BASES DA PATOLOGIA EM VETERINARIA pdf_part_2
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Fig. 13-4 Hematopoiese normal, aspirado de medula óssea de cão.
Coloração de Wright. ESE, estágio eritroide precoce; ESM, estágio mieloide precoce; LSE, estágio
eritroide avançado; LSM, estágio mieloide avançado.
(Cortesia de Dr. M.M. Fry, College of Veterinary Medicine, University of Tennessee.)
Regulação da hematopoiese
O controle da hematopoiese é complexo, apresentando muitas redundâncias,
mecanismos de feedback e vias que tangenciam outros processos fisiológicos e
patológicos. Muitas citocinas influenciam células de diferentes linhagens e estágios de
diferenciação. O objetivo desta seção não é explicar as vias regulatórias em detalhes;
mas, em vez disso, fornecer ampla visão geral e, assim, uma base para o
entendimento dos mecanismos das doenças que envolvem o sistema hematopoiético.
Eritropoiese
Eritropoiese \u2014 de erythros (vermelho, em grego) \u2014 se refere à produção de glóbulos
vermelhos do sangue, ou eritrócitos, cuja principal função é a troca gasosa (oxigênio
[O2] e dióxido de carbono [CO2]). O regulador dominante da eritropoiese é uma
glicoproteína, convenientemente denominada eritropoetina (Epo). A Epo atua sobre
as células progenitoras eritroides nos estágios mais iniciais juntamente com outras
citocinas, incluindo interleucinas (IL-3, IL-4 e IL-9), fator estimulante de colônia
granulocítica-monocítica (GM-CSF) e fator de crescimento semelhante à insulina. A
Epo é sintetizada principalmente nos rins e exerce seus efeitos promovendo a
proliferação e inibindo a apoptose dos precursores eritroides em desenvolvimento
que expressam receptores para Epo. A hipóxia é o estímulo para aumentar a
produção de Epo. Devido ao fato de os eritrócitos sintetizarem hemoglobina, da qual
o ferro é um componente essencial, a eritropoiese necessita de disponibilidade
adequada de ferro. Existem sistemas fisiológicos para conservar e reciclar o ferro,
como será discutido adiante.
O precursor eritroide em estágio mais precoce identificável por meio de
microscopia de luz é o rubriblasto, que sofre divisões no processo de maturação para
produzir uma progênie de 8-32 células. Os precursores eritroides no estágio tardio,
conhecidos como metarrubrícitos, expulsam seus núcleos e tornam-se reticulócitos, que
são células no estágio de maturação imediatamente anterior ao eritrócito maduro. Os
reticulócitos iniciam sua maturação na medula óssea e a terminam na circulação
sanguínea periférica e no baço (os equinos são uma exceção, pois não liberam
reticulócitos na circulação, mesmo em situações de demanda aumentada). O tempo
de transformação de rubriblasto até eritrócito maduro é de aproximadamente 1
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semana. Diferentemente dos eritrócitos maduros, que não possuem organelas, os
reticulócitos ainda mantêm ribossomos e mitocôndrias, principalmente para dar
suporte à finalização da síntese da hemoglobina. Essas organelas remanescentes
conferem um tom aproximadamente azul-púrpura aos reticulócitos (policromasia)
observados em esfregaços sanguíneos corados pelas técnicas de rotina e, quando
corados com corante como o novo azul de metileno, precipitam agregados azul-
escuros e irregulares (Fig. 13-5). Os gatos também têm uma forma mais imatura de
reticulócito na circulação, o reticulócito pontilhado, que apresenta um padrão de
coloração mais fino quando corado com o novo azul de metileno, mas não aparece
azul-púrpura (policromatofílico) quando se realizam colorações de rotina em
esfregaços sanguíneos (seção Anemia).
Fig. 13-5 Reticulocitose, esfregaços sanguíneos de cão.
A, Reticulócitos (setas) aparecem policromatofílicos em esfregaços corados pelas colorações de rotina.
Coloração de Wright. B, Reticulócitos. Precipitação de RNA na forma de agregados é corada de azul
(setas) pelo novo azul de metileno.
(Cortesia de Dr. M.M. Fry, College of Veterinary Medicine, University of Tennessee.)
Os eritrócitos maduros circulam por longo tempo quando comparados com outras
células sanguíneas. A média de vida dos eritrócitos varia entre as espécies:
aproximadamente 150 dias em equinos e bovinos, 100 dias em cães e 70 dias em
gatos. Eritrócitos, portanto, têm de ser células altamente resilientes, capazes de
suportar contínuas tensões mecânicas e bioquímicas. Na maioria dos mamíferos, os
eritrócitos têm forma de disco bicôncavo, algumas vezes denominado discócito.
Espécies nas quais o discócito não ocorre incluem caprinos (eritrócitos irregulares e
achatados), camelídeos (eritrócitos ovais) e alguns cervídeos (eritrócitos em forma de
foice). Algumas raças de cães (Akita e Shiba) possuem eritrócitos menores do que
outras; os eritrócitos nessas raças também apresentam alta concentração de potássio,
diferentemente dos eritrócitos de outros cães.
Uma das propriedades-chave dos eritrócitos é sua deformabilidade; essas células
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alteram sua forma enquanto se movem pela microvasculatura. Essa deformabilidade
decorre da interação entre a membrana plasmática, o citoesqueleto e o conteúdo
intracelular. Os eritrócitos maduros de mamíferos não apresentam núcleo e
organelas, sendo incapazes de realizar transcrição, tradução e metabolismo oxidativo.
Entretanto, os eritrócitos requerem energia para a realização de várias funções,
incluindo a manutenção da forma e deformabilidade, o transporte ativo e a
prevenção de danos oxidativos. Essa energia necessária é gerada inteiramente
através da glicólise (também conhecida como via Embden-Meyerhof). As vias
bioquímicas antioxidantes em eritrócitos são discutidas com mais detalhes na seção
Mecanismos de Defesa.
A concentração de eritrócitos circulantes tipicamente decresce no período pós-
natal e mantém-se abaixo dos níveis observados em animais adultos durante o
período de rápido crescimento corporal. A idade na qual o número de eritrócitos
começa a aumentar e a idade na qual os níveis observados em animais adultos são
alcançados variam entre as espécies. Em cães, os valores adultos são comumente
alcançados entre 4-6 meses de idade; em equinos, isso acontece aproximadamente
com 1 ano de idade. Na maioria das espécies, os eritrócitos são maiores ao
nascimento e seu volume médio diminui à medida que os eritrócitos fetais são
substituídos.
Granulopoiese e monocitopoiese (mielopoiese)
Os granulócitos (neutrófilos, eosinófilos e basófilos) e os monócitos têm funções
imunológicas essenciais, incluindo fagocitose e atividade microbicida (neutrófilos e
macrófagos derivados de monócitos), atividade parasiticida e participação em
reações alérgicas (eosinófilos e basófilos), processamento e apresentação de
antígenos e produção de citocinas (macrófagos). Mediadores inflamatórios, como ILs
e fator de necrose tumoral \u3b1 (TNF-\u3b1), estimulam fibroblastos, macrófagos e células
endoteliais a produzirem citocinas, como o fator estimulante de colônia granulocítica
(G-CSF) e o GM-CSF, que aumentam a granulopoiese e a monocitopoiese.
As células granulocíticas e monocíticas são, às vezes, chamadas coletivamente de
células mieloides. (OBSERVAÇÃO: Essa terminologia pode causar confusão porque
\u201cmieloide\u201d também tem outros significados. Em sentido mais geral, refere-se à
medula óssea. No contexto da hematologia, o termo \u201cmieloide\u201d é algumas vezes
utilizado para se referir a qualquer célula hematopoiética de origem não linfoide,
uma distinção reiterada na classificação das leucemias, como será discutido mais
tarde neste capítulo. Em neuroanatomia, os prefixos \u201cmielo-\u201d ou \u201cmiel-\u201d podem se
referir à medula espinhal ou mielina.) O precursor granulocítico ou monocítico mais
precoce que pode ser identificado pela avaliação de rotina por meio de microscopia
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de luz é o mieloblasto, que sofre divisões para produzir uma progênie de 16-32
células. O tempo de transformação de mieloblasto até neutrófilo maduro é de
aproximadamente 5 dias. Além disso, uma reserva de neutrófilos completamente
maduros é mantida na medula óssea. O tamanho do chamado compartimento de
reserva depende da espécie animal (as diferenças entre as espécies e a significância
clínica de armazenamento são discutidas com mais detalhes adiante).