia. Trata-se do início de uma forma profissional e prescritiva de executar o trabalho; e é também o início da alienação do trabalhador 2 O conceito de homo economicus, ou “homem econômico”, prega que o homem é um ser racional, movido pelo interesse pessoal, não influenciado por fatores externos, perfeitamente informado e centrado em si próprio. As críticas a essa definição se justificam já que essa visão desconsidera o homem na sua integralidade, especialmente nos aspectos subjetivos, fortemente influenciados pelas dimensões social, psicológica, ética e cultural. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 de seu próprio fazer. Esse é o contexto de época retratado por Charlie Chaplin em seu famoso filme Tempos modernos. 2.2.Fordismo O fordismo, renomado processo de produção industrial fundado por Henry Ford (1863-1947), constitui a base que orienta a produção industrial nos mais diferentes setores até os dias de hoje, por meio de ações como: • produção em massa (grandes quantidades); • linha de montagem (um aumento espetacular da produtividade: a montagem do chassis passou de 12 horas e 28 minutos para 1 hora e 33 minutos!); • verticalização do processo de produção (produzir desde a matéria-prima até o produtofinal), e • padronização (o carro Ford T: um único modelo, uma única cor). Além disso, o fordismo considerou os trabalhadores como potenciais consumidores oferecendo-lhes condições de trabalho e salários diferenciados. 2.3. Teoria clássica da Administração Com Taylor, Henri Fayol (1841-1925), engenheiro francês, é um dos fundadores da Administração moderna. Fayol concentrou-se em demonstrar que previsão científica e métodos adequados de gerenciamento produzem resultados satisfatórios. Enquanto Taylor concentrou seus esforços na tarefa, Fayol ampliou a visão para a organização como um todo. Ele foi o primeiro a pensar a administração como uma função em si mesma a fim de ordenar todas as demais funções. É dele a criação da base para divisão das áreas e o detalhamento das funções administrativas, ambos muito utilizados até os hoje, conforme você pode comprovar no quadro a seguir: Quadro 1 – Duas das principais contribuições de Fayol para a Administração. Criação da base para divisão das áreas Detalhamento das funções administrativas • Técnica: produção. • Planejar: prever/visualizar o futuro e traçar o programa de ação. • Comercial: compra, venda e troca. • Organizar: constituir o duplo organismo material e social da empresa. • Financeira: obtenção e aplicação de capital. • Comandar: dirigir e orientar o pessoal. • Segurança: proteção da propriedade e das pessoas. • Coordenar: ligar, unir, harmonizar todos os atos e todos os esforços coletivos. • Contábil: regitro, apuração e estatística. • Controlar: verificar que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas. • Administrativa: planejamento, organização, comando, coordenação e controle. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 3. ABORDAGEM HUMANÍSTICA DA ADMINISTRAÇÃO Em oposição à abordagem clássica, a abordagem humanista surge da necessidade de “humanizar” a administração. Privilegia o homem e as relações que se estabelecem entre os grupos de trabalhadores, incluídos os aspectos sociais, antropológicos e psicológicos. É o início das pesquisas sobre personalidade, motivação, liderança, comunicações e as relações interpessoais. O criador da teoria das relações humanas é George Elton Mayo3 , responsável pela pesquisa de Hawthorne, por meio da qual concluiu que os fatores psicológicos e sociais – como a liberdade para trabalhar; a valorização e o reconhecimento do trabalho; e os grupos informais – interferem na produção e que o ser humano não funciona como uma máquina que, sob as mesmas condições, produz sempre a mesma quantidade. Num contexto em que o campo da Administração estava exclusivamente direcionado para a objetividade e o mecanicismo da Abordagem Clássica, a contribuição humanista teve especial importância, conforme visualizamos no quadro a seguir: Quadro 2 – Comparação entre a perspectiva clássica e humanística Perspectiva clássica Perspectiva humanística • Trata a organização como máquina. • Trata a organização como grupos de pessoas. • Enfatiza as tarefas ou a tecnologia. • Enfatiza as pessoas. • Inspirada em sistemas de engenharia. • Inspirada em sistemas de psicologia. • Autoridade centralizada. • Delegação de autoridade. • Linhas claras de autoridade. • Autonomia do funcionário. • Especialização e competência técnica. • Confiança e abertura. • Acentuada divisão do trabalho. • Ênfase nas relações entre as pessoas. • Confiança nas regras e nos regulamentos. • Confiança nas pessoas. • Clara separação entre linha e staff. • Dinâmica grupal e interpessoal. Fonte: CHIAVENATO (2010, p. 46). 4. ABORDAGEM NEOCLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO A abordagem neoclássica da Administração não é uma escola, mas um movimento heterogêneo que estabelece a Administração como técnica social básica, em que objetivos e resultados são alcançados por meio das pessoas. Essa máxima é desenvolvida até hoje nos mais diversos modelos de gestão. Portanto, sua contribuição é a análise profunda de uma série de conceitos sobre a organização e a melhor maneira de administrar, como divisão do trabalho e tipos de organização; centralização e descentralização; hierarquia, autoridade, responsabilidade e delegação; níveis organizacionais: Institucional, intermediário e operacional; e eficiência e eficácia organizacional, dentre outros. Uma de suas mais importantes contribuições foi a Administração por Objetivos (APO), elaborada pelo 3 Mayo (1880-1949), australiano, antropólogo, médico e professor de filosofia mental e moral. Professor da Harvard School of Business Administration. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 fundamental Peter Drucker, maior teórico – e guru – da Administração na segunda metade do século XX. A APO baseia-se nos princípios da descentralização e da Administração por resultados por áreas-chave. Esse modelo possibilita aos gestores estabelecer objetivos e endereçá-los por toda a estrutura, em consonância com as metas gerais da organização, fixadas pelos acionistas no início do exercício fiscal. Os objetivos devem ser quantificáveis, relevantes e desafiadores. 5. ABORDAGEM ESTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO A abordagem estruturalista surge para suprir a incipiente teoria elaborada pela visão clássica e também para se contrapor à ingenuidade das relações humanas. Com base no estruturalismo e na burocracia, essa abordagem reconhece a organização como uma unidade social grande e complexa, ao mesmo tempo que traz orientações para reduzir a variabilidade organizacional. O estruturalismo é um método analítico e comparativo que estuda o todo e o relacionamento entre as partes, ou seja, para essa escola, o todo difere da soma das partes. Trata-se de uma herança do filósofo pré-socrático Heráclito (c. 540 a.C.-470 a.C.), que afirmava que a estrutura é que nos permite reconhecer o mesmo rio, embora suas águas jamais sejam as mesmas. A burocracia, ao contrário do que considera o senso comum, foi criada a fim de possibilitar a máxima eficiência das organizações, com base em normas conhecidas por todos, critérios objetivos, mérito e competência. O modelo burocrático foi desenvolvido por Max Weber4 , que notou, acertadamente, que a tendência de vários setores da sociedade – religioso, educacional e econômico – em adotar modelos com base em critérios objetivos, a fim de evitar favorecimentos, seria uma realidade concreta em grande escala no Estado moderno. Além disso, o próprio Weber nos alertou para as disfuncionalidades da Burocracia, pois seu excesso de impessoalidade poderia conduzir a uma situação oposta à ineficiência. Não por acaso, utilizamos os termos entrave burocrático ou burocracia, em sua acepção negativa, quando, por exemplo, não somos atendidos pelo serviço público ou somos privados das organizações com as quais interagimos. Quadro 3 – As características e as disfunções da burocracia. Características da burocracia Disfunções da burocracia 1. Caráter legal das normas 1. Internalização das normas 2. Caráter formal das comunicações 3. Excesso de formalismo e papelório 4. Divisão do trabalho 5. Resistência às mudanças 6. Impessoalidade no relacionamento 7. Despersonalização no relacionamento 8. Hirarquização da autoridade 9. Categorização nas decisões 10. Rotinas e procedimentos 11. Superconformidade às rotinas 12. Competência técnica e mérito 13. Bitolamento e miopia 14. Especialização da administração 15. Exibição de sinais de autoridade 16. Profissionalização dos ocupantes 17. Dificuldades com os clientes Previsibilidade do comportamento Imprevisibilidade do comportamento Fonte: CHIAVENATO ( 2004, p. 89). 4 Weber (1864-1920) foi um intelectual alemão de enorme importância e um dos fundadores da Sociologia. Além disso, desenvolveu conceitos relacionados ao poder e aos diferentes tipos de dominação. Seu trabalho mais famoso, A ética protestante e o espírito do capitalismo,traça os paralelos entre as duas esferas que dão nome ao livro. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 6. TEORIA COMPORTAMENTAL OU BEHAVORISTA DA ADMINISTRAÇÃO Esta teoria, além de ser um desdobramento da escola de relações humanas, é uma crítica ferrenha à escola clássica. Comportamento é um conceito herdado da psicologia e entendido como a maneira pela qual o indivíduo age ou reage em suas interações com o meio ambiente e os estímulos que dele recebe. Portanto, é observável. A ênfase no comportamento para entender a natureza humana nas organizações gerou importantes teorias, dentre as quais destacam-se: Quadro 4 – Teorias comportamentais Teóricos e suas teorias Resumo do que a teoria estabelece Maslow Pirâmide das necessidades humanas O ser humano é visto de forma integrada e dinâmica nos seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Hertzberg Fatores motivacionais X fatores higiênicos Fatores motivacionais geram satisfação e sua relação é com o conteúdo do cargo: trabalho em si, reconhecimento e progresso profissional. Fatores higiênicos apenas geram insatisfação quando ausentes e sua relação é com o contexto do cargo: ambiente, condições de trabalho, salário, benefícios e relações com o supervisor. Hertzberg Enriquecimento do cargo O trabalho pode ser fonte de realização e há estratégias para que seja enriquecido, como rodízio de funções, aumento das responsabilidades e desafios. McGregor Teoria X e Y As convicções que os gestores têm da natureza humana determinam a maneira como tratam as pessoas. Os de tipo X acreditam que o ser humano é indolente, portanto são gestores mais autoritários, que estabelecem sistemas de gestão mais controladores; enquanto os de tipo Y acreditam que o ser humano tem motivações e busca responsabilidades, portanto são gestores mais democráticos e flexíveis, que criam oportunidades de desenvolvimento nos processos de trabalho. Chris Argyris Objetivos individuais e organizacionais O conflito entre objetivos organizacionais e individuais é inevitável, mas se integrados geram maior produtividade. As organizações podem contribuir muito para aprimorar o potencial e o desenvolvimento do indivíduo. Processo decisório As decisões racionais são as possíveis, não necessariamente as melhores, pois o conhecimento depende da percepção do ambiente e das características pessoais de quem decide. Liderança Desenvolve o papel, os estilos e a perspectiva humana da liderança. Afirma que liderança é uma habilidade que pode ser aprendida e desenvolvida. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 Vários dos conceitos dessas teorias foram assimilados pelas organizações em suas políticas e modelos de gestão e têm orientado muitas das decisões gerenciais quanto à gestão de pessoas e aos impactos das mudanças organizacionais. CONSIDERAÇÕES FINAIS As teorias apresentadas nesta aula fundamentam a base teórica da administração como ciência. Muito do que pensamos sobre as organizações tem origem nos conceitos e pressupostos que foram aqui apresentados. Essa é a fonte que possibilita o surgimento das teorias modernas de gestão que teremos a oportunidade de conhecer na próxima aula: Teoria dos Sistemas, desenvolvimento organizacional, abordagem contingencial e a Responsabilidade Social Empresarial. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria da Administração – edição compacta. São Paulo: Makron Books, 2004. ____. Iniciação à Teoria das Organizações. Barueri-SP: Manole, 2010. HALL, H. R. Organizações: estruturas, processos e resultados. 8. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004. MORGAN, G. Imagens da organização. Tradução Cecília Whitaker Bergamini e Roberto Coda. São Paulo: Editora Atlas, 1996. WEBER, M. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. TEORIA DOS SISTEMAS ..............................................................................................3 2. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL ..............................................................4 2.1. Estudo do clima e da cultura organizacional ................................................................ 5 2.2. Análise transacional ......................................................................................................... 5 2.3. Modelos de D.O. ............................................................................................................... 5 3. ABORDAGEM CONTINGENCIAL ..............................................................................5 4. RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL (RSE) .............................................7 5. OS PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS PELAS EMPRESAS NA RSE .......10 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................11 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................12 Links interessantes ................................................................................................................. 12 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 AS TEORIAS MODERNAS DE GESTÃO E A RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL A partir da base de conhecimento trazida pelas escolas de Administração e do estabelecimento da Administração como um campo da ciência, foi possível ampliar a visão mecanicista1, psicológica e social para uma visão holística2. Assim, conceitos da física quântica e da biologia passaram a integrar o universo de referências dos teóricos da Administração, produzindo as concepções modernas de gestão, como a Teoria dos Sistemas, o desenvolvimento organizacional e a abordagem contingencial. Nesta aula teremos a oportunidade de entender os principais conceitos dessas teorias e apresentar um dos mais recentes modelos de gestão, a Responsabilidade Social Empresarial (RSE). Vamos a eles! 1. TEORIA DOS SISTEMAS A Teoria dos Sistemas nasce no contexto pós Segunda Guerra Mundial, quando já se percebia o quanto a realidade afetava a todos; num ambiente de superespecialização em que as áreas do conhecimento tendiam para um forte isolamento. Não por acaso, surge a Teoria Geral dos Sistemas, cujos principais trabalhos foram apresentados entre 1950 e 1968, pelo biólogo alemão, Ludwig von Bertalanffy, que propunha uma nova visão para as ciências, de forma não compartimentalizada. Em linhas gerais, Bertalanffy estabelecia que havia algo em comum entre todas as ciências e que era possível pensar em algo mais integrado e relacionado, com base nas seguintes premissas: 1. Os sistemas são abertos e comunicam-se entre si, trocando, assim, características entre si (por exemplo: recebo do fornecedor a matéria-prima e repasso para o mercado o produto; recebo uma pergunta no telemarketing e devolvo uma resposta); 2. Há sistemas dentro de sistemas (por exemplo: a organização está dentro de um bairro, que por sua vez está dentro de uma cidade, que por sua vez está dentro de um país. O mesmo exemplo vale para o contexto organizacional, pois a organização possui sistemas e subsistemas internos, na medida em que um setor é subordinado a uma gerência, que é subordinada a uma diretoria; que é subordinada a uma presidência; que, por sua vez, pertence a um ramo de atividade de determinado setor); 3. s funções de um sistema dependem de sua estrutura (por exemplo: a mesma função em outra estrutura sofrerá mudanças). A princípio, parece difícil imaginar de que forma essas premissas poderiam ser relacionadas ao campo da Administração e das ciências em geral – e essa é uma das críticas feitas à Teoria Geral dos Sistemas. Entretanto,1 A visão mecanicista está traduzida na Administração científica e na teoria clássica da Administração elaboradas por Taylor e Fayol. É a expressão metafórica do homem-máquina e da empresa linear, organizada e previsível. Essa visão concebe a realidade objetiva, regida por leis da física de Newton e da matemática exata e estabelece a relação de causa e efeito de forma linear e unidirecional. 2 A visão holística está traduzida na Teoria dos Sistemas, na abordagem contingencial e no pensamento complexo. Ela é multicausal, por reconhecer a interferência de fatores não relacionados diretamente entre si como relevantes na dinâmica que se estabelece na realidade, incorpora o contexto e estabelece relações entre as partes. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 quando observamos a maneira como nos referimos a uma série de assuntos de diversas áreas da ciência, constatamos que há forte influência dessa proposição, pois falamos sobre “sistemas sociais”, “sistemas econômicos”, “sistemas políticos”, “sistemas de gestão” e assim por diante. Portanto, intuitivamente, entendemos que uma realidade não acontece isolada de algum tipo de associação ou estrutura. Assim, a principal herança quando transpomos a Teoria dos Sistemas para o âmbito da Administração é considerar a organização como um “sistema aberto” em que: 1. A relação da organização com o meio ambiente a modifica e vice-versa; 2. A organização é também um sistema constituído por outros sistemas interdependentes em que a mudança em uma das partes provoca mudanças em toda a estrutura; 3. A organização busca equilíbrio constante nesse processo dinâmico e sua permeabilidade com o ambiente pode ser maior ou menor dependendo das barreiras impostas por suas fronteiras e limites. Figura 1 – A organização como um Sistema Aberto Fonte: SOBRAL e PECI (2012, p. 133). A partir dessa concepção, foi possível pensar a organização de forma holística, ou seja, quando o todo é maior do que a soma das partes; e também como um sistema complexo, formada por subsistemas. Graças a esse entendimento, podemos entender que a plasticidade dos processos de mudança e também a adaptabilidade organizacional se dão a partir do contexto em que a organização se situa e dos processos de troca estabelecidos. 2. DESENVOLVIMENTO ORGANIZACIONAL O desenvolvimento organizacional, mais conhecido no jargão das organizações como D.O., nasce em 1960 com o intuito de criar ferramentas e conceitos que auxiliem na gestão dos processos de mudança organizacional. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Seu mérito foi juntar a Teoria Comportamental e a Teoria dos Sistemas. Em sua abordagem, grande parte dos conceitos é explicada pelos tipos de relacionamentos interpessoais e pela cultura organizacional. O D.O. emerge da tentativa de alguns consultores em aplicar grande parte dos conhecimentos comportamental e sistêmico que se tinha das organizações. Para tanto, esses consultores criaram modelos e aplicações práticas para o gerenciamento das mudanças, com destaque para Leland Bradford (o pai do movimento), Warren Bennis, Edgard Schein, Chris Argyris, entre outros. As ferramentas e os conceitos mais destacados da D.O. são: 2.1. Estudo do clima e da cultura organizacional Toda organização tem sua identidade baseada na sua história e no conjunto de crenças, valores e atitudes de seus membros. A leitura desse contexto é fundamental para gerenciar os processos de mudança, desde o diagnóstico da situação até a sensibilização das pessoas para a necessidade da mudança. Sem isso, corre-se o risco de não atingir esse propósito. 2.2. Análise transacional Especialmente utilizada para trabalhar o relacionamento entre membros de uma mesma equipe ou empresa, a análise transacional pressupõe que nosso relacionamento com as outras pessoas é determinado por três estados que podemos assumir nessa relação: dominador (o pai); submisso (a criança) ou maduro (o adulto). Por meio dessa reflexão, procura-se esclarecer melhor como nos comunicamos e como somos percebidos pelos outros. 2.3. Modelos de D.O. Há dois modelos principais: o primeiro deles é a grade gerencial, que é uma forma de pontuar e traduzir, em linguagem numérica, o grau de importância que o gestor atribui à produção e às pessoas em seu processo de gestão – atualmente, poderíamos considerar o mesmo, substituindo produção por resultado, pois esse binômio é bastante presente. Esse modelo apresenta também os passos para que o processo de mudança aconteça de forma integrada entre todos os setores da organização, por meio de reuniões entre as áreas, estabelecimento de objetivos e avaliação de resultados. O segundo deles é o modelo de Lawrence e Lorsch, que estabelece as quatro fases do processo de desenvolvimento organizacional: diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação. 3. ABORDAGEM CONTINGENCIAL Fortemente influenciada pela Teoria dos Sistemas, a abordagem contingencial procura explicar por que as organizações reagem de forma diferente aos processos de mudança, e identificar os padrões de estruturas e de configurações que mais contribuem para o seu sucesso nos diferentes ambientes. Assim, deixa-se de lado a universalidade de regras que seriam aplicadas a todo e qualquer contexto, conforme estabelecido por Taylor e Fayol, fundadores da abordagem clássica da Administração, e entra-se no relativismo das possibilidades e realidades múltiplas. A adequação e o que é bom para determinada pessoa já não é Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 necessariamente adequado e bom para o outro. Portanto, a máxima dessa teoria diz que os resultados dependem das circunstâncias e que o administrador pode e deve lançar mão de diferentes estratégias e alternativas para alcançar determinado resultado. A grande contribuição dessa abordagem é identificar os fatores que interferem nessa melhor adequação. Afinal, em função do que a contingência ocorre? As contingências mais estudadas têm sido: 1. Incerteza e complexidade do ambiente externo: quanto mais inconstante e imprevisível o ambiente, mais mutável e flexível a organização deve ser. 2. Tamanho da organização: o número de funcionários, a quantidade produzida ou o número de contatos realizados têm enorme interferência no tipo de estrutura da organização e nas relações interpessoais que se estabelecem entre as pessoas. 3. Tecnologia: forte condicionante não apenas do modo de fazer e operar a transformação de um insumo em produto, mas também dos tipos de controle, estilos de comando e estrutura necessários. 4. Tarefas: o nível de complexidade da tarefa define diferentes tipos de coordenação e integração a fim de alcançar o resultado esperado ou de inovação. Assim, uma tarefa simples exige de seus integrantes um tipo de interação diferente do que exigiria uma atividade complexa; e é essa concatenação que interfere significativamente no ambiente organizacional. Figura 2 – A Teoria das Contingências do projeto organizacional. Fonte: SILVA (2008, p. 333). Portanto, as principais contribuições dessa abordagem para o melhor funcionamento da organização consideram a estrutura, a estratégia, o desenho da organização, o nível de complexidade da tarefa e o ambiente. Dentre suas principais contribuições, estão os estudos dos professores da Harvard Business School – a mais importante escola de administração do mundo –, Paul R. Lawrence e Jay W. Lorsch, que descobriram que, quanto maior a unidade de integração e cooperação interna, melhor sua possibilidade de troca e interação com o meio ambiente e melhor seu desempenho e maior sua competitividade. Também uma importante pesquisa mostrou que organizações que lidam com ambientes turbulentos precisam de uma estrutura adaptável e flexível; enquanto organizações imersas em ambientes estáveis podem ser do tipo mecanicista. Essa foi uma distinçãoimportante para definir os sistemas mecânicos e orgânicos de administrar. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Suas principais características podem ser vistas no quadro comparativo a seguir: Quadro 1 – Características dos sistemas mecânicos e orgânicos Características Sistemas mecânicos Sistemas orgânicos Estrutura organizacional Burocrática, permanente, rígida e definitiva. Flexível, mutável, adaptativa e transitória. Autoridade Baseada na hierarquia e no comando. Baseada no conhecimento e na consulta. Desenho de cargos e tarefas Definitivo. Cargos estáveis e definidos. Ocupantes especialistas e univalentes. Provisório. Cargos mutáveis redefinidos constantemente. Ocupantes polivalentes. Processo decisório Decisões centralizadas na cúpula da organização. Decisões descentralizadas ad hoc (aqui e agora). Comunicações Quase sempre verticais. Quase sempre horizontais. Confiabilidade Regras e regulamentos formalizados por escrito e impostos pela organização. Pessoas e comunicações informais entre as pessoas. Princípios predominantes Princípios gerais da perspectiva clássica. Aspectos democráticos da perspectiva humanística. Ambiente Estável e permanente. Instável e dinâmico. Fonte: CHIAVENATO (2010, p. 167). A abordagem contingencial considera de forma integrada e sistêmica as contribuições e os conhecimentos desenvolvidos pelas escolas que a precederam. Ela representa, de forma eclética e promissora, a última fronteira a que chegamos de forma estruturada nas teorias da Administração, pois nos permite criar possibilidades de atuação variadas e desafiadoras no ambiente organizacional. A mais recente dessas possibilidades é a Responsabilidade Social Empresarial. 4. RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL (RSE) Segundo o Instituto Ethos3, Responsabilidade Social Empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais que impulsionem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais. A Responsabilidade Social Empresarial nasce no bojo do movimento ecológico, que convoca todas as instituições e pessoas para a necessidade de equilibrar os recursos utilizados do planeta sob pena de arriscarmos a sobrevivência da humanidade. As organizações são um vetor de fundamental importância, pois é a partir delas que a maior parte dos recursos é produzida e comercializada. Desenvolvimento sustentável refere-se à linha ecológica adotada pelas organizações – e não necessariamente 3 O Instituto Ethos é a entidade brasileira mais representativa dessa tendência, responsável por orientar as empresas e estabelecer os indicadores na RSE. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 considerada válida por ecologistas mais radicais. Sua definição, estabelecida pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, é: “Um processo que permite satisfazer as necessidades da população atual sem comprometer a capacidade de atender às gerações futuras”. Em outras palavras, o desenvolvimento sustentável presume que é possível manter as duas possibilidades: consumir e preservar o meio ambiente. Assim, a RSE surge como uma possibilidade para que as organizações resgatem seu papel maior que é devolver à sociedade e à natureza os benefícios e recursos que contribuem para sua riqueza, permitindo, assim, que continuem a prosperar de maneira sustentável. Nessa forma de gestão, a dimensão ética pode ser assumida profundamente, uma vez que ética tem a ver com o entendimento de que as decisões organizacionais não são neutras, trazem implicações e afetam a vida das pessoas e do contexto. Na empresa socialmente responsável, a filosofia, a estratégia, o modelo de gestão e, consequentemente, os processos de tomada de decisão consideram os fatores econômicos, sociais e ambientais de forma perene e integrada. Para tornar esse projeto viável, a organização identifica no ambiente externo os seus públicos de interesse (stakeholders) e procura manter com eles um relacionamento que seja contributivo para o sistema como um todo, pois reconhece o grau de interdependência que se estabelece entre todos os seus elementos. Na figura adiante, veem-se os principais públicos de interesse com os quais uma organização em geral se relaciona. São esses os públicos que a organização precisa levar em conta no seu processo de tomada de decisão, já que eles interferem – ou têm potencial para interferir – de forma direta ou indireta na instituição. Em outras palavras, são esses os atores que participam da cena organizacional. Figura 2 – Principais públicos de interesse (stakeholders) que interferem na dinâmica organizacional Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 Veja no quadro a seguir, os vínculos tipicamente estabelecidos entre as organizações e alguns de seus grupos de interesses: Quadro 2 – Grupos de interesse de uma empresa moderna típica e exemplos de obrigações sociais que os gerentes têm com esses grupos Grupo de Interesse Obrigações sociais Acionistas/donos da empresa Aumentar o valor da empresa. Fornecedores de matéria-prima Tratá-los de modo justo. Bancos e outras instituições de crédito Pagar as dívidas. Agências governamentais Cumprir as leis. Funcionários e sindicatos Fornecer um ambiente de trabalho seguro e negociar de modo justo com os representantes dos sindicatos. Consumidores Fornecer produtos seguros. Concorrentes Competir de maneira ética e não restringir o comércio. Comunidades locais e sociedade como um todo Evitar práticas empresariais que agridam o meio ambiente. Fonte: CERTO (2003, p. 57). Para auxiliar uma empresa na direção da RSE, foram estabelecidos alguns parâmetros e indicadores. No caso brasileiro, são sete as dimensões estabelecidas e avaliadas pelo Instituto Ethos, em sua classificação das empresas socialmente responsáveis. A saber: 1. valores, transparência e governança; 2. público interno; 3. meio ambiente; 4. fornecedores; 5. consumidores e clientes; 6. comunidade; 7. governo e sociedade. A questão ecológica tem aparecido constantemente nos assuntos organizacionais. Uma série de processos e controles tem sido estabelecida para tornar essa intenção aplicável, mas é apenas um começo, pois muitas empresas apenas seguem estritamente as regulamentações estabelecidas por lei pelo governo e pelos órgãos reguladores – entidades técnicas que definem o que é válido e certo para determinado setor da indústria, como a Anvisa para a indústria farmacêutica e a Anatel para a indústria de telecomunicações. Apesar da regulamentação em prol do bem comum e do estabelecimento de normas que levem em conta os direitos dos trabalhadores e dos consumidores, há ainda muitos abusos empresariais. Muitas companhias são multadas porque desrespeitaram os funcionários em seus direitos trabalhistas, utilizaram sustâncias não aprovadas ou poluíram o meio ambiente. Apesar disso, essa tendência tem gerado modificações importantes nos processos de gestão. Um dos Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 exemplos bem-sucedidos mais recentes de como a gestão empresarial pode objetivar os princípios da RSE é a logística reversa, em que o responsável pela coleta e pelo beneficiamento dos produtos descartados após seu uso no mercado é o próprio produtor, a fim de diminuir seu impacto de dano ao meio ambiente. Outro exemplo conhecido é a utilização de eco-bags, sacolas não descartáveis. 5. OS PRINCIPAIS DESAFIOS ENFRENTADOS PELAS EMPRESAS NA RSE O Relatório “Indicadores de Responsabilidade Social nas Empresas Varejistas – Instituto Ethos/FGV-EAESP”, de 2005, resume com muita propriedade e concisãoos desafios da gestão socialmente responsável: O principal desafio enfrentado pelas empresas é o de encontrar uma forma de gerenciar seus negócios, não apenas atendendo as exigências da competitividade, como baixo custo e alto padrão da qualidade, mas também contemplando os aspectos do desenvolvimento sustentável e atendendo a reivindicações da sociedade civil. Para que uma organização esteja em sintonia com essa proposição, ou seja, para que se torne uma empresa reconhecidamente vinculada à Responsabilidade Social Empresarial, é necessário: • Ampliar a atuação econômica para um desempenho social e ambiental responsável; • Incorporar na missão e no plano estratégico do negócio a filosofia da responsabilidade socioambiental; • Estabelecer diálogo e acordos com os diversos públicos de interesse, a despeito das diferentes visões, considerando os pontos de vista dos interlocutores nos processos de tomada de decisão; • Desenvolver práticas de gestão socialmente responsáveis, traduzindo o discurso e a filosofia da gestão socialmente responsável a todos os escalões da empresa, de forma estruturada e sistêmica; e • Dispor de instrumentos de gestão adequados que permitam diagnosticar, implantar e monitorar as novas práticas de gestão. Para saber mais Leia diretamente na fonte, sessão da Conferência Internacional do Trabalho de 2007, um relato que ilustra de forma bastante completa como e por que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) considera essencial a promoção de empresas sustentáveis. (BUCKEY, SALAZAR-XIRINACHS e HENRIQUES, 2011, p. 33-44) Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 CONSIDERAÇÕES FINAIS Vimos que o mundo das organizações é bastante complexo e que sua integração com o meio ambiente produz impactos no contexto social e ambiental. Além disso, aprendemos que, na Responsabilidade Social Empresarial (RSE), as empresas podem contribuir criando alternativas éticas de produção e consumo, mas isso é apenas um começo. Os desafios apresentados são muitos. Para pensar O que você pensa das proposições abaixo? • É possível ser ético num mercado de trabalho em que o desemprego é uma ameaça? Como agir? • A ética pode ser um elemento de valorização da empresa? • Ética e lucro são conceitos compatíveis ou incompatíveis? • Como a empresa poderá lucrar agindo com ética num mercado em que a pirataria e o contrabando de produtos é uma realidade? Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 REFERÊNCIAS BUCKEY, G.; SALAZAR-XIRINACHS, J. M.; HENRIQUES, M. A promoção de empresas sustentáveis. Curitiba: IBPEX, 2011. (Série Desenvolvimento Sustentável) CERTO, S. C. Administração moderna. São Paulo: Prentice Hall, 2003. CHIAVENATO, I. Iniciação à Teoria das Organizações. Barueri-SP: Manole, 2010. SCATENA, M. I. C. Ferramentas para a moderna gestão empresarial: teoria, implementação e prática. Curitiba, Paraná: Editora IBPEX, 2010. SILVA, R. O. da. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. SOBRAL, F.; PECI, A. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. O QUE É UMA ORGANIZAÇÃO? ............................................................3 2. AS FUNÇÕES ORGANIZACIONAIS ........................................................4 3. A DIMENSÃO DA ORGANIZAÇÃO ........................................................5 4. OS TIPOS DE ORGANIZAÇÃO .................................................................5 5. A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL ........................................................6 5.1 Organograma ................................................................................................6 5.2 Linha e staff ...................................................................................................7 6. TIPOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO DA ESTRUTURA .....................7 6.1 Tipos de estrutura ........................................................................................8 6.2 Centralização e descentralização da estrutura .......................................10 6.3 Níveis organizacionais ...............................................................................10 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 12 REFERÊNCIAS ................................................................................................ 12 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 AS ORGANIZAÇÕES E O AMBIENTE ORGANIZACIONAL Até agora, já percorremos um trajeto razoável em que estudamos as diferentes fases da produção humana ao longo da história, os principais conceitos das teorias clássicas e também as teorias modernas da Administração, com destaque para a Responsabilidade Social Empresarial (RSE). A partir dessa visão macro e desse conjunto de referências, finalmente chegamos ao elemento primordial: a organização, que é o palco no qual – e para o qual – todas as teorias e conceitos desenvolvidos são direcionados e supostamente aplicados. 1. O QUE É UMA ORGANIZAÇÃO? Em geral, não nos damos conta do quanto as organizações estão presentes em nossa vida diária. Naturalmente, os locais onde trabalhamos e o comércio nos parecem mais óbvios, mas um posto de saúde, uma escola, um clube, uma igreja, um time de futebol ou uma associação de bairro também são organizações. Entretanto, não é simples definir e não há um consenso sobre o que é uma organização. Por isso, existem algumas tentativas para conceituar o que haveria de comum entre as organizações e que nos auxiliaria a caracterizar essa entidade de maneira geral. Nas definições do século XIX, nem todos os exemplos mencionados anteriormente seriam considerados organizações, pois, segundo Max Weber (apud HALL, 2004, p. 27), “nas organizações a interação se faz por meio de uma associação formal, em vez de uma associação comunitária, como acontece na sociedade”. Entretanto, nas definições contemporâneas, segundo outros teóricos como Etzioni e Scott (apud HALL, 2004, p. 28) a definição é ampliada: Organizações são entidades sociais ou agrupamentos humanos deliberadamente criados e recriados para atingir metas específicas. Corporações, exércitos, escolas, hospitais, igrejas e prisões incluem-se nessa definição... Tribos, classes, grupos étnicos e família estão excluídos. Definições posteriores abarcam os distintos pontos de vista e estabelecem que as organizações podem ser divididas em duas categorias: organizações formais, como as empresas e escolas; e organizações informais, como a turma com que jogamos futebol. Ambas são consideradas organizações, pois: • têm uma finalidade para a qual existem; • são formadas por pessoas; e • têm uma estrutura que define as responsabilidades de seus membros e a autoridade é distribuída entre eles. O que diferencia as organizações formais dos demais tipos de organização é que as organizações formais: 1. atuam de acordo com a lógica do mercado e são influenciadas por ele; Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 2. atendem diferentes públicos, tais como fornecedores, clientes, funcionários; e 3. precisa ser lucrativa para bancar o investimento dos proprietários e ter capacidade de investimento. 2. AS FUNÇÕES ORGANIZACIONAIS As funções organizacionais estão relacionadas à maneira como as organizações irão desenvolver e colocar em prática suas intenções e seus objetivos. As cinco funções da Administração estabelecidas inicialmente por Fayol1 – prever, organizar, comandar, coordenar e controlar – ainda hoje são a base conceitual seguida pelos estudiosos da Administração. No entanto, como as funções de comando e controle estão vinculadas a um mesmo processo, consideramos quatro principais funções, a saber:1. Planejar: estabelecer objetivos e definir as estratégias e os recursos necessários para sua consecução. 2. Organizar: definir a maneira como o trabalho será realizado, os níveis de autoridade e responsabilidade. 3. Dirigir: liderar e comunicar as pessoas envolvidas, coordenando suas atividades para realização dos objetivos. 4. Controlar: criar processos de acompanhamento que permitam saber acompanhar e monitorar o desempenho da organização. Figura 1 – O processo de administração • Fonte: SOBRAL e PECI (2012a, p. 5). 1 Henri Fayol (1841-1925) foi um engenheiro francês, fundador da abordagem clássica da Administração, junto com Taylor. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Para saber mais Leia o trecho “As Quatro Funções da Administração” até “se mantem no rumo pretendido ou planeja mudanças” – diponível no ambiente virtual – para ver em detalhe a concepção moderna que compete aos administradores nas organizações. 3. A DIMENSÃO DA ORGANIZAÇÃO Esta é uma questão abrangente e polêmica, pois dimensionar o quanto uma organização é grande ou pequena pode estar relacionado a diferentes parâmetros, como: número de funcionários, quantidade produzida, faturamento, número de locais (sites) em que se estabelece etc. Assim, as pesquisas e os índices apresentados por entidades como a Federação das Indústrias e o BNDES, as publicações setoriais e de negócios e as agências de estudos econômicos podem utilizar parâmetros diferentes para especificar a ordem de grandeza de uma organização, pois essa ação depende da metodologia e da concepção adotadas. Portanto, ao observar um ranking de empresas em qualquer modalidade, é muito importante contextualizar com precisão as informações disponíveis, pois a maior empresa em número de funcionários não é necessariamente a maior em faturamento e vice-versa. Para garantir a equivalência nas análises de dados e informações é bastante comum agrupar as organizações por setor de atividade, assim se torna mais fácil compará-las. 4. OS TIPOS DE ORGANIZAÇÃO Uma forma clássica de dividir as organizações em tipos é segmentando-as por áreas: 1. Primeiro setor: é o governo e suas representações como prefeituras, governos estaduais, ministérios, secretarias e autarquias. São organizações governamentais de fins públicos e sem fins lucrativos, mas que buscam a eficiência necessária para atender as demandas dos cidadãos. 2. Segundo setor: é o mercado, ou seja, o conjunto de empresas privadas, cujo capital pertence a uma pessoa ou a um grupo de pessoas. Esse grupo se orienta pela lógica do mercado e tem fins lucrativos. 3. Terceiro setor: é a terceira via pois se trata de iniciativas privadas de caráter público, ou seja, procuram suprir os serviços e as demandas sociais que o Estado não tem capacidade de atender. Exemplos: Organizações Não Governamentais (ONGs), Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIPs), entidades de classe sem fins lucrativos, como o Conselho Regional de Administração (CRA), entidades filantrópicas e assemelhadas. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 5. A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL A estrutura organizacional estabelece o fluxo de atividades e a hierarquia numa organização, além de orientar de que maneira os objetivos serão alcançados, pois a estrutura especifica os papéis e responsabilidades de cada um no processo de trabalho. No dia a dia algumas situações podem não obedecer exatamente a maneira como a estrutura foi idealizada, mas o importante é entendermos que a estrutura demonstra, em linhas gerais, a maneira como o gestor dividiu e relacionou as diversas tarefas que precisam ser realizadas. As funções básicas da estrutura organizacional são: 1. especificar o que cabe a cada um dos membros de uma organização de acordo com a especificação e a divisão de tarefas entre as áreas; 2. criar condições para que as atividades sejam coordenadas e integradas; e 3. estabelecer os limites e as interfaces entre as diversas áreas; bem como os limites e as interfaces da organização com outras organizações e entidades externas. Portanto, a estrutura organizacional é uma das definições de maior impacto no processo de gestão, por isso vamos conhecer algumas possibilidades de organizar e definir os diferentes tipos de estrutura organizacional. 5.1 Organograma O organograma é como um mapa que nos permite entender quais são as áreas que constituem a empresa, de que forma se interligam e qual o número de pessoas em cada uma delas. É a representação gráfica, o desenho de como as tarefas e os processos se relacionam. Para entender esse desenho foram estabelecidas algumas convenções. Em geral cada uma das áreas é representada por uma caixinha. As que aparecem lado a lado são as áreas de mesmo nível; abaixo delas estão as áreas subordinadas, e, acima, as áreas hierarquicamente superiores. Quanto à ligação entre as caixas de diferentes níveis, quando há uma linha reta, existe uma relação de subordinação; se houver uma linha pontilhada, há uma relação de apoio e suporte. Figura 2 – Exemplo de organograma. Fonte: SOBRAL e PECI (2012a, p. 43). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 5.2 Linha e staff Linha e staff é um conceito bastante utilizado pelas empresas para definir o tipo de contribuição de seus profissionais em dois grandes grupos: os funcionários cujo trabalho está diretamente ligado ao processo produtivo, classificados como linha; e os funcionários que os apoiam e dão suporte para que suas atividades sejam bem desempenhadas, definidos como staff. O quadro a seguir ilustra com riqueza de detalhe como essa divisão ocorre na organização. Quadro 1 – Atividades de linha e de staff em uma empresa. Atividade empresarial Órgãos de linha Órgãos de staff • São responsáveis pelas atividades-fim. • São responsáveis pelas atividades-meio. • Estão diretamente relacionados com os objetivos principais da empresa. • Estão indiretamente relacionados com os objetivos principais da empresa. • Têm autoridade de linha (autoridade linear de comando e de ação). • Têm autoridade de staff (autoridade funcional de consultoria e assessoria). • Exemplos: órgãos diretamente relacionados com a produção e vendas dos produtos/serviços. • Exemplos: órgãos indiretos e de assessoria interna, como RH, finanças, contabilidade, jurídico, planejamento, controle, etc. Autoridade de linha Autoridade de staff • De tomar decisões. • De assessorar os tomadores de decisão. • De assumir a ação direta. • De assumir o planejamento e controle da ação. • De comando e autoridade única. • De consultoria e autoridade funcional. • Exemplos: autoridade única de cada gerente sobre seus subordinados. • Exemplos: autoridade funcional de cada gerente sobre a ação de outros gerentes. Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 54). 6. TIPOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO DA ESTRUTURA A departamentalização é uma forma de organizar os recursos disponíveis e as áreas por atividade semelhantes ou coerentes entre si, permitindo que os objetivos da organização e sua relação com o mercado e os públicos de interesse sejam mais bem coordenados. Essa definição esclarece muito bem o rumo estratégico a que a organização se propõe em termos de organização do trabalho, pois a departamentalização atravessa todas as áreas e níveis da estrutura. Os tipos mais comuns de departamentalização são: 1. Funcional: é a mais utilizada. Está relacionada à similaridade de tarefas, como: finanças, produção, recursos humanos, comercial etc. Para ilustrar, vamos considerar o seguinte exemplo: imagine uma organização com várias unidades de negócios, em que há 1) uma vice-presidência de finanças, que se reporta ao presidente da Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 empresa; e também 2) um diretor financeiro, que se reporta ao diretor superintendenteem cada uma dessas unidades de negócios. Nesse caso, tanto o presidente quanto os diretores superintendentes são os chefes hierárquicos diretos dos executivos financeiros mencionados em cada um dos exemplos. Mais ainda, o presidente é o chefe de todos eles no mais alto grau da hierarquia. Entretanto, é preciso destacar que todos os executivos financeiros das unidades de negócios têm uma dupla subordinação, pois, além de se reportarem hierarquicamente ao chefe direto, também se reportam funcionalmente à vice-presidência da organização. Vale esclarecer que estabelecer uma hierarquia funcional, especialmente nas áreas administrativas, tem a ver com a necessidade de se garantir a identidade organizacional, o alinhamento estratégico e a consolidação de informações nos diversos níveis. 2. Por produto: relacionada aos principais produtos. Por exemplo: no caso de um banco, seguros, cartões, conta-corrente, poupança etc. 3. Geográfica: relacionada a territórios como região Norte, região Sul; ou ainda, Europa, Américas, Ásia. 4. Por cliente: divisão entre clientes pessoa física e clientes pessoa jurídica; ou atacado e varejo; ou, ainda, comerciais e residenciais etc. 5. Por processos: relacionada à sequência de um processo. Por exemplo: preparação da matéria-prima, montagem, pintura, acabamento etc. 6.1 Tipos de estrutura a. Linear e funcional São as estruturas mais tradicionais e de fácil implantação e compreensão. Elas só podem ser aplicadas a empresas de pequeno porte, pois seu grau de centralização inviabilizaria o processo de trabalho em uma escala maior. A estrutura linear baseia-se na hierarquia e na unidade de comando; enquanto a funcional baseia-se na hierarquia e na especialização. Na estrutura funcional, ao contrário da linear, há mais de um chefe, e cada um deles estabelece as regras de sua função específica, conforme ilustrado pela figura a seguir: Figura 3 – Diferenças entre a organização linear e a organização funcional Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 63). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 b. Matricial Assim como a matriz da matemática, a estrutura matricial é capaz de estabelecer a conexão entre dois pontos, no nosso caso de combinar função e produto. Conforme vimos, a departamentalização por produto é mais voltada para fora da organização, enquanto a funcional, para os processos internos. A estrutura matricial é uma das mais utilizadas pelas organizações de maior porte e complexidade. Quadro 2 – Exemplo de organização matricial: funções e produtos em convergência Gerentes funcionais Gerente de produção Gerente de venda Gerente financeiro Gerente de RH Gerentes de produto Gerente de produto A Produção de Produto A Vendas de Produto A Finanças de Produto A Recursos humanos Produto A Gerente de produto B Produção de Produto B Vendas de Produto B Finanças de Produto B Recursos humanos Produto B Gerente de produto C Produção de Produto C Vendas de Produto C Finanças de Produto C Recursos humanos Produto C Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 71). A estrutura matricial é utilizada quando existe um duplo comando: funcional-hierárquico; funcional- produto, funcional-regional. Vale destacar que, apesar do duplo comando, o reporte sempre se estabelece em um domínio específico, assim, em geral o chefe funcional trata de assuntos relacionados ao seu métier específico e o hierárquico às questões da área e de carreira. Podem ocorrer conflitos de interesse, mas a estrutura matricial costuma trazer mais vantagens do que desvantagens já que permite a gestão em estruturas com maior nível de complexidade, em que apenas um reporte seria insuficiente para integrar os processos de gestão. c. Em rede Na era da informação, muitas empresas têm parte de seu processo produtivo realizado: 1) por áreas que estão em diferentes países, 2) por fornecedores externos, ou, ainda, 3) orientado por projetos que demandam a associação de expertises diferentes, para as quais se juntam grupos ou áreas de trabalho diferentes. A estrutura em rede permite articular e coordenar esses diferentes arranjos com maior flexibilidade. Veja a seguir o exemplo de uma corporação multinacional que atua em diferentes países na configuração de rede: Figura 4 – A rede criativa dentro de uma única estrutura corporativa Fonte: CHOWDHURY (2003, p. 226). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 6.2 Centralização e descentralização da estrutura É a principal forma como a organização distribui a autoridade entre seus membros, pois, quanto mais centralizadas as aprovações e decisões, mais rígido é o funcionamento da estrutura organizacional. O nível de centralização e descentralização determina o nível de delegação, ou seja, a transferência de autoridade e responsabilidade para níveis hierárquicos inferiores. O quadro a seguir ilustra de forma bastante completa o quanto essa calibragem interfere na dinâmica organizacional: Quadro 3 – Centralização versus descentralização CENTRALIZAÇÃO Vantagens Desvantagens • Decisões mais consistentes com os objetivos da organização. • Decisões distanciadas dos fatos locais e das circunstâncias. • Maior uniformidade de procedimentos, políticas e decisões. • Administradores têm pouco contato com as pessoas e situações envolvidas. • Aproveitamento da maior preparação e competência dos administradores de topo. • Os subordinados dependem dos superiores hierárquicos para tomar decisões. • Redução dos riscos de erro por parte dos subordinados em virtude da falta de informação ou capacidade. • Aumenta a desmotivação e a insatisfação dos membros em posições inferiores. • Maior facilidade na avaliação e no controle do desempenho da organização. • Desestimula a criatividade e a inovação. • Maior demora na implementação das decisões e maior custo operacional. DESCENTRALIZAÇÃO Vantagens Desvantagens • Maior agilidade, rapidez e flexibilidade na tomada de decisões. • Perda de uniformidade nas decisões. • Decisões mais adaptadas às condições locais. • Tendência para o desperdício e a duplicação de recursos. • Maior interesse e motivação por parte dos subordinados. • Canais de comunicação mais dispersos pela organização. • Maior disponbilidade de tempo dos administradores de topo para outras funções. • Maior dificuldade de localizar os responsáveis por decisões erradas. • Promover gerentes autônomos, motivados e responsáveis por seu desempenho. • Insuficiente aproveitamento dos especialistas. • Maior facilidade na avaliação e controle do desempenho de unidades e gerentes. • Dificuldade de controle e avaliação do desempenho da organização. Fonte: SOBRAL e PECI (2012a, p. 57). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 6.3 Níveis organizacionais Para atender aos diferentes tipos de demandas da agenda de uma organização, a maneira mais fácil é fatiar a estrutura organizacional em três diferentes níveis: estratégico, tático e operacional, técnica bastante utilizada, especialmente pelo planejamento estratégico. Cada um desses níveis atende a diferentes tipos de demanda, opera com lógicas distintas e é direcionado a determinado nível da hierarquia, por exigir respostas de diferentes níveis de complexidade. Especialmente por causa da herança cultural que separa o pensar do fazer, atribuem-se demandas conceituais ao topo da hierarquia, demandas de implementação ao nível intermediário e demandas de execução à base da estrutura – vale ressaltar que existe uma relação de coordenação entre eles. Veja os detalhes na figura adiante: Quadro 4 – Os três níveis de planejamento na empresal Nível estratégico Planejamento estratégico Presidente e diretores fazem contato direto com o ambiente externo, com mercados, concorrentes e demais forças ambientaispara a tomada de decisões estratégicas. Incerteza e imprevisibilidade Nível tático Planejamento tático Gerentes traduzem e interpretam as decisões estratégicas e as desdobram em planos táticos e detalhados no nível departamental. Articulação interna Nível operacional Planejamento operacional Supervisores desdobram os planos táticos de cada departamento em planos operacionais para cada tarefa. Certeza e regularidade Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 38). Para saber mais Você já parou para pensar quanto tempo um gestor gasta para organizar o seu trabalho e o de outras pessoas? Qual a importância de utilizar esse tempo nos processos de divisão do trabalho, integração e coordenação? Por que essas tarefas são relevantes? O que a organização ganha com isso? Para responder a essas questões, leia o trecho “O processo de organização” até “organizar não é uma função simples”, disponível no ambiente virtual. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 CONSIDERAÇÕES FINAIS Tivemos a oportunidade de conhecer várias formas de desenhar e estruturar uma organização, definir a divisão do trabalho e conhecer algumas das principais questões que um gestor precisa considerar para realizar e materializar o planejamento de uma organização. No entanto, isso é apenas o começo. A partir de agora, teremos a oportunidade de conhecer vários métodos e teorias que auxiliam o gestor a planejar, organizar, dirigir e controlar. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 13 REFERÊNCIAS CARAVANTES, G. R.; PANNO, C. C.; KLOECKNER, M. C. Administração: teorias e processos. São Paulo: Prentice Hall, 2005. CHIAVENATO, I. Iniciação à Administração Geral. Barueri: Manole, 2009. ____. Iniciação à Teoria das Organizações. Barueri: Manole, 2010. CHOWDHURY, S. Administração no século XXI – o estilo de gerenciar hoje e no futuro. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2003. HALL, H. R. Organizações: estruturas processos e resultados. 8. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004. SCATENA, M. I. C. Ferramentas para a moderna gestão empresarial: teoria, implementação e prática. Curitiba: Editora IBPEX, 2010. SOBRAL, F.; PECI, A. Fundamentos da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012a. ____. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012b. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. PREMISSAS PARA O BOM PLANEJAMENTO ...................................4 2. A IMPORTÂNCIA DOS OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS ...........5 3. A IMPORTÂNCIA DOS PLANOS ORGANIZACIONAIS .................6 4. PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA .........................................................6 REFERÊNCIAS ................................................................................................8 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO O planejamento é uma das questões mais estudadas em virtude da riqueza de imensas possibilidades. O planejamento é o campo das ideias, das intenções, da visualização do futuro; e também o campo em que se demonstra como essas ideias e intenções poderão ser alcançadas e realizadas a curto, médio e longo prazos. Estudamos na última aula que planejar é uma das quatro funções da Administração. Planejar tem muita importância, pois, em teoria, as outras três ações – organizar, dirigir e controlar – dependem do planejamento. É tanto verdade que, quando o planejar não é a primeira tarefa a ser realizada, surgem críticas do tipo: “Quem mandou fazer isso sem planejamento!” ou “A cidade cresceu desordenada, devido à falta de planejamento”. O planejamento atinge todos os âmbitos da administração pública, das organizações e entidades privadas e também da nossa vida social e familiar, em maior ou menor grau. Podemos deixar de planejar o cinema ou o encontro ao acaso com uma pessoa, mas alguns eventos não seriam viáveis sem o mínimo de planejamento, como uma viagem ao exterior ou uma festa de casamento. Minimamente, precisaríamos definir: a data, o horário, o local, o valor e as pessoas envolvidas. Da mesma forma, numa escala ampliada, as organizações também precisam seguir uma série de definições e parâmetros para materializar sua estratégia de ação. Isso pode se dar de maneira formal, com processos e planos escritos e definidos; ou informal, sem registro, mas idealizada e compartilhada pelas pessoas. Vale destacar que os aspectos culturais têm forte interferência no planejamento. Costuma-se considerar que algumas culturas, assim como pessoas, são mais focadas e orientadas por regras do que outras. Se, por um lado, quando as regras e o planejamento são seguidos à risca, pode-se contar com prazos e especificações previstos; por outro, pode-se engessar o processo em situações imprevistas de última hora. Em contrapartida, quando as regras e o planejamento não são seguidos à risca, coloca-se em risco prazos e especificações, ou pode-se abrir possibilidades para o improviso e a inovação. De qualquer forma, a vocação organizacional é voltada para o controle e a previsibilidade. Portanto, o planejamento é muito valorizado e utilizado. Figura 1 – A dupla atribuição do planejamento Fonte: SOBRAL e PECI (2008, p. 133). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 1. PREMISSAS PARA O BOM PLANEJAMENTO Se o planejamento especifica o que deve ser feito (objetivos) e como deve ser feito (planos), resta-nos perguntar por que e para que fazer determinada ação. O bom planejamento deve ao mesmo tempo estar contextualizado em seu ambiente externo como estar intimamente relacionado à identidade da empresa para a qual será desenvolvido. Ambos são importantes, mas é a identidade que define o rumo da decisão. Há a velha história de dois vendedores de sapatos que foram para a mesma cidade. Lá chegando, viram que todas as pessoas estavam descalças. O primeiro deles ligou para sua empresa e disse ao chefe: “Melhor desistir, aqui ninguém usa sapatos e não vamos vender nada. Perdemos nosso tempo em vir para cá”. Já o outro vendedor ligou para sua empresa e disse: “Chefe, você não vai acreditar! Aqui ninguém usa sapatos, temos uma enorme oportunidade de vender tantos pares que nem posso imaginar! Foi uma sorte termos vindo aqui”. Para tanto, qualquer atividade de planejamento que se preze começa por alinhar os objetivos que pretende alcançar à missão, à visão e aos valores da organização. Essa identidade é fundamental para que o planejamento Estratégico amplie suas chances de sucesso. Os pesquisadores Collins e Porras (2007) identificaram os fatores que as organizações longevas1 de destaque têm em comum. Um dos mais importantes é que essas empresas se mantêm fiéis aos princípios e aos valores de seus fundadores e, ao mesmo tempo, também mudam todo o resto à sua volta para acompanhar as mudanças do mercado. Portanto, para definir objetivos, planos de ação e desenhar mudanças organizacionais, precisamos identificar em que empresa esses processos irão acontecer e conhecer os seguintes elementos: • Missão: é a razão de ser da organização; é a declaração maior de seus propósitos, princípios e valores. Em geral esclarece o que faz e para quem. • Visão: é como a organização gostaria de ser vista e reconhecida por todos num tempo futuro. • Valores: são os preceitos essenciais e os critérios básicos que norteiam e validam o processo de tomada de decisão. São intrínsecos e refletem as crenças e a visão de mundo da organização. Para saber mais Você pode conhecer a missão de várias organizações pesquisando diretamente no site delas. Em geral, a missão aparece na aba relacionada aos assuntos institucionais e você poderá conhecer muitos exemplos interessantes que mostram a intenção e o propósito dessas organizações. Isso é especialmente importante, se você tiver interesseem trabalhar em alguma delas! 1 Os autores justificam seu interesse em pesquisar não apenas empresas líderes, mas também empresas líderes cuja liderança tem perdurado ao longo de muitos anos, apesar das crises. Qual o segredo dessas empresas? O que as torna vencedoras por tanto tempo? A questão da longevidade foi o critério adotado para selecioná-las e verificar o que elas teriam em comum. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 2. A IMPORTÂNCIA DOS OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS São intenções, propósitos e resultados específicos do que se pretende alcançar em determinado prazo. É importante que os objetivos sejam desafiadores, mas não impossíveis de alcançar e coerentes entre si, para garantir a força do conjunto. Além disso, precisam: • estabelecer prazos e definir com clareza as metas a serem alcançadas; • criar um padrão de referência que pode ser comparado; • servir de guia para orientar as pessoas na consecução do que a organização precisa fazer; • objetivar as intenções que podem ser expressas em características (tipo qualitativo); ou em números e quantidades (tipo quantitativo); • estabelecer diferentes demandas nos três níveis da organização que sejam relacionadas entre si: estratégico, tático e operacional. Figura 2 – Hierarquia de objetivos Fonte: SOBRAL e PECI (2008, p. 137). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 3. A IMPORTÂNCIA DOS PLANOS ORGANIZACIONAIS Os planos especificam os objetivos organizacionais. Eles são a tradução documentada, com minúcia de detalhe, da maneira como os objetivos serão implementados na prática. Os planos organizacionais também estão relacionados aos três diferentes níveis da organização: estratégicos (conceitos e definições mais gerais); táticos (em geral das áreas funcionais da organização e relacionados aos estratégicos); e operacionais (mais imediatos, relacionados a processos e procedimentos). Podemos entender um plano na acepção mais comum que utilizamos da palavra: quanto temos um plano já sabemos de que forma faremos algo acontecer, já temos o caminho das pedras; e é assim também no ambiente organizacional. Um exemplo podem ser os planos de reestruturação organizacional. Idealmente, ao anunciar uma mudança, o desenho da nova estrutura deve ser mostrado. Dessa forma, fica claro sob o comando de quem ficaram as pessoas e as áreas afetadas, assim como quando a mudança vai ocorrer e quais as implicações para as demais áreas da estrutura – que podem não ter mudado, mas serão afetadas já que têm interface com as áreas reestruturadas. Portanto, é preciso prever detalhadamente o que será feito e seu impacto nas áreas e pessoas envolvidas. 4. PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA Todas as atividades e componentes que estudamos até aqui podem se associar à estratégia empresarial, que se ocupa de pensar em modelos que promovam o diferencial competitivo da organização. O processo de administração estratégica é um pensar sobre a organização, considerando sua posição no mercado e sua capacidade de responder adequadamente. Como o ambiente externo tem se tornado cada vez mais instável, a estratégia deixou seu lugar inicial de se associar ao controle, e passou ao exercício do pensar estrategicamente e trabalhar sobre diferentes cenários e perspectivas a fim de tornar a organização mais bem preparada para as múltiplas possibilidades que possa encontrar. Na figura a seguir, há uma representação de como a administração estratégica pode ser ilustrada em seis etapas, num processo contínuo, que se reabastece. Nesse fluxo constante, é possível ajustar os indicadores e aumentar a precisão do modelo. Figura 3 – O processo de administração estratégica Fonte: SOBRAL e PECI, 2008, p. 143. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Para saber mais Conheça os detalhes de cada uma dessas etapas, lendo o texto Diagnóstico da Situação Atual, até o trecho “sustentam a de nível inferior”, disponível no ambiente virtual. CONSIDERAÇÕES FINAIS Além dos principais elementos que constituem os passos para o planejamento organizacional, tivemos a oportunidade de conhecer como ele se relaciona com a dimensão estratégica da organização, especialmente numa época em que o ciclo de mudanças é cada vez menor. Antigamente era comum as organizações trabalharem com planejamentos quinquenais (de cinco anos) e segui-los com alguns ajustes. Hoje, de acordo com o setor de atividade, isso é impensável, pois cinco anos pode ser um prazo muito distante e impenetrável. Talvez por isso, seja ainda mais necessário que os gestores exerçam sua capacidade estratégica, desenhando mais cenários e inovando na maneira de planejar no médio (de 2 a 5 anos) e longo prazos (acima de 5 anos). Podemos considerar que atualmente o planejamento estratégico de longo prazo mais se assemelha ao horizonte ou à virtude, pois sabemos que nunca estaremos completamente lá. A cada passo nosso, outro horizonte se avistará ou outra demanda da vida exigirá mais de nós mesmos. Entretanto, por termos a direção do que queremos, saberemos para onde ir. Para pensar No livro Alice no País das Maravilhas (LEWIS CARROL, Cap. 6) há um diálogo entre Alice e o Gatinho de Cheshire: – Gatinho de Cheshire, o senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?’ – Isso depende muito de para onde você quer ir – respondeu o Gato. – Não me importo muito para onde... – retrucou Alice. – Então não importa o caminho que você escolha – disse o Gato. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Iniciação à Teoria das Organizações. Barueri-SP: Manole, 2010. ____. Iniciação à Administração Geral. Barueri: Manole, 2009. CHOWDHURY, S. Administração no século XXI: o estilo de gerenciar hoje e no futuro. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2003. COLLINS, J. C.; PORRAS, J. I. Feitas para durar. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. _____. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. _____. Fundamentos da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. PARADIGMA ...............................................................................................3 2. A IMPORTÂNCIA DA CULTURA ORGANIZACIONAL ...................4 3. A NATUREZA DAS MUDANÇAS E OS PRINCIPAIS FATORES QUE AS MODELAM ......................................................................................5 3.1 O ambiente interno .....................................................................................6 3.2 O ambiente operacional ..............................................................................7 3.3 O ambiente contextual ................................................................................8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..........................................................................8 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 10 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 GESTÃO DA MUDANÇA E CULTURA ORGANIZACIONAL O tema mudança é uma constante na vida das pessoas, das organizações, dos países e até do planeta, seja pela promessa de que algo será diferente, seja pela realidade que se impõe trazendo novos e diferentes desafios e possibilidades, independentemente de nossa vontade. Ao mesmo tempo que a filosofia oriental considera, há milhares de anos, que a impermanência é uma lei da natureza e um estado natural das coisas, sabemos que existe um grande esforço para manter o status quo de muitas realidades e situações. Sem entrar no mérito das questões filosóficasprofundas, é importante se dar conta de que esses dois movimentos coexistem o tempo todo e até se reforçam. Afinal, na pesquisa feita com as empresas feitas para durar, verificou-se exatamente isto: enquanto o núcleo, a filosofia e os valores permanecem os mesmos, todo o resto da organização muda. Essa é a dinâmica que reforça a identidade da empresa, além de possibilitar que as respostas ao ambiente sejam dadas de forma coerente com a organização. É aqui que entra a questão da cultura organizacional como uma das condições mais relevantes nos processos de mudança organizacional. No entanto, antes de falarmos sobre cultura organizacional, vamos nos aprofundar num dos principais conceitos e aspectos que regem a mudança organizacional: o paradigma. 1. PARADIGMA Talvez você já tenha ouvido alguém comentar que, “mais do que mudanças, é necessário mudar o paradigma”. Quando se enfoca a questão a partir desse ponto de vista, o que se pretende dizer é que é necessário fazer uma revisão profunda não apenas da questão apreciada, mas também da maneira como essa apreciação acontece. Paradigma em essência quer dizer o padrão pelo qual modelamos a realidade, ou seja, o crivo, o validador, o parâmetro de comparação que estabelecemos ao apreciar determinada situação. Sua definição é ainda mais clara se considerarmos a etimologia da palavra “paradigma, que vem do grego “paradeigma, “padrão, exemplo, modelo” e, de paradeiknynai, “mostrar, representar”, literalmente “mostrar lado a lado”, formado por para-, “ao lado”, mais deiknynai, “mostrar, apresentar”” (ORIGEM DA PALAVRA, 2012, online). Portanto, um modelo, padrão ou protótipo que se coloca lado a lado, junto com a situação que analisamos para tirar conclusões a respeito dela. Em geral, fazemos e vivemos esse processo automaticamente, porque não questionamos e refletimos o tempo todo sobre os valores e as razões que nos levam a considerar determinada questão de forma profunda. Os paradigmas explicam, segundo Kuhn (1990), as formas dominantes nos modos de pensar das pessoas e também no campo da ciência. Eles têm o aspecto positivo de nos ajudar a compreender o que ocorre e de nos colocar em contato com os outros, mas também pode nos engessar caso só aceitemos determinada perspectiva. Nota-se que temos em mente muito do que é pensado também por outras pessoas, e é esse padrão dominante que, em geral, funciona como filtro para interpretarmos a realidade à nossa volta. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Para saber mais Para saber mais sobre Paradigmas, leia o trecho “Um paradigma influencia...” até “(Marques 1994, pg 173-4)” – disponível no ambiente virtual – e conheça quais são suas sete características básicas. Esses conceitos serão importantes para vários dos assuntos que tratamos nesta disciplina, especialmente mudança, inovação e aprendizagem organizacional. Ao analisarmos as sete características dos paradigmas, temos a dimensão do quanto eles influenciam os rumos de uma mudança, pois para mudar verdadeiramente é preciso revisá-los. Portanto, podemos concluir que não há mudança que não implique mudança de paradigma. Se não mudarmos nossa forma e nosso olhar, nada acontece. E é aqui que entra a importância da cultura organizacional nos processos de mudança. Para pensar Antes de entrarmos na seara da cultura organizacional, que tal refletir sobre nossos próprios paradigmas? Afinal, o paradigma das organizações é fruto da visão de mundo das pessoas. Reconhecer os próprios paradigmas ajuda no processo de autoconhecimento e também a entender melhor de que forma nos relacionamos com os outros. Quais são seus paradigmas? Você se sente confortável com eles? Eles limitam ou expandem suas ações? 2. A IMPORTÂNCIA DA CULTURA ORGANIZACIONAL Podemos definir cultura organizacional como as certezas e as convicções tácitas1 nas quais os profissionais baseiam seu comportamento nas organizações. Em outras palavras, nem é necessário falar ou explicar, é como se esses profissionais soubessem a priori que o modo de fazer algo funciona dessa ou daquela maneira em determinado contexto organizacional. Essas certezas e convicções tácitas são a base da cultura organizacional, pois são elas que dão o tom do comportamento esperado para as pessoas em relação a todos os assuntos e questões que envolvem a organização. Desde contratar um profissional “adequado” (logicamente a adequação se refere àquele ambiente no qual irá 1 Característica daquilo que não é dito: subliminar, subentendido, implícito e incorporado pelo uso. Não há um registro formal, mas pode ser observado no comportamento das pessoas. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 trabalhar), definir um fornecedor de acordo com critérios estabelecidos pela empresa; até decidir se a empresa deve ou não assumir um novo negócio, ou ainda como deve reagir numa situação de crise. Portanto, a cultura organizacional é o grande intermediador entre o que acontece no ambiente e como a organização reage a esses acontecimentos, ou seja, as respostas dadas. Portanto, está ligada também ao processo de tomada de decisão. A cultura organizacional é um tema complexo. Um de seus maiores teóricos, Edgar Schein (2001, p. 27), afirma que “A cultura é a principal fonte de identidade organizacional”. Assim, para entender em profundidade a cultura de uma organização (de uma família ou de um país) é preciso conviver com ela e passar por um processo de imersão a fim de conhecê-la melhor. A cultura se manifesta de várias formas, evidentes ou subliminares, superficiais ou mais profundas, e pode ser codificada, a partir dos processos, símbolos e signos da organização, tais como: • ritos e rituais; • narrativas e histórias sobre a organização; • códigos: modo de vestir, jargões e símbolos de identidade; • nível de formalidade no relacionamento com autoridades; • processo de tomada de decisões, dinâmica das reuniões e horários de trabalho (frequência, duração, objetividade); • processo de comunicação: como se sabe das coisas? e • desacordos e conflitos: como se lida com eles? Portanto, a compreensão e o manejo da cultura organizacional são essenciais para que as mudanças ocorram mais – ou menos – tranquila e eficientemente, sejam essas mudanças planejadas ou dadas. Na sequência, vamos conhecer um pouco mais sobre a natureza das mudanças. 3. A NATUREZA DAS MUDANÇAS E OS PRINCIPAIS FATORES QUE AS MODELAM Em linhas gerais, podemos considerar que há dois tipos de mudança: a que provocamos, planejamos e desejamos; e aquelas que acontecem e nos tomam de surpresa, independentemente de nossa vontade. Estamos interessados nos dois tipos, porque, como já vimos, tudo está em constante mudança, com ciclos ainda menores – portanto mais rápidos –, e a necessidade de nos adaptarmos se impõe. Também temos inteligência e criatividade para pensarmos em novas possibilidades e sermos protagonistas de novas realidades que acreditamos ser melhores que as atuais. Para saber lidar com as mudanças, é preciso conhecer quais fatores do ambiente estão presentes na vida da Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 organização e que manejo temos sobre eles. Pois são esses os fatores que condicionam e interferem fortemente na vida da organização e, consequentemente, resultam em dois tipos de processos de mudança: 1. Deliberados: aqueles que são definidos a priori, com base nas convicções e intenções da empresa, premeditados e refletidos antecipadamente; ou 2. Reativos: aqueles que são uma resposta imediata a um acontecimento ou estímulo externo; portanto uma resposta a uma ação anterior. A figura a seguir ilustra de forma clara e didática os três ambientes com os quais a organização se relaciona e se remodela: Figura 1 – O ambiente organizacional Fonte: Sobral e Peci (2008, p. 73). Conforme a figura, os ambientesorganizacionais são divididos em: interno, operacional e contextual. Cada um deles exige da organização um manejo e habilidades diferentes. Além disso, em cada um deles a organização tem maior ou menor capacidade de determinar o tipo de mudança, conforme veremos na sequência. 3.1 O ambiente interno O ambiente interno é a própria organização e, portanto, engloba funcionários, cultura organizacional e os recursos materiais, financeiros e tecnológicos de que dispõe, como equipamentos, condições físicas, dinheiro, investimentos; e também a maneira como organiza seus processos e obtém seus resultados. Em geral, as empresas mudam corriqueiramente todos esses elementos, pois faz parte de sua sobrevivência atualizar-se. Assim, mudam Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 a forma de executar determinada tarefa ou processo, trocam equipamentos, contratam, promovem, demitem e aposentam funcionários, abrem ou fecham filiais e novos negócios etc. Apenas um desses fatores, por refletir todos os demais, funciona de modo sui generis: a cultura organizacional, já que se constitui no filtro entre o ambiente e a empresa. A cultura organizacional é uma das razões que melhor explica por que as mudanças externas podem impactar de forma distinta empresas de um mesmo setor. Afinal, as respostas e a reação de cada empresa são únicas e distintas, pois refletem sua identidade e sua história, escrevendo mais um capítulo na maneira como seus gestores e profissionais lidam com os contextos nos quais se encontram. Curioso observar que no ambiente interno há um paradoxo. Apesar de ser um ambiente supostamente sob controle, em que a mudança dependeria exclusivamente de seus gestores, mudar a própria cultura é um desafio e uma missão dos mais difíceis. Conforme observado por Schein (2001, p. 27), É preciso reconhecer que desafiar qualquer elemento cultural equivale a questionar o fundador ou dono da organização. Esses elementos culturais se tornam sagrados e difíceis de mudar. A mudança cultural é, portanto, mais uma questão de evolução e reforço dos elementos culturais. 3.2 O ambiente operacional Podemos considerar que o ambiente operacional é o ambiente das relações, seja com clientes, fornecedores, concorrentes, instituições financeiras, governo, meios de comunicação social, como imprensa e redes sociais, entidades de classe, sindicatos, órgãos reguladores, entre outros. O ambiente operacional é a parte do ambiente externo diretamente relacionado aos interesses específicos da organização. São as forças, instituições e públicos de interesse (stakeholders) que mais a afetam e vice-versa. Portanto, num processo de gestão profissional, a organização se estrutura de forma a acompanhar e se relacionar com todas as suas partes, a fim de: • aprender e se desenvolver continuamente; • influenciar a agenda e estabelecer acordos continuamente com relação aos interesses envolvidos; • dialogar, devido à impossibilidade de definir unilateralmente as questões envolvidas; Toda essa articulação tem enormes impactos sobre o desempenho da organização, pois são os elementos que mais interferem na dinâmica organizacional e também com os quais a organização dispõe de condições objetivas de influenciar e desenhar, conjuntamente, os cenários e contextos em que essas relações se estabelecem. Um dos públicos mais atuantes e participantes nas reformas do contexto organizacional são os órgãos reguladores. Ao definirem normas e regulamentos para determinado setor, obrigam as organizações daquele setor a atender determinadas especificações e, para atendê-las, as organizações precisam se estruturar. Vale lembrar que o requisito mínimo necessário para as empresas socialmente responsáveis é estar em consonância com as leis e os regulamentos. Um desses exemplos é a obrigatoriedade de mostrar a data de fabricação e de validade nos produtos. Assim que essa norma foi estabelecida, as organizações tiveram de mudar suas ações e treinar seu pessoal para incluir em seus processos de fabricação, comercial e atendimento uma maneira de informar o consumidor da data de fabricação e da data de validade de seu produto. Porém, a inclusão Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 desse novo processo não acontece da noite para o dia. Em geral, os próprios órgãos reguladores convidam as organizações afetadas para, em conjunto, estabelecer como essa nova regra vai acontecer, em que prazo etc. Afinal, sem adesão não há processo de mudança que se sustente. Obter a anuência e o comprometimento das organizações é fundamental para a incorporação de qualquer nova norma, lei ou regulamento propostos. 3.3 O ambiente contextual O ambiente contextual é a parte do ambiente externo relacionado indiretamente aos interesses das organizações e sobre o qual há menor capacidade de as organizações se relacionarem e interagirem. Os elementos desse ambiente são os fatores demográficos, ambientais, econômicos, político-legais, socioculturais e tecnológicos. Nesse ambiente, a conjuntura é dada e há pouco espaço para negociar ou influenciar. Em geral, resta às organizações apenas se remodelarem e se reorganizarem em vista do grande cenário. É um campo em que há mais reação do que ação, já que está mais distante da vida organizacional. Vale lembrar, entretanto, que a maneira de reagir cabe à cada organização, em particular, por estar bastante condicionada à sua cultura organizacional. CONSIDERAÇÕES FINAIS Historicamente, estudamos, na evolução das teorias e escolas de administração, que, no início do século XX, a organização se ocupava quase exclusivamente das questões internas e pouco dos fatores externos. Essa realidade só foi possível numa época em que as mudanças ocorriam em ciclos longos, a previsibilidade era grande e não havia necessidade de se ocupar tanto dos fatores externos. Desde a teoria sistêmica e contingencial fomos alertados para o fato de que as organizações não estão isoladas. Ao contrário, nutrem e são nutridas pelo ambiente externo, estabecendo diversas e complexas relações que modelam sua história ao longo do tempo. Importante lembrar que os três ambientes apresentados – interno, relacional e contextual – se comunicam e estão profundamente relacionados entre si. Sabemos que cabe aos gestores o direcionamento da organização e que, além de sua vontade, há a restrição de todos os contextos apresentados. Portanto, um dos maiores desafios dos gestores é fazer a leitura dessas relações para saber determinar qual a melhor resposta, em determinada situação, para determinada organização. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 Para saber mais O estudo de caso é uma das melhores maneiras de entendermos como a teoria se aplica na prática, porque apresenta a trajetória e o relato de experiências vividas pelas empresas e, muitas vezes, o que resultou disso. São lições compartilhadas que podem nos ensinar sobre escolhas e decisões bem ou malsucedidas. Você poderá conhecer a síntese de um desses relatos no quadro IBM: O Desafio da Mudança – disponível no ambiente virtual –, que mostra os desafios que a IBM teve de enfrentar. Você terá noção da complexidade envolvida num dos processos de mudança organizacional de uma das mais emblemáticas empresas do mundo. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. 5. ed. rev. e atualiz. Barueri: Manole, 2008. COLLINS, J. C.; PORRAS, J. I. Feitas para durar. Rio de Janeiro: Rocco, 2007. HALL, H. R. Organizações: estruturas processos e resultados. 8. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004. KUHN, T. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Cultrix, 1990. ORIGEM DA PALAVRA. Lista de palavras - Consultas e artigos com a palavra “paradigma”. Disponível em: <http://origemdapalavra.com.br/palavras/paradigma/>.Acesso em: 21 dez 2012. SCHEIN, E. H. Guia de sobrevivência da cultura corporativa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. SOBRAL, F; PECI, A. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. ____. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E A BUSCA DA EXCELÊNCIA ......................................................................3 1. QUALIDADE E PRODUTIVIDADE .........................................................3 1.1 Eficiência e eficácia .......................................................................................4 1.2 As diversas fases da qualidade ...................................................................4 1.2.1 Controle de processo ....................................................................................................5 1.2.2 Amostragem por aceitação ........................................................................................5 1.2.3 Gestão da Qualidade Total ..........................................................................................5 1.2.4 A certificação ....................................................................................................................7 2. A EMPRESA QUE APRENDE .................................................................9 2.1 Aprendizagem com autonomia ...............................................................10 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................11 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E A BUSCA DA EXCELÊNCIA Conforme vimos ao longo da evolução histórica das organizações – e, especialmente, nos processos de mudança organizacional –, cada vez mais a influência que a organização sofre do entorno estabelece ritmos e relacionamentos que modelam e determinam grande parte da dinâmica organizacional e de seu processo de gestão. Muitos dos conceitos da área de qualidade estão vinculados aos processos e aspectos operacionais da gestão de forma mais interna. Já a Aprendizagem Organizacional baseia-se na premissa de que nenhuma pessoa, área ou entidade teria a capacidade de estabelecer unilateral ou isoladamente a melhor maneira de fazer algo. Assim, a Aprendizagem Organizacional é sempre concebida e executada de forma coletiva e plural. É nesse contexto de interdependência que vamos situar especialmente a questão da Aprendizagem Organizacional, que pode ser considerada um desdobramento dos conceitos de Qualidade e Produtividade para o atingimento da Excelência Organizacional. 1. QUALIDADE E PRODUTIVIDADE Durante muito tempo os conceitos de qualidade e produtividade foram considerados em certa medida incompatíveis. Definia-se qualidade como a oferta de um bem ou serviço que atendesse de forma além da esperada à necessidade para a qual foi produzido, de modo a encantar o cliente. Mais tarde, uma das concepções passou a considerar que qualidade seria exatamente o especificado pelo cliente. A definição de produtividade tem se mantido a mesma ao longo do tempo e é entendida como a capacidade de fazer mais e melhor com menos, aproveitando na justa medida os recursos materiais, humanos e tecnológicos disponíveis, sem desperdício. Grande parte dos esforços da gestão empresarial reside em obter economias e reduções de tempo e de insumos em todos os processos que envolvem o planejamento, a produção, a comercialização e a entrega de determinado bem ou serviço. Intuitivamente, havia a percepção de que um bem ou serviço de qualidade não poderia ser feito de forma econômica, o que hoje não é mais o caso. Atualmente, não se admite considerar que um bem ou serviço de qualidade seja dispendioso, pois a qualidade implica também a sabedoria de utilizar os recursos de forma adequada. Vamos aprofundar nosso conhecimento ao longo dessa evolução e conhecer alguns dos principais conceitos envolvidos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 1.1 Eficiência e eficácia Dois dos conceitos mais utilizados na Administração, especialmente para qualificar o desempenho de determinada atividade ou organização, são eficiência e eficácia. A eficiência tem a ver com a questão de fazer da melhor forma possível, com o mínimo de recursos possível (tempo, materiais, equipamentos, pessoas etc). Já a eficácia pressupõe fazer a coisa certa, ou seja, que a atividade esteja relacionada a um propósito estratégico. Assim eficiência é fazer certo as coisas; e eficácia é fazer as coisas certas. A princípio pode parecer mera questão semântica, mas, na verdade, cada um desses conceitos especifica de forma bastante clara sua finalidade no mundo organizacional. Pense bem, de que adianta o profissional se esmerar em fazer maravilhosamente algo que não foi pedido? Veja na figura a seguir um resumo. Figura 1 – Eficiência e eficácia. Fonte: Sobral e Peci (2012, p. 6). Uma administração bem-sucedida demanda que ambas, eficiência e eficácia, estejam presentes. Para ilustrar, pensemos em dois funcionários da área de TI que resolvem todos os problemas de um novo sistema trazidos pelos clientes. Ambos notam as ocorrências, sendo que um deles resolve sozinho os problemas que chegam e o faz de forma correta. Logo, ele é eficiente, fazendo certo as coisas. O outro funcionário de TI, além de resolver sozinho os problemas, entra em contato com o fornecedor do novo sistema e descobre que pode adotar uma nova forma de integração que impeça a recorrência dessas ocorrências. Isso é eficácia, pois opera numa dimensão mais estratégica, em que se faz a coisa certa. 1.2 As diversas fases da qualidade Ao longo do tempo, o conceito de qualidade passou por diferentes estágios e formas de operacionalização. Em um primeiro momento, a verificação era apenas visual e com base na experiência de um expert. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Depois, uma série de técnicas de medição e controle foi desenvolvida e permitiu que a avaliação da qualidade fosse mais rigorosa e objetiva, com base em gabaritos e estatísticas para amostragem. Apresentamos a seguir os tipos básicos de aferição da qualidade. 1.2.1 Controle de processo Feito em determinadas etapas ao longo do processo produtivo, para garantir que tudo está conforme o planejado. Esse controle é utilizado quando se produzem bens e serviços cujo resultado final depende cumulativamente do resultado de cada uma das fases do processo, como alimentos e bebidas, por exemplo. No caso de um refrigerante, temos a expectativa de determinado gosto e esse controle passo a passo nos permite essa garantia. 1.2.2 Amostragem por aceitação Ocorre quando se verifica, apenas ao final do processo, se o bem produzido está de acordo com a especificação técnica, a partir de testes que confirmam se determinado lote está dentro da prescrição. Portanto, a verificação é feita pela amostragem de alguns lotes e não com todas as peças que foram produzidas. Essas técnicas são utilizadas até hoje e permitem um grande avanço de qualidade e, principalmente, de padronização. No entanto, nesse estágio de evolução da qualidade, ainda havia um empecilho: acreditava-se que havia uma relação inversa entre qualidade e produtividade. Dessa forma, um processo benfeito só poderia ser oneroso; e, se fosse barato, não teria qualidade. Além disso, a qualidade ainda era de responsabilidade de uma área de controle que, mesmo da organização, estava fora do processo produtivo. Esses dilemas foram resolvidos na terceira fase da evolução da qualidade, quando surgiu o conceito de Gestão da Qualidade Total. 1.2.3 Gestão da Qualidade Total É a abordagem da qualidade como aconhecemos hoje, pois leva em conta a questão da competitividade e vai além ao considerar: 1) o que o cliente espera de determinado bem ou serviço; 2) o comprometimento de toda a organização; e, especialmente, 3) a visão de processos e de melhoria contínua. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Para saber mais Apesar de ter surgido no Japão, a Gestão da Qualidade Total foi fortemente baseada nos conceitos de dois americanos, ícones da Qualidade Total (Total Quality Management – TQM): William Edwards Deming e Joseph Moses Juran (mais conhecidos como Deming e Juran, os pais dessa nova fase). A TQM revolucionaria a maneira de pensar a qualidade nas organizações de todo o mundo, com fortes impactos no processo produtivo. A principal questão era saber se seria possível reproduzir a mesma metodologia fora do Japão. Afinal, se nem os próprios americanos a implantaram... O sucesso do modelo japonês de qualidade mobilizou inúmeros acadêmicos, profissionais de empresas e consultores, que viajaram ao Japão para conhecer como os Círculos de Controle de Qualidade (CCQ)1 ocorriam na prática e como implantá-los em outros ambientes em que o respeito ao coletivo não era tão forte quanto na cultura japonesa. Especialmente a partir da década de 1970, muitos livros foram publicados e a questão da qualidade se tornou o grande tema, incluindo premiações aos trabalhadores dos Círculos de Controle de Qualidade que apresentavam boas ideias de melhorias em seus processos de trabalho. Essa nova fase da qualidade tem o mérito de reunir as dimensões estratégica, tática e operacional da organização. Sua dimensão holística se deve aos seguintes fatores: • Há um questionamento do próprio conceito de qualidade que pode não ser apenas fazer algo bem feito, mas sim algo que esteja conforme o especificado pelo cliente. Portanto, trata-se de um olhar para fora da organização em que o ponto de vista do cliente é altamente considerado. • Envolve a cadeia produtiva, pois fornecedores e clientes são ouvidos e participam como agentes de melhoria contínua dos processos. • Os funcionários passam a ser vistos como agentes de melhoria contínua, convidados a sugerir mudanças no processo que desenvolvem para torná-lo melhor e produtivo. São incentivados pelo reconhecimento de que podem contribuir e também por prêmios. • Os custos da qualidade passam a ser relacionados com as vantagens associadas a ela, portanto reúnem qualidade e produtividade, em vez de criar uma oposição. • O caráter preventivo dessa metodologia também procura estabelecer parâmetros e conceitos sobre como fazer certo da primeira vez, evitando o retrabalho e desperdício de matéria-prima, energia e demais recursos envolvidos. O acompanhamento desses índices de desempenho se transforma também em uma medida que mostra como a produtividade pode ser aumentada com uma postura proativa.3 1 Os Círculos de Controle de Qualidade (CCQ) surgiram no Japão na década de 1960 e chegaram ao Brasil dez anos depois. O CCQ foi criado pelos próprios trabalhadores da produção que, voluntariamente, se empenhavam em promover melhorias no processo produtivo. Por conseguinte, o CCQ otimizou o desempenho organizacional, na medida em que os próprios trabalhadores, que conheciam muito bem o funcionamento das fábricas, apontavam desperdícios, retrabalhos e indicavam mudanças que tornariam o processo de trabalho mais produtivo. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 • O envolvimento da alta administração que abraça e promove essa nova visão em todos os níveis da empresa, por meio de todos os níveis da hierarquia. Para pensar Ainda hoje, atender o que o cliente espera é bastante considerado, mas a importância do cliente, especialmente em ambientes competitivos e no setor de serviços, trouxe a concepção de que é preciso ir além do especificado e superar as expectativas dos clientes – há inclusive seminários do tipo “Como Encantar seu Cliente”. Steve Jobs, fundador da Apple e um dos empresários mais bem-sucedidos na Era da Informação – criador do iPhone, ipad, ipod, itunes e dos computadores Macintosh e da empresa de animação Pixar –, afirmava que nem os clientes sabiam o que queriam, pois, para ele, “muitas vezes, as pessoas não sabem o que querem até que mostremos a elas”.2 Você concorda com Jobs? 1.2.4 A certificação Na evolução do processo de qualidade, surge a certificação para as empresas, que se configura como uma garantia cada vez mais comum – e tende a se tornar obrigatória pelos órgãos de regulamentação – nos processos de gestão. Sendo assim, a Certificação da Qualidade torna-se para a empresa uma garantia, uma declaração, um atestado para os consumidores e parceiros de que determinado bem ou serviço foi produzido de forma a atender todas as especificações técnicas e, em muitos casos, a regulamentação da empresa socialmente responsável. Podemos citar como exemplo os selos do Inmetro, que garantem aos consumidores que os pesos e as medidas de um produto estão em conformidade com o especificado no rótulo; bem como, as certificações da ISO 9001, que estabelecem uma ordenação no próprio sistema de gestão da empresa a fim de diminuir riscos e atender às normas legais de acordo com os princípios da qualidade. 3 2 Fonte: frase citada na revista Business Week, maio de 1998, de acordo com o artigo da exame.com - “15 frases geniais de Steve Jobs”. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/15-frases-geniais-de-steve-jobs?page=3Acesso em: nov/2012>. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Na prática Veja o exemplo completo de como o processo de certificação se reflete nas práticas organizacionais, com especial ênfase no aprimoramento dos processos de qualidade de uma empresa do setor de serviços. O selo Iso 9001 atesta a qualidade da BrasilCenter Comunicações A BrasilCenter Comunicações é a empresa de telemarketing do Grupo Embratel. Criada no final de 1998, a organização oferece serviços ativos e receptivos de call center, ou seja, entra em contato com clientes e atende a chamadas dos consumidores. Entre 2000 e 2001, implementou extenso programa de aprimoramento dos processos de qualidade em prestação dos serviços na organização, buscando atingir os requisitos necessários para obter o certificado ISO 9001. O programa previa duas formas de aumentar a qualidade na organização: por meio de inovações tecnológicas e pelo incremento da satisfação e motivação dos funcionários. Assim, investiu-se na melhoria dos computadores das redes, das centrais e dos sistemas funcionais, contando com toda a infraestrutura tecnológica de telecomunicações da Embratel. Essas medidas, aliadas ao uso dos mais avançados recursos e plataformas de hardware e software disponíveis no mercado, tornaram a empresa um dos mais modernos call centers do país. As ações, no entanto, não privilegiaram apenas a tecnologia, programas de qualidade de vida no ambiente de trabalho, a melhoria das instalações e uma política de desenvolvimento e reconhecimento foram algumas das medidas adotadas. Desde então, a empresa realiza pesquisas sobre o clima organizacional, abrindo espaço para ouvir opiniões dos funcionários e incentivando o processo de melhoria contínua dos serviços. O levantamento de 2005 atestou 80% de satisfação dos trabalhadores, comprovando o sucesso do alinhamento da produtividade com a gestão adequada das pessoas. Com essas mudanças, os call centers da empresa foram certificados em 2001 e recertificados em 2004 com o selo ISO 9001. Hoje, a BrasilCenter é um referencial no mercado, atendendo a diversos clientes, inclusive multinacionais. Além disso, a empresa foi eleita uma das cem melhores para se trabalhar no Brasil e uma das 40 melhores empresas para a mulher atuar, segundo o Guia Exame 2003, e recebeu o Prêmio Sesi de Qualidade de Vida, tambémem 2003. Fontes: sites oficiais da Embratel (www.embratel.com.br), da BrasilCenter (www.brasilcenter.com.br) e da Call to Call (www.calltocall.com.br). Acesso em: ago. 2007. A grande vantagem da certificação é que a organização declara ao mercado e à comunidade que seu processo de gestão obedece a parâmetros e especificações de órgãos e entidades reguladoras que estão muitas das vezes em conformidade com padrões mundiais. Também o fato de serem órgãos e entidades externos à organização confere isenção e objetividade a esse reconhecimento. Além disso, na nova realidade do mundo dos negócios, tem se tornado cada vez mais comum exigir das organizações parceiras, que se candidatam à prestação de bens ou serviços, selos de certificação como credenciais que lhes permitam participar de processos de concorrência pública ou privada. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 A qualidade ainda é uma dimensão importantíssima para as organizações. Entretanto, com a oferta de bens e serviços cada vez mais particularizados e com o ciclo de mudanças cada vez mais rápido, na Era do Conhecimento ou da Informação, tornou-se necessário incorporar a dimensão da Aprendizagem Organizacional para tornar ainda mais potente a competitividade das organizações. 2. A EMPRESA QUE APRENDE Talvez você já tenha ouvido falar em “Organização que Aprende” (Learning Organization), Gestão do Conhecimento, Universidade Corporativa ou Capital Intelectual. Todas essas nomenclaturas e temáticas surgiram no final do século XX para mostrar de que maneira as organizações poderiam se tornar competitivas a partir do uso do conhecimento de que dispõem. Como exemplo, nos concentraremos na Aprendizagem Organizacional a fim de entender uma das possíveis formas de lidar com essa questão no ambiente organizacional. Responsável por popularizar o termo Aprendizagem Organizacional, Peter Senge, professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT), foi designado para trabalhar num projeto que especificasse que tipo de organização poderia sobreviver no século XXI. Senge verificou que o ritmo das mudanças se tornaria tão constante que não bastaria apenas dispor de uma organização com respostas prontas preestabelecidas, mas de uma organização que tivesse a capacidade de se adaptar com tanta facilidade a novas e diferentes demandas que pudesse gerar novas respostas a partir disso. Como a realidade se alteraria de maneira frenética, o treinamento já não seria mais suficiente. Além dele, também seria necessário desenvolver a capacidade de aprender a aprender. Peter Senge, portanto, alavanca o processo de aprendizagem como o diferencial competitivo de que as empresas poderão lançar mão para sua sobrevivência nos ambientes instáveis e, muito especialmente, nas situações complexas em que não se tem as respostas prontas. Peter Senge verificou em seu estudo que as empresas com melhor perfil e capacidade de se tornarem empresas capazes de utilizar os insumos e informações do ambiente externo para dar respostas adequadas eram aquelas que já tinham uma forte cultura de qualidade em seu processo de gestão. Verificou que muitos dos princípios e processos nas práticas de qualidade eram uma precondição para que a empresa tivesse a capacidade de se aprimorar continuamente. A teoria que formulou a partir desse estudo pode ser lida em A quinta disciplina, um dos livros de administração mais influentes dos últimos 70 anos, segundo a publicação Harvard Business Review; e, portanto, que mais tem influenciado o mundo organizacional quando o assunto é aprendizagem. Basicamente o autor nos apresenta as cinco características nas quais se baseiam as organizações capazes de aprender: 1. domínio pessoal; 2. modelos mentais; 3. construção de uma visão compartilhada; 4. aprendizagem em equipe; e 5. pensamento sistêmico. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 Para saber mais Leia o resumo dessa importante teoria para entender melhor de que forma as empresas que aprendem criam condições para se tornarem competitivas. Leitura obrigatória: Acesse a Biblioteca Digital e leia as páginas 222 a 225 do livro “As Cinco Disciplinas da Aprendizagem”; incluindo o quadro Vantagem Competitiva - CHIAVENATO, Idalberto. Iniciação à teoria das organizações. Barueri-SP: Manole, 2010. 2.1 Aprendizagem com autonomia Importante destacar que o modelo da Aprendizagem Organizacional de Senge está em sintonia com um modelo que se tornou uma das referências mais importantes de Educação do mundo, elaborado por Jacques Delors3 a pedido da Unesco.4 Esse modelo nos mostra que para nossa plenitude é preciso integrar as três dimensões do saber: o conhecimento, sua aplicação e a capacidade de se relacionar com as pessoas envolvidas. Somos efetivamente quando distinguimos o conhecimento que interessa, o aplicamos e compartilhamos. Importante lembrar que existe nesse raciocínio uma perspectiva ética da educação, porque afeta a maneira como convivemos e nos relacionamos. A aprendizagem proposta nessas bases cria condições para a autonomia individual e profissional, e se justifica por preparar as pessoas para vida, sendo o trabalho uma de suas dimensões mais significativas. Figura 2 – O modelo da aprendizagem com autonomia. 3 DELORS, Jacques. Educação: Um tesouro a descobrir. 8. ed. São Paulo: Cortez e Unesco. 1999. 4 Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, criada em 1945, sua missão é “promover a ciência a serviço do desenvolvimento sustentável e da paz, focalizando no desenvolvimento de política e capacitação em ciência, tecnologia e inovação e promovendo e fortalecendo a educação científica e a engenharia”. Disponível em: <http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/singleview/news/ brazilian_scientist_is_one_of_the_five_laureates_of_the_loreal_unesco_for_women_in_science_2013/Acesso em: dez/12>. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 As competências relacionais estão presentes em todos os modelos de aprendizagem. Saber se relacionar é hoje um imperativo para que o conhecimento seja aprendido e difundido de forma sistêmica. CONSIDERAÇÕES FINAIS Aparentemente a qualidade teria seu lugar garantido, apenas nas situações em que a previsibilidade é a regra, pois determinado bem ou serviço precisaria estar em conformidade com as normas estabelecidas. Entretanto, vimos que as organizações que adotam a qualidade em seu modelo de gestão, em função da disciplina e dos controles, das habilidades e do envolvimento de seus funcionários e de seus grupos de interesse nos processos de melhoria contínua, são as mais bem talhadas para irem além dessa esfera e serem também mais bem sucedidas em ambientes onde apenas o incremento e a melhoria não serão mais suficientes. A Aprendizagem Organizacional possibilita saltos maiores como os da Inovação e da Criatividade que teremos a oportunidade de estudar oportunamente. Para pensar Segundo o filósofo Pierre Lévy, o trabalho hoje é aprender o tempo todo. É transmitir e trocar ideias de forma cooperativa e aberta com os outros. É produzir conhecimentos. O trabalho é cada vez mais relações humanas autênticas e transação de conhecimento. LÉVY, P. Pierre Lévy. 2001. [Video]. Disponível em: < http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/47/ entrevistados/pierre_levy_2001.htm>. Acesso em: dez./2012. O que você pensa sobre essa afirmação? Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Iniciação à teoria das organizações. Barueri-SP: Manole, 2010. LÉVY, P. Pierre Lévy. 2001. [Video]. Disponível em: < http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/47/entrevistados/ pierre_levy_2001.htm>. Acesso em: dez./2012. POSSOLLI, Gabriela Eyng. Gestão da inovação e do conhecimento. Curitiba: Ibpex, 2011. SILVA, Reinaldo O. da. Teorias da Administração. São Paulo: PearsonPrentice Hall, 2008. SOBRAL, Filipe; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. ____________. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. TARAPANOFF, Kira. Aprendizado organizacional: fundamentos e abordagens multidisciplinares. vol. I. Curitiba: Ibpex, 2011. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. GESTÃO DE PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES: ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS ................................................................................5 1.2 Funções básicas na gestão de pessoas ......................................................7 1.3 A gestão de pessoas acontece na experiência do dia a dia .....................8 2. RECRUTAMENTO, SELEÇÃO, AVALIAÇÃO E JOVENS TALENTOS ....9 3. TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO – COACHING E MENTORIA ..11 4. ENRIQUECIMENTO DO TRABALHO, PROJETOS E DESAFIOS .......... 12 5. REMUNERAÇÃO: SALÁRIOS, BENEFÍCIOS E OUTROS GANHOS ........................................................................................................ 12 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 13 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 15 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 GESTÃO ESTRATÉGICA DE PESSOAS COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO Até o momento, foi possível ampliar nosso contexto ao entender: 1. como o homem ao longo da história se serviu ou produziu riquezas, desde as eras nômade, agrícola, industrial e da informação; 2. como funciona o mundo do trabalho, seu ambiente e as organizações; 3. como os processos de mudança, a cultura organizacional, a aprendizagem organizacional e a busca pela excelência acontecem. Apesar de óbvio, vale destacar que todos esses contextos, teorias e considerações são fruto da concepção e do entendimento humano, pois os humanos têm a capacidade de criar, imaginar e implementar possibilidades novas e criativas, além de manter e reconhecer as já implementadas. Não bastasse isso, os seres humanos têm a aptidão da recursividade, ou seja, o ser humano consegue, a partir de uma ideia, gerar outra e esse mecanismo pode se suceder infinitamente. Você já parou para pensar no que isso significa? Deslocamos nosso pensamento para novas possibilidades a partir de novos elementos. Portanto, não há uma receita pronta, mas sim uma infinidade de possibilidades, pois cada um terá um raciocínio diferente a partir de cada ideia ou situação vivida. Há até o ditado que afirma que duas cabeças pensam melhor do que uma, porque, especialmente na troca de ideias e nas conversas abertas, podemos ampliar nossa visão de mundo ao compartilhar diferentes pontos de vista. Logicamente, esse é o lado bom da história, porque do outro lado da moeda temos as questões de poder, de hierarquia, de inflexibilidade e de intolerância que, em sua maioria, podem gerar conflitos e problemas, em vez de processos de construção criativos coletivos e plurais. Lidar com as pessoas no ambiente organizacional se constitui um enorme desafio, sem receitas prontas e, ainda por cima, afetado por inúmeros fatores internos e externos. Um processo dinâmico que não tem parada e que requer enorme capacidade de organização, observação e sensibilidade. Muitas empresas têm áreas estruturadas com a finalidade exclusiva de cuidar de seus profissionais e sua denominação é variada: Administração de Recursos Humanos, Departamento de Pessoal, Gestão de Talentos, Gestão do Capital Humano, Capital Intelectual entre outras. Os profissionais costumam ser tratados como Funcionários, Empregados ou Colaboradores. Os diferentes nomes refletem a cultura da organização e também o contexto social e histórico, pois recursos humanos é o nome utilizado na era industrial, na qual havia os recursos materiais, financeiros, tecnológicos e materiais. Já capital humano e intelectual refletem um contexto em que a era da informação está presente e o capitalismo tão exacerbado que nomeia até mesmo os profissionais corporativos. Não apenas a questão semântica revela os diferentes contextos, mas a própria concepção do que é o homem se altera, conforme podemos ver na figura e no quadro a seguir. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Quadro 1 – Diversas concepções do ser humano segundo a teoria das organizações. Concepção de: Teoria: Motivação básica: Homem econômico Administração Científica Recompensas salariais e financeiras Homem social Relações humanas Recompensas sociais e simbólicas Homem organizacional Estruturalista Recompensas salariais e sociais Homem administrativo Comportamental Processo decisório individual e complexo Homem complexo Contingencial Microssistemas individual e complexo Fonte: Chiavenato (2009, p. 167) Quadro 2 – As abordagens clássica, humanística, comportamental e neoclássica à administração: principais características e tratamento dispensado aos recursos humanos. Abordagem à administração Época de maior popularidade Características Como trata os recursos humanos Clássica Década de 1910 até década de 1940. Enfatiza a racionalização e a divisão do trabalho. Estimula a ordem, a disciplina e a hierarquia. Valoriza o organograma, isto é, a estrutura formal da empresa. Organiza a empresa por funções. Não leva em conta o histórico pessoal nem o estado emocional do funcionário. Ignora os arranjos informais estabelecidos no ambiente de trabalho ( as famosas “panelinhas”, por exemplo), pois acredita que a organização formal é a única importante. O departamento de pessoal limita-se a selecionar, treinar e controlar os funcionários, segundos os métodos científicos do taylorismo. Humanística Décadas de 1930 e 1940 Enfatiza as relações sociais estabelecidas no ambiente de trabalho. Coloca as relações humanas e sociais no centro das atenções. Peca pelo simplismo e ingenuidade, pois acredita que o mero bem-estar dos funcionários elevará a produtividade. Comportamental Décadas de 1950 e 1960. Preocupa-se com os temas psicológicos e sociais, como motivação, satisfação, liderança, tomada de decisões ou resolução de conflitos. Propõe técnicas de aplicação, embasadas nas teorias comportamentalistas. O departamento de pessoal deixa de se restringir a tarefas como recrutamento, seleção e demissão e passa a focar também em treinamento e desenvolvimento. Lentamente, a denominação departamento pessoal vai sendo substituída por departamento de recursos humanos Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Neoclássica Da década de 1950 até hoje, com desdobramentos e atualizações. Resgata e atualiza conceitos da teoria clássica. Enfatiza objetivos e resultados. Eclética, aproveita as melhores propostas das outras abordagens. Considera que a administração de recursos humanos deve gerar valor à organização. As práticas de RH passam a estar vinculadas a metas claramente definidas e mensuráveis. Fonte: Pequeno (2012, p. 14). As crenças que temos das pessoas definem a maneira como as tratamos. Assim, se no início da Revolução Industrial se considerava que o fazer e o pensar estavam separados, pois o trabalhador era pago para executar e cumprir ordens, com o aumento da complexidade e das mudanças, o trabalhador é convidado a contribuir com suas ideias para elevar o desempenho da organização. Existe hoje um forte reconhecimento e aceitação de que é por meio das pessoas que se alcançam os resultados e, mais do que isso, que o diferencial competitivo se estabelece. Além disso, há a questão das diferenças entre as gerações (Quadro 3). Quadro 3 – Valores dominantes na força detrabalho atual. Grupo Ingresso na força de trabalho Idade atual Valores profissionais dominantes Veteranos Década de 1950 ou início da de 1960 Acima 65 Trabalho árduo, conservadorismo, submissão; lealdade à empresa. Boomers 1965-1985 Entre 40 e 65 Sucesso, realização, ambição, rejeição à autoridade; lealdade à carreira Geração X 1985-2000 Mais de 25 até 40 Equilíbrio na relação trabalho-vida, trabalho em equipe, rejeição ás regras; lealdade aos relacionamentos Nexters A partir de 2000 Menos de 30 Autoconfiança, sucesso financeiro, trabalho em equipe; lealdade a si mesmo e aos relacionamentos Fonte: Menegon apud Robbins (2009, p. 19) Vamos conhecer agora como funciona a gestão de pessoas, suas principais funções e de que maneira esse processo pode contribuir para valorizá-las e utilizar seu potencial. 1. GESTÃO DE PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES: ONDE ESTAMOS E PARA ONDE VAMOS Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 O primeiro passo é planejar que pessoas são necessárias para executar o trabalho numa organização. Sabemos que diferentes vínculos podem ser estabelecidos com relação aos profissionais: empregados contratados no regime CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), temporários, estagiários, prestadores de serviço, terceirizados, associações temporárias com outras empresas, entre outros. A tendência é eliminar ao máximo os custos fixos e contratar ou subcontratar profissionais de fora: 1. para os momentos de pico, no caso de empresas que enfrentam sazonalidades; e também 2. para tarefas que não estejam relacionadas diretamente à atividade principal (core business) da organização, como os serviços de limpeza, segurança, alimentação e, no caso do RH, do processo de recrutamento, seleção e treinamento de novos funcionários. Definir quais pessoas são necessárias está na missão e, mais especificamente, no planejamento estratégico da organização. É a partir dos planos e objetivos que o gestor de recursos humanos poderá identificar que tipo de profissional deve contratar para determinado trabalho. Em muitos dos casos, a organização tem planos futuros e estabelece um processo de mudança, o que gera a necessidade de pensar: onde estamos e para onde vamos. O reflexo disso na gestão de pessoas é enorme, pois leva à necessidade de preparar os profissionais da organização para esse novo cenário, ou ainda contratar pessoas já no perfil adequado. O quadro a seguir mostra de forma clara a ligação entre o planejamento estratégico e o planejamento de RH. Figura 1 – Processo de planejamento no centro da abordagem diagnóstica. Fonte: Milkovich e Boudreau (2008, p. 131) Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 1.2 Funções básicas na gestão de pessoas Há muitas maneiras de organizar as diversas funções que envolvem a gestão de pessoas nas organizações. Cabe à área responsável estabelecer as políticas e os programas que a organização irá adotar para colocar em prática as diversas funções relacionadas à Gestão de Pessoas. Portanto, do ponto de vista técnico, a responsabilidade cabe totalmente aos profissionais de recursos humanos. Há muitas possibilidades de ordenar as funções de gestão de pessoas. Vamos tomar como exemplo a ordenação proposta por dois diferentes autores, conforme as duas figuras que a seguir. Figura 2 – Uma nova visão da ARH Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Figura 3 – Processo de administração de recursos humanos Importante observar que existe um fluxo e uma interligação entre todos os processos apresentados: provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento e monitoramento. O intuito do macroprocesso é garantir as pessoas certas no lugar certo, a fim de atingir os objetivos e metas da organização. Como as tarefas e o processo de trabalho têm sido cada vez mais dinâmicos, poderíamos substituir essa afirmação por: ter as pessoas certas nos lugares certos, porque a multifuncionalidade tem sido um requisito constante. Cada um desses processos é um ponto de contato com os funcionários no qual a organização tem a oportunidade de fortalecer seu vínculo – ou de enfraquecê-lo. Se os processos forem claros, transparentes, justos e meritocráticos1, a chance de se estar em uma das “Melhores Empresas para Trabalhar2”, em que as práticas de gestão de pessoas estão reconhecidamente a serviço de uma empresa que declara que seus resultados são de fato obtidos por meio das pessoas e faz disso um trunfo e uma vantagem competitiva, é bastante razoável. 1.3 A gestão de pessoas acontece na experiência do dia a dia Importante frisar que a gestão de pessoas não se reduz à responsabilidade e ao trabalho de uma área específica, pois há também uma série de outros fatores que a afetam, como: o próprio trabalho que se realiza, o ambiente e as condições físicas de trabalho, a imagem, a reputação e a cultura organizacional, o relacionamento 1 Referente à meritocracia, prática que valoriza e reconhece o desempenho do indivíduo em função dos resultados alcançados pela sua capacidade intelectual, pela sua capacidade de ação e pela sua atitude. O oposto disso seria valorizar o indivíduo pelo tempo de casa ou pelos laços de parentesco e amizade. 2 Referente à pesquisa anual que avalia as empresas brasileiras que se destacam pelas melhores práticas de gestão de pessoas, resultado da parceria do “Great Place to Work” com publicações brasileiras. A pesquisa original nasceu nos Estados Unidos em 1981; a partir de 1997 passou a ser replicada para empresas brasileiras, inicialmente com a parceria da revista Exame e, a partir de 2006, em nova parceria com a revista Época. Mais detalhes no site: <http://www.greatplacetowork.com.br/sobre-nos/nossa-historia>. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 interpessoal e interareas, a liderança, a remuneração e os benefícios, os processos de comunicação e de gestão, dentre outros. A imagem da organização, a forma como é percebida no mercado, é um forte atrativo tanto para conquistar quanto para reter talentos. Profissionais talentosos procuram se vincular a empresas bem-vistas no mercado. Não por acaso, são feitas pesquisas de opinião para conhecer o que os funcionários pensam a respeito da organização em que trabalham ou quais são “As Melhores Empresas para se Trabalhar”. A relação chefe-subordinado é uma das mais importantes, pois cabe ao chefe o papel de representante da organização, além da orientação e valorização do funcionário. A área de gestão de pessoas tem o papel de auxiliar os gestores a organizar, planejar e gerir os profissionais sob seu comando, mas o julgamento e a decisão cabem ao chefe em muitos casos e, mesmo nas situações em que a decisão é compartilhada, os chefes são coparticipantes. O processo de gestão de pessoas traduz na prática a maneira como a organização trata o funcionário em cada um de seus pontos. Ganha muito se considerar que as motivações internas de cada funcionário são diferentes. Portanto, um benefício pode ser mais valorizado por um funcionário do que por outro – não por acaso a tendência atual é flexibilizar e deixar que o profissional escolha o que mais lhe interessa. Portanto, se todos esses pontos de contato estiverem bem trabalhados, maiores são as chances de atender a diferentes expectativas de valorização e melhor o processo de gestão de pessoas. Vamos conhecer de que forma alguns dos processos de gestão de pessoas podem contribuir para a valorização dos funcionários. 2. RECRUTAMENTO, SELEÇÃO, AVALIAÇÃO E JOVENS TALENTOS As vagas em aberto podem ser preenchidas por profissionais recrutados e selecionados no mercado, ou seja, de fora da organização; e também por profissionais da própria organização. Neste último caso, poderá ser uma movimentação lateral (no mesmo nível) ou uma promoção (mudança de nível), porém ambas são vantajosas, pois a movimentaçãolateral implica conhecer novos desafios e ampliar o repertório profissional; e a promoção pelo visível crescimento profissional na carreira. Tanto a escolha por profissionais internos quanto externos apresenta vantagens e desvantagens, conforme observamos no quadro a seguir. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 Quadro 4 – Vantagens e desvantagens do recrutamento interno e externo. Vantagens do Recrutamento interno Vantagens do Recrutamento externo • É mais econômico, já que evita despesas com anúncios, honorários de consultorias, custos de atendimento aos candidatos, de admissão, integração etc. • É mais rápido – em alguns casos, a promoção ou transferência pode ser feita de um dia para o outro. • Apresenta maior índice de validade e segurança, pois o candidato já é conhecido e já vem sendo avaliado há algum tempo. É uma fonte poderosa de motivação, na medida em que dá aos funcionários uma ótima razão para continuarem dedicando-se e aperfeiçoando-se • Aproveita os investimentos da empresa em treinamento, que , muitas, vezes, tem seu retorno quando o empregado passa a ocupar cargos mais elevados e complexos. • Desenvolve um sadio espírito de competição entre o pessoal. • Traz sangue novo e experiências novas para a organização. • Renova e enriquece os recursos humanos, principalmente quando a política e admitir pessoal com gabarito igual ou melhor do que o já existente na empresa. • Aproveita os investimentos em treinamento e desenvolvimento feitos por outras empresas ou pelos próprios candidatos. Desvantagens do Recrutamento interno Desvantagens do Recrutamento externo • Se a organização cria expectativas de crescimento, mas demora muito para cumpri-las, os funcionários podem ficar frustrados. • Pode gerar conflito de interesses: aqueles que não foram promovidos podem se sentir prejudicados. Também pode ocorrer casos em que chefes inseguros podam o avanço dos subordinados mais talentosos, com medo de perderem seus cargos. • Pode provocar um bitolamento às políticas e diretrizes da organização, na medida em que impede a vinda de elementos externos capazes de oxigenar a cultura organizacional. • Não pode ser praticado em termos globais. • Nas palavras de Chiavenato: “a ideia de que quando o presidente se aposenta a organização admite um aprendiz de escritório e promove todo mundo já foi enterrada há muito tempo. Isso provoca uma descapitalização do capital humano: a organização perde um presidente e ganha um aprendiz de escritório novato e inexperiente”. • É geralmente mais demorado do que o recrutamento interno. É mais caro e exige despesas imediatas com anúncios, jornais, honorários de consultorias etc. • Em princípio, é menos seguro que o recrutamento interno, pois estamos trazendo uma pessoa que, apesar de ter passado pelo processo seletivo, não se conhece no dia a dia. • Pode provocar barreiras internas: os funcionários podem perceber o monopólio do recrutamento externo como uma política de deslealdade da empresa com seu pessoal. • Geralmente afeta a política salarial da empresa, principalmente quando a oferta e a procura de recursos humanos estão em situação de desequilíbrio. Fonte: adaptado de Chiavenato (2009, p. 162-7). Caso a organização disponha de programas de avaliação de desempenho (com base nos resultados obtidos) ou de avaliação de potencial (com base no prognóstico futuro), sinaliza internamente que se preocupa em saber e registrar quais as competências, as habilidades e os talentos de seus funcionários. É mais um cuidado, mais uma forma estruturada de considerar os profissionais nas oportunidades de crescimento e de aproveitar seu potencial. Outra forma que as organizações encontram para provisionar os seus quadros no médio e longo prazos é pela contratação de estagiários e trainees. Há, inclusive, programas específicos para esses dois grupos. O objetivo de preparar jovens talentos é dispor de funcionários talhados e bem adaptados à organização e que possam se tornar líderes no futuro. Esses processos são bastante sensíveis no que tange ao aspecto de valorização dos funcionários, pois, se as pessoas promovidas forem consideradas pelos demais como os profissionais que “de fato mereciam” aquela Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 posição e as regras de contração estavam claras, a imagem da empresa se torna ainda mais positiva. Se, ao contrário, as pessoas promovidas forem consideradas “indicadas” ou “da panelinha”, o processo de recrutamento e seleção perde sua credibilidade. Conheça as principais perguntas que devem ser feitas para o preenchimento de uma vaga: Figura 4 – Resposta comportamental completa 3. TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO – COACHING E MENTORIA A diferença entre treinar e desenvolver é que treinar está em uma perspectiva mais operacional, quase de adestramento, de fazer algo de determinada forma, de aprender algo para determinada finalidade, ou ainda para ser aplicado na função em que se trabalha. Já desenvolvimento tem a ver com uma perspectiva ampliada em que não necessariamente se aplicará o conhecimento para a função atual. Aliás, a etimologia da palavra desenvolver é reveladora, pois significa sair do envolvimento, ou seja, ampliar horizontes e não fazer mais do mesmo. Em geral, prepara o profissional para novas funções. Também o coaching e a mentoria se assemelham nessa perspectiva, pois coaching tem a ver com coach, termo em inglês que designa treinador, e se refere à obtenção de metas e de resultados, portanto tem uma finalidade. Na teoria, o papel de coach caberia ao próprio chefe como orientador e cobrador de resultados de desempenho. Já a mentoria tem a ver com os planos de vida e de carreira. Por se tratar de uma perspectiva mais ampla, não deveria ser discutida com o chefe, pois pode haver conflito de interesses com relação à carreira, mas com alguém experiente, que se respeita ou se admira. O mentor é um conselheiro que nos ajuda a refletir. Seu papel é fazer perguntas que nos levem a um processo de reflexão profunda de nossos ideais e interesses de carreira numa perspectiva mais ampla. Mesmo que a organização não disponha de programas estruturados, qualquer um de nós conhece alguém que pode ser um mentor, e esse é um recurso muito valioso para se orientar na carreira. Os quatro caminhos são vetores ricos para o crescimento pessoal e profissional. Também são importantes Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 fatores de retenção dos profissionais nas organizações, pois significam a possibilidade de aprender e se desenvolver continuamente, o que é desejável e necessário num ambiente de constante mudança. 4. ENRIQUECIMENTO DO TRABALHO, PROJETOS E DESAFIOS Há três formas básicas pelas quais as pessoas aprendem3: 1. Mão na massa – Ação – um novo projeto, um novo cargo, uma nova área, a primeira coordenação de uma equipe, uma tarefa inédita ou desafiadora e o rodízio de funções são experiências que contribuem para o crescimento. 2. Pessoas – Sentimento – tanto as pessoas quanto suas ideias – sejam elas expressas em livros, filmes, músicas ou outros meios – podem criar referências capazes de tocar ou influenciar, de alguma forma, nossa vivência e nosso trabalho. 3. Crise – Reflexão – carência de recursos, concorrência, crise econômica e redução de empregos exigem que os profissionais busquem incessantemente transformar as crises em oportunidades. Quando oferecemos oportunidades de enriquecer o trabalho ou de participar de uma equipe multidisciplinar, estamos promovendo a principal maneira de aprendermos e nos desenvolvermos, que é colocar a “mão na massa”. Em geral, pensamos na educação formal como a principal fonte de aprendizagem, mas é no dia a dia que ganhamos a maior parte de nosso conhecimento. 5. REMUNERAÇÃO: SALÁRIOS, BENEFÍCIOS E OUTROSGANHOS Talvez seja estranho não ter mencionado a questão da remuneração até o momento, mas este é um recurso que tem um impacto reduzido em termos de satisfação. Importante destacar a questão da equidade salarial, ou seja, pagar com justiça e em condições assemelhadas posições de mesmo nível de complexidade é um fator de grande importância e forte impacto de valorização ou desvalorização. 3 Fonte: Lições da Experiência, Institute Center for Creative Leadership, Universidade Carolina do Norte. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 13 Quadro 5 – Mitos e realidades sobre a política de remuneração Ao contrário do esperado, diversas pesquisas têm concluído que a correlação entre o desempenho dos administradores e sua remuneração é mínima ou mesmo negativa. A explicação para isso é que os sistemas de remuneração variável apenas mudam o comportamento de curto prazo, mas não alteram as atitudes que lhe estão subjacentes. Alguns dos resultados dessas pesquisas têm demonstrado que: • As pessoas não trabalham por dinheiro: é claro que as pessoas precisam de dinheiro, mas esse não é o principal motor em suas vidas. As pessoas querem se realizar e se divertir. O dinheiro apenas aparece listado como o quinto ou sexto fator em termos de importância em suas vidas. As empresas que ignorarem esse fato pagarão o preço em termos de falta de lealdade e comprometimento. • As recompensas punem: os planos de incentivos pretendem obrigar os empregados a cumprir determinadas tarefas, caso contrário, serão punidos. Uma forma de punição é não ter direito a uma remuneração adicional. • As recompensas criam rupturas nas relações: os trabalhadores utilizam o sistema de incentivos para obter vantagens individuais, não para aumentar o ganho coletivo. Quando se forçam as pessoas a competir por recompensas, o trabalho em equipe desaparece. Em vez de cooperar, elas escondem os problemas. • As recompensas ignoram as causas: confiar nos incentivos para aumentar a motivação dos empregados e a produtividade é uma estratégia que ignora as verdadeiras cuasas dos problemas e em nada contribui para resolvê-los. • As recompensas matam a criatividade: no momento em que as pessoas cumprem os objetivos a que se propuseram, o que lhes dará o direito a receberem determinadas recompensas, não estarão dispostas a correr riscos adicionais. • As recompensas diminuem o comprometimento: quanto mais os superiores hierárquicos prometem incentivos aos empregados, menos interesse estes terão pelo trabalho em si. O que fazem é apenas com o objetivo de terem um complemento ao salário-base. O envolvimento pessoal com as tarefas e o comprometimento com o crescimento futuro da empresa são secundários. Fonte: KOHN, A. Why incentive plans cannot work. Harvard Business Review, v. 71, n. 5, 1993, p. 54-63; PFEFFER, J. Six dangerous miths about pay. Harvard Business Review, v. 76, n. 3, maio/jun., 1998, p. 108-119 CONSIDERAÇÕES FINAIS Muitos são os fatores que interferem no comportamento das pessoas e no seu processo de realização profissional. Conhecemos alguns recursos que podem contribuir significativamente para que as pessoas se sintam mais identificadas, valorizadas e realizadas no ambiente organizacional. Os desafios são muitos e as oportunidades também. Conheça mais sobre alguns deles no texto a seguir. Para saber mais Acesse a Biblioteca Digital e leia as páginas de 5 a 9, do livro “Comportamento Organizacional”, de Letícia Fantinato Menegon. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 14 Para pensar Sabemos o quanto é desafiador compreender a natureza humana. Várias áreas da ciência têm buscado respostas. Você acredita que o comportamento organizacional pode ser explicado por todas essas teorias? Figura 5 - Contribuição para o estudo do comportamento organizaciona • Fonte: Robbins (2009, p. 6). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 15 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, Idalberto. Administração de Recursos Humanos: fundamentos básicos. Barueri-SP: Manole, 2009. PEQUENO, Alvaro. Administração de Recursos Humanos. 1. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. MENEGON, Letícia Fantinato. Comportamento Organizacional. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. SOBRAL, Filipe; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. LIDERANÇA: DOM OU VIRTUDE? ........................................................3 2. MAS, AFINAL, O QUE É LIDERAR? ......................................................4 3. DIFERENTES PERSPECTIVAS E EXPLICAÇÕES SOBRE A LIDERANÇA .....................................................................................................5 3.1. Chefiar versus liderar ..................................................................................5 3.2. Traços de personalidade .............................................................................5 3.3. Abordagem comportamental ...................................................................6 3.4. Competências gerenciais ............................................................................6 3.4.1. Orientação para tarefa e orientação para pessoas ...............................................6 3.4.2. Estilos de liderança ............................................................................................................6 3.5. Teorias situacionais .....................................................................................7 3.6. Abordagem contingencial ..........................................................................7 4. A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DA EQUIPE ......................................8 5. LIDERANÇA NO SÉCULO XXI ...............................................................9 5.1. Liderança como gênio coletivo ................................................................10 5.2. Liderança dualista: prosperando no paradoxo ......................................10 5.3. Orientação por valores ..............................................................................11 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................11 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 13 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 A IMPORTÂNCIA DA LIDERANÇA Até agora, já aprendemos uma série de conceitos sobre o mundo do trabalho, os processos de mudança, a gestão de pessoas, a cultura, o ambiente e a aprendizagem organizacional. Com esse legado, já é possível abordarmos de forma ampla e contextualizada um dos temas mais estudados da Administração e que gera considerável impacto em todas essas dimensões: a Liderança. Se você fizer uma busca na Internet do termo liderança encontrará literalmente milhões de registros; se for a uma biblioteca ou livraria, encontrará uma infinidade de livros que incluem a palavra líder ou liderança; se assistir a um bloco de propagandas na TV ou se folhear uma revista verá que essa é uma temática sempre presente. Liderança é um termo muito amplo e genérico que pode ser adotado para descrever a qualidade de uma pessoa, de uma organização, de um país e até mesmo de um domínio, como a política, as artes, as ciências etc. Um produto pode ser líder em seu segmento; assim como uma organização ou um empresário. Dessa forma, toda vez que utilizamos a palavra liderança expressamos a ideia de algo que está à frente e que por alguma razão se destaca. Algo ou alguém que influencia algo ou alguém, que determina tendências, ou ainda algo ou alguém que tem seguidores. Tendemos, por exemplo, a considerar que organizações líderes formam líderes igualmente destacados.Para pensar O que determina que algo ou alguém seja ou se torne líder? Líder é o mesmo que chefe? O que é liderar? Por que a questão da liderança é importante? 1. LIDERANÇA: DOM OU VIRTUDE? Uma das questões mais instigantes da liderança é saber se o líder nasce pronto ou se pode ser desenvolvido. Se considerarmos que o líder nasce pronto, estamos nos referindo a um dom, algo que já veio com a pessoa desde o nascimento. Não se trataria de uma escolha, mas de uma característica herdada, de algo que a pessoa tem naturalmente e que não seria passível de aprendizado. Já se pressupormos que a liderança pode ser desenvolvida, estamos nos referindo a uma virtude, algo que pode ser aprendido e adquirido pela experiência com outras pessoas, nas situações de vida ou nos bancos da escola. Nesse caso, é possível até programar essa aprendizagem, algo que muitas organizações e escolas de negócios se propõem a fazer: treinar e desenvolver profissionais para que ocupem de maneira programada posições de liderança nas empresas onde trabalham. Ou seja, poderíamos preparar as pessoas para ocupar não Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 apenas as posições atuais, mas também as posições futuras. O termo liderança ganha muita importância nesse contexto, pois é mais do que claro que, quanto maior a ascensão na hierarquia, quanto mais alto o cargo, mais seu ocupante dependerá de que outros façam o trabalho que precisa ser feito. Portanto, o trabalho primordial do líder será articular, integrar, coordenar e direcionar esses esforços. Definir se a liderança é um dom ou uma virtude é uma questão polêmica e podemos considerar que os dois pontos de vista são observáveis. Há pessoas que sem nenhuma preparação formal sabem se posicionar de forma destacada diante de situações inusitadas que exigem enfrentamentos e se saem bem nisso. No entanto, há também pessoas cujo histórico de vida não dava nenhuma pista de que se destacariam por alguma razão, mas por situações da vida e por esforço conseguem criar capacidades para enfrentar situações e decidir rumos operacionais e estratégicos sobre assuntos antes ignorados. Uma terceira via seria considerar que uma abordagem não exclui a outra e que ambas se relacionam entre si, potencializando ou reduzindo a capacidade de liderar. Assim, se partirmos da crença de que o ser humano é um projeto em construção permanente e que sempre podemos considerar o processo criativo e o desenvolvimento como integrantes de sua dinâmica, a virtude da liderança é algo que pode ser conquistado a partir da disponibilidade interna, do interesse, da vontade, do esforço e da disciplina. E, se também partirmos da crença de que o ser humano é um ser único, individualizado, consideraremos que já traz consigo seus próprios elementos, talentos, preferências e características que o colocam numa posição de maior ou menor facilidade para o exercício da liderança. Qual a resultante se juntarmos as duas abordagens? Em suma, a liderança é um dom que tem potencial para ser ampliado a partir das experiências e vivências que os contextos de vida pessoal, social e profissional possam oferecer. 2. MAS, AFINAL, O QUE É LIDERAR? Há uma série de concepções sobre o que é liderar. Trata-se de um conceito de difícil definição, pois envolve questões relacionadas a poder, autoridade, influência, justiça e responsabilidade, e cada uma dessas categorias pode ser entendida de diferentes maneiras. As definições mais comuns consideram que liderar é a capacidade de: • inspirar as pessoas, cuidar para que os objetivos sejam alcançados e até superados, a partir de um sentido de missão e de uma visão compartilhada; • revelar o melhor de cada pessoa, recurso ou situação; • usar o poder para influenciar o comportamento dos seguidores; • estabelecer a direção, orientar em tempos calmos e ser o referencial para tomada de decisão em tempos de mudança e turbulência e saber transformar os riscos em oportunidades; entre outras definições. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Para saber mais No âmbito da administração, como podemos entender a relação entre pessoas, poder e influência nos aspectos relacionados à liderança? Para saber mais sobre o assunto, leia o item Liderança, disponível no ambiente virtual. 3. DIFERENTES PERSPECTIVAS E EXPLICAÇÕES SOBRE A LIDERANÇA Vamos conhecer de que forma o conceito de liderança se desenvolveu no campo da Administração. 3.1. Chefiar versus liderar A primeira distinção muitíssimo importante é esta, pois, na visão taylorista da abordagem clássica da Administração, chefiar e liderar eram considerados sinônimos e, portanto, considerava-se que estavam na liderança todos os integrantes da linha de comando, ou seja, todos os profissionais com ascendência hierárquica sobre outros, do topo da organização ao escalão mais baixo. O mérito dessa concepção é ter definido com clareza quem se reporta a quem; e considerar que a autoridade é um direito inerente ao cargo de chefia e que na hierarquia espera-se que as ordens dadas sejam obedecidas. Entretanto, essa conceituação diz respeito à autoridade formal e ao que o cargo determina e carece da compreensão psicológica e social da interação humana. Numa concepção holística1, a liderança vai além do papel formal. Hoje, a definição estabelecida pela abordagem clássica é atribuída ao bom gestor e ao bom administrador que deve saber planejar, organizar, direcionar e controlar com eficiência. A partir daí, criou-se uma distinção entre os conceitos de chefe e líder, pois o líder é visto mais do que como um gestor-administrador, um profissional que mobiliza a mente e o coração dos profissionais, aumentando seu vínculo com o trabalho e a organização e, inclusive, alcançando resultados além dos estabelecidos. 3.2. Traços de personalidade Inicialmente, presumia-se que haveria traços de personalidade que caracterizariam a liderança, ou seja, que, se um profissional possuísse determinadas características, seria forte candidato a líder. Essa visão determinística e 1 Refere-se à concepção do todo, busca o entendimento integral dos fenômenos que devem ser vistos e observados na relação que estabelecem entre si e não cada uma das partes isoladamente. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 específica da liderança faliu após uma série de estudos e pesquisas, em que se verificou que não há um único e determinado padrão que pudesse distinguir a liderança, pois há líderes de vários tipos. Outra explicação para o fracasso dessa teoria é que características consideradas importantes, como iniciativa, autoconfiança e inteligência, podem ser condições necessárias, mas não suficientes, pois nem todos que as possuem necessariamente se tornam líderes. Além disso, considerar apenas as características isoladamente não se mostrou eficiente, tanto que o contexto passa a ser bastante considerado nas teorias que a sucederam. 3.3. Abordagem comportamental Em um segundo momento, veio a abordagem comportamental da liderança, em que se destaca o comportamento do líder e seu estilo, em vez dos traços de personalidade. Essa abordagem observava basicamente como os líderes se comportavam ao delegar tarefas e como se relacionavam com os subordinados. Esses dois eixos produziram uma série de contribuições bastante utilizadas até hoje. Um exemplo são os programas de desenvolvimento de lideranças e até mesmo as competências gerenciais que definem os estilos desejáveis e os comportamentos esperados. 3.4. Competências gerenciais 3.4.1. Orientação para tarefa e orientação para pessoas Basicamente os líderes podem ser divididos em dois grandes grupos: líderes mais orientados para tarefa e resultados e líderes mais orientados para pessoas. O líder mais voltado para a tarefa ou resultado é aquele que não mede esforços para alcançar a meta estabelecida ese concentra na execução do trabalho, em vez de se preocupar com os impactos que esse intento possa trazer ao ambiente. Já o líder orientado para pessoas considera a satisfação e o crescimento das pessoas no trabalho e é capaz de comprometer as metas estabelecidas levando em conta o ritmo e as motivações da equipe de trabalho envolvida. Sem dúvida, essa distinção é um falso dilema, pois, presumivelmente, o líder eficaz é aquele que consegue obter resultados por meio das pessoas e consegue unir essas duas vertentes. Entretanto, para efeitos de entendimento e de dinâmica de trabalho é bastante observável que os líderes podem operar mais numa vertente do que em outra, trazendo consequências e dinâmicas de interação bastante distintas. Estudos comprovam que em longo prazo são mais eficientes os líderes voltados para as pessoas, pois assim se cria um clima de respeito e confiança que tende a produzir melhores resultados. 3.4.2. Estilos de liderança É outra maneira de distinguir diferentes comportamentos que um líder pode ter com relação aos subordinados. Uma das classificações pioneiras mais conhecidas foi proposta pelo pesquisador Kurt Lewin da Universidade de Iowa: autocrático, democrático e laissez-faire. De alguma maneira todos estamos em um ponto desse continuum, Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 conforme pode ser visto na figura a seguir: Figura 1 – Continuum de comportamentos de liderança. Fonte: Sobral e Peci, 2012, p. 120. Liderança centrada no chefe; Liderança centrada no subordinado; Líder autocrático; Líder democrático; Líder laissez-faire; Uso da autoridade pelo administrador; Área de liberdade dos subordinados; O gerente toma e anuncia a decisão; O gerente “vende” a decisão; O gerente apresenta ideias e abre espaço para perguntas; O gerente apresenta uma decisão provisória sujeita a mudanças; O gerente apresenta o problema, recebe sugestões e toma a decisão; O gerente define limites e pede ao grupo que tome a decisão. 3.5. Teorias situacionais Nessa abordagem são três os fatores que condicionam o estilo de liderança: 1) características da situação; 2) características do líder; e 3) características dos subordinados. 3.6. Abordagem contingencial Em um terceiro momento, é possível ampliar ainda mais o foco, considerando, além dos fatores comportamentais e da tarefa, também os principais fatores do ambiente que interferem na ação do líder, a saber: a. a personalidade, os valores, a maturidade e as expectativas do líder; b. o grau de estruturação e o nível de complexidade das tarefas; c. a cultura e as políticas organizacionais; d. as condições ambientais, como turbulência do ambiente externo, pressão do tempo; Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 e. as expectativas dos superiores hierárquicos e dos pares. Como se percebe, essa abordagem abarca as anteriores e amplia a compreensão que se tem da liderança. Considera os estilos, mas também a situação e a maturidade da equipe. Um exemplo é a teoria de Hersey e lanchar que adota os estilos de liderança diretivo, persuasivo, participativo e delegador combinado com a situação e o tipo de equipe. A riqueza dessa abordagem é relacionar diferentes variáveis e mostrar que há uma interligação entre os múltiplos fatores, que as dinâmicas são relacionais e interdependentes. Só isso já nos mostra o quanto a questão da liderança não tem uma receita pronta. O quadro Antigo e novo paradigma de Liderança, a seguir, resume de que forma a liderança era encarada na abordagem clássica (antigo paradigma de liderança); e de que forma passou a ser abordada após a abordagem comportamental e holística (novo paradigma de liderança). Quadro 1 – Antigo e novo paradigma de liderança. ANTIGO PARADIGMA DE LIDERANÇA NOVO PARADIGMA DE LIDERANÇA Separação entre líder e liderado Integração entre líder e liderado Sentimento de superioridade do líder Sentimento sincero de igualdade entre líder e liderado Estilos autocrático, democrático e liberal de liderança Estilo participativo de liderança Simples relação visando cumprir os objetivos Líder estabelece uma relação evolutiva visando ao crescimento em direção à plena consciência Líder centrado em objetivos materiais Líder centrado em objetivos e valores superiores Visão superficial dos objetivos de vida e do trabalho Conscientização do sentido profundo da existência e do trabalho Visão limitada e reducionista aos objetivos imediatos Visão holística, abrangente e inclusiva: homem, sociedade e natureza Conflito: procura de culpa Conflito: procura das causas, oportunidade de aprender e dialogar Dirige grupos, departamentos, seções, setores isolados de organizações Incentiva redes de organismos vivos Ênfase em personalidades autoritárias ou obedientes, disciplinadas e energéticas Ênfase em personalidades harmoniosas, porém firmes e lúcidas. Fonte: Weil, apud Cavalcanti et al. (2005, p. 75). 4. A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DA EQUIPE Um líder é capaz de influenciar e extrair o melhor que cada um tem a oferecer. A verdadeira liderança, não importa se o estilo é autocrático ou democrático, é aquela capaz de revelar potenciais submersos, de ir além do que se presumia. Veja no quadro a seguir os passos que podem ser considerados para concatenar recursos e competências e de que forma articular as pessoas com os planos, as necessidades e os recursos da organização. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 Quadro 2 – O que a equipe de alto nível precisa saber? Posicionamento Recursos necessários Onde estamos agora? Análise situacional. Balanço da equipe. Quem somos nós? Autoavaliação. Autocompreensão. Valores. Qual reconhecimento desejamos? Feedback. Reconhecimento. Remuneração. Benefícios. Promoção. Quão eficazes somos nós? Benchmarking. Questionamento. Revisão dos processos da equipe. De qual apoio necessitamos? Treinamento e desenvolvimento. Aprendizagem da equipe. O que esperam de nós? Regras de base. Responsabilidades. Confiabilidade. Como chegar lá? Objetivos. Planos de ação. Aonde estamos indo? Visão. Saídas. Resultados. Propósitos. Fonte: Adaptado de Chiavenato (2011, p. 78). Conforme a figura, é importante que o líder comunique de forma clara o que se pretende fazer, quais os objetivos a serem alcançados e posicione constantemente os profissionais envolvidos nesse intento. É assim que funciona uma equipe de alto desempenho, com feedback constante Para saber mais Uma das funções mais demandadas de um líder é a capacidade que tem de organizar as tarefas, mas também de se relacionar e criar um clima de respeito e confiança. Se você fosse um líder recém-empossado, por onde começaria a conversa com a sua equipe? Leia o item Sete coisas que voce precisa aprender sobre os membros de sua equipe e que eles precisam saber sobre você e dois avisos, disponível no ambiente virtual. 5. LIDERANÇA NO SÉCULO XXI Depois de ampliar a compreensão da liderança e os traços de personalidade para as abordagens comportamental e contingencial, veremos neste momento, em termos de tendência, o resgate de aspectos mais abstratos, como a liderança com base em valores, liderança baseada na intuição, liderança baseada na imaginação e liderança baseada na sensibilidade. Na sociedade da informação, a capacidade de lidar com conceitos mais sutis, complexos e paradoxais aparece como uma demanda para os líderes. Vamos conhecer alguns deles. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 5.1. Liderança como gênio coletivo Esta abordagem é muito apropriada se pensarmos no contexto das organizações em rede, ou seja, no gerenciamento não apenas da estrutura própria, mas das alianças estabelecidas com fornecedores, clientes e com a própria concorrência. São organizações que se reconfiguram a todo momento dependendo da demanda que se apresenta. Aliás, a denominaçãode coletivo pretende substituir a denominação de rede já que se trata da mais apropriada, pois seu duplo significado expressa, ao mesmo tempo: 1) cada um que compõe o coletivo em separado; e 2) o coletivo singular quando considerado como um todo. Nessa perspectiva, caberia ao líder: a. esclarecer por que o coletivo existe e mostrar a importância de se reunir naquela configuração; b. determinar quem deveria fazer parte do coletivo; c. revelar o gênio coletivo, por meio da aceitação de diferenças, da aprendizagem e da definição da autoridade e autonomia; d. orientar-se para a ação, escolhendo as decisões cruciais para que a empresa prospere e definindo onde está a experiência necessária para que isso se realize. 5.2. Liderança dualista: prosperando no paradoxo Paradoxo é um termo muito explorado pela filosofia e pela matemática ao mostrar como lógicas aparentemente incongruentes, contraditórias e excludentes podem apresentar algum sentido e vice-versa. Essa abordagem é muito apropriada se pensarmos no símbolo oriental do tao em que se junta o yin e o yang; nos movimentos da natureza: como a respiração, inspiração-expiração; o batimento cardíaco, sístole-diástole; ou ainda as águas, fluxo-refluxo. Essa teoria se baseia no fato de que os movimentos das organizações também são pendulares e que caberia ao líder saber identificar em que momento o pêndulo começa a mudar de direção e reorientá-la, pois é nesse processo de mudança que a organização poderá se revitalizar e se fortalecer. Essa estratégia valeria para os processos de centralização e descentralização da estrutura; para as definições de curto e longo prazos; para a determinação do que deve ser diferenciado ou integrado. São escolhas que criam tensões e até se excluem entre si. Há momentos em que é necessário se reordenar de forma diferente para criar respiros e fortalecer a organização. Portanto, a ideia central é aproveitar o aparentemente contraditório – e até excludente – para se alcançar um patamar ainda mais expressivo de desempenho. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 5.3. Orientação por valores Nesta abordagem, a aposta é que a comunicação efetiva irá revolucionar produtos, serviços e a própria energia humana num momento em que caos e ordem se alternam. Nesse contexto de tanta mudança, apenas as pessoas com valores essenciais, bem formadas e preparadas, poderão estabelecer processos de comunicação e conexões de qualidade com outras pessoas. Elas poderão criar relações de confiança por meio da comunicação. A ideia presente é que o líder trabalhe em uma camada mais profunda, a da formação e educação de seus profissionais. Nesse tipo de liderança, as orientações são para: 1) os valores essenciais, em vez da carreira; 2) os processos; 3) os relacionamentos, em vez da tecnologia; 4) o compartilhamento das informações; 5) o nós, em vez do eu; 6) as pessoas, em vez do produto; e 7) o líder educador. Essa três teorias dão o tom, digamos, da nova era da administração, ou seja, que demanda dos líderes não apenas a questão técnica formal, mas que integre também sensibilidade, valores e intuição. CONSIDERAÇÕES FINAIS Observamos que na evolução das diversas teorias sobre liderança houve um deslocamento de definições mais fechadas e descritivas para orientações mais abertas e interdependentes. Está claro que: 1) o líder participa de um contexto e que a sua capacidade de decidir não apenas afeta e modela, mas é também afetada e modelada por esse contexto; 2) não há apenas líderes no pedestal, mas profissionais, estruturas e processos que garantem a realização do planejado; e 3) o resultado pragmático e concreto da gestão depende também do imponderável e da sensibilidade do líder. Trata-se de uma grande evolução como orientadora da liderança de forma integral, e que no dia a dia do trabalho precisa estar associada a bons resultados, à superação das metas e à competitividade da empresa. Por último e não menos importante: o líder precisa liderar a si mesmo e desenvolver o autoconhecimento, pois apenas dessa forma poderá desenvolver seu senso de justiça e a percepção de como seu modo de agir e se relacionar impacta as demais pessoas envolvidas. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 Na prática Conheça o estilo de liderança dos executivos brasileiros e pense a respeito. Afinal, com que tipo de líder você mais se identifica? Qual deles você gostaria de ser? Leia o Quadro Contextual O Estilo de Liderança dos Executivos Brasileiros, disponível no ambiente virtual. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 13 REFERÊNCIAS CAVALCANTI, V. L et al. Liderança e motivação. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2005. (Série Gestão de Pessoas.) CHIAVENATO, I. Administração para não administradores: a gestão de negócios ao alcance de todos. Barueri: Manole, 2011. _____. Iniciação à Administração Geral. Barueri: Manole, 2009. CORTELLA, M. S.; MUSSAK, E. Liderança em Foco. Campinas: Editora Papirus 7 Mares, 2009. CHOWDHURY, S. Administração no século XXI: o estilo de gerenciar hoje e no futuro. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2003. HARVEY, Robbins; FINLEY, Michael. O líder acidental: o que fazer quando você se torna chefe. São Paulo: Prentice Hall, 2005. SOBRAL, F.; PECI, A. Fundamentos de Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. PONTO DE PARTIDA: VALORES E PREMISSAS NO PROCESSO DECISÓRIO ...............................................................................4 2. O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO NA ADMINISTRAÇÃO E SUAS ETAPAS .........................................................6 3. A COMUNICAÇÃO NO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO ...9 3.1. Abrangência .................................................................................................9 3.2. Delegação e autoridade ..............................................................................9 3.3. Sistema de informações gerenciais .........................................................10 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 10 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 12 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO E A COMUNICAÇÃO Até este momento do curso, já aprendemos uma série de conceitos sobre o mundo do trabalho, os processos de mudança, a gestão de pessoas, a cultura, o ambiente e a aprendizagem organizacional e também sobre liderança. Chegou a hora de explorarmos o processo de tomada de decisão e a comunicação. A tomada de decisão é um processo muito estudado por vários domínios da ciência, mas há algo em comum entre eles: entender de que forma e com base em que fazemos determinadas escolhas. Como definimos que A é melhor que B? Por que chegamos a essa conclusão? Decidir é basicamente escolher entre diferentes alternativas e possibilidades, com o objetivo de resolver problemas ou aproveitar as oportunidades que surgem. No final das contas, tudo se refere a resolver questões que se apresentam, sejam elas planejadas ou não. Assim, as decisões podem se referir aos rumos estratégicos de uma organização em termos de seu portfólio: devo entrar em outros negócios? Qual deles faz mais sentido integrar? Por quê? Qual será o ganho? E com relação a esta atividade, devo continuar ou descontinuar? Devo lançar este produto? De que forma? Quais pessoas devo convidar para a inauguração desta nova loja? Qual funcionário devo contratar? Que fornecedor tem melhores condições de me atender? O marketing, muitas vezes, utiliza a neurociência para entender de que forma as pessoas optam por determinadoproduto na gôndola de um supermercado ou por qual motivo escolhem determinados itens de consumo em vez de outros. Portanto, interessa aos estudiosos do tema entender como se dá o processo de tomada de decisão não apenas por parte dos gestores e dos profissionais nos vários processos de gestão pelos quais são responsáveis, mas também por parte dos clientes atendidos e dos mercados dos quais se participa, pois é a partir dessas escolhas que definimos o que terá maior ou menor importância e os rumos que serão tomados. Para ambos os casos, a administração desenvolveu uma série de ferramentas que ajudam a estruturar melhor o processo de tomada de decisão, com o objetivo de aumentar a chance de que as escolhas sejam benfeitas. É a partir desse momento que passamos a nos preocupar com a comunicação, pois, para que haja decisões, é necessário informar as pessoas envolvidas. Para que uma intenção estratégica ocorra, é necessária a comunicação para que as pessoas tenham conhecimento do rumo a seguir a fim de que se torne realidade. Para saber mais Você quer saber como a neurociência aborda a questão do desejo e das decisões? Você sabe como funciona o nosso cérebro com relação às recompensas e aos estímulos? Entenda sobre o processo de tomada de decisões lendo o quadro ilustrativo Decisões e desejos, disponível no ambiente virtual. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 1. PONTO DE PARTIDA: VALORES E PREMISSAS NO PROCESSO DECISÓRIO Tomar decisões implica a capacidade de fazer julgamentos. A capacidade de julgamento é importante, já que determina, em grande parte, a ascensão ou a queda de um profissional na organização. Gestores são demandados o tempo todo a tomar decisões dos mais diversos tipos, de diferentes graus de complexidade. Quanto mais alto o nível, maior o impacto das decisões tomadas. Mas qual é o ponto de partida? Toda vez que julgamos algo, partimos da premissa de que aquilo em que acreditamos nada mais é do que uma suposição. Veja dois exemplos bem simples que ilustram esse conceito. Sabemos, por exemplo, que um degrau implica um desnível e que precisamos subir ou descer. Se, diferente disso, supomos que não há um degrau e ao andar topamos com um deles, é porque partimos da premissa de que o chão estava reto e de que não havia nenhum desnível. Imagine agora que determinada frase lhe é apresentada em cirílico, hebraico, russo, romeno ou mandarim. Você conseguiria distinguir uma língua da outra? Saberia qual o significado da mensagem? Saberia se se trata da mesma mensagem? Esses dois exemplos nos mostram o quanto o conhecimento e a experiência nos conduzem em direção a um ou a outro caminho, pois, no primeiro exemplo, muitas vezes, tomamos decisões com base no passado, porque já conhecermos do que se trata. Já no segundo exemplo tomamos decisões no escuro e fazemos uma aposta quando lidamos com desafios e experiências sobre as quais não temos referencial ou que desconhecemos. No entanto, somente o dado (supostamente objetivo) daquilo que analisamos não consolida o processo decisório. Outro filtro fundamental são os nossos valores, pois eles determinam o que acreditamos ser o “melhor” a ser feito, com base em nossas crenças e em nossa visão de mundo. Por exemplo, se eu acreditar que profissionais de determinada área têm muito a dizer e que suas ideias contribuem no processo de gestão, eu os consulto. Se, por outro lado, eu acreditar que esses profissionais são meros executores de tarefas e que nada teriam a dizer, eu não os envolvo no processo de tomada de decisão. Além de fatores objetivos, tanto a subjetividade quanto a parcialidade implicam diretamente o processo de tomada de decisão, isso porque nem sempre: 1. sabemos do que se trata; 2. dispomos de todas as informações; 3. temos clareza sobre o assunto; 4. as mesmas informações conduzirão ao mesmo julgamento. Porém, é importante que se aposte em algo, pois, dependendo do caso, deixar de tomar uma decisão pode implicar um problema até maior do que se decidíssemos algo, ainda que não seja a solução mais acertada para o momento. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Podemos utilizar vários meios para tomar decisões: 1. os modelos racionais; 2. formação de uma equipe para pensar coletivamente; e 3. a própria intuição, que tem sido vista como uma alternativa valiosa na era da informação. Afinal, o fato de termos informação demais também é paralisante. Como selecionar determinados itens diante de tantos disponíveis? Como distinguir o que serve do que não serve? Veja no quadro a seguir, como, ao longo dos séculos, os critérios e os conhecimentos – que envolvem o processo de tomada de decisão – foram se modificando. É de fundamental importância observar o quanto as premissas, a visão de mundo e o modo de pensar têm a ver com o contexto histórico. Isso porque nesta visão de mundo temos uma breve história da tomada de decisão, desde a pré-história, quando as decisões eram tomadas com base nas interpretações de sonhos, sinais de fumaça, oráculos e profetas; até os estudos mais científicos, que consideram a gestão de riscos, a incerteza e, paradoxalmente, a própria intuição. Quadro 1 – Breve história da tomada de decisão. Pré- história Durante milênios, as decisões humanas foram guiadas por interpretações de sonhos, fumaça, vísceras de animais, feitas por oráculos e profetas, entre outros métodos pouco convencionais. Século V a.C. Os homens de Atenas, em uma forma embrionária de governo democrático, tomavam as decisões por meio da votação. Século IV a.C. Aristóteles propõe uma visão empírica do conhecimento que avalia a informação obtida por meio da percepção e do raciocínio dedutivo. 333 a.C. Alexandre, o Grande, corta com a espada o nó de górdio, mostrando como um problema difícil pode ser resolvido com uma decisão ousada. 49 a.C. Júlio César toma a decisão irreversível de cruzar o rio Rubicão: nasce uma poderosa metáfora sobre a tomada de decisão. 1641 René Descartes propõe que a razão é superior à experiência como forma de obter conhecimento e estabelece uma estrutura para o método científico. 1900 O trabalho de Sigmund Freud sobre o inconsciente sugere que as ações e decisões das pessoas geralmente são influenciadas por causas escondidas na mente. 1921 Frank Knight distingue o risco, no qual a probabilidade de um resultado pode ser conhecida, da incerteza, em que a probabilidade dos resultados é desconhecida. 1938 Chester Barnard introduz o conceito de tomada de decisão em administração, distinguindo a tomada de decisão pessoal da organizacional. 1944 No livro Teoria dos jogos, John von Neumann e Oskar Morgenstern descrevem um modelo matemático para a tomada de decisão econômica. Como a maioria dos teóricos predecessores, eles consideram que os tomadores de decisões são racionais e consistentes. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 1947 Rejeitando a noção clássica de que os tomadores de decisões se comportam com perfeita racionalidade, Herbert Simon argumenta que, em virtude dos custos de obtenção de informações, executivos tomam decisões apenas com uma “racionalidade limitada”. Década de 1950 Pesquisas conduzidas pelo Carnegie Institute of Technology e pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) levam ao desenvolvimento das primeiras ferramentas de apoio à tomada de decisão, assistidas por computador. 1972 Irving Janis cunha o termo groupthink para a tomada de decisão falha que prioriza o consenso em detrimento do melhor resultado. 1973 Fischer Black e Myron Scholes demonstram uma forma de avaliar com exatidão o valor de ações, iniciando uma revolução na gestão do risco. Henry Mintzberg descreve diferentes tipos de tomadores de decisões e contextualiza a tomada de decisões no trabalho gerencial. Henry Mintzberg descreve diferentestipos de tomadores de decisões e contextualiza a tomada de decisões no trabalho gerencial. 1979 Amos Tversky e Daniel Kahneman publicam a teoria do prospecto, que demonstra que o modelo econômico racional não é capaz de descrever como uma pessoa toma decisões diante das incertezas da vida real. 1984 Daniel Isenberg explica que um administrador combina o planejamento rigoroso com a intuição quando o grau de incerteza é elevado. 1989 Howard Dresner introduz o termo business intelligence para descrever uma série de métodos de apoio a um processo decisório analítico sofisticado voltado a melhorar o desempenho da empresa. 1995 Anthony Greenwald cria o teste de associação implícita para revelar atitudes ou crenças inconscientes capazes de influenciar o julgamento. 2005 Malcolm Gladwell explora a tese de que decisões instantâneas são, às vezes, melhores do que aquelas fundadas em longas análises racionais. Fonte: SOBRAL e PECI (2008, p. 99). 2. O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO NA ADMINISTRAÇÃO E SUAS ETAPAS Chester Barnard foi o primeiro a introduzir o conceito de tomada de decisões como uma das principais funções do administrador, que passa a ser considerado alguém que põe em prática soluções para resolver os problemas, e não apenas para deliberar. Portanto, nesse conceito, decidir é algo que já inclui um princípio de ação. O processo de tomada de decisões talvez seja a principal função do administrador: decidir, o tempo todo, sobre vários assuntos, nos mais diferentes níveis de complexidade. Portanto, as decisões podem ser de diversos tipos (SOBRAL e PECI, 2008), são eles: Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 • tomada de decisão ambiente: envolve certeza, risco ou incerteza; • nível organizacional: operacional e estratégico; • tipo de decisão: decisão programada ou não programada. Algumas decisões são mais simples, como definir quem será agendado para uma reunião; já outras envolvem estudos profundos para reunir o mínimo de informações necessárias para que a decisão seja tomada, como a redefinição de portfólio. Naturalmente, a forma como a decisão se dá depende muito do ambiente e do contexto em que acontece. Para uma microempresa, ou mesmo uma empresa pequena, provavelmente o processo de tomada de decisão é pouco formal. Via de regra, o administrador confia bastante em seu faro – a tal da intuição –, e se baseia nas fontes abertas disponíveis, como informações gerais da imprensa, conversas, auxílio de entidades como o Sebrae1 e o conhecimento de que dispõe. Para as empresas grandes e em especial as empresas públicas, os processos de tomada de decisão costumam ser bastante estruturados e formalizados. Muitas das decisões podem: • solicitar a aprovação de mais de um nível hierárquico; • estabelecer faixas de valores financeiros por nível hierárquico. Assim, dependendo do custo que a decisão envolve, deverá ser aprovada pelo nível gerencial e não pelo de supervisão, por exemplo; • dispor de formulários próprios e políticas preestabelecidas. Veja no quadro a seguir alguns tipos de tomada de decisão em quatro áreas funcionais: Finanças, Recursos Humanos, Marketing e Produção. Quadro 1 – Decisões e as áreas funcionais. Finanças Recursos Quais são os objetivos financeiros da organização? Que investimentos devem ser priorizados? Como devemos financiar a atividade da organização? Qual é a política de distribuição de dividendos? Que política salarial deve ser instituída na organização? Devemos ter um processo de recrutamento interno ou externo? Qual é o estilo de liderança mais eficaz? Que ações de treinamento são necessárias para aumentar a produtividade? Marketing Produção Qual é a estratégia de distribuição mais adequada aos objetivos da organização? Que tipo de incentivos devemos usar com a equipe de vendedores? Que tipo de campanha publicitária é mais adequada para esse produto? Como podemos avaliar e controlar o desempenho da equipe de vendedores? Que fornecedores devemos utilizar? Qual volume de produção devemos planejar para o próximo mês? Como podemos organizar o layout de produção para otimizar o processo? Qual é o sistema de controle do processo produtivo mais adequado para garantir a qualidade dos produtos? 1 O Serviço Brasileiro de Apoio às Pequenas e Microempresas (Sebrae) é uma agência que apoia o empreendedor e o pequeno empresário, oferecendo serviços de consultoria, informações técnicas e programas de treinamento. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Fonte: SOBRAL e PECI (2008, p. 100). A tomada de decisão no caso dos gestores de negócios, processos e pessoas obedece a seis etapas (SOBRAL e PECI, 2008), são elas: 1. A identificação da situação: é preciso identificar os objetivos que se pretende alcançar com determinada decisão. 2. Análise e diagnóstico da situação: busca-se principalmente analisar quais são as causas que estão na origem e que permitiriam resolver o problema ou aproveitar as oportunidades. 3. Desenvolvimento de alternativas: é a capacidade de gerar possibilidades e caminhos válidos, que permitam responder às necessidades da situação e solucionar as causas. Boas alternativas devem ser: abrangentes, genuínas, exequíveis e numerosas. 4. Avaliação das alternativas: consiste em avaliar e comparar as possíveis alternativas e definir pela melhor ou mais adequada. São crivos importantes: a. impactos financeiros; b. benefícios; c. ativos intangíveis; d. tempo; e. recursos; e f. risco. É possível utilizar técnicas e metodologias – como Análise de Prós e Contras e Árvore de Decisão – para estabelecer prioridades e objetivar ainda mais a avaliação. 5. Seleção e implementação de uma possibilidade de ação: a escolha sempre envolve algum grau de risco, pois nem sempre se dispõe necessariamente de todas as informações necessárias, pode haver recursos limitados, mesmo de tempo, e a intuição entra como forte componente. Já a implementação depende do estabelecimento de atribuições e responsabilidades dos envolvidos, de explicar os motivos da escolha de determinada alternativa; e deixar claro o que se espera após a implementação. É nessa fase que o processo de comunicação entra fortemente. 6. Monitoração e feedback da decisão tomada: a monitoração e o feedback garantem o controle e o acompanhamento do que foi feito para atestar a qualidade da escolha – se os objetivos esperados foram atingidos – e corrigir ou aprimorar continuamente o que foi resolvido. Portanto, a tomada de decisões engloba uma série de etapas para sua consecução no ambiente de negócios. O grau de sofisticação com que isso ocorre também vai depender do ambiente, pois, em uma organização mais estruturada e formal, poderá haver um processo desenhado com formulários específicos para o acompanhamento de algumas ou até de todas as etapas, de acordo com o tipo de decisão. Em ambientes menos estruturados, essas etapas também ocorrem, só que de maneira informal. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 3. A COMUNICAÇÃO NO PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO A comunicação, conforme vimos, torna-se imprescindível na implementação da decisão tomada. Além disso, também se recomenda que a comunicação se dê bem antes de implantar uma decisão, já no próprio desenho da tomada de decisão. A comunicação é a maneira de conhecer a opinião dos outros a respeito de determinada questão; de envolver as pessoas para pensar e opinar sobre determinado assunto; e até de decidir sobre algo consultando as partes envolvidas. 3.1. Abrangência É muito importante salientar que envolver outras pessoas no processo decisório é mais frequentemente necessário quando não se tem as respostas, ou seja, quando não se sabe que decisão tomar, nem como resolver. Conforme vimos, algumas decisões são de praxe e já sabemos de antemão ou com muita facilidadedar uma resposta para a questão, problema ou oportunidade que se apresenta. No entanto, há questões, problemas e oportunidades que não temos a menor ideia de como encaminhar, nem sequer de por onde começar. Nesse caso, como diz o velho ditado: “duas cabeças pensam melhor que uma”. Portanto, envolver as pessoas da organização nas questões também tem a ver com a questão da Aprendizagem Organizacional e com de que forma aproveitar o conhecimento disponível para aperfeiçoar a condição atual ou criar possibilidades. Há outros tipos de decisão que são do tipo Petit Comité, ou seja, apenas um pequeno e privilegiado grupo de pessoas tem acesso à decisão, já que costumam ser de grande impacto. É o caso das decisões secretas, como o lançamento de um novo produto, a compra de uma empresa pela outra, a demissão em massa de muitos funcionários, o fechamento de uma fábrica, a escolha de um processo licitatório, o vencedor de um concurso, a mudança de comando de uma área importante ou de toda a organização etc. 3.2. Delegação e autoridade Do ponto de vista formal, definir quem será o responsável por colocar em prática o que foi decidido é muito importante. Portanto, delegar a quem é de direito fazer e, dependendo do caso, como fazer reúne as condições necessárias para que a decisão saia do papel e seja implantada, ou, se preferir, saia da gaveta. Em geral, é comum que uma decisão de grande complexidade não seja totalmente desenhada nos detalhes de sua implementação. Por isso, a delegação de tarefas – ou seja, a atribuição de poderes a alguém com autoridade suficiente para decidir sobre algo – faz toda a diferença. Afinal, se não houver implantação, as boas ideias não passam de apenas boas ideias. Certamente um dos pontos-chave da implementação é escolher as pessoas certas, os fornecedores certos e as entidades certas para que levem a ideia planejada adiante e a coloquem em prática. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 3.3. Sistema de informações gerenciais Organizações de maior porte costumam dispor de um sistema de informações interno que provê uma série de informações aos funcionários e, principalmente aos gestores, e que os auxilia na tomada de decisão. Um funcionário pode acessar o sistema para introduzir dados referentes a determinada transação comercial, definição de itinerário, atualização de currículo, especificação da data, local e encomenda para entrega de um pedido, quantidade de peças a ser produzida, quantidade de matéria-prima a ser colocada em determinada máquina, entre muitas outras ações. Cada uma dessas informações teoricamente tem uma razão técnica para existir, as quais podem fazer parte do que é denominado Sistema de Informações Gerenciais2. Especialmente na área de sistemas, há uma conceituação especial para dados e informações. Considera-se dado o elemento bruto que não conduz necessariamente a algum tipo de conclusão. Quando os dados são relacionados e analisados, gera-se informação que pode ser transformada em conhecimento e que poderá apoiar o processo decisório. Existe a possibilidade de agregar e separar as informações por área, por assunto e, ainda, formar subconjuntos de dados consolidados e que são dirigidos a diferentes profissionais e gestores em função da área e do nível hierárquico. A definição de que gestores têm acesso a um tipo de informação é denominada nível de acesso. A alta direção tem a consolidação geral e por área das informações, o que a auxilia enormemente no diagnóstico da situação e na previsão das decisões futuras. Há sistemas de informações complexos que direcionam o próprio processo de gestão, disponíveis no mercado e utilizados por muitas empresas. São os chamados Sistemas Integrados de Gestão Empresarial (SIGE ou SIG), mais conhecidos como Enterprise Resource Planning (ERP, na sigla em inglês). Esses sistemas funcionam por módulos das diversas áreas funcionais – RH, Finanças, Comercial, Operações –, e oferecem uma série de informações. Além disso, modelam grande parte dos processos, uma vez que já têm uma trilha na qual os dados são alimentados e os relatórios gerados a partir de um modelo previamente definido. Mesmo com a possibilidade de que esse modelo e os diversos módulos possam ser adaptados à realidade da organização, existe uma ordenação e imposição em termos de processo de trabalho que demandam grande esforço para que os profissionais se adaptem e organizem o trabalho das áreas envolvidas na concepção estabelecida pelo sistema. Em geral, para implantá-los, a área de RH é chamada para ajudar no processo de integração e de mudança organizacional que a adoção de sistemas integrados gera. CONSIDERAÇÕES FINAIS Conforme vimos, a tomada de decisão é um processo corriqueiro, que envolve grande parte do tempo e do trabalho dos gestores e também dos profissionais. No entanto, além das informações administrativas e do dia a dia, grande parte das tomadas de decisões refere-se a assuntos fora da rotina, que nem sequer foram planejados previamente. Mudanças externas e de 2 Consiste na seleção das informações mais importantes para que se saiba o que acontece na organização e que poderá auxiliar no processo de tomada de decisão. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 conjuntura, fatos inéditos e novos desafios impõem-se e o gestor precisa decidir o que fazer. A administração criou uma série de ferramentas e modelos de gestão que podem apoiar o processo decisório. Para organizações mais complexas, o sistema de informações gerenciais é de fundamental importância para reunir e organizar as informações dos mais diversos níveis e permitir que novas decisões sejam tomadas. Um painel de controle que oferece aos profissionais e gestores dados e informações sobre a situação organizacional. Naturalmente, independentemente do apoio e da infraestrutura, do grau de formalidade ou de informalidade, da decisão individual ou conjunta, dentre outros fatores, a questão da intuição se faz presente. A tomada de decisões talvez seja o requisito mais nobre na escala da inteligência e do conhecimento que se espera que uma organização, um profissional, um gestor obtenha. Afinal, as decisões podem definir sucessos ou fracassos. Mais do que isso, é importante nos darmos conta de que as decisões que tomamos afetam em maior ou menor grau nosso entorno. Gostaria de ressaltar a importância de John Nash, Prêmio Nobel de Economia, em 1994, cuja genialidade e luta contra a esquizofrenia são retratadas no filme Uma mente brilhante, vencedor de quatro Oscars. Um dos matemáticos mais expressivos do século XX, pela sua contribuição à Teoria dos Jogos, Nash mudou o paradigma anterior ao revelar a dimensão ética do processo decisório: o quanto uma boa decisão precisa ser boa para todos. Ele afirmava que “O melhor resultado acontece quando todos os integrantes de um grupo fazem o melhor por si próprios e pelo grupo”. Na prática Será que a Teoria dos Jogos de John Nash poderia ser aplicada a uma paquera? Acredite que sim. Assista um trecho de uma cena exibida no filme Uma mente brilhante, vencedor de quatro Oscars – disponível no ambiente virtual – e veja como surge o insight dessa importante teoria numa situação do cotidiano. Para saber mais Para você a intuição é uma abordagem válida para todos os tipos de decisão de uma organização? Por que em um mundo tão sofisticado tecnologicamente esse atributo tem se destacado? Para ajudá-lo a responder essas perguntas, leia o item O papel da intuição na tomada de decisão, disponível no ambiente virtual. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 REFERÊNCIAS GUIMARÃES, T. de C. Comunicação e Linguagem. São Paulo, Pearson Education do Brasil, 2012. SCATENA, M. I. C. Ferramentas para a moderna gestão empresarial: teoria, implementação e prática. Curitiba: Ibpex, 2010. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração:teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. O QUE SÃO MODELOS DE GESTÃO ....................................................3 2. OS NÍVEIS ORGANIZACIONAIS .........................................................3 2. OS MODELOS ESTRATÉGICOS DE GESTÃO .....................................5 2.1. Análise SWOT ..............................................................................................7 2.2. Matriz BCG ...................................................................................................9 2.3. Modelo das cinco forças de Porter ..........................................................10 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................11 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 12 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 OS PRINCIPAIS MODELOS ESTRATÉGICOS DE GESTÃO Após ter aprofundado nosso conhecimento sobre o processo de tomada de decisão, espero que tenha ficado claro o quanto a dimensão ética, os valores, os pressupostos e a intuição estão presentes nas escolhas que são feitas. Escolhas que, no campo da administração, contam com um suporte magnífico de técnicas e ferramentas que auxiliam o gestor a ponderar o que pode ser melhor do ponto de vista objetivo, mensurável, quantitativo, Portanto, as duas coisas são importantes. No entanto, antes de enveredarmos para a dimensão estratégica, é importante esclarecer o que são modelos de gestão. 1. O QUE SÃO MODELOS DE GESTÃO Uma definição bastante completa é apresentada por Assen e colaboradores (2010), que conhecem a dimensão teórica e prática dos modelos de gestão, já que o trabalho desses autores implica utilizar vários dos modelos apresentados. Segundo eles, Os modelos de gestão destinam-se a resolver problemas e desafios de negócios e podem propiciar uma nova maneira de ver uma situação que resulte em uma mudança positiva. Podem ser aplicados de forma estratégica, tática ou operacional: alguns são ferramentas de solução de problemas, desenvolvidas para aumentar a eficiência e a eficácia; a maioria foi criada para resolver problemas específicos decorrentes de situações também específicas. Infelizmente, nenhum modelo (ou grupo de modelos) de gestão pode garantir que um gestor ou um consultor lide com um problema organizacional de maneira objetiva e com o melhor de sua capacidade; além disso, a grande variedade de modelos disponíveis pode até ser desorientadora. Ainda assim, os modelos podem fornecer percepções valiosas e um processo sólido que leve às escolhas empresariais mais apropriadas. Os modelos e as teorias de gestão podem ajudar gestores e consultores a obter uma percepção mais clara dos negócios ao reduzir complexidades e incertezas – nada mais, mas também nada menos que isso. (...) definimos um modelo como uma ferramenta a ser empregada (para fins de processo ou análise) para melhorar o funcionamento cotidiano do negócio, pela melhoria tanto dos métodos gerenciais como do desempenho organizacional, ou para resolver problemas relacionados. (p. VII) Como se observa, o campo é vastíssimo e há múltiplas possibilidades de utilização. 2. OS NÍVEIS ORGANIZACIONAIS Há uma divisão clássica – e pode-se dizer que a mais universal de todas – no campo da gestão e da administração, que é a divisão em três níveis: estratégico, tático e operacional. Essa divisão é importante, pois pauta, define e referencia atribuições e responsabilidades em cada um desses âmbitos. É comum ouvirmos uma conversa do tipo: “Essa é uma questão operacional”, ou “Esse cargo é estratégico nesta empresa”, ou “A tática que vamos utilizar é...”. O fato é que corriqueiramente endereçamos assuntos e atividades que devem ser realizadas a um desses três níveis e que têm forte relação com determinado nível hierárquico. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Figura 1 – Planejamento por nível organizacional. Fonte: SOBRAL e PECI (2008, p. 135). Um exemplo, no caso da área de vendas, poderia incluir as seguintes definições nos diferentes níveis: • No nível estratégico: tornar-se o líder de vendas de determinado produto no mercado. • No nível tático: definir que os vendedores deverão passar por treinamento intensivo e que uma campanha de incentivo será feita junto aos clientes. • No nível operacional: estabelecer as metas a serem atingidas nos respectivos prazos por cada um dos vendedores e implantar a campanha de incentivos. Vamos começar pelo coração das escolhas no âmbito estratégico, pois elas se referem à organização como um todo, cobrem objetivos e estratégias de longo prazo e servem de base para a formulação dos planos táticos e operacionais. As escolhas, são, portanto, a origem a partir da qual todo o restante se desenrola. Vale destacar que todos os níveis são de enorme importância, são interdependentes e se retroalimentam. De nada adianta uma estratégia maravilhosa se a execução fica comprometida e vice-versa. Mas “a César o que é de César”: se o ponto de partida estiver errado, as consequências não são poucas, e um bom planejamento estratégico pode implicar uma vantagem competitiva significativa. Vimos o quanto a relação entre estratégia e missão, visão e valores é fundamental para criar a identidade organizacional e garantir sua vitalidade nos processos de desenvolvimento e de inexoráveis mudanças. Agora, vamos mostrar como é possível fazer escolhas e formulações estratégicas, utilizando-se ferramentas e conceitos criados para essa finalidade. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 2. OS MODELOS ESTRATÉGICOS DE GESTÃO O nível estratégico está vinculado ao mais alto escalão hierárquico da organização, lugar em que as definições – que afetam a todos – são tomadas. Os responsáveis por essa tarefa nas grandes organizações são o presidente, vice-presidentes, diretores e conselheiros. No caso das pequenas e médias empresas, essas decisões ficam a cargo do dono ou dos sócios. Enfim, de quem manda. As decisões nesse âmbito têm muito a ver com o ambiente externo e com o mercado. Em geral, dizem respeito aos rumos estratégicos da organização e envolvem questões do tipo: De que negócios (serviços ou produtos) devemos participar? De que negócios (serviços ou produtos) devemos sair? Quanto capital devemos investir? A análise estratégica do ambiente externo e do mercado e sua relação com a organização são o ponto de partida para todas as avaliações e considerações estratégicas. O que muda são as metodologias para isso. Em cada uma delas há uma forma de enquadrar e ordenar as informações desse âmbito, atribuindo diferentes pesos e graus de importância. Na análise do ambiente externo, é preciso identificar quais fatores exercem interferência na dinâmica da organização, ou seja, aqueles que podem interferir direta ou indiretamente no seu desempenho. É uma avaliação bastante aberta na qual é necessário acompanhar as tendências e as mudanças nos contextos demográfico, sociocultural, tecnológico, político-legal e econômico. Naturalmente, entram nesse amplo radar o monitoramento de todos os públicos de interesse (stakeholders) com os quais a organização se relaciona. Na figura a seguir podemos ver que tipo de resultado é esperado nessa relação para cada um dos principais públicos. Figura 2 – Para onde devem ir os resultados da empresa. Fonte: CHIAVENATO (2009, p. 139). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Vemos, por exemplo, os acionistas contribuem com investimentos financeiros e esperam que haja um retorno desse investimento; enquanto os clientes contribuem com a aquisição dos bens e serviços oferecidos pela empresa eesperam obter a satisfação no uso desses produtos ou serviços. Basicamente, na análise do ambiente interno, devemos considerar os recursos e as capacidades que determinam sua competitividade. É um exame interno em que se inventariam todas as forças, potencialidades e fraquezas da organização: o que se tem e com o que se pode contar. Vários desses fatores podem ser vistos a seguir, por área funcional. Assim, devem ser consideradas as principais áreas, como Marketing, Administração, Pesquisa e Desenvolvimento, Produção, Recursos Humanos e Finanças, e verificar quais os principais indicadores de cada uma delas para que possamos fazer de fato uma análise interna. No caso de Finanças, por exemplo, os indicadores poderiam ser o grau de endividamento, liquidez, rentabilidade; e no caso de Marketing poderiam ser participação no mercado, linhas de produtos e satisfação dos clientes. Tabela 1 – Análise interna. Marketing Administração e organização Pesquisa e desenvolvimento • Participação de mercado • Canais de distribuição • Linhas de produtos • Satisfação de clientes • Reputação e imagem da marca • Eficiência dos esforços promocionais • Qualidade dos administradores • Cultura organizacional • Estrutura organizacional • Sistemas de controle gerencial • Grau de centralização • Canais de comunicação internos • Tecnologias disponíveis • Patentes • Programas de pesquisa • Inovações tecnológicas • Capacidade laboratorial • Desenvolvimento de novos produtos Produção Recursos Humanos Recursos financeiros • Equipamentos • Localização das instalações • Acesso às matérias-primas • Produtividade e eficiência • Estrutura de custos • Controle de qualidade • Nível de experiência • Habilitações acadêmicas • Rotatividade dos trabalhadores • Força dos sindicatos • Satisfação no trabalho • Absenteísmo • Grau de endividamento • Liquidez • Solvibilidade • Rentabilidade • Margem de lucro • Cotação das ações Fonte: SOBRAL & PECI (2008, p. 145). No livro Modelos de gestão (ASSEN; BERG; PIETERSMA, 2010) há 18 metodologias destacadas como as mais importantes apenas em modelos estratégicos; as demais dizem respeito aos modelos tático e operacional. Vamos conhecer os três modelos mais importantes e/ou mais utilizados pelas organizações em linhas gerais, pois poderíamos estudá-los por muito mais tempo e com maior profundidade. A ideia é ter uma visão de como funcionam e de que maneira operam. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 2.1. Análise SWOT É um dos modelos mais utilizados pelas organizações pela sua completude e facilidade metodológica. SWOT é a locução em inglês de quatro letras que nomeiam duas variáveis do ambiente interno (S de Strenghts para Potencialidades; e W de Weeknesses para Fragilidades); e duas do ambiente externo (O de Opportunities para Oportunidades; e T de Threats para Ameaças). Tabela 2 – Siglas Análise SWOT. Sigla original S W O T Strenghts Weeknesses Opportunities Threats Sigla abrasileirada P F O A Potencialidades Fragilidades Oportunidades Ameaças Ambiente Interno Ambiente Externo Uma sigla abrasileirada que alguns especialistas utilizam, e que tem a desvantagem de tirar da ordem as letras da sigla original, mas a vantagem de criar uma sigla de fácil memorização é FOFA: Forças-Oportunidades- Fraquezas-Ameaças. Esse modelo pode ser utilizado – e só faz sentido – se a organização já tiver estabelecido previamente os objetivos a serem alcançados. A partir dessa intenção, inicia-se uma avaliação integrada das Potencialidades- Forças e Fragilidades-Fraquezas da organização (ambiente interno); e das Oportunidades e Ameaças do ambiente externo. Tal exercício possibilita explorar novas possibilidades ou reduzir o impacto de ameaças, sempre de forma integrada com o que a organização pode conjugar nesse esforço. Tabela 3 – Análise SWOT. Pontos fortes potenciais Pontos fracos potenciais • Liderança de mercado • Produtos de alta qualidade • Estrutura de custos baixos • Cultura organizacional forte • Elevada autonomia financeira • Forte pesquisa e desenvolvimento • Elevada quantidade de estoques • Alta rotatividade de funcionários • Imagem de marca fraca • Falta de qualidade dos administradores • Dificuldade na obtenção de financiamento • Excesso de capacidade produtiva Oportunidades potenciais Ameaças potenciais • Falência de concorrentes • Desaparecimento de barreiras à entrada • Mudança nos hábitos de consumo • Expansão da economia • Mudança da legislação ou do regime político • Aparecimento de novas tecnologias • Saturação do mercado • Ameaça de takeover • Reduzida taxa de crescimento do setor • Entrada de concorrentes estrangeiros • Taxa de câmbio desfavorável • Taxa de juro alta Fonte: SOBRAL e PECI (2008, p. 146). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 É bem interessante inventariar todos os fatores internos e externos e estimar o quanto os objetivos têm chance de serem alcançados e de que maneira. No nosso exemplo, temos como oportunidade no ambiente externo a mudança de hábitos de consumo; como ameaça, entrada de concorrentes estrangeiros. Já no ambiente interno temos como ponto forte a liderança de mercado e como ponto fraco a imagem fraca da marca. Mas esses não são os únicos atributos, há vários outros; e juntar todas essas informações proporciona uma visão clara e integrada da situação estratégica do negócio. Cada uma dessas definições estabelece diferentes estratégias em nível corporativo, conforme ilustrado pela figura a seguir: Figura 3 – Estratégicas genéricas de nível corporativo Fonte: SOBRAL e PECI (2008, p. 147). Para saber mais Você sabia que a análise SWOT pode ser ordenada em 13 passos, divididos em três fases? A saber: Fase 1 – Detectar as questões estratégicas. Fase 2 – Determinar a estratégia. Fase 3 – Implementar e monitorar a estratégia. Conheça na íntegra quais são os 13 passos da análise SWOT, no texto As três fases comumente utilizadas, disponível no ambiente virtual. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 2.2. Matriz BCG O nome BCG se refere à Boston Consulting Group, empresa de consultoria responsável pela criação desse modelo que é um dos mais conhecidos para auxiliar os gestores a avaliar o portfólio de diferentes negócios pela gestão do fluxo financeiro. Concentra-se em duas importantes dimensões: 1. Participação no mercado, ou seja, a posição em termos de competitividade e sua capacidade de gerar recursos financeiros. 2. Taxa de crescimento do mercado, ou seja, se o mercado cresce muito, a necessidade de investimento cresce proporcionalmente; e vice-versa. Quando essas duas variáveis são cruzadas, temos um gráfico bastante interessante em que é possível posicionar as unidades de negócios ou os produtos analisados por tipo, a saber: • Vaca leiteira: tem participação dominante num mercado maduro e, portanto, não necessita de grandes investimentos. O sonho de todo administrador é ter uma unidade nessa categoria, pois é garantia de fluxo financeiro na certa. • Estrela: um negócio ou produto que tem alto valor de mercado, mas que necessita de mais investimentos. Pode gerar fluxos de caixa negativos, mas, se for de fato estrela, vale a aposta, pois, caso a empresa consiga bancar, com o tempo necessário, o mercado pode se tornar maduro e a estrela se tornar vaca leiteira. • Ponto de interrogação: pequena participação num negócio de alto investimento. O risco é alto e pode se tornar estrela ou fracassar. • Cachorro: são negócios que têm um retorno deficiente num mercado estagnado. Em geral são vendidos ou liquidados e, se mantidos, é porque apresentam algum fluxo de caixa e exigem pouco investimento. Veja no gráfico a seguir como essas categorias podem ser representadas: Figura 4 – A Matriz BCG. Fonte: ASSEN et al. (2010, p. 42).Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 2.3. Modelo das cinco forças de Porter Michael Porter é um renomado professor da Harvard Business School, a mais tradicional e influente escola de administração dos Estados Unidos, e responsável pela criação desse modelo. Ele é utilizado quando há interesse em medir a atratividade de um negócio. Segundo Porter, essa atratividade resulta de cinco forças que caracterizam a indústria, seja por definir sua natureza, sua competitividade e também seu potencial de lucratividade. Portanto, esse modelo amplia a compreensão anterior que se tinha de que a competição se devia quase que exclusivamente à concorrência direta; para uma visão em que a economia subjacente e outras forças também atuam. Podemos visualizar nas tabelas a seguir as cinco forças, além de exemplos de fatores que podem influenciá-las: Figura 5 – Modelo das cinco forças competitivas. Fonte: SOBRAL e PECI (2010, p. 154). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 Tabela 4 – Fatores que influenciam as cinco forças competitivas Ameaça de novos entrantes Ameaça de produtos substitutos • Existência de barreiras à entrada: • Economistas de escala. • Diferenciação do produto. • Exigências de capital. • Acesso a canais de distribuição. • Política governamental. • Retaliação dos concorrentes instalados: • Posse de recursos para retaliar. • Comprometimento com a indústria. • Baixa taxa de crescimento da indústria. • Capacidade dos produtos substitutos de satisfazerem as necessidades dos clientes. • Existência de custos de mudança de produto ou de fornecedor. • Qualidade dos produtos substitutos. • Grau de diferenciação dos produtos. • Relação entre preço e desempenho dos produtos substitutos em comparação com os produtos da indústria. Poder de barganha de fornecedores e clientes Rivalidade entre concorrentes estabelecidos • Quantidade e grau de concentração de fornecedores ou clientes. • Produtos são diferenciáveis ou únicos. • Existência de custos de mudança de fornecedor ou comprador. • Possibilidade de integração vertical das atividades realizadas pela indústria. • Importância dos produtos para a estrutura de custos de produção do comprador. • Volume de transações com a indústria. • Existência de produtos substitutos. • Posse de informação completa sobre preços, custos, procura etc. • Quantidade de concorrentes. • Taxa de crescimento da indústria elevada. • Custos fixos elevados. • Diversidade de estratégias e objetivos. • Equilíbrio de forças entre os concorrentes. • Diferenciação entre os produtos ofertados. • Existência de barreiras à saída: • Custos fixos de saída. • Posse de ativos especializados. • Relações estratégicas com outros negócios. • Restrições legais e sociais à saída. • Barreiras emocionais etc. Fonte: SOBRAL e PECI (2008, p. 154). CONSIDERAÇÕES FINAIS Concluímos, assim, que os modelos de gestão devem ser usados com critério, pois há uma série de metodologias e ferramentas disponíveis e cada uma delas atende a diferentes tipos de necessidades e de demandas. É importante entender que, quando atuamos na dimensão estratégica, devemos considerar as grandes questões que envolvem o ambiente externo e o ambiente interno, independentemente do modelo que escolhermos. É preciso, portanto, considerar a complexidade, o que significa atentar para a relação que se estabelece entre múltiplos fatores e que pode ocorrer de forma indireta. Os modelos de gestão apenas nos auxiliam a organizar nossa visão, nosso conhecimento e nossa intuição de forma ordenada. No caso dos modelos estratégicos, olhamos a floresta, apesar de sabermos que muitas são as árvores que a compõem. Tivemos a oportunidade de conhecer alguns desses modelos. Vale procurar saber mais sobre as muitas possibilidades que esses modelos proporcionam e se aprofundar naquela que for mais capaz de auxiliá-lo nas questões que precisa ou precisará resolver. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 REFERÊNCIAS ASSEN, M. V.; BERG, G. V. D.; PIETERSMA, P. Modelos de Gestão: os 60 modelos que todo gestor deve conhecer. 2. ed. São Paulo. Pearson Prentice Hall, 2010. CHIAVENATO, I. Iniciação à Administração Geral. Barueri: Manole, 2009. SCATENA, M. I. C. Ferramentas para a moderna gestão empresarial: teoria, implementação e prática. Curitiba: Ibpex, 2010. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. ____. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. A QUESTÃO DO CONTROLE ..................................................................3 2. A DIVERSIDADE DE MODELOS TÁTICOS .........................................6 2.1. Benchmarking ..............................................................................................7 2.2. Reengenharia ou redesenho de processos ...............................................9 2.3. Just in time ..................................................................................................9 2.4. Pirâmide de Curry: gestão do marketing e do relacionamento com o cliente .................................................................................................................10 CONSIDERAÇÕES FINAIS .........................................................................11 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 12 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 OS PRINCIPAIS MODELOS TÁTICOS DE GESTÃO Conforme vimos anteriormente, Os modelos de gestão destinam-se a resolver problemas e desafios de negócios e podem propiciar uma nova maneira de ver uma situação que resulte em uma mudança positiva. Podem ser aplicados de forma estratégica, tática ou operacional: alguns são ferramentas de solução de problemas, desenvolvidas para aumentar a eficiência e a eficácia; a maioria foi criada para resolver problemas específicos decorrentes de situações também específicas. (ASSEN et al., 2010, p. VIII) Os modelos táticos são utilizados para organizar processos, pessoas e recursos. Portanto, são eminentemente práticos por tratar de questões vitais para análise e desenvolvimento das organizações. Como consequência, as organizações que os utilizam costumam primar pela excelência, pois, com eles, é possível controlar e acompanhar grande parte do esforço organizacional empreendido na gestão organizacional. Tal controle permite que melhorias ocorram e que a competitividade organizacional se torne ainda maior. 1. A QUESTÃO DO CONTROLE Em geral, grande parte das tarefas de organizar processos, pessoas e recursos se referem a controlar a maneira como as coisas ocorrem e para isso é preciso ter claro os parâmetros de desempenho esperados. Figura 1 – O processo de controle Fonte: Sobral e Peci (2008, p. 236). Portanto, sem ter claro o quanto se espera, não é possível aferir e afirmar se determinada ação superou as expectativas, empatou ou ficou abaixo do esperado. Em cada nível operacional, a questão do controle se estabelece de uma forma diferente, conforme pode ser observado na pirâmide a seguir. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 Figura 2 – Controle por nível hierárquico Fonte: Sobral e Peci (2008, p. 234). O controle tático se refere a tudo o que opera em subconjuntos da organização – funções de marketing, de recursos humanos, de finanças, dentre outras. Portanto, tem a ver com questões do tipo: participação no mercado, definição de preços, gerenciamento do ciclo de inovação, gestão da cadeia de fornecedores, gestão de custos administrativos, entre outras. Vale esclarecer que um sistema de controlepode ser bastante complexo e é necessário fazer um estudo cuidadoso para avaliar em que medida ele será feito, literalmente. Um exemplo bem simples é o tíquete que os laboratórios de exames médicos e laboratoriais costumam oferecer. Nesse caso, um laboratório pode oferecer um tíquete quando o paciente faz o check in para o exame. Após o exame, ele se dirige à lanchonete e solicita um dos lanches oferecidos para matar o jejum de algumas horas. Você já parou para pensar o que isso significa em termos práticos? Alguém precisou: 1. Encomendar para a gráfica o tíquete; mas, antes disso, outra pessoa precisou definir o tamanho, as cores, a gramatura, o tipo de letra e a quantidade a ser impressa. 2. Definir como seriam a distribuição e a armazenagem desses tíquetes. 3. Definir que paciente teria direito a receber o tíquete, quem da área de atendimento deveria entregá-lo e em que momento. 4. Definir o mesmo processo para a lanchonete: Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 5. E, o mais importante de tudo: para que esse tipo de controle é feito? A quinta pergunta – para quê –, mesmo quando se trata de uma questão tática ou operacional é sempre bem-vinda. Isso porque, quando sabemos o para quê, explicitamos o propósito de determinada ação e, consequentemente, conseguimos ter ideia de se esse propósito é válido ou não. Uma alternativa é o laboratório não utilizar os tíquetes. Nesse caso, as pessoas (pacientes ou acompanhantes) simplesmente entram e saem da lanchonete e solicitam algo, se acharem necessário. Provavelmente é menos oneroso servir os lanches do que criar todo um sistema de controle. Certamente existe algum controle com relação ao consumo, pois é necessário dispor dos lanches para os clientes, mas abriu-se mão de controlar a parte anterior desse processo, mencionada nos itens de 1 a 5. Isso sem considerar o aspecto relacionado à imagem da organização. No caso específico dos laboratórios quando se trata dos exames e das coletas, todo o rigor é mais do que necessário, pois já imaginou um exame de uma amostra que não é a do paciente? É imprescindível realizar check lists, controles e toda a burocracia necessária para processos em que a dimensão do controle garante a qualidade final em termos de resultado e de comparação com determinado padrão. No entanto, esse espírito não deve nortear ações mais simples do dia a dia da organização. Até porque quando a saúde e a autoestima das pessoas estão em cheque, é preciso avaliar se restringir o consumo de lanches à entrega de um tíquete mostrará uma imagem favorável ou desfavorável da organização. Esse exemplo nos mostra com clareza o quanto é importante saber o que e como controlar. Se fosse outro tipo de bem ou serviço, talvez fizesse sentido ter esse rigor e esse controle, mas para um lanche... Assim, conforme já assinalado, quando fazemos escolhas, é importante analisarmos em profundidade o quanto elas fazem sentido, tanto na dimensão ética quanto na dimensão objetiva, quantitativa. Enfim, algum tipo de controle sempre é necessário. Estabelecer em que medida esse controle será feito é tão necessário quanto, seja na sua dimensão econômica, para tornar o processo economicamente viável ou menos oneroso; seja na sua dimensão conceitual, para corrigir erros ou para atestar que as coisas funcionem de acordo com o esperado. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 2. A DIVERSIDADE DE MODELOS TÁTICOS Há uma série de modelos. O quadro a seguir mostra os principais modelos e sua aplicação, e seria muito interessante explorar todos eles. Apenas para ter uma ideia dos diversos modelos disponíveis, segue o quadro com o nome do modelo e a sua principal aplicação. Quadro 1 – Principais modelos táticos MODELO TÁTICO APLICAÇÃO 4 P’s do marketing de Kotler Acompanhar as necessidades de seu público-alvo no ambiente de marketing. Análise de valor dos custos administrativos Reorganizar e eliminar o excesso de atividades administrativas. Benchmarking Avaliar comparativamente se fazemos o melhor que se poderia fazer. Centro de compras e suprimentos Tornar o processo de compras eficaz. Ciclo de inovação Gerenciar as inovações e o seu ciclo de vida. Configurações de Mintzberg Coordenar as estruturas organizacionais com os processos adotados. Custeio baseado em atividades Gerenciar custos administrativos altos e definir se são diretos ou indiretos. Dimensões culturais de Hoefstede Estabelecer parâmetros para avaliar o grau de cooperação entre diferentes culturas. Inventário gerenciado pelo fornecedor Definir níveis de estoque e eficiência da produção em ambientes estáveis com itens padronizados de alto volume. Manufatura responsiva e just in time Eliminar desperdícios, reduzir estoques e diminuir o tempo de produção. Modelo 7 S Definir a melhor integração organizacional dos sete elementos: Estrutura, Sistemas, Estilo, Equipe, Habilidades, Estratégia, interligados pelos Valores Compartilhados. Modelos de compras de Kraljic Definir diferentes estratégias de compras para diferentes fornecedores. Modelos de compras de Monczka Mensurar a maturidade da função de compras. Modelo de excelência EFQM Projetar a empresa para funcionar de acordo com as melhores práticas. Modelo de remuneração de Milkovich Criar e implementar uma estratégia de remuneração. Oito fases da mudança de Kotler Conduzir e acompanhar a implementação da mudança organizacional. Pirâmide de Curry Gerir o marketing e o relacionamento com o cliente. Quadrantes essenciais Descobrir as competências essenciais, ampliar a consciência e a relação com os outros. Redesenho de processos de negócios (Reengenharia) Melhorar processos e obter ganhos de qualidade, custos, tempo e serviços. Seis Sigma Melhorar confiabilidade e qualidade dos processos. A quinta disciplina de Peter Senge Criar uma organização que aprende. Sete hábitos das pessoas altamente eficazes – Covey Desenvolver lideranças na perspectiva holística. Teoria das restrições Maximizar o resultado de um sistema de produção. Fonte: Assen (2010, p. 76) Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Conforme observamos no quadro, há modelos para diversos tipos de aplicações, até mesmo no nível individual isso é possível. O modelo Quadrantes Essenciais permite que a pessoa possa se analisar de forma estruturada a partir da análise de suas competências. Vamos conhecer alguns dos mais utilizados, apenas para ter uma ideia de seu funcionamento. 2.1. Benchmarking Certamente é um dos modelos mais utilizados, pois tem mil e uma utilidades. Benchmarking é um termo inglês que em sua tradução literal quer dizer “marco geofísico”, ou ainda “referência de nível”. É, portanto, um padrão de referência que se estabelece em determinado contexto como a placa que indica o quilômetro da estrada com relação ao seu início; a medida da temperatura ambiente em graus Celsius, ou ainda o recorde de uma corrida de 100 metros. E cada uma dessas medidas pode ser recontextualizada, como no caso da corrida, o recorde latino-americano, o recorde olímpico, o recorde de homens, o recorde de mulheres, o recorde de um clube, o recorde de uma escola etc. Assim, o desempenho de um corredor comum pode ser comparado ao desempenho de outros, com referências claras. No caso da administração, em termos de modelo, considera-se benchmarking uma metodologia comparativa na qual é possível avaliar as práticas de gestão com relação às práticas de mercado. O termo também é utilizado para se referir a uma organização considerada campeã em determinada prática. É comum ouvir a seguinte frase: “A empresa X é benchmarking em logística”, o que significa que seus processos são world class, ou seja, classe mundial, portanto o melhor dentre os melhores. Uma boa definição foi dada por David T. Kearns da Xerox: “Benchmarkingé o processo contínuo de mediação de produtos, serviços e práticas em relação aos mais fortes concorrentes, ou às empresas reconhecidas como líderes em suas indústrias” (apud ORLICKAS, 2010, p. 82). Para tanto é necessário dispor de indicadores que mensurem a diferença entre o padrão das melhores práticas e o desempenho atual. Assim, é necessário verificar o desempenho da empresa e compará-lo com os indicadores dela mesma e daquelas que têm destaque no referido indicador. Essa comparação permite avaliar se a situação está correta, ou se deve ser mudada em termos de organização, seja revendo a estrutura organizacional, o planejamento ou os controles de gestão. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Figura 3 – Benchmarking Fonte: Assen et al. (2010, p. 93). Quadro 2 – Tipos de Benchmarking Competitivo Genérico Interno Funcional Foco Nos concorrentes. Na maioria das empresas do mesmo porte. Na própria organização, em unidades diferentes. Na atividade, independentemente de outras variáveis. Vantagens Conhecer o que os concorrentes estão praticando. As empresas estão mais dispostas a colaborar e a ser mais verdadeiras Facilidade para obter parcerias; custos mais baixos; valorização interna. Maior facilidade para obter informações, pois as empresas não temem a concorrência. Desvantagens É mais difícil, pois as empresas temem mencionar as informações. É necessário contratar uma consultoria externa para obter informações. Não aprofunda os dados. As práticas estarão sempre impregnadas com os mesmos paradigmas, porém ainda é o tipo mais utilizado. Praticamente inexistentes. Fonte: Orlickas (2010, p. 84). Os passos para execução do benchmarking incluem: 1. Definir qual a abrangência do projeto: o que se quer comparar. 2. Definir que empresas/unidades de negócios/áreas serão pesquisadas para fazer a comparação. 3. Definir os indicadores e as medidas, bem como de que forma será feita a coleta de dados. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 4. Pesquisar e, se possível, visitar para conhecer in loco o funcionamento. 5. Analisar os dados em profundidade e promover a adequação dos que não tenham a mesma base para comparação. 6. Elaborar um Plano de Ação para atingir o desempenho esperado. 7. Monitorar a implementação do referido Plano de Ação. 2.2. Reengenharia ou redesenho de processos Essa foi a técnica mais utilizada nos anos 1990 e entrou no jargão da administração. Ainda hoje, revisar processos é algo que se considera prática contínua. Criada pelos teóricos Hammer e Champy no clássico Reengineering the Corporation em 1994, o objetivo é obter ganhos de custo, de tempo e de qualidade. A geração de valor para o cliente é sempre levada em conta e a tecnologia de informação é bastante utilizada. Pois essa técnica pressupõe agilidade e, portanto, a base de dados e as informações precisam estar ao alcance dos gestores e profissionais. Veja na figura a seguir os passos da reengenharia: Figura 4 – Redesenho dos processos de negócios Fonte: Assen et al. (2010, p. 156). Observa-se que a reengenharia só pode ser bem sucedida se houver uma adequada gestão de projetos e forte apoio dos gestores, o que nem sempre acontece. Ainda que seja um modelo pretensioso e que nem sempre resolva todas as questões a que se propõe, repensar o modo como se processam os bens e serviços produzidos é sempre uma contribuição para melhorar o desempenho. 2.3. Just in time O just in time, que literalmente significa produzir e entregar produtos a tempo de serem vendidos, é uma filosofia japonesa de gestão desenvolvida para a fábrica da Toyota. O principal objetivo é eliminar todo e qualquer desperdício, com base em sete zeros: 1. zero defeitos; 2. zero lotes em excesso; Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 3. zero ajuste de máquinas; 4. zero excesso de manipulação; 5. zero tempo de chegada ao mercado; 6. zero quebras e paradas; 7. zero variação de produção. Para saber mais Você tem ideia do quanto as práticas de gestão japonesas influenciaram a gestão de negócios de todo o mundo? O just in time e a Qualidade Total são os exemplos mais notórios. Você gostaria de saber como eliminar tanto desperdício? Conheça os passos para uma administração “enxuta” do just in time no trecho “Há cinco passos essenciais na mentalidade enxuta...” até “boa arrumação na planta”, disponível no ambiente virtual. Nesse modelo, o tempo é o principal eixo de orientação, pois contar com o tempo certo pode garantir vantagens competitivas em termos de diminuição de estoques ou de entregas mais rápidas pela diminuição do tempo que se leva para produzir um produto (lead time). 2.4. Pirâmide de Curry: gestão do marketing e do relacionamento com o cliente Apesar de não ser um modelo conhecido, vale incluí-lo pela sua relevância. A Pirâmide de Curry foi uma teoria ancestral que pavimentou grande parte desse esforço e traçou as principais diretrizes do CRM1, na medida em que segmentou como os clientes poderiam ser agrupados e, consequentemente, gerenciados. Além disso, ela identifica quem são os clientes mais valiosos. Na pirâmide a seguir, a segmentação é feita por diferentes tipos de clientes: desde os mais importantes (formadores de opinião ou de maior poder de compra); até os clientes grandes, médios e pequenos. Além disso, inclui também os prospects, que são os clientes potenciais, e os suspects, que são os clientes duvidosos. É bastante provável que esse modelo de segmentação seja aplicável a grande parte das organizações. 1 Forma de relacionamento mais adotada pelas organizações, cuja premissa é a proximidade com os clientes, por meio da utilização de base de dados e da tecnologia da informação, para identificar suas preferências, atender demandas específicas e estreitar relacionamentos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 Figura 5 – A pirâmide de Cury Fonte: Assen et al. (2010, p. 147). CONSIDERAÇÕES FINAIS Concluímos que, quanto mais tático, mais precisos tornam-se os modelos em termos de mensuração e de comparação. Cada vez mais práticos, os modelos táticos apropriam-se da gestão de grandes processos e direcionamentos para que a gestão possa obter melhores resultados. No caso dos modelos estratégicos olhávamos para a floresta, nos modelos táticos começamos a distinguir que tipos de vegetação a compõem. Tivemos a oportunidade de conhecer um pouco sobre alguns deles. Lembre- se de que você poderá se valer de vários desses modelos nas questões que precisa ou precisará resolver. Apenas tenha claro qual o seu objetivo para escolher a melhor alternativa. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 REFERÊNCIAS ASSEN, M. V. et al. Modelos de Gestão: os 60 modelos que todo gestor deve conhecer. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. CHAMPY, J.; HAMMER, M. Reengineering the Corporation: A manifesto for business revolution. USA: Harper, 1994. CHIAVENATO, I. Iniciação à Administração Geral. Barueri: Manole, 2009. ORLICKAS, Elizenda. Modelos de Gestão: das teorias da administração à gestão estratégica. Curitiba: Ibpex, 2010. SCATENA, M. I. C. Ferramentas para a moderna gestão empresarial: teoria, implementação e prática. Curitiba: Ibpex, 2010. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. ____. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO OS PRINCIPAIS MODELOS OPERACIONAIS DE GESTÃO ................3 1. ADMINISTRAÇÃO DE OPERAÇÕES ....................................................3 2. A DIVERSIDADE DE MODELOSOPERACIONAIS ...........................7 2.1. Balanced Scorecard (BSC) ...........................................................................8 2.2. Mapeamento da cadeia de valor ...............................................................9 2.3. Pentagrama de gestão de marcas .............................................................9 2.4. Análise de causa e efeito e análise de Pareto ........................................10 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 12 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 13 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 OS PRINCIPAIS MODELOS OPERACIONAIS DE GESTÃO Depois de percorrermos a evolução do mundo do trabalho e das organizações, conhecemos os modelos estratégicos e os modelos táticos de gestão. Finalmente vamos conhecer os modelos operacionais de gestão. Conforme vimos, as demandas mudam em função do nível hierárquico e nos modelos de gestão acontece o mesmo. Os modelos operacionais de gestão são mais “mão na massa”, ou seja, especificam com mais clareza o que, quem, quando, onde e em que tempo. Eles são utilizados principalmente para aperfeiçoar os processos e aumentar a eficácia das atividades operacionais. Como resultado, sua utilização resulta em processos contínuos de mudança organizacional e implementação das melhores práticas. Por isso, grande parte das ferramentas e dos modelos desenvolvidos nesse âmbito está vinculada a uma das mais importantes áreas funcionais da organização: a área de operações. 1. ADMINISTRAÇÃO DE OPERAÇÕES A área de operações é responsável por transformar os insumos de uma organização em seus produtos e serviços. É a área do concreto, do materializado, da objetividade. Portanto, essa simplicidade do conceito pouco tem a ver com o grau de complexidade em que esses insumos são transformados, pois os processos abarcam desde os muito simples, até processos muito sofisticados, mas que compartilham a missão de ser a ponte dessa transformação e dessa materialidade. Figura 1 – Visão sistêmica do sistema de operações Fonte: Sobral e Peci (2008, p. 265). Não por acaso, a área de operações costuma estar bastante associada ao universo dos engenheiros, da matemática, da produção, do ambiente fabril, da produção em massa, da mão de obra intensiva, dos processos, dos números, dos indicadores, dos tempos e dos movimentos – e, mais recentemente com a predominância dos serviços, passou a ser também o universo dos call centers, das visitas técnicas, das TVs por assinatura, dos Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 sistemas de atendimento de compras on-line e da logística. É onde acontece a execução e a entrega do que as áreas de pesquisa e desenvolvimento criaram; compras e suprimentos encomendaram; planejamento e comercial (marketing e vendas) ofereceram ao mercado; com o apoio das áreas de staff (administração, recursos humanos, finanças e tecnologia). Figura 2 – Centralidade da administração de operações Fonte: Sobral e Peci (2008, p. 233). Vale destacar que a área de operações nasce fabril, na produção de bens. Entretanto, em virtude das mudanças tecnológicas e da evolução histórica, ela passa a operar fortemente na área de serviços, em que grande parte da economia está baseada. Assim, muitos dos jargões e formas de abordagem, apesar de terem sua origem no mundo fabril, foram sucessivamente adaptados à área de serviço, pois nela os scripts do telemarketing, o suporte da tecnologia de informações, o acompanhamento das entregas que estão sendo transportadas, as informações de quem, quando, onde e como tornam-se ainda mais relevantes. Apesar de a área de operações ter se adaptado, operações e serviços são universos com funcionamento bastante distinto, conforme você pode ver nas tabelas a seguir. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Tabela 1 – Diferenças entre organizações de manufatura e de serviços Organizações de manufatura Organizações de serviços • Produzem bens tangíveis e duráveis. • Bens podem ser armazenados para consumo posterior. • A quantidade e a qualidade dos bens produzidos são facilmente mensuráveis. • O resultado é padronizado. • Pouca participação e pouco contato com o consumidor. • A localização é menos importante para o sucesso da organização. • Emprego intensivo de capital. • Produzem bens intangíveis. • O consumo e a produção dos serviços são simultâneos. • A qualidade dos serviços é percebida, mas muito difícil de ser medida. • O resultado é customizado. • Amplo contato e participação do consumidor durante o processo de transformação. • A localização é crucial para o sucesso da organização. • Emprego intensivo de trabalho. Fonte: Sobral e Peci (2008, p. 264). Tabela 2 – Sistemas de Operações Organização Insumos Processo de transformação Saídas Companhia aérea Aeronave Pilotos e equipe de bordo Equipe de terra Passageiros e cargas Movimentação de passageiros e cargas Passageiros e cargas transportados Clínica odontológica Cirurgiões dentistas Equipamento dentário Enfermeiras Pacientes Exame e tratamento dentário; orientação preventiva Pacientes com dentes e gengivas saudáveis Fabricante de automóveis Peças e pneus Trabalhadores fabris Equipamentos de montagem Tecnologia de produção Montagem e teste de automóveis Automóveis novos Empresa de contabilidade Contadores Informações Computadores Software de contabilidade Escrituração de contas e orientação contábil Contas e demonstrativos financeiros de empresas Fonte: Sobral e Peci (2008, p. 266). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 Para saber mais Você gostaria de conhecer o caso de uma empresa na qual a área de operações teve de se reinventar para atender novas demandas estratégicas? Saiba como a empresa de cosméticos O Boticário, com uma rede de lojas expressiva, passou de uma atuação exclusivamente fabril para uma atuação também de serviços. Para isso, leia o Quadro Contextual O Boticário amplia o escopo de suas operações, disponível no ambiente virtual. A área de operações é, portanto, a área mais vinculada ao processo fim da organização e aos seus objetivos estratégicos. A maneira como essas promessas e esses planos são transformados pode significar a sobrevivência ou a morte de uma organização. Quanto mais facilitados, claros, organizados, controlados e eficientes são os processos de transformação, maior será a vantagem competitiva da organização. Assim, critérios como qualidade, rapidez e confiabilidade são palavras de ordem nesse universo. Exatamente por essas razões é que a área de operações é o nascedouro e o abrigo natural das áreas de Qualidade e de Controle. Tudo nesse ambiente precisa ser medido, especificado, objetivado. Não por acaso é também a área das Certificações de Processos como a ISO 90001, que estabelece como principais objetivos: a. diminuir os custos de produção; b. satisfazer as expectativas dos clientes; c. alcançar uma vantagem competitiva; d. implementar a estratégia corporativa; e. responder às pressões competitivas; f. aumentar a qualidade. Tabela 3 – Prioridades competitivas da administração de operações Critérios Vantagens Custo Maior produtividade e eficiência Rapidez Redução dos estoques em processo e do risco operacional. Flexibilidade Maior agilidade e capacidade de adaptação ao mercado. Qualidade Maior satisfação de clientes e diferenciação dos concorrentes. Confiabilidade Maior estabilidade e lealdade dos clientes. 1 ISO 9000 (International Organization for Standardization) é uma metodologia de avaliação externa que atesta o nível de qualidade das empresas e costuma ser um pré-requisito para se fazer negócios com empresas de classemundial. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Fonte: adaptado de Sobral e Peci (2008, p. 267). Talvez você se pergunte se haveria a necessidade de apresentar tantos conceitos sobre operações no componente dedicado aos modelos operacionais. Conforme tem sido expressamente lembrado ao longo de vários temas, a dimensão de contexto faz toda a diferença e, no caso dos modelos operacionais, é de fundamental importância que se tenha claro em que contexto esses modelos serão utilizados, o contexto das operações, e esse é o primeiro passo rumo à competitividade. 2. A DIVERSIDADE DE MODELOS OPERACIONAIS A função primordial dos modelos operacionais é implementar melhores práticas, otimizar os processos e as atividades operacionais, o que resulta na mudança organizacional e na melhoria da competitividade. Assim como nos modelos estratégicos e táticos, há também uma série de modelos operacionais e seria muito interessante explorar todos eles. Apenas para ter uma ideia dos diversos modelos disponíveis. A seguir está o quadro com o nome do Modelo Operacional e a sua principal aplicação. Quadro 1 – Modelo operacional e sua principal aplicação MODELO OPERACIONAL APLICAÇÃO Análise de causa e efeito e análise de Pareto Explicar as variações de um processo pela análise de causa e efeito. Análise de risco e retorno Mapear os possíveis retornos associados aos possíveis riscos. BSC – Balanced Scorecard Mapear o desempenho organizacional nas dimensões financeira, operacional, de aprendizagem e crescimento; e de clientes. Ciclo de Deming – PDCA (Plan-Do-Check-Act) Gerenciar as iniciativas de melhoria de forma ordenada pelo: Planejar-Realizar-Controlar-Agir. Equipe de Belbin Montar uma equipe multidisciplinar com papéis complementares. Fluxo de Caixa Descontado Realizar orçamento de capital ou tomar decisões de investimento. Kaizen - Gemba Resolver problemas de ineficiências de processos. Mapeamento da cadeia de valor Identificar oportunidades de melhoria nos prazos de produção e entrega, rendimentos inadequados e desperdícios. Papéis Gerenciais de Mintzberg Fornecer quadro de referências sobre os diversos papéis desempenhados pelo gestor. Pentagrama da gestão de marcas Traduzir a estratégia corporativa na definição e gestão da marca. Quadrantes da mudança Determinar a forma, o momento, os agentes e o escopo dos movimentos de mudança. Seis chapéus do pensamento de De Bono Exercitar diferentes abordagens para pensar sobre uma mesma estratégia. Assim como nos modelos anteriores, podemos observar que as aplicações são muitas e de diversos tipos. Vamos conhecer algumas delas, para ter uma ideia de seu funcionamento e de seu impacto. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 2.1. Balanced Scorecard (BSC) O Balanced Scorecard (BSC) foi criado em 1992 por Kaplan e Norton como alternativa de substituição às propostas tradicionais de desempenho, com base exclusivamente nos indicadores financeiros e no desempenho passado de uma empresa, o que não mais traduzia a complexidade organizacional em termos de desempenho. Para criar esse novo indicador de desempenho mais abrangente, a organização precisa definir sua missão e sua visão para, a partir disso, determinar os fatores de sucesso e os indicadores-chave, considerando quatro dimensões, inclusive a Financeira, conforme mostra a tabela a seguir: Tabela 4 - O Balanced Scorecard (BSC) Indicadores Perguntas Objetivos Medidas Alvos Iniciativas Financeira “Para sermos bem-sucedidos financeiramente, como devemos ser vistos por nossos acionistas?” Clientes “Para sermos bem-sucedidos financeiramente, como devemos ser vistos por nossos clientes?” Aprendizado e crescimento “Para alcançar nossa visão, como sustentaremos nossa habilidade de mudar e progredir?” Processos internos do negócio “Para satisfazer os acionistas e os clientes, em que processos de negócios devemos nos superar?” Fonte: Adaptado de Assen et al. (2010, p. 183). 1. Financeira: conhecer o desempenho econômico-financeiro, principalmente o retorno sobre o investimento e o valor econômico agregado. 2. Clientes: medir o nível de satisfação e retenção dos clientes, participação no mercado, atendimento às chamadas de serviço, entre outros. 3. Processo interno: medir o desempenho das operações em termos de prazo, eficiência e qualidade, principalmente. 4. Aprendizado e crescimento: avaliar a gestão de recursos humanos e a capacidade de inovação, por meio de indicadores como retenção de funcionários, número de ideias por funcionário e disponibilidade da informação. Muitas empresas adotam o BSC para avaliar o desempenho e ganham ao considerar – em seu painel de controle organizacional – perspectivas além da financeira. Outro ganho é a capacidade de alinhar esforços em termos da intenção estratégica da empresa, uma vez que os indicadores derivam do que a empresa busca em cada uma das quatro dimensões apresentadas. Portanto, há um “como” de certa forma estipulado pelos próprios indicadores. Sua implantação não é simples e a manutenção, bastante exigente. Estima-se que o número de indicadores de desempenho ideal para a alta direção deveria ter entre 12 e 16 itens. No entanto, além desses, seria necessário Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 desmembrá-los em outros tantos para os níveis gerenciais poderem acompanhar e trabalhar na mesma direção. 2.2. Mapeamento da cadeia de valor Cadeia de valor é o conjunto de atividades que integram todo o ciclo produtivo, desde a entrada do insumo, os ciclos de produção e venda, até a distribuição final. Esse modelo busca a eficiência em cada uma das etapas do referido fluxo, inclusive eliminando as que não produzem nenhum tipo de valor agregado. Procuram-se eficiências no tempo de máquina, na quantidade de metros quadrados utilizados para armazenagem, no retrabalho dos processos, na ociosidade da produção, no tempo utilizado para efetuar determinada tarefa. Cada etapa pode ser uma oportunidade de ganhar em eficiência. O que se obtém com essa aplicação é a redução da variabilidade e um nivelamento da utilização dos equipamentos, de modo que se entregue exatamente o que o cliente deseja e, ao mesmo tempo, que se mantenham os processos flexíveis. Um termo bastante utilizado para explicar esse modelo é a “mentalidade enxuta”, o raciocínio inteiramente focado na eliminação de qualquer ação, por menor que seja, que não adicione valor. Veja na figura a seguir um exemplo de mapeamento, observe as áreas envolvidas e o tempo indicado nessa possível aplicação. Figura 3 – Exemplo de mapa da cadeia de valor Fonte: Assen et al. (2010, p. 200). 2.3. Pentagrama da gestão de marcas A gestão de marcas é um dos temas mais importantes da gestão organizacional contemporânea. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 Especialmente na era da informação, em que símbolos e signos têm um valor enorme, a gestão da marca é uma tarefa muito nobre. A marca se constitui num patrimônio de grande importância não apenas financeira, mas também de reputação e de credibilidade. Esse modelo estabelece um roteiro para gerir a marca em cinco domínios: 1. Princípios de gestão de marcas: definem os objetivos, a percepção desejada e as marcas às quais poderá estar associada. É a dimensão institucional em que a missão, os valores e os propósitos são traduzidos. 2. Posicionamento: define o público-alvo e o posicionamento com relação à concorrência. 3. Consistência nos portadores da marca: orienta de que forma a marca deve aparecer em diferentes meios, produtos e plataformas a fim de garantir identidade e coerência. 4. Incorporação da marca: define as responsabilidades e autoridades para zelar e promover internamente a marca na organização. 5. Ciclo de planejamento e controle: define a política de gestão de marcaspara curto e longo prazos. Também define indicadores para verificar o que precisa ser mexido na marca para que esteja em linha com o propósito da empresa. Vale esclarecer que o Pentagrama da Gestão de Marcas não é capaz de formular a estratégia de uma marca. Portanto, cabe às organizações definir a estratégia de gestão de marcas e utilizar esse modelo como um aplicativo, um roteiro, para que a empresa possa relacionar e se posicionar com respeito às importantes dimensões da sua gestão da marca. 2.4. Análise de causa e efeito e análise de Pareto Por último, mas não menos importante, não poderíamos deixar de apresentar uma das técnicas mais consagradas dos modelos operacionais, que é a análise de causa e efeito, ou ainda, diagrama de Ishikawa ou Espinha de Peixe – considerada uma das sete ferramentas básicas da gestão da qualidade. Há alguns anos era bastante comum estar numa sala de reuniões com algum gestor colocando no papel explicações para alguma variação do sistema produtivo no referido diagrama espinha de peixe. É uma forma de ordenar o fluxo das tarefas e tentar descobrir a causa de determinado problema e, mais comumente, determinada variação no processo produtivo. Em geral, para aplicá-lo, forma-se uma equipe a fim de descobrir a causa da variabilidade ocorrida. Logicamente, como causas ainda não são conhecidas, uma série de hipóteses são aventadas, inclusive utilizando- se técnicas de brainstorming2. A partir disso, chega-se a diversas possibilidades, até que se defina a causa mais provável. As relações de causa e efeito são colocadas no diagrama espinha de peixe em virtude da facilidade de visualização e de concatenação das atividades envolvidas no fluxo estudado. Já a análise de Pareto se baseia na clássica regra 80/20 que curiosamente mostra que 20% das ocorrências/ 2 Literalmente significa tempestade do cérebro, na tradução livre tempestade de ideias. Técnica em que as pessoas de um grupo, a partir de um estímulo, falam a primeira palavra que vem à mente, independentemente de ter sentido ou não, e outra pessoa anota em lugar visível para todos. Essas palavras geram insights para outras. Técnica muito utilizada nos processos de criatividade e de resolução de problemas. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 causas são responsáveis por 80% das variações/problemas. Em geral, a análise de Pareto é utilizada após a análise de causa e efeito, pois é uma abordagem estatística que pode ser utilizada quando são encontradas múltiplas causas para um mesmo problema ou problemas relacionados entre si. Veja os dois diagramas, espinha de peixe e de Pareto nas figuras a seguir. Figura 4 – Diagrama de causa e efeito Fonte: Assen et al. (2010, p. 177). Figura 5 – Diagrama de Pareto Fonte: Assen et al. (2010, p. 177). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 CONSIDERAÇÕES FINAIS Podemos concluir que os modelos operacionais, assim como os táticos, apresentam uma gama considerável de aplicações nos mais diferentes domínios. A diferença é que a estatística e os números estão a serviço da execução de vários dos processos produtivos. Ainda mais práticos que os modelos táticos, os modelos operacionais de gestão apropriam-se de cada intervalo do fluxograma buscando economias de prazo, de qualidade e de tempo, diminuindo a variabilidade e otimizando cada segundo para que os processos de gestão obtenham melhor desempenho. Assim, nos modelos estratégicos olhávamos para a floresta; nos modelos táticos começamos a distinguir os tipos de vegetação que a compunham; e nos modelos operacionais olhamos cada uma das árvores e das plantas dessa vegetação. Tivemos a oportunidade de conhecer alguns modelos de cada uma dessas três dimensões. Não há unanimidade sobre se cada um desses modelos de fato pertenceria a uma dimensão ou a outra. O que é tático para alguns é operacional para outros e vice-versa. Mas isso não importa. O importante é saber que há uma série de modelos com os quais contar nas questões que precisa ou precisará resolver. Para saber mais Você gostaria de brincar de chapéus? Imagine que você muda seu ponto de vista cada vez que troca de chapéu. Imagine que pudesse ser factual, emocional, crítico, positivo, criativo e controlador e que cada um desses estilos o tornaria um personagem que pensa o mundo de forma muito distinta. Leia o capítulo 60 – disponível no ambiente virtual – e conheça o modelo “Seis Chapéus do Pensamento de De Bono”, um teórico muito prático que criou essa dinâmica para termos a oportunidade de exercitar diferentes olhares e de fazermos uma ginástica cerebral. Aproveite essa ferramenta para exercitar o cérebro! Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 13 REFERÊNCIAS ASSEN, M. V.; BERG, G. V. D.; PIETERSMA, P. Modelos de Gestão: os 60 modelos que todo gestor deve conhecer. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010. CHIAVENATO, I. Iniciação à Administração Geral. Barueri: Manole, 2009. KAPLAN, R.; NORTON, D. The Balanced Scorecard: measures that drive performance. Harvard Business Review, jan./fev., 1992, vol. 70, Issue, p. 71-80. ORLICKAS, E. Modelos de Gestão: das teorias da administração à gestão estratégica. Curitiba: Ibpex, 2010. SCATENA, M. I. C. Ferramentas para a moderna gestão empresarial: teoria, implementação e prática. Curitiba: Ibpex, 2010. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. ____. Teorias da Administração. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2012. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE ....................................................................3 1. DIFERENÇA ENTRE INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE ........................4 2. COMO ESTIMULAR A CRIATIVIDADE ..............................................6 2.1. Brainstorming (tempestade de ideias) .....................................................7 2.2. Pensamento lateral (lateral thinking) .......................................................8 2.3. Guia da criatividade individual e de grupo ..............................................8 2.4. Guia de como gestores podem sufocar a inovação e a criatividade ....9 2.5. Guia de como a empresa pode fomentar a inovação e a criatividade 10 3. COMO IMPLANTAR UM AMBIENTE PARA A INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL ................................................................................... 10 4. OS NÍVEIS DE INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL .......................... 13 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 14 REFERÊNCIAS .............................................................................................. 15 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE Agora que já conhecemos alguns dos principais conceitos para entender a evolução do mundo do trabalho, o funcionamento das organizações e os modelos de gestão que apoiam e promovem seu melhor desempenho, podemos compreender mais amplamente dois conceitos dos mais almejados pelas organizações e pelos gestores, que são a Inovação e a Criatividade. Ambos se caracterizam por romperem com a tradição e a mesmice. Seja porque houve uma aplicação diferente da inicialmente utilizada, porque algo inédito foi desenvolvido ou porque se incrementou algo diferente. Há empresas como a 3M para a qual inovação é um valor, que visa “satisfazer nossos clientes com tecnologias inovadoras e qualidade superior, valor e serviço1” e que tem no seu site um espaço totalmente dedicado a explorar esse tema: ideia-inovaçao-inspiração. No entanto, ainda que não seja um valor tão claramente expresso e fundamentado no nível institucional, a criatividade e a inovação são tidas pela maior parte das organizaçõescomo fundamental, seja de forma proativa, por reconhecer que é uma das mais fortes alavancas para a competitividade; seja de forma reativa, por reconhecer que sem inovação a organização pode estar fadada ao fracasso, pois o mundo não para e será necessário sempre moldar-se a novas realidades. Assim, com ou sem a deliberada disposição para mudar e se renovar, as organizações reconhecem que, na era da informação, criatividade e inovação são agendas necessárias. O termo economia criativa pode ser um exemplo do quanto essa questão começa a se impor, já que foi criado para designar as atividades nas quais o valor econômico está ligado a conteúdos relacionados à produção cultural, como as atividades de comunicação, espetáculos, design, audiovisual, moda, mídia digital, softwares e as artes em geral. A primeira definição do termo foi publicada no livro The Creative Economy, em 2001, pelo autor inglês John Howkins, e dizia que as diversas atividades que compõem a economia criativa têm algo em comum: os resultados de indivíduos exercitando a imaginação e explorando (ou precavendo-se de que outros explorem) seu valor econômico. Ao focar a criatividade, a imaginação e a inovação, a economia criativa abrange não apenas produtos, serviços e tecnologias, mas também passa a sua lógica de funcionamento para os processos, os modelos de negócios e os modelos de gestão. Por isso, na era da informação, num ambiente cada vez mais tomado por signos e símbolos, esse ramo da indústria passa a se constituir numa referência importante dos esforços organizacionais em busca da competitividade nesse contexto. Afinal, se na indústria criativa a renovação é parte do trabalho o tempo todo, acredita-se que muitas respostas para fomentar a inovação e a criatividade podem ser encontradas ali. 1 Disponível em: <http://www.3minovacao.com.br/> Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 1. DIFERENÇA ENTRE INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE É comum ocorrer confusão e indiscriminação entre os termos inovação e criatividade, já que muitas vezes eles são utilizados como sinônimos. Isso não ocorre por acaso, pois quando vemos as definições de um e de outro no Grande Dicionário Houaiss Beta (2001) temos o seguinte: Inovação lat. innovatĭo,ōnis “renovação” substantivo feminino Criatividade: Criativo +-i-+-dade; ver cria substantivo feminino 1. ação ou efeito de inovar. 2. p.ext. aquilo que é novo, coisa nova, novidade. 3. dir.prc dir.civ qualquer alteração em situação de fato ou de direito que possa interessar à apreciação judicial da questão. 4. ing qualquer elemento ou construção que surge numa língua, e que não havia numa fase mais antiga ou na língua-mãe cf. mudança linguística. 1. qualidade ou característica de quem ou do que é criativo. 2. inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar, quer no campo artístico, quer no científico, esportivo etc. 3. ling capacidade que tem o falante de produzir e compreender um número imenso de enunciados, mesmo aqueles que não tinham sido por ele ouvidos ou pronunciados anteriormente. Vemos que criatividade tem como uma de suas definições inovar. Além disso, há muitas outras similaridades nas definições atribuídas a cada uma delas. Em linhas gerais, podemos considerar que a criatividade diz respeito à geração de ideias e que a inovação se refere à sua aplicabilidade. Portanto, o senso comum não está de todo errado, pois de fato há um forte entrelaçamento entre elas. É preciso ter claro que criatividade e inovação são indissociáveis. Vejamos algumas definições de ambas no ambiente organizacional (CHIAVENATO, 2008, p. 329): • Criatividade é a habilidade de produzir novas ideias que são novas também para o produtor de ideias (HUGUES, 1991). • Criatividade significa pensar fora da caixa – isto é, pensar fora do contexto que envolve a situação – para buscar novos paradigmas de valor que criem inovações significativas e nova oportunidades de crescimento (idem). • A inovação é mais envolvente que a criatividade porque inclui o processo de desenvolvimento e implementação de uma nova ideia para adicionar valor (VAN DE VEN, 1989). • Inovação significa encontrar novos caminhos para aplicar o conhecimento – principalmente o novo conhecimento que para ela nunca foi usado antes (idem). Para o ambiente organizacional, o que conta de fato é a inovação que, de forma bem simples, pode ser entendida como a criatividade aplicada, algo de que a empresa pode se apropriar, algo tangível e materializado. Nessa perspectiva, a criatividade sem aplicação não teria um valor em si mesmo, só passa a ter valor se o passo seguinte, função ou utilização, for dado. Segundo Freeman (apud POSSOLLI, 2011, p. 16), no ambiente empresarial, inovação é: o processo que inclui as atividades técnicas, concepção, desenvolvimento, gestão e que resulta na Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 comercialização de novos (ou melhorados) produtos, ou na primeira utilização de novos (ou melhorados) processos. Figura 1 – Criatividade e inovação e suas consequências Fonte: Chiavenato (2008, p. 324). Figura 2 – Aplicação da criatividade para adicionar valor ao negócio Fonte: Chiavenato (2008, p. 357). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 2. COMO ESTIMULAR A CRIATIVIDADE É comum associarmos a ideia de criatividade a um lampejo, a uma lâmpada que se acende na nossa cabeça, ao famoso insight. Podemos considerar que uma ideia simplesmente aparece sem uma razão específica, ou também que pode ser fomentada, amadurecida e gerenciada. É comum atribuir ao processo criativo duas abordagens que poderíamos traduzir como: inspiração e transpiração. A pergunta é: Será que podemos fazer algo para que surjam? Para pensar O que é criar? Como acontece a ação criativa? Existe um processo criativo? Afinal, de onde vêm as ideias? São questões instigantes. Há técnicas que permitiriam a criação de ideias? Para essas perguntas serem respondidas, leia o Quadro De onde saem as ideias, disponível no ambiente virtual. Diz a lenda, relatada nos arquivos da Royal Society de Londres, que em 1752 a famosa teoria da gravidade2 de Isaac Newton foi inspirada durante um passeio após o jantar. Mais precisamente, no momento em que tomava chá à sombra das macieiras, Newton observou que a queda de uma maçã sempre acontecia da mesma forma e se perguntou: “Por que essa maçã sempre cai perpendicularmente no solo?”. Agora, pense bem: quantas maçãs já caíram ao longo dos séculos? Será que se a maçã tivesse caído diante de outra pessoa geraria a mesma pergunta? Geraria a mesma teoria? Por que esse fato, aparentemente aleatório, gerou um insight tão poderoso capaz de criar uma teoria? Newton já era um estudioso, já tinha muito conhecimento no campo da física. O fato de a maçã ter caído diante de Newton fez toda a diferença. Sabemos que o processo criativo e a produção de ideias acontecem de várias maneiras. No campo da administração, há ofertas de cursos de criatividade, livros com exercícios, teorias e entidades constituídas com o propósito de estudar esse domínio em diversos campos da ciência. Interessante observar que em todas essas ofertas uma das palavras de ordem é transformação. Portanto, devemos considerar que a criatividade pressupõe movimento, bem como mudança de estado e tem forte relação com o processo de mudança organizacional, mudança de paradigmas e aprendizagem organizacional. 2 A Terra exerce uma força gravitacional sobre os corpos (massas) e os mantém atraídos para si, diferente da Lua, onde os corpos ficam completamente soltos e desconectados de qualquer ação da gravidade. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 Para saber mais Acesse o site da Center for Creative Leadership – que é uma entidade conceituada na oferta de uma sériede produtos e serviços, que se propõem a estimular e a mensurar a criatividade nas organizações –, disponível no ambiente virtual. Vamos conhecer agora algumas técnicas e teorias que fomentam a criatividade. 2.1. Brainstorming (tempestade de ideias) Essa famosa técnica foi criada na Universidade de Buffalo em 1960. Pode-se dizer que é basicamente uma conversa descontraída entre um grupo de pessoas com rodadas de sugestões sobre determinado assunto. Em geral, os participantes devem falar a primeira ideia que vem à mente, alguém a anota num local visível e as demais ideias vão se juntando da mesma forma. O pulo do gato é que, a partir da ideia dos colegas, novas ideias são propostas num processo contínuo de recursividade. O brainstorming baseia-se no pressuposto de que todas as pessoas são potencialmente criativas e que basta você criar condições favoráveis e inibir fatores bloqueadores para que a criatividade floresça em cada um. Sabemos que, quando se pergunta a respeito de algo diante de um grupo, muitas pessoas não se manifestam, apesar de terem pensado alguma coisa ou saberem algo a respeito. Isso pode ocorrer por causa da timidez, pela vergonha de se expor falando algo que não é correto ou pelo fato de ser criticado por alguém de nível hierárquico superior, crítico ou gozador presente no grupo. Entendendo que esses são alguns dos bloqueadores e que a meta principal é a de gerar ideais, o brainstorming se antecipa a tudo isso e cria um ambiente favorável no qual mesmo as ideias aparentemente malucas, descabidas, erradas ou fora de propósito ganham contornos diferentes e são elevadas à categoria de ideias que podem gerar novas possibilidades e inovações. Portanto, em vez de serem criticadas, são irrestritamente acolhidas como plataformas valiosas para o lançamento e concatenação de novas ideias geradas pelo próprio grupo. Para Chiavenato (2008, p. 331), as regras comuns do brainstorming são: • Definido o tema ou assunto, pede-se que os presentes expressem todas as ideias que venham à cabeça espontaneamente, mesmo que elas possam parecer ridículas ou estranhas. • Não se deve criticar nenhuma ideia apresentada. Qualquer julgamento ou avaliação deve ser totalmente suspenso durante a sessão. • Todas as ideias verbalizadas devem ser escritas em um flip-chart ou quadro-negro e expostas, a fim de estimular outras novas ideias. O importante é gerar quantidade de ideias, deixando a qualidade de lado. • Terminada a sessão de verbalização, todas as ideias escritas e expostas devem ser repassadas e analisadas, para a seleção das ideias mais pertinentes ou adequadas à solução da situação ou do problema. Nesse momento, passa a dominar a qualidade das ideias apresentadas. • A seguir, faz-se a seleção final da melhor ideia ou da mais adequada. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 2.2. Pensamento lateral (lateral thinking) Talvez você já tenha ouvido a seguinte frase: “é preciso pensar fora da caixa”. Isso significa sair do lugar comum e associar diferentes ideias de diferentes contextos de diferentes formas para gerar novas possibilidades. O criador do pensamento lateral, Edward de Bono, é o mesmo que criou “A Técnica dos Seis Chapéus”, além de vários outros métodos e técnicas de raciocínio. Edward de Bono acredita que o treino e a plasticidade do cérebro nos permite enveredar por novas estratégias de pensamento e ação. O pensamento lateral propõe que: 1. em vez de resolver uma questão de uma única forma, se utilizem métodos heterodoxos e aparentemente ilógicos; 2. é necessário observar a mesma questão de diferentes ângulos e pontos de vista; 3. ficar em cima de uma única alternativa e enveredar por ela pode levar a um esforço que não chega a lugar algum. Uma analogia que ele estabelece é a de que não se pode cavar um buraco em outro lugar se cavando mais fundo no mesmo buraco. Como conseguimos resolver um problema de diferentes modos? Um problema simples, mas ilustrativo é o seguinte: imagine que a antena de radio sobre a capota de um carro está maior do que a altura do teto do local onde o carro estaciona. O problema é que toda vez que o carro estaciona a antena se estraga, além de riscar o teto. Infelizmente, não há como diminuir o comprimento da antena, apesar das inúmeras tentativas. Até que alguém percebe que é possível mudar o ângulo de inclinação da antena. Portanto, o comprimento da antena permanece o mesmo, mas a altura com relação ao teto ficou mais baixa. Problema resolvido: o carro pode agora estacionar sem arranhar o teto e sem estragar a antena. Não por acaso, De Bono afirma que grande parte dos problemas tem mais a ver com a questão da percepção do que com a resolução propriamente dita. Em geral, temos a capacidade de resolver os problemas, mas, se ampliarmos o olhar e percebermos mais elementos, será que as resoluções seriam mais criativas? 2.3. Guia da criatividade individual e de grupo Já sabemos que a criatividade pode ser fomentada de acordo com o contexto. Chiavenato (2008, p. 334) nos dá oito dicas poderosas para fomentar a sua criatividade: 1. Mude o caminho a percorrer. Modifique o processo ou a sequência do seu pensamento. 2. Mude as prioridades envolvidas. Tenha pressa em outras coisas. 3. Inverta as equações do problema. Em vez de somar, divida. Em vez de multiplicar, reduza. Olhe o problema do lado contrário. 4. Focalize o problema sob outro ângulo, menor, deslocado, desfocado, desajustado ou lateral. Não faça Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 o buraco onde ele já existe. Cave ao lado. Desvie a atenção. 5. Procure visualizar o problema sob uma abordagem mais ampla, em seu contexto maior, como se o problema fosse parte de um sistema maior e mais abrangente. 6. Esqueça o como e verifique o porquê. Deixe de lado os meios e preocupe-se com os fins. Veja o ponto aonde quer chegar e esqueça o caminho atual em direção a ele. 7. Procure várias alternativas de solução. Não se contente com uma ou duas. Invente outras. Criatividade é proporcionar alternativas. Abra o leque. 8. Saia dos limites do problema e preocupe-se com outra coisa. Não deixe que as fronteiras do problema o bitolem e cerceiem o seu pensamento. Se o problema está em casa, abra as janelas e olhe para fora. 2.4. Guia de como gestores podem sufocar a inovação e a criatividade Já sabemos que a criatividade pode ser inibida. No entanto, há também um risco adicional: matar uma ideia no seu nascedouro e sequer dar tempo para que se desenvolva e mostre seu potencial. Veja atitudes que enfraquecem a promoção de ideias inovadoras e da criatividade (CHIAVENATO, 2008, p. 328): 1. Considere sempre cada ideia que vem de baixo com suspeita – porque ela é nova e porque vem de baixo. Desconfie. Ela não é confiável. 2. Convença as pessoas de que elas precisam de sua aprovação prévia antes de procurar os outros níveis hierárquicos para obter aprovação. 3. Peça às pessoas e aos departamentos que desafiem e critiquem cada proposta dos outros. Isso salvaguarda sua posição de decidir e você apenas acompanha o sobrevivente em caso de algum malogro. 4. Expresse suas críticas livremente e faça poucos elogios. Isso segura as pessoas pelos pés. Faça as pessoas saberem que elas poderão ser demitidas a qualquer tempo. 5. Identifique os problemas como falhas ou erros, desencoraje as pessoas a levarem para você os problemas que elas conhecem em suas áreas de trabalho. 6. Controle tudo cuidadosamente. Faça saber às pessoas que você contabiliza tudo o que deve ser contabilizado e com frequência. 7. Tome decisões para reorganizar ou mudar as políticas em segredo e as anuncie às pessoas sem que elas o esperem. Isso também segura as pessoas pelos pés. 8. Faça saber que as solicitações de informações devem ser totalmente justificadas e que elas não são dadas livremente aos gerentes.Você não pode permitir que os dados caiam em mãos erradas. 9. Atribua aos gerentes de nível mais baixo, em nome da delegação e participação, a responsabilidade de listar quem deve ser demitido, transferido ou implementar decisões ameaçadoras que você tomou. E faça-o rapidamente. 10. E, acima de tudo, nunca se esqueça de que somente os de cima conhecem tudo o que é importante sobre o negócio da empresa, ninguém mais. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 2.5. Guia de como a empresa pode fomentar a inovação e a criatividade O processo de gestão organizacional precisa refletir e sinalizar em suas ações programas e processos de comunicação, a importância e o espaço que a criatividade e a inovação ocupam na agenda da organização. É uma forma de fomentar esse espírito, e também de estabelecer de forma concreta pontes entre as ideias e propostas de inovação com as questões reais da empresa. Quadro 1 – Características das pessoas e organizações criativas O indivíduo criativo A organização criativa(ou departamento criativo) 1. Fluência conceitual. Abertura mental 1 Canais abertos de comunicação Contatos com fontes externas Territórios sobrepostos Sistemas de sugestões, técnicas grupais, brainstorming 2 Originalidade 2. Atribuição de problemas a não especialistas Atribuições excêntricas Utilização de equipes 3. Menor autoridade. Independência 3. Descentralização, posições pouco definidas, controle de fluxo Aceitação de erros Normas para assumir riscos 4. Alegria no trabalho. Exploração não disciplinada. Curiosidade 4. Liberdade de escolha e busca de problemas Cultura descontraída e pouco rígida Liberdade para discutir ideias 5. Persistência. Comprometimento. Abordagem focalizada 5. Recursos alocados ao pessoal criativo e a projetos sem retorno imediato Sistema de recompensa para inovação Atribuição de responsabilidades periféricas Fonte: Chiavenato (2008, p. 352). 3. COMO IMPLANTAR UM AMBIENTE PARA A INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL Podemos constatar que apenas um ambiente organizacional receptivo e acolhedor cria as condições necessárias para fomentar a inovação organizacional de forma sistemática e contínua. Dentre os múltiplos fatores que constituem uma organização, três deles são os responsáveis por modelar de que maneira o processo inovador ocorre: Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 Isso porque sem a concatenação desses três fatores, alinhados para um posicionamento mais aberto, o processo de inovação corre sério risco de não decolar. Afinal, de que adianta a cultura dar espaço para novas ideias e as áreas abrirem espaço para testar as novas possibilidades se a intransigência de um chefe não permitir que os planos iniciais sejam levados adiante? E de que adianta um chefe aberto a novas ideias se a cultura não permite que se saia da rotina? Portanto, os três fatores juntos estão interligados e o processo de inovação pode funcionar se as características mencionadas na figura a seguir forem observadas. Figura 3 – O caminho para a inovação empresarial Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 Fonte: Chiavenato (2008, p. 365). Portanto, apenas o discurso de que é necessário fazer algo novo não é suficiente. É necessário criar mecanismos e estruturas que sejam depositários dessas ofertas criativas e inovadoras. Veja algumas formas de criar possibilidades e contextos para a criatividade e a inovação organizacional: a. programas de sugestões; b. círculos de qualidade, criatividade e/ou inovação; c. ações e programas de educação continuada nas áreas de qualidade, criatividade e/ou inovação; d. informações e áreas dedicadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação; e. ações e programas de desenvolvimento de carreira e de avaliação de desempenho que considerem a inovação e a criatividade como indicadores e parâmetros para pontuação. É importante que, além dos programas e ações, a organização demonstre em seu discurso propósitos organizacionais imbuídos do espírito de receptividade às novas ideias, aos processos de mudança e à inovação. O quadro a seguir mostra a prescrição passo a passo do que uma empresa deve considerar para promover a criatividade. Quadro 2 – Prescrições para promover a criatividade organizacional 1. Desenvolva a aceitação da mudança. Os membros da organização devem acreditar que a mudança trará benefícios a eles e à empresa. Essa crença é incrementada quando os membros participam com seus gerentes na tomada de decisões e quando assuntos relacionados com as pessoas, como segurança no emprego, por exemplo, são cuidadosamente discutidos quando as mudanças são planejadas e implementadas. Isso remove possíveis resistências pessoais à mudança. 2. Encoraje novas ideias. Os gerentes, desde o topo até os supervisores do nível mais baixo, devem assumir claramente, em palavras e atos, que são totalmente abertos a novas abordagens. Para encorajar a criatividade, os gerentes devem estar prontos a ouvir sugestões de seus subordinados e a implementar novas ideias ou levá-las a seus superiores. 3. Permita mais interação. Pode-se promover um clima mais permissivo e criativo quando se dá às pessoas a oportunidade de interagirem com outros membros de seu próprio grupo de trabalho ou de outros grupos. Tal interação encoraja o intercâmbio de informações úteis, o livre fluxo de ideias e novas perspectivas na resolução dos problemas. 4. Tolere os erros. Muitas novas ideias podem ser inúteis ou sem praticidade. Os gerentes eficazes aceitam o fato de que tempo e recursos devem ser investidos na experimentação de novas ideias, mesmo que posteriormente elas não conduzam a soluções. 5. Defina objetivos claros e liberdade para alcançá-los. Os membros da organização devem ter um propósito e direção para sua criatividade. Ao apontar linhas de orientação e limites razoáveis, os gerentes terão algum controle sobre o volume de tempo e dinheiro investidos no comportamento criativo. 6. Ofereça reconhecimento. Indivíduos criativos trabalham motivados, mesmo em trabalho duro, em tarefas que os interessam. Mas, como todas as pessoas, gostam de ser recompensados por um trabalho benfeito. Ao oferecer reconhecimento de maneiras tangíveis, como prêmios e aumentos de salários, os gerentes devem demonstrar que o comportamento criativo é valorizado em sua organização. (STONER et al., 1995, p. 429) Fonte: Chiavenato (2008, p. 354). Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 13 4. OS NÍVEIS DE INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL Conforme vimos nas definições anteriores, de acordo com o autor, o conceito de inovação muda, pois alguns consideram que mesmo uma pequena melhoria de processo pode ser considerada inovação, enquanto outros consideram apenas as mudanças disruptivas, aquelas que rompem com o padrão anterior ou o curso normal de um processo com inovações. Podemos considerar que o processo de inovação é sempre disruptivo em algum nível, por menor que seja, pois é sempre o início de uma nova forma de fazer ou de perceber a questão que se apresenta. Uma definição bastante completa que estabelece três zonas para indicar o grau de disruptura efetuado nos processos de inovação foi elaborada por Christensen (1999), conforme a figura a seguir. Figura 4 – As três zonas da inovação Fonte: Chiavenato (2008, p. 358). Segundo o autor, cada empresa deve procurar o tipo de disruptura mais adequado à sua realidade. Ele ainda esclarece que as maiores oportunidades de crescimento estão na zona conceitual, que tem a ver com inovar a mudança no modelo de negócios, ou seja, na forma de se relacionar com os fornecedores, o mercado e os clientes. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 14 CONSIDERAÇÕES FINAIS “Criatividade é pensar ideias novas, enquanto inovação é fazer coisas novas” (CHIAVENATO, 2008, p. 365). Essa frase resume com muita propriedadeos dois conceitos e esclarece a função primordial de cada um deles. Importante considerarmos que no âmbito organizacional a criatividade e inovação ocorrem de forma sistemática e contínua apenas nas organizações abertas a novas possibilidades de aprendizagem e a mudanças de paradigmas. Organizações que estimulam seus funcionários a proporem novas maneiras de fazer as coisas e nas quais o erro faz parte do processo de aprendizagem criam um ambiente mais cooperativo e baseado na confiança. São organizações que abrem espaço em seus modelos e práticas de gestão para a criatividade e a inovação por meio de projetos multidisciplinares, reconhecimento, indicadores de desempenho que estimulam novas práticas; e inclusão dos públicos de interesse como parceiros relevantes dos negócios. Organizações criativas e inovadoras são as que entendem a criatividade e a inovação como processos de construção coletiva, são instituições com coragem para apostar no novo e que enxergam nos processos de mudança possibilidades de se tornarem ainda mais competitivas. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 15 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. 5. ed. ver. e atual. Barueri: Manole, 2008. CHRISTENSEN, C. Dilemas da inovação. São Paulo. Makron Books, 1999. POSSOLLI, G. E. Gestão da inovação e do conhecimento. Curitiba: Ibpex, 2011. SOBRAL, F.; PECI, A. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. TARAPANOFF, K. Aprendizado organizacional: fundamentos e abordagens multidisciplinares. vol. I. Curitiba: Ibpex, 2011. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. PETER F. DRUCKER (1909-2005): O GURU DOS GURUS ...............3 2. MICHAEL PORTER (1947): AS FORÇAS COMPETITIVAS ..............6 3. WARREN BENNIS (1925-): LIDERANÇA .............................................7 4. C.K. PRAHALAD (1941-2010) E GARY HAMEL (1954-): COMPETINDO PELO FUTURO E AS COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS DE UMA CORPORAÇÃO ............................................................................7 5. JAMES C. COLLINS (1958): FEITAS PARA DURAR ..........................8 6. DANIEL GOLEMAN (1946-): INTELIGÊNCIA EMOCIONAL .........9 7. CHARLES HANDY (1932-): PARADOXOS, IMPREVISIBILIDADE E IRRACIONALIDADE ................................................................................ 10 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................ 10 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 12 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 TEÓRICOS E TEORIAS CONTEMPORÂNEOS Podemos considerar que já conhecemos os principais conceitos que constituem a base da teoria da administração e dos principais modelos de gestão. Entendemos melhor a evolução do mundo do trabalho, o funcionamento das organizações, os modelos de gestão que apoiam e promovem seu melhor desempenho, e nos aprofundamos em questões fundamentais como planejamento, gestão da mudança, cultura organizacional, aprendizagem organizacional, busca da excelência, gestão estratégica de pessoas, liderança, o processo de tomada de decisão e a comunicação. Com base nesses conhecimentos, já podemos nos considerar preparados para fazer uma leitura adequada do contexto organizacional em seu ambiente interno e externo e entendermos as implicações de cada um desses fatores na dinâmica organizacional. De posse disso, chega um momento especial em que vamos conhecer desdobramentos importantes que surgiram a partir dessa base de conhecimento. Veremos agora os principais teóricos e as teorias contemporâneas que mais influenciaram a visão e o jeito de operar as organizações na atualidade. É apenas uma breve apresentação, portanto, caso você tenha interesse em conhecer alguma delas, deverá buscar informações adicionais. 1. PETER F. DRUCKER (1909-2005): O GURU DOS GURUS Não por acaso abrimos com Peter Drucker. Ele escreveu sobre praticamente todas as teorias que apresentamos ao longo deste componente, foi um pensador sobre as questões do século XX e trouxe uma série de contribuições. Drucker ampliou enormemente a compreensão sobre o mundo do trabalho, criou novas propostas para o melhor funcionamento das organizações e antecipou muitas tendências. Sua contribuição própria e sua releitura das teorias da administração: 1. trouxeram contribuições adicionais, como a Administração por Objetivos (APO), em que metas são estabelecidas para tornar o desempenho organizacional mais efetivo, prática de gestão que passou a ser adotada em maior ou menor grau por todas as organizações minimamente estruturadas; 2. sempre ganharam o tom contemporâneo da época em que viveu, dando nova vida aos conteúdos antigos, adaptando-os àqueles novos tempos em que a era dos serviços e as organizações não governamentais começavam a ganhar importância; 3. apostaram em novas possibilidades e antecipavam tendências do que seria a administração no futuro e o mundo do trabalho. Uma dessas tendências foi o trabalhador do conhecimento, como se referiu ao que seria o trabalhador na era da informação, num momento em que isso era absolutamente futurista. Já na época das empresas globais e multinacionais, Drucker apresentava teorias que atendiam a empresas e executivos de todo o mundo, sempre com a dimensão ética presente. Primava por clarificar o papel e as responsabilidades das organizações e de seus comandantes e por não poupar críticas à vaidade e ao desvio de executivos. Ele dizia que “administrar é muito mais do que a pura economia, é uma ponte entre civilização e Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 cultura” (LÜCHINGER, 2011. p. 134) Como bem disse Lüchinger, A amplitude de sua vida vai da destruição da antiga ordem (a monarquia dos Habsburgos) até o começo de uma nova era, aquela da internet. Ele foi como um peregrino entre os mundos. Entre o passado e o futuro, alguém que sabia aplicar seu cabedal de conhecimento em uma reflexão interdisciplinar. (2011, p. 134) A sua obra se popularizou nos meios acadêmicos e organizacionais. Conseguiu a proeza, devido ao texto claro, de ser bem compreendido – herança de seu primeiro emprego como jornalista, ainda jovem, iniciado com o artigo que tratava da quebra da Bolsa de Nova York em 1929 – e também de relacionar sua produção teórica com a realidade organizacional. Drucker foi consultor de várias gerações de executivos. Sua contribuição em livros, entrevistas multimídias, artigos, palestras e cases é muito importante para empresários, executivos e gestores nos mais diversos tipos de organização, nos mais diversos ramos, nos mais diferentes países. Em suma, não por acaso é o guru dos gurus, mundialmente referenciado por acadêmicos, consultores de negócios, executivos e gestores que se beneficiam de seu aprendizado. Quadro 1 – Partidários famosos Partidários famosos Jack Welch (*1935) O chefe do conglomerado americano General Electric colocou em prática muitos conselhos de Drucker. Ele se retirou de mercados nos quais a GE não poderia ser líder ou vice-líder, o que era uma ideia de Drucker. Richard Nixon (1913-1994) O presidente dos Estados Unidos sabia que, segundo a opinião de Drucker, os políticos dominavam apenas duas coisas: liderar guerras e desvalorizar a moeda pela inflação. Como político, Richard Nixon tentou contradizer isso com sua atuação. Fredmund Malik (*1994) O criador do Malik Management Zentrums St. Gallen e consultor de empresas é a versão moderna de Drucker. Malik foi muito influenciado por Drucker e é um autor tão prolífico quando seu mestre. Winston Churchill (1874-1965) O premiê inglês não respeitava Drucker tanto como consultorde empresas, mas o considerava um dos mais importantes teóricos da sociedade do século XX, que cedo avaliou corretamente os perigos do fascismo e do socialismo. Fonte: Lüchinger (2011, p. 138). Portanto, não é possível falar de apenas uma influência, mas de muitas. Seu primeiro best-seller é O homem econômico, de 1939, que mostra o crescimento do fascismo como um fracasso do capitalismo. No entanto, no que se refere ao nosso campo de estudo, a administração, é a partir dos anos 1940, quando Drucker assume a docência de ciências políticas e filosofia na Bennington College em Vermont, e publica O futuro do homem industrial em que mostra que já estamos num mundo onde as organizações passam a ter uma prevalência e que já estamos numa sociedade de organizações. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 Ele fala também sobre a integridade e as responsabilidades dos executivos dos altos escalões das empresas e do cuidado com o poder incondicional e os salários astronômicos, adiantando em 60 anos críticas e alertas que hoje todos conhecem e que são tratadas pela governança corporativa que regulamenta uma série de regras para a boa gestão organizacional. Sua primeira consultoria acontece por um chamado do próprio presidente da General Motors, a maior empresa do mundo na época. Após dois anos de reuniões, pesquisas e acompanhamento intensivo dos vários gestores da GM define com maior precisão o conceito de Corporação. A partir disso, é chamado a prestar consultoria para as principais empresas dos Estados Unidos na época como General Electric, Coca-Cola, IBM e Intel; e se torna o guru dos gurus no tema que mais ocupará o centro de sua atenção e produção acadêmica pelo resto da vida: a gestão de empresas. Torna-se persona non grata na GM ao apresentar uma proposta de descentralização como nova ordem social, o que era contra os princípios da época. A própria GE se coloca contra, mas anos depois, após assumir a primeira cadeira de administração do mundo na Universidade de Nova York nos anos de 1950, é procurado pela própria GM que numa crise lança mão da proposta rejeitada anos atrás. Este é o momento em que Peter Drucker se torna a principal referência para os temas de gestão. Em 1954 publica uma de suas obras mais importantes, Prática da administração de empresas1 , em que vários conceitos apresentados são hoje considerados óbvios e práticas comuns. Suas principais contribuições nesse trabalho são: 1. A afirmação categórica de que o sucesso de uma empresa depende do trabalho em equipe. 2. A autorregulação das empresas por meio da famosa Administração por Objetivos (APO), em que a empresa trabalha num única direção e os objetivos são estabelecidos e especificados em termos de tempo e de quantidade nos mais diferentes níveis da hierarquia, sempre desdobrados a partir do grande objetivo geral. No final dos anos 1950 já usa o termo sociedade pós-industrial. Uma década mais tarde escreve como o trabalho industrial será substituído pelo trabalho do conhecimento! Em 1980 foi aclamado pelo jornal New York Times como “o homem que inventou a gestão”. Bem, certamente não a inventou, mas a popularizou e a tornou parte da agenda das mais importantes organizações que sempre influenciam as demais. Em 1993 escreve o livro Sociedade pós-capitalista, que já antevê que a base das organizações deixa de ser o capital e passa a ser o conhecimento. Em 1995 profetiza que haverá uma clara redução dos funcionários de escritórios, o que se verifica mais tarde com os computadores pessoais. Entretanto, o clássico dos clássicos é sua obra O gerente eficaz, lançada em 1996, até hoje considerada a bíblia do administrador de qualquer tipo de organização e grande sucesso. Enfim, são inúmeras suas contribuições e as obras aqui mencionadas apenas destacam uma produção que pode ser vista em qualquer biblioteca de qualquer faculdade de administração de qualquer país do mundo. Portanto não se trata de apresentar uma teoria ou um conceito, mas de mostrar o quanto a obra de um único autor gerou um novo modo de pensar a gestão de empresas e atentar para a responsabilidade social das organizações e para a integridade de seus gestores. Drucker estabeleceu muitas pontes não apenas entre o antigo e o moderno; também lançou muitos ensinamentos para os tempos futuros. Veja algumas de suas considerações 1 Drucker, Peter. PRATICA DA ADMINISTRAÇAO DE EMPRESAS. Thomson Pioneira. SP, 1998. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 polêmicas a seguir. Quadro 2 – Considerações polêmicas de Drucker Liderança “A maior parte daquilo que chamamos de liderança consiste em dificultar o trabalho dos funcionários.” Chefes “São poucos os chefes que percebem que, no fim das contas, tem de chefiar apenas uma única pessoa. Essa pessoa são eles mesmos.” Marketing “O objetivo do marketing é tornar a compra supérflua. O objetivo do marketing é conhecer e compreender o cliente tão bem, a ponto de adequar-lhe o produto ou o serviço e que este se venda por si mesmo. Na situação ideal, o marketing deveria levar ao cliente o que está disposto a comprar.” Sucesso “O que todas as pessoas de sucesso têm em comum é a capacidade de manter muito estreito o fosso entre a decisão e sua concretização.” Bolsa “Considero a dependência do nível das bolsas uma das maiores fraquezas de nosso sistema econômico.” Executivos “Executivos são como artistas. Eles precisam se equilibrar bem: entre os empregados, acionistas, bancos, familiares. O decisivo é aquilo que é bom para a empresa. Aqui está a arte do executivo: ele precisa conseguir satisfazer as exigências individuais de tal modo que, no final, todos se calem.” Fonte: Lüchinger (2011, p. 148). 2. MICHAEL PORTER (1947): AS FORÇAS COMPETITIVAS Michael Porter2 é um dos maiores especialistas do mundo em estratégias competitivas. Seu foco é promover e avaliar o grau de competitividade de determinada organização e para isso analisa os principais fatores que interferem nessa dinâmica. Sua contribuição mais importante e mundialmente adotada é o “Modelo das Cinco Forças de Porter”. Ele também contribuiu com: 1. O profundo entendimento da cadeia de valor, e das relações entre todos os envolvidos no processo produtivo, desde a matéria-prima até a entrega. Identificou os fatores que regem dinâmica: da logística interna (tudo aquilo necessário para produzir); da produção ou provisão; da logística externa e distribuição; do marketing e pós-venda3. 2. O fato de ter ampliado suas teorias sobre vantagem competitiva não apenas para as organizações, mas também para países. Algumas publicações desse âmbito são “as vantagens competitivas das nações” e outra “repensando a saúde: estratégias para melhorar a qualidade e reduzir os custos”, que trata de como 2 Porter, como é comumente referenciado, é professor da Harvard Business School, formado em engenharia aeronáutica, com doutorado em economia. 3 Vale destacar que tem havido outras contribuições muito significativas de autores que introduziram o conceito de logística reversa, alterando o fluxo do descarte e impondo novas regras ambientalmente afinadas com a responsabilidade social empresarial. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 melhorar os sistemas públicos de saúde. Lidera na Harvard Business School o programa de formação para novos presidentes de empresas e o Institute for Strategy and Competitiveness. É referência obrigatória em todas as organizações – e até países – que pretendem pesquisar qual a sua competitividade, qual a sua distinção e qual a sua posição em relação no mercado. 3. WARREN BENNIS (1925-): LIDERANÇA Certamente é um dos autores mais referenciados quando o assunto é liderança, por ser um dos pioneiros a estudar o tema. Psicólogo e professor de gestão na University of Southern California é também consultor,inclusive de quatro ex-presidentes dos Estados Unidos. Estabeleceu uma clara distinção entre líderes e gestores, deixando claro que líderes são inspiradores, fazem as coisas certas e transformam o que está a sua volta; enquanto os gestores são bons administradores que fazem certo as coisas. Seus estudos de liderança buscaram identificar as principais características dos líderes e resultaram em quatro delas, bastante utilizadas até hoje: visão; capacidade de comunicação; respeitabilidade; e desejo de aprendizagem. 4. C.K. PRAHALAD (1941-2010) E GARY HAMEL (1954-): COMPETINDO PELO FUTURO E AS COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS DE UMA CORPORAÇÃO Prahalad, doutor em Administração pela Harvard Business School, de origem indiana, foi professor na área de estratégia corporativa na Universidade de Michigan e conselheiro do governo indiano para empreendedorismo. Hamel é professor visitante da London Business School, expert em competitividade, empreendedorismo e inovação e atende empresas como GE, Time Warner, Nokia, Nestlé, Shell, Procter & Gamble, 3M, IBM e Microsoft. A parceria entre Hamel e Prahalad produziu o clássico Competindo pelo Futuro, no qual os autores apontam que os gestores gastam a maior parte do tempo atuando em questões urgentes do dia a dia e deixam apenas 3% do tempo reservado para se ocuparem com o que de fato importaria: pensar sobre o futuro dos negócios e em como atuar para modelar o futuro de suas indústrias. Esses profissionais deveriam, portanto, ser arquitetos desse futuro. Outra obra de grande importância tratou de um tema-chave, considerado inevitavelmente em todos os processos de planejamento estratégico e de revisão da estrutura organizacional: as core competences, ou seja, as competências essenciais de uma organização. Utilizado para definir que atividades devem ser da organização (essenciais) e quais não estão relacionadas às principais atividades dos negócios (auxiliares) e que podem ser terceirizadas ou contratadas externamente. Conceito essencial na era da informação, em que as organizações se tornam cada vez mais enxutas, diminuem custos fixos e buscam flexibilizar-se. Identificar a competência essencial pode significar o sucesso ou a ruína de uma organização. Vale destacar uma contribuição específica de Prahalad, a Base da Pirâmide, tema que começou a entrar em Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 voga mais recentemente na agenda das organizações e que tem a ver com a inclusão dos mais pobres como potencial público consumidor. Prahalad propõe que as empresas comecem a criar produtos destinados a essa significativa parcela da população, pouco mais da metade da população global, que vive com menos de cinco dólares por dia. Figura 1 - A pirâmide do mercado global Fonte: PRAHALAD e HAMMOND, 2002. 5. JAMES C. COLLINS (1958): FEITAS PARA DURAR Consultor renomado, esportista e ex-professor da Stanford University, onde cursou administração e matemática, atua na área de gestão e estratégia organizacional. Seu objetivo é entender como as empresas podem ser bem-sucedidas e duradouras. No Brasil um de seus clientes mais famosos é o empresário Abilio Diniz, do Grupo Pão de Açúcar. O livro Feitas para durar é sua principal obra e foi escrito em parceria com Jerry Porras4. Nele, os autores analisam o que existe em comum entre empresas perenes de destaque, ou seja, as que constam do ranking das maiores empresas desde 1926. Após um estudo de cinco anos, eles concluíram que essas empresas: 1. preservam o núcleo e mudam todo o resto: descobrem que os valores e princípios se mantêm imutáveis e que os processos de mudança ocorrem nas políticas, processos e infraestrutura. Portanto, tudo em volta muda com enorme dinamismo, exceto o núcleo; 2. contam com pessoas comprometidas e devotadas a um projeto de empresa, além dos lucros. Desafios, metas audaciosas e exigência de um desempenho destacado são objetivos que as lideranças apresentam com um sentido de missão. 4 Professor da Standford University e consultor nas áreas de Comportamento Organizacional e Mudança. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 6. DANIEL GOLEMAN (1946-): INTELIGÊNCIA EMOCIONAL Psicólogo e jornalista científico, lançou em 1995 o livro Inteligência emocional, cujo título se tornou jargão no ambiente empresarial quando alguém se refere à maturidade de determinado profissional. De certa forma, Daniel Goleman trouxe uma renovação e uma importante lembrança de que a capacidade de relacionar-se e conviver exige um grau de maturidade dos profissionais que nem sempre é compatível com sua posição na hierarquia, ou ainda que o impedem de fazer avanços na carreira. De forma explícita, relaciona as emoções com a inteligência, como o próprio nome revela: inteligência emocional. Com base em pesquisas e na sua prática como psicólogo, mostra o quanto o controle das emoções é essencial para que a inteligência de um indivíduo possa ser posta em prática. Mostra que pessoas imaturas – incapazes de controlar seus impulsos e motivações – e de pouca empatia podem colocar em risco sua capacidade intelectual, por maior que seja o Quociente de Inteligência (Q.I.), indicador normalmente utilizado para se referir à inteligência. Ele mostra, portanto que a inteligência intelectual, racional, é importante, mas pode ser subjugada pela emoção. Afirma que a falta de controle das próprias emoções é capaz de destruir carreiras promissoras e a própria vida pessoal. Esta é uma questão muito importante em todas as relações e processos de comunicação interpessoais – especialmente no caso dos gestores nos processos de feedback em que o tema é o desempenho de outra pessoa. Apesar de Howard Gardner nos ter apresentado anos antes as inteligências múltiplas5, o mérito de Goleman foi ter trazido um tema de grande importância para as organizações – e também para a vida pessoal, utilizando uma forte base conceitual, de forma simples e correlacionada às experiências cotidianas. É observável que o fator emocional é de enorme relevância, e Goleman traduziu isso de forma simples e direta. As organizações já incluem, desde a escola das relações humanas, práticas de gestão que levam em consideração a dimensão social e psicológica do indivíduo. Nas entrevistas de seleção, um dos itens que se procura avaliar é a atitude, dimensão claramente comportamental. Essa mesma avaliação é feita toda vez que se pensa em quem promover na organização. Naturalmente, não é o único fator que conta, mas, quanto mais a organização valorizar o trabalho em equipe e a gestão compartilhada, mais espaço haverá para os que tiverem a inteligência emocional bem desenvolvida. 7. CHARLES HANDY (1932-): PARADOXOS, IMPREVISIBILIDADE E IRRACIONALIDADE 5 Em 1983 relacionou sete tipos de inteligência: verbal, musical, lógica/matemática, visual/espacial, corporal/sinestésica, interpessoal e intrapessoal. Acrescentou mais tarde a a naturalista e existencialista. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 Considerado o filósofo da gestão, especializado em comportamento organizacional, destoa de seus pares por trazer uma visão que em vez do controle alerta para os paradoxos, a imprevisibilidade e a irracionalidade da gestão. Irlandês, formou-se em Oxford, trabalhou na Shell, e pós-graduou-se na Sloan School Management, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) nos Estados Unidos e se tornou professor da London Business School. Seu conceito mais famoso são as organizações trevo em que antecipou, em 1989, a realidade da mão de obra sem emprego nas organizações do futuro. Handy profetiza importantes impactos em termos das relações de trabalho, da arquitetura organizacional e da carreira, separando os trabalhadores em três diferentes categorias. Cada uma das três folhas do trevo se refere a: 1. Empregados permanentes: um pequeno núcleo, estratégico e queresistiria a uma revisão da estrutura por deter competências críticas de enorme importância para a sobrevivência da organização. 2. Contratados externos: profissionais terceirizados que realizam uma série de tarefas diárias na organização. 3. Trabalhadores temporários: contratados por períodos parciais e de curta duração apenas quando surge uma necessidade específica. Vale destacar que Handy vê como uma oportunidade a atuação de trabalhos temporários por permitirem aos profissionais se ocuparem em projetos de seu interesse, com maior liberdade – visão não necessariamente compartilhada por outros que consideram prejudicial uma força de trabalho sem qualquer tipo de garantia institucional. Como decorrência da nova realidade dos trabalhadores, Handy antecipou a impermanência das organizações flexíveis que se juntam apenas temporariamente para projetos específicos, criando diferentes configurações. Handy antecipou outras tendências como a desmaterialização do dinheiro em papel para o dinheiro de plástico (utilização de cartões). A era da irracionalidade é um de seus livros mais importantes. CONSIDERAÇÕES FINAIS Buscamos suscitar a curiosidade e abrir possibilidades de temas que a cada tempo entram em pauta e podem servir de inspiração ou de direcionamento às organizações. Poderíamos ter começado com os pioneiros que muitas contribuições trouxeram à melhor compreensão do mundo do trabalho e do ambiente organizacional, cada um em seu domínio, como Chester Barnard (1886-1961) que já enxergava as organizações como poderosos vetores do progresso social, além de ter estudado o papel e as funções dos executivos e o processo de tomada de decisões, ainda no começo do século XX. Também poderíamos ter incluído Alvin Toffler – uma referência indispensável quando se pensa em projetar o futuro das organizações. Essa seleção não é das mais simples. Se pesquisar de tempos em tempos o ranking dos nomes que mais se destacam na área de administração, como os “dez gurus da administração”, encontrará vários nomes que não foram mencionados aqui. Naturalmente grandes feitos geram notoriedade e podem aparecer em alguns rankings. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 11 Entretanto, o critério aqui adotado foi selecionar apenas aqueles teóricos cuja contribuição tem atravessado gerações de gestores, mas não apenas isso. Foi possível contemplar uma ampla gama de contribuições da seguinte forma: 1. Conforme mostrado no perfil de Peter Drucker, ele próprio fez a releitura de muitas das teorias que surgiram antes dele. 2. Alguns que fizeram parte das Escolas de Administração como Maslow na Pirâmide das Necessidades Humanas, Hertzberg nos Fatores Motivacionais e Higiênicos e no Enriquecimento do Cargo; McGregor na Teoria X e Y; e Chris Argyris nos Objetivos Individuais e Organizacionais, foram mencionados na aula 2. 3. Trouxemos contribuições de renomados autores como Robert S. Kaplan e David P. Norton no Balanced Scorecard; Edward de Bono no Pensamento Lateral, Clayton M. Christensen nos modelos de mudança disruptiva, entre outros. O mais importante é considerarmos que a história se constrói a partir das inúmeras referências que temos e no campo da administração há muitas delas. Que sirva de incentivo para que você esteja sempre atento e atualizado com as novas contribuições de novos experts da área. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 12 REFERÊNCIAS COLLINS, J. C.; PORRAS, J. I. Feitas para durar: práticas bem-sucedidas de empresas visionárias. Rio de Janeiro: Rocco. 2007. DRUCKER, P. Gestão. Rio de Janeiro: Editora Agir, 2011. HELLER, R. Charles Handy. São Paulo: Publifolha, 2001. LÜCHINGER, R. Os doze economistas mais importantes do mundo: de Smith a Stiglitz. Curitiba: Ibpex, 2011. PORTER, M. Estratégia competitiva. Rio de Janeiro: Editora: Campus, 2005. PRAHALAD, C. K.; HAMEL, G. Competindo pelo futuro. Rio de Janeiro: Campus, 2005. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 1 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 2 SUMÁRIO 1. ALVIN TOFFLER (1928): O FUTURISTA DAS ONDAS ......................4 2. NICOLAS NEGROPONTE (1950-): O PROFETA DA ERA DIGITAL ..5 3. MANUEL CASTELLS (1942-): A SOCIEDADE EM REDE ..................6 4. JEREMY RIFKIN (1945): A ERA DO ACESSO E O FIM DO EMPREGO ...6 5. DON TAPSCOTT (1947): A COLABORAÇÃO EM MASSA ............8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..........................................................................8 REFERÊNCIAS ............................................................................................... 10 Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 3 TENDÊNCIAS Já percorremos praticamente todo o trajeto do curso e podemos nos dar o luxo e o prazer de confabular sobre as perspectivas futuras, só que agora com base em conhecimento de causa e em um conhecimento maior sobre o mundo do trabalho e das organizações. Algumas mudanças de base são observáveis, dentre elas destacamos as empresas enxutas e flexíveis que se organizam de diferentes formas em função da demanda; o poder das grandes corporações que chegam a ter mais poder do que muitas nações; e a mudança nas regras de contratação que utilizam o mínimo de mão de obra própria e se completam com profissionais terceirizados ou vinculados aos demais integrantes da cadeia de valor, dentre outras. É necessário antecipar que existe um risco considerável de que os conceitos, as ferramentas e os modelos de gestão que conhecemos até agora se torne absolutamente inúteis nesse futuro próximo. Não completamente, mas é preciso ter muito claro que nossa herança maior no campo da administração foi desenvolvida com base na realidade industrial, no mundo da produção de bens materiais e tangíveis. Certamente não serão totalmente descartáveis, mas precisarão ser readaptados e mudar de perspectiva em muitos casos. Esses muitos casos contemplam desde uma área específica em uma organização mais convencional até uma organização inteira, já mergulhada num novo modo de se organizar e de fazer negócios. Já temos tido algumas prévias dessa mudança, que não chegou da noite para o dia, com o crescimento gigantesco da oferta de serviços, inclusive com muita bibliografia disponível e até referenciada como a era dos serviços. O que observamos é que a maior parte dos indicadores de desempenho organizacionais apresenta pouca ou nenhuma relação com o ambiente dos serviços. O desafio é adequar os indicadores industriais também a essa outra realidade em que a produção material dá lugar à oferta de serviços. Para pensar Você gostaria de saber como uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a IBM, desenvolve modelos para analisar sistemas complexos que envolvem pessoas, máquinas, processos e organizações? A finalidade é melhorar esses sistemas e com isso pode melhorar o mundo. Conheça como funcionam os modelos probabilístico-sociais: uma revolução na indústria de serviços que vai desde a estimativa sobre o fluxo de pessoas em megaeventos como a Copa ou as Olimpíadas até o atendimento em serviços públicos de saúde. De que forma isso é possível? Assista à palestra do cientista e pesquisador Claudio Pinhanez da IBM Research no TEDxESPM 2012, disponível no ambiente virtual: http://www.youtube.com/watch?v=17W4ZhSB2Og Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 4 1. ALVIN TOFFLER (1928): O FUTURISTA DAS ONDAS Escritor e futurista americano, formado em Letras e Humanidades, Toffler foi professor da Russell Sage Foundation, da Cornell University e consultor do governo norte-americano. É conhecido por escrever sobre as revoluções digital, tecnológica, organizacional e da comunicação; e o impacto social, político e econômico que todas elas acarretam. Portanto, conhecer as ideias e as concepções de Toffler nos leva a um exercício de futurismo e de compreensão de como asmudanças afetam em profundidade nossa vida, a vida das organizações e a vida das nações, porque nos explica o que muda na relação entre todos esses atores. Toffler ficou em evidencia ao publicar O choque do futuro, nos anos 1970, mas o que o tornou mundialmente conhecido foi a publicação de seu livro A terceira onda, na década de 1980, título que se tornou expressão de acadêmicos e formadores de opinião para se referir à revolução digital. Ultimamente, tem se ocupado mais das questões armamentistas, das guerras e das possibilidades de criar uma nova civilização. Toffler e sua mulher Heide Toffler, também futurista, desenvolveram trabalhos em gigantes das comunicações como IBM, AT&T e Xerox, já antevendo a questão da adaptabilidade das corporações como essencial. As ondas da mudança de Alvin Toffler são: 1ª Onda 2ª Onda 3ª Onda Era Agrícola Era Industrial Era da Informação Terra Capital Conhecimento Entretanto, ele esclarece que as diferentes ondas convivem a um só tempo, de acordo com trecho da entrevista concedida à rede de televisão British Broadcasting Corporation, BBC Brasil.com, no ano de 2002, BBC Brasil – O sr. tem escrito que estamos vivendo uma terceira onda de mudanças tecnológicas, políticas e culturais, e que esta nova onda já chegou a países como o Brasil, a Índia e a China. Como se pode identificar os efeitos dessas mudanças no dia a dia das pessoas, por exemplo, no Brasil? Alvin Toffler – No caso do Brasil, por exemplo, eu acredito que existam na verdade três países diferentes. Há o Brasil da primeira onda, em que as pessoas trabalham na terra da forma que seus ancestrais faziam há centenas de anos, produzindo só o necessário para sobreviver. O Brasil da segunda onda é visto em São Paulo e em várias outras regiões do país, com grande urbanização, muitas indústrias, engarrafamentos e poluição. E também é possível encontrar no Brasil, de uma forma ainda incipiente, uma parte da sociedade que já vive a terceira onda. São pessoas que estão na internet, usam computadores de forma rotineira e têm empregos que exigem um conhecimento cada vez mais sofisticado. O Brasil é um país heterogêneo, cultural e racialmente, e hoje também comporta três estruturas econômicas diferentes. (AMARAL, 2002, on-line) Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 5 2. NICOLAS NEGROPONTE (1950-): O PROFETA DA ERA DIGITAL Considerado o profeta da era digital, Negroponte fundou e dirigiu o MediaLab, o mais destacado laboratório de experimentos da era digital sediado no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que estuda as formas futuras de comunicação multimídia. Também é consultor do governo, colunista da Wired1 e presidente da organização sem fins lucrativos One Laptop per Child voltada à inclusão digital. Seu livro A vida digital, de fácil leitura e compreensão, foi o marco que traduziu para a academia e os negócios, especialmente os ligados a entretenimento e informação, o que muda em termos práticos na passagem do mundo analógico, o dos átomos, para o mundo digital, o dos bits. Diferente dos átomos, os bits não têm cheiro, não têm peso e viajam à velocidade da luz. Portanto, a questão geográfica e temporal fica totalmente alterada, afetando o transporte, a logística e o ritmo das pessoas e das transações efetuadas entre elas. Sabemos que bandas largas são necessárias para criar as infovias que possibilitam a conexão de tantas informações, portanto há outro tipo de peso. O mundo digital aconteceu graças à convergência, ou seja, à transformação de dados, voz e imagem em bits. Com os bits, temos a possibilidade de usar o mesmo canal para transportar tudo isso e podemos acessar imagens, sons e dados em qualquer plataforma digital. Essa revolução permite possibilidades infindáveis nos mais variados campos, desde a indústria da informação até a medicina. Essa passagem muda a maneira de fazer negócios. No caso de algumas empresas, custou sua própria existência, como o caso da Kodak que faliu por não conseguir fazer a transição das fotografias produzidas com filmes do mundo analógico, para as fotografias produzidas com máquinas digitais e armazenadas em bits ou reproduzidas em papel. Empresas como Xerox e IBM conseguiram fazer a transição para o novo modelo e se reposicionar. No caso da Xerox, que tinha grande parte de seu negócio com base na reprodução de cópias em papel, descobriu que sua maior expertise era saber lidar com documentações e informações e se apresenta como The document company – Por mais de meio século a Xerox tem sido líder em tecnologia para documentos e serviços. Seguimos ampliando essa herança de inovação. Com a aquisição que fizemos da Affiliated Computer Services, somos agora uma empresa líder mundial em processos de negócios e gestão de documentos, oferecendo serviços globais que vão desde requisições de reembolso ou automação de transações para coleta de taxas, até a operação de centrais de atendimento ao cliente e gestão de benefícios de RH. (XEROX, on-line) Portanto, apesar de ter em seu portfólio escâneres, impressoras e insumos, colocou-se fortemente na área de serviços relacionados a documentos e processos de negócios. Outro exemplo bem evidente é a indústria fonográfica. Os CDs em sua forma física estão sendo cada vez mais substituídos por downloads simplesmente porque as pessoas não compram CDs, mas músicas. Esse é o exercício que as organizações precisam fazer. Identificar o seu negócio principal para assegurar sua competitividade. Assim, temos transformado imagens em bits, sons em bits e dados em bits. A economia tem se tornado mais leve, virtual e intangível. 1 Revista revolucionária que só trata das questões digitais e que também tem sua versão eletrônica. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 6 3. MANUEL CASTELLS (1942-): A SOCIEDADE EM REDE Sociólogo espanhol, professor da Universidade Aberta da Catalunha em Barcelona, já lecionou em universidade nos Estados Unidos (com passagem pelo Media Lab) e na França. Sua obra mais importante é praticamente um tratado, a trilogia A sociedade em rede, A era da informação e Economia, sociedade e cultura, de 1996 a 2003, composta de três parrudos volumes, que mapeiam e analisam em profundidade os impactos das novas tecnologias da informação e da comunicação em todas as esferas, como o próprio título já explicita. Castells destaca o quanto o mercado financeiro se descola do setor produtivo utilizando as redes, tornando- se ainda mais volátil; o quanto as empresas puderam se horizontalizar e criar possibilidades de interação e seu processo produtivo e comercial independentemente da geografia. Castells divide a nova economia global em cinco tipos de redes, nas quais a inovação é vital: 1. redes de fornecedores; 2. redes de produtores; 3. redes de recursos financeiros e humanos; 4. redes de clientes; 5. redes de cooperação tecnológica. Outro impacto é o da comunicação multimídia no relacionamento humano e na maneira como entendemos o mundo: “a virtualidade do real”, ou seja, o quanto operamos e transferimos para ambientes virtuais, por meio de simulações, experiências outrora analógicas, reais. Um exemplo simples são as redes sociais nas quais temos amigos, alguns apenas virtuais, pois não conhecemos pessoalmente quem adicionamos ou excluímos com apenas um clique. Portanto, uma relação que na vida real demandaria outro tipo de relacionamento tanto para aproximação e conquista da amizade quanto para seu término. Castells nos alerta para a força e a dimensão política dessa mudança na comunicação, uma vez que comunicação é poder e assim tem sido desde os tempos remotos para influenciar as pessoas. Afirma que No entanto, de uma coisa podemos ter certeza: a sorte da batalha será jogada no terreno da comunicação, e jogará papel a nova diversidade dos meios tecnológicos. Sem dúvida, essa batalha é a mais antiga detoda a história da humanidade. Desde sempre, ela visa à liberação de nosso pensamento. (CASTELLS, 2006, on-line) 4. JEREMY RIFKIN (1945): A ERA DO ACESSO E O FIM DO EMPREGO Rifkin traduziu como poucos para o mundo das organizações e dos negócios o impacto da era da informação de forma pragmática e didática. Mistura observações de campo já constatadas com elucubrações futuristas sobre as novas tendências em publicações como A economia do hidrogênio, A era do acesso, O fim dos empregos e O século da biotecnologia, entre outras. É presidente da Foundation on Economic Trends, em Washington D.C., e Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 7 palestrante nos programas de educação executiva da Wharton School. No livro A era do acesso, Rifkin mostra de que forma a economia com base em bens muda para a economia baseada em serviços. Nessa mudança, troca a posse pelo uso, o tangível pelo intangível, os mercados pela rede, a propriedade para o acesso, a geografia pelo ciberespaço, o capitalismo industrial pelo capitalismo cultural. Como ficam os contratos que temos com base na propriedade? Como separar a cópia do original? Como ficam os direitos autorais e as patentes? O grande desafio passa a ser Encontrar um meio sustentável de preservar e incentivar a diversidade cultural que seja vital para a civilização em uma economia de rede global cada vez mais baseada no acesso pago a experiências culturais. (RIFKIN, 2005, p. 10) Rifkin aponta o quanto as organizações burocráticas com regras e procedimentos fixos precisam se reinventar e cita como exemplo do novo processo cultural os grandes estúdios de Hollywood, que abandonaram as enormes estruturas fixas e contam com uma enorme cadeia de fornecedores que se juntam para determinado projeto. Ainda mostra como o peso das coisas está diminuindo literalmente: um computador IBM em 1981 pesava 20 quilos; hoje um computador pode pesar menos de 2 quilos, além de ter um desempenho significativamente maior. A desmaterialização do mundo analógico é uma realidade quando, por exemplo, fazemos o download de filmes, músicas e apresentações; pegamos o resultado de um exame médico, mesmo que seja de imagens, em um CD, em vez de uma radiografia e pagamos nossas contas on-line e arquivamos o comprovante de pagamento em pdf num arquivo virtual. Fazer todos esses processos antes da era digital integrada com bens e serviços exigiria que: a) comprássemos um DVD ou um CD; b) retirássemos um papel ou uma radiografia; e c) utilizássemos um papel. Isso se pensarmos apenas na última transação direta com o consumidor final, mas pense no que viria antes disso. No caso do pagamento das contas, ter-se-ia plantado, cortado e transportado uma árvore, a transformado em papel que, retransportado para a gráfica, seria impresso e transportado novamente, dessa vez pelos correios, para chegar até o responsável pelo pagamento, que por sua vez precisará se deslocar até o banco, eventualmente pegar uma fila, e carimbar aquela árvore que virou papel impresso para atestar que pagou a conta devida. Não por acaso, Rifkin mostra a mudança da própria estrutura física das empresas, que passam a operar com trabalho remoto em que os trabalhadores ficam sediados na própria casa ou em locais com estações de trabalho disponíveis em diferentes turnos. Assim, a empresa oferece uma estrutura de hotelaria, com postos de trabalho que podem ser compartilhados por vários funcionários. Os estoques também são minimizados. Organizações que já adotavam esses modelos são as mais bem preparadas para enfrentar o desafio da economia com base em informações. Também a questão financeira é impactada. Segundo Rifkin, com o dinheiro de plástico e sua desmaterialização, as pessoas podem deixar de poupar para apostar no crédito, com a concepção de que até o capital é para ser usado e não necessariamente próprio. Podemos considerar que a bolha de crédito sem lastro da crise americana recente mostrou como a ilusão do crédito pode existir e movimentar um volume de “não dinheiro” impressionante por não ter base produtiva. Uma das práticas bastante utilizadas por organizações é pagar leasing dos carros e computadores utilizados para não se preocupar com depreciação, manutenção e atualização desses recursos. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 8 Portanto, a tendência do processo de vendas é se modificar para um relacionamento. Apenas vender, entendido como um processo exclusivamente comercial para oferecer o produto e deixar o restante a cargo do comprador em termos de atualização e manutenção passará a ser visto como uma prática suspeita. Hoje, o consumidor espera que o vendedor se incumba de atualizar e de cuidar da manutenção dos bens oferecidos. Assim como Castells, Rifkin se preocupa com a soberania dos Estados nacionais na era da informação. Acredita que a tendência é de que sejam extintos na forma como os conhecemos hoje, uma vez que as empresas globais, por terem suas partes espalhadas pelo mundo, dependem menos da questão geográfica e do Estado e mais dos meios de comunicação. Apesar de grande parte das pessoas estarem conectadas às redes, Rifkin alerta para o fato de que mais da metade da população do mundo nunca fez sequer uma ligação telefônica. 5. DON TAPSCOTT (1947): A COLABORAÇÃO EM MASSA Professor da Universidade de Toronto, no Canadá, formado em Psicologia e Estatística, escritor, palestrante e consultor na área de mídia, tecnologia e inovação. Sua publicação mais importante: Wikinomics – como a colaboração em massa pode modificar o seu negócio se tornou uma das referências para os novos modelos de negócios. Tapscott mostra o quanto os trabalhos desenvolvidos de forma mais tradicional com pessoas fisicamente reunidas pode ser superado com colaborações em escala planetária. Sua aposta é na competência do coletivo para os processos de inovação. Acredita que bens e serviços podem ser melhorados e criados a partir dessa abordagem. Tapscott também tem desenvolvido pesquisas sobre o que muda na maneira de pensar das novas gerações que denomina de Geração Digital, além de temas variados da cultura digital. CONSIDERAÇÕES FINAIS Por maiores que sejam as mudanças, as quatro funções básicas de um gestor sempre são: planejar, organizar, direcionar e controlar. O que muda é o formato. Nossa herança conceitual no campo da administração foi fundada na realidade mecanicista da era industrial. A partir dos anos 1960, evoluiu para a abordagem sistêmica e o enfoque contingencial que já tiveram o mérito de entender a movimentada dinâmica e a forte inter-relação entre o meio ambiente e as organizações, com especial atenção para a necessidade da mudança e da constante adaptabilidade. Na sequência, a teoria quântica e a teoria da complexidade mostraram que as tais mudanças não eram exceção e que tudo é fluxo e transformação. Assim, em cada fase das sucessivas compreensões do mundo do trabalho e das organizações, alguns elementos têm se mantido como âncoras, ainda que suas concepções sejam atualizadas e reenquadradas. É o que acontece com essas quatro funções que adquirem novos formatos e perspectivas. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 9 Afinal, o que significa planejar, organizar, direcionar e controlar nestes novos tempos, acompanhado ainda das múltiplas realidades dos tempos modernos de Chaplin. Como afirma o futurista Alvin, as diferentes ondas convivem a um só tempo. Temos o privilégio de atravessar essa ponte e conhecer as realidades desses dois mundos, o digital e o analógico. Um dos intelectuais mais importantes da atualidade, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, considera que estamos mesmo numa fase de transição para uma nova era. São mudanças estruturais que deverão modificar a relação entre as pessoas, as organizações e os países. Independentemente disso, sabemos que por mais que jáestejamos na era da informação e da comunicação sem fronteiras, grande parte da humanidade, especialmente no continente africano, não dispõe de condições básicas de alimentação e saúde. Até mesmo no Brasil, segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ainda não dispomos de infraestrutura básica de redes de água e esgoto e até mesmo de coleta de lixo para todos. Ainda há programas de combate à fome e a pobreza não apenas no Brasil, mas em vários países do mundo. Portanto, múltiplas realidades se sobrepõem e acontecem ao mesmo tempo. Dos centros financeiros mais renomados aos escombros do Haiti. Portanto, nessa viagem futurista o mais importante é que tenhamos em mente que essa possível realidade apenas terá grande valor se estiver a serviço da melhoria da qualidade de vida das pessoas, das organizações e do planeta. Para pensar Você gostaria de conhecer quais são as principais mudanças que se apresentam neste novo milênio? Você gostaria de saber quais são as apostas de um sábio intelectual, capaz de estabelecer pontes desde a Grécia antiga até a internet? Que novas reflexões podemos fazer sobre governo, democracia, privacidade, projeto de vida, internet, segurança, liberdade e felicidade? Assita ao vídeo de Zygmunt Bauman, disponível no ambiente virtual. Senac São Paulo - Todos os Direitos Reservados 10 REFERÊNCIAS AMARAL, R. Alvin Toffler: “3ª onda” é única opção para o Brasil. BBC Brasil.com, 15/08/2002. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2002/020815_eleicaoct8ro.shtml> Acesso em: 21 dez. 2012. CHIAVENATO, I. Iniciação à Teoria das Organizações. Barueri: Manole, 2010. ____. Os novos paradigmas: como as mudanças estão mexendo com as empresas. 5. ed. ver. e atual. Barueri: Manole, 2008. NEGROPONTE, N. A vida digital. 3. ed. São Paulo: Cia. das Letras, 1995. RIFKIN, J. A era do acesso. 2. ed. São Paulo: Makron Books, 2005. ____. O fim dos empregos. 1. ed. São Paulo: Makron Books, 2004. SOBRAL, Filipe; PECI, Alketa. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. TOFFLER, A. A terceira onda. 30.ed. São Paulo: Record, 2007. XEROX. Uma visualização superficial sobre a Xerox. Disponível em: <http://www.xerox.com/about-xerox/ company-facts/ptbr.html>. Acesso em: 21 dez. 2012. MOD_GES_01_PDF_2012-final CAPA SUMÁRIO O MUNDO TRABALHO: DA ERA AGRÍCOLA À ERA DA INFORMAÇÃO 1. A NATUREZA COMO CENTRO DOS SISTEMAS PRODUTIVOS 2. A TECNOLOGIA IMPERA NOS NOVOS MODOS DE PRODUÇÃO REFERÊNCIAS MOD_GES_02_PDF_2012-FINAL CAPA SUMÁRIO 1. A ADMINISTRAÇÃO COMO CIÊNCIA 2. ABORDAGEM CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO 2.1. Administração científica: pode me chamar de Taylorismo 2.2.Fordismo 2.3. Teoria clássica da Administração 3. ABORDAGEM HUMANÍSTICA DA ADMINISTRAÇÃO 4. ABORDAGEM NEOCLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO 5. ABORDAGEM ESTRUTURALISTA DA ADMINISTRAÇÃO 6. TEORIA COMPORTAMENTAL OU BEHAVORISTA DA ADMINISTRAÇÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_03_PDF_2012-FINAL 1. Teoria dos Sistemas 2. Desenvolvimento organizacional 2.1. Estudo do clima e da cultura organizacional 2.2. Análise transacional 2.3. Modelos de D.O. 3. Abordagem contingencial RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL (RSE) Os principais desafios enfrentados pelas empresas na RSE CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Links interessantes: MOD_GES_4_PDF_2012-FINAL CAPA SUMÁRIO 1. O QUE É UMA ORGANIZAÇÃO? 2. AS FUNÇÕES ORGANIZACIONAIS 3. A DIMENSÃO DA ORGANIZAÇÃO 4. OS TIPOS DE ORGANIZAÇÃO 5. A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL 5.1 Organograma 5.2 Linha e staff 6. TIPOS DE DEPARTAMENTALIZAÇÃO DA ESTRUTURA 6.1 Tipos de estrutura 6.2 Centralização e descentralização da estrutura 6.3 Níveis organizacionais CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_05_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO 1. PREMISSAS PARA O BOM PLANEJAMENTO 2. A IMPORTÂNCIA DOS OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS 3. A IMPORTÂNCIA DOS PLANOS ORGANIZACIONAIS 4. PLANEJAMENTO E ESTRATÉGIA REFERÊNCIAS MOD_GES_06_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO 1. PARADIGMA 2. A IMPORTÂNCIA DA CULTURA ORGANIZACIONAL 3. A NATUREZA DAS MUDANÇAS E OS PRINCIPAIS FATORES QUE AS MODELAM 3.1 O ambiente interno 3.2 O ambiente operacional 3.3 O ambiente contextual CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_07_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO AULA APRENDIZAGEM ORGANIZACIONAL E A BUSCA DA EXCELÊNCIA 1. Qualidade e produtividade 1.1 Eficiência e eficácia 1.2 As diversas fases da qualidade 1.2.1 Controle de processo 1.2.2 Amostragem por aceitação 1.2.3 Gestão da Qualidade Total 1.2.4 A certificação 2. A empresa que aprende 2.1 Aprendizagem com autonomia CONSIDERAÇÕES FINAIS MOD_GES_08_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO AULA 1. Gestão de pessoas nas organizações: onde estamos e para onde vamos 1.2 Funções básicas na gestão de pessoas 1.3 A gestão de pessoas acontece na experiência do dia a dia 2. Recrutamento, seleção, avaliação e jovens talentos 3. Treinamento e Desenvolvimento – Coaching e mentoria 4. Enriquecimento do trabalho, projetos e desafios 5. Remuneração: salários, benefícios e outros ganhos CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_09_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO 1. LIDERANÇA: DOM OU VIRTUDE? 2. MAS, AFINAL, O QUE É LIDERAR? 3. DIFERENTES PERSPECTIVAS E EXPLICAÇÕES SOBRE A LIDERANÇA 3.1. Chefiar versus liderar 3.2. Traços de personalidade 3.3. Abordagem comportamental 3.4. Competências gerenciais 3.4.1. Orientação para tarefa e orientação para pessoas 3.4.2. Estilos de liderança 3.5. Teorias situacionais 3.6. Abordagem contingencial 4. A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO DA EQUIPE 5. LIDERANÇA NO SÉCULO XXI 5.1. Liderança como gênio coletivo 5.2. Liderança dualista: prosperando no paradoxo 5.3. Orientação por valores CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_10_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO 1. PONTO DE PARTIDA: VALORES E PREMISSAS NO PROCESSO DECISÓRIO 2. O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO NA ADMINISTRAÇÃO E SUAS ETAPAS 3. A comunicação no processo de tomada de decisão 3.1. Abrangência 3.2. Delegação e autoridade 3.3. Sistema de informações gerenciais CONSIDERAÇÕES FINAIS Referências MOD_GES_11_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO 1. O QUE SÃO MODELOS DE GESTÃO 2. OS NÍVEIS ORGANIZACIONAIS 2. OS MODELOS ESTRATÉGICOS DE GESTÃO 2.1. Análise SWOT 2.2. Matriz BCG 2.3. Modelo das cinco forças de Porter CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_12_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO 1. A QUESTÃO DO CONTROLE 2. A DIVERSIDADE DE MODELOS TÁTICOS 2.1. Benchmarking 2.2. Reengenharia ou redesenho de processos 2.3. Just in time 2.4. Pirâmide de Curry: gestão do marketing e do relacionamento com o cliente CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_13_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO OS PRINCIPAIS MODELOS operacionais DE GESTÃO 1. ADMINISTRAÇÃO DE OPERAÇÕES 2. A DIVERSIDADE DE MODELOS OPERACIONAIS 2.1. Balanced Scorecard (BSC) 2.2. Mapeamento da cadeia de valor 2.4. Análise de causa e efeito e análise de Pareto REFERÊNCIAS MOD_GES_14_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE 1. DIFERENÇA ENTRE INOVAÇÃO E CRIATIVIDADE 2. COMO ESTIMULAR A CRIATIVIDADE 2.1. Brainstorming (tempestade de ideias) 2.2. Pensamento lateral (lateral thinking) 2.3. Guia da criatividade individual e de grupo 2.4. Guia de como gestores podem sufocar a inovação e a criatividade 2.5. Guia de como a empresa pode fomentar a inovação e a criatividade 3. COMO IMPLANTAR UM AMBIENTE PARA A INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL 4. OS NÍVEIS DE INOVAÇÃO ORGANIZACIONAL CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_15_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO 1. PETER F. DRUCKER (1909-2005): O GURU DOS GURUS 2. MICHAEL PORTER (1947): AS FORÇAS COMPETITIVAS 3. WARREN BENNIS (1925-): LIDERANÇA 4. C.K. PRAHALAD (1941-2010) EGARY HAMEL (1954-): COMPETINDO PELO FUTURO E AS COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS DE UMA CORPORAÇÃO 5. JAMES C. COLLINS (1958): FEITAS PARA DURAR 6. DANIEL GOLEMAN (1946-): INTELIGÊNCIA EMOCIONAL 7. CHARLES HANDY (1932-): PARADOXOS, IMPREVISIBILIDADE E IRRACIONALIDADE CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS MOD_GES_16_PDF_2012 CAPA SUMÁRIO 1. ALVIN TOFFLER (1928): O FUTURISTA DAS ONDAS 2. NICOLAS NEGROPONTE (1950-): O PROFETA DA ERA DIGITAL 3. MANUEL CASTELLS (1942-): A SOCIEDADE EM REDE 4. JEREMY RIFKIN (1945): A ERA DO ACESSO E O FIM DO EMPREGO 5. DON TAPSCOTT (1947): A COLABORAÇÃO EM MASSA CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS