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Clínica de pequenos animais III

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Clínica de pequenos animais III 
Clínica cirúrgica 
Profº Drº Rafael Magdanelo Leandro
Profª Drª Andrea Barbosa
Profº Drª Adriana Tomoko Nishiya
· Profilaxia da infecção
· Definições:
- Infecção: entrada e multiplicação de um agente infeccioso (bactérias, fungos, protozoários, vírus) no organismo de um animal, que por sua vez, desenvolverá uma resposta imunológica.
- Colonização: presença de microrganismos, porém não há resposta imunológica.
- Contaminação: presença de microrganismos em materiais e superfícies inertes.
- Esterilização: procedimentos físicos e químicos utilizados para a destruição de TODOS os microrganismos em objetos inanimados. Exemplo: material cirúrgico.
- Desinfecção: destruição da MAIOR PARTE dos microrganismos patogênicos (forma vegetativa, não esporos) em objetos inanimados. Exemplo: pisos, paredes, mesa cirúrgica.
- Assepsia: uso de técnica cirúrgica e procedimentos adequados para prevenir a contaminação dos tecidos durante a intervenção cirúrgica.
- Antissepsia: utilização de produtos sobre a pele ou mucosa para reduzir/ destruir a maioria dos microrganismos patogênicos em objetos animados.
· Fatores locais que predispõem à infecção:
- Lesão tecidual extensa;
- Redução da irrigação sanguínea;
- Corpo estranho;
- Tecidos necróticos;
- Tensão na sutura;
- Hematomas e seromas;
- Espaço morto;
- Excesso de material de sutura;
- Fio inadequado.
· Classificação das cirurgias quanto potencial de infecção:
1) Limpas: 
- Realizadas em tecidos estéreis, na ausência de processos inflamatórios e infecciosos, ou técnica asséptica. 
- Exemplos: esplenectomia, cirurgia cardíaca. 
- Risco de infecção: 2 à 6%.
2) Potencialmente contaminadas/ Limpas contaminadas:
- Flora microbiana pouco numerosa, ocorre penetração em trato digestivo, respiratório ou urinário, mas sem contaminação significativa.
- Exemplos: enterotomia, piometra.
- Risco de infecção: 2 à 9,5%.
3) Contaminadas:
- Flora Bacteriana abundante, mas sem supuração e necrose local, menos de 4 horas. Necessidade de lavagem da área contaminada com soro aquecido.
- Exemplos: fratura exposta, cirurgias oncológicas.
- Risco de infecção: 5 à 28%.
4) Infectadas:
- Há lesão local causada pela proliferação bacteriana (necrose e exsudação).
- Exemplos: enterotomia com peritonite, ruptura de útero com piometra.
- Risco de infecção: >30%.
· Diagnóstico da infecção cirúrgica:
- Deiscência parcial ou total da incisão;
- Abertura da incisão;
- Secreção purulenta local;
- Febre;
- Sinais cardinais da inflamação.
· Técnica asséptica:
- Manutenção e desinfecção do ambiente cirúrgico;
- Esterilização dos instrumentais, equipamentos e materiais cirúrgicos;
- Preparação e antissepsia da equipe cirúrgica;
- Preparação e antissepsia da pele do paciente;
- Uso de técnica cirúrgica adequada;
- Tratamento pós-operatório apropriado.
· Material cirúrgico:
1) Lavagem:
- Manual: escova e detergente.
- Lavadoras ultrassônicas.
2) Empacotamento:
- Bolsa papel ou plástico selado pelo calor.
3) Esterilização:
- Físico: calor. Úmida – autoclave (130°C por 30 min). Seco – estufa (160° por 2 horas).
- Químico: álcool – etanol, isopropílico. Aldeídos – glutaraldeído 2%. 	Clorexidine. Formolaldeído. Iodóforos 7,5%.
· Preparo paciente:
- Tricotomia;
- Limpeza da pele com anti-sépticos (álcool 70% e clorexidine ou iodados).
· Equipe cirúrgica:
- Paramentação: gorro, máscara e propé.
- Antissepsia das mãos e antebraços.
- Vestir avental e luvas cirúrgicas.
· Sistema reprodutor masculino
· Anatomia:
Descida testicular: 
1) Fase abdominal: 25 à 60 dias de gestação.
2) Fase inguinal: nascimento à 20 dias de idade.
Testículo passa pelo anel inguinal e leva consigo o peritônio.
3) Fase extra-abdominal: 20 dias à 6 meses de idade. 
O peritônio que desceu com o testículo para a bolsa escrotal agora se denomina túnica vaginal, que também se prende a cauda do epidídimo para não haver uma possível torção testicular.
Há também o desenvolvimento do plexo pampiniforme que consiste nas veias testiculares enoveladas na artéria testicular, para haver resfriamento do sangue. 
· Orquiectomia:
- Cães: incisão pré-escrotal aberta ou fechada.
- Gatos: incisão na bolsa escrotal.
- Técnica:
1) Incisão na pele pré-escrotal;
2) Incisão na túnica vaginal para exteriorização do testículo;
3) Soltar a túnica vaginal do epidídimo por meio de tração;
4)Colocação de 3 pinças hemostáticas no cordão espermático;
5) Excisão do testículo (entre segunda e terceira pinça);
6) Realizar ligadura do cordão espermático abaixo da primeira pinça, utilizando fio de Nylon 2.0 ou 3.0;
7) Sutura da túnica vaginal utilizando ponto simples separado;
8) Sutura de subcutâneo e pele com ponto simples separado.
· Vasectomia:
- Inibe a fertilidade sem interferir na libido ou comportamento do animal.
- Técnica:
1) Incisão pré-escrotal;
2) Incisão na túnica vaginal;
3) Tração do ducto deferente e sutura das extremidades;
4) Remoção de um pequeno segmento do ducto deferente;
5) Sutura da pele.
* Cuidado para não ligar a porção vascular, pois supre o aporte sanguíneo, necrosando assim os testículos.
· Afecções testiculares:
1) Anorquidismo:
- Ausência dos dois testículos.
2) Monorquidismo:
- Ausência de um dos dois testículos.
3) Criptorquidismo:
- Não migração de um ou ambos os testículos até o escroto.
- Defeito testicular congênito mais comum.
- Hereditário e recessivo.
- Raças predispostas: Chiuhauhuas, Schnauzers miniaturas, Pomerânios, Poodles, Huskies Siberianos, Yorkshires.
- Temperatura corporal anormal para os testículos (excessiva).
- Maior risco de torções e neoplasias.
- Localização ectópica pode ser pré-escrotal, inguinal ou abdominal (maior risco de torção).
- Diagnóstico: após 6 meses de idade, palpação e ultrassonografia.
- Tratamento: orquiectomia bilateral (extra-abdominal: incisão pré-escrotal e intra-abdominal: laparotomia exploratória retroumbilical).
4) Orquite:
- Cuidado com Brucella!
- Pouco frequente, uni ou bilateral.
- Associada à epididimite.
- Sinais clínicos: aguda – testículos edemaciados e há dor; crônica: testículos diminuídos e não há dor.
- Diagnóstico: clínico, ultrassonografia e urinálise.
- Tratamento: quadro inicial e não há dor – medicamentoso; quadro agudo com dor – orquiectomia.
5) Neoplasias testiculares:
- Ocorrência: mais em machos criptorquidas e idosos.
- Sinais clínicos: aumento de volume testicular, dor, sinais de feminização (hiperestrogenismo = sertolinomas).
- Tratamento: orquiectomia e quimioterapia se necessário.
- Sertolinomas: acomete testículos intra ou extra-abdominais; geralmente são unilaterais; metastáticos; alopecia simétrica bilateral, pele adelgaçada com pigmentação, ginecomastia, atrofia peniana; tratamento – orquiectomia e quimioterapia; síndrome paraneoplásica.
- Seminomas: testículos normais ou ectópicos; uni ou bilateral; pode estar associado a outras neoplasias testiculares; tratamento – orquiectomia e quimioterapia.
- Leydigomas: acomete testículos em bolsa escrotal; maioria são benignos; associado a HPB, hérnias perineais e adenomas perianais; atrofia do testículo contralateral; tratamento – orquiectomia.
· Afecções penianas/ prepuciais:
1) Fimose:
- Inabilidade de expor o pênis através do orifício prepucial.
- Sinais clínicos: distensão prepucial por urina, não visualização do orifício prepucial, corrimento prepucial purulento ou hemorrágico.
- Tratamento: reconstrução do orifício prepucial.
2) Parafimose:
- Inabilidade de retrair o pênis para o interior do prepúcio.
- Sinais clínicos: pênis edemaciado, exposto e dolorido; sangramento e necrose peniana.
- Tratamento: compressas geladas, lavar e tentar reposicionar o pênis; orquiectomia, correção cirúrgica do orifício prepucial; amputação do pênis se necessário.
3) Neoplasias penianas:
- Verificar viabilidade das estruturas e integridade da uretra.
- Benignos: hemangiomas, TVT, papilomas, histiocitomas.
- Malignos: melanomas, mastocitomas, hemangiossarcomas.
· Afecções prostáticas:
1) Hiperplasia prostática benigna:
- Ocorrência: cães não castrados e idosos.