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Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
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MED RESUMOS 2011
ARLINDO UGULINO NETTO
LUIZ GUSTAVO C. BARROS YURI LEITE ELOY
MEDICINA – P7 – 2010.2
GINECOLOGIA
REFERÊNCIAS
1. Material baseado nas aulas ministradas pelos Professores Eduardo Sérgio, Marcelo Braga, Rievani de
Souza e Antônio Henriques na FAMENE durante o período letivo de 2010.2.
2. PIATO S. Tratado de ginecologia. 2ª ed. São Paulo: Artes Médicas; 2002.
3. HALBE HW. Tratado de ginecologia. 3ªed. São Paulo: Roca; 2000.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
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MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino; CORREIA, Luiz Gustavo.
GINECOLOGIA _________
S E M I O L O G I A G I N E C O L Ó G I C A
( P r o f e s s o r E d u a r d o S é r g i o )
A g i n e c o l o g i a , literalmente, significa "a cincia da mulher", mas na medicina a especialidade que trata de
doenas do sistema reprodutor feminino, tero, vagina e ovrios. Em associa
o ginecologia, outro ramo da medicina
tambm responsvel por cuidar da sade da mulher em momentos especficos de sua vida reprodutiva – a o b s t e t r í c i a .
Embora geralmente estas duas cincias estejam associadas, elas se diferenciam nos seguintes aspectos:
♀
G i n e c o l o g i a : estuda a sade da mulher durante toda sua vida, exceto durante o ciclo gravdico-puerperal.
O b s t e t r í c i a : estuda a sade da mulher durante seu ciclo gravdico-puerperal, o que inclui o pr-natal, o parto e o
puerprio (ver O B S 1 ).
O B S 1 : O termo p u e r p é r i o corresponde ao perodo de 4 2 d i a s ps-trmino da gravidez, independentemente do modo de
como esta gravidez tenha terminado (parto normal, parto cesrio ou abortamento). Portanto, o ciclo gravdico-puerperal
o termo atribuido ao perodo compreendido desde o diagnstico da gravidez at os 42 dias aps o nascimento do
concepto.
Fundamental para a ginecologia a realiza
o de uma eficiente s e m i o l o g i a g i n e c o l ó g i c a . A semiologia
ginecolgica um ramo da Semiologia Mdica que refere s etapas cumpridas para o atendimento da popula
o
feminina, auxiliando no roteiro de consulta ginecolgica e contribuindo na formula
o de hipteses diagnsticas.
A consulta ginecolgica um passo especial por vrios aspectos particulares. Em primeiro lugar, durante a
consulta s
o abordados assuntos relacionados sexualidade, intimidade mais profunda da mulher. Exige-se do
mdico uma postura diferenciada e cuidadosa, procurando deixar a paciente vontade. Em segundo lugar, muitas vezes
o ginecologista visto como o “clnico da mulher”, ou seja, a referncia que a mulher tem como o profissional de
sade, sendo o nico mdico que a paciente consulta regularmente. Por esta raz
o, sempre importante avaliar a
paciente globalmente, a fim de detectar alteraes em outros sistemas e fatores de risco para doenas importantes.
A descri
o do trip (anamnese, exame fsico geral e ginecolgico e exames complementares) se faz de maneira
universal, n
o havendo distin
o entre centros de diferentes continentes.
ANAMNESE
A anamnese o passo inicial da rela
o mdico/paciente. Em especial, durante a avalia
o ginecolgica, o
mdico abordar a intimidade do paciente, neste caso, da mulher. Por isso, dever existir uma rela
o baseada na
confiana, solidariedade e respeito mtuo.
No geral, n
o existe uma regra especifica dentro da semiologia ginecolgica para abordagem inicial do paciente.
A sequncia e a profundidade das perguntas v
o depender da sensibilidade do mdico e da compreens
o do paciente.
bvio que os limites da paciente, quanto s suas crenas e aos costumes dever
o ser respeitados, salvo nas ocasies
que existe uma emergncia mdica.
I D E N T I F I C A Ç Ã O
A identifica
o o primeiro passo da anamnese. Por se tratar do primeiro contato entre o mdico e a paciente, a
identifica
o deve ser abordada com cautela e delicadeza. Devemos abordar os seguintes aspectos relacionados
paciente:
N o m e , I d a d e , E s t a d o c i v i l , E s c o l a r i d a d e , R a ç a , P r o f i s s ã o , N a t u r a l i d a d e , P r o c e d ê n c i a .
Quando questionado sobre o seu nome, o paciente poder, j neste instante, criar um desafeto com o papel do
mdico. Por essa raz
o, o profissional sempre dever ser transparente, n
o debochando ou ridicularizando o fato do
paciente apresentar um nome atpico, por exemplo.
Devemos atentar ao fato que, algumas pessoas, apresentam como estado civil a “uni
o estvel”, que tradu
o
de uma uni
o de determinado casal por mais que 5 anos e que tambm tem relevncia clnica.
Q U E I X A P R I N C I P A L
A investiga
o dever ser voltada em prol da queixa principal do paciente. Na prtica atual, existem vrios
protocolos de investigaes patolgicas. Podemos utiliz-lo, porm, com o sentido de complementar a investiga
o da
queixa principal do paciente.
Em resumo, as principais queixas ginecolgicas s
o:
Corrimento vaginal
Dor plvica (doena inflamatria plvica – DIP)
Sangramento uterino anormal
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H I S T Ó R I A D A D O E N Ç A A T U A L
A história da doença atual (HDA) é uma das importantes ferramentas a ser utilizada para o diagnóstico clinico
das doenças ginecológicas. Neste instante, a paciente refere o período de acometimento da queixa principal, sua
possível associação com outros sintomas. Além disto, a menção de influência nas atividades habituais, fatores de
melhora também são descritos. Podemos exemplificar esta etapa da seguinte maneira:
“Paciente relata corrimento vaginal branco, de inicio aps atividade sexual, h pelo menos 3 meses. Afirma que
tal achado est associado a prurido intenso”.
R E V I S Ã O D O S S I S T E M A S
Neste momento, devemos levantar dados referentes aos principais sistemas orgânicos da paciente, tais como:
Queixas Gerais
Presença de corrimento, dor pélvica, sangramento anormal.
Data da última menstruação (DUM), Ciclos Menstruais, Dismenorréia, Sintomas de TPM, uso de MAC
Queixas Mamárias, Queixas Urinárias
Dispareunia, Libido, Orgasmo
Hábito Intestinal
Dentro do contexto ginecológico, existem três principais sintomas mais corriqueiros na prática clinica diária:
corrimento vaginal, dor pélvica, sangramento anormal. Os principais sinais e sintomas das afecções dos órgãos genitais
femininos são as hemorragias, os distrbios menstruais, a dor, o aparecimento de tumora
o, corrimento, prurido e
distrbios sexuais.
H e m o r r a g i a s .
Qualquer sangramento sem as características da menstruação normal é chamado hemorragia. Classificam-se as
hemorragias em u t e r i n a o r g â n i c a e u t e r i n a f u n c i o n a l / d i s f u n c i o n a l .
A h e m o r r a g i a u t e r i n a o r g â n i c a é considerada sintoma de um grande grupo de enfermidades, incluindo,
inflamações, neoplasias benignas e malignas, afecções não-ginecológicas (hepatopatias), coagulopatias, além de
outras. Para diferenciar se a hemorragia é uterina orgânica secundária a alguma enfermidade descrita anteriormente ou
se é um sangramento cíclico, devemos avaliar o ritmo e a periodicidade. A hemorragia uterina orgânica não tem um ciclo
de sangramento pré-definido, inexistindo, portanto, qualquer ritmo ou período, definindo-a como uma m e t r o r r a g i a .
A h e m o r r a g i a u t e r i n a f u n c i o n a l o u d i s f u n c i o n a l é uma hemorragia que não se acompanha de neoplasia,
doença inflamatória ou de gravidez. Geralmente, é causada por disfunção ovariana ou ausência de ovulação,
acompanhando-se de irregularidades do ciclo menstrual.
O B S 2 : O s a n g r a m e n t o i n t e r m e n s t r u a l é uma forma de perda sanguínea entre os ciclos menstruais, que pode ocorrer
por uso inadequadoou incorreto de anticoncepcional oral ou fenômeno de ovulação.
D i s t ú r b i o s M e n s t r u a i s .
M e n s t r u a ç ã o é o sangramento cíclico que ocorre a cada 21-35 dias, durando de 2-8 dias, com uma perda
sanguínea de 50-200 mL. O ciclo menstrual normal é o que foi previamente descrito; por vezes, o ciclo menstrual poderá
apresentar anormalidades quanto ao intervalo entre os fluxos, à duração e à sua intensidade. Assim, temos:
P o l i m e n o r r é i a : É o termo que designa um ciclo menstrual com intervalos menores que 21 dias.
O l i g o m e n o r r é i a : Quando a menstruação ocorre com intervalos maiores que 35 dias.
A m e n o r r é i a : É a falta de menstruação por um período de tempo maior do que três ciclos prévios.
H i p e r m e n o r r é i a : Quando a menstruação dura mais de 8 dias.
H i p o m e n o r r é i a : Quando a menstruação dura menos de 2 dias.
M e n o r r a g i a : Quando há excessiva perda de sangue durante o fluxo menstrual.
M e t r o r r a g i a : Quando a perda de sangue não obedece ao ritmo do ciclo menstrual.
D i s m e n o r r é i a : É um conjunto de sintomas que podem acompanhar a menstruação. Etimologicamente,
dismenorréia significa menstruação difícil. A l g o m e n o r r é i a é o termo que designa a paciente que apresenta dor
na região hipogástrica, tipo cólica, durante a menstruação. Quando a algomenorréia estiver acompanhada de
lombalgia com irradiação para o baixo ventre e para as pernas, náuseas e cefaléia constituirão a dismenorréia.
T e n s ã o p r é - m e n s t r u a l .
Tensão pré-menstrual é a denominação que se dá a um conjunto de sintomas que surgem na segunda metade
do ciclo menstrual e desaparecem com a ocorrência da menstruação. Os principais sintomas são: cefaléia, mastalgia,
peso no baixo ventre e nas pernas, irritação, nervosismo.
Sob o ponto de vista fisiopatológico, a tensão menstrual é provocada, basicamente, pela retenção de sódio e
água durante o período pré-menstrual e menstrual.
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A N T E C E D E N T E S P E S S O A I S F I S I O L Ó G I C O S
A descri
o, por parte do paciente, sobre os seus antecedentes pessoais fisiolgicos deve constar histrico do
ciclo menstrual, atividade reprodutiva, dentre outros.
A partir dos dados relacionados ao ciclo menstrual (idade da menarca, ritmo e dura
o das menstruaes
subseqentes), formula-se, teoricamente, o “tipo menstrual”. Porto (2005) descreve que o “tipo menstrual” dever constar
trs nmeros, separados entre si; o primeiro corresponder idade da menarca; o segundo referir a dura
o do fluxo
menstrual; o terceiro, o intervalo entre as menstruaes. Desta maneira, a descri
o 1 2 / 0 3 / 2 8 poder ser traduzida da
seguinte maneira: a primeira menarca ocorreu por volta dos 12 anos de idade, o fluxo menstrual dura 3 dias e o intervalo
entre as menstruaes de 28 dias.
Da atividade reprodutiva, importa conhecer o numero de gestaes, anotando o nmero de partos e
abortamentos, se houve ou n
o complicaes.
Em resumo, devemos pesquisar sobre os seguintes pontos neste momento da anamnese:
Classifica
o Sangnea, Passado Vacinal
Hipertens
o arterial sistmica (HAS), Diabetes Mellitus (DM), Tuberculose, Dislipidemias, Neoplasias
Uso de medica
o
Alergias, Depress
o
Passado Cirrgico, Acidentes, Fraturas
Hemotransfus
o, Etilismo, Tabagismo, Uso de Drogas
Hbitos de Vida
A N T E C E D E N T E S F A M I L I A R E S , S O C I A I S E E P I D E M I O L Ó G I C O S
O primeiro passo para a investiga
o da histria familiar o questionamento sobre a sade dos pais “- Seus pais
so vivos? Apresentam alguma doen
a crnica?”.
As principais patologias a serem investigadas na histria familiar s
o:
Hipertens
o arterial sistmica (HAS), Diabetes melito (DM), Cardiopatias, Dislipidemias
Cncer de Mama (e a idade de acometimento), Neoplasias em geral
Osteoporose, Doenas Endcrinas, Doenas Genticas
Tambm prudente questionar sobre antecedentes sociais e ambientais, no que diz respeito, principalmente,
moradia e dados epidemiolgicos relevantes da regi
o.
A N T E C E D E N T E S G I N E C O L Ó G I C O S
Na nossa Sociedade, a primeira menstrua
o, alm do valor simblico, tambm apresenta um fator orgnico.
Isto se deve ao fato que, a partir do primeiro ciclo menstrual, a sociedade encara a transforma
o de uma criana em
uma jovem frtil, que pode engravidar. Antes de descrevermos quais s
o os principais questionamentos dos
antecedentes ginecolgicos, devemos entender os seguintes termos:
I n f â n c i a o perodo compreendido desde o nascimento at a puberdade (por volta dos 10 anos). Durante
esta fase, n
o h matura
o do eixo hipotlamo-hipofisrio-ovariano e, portanto, os hormnios da vida
sexual feminina ainda n
o s
o produzidos.
M e n a r c a o nome tcnico para a primeira menstrua
o. Isto ocorre a partir do instante que o sistema
hipotlamo-hipofisrio-ovariano amadurecido, com consequente libera
o do hormnio estradiol (oriundo
do estrognio, assim como o estriol e a estrona). A idade mais comum do amadurecimento deste eixo em
torno de 11-12 anos de idade. Alm da indu
o da menarca, o estradiol o hormnio responsvel pelas
alteraes corporais hormnio-dependentes, tais como o aparecimento de pelos pubianos, desenvolvimento
das mamas, dentre outros. Na infncia (antes dos 11 anos de idade), o estriol est presente na circula
o,
porm, um hormnio pouco potente para provocar as alteraes hormonais que ocorrem pelo estradiol.
M e n a c m e o perodo frtil da mulher, vai desde o inicio da menarca at a menopausa. A Organiza
o
Mundial de Sade (OMS) contempla o perodo de 10-49 anos de idade como o menacme. Dentro da
menacme, existe o perodo que corresponde adolescncia (10 – 19 ou 21 anos).
C l i m a t é r i o o perodo de transi
o entre o tempo reprodutivo e o n
o-reprodutivo, que vai desde 35-65
anos. Desta maneira, a menopausa est contida no climatrio.
M e n o p a u s a o termo que designa a ultima menstrua
o da mulher e os sinais que caracterizam o
climatrio (sensa
o de calor, irritabilidade, ressecamento de vagina, etc.). Fisiologicamente, ocorre como
conseqncia da ausncia da produ
o do estradiol pelos ovrios.
S e n i l i d a d e ( s i n e c t u d e ) compreende o perodo da vida da mulher aps os 65 anos de idade.
A m e n o r r é i a traduz a ausncia da menstrua
o, podendo ser ocasionada por causas fisiolgicas e n
o-
fisiolgicas. Dentre as causas fisiolgicas da amenorria, destacam-se a gravidez, infncia, menopausa e
lacta
o. As causas n
o-fisiolgicas incluem: endocrinopatias, cistos ovarianos, uso de anticoncepcionais,
clopromazina, metildopa, etc.
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Desta maneira, o protocolo mais atualizado de Semiologia ginecológico, orienta a análise dos seguintes dados
na vigência do exame clinico ginecológico:
Menarca (primeira menstruação, questionando-a qual idade que ocorreu);
Ciclos menstruais iniciais e atuais, avaliando a regularidade;
Início da Atividade Sexual (influencia no rastreamento do colo uterino) e Número de Parceiros,
questionando-a sobre a utilização de preservativos;
Menopausa (idade que ocorreu);
Síndrome Climatérica; Uso de Terapia de reposição hormonal;
História de Corrimento vaginal;
Tratamentos Ginecológicos Efetuados;
Eletrocauterização;
Curetagem;
ITU, DST
Preventivo Anual (Papanicolau), questionando-a a data do último exame.
Pratica Auto-Exame de Mama, Último Exame Clínico das Mamas, Mamografia (acima de 35 anos),
Ultrassonografia Mamária;
A N T E C E D E N T E S O B S T É T R I C O S
Devemos questionar ainda sobre os seguintes aspectos obstétricos:
Gestações, Partos,Abortos, Cesáreas, Fórceps, Filhos Vivos
Abortos Provocados (métodos), Curetagem Obstétrica
Idade na 1° e última gestação, N° de Partos Prematuros (IG), Peso do RN
Complicações na Gestação e no Parto
Amamentação
EXAME FSICO GERAL
Antes da realização do exame físico específico que abordará os exames das mamas, abdome e genitália,
devemos examinar todo o sistema orgânico, atribuindo-lhe características de extrema importância para o diagnóstico
clínico.
O exame físico geral deverá iniciar pela avaliação do estado geral da paciente (avaliando as impressões gerais).
Daí, a avaliação dos sinais vitais, peso, altura (com calculo do IMC) será complementar para a avaliação clínica. Os
aparelhos cardiovascular e respiratórios deverão ser avaliados em sua plenitude (inspeção, palpação, percussão e
ausculta).
As extremidades também devem ser avaliadas, se fomentado a avaliação de varizes e edema de extremidades.
Outra, por conta da epidemiologia das doenças tireoidianas serem, predominantemente, no sexo feminino, a avaliação
desta estrutura endócrina também não poderá ser suprimida (inspeção estática, dinâmica, palpação).
De um modo geral, devemos contemplar o seguinte roteiro de avaliação:
Sinais Vitais
Peso, Altura, IMC
Impressões Gerais
ACV e AR
Varizes
Edema
Tireóide
EXAME FSICO ESPECIAL
O exame físico especial abrange as principais estruturas que devem ser avaliadas durante uma consulta
ginecológica, tais como:
Mamas
Abdome
Genitália Externa e Genitália Interna
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E X A M E D A S M A M A S
Avaliam-se as mamas por meio da inspeção (estática e dinâmica), palpação, e expressão papilar. Além destes, a
análise dos linfonodos por meio da palpação também poderá evidenciar alterações importantes em alguns casos de
infecções e neoplasias.
I n s p e ç ã o E s t á t i c a .
Inicia-se a inspeção estática pela avaliação das mamas quanto à quantidade (duas mamas), simetria, tamanho
(pequenas, médias e grandes), abaulamentos ou retrações, avaliação das aréolas e mamilos. Todas estas
características devem ser avaliadas enquanto a paciente permanece sentada.
Além de nódulos e massas, deve-se avaliar a presença de sinais inflamatórios, alterações na vascularização e
edema da pele da mama (peau d’orange ou pele em casca de laranja).
I n s p e ç ã o D i n â m i c a .
De maneira distinta à inspeção estática, a inspeção dinâmica corresponde à avaliação das mamas por meio de
manobras executadas pela própria paciente. Tais manobras determinam a contração dos músculos peitorais, permitindo
uma melhor avaliação de possíveis retrações ou nódulos.
O exame dinâmico das mamas deve ser feito por meio das seguintes manobras: (1) Primeiramente, devemos
requisitar a elevação dos membros superiores, além da horizontal, entrelaçando as mãos por trás da nuca; (2) Forçar os
punhos um contra o outro; (3) Logo após, a paciente deverá apoiar as duas mãos na cintura e exercer força contra esta
região, projetando os cotovelos para frente e para trás.
Outra manobra que pode ser feita a solicitar que a paciente abra bem os braços e estenda o corpo para frente,
facilitando a visualização das áreas laterais das mamas.
A figura abaixo mostra o exame físico das mamas em quatro etapas: inspeção estática (A ); inspeção dinâmica
com braços erguidos (B ), na cintura, realizando contratura (C ), curvada (D ).
P a l p a ç ã o .
Devemos, inicialmente, dividir a mama em quatro quadrantes. Utilizando a região palmar superior da mão,
devemos palpar a mama em seus quatro quadrantes (inferior interno e externo, superior interno e interno) e a região
aureolar, comprimindo o tecido contra o gradeado costal. Outra manobra que poderá suscitar a palpação da mama é a
utilização dos dedos como fonte de pesquisa do tecido mamário, também se seguindo pelos quatro quadrantes
(manobra de blood good).
E x p r e s s ã o p a p i l a r .
Por meio da expressão papilar, tentarmos perceber a presença de descarga de algum material (liquido) pelo
mamilo. Geralmente, a paciente já chega ao consultório relatando tal achado.
L i n f o n o d o s .
Os linfonodos que drenam a mama estão localizados, em sua maioria, na região axilar. Desta maneira, a
avaliação da região axilar sempre deverá ser realizada. O examinador deve buscar a percepção de linfonodos palpáveis,
sua mobilidade, consistência (fibroelástica, endurecido)
A manobra para a avaliação dos linfonodos é a seguinte: o braço direito do examinador é apoiado no ombro do
paciente e vice-versa e, com a mão esquerda, o examinador examina o cavo axilar. A mesma manobra deve ser repetida
com os membros opostos.
A V A L I A Ç Ã O D O A B D O M E
A avaliação do abdome consiste na realização da semiotécnica tradicional, que consiste nos seguintes passos:
Inspeção
Palpação
Percussão
Ausculta
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E X A M E D A G E N I T Á L I A
G e n i t á l i a e x t e r n a .
O exame da genitlia externa dever iniciar pela anlise da pilifica
o. Ou seja, devemos observar a quantidade
e a distribui
o dos plos pubianos. No Brasil, algumas pessoas tm uma idia errnea sobre a necessidade da
raspagem dos plos pubianos, dias antes de uma consulta com o ginecologista. No entender delas, a tricotomia total dos
plos pubianos ser considerado pelo profissional de sade como um mtodo higinico. O mais correto que a paciente
seja atendida pelo ginecologista com a quantidade de plos acumulados em uma semana. Do contrrio, o exame da
pilifica
o ser prejudicado. Para a paciente, orienta-se que sejam, no mximo, aparados com tesoura.
A anlise de secrees (quantidade, odor), leses (condilomas) e carnculos himenais tambm deve ser
procedida. Em condies fisiolgicas, a vagina libera uma quantidade de fluido dirio, responsvel por manter sua
lubrifica
o.
As glndulas de Bartholin, presentes abaixo do intrito vaginal, somente ser
o palpveis nas ocasies de
obstru
o de drenagem ou quando infectadas por G o n o c o c c o s . uma condi
o dolorosa (alguns ginecologistas
costumam afirmar: se a paciente chega ao seu consultrio com incapacidade de fechar as pernas devido dor, ou ela
est em trabalho de parto ou ela est com infec
o destas glndulas). Quando palpveis e infectadas, podemos abri-las
para realiza
o da drenagem (mais antibioticoterapia) ou lanar m
o de uma tcnica conhecida como marsupializa
o
da glndula de Bartholin (indicada, principalmente, nos casos de recidiva).
Na regi
o do vestbulo da vagina e no prprio intrito vaginal, devem-se avaliar as distopias. E, quando existirem
reas suspeitas, proceder do Teste de Collins (ver O B S 5 ), vulvoscopia, bipsia.
O B S 3 : R o t u r a d e p e r í n e o . A abertura da rima vulvar tambm um aspecto que deve ser avaliado durante a inspe
o
da genitlia externa. A rima vulvar mantida fechada s custas do feixe pubococcgeo do msculo elevador do nus. A
aproxima
o deste feixe muscular importante, pois, dificulta o contato de germes com partes mais internas da vagina e
previne o prolapso uterino (ver O B S 4 ). em situaes de aumento da press
o abdominal (Valsalva). Alm disto, durante o
ato sexual, mais precisamente, durante a penetra
o do pnis, a musculatura elevadora do nus “massageia” o pnis,
sendo um dos responsveis pelo prazer masculino. Em situaes especificas, podem ocorrer as roturas perineais.
Classifica-se a rotura perineal em:
1 º g r a u : Quando acomete apenas a mucosa e a pele.
2 º g r a u : Compromete a mucosa, pele e, ainda, as fibras do feixe pubococcgeo do msculo elevador do
nus. No exame fsico, podemos notar a fenda vulvar entreaberta.
3 º g r a u : Quando a rotura do perneo for completa, geralmente alcanando o nus. Ocorrem nasquedas
cavaleiro, estupros (utiliza
o de objetos) e impactos (mais raramente).
O B S 4 : O prolapso uterino uma situa
o em que o tero, devido a fatores de fragilidade em seus meios de fixa
o ou
contra-posi
o (como a musculatura vaginal) est
o defeituosos. uma situa
o que acomete, principalmente,
multparas, ps-menopausa, histrico de filhos macrossmicos e histrico de roturas perineais n
o corrigidas.
O B S 5 : T e s t e d e C o l l i n s . Com uma substncia conhecida (como o azul de toluidina) o examinador dever espalhar toda
a solu
o na regi
o da vulva, no sentido de identificar reas de colora
o diferente. um teste inespecfico, com a
fun
o, quase que exclusiva, de melhor identificar a rea para uma futura bipsia. A investiga
o mais aprofundada, por
meio da citologia e/ou bipsia, quem determinar o agente causal da altera
o.
G e n i t á l i a i n t e r n a .
O exame da genitlia interna envolve, basicamente, dois tipos de avaliaes: exame especular (1) e toque
vaginal combinado (2). Alm destes, os exames complementares dever
o compor o mtodo de avalia
o da genitlia
interna, tais como: exame fresco, bacterioscopia, cultura da secre
o, colpocitologia onctica, acido actico, teste de
Schiller.
E x a m e e s p e c u l a r : A avalia
o da genitlia interna requer um instrumento de grande importncia na
Ginecologia, que o e s p é c u l o d e C o l l i n s (nmero 2, principalmente). O exame especular avalia a vagina e o colo
uterino. A respeito da v a g i n a , o exame especular fornecer a
avalia
o do pregueamento, trofismo, colora
o, presena de
secrees patolgicas e leses. No que diz respeito ao exame
das secrees, a avalia
o especular da mesma somente
poder sugerir alguma patologia de base. Ora, o diagnstico
sempre ser microbiolgico, por meio de cultura (exame
fresco). Da que, todas as situaes em que a secre
o seja
abundante, amarelada e odorfera, devemos proceder com a
cultura de microorganismos. No c o l o u t e r i n o , visualiza-se o
aspecto, forma do orifcio, posi
o, leses. Por meio do exame
especular, possvel realizar o papanicolau alm de coleta de
materiais diversos (clulas, secrees, etc.).
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O B S 6 : O exame especular somente dever ser utilizado em mulheres n
o-virgens, muito embora existam espculos para virgens
(espculo nmero 0), e que devem ser utilizados apenas em situaes excepcionais. Contudo, mesmo com todo o cuidado e percia, o
risco de rompimento do hmen iminente. Portanto, a indica
o para a realiza
o do exame especular em virgens a presena de
sangramentos inexplicados e que n
o foram identificveis na ultrassonografia, sendo a principal hiptese para o caso a presena de
plipos. Contudo, o melhor exame para avaliar esta situa
o se faz por meio da vdeo-histeroscopia.
O B S 7 : Vale ressaltar que, em posi
o ortosttica, o tero permanece em posi
o conhecida como a n t e v e r s o f l e x ã o , de modo que o
corpo uterino se projete para frente e o colo para trs. Tais detalhes s
o importantes na escolha do espculo e na instala
o do
aparelho. H, contudo, uma mobilidade importante, que permite uma expans
o adequada da bexiga (localizada anteriormente ao
tero).
T o q u e v a g i n a l c o m b i n a d o : exame exclusivo para mulheres que j tiveram rela
o sexual. O toque vaginal
bidigital dever ser procedido no intuito de avaliar estruturas do rg
o genital feminino: vagina, tero, estrutura
externa, anexos (estes s ser
o palpados quando est
o
patologicamente aumentados, apresentando toque doloroso),
dentre outros. O primeiro passo a avalia
o do tnus do M .
e l e v a d o r d o â n u s , mais precisamente, do feixe pubococcgeo. A
respeito da v a g i n a , a avalia
o da amplitude, consistncia,
temperatura, comprimento e superfcie dever
o ser procedidos. No
c o l o u t e r i n o , avaliar a posi
o, comprimento, dire
o, volume,
forma, regularidade de superfcie. Em mulheres n
o-grvidas, a
consistncia do colo uterino pode ser comparada cartilagem da
ponta do nariz. O colo uterino na mulher grvida tem uma
consistncia mais amolecida, semelhante aos lbios. A explica
o
para a dilata
o do colo uterino a presena de nveis mais altos
de progesterona.
O B S 8 : P r o l a p s o d e c ú p u l a v a g i n a l . Ocorre, comumente, em mulheres submetidas histerectomia total e que perdem a fixa
o do
fundo da vagina por carncia dos ligamentos que se fixam no istmo uterino. A corre
o feita por meio da colpopromontofixa
o.
EXAMES CITOLGICOS E MICROBIOLGICOS NA GINECOLOGIA
C I T O L O G I A O N C Ó T I C A
O exame P a p a n i c o l a u (colpocitologia onctica ou citologia cervicovaginal) utilizado para rastreamento do
cncer de colo uterino. As mulheres consideradas de “risco” para o cncer de colo uterino s
o as que realizaram
atividade sexual desprotegidas (qualquer uma delas) e, por esta raz
o, deve ser realizado logo a partir da primeira
rela
o sexual. Nas mulheres virgens, que apresentam integridade de hmen, o exame Papanicolau procedido com o
uso de swab ou esptula (com intuito de preservar a integridade do hmen).
O material a ser colhido dito s a t i s f a t ó r i o caso contenha clulas da j u n ç ã o e s c a m o - c o l u n a r (JEC), regi
o de
transi
o entre o colo uterino e o tero, propriamente dito. Do contrrio, o exame dever ser repetido. na JEC que 99%
dos cnceres de colo surgem. Portanto, o papanicolau um exame para citologia onctica ginecolgica, que devem ser
realizado em mulheres do grupo de risco, no intuito de avaliar as seguintes caractersticas:
Presena de a t i p i a s c e l u l a r e s para o rastreamento do cncer de colo;
T r o f i s m o d o m a t e r i a l , para avaliar a presena de clulas basais, parabasais e superficiais. Por meio destas caractersticas,
podemos estipular o í n d i c e d e F r o s t no que diz respeito ao estmulo estrognico do material: mulheres no menacme, com
funcionamento pleno do ovrio (o qual secreta estradiol), apresentar clulas superficiais (o que significa dizer que o material
est eutrfico); mulheres na menopausa, ao contrrio, apresentar
o atrofia do material, com a mnima quantidade de culas
superficiais, apresentando apenas clulas basais.
Em segundo plano, avalia as c a r a c t e r í s t i c a s d a m i c r o f l o r a v a g i n a l (presena de candidase, tricomonase e/ou gardnerella
na amostra).
Quando a mulher entra na menopausa, a JEC passa a se localizar mais profundamente. Por isto, se faz
necessrio a utiliza
o de uma “escova” apropriada para colher clulas da JEC. vlido ressaltar, tambm, que
pacientes que apresentem infec
o ou processo fngico vigente no colo uterino n
o devem ser submetidas ao
Papanicolau. Em resumo, as situaes que contra-indicam a realiza
o do Papanicolau s
o:
Infec
o bacteriana ou fngica vigente;
Atrofia do tecido;
Menos de 72 horas de abstinncia sexual;
Uso de cremes, lubrificantes, etc;
Menstrua
o.
O Ministrio da Sade preconiza que, depois de 2 exames seguidos normais, o Papanicolau pode ser repetido
de 3 em 3 anos.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
174
E X A M E A F R E S C O
O e x a m e a f r e s c o utilizado para avaliar a microflora vaginal, especialmente na ocasi
o de corrimentos na
suspeita de t r i c o m o n í a s e , c a n d i d í a s e e g a r d n e r e l l a (ver O B S 9 ). N
o serve, porm, para rastreamento de cncer de
colo uterino. Porm, o Papanicolau, quando realizado seguindo protocolo adequado, tambm poder demonstrar
alteraes da microflora.
O t e s t e d e W h i f f utilizado para avaliar a presena de infec
o (vaginoses) bacteriana. procedido pela adi
ode KOH a 10% na vagina seguida da sensa
o de odor de “peixe podre”. Isso ocorre pois, nos quadros infecciosos,
ocorrer libera
o de aminas (putrescina e cadaverina), que s
o indicativos de infec
o por anaerbios. A imagem ao
lado represente os tipos de microorganismos que s
o identificveis pelo exame a fresco.
A flora normal da vagina contm vrios microorganismos, tais como candida, trichomonas, gardnerella. O
tratamento somente deve ser preconizado quando existirem sintomas exuberantes associado ao diagnstico
microbiolgico.
O B S 9 : A tricomonase, a candidase a vaginose por gardnerella s
o consideradas vulvovaginites especficas (as
inespecficas s
o aquelas que promovem todo um quadro sintomatolgico, mas que n
o tm agente etiolgico
especfico, e devem ser tratadas como se tratssemos todas as vulvovaginites especficas). importante reconhecer
clinicamente cada uma dessas vulvovaginites e suas particularidades, tais como:
C a d i d í a s e : a candida um fungo natural da flora residente vaginal, mas que, na ocasi
o de um desequilbrio
imunolgico, pode desenvolver a doena. Esta caracterizada pela presena de um corrimento branco homogneo, com
a presena de placas (semelhante a leite qualhado), sem odor ftido. Seu tratamentomais efetivo se faz por medica
o
vaginal.
G a r d n e r e l l a : consiste em uma vulvovaginose, com pouca ou nenhuma rea
o inflamatria (sem prurido, sem dor e sem
clulas inflamatrias). Caracteriza-se por corrimento branco-acinzentado, com odor ftido tpico (peixe podre), escuro e
homogneo. Seu tratamento mais efetivo se faz por medica
o vaginal.
T r i c o m o n í a s e : doena sexualmente transmissvel caracterizada por corrimento amarelo-esverdiado, pouco homogneo
(bolhoso) e cremoso, de odor ftido (aspecto azedo). A rea
o inflamatria est presente, o que causa prurido intenso. O
tratamento da tricomonas e da gardnerela praticamente o mesmo (Metronidazol); contudo, a tricomonase responde
melhor a tratamento via oral. importante tratar tambm o parceiro.
B A C T E R I O S C O P I A ( C O L O R A Ç Ã O G R A M E C U L T U R A )
Enquanto que o exame a fresco serve para avaliar a presena de afeces vaginais como tricomonase,
candidase e gardnerella, a cultura bacteriolgica e a colora
o de Gram servem para o diagnstico em casos de
suspeita de g o n o r r é i a (presena de secre
o amarelada e inespecfica, mas com histrico de rela
o sexual prvia
desprotegida) e c l a m í d i a .
A cultura vaginal e cervical deve ser feitas sob as seguintes indicaes:
Exame clnico/ a fresco / Bacterioscopia n
o-elucidativos
Pacientes imunodeprimidas
Gestantes
Cervicite purulenta
Vulvovaginites recorrentes
O U T R O S T E S T E S
O T e s t e d e á c i d o a c é t i c o realizado da seguinte maneira: pelo exame especular, localiza o colo do tero e a
vagina. Aps a localiza
o, deve-se proceder da limpeza com o cido actico a 2%, no intuito de pesquisar á r e a s
a c e t o b r a n c a s (reas que v
o reagir com o cido actico e, com isto, mostram-se esbranquiadas). A presena dos
pontilhados com colora
o branca no teste do cido actico sugere infec
o pelo papilomavrus (HPV).
No t e s t e d e S c h i l l e r , o iodo presente no lugol reage com o glicognio das clulas sadias do colo uterino. O
padr
o normal, fisiolgico, a colora
o de todo o colo uterino, o qual passa a apresentar uma colora
o marrom-
escura, quase preta (Schiller negativo = iodo positivo). Isso significa dizer que a rea corada apresenta glicognio e,
portanto, sadia. Pelo contrrio, a ausncia do glicognio ocorre como consequncia de alteraes celulares (atipias) ou
at mesmo quadros infecciosos locais (candidase). um teste indireto e inespecfico para o rastreamento de infec
o
por HPV. dito inespecfico, pois, existem outras causas que podem determinar reas esbranquiadas (n
o-reagentes)
ao teste, tais como: infec
o e ressecamento (mais comum em idades avanadas). Pode sugerir cncer (embora n
o
seja patognomnico)
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
175
COLPOSCOPIA
O c o l p o s c ó p i o é um aparelho dotado por um sistema
de lentes com a finalidade de avaliar a vagina. Nos dias atuais,
o aparelho anteriormente descrito também é utilizado para
examinar a vulva (vulvoscopia) e o colo uterino (cervicoscopia).
A colposcopia, além da visualização direta de
secreções, também serve para avaliar a mucosa que reveste a
vagina e o útero. Nas ocasiões de alterações vistas no
colposcópio do tipo mosaico e pontilhado, por exemplo, há
uma grande tendência de infecção por HPV (a biópsia ou a
hibridização molecular para HPV confirma a suspeita). A
colposcopia norteia o médico em busca da alteração
histopatológica, pois, a biópsia dirigida é quem define o
diagnóstico preciso.
O B S 9 : O tripé básico para o estadiamento do câncer de colo uterino consiste em: colposcopia; colpocitologia oncótica
(Papanicolau), biópsia.
MAMOGRAFIA
A mamografia, seguindo recomendações da Sociedade Brasileira de Mastologia, deverá ser realizada, pela
primeira vez, aos 35-40 anos (mamografia de base). Abaixo desta idade, as mamas apresentam uma densidade muito
aumentada, o que contra-indica a realização deste exame. O mais indicado para este grupo seria a ultrassonografia de
mama.
A partir dos 40 anos, somente é necessário a sua realização
a cada 1 a 2 anos e, após os 50 anos, deve ser realizada
anualmente. A mamografia é um exame que permite o diagnóstico
precoce dos tumores malignos e, futuramente, permite a adoção de
terapias menos agressivas, podendo até mesmo evitar a
mastectomia.
A principal vantagem da mamografia é a visualização
panorâmica do possível nódulo, porém, sem determinar quanto a sua
constituição (se é cística, líquida ou sólida).
A ultrassonografia é o exame mais indicado para que se
avalie a constituição do nódulo que foi identificado pela mamografia.
A partir da identificação, o nódulo poderá ser abordado pela PAAF
(punção aspirativa por agulha fina), caso seja líquido (cístico) ou pela
c o r e b i o p s y (caso o nódulo apresente constituinte sólido). É
importante lembrar que a citologia é avaliada pela PAAF e filetes
histopatológicos pela c o r e b i o p s y .
ULTRASSONOGRAFIA
A ultrassonografia (US) é um exame complementar muito utilizado na Ginecologia. Na ginecologia, os principais
métodos de US são: pélvica e transvaginal. A US do útero fornece detalhes importantes para sua avaliação:
V o l u m e u t e r i n o = (diâmetro colo-fundo uterino x diâmetro ântero-posterior x diâmetro transverso) x 0,45 ou 0,50
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
176
Volume uterino normal: 25-90 cm3
Ovário: 3 a 9 cm3
Nas multíparas, considerar o valor normal até 120 cm3
O exame deverá discriminar a causa do aumento uterino; caso sejam miomas, o radiologista deverá discriminar
que o aumento é à custa do mioma.
A ultrassonografia transvaginal fornece mais detalhes referentes à parede do útero, do endométrio, etc. Permite
avaliar, ainda, o batimento fetal com 5 semanas de vida embrionária (enquanto que a pélvica somente consegue este
feito com mais de 7 semanas). Contudo, é um exame contra-indicado para mulheres virgens. É um exame indicado
principalmente para estudo de órgãos pélvicos de mulheres que já tiveram relação sexual, sendo o método de escolha
para avaliação da gravidez durante o primeiro trimestre (é ideal para avaliação da translucência nucal na gestação de 12
a 14 semanas).
Portanto, para o estudo do útero e ovários em mulheres virgens, devemos optar pela US pélvica (antigamente,
antes do advento do US, a avaliação de dor pélvica em mulheres virgens se fazia por meio do toque retal). A US pélvica
deve ser realizada com a bexiga cheia, a qual funcionacomo uma janela acústica que delimita o fundo uterino,
garantindo a medida do diâmetro ântero-posterior do útero (do fundo ao colo uterino), primeira medida para o cálculo do
volume uterino.
HISTEROSSALPINGOGRAFIA
A histerossalpingografia tem a principal função de avaliar a anatomia das tubas
uterinas, ou seja, se elas estão pérvias ou não. A tomografia fornece alguns detalhas das
trompas, mas não sobre o estado de sua luz.
Está indicada nas ocasiões de casais que não conseguem engravidar e o
espermograma do homem demonstrar espermatozóides viáveis. Por vezes, a
histerossalpingografia poderá demonstrar estenose de tuba uterina, como sendo a causa
primária da dificuldade de engravidar.
O exame é realizado a partir da injeção de contraste pela vagina e analise do
desenho contrastado pela radiografia. Caso toda a anatomia esteja preservada, intitula-se a
p r o v a d e C o t t e como sendo positiva bilateralmente, o que significa que as trompas estão
pérvias, visto que o contraste teve capacidade de chegar até a parte distal das mesmas.
VIDEOHISTEROSCOPIA
Consiste no exame por vídeo da cavidade uterina. Por meio deste exame, além da visualização da cavidade, é
possível a realização de biópsias intra-uterinas, retirada de pólipos e do próprio miométrio.
Antigamente, a retirada de miomas submucosos (ver O B S 1 0 ) só era
possível através da histerectomia. Com o advento da videohisteroscopia,
tornou-se possível o fatiamento deste mioma e sua retirada.
O B S 1 0 : Existem três tipos de mioma: o mioma subseroso (na convexidade
externa do órgão, abaixo do peritônio), mioma intramural (dentro da parede)
e o mioma submucoso (dentro da cavidade uterina). Quando ele é
submucoso, existe uma tendência que faz com que o útero contraia.
Geralmente, este fenômeno faz com que este mioma tenha seu pedículo
esticado e alcance a vagina (o que é costumeiramente chamado de m i o m a
p a r i d o ).
O B S 1 1 : A tração imprudente deste mioma parido pode causar a inversão uterina ginecológica, condição análoga à
inversão obstétrica, sendo esta causada pela tração inadvertida da placenta (durante o período da dequitação) e
primeira, bem mais rara, causada por este fenômeno relacionado ao mioma.
LAPAROSCOPIA
É um exame extremamente útil para algumas doenças ginecológicas (isto é: que só aparecem no menacme).
Dentre elas, destaca-se a e n d o m e t r i o s e .
A patologia que mais caracteriza a dor pélvica ou a desmenorréia de caráter progressivo é a e n d o m e t r i o s e , que
consiste na presença ectópica e funcional de endométrio. O exame de escolha para o diagnóstico precoce desta
patologia é a v i d e o l a p a r o s c o p i a . Geralmente, a presença de dor pélvica crônica já indica a realização de
videolaparoscopia. Além disso, o histórico de uma paciente que não consegue engravidar sem explicação plausível (isto
é, apresentando trompas pérvias à histerossalpingografia e espermograma normal do parceiro), muito provavelmente
está relacionado com endometriose (aproximadamente 60% de chances), sendo prudente solicitar vidiolaparoscopia.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
177
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
A N A T O M I A G I N E C O L Ó G I C A
( P r o f e s s o r M a r c e l o B r a g a )
O estudo da anatomia plvica e dos rg
os ginecolgicos se torna importante quando se leva em cota que a
Ginecologia e a Obstetrcia s
o especialidades de larga atividade cirrgica.
De um modo geral, a maioria das doenas ginecolgicas s
o caracterizadas por alteraes na forma dos rg
os.
Alm disso, a consulta ginecolgica requer um conhecimento amplo da anatomia normal dos rg
os envolvidos no
exame. Por esta raz
o, o conhecimento da anatomia a base do processo diagnstico e teraputico.
Antes de mais nada, devemos saber dividir funcionalmente a mulher em duas caractersticas teis importantes:
a f u n ç ã o r e p r o d u t i v a , intrnseca a toda fmea e a f u n ç ã o e r ó t i c a (sexual). De fato, etimologicamente, o termo g e n i t a l e ,
do latim, referente a gera
o. Contudo, a ginecologia moderna estuda a anatomia ligada n
o s ao processo
reprodutivo, como tambm ao erotismo da mulher.
CONCEITO E DIVISO ANATMICA
O conceito clssico do estudo anatmico ginecolgico divide os rg
os genitais em internos e externos. Alm
disso, Serapi
o, em 1989, props o termo “estruturas da sexualidade” que poderiam ser primrias, secundrias ou
tercirias, de acordo com sua participa
o no desencadeamento do orgasmo.
A classifica
o atual baseia-se na nomenclatura aprovada no 11o Congresso Internacional de Anatomistas
realizado na Cidade do Mxico (IANC, 1984), que divide o estudo em genitlia interna e externa. Desta forma, temos:
Ó r g ã o s g e n i t a i s e x t e r n o s : Monte de Vnus; Lbios maiores; Lbios menores; Vestbulo; stio da vagina e da
uretra; Clitris; Glndulas vestibulares maiores e menores; Hmen.
Ó r g ã o s g e n i t a i s i n t e r n o s : vagina, tero, trompas e ovrios.
RGOS GENITAIS INTERNOS
V A G I N A
A vagina um rg
o tubular que serve como uma bainha para o pnis
durante a cpula, apresentando o colo do tero como limite superior (ou a
cpula vaginal para pacientes histerectomizadas) e o hmen (O B S 2 ),
inferiormente. Tem comprimento de 8cm em mdia. As principais funes da
vagina s
o: receber o pnis durante o coito e constituir o canal de parto.
Do ponto de vista anatmico, a vagina guarda rela
o com a bexiga,
anteriormente; com o reto, posteriormente; com o tero, superiormente; e com
a vulva, inferiormente.
Histologicamente, a vagina composta por trs camadas: a tnica
mucosa, muscular e esponjos (tecido conectivo fibroso). A tnica mucosa da
vagina apresenta uma fun
o diferenciada das demais mucosas, que a de
produzir um transudato responsvel pela lubrifica
o vaginal durante o coito.
A vasculariza
o da vagina responsabilidade das seguintes artrias:
ramos vaginais da artria uterina, da ilaca interna, da retal mdia e da
pudenda interna.
O B S 1 : Vale ressaltar que a parede posterior da vagina menos vascularizada do que a
anterior e, portanto, no momento de colocar o espculo, devemos apoi-lo na parede
posterior, para que o exame seja o mais confortvel possvel para a paciente.
Ú T E R O
o rg
o que aloja o embri
o e no qual este se desenvolve at o nascimento. Envolvido pelo ligamento largo,
tem em geral a forma de uma pra invertida e nele se distinguem quatro pats: fundo, corpo, istmo e crvix (colo do
tero).
O corpo comunica-se de cada lado com as tubas uterinas e a por
o que fica acima delas o fundo. O corpo a
por
o principal e estende-se at uma regi
o estreitada inferior que o istmo. Este muito curto (1cm ou menos) e a ele
segue-se o colo uterino, que faz proje
o na vagina e com ela se comunica pelo stio do tero.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
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Na sua estrutura, o útero apresenta três camadas: (1) a
interna ou e n d o m é t r i o , que sofre modificações com a fase do ciclo
menstrual ou na gravidez; (2) média ou m i o m é t r i o , constituída por
fibras musculares lisas; (3) externa ou p e r i m é t r i o , representada pelo
peritônio visceral.
Mensalmente, o endométrio se prepara para receber o
óvulo fecundado, ou seja, o futuro embrião. Para tanto, há um
aumento de volume do endométrio com formação de abundantes
redes capilares, além de outras modificações. Não ocorrendo a
fecundação, isto é, na ausência de embrião, toda esta camada do
endométrio sofre descamação, com hemorragia, e consequente
eliminação sanguínea através da vagina e vulva, fenômeno
conhecido com o nome de m e n s t r u a ç ã o .
Segundo Álvaro da Cunha Bastos, o útero encontra-se em
a n t e v e r s o f le x ã o e é movel (podendo apresentar-se em outras
posições, como mostra a figura abaixo). Denomina-se anteversão a
posição em que o fundo do órgão está voltado para frente, para
pube, e o colo, para trás, ou seja, para o cóccix. Assim, o maior eixo
uterino faz ângulo reto (90°) com o maior eixo vaginal. Chama-se
anteflexão a posição em que corpo e colo formam ângulo obtuso (>
90°), com a abertura para baixo e ligeiramente para frente. Deste
modo, ficando a mulher de pé, o útero está em situação quase
transversal em relação ao maior eixo corpóreo. O útero é mantido
em posição graças a ação do r e t i n á c u l o d o ú t e r o (ver O B S 2 ).
Anatomicamente, o útero se relaciona anteriormente com a bexiga; posteriormente, com o reto e colo sigmóide;
lateralmente, com os ovários e ureteres; inferiormente, com a vagina.
O B S 2 : O útero é mantido na sua estática por estruturas que estabelecem a suspensão e a sustentação. Em resumo,
temos:
E l e m e n t o s d e s u s p e n s ã o : consiste nos ligamentos que, em
conjunto, compõem o conjunto conhecido como r e t i n á c u l o d o ú t e r o ,
estando eles instalados ao nível do istmo. São eles: l i g a m e n t o ú t e r o -
p ú b i c o (liga o útero ao púbis), l i g a m e n t o ú t e r o - s a c r o (liga o útero ao
promontório do sacro) e os p a r a m é t r i o s (também conhecidos como
ligamentos cardinais, que liga o útero à parede pélvica).
O ligamento útero-púbico (anterior) se relaciona
diretamente com a bexiga. Por esta razão, uma vez lesionado, pode
determinar prolapso de parede vaginal anterior e bexiga.
Os ligamentos cardinais são de extrema importância para
o estadiamento do câncer de colo uterino, pois geralmente são
acometidos por eles. Além destes ligamentos, podemos citar o ligamento
largo e o ligamento redondo.
O ligamento útero-sacro (posterior), uma vez lesado,
predispõe ao prolapso uterino e de cúpula vaginal.
E l e m e n t o s d e s u s t e n t a ç ã o : consiste no d i a f r a g m a p é l v i c o
(músculo elevador do ânus) e o d i a f r a g m a u r o g e n i t a l (músculos isquiocavernoso, bulbocavernoso, etc.).
O B S 3 : O retináculo do útero ainda apresenta o reforço dos ligamentos redondo e largo.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
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T U B A S U T E R I N A S ( T R O M P A S )
Transportam os óvulos que rompem a superfície do ovário para a cavidade do útero. Por elas passam, em
direção oposta, os espermatozóides e a fecundação corre habitualmente dentro da tuba.
A tuba uterina está incluída na borda superior do ligamento largo do útero, sendo um tubo de luz estreita cuja
extremidade medial (óstio uterino da tuba) se comunica com a cavidade uterina e cuja extremidade lateral (óstio
abdominal) se comunica com a cavidade peritoneal.
O óvulo já fecundado pode ocasionalmente fixar-se na tuba uterina e aí dar-se o início do desenvolvimento do
embrião, fato conhecido com o nome de g r a v i d e z t u b á r i a (ou ectópica).
O V Á R I O S
Com cerca de 3cm de diâmetro, os ovários são estruturas responsáveis pela produção dos gametas femininos
ou óvulos ao final da puberdade. Além desta função gametogênica, apresentam função endócrina, pois produzem
hormônios que controlam o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários e atuam sobre o útero no mecanismo
de implantação do óvulo fecundado e início do desenvolvimento do embrião.
Os ovários estão fixados pelo mesovário à face posterior do ligamento largo do útero, mas não são revestidos
pelo peritônio. Antes da primeira ovulação (expulsão do óvulo através da superfície do ovário), o ovário é liso e rosado
no vivente, mas depois tornam-se rugosos devido às cicatrizes deixadas pelas subsequentes ovulações. Na vilhice,
diminuem de tamanho.
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180
RGOS GENITAIS EXTERNOS
O conjunto de estruturas que compe a genitlia feminina externa tambm pode ser chamado de p u d e n d o
f e m i n i n o ou v u l v a . A membrana himenal a estrutura que delimita a genitlia interna da externa. Desta forma,
internamente ao hmen, encontramos a vagina; externamente, a vulva.
Basicamente, os principais componentes s
o:
Monte de Vnus
Lbios maiores (cercam e delimitam a rima do pudendo)
Lbios menores (cercam de delimitam o vestbulo da vagina)
Vestibulo
stio da vagina e da uretra
Clitris
Glandulas vestibulares maiores e menores
Hmen
O B S 4 : O aparelho de sustenta
o do tero
(visto na O B S 2 ) representa um componente
salutar para esttica e anatomia das
estruturas genitais externas. Ressaltamos a
participa
o do d i a f r a g m a p é l v i c o ,
formado pelo msculo coccgeo e pelos
msculos elevadores do nus (estes
apresentam os seguintes feixes
musculares: pubo-coccgeo, puboretal e
leo-coccgeo). O d i a f r a g m a u r o g e n i t a l ,
mais profundo que o primeiro, formado
pelo msculo transverso profundo do
perneo e esfncter da uretra, alm dos Mm.
isquiocavernoso e bulbocavernoso.
M O N T E P Ú B I C O ( M O N T E D E V E N U S )
uma eleva
o mediana, anterior snfise pbica e constituda principalmente por tecido adiposo. Apresenta
pelos espessos aps a puberdade, com distribui
o caractersica.
L Á B I O S M A I O R E S
S
o duas pregas cutneas, alongadas, que delimitam entre si uma fenda, a r i m a d o p u d e n d o . Aps a
puberdade, apresentam-se hiperpigmentadas e cobertas de pelos, embora suas faces internas sejam sempre lisas e
glabras (sem pelos).
L A B I O S M E N O R E S
S
o duas pequenas pregas cutneas, localizadas medialmente aos lbios maiores. No vivente, a pele que os
recobre lisa, mida e vermelha. Ficam escondidos pelos lbios maiores, exceto nas crianas e na idade avanada,
quando os lbios maiores contm menos tecido adiposo e consequentemente, menor volume.
O espao entre os lbios menores o v e s t í b u l o d a v a g i n a , onde se apresetam o ó s t i o e x t e r n o d a u r e t r a , o
ó s t i o d a v a g i n a e os o r i f í c i o s d o s d u c t o s d a s g l â n d u l a s v e r t i b u l a r e s .
E S T R U T U R A S E R É T E I S
Como no sexo masculino, s
o formadas por tecido ertil, capazes de dilatar-se como resultado de
engurgitamento sanguneo. O c l i t ó r i s o homologo do pnis, ou mais exatamente, dos corpos cavernosos. Possui duas
extremidades fixadas ao squio e ao pbis (ramos do clitris, que depois se juntam e formam o corpo do clitris, e este
termina por uma dilata
o – a glande do clitris).
O clitris uma estrutura rudimentar quando comparada ao pnis e apenas a glande do clitris visvel, no local
onde se fundem anteriormente os lbios menores. A glande recoberta pelo prepcio do clitris.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
181
G L A N D U L A S V E S T I B U L A R E S
As g l â n d u l a s v e s t i b u l a r e s m a i o r e s (de Bartholin), com aproximadamente 0,5cm de diâmetro, estão localizadas
de cada lado do vestíbulo, póstero-lateralmente ao óstio da vagina e inferiormente à membrana do períneo; assim, estão
situadas no espaço superficial do períneo. Essas glândulas secretam muco para o vestíbulo durante a excitação sexual.
As g l â n d u l a s v e s t i b u l a r e s m e n o r e s são pequenas glândulas de cada lado do vestíbulo que se abrem nele
entre os óstios da uretra e da vagina. Essas glândulas secretam muco para o vestíbulo, o que umedece os lábios e o
vestíbulo.
O B S 5 : As glândulas vestibulares maiores geralmente não são palpáveis, mas tornam-se quando infectadas. A oclusão
do ducto da glândula pode predispor à infecção. A b a r t o l i n i t e , inflamação aguda das glândulas vestibulares maiores,
pode ser causada por vários organismospatogênicos. A oclusão da glândula vestibular sem infecção pode resultar no
acúmulo de mucina (cisto de Bartholin).
H Í M E N
O hímen é uma prega anular e fina de mucosa, que
circunda a luz, imediatamente dentro do óstio da vagina.
Após sua ruptura, apenas remanescentes do hímen, as
carúnculas himenais, são visíveis. Esses remanescentes
demarcam a vagina do vestíbulo. A membrana himenal
pode se apresentar sob várias formas, assim como mostra
a figura ao lado.
O hímen não tem função fisiológica estabelecida. É
considerado basicamente um vestígio do desenvolvimento,
mas sua condição (e a do frênulo dos lábios do pudendo)
frequentemente oferece evidências críticas em casos de
abuso de crianças e de estupro.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
182
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
CICLO MENSTRUAL NORMAL
( P r o f e s s o r M a r c e l o B r a g a )
Conceitualmente, o ciclo menstrual (ou ciclo ovariano) consiste no resultado da intera
o dinmica entre o
hipotlamo, hipfise, ovrios e trato genital, permitindo que o processo reprodutivo ocorra de forma cclica.
Conhecer a fisiologia do ciclo menstrual imprescindvel para o diagnstico e o tratamento de seus distrbios. A
fisiologia do ciclo menstrual exige o estudo da endrocrinologia ginecolgica, alm de um conhecimento bsico de
anatomia.
O conhecimento das bases endocrinolgicas do ciclo menstrual se faz t
o importante que, alm de determinar
todas as fases da produ
o do gameta feminino e ovula
o, ele tambm determina fases distintas de comportamento da
mulher. A mulher, quando entra no menacme, passa a sofrer modificaes endcrinas que alteram o seu padr
o
comportamental. Portanto, a partir do momento que ns encaramos a mulher como um ser cclico, podemos entender
um pouco de seu universo. Fato importante, por exemplo, quando recebemos pacientes do sexo feminino em nosso
consultrio, que ora se comportam de uma maneira amistosa, ora se mostram impacientes, explosivas.
Este captulo visa estabelecer uma revis
o geral acerca dos principais hormnios relacionados com o ciclo
menstrual e, logo depois, adentrar nos pormenores da fisiologia deste ciclo.
CARACTERSTICAS DO CICLO MENSTRUAL E FASES
O ciclo menstrual normal apresenta uma periodicidade regular, que varia de 21 a 35 dias, com mdia de 28
dias (4 semanas). Esta periodicidade apresenta uma maior variabilidade nos extremos de idade.
O nmero de dias da primeira fase do ciclo menstrual (fase proliferativa ou folicular) pode variar, entretanto, a
segunda fase (ltea ou secretora) tem normalmente 14 dias. Na maioria das vezes, quando as pacientes apresentam
ciclos menstruais irregulares, n
o ocorre a ovula
o. Para diagnosticar e tratar os distrbios do ciclo menstrual,
necessrio conhecer sua fisiologia. Portanto, em resumo, temos:
Fase folicular (proliferativa): fase de dura
o varivel, que pode ser determinada diminuindo 14 dias (dura
o
da fase ltea) pelo nmero de dias do ciclo individual de cada mulher mulher. Vale salientar que a fase folicular
– e, portanto, o ciclo menstrual – se inicia no primeiro dia da menstruao, e n
o no ltimo dia de
sangramento.
Ovulao: fase caracterizada por um pico de LH, em que o folculo ovariano maduro liberado nas trompas.
Geralmente, ocorre no 14 dia do ciclo de 28. Contudo, pode variar para mais ou para menos. Calcula-se o
perodo frtil da mulher diminuindo 3 dias e somando 3 dias para o dia da ovula
o.
Fase ltea (secretora): fase de dura
o fixa – 14 dias. Isso significa que, se a mulher tem um ciclo de 28 dias e
menstruou hoje, por exemplo, quer dizer que ela ovulou h 14 dias. Do mesmo modo, se uma mulher com o
ciclo de 32 dias menstrua hoje, sua ovula
o tambm ocorreu h 14 dias. Portanto, esta fase se inicia no dia da
ovula
o e se encerra com a nova menstrua
o (para uma defini
o tcnica de menstrua
o, veja O B S 1 ).
OBS1: Menstruao o fenmeno fisiolgico do ciclo reprodutivo da mulher, que ocorre caso n
o se d a fecunda
o
do ovcito II, permitindo a elimina
o peridica do endomtrio uterino (ou mucosa uterina) atravs da vagina. Neste
processo d-se o rompimento de alguns vasos sanguneos o que leva a que ocorra tambm uma “pequena” hemorragia.
O vulo n
o eliminado juntamente com o endomtrio, ele permanece na tuba uterina e se degenera aps um tempo se
esse n
o for fecundado.
ABORDAGEM ENDOCRINOLGICA DO CICLO MENSTRUAL
O desenvolvimento folicular normal requer uma a
o integrada e coordenada de eventos hipotalmicos,
hipofisrios e ovarianos. O ovrio, mais precisamente, o folculo ovariano dominante, mediante a produ
o de estradiol,
progesterona, inibina, fatores de crescimento e outros peptdeos, modula a fun
o hipotalmico-hipofisria durante o
ciclo menstrual. Desta forma, o eixo de funcionamento do ciclo menstrual :
HIPOTLAMO – ADENO-HIP
FISE – GNADA
O hipotlamo (mais especificamente, seu ncleo supra-quiasmtico) responsvel por regular a secre
o de
hormnios produzidos na prpria adeno-hipfise. Para isso, o hipotlamo comunica-se com a adeno-hipfise atravs do
trato tbero-infundibular (que envolve uma conex
o nervosa e outra vascular – o sistema porta-hipofisrio). Os
hormnios produzidos pela hipfise influenciar
o na fisiologia ovariana.
Durante todos os anos reprodutivos da mulher, entre cerca de 10 e 45 anos de idade, 400 a 500 folculos
primordiais desenvolvem-se o suficiente para expelir seus vulos – um a cada ms. Os restantes passam por
degenera
o (tornam-se atrsicos). Ao final da capacidade reprodutora (menopausa), apenas alguns folculos
primordiais permanecem nos ovrios, e at mesmo esses folculos degeneram pouco tempo depois.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
183
O B S 2 : A mulher, em torno de 20 semanas de gesta
o, apresenta seu maior patrimnio folicular: cerca de 20 milhes de vulos.
Quando nasce, este nmero cai para aproximadamente 2 milhes e, antes de ela entrar na adolescncia, este nmero est em torno
de 800 mil, aproximadamente. Portanto, o ovrio um rg
o que morre durante a vida reprodutiva. Contudo, enquanto as clulas
est
o morrendo, outras est
o amadurecendo e, quando a mulher chega a um determinado nmero de clulas capazes de produzir
quantidades especficas de estrognio, o que ocorre no momento da puberdade, este estrognio, por meio de um mecanismo em
“ala-longa”, estimula o hipotlamo a produzir GnRH e, assim, a hipfise a produzir FSH e LH, os quais, atravs de um mecanismo em
“ala-curta”, estimulam a maior produ
o de estrognio. Este o mecanismo de amadurecimento do eixo HHO.
D I N Â M I C A D A S E C R E Ç Ã O H O R M O N A L
O sistema hormonal feminino, semelhana do masculino, constitudo por trs hierarquias de hormnios: (1)
um hormnio de libera
o hipotalmica (GnRH); (2) os hormnios sexuais da hipfise anterior (FSH e LH); (3) os
hormnios ovarianos (estrognio e progesterona). Desta forma, temos a seguinte dinmica no ciclo ovariano:
H o r m ô n i o d e l i b e r a ç ã o d a s
g o n a d o t r o f i n a s ( G n R H ) : o GnRH
produzido pelo hipotlamo e enviado
at a hipfise anterior, a qual
estimulada a secretar seus hormnios
gonadotrficos.
G o n a d r o t r o f i n a s : s
o os hormnios
sexuais da hipfise anterior, o
h o r m ô n i o f o l í c u l o - e s t i m u l a n t e ( F S H ),
liberado em menor propor
o, e o
h o r m ô n i o l u t e i n i z a n t e ( L H ). Ambos s
o
secretados pela no perodo pr-
ovulatrio em resposta ao hormnio de
libera
o GnRH do hipotlamo.
E s t r a d i o l : sua dosagem reflete a
atividade de um corte de folculos
recm recrutados.
P r o g e s t e r o n a : concentra
o nfima na
fase folicular que se eleva antes da
menstrua
o.
In i b i n a : produzida pelo folculo
dominante, constante na fase
folicular e aumentam no final desta fase.
H o r m ô n i o d e l i b e r a ç ã o d a s g o n a d o t r o f i n a s ( G n R H ) .
O GnRH produzido pelo ncleo supra-quiasmtico do hipotlamo responsvel por estimular a produ
o de FSH e LH pela
hipfise. Ele produzido em pulsos (assim como todos os outros hormnio femininos; vide O B S 3 ) sob estmulos do sistema nervoso
central, sendo influenciado por ele.
A libera
o em pulsos do GnRH sofre vrias influncias, sendo as principais: atividade fsica, demandas emocionais,
necessidades nutricionais. Isso explica, por exemplo, o fato de que atletas quase nunca menstruam durante a competi
o em grandes
eventos esportivos. Ou mesmo mulheres que menstruam diante de notcias que abalem seu emocional. Isso explicado pela
influncia do manto cortical (sobretudo do sistema lmbico) sobre o hipotlamo.
A Inibi
o da pulsatilidade de libera
o de GnRH pode causar os seguintes fatores: fase folicular mais longa, fase ltea
deficiente, anovula
o, amenorria, etc.
O B S 3 : Todo o estmulo hormonal feminino realizado por pulsos (isto , s
o produzidos e liberados para a circula
o em b o l u s ). Este
princpio prediz o mecanismo de a
o de alguns anticoncepcionais, que consiste na administra
o de dosagem constante de
progesterona e estrognio. Portanto, para inibir a ovula
o, devemos administrar progesterona e estrognio em quantidades
regulares, no intuito de inibir os pulsos de secre
o destes hormnios.
H o r m ô n i o s g o n a d o t r ó p i c o s .
As alteraes ovarianas que ocorrem durante o ciclo sexual dependem totalmente dos hormnios gonadotrpicos, FSH e LH,
secretados pela hipfise anterior. Na ausncia destes hormnios, os ovrios permanecem inativos, como ocorre durante toda a
infncia, quando quase n
o h secre
o de hormnios gonadotrpicos pela hipfise. Entre 9 e 12 anos, quando ocorre matura
o do
eixo hipotlamo-hipofisrio, a hipfise comea a secretar progressivamente mais FSH e LH, culminando no incio dos ciclos mensais
normais. Este perodo de modificaes denominado p u b e r d a d e , e a poca em que ocorre o primeiro ciclo menstrual denominada
m e n a r c a .
H o r m ô n i o f o l í c u l o - e s t i m u l a n t e ( F S H ) . O FSH, embora liberado em menor propor
o que o LH pela hipfise, participa de
um dois eventos importantes do ciclo menstrual. Em primeiro lugar, antes de mais nada, o pico de FSH, juntamente ao LH,
participa da fase de ovula
o. Em segundo lugar, ao final do ciclo menstrual, o FSH vem apresentando queda de suas
concentraes; contudo, com aproximadamente 24 horas antes de a paciente menstruar, ocorre uma leve ascens
o do seu
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
184
nvel basal. Este pequeno aumento de FSH ao final do ciclo menstrual determinante para que o ovrio recrute algo em
torno de 8 a 12 folculos para participar de um novo ciclo ovulatrio. Quando o FSH determina este recrutamento, ele faz com
que estes folculos passem a produzir o e s t r o g ê n i o (que tambm produzido durante o pico de FSH). Portanto, o aumento
do estrognio est relacionado com a secre
o de FSH. Por isso, o estrognio tende a aumentar na primeira fase e cair na
segunda, onde passar a apresentar nveis estveis.
H o r m ô n i o l u t e i n i z a n t e ( L H ) . O LH tambm produzido pela hipfise anterior, sendo responsvel por uma fun
o de
luteiniza
o, que corresponde manuten
o do corpo lteo na fase ltea (segunda fase do ciclo). Antes disso, o LH sofre um
pico no final da fase folicular (primeira fase) logo depois do pico de FSH, o que garante o crescimento folicular final e a
ovula
o. Depois da ovula
o, o LH mantm seus nveis moderadamente altos e constantes no intuito de manter o corpo
lteo durante a segunda fase, o qual passa a produzir a p r o g e s t e r o n a . A depender da presena ou n
o da fecunda
o,
pode ocorrer dois fenmenos com o LH: (1) caso n
o haja fecunda
o, ocorre falncia do corpo lteo e caem os nveis de
progesterona, o que faz com que a mulher menstrue; (2) na vigncia da fecunda
o (incio de uma gravidez), o corpo lteo
mantm altos os nveis de progesterona e, por volta da 16 semana, a placenta assume esta produ
o de progesterona.
E s t r o g ê n i o ( e s t r a d i o l ) .
A produ
o desse hormnio comea na adolescncia, quando responsvel pelo aparecimento dos sinais sexuais
secundrios na mulher, e vai at a menopausa. Ele produzido pelas clulas foliculares e pela teca interna e mais tarde pelo corpo
amarelo, sendo o tero seu principal rg
o alvo.
O estrognio induz as clulas de muitos locais do organismo a proliferar, isto , a aumentar em nmero. Por exemplo, a
musculatura lisa do tero, aumenta tanto que o rg
o, aps a puberdade, chega a duplicar ou, mesmo, a triplicar de tamanho. O
estrognio tambm provoca o aumento da vagina, desenvolvimento dos lbios que a circundam, faz o pbis se cobrir de plos, os
quadris se alargarem e o estreito plvico assumir a forma ovide, em vez de afunilada como no homem; provoca o desenvolvimento
das mamas e a prolifera
o dos seus elementos glandulares, e, finalmente, leva o tecido adiposo a concentrar-se, na mulher, em
reas como os quadris e coxas, dando-lhes o arredondamento tpico do sexo. Em resumo, todas as caractersticas que distinguem a
mulher do homem s
o devido ao estrognio e a raz
o bsica para o desenvolvimento dessas caractersticas o estmulo
prolifera
o dos elementos celulares em certas regies do corpo.
O estrognio responsvel ainda pela textura da pele feminina e pela distribui
o de gordura. Sua falta causa a diminui
o
do brilho da pele e uma redistribui
o de gordura corporal para partes caracteristicamente mais masculinas, ou seja, na barriga. a
falta de estrognio que causa a secura vaginal, que acaba por afetar as relaes sexuais ao tranform-las em algo desagradvel e
doloroso. O estrognio tambm relacionado ao equilbrio entre as gorduras no sangue, colesterol e HDL. Uma outra altera
o
importante na sade da mulher pela falta de estrognio a irritabilidade e a depress
o. Por ltimo o estrognio responsvel pela
fixa
o do clcio nos ossos e, por esta raz
o, aps a menopausa, grande parte das mulheres apresenta osteoporose.
Durante o ciclo menstrual, o estrognio responsvel por estimular a fase proliferativa (ou folicular), em que vai ocorrer o
espessamento do endomtrio juntamente com o desenvolvimento das glndulas tubulares e vasos sanguneos. Por esta raz
o, o
estrogenio se comporta com altos nveis durante a primeira fase do ciclo menstural (graas a a
o do FSH no ovrio) e diminui na
segunda fase. Portanto, o estrognio a essncia do reincio de um ciclo reprodutivo, assim como a falncia ovariana em produzir o
estrognio caracteriza o final do ciclo.
O B S 4 : vlido revisar que estrognio e estradiol n
o s
o, estritamente, sinnimos. Na verdade, podemos separar trs tipos de
estrognio: a estrona, o estriol e o β-estradiol. Como o estradiol consiste no derivado ativo do estrognio, toda vez que este captulo
ou captulos subsequentes descreverem o estrognio, leia-se estradiol.
P r o g e s t e r o n a .
A p r o g e s t e r o n a um hormnio esteride produzido, a partir da puberdade, pelo corpo lteo e pela placenta durante a
gravidez. Aps a libera
o do vulo, o folculo ovariano se transforma em corpo amarelo ou lteo, e comea a produzir a
progesterona. Ela que prepara a mulher para a gesta
o e o aleitamento. Observe que, na verdade, o ciclo menstrual prepara a
mulher para a gravidez todos os meses.
A progesterona, diferentemente do estrognio, responsvel por atrofiar o endomtrio e por promover a a
o secretora
deste epitlio (fun
o responsvel pela nutrio do futuro embri
o). Tambm o hormnio responsvel pela continuidade da gravidez
pois evita a descama
o do endomtrio, que ocasionaria um aborto. Portanto, “o hormnio da segunda fase do ciclo menstrual”,
pois seus nveis permanecem elevados, diminuindo se a mulher n
o engravidou ou mantendo-se altos caso ela engravide.
Paciente que apresentam insuficincia luteica e, por esta raz
o, apresentam baixos nveis de progesterona aps a
fecunda
o, muito provavelmente evoluir
o para um abortamento, visto que, como vimos, a progesterona o hormnio mantenedor
da gravidez.
I n i b i n a .
um hormnio produzido pelo folculo ovariano dominante, sendo responsvel por inibir o FSH. Quando o FSH est subindo,
a inibina aumenta secundrio a um estmulo dopaminrgico, realizando um contra-balano e uma diminui
o dos nveis de FSH. Este
hormnio ainda responsvel pelo controle na produ
o de testosterona no homem.
C O N T R O L E D O E I X O H I P O T Á L A M O - H P O F I S Á R I O - O V A R I A N O ( H H O )
O Controle do eixo HHO se faz, principalmente, pela a
o da libera
o de estrgenos e de progesterona. Desta forma,
temos:
O estrognio, em nveis elevados, estabelece uma al
a de retro-controle negativo, promovendo efeito inibitrio sobre o
GnRH. Quando em nveis baixos, estabelece uma al
a de retro-controle positivo, estimulando a secre
o de GnRH.
A progesterona estabelece um controle retronegativo nas duas alas, quando em quantidades elevadas.
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F A S E F O L I C U L A R D O C I C L O M E N S T R U A L
A fase folicular, ou primeira fase do ciclo menstrual, corresponde ao
perodo que se inicia no primeiro dia de menstrua
o at o dia da ovula
o.
Ela est relacionada com as seguintes caractersticas endocrinolgicas:
iniciada graas a queda de estrgeno, progesterona e inibina no
final do ciclo anterior, o que provoca o um rpido aumento de FSH
dois dias antes da menstrua
o para promover recrutamento folicular.
Recrutamento de folculos que ocorre do 1 ao 4 dia do ciclo. A
sele
o do folculo se d entre o 5 e 9 dia.
O folculo selecionado aquele que garante uma maior capacidade de
biossntese de estrognio, hormnio cujos nveis elevados
caracterizam esta fase.
O incio da fase folicular marcada pela chamada f a s e m e n s t r u a l
(entre os dias 1 e 4 do ciclo). Esta caracterizada pela descama
o da
camada funcional do endomtrio (menstrua
o), marcando o inicio do ciclo
menstrual, de fato. Esta fase ocorre devido regress
o do corpo lteo que
cessa a secre
o de progesterona e estrognio. Com isso, o endomtrio deixa
de ser estimulado a permanecer, causando a interrup
o de oxignio e
nutrientes, levando a necrose da camada funcional. Na menstrua
o,
liberado cerca de 50 - 200mL de sangue.
Depois desta fase menstrual, tem-se o incio propriamente dito da fase
folicular, que caracterizada pela renova
o da camada funcional do
endomtrio pela camada basal graas ao aumento dos nveis de estrognio.
Acompanha a fase folicular o desenvolvimento dos folculos ovarianos. A
camada funcional cresce, e h a prolifera
o de glndulas, estroma e artrias
espiraladas que d
o a capacidade secretora do endomtrio, possibilitando a
implanta
o do possvel vulo fecundado.
O V U L A Ç Ã O
A ovula
o na mulher com ciclo sexual feminino normal de 28 dias ocorre 14 dias aps o incio da menstrua
o.
Conceitualmente, a ovula
o significa a continuidade da divis
o do ocito que previamente havia parado. Durante este
perodo, a a
o do LH fundamental, principalmente no que diz respeito ao crescimento folicular final. Na ausncia
deste hormnio, mesmo quando existem grandes quantidades de FSH disponveis, o folculo n
o progride at o estgio
de ovula
o. Esta fase caracterizada por:
Produ
o mxima de estrognio pelo folculo selecionado, 24 a 36 horas antes da ovula
o.
O retro-controle positivo estabelece o pico de LH, o qual alcana o pico mximo de 10 a 12 horas antes da
ruptura folicular.
Retomada da divis
o do ocito, matura
o e expuls
o do ocito maduro.
F A S E L Ú T E A
caracterizada pelo espessamento do endomtrio e pela secre
o do glicognio acumulado nas glndulas.
Todas estas mudanas s
o responsveis pelo preparo da camada interna do tero para a nida
o.
uma fase de dura
o fixa – com aproximadamente 14 dias – e tem inicio aps a ovula
o, quando o corpo
lteo passa a secretar progesterona para manter uma possvel gravidez.
C I C L O E N D O M E T R I A L
As fases cclicas pelas quais o endomtrio passa podem ser resumidas da seguinte forma:
As flutuaes dos nveis de estrognio e progesterona promovem alteraes morfolgicas durante todo ciclo.
A ausncia de fecunda
o e nida
o determinam descama
o e incio de novo ciclo.
O B S 5 : A p í l u l a d o d i a s e g u i n t e consiste em um mtodo anti-conceptivo de emergncia na forma de medicamento
dotado de altas doses de estrognio (ou de progesterona) que responsvel por estimular de forma exagerada a
hiperplasia do endomtrio. Contudo, esta hipertrofia n
o seguida de aumento da quantidade de vasos sanguneos e,
portanto, n
o apresentar uma reten
o lquida suficiente para o implante do vulo fecundado. Mesmo que ocorra a
nida
o, o endomtrio hipertrofiado descama, levando o ovo fecundado junto. Admite-se ainda que a peristalse que
acontece na tuba uterina prejudicada devido a
o do alto nvel de progesterona, o que dificulta o transporte do
ovcito at o tero. Depois do ato sexual desprotegido, o quanto antes for administrado, melhor a eficcia deste mtodo.
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DETALHES DI
RIOS DO CICLO MENSTRUAL
1 dia do ciclo: corresponde ao primeiro dia da menstrua
o
- Os hormnios, tanto hipofisrios como ovarianos est
o em baixa concentra
o.
- A partir dos dias seguintes do inicio do ciclo, ocorre aumento na concentra
o do FSH no sangue, que estimula a
matura
o (meiose) do folculo ovariano.
- O sangramento chega a durar cerca de 5 dias e gradativamente, a concentra
o de FSH aumenta.
6 - 7 dia do ciclo: o sangramento cessa. O folculo em amadurecimento libera estrgeno. A partir do 7 dia, o tero
comea a produzir uma camada nova e vascularizada no endomtrio (tecido que ser liberado na prxima menstrua
o).
O folculo atua sobre o tero estimulando esse desenvolvimento do endomtrio. O estrgeno ainda atua sobre o corpo
estimulando o surgimento das caractersticas sexuais secundrias femininas.
10 dia do ciclo: j com uma grande concentra
o de FSH e estrgeno, este ainda atua sobre a hipfise estimulando a
libera
o de LH, o hormnio responsvel pela ovula
o. Por cerca do 14 dia, a mulher atinge o p i c o d e L H , alcanando
assim a ovula
o.
14 dia do ciclo: com a ovula
o, a progesterona e o estrgeno, combinados, inibem a a
o da hipfise (f e e d b a c k , inibindo
a libera
o de FSH e LH). Existemmedicamentos anticoncepcionais que s
o compostos por progesterona e estrgeno, os
quais impedem a ovula
o.
15 dia do ciclo: o corpo lteo (pequena les
o que marca o local da sada do ovcito II) passa a liberar progesterona (ltimo
hormnio a aumentar de concentra
o) que vai atuar no tero, estimulando a continua
o do desenvolvimento do
endomtrio.
16 - 19 dia do ciclo: - LH e FSH em queda
- Progesterona e Estrgeno em alta.
Caso no ocorra a fecundao Caso ocorra a fecundao
21 dia do ciclo: cicatriza
o do corpo
lteo que passa a produzir menos
estrgeno e progesterona.
Supomos que a fecunda
o ocorra no 14 dia do ciclo. O corpo lteo, no ovrio,
estimulado a n
o cicatrizar e passa asecretar estrognio e progesterona para
manter a gravidez durante os primeiros meses.
22 - 27 dia do ciclo: hormnios em
baixa concentra
o (tenso pr-
menstrual)
Ocorre a libera
o do β-hCG (gonodotrofina corinica) pelas clulas formadas
aps a fecunda
o.
28 dia do ciclo: ocorre a menstrua
o.
A partir da inicia-se um novo ciclo.
Com a chegada do blastocisto (nida
o) ao tero, a placenta comea a ser
formada. Semanas depois da fertiliza
o, ela ser a responsvel pela produ
o
de progesterona.
MODELO GR
FICO PARA CONFECO DA “TABELINHA”
O mtodo rtmico, mais conhecido como “tabelinha menstrual”
ou mtodo de Ogino-Knaus (nome dado devido a Hermann Knaus e
Kyusaku Ogino), um mtodo contraceptivo que consiste em estimar a
data da ovula
o, por forma a evitar contactos sexuais durante o perodo
frtil.
TCNICA
A tnica correta e descrita em alguns livros consiste na
seguinte: para prever o dia da ovula
o, observa-se a dura
o dos 8
ltimos ciclos menstruais e anota-se o nmero de dias do maior e do
menor ciclo. Do nmero de dias do menor ciclo, diminuem-se 18 dias. Do
nmero de dias do maior ciclo, diminuem-se 11 dias. O espao de dias
compreendido entre esses dois nmeros o perodo frtil. Evita-se a
rela
o sexual desprotegida durante este perodo.
Contudo, para mulheres com ciclo rigorosamente regular,
podemos tomar como base o dia da ovula
o de fato. Para mulheres
com ciclo regular de 28 dias, por exemplo, deve-se evitar o coito
desprovido de outros mtodos contraceptivos durante o perodo que
compreende trs dias antes e trs dias depois da ovula
o. Tal teoria
parte do pressuposto que a vida mdia do espermatozide no sistema
reprodutor feminino de cerca de 2 dias – tempo necessrio para uma
eventual fecunda
o na vigncia de uma rela
o sexual desprotegida
durante este perodo frtil.
SEGURANA
O mtodo da tabelinha n
o seguro, com taxa de falha particularmente elevada do mtodo de 10% por ano, porque a data
da ovula
o pode variar em virtude de diversos fatores. Em mulheres que tm um ciclo menstrual irregular (em que os intervalos entre
a menstrua
o variam bastante) especialmente arriscado usar o mtodo da "tabelinha" e, por esta raz
o, preconiza-se a n
o
utiliza
o deste mtodo em caso de ciclo irregular. Alm do risco de gravidez, existe tambm o risco de contrair doenas sexualmente
transmissveis.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
188
MED RESUMOS 2011
ELOY, Yuri Leite; NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
D O E N Ç A I N F L A M A T Ó R I A P É L V I C A
( P r o f e s s o r E d u a r d o S é r g i o )
Sabe-se que a realização do exame físico abdominal das mulheres é mais complexa do que nos homem, uma
das causas é justamente a presença de órgãos específicos desse sexo, tais como: útero, tubas uterinas e ovários. Nos
pacientes que são atendidos com dor abdominal inferior aguda (exceção feia ao trauma), independente do sexo, as
principais hipóteses diagnósticas são: apendicite, infecção urinária baixa (cistite), gastroenterite, entre outras. Pensando
nas hipóteses citadas e remetendo-as para uma paciente do sexo feminino, diversas condições fisiológicas podem
interferir no exame e diagnóstico dessa paciente, tais como: gravidez, menstruação, ovulação dolorosa. Dessa forma
quando comparamos pacientes do sexo masculino e feminino, o diagnóstico de apendicite, por exemplo, é mais tardio
em mulheres do que em homens, pois em determinados momentos a própria fisiologia feminina interfere no exame e
diagnóstico.
Além das interferências no exame físico, os exames complementares também podem vir alterados. Na paciente
grávida, por exemplo, sabe-se que existe uma leucocitose fisiológica.
Um exemplo clássico são mulheres grávidas que desenvolvem infecção urinária (afecção comum em tal
condição fisiológica) e desenvolvem dor abdominal baixa, com leucograma mostrando uma leucocitose. Nesses casos,
deve-se pensar na condição da própria gravidez, gerando tais sintomas, entretanto associar a outras co-morbidades
comuns, como a infecção urinária e até mesmo apendicite.
Dessa forma podemos concluir que a morbi-mortalidade dessas afecções é mais comum nas pacientes do sexo
feminino e uma das mais comuns é a d o e n ç a i n f l a m a t ó r i a p é l v i c a .
DEFINIO
A doença inflamatória pélvica (DIP) consiste
em uma disseminação ascendente de
microorganismos da vagina ou da endocérvice para
órgãos genitais superiores e/ou estruturas
adjacentes. Essa infecção geralmente não está
relacionada ao ciclo gravídico-puerperal ou
cirurgias, isto é, as pacientes que desenvolvem a
DIP não estarão grávidas na maioria das vezes.
Usualmente a DIP ocorre quando há
infecção do colo uterino, pois o muco cervical e o
canal endocervical são as maiores barreiras
fisiológicas de proteção bacteriana.
Dessa forma, a ascensão bacteriana
acomete primeiramente o útero gerando uma
endometrite (diferente de endometriose; ver O B S 1 ),
seguindo para as trompas (salpingite).
Anatomicamente, a cavidade abdominal das mulheres se comunica com o meio externo através das trompas de
Falópio, com isso, favorece também o aparecimento de pelviperitonite. Em alguns casos pode formar um abscesso tubo-
ovariano.
O B S 1 : Sabe-se que o útero é formado por uma camada interna chamada de endométrio. O endométrio ainda pode ser
dividido fisiologicamente em endométrio basal, presente na mulher por toda a vida, e o endométrio funcional, tecido que
se prolifera quando recebe o estímulo estrogênico, sendo esta a camada que descama durante a menstruação. Com
isso em crianças, que ainda não houve a maturação do eixo hipotalo-hipofisário-ovariano, a administração de hormônios
(estradiol) induz a menstruação, o mesmo é aplicado às pacientes após a menopausa. Com isso todos os sangramentos
vaginais que ocorrem na infância e em pacientes após a menopausa, são patológicos. Assim quando por algum fator
patológico, o tecido endometrial segue em direção as tubas uterinas ou ovário, como é o caso de menstruação
retrógrada, pode se desenvolver nessas pacientes um quando de endometriose, isto é, presença de tecido endometrial
fora do útero. Já a endometrite consiste simplesmente na inflamação desse tecido. Quando há suspeita de
endometriose, o exame padrão ouro para seu estudo é a videolaparoscopia.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
189
CONSIDERAES GERAIS
A DIP mais frequente em mulheres na idade reprodutiva, sendo a infec
o mais comum em mulheres n
o-
grvidas em pases industrializados. Gera uma destrui
o da endossalpinge com produ
o de exsudato purulento de
colora
o amarelada, que eliminado pela vagina.
De acordo com CDC (Center Disease Control) os fatores que contribuem para a ascens
o bacteriana e
ocorrncia de DIP s
o: instrumenta
o uterina, menstrua
o retrgrada, potencial virulento dos microorganismos.
As mulheres pardas e negras s
o mais acometidas por DIP do que mulheres caucasianas. Entretanto n
o est
associada a condies fisiolgicas e genticas, mas sim a condies sociais, isto , mulheres pardas e negras no Brasil
geralmente tm um baixo nvel scio-econmico e seu acesso a sade restrito.
FATORES DE RISCO
Mulheres no-brancas / jovens (20 a 30 anos) / nulparas (75%):
Baixo nvel scio-econmico
Sexualmente ativas (mltiplos parceiros): principalmente sem o uso de preservativos.
Promiscuidade: atentar para promiscuidade do parceiro, pois muitas pacientes relatam ter tido somente um
parceiro, entretanto, possuem parceiro promiscuo aumentando assim indiretamente as chances da paciente
desenvolver doena inflamatria plvica.
DST prvia ou atual ou risco de DST: os pacientes considerados de risco para a ocorrncia de DST s
o
aqueles que tiveram rela
o sexual sem usode preservativos, pelo menos nos ltimos 15 anos. Isso justifica a
solicita
o de sorologia para HIV nas pacientes grvidas. Isso importante, pois, quando diagnsticado AIDS
nas pacientes grvidas deve-se fazer um controle adequado para evitar a transmiss
o vertical do vrus.
Infeces do trato genital inferior (vulvovaginites, N. gonorrheae): principalmente infeces graves de difcil
controle e tratamento.
Mtodos contraceptivos (DIU e ACH): pacientes que fazem uso de anticoncepcionais orais e DIU se previnem
contra a gravidez, mas n
o contra a ocorrncia de doenas sexualmente transmissveis.
DIP prvia (2 a 3 vezes mais chance) ou cervicite
Manipulao do trato genital
Tabagismo (aumenta o risco em 2 vezes)
ETIOLOGIA
Quanto etiologia da DIP, podemos classific-la em dois grupos de acordo com os tipos de agentes infecciosos.
Assim temos:
Grupo I (patgenos primrios): bactrias pertencentes ao grupo das DST’s. Geralmente s
o esses patgenos
que mais frequentemente ocasionam a doena inflamatria plvica.
N e i s s e r i a g o n o r r h o e a e ;
C h l a m y d i a t r a c h o m a t i s ;
M y c o p l a s m a h o m i n i s ;
U r e a p l a s m a u r e a l y t i c u m ;
Grupo II (patgenos secundrios): bactrias pertencentes flora. Com isso a infec
o por tais agentes ocorre
principalmente quando o indivduo submetido a uma situa
o de imunodeficincia, seja ela adquirida ou
induzida por drogas (corticides e imunossupressores). Entre os principais germes temos:
Aerbios e anaerbios G+ e G−: Bacteriides: P e p t o e s t r e p t o c o c u s ; G a r d e n e r e l l a v a g i n a l l i s ;
E s c h e r i c h i a c o l i ; S t r e p t o c o c u s B - h e m o l í t i c o do grupo A).
Actnomices israeli;
Vrus.
QUADRO CLNICO
O quadro clnico das pacientes portadores de DIP polimrfico, entre as queixas mais comuns associadas a
esse tipo de patologia temos:
Dor plvica, dor anexial (dor a palpa
o dos anexos) e dor mobiliza
o do colo:
Dor abdominal localizada em hipogstrio e fossas ilacas:
Dor de intensidade varivel (exacerba
o/ irradia
o):
Dor no hipocndrio esquerdo: anexite aguda com peri-esplenite
Dor no hipocndrio direito ou subcostal (Sndrome de Fitz-Hugh e Curtis): anexite aguda com perihepatite;
Associa
o entre incio da dor e menstrua
o (durante ou aps):
Sangramento irregular em pequenas quantidades de fluxo:
Corrimento purulento/ odor anormal;
Febre e hiperemia vaginal/calafrios;
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
190
Massa ou tumoração pélvica;
Sintomas Gastrointestinal (náuseas, vômitos, diarréia e constipação);
Dispareunia;
Anexos aumentados de volume e dolorosos;
Abaulamento do fundo de saco.
Diante da variedade de sinais e sintomas estabelecidos pelos livros de ginecologia, era impossível realizar o
diagnóstico ou suspeita dessa patologia com uma vasta variedade de sinais e sintomas. Assim em 1990, Handsfield
estabeleceu os principais achados dos pacientes com DIP, na tentativa de facilitar o diagnóstico clínico. São eles:
Dor abdominal;
Cervicites;
Sangramento anormal;
Odor vaginal anormal;
Dor anexial, uterino ou cervical: detectada com o exame de toque
Dispareunia;
Secreção Pélvica Purulenta;
Sintomas gastrintestinais: náusea, vômitos, diarréia, constipação ou tenesmo
Sintomas urinários: disúria ou polaciúria
ESTADIAMENTO (MONIF, 1990)
O estadiamento proposto por MONIF é de fundamental importância para o tratamento da doença inflamatória
pélvica.
E s t á d i o 0 : infecção ginecológica baixa associada à endometrite.
E s t á d i o 1 : salpingite aguda sem peritonite.
E s t á d i o 2 : salpingite aguda com peritonite.
Infecção Monoetiológica
Infeccão Polimicrobiana
E s t á d i o 3 : salpingite aguda com ooforite:
Oclusão tubária
Complexo (abscesso) tubo-ovariano
E s t á d i o 4 : ruptura do complexo (abscesso) tubo ovariano, com disseminação para toda a cavidade.
De acordo com o estadiamento citada acima, os pacientes que se apresentam com no estadiamento 0 e 1, ou
seja, sem evidências clínicas de peritonite, o tratamento é feito de forma a m b u l a t o r i a l , em contrapartida, pacientes com
peritonite (estádio 2, 3 e 4) devem ser submetidos a tratamento em ambiente h o s p i t a l a r . Pacientes com estádio 4
necessitam de intervenção cirúrgica.
DIAGNSTICO
C L Ì N I C O
Apesar de Handsfield, em 1990, reduzir em mais da metade os sinais e sintomas dos pacientes com DIP, o CDC
em 1998 estabeleceu critérios clínicos baseados nos sinais e sintomas do paciente para estabelecer o diagnóstico. São
esses critérios utilizados atualmente para a conclusão de DIP. Assim temos:
C r i t é r i o s M í n i m o s :
Dor no abdome inferior:
Dor à palpação dos anexos;
Dor à mobilização do colo uterino.
C r i t é r i o s A d i c i o n a i s : são sinais e sintomas que podem estar associados aos critérios mínimos.
Temperatura axilar maior que 37,8°C;
Secreção vaginal ou cervical anormal;
Proteína C reativa ou VHS elevados com comprovação laboratorial de infecção por gonococco ou
clamídia.
D e f i n i t i v o s : quando presentes estabelecem o diagnóstico de DIP.
Evidência histopatológica de endometrite;
Abscesso tubo-ovariano;
Laparoscopia com evidência de DIP: através da laparoscopia visualiza-se inflamação das trompas,
edema, presença de secreção na cavidade.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
191
Geralmente o quadro clássico dos pacientes que se apresentam com DIP são: pacientes c o m h i s t ó r i a d e
a t i v i d a d e s e x u a l d e s p r o t e g i d a , d o r n o a b d o m e i n f e r i o r , p r e s e n ç a d e s e c r e ç ã o v a g i n a l p u r u l e n t a , d o r a o t o q u e ,
p a l p a ç ã o e m o b i l i z a ç ã o d o c o l o u t e r i n o e f e b r e .
E X A M E S C O M P L E M E N T A R E S
H e m o g r a m a : l e u c o c i t o s e
S u m á r i o d e u r i n a : importante para diagnóstico diferencial com infecção urinária, gonorréia.
C o l o r a ç ã o d e G r a m d e s e c r e ç ã o C é r v i c o - v a g i n a l ;
C u l t u r a d e m a t e r i a l d o c o l o u t e r i n o p a r a g o n o c o c o , m i c o p l a s m a e c l a m í d i a ;
I m u n o f l u o r e s c ê n c i a d i r e t a e i n d i r e t a p a r a c l a m í d i a ;
S o r o l o g i a p a r a s í f i l i s / h e p a t i t e / A I D S : nas pacientes que tem atividade sexual sem uso de preservativo.
D o s a g e m d e H C G s e h o u v e r s u s p e i t a d e g r a v i d e z : realizar diagnóstico diferencial com gravidez ectópica.
Geralmente as pacientes com gravidez ectópica se apresentam com dor pélvica, dor a mobilização do colo
uterino e palpação dos anexos associada à ausência de menstruação.
U S G : tem sua importância para afastar ou diagnosticar a gravidez ectópica, além disso, pode visualizar tubas
uterinas cheias de material espesso, sugerindo abscesso, com isso nesses casos realiza-se a punção
(culdocentese) guiada pela USG.
B i ó p s i a d e e n d o m é t r i o ;
C u l d o c e n t e s e : coleta de material para Gram e cultura (aeróbios e anaeróbios);
L a p a r o s c o p i a : padrão ouro; diagnóstico diferencial; coleta de material para cultura; terapêutica.
D I A G N Ó S T I C O D I F E R E N C I A L
Apendicite aguda;
Gravidez ectópica;
Torção e ruptura de cistos ovarianos, torção de mioma;
Infecção do trato urinário (litíase renal).
TRATAMENTO
T R A T A M E N T O A M B U L A T O R I A L ( e s t á d i o s 0 e 1 ) :
Ceftriaxona 250 mg IM dose única + doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 14 dias;*
Cefoxitina 2g IM, dose única + probenicida 1g VO, dose única + Doxiciclina 100 mg VO12/12h por 14 dias;*
Ofloxacina 400mg VO 12/12h por 14 dias + metronidazol 500mg VO 12/12h 14 dias;*
Ofloxacina 400mg VO 12/12h por 14 dias + metronidazol 500mg VO 12/12h 14 dias + Doxiciclina 100 mg VO
12/12h por 14 dias;*
Ampicilina 3,5g VO, dose única + probenicida 1g VO, dose única + Doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 14 dias +
metronidazol 500mg VO 12/12h 14 dias + Doxiciclina 100 mg VO 12/12h por 14 dias
T R A T A M E N T O H O S P I T A L A R ( e s t á d i o s 2 , 3 e 4 ) :
O tratamento hospitalar está indicado para aqueles pacientes com peritonite, tendo assim a necessidade de
internação e administração de drogas por via endovenosa.
Cefoxitina 2g IV 12/12h + doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 dias;*
Gentamicina 80mg 8/8h + clidamicina 600mg 8/8h + doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 dias;*
Ciprofloxacina 200mg IV 12/12h + doxiciclina 100mg VO 12/12h por 14 dias + metronidazol 500mg IV 8/8h;*
Penicilina cristalina 5 milhões UI 4/4h + gentamicina 80mg 8/8h + clidamicina 600mg 8/8h;
Penicilina cristalina 5 milhões UI 4/4h + gentamicina 80mg 8/8h + metronidazol 500mg IV 8/8h;
Penicilina cristalina 5 milhões UI 4/4h + gentamicina 80mg 8/8h + tianfenicol 750mg IV 8/8h.
C R I T É R I O S D E I N T E R N A Ç Ã O
Suspeita de abscesso pélvico ou tubo-ovariano;
Quadro clínico grave com temperatura > 38°C;
Peritonismo ou sepsemia;
Dúvidas quanto o diagnóstico;
Falha do tratamento ambulatorial;
Pacientes sem condições financeiras ou imunossuprimidas.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
192
T R A T A M E N T O C I R Ú R G I C O
I n d i c a ç õ e s .
Falta de resposta ao tratamento clínico;
Massa pélvica que persiste ou aumenta apesar do tratamento;
Suspeita de ruptura de abscesso tubo ovariano;
Evidência de sangramento intraperitoneal;
Abscesso de FSD.
P r o c e d i m e n t o s : tentar realizar os procedimentos menos agressivos possíveis
L a p a r o s c o p i a : a vídeolaparotomia é o tratamento mais indicado para essas pacientes, na impossibilidade pode-
se realizar a laparotomia.
L a p a r o t o m i a :
Drenagem de abscesso;
Salpigectomia (no caso de infecção da tuba uterina com destruição da mesma). Geralmente as
infecções da tuba uterina não regridem facilmente.
Ooforectomia;
Colpotomia posterior: formação de abscesso no fundo de saco posterior.
COMPLICAES
P r e c o c e s :
Peri-hepatite;
Abscesso tubo-ovariano;
Morte.
T a r d i a s :
Infertilidade: complicação mais freqüente, a cada episódio a percentagem dobra.
Gestação ectópica: aumenta o risco com o número de episódios.
Dor pélvica crônica (17%): devido as cicatrizes da infecção.
DIP recorrente (25%).
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
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MED RESUMOS 2011
ELOY, Yuri Leite; NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
S Í N D R O M E D O S O V Á R I O S P O L I C Í S T I C O S
( P r o f e s s o r a R i e v a n i d e S o u z a D a m i ã o )
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) foi descrita pela primeira vez em 1935
por Stein Leventhal, com relato de sete casos de amenorréia, hirsutismo, infertilidade e
obesidade, em pacientes que apresentavam ovários policísticos. Isto é importante, pois
somente as alterações estruturais nos ovários não podem caracterizar a síndrome, o
mesmo está aplicado para os sinais e sintomas. Com isso conclui-se que os sinais e
sintomas devem sempre estar acompanhados de micropolicístos ovarianos para
caracterização da síndrome.
CONCEITO
Atualmente de acordo com o consenso de Rotterdam de 2003 sobre SOP,
conceituou a síndrome da seguinte forma: paciente que apresenta oligoanovulação ou
anovulação, oligomenorréia ou amenorréia, com sinais e sintomas de hiperandrogenismo
clínico ou bioquímico (desde que as outras causas sejam descartadas) e ovários
policísticos. Com isso, pacientes que possuem pelo menos dois critérios citados acima,
são portadores da síndrome dos ovários policísticos.
Entre as principais patologias que devem fazer diagnóstico diferencial com o hiperandrogenismo da SOP são:
Hiperplasia Adrenal Congênita
Tumores produtores de Androgênio
o Adrenal
o Ovários
Hirsutismo Idiopático
Síndrome de Cushing: caracterizado pelo estímulo da adrenal pelo ACTH, produzindo assim uma quantidade
elevada de corticóides e androgênios.
Disfunção da tireóide
Obesidade: leva ao aumento periférico do estrogênio, interferindo no eixo hipotálamo-hipofisário-ovariano.
Prolactinoma
Medicações
o Androgênios
o Corticóides
o Ácido Valproíco
EPIDEMIOLOGIA
A SOP está presente em cerca de 6 a 10% das mulheres em idade reprodutiva, 75% nas pacientes com
infertilidade anovulatória e corresponde a 70 a 80% dos casos de hiperandrogenismo.
É descrita como uma desordem de origem multigênica, ou seja, de herança genética, onde diversas alterações
têm sido propostas para o desenvolvimento dessa síndrome entre elas estão: mutações nos genes que codificam a
função do eixo hipotálamo-hipofisário-ovariano, biossíntese dos androgênios e da resistência a insulina.
FISIOPATOLOGIA
Para a explicação da SOP foram propostas cinco teorias principais:
T e o r i a G e n é t i c a : explicado pela grande freqüência das irmãs e mães portadoras de síndrome dos ovários
policísticos.
A l t e r a ç ã o n a s e c r e ç ã o d e i n s u l i n a : cursa com um quadro de hiperinsulinemia e resistência periférica a
insulina, gerando nesses pacientes distúrbios endócrino-metabólicos.
A l t e r a ç ã o p r i m á r i a n e u r o e n d ó c r i n a : justificado pelo aumento da freqüência e pulso do hormônio LH, hormônio
responsável pela produção de androgênios em nível ovariano.
A l t e r a ç ã o n a s í n t e s e d o s e s t e r ó i d e s : ocorre tanto em nível ovariano como adrenal, levando ao aumento dos
androgênios secretados por esses órgãos.
H I P E R I N S U L I N E M I A E R E S I S T Ê N C I A A I N S U L I N A ( R I )
Acredita-se que a ocorrência de hiperinsulinemia e RI está associada a fatores genéticos que predispõe a
paciente a uma maior produção pancreática de insulina com consequente resistência da mesma.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
194
É sabido que a insulina atua nos seus receptores simples, nos receptores IGF-1 e receptores híbridos. Com isso
a insulina aumentada no plasma sanguíneo, além de atuar nos seus próprios receptores, atua em outros que contém as
subunidades alfa e beta dos receptores da insulina e IGF-1. Essa sobreposição da ação da insulina é responsável por
gerar quadros endócrino-metabólicos na SOP.
Esse aumento sérico da insulina vai levar à estimulação dos ovários a produção de hormônios androgênicos
(hormônios sexuais masculinos). Sabe-se, fisiologicamente, que as gonadotrofinas (LH e FSH) secretadas pela hipófise
anterior têm como função estimular os ovários a secretar os hormônios estrogênio, progesterona e androgênios. A
elevação da insulina por sua vez, leva ao aumento principalmente de andrógenos. Além disso, aumentam os receptores
de crescimento insulina like pelo fígado (IGF-1 e IGF-2) que levam a uma atuação maior da insulina nos ovários na
produção de androgênios.
A insulina juntamente com os fatores de crescimento atua aumentando a atividade a 17-hidroxilase, que leva ao
aumento dos androgênios, e dos seus precursores, como 17-OH-progesterona.
Outro efeito importante da insulina é a redução das proteínas carreadoras dos hormônios sexuais, SBHG. Essa
redução ocasiona um aumento da testosterona livre havendo uma maior ação nos ovários, conseqüentemente
aumentando os níveis de androgênios e estradiol.
A L T E R A Ç Ã O D O S I S T E M A N E U R O E N D Ó C R I N O
Como foi visto anteriormente, as alterações neuroendócrinas primárias são caracterizadas por um aumento nafreqüência e pulso do hormônio LH. Com isso pode-se dizer que na SOP ocorre uma inversão, ou seja, nas mulheres
normais há uma maior predominância do FSH em relação ao LH, já na SOP o LH encontra-se 3 vezes mais elevado que
o FSH ( v e r O B S 1 ) .
Essa elevação do LH vai estimular a síntese dos hormônios esteróides pela teca interna dos ovários. Além disso,
as células ovarianas das mulheres portadoras de SOP são mais eficientes em converter precursores de androgênios em
testosterona do que mulheres normais. Esse efeito pode ser explicado pelo aumento das enzimas P450C-17 (17-
hidroxilase e 17-20-liase), que leva ao aumento dos androgênios pela produção ovariana e adrenal.
As alterações neuroendócrinas da atividade adrenal também levam ao aumento dos androgênios, sendo
encontrado em 25% dos casos de mulheres com SOP. Essa atividade adrenal também encontra-se aumentada devido a
presença da enzima P450C-17.
O B S 1 : É importante salientar que o aumento da freqüência e pulso de LH em relação ao FSH, não significa dizer que o
FSH está suprimido, muito pelo contrário, seus valores séricos encontram-se aumentados quando comparados com
mulheres normais, entretanto, o que realmente ocorre é uma predominância maior do LH em relação aos valores séricos
de FSH, caracterizado pelas alterações do sistema neuroendócrino, como foi explicado.
MANIFESTAES CLNICAS
Devido ao quadro de anovulação crônica (incapacidade de concluir o ciclo ovariano) essas pacientes podem vir a
desenvolver um processo de atresia e luteinização, tornando o estroma ovariano cada vez mais responsivo ao LH. Isso
vai determinar na paciente as seguintes alterações:
I r r e g u l a r i d a d e M e n s t r u a l :
o Ciclos anovulatórios
o Oligo-espanomenorréia
o Amenorréia
o Hipermenorragia: estão presentes em pelo menos 25% dos
casos de SOP.
I n f e r t i l i d a d e : consiste em queixa importante, está associada à
presença de anovulação crônica.
H i r s u t i s m o : aumento de pêlos terminais em áreas de distribuição
masculina, geralmente na região do queixo, região abdominal,
nádegas, braços e face interna das coxas. Ocorre uma mudança na
distribuição de pêlos da região inguinal tornando-se irregular. A
testosterona vai atuar na pele, mais especificamente nos folículos
pilosos, onde possui a enzima 5-alfa-redutase, que cliva a
testosterona em diidrotestosterona, hormônio ativo que vai promover o
aumento de pêlos, acne e seborréia.
O b e s i d a d e ( I M C > 3 0 ) : as pacientes com SOP na maioria das vezes
são portadoras de síndrome metabólica, e uma das condições clínicas
que justificam a síndrome é a obesidade. Importante salientar que a
obesidade nesses casos ocorre de forma central e não na forma de
pêra como em mulheres normais. É encontrado em 50% dos casos.
A c a n t o s e N i g r i c a n s : é caracterizado por uma hiperpigmentação e
hiperacantose na região das dobras cutâneas. Tem sua importância
por servir de sinal clínico de ocorrência de resistência a insulina.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
195
M A N I F E S T A Ç Õ E S T A R D I A S
Intolerância a glicose / Diabetes tipo II: geralmente os pacientes com SOP clássica essas manifestações já
ocorrem próxima menarca, entretanto o quadro de hiperinsulinemia e resistência a insulina se desenvolvem mais
tardiamente. Entretanto as pacientes que permanecem obesas podem desenvolver um quadro de RI e
hiperinsulinemia devido a obesidade central e não a SOP.
Doença Cardiovascular: hipertensão arterial
Hipercolesterolemia e hipertrigliceridemia
Infertilidade
Aborto
Hiperplasia do endométrio: que atualmente já é considerada uma lesão pré-neoplásica, favorecendo assim ao
câncer do Endométrio. Entretanto os cânceres de mama e de ovário são estrogênios dependentes, e podem
ocorrer com uma maior frequência nessas pacientes.
DIAGNSTICO
Por ser tratar de uma síndrome, ou seja, conjunto de sinais e sintomas, a própria clínica das mulheres portadoras
da síndrome de ovário policístico contribui para a suspeita diagnóstica. Entretanto a solicitação de exames
complementares é pertinente para sua confirmação e realização do diagnóstico diferencial. Entre os principais exames
complementares a serem solicitados são: (1) USG para avaliação morfológica dos ovários, ou seja, visualização dos
cistos ovarianos, (2) dosagens hormonais dos androgênios, (3) outros exames para realização do diagnóstico diferencial.
U L T R A S O N O G R A F I A ( U S G )
Na USG os ovários normais apresentam um formato triangular, encontrando pequenos cistos em diferentes
fases de resolução. Os ovários de mulheres com a SOP podem ser de 2 a 5 vezes maiores, tendo folículos dispersos em
seu parênquima, ou circunjacente a periferia do ovário. Além disso, os ovários se apresentam hiperecogênicos no
estroma. A USG mais solicitado é abdomino-pélvica.
A V A L I A Ç Â O D A S Í N D R O M E M E T A B Ó L I C A E R I
Para a detecção das alterações endócrino-metabólicas das pacientes com SOP, faz-se a relação entre a glicose
de jejum e insulina de jejum. Caso esteja menor que 4,5 é feito o diagnóstico de resistência a insulina.
No teste de tolerância a glicose caso os valores estejam entre 140 e 199mg/dl, é dado o diagnóstico de
intolerância a glicose, quando superiores a 200 mg/dl já considerado um paciente diabético.
Na avaliação da síndrome metabólica pelo menos três dos critérios a seguir devem estar presentes:
o Glicemia de jejum entre 110 e 125mg/dl
o TOTG 75 2 horas: 140 a 199mg/dl
o Triglicerídeos: maior que 150mg/dl
o Colesterol HDL: menor que 50mg/dl
o Pressão Arterial: maior que 130 / 85 mmHg
o Cintura feminina: maior que 88,90
Nos pacientes que se encontram com síndrome metabólica pode-se iniciar o tratamento com os hipoglicemiantes
orais. E avaliar a necessidade de Fibratos para triglicerídeos e Estatinas para colesterol.
A V A L I A Ç Ã O H O R M O N A L
Para a avaliação do hiperandrogenismo bioquímico, pode ser feito a dosagem dos hormônios FSH e LH, onde
observa-se uma inversão dos seus valores, ou seja, grandes valores de LH no plasma sanguíneo em relação ao FSH.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
196
Além disso, a testosterona total, livre e androstenediona estarão elevadas, principalmente devido à secreção aumentada
dos ovários. Esses hormônios são pedidos principalmente para o diagnóstico diferencial com as síndromes
hiperandrogenéticas.
Os hormônios SDHEA (sulfato de dehidroepiandrosterona) e 17-alfa-OH-progesterona só estarão com seus
níveis séricos elevados nos casos de hiperandrogenismo adrenal, sendo utilizados para realização do diagnóstico
diferencial.
Além disso, é pertinente a avaliação dos hormônios tireoideanos (T4 e TSH livre), pois como se sabe, os
distúrbios dessa glândula podem levar a um quadro de anovulação crônica.
A prolactina também é dosada, pois altera a produção de hormônios esteróides em nível adrenal e ovariano,
promovendo uma maior secreção de androgênios.
TRATAMENTO
O tratamento dessas pacientes tem com objetivo principal aliviar os sinais e sintomas, corrigir a infertilidade e
ainda prevenção das complicações em longo prazo.
T R A T A M E N T O D O S S I N T O M A S
Para o combate dos sintomas deve-se primeiramente adotar medidas gerais que envolvam a redução de peso,
orientar sobre a prática de exercícios físicos, evitando o desenvolvimento de síndrome metabólica, aumento da
resistência a insulina. Além disso, deve ser feito um tratamento cosmético para a retirada da acne, depilação a laser.
T R A T A M E N T O E S P E C Í F I C O
Os contraceptivos orais são os medicamentos mais utilizados, pois bloqueiam o eixo HHO (hipotamo-hipofisário-
ovarinao) e o hiperestímulo ovariano pelo LH. O esquema terapêutico mais utilizado é Etinilestradiol 35mg associadoa
acetato de Ciproterona (progesterona com maior efeito antiandrogênico). A progesterona também pode ser utilizada nos
casos mais leves, especialmente no início da menarca.
Nos casos de hirsutismo acentuado pode-se utilizar a Espironolactona que é antiandrogênio que compete com
os receptores de androgênios e inibe a 5-alfa-redutase. Ainda pode ser utilizado anticoncepcionais orais (Ciproterona
2mg e Etinilestradiol 35mg) associado com Acetato de Ciproterona 50 mg do 5º ao 14º dia do ciclo menstrual.
Nos casos de hirsutismo com alopecia, podemos usar a Finasterida, que atua bloqueando a ação da 5-alfa-
redutase (50g/dia).
A Flutamida é um antiandrogênio puro que leva ao bloqueio total do receptor, tem como efeito colateral principal
o desenvolvimento de hepatite medicamentosa, por isso não é mais uma droga utilizada no tratamento do hirsutismo.
H I P E R I N S U L I N E M I A
Para a sensibilização da insulina nos tecidos periféricos a melhor droga é a Metformina. Ela promove uma
redução hepática de glicose, além da redução da lipólise e redução da síntese de VLDL hepática. As doses mais
utilizadas são 1500 a 2550 mg/dia.
T R A T A M E N T O D A I N F E R T I L I D A D E
O tratamento é feito com a indução da ovulação, para isso a droga mais utilizada é o Citrato de Clomifeno nas
doses de 50 a 100mg/dia do 5º ao 9º dia do ciclo.
T R A T A M E N T O C I R Ú R G I C O
O primeiro procedimento cirúrgico para as pacientes portadoras da SOP foi à ressecção em cunha dos ovários a
Cx Thaller. Entretanto não tem sido mais realizada devido ao processo aderencial pós-cirúrgico. Atualmente a técnica
mais utilizada é a cauterização a laser por videolaparoscopia.
Lembrando que o tratamento cirúrgico só é realizado quando a paciente não foi responsiva a nenhum tratamento
clínico estabelecido anteriormente.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
197
MED RESUMOS 2011
ELOY, Yuri Leite; NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
E N D O M E T R I O S E
( P r o f e s s o r a R i e v a n i d e S o u z a D a m i ã o )
Endometriose é uma afecção que ocorre nas mulheres em idade reprodutiva, que gera uma série de transtornos
cujos principais são dor pélvica e infertilidade. É uma doença estrogênio dependente, por isso tende a desaparecer após
cessar a função reprodutiva, ou seja, após a menopausa.
CONCEITO
A endometriose atualmente é caracterizada pela presença de tecido endometrial ectópico que apresente um
epitélio glandular e/ou estromal. Essas células que se implantaram em outro tecido são ativas, já que possuem
receptores para o estrogênio, e dessa forma, se proliferam. Essa proliferação e crescimento do tecido endometrial
ectópico vão levar a uma distensão das estruturas adjacentes produzindo como principais manifestações clínicas, dor
pélvica e infertilidade.
Antigamente para se estabelecer o diagnóstico de endometriose era necessário identificar a presença de
glândulas no tecido endometrial. Atualmente, a presença do estroma caracteriza uma endometriose.
EPIDEMIOLOGIA
A endometriose está presente em cerca de 30 a 40% das mulheres inférteis. Se desenvolvem principalmente em
mulheres no período reprodutivo, sendo estrogênio dependente, por isso regredindo após a menopausa. Foi
comprovado que algumas pacientes portadoras de endometriose podem apresentar associada à doença mal-formações
uterinas. Mais comum em mulheres nulíparas. Possui uma tendência familiar mostrando assim o caráter genético da
doença.
ETIOLOGIA
De uma forma geral, acredita-se que a endometriose esteja associada a fatores genéticos, poligênica, sugerido
por sofrer influência de fatores próprios de susceptibilidade (por estar presente em vários membros de uma mesma
família) e ambientais.
Além disso, existe o componente inflamatório e imunológico, justificado pelo fato do sistema auto-imune ser
incapaz de eliminar as celulas endometriais que estão presentes na cavidade abdominal. Essa resposta imune está
associada a proliferação de macrófagos, com secreção de protaglandinas, fibronectina e laminina. Além disso, vai haver
uma secreção de interleucina e fator de crescimento de macrófagos. Dessa forma acredita-se que a ocorrência de
endometriose esteja associada ineficiência dessa resposta imune em relação as celulas endometriais.
Várias teorias foram propostas para explicar a ocorrência das diversas localizações de endometriose, entretanto
três são mais importantes e estão descritas abaixo.
T E O R I A C A N A L I C U L A R
Também chamada da menstruação retrógrada, ou ainda, a teoria do transplante que foi proposta em 1927. Essa
teoria foi proposta para explicação da endometriose pélvica, uma vez que as celulas endometriais podem ser
encontradas em qualquer região do corpo, entretanto estão mais presentes na região pélvica. Essa teoria afirma que a
endometriose ocorre devido a um fluxo retrógrado do conteúdo menstruado. Com isso as células provenientes desse
refluxo ganham os óstios tubários, e então a cavidade pélvica, onde se implantam. Como foi dito anteriormente essas
celulas endometriais se proliferam, ocorrendo espessamento e descamação.
Estudos demonstraram que cerca de 90% das mulheres possuem um pequeno conteúdo retrógrado da
menstruação, entretanto uma pequena faixa vai desenvolver endometriose. Acredita-se que ocorra devido a um fator
genético que predispõe essas mulheres a uma deficiência imunológica (deficiência de linfócitos NK). Essa deficiência,
prejudica o clearence ou limpeza das celulas endometriais na cavidade pélvica pelo sistema imune, manifestando a
doença.
T E O R I A M E T A P L Á S I C A
Foi uma teoria proposta para explicação dos casos de endometriose que estão localizadas em outras regiões,
que não a cavidade pélvica, e ainda, a endometriose isolada do ovário que se manifesta sem a presença de celulas
endometriais na cavidade pélvica.
A teoria metaplásica propõe que o epitélio celômico que reveste todo o peritônio, em determinado momento pode
sofrer um processo metaplásico, ou seja, o epitélio peritoneal é transformado em endometrial. Essa mudança acredita-se
estar associada a processos hormonais locais. Essa teoria é utilizada para explicar a presença de endometriose isolada
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
198
no ovário e retovaginal. Esse tecido que sofre metaplasia também está presente no peritônio que reveste o ovário,
justificando os casos de endometriose isolada ovariana.
Essa teoria também explica os relatos na literatura de endometriose no sexo masculino, uma vez que não
apresentam fluxo menstrual.
T E O R I A M E T A S T Á T I C A
Teoria proposta para explicar a presença de tecido endometrial em outras áreas distantes da pelve. Com isso
acredita-se que células endometriais possam transpassar para a circulação linfática e venosa, e com isso se implantar
em diversos outros tecidos, que não estejam na cavidade pélvica. Entre os locais mais comuns de implantação temos os
pulmões, nariz, encéfalo, olhos, etc.
LOCALIZAES
A localização mais comum de implantação de
células endometriais é na região pélvica. Assim a
endometriose pode se manifestar no próprio miométrio,
ovários, fundo de saco posterior, região do ceco, retovaginal,
apêndice, bexiga, parede abdominal principalmente nos
casos pós-cirúrgico, vagina, vulva.
Entretanto, destas, a localização mais comum é no
ovário e região peritoneal útero-sacro que corresponde ao
ligamento que fixa o útero ao sacro.
Assim, de acordo com a localização a paciente pode
a vir a desenvolver sinais e sintomas específicos, como por
exemplo, mulheres com endometriose na região retal podem
vir a desenvolver tenesmo, constipação, dor a evacuação
etc. Caso esteja localizado na bexiga pode vir acompanhada
de sinais de irritação vesical, cistite, disúria, polaciúria. Já
nos casosde endometriose na cavidade pélvica a principal
queixa da paciente é dor pélvica, dispareunia (dor do tipo
profunda, que está mais relacionada com a endometriose),
dismenorréia progressiva.
As endometrioses que ocorrem, por exemplo, no
tecido pulmonar, pode vir a desenvolver hemoptise, pois
como foi visto o tecido endometrial é ativo, proliferando-se e
ocorrendo sangramentos. Caso acometa os olhos a
pacientes pode desenvolver hemorragias conjuntivais.
O B S 1 : A infertilidade que ocorre nos casos de endometriose está associada a um processo de ovulação deficiente, com
óvulos mal formados, principalmente quando a endometriose acomete os ovários. Além disso, podem ocorrer aderências
tubo-ovarianas impedindo a captação dos espermatozóides e o processo inflamatório que é extremamente lesivo para o
mecanismo de fecundação. E por último, o endométrio uterino apresenta uma incapacidade de implantar o óvulo
fecundado.
LESES CARACTERSTICAS
O diagnóstico de endometriose não está somente baseado na clínica relatada pelo paciente, mas
fundamentalmente é importante ter o conhecimento das lesões características dessa doença por v í d e o l a p a r o s c o p i a ,
para estabelecer o diagnóstico concreto. Entretanto, mesmo sem ter conhecimento das lesões características da
endometriose pode ser dado o diagnóstico, devido à presença de lesões típicas e atípicas. Além disso, a realização de
biópsia na lesão típica pode não apresentar células glandulares e estromais.
E n d o m e t r i o m a s : são as lesões mais comuns da endometriose, em que há presença de cistos ovarianos com
conteúdo de coloração e consistência semelhante a chocolate. Com isso durante procedimentos cirúrgicos
(laparoscópica ou aberta) a detecção de cistos que em seu interior apresentam tal aspecto, já pode ser dado o
diagnóstico, sem necessidade de realizar um exame anatomo-patológico (embora deva ser realizado, por ser um
exame obrigatório).
P o n t o s o u n ó d u l o s e s c u r o s e a v e r m e l h a d o s : são achados mais comuns na endometriose peritoneal,
podendo também se apresentar na forma de nódulos azulados e amarronzados. Apesar disso, também pode
estar presente em outras regiões.
L e s õ e s e s b r a n q u i ç a d a s e f i b r ó t i c a s : são consideradas lesões atípicas, pois esse tecido ectópico se apresenta
inativo e cicatrizado. Representa lesões antigas, em que na biópsia, não vai identificar a presença de glândulas
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
199
e/ou estroma. Entretanto, deve-se atentar para esse tipo de leses atpicas, que, quando presentes,
estabelecem o diagnstico.
OBS2: As leses avermelhadas visualizadas na videolaparoscopia s
o consideradas ativas com receptores ativos de
estrognio, j as azuis, marrons e pretas representam forma mais antiga da doena e embora n
o estejam totalmente
ativa ainda causam danos fsicos mucosa adjacente. As leses claras, adernciais e petquias s
o consideradas
leses atpicas. Consideram-se as leses mais tpicas de endometriose aquelas que se apresentam em uma colora
o
roxa e amarronzada. comum na realiza
o da videolaparoscopia encontrarmos leses em vrios estgios evolutivos,
em um mesmo rg
o ou regi
o.
OBS3: A evolu
o da endometriose nem sempre ocorre de forma normal, ou seja, forma ativa, forma amarronzada tpica
e por fim cicatricial. Muitas pacientes podem permanecer longos perodos na forma ativa manifestando sinais e sintomas,
e j outras quando apresentam a forma ativa desencadeia uma rea
o inflamatria que pode ser capaz de eliminar as
celulas ectpicas do endomtrio.
OBS4: As leses da endometriose seguem o ciclo menstrual, principalmente as formas ativas que possuem receptores
para o estrognio, com isso nos picos desse hormnio as leses v
o se apresentar mais caractersticas.
CLASSIFICAO
A endometriose possui diversas classificaes, entretanto a mais aceita e utilizada da Sociedade Americana de
Reprodu
o de 1996. Ela avalia quanto ao estgio evolutivo, prognstico, intensidade de dor plvica e ainda infertilidade,
localiza
o dos focos no peritnio, leses superficiais ou profundas, extens
o e quantidade de aderncias. Essa
classifica
o obtida com a realiza
o da videolaparoscopia.
Entretanto quando se compara o grau da endometriose e repercusses clnicas, nenhuma das classificaes
inclusive a da sociedade americana adequada. Isso ocorre, pois mulheres que j tiveram filhos podem desenvolver
endometriose estgio I, e n
o manifestar nenhum sintoma e ainda preservar sua fertilidade, como j foi estudado em
mulheres com endometriose ativa que tiveram filhos. Em contrapartida mulheres jovens com endometriose mnima
(estgio I), podem ter sintomas intensos e evoluir com infertilidade. Devido a essas variaes as classificaes propostas
para a endometriose nem sempre s
o t
o fidedignas.
Apesar disso de acordo com “A m e r i c a n S o c i e t y f o r R e p r o d u t i v e M e d i c i n e ” de 1996 temos:
o Estgio I (mnima 1-5 mm)
o Estgio II (leve 6-15 mm)
o Estgio III (moderada 16 – 40 mm)
o Estgio IV (grave > 41 mm)
Outras classificaes s
o propostas, entretanto s
o utilizadas para fins especficos como para realiza
o do
tratamento cirrgico. Outras classificam a endometriose em superficial e profunda. considerada profunda quando a
les
o endometrial ultrapassar cerca de 5 mm da membrana peritoneal, podendo ser no ovrio, tero, fundo de saco,
bexiga ou qualquer outra regi
o revestida por peritneo. Assim podemos concluir que quando a comprometimento de
rg
os plvicos, a endometriose j pode ser classificada como profunda, devido ao comprometimento direto do rg
o.
DIAGNSTICO
MANIFESTAES CLNICAS
As manifestaes clnicas mais importantes para o diagnstico s
o:
Dor plvica crnica: Consiste em sinal importante para o diagnstico dos pacientes com suspeita de
endometriose.
Dismenorria secundria e progressiva: consiste em dor ou dificuldade de menstrua
o, comumente descrita
como clica menstrual. Pode se apresentar precocemente. A dismenorria primria aquela que ocorre
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
200
fisiologicamente, sem que haja necessariamente uma doença de base para o seu aparecimento. Já a secundária
existe algum fator anatômico que a determina.
D i s p a r e u n i a : principalmente profunda
D o r a g u d a : ocorre quando há uma ruptura de um endometrioma com extravasamento de sangue para a
cavidade endometrial.
I n f e r t i l i d a d e
S a n g r a m e n t o U t e r i n o A n o r m a l
S i n t o m a s U r i n á r i o s e D i g e s t i v o s : se manifestam devido à presença de lesões endometriais nesses órgãos,
interferindo assim, na fisiologia normal dos mesmos.
O B S 4 : Apesar de ser rico em sintomas nem sempre a intensidade se correlaciona com a gravidade da doença.
E X A M E F Í S I C O
O exame físico das pacientes com endometriose é muito variável, podendo se apresentar normal ou com poucos
achados, ou ainda ricos em sinais que sugerem a doença.
Assim pode-se perceber a presença de massa abdominal na região de fossa ilíaca, dolorosa a palpação,
suspeitando-se de nódulo de endometriose. No exame ginecológico o nódulo pode estar presente na cicatriz da
episiotomia ou cesariana. A lesão se apresenta nodular avermelhada que sangra e dói principalmente durante a
menstruação.
Nas pacientes que possuem endometriose profunda, em saco posterior, que invade o fórnice da vagina e cúpula
vaginal, pode-se encontrar através do exame especular nódulos arroxeados e avermelhados.
Quando a paciente apresenta endometriomas geralmente podem-se perceber massas anexas ao exame de
toque.
O útero geralmente é um órgão móvel, embora seja sustentado por diversos ligamentos específicos. Quando se
apresentafixo pode indicar fibrose e cicatrização de uma lesão endometrial.
E X A M E S C O M P L E M E N T A R E S
U l t r a s o n o g r a f i a P é l v i c a e T r a n s v a g i n a l
É um exame de fácil realização, barato, fácil acesso, que permite a visualização de cistos ovarianos, aderências,
massas pélvicas. Deve-se ser realizada durante a primeira fase do ciclo para não ser confundida com o corpo lúteo.
Quando utilizado, o Doppler mostra baixo fluxo. Além disso, existe um tipo específico de USG, a ultrasonografia
endovaginal com preparo de alça intestinal, que avalia a endometriose profunda e comprometimento intestinal.
Na imagem os cistos podem se apresentar bilobular ou unilobular, hipoecogênicos, com pontos hiperecogênicos
em seu interior (pontos esbranquiçados).
M a r c a d o r e s C A - 1 2 5
É um marcador bioquímico que está presente no epitélio celomático. Apresenta-se elevado quando ocorrem
lesões nesse epitélio, com isso pode estar presente em qualquer outra região do corpo ou outra doença que gere uma
destruição ou lesão desse epitélio. Por isso nos pacientes com endometriose seus níveis encontram-se elevados no
sangue.
Não é importante para a realização do diagnóstico, mas sim para o acompanhamento da endometriose
avançada. Quando dosado na fase folicular, os valores acima de 100 indicam endometriose profunda.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
201
T C e R N M
S
o exames que tem sua excelncia para avalia
o de endometriose profunda. Podem ser teis para a detec
o
de massas plvicas, retroperitoneais e de septo retovaginal. A RM tem uma acurcia de 63%, baixa sensibilidade.
V í d e o l a p a r o s c o p i a .
o exame padr
o ouro para o diagnstico, e, alm disso, permite a realiza
o de procedimentos teraputicos
eficazes para a erradica
o da doena.
TRATAMENTO
Para o tratamento da endometriose, deve-se levar em considera
o a idade da paciente, intensidade dos
sintomas, extens
o, desejo de engravidar, concorrncia com outros sintomas e condies scio-econmicas.
V Í D E O L A P A R O S C O P I A
Alm de ser o exame padr
o ouro para o diagnstico permite a realiza
o de procedimentos teraputicos tais
como: cauterizar ou remover focos, promover a exerese de endometriomas e lise de aderncias. Atualmente
considerado o tratamento mais eficaz e eficiente, e por isso o melhor.
T R A T A M E N T O C L Í N I C O
E s t á g i o s I e I I .
Nos casos de endometriose mnima e leve podem-se utilizar substncias expectantes, antiinflamatrios para os
casos de dor plvica, anticoncepcionais hormonais, combinado cclico ou contnuo. Atualmente tem-se uma preferncia
maior pelo contnuo para evitar fluxo menstrual retrgrado. Nesse ltimo a inten
o do tratamento promover um
bloqueio do eixo hipotlamo-hipofisrio-ovariano, com isso, reduzindo as concentraes de estrognio, e dessa forma
n
o proliferando o tecido ectpico. E por ltimo ainda temos o acetato de medroxiprogesterona, podendo ser
administrado por via oral ou contnua (via parenteral - intramuscular).
Outra op
o atualmente consiste na presena do DIU com libera
o contnua de progesterona, comercialmente
Mirena. Foi comprovada sua excelncia para aquelas pacientes com dor plvica.
E s t á g i o s I I I e I V .
O tratamento feito com anti-hormonais mais potentes, entre os principais temos:
G e s t r i n o m a : um anlogo da progesterona, entretanto apresenta muitos efeitos colaterais, principalmente em
rela
o ao aumento de peso. O esquema teraputico mais utilizado 1 comprimido 2,5mg 3 vezes por semana e
depois reduzir para duas vezes na semana.
D a m a z o l : possuem muitos efeitos colaterais andrognicos, pois s
o derivados da norprogestase que se
assemelham ao esterides andrognicos.
A n á l o g o s d a G n R H : no incio tem um efeito estimulante entretanto, aps um tempo leva a uma supress
o da
hipfise, com redu
o das gonadotrofinas, causando um efeito potente na supress
o da endometriose. Sendo
este o medicamento mais potente para o tratamento clnico.
I n i b i d o r e s d a A r o m a t a s e
E f e i t o s C o l a t e r a i s
Os efeitos colaterais dos anticoncepcionais s
o poucos, entretanto podem ocasionar hipertens
o e fenmenos
trombticos. O acetato de medroxiprogesterona pode ocasionar reten
o hdrica, cefalia. A gestrinoma pode levar ao
aumento de peso e aumento das caractersticas sexuais masculinas (masculiniza
o – mudana do timbre de voz).
Os anlogos da GnRH s
o os medicamentos mais potentes, entretanto causam efeitos colaterais semelhante a
menopausa, pois gera uma supress
o profunda da hipfise. Com isso a paciente pode evoluir com fogachos, perda de
libido, secura vaginal, sudorese. Seu uso acima de 6 meses pode gerar osteoporose.
L i m i t e s d a H o r m o n i o t e r a p i a
Nem sempre apresenta uma boa resposta aos receptores do tecido endometrial ectpico.
Presena de aderncias
85% das pacientes no estgio I e II melhoram com o tratamento clnico. Entretanto nos casos mais avanados,
estgio III e IV, os anticoncepcionais n
o s
o eficazes.
Tem uma recorrncia de 5 a 20% ao ano, quando tratado somente com hormonioterapia.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
202
E N D O M E T R I O S E E I N F E R T I L I D A D E
E s t á g i o I e I I .
Realiza-se a vídeolaparoscopia com cauterização dos focos. Caso a paciente apresente tubas uterinas pérvias, a
infertilidade pode ser tratada com inseminação artificial.
E s t á g i o I I I e I V .
Ressecção vídeolaparoscópica das lesões profundas e realização da fertilização i n v i t r o .
T R A T A M E N T O C I R Ú R G I C O
A laparotomia é o procedimento de escolha para os casos de endometriose avançada, principalmente quando a
tentativa de ressecção vídeolaparoscópica não foi eficaz, ou seja, quando a pelve é inacessível ao laparoscópio por
obstrução, por exemplo. É utilizada quando se visa à realização de cirurgias mais radicais (histerectomia total abdominal
com salpingooforectomia bilateral).
O B J E T I V O S D O T R A T A M E N T O
Tratar a dismenorréia
Estimular a gravidez
Deve-se fazer a profilaxia com uso de anticoncepcionais orais cíclicos ou contínuos após a realização da
vídeolaparoscopia.
Devemos evitar a realização de cirurgias no período pré e pós-menstrual.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
203
MED RESUMOS 2011
ELOY, Yuri Leite; NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
H E M O R R A G I A U T E R I N A D I S F U N C I O N A L ( H U D )
( P r o f e s s o r A n t ô n i o H e n r i q u e s )
O sangramento uterino disfuncional é toda perda sanguínea anormal de origem uterina, na ausência de alteração
orgânica do trato genital ou gestação. Sendo assim seu diagnóstico se faz por exclusão. Deve-se, em geral, a distúrbios
na interrelação do eixo hipotálamo-hipófise-ovário com o endométrio.
É importante seu estudo por ter elevada frequência. Estima-se que responda por 1/3 das causas de
sangramentos do endométrio. Pode manifestar-se por alterações nos intervalos entre os fluxos menstruais. Também
constituem sangramentos disfuncionais as perdas que ocorrem no período ovulatório e a parada abrupta da
menstruação denominada de menostase.
INTRODUO
Como foi dito anteriormente o diagnóstico de HUD é de exclusão, ou seja, devem ser investigadas as principais
causas de hemorragia uterina, para só então estabelecer o diagnóstico de HUD.
O principal diagnóstico diferencial da HUD é com o sangramento uterino anormal (SUA). O sangramento uterino
anormal consiste em um sangramento aumentado em que não se sabe a causa, podendo ter origem orgânica ou não. As
principais causas de SUA é gravidez e suas complicações, aborto, placenta de implantação baixa, miomatose uterina,hiperplasia de endométrio, pólipos endometriais, câncer de endométrio, tumor de hipófise.
Assim quando se descarta qualquer uma das possibilidades citadas acima, associa-se a causa da hemorragia a
distúrbios endócrinos e hormonais da mulher, podemos estabelecer a HUD.
Com isso podemos conceituar a HUD como: S a n g r a m e n t o u t e r i n o c a r a c t e r í s t i c o d e c i c l o s a n o v u l a t ó r i o s , n a
a u s ê n c i a d e d o e n ç a s o r g â n i c a s o u a l t e r a ç õ e s a n a t ô m i c a s . Assim essas pacientes vão apresentar problemas
hormonais em relação ao estrógeno e progesterona, de modo que terão alterações no ritmo de sangramento.
O B S 1 : Dessa forma paciente que se queixam de anormalidades no ciclo menstrual, cuja principal alteração é o
sangramento, até o primeiro momento ela possui um sangramento uterino anormal. Entretanto com a investigação, caso
não seja identificada nenhuma disfunção orgânica, pode-se concluir que se trata de uma hemorragia uterina disfuncional.
EPIDEMIOLOGIA
As HUD ocorrem com uma maior freqüência nas pacientes em extremos da menacme. No início da menacme
pode ocorrer devido à imaturidade do eixo hipotálamo-hipofisário-ovário e já próximo a menopausa devido ao eixo estar
próximo a falência funcional.
As pacientes jovens relatam ausência de menstruação durante alguns meses e posteriormente, o sangramento
ocorre de forma abundante, típico de pacientes com síndrome dos ovários policísticos (SOP). Com isso muitas vezes é
visto, adolescentes, que ainda não iniciaram a vida sexual, fazer uso de anticoncepcional com intuito de normalizar o
ciclo menstrual.
A incidência do sangramento uterino anormal varia de acordo com a faixa etária, entretanto, é mais comum na
adolescência e na perimenopausa e deve ser considerada como diagnóstico de exclusão.
FISIOLOGIA DO CICLO MENSTRUAL
O sistema hormonal feminino consiste em três diferentes hierarquias de hormônios: (1) Hormônio hipotalâmico
de liberação, o hormônio de liberação das gonadotropinas (GnRH), (2) os hormônios adeno-hipofisários, o hormônio
folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH), ambos secretados em resposta ao hormônio de liberação do
hipotálamo. (3) Os hormônios ovarianos, estrogênio e progesterona, que são secretados pelos ovários em resposta aos
dois hormônios da adeno-hipófise.
As alterações ovarianas durante o ciclo sexual dependem totalmente dos hormônios gonadotrópicos, F S H e L H ,
secretados pela adeno-hipófise. Os ovários que não são estimulados por esses hormônios permanecem totalmente
inativos, como ocorre durante toda a infância, quando quase nenhum hormônio gonadotrópico é secretado. Todavia,
entre 9 e 10 anos de idade, a hipófise começa a secretar progressivamente mais FSH e LH, culminando no início dos
ciclos sexuais mensais entre os 11 e os 16 anos de idade. Esse período de mudança é denominado p u b e r d a d e , e o
primeiro ciclo menstrual é a m e n a r c a .
Os dois tipos de hormônios sexuais ovarianos são os e s t r o g ê n i o s e as p r o g e s t i n a s . Sem dúvida alguma, o mais
importante dos estrogênios é o e s t r a d i o l , enquanto a progestina mais importante é a p r o g e s t e r o n a . Os estrogênios
promovem principalmente a proliferação e o crescimento de células específicas no organismo e são responsáveis pelo
aparecimento da maioria dos caracteres sexuais secundários da mulher. Por outro lado, as progestinas estão implicadas
quase totalmente com a preparação final do útero para a gravidez e das mamas para a lactação.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
204
Assim na primeira fase do ciclo menstrual ocorre um maior
predomnio do hormnio folculo estimulante (FSH), que tem como fun
o
principal estimular a prolifera
o dos folculos no ovrio e, alm disso,
promover uma maior estimula
o de estrognio, em contrapartida a
progesterona encontra-se em nveis baixos no incio do ciclo. O estrognio
por sua vez, tem como fun
o principal promover o aumento do
endomtrio, isto , prolifera
o e espessamento do mesmo. Na metade do
ciclo menstrual vai ocorrer um pico de FSH e LH, fato este que promove o
rompimento do folculo, com conseqente libera
o do vulo,
caracterizando a ovula
o. Nesse momento a progesterona que estava
reduzida comea a aumentar, enquanto que o estrognio passa a diminuir
gradativamente.
Na segunda fase do ciclo, a eleva
o da progesterona caracteriza
uma maior secre
o de muco pelo endomtrio, preparando o mesmo para
receber um possvel ovo fecundado. Entretanto, quando a mulher n
o
engravida, a progesterona n
o se mantm elevada, pois secretada pelo
corpo lteo (remanescente do folculo), com isso tanto os nveis de
progesterona como estrognio reduzem e ocorre a descama
o da
camada endometrial que foi proliferada, iniciando um novo ciclo em torno
de 28 dias.
CLASSIFICAO DA HUD
S a n g r a m e n t o p o r p r i v a ç ã o a b s o l u t a d e e s t r o g ê n i o : Queda sbita nos nveis de estrognio; Ex. Ooforectomia
realizada na primeira fase do ciclo menstrual, interrup
o de terapia em que se usa apenas estrognio. Com isso
como n
o h mais o estmulo estrognico para a prolifera
o endometrial h uma descama
o e sangramento
de origem endometrial. Esse mesmo efeito pode ser dado em pacientes fazendo tratamento com radioterapia,
pois leva ao “congelamento do ovrio” ou ainda com reposi
o hormonal a base de estrognio ( v e r O B S 2 ) .
S a n g r a m e n t o p o r p r i v a ç ã o r e l a t i v a d e e s t r o g ê n i o : Nveis de estrognio mantidos por longos perodos, sem
oposi
o da progesterona, como nos ciclos anovulatrios, levando a sangramento por fragilidade endometrial.
Ocorre com freqncia nas pacientes portadoras de sndrome dos ovrios policsticos ( v e r O B S 3 ) .
S a n g r a m e n t o p o r p r i v a ç ã o a b s o l u t a d e p r o g e s t e r o n a : Queda sbita nos nveis de progesterona, como nos
casos de interrup
o da terapia progestnica. S haver sangramento se houver estmulo prvio por estrognio.
( v e r O B S 4 )
S a n g r a m e n t o p o r e s t í m u l o c o n t í n u o d e p r o g e s t e r o n a : Nveis proporcionalmente mais altos de progesterona
do que de estrognio, ocorrendo atrofia endometrial, com sangramentos irregulares e intermitentes. Ex.
Contracep
o apenas com progestnicos. Os sangramentos (borra de caf) nesses casos n
o ocorrem devido
ao espessamento, mas sim devido a um endomtrio pouco espessado, em que h isquemia e necrose, podendo
dessa forma sangrar nessas reas. diferenciado do sangramento por priva
o absoluta de progesterona, pois
nesses casos a pacientes est em uso da medica
o, enquanto no outro houve uma interrup
o abrupta.
O B S 2 : A reposi
o hormonal somente com estrognio n
o indicada, pois foi comprovado que aumenta
consideravelmente os riscos de desenvolver cncer no tero. Assim em terapia nica s indicado quando a paciente
n
o tem tero (histerectomia).
O B S 3 : As pacientes portadoras de sndrome do ovrio policstico n
o possuem ovula
o, com isso o estrognio fica
constantemente aumentado e a progesterona reduzida (devido ausncia do corpo lteo). Com isso nveis elevados de
estrognio v
o levar a um espessamento contnuo do endomtrio. Entretanto em determinado ponto, o endomtrio
basal, que serve que sustenta
o para o endomtrio funcional, n
o o suporta e ocorre a descama
o. Por isso, essas
pacientes tem sangramentos vigorosos aps um intervalo de 2 a 3 meses sem menstrua
o. O tratamento dessas
pacientes pode ser feito com anticoncepcionais, para normaliza
o dos ciclos.
O B S 4 : o medicamento mais utilizado para a reposi
o hormonal de progesterona o Depoprovera na dosagem de
150mg, o medicamento que mais proporciona sangramentos uterinos,quando interrompidos de forma absoluta
(priva
o absoluta), ou quando utilizadas por longos perodos (estmulo contnuo de progesterona).
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
205
SINAIS E SINTOMAS
M e n o r r a g i a : Intervalos regulares com duração prolongada ou fluxo excessivo;
M e t r o r r a g i a : intervalos irregulares com duração prolongada ou fluxo excessivo;
H i p e r m e n o r r é i a : intervalos regulares com duração normal e fluxo excessivo;
O l i g o m e n o r r é i a : intervalos maiores que 35 dias;
P o l i m e n o r r é i a : intervalos menores que 21 dias;
H i p o m e n o r r é i a : intervalos regulares com fluxo reduzido.
ETIOLOGIA DO SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL
As possíveis causas de sangramentos uterinos anormais são:
G r a v i d e z : é uma causa comum de sangramento uterino. Pode ocorrer nas seguintes condições:
o Gravidez ectópica
o Placenta prévia
o Abortamentos
D o e n ç a s s i s t ê m i c a s :
o H i p e r t i r e o i d i s m o e h i p o t i r e o i d i s m o : podem influenciar no ciclo menstrual. Isto está associado
principalmente pelo TSH, FSH e LH, serem sintetizados pela mesma porção da hipófise. Além disso,
esses hormônios possuem em sua microestrutura a subunidade alfa em comum, podendo assim o TSH
aumentado interferir nos mecanismos ovulatórios.
o I n s u f i c i ê n c i a R e n a l e H e p á t i c a : são pacientes que apresentam uma quantidade diminuída de uma
proteína denominada de SHBG, que é a proteína carreadora dos hormônios sexuais, com isso essas
pacientes apresentam maiores níveis de hormônios sexuais circulando livre, podendo provocar
sangramentos uterinos. Além disso, as pacientes cirróticas podem evoluir com uma deficiência de
fatores de coagulação.
U s o d e a n t i c o a g u l a n t e s : warfarin
C o a g u l o p a t i a s
o Deficiência de Protrombina
o Disfunção plaquetária
o Doença de Von Willenbrand
o Deficiência dos fatores V, VIII, IX
A n o m a l i a s m u l l e r i a n a s :
A l t e r a ç õ e s h o r m o n a i s :
o Anovulação
o Imaturidade Hipotalâmica:
o Insuficiência do corpo lúteo: paciente ovula, entretanto o corpo lúteo não tem a capacidade de manter os
níveis de progesterona adequados.
o Estresse
I n f e c ç õ e s : que acometem principalmente o colo do útero e endométrio
A l t e r a ç õ e s a n a t ô m i c a s :
o Miomas
o Pólipos cervicais e endometriais
o Adenomiose
N e o p l a s i a s
o Câncer de colo uterino e endométrio
o Hiperplasia Endometrial
N ã o U t e r i n a s
o Traumas
o DIU
o Corpo Estranho
DIAGNSTICO
A avaliação inicial do SUA baseia-se em:
T e s t e d e g r a v i d e z : deve sempre ser solicitado, por ser uma causa importante de sangramentos uterinos.
H e m o g r a m a : são importantes para avaliar se o sangramento trouxe alguma repercussão hemodinâmica para a
paciente, percebendo a necessidade de aumentar volemia, ou até mesmo infusão de sangue.
C o a g u l o g r a m a : como foi visto as coagulopatias é uma das causas de possíveis sangramentos uterinos.
T e s t e s d e f u n ç ã o t i r e o i d e a n a : tanto hipertireoidismo como hipotireoidismo podem levar a alterações do fluxo
menstrual.
U l t r a s s o n o g r a f i a : consiste no método mais barato e de melhor acesso as pacientes para investigação de
anormalidades anatômicas.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
206
H i s t e r o s c o p i a : deve ser realizada somente quando houver indica
o, isto , espessamento do endomtrio,
adenomiose ou ainda plipo endometrial.
B i ó p s i a e n d o m e t r i a l :
Dilata
o e Curetagem Semitica;
Bipsia com Pipelle .
TRATAMENTO PARA QUALQUER SANGRAMENTO UTERINO
N A V I G Ê N C I A D E S A N G R A M E N T O C O M R E P E R C U S S Ã O H E M O D I N Â M I C A
Na vigncia de sangramento uterino com repercuss
o hemodinmica, tratamento inicial de uma paciente com
sangramento uterino, assim como para qualquer outro sangramento, deve ser a estabiliza
o hemodinmica. Para isso
deve-se administrar O2, puncionar duas veias calibrosas com gelco 18 para infus
o de volume. Aps sua estabiliza
o
deve-se abordar o sangramento propriamente dito.
Quando n
o se sabe a causa do sangramento, pode-se iniciar o tratamento com administra
o de estrognio em
altas doses, 2,5 mg a cada 6 horas, ou seja, 10 mg de estrognio por dia. Na maioria das vezes essa primeira
abordagem medicamentosa cessa totalmente o sangramento. Entretanto, as doses de estrognio devem ser retiradas
paulatinamente. Geralmente esse perodo de “desmame” est em torno de 5 dias. Depois disso, deve-se orientar a
paciente que no 20 dia vai passar a usar progesterona informando sobre um possvel sangramento. Ou seja, o
tratamento proposto acima (administra
o de estrognio e posteriormente progesterona) simula um ciclo menstrual.
Enquanto a paciente faz uso desses medicamentos, deve-se iniciar uma investiga
o (descrito adiante) para as
possveis causas orgnicas desse sangramento uterino, caso n
o seja possvel estabelecer o diagnstico de HUD.
Nas pacientes que n
o s
o responsivas ao tratamento com estrognio e progesterona, deve-se realizar um
procedimento mais invasivo, que consiste na dilata
o do colo do tero para realiza
o de uma curetagem, isto , retira-
se o endomtrio sangrante deixando-a somente com o endomtrio basal.
O tratamento de manuten
o dessas pacientes pode ser feito com anticoncepcionais hormonal por 21 dias
durante 3 meses, enquanto feita as devidas investigaes.
N A V I G Ê N C I A D E S A N G R A M E N T O S E M R E P E R C U S S Ã O H E M O D I N Â M I C A
M u l h e r a b a i x o d e 3 5 a n o s .
De uma forma geral a
abordagem de uma paciente com
hemorragia uterina pode ser feita de
acordo com o fluxograma a seguir.
Realizados histria clnica e
exame fsico bem orientado, colhem-se
o citolgico e realiza-se a USG. Caso o
USG seja normal o tratamento deve ser
feito com estrognio e progesterona
como explicado anteriormente. Caso o
endomtrio esteja espessado h
indica
o para realiza
o de
histeroscopia, sendo essa uma das
indicaes assim como a adenomiose
(endometriose dentro do tero),
miomatose e plipos endometriais.
Na histeroscopia se a paciente
apresentar uma hiperplasia simples a
abordagem pode ser feita com
reposi
o de progesterona, entretanto
quando atpica, deve-se pensar em
cncer por se tratar de uma les
o pr-
neoplsica, sendo realizada a bipsia.
Nessas pacientes abaixo de 35 anos, deve-se ao mximo tentar preservar sua fertilidade atravs de outras
abordagens teraputicas que n
o inclua a histerectomia, entretanto se n
o houver resultado satisfatrio haver
indica
o para histerectomia.
M u l h e r a c i m a d e 3 5 a n o s .
Nas pacientes com idade superior a 35 anos, a investiga
o diagnstica semelhante, entretanto, o tratamento
com histerectomia mais indicado, pois na maioria das vezes essas pacientes j possuem filhos.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
207
M u l h e r e s N a P ó s - M e n o p a u s a .
Os sangramentos nas pacientes após a
menopausa devem ser investigados com uma
maior atenção, pois até que se prove o contrário é
considerado um sangramento oriundo de uma
lesão neoplásica. Dessa forma segue-se com
história clínica, exame físico, USG e citológico.
Caso a paciente apresente um endométrio
com espessura menor que 4 mm, deve-se fazer
um acompanhamento constante com realização
de citológico. Nas hiperplasias simples, pode-se
optar pela terapia estrogênica fazendo um
acompanhamento da biópsia.
Entretanto na hiperplasia adenomatosa ou
atípica realiza-se a histeroscopia com biópsia e o
tratamento de escolha para essas pacientes éa
histerectomia.
T R A T A M E N T O M E D I C A M E N T O S O
P r o g e s t e r o n a .
Como foi dito anteriormente o tratamento medicamentoso é feito com progesterona, pois atua como um
antagonista do estrogênio, isto é, enquanto o estrogênio estimula a proliferação, a progesterona (quando administrada
sozinha) promove sua descamação e compactação, tornando-o mais fino e denso. Além disso, a descamação promovida
pela progesterona é difusa, ou seja, ocorre a descamação do todo o endométrio e não em áreas localizadas.
A progesterona também pode ser utilizada naquelas pacientes com ausência de ovulação (anovulatória), com
SOP, por exemplo. Nessas pacientes pode-se administrar progesterona no final do ciclo menstrual durante 10 dias para
evitar sangramentos vigorosos. Entretanto caso à paciente se apresente com sangramentos intensos, somente a
progesterona não será suficiente para a hemostasia, com isso pode ser feito o tratamento com estrogênio e
progesterona. O esquema terapêutico mais utilizado é: Acetato de medroxiprogesterona 10 mg ou Noretisterona 5 mg
durante 10 a 14 dias.
A n t i c o n c e p c i o n a i s O r a i s C o m b i n a d o s .
São eficazes no tratamento de pacientes que são anovulatórias, pois esse tratamento como foi visto
anteriormente simula um ciclo menstrual normal. Assim ambos são administrados concomitantemente, estrogênio e
progesterona, e após sua interrupção simula a queda hormonal com descamação e menstruação. Também pode ser
utilizado nos casos de mioma, entretanto quando o mioma é submucoso não haverá uma resposta clínica adequada.
Um dos benefícios dos anticoncepcionais orais inclui a redução dos casos de câncer uterino e ovariano e podem
ser utilizados em várias faixas etárias, desde que não haja contra-indicações. As principais contra-indicações para o uso
de anticoncepcionais são pacientes com doença vascular periférica (varizes), devido ao risco aumentado de trombose
venosa profunda.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
208
O esquema teraputico mais utilizado na vigncia do sangramento : anticoncepcional oral combinado de
dosagem moderada inicialmente com 1 comprimido de 8/8 ou de 12/12 h durante 7 dias. Cinco dias aps o
sangramento, que j era esperado, feito o tratamento de manuten
o com plula de baixa dosagem (no 5o dia de fluxo),
durante 21 dias, com intervalo de uma semana, por pelo menos trs meses.
E s t r o g ê n i o s .
As pacientes que est
o na menopausa, que se apresentam com endomtrio atrfico podem apresentar spotting,
devido fraca estimula
o estrognica. Essas pacientes na maioria das vezes fazem uso crnico de progesterona
gerando o sangramento por uso contnuo de progesterona. Ex. Implantes de levonorgestrel ou injees de acetato de
medroxiprogesterona.
O tratamento dessas pacientes feito com estrognio, j que o mesmo antagoniza a a
o da progesterona.
Assim h indica
o de estrognios conjugados 1,25 mg/dia, ou ainda estradiol 2 mg/dia. Com isso o sangramento
cessado.
A paciente deve continuar fazendo uso de progesterona, mas com estrognio, o que torna o endomtrio mais
espessado ao ponto de evitar sangramentos.
A n t i i n f l a m a t ó r i o s n ã o E s t e r ó i d e s .
O sangramento endometrial promovido pelas prostaglandinas, especialmente a PGE2. Com isso a inibi
o da
sntese de prostaglandinas teoricamente reduz a ocorrncia de sangramentos, embora n
o tenha tanta eficcia clnica.
Entretanto utilizado, pois muitas vezes as pacientes referem dor, com isso pode ser utilizado para alvio dos sintomas
dolorosos, alm de poder contribuir com uma pequena redu
o do sangramento.
mais eficaz nas pacientes portadoras de mioma, nos sangramentos de origem hormonal sua a
o muito
discreta, ou quase nenhuma.
S i s t e m a I n t r a u t e r i n o d e l i b e r a ç ã o d e l e v o n o r g e s t r e l ( S I U ) .
um dispositivo semelhante ao DIU, contudo possui progesterona em sua estrutura. Tem
uma dura
o de 4 a 5 anos. Promove a secre
o de progesterona constante no endomtrio.
Comercialmente encontrado como M i r e n a .
Assim pode ser utilizada naquelas pacientes que tem ovulaes espordicas, com
secre
o ativa de estrognio, pacientes que n
o obtiveram sucesso teraputico com progesterona
por via oral devido aos efeitos colaterais (reten
o de lquido, aumento de peso, enjos), e onde a
cirurgia n
o a melhor indica
o teraputica (HUD em pacientes com menos de 35 anos). Como
foi visto a progesterona promove uma redu
o endometrial, tornando-o mais fino e denso, e
ocorrendo descama
o de forma difusa.
O u t r a s O p ç õ e s .
Pacientes na perimenopausa, geralmente est
o com idade em torno de 48 anos, que n
o respondeu a nenhum
tratamento clnico medicamentoso anterior, devido a efeitos colaterais ou condies scio-econmicas, pode-se induzir
uma menopausa iatrognica atravs de medicamentos que v
o inibir o hipotlamo. Entretanto concomitantemente ao
tratamento deve-se fazer terapia para evitar osteoporose e ocorrncia de eventos cardiovasculares, devido redu
o
dos hormnios ovarianos. Entre as drogas mais utilizadas temos: D a n a z o l e A n á l o g o s d o G n R H .
Pacientes com distrbio de coagula
o podem fazer uso de desmopressina (DDAVP ).
T R A T A M E N T O C I R Ú R G I C O
Somente est indicado nos casos de insucesso do tratamento clnico. O tratamento menos invasivo feito
atravs da abla
o do endomtrio por histeroscopia. Pode ser realizado a laser, eletrocirurgia (histeroscopia),
microondas, bal
o trmico. O mais invasivo consiste na histerectomia total.
T E R A P I A D E M A N U T E N Ç Ã O
O tratamento de manuten
o como foi visto feito com anticoncepcionais combinados por via oral durante trs
meses. Quando a paciente est exposta a gravidez, mas n
o deseja engravidar, pode-se manter o anticoncepcional,
entretanto quando n
o est exposta ou deseja engravidar, a manuten
o feita somente com progesterona na fase final
do ciclo 5mg durante 14 dias.
T R A T A M E N T O D A A N E M I A
feita inicialmente com uma dieta rica em protenas e suplementa
o oral de ferro. O esquema mais utilizado
o Sulfato ferroso 1g dirio, durante 3 a 6 meses, ou, Ferro dextrano (Noripurum) 50 mg/ml. Em casos de contra-
indica
o de ferro por via oral, efeitos colaterais, em especial a diarria, pacientes que n
o toleram ou n
o absorvem
adequadamente o ferro quando administrado por via oral, portadoras de distrbios como colite ulcerativa, cujos sintomas
se agravam com a administra
o de ferro por via oral, pode ser administrado por via injetvel da seguinte forma: Ferro a
ser injetado (mg) = {(15 – hemoglobina do paciente em g/dl) x peso corporal x 3}.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
209
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino; ELOY, Yuri Leite.
GINECOLOGIA _________
S E X U A L I D A D E H U M A N A
( P r o f e s s o r M a r c e l o B r a g a )
A sexualidade e a reprodu
o humana ocupam grande parte da vida humana e consomem boa parcela da
energia vital. Pode-se dizer que quase toda nossa atividade laborativa est direcionada ou condicionada para a atividade
sexual e para a reprodu
o, no sentido de ter filhos, abrig-los, prover alimenta
o e educa
o satisfatria.
A atividade sexual, que em todos os seres vivos tem como nica finalidade a reprodu
o, nos seres humanos
transcendeu a preserva
o da espcie e passou a ter uma abrangncia incomensuravelmente maior. Ns vivenciamos o
sexo comunica
o, prazer, doa
o, submiss
o, domina
o, violncia, repress
o, sobrevivncia e, tambm, como
reprodu
o. Para grande parcela da humanidade, a preserva
o da espcie subproduto involuntrio da atividade
sexual. A gravidez quase sempre decorrente do acaso, do grande impulso biolgico da preserva
o da espcie.
Estecaptulo tem, por finalidade, resumir diversas consideraes e curiosidades que giram em mbito do tema
referente ao s e x o . Todas elas s
o baseadas em estatsticas e levantamentos do Professor Marcelo Braga (2010).
CONSIDERAES SOBRE O SEXO
No Brasil, mais de 96% dos homens e mulheres acham que o sexo importante ou importantssimo para a
harmonia do casal, indiferente do tipo de uni
o que seja. De fato, o que diferencia uma rela
o da outra a presena ou
n
o da rela
o sexual – segundo o Professor Marcelo Braga, um relacionamento sem sexo uma rela
o pela metade,
incompleta. Para isso, ele se baseia no paradigma que diz que nenhum indivduo escolhe seu parceiro(a) para manter
um relacionamento sem vida sexual ativa ou, talvez pior do que isso – uma vida sexual insatisfatria.
A sexualidade humana, no entender de Cavalcanti e Cavalcanti, deve ser considerada por trs vertentes:
biolgica (orgnica), emocional (psicolgico) e social (cultural). Desta forma, podemos frisar:
B i o l ó g i c o : aquele que se manifesta sob a forma de resposta fisiolgica hgida.
S o c i o c u l t u r a l : aquele praticado pela maioria dos indivduos que compe um grupo social.
P s i c o l ó g i c o : aquele considerado pela vis
o particular de cada um.
Estes critrios servem como parmetro cientfico para orientar o paciente que procura um sexlogo. As
alteraes de cada um s
o:
Sexo biolgico: disfun
o.
Sexo sociocultural: desvio.
Psicolgico: inadequa
o (maioria das queixas no sexlogo).
Desta forma, do ponto de vista b i o l ó g i c o , um indivduo pode ser funcional ou disfuncional. Emocionalmente, o
indivduo pode ser adequado ou inadequado e, socialmente, normal ou anormal.
O parmetro biolgico tem em vista as seguintes caractersticas: desejo, excita
o (ere
o para o homem e
lubrifica
o e ingurgitamento de clitris para mulher), orgasmo (clmax, que geralmente vem junto da ejacula
o no
homem, mas pode n
o ter) e relaxamento. Considera-se funcional se os genitais respondem corretamente fun
o, isto
: se for homem, tem desejo, ere
o, orgasmo e resolu
o; se mulher, tem desejo, lubrifica
o vulvogenital, orgasmo e
resolu
o. Desta forma, podemos destacar as seguintes disfunes sexuais:
Bloqueio do desejo: inapetncia sexual, que consiste na falta de apetncia (a p e t i t e ) sexual, sendo este o
primeiro passo para uma vida sexual satisfatria. A apetncia sexual se manifesta de forma subjetiva.
Bloqueio na fase de excita
o: uma fase cuja manifesta
o objetiva. No homem, se manifesta por meio da
disfun
o eretiva; Mulher com altera
o da lubrifica
o (n
o tem nomenclatura prpria).
Bloqueio do orgasmo: Anorgasmias. Como no homem, o orgasmo geralmente coincide com a ejacula
o (ver
O B S 1 ), temos distrbios ejaculatrios: ejacula
o precoce e bloqueio ejaculatrio. Devemos saber diferenciar
uma paciente sem apetncia sexual com a anorgstica. O paciente anorgstico aquele que sente desejo e
vontade de fazer sexo (diferentemente do inapetente), mas n
o consegue entrar no clmax. A presena de
masturba
o (mais frequente no caso das anorgasmias) pode auxiliar na diferencia
o.
Dispareunia: dor durante o ato sexual.
Vaginismo: desconforto exagerado durante o exame ginecolgico ou fobia a penetra
o.
O B S 1 : comum que o orgasmo masculino seja acompanhado da ejacula
o. Contudo, algumas comunidades orientais
acreditam que desperdiar smen despejar vida. Por esta raz
o, eles aprendem a controlar a ejacula
o, e esta pode
n
o vir associada ao orgasmo.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
210
O sexo s o c i o c u l t u r a l , talvez o mais importante dos trs, praticado pela maioria dos indivduos. Diz respeito ao
status sexual diante de um padr
o correto da sociedade. De acordo com o ambiente scio-cultural, correto namorar,
casar e ter filhos para um casal heterossexual. Tanto que, a medida que estas fases evoluem, a celebra
o social
sempre presente. Diferentemente da uni
o de um casal homossexual em uma sociedade onde o preconceito ainda n
o
foi quebrado.
O aspecto p s i c o l ó g i c o do sexo, por sua vez, tenta explicar algumas causas n
o-orgnicas dos distrbios da
sexualidade. Por exemplo, um indivduo que tem disfun
o ertil durante a rela
o com sua parceira, mas que apresenta
uma ere
o de qualidade durante a masturba
o, provavelmente apresenta uma inadequa
o psicolgica. Portanto, o
padr
o psicolgico do sexo aquele que, efetivamente, d prazer ao indivduo de forma intrnseca.
Diferentemente das estatsticas que mostramos a pouco, outros estudos apontam que, no Brasil, cerca de 7,7%
das mulheres e 2,5% dos homens n
o fazem sexo. 45,1% dos brasileiros est insatisfeito com a qualidade de suas
erees e 25,8% dos homens gostaria de ter mais controle sobre sua ejacula
o.
C O M P O R T A M E N T O S E X U A L
O comportamento sexual pode ser estudado atravs de trs parmetros:
I d e n t i d a d e g e n é r i c a : a nomenclatura que substituiu o termo “identidade sexual”, isto : aquilo com que o
indivduo se apresenta. O termo foi substitudo depois pela palavra “sexo”, que est ligada ao aspecto fsico
(macho e fmea), enquanto que o gnero diz respeito ao supraorgnico e insubstancial (masculino e feminino).
O gnero resulta de mltiplos fatores: biolgicos, psicolgicos e socio-culturais. A identidade genrica diz
respeito, portanto, se o indivduo sente-se como homem ou mulher.
P a p e l s e x u a l : Imposto pela cultura na forma de comportamentos determinados pelos grupos sociais. O papel
sexual apresentado pelo indivduo ao meio social independe de sua identidade e de sua orienta
o sexual
O r i e n t a ç ã o s e x u a l : condiz ao direcionamento do desejo sexual, sem que o indivduo consiga controlar – no
mximo, inibir. Deste parmetro, tiramos as seguintes classificaes: Heterossexual; Homossexual; Bissexual.
Para este mbito, errado dizer op
o sexual. Surge a partir da adolescncia, pode sofrer alteraes
circuntanciais do foco do desejo em qualquer fase da vida. Do ponto de vista estatstico, temos:
94,5% se considera heterossexual
4,2% se assume homossexual
1,3% se diz bissexual
J tiveram pelo menos um relacionamento com pessoa do mesmo sexo: 4,1% das brasileiras e 10,4%
dos brasileiros
Desta forma, conclumos:
Como me sinto? – Identidade.
Como me apresento ao meio? – Papel sexual.
O que desejo sexualmente? – Orienta
o.
RECONHECENDO A SEXUALIDADE
E U - S E X U A L S E C R E T O
O eu-sexual secreto diz respeito intimidade do indivduo, isto : o contato sexual com que o indivduo faz
consigo mesmo mas de forma oculta ou inibida. Para isso, necessrio ver alm dos mitos culturais, estando associado
aos desejos sexuais autnticos e diz respeito capacidade de desenvolver habilidades emocionais e sexuais. Partilhar
nosso verdadeiro EU com nossos parceiros pode maximizar nossas chances de uma vida sexual feliz. Contudo, o eu-
sexual secreto ocultado devido aos seguintes fatores:
Preocupa
o com a opini
o dos outros
Falta de naturalidade em rela
o a nossos corpos
Dificuldade de dizer aos nossos parceiros o que nos excita
Culpa por ter desejos sexuais
Conhecer e aceitar o eu sexual secreto uma marca da inteligncia sexual: perder contato com ele pode gerar
muito sofrimento e confus
o e at comportamentos autodestrutivos.
I N T E L I G Ê N C I A S E X U A L
Significa pensar em sexo de maneira diferente. Para isso, necessrio: Transcender a repress
o sexual;
Transcender a obsess
o por tudo que sexual; Conhecer os fatores biolgicos que afetam o comportamento e conhecer
a si mesmo. Os componentes da inteligncia sexual s
o:
Conhecimento sexual- desvendar a prpria sexualidade, anular mensagens da mdia, famlia, sociedade. Por emprtica o conhecimento adquirido
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
211
Conscincia do Eu sexual secreto: - O que nos excita; o que apresenta dificuldade para ns; o que nos atrai; o
que preferimos
Liga
o com os outros: - discutir sexo num relacionamento atual; tentar entender o que deu errado numa rela
o
que terminou; ensinar os filhos a administrar sua prpria sexualidade; conversar sobre sentimentos sexuais.
Estatisticamente, 63,5% dos brasileiros e 51,1% das brasileiras se sentem vontade para falar de sexo. 6%
homens e 10,4 mulheres brasileiras se sentem constrangidos e envergonhados. No que diz respeito aos costumes, 89%
dos brasileiros se beijam durante o ato sexual, 60% fazem sexo oral e 45% praticam masturba
o mtua.
M O T I V O S P E L O S Q U A I S A S P E S S O A S F A Z E M S E X O
1) Sexo visceral- movido por premncias fsicas
2) Sexo relacional- motivado por emoes
3) Sexo substitutivo- uso do prazer fsico para compensar necessidade emocional n
o satisfeita
Diante do exposto, pergunta-se: o que normal? Ser honesto sobre a prpria sexualidade d uma sensa
o de
autoconfiana, segurana e autenticidade. A felicidade sexual n
o depende tanto do que fazemos na cama, mas do que
isso significa para ns. “Normalidade um conceito relativo, ditado em parte pela cultura, que varia de um perodo
histrico a outro.
F A N T A S I A S S E X U A I S
As pessoas que n
o se realizam sexualmente quando tentam se ajustar a sentimentos e comportamentos
sexuais chamados normais, geralmente se satisfazem com fantasias sexuais. Para se realizar os desejos e fantasias
genunas preciso ser honesto sobre isso consigo e com o outro.
Fantasias sexuais mais
comuns de homens
heterossexuais:
Fantasias mais comuns das
mulheres heterossexuais:
Fantasias mais comuns de
homens homossexuais
Fantasias mais comuns de
mulheres homossexuais:
Fazer sexo com
outra pessoa que
n
o seja a parceira
atual
Forar uma mulher
a fazer sexo
Ver outras pessoas
fazendo sexo
Fazer sexo com
outro homem
Sexo grupal
Fazer sexo com outro
parceiro que n
o seja o
atual
Ser forada a fazer
sexo
Assistir a outras
pessoas fazendo sexo
Um encontro sexual
idlico com um estranho
Fazer sexo com outra
mulher
Imagens de corpos
masculinos
Ser forado a fazer
sexo com homem
Fazer sexo com uma
mulher
Encontro sexual idlico
com um estranho
Sexo grupal
Encontros sexuais
forados
Sexo idlico com a
parceira atual
Fazer sexo com
homem
Lembranas de
encontros sexuais
passados
Imagens sdicas
As pessoas em geral desejam partilhar suas fantasias sexuais com o parceiro, apenas tm medo de faz-lo,
mesmo que a fantasia aumente a excita
o durante o sexo. Contudo, muitos ficam perturbadssimos com suas prprias
fantasias. A fantasia de sexo a fora n
o demonstra desejo de ser ferido ou maltratado, mas antes de ceder
intensamente a um encontro apaixonado, carregado de erotismo, fsico e emocionalmente seguro.
Quando mudamos nosso foco das noes rgidas do que sexualmente normal para o que um comportamento
sexual ou uma fantasia em particular significam para ns, comeamos a desvendar nosso eu sexual secreto e ficamos
mais conscientes dos nossos desejos genunos e das maneiras pelas quais nossa sexualidade pode ter sido distorcida
por experincias negativas que encontramos na mdia e na cultura onde estamos inseridos.
No Brasil, os casais que se utilizam desses fetiches durante o ato sexual respondem a 10,7% das mulheres e
15,4% dos homens.
O B S 2 : Dois teros dos brasileiros adultos preferem sexo sem hora marcada. Curiosamente, 7% s fazem sexo em
“situaes especiais”.
ENGANOS X DESENCANTOS
E S T E R I Ó T I P O S D E G Ê N E R O
Os esteritipos de gnero s
o regras tradicionais de como homens e mulheres devem se comportar. O
esteretipo mais comum :
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
212
Homens: tem um nvel mais elevado de desejo e se interessam mais pelo prazer fsico
Mulheres: valorizam seus sentimentos e s
o melhores em express-los e em cultivar intimidade emocional
Acreditar nesses esteretipos pode causar incompreens
o, amargura e isolamento. Transcender essas regras
possibilita uma vida sexual melhor do que quem est amarrado por esteretipos de gnero.
Homens e mulheres teriam atitudes e comportamentos mais parecidos se n
o fossem tratados de forma t
o
diferente (Androginia: combinam elementos teis de masculinidade e de feminilidade).
I N F I D E L I D A D E
Inteligncia sexual o melhor indicador de fidelidade ou infidelidade. As pessoas que traem n
o desenvolveram
uma no
o de e m p a t i a s e x u a l , capacidade de imaginar como seu parceiro vai se sentir quando trado.
As situaes mais comuns em que a falta de inteligncia sexual leva uma pessoa a trair s
o:
Quando acaba o romance
Quando o parceiro n
o est satisfazendo as necessidades
Quando os casais n
o conseguem se comunicar
Em 12 meses, as brasileiras tm, em mdia, 1,47 parceiros sexuais. J os brasileiros tm o dobro de parceiras.
Confessaram que foram infiis pelo menos uma vez na vida, 50,6% dos brasileiros e 25,7% das brasileiras.
As maiores causas de busca por parceiros extra-conjugais est
o ligadas ao desempenho sexual. Cinco
situaes que mais complicam o desempenho sexual dos brasileiros por ordem de importncia:
Cansao
Rotina
Pouco tempo para sexo
Ansiedade
Sexo programado
MITOS E TABUS SOBRE SEXUALIDADE
Na maioria dos casos, h necessidade de uma faxina sexual, desprezando alguns conceitos e revendo alguns
preconceitos, tais como:
Jogos sexuais infantis
Sexualidade na adolescncia
Masturba
o
Orgasmo feminino
Ejacula
o e orgasmo masculino
Fantasias sexuais
Sexo oral
Sexo anal
Homossexualidade
Aposentadoria sexual
J O G O S S E X U A I S I N F A N T I S
Vivencia-se a curiosidade quanto as diferenas entre os genitais
Inicia-se apartir dos trs anos
Mais tranquila para o homem
Aprender a lidar de uma forma equilibrada com esse comportamento infantil, evita que na fase seguinte –
adolescncia – o meio familiar n
o se transforme num ringue de lutas e desentendimentos
S E X U A L I D A D E N A A D O L E S C Ê N C I A
O adolescente um ser sexuado, carregados de hormnios sexuais, que lhes confere um elevado grau de tes
o
Giedd, neurocientista, descobriu que os lobos frontais – exatamente a rea que ajuda os adolescentes a fazerem
o certo – est
o entre as ltimas reas cerebrais a alcanarem um estado inaltervel, de adulto, talvez atingindo
seu total desenvolvimento e potencialidade por volta dos vinte anos
nessa fase, que normalmente comea a vida sexual
Em 2003, para as brasileiras com 18 a 25 anos, a inicia
o sexual se deu aos 17 anos, para os brasileiros
comeou aos 14 anos e meio
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
213
M A S T U R B A Ç Ã O
Ensinamentos errneos:
– Faz mal sade
– feio
– pecado
– intil
preciso ressignificar os ensinamentos sobre essa prtica:
– Alm de aliviar a tens
o sexual, proporciona mais conhecimento da funcionalidade do rg
o sexual
– A menina comea a desfrutar de sensaes agradveis, o que mais tarde pode faz-la se deparar com o
t
o sonhado orgasmo
– A importncia da masturba
o tamanha para a sexualidade que sexlogos aconselham evitar a
repreens
o desta prtica, uma vez que a masturba
o uma descoberta e uma compensa
o
fisiolgica – chega a ser o primeiro processo teraputico a ser indicado pelos sexlogos, no intuito de
que o indivduo conhea mais sobre a sua sexualidade.
Um tero das brasileiras nunca se masturbou.3,4% dos homens evitaram esse tipo de prtica. 66,2% dos
homens confessaram que se masturbam frequentemente ou s vezes. 42% das mulheres tm esse hbito, e 30%
deixaram essa prtica no passado.
O R G A S M O
um momento intenso de sensaes fsicas e emocionais, tendo uma dura
o de trs a dez segundos. Para
alcanarmos, necessrio alm de auto conhecimento sexual, muito treino.
26,2% das brasileiras, na maioria ou na totalidade dos atos sexuais, n
o chegam ao orgasmo, contra 4,9% dos
brasileiros. Mulheres jovens tm mais dificuldade de chegar ao orgasmo, enquanto que as mais velhas referem
principalmente falta de desejo.
O homem tende a confundir orgasmo com ejacula
o, desconhecendo que apesar de serem fenmenos
fisiolgicos que quase sempre est
o interligados, na verdade s
o distintos, e possvel ejacular sem sentir intenso
orgasmo ou sentir orgasmo sem ejacular (ver O B S 1 ).
F A N T A S I A S S E X U A I S
As fantasias sexuais constituem forte combustvel para a manuten
o de uma vida sexual mais colorida, sensual
e estimulante. Explorar o campo frtil das fantasias pode estimular o apetite sexual, aumentar a excita
o, permitir o
indivduo a gozar a riqueza de sua imagina
o e identificar necessidades afetivo-sexuais ocultas.
Uma vasta rela
o de fantasias sexuais, constri um rico cenrio na cabea de homens e mulheres homo e
heterossexuais.
S E X O O R A L E S E X O A N A L
A mente humana funciona como reservatrio de inmeros tabus, mitos e crenas sobre sexo oral. Afinal ningum
aprendeu que essa modalidade algo natural,habitual e amplamente desejada por ambos os sexos.
O sexo anal, entretanto, deve passar por alguns tipos de repress
o. necessrio conhecer sua antomo-
fisiologia, desejar intensamente a experincia,e permitir-se com algumas estratgias (como a lubrifica
o artificial e a
massagem anal).
H O M O S S E X U A L I D A D E
O tema contaminado de preconceito, sendo caracterizado por:
Vincula
o do sexo com reprodu
o.
Associa
o do erotismo com ritos procriativos.
A orienta
o sexual n
o tem uma explica
o concreta e delimitada para ser expressa facilmente; algo
complexo e profundo, como qualquer outra emo
o sentida na espcie humana.
Em vez de preocupar-se com os porqus, deve-se focalizar a mudana de atitude, aprendendo a lidar de uma
forma mais saudvel com essa quest
o.
A P O S E N T A D O R I A S E X U A L
O idoso necessariamente n
o se aposentou sexualmente falando, portanto carente de esclarecimento e
informaes desprovidas de preconceitos e ricas de maior entendimento e aprova
o incondicional.
valido ressaltar que o homem e a mulher idosos apresentam uma fase de excita
o mais demorada, mas que
ainda pode ser efetiva e seguida das demais fases do sexo biolgico.
Aps 60 anos de idade, para 20% das mulheres do Brasil, o desejo sexual diminui. Mas s 5% dos homens
dessa mesma faixa etria compartilham de tal desinteresse.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
214
PARAFILIAS
As parafilias s
o termos utilizados para as p e r v e r s õ e s s e x u a i s , que chegam a ser tratados como distrbios
psiquitricos ou desvios de conduta, por se tratarem de extremos que nem sequer s
o tratadas por psicolgicos, mas
por psiquiatras. Podemos citar as seguintes parafilias:
C o p r o l a g n i a s e u r o l a g n i a s : prazer sexual por meio de fezes ou de urina.
E x i b i c i o n i s m o : prazer em exibir partes ntimas em ambientes inadequados.
F e t i c h i s m o : prazer exacerbado por fetiches ou por fantasias sexuais, fora do contexto normal da sexualidade.
I n c e s t o : a rela
o sexual entre parentes prximos (irm
os, por exemplo) ou alguma forma de restri
o sexual
dentro de determinada sociedade. um tabu em quase todas as culturas humanas, sendo por isto considerado
um tabu universal. O incesto punido como crime em algumas jurisdies, e considerado um pecado pelas
maiores religies do mundo.
N e c r o f i l i a : prazer em manter relaes sexuais com cadveres.
P e d o f i l i a : a pervers
o sexual, na qual a atra
o sexual de um indivduo adulto ou adolescente est dirigida
primariamente para crianas pr-pberes (ou seja, antes da idade em que a criana entra na puberdade) ou para
crianas em puberdade precoce.
P o d o f i l i a : prazer pelos ps.
S a d i s m o e m a s o q u i s m o : pervers
o sexual em manter prticas violentas fora do padr
o de uma sexualidade
normal. O considera-se o “respeito” como limite da normalidade, ou n
o agredir ou ferir.
T r a v e s t i s m o : prazer em se vestir como mulher.
V o y e r i s m o : prazer em observar ou espiar outros terceiros por brechas ou cmeras. Pode ser normal at certas
idades, mas se persiste, considerado patolgico.
Z o o f i l i a ( m i x o s c ó p i c a , e r ó t i c a , b e s t i a l i d a d e ) : praticar relaes com animais. A experincia durante a infncia
ou adolescncia pode n
o ser tratada como parafilia. Contudo, sua continuidade considerada doena.
F r o t e u r i s m o : prazer em encostar ou friccionar o corpo em outros que n
o permitem tal prtica ou em situaes
que n
o convm, como na lota
o de nibus ou em festas.
G e r o n t o f i l i a : prazer com pessoas idosas.
P i g m a l i o n i s m o o u i c o n o l a g n i a : prazer exagerado com esttuas ou outros monumentos.
C l i s m a f i l i a : obsess
o pela higiene, comum em indivduos com transtorno obsessivo compulsivo.
A p o t e m n o f i l i a : prazer exagerado por amputados.
C r o m o i n v e r s ã o : indivduos que s tem prazer ou atra
o por pessoas de raas diferentes.
D e n d r o f i l i a : prazer sexual pelas rvores e vegetais.
C l e p t o l a g n i a : prazer de fazer sexo para roubar logo em seguida.
M i s o f i l i a : prazer pelo sexo com pouca higiene.
P i r o l a g n i a : prazer pelo sexo utilizando fogo.
U n i d i s m o : prazer exclusivo pela urina.
O s f r e s i o l a g n i a o u o z o l a g n i a : prazer associado a odores corporais inadequados.
C i s v e s t i s m o : casos em que o prazer s alcanado se houver fantasias fora da realidade.
“Todos vigiam todos para que ningum fa
a
o que todos gostariam de fazer”
(Gaiarsa)
“… paradoxalmente, muito mais do que se possa dizer, escrever ou expressar,
sexo para fazer, sentir e calar.”
(Carmita Abdo)
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
215
MED RESUMOS 2011
CORREIA, Luis Gustavo; NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
A T E N D I M E N T O À S M U L H E R E S V Í T I M A S D E V I O L Ê N C I A S E X U A L
( P r o f e s s o r E d u a r d o S é r g i o )
Em 1998, o Ministério de Saúde emitiu uma norma técnica que definiu a forma de atendimento das mulheres
que, porventura, sofressem algum tipo de violência sexual. Antes de sua vigência e sua criação, os médicos não
apresentavam ainda uma padronização de atendimento, por conta disto, falhas terapêuticas e profiláticas poderiam
acontecer. O atendimento deve constar de uma equipe multidisciplinar, dotado de psicólogos, médicos, enfermeiros,
advogados, promotores, etc.
Do ponto de vista médico, dois principais objetivos devem ser alcançados durante o atendimento de mulheres
que sofreram abuso sexual:
C o n t r a c e p ç ã o d e e m e r g ê n c i a
P r o f i l a x i a d o H I V
VIOLNCIA DE GNERO
A população em geral, principalmente, os de maior idade, apresentam um conceito arcaico, porém, ainda
presente, que os homens apresentam uma relação de poder de dominação com relação à mulher. Neste embate
idealista, podemos, portanto, definir que o gênero é a atribuição e elementos sócio-culturais, religiosos e históricos aos
representantes dos sexos.
A violênciado gênero seria justamente o caso extremo da utilização do poder nas relações entre homens e
mulheres. Se por um lado, alguns homens têm um pré-conceito que podem e devem exercer um poder sobre a mulher,
também existem mulheres que aceitam esta condição de soberania e dominação do sexo masculino. Isto ainda pode ser
suscitado nas situações em que algumas mulheres são agredidas de maneira recorrente, o que demonstra que elas
aceitam a condição imposta pelo companheiro.
EPIDEMIOLOGIA
Haddad (2000) descreveu que a principal causa de morte em mulheres na idade reprodutiva seriam as lesões
externas. Porém, ainda que seu índice estatístico seja elevado, ainda existe uma subnotificação.
Sem dúvida, a principal causa ainda persiste como sendo a violência doméstica. Estudos mais atuais, também
demonstram que a classe social é um fator de importância no que se referem à notificação da agressão, de modo que as
mulheres de classes mais altas tendem a não informar à polícia sobre a agressão, somente fazendo-a quando o quadro
se agrava.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
216
Os dados da tabela ao lado demonstram a
incidncia de bitos segundo a faixa etria,
demonstrando, especificamente, que as causas
externas s
o as principais responsveis pela
morte na idade jovem (at 29 anos de idade).
HISTRICO DA JURISDIO
A legisla
o sobre a temtica principal do captulo sofre grandes mudanas ao longo do sculo. Abaixo, s
o
descritas tais mudanas e suas implicaes na forma de observar, juridicamente, uma violncia sexual contra a mulher.
C ó d i g o P e n a l 1 9 4 0
o Estupro, Art. 213: “Constranger mulher conjun
o carnal, mediante violncia ou grave ameaa”. Pena - reclus
o,
de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
o Atentado violento ao pudor, Art. 214: “Constranger algum, mediante violncia ou grave ameaa, a praticar ou
permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjun
o carnal”. P e n a - reclus
o, de 6 (seis) a 10 (dez)
anos
L e i 0 0 8 . 0 7 2 d e 1 9 9 0 : A r t . 1 5 7 § 3 º : Se da violncia resulta les
o corporal grave, a pena de reclus
o, de 7 (sete) a 15
(quinze) anos, alm da multa; se resulta morte, a reclus
o de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, sem prejuzo da multa.
H o s p i t a l M u n i c i p a l D r . A r t h u r R i b e i r o d e S a b o y a , conhecido como Hospital Jabaquara, iniciou o primeiro servio de
atendimento mulher vtima de violncia sexual (1989).
O CISAM iniciou o servio de atendimento s mulheres vtimas de violncia sexual em 1996.
M i n i s t é r i o d a S a ú d e
o 1 9 9 8 - Norma tcnica – Preven
o e tratamento dos agravos resultantes da violncia sexual contra mulheres e
adolescentes.
o 2 0 0 2 – 2 edi
o – Anexo I – “Considera
es gerais para profilaxia da hepatite B, HIV e outras DST’s aps
situa
es de exposi
o sexual”
ATENDIMENTO INICIAL
O atendimento dever constar de uma equipe interdisciplinar, porm, a autoridade-mxima, s e m p r e , ser o
mdico presente. A equipe dever trabalhar com confluncia, no intuito de se estabelecer a avalia
o criteriosa da
paciente, avaliar o pronturio, realizar exame clinico e fsico detalhado e, caso hajam leses corporais, descrev-las. O
atendimento deve ser feito o mais rpido possvel, tomando como base que alguns tratamentos apresentam o fator
tempo como limitante, a exemplificar, a prpria c o n t r a c e p ç ã o d e e m e r g ê n c i a . Portanto, o atendimento inicial dever
constar, seguindo as orientaes estabelecidas pelo MS:
Cuidados gerais
Exames de sangue / sorolgicos
Profilaxia de doenas sexualmente transmissveis
Anticoncep
o de emergncia, que pode ou n
o ser indicada (a exemplificar, pacientes que sofreram violncia
sexual, porm, s
o histerectomizadas, provavelmente n
o pode engravidar).
Coleta de materiais
Chlamydia trachomatis (4,0 a 17,0 %)
Neisseria gonorrhoeae (0,0 a 26,3 %)
T. pallidum (0,0 a 5,6 %)
HPV (0,6 a 2,3 %)
E X A M E S D E S A N G U E E S O R O L Ó G I C O S
β-HCG para diagnstico de gravidez
Sorologia sfilis (VDRL ou RPR)
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
217
Sorologias hepatites B (HBsAg) e C (anti-HCV): Vacina anti-hepatite B, e imunoglobulina hiperimune para
hepatite B. A hepatite B altamente infectante, sendo at 20 vezes mais virulento que o vrus da Aids, durante
um intercurso sexual.
Sorologia anti-HIV: No geral, o risco de infec
o por HIV de 0,8 a 1,6%. A sua profilaxia deve ser procedida
iniciando-se at 72h, com dura
o de 4 semanas (protocolo em anexo demonstra a dosagem do frmaco a ser
utilizado).
PROFILAXIA DE DST
Cancro mole e clamdia: Azitromicina 1g VO, DU
Gonorria: Ofloxacina ou Ciprofloxacina (500mg, VO, dose nica)
Sfilis: Penicilina benzatina (2.400.00 UI via IM).
Tricomonase: Metronidazol 2g VO, DU (gestantes no 1 trimestre deve substituir por miconazol creme vaginal
ou clotrimazol)
HIV: Biovir = AZT (300 mg) + 3TC (150mg), 12/12h por 28 dias; + Nelfinavir (250 mg), 12/12h, 28 dias, 5
cpsulas dirias (somente iniciado se a mulher apresentar-se ao hospital em at 72h, assim como a infec
o
por hepatite B).
ANTICONCEPO DE EMERGNCIA
Art. 128 - No se pune o Aborto praticado por mdico:
- A b o r t o N e c e s s á r i o - s e n ã o h á o u t r o m e i o d e s a l v a r a v i d a d a g e s t a n t e ;
- A b o r t o n o C a s o d e G r a v i d e z R e s u l t a n t e d e E s t u p r o - s e a g r a v i d e z
r e s u l t a d e e s t u p r o e o a b o r t o é p r e c e d i d o d e c o n s e n t i m e n t o d a g e s t a n t e
o u , q u a n d o i n c a p a z , d e s e u r e p r e s e n t a n t e l e g a l .
A contracep
o de emergncia, quando iniciada com at 72h, reduz o risco de gesta
o aps um coito
desprotegido em 60,0 % a 90,0 %. Os mdicos s
o respaldados, legalmente, pelo artigo 128 do Cdigo Penal em
proceder do aborto de mulheres vtimas de violncia sexual. Porm, ainda que legalmente “encobertos”, os mesmos n
o
s
o obrigados, pois, por disposies tnicas, religiosas, o mesmo pode abdicar desta fun
o.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) orienta que todos os mdicos somente devem proceder do aborto caso
a mulher que sofreu a violncia sexual apresente um boletim de ocorrncia fornecido por uma delegacia.
A anticoncep
o de emergncia deve ser feito da seguinte maneira:
Tratamento da mulher que sofreram violncia sexual com at 72h: importante conhecer o tempo
transcorrido da violncia at o atendimento pois, se a mulher sofreu violncia a mais de 72h, n
o devemos
realizar profilaxia contra HIV, contra hepatite B e levonorgestrel. Caso contrrio, temos:
o Etinilestradiol 200mcg + levonorgestrel 1000mcg
o Levonorgestrel 0,75 mg em 2 doses
o Na ausncia do Levonorgestrel, podemos utilizar anticoncepcionais em baixa ou em altas doses. Tais
medicamentos, por possurem estrognio, s
o responsveis pela descama
o do endomtrio
(promovendo, assim, a descida do eventual embri
o implantado, o que caracteriza o aborto).
o Profilaxia para HIV e para hepatite B.
≤12 semanas: AMIU (aspira
o manual intra-uterina), Curetagem, Misoprostol;
13 a 20 semanas: fazer uso de Misoprostol/Citocina (no intuito de contrair o tero e expelir a maior parte do
contedo fetal) para s ent
o utilizar a curetagem.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
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Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
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MED RESUMOS 2011
ELOY, Yuri Leite; NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
P L A N E J A M E N T O F A M I L I A R
( P r o f e s s o r a R i e v a n i d e S o u z a D a m i ã o )
O planejamento familiar um direito que o casal possui, na sociedade moderna, de optar porter ou n
o filhos. Embora em
outros pases o planejamento familiar envolva outras questes, que n
o s a gravidez, no Brasil, podemos definir o planejamento
familiar como uma srie de medidas adotadas pelo casal que visa impedir uma gravidez indesejada. Da mesma forma, o planejamento
familiar, inclui aquelas medidas que tem como inten
o contemplar o casal infrtil com um filho.
Com isso, a Constitui
o Federal Brasileira d o direito ao casal de evitar uma gravidez indesejada, ou em momento
inoportuno, assim como permite o auxlio para aqueles casais que, por motivos diversos n
o conseguem ter filhos.
Neste captulo iremos abordar os dois extremos do planejamento familiar, ou seja, o manejo clnico do casal infrtil, e as
medidas contraceptivas mais utilizadas para se evitar uma gravidez.
CONSIDERAES GERAIS
De acordo com a Constitui
o Federal, o planejamento familiar, o direito que o casal possui a informa
o,
assistncia especializada e ao acesso aos recursos que permitam optar livre e conscientemente por ter ou n
o filhos.
Para a realiza
o de um planejamento familiar adequado, o mdico deve ter um profundo conhecimento dos principais
mtodos contraceptivos.
Desde os primrdios da civiliza
o moderna, o homem tenta adotar medidas para evitar uma possvel gravidez,
podendo esta ser realizada de vrias formas, como por exemplo, o simples coito interrompido como mtodo
contraceptivo, sendo esta forma mais primitiva para se evitar uma gravidez. Entretanto, devido ao grande ndice de
falhas, constantemente tem-se tentado melhorar os mtodos contraceptivos ideais que tem como inten
o principal: (1)
evitar a gravidez de forma efetiva, com menor ndice de falhas possveis, (2) menor nmero de complicaes
principalmente em rela
o fertilidade feminina, (3) n
o trazer nenhum desconforto durante o ato sexual, (4) ter a
comodidade de ser interrompido, em qualquer fase da vida reprodutiva feminina ou masculina, sem trazer prejuzos para
fertilidade, (5) mtodo que esteja adaptado a vida social e profissional, (6) baixo custo, (7) fcil acesso e administra
o.
Conhecendo os itens de um mtodo contraceptivo ideal, na indica
o de uma terapia devemos sempre lembrar,
principalmente, dos seguintes itens: efetividade, segurana e custo.
A e f i c á c i a seria definida como a capacidade do mtodo contraceptivo. Entretanto, somente com a atua
o do
mtodo essa segurana n
o ser completa, pois paralelamente est
o outras variveis de grande importncia
como: fertilidade do casal, perodo ovulatrio, seguimento correto das orientaes dadas pelo mdico. Com isso,
antes de iniciar a teraputica para um casal, deve-se primeiramente estabelecer seu perfil e com isso,
determinar um mtodo que se encaixe em seu padr
o de vida.
Com rela
o s e g u r a n ç a , obviamente existem mtodos mais seguros que outros, e por isso, mais caros. Por
exemplo, os mtodos hormonais, constituem fatores de risco para pacientes obesas, hipertensas, doenas
imunolgicas. A segurana tambm est relacionada com a transmiss
o de doenas sexualmente
transmissveis, nesse aspecto a utiliza
o dos mtodos de barreira traz uma maior segurana (camisinha
masculina e feminina), em rela
o transmiss
o de DST e cncer de colo uterino, alm ter uma eficcia
anticoncepcional relativamente boa, entretanto menor que os mtodos hormonais. Tendo isso em vista,
normalmente a teraputica contraceptiva, n
o est baseada somente em um nico mtodo, ou seja, para um
casal podemos tranquilamente indicar o uso de camisinha (mtodo de barreira – evitando doenas) e
anticoncepcionais para a mulher, trazendo assim uma maior segurana para o casal.
Quanto ao c u s t o , sabe-se que os mtodos mais eficazes tendem a ser mais caros, da a importncia de
estabelecer o perfil do casal, tentando adaptar a sua condi
o econmica aos melhores mtodos contraceptivos.
MTODOS CONTRACEPTIVOS
Os principais tipos de mtodos contraceptivos utilizados atualmente est
o listados abaixo:
Comportamentais
Barreira
D.I.U (Dispositivo Intrauterino)
Hormonais: Orais, Injetveis, Implantes
Definitivos ou Cirrgicos
M É T O D O S C O M P O R T A M E N T A I S
Os mtodos comportamentais s
o os mais antigos, e s
o utilizados at os dias atuais, entretanto sem orienta
o
mdica adequada, elevando assim seu ndice de falhas. A ado
o desses mtodos exige um treinamento, ensinamento
do mdico em rela
o ao paciente. Esse mtodo individual de cada casal, ou seja, sua ado
o leva em considera
o
variveis pertinentes ao casal, especialmente as mulheres, como ciclo menstrual, freqncia de relaes sexuais etc.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
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Tomando como ponto de partida as variveis citadas acima, tanto o mdico, e principalmente a paciente, deve
ter pleno conhecimento do seu ciclo menstrual. Essas informaes devem ser passadas a paciente de forma clara e
leiga, informando da seguinte forma: “O c i c l o m e n s t r u a l e s t á e m t o r n o d e 2 8 a 3 0 d i a s e m m é d i a , e p o s s u i b a s i c a m e n t e
d u a s f a s e s . A e t a p a m a i s p r o v á v e l d e o v u l a ç ã o s e r i a e x a t a m e n t e n o m e i o d o c i c l o , e m m é d i a 1 4 º d i a , e s s a d a t a ,
e n t r e t a n t o , é v a r i á v e l , s e n d o n e c e s s á r i o a d o t a r m e d i d a s d e s e g u r a n ç a , q u e i n c l u i a i n t e r r u p ç ã o d a r e l a ç ã o s e x u a l 5 d i a s
a n t e s e 5 d i a s a p ó s a o v u l a ç ã o , p o i s e s s e p e r í o d o é c o n s i d e r a d o o perodo frtil da mulher”.
A eficcia desse mtodo est intimamente relacionada com o entendimento da informa
o citada acima. Alm
disso, o mdico deve informar a paciente todos os comemorativos que est
o relacionados com a ovula
o, ou seja, s
o
sinais clnicos que sugerem o perodo da ovula
o:
C a l e n d á r i o ( t a b e l i n h a ) : O incio e o trmino do perodo frtil (nmero de dias) depende da dura
o dos ciclos
menstruais.
M u c o c e r v i c a l ( B i l l i n g s ) : Presena de muco cervical aumentado corresponde ao perodo frtil.
T e m p e r a t u r a c o r p o r a l b a s a l : a temperatura corprea, em repouso, sobe levemente no perodo aps a
ovula
o. O efeito da progesterona, aps a ovula
o, age no hipotlamo, ocasionando uma varia
o da
temperatura da mulher em torno de 0 a 3C. Dessa forma, durante o ciclo menstrual a paciente deve registrar
sua temperatura diariamente, registrando sua mdia (36C, por exemplo), nos dias do ciclo em que h eleva
o
dessa temperatura, indica provvel ovula
o, com isso, espera-se 3 dias da data do registro da temperatura
aumentada, para s ent
o ter relaes.
S i n t o t é r m i c o s : consiste no uso dos trs mtodos descritos acima de forma combinada, alm de outros sinais ou
medidas que podem contribuir para detectar a ovula
o de maneira mais precisa.
um mtodo de baixa eficcia, pois caso tenha alguma varia
o do ciclo menstrual, ou n
o acompanhamento
correto do que foi exposto paciente pode vir a engravidar, por isso necessita compreens
o de ambos os parceiros.
Uma forma de aumentar a eficcia desse mtodo a prtica do coito interrompido, entretanto, sua contribui
o
simplria, pois existe o pr-ejaculado onde h libera
o de espermatozides viveis. Alm disso, um mtodo que n
o
trs nenhuma prote
o em rela
o transmiss
o de doenas sexualmente transmissveis, ou ocorrncia de cncer
cervical.
O B S 1 : As medidas comportamentais servem como indica
o quelas pacientes que possuem um ciclo menstrual
normal, ou seja, 28 dias regulares. Entretanto, naquelas pacientes que possuem um ciclo irregular, o mdico deve
orientar a paciente para registrar os ciclos menstruais nos primeiros 6 meses. A partirdeste registro, deve-se s u b t r a i r 1 8
d i a s d o m e n o r m ê s e 1 1 d o m a i o r e, com isso, estabelecer um provvel perodo de ovula
o. Por exemplo, caso o
menor ciclo tenha sido 26 dias (26 – 18 = 8 dias), e o maior 30 (30 – 11 = 19), dessa forma, o dia mais provvel da
ovula
o ser do 8 ao 19 dia do ciclo menstrual, sendo este o perodo em que se deve priorizar a abstinncia sexual.
M É T O D O S D E B A R R E I R A
um mtodo que est baseado principalmente na interrup
o da progress
o dos gametas masculinos atravs
do trato reprodutivo feminino. Os dispositivos de barreira mais utilizados s
o: diafragma, esponjas e espermicidas, DIU
(sem hormnios) e c o d o m ou preservativo (masculino e feminino).
C a m i s i n h a M a s c u l i n a .
Este o mtodo contraceptivo mais utilizado em todo o mundo, que ajuda n
o s no planeamento familiar como
tambm reduz o risco de transmiss
o de diversas DSTs. feito de ltex ou poliuretano e geralmente vem j lubrificado,
existindo em vrias cores, aromas e tamanhos. Sua utiliza
o deve ser feita com alguns passos para melhorar sua
eficcia como mtodo contraceptivo de barreira:
Primeiramente, verifica
o da data de vencimento do preservativo na caixa ou na embalagem. N
o se deve
utiliz-lo se tal data j estiver expirada (eles podem parecer normais, mas se rompem mais facilmente).
A abertura da embalagem deve ser feita cuidadosamente em um de seus lados, evitando a abertura com dentes
e unhas, o que poderia causar a ruptura do preservativo.
O usurio deve apertar levemente a extremidade (reservatrio de smen) do preservativo para evitar o acmulo
de ar nesta regi
o. As bolsas de ar podem romper um preservativo facilmente.
Deve-se verificar o lado correto do preservativo antes de desenrol-lo. O preservativo deve ser colocado na
ponta do pnis ereto. H duas maneiras de coloc-lo, mas o preservativo se desenrola em somente uma delas.
O preservativo deve ser desenrolado sobre o pnis, at a base.
Antes de comear a rela
o sexual, recomendvel testar se o preservativo n
o est "folgado" no pnis.
Nunca se deve utilizar o mesmo preservativo mais de uma vez. Cada rela
o sexual necessita de um novo
preservativo.
O preservativo deve ser retirado do pnis logo aps a ejacula
o. Segurar o preservativo enquanto retira o pnis
da vagina ou anus evita vazamentos.
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C a m i s i n h a F e m i n i n a .
É formada por um plástico de polietano e deve ser colocada na vagina previamente à relação sexual. É
composta por dois anéis, um maior e outro menor: o menor tem uma pequena cobertura, que deve ser colocada voltada
para o colo uterino, enquanto o anel maior fica exposto.
Tem uma proteção comprovada contra a gravidez e ainda doenças sexualmente transmissíveis, tendo assim
uma boa eficácia. Apesar disso, o uso da camnisinha culturalmente, no Brasil, é um hábito masculino. Geralmente as
mulheres muitas vezes, desconhecem a camisinha feminina, algumas conhecem mas nunca usaram, podendo perceber
uma certa resistência em relação ao seu uso.
D i a f r a g m a .
É um composto formado por látex ou de silicone
(utilizado como alternativa naquelas pacientes que tem alergia
ao látex). Ele apresenta uma pequena concavidade, que deve
ficar voltada para o colo uterino. A mulher deve acopla-la ao
colo uterino, antes da relação sexual. Entretanto, não está
comprovado cientificamente sua eficácia em evitar a gravidez,
por isso, deve ser utilizado juntamente com espermicida (deve
ser aplicado cerca de 1 hora antes da relação para ter efeito
adequado). O diafragma deve ser retirado somente 6 a 8
horas após a relação sexual, para que o espermicida atue
eliminando os espermatozóides.
Em resumo temos: O diafragma, como um método
vaginal de anticoncepção, que consiste em material de
borracha (látex ou silicone) côncavo com borda flexível, que
recobre o colo uterino. É colocado na vagina antes da relação
sexual. Deve ser utilizado com geléia ou creme espermicida.
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M É T O D O S H O R M O N A I S
Podem ser utilizados na forma de anticoncepcionais orais e injetveis. Alm disso, ainda temos os implantes,
anis vaginais e ainda os anticoncepcionais transdrmicos, utilizados na forma de adesivos. Essas s
o as principais
formas que os hormnios podem ser distribudos.
De um modo geral, todas essas vias produzem nos pacientes efeitos sistmicos semelhantes, mudando somente
a eficcia, tempo de atua
o e dura
o. Entre as principais aes dos anticoncepcionais temos:
S u p r i m e m a o v u l a ç ã o : este mecanismo est associado principalmente a nveis elevados de progesterona e
estrgeno no sangue, que determina um feedback negativo sobre o hipotlamo diminuindo a secre
o de
gonadotropinas. Com isso, as quedas de FSH n
o estimulam o processo de matura
o folicular, e dessa forma,
mesmo na presena de espermatozides, n
o h vulo para ser fecundado.
Reduzem o transporte ovular nas trompas;
Alteram o endomtrio e dificultam a nida
o;
Tornam mais espesso o muco cervical, evitando a penetra
o dos espermatozides;
A n t i c o n c e p c i o n a i s H o r m o n a i s C o n j u g a d o s .
Os anticoncepcionais orais combinados (AOCs), mais conhecidos como plula, s
o usados por cerca de 20% das
mulheres em idade frtil (15-49 anos) no Brasil. Recebem essa denomina
o (“combinado”), pois em sua composi
o
qumica, existe estrognio e progesterona ou progestgenos (progesterona sinttica). o mtodo anticoncepcional
reversvel mais utilizado no pas.
No mercado farmacutico existem formulaes de 15 a 50 microgramas de etinilestradiol, ou seja, toda plula de
AOC, o estrognio presente na forma de etinilestradiol. De acordo com esses valores podemos dizer se a droga de
alta, mdia e baixa dosagem.
Em rela
o progesterona, est
o disponibilizadas da 1 a 4 gera
o. Seus respectivos representantes s
o:
Noretisterona, Levonorgestrel, desogestrel e dienogestrel. Atualmente as mais utilizadas s
o as de 3 e 4 gera
o de
progestgenos, pois, essas drogas tem uma eficcia maior em menores doses e com isso, trazendo menos efeitos
colaterais.
Comercialmente as plulas combinadas podem ser apresentar da seguinte forma:
M o n o f á s i c a s - mais comuns, com cartelas de 21 comprimidos. S
o comprimidos ativos (mesma composi
o e
dose), alguns com 6 ou 7 de placebo para completar 28 comprimidos. Essas drogas possuem os dois hormnios
em doses fixas em um nico comprimido.
B i f á s i c a s - contm dois tipos de comprimidos ativos, de diferentes cores, com hormnios em propores de
estrgeno e progesterona diferentes. S
o utilizados dessa forma para estabilizar o ciclo menstrual da mulher e
ainda evitar os efeitos colaterais.
T r i f á s i c a s - contm trs tipos de comprimidos ativos, de diferentes cores, com hormnios em propores
diferentes. Tem a mesma inten
o das apresentaes bifsicas.
P í l u l a s p a r a u s o v a g i n a l - uma plula monofsica, contendo 21 comprimidos ativos na embalagem.
O B S 2 : Devido introdu
o das plulas de 3 e 4 gera
o, em que se tem menores concentraes e com isso, menos
efeitos txicos, a maioria das apresentaes est na forma monofsica, n
o sendo necessrio mais o fracionamento das
doses, como ocorre nas apresentaes bifsicas e trifsicas.
O B S 3 : O ndice de VEAL utilizado para avaliar a eficcia dos anticoncepcionais. Esse ndice calculado atravs do
nmero de gravidez em 100 mulheres em um ano. Quanto maior o ndice de VEAL, menor a eficcia daquela droga.
Efeitos colaterais
Estrgenos
Nusea, tonturas,
Leve mastalgia
Pteriogietacsias
Dores de cabea ou manchas,
Cloasma,
Pequenograu de reten
o hdrica (progestgeno),
Tromboflebites, tromboses, tromboembolia
Cefalias vasculares.
Progestgeno
Diminui
o da Libido
Depress
o
Alteraes do Humor
Fadiga
Acne
Aumento do Tamanho das mamas
Alteraes do Metabolismo dos lipdios
O uso de anticoncepcionais est totalmente contra-indicado naquelas pacientes que s
o portadoras de doena
vascular coronariana ou cerebral, cncer de mama, gesta
o, diabetes complicada, doena ou tumor heptico,
hipertens
o severa, enxaqueca grave, LES.
Estas situaes constituem contra-indicaes absolutas ao uso de ACO, pois estes medicamentos podem
predispor trombose e a tromboembolia.
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Benefícios não anticonceptivos
Diminuem o fluxo menstrual e cólicas menstruais,
melhorando anemia.
Regulam o Ciclo Menstrual
Aliviam a tensão pré-menstrual
Reduz incidência de dismenorréia
Protegem contra o câncer ovariano e endometrial
Diminuem a incidência das doenças mamárias
benignas e dos cistos ovarianos
Evitam a gravidez ectópica
Limitações
Podem causar um pouco de náusea, tonturas,
leve mastalgia, dores de cabeça ou manchas,
cloasma, pequeno grau de retenção hídrica
(progestágeno), tromboflebites, cefaléias
vasculares.
A eficácia pode diminuir quando certas drogas são
tomadas
O esquecimento aumenta as falhas do método
Não protegem contra DSTs
M i n i p í l u l a s .
As minipílulas são compostas somente de progestageno em dose muito baixa (em torno da 1/2 a 1/10 da
quantidade dos Anticonceptivos Orais Combinados). Não contém estrogênio e estão indicados principalmente naquelas
pacientes que estão amamentando. Isso ocorre, pois, o estrogênio e progesterona atuando juntos podem alterar a
qualidade e quantidade do leite materno. Apesar de sua indicação, mulheres que não estão amamentando também
podem fazer uso dessa medicação.
Benefícios anticonceptivos
Eficazes quando tomadas diariamente à mesma
hora (0,05-5 gravidezes por 100 mulheres no 1º
ano de uso)
Eficácia imediata (menos de 24 horas)
Não afetam a amamentação
Retorno imediato da fertilidade quando suspenso
o uso
Poucos efeitos colaterais
Benefícios não-anticonceptivos
Podem diminuir as cólicas menstruais
Podem reduzir o sangramento menstrual
Podem melhorar a anemia
Protegem contra o câncer do endométrio
Diminuem as doenças benignas das mamas
Diminuem a incidência de gravidez ectópica
C o n t r a c e p ç ã o d e E m e r g ê n c i a .
Consiste em uma forma de contracepção que utiliza altas dosagens de estrógeno e progesterona. Apesar de sua
existência há muitos anos, só foi devidamente regulamentado pelo Ministério da Saúde há aproximadamente 10 anos.
Pode ser ingerida uma única vez logo após a relação sexual. Naquelas pacientes em que houve atraso, pode
fazer o uso até 72 horas após o ato sexual, tomando duas pílulas de alta dosagem de 12 em 12 horas.
Essa forma de contracepção atua impedindo a implantação de uma possível fecundação, com isso, seu principio
está baseado principalmente em alterações expressivas do endométrio.
É importante salientar que atualmente não é mais considerada um método de contracepção, e sim, método de
emergência, sendo utilizada, por exemplo, nos casos em que há o rompimento da camisinha ou estupro. Dessa forma a
anticoncepção oral de emergência pode ajudar a prevenir gestações indesejadas e consequente aborto clandestino,
após uma relação sexual sem proteção. É também conhecida como anticoncepção pós-coital ou pílula do dia seguinte.
Não deve ser utilizada de rotina como método anticoncepcional, mas apenas em situações de emergência. Além
dos efeitos colaterais essas pílulas vão perdendo o efeito.
M é t o d o s H o r m o n a i s I n j e t á v e i s M e n s a i s .
As diferentes formulações contêm estradiol e um progestogênio sintético, diferentemente dos anticoncepcionais
orais combinados, pois ambos os hormônios são sintéticos. Podem ser utilizados através de injeções mensais e
trimestrais.
Seu principal representante é o acetato de medroxiprogesterona (de depósito) que é um método
anticoncepcional injetável apenas de progestogênio, utilizado por aproximadamente 14 milhões de mulheres em todo o
mundo. É um progestogênio semelhante ao produzido pelo organismo feminino, que é liberado lentamente na circulação
sanguínea. Sua administração é feita trimestralmente. Os anticoncepcionais combinados são utilizados mensalmente.
Estas drogas, com essa administração, têm uma excelente eficácia, com um índice de VEAL muito baixo. Seu
índice de falha está em torno de 0,3 gravidezes, por 100 mulheres estudadas. Dados epidemiológicos mostram que sua
eficácia é maior que a própria esterilização feminina.
Essa eficácia é justificada principalmente pelo seu mecanismo de liberação, ou seja, sua liberação lenta e
constante determina uma concentração plasmática plena, diferentemente dos anticoncepcionais orais combinados. Com
isso, podemos dizer que o método contraceptivo de maior eficácia são os métodos injetáveis ou de depósito.
Uma das desvantagens do uso dessa droga, é que, após a interrupção do tratamento, algumas pacientes ainda
podem ficar cerca de 9 meses sem ovular. Com isso, não é a droga de escolha quando se deseja retorno precoce da
fertilidade, após a interrupção do tratamento.
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Efeitos colaterais
Sangramentos intermenstruais ou durante todo o mês, entretanto há tendência de normalização
sem ocorrência de novos sangramentos.
Cefaléia e Enxaqueca: são manifestações que ocorrem principalmente devido ao uso da
progesterona.
Ganho de Peso
Retorno Tardio da Fertilidade: geralmente quando a paciente faz uso por tempo prolongado, ou
seja, 2 a 3 anos.
A d e s i v o s T r a n s d é r m i c o s .
Equivalente à pílula combinada. Consiste em uma
combinação de progestogênio (moreprogestorina) e estrogênio
(etinilestradiol), liberado de forma contínua (ex. sete dias,
embalagens com três unidades), através de adesivos cutâneos. São
utilizados principalmente naquelas pacientes após a menopausa. A
absorção cutânea é muito eficiente e garante nível contínuo de
hormônios com alta eficácia, tendo sua eficácia semelhante aos
anticoncepcionais orais. Entretanto tem um custo elevado.
O principal efeito colateral relacionado aos adesivos é principalmente a presença de sangramentos irregulares.
Apesar disso, não há efeitos adversos semelhantes aos ACO, devido a não metabolização hepática. Sendo está uma
boa opção para aquelas pacientes que tem efeitos colaterais exacerbados das pílulas, ou ainda, presença de contra-
indicações absolutas como: glicemia elevada (diabetes), hipertensão, obesidade. Além disso, pode ocorrer o
descolamento do adesivo, devido ao suor, banhos, etc.
I m p l a n t e s S u b d é r m i c o s .
O implante subdérmico é dispositivo
contendo hormônio, no formato de bastonete, que
deve ser inserido sob a pele na parte superior do
braço. O bastonete contém progestogênio (o mais
comum é o acetato de metoxiprogesterona), muito
parecido com o hormônio natural, que é liberado
lentamente em doses constantes.
É um método recentemente aprovado para uso pelo Ministério da Saúde no Brasil. Seu índice de falha está em
torno de 0 - 0,2%, considerando uma eficácia de 100%, assim como os injetáveis.
É um método de depósito que difere do injetável, pois a droga que é administrado nesses casos fica
armazenada em uma localização anatômica diferente das drogas injetáveis, ou seja, enquanto a forma injetável fica
armazenada mo músculo, os implantes subdérmicos, permanecem estocados na própria subderme. Tem uma duração
média de 3 anos.
Uma das principais desvantagens desse método é a ocorrência de sangramentos irregulares. Geralmentesão
sangramentos intensos, e não S p o t t i n g , como ocorre nas drogas injetáveis.
A n é i s V a g i n a i s .
Consiste em um anel formado por polietileno, que tem em sua estrutura
levonorgestrel e etinilestradiol. O anel é colocado pela própria paciente,
permanecendo fixo no fundo de saco posterior e colo uterino. O dispositivo que é
colocado permanece liberando de forma constante as substâncias citadas
anteriormente.
Entre os efeitos colaterais do uso desse tipo de medicamento, nessa forma de
administração são: sangramentos irregulares, leucorréia, inconveniente de ser
percebido tanto pela paciente como para o parceiro. Apesar disso, não apresenta
nenhum efeito colateral semelhante aos ACO, pois não sofrem metabolização
hepática.
A troca do dispositivo deve ser realizada a cada três semanas, com
interrupção de uma semana.
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D i s p o s i t i v o I n t r a - U t e r i n o ( D I U ) .
O dispositivo intra-uterino (DIU) e mtodo anticoncepcional
hormonal mais utilizado em todo o mundo, com aproximadamente
100 milhes de usurias. Podem ser de vrios, tipos: DIU com
cobre -TCu 380 e MLCu-375, DIU que libera progestgeno, DIU
inerte, n
o medicado - ala de Lippes.
De um modo geral podemos dizer que o DIU vai atuar da
seguinte forma:
Interfere com a capacidade do esperma em atravessar a
cavidade uterina
Tornam mais espesso o muco cervical (somente com
progestgeno)
Interfere com o processo reprodutivo antes que os ovos
cheguem cavidade uterina
Modificam o endomtrio
No Brasil o DIU feito polietileno e revestido de cobre. O cobre nesses casos desempenha uma importante fun
o
atuando como espermecida, ou seja, impedindo a condu
o do espermatozide.
O Mirena outro tipo de DIU, um endoceptivo que libera hormnio (levonorgestrel) diretamente no tero. Alm
de atuar como espermicida e servir como uma barreira fsica para os espermatozides utilizada como mtodo
anticoncepcional, no tratamento de distrbios menstruais e na terapia de reposi
o hormonal. Essas pacientes
geralmente aps 3 meses de uso permanecem em amenorria, sendo esta uma vantagem. Alm disso, diminui a dor
plvica por dismenorria (por endometriose ou mioma), reduz os focos de endometriose e previne o seu
desenvolvimento.
Outras vantagens o custo do medicamento, pois tem uma dura
o mdia de 5 anos, ou seja, avaliando o custo
em rela
o ao uso de ACO sairia mais barato; n
o impede a ovula
o, sendo este importante por manter a libido da
paciente, n
o sofre metaboliza
o heptica; n
o passa em grandes quantidades para corrente sangunea, e com isso,
n
o provoca efeitos colaterais; restabelece a fertilidade aps sua retirada.
As desvantagens desse mtodo contraceptivo seriam a n
o prote
o contra doenas sexualmente
transmissveis, e n
o tem os mesmos benefcios dos ACO, pois no DIU de Mirena a paciente ainda ovula.
Embora n
o seja uma contra-indica
o absoluta, n
o se recomenda o uso de DIU em pacientes que ainda n
o
tiveram filhos. As infeces s
o as principais preocupaes na usuria de DIU.
Em resumo temos:
Vantagens
N
o requer interferncia do casal para sua eficcia.
N
o interfere no ato sexual
Tem efeito prolongado
Mantm a Libido da Paciente
N
o tem Efeitos colaterais sistmicos
Baixo custo
Desvantagens
Est relacionado com a eleva
o de doenas
inflamatrias plvicas benignas
Interfere na Infertilidade – associado somente ao DIU de
cobre, por aumentar as chances de DIP e com isso
levar a sequelas das trompas.
Dismenorria – DIU de cobre
Gesta
o de Cobre – DIU de cobre
N
o previne contra DSTs.
M É T O D O D E F I N I T I V O
Consiste na realiza
o de procedimentos
cirrgicos para impedir a condu
o dos
espermatozides at o vulo. Alm disso, importante
salientar que, embora definitivo, esses mtodos n
o
impedem com que a fertilidade da paciente seja
restabelecida espontaneamente ou cirurgicamente.
Isso pode ser comprovado pela literatura, com
relatos de reestrutura
o do ducto deferente, como
tambm, recanaliza
o espontnea das tubas uterinas.
Os principais mtodos definitivos s
o:
V a s e c t o m i a ( d e f e r e n t e c t o m i a ) : um mtodo contraceptivo atravs da ligadura dos canais deferentes no
homem. uma pequena cirurgia realizada sob anestesia local que n
o necessita de interna
o. As taxas de
falha da vasectomia, s
o menores que 1%, mas a eficincia da opera
o e os ndices de complicaes variam
com o nvel de experincia do cirurgi
o que faz a opera
o e a tcnica cirrgica utilizada. Embora uma falha
tardia (causada pela recanaliza
o dos ductos deferentes) seja muito rara, ela tambm foi documentada.
L a q u e a d u r a : consiste no mtodo de esteriliza
o feminina caracterizado pelo corte e/ou ligamento cirrgico das
tubas uterinas, que fazem o caminho dos ovrios at o tero. um procedimento seguro que pode ser feito de
vrias maneiras, sendo necessria interna
o e anestesia geral ou regional. Aps a opera
o, o risco de
gravidez da mulher de menos de 1%.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
226
MED RESUMOS 2011
ELOY, Yuri Leite; NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
I N F E R T I L I D A D E
( P r o f e s s o r a R i e v a n i d e S o u z a D a m i ã o )
A infertilidade é definida como a incapacidade do casal em estabelecer uma gestação, após um ano de relações
sexuais frequentes, sem uso de nenhum método contraceptivo. Admite-se que após os 35 anos, devido à redução
drástica de sua fertilidade, considerado infértil a partir de 6 meses, e não 1 ano. E após esse tempo pode-se começar
uma investigação para as possíveis causas da infertilidade.
É importante saber diferenciar dois termos distintos em relação a este tema: Infertilidade e Esterilidade. A
esterilidade é definida como a incapacidade permanente de procriação, por exemplo, mulheres que não possuem útero
ou ovários, e homens com ausência dos testículos.
A infertilidade ainda pode ser classificada em primária ou secundária. Na primária há uma ausência de gestação
prévia, e na secundária, existe histórico de gestação prévia, porém, não necessariamente um nascimento vivo, ou seja,
pode ter ocorrido abortamento, morte fetal, gravidez ectópica.
ETIOLOGIA
Pode-se dizer que 30% dos casais inférteis são por conta do sexo masculino, 30% da mulher e 30% ambos
estão envolvidos no processo de infertilidade e somente 10% corresponde à infertilidade sem causa aparente.
Entretanto, esses dados não levam em consideração a faixa etária da paciente, e a incapacidade científica de descobrir
a origem do problema.
PROPEDUTICA
A propedêutica do casal infértil, deve ter como intenção descobrir os possíveis fatores que interferem na
dificuldade de obtenção da gravidez. Com isso, o principio de base não é o tratamento, mas sim, identificar o problema
primário que determina a infertilidade.
Com isso a propedêutica da infertilidade pode ser dividida em uma p e s q u i s a b á s i c a , que na maioria das vezes
chega em um diagnóstico definitivo, e a partir dele um tratamento, e ainda, a p e s q u i s a a v a n ç a d a .
PESQUISA B
SICA
P E S Q U I S A G E R A L
Na pesquisa geral inclui-se a realização de anamnese, exame físico, exame ginecológico e alguns exames
complementares.
A n a m n e s e devem-se pesquisar os antecedentes patológicos e pessoais.
A n t e c e d e n t e s p a t o l ó g i c o s : deve-se indagar sobre, tuberculose na família, epilepsia, diabetes, má-
formações fetais, casamentos co-sanguíneos, investigar a fertilidade da família.
A n t e c e d e n t e s p e s s o a i s : investigar a presença de cirurgias prévias, especialmente pélvicas e
abdominais, pois esses procedimentos podem levar aaderências pélvicas, sendo este um dos fatores
que podem evoluir para infertilidade feminina, doenças sexualmente transmissíveis, doenças
inflamatórias pélvicas, tuberculose pode culminar em esterilidade da mulher, uso de medicamentos,
fumo e drogas ilícitas.
A n t e c e d e n t e s o b s t é t r i c o s : devemos investigar o número de gestações e puerpério e mudança de
parceiro acompanhada de infertilidade.
A n t e c e d e n t e s s e x u a i s desempenham um papel importante na investigação diagnóstica da infertilidade.
Com isso é pertinente informar-se sobre início da vida sexual, história de abuso sexual, ocorrência de
dispareunia de penetração, frequência das relações sexuais. Sobre a dispareunia é importante investigar
a presença de endometriose, sendo esta uma causa importante de infertilidade, higienização vaginal
exaustiva após a relação sexual.
S i n t o m a t o l o g i a é importante relacioná-la com patologias ginecológicas. Entre as queixas principais
temos a galactorréia que está intimamente relacionada com a hiperprolactinemia que inibe o eixo
hipotálamo-hipofisário, e queixas vaginais que estão relacionadas principalmente com as doenças
infecciosas da vagina.
E x a m e f í s i c o : avaliar o peso e a altura dessas pacientes, índice de massa corporal, distribuição da adiposidade,
distribuição dos pêlos, presença de acne e oleosidade. Esses sintomas se relacionam principalmente com a
síndrome dos ovários policísticos, sendo esta outra causa importante de infertilidade.
E x a m e g i n e c o l ó g i c o : deve ser realizado de forma completa, caso seja identificada alguma anormalidade ou
doença clínica deve ser tratado antes de entrar na pesquisa especializada.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
227
E x a m e s c o m p l e m e n t a r e s :
P a r a o c a s a l
Hemograma
Sorologia para HIV, Sífilis e Hepatite B
P a r a a m u l h e r
Tipagem Sanguínea e Fator Rh
Colpocitologia Oncótica
Sorologia para Rubéola
P E S Q U I S A E S P E C Í F I C A
Esta etapa da investigação é especialmente para as mulheres, nas quais desempenha um papel de grande
importância. O primeiro exame que deve ser solicitado nesses casos é a histerosalpingografia.
H i s t e r o s a l p i n g o g r a f i a .
Apesar de ser um exame relativamente invasivo (através da injeção de um contraste no interior da cavidade
uterina e das tubas), traz informações importantes sobre a permeabilidade das tubas uterinas e anormalidades da
cavidade uterina, como presença de pólipos, miomas etc. As obstruções tubárias vistas na histerosalpingografia podem
ser ocasionadas por processos infecciosos, levando as salpingites, sequelas traumáticas por curetagem, endometriose,
laqueadura, salpingectomia e tuberculose genital. A hidrossalpinge pode ser um resultado de algum processo infeccioso
pélvico, ou ainda, pós-laqueadura tubária.
Através da injeção do contraste é possível visualizar sua distribuição através da cavidade uterina, até sua
eliminação na pelve, demonstrando uma permeabilidade íntegra das tubas uterinas.
Por isso é o primeiro exame a ser solicitado antes mesmo da ultrasonografia. Entretanto, não é capaz de avaliar
as condições do endométrio.
S c o r e C e r v i c a l .
Embora não estejam mais disponibilizados nos serviços privados, nos serviços públicos ainda são utilizados, já
que são importantes para avaliar a capacidade desse muco, ou seja, se existe um fator ovulatório satisfatório, através do
Billings ( F i l â n c i a d o M u c o ) , e a capacidade do espermatozóide de atravessar o muco.
De uma forma geral, nesse exame, devemos avaliar a quantidade de muco presente, ou seja, seu volume,
abertura do orifício cervical, e ainda, sua filância (quando colocado entre os dedos tem uma extensão normal de 10 cm).
A cristalização são formações semelhantes a escamas de samambaia terciárias, que são achados típicos da
ação terciária do muco.
Assim de acordo com os critérios acima, é feita uma pontuação, quando esta pontuação está acima de 8,
concluímos que essa paciente tem uma boa ação estrogênica, ou seja, a paciente ovula sobre níveis adequados de
estrogênio. Assim de acordo, com essa avaliação é possível descartar defeitos ovulatórios.
T e s t e p ó s - c o i t o .
Tem por finalidade avaliar a eficácia do coito, ou seja, investigar se de fato
a paciente tem relações sexuais, através da presença de espermatozóides no
interior da vagina da paciente. Assim após a relação sexual, em um período não
superior a 6 horas, é colhida a secreção pós-coito no fundo de saco posterior,
colocada em uma lâmina, e posteriormente observado em um microscópio (com
aumento de 400 vezes).
Assim através desse exame avalia-se a quantidade de espermatozóides
presentes no campo, e ainda a interação do mesmo com o muco, ou seja,
capacidade de atravessar a barreira mucosa. Isso é importante, pois, muitas vezes
o parceiro pode ter um espermograma normal, porém, a secreção vaginal elimina
totalmente os espermatozóides.
Após 2 a 5 dias de abstinência sexual, deve-se praticar a relação em decúbito dorsal, sem utilização de
lubrificantes vaginais. Depois disso, o exame deve ser feito após 6 a 10 horas da relação sexual.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
228
D o s a g e m p r o g e s t e r o n a s é r i c a .
Deve ser feita duas dosagens na segunda fase do ciclo, uma no 19 e outra do 23 dia. o exame mais rotineiro
em ginecologia. Caso a soma das duas amostras seja maior que 10 considera-se nveis de progesterona adequados.
Entretanto alguns autores acreditam que essa dosagem n
o reflita fidedignamente os nveis de progesterona
plasmticos, devido principalmente a sua secre
o pulstil (irregular).
D o s a g e m d e P r o l a c t i n a S é r i c a .
Tambm deve ser dosado, geralmente em torno do 19 e 20 dia do ciclo. Prolactina aumentada pode refletir em
uma fase ltea imperfeita. Ou seja, a prolactina impede que o corpo ltea secrete adequadamente a progesterona.
B i ó p s i a d o e n d o m é t r i o .
Serve para avaliar a resposta do endomtrio exposi
o da progesterona. um exame que se presta para
avaliar as mudanas do endomtrio em rela
o a
o da progesterona. Atualmente est se evitando a realiza
o de
bipsia do endomtrio, devido s leses provocadas pelo procedimento.
O exame realizado em torno do 23 dia do ciclo, na fase ltea mdia, em que j houve uma a
o definitiva da
progesterona, avaliando a data
o do endomtrio. Entre os principais achados endometriais s
o:
A t i v i d a d e P r o l i f e r a t i v a : identifica a presena de ciclos anovulatrios, concluindo que a paciente s tem uma
a
o do estrognio.
A t i v i d a d e S e c r e t ó r i a : indica presena de ovula
o
D a t a ç ã o d o E n d o m é t r i o : a data
o do endomtrio o procedimento utilizado para se estabelecer os dois
achados citados acima. Para isso, deve-se comparar os padres do endomtrio da paciente, com os padres de
uma paciente com ciclo ovulatrio normal. Entretanto os resultados podem mostrar um desvio padr
o 3 dias
retrospectivamente e 2 dias prospectivamente; caso o resultado ultrapasse esses padres e considerado
inadequado.
E s p e r m o g r a m a .
Deve ser solicitado independente de ter tido filhos em outros relacionamentos. Existem vrias formas de
avalia
o do espermograma, entretanto, os critrios mais avaliados est
o citados:
V o l u m e s e m i n a l : normal 2 a 5 ml
p H : 7,2 a 8,0
C o n c e n t r a ç ã o e s p e r m á t i c a : > 20 milhes/ml e mais de 40
milhes no ejaculado total.
M o b i l i d a d e : A – movimentos rpidos e direcionais; B –
lentos e com dire
o comprometida; C – sem dire
o fixa;
e D – paralisados. Com isso, nos pacientes em que h 50%
dosespermatozides com progress
o do tipo A e B est
normal, ou, acima 25% do tipo A nos primeiros 60 minutos
aps a ejacula
o.
M o r f o l o g i a : quanto morfologia dos espermatozides
deve-se dar prioridade cabea. Assim, diz-se que o
espermograma est normal, quando o paciente apresenta
pelo menos 30% dos espermatozides com cabea ovide.
Entretanto, a cabea pode se apresentar na forma
cilndrica, arredondada ou ainda possuir duas cabeas.
Esses espermatozides n
o entram para avalia
o.
V i t a l i d a d e : quantos espermatozides permaneceram vivos
em determinado tempo.
No espermograma alterado os possveis diagnsticos s
o:
A z o s p e r m i a : ausncia de espermatozide no ejaculado;
O l i g o e s p e r m i a : abaixo de 20 milhes;
A s t e n o z o o s p e r m i a : alteraes da motilidade, estando abaixo dos 50% da forma A ou B ou abaixo dos 25% nos
primeiros 60 minutos do ejaculado;
T e r a t o z o s p e r m i a : consiste em alteraes da morfologia, n
o tendo os 30% da forma normal.
U l t r a s o n o g r a f i a .
A ultrasonografia tem uma importncia especial principalmente na avalia
o dos folculos ovarianos, ou seja,
avaliar seu crescimento, rompimento com consequente forma
o do corpo lteo e ainda avaliar as modificaes cclicas
do endomtrio.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
229
PESQUISA AVANADA
A pesquisa avançada está restrita aquelas pacientes com ciclos irregulares, amenorréia sugerindo anovulação
crônica ou esporádica. Um dos objetivos principais da pesquisa avançada, além da pesquisa da infertilidade, consiste na
identificação da etiologia da anovulação.
A pesquisa avançada se inicia através da dosagem de F S H , L H , p r o l a c t i n a e e s t r a d i o l . Além disso, ainda pode
ser solicitado a pesquisa androgenética (testosterona, androstenediona).
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
230
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
S Í N D R O M E D A T E N S Ã O P R É - M E N S T R U A L
( P r o f e s s o r A n t ô n i o H e n r i q u e s )
Na antiguidade, a m e n s t r u a ç ã o era vista como um perodo de desintoxica
o, sendo ela cercada de mitos e
conotaes negativas. Universalmente acreditava-se que a mulher estava possuda por um e s p í r i t o d o m a l . Todo este
esteretipo mascarou, por algum tempo, a real fisiopatologia do perodo pr-menstrual.
A s í n d r o m e d a t e n s ã o p r é - m e n s t r u a l (STPM) consiste na cole
o de desordens somticas, afetivas e
comportamentais que ocorrem durante a segunda metade do ciclo menstrual (fase ltea, em que a progesterona o
hormnio predominante), de manifesta
o cclica e recorrente e melhora significativa com o incio do fluxo menstrual. Em
outras palavras, uma sndrome que atinge as mulheres e que ocorre, em maior ou menor grau, nos dias que
antecedem a menstrua
o. Ela se caracteriza por uma irritabilidade e ansiedade mais acentuadas, bem como
manifestaes fsicas, como por exemplo dor nas mamas, distens
o abdominal e cefalia. Decorre da reten
o de sdio
e gua.
Nos Estados Unidos, cerca de 40% das mulheres que menstruam relatam problemas relacionados com o ciclo
menstrual – no Brasil, estes dados devem ser bem mais relevantes. 2 a 10% tem queixas que prejudicam as atividades
dirias ou chegam a ser incapacitantes, o que faz da TPM um problema de sade pblica.
ETIOPATOGENIA
Ainda na dcada de 80, pensava-se que a TPM era apenas um problema psicolgico da mulher, n
o havendo
uma fisiopatologia concreta por trs dela. Desde 1983, falharam os esforos para identificar um mecanismo
fisiopatolgico especfico que demonstrasse os seguintes pontos:
Diferenas entre mulheres com e sem sintomas em rela
o a todos os nveis hormonais ao longo do ciclo
menstrual (estrgeno, progesterona, testosterona, FSH, LH, prolactina, SHBG);
Ganho de peso
Dosagens de substncias envolvidas na regula
o de fluidos (ex: aldosterona)
Alteraes no eixo HHO em rela
o s glndulas andrenais, tireide e ovrios
Alteraes nas dosagens de Mg, Zn, vitaminas A, E ou B6
Ainda hoje, o mecanismo fisiopatolgico da TPM desconhecido, principalmente devido s diferenas entre a
sintomatologia individual de cada mulher. Existem, contudo, teorias que tentam associar a TPM a alguma causa orgnica
ou psquica, auxiliando na tentativa teraputica desta afec
o.
A principal teoria afirma que a TPM uma a f e c ç ã o p s i c o n e u r o e n d ó c r i n a c o m p l e x a , partindo do pressuposto
que h uma influncia dos hormnios sexuais sobre a concentra
o de alguns neurotransmissores (serotonina,
dopamina, norepinefrina, endorfina, melatonina, GABA), o que explicaria algumas formas de comportamento:
Serotonina: destaque como mediador nas alteraes de humor e comportamento (depress
o, irritabilidade,
agressividade).
Dopamina: controle tnico sobre secre
o de prolactina e aldosterona.
Endorfinas: fadiga, bem estar, euforia, inibidores de prostaglandinas.
Esta teoria tem como base a capacidade de podermos associar as alteraes neuroendcrinas que antecedem o
perodo menstrual ao quadro sintomatolgico geral da TPM. Isto se d da seguinte forma:
A l t e r a ç õ e s h o r m o n a i s : O incio dos sintomas simultneo ao desenvolvimento do corpo lteo, de forma que o
quadro sintomatolgico comea junto libera
o de progesterona e intensifica com seu aumento. Porm, os
sintomas costumam se intensificar no final de ciclo, quando os nveis de progesterona caem. Seria preciso haver
a associa
o de estrognio e de progesterona. Contudo, n
o se sabe se as concentraes hormonais
plasmticas s
o diferentes das concentraes no SNC ou se estes hormnios possuem a
o variada de acordo
com regi
o cerebral.
R e t e n ç ã o h í d r i c a : a diminui
o da atividade adrenrgica resulta no aumento da prolactina, aldosterona e
libera
o de vasopressina (hormnio antidiurtico), responsvel pelo edema, aumento do volume mamrio,
ganho de peso, distens
o e desconforto abdominal e mastalgia.
P r o s t a g l a n d i n a s : mediadores inflamatrios que aumentam de concentra
o no fim do ciclo e apresentam a
o
perifrica sobre musculatura lisa, causando diarria, naseas, vmitos, cefalia, depress
o.
V i t a m i n a B 6 ( P i r i d o x i n a ) : admite-se que ela atua na produ
o de dopamina e de serotonina, embora nada
esteja comprovado.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
231
SINTOMATOLOGIA
Em 1969, Moss listou mais de 150 sintomas para a TPM, sendo a maioria inespecífica. Atualmente, são
descritos mais de 200. Contudo, não existe nenhum sinal ou sintoma patognomônico da STPM (Mortola, 1992), uma vez
que cada mulher tende a desenvolver um conjunto específico de sintomas, quando não for assintomática.
Semiologicamente, é necessário observar época do aparecimento dos sintomas e sua intensidade,
estabelecendo sua relação com o desempenho social, familiar e profissional. A frequência e a intensidade dos sintomas
aumentam com a idade, principalmente a partir dos 30 anos (Diegoli et al.,1995).
Para o diagnóstico clínico da STPM, é fundamental que a fase folicular (primeira fase do ciclo) seja livre de
sintomas semelhantes.
Para Speroff (2005), o mais importante para o diagnóstico não é a quantidade ou variedade dos sintomas, mas
sim sua r e c o r r ê n c i a m e n s a l e suas c a r a c t e r í s t i c a s c í c l i c a s . Os mais comuns são as mudanças de humor.
O B S 1 : Sabe-se que as mudanças hormonais não são um fator etiológico da STPM, mas elas podem influenciar
diretamente no humor através do sistema serotoninérgico.
Podemos dividir as manifestações clínicas da STPM em quadros físico e psicológico:
Sintomatologiafísica (somáticos):
Mastalgia (88%);
Cefaléia (86%);
Ganho de peso (52%);
Lombalgia (66%);
Palidez (58%);
Oligúria (56%);
Fadiga (54%)
Diarréia (24%)
Distensão abdominal
Psicológica (afetivos)
Irritabilidade (98%)
Depressão (78%)
Falta de concentração (34%)
Apatia (26%)
Compulsão por doces, aumento do apetite
DIAGNSTICO
Para o diagnóstico da STPM, o A m e r i c a n C o l l e g e o f O b s t e t r i c s a n d G y n e c o l o g y (ACOG, 2000) e a A m e r i c a n
P s y c h i a t r i c A s s o c i a t i o n (APA) preconizam que os seguintes pontos sejam obedecidos:
Presença de pelo menos um dos sintomas, afetivos ou somáticos, 5 dias antes da menstruação e em 3 ciclos
prévios
Alívio dos sintomas em 4 dias após o início da menstruação
Ocorrência reprodutível dos sintomas durante 2 ciclos de observação prospectiva
Disfunção identificável da performance social ou econômica
Em casos de D i s t ú r b i o D i s f ó r i c o P r é - M e n s t r u a l ( D D P M ) , obrigatoriamente um dos sintomas presentes deve
ser: irritabilidade, depressão, ansiedade ou labilidade emocional ( A m e r i c a n P s y c h i a t r i c A s s o c i a t i o n , 1 9 8 7 ).
TRATAMENTO
Como a etiologia da STPM é complexa, várias formas de tratamento
são propostas e, partindo do pressuposto que a TPM é um problema de saúde
pública, ela deve ser tratada, prevenindo maiores prejuízos socioeconômicos
para as mulheres que sofrem deste mal. É necessário tomar conta que o
comportamento e ansiedade podem ser confundidas com doenças psíquicas e
físicas, de forma que a qualidade de vida e o desempenho profissional podem
ser prejudicados devido à TPM.
De um modo geral, o tratamento deve ser direcionado pela observação
individual dos sintomas predominantes (Speroff, 2005).
O R I E N T A Ç Õ E S G E R A I S
O tratamento da STPM pode ser auxiliado com medidas gerais, do
ponto de vista dietético, físico e psicológico.
A t i v i d a d e f í s i c a : a realização de exercícios aeróbicos e regulares
diminui as tensões emocionais, aumenta a liberação de endorfinas,
melhorando o sono, o humor e aumentando a auto-estima.
P s i c o t e r a p i a : o acompanhamento psicológico é fundamental para o
alívio dos fatores psicológicos característicos da STPM. Nos casos
mais leves, o tratamento pode ser feito pelo próprio ginecologista. Em
casos mais severos, é prudente o encaminhamento para o psiquiatra.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
232
D i e t a : as seguintes recomendações devem ser atendidas:
Realizar pequenas refeições ao longo do dia, principalmente no período que antecede a menstruação;
Não pular refeicões;
Aumentar a ingestão de carboidratos complexos: cereais integrais, sementes, nozes, hortaliça e frutas
Diminuir a ingestão de carboidratos simples: açucar refinado e derivados
A dieta deve ser hipoprotéica, pobre em carboidratos e em sal
Evitar álcool, café, chá, açúcar refinado:
A diminuição da cafeína reduz a cefaléia, insônia e ansiedade
A restrição do sal diminui os efeitos da retenção hídrica e edema
A diminuição do consumo de açúcar refinado reduz o grau de distensão abdominal, mastalgia e
perda de Mg
A baixa ingestão de álcool impede a hipoglicemia e melhora os sintomas da TPM
T R A T A M E N T O S A L T E R N A T I V O S
Os seguintes tratamentos alternativos devem ser considerados para aquelas pacientes que acreditam na eficácia
dos mesmos ou que já realizaram tratamentos semelhantes e apresentaram melhoras. São eles:
Acupuntura
Ioga
Meditação
Massagens
T R A T A M E N T O M E D I C A M E N T O S O
A farmacoterapia da STPM tem pelo menos três estratégias fundamentais para o seu efeito:
1. Estímulo a síntese de neurotransmissores: vitaminas, sais minerais, ácidos graxos
2. Sintomático
3. Ação sobre o ciclo hormonal
O B S 2 : O tratamento com p l a c e b o está associado ao desejo de ter uma prescrição médica e, até o momento, tem
importante papel terapêutico. Há indícios de melhor ação se houver boa interação com médico assistente e se houver
melhora de auto-estima.
1 . E s t í m u l o d a s í n t e s e d e n e u r o t r a n s m i s s o r e s .
V i t a m i n a B 6 ( p i r i d o x i n a ) : é co-fator na síntese de dopamina e serotonina a partir do triptofano, além de
funcionar como fator regulador da produção da MAO. Pode ser utilizada com até 50 a 600 mg/dia, em 2 doses,
isolada ou com magnésio (100 mg/dia, na 2° fase do ciclo). Ainda não há comprovação científica de sua eficácia
terapêutica.
M a g n é s i o : a diminuição do Mg está relacionada com alterações na monoamino oxidase (MAO) e na serotonina,
além do aumento da aldosterona. Pode ser que o Mg restaure neurotransmissores responsáveis por alterações
comportamentais (compulsão por doces, fadiga). Pode ser utilizado na dose de 100 mg/dia, na 2° fase do ciclo.
A ingestão de laticínios e cálcio diminui a absorção de Mg.
A associação de vitamina B6 e magnésio pode promover controle do ganho de peso no período pré-menstrual,
diminuição da sensibilidade ao stress, melhora do sono e regulação do ciclo menstrual e da duração da menstruação.
2 . S i n t o m á t i c o
E n x a q u e c a : pode ser tratada com qualquer analgésico, associado ou não a antiinflamatórios não hormonais.
Paracetamol 500 mg, 3x/dia
AINE: iniciar 1 semana antes (no intuito de diminuir a síntese das prostaglandinas) e manter até o 2° ou
3o dia de fluxo.
Ácido mefenâmico (Ponstan®) 500 mg, 3x/dia; naproxeno 500 mg,3x/dia;
Piroxicam, 20-40 mg/dia
Para a crise aguda, podemos utilizar Sumatriptano (Imigran®, Sumax®), 100 mg, via oral ou ampola de
6ml subcutâneo.
D e p r e s s ã o : o tratamento da depressão tem efetividade comprovada por estudos randomizados, duplo-cego e
placebo-controlado, principalmente quando utilizamos i n i b i d o r e s s e l e t i v o s d a r e c a p t a ç ã o d e s e r o t o n i n a ,
como a Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina (aprovados pelo FDA). Para Speroff, devem ser considerados os
fármacos de primeira escolha (SPM e DDPM).
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
233
Fluoxetina, 10 - 60 mg/dia (Steiner et al, 1995; Diegoli et al, 1998; Rickels et al, 1989). Seu uso n
o deve
ser contnuo, mas limitado ao perodo pr-menstrual ou contnuo por pelo menos 6 meses. Deve ser
ingerido pela manh
, com alimentos.
Sertralina (Dieloft TPM), 50 mg/dia. Pode ser utilizada com sucesso s nos ultimos 10 dias do ciclo
(Halbreich)
Amitriptilina (Tryptanol), iniciar com 12,5 mg/noite e aumentar para 25 mg/noite. Seus efeitos adversos
s
o aumento do apetite e peso, perda conscincia.
O B S 3 : A H y p e r i c u m p e r f o r a t u m (Erva de S
o Jo
o) utilizada como fitoterpico para tratamento sintomtico da TPM.
utilizada na dosagem de 300 a 600 mg/dia. Leva cerca de 4 semanas para atuar, sendo indicada apenas para os casos
leves. Tem os seguintes efeitos adversos: fototxicos, inflamaes gastrointestinais.
S i n t o m a s n e u r o p s í q u i c o s : s
o eles: ansiedade, irritabilidade, mudanas bruscas de humor. Podemos lanar
m
o dos seguintes agentes:
Ansiolticos: devem ser utilizados com extrema parcimnia, sob o risco de causar dependncia.
Diazepnicos (GABA-agonista) 5-10 mg/dia
Alprazolam (Frontal) 0,125-0,75 mg/dia: insnia, enjo, tontura
Cloridrato de flufenazina (Diserim) 1 mg/dia, na 2 fase do ciclo
Buspirona, 25 mg/dia; 12 dias antes da menstrua
o: irritabilidade, fadiga
P a s s i f l o r a a l a t a (maracuj): comprimidos de 0,075 mg, antes de deitar
D o r :
Vitamina E: provvel modulador da produ
o de prostaglandinas (PG F2 alfa), diminuindo a mastalgia e
a dor plvica. utilizado na dosagem de 150 a 400 IU/dia. cido Gama-linolico: aumenta a PG E1 no SNC. Seu efeito questionvel.
R e t e n ç ã o h í d r i c a : devemos lanar m
o de diurticos (iniciar 7 a 10 dias antes da menstrua
o at o incio do
fluxo).
Espironolactona (Aldactone), 50-100 mg/dia , VO, pela manh
. Estudos duplo-cego e controlados n
o
mostraram um impacto clnico sobre a reten
o hdrica melhor que placebo.
Bendroflumetiazida 2,5 mg/dia, VO, pela manh
.
3 . A ç ã o s o b r e o c i c l o h o r m o n a l
A n á l o g o s d o G n R H : promove a inibi
o de atividade ovariana. Devemos, contudo, observar seu custo e seu
uso prolongado, o que pode causar hipoestrogenismo e redu
o de densidade ssea ( o o f o r e c t o m i a
m e d i c a m e n t o s a ) . Quando houver indica
o, devemos associar estrognio e progesterona para diminuir efeitos
adversos: resultados ainda inconsistentes.
P r o g e s t á g e n o s : os resultados s
o contraditrios. Seus efeitos adversos mais comuns s
o aumento de peso,
diminui
o libido, fadiga e seda
o. A progesterona deve ser administrada em doses que variam de 400 a 1200
mg/dia.
cido medroxiprogesterona – 10 mg/dia, na 2 fase do ciclo
Didrogesterona – 10 mg, 2x/dia, do 11 ao 25 dia do ciclo
cido medroxiprogesterona injetvel, 150 mg, trimestral. Efeitos depressivos e densidade ssea
Progestgeno contnuo
Desogestrel oral
Implante com etonogestrel: bons resultados para pacientes com cefalia, sintomas fsicos e que n
o
respondem ao tratamento com antidepressivos
DIU com levonorgestrel
A n t i c o n c e p c i o n a i s h o r m o n a i s c o m b i n a d o s : variam de acordo com absor
o hormonal, susceptibilidade
individual, desenvolvimento folicular, efeitos colaterais. Eles suprimem ovula
o e diminuem a flutua
o
hormonal andrognica. As alteraes do humor e do comportamento dependem atividade andrognica dos
progestgenos. Quando se deseja a anticoncep
o, devemos utilizar os de baixa dosagem.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
234
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
D O E N Ç A S S E X U A L M E N T E T R A N S M I S S Í V E I S
( P r o f e s s o r A n t ô n i o H e n r i q u e s )
As doenas sexualmente transmissveis (DST) est
o entre os problemas de sade pblica mais comuns no
mundo, principalmente a partir da dcada de 80, quando os primeiros relatos de infec
o por HIV foram publicados. A
OMS relatou, em 1999, que houveram 340 milhes de novos casos de DST curveis em popula
o na faixa etria entre
15 a 49 anos (10 – 12 milhes s no Brasil).
De fato, a maioria das DST s
o tratveis e/ou curveis, com exce
o feita para o herpes (que n
o traz risco de
morte) e AIDS. Esta, de fato, uma DST importante, incurvel e que cursa com uma importante imunodeficincia para
o portador, de modo que a predisposi
o a infeces oportunistas algo alarmante. Contudo, na vigncia de
tratamentos mais modernos e com a institui
o do coquetel HAART (H i g h l y A c t i v e A n t i R e t r o v i r a l T r e a t m e n t ), a AIDS
deixou de ser uma doena fatal para ser uma doena crnica, assim como a diabetes ou a hipertens
o arterial, de
modo que a sobrevida do paciente pode ser cada vez mais protelada.
As principais e mais graves consequncias das DST s
o:
Doena Inflamatria Plvica;
Infetilidade (10 – 25%);
Abortos espontneos;
Natimortalidade;
Baixo peso ao nascer;
Gravidez ectpica;
Morbidade neonatal;
Imunodepress
o;
Estigmatiza
o social;
bito;
Maior risco de infec
o por HIV
A prevalncia das DST no Brasil pode ser resumida no quadro abaixo. Como principais causas para o aumento
desta prevalncia, podemos citar: Ineficincia de campanhas educativas; Aumento da popula
o urbana; Mudanas de
hbitos e costumes; Promiscuidade sexual; Uso de anticoncepcionais orais; Apelo ertico na mdia; Uso indiscriminado
de antibiticos induzindo resistncia dos agentes teraputica.
ABORDAGEM AO PACIENTE COM DST
O paciente portador de DST deve ser abordado eficientemente pelo profissional de sade. Para isso, devemos
considerar os seguintes pontos durante o atendimento:
Atendimento imediato: fornece maiores vantagens para o portador de DST.
Abordagem sindrmica: o Ministrio da Sade desenvolveu fluxogramas que auxiliam no diagnstico e
tratamento da maioria das DST. Na maioria das vezes, a teraputica destas doenas simples, o que exige
apenas um diagnstico certeiro e a implanta
o de medidas de tratamento o mais precoce possvel.
Consulta: deve constar, basicamente, de d i a g n ó s t i c o , t r a t a m e n t o e a c o n s e l h a m e n t o . Para isso,
fundamental os seguintes fatores:
Rela
o mdico-paciente;
Oportunidade educacional;
Cura de infeces possveis;
Diminui
o dos sintomas e complicaes;
Interromper cadeia de transmiss
o;
Vacina
o para HVB (agente causador da
hepatite B) em pacientes < 30 anos;
Triagem sorolgica;
Teraputica;
Oferta de preservativos.
SFILIS
uma doena infecciosa crnica causada pelo T r e p o n e m a p a l l i d u m , um agente bacteriano cujo contgio
acontece atravs do ato sexual. A infec
o pelo T . p a l l i d u m deve passar por trs fases:
1. Sfilis primria: les
o inicial com mltiplas apresentaes clnicas
2. Sfilis secundria: perodos de silncio clnico espontneos
3. Sfilis terciria: acometimento de mltiplos sistemas orgnicos
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
235
A G E N T E E T I O L Ó G I C O
O agente etiolgico da sfilis o T r e p o n e m a p a l l i d u m , uma bactria
fina, helicoidal, com cerca de 0,15 μm de largura e de 6 a 50 μm de
comprimento (6 a 14 espirais). Suas principais caractersticas s
o:
Bactria exclusiva do ser humano, com membrana externa rica em
fosfolipidios;
N
o cultivvel;
Pouco corvel pelo mtodo GIEMSA;
N
o resiste fora de seu ambiente;
Capacidade de multiplica
o a cada 30 horas.
E P I D E M I O L O G I A
A sfilis pode ser adquirida ou congnita. A s í f i l i s a d q u i r i d a aquela obtida atravs do intercurso sexual e
contato ntimo com os subtipos L1 e L2 da bactria. O contgio atravs de fmites (saliva, suor, etc.) ou por sangue
contaminado pouco provvel.
A s í f i l i s c o n g ê n i t a , por sua vez, causada pela contamina
o transplacentria (da a importncia de se
pesquisar o VDRL antes, durante e no fim da gesta
o, no intuito de evitar este tipo de contamina
o).
Estatisticamente, a sflis ocorre em todas as classes sociais, sendo mais comum em ambiente urbano. O
aumento de sua incidncia mais concentrado em jovens sexualmente ativos (entre 15 e 25 anos), guardando estrita
rela
o com o baixo nvel educacional, com o aumento do nmero de parceiros e com a homossexualidade e itinerantes.
P A T O G Ê N E S E
O T . p a l l i d u m penetra atravs de abrases epiteliais produzidas durante o coito
e, dentro de 30 minutos, alcana e invade o tecido linftico por via hematognica. Com
aproximadamente 21 dias (incuba
o = 1 / inoculo), ocorre o aparecimento de les
o
primria no stio de penetra
o da bactria (inclusive na mucosa oral).
Normalmente, a les
o surge na regi
o dos pequenos lbios, mostrando-se na
forma de uma pequena les
o ulcerosa, com margens bem delimitadas.
Podemos destacar as seguintes fases na infec
o pelo T . p a l l i d u m :
S í f i l i s p r i m á r i a : no local de penetra
o, o treponema estabelece ligaes
especficas com clulas hospedeiras, promovendo um aumento da resposta
imunolgica local (mediada por linfcitos, plasmcitos, moncitos e PMN). Isto
resulta em eros
o e exulcera
o do local de penetra
o.
S í f i l i s s e c u n d á r i a e t e r c i á r i a : decorrente da rea
o granulomatosacausada
pela forma
o de anticorpos e complexos imunolgicos circulantes que passam
a acometer sistemas viscerais variados, obedecendo, preferencialmente, a
seguinte ordem: pele, sistema cardiovascular, SNC, ossos, msculo e fgado.
Como a imunidade n
o bem sucedida no combate ao T . p a l l i d u m , h uma
tendncia cronicidade e aumento do acometimento sistmico.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
236
S Í F I L I S P R I M Á R I A
A fase de incubação, que dura desde a infecção até a manifestação da doença na forma de lesões, é de cerca
de 21 dias.
Inicialmente, a lesão primária é caracterizada por uma lesão elementar na forma de uma pápula rósea,
demarcado o local de invasão do treponema.
Com o passar dos dias, esta
lesão sofre uma ulceração, formando
o chamado c a n c r o d u r o ,
caracterizado por uma lesão ulcerosa
bem delimitada, bem formada e
endurecida.
Passados 10 dias da
infecção, a paciente pode vir a
desenvolver linfadenomegalia.
Vale salientar que a lesão
pode se manifestar em qualquer
outra região, a depender de onde
houve a penetração da bactéria. Há
relatos de manifestação da síflis
primária nas seguintes regiões:
mucosa oral, língua, dedo
(quirodáctilos), ânus, boca, etc.
S Í F I L I S S E C U N D Á R I A
A evolução da sífilis primária para a sífilis secundária acontece em questão de meses (4 a 8 semanas), logo
depois de uma fase de remissão dos sintomas. Da fase secundária para a terciária, o intervalo ocorre em questão de
anos.
Na sífilis secundária, ocorre que uma doença de manifestações locais, tornou-se sistêmica. A partir daí, poderão
aparecer os seguintes sinais e sintomas:
Mal-estar;
Cefaléia;
Febre;
Dor de garganta;
Linfadenopatia generalizada;
Lesões múltiplas disseminadas minimamente
sintomáticas na pele (Sifílides), de distribuição
simétrica;
Variabilidade em sua aparência;
Distribuição simétrica;
Róseas, acobreadas, vermelho-escuras;
Pruriginosas;
Enduração;
Descamação;
Cicatrização com despigmentação;
Acometimento de órgãos internos.
As lesões cutâneas da sífilis secundária geralmente poupam a face, a não ser ao redor da boca, podendo ser
pustulosas e/ ou anulares. É comum o achado de lesões papulosas em plantas dos pés e palmas das mãos
(diferentemente da varicela). Em áreas mais quentes e úmidas, como o períneo, é comum observar pápulas largas,
pálidas e de topo achatado podem coalescer para formar uma lesão condilomatosa (que são lesões extremamente
infecciosas).
O diagnóstico da sífilis secundária pode ser facilmente obtida através dos seguintes exames:
E x a m e ( m i c r o s c o p i a ) e m c a m p o e s c u r o : para sua realização, devemos limpar a lesão ulcerativa com solução
salina e gazes, sem produzir sangramento; promover a compressão da lesão com um swab para obtenção de
líquido seroso para observação no campo; visualização do T . p a l l i d u m vivo, com movimentos para frente e para
trás e de rotação em torno de seu eixo.
P e s q u i s a d i r e t a c o m m a t e r i a l c o r a d o : através dos métodos de GIEMSA, adição de prata ou nanquim e
fluorescência.
A sífilis secundária evolui durante os primeiros dois anos da doença, apresentando surtos com remissão
espontânea (recaídas), cujos silêncios clínicos vão se tornando cada vez mais duradouros. A evolução final pode ser:
33%: Cura clínica e sorológica;
33%: Cura clínica e sorologia + PNT;
33%: Evolução para sífilis terciária (quadro mais dramático).
S Í F I L I S T E R C I Á R I A
A sífilis terciária é uma fase não infecciosa, mas consiste no estágio destrutivo e incapacitante da doença. Pode
demorar um período de 3 a 12 anos para manifestar sintomas. Evolui para as seguintes formas:
F o r m a t a r d i a b e n i g n a : caracterizada pela formação de gomas. Pode surgir em 1 a 10 anos pós-infecção, sendo
caracterizada pelo envolvimento de qualquer região do corpo, principalmente pele, fígado, ossos e baço. É uma
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
237
fase lentamente progressiva, caracterizada pelo surgimento de leses ulcerosas solitrias ou mltiplas,
assimtricas e endurecidas. Geralmente s
o indolores e com pouca inflama
o. palpa
o, possvel sentir a
presena de um pequeno ndulo por baixo da les
o (gomo). A cicatriz central atrfica rodeada por bordas
hiperpigmentadas.
F o r m a c a r d i o v a s c u l a r : n
o se trata de um quadro benigno, comeando com cerca de 5 a 10 anos ps-
infec
o. Seus principais sintomas se manifestam entre 10 a 30 anos. As manifestaes mais comuns s
o:
aortite (70%) da por
o ascendente; aneurisma sifiltico da aorta; insuficincia da vlvula artica; estenose do
stio da coronria. radiografia de trax, podemos obter seu diagnstico, o qual mostra calcificaes lineares na
parede da aorta ascendente e dilata
o da aorta.
N e u r o s s í f i l i s : causada pela invas
o das meninges pelo treponema, ocorrendo cerca de 12 a 18 meses aps a
infec
o. Desaparece em 70%, mesmo sem tratamento. A paciente pode ser assintomtica ou sintomtica.
o Assintomtica: apresenta apenas anormalidades do LCR na ausncia de sinais ou sintomas
neurolgicos, pleocitose, eleva
o de protenas e positividade do VDRL.
o Sintomtica precoce: caracterizada por uma meningia aguda (principalmente em pacientes HIV+) e por
encefalite difusa com sinais focais (AVC).
o Sintomtica tardia: doena parenquimatosa cerebral que pode levar a uma paralisia geral progressiva e
progredir para a t a b e s d o r s a l i s (degenera
o de fibras sensoriais que compem o funculo posterior da
medula espinhal). A t a b e s d o r s a l i s (frequentemente chamada de n e u r o s s í f i l i s ) consiste na perda
progressiva dos reflexos perifricos, alm de prejuzos na sensa
o vibracional e posicional, ataxia
progressiva, articulaes de Charcot (artrite sifiltica normalmente assimtrica causada por deposi
o de
imunocomplexos), incontinncia urinria e impotncia. A neurossfilis gomosa pode predispor o
aprecimento de gomos dentro da sangue ou no crebro (gerando sintomas semelhante a tumores).
S Í F I L I S C O N G Ê N I T A
A sfilis congnita resultado da dissemina
o hematognica T . p a l l i d u m da gestante infectada n
o tratada ou
inadequadamente tratada para o concepto por via transplacentria, podendo ocorrer em qualquer fase gestacional ou
estgio da doena materna
O risco de transmiss
o mulheres n
o tratadas de cerca de 70 a 100% nas fases primria e secundria,
ocorrendo redu
o para 30% nas fases tardias.
Os fatores de maior probabilidade de infec
o s
o:
Estgio da sfilis na m
e
Dura
o da exposi
o do feto no tero (da a importncia de pesquisar sorologia para sfilis pelo menos
3 vezes durante a gravidez)
Maior chance no incio da doena: mais espiroquetas circulantes
70-100% - fases primria e secundria
40% na fase latente recente
10% na fase latente tardia
A s í f i l i s c o n g ê n i t a p r e c o c e definida at o 2 ano, apresentando gravidade varivel por se tratar da forma mais
grave da doena, de modo que a criana cursa com: septicemia macia com anemia intensa, ictercia e hemorragia.
comum a presena das seguintes leses: Leses cutneo-mucosas (placas mucosas, leses palmo-plantares); Leses
sseas (periostite e osteocondrite); Leses do SNC (convulses, meningite); Leses do aparelho respiratrio;
Hepatoesplenomegalia, pancreatite; Rinite sanguinolenta.
A s í f i l i s c o n g ê n i t a t a r d i a ocorre no perodo ps 2 ano, sendo caracterizada pelos seguintes achados:
Fronte olmpica
Mandbula curva
Arco palatino elevado
Trade de Hutchinson (dentes de Hutchinson +
ceratite intersticial + les
o do VIII par craniano)
Narizem sela
Tbia em lmina de sabre
Surdez, retardo mental, hidrocefalia
O B S 1 : N
o h transmiss
o atravs do leite materno
D I A G N Ó S T I C O S O R O L Ó G I C O
T e s t e n ã o - t r e p o n ê m i c o : pode ser feita atravs das Reaginas (IgM e IgG) contra difosfatidilglicerol. O principal
teste consiste no uso do V D R L ( V e n e r e a l D i s e a s e R e s e a r c h L a b o r a t o r y ). Se o VDRL for positivo, para evitar
resultados falso-positivos, devemos lanar m
o de um exame chamado FTA–ABS (um exame treponmico). O
Os testes n
o-treponmico podem ser positivos aps 5 a 6 semanas ps-infec
o ou 2 a 3 semanas ps-
surgimento do cancro. comum sua negatividade na sfilis primria e terciria - 30%, embora apresenta alta
sensibilidade na secundria. o teste de escolha para acompanhamento da resposta ao tratamento
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
238
T e s t e s t r e p o n ê m i c o s : s
o testes mais especficos para o treponema.
o Anticorpos especficos contra T . p a l l i d u m I : serve para confirmar reatividade de testes n
o treponmicos.
Caracteriza-se por ter pouca sensibilidade sfilis tardia. Contudo, positivam-se mais cedo que os testes
n
o-treponmicos. Podemos utilizar tambm o TPI (Teste de imobiliza
o dos treponemas).
o FTA–ABS (anticorpo treponmico fluorescente): exame de rpida execu
o e baixo custo, em que
utilizado o microscpio fluorescente. bastante especfico para a sfilis secundria: Primrio – 83%,
Secundrio – 100%, Tercirio – 98%.
o MHA-TP (microhemaglutina
o): Primrio – 50 a 60%, Secundrio – 100%, Tardio – 98%.
O B S 2 : E s t r a t é g i a d e c o n t r o l e d a s í f i l i s c o n g ê n i t a .
Todas as gestantes recebam assistncia pr-natal e a triagem de sfilis seja includa como rotina a todas as
mulheres e aos parceiros
Seja realizado VDRL como rotina na primeira consulta na fase inicial da gesta
o, no incio do 3 trimestre
gestacional e no momento do parto;
O tratamento esteja disponvel a todas gestantes infectadas e seus parceiros
Acompanhamento clnico e laboratorial, com testes n
o-treponmicos mensais, para defini
o de cura;
Os casos de sfilis materna e congnita sejam devidamente tratados e notificados vigilncia epidemiolgica.
T R A T A M E N T O M A T E R N O
Diante de um quadro
clnico sugestivo de sfilis materna,
devemos instituir o tratamento
exposta na tabela ao lado, tanto
para gestante como para o
parceiro, no intuito de evitar um
tratamento inadequado e
aumentar, assim, as chances de
sfilis congnita. Contudo, difcil
predizer em qual fase da doena
se encontra a gestante (a n
o ser
que a les
o seja t
o caracterstica
que determine a fase) e, com isso,
prudente instaurar, em qualquer
que seja o caso, o tratamento da
sfilis terciria.
Podemos estabelecer as seguintes linhas gerais para o tratamento da sfilis:
O principal frmaco a ser utilizado contra a sfilis a penicilina (Benzetacil).
A eleva
o de ttulos do VDRL em quatro ou mais vezes (exemplo: de 1:2 para 1:8) em rela
o ao ltimo exame
realizado, justifica um novo tratamento
Deve-se verificar se o tratamento do parceiro foi realizado
O fato de haver parceiros n
o tratados caracteriza tratamento feminino inadequado
Evitar relaes sexuais durante o tratamento, ou manter prticas sexuais seguras utilizando preservativos,
durante o perodo de tratamento
O tratamento da Sfilis recente consiste em: Eritromicina 500 mg v.o. 6/6h 15 dias
O tratamento da sfilis tardia consiste em: Eritromicina 500 mg v.o. 6/6h 30 dias
A gestante n
o ser considerada adequadamente tratada para fins de transmiss
o fetal, sendo obrigatria a
investiga
o e o tratamento adequado da criana logo aps seu nascimento.
O tratamento materno adequado consiste em:
Tratamento completo, adequado ao estgio da doena
Realizado com penicilina
Finalizado pelo menos 30 dias antes do parto
Parceiro tratado concomitantemente
Tratamento inadequado para sfilis materna:
todo tratamento realizado com qualquer medicamento que n
o seja a penicilina
Tratamento incompleto, mesmo tendo sido feito com penicilina
Institui
o ou finaliza
o de tratamento nos 30 dias anteriores ao parto
Ausncia de queda ou eleva
o dos ttulos (VDRL) aps tratamento adequado
Parceiro n
o tratado, tratado inadequadamente ou quando n
o se tem a informa
o disponvel sobre o
seu tratamento.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
239
T R A T A M E N T O D O N E O N A T O
A 1 - penicilina G cristalina 50.000 UI/Kg/dose, IV, a cada 12 horas (nos primeiros 7 dias de vida) e a cada 8
horas (após 7 dias de vida), durante 10 dias; ou penicilina G procaína 50.000 UI/Kg, dose única diária, IM, 10
dias;
A 2 - penicilina G cristalina, 50.000 UI/Kg/dose, IV, 12/12h (nos primeiros 7 dias de vida) ou 8/8 h (após 7 dias de
vida), durante 10 dias;
A 3 - penicilina G benzatina, IM, dose única de 50.000 UI/Kg. Sendo impossível garantir o acompanhamento, o
recém-nascido deverá ser tratado com o esquema A1.
C 1 - seguimento clínico-laboratorial. Na impossibilidade de garantir o seguimento tratar com penicilina G
benzatina, IM, na dose única de 50.000 UI/Kg.
Outras drogas:
Doxiciclina 100mg VO 12/12hs, 15 dias
Tetraciclina 500mg VO 6/6hs, 15 dias
Eritromicina 500mg VO 6/6hs, 15 dias
Ceftriaxone 250mg IM 1x dia, 10 dias
INFECO POR HIV
Por definição geral, a AIDS é uma doença do sistema
imunológico humano causada pelo vírus da imunodeficiência humana
(HIV). Esta condição reduz progressivamente a eficácia do sistema
imunológico e deixa os portadores suscetíveis a infecções oportunistas
e tumores.
A G E N T E E T I O L Ó G I C O
A AIDS é causada por um retrovírus da f a m í l i a R e t r o v i r i d a e do
gênero Lentivirus, com uma espécie, o Human Immunodeficiency
Virus (HIV), com dois tipos biológicos, HIV-1 e HIV-2, que infectam os
linfócitos T CD4+. É, portanto, um vírus de RNA (que, por ser um
retrovírus, apresenta a t r a n s c r i p t a s e r e v e r s a ) que porta duas cópias de
RNA.
Os vírus desta família apresentam as seguintes características
em comum:
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
240
Curso crnico da doena
Longo perodo latncia
Replica
o viral persistente
Envolvimento do sistema nervoso central
As partculas virais do HIV-1 possuem dimetro de cerca de 100nm de dimetro e s
o envolvidos por uma
membrana lipoprotica. Cada partcula viral contm 72 complexos de glicoprotenas que s
o integrados na membrana
lipdica e cada um deles composto por trmeros de uma glicoprotena externa, a g p 1 2 0 , e uma protena
transmembrana, a g p 4 1 . Estas glicoprotenas s
o imprescindveis para que haja o reconhecimento do linfcito T CD4.
O vrus composto de duas cpias de RNA que s
o parte do complexo protico e cido nuclico. As partculas
virais possuem todos os equipamentos enzimticos necessrios para sua replica
o intracelular: a t r a n s c r i p t a s e
r e v e r s a , uma integrase e uma protease. Tais enzimas s
o alvo estratgico da terapia anti-retroviral.
O vrus tem, portanto, tropismo pelos recetores CD4, alm dos linfcitos Th, macrfagos e clulas dendrticas (de
Langhans). Alm do CD4, possuem como co-receptores o CCR5 e o CXCR4 (caso estes co-receptores n
o existam, h
a possibilidade de a infec
o n
o se desenvolver).
C I C L O D O V Í R U S
Uma vez que o HIV entra nas clulas T, ir ocorrer no citoplasma uma convers
o do RNA viral em DNA viral,
mediada pela enzima viral conhecida como t r a n s c r i p t a s e r e v e r s a (TR, que tem a
o sobre transcri
o de DNA a partir
do RNA no citoplasma da clula hospedeira) e um passo essencialno ciclo de replica
o viral (esta fase ser como alvo
teraputico dos seguintes frmacos: inibidor de TR anlogos de nucleosdeo e inibidor de TR n
o-anlogo de
nucleosdeo).
As duas fitas de RNA s
o transcritas para duas fitas de DNA. Essas fitas de DNA denominadas p r ó - v í r u s s
o
ent
o inseridas no material gentico da clula hospedeira por meio da a
o da integrase. O pr-vrus pode permanecer
inativo por meses ou anos, com pouca ou nenhuma produ
o de novas protenas virais.
A replica
o viral depende do estado de ativa
o das clulas que albergam os vrus, ou seja, macrfagos,
clulas dendrticas e linfcitos T. A transcri
o dos genes do pr-vrus integrado regulada pelo LTR a montante dos
genes estruturais do vrus, e as citocinas ou outros estmulos fisiolgicos para as clulas T e macrfagos acentuam a
transcri
o do gene viral. A enzima conhecida como p r o t e a s e (que alvo teraputico dos i n i b i d o r e s d e p r o t e a s e ) a
responsvel pela clivagem de protenas celulares para montagem de novos vrus.
E P I D E M I O L O G I A
Pandemia:
36 milhes (2000)
25milhes: Africa negra
Aumento do nmero de casos:
5,3 milhes: 2,2 milhes ♀
600.000 crianas
Situa
o mais crtica: Botswana
T R A N S M I S S Ã O
Contato Sexual: a principal forma de contgio, podendo acontecer das seguintes formas:
Sexo anal receptivo (0,1-3%): forma bastante contagiosa devido proximidade do smen com o MALT e
por ser um ato mais traumtico.
Sexo vaginal receptivo (0,1-0,2%)
Drogas IV
Transmiss
o vertical
15-25% a 25-35% das gestaes de m
es soropositivas
65% no trabalho de parto e 35% nas ltimas semanas de gravidez
Aleitamento: risco adicional 7-22%
Outros fatores: parto vaginal; deficincia materna de vitamina A; tempo prolongado ruptura da bolsa
amnitica/parto; DST na gravidez; parto prematuro; tabagismo e drogas; amniocentese; corioaminonite;
amniorrexe prematura.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
241
Acidentes: profissionais da saúde
Hemotransfusão
Aumento do risco de contágio: aumento da viremia; úlceras genitais; DSTs inflamatórias; menstruação; enema
antes do sexo, fisting ou uso de objetos.
O B S 3 : A forma mais eficaz de reduzir a transmissão sexual e obter uma profilaxia efetiva seria reduzir ou zerar o número
de parceiros, tratar infecções genitais e DSTs e estimular o uso de preservativo.
P R O F I L A X I A R E T R O V I R A L
Vitimas de abuso, relação desprotegida: iniciar em até 72 horas, por 4 semanas fazendo uso de:
Biovir (AZT 600mg + 3TC 150mg)12/12h + Nelfinavir 750mg 8/8h
Biovir + Indinavir 800mg 8/8h
Vítimas de estupro: devemos, inicialmente, confortar psicologicamente a paciente e informar imediatamente à
polícia. É necessário previnir uma eventual gravidez e DSTs. Devemos iniciar a profilaxia com:
Levonogestrel 0,75mg VO 2 comp 12/12h
Etinilestradiol 200mcg + Levonogestrel 1000mcg VO 2 comp 12/12h
Risco de transmissão vertical: protocolo 076 do PACTG reduziu a transmissão de 22 para 7%.
o Gestação: AZT 300mg VO 2xdia ou AZT 200mg VO 3xdia, a partir da 14a semana.
o Parto: dose de ataque de AZT 2mg/kg IV, correr em 1h + AZT 1mg/kg/h. Devemos ainda estimular o parto
cesariano.
o Recém-nato: AZT 2mg/kg VO xarope 4xdia por pelo menos seis semanas. Inciar 8-12h pós-parto.
A I D S N A M U L H E R
Até o final dos 80, a AIDS era considerada doença de homossexuais masculinos, de usuários de drogas
injetáveis, dos hemofílicos/transfundidos e, no máximo, de suas parceiras sexuais.
1984: 23 homens/ 1 mulher
2000: 2 homens/ 1 mulher
15-19 anos1:1
Atualmente, o método profilático mais acessível é o preservativo, porém, é culturalmente pouco aceito. O
preservativo feminino é pouco usado, mas representa novo horizonte na profilaxia da AIDS.
Cerca de 0,1-3% das gravidas são soropositivas. O uso de AZT reduz em 67% a transmissão vertical: triagem
sorológica universal.
Para o diagnóstico, necessitamos de pelo menos 3 amostras: dois testes de triagem por mecanismos diferentes.
Western blot ou imunofluorescência.
D O E N Ç A S P É L V I C A S N A M U L H E R C O M H I V
Das principais vulvovaginites específicas, apenas a t r i c o m o n í a s e é sexualmente transmissível. Contudo, a
candidíase e a vaginose bacteriana predispõem à infecção por DST.
T r i c o m o n í a s e : doença sexualmente transmissível causada pelo T r i c h o m o n a s v a g i n a l l i s . Está relacionada com o
aumento da chance de transmissão ao parceiro pela inflamação da mucosa. Seu tratamento é semelhante ao
das mulheres soronegativas, contudo, no grupo soropositivo, devemos tratar mesmo as pacientes
assintomáticas.
C a n d i d í a s e v u l v o v a g i n a l : depleção da imunidade celular: C a n d i d a a l b i c a n s local ou sistêmico. Na paciente
com HIV, a clínica é mais exuberante que o normal, além de maior chance de recidiva. A terapia se faz com
antifúngicos para tratamento e profilaxia.
V a g i n o s e b a c t e r i a n a : alguns autores afirmam que a vaginose é uma DST relativa devido ao seu alto grau de
recidiva. É decorrente do desequilíbrio da flora: diminuição dos lactobacilos e aumento dos germes anaeróbios.
O tratamento deve ser instituído mesmo para pacientes assintomaticas, pois aumenta o risco de DIP e aumenta
a replicação i n v i t r o do HIV.
No caso da doença inflamatória pélvica (DIP), a sintomatologia é discreta: a dor é resultado de resposta
inflamatória da paciente.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
242
INFECO POR HIV / AIDS – EVOLUO NATURAL DA DOENA
Depois que o vírus penetra a célula, dá-se início à infecção por HIV, a qual apresenta 4 fases distintas:
Síndrome Retroviral Aguda: linfócitos CD4+/mm³ em queda.
Fase Assintomática: > 500 linfócitos CD4+/mm³.
Fase Sintomática B: Entre 200-500 linfócitos CD4+/mm³.
Fase AIDS (propriamente dita): abaixo de 200 linfócitos CD4+/mm³.
Sndrome retroviral aguda.
Evolução Imunológica:
Período de Incubação de 2-4 semanas
A partir daí, intensa replicação viral
Viremia elevada com queda abrupta da contagem periférica de LT CD4+
Evolução Clínica:
Síndrome da Primo-infecção pelo VIH
50-70% dos pacientes infectados
Sintomas a partir de 2-4 semanas
Síndrome Mononucleose-símile
Síndrome Mononucleose-Símile:
o Quadro Clínico: Febre (96%); Adenopatia cervical, axilar e occipital (74%); Faringite eritematosa (70%);
Rash cutâneo-mucoso (70%); Mialgia e artralgia (54%); Diarréia (32%); Cefaléia (32%); Náuseas e
vômitos (27%); Hepato-esplenomegalia (14%).
o Laboratório: Leucopenia Transitória com linfopenia (post. Inversão CD4/CD8); TGO/TGP; VHS;
Fosfatase Alcalina
o Diagnóstico Diferencial:
Mononucleose:
Linfocitose + >30% L. atípicos
Monoteste
Outras Síndromes MS: sífilis Secundária, CMV, rubéola, Toxoplasmose, Hepatite Viral, LES e
Doença de Beçet.
o O que fala a favor de VIH?
Início abrupto de sintomas: Lesões ulceradas em mucosa
Ausência de exsudato em faringe: duração maior dos sintomas
Fase assintomtica.
Evolução Imunológica:
Após 3-12 semanas, soroconversão
Contenção da replicação viral, caindo até o Set Point
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
243
Contagem de LT CD4+ aumenta at nveis acima de 500/mm
”Latncia Clnica da Infec
o”
Dura de 2-20 anos (10 anos)
O vrus mantm replica
o de pequena intensidade
Queda de CD4+ em torno de 50 clulas/mm/ano
Termina com a fase de reativa
o viral, deixando CD4+ < 500
Prognstico dessa fase depende do Set Point, por exemplo:
Set Point > 72.000 cpias virais/ml – Evolu
o para SIDA em 10 a – 80%
Set Point < 9.000 cpias virais/ml – Evolu
o para SIDA em 10 a – 30%
F a s e s i n t om á t i c a B .
Evolu
o Imunolgica:
Pacientes que apresentam CD4+ entre 200-500 clulas/mm
As afeces oportunistas ou n
o infecciosas ou neoplsicas
J est se aproximando da Fase SIDA (2-3 anos)
Comea da fase de Reativa
o Viral, aumentando a viremia
O CD4+ vai caindo at 200 clulas/mm, quando comea SIDA, e passa a desenvolver doenas
oportunistas como:
Candidase Oral
Angiomatose Bacilar
Candidase persistente, recorrente ou difcil
de manusear
Leucoplaquia Pilosa Oral
Displasia ou CIS do Colo
Herpes zoster
DIP
Neuropatia Perifrica
Listeriose
Se o paciente chega aos 200 CD4+/mm (SIDA) sem doena oportunista, a sobrevida mdia
semtratamento ARV de 3,7 anos.
S í n d r o m e d a i m u n o d e f i c i ê n c i a a d q u i r i d a ( S I D A o u A I D S ) .
A Sndrome da Imunodeficincia Adiquirida representa um estado de imunodepress
o grave, causado pelo VIH,
cujo mecanismo principal a queda da contagem de linfcitos T CD4+ para abaixo de 20% do seu valor normal, mais
precisamente, abaixo de 200 clulas/mm.
Evolu
o Imunolgica: contagem de CD4+ menor que 200 cpias/mm num paciente anti-VIH+.
Evolu
o Clnica: a presena de condies que s aparecem com um estado grave de imunodepress
o
Infeces Oportunistas:
o Bactrias: Pneumonia bacteriana recorrente: septicemia recorrente por Slamonella
o Micobactrias: TB extra-pulmonar (EP); TB Pulmonar (EUA; Infec
o disseminada por Mycobacterium
avium
o Fungos: Pneumonia por Pneumocystis carinii; Candidase de esfago, traquia, brnquios ou
pulm
o; Criptococose EP; Histoplasmose EP; Coccidioidomicose EP (EUA)
o Protozorios: Toxoplasmose de rg
o interno; Criptosporidiose com diarria > 1 ms; Isosporase com
diarria > 1 ms
o Vrus: HSV com lcera mucocutnea > 1 ms ou esofagite, bronquite; CMV (n
o fgado ou rg
os
linfides); Leucoencefalopatia multifocal progressiva
o Neoplasias Oportunistas: Sarcoma de Kaposi; Linfoma n
o Hodgkin primrio do SNC; Linfoma n
o
Hodgkin (Burkitt); Carcinoma de Colo Uterino Invasivo
o Outros:Sndrome Constitucional Relacionada ao VIH (Perda ponderal involuntria > 10%; Diarria
crnica > 30 dias; Fraqueza crnica e febre obscura > 30 dias) e Demncia associada ao VIH.
Afeces plvicas:
o Candidase vulvovaginal: Freqentemente causando alteraes orais, esofgicas e vulvovaginais;
Ocorre com nveis relativamente altos de CD4 (>500 cls./mm); quadro clnico acentua-se com o
aumento da ID; Maiores recorrncias.
o Tricomonase: Facilita
o da transmiss
o para o parceiro; Conduta semelhante s mulheres n
o VIH+;
Tratar mesmo as assintomticas.
o Vaginose Bacteriana: Desequilbrio da flora vaginal com redu
o de lactobacilos e aumento de flora
anaerbia; Conduta semelhante s mulheres n
o VIH; Risco aumentado de DIP.
o DIP: Categoria Clnica B; Menos evidente em VIH+; Tratamento n
o difere.
o HPV
o lceras Genitais: Sfilis, cancro mole, LGV, donovanose e HSV-2; Recorrncias mais freqentes.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
244
D I A G N Ó S T I C O
O diagnstico sorolgico e h uma obrigatoriedade de conjunto de procedimentos sequenciados para os testes
que visam detectar anticorpos anti-HIV em indivduos com idade acima de 2 (dois) anos. Isso est estabelecido na
Portaria de No 59, de 28 de Janeiro de 2003.
As indicaes para Sorologia de HIV (Manual DST/AIDS – FEBRASGO 2004)
Mulheres em acompanhamento pr-natal
Portadoras de DST
Portadoras de DIP
Portadoras de DTGI associada ao HSV-2, candidase recorrente e infert.
Portadoras de sinais ou sintomas clnicos de pacientes com HIV
Alguns comportamentos de risco em pacientes ou parceiros
Os testes diagnsticos a serem realizados s
o: E L I S A , I m u n o f l u o r e s c ê n c i a I n d i r e t a p a r a H I V - 1 , I m u n o b l o t e
W e s t e r n B l o t . Contudo, pode acontecer a j a n e l a i m u n o l ó g i c a 3-6 meses aps infec
o, em que o paciente j transmite
vrus, mas sua sorologia negativa.
A triagem consiste em duas etapas:
E t a p a 1 : triagem sorolgica.
o Mtodo: ELISA
o Consideraes:
Alta sensibilidade (>99%)
Especificidade limitada – muitos falso positivos
Em grupos de baixo risco, ELISA falso + em 90%
o Possibilidades:
Amostra com resultado n
o reagente – Paciente liberado com um aconselhamento ps-teste e
resultado “Negativo para HIV”
Amostra com resultado reagente ou inconclusivo – Testes Confirmatrios
E t a p a 2 : ELISA + IFI ou ELISA + Imunoblot
o Metodo: ELISA, Imunofluorescncia Indireta HIV-1 e Imunoblot
o Consideraes: para o imunoensaio (ELISA), utilizar outra amostra diferente da triagem.
o Possibilidades:
Negativo no ELISA e negativo no IFI/Imunoblot: resultado dado como: “Amostra negativa para HIV
ou HIV-1”
Positivo no ELISA e positivo no IFI/Imunoblot: resultado dado como: “Amostra positiva para HIV ou
HIV-1”. Repete primeiro ELISA
+/- ou -/+ - Western Blot
o Mtodo: Western Blot
o Consideraes:
Positivo quando reage contra pelo menos dois: p24; gp41 e gp120/160
Negativo quando nenhum
Indeterminado quando reage s com um
o Possibilidades:
Amostra negativa: “Amostra negativa para HIV-1”. Proceder investiga
o para Soroconvers
o ou
HIV-2
Amostra positiva: “Amostra positiva para HIV-1”. Outra amostra para confirmar com o ELISA
Amostra Indeterminada: “Amostra indeterminada para HIV-1”. Proceder igual amostra negativa
I n v e s t i g a ç ã o d e s o r o c o n v e r s ã o : realizar a coleta de uma nova amostra e realiza
o dos mesmos
procedimentos aps trinta dias.
I n v e s t i g a ç ã o d e H I V - 2 : quando houver resultados indeterminados para HIV-1 com: epidemiologia para HIV-2
(frica, principalmente) e suspeita forte de HIV/SIDA.
T R A T A M E N T O
Por volta de 1995-1998, houve a introdu
o no mercado de 8 novos frmacos contra o HIV. Atualmente, faz-se o
uso de terapia anti-retroviral (TARV) combinada: 2 e 3 drogas, o que gerou uma revolu
o no tratamento, com queda
abrupta da mortalidade: sem terapia: 65% ao ano; 2 drogas: 7,5% ao ano; 3 drogas: 3,5% ao ano.
Objetivos:
Redu
o da carga viral para nveis quase indetectveis;
Aumento da contagem de linfcitos CD4+.
O tratamento atual capaz de suprimir ou conter a replica
o viral, mas n
o de erradicar o vrus.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
245
As classes farmacolgicas dos antiretrovirais s
o:
Inibidores da Transcriptase Reversa Nucleosdicos (ITRN);
2- Inibidores da Transcriptase Reversa N
o-Nucleosdicos (ITRNN);
3- Inibidores da Protease (IP).
I n i b i d o r e s d a T r a n s c r i p t a s e
R e v e r s a N u c l e o s í d i c o s ( I T R N )
I n i b i d o r e s d a T r a n s c r i p t a s e R e v e r s a
N ã o - N u c l e o s í d i c o s ( I T R N N )
I n i b i d o r e s d a P r o t e a s e ( I P )
Zidovudina (AZT) – 300mg
2x/dia
Lamivudina (3-TC) – 150mg
2x/dia
Estavudina (d4T) – 40mg
2x/dia
Didanosina (ddI) – 400mg/dia
Abacavir (ABC) – 300mg
2x/dia
Tenofovir (TDF) – 300mg/dia
Efavirenz (EFZ) - 600mg/dia
Nevirapina (NVP) – 200mg/dia
Lopinavir (LPV) – 400mg
2x/dia
Atazanavir (ATV) –
400mg/dia
Indinavir (IDV) – 800mg
3x/dia
Nelfinavir (NFV) –
1250mg 2x/dia
Ritonavir (RTV) – 400mg
2x/dia
Saquinavir (SQV) –
400mg 2x/dia
Amprenavir (APV) – 600-
1200mg 2x/dia
Para iniciar o tratamento, devemos considerar os seguintes parmetros:
Avalia
o Clnica (imunodepress
o);
Contagem de linfcitos T CD4+;
Medida da carga viral plasmtica.
Obs: Cria
o de resistncia s drogas e efeitos colaterais devem ser considerados.
Manifestaes ou complicaes clnicas decorrentes da imunodeficincia associada aoHIV, independente da
contagem CD4+ e da carga viral plasmtica;
Contagem CD4+ < 200 clulas/mm3, independente de sintomatologia ou magnitude da carga viral.
I n í c i o d a t e r a p i a a n t i - r e t r o v i r a l
C o n t a g e m d e l i n f ó c i t o s
C D 4 + ( p o r m L )
I n d i c a ç ã o
> 350 N
o tratar
Entre 350 e 201 Considerar tratamento
Igual ou menor de 200
Iniciar tratamento e quimioprofilaxia
para infeces oportunistas com
sulfametoxazol/trimetroprima
Sintomticos
Iniciar tratamento e quimioprofilaxia
para infeces oportunistas com
sulfametoxazol/trimetroprima
A terapia sempre deve ser iniciada com 3 drogas. Os esquemas iniciais mais indicados:
2 inibidores da transcriptase reversa nucleosdico (ITRN) + 1 inibidor da transcriptase reversa n
o nucleosdico
(ITRNN) - P r e f e r e n c i a l .
2 inibidores da transcriptase reversa nucleosdico (ITRN) + 1 inibidor da protease (IP) – A l t e r n a t i v o .
E s c o l h a d o s A n t i - r e t r o v i r a i s
Combina
o ITRN de primeira escolha: Zidovidina +
Lamivudina
Combina
o ITRN de segunda escolha: Estavudina +
Lamivudina
ITRNN de primeira escolha: Efavirenz ITRNN de segunda escolha: Nevirapina
IPs de primeira escolha:
Lopinavir-ritonavir ou Atazanavir
IPs de segunda escolha:
Nelfinavir ou Saquinavir-ritonavir
Os principais efeitos adversos e complicaes das drogas: anemia, diarria, nuseas, neutropenia neuropatias,
hepatotoxicidade, pancreatite, lipodistrofia, diabetes, osteoporose, acidose ltica, etc.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
246
P R O F I L A X I A D A T R A N S M I S S Ã O V E R T I C A L D O H I V
65% - trabalho de parto e parto;
35% intra-útero (principalmente nas últimas semanas) e aleitamento;
Taxa de transmissão s/ intervenção: 20%;
Taxa de transmissão com TARV, cesária eletiva e carga viral < 1000 cópias/mL: 0-2%;
A carga viral elevada e a ruptura prolongada das membranas amnióticas: principais fatores associados à
transmissão.
Triagem sorológica e aconselhamento: é recomendada a realização de teste anti-HIV com aconselhamento e
consentimento para todas as gestantes na primeira consulta pré-natal.
Considerações:
As gestantes infectadas deverão sempre receber profilaxia com objetivo de reduzir a transmissão
vertical;
O uso de profilaxia com anti-retovirais deve ser iniciado a partir da 14ª semana de gestação, e
continuar até clampeamento do cordão;
Profilaxia pode ser iniciada em qualquer momento da gestação;
Acompanhamento por clínico, infectologista e obstetra capacitados.
A zidovudina, sempre que possível, deverá participar do esquema terapêutico;
Sempre que possível, antes de iniciar uso da zidovudina, realizar contagem de linfócitos T-CD4+ e
medida da carga viral;
Para mulheres com carga viral alta (>10.000 cópias/mL) recomenda-se esquema com 3 drogas;
Efavirens, hidroxiuréia e a combinação didanosina e estavudina não devem ser prescritas.
Os esquemas anti-retrovirais combinados devem conter, sempre que possível, zidovudina e
lamivudina, associados ao nelfinavir ou nevirapina. O nelfinavir é mais indicado em mulheres com
idade gestacional < 28 semanas e com imunodepressão mais acentuada. O uso do nevirapina implica
em controle da função hepática a cada 15 dias, e só pode ser utilizado em terapia tripla;
Pacientes virgens de tratamento não deverão fazer uso de esquemas com as três classes de drogas;
Na impossibilidade de acesso à contagem de linfócitos T-CD4+, a introdução da TARV combinada e de
profilaxias primárias (SFX + TMP) devem ser consideradas para pacientes com linfócitos totais
inferiores a 1.000 células/mm3, devido grande probabilidade da contagem de linfócitos CD4+ ser
inferior a 200 células/mm3;
Critérios para seleção do esquema anti-retroviral
Paciente encaminhada para o Serviço de Assistência Especializada (SAE);
Sempre que possível, acompanhamento pré-natal em serviço de referência;
Solicitação, o mais breve possível, dos exames de T-CD4+ e carga viral, de fundamental importância na
decisãodo esquema profilático.
Critérios para escolha da via de parto:
A operação cesariana eletiva deverá ser a via de parto de escolha, desde que a dilatação cervical seja
de até 3 a 4 cm e as membranas amnióticas estejam íntegras.
No caso de cesária eletiva, iniciar zidovudina IV 3 horas antes do início do procedimento.
Considerações finais:
O recém nascido deve receber zidovudina solução oral nas primeiras 8 horas após o nascimento,
mantendo-se durante as primeiras 6 semanas de vida,
Estão contra-indicados todos os procedimentos invasivos durante a gestação,
A amamentação está contra-indicada.
INFECO POR HPV
É a infecção causada por um grupo de vírus específico (HPV - H u m a n P a p i l l o m a V i r u s ) que determinam lesões
papilares (elevações da pele) as quais, ao se fundirem, formam massas vegetantes com o aspecto de couve-flor
(verrugas). Pelo menos 95% de todos os cânceres de colo uterino estão relacionados com a presença do Vírus do
Papiloma Humano.
A G E N T E E T I O L Ó G I C O
Os Papilomavírus Humanos são DNA-vírus da família P a p i l l o m a v i r i d a e com tropismo por células epiteliais. Eles
têm crescimento imitado e com frequência regridem espontaneamente. Existem mais de 100 subtipos virais de HPV.
Contudo, apenas 30 podem causar lesões no trato genital. O seu potencial oncogênico depende de seu subtipo: baixo
(6, 11, 41, 42, 43, 44); intermediário (31, 33, 35, 51, 52, 58); e alto ( 1 6 e 1 8 ).
O B S 4 : Por apresentarem maior potencial oncogênico, a vacina contra HPV é mais específica para os subtipos 16 e 18.
As cepas 16 e 18 são aquelas encontradas nas vacinas contra HPV, tanto a v a c i n a b i v a l e n t e ( q u e c o b r e o s t i p o s 1 6 e
1 8 ) quanto a t e t r a v a l e n t e ( q u e c o b r e o s t i p o s 6 , 1 1 , 1 6 e 1 8 ) . A vacina é feita em 3 doses: doses inical, 30 dias e 60
dias. A vacina é recomendada para qualquer mulher com vida sexual ativa.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
247
A maior parte das mulheres infectadas pelo HPV n ã o apresenta sintomas clnicos. O DNA do HPV do tipo
oncogncio est presente em 9 9 , 7 % dos casos de cncer uterino. A morte anual de cncer de colo uterino
aproximadamente de 4.000 mulheres.
E P I D E M I O L O G I A
a doena sexualmente transmissvel viral mais frequente
no mundo;
A popula
o mais atingida encontra-se na faixa entre 18-
28 anos de idade;
Fatores de riscos para a aquisi
o: comportamento sexual
e a multiplicidade de parceiros, contraceptivos orais,
gravidez, alteraes da imunidade celular; baixa
escolaridade, incio precoce da atividade sexual, estado
civil;
F O R M A S D E T R A N S M I S S Ã O
Transmiss
o sexual;
Pode haver transmiss
o da m
e para o feto (seja no parto, ou no perinatal) – muito embora a presena de les
o
vaginal n
o seja contra-indica
o para a realiza
o do parto normal, a n
o ser que haja uma les
o muito grande,
que atrapalhe a passagem do feto.
D I A G N Ó S T I C O
P a p a n i c o l a u ( c i t o l o g i a ) : este exame n ã o detecta o vrus, mas sim, as alteraes que ele pode causar.
possvel observar a presena de c o i l ó c i t o s (clulas grandes, com o citoplasma aumentado e mais claro, com
ncleo hipercromtico, frequentemente irregular e maior que o normal).
I n s p e ç ã o c o m á c i d o a c é t i c o : realizado da seguinte maneira: pelo exame especular, localiza o colo do tero e
a vagina. Aps a localiza
o, deve-se proceder da limpeza com o cido actico a 2%, no intuito de pesquisar
á r e a s a c e t o b r a n c a s (reas que v
o reagir com o cido actico e, com isto, mostram-se esbranquiadas). A
presena dos pontilhadoscom colora
o branca no teste do cido actico sugere infec
o pelo papilomavrus
(HPV).
C o l p o s c o p i a : nas ocasies de alteraes vistas no colposcpio do tipo m o s a i c o e p o n t i l h a d o , h uma grande
tendncia de infec
o por HPV (a bipsia ou a hibridiza
o molecular para HPV confirma a suspeita).
B i ó p s i a : das leses acetobrancas.
O u t r o s t e s t e s : s
o testes mais sensveis, mas que n
o s
o disponibilizados na rede pblica.
o Teste de hibridiza
o molecular (mais sensvel);
o Captura hbrida (mais moderno);
o Rea
o em cadeia de polimerase: o nico exame capaz de firmar o diagnstico concreto de HPV.
Junto com a hibridiza
o celular, a PCR bastante sensvel para HPV.
o Hibridiza
o i n s i t u
T R A T A M E N T O
O objetivo do tratamento reduzir ou eliminar as leses causadas pela infec
o. A forma de tratamento depende
de fatores como idade do paciente, o tipo, a extens
o e a localiza
o das leses.
Dentre elas, destacam-se:
A g e n t e s t ó p i c o s :
cido tricloroactico de 50 a 90%: uma vez por semana, por 4 semanas, ou at o desaparecimento das
leses. o agente tpico mais usado.
5-Fluoruracila em creme: uma ou duas vezes por semana durante dez semanas;
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
248
Podofilotoxina a 0,5% ou 0,15%: duas vezes por dia, durante trs dias consecutivos e pausa de 4 dias,
durante no mximo 4 semanas. , contudo, uma forma proscrita de tratamento.
I n t e r f e r o n : recidivas eprincipalmente quando associado com neoplasia intra-epitelial do colo uterino.
I m i q u i m o d : aplicado sobre as leses de pele na forma de creme a 5%, trs vezes por semana, durante 16
semanas.
T r a t a m e n t o c i r ú r g i c o :
Exrese cirrgica;
Eletrocoagula
o;
Crioterapia;
Laserterapia.
P R E V E N Ç Ã O D A I N F E C Ç Ã O E D O C Â N C E R D E C O L O U T E R I N O
Uso de preservativos
Vacinas: n
o serve pra quem j teve o HPV. Ela n
o exclui, no entanto, a continua
o de exames preventivos
como o Papanicolaou. No mercado norte-americano ela vendida a 120 dlares (em torno de 260 reais) e deve
ser tomada em trs doses (a segunda e a terceira doses s
o aplicadas no segundo e sexto ms aps a primeira
inje
o).
Diagnstico e tratamento precoce;
Educa
o.
HERPES GENITAL
A herpes genital causada por uma virose (HSV dos tipos 1 e 2), sendo uma doena incurvel (com pouca
resposta teraputica) e recorrente. A transmiss
o fundamentalmente obtida por contato sexual, contato direto com as
leses e objetos contaminados.
A localiza
o da les
o depende do sexo: no sexo masculino, localiza-se mais no prepcio e glande; na mulher,
predomina nos pequenos lbios, clitris, grandes lbios, frcula e colo do tero.
Mais recentemente, tem sido reconhecida a importncia do herpes na etiologia de lceras genitais, respondendo
por grande percentual dos casos de transmiss
o do HIV, o que coloca o controle do herpes como uma prioridade.
E P I D E M I O L O G I A
Perodo de incuba
o: 13 a 14 dias
Mais freqente em jovens
Menos de 40% das mulheres soropositivas apresentam sintomas
75% das prostitutas s
o soropositivas
Transmiss
o atravs de vesculas abertas e paciente assintomticos
A G E N T E E T I O L Ó G I C O
O herpes causada pelo Vrus herpes simplex:
VSH 1 - 10 a 25%
VSH 2 - 75 a 90%
P A T O G E N I A
Partculas virais penetram a pele ou mucosa
Adsor
o e fus
o com a membrana celular
Replica
o viral no ncleo celular
O vrus penetra nas terminaes nervosas sensitivas at os gnglios, onde ficam latentes at a
reativa
o.
Associa
o com cncer de colo uterino e HPV
Q U A D R O C L Í N I C O
I n f e c ç ã o p r i m á r i a
Mais grave
Deve haver uma solu
o de continuidade, pois n
o h penetra
o do vrus em pele ou mucosas ntegras.
Prdromos: aumento de sensibilidade, formigamento, mialgias, ardncia ou prurido antecedendo o
aparecimento das leses. As leses s
o inicialmente ppulas eritematosas de 2 a 3 mm vesculas
agrupadas com contedo citrino ulceraes (bordas lisas e rasas) crostas sero-hemticas.
A adenopatia inguinal dolorosa bilateral 50% dos casos.
Cervicite herptica (70 – 90%) a corrimento genital aquoso.
As leses cicatrizam em 15 a 20 dias e eliminam vrus at 10 a 12 dias.
Sintomas gerais: Dor local, disria, linfadenopatia,febre,mal estar,cefalia, e mialgia.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
249
P r i m e i r o e p i s ó d i o n ã o p r i m á r i o : Menos grave que o episódio primário. A ocorrência de herpes labial atenua os
sintomas.
R e c i d i v a n t e : na medida em que a doença vai recidivando, a sintomatologia vai ficando menos exuberante e
mais local.
Episódios repetidos,mais freqüentes com HSV 2
Pródomos: prurido, queimação, formigamento, mialgias e fisgadas
Cicatriza em 10 dias,elimina vírus durante 4 dias, sendo mais grave nos imunodeprimidos
A s s i n t o m á t i c o : disseminação assintomática.
H E R P E S N A G E S T A Ç Ã O :
Risco de complicações obstétricas:
Transmissão transplacetária- 1:3.500
Abortamento: 1° trimestre
Parto prematuro, lesões cutâneas e malformações( hidranencefalia e coriorretinite)
O maior risco de transmissão ao feto na passagem pelo canal do parto (50% se a lesão for ativa)
Recomenda-se cesariana, se houver lesões herpéticas ativas
D I A G N Ó S T I C O L A B O R A T O R I A L
Diagnóstico clínico é fundamental.
Citologia: Giemsa, Papanicolaou
Imunofluorescência: Direta e indireta
Imunoenzimáticos
Sondas de ácido nucléico
Reação de polimerase em cadeia (PCR)
Cultura (células Vero e fibroblastos)
D I A G N Ó S T I C O D I F E R E N C I A L
Cancróide
Sífilis
Dermatite de contato
Impetigo
Linfogranuloma venéreo
Donovanose
Ulcerações traumáticas
T R A T A M E N T O
O tratamento deve ser, fundamentalmente, sintomático, através do uso de
Analgésicos
AINEs
Água boricada 3%
Neomicina tópica
Aciclovir: encurta o período de disseminação, dor e cicatrização. Contudo, os resultados são muito pobres
1º Episódio: ACV 200mg VO 5xdia 10 dias
ACV 5mg/kg ad. em 1 hora 8/8 horas
Valaciclovir 1g VO 2xdia 7 a 10 dias
Fanciclovir 250mg VO 3xdia 7 a 10 dias
Recorrente: ACV 200mg VO 5xdia 5 dias
Valaciclovir 1g VO 1xdia 3 a 5 dias
Fanciclovir 125mg VO 2xdia 5 dias
ACV creme 5% 5xdia
Obs: estendidos se não houver remissão em 10 dias
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
250
Supressivo ACV 200mg VO 3xdia
ACV 400mg VO 2xdia
Fanciclovir 250mg 2xdia
Valaciclovir 500mg 1xdia
Manifestações graves: Aciclovir venoso 5ª 10 mg/kg 8/8 poe 2 a 7 dias ou até melhora clínica
Profilaxia peri-parto por 10 dias, a partir da 36ª semana com aciclovir 400mg 3 x/dia se ocorreu a primo-
infecção na gestação ou se recidivas foram frequentes no período gestacional
P R O F I L A X I A
Camisinha
Nonoxinol-9
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
251
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
V U L V O V A G I N I T E S E C O R R I M E N T O V A G I N A L A N O R M A L
( P r o f e s s o r A n t ô n i o H e n r i q u e s )
As vulvovaginites consistem em uma das principais causas de consultas ginecológicas. Provavelmente, o
corrimento vaginal anormal já é considerado como a segunda principal causa de consulta ao ginecologista, sendo a
principal causa a dismenorréia e, como terceira principal causa, a doença inflamatória pélvica. 70 a 80% de todas as
mulheres apresentarão pelo menos um episódio durante a vida.
Sabendo que, anatomicamente,a vulva (ou pudendo) corresponde ao termo que designa o conjunto das
estruturas genitais externas da mulher, podemos definir vulvovaginite como uma inflamação ou infecção destas
estruturas, vagina ou epitélio escamoso do colo uterino. Pode ser produzida por diversas causas, em geral infecciosas,
entre estas a infecção por fungos (C a n d i d a a l b i c a n s ) e pelo vírus da herpes simples.
Considera-se como vulvovaginite toda manifestação inflamatória e/ou infecciosa do trato genital feminino inferior,
ou seja, vulva, vagina e epitélio escamoso do colo uterino (ectocérvice).
As principais queixas ginecológicas são:
Fluxo vaginal aumentado (leucorréia);
Prurido;
Irritação;
Cheiro desagradável;
Desconforto.
Segundo Naud et al (2003), as principais causas de vulvovaginites são: v a g i n o s e b a c t e r i a n a (46%); c a n d i d í a s e
(23%); e t r i c o m o n í a s e (20%).
SECREO VAGINAL FISIOLGICA
Nem sempre fluxo genital é sinônimo de patologia, como nem toda patologia é infecciosa. A cavidade vaginal é
fisiologicamente úmida, isto é, contém o produto de secreção das glândulas vestibulares e endocervicais, além da
transudação da mucosa vaginal. Este conteúdo vaginal altera-se em decorrência de influências hormonais, estímulo
sexual e até do psiquismo, daí a natural variação individual na sua qualidade e quantidade.
Isso se faz importante ressaltar pois devemos levar em consideração que é normal o fato de a mulher apresentar
uma lubrificação vaginal fisiológica, de aspecto mucóide, levemente esbranquiçado e claro, sem odor fétido, prurido ou
sinal de irritação.
À bacterioscopia ou ao exame citológico, observaríamos apenas a flora típica da vagina. Como médicos,
devemos conscientizar as pacientes que, neste caso, não devem fazer uso de nenhum medicamento, sob o risco de
causar um desequilíbrio na flora natural da vagina e, assim, propiciar o aparecimento de corrimento vaginal patológico.
As características da secreção vaginal fisiológica são:
Variável e que pode sofrer influências hormonais; orgânicas e psiquicas;
Constituição: secreção sebácea; Produtos da esfoliação vaginal e cervical; Secreção das glândulas de Bartholin
e Skene.
Flora: 99% aeróbia e 1% anaeróbia (predomínio de lactobacilos).
Ph < 4,5 (ácido);
Microscopia: menos que 1 leucócito por campo, apresentando, às vezes, algumas c l u e c e l l s . Pode variar de
acordo com a fase do ciclo menstrual, com ou sem uso de hormônios.
Parede vaginal:
Normal: Aspecto rosa pálido;
Pós-menopausa: clara e adelgaçada;
Gestantes: vinhosa.
FISIOPATOLOGIA E QUADRO CLNICO
As vulvovaginites desenvolvem-se quado ocorre um desequilíbrio entre os fatores de proteção loco-regional da
vulva com relação a agentes patológicos. Estes fatores de proteção são formados por dispositivos mecânicos e
biológicos:
V u l v a : tegumento; pelos abundantes; coartação adequada dos pequenos lábios.
V a g i n a : acidez vaginal (pH normal de 4,0 a 4,5); presença de lactobacilos (Dorderlein); integridade do assoalho
pélvico; justaposição das paredes vaginais; espessura e pregueamento das paredes vaginais.
C o l o : muco endocervical; ação bactericida; integridade anatômica.
As vulvovaginites quase sempre são causadas por agentes biológicos (transmitidos ou não pelo coito), mas
também podem relacionar-se a fatores físicos, químicos, hormonais e anatômicos que agem, ora de forma
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
252
predisponente, ora desencadeante do processo. Assim, deve-se mencionar o diabetes, a ingestão de esteróides, os
trauma, o uso de lubrificantes e de absorventes internos e externos, como fatores que podem fazer desenvolver-se uma
vulvovaginite. A depilação exagerada e frequente, as roturas perineais, a prática de coito não convencional, e o uso de
DIU além dos estados hiper/hipoestrogênicos podem favorecer às vulvovaginites por modificarem a flora vaginal.
As principais características das pacientes com vulvovaginite são:
Desequilíbrio da flora vaginal;
Queda ou ausência do número de lactobacilos;
Aumento do número de leucócitos (até 10 para cada célula epitelial);
Aumento do número de bactérias.
De fato, a m u c o r r é i a normal atinge cerca de 5 a 10% das mulheres, sendo caracterizada por uma secreção
vaginal normal, em quantidade acima do normal, e deve ser devidamente diferenciada de uma vaginite. Seu diagnóstico
pode ser obtido através dos seguintes pontos:
Exame especular: ausência de inflamação vaginal e áreas de epitélio cervical secretando muco claro e límpido;
Exame microscópico a fresco: células sem alterações inflamatórias, número normal de leucócitos, lactobacilos
abundantes (dentro da proporção);
pH vaginal dentro da normalidade.
O B S 1 : Em casos de mucorréia persistente e intolerável, as pacientes devem ser avaliadas quanto à necessidade de
tratamento da ectopia (presença de células da junção escamo-colunar muito expostas no colo uterino), devendo antes
ser realizados colpocitologia e colposcopia. Outras causas de mucorréia são: químicas; atrofia (comum na menopausa);
irritação ou traumatismo; alergia.
Pacientes com vaginite, por sua vez, apresentam um quadro clínico que se traduz por corrimento anormal
(leucorréia), sensação de desconforto hipogástrico, prurido de intensidade variável, dor ao urinar (disúria) e dor ou
dificuldade para relações sexuais (dispareunia). Estes sintomas podem aparecer isolados ou associados.
O exame físico demonstrará os seguintes achados na presença de vaginite:
Mucosa hiperemiada;
Vasos dilatados e ingurgitados;
Epitélio adelgaçado;
Aumento da sensibilidade vaginal.
CLASSIFICAO GERAL
As vulvovaginites podem ser classificadas em específicas e inespecíficas de acordo com o seu agente etiológico
ou fator causal. Desta forma, temos:
V u l v o v a g i n i t e s e s p e c í f i c a s : são aquelas cujo agente etiológico é facilmente identificável. As principais são:
tricomoníase, candidíase e vaginose por gardnerella.
V u l v o v a g i n i t e s i n e s p e c í f i c a s : as inespecíficas são aquelas que promovem todo um quadro sintomatológico,
mas que não têm agente etiológico específico, e devem ser tratadas como se tratássemos todas as
vulvovaginites específicas ao mesmo temo.
VAGINOSE BACTERIANA
É causada por desequilíbrio da flora vaginal normal, com redução do número de lactobacilos e aumento de 100 a
1.000 vezes na concentração de bactérias anaeróbias.
Cerca de 40% dos casos acontece em mulheres na vida reprodutiva (Kesser et al, 2003) e na maioria dos casos
é decorrente da proliferação de flora mista ( P e p t o s t r e p t o c o c c u s , P r e v o t e l a , B a c t e r i o i d e s , M o b i l u n c u s , M y c o p l a s m a
h o m i n i s e Gardnerella vaginallis, sendo esta a mais predominante) .
C A R A C T E R Í S T I C A S C L Í N I C A S
As principais características clínicas da vaginose bacteriana estão listadas logo abaixo.
Seu principal agente etiológico é a G a r d n e r e l l a v a g i n a l l i s , de modo que, quase sempre, podemos associar a
vaginose bacteriana a este agente etiológico.
Está associada a salpingites, peritonites, endometrites pós- parto e infecções pós-cirúrgicas em ginecologia.
Fatores de risco:
Multiplicidade de parceiros;
Duchas vaginais.
Não é uma doença sexualmente transmissível (DST), mas pode facilitar a aquisição de DSTs devido à
inflamação local e à maior predisposição de formação de solução de continuidade.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
253
C R I T É R I O S D I A G N Ó S T I C O S
A presença de três ou mais dos critérios (de Amsel) abaixo já é o suficiente para se ter o diagnóstico clínico da
vaginose bacteriana.
p H v a g i n a l > 4,5 (alcalino);
L e u co r r é i a branca a amarelo-acinzentada,
cremosa, homogênea, aderente às paredes
vaginais e ao colo;
Whiff-test: aparecimento imediato de odor
desagradável (peixe-podre) em reação ao teste do
KOH devido à liberação de putrecina e cadaverina.
Presença de Clue Cells à microscopia (achado
patognomônico).
De uma forma geral, a vaginose por G a r d n e r e l l a
consiste é uma afecção com pouca ou nenhuma reação
inflamatória (sem prurido, sem dor e sem células
inflamatórias). Caracteriza-se por corrimento amarelado-
acizentado, com odor fétido típico (peixe podre) e
homogêneo.
T R A T A M E N T O
O objetivo primordial do tratamento da vaginose é aliviar os sinais e sintomas (incluindo o odor fétido) e,
portanto, não é necessário tratar pacientes assintomáticas.
M e d i c a ç ã o D o s e I n t e r v a l o D u r a ç ã o
R e g i m e s r e c o m e n d a d o s
Metronidazol (cp. 250 ou 400 mg) 500 mg 12/12 h 7 dias
Metronidazol gel 0,75% 1 aplicador (5g) À noite 5 a 7 dias
Clindamicina Creme 2% 1 aplicador (5g) À noite 7 dias
R e g i m e s a l t e r n a t i v o s
Metronidazol (cp. 250 mg) 1 cp. 12/12 ou 8/8 h 7 dias
Metronidazol (cp. 250 ou 400 mg) 2g Dose única
Clindamicina (cp. 300 mg) 1 cp. 12/12 h 7 dias
Clindamicina óvulos 100 mg 1 óvulo à noite 3 dias
Tianfenicol 2,5g 2,5 g 24/24 h 2 dias
Tianfenicol (cp. 500 mg) 2 g Dose única
Secnidazol 1 g 2 cp. Dose única
Os esquemas mais utilizados são Metronidazol (comprimido) na dose de 500 mg, 12/12 horas durante 7 dias, ou
Metronidazol gel (0,75%), 5g, aplicado ao longo de 5 a 7 dias. Seu tratamento mais efetivo se faz por medicação vaginal
(tópica).
TRICOMONASE
A tricomoníase, diferentemente da vaginose por G a r d n e r e l l a , é uma DST
causada pelo protozoário T r i c h o m o n a s v a g i n a l i s , que tem um período de incubação de
4 a 28 dias. É um protozoário que não faz parte da flora vaginal comum e só é
transmitido por via sexual.
O T . v a g i n a l i s é um protozoário unicelular polimorfo que, quando vivo, é
elipsóide ou oval e, algumas vezes, esférico. O protozoário é muito plástico, tendo a
capacidade de formar pseudópodes, os quais são usados para capturar os alimentos e
se fixar em partículas sólidas.
Q U A D R O C L Í N I C O
Os sinais e sintomas clássicos da tricomoníase são:
Aumento do fluxo vaginal;
Fluxo amarelo-esverdeado (semelhante a pus), abundante, bolhoso (não é
homogêneo);
Prurido vulvar intenso;
Hiperemia;
Edema de vulva e vagina;
Disúria, polaciúria e dor suprapúbica (menos comuns);
Sintomas pioram após o período menstrual.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
254
D I A G N Ó S T I C O
O diagnóstico da tricomoníase é puramente clínico. À espectroscopia vaginal, é possível observar o chamado
c o l o e m f r a m b o e s a , que consiste na presença de lesões avermelhadas e puntiformes no colo uterino, o qual se encontra
extremamente inflamado e irritado. No exame a fresco, é possível a identificação do protozoário.
O B S 2 : A tricomoníase altera o resultado do citopatológico e, para a realização deste exame, devemos tratar o quadro
infeccioso e, só então, repeti-lo.
T R A T A M E N T O
Diferentemente da vaginose por G a r d n e r e l l a e da vulvovaginite fúngica, a tricomoníase deve ser tratada
estritamente com medicações por via oral, sendo o Metronidazol o agente de escolha. Por se tratar de uma DST, é
prudente orientar bem a paciente e tratar o parceiro sexual da paciente juntamente a ela.
M e d i c a ç ã o D o s e I n t e r v a l o D u r a ç ã o
R e g i m e s r e c o m e n d a d o s
Metronidazol (cp. 250 ou 400 mg) 2 g Dose única
R e g i m e s a l t e r n a t i v o s
Metronidazol ( cp.400 mg) 400 mg 8/8 h 7 dias
Tinidazol (cp. 500 mg) 4 cp. Dose única
Secnidazol 1 g 4 cp. Dose única
VULVOVAGINITE FNGICA
Cerca de 75% das mulheres na menacme (fase reprodutiva) apresentarão ao menos um episódio de
vulvovaginite e algo em torno de 50% destas apresentarão um segundo episódio. 5 a 8 % apresentarão infecção de
repetição.
A vulvovaginite fúngica mais comum é a c a n d i d í a s e , uma vez que, da flora fúngica normal, 85 a 90% é
constituída por C a n d i d a a l b i c a n s (o restante corresponde a outras espécies, como a C . g l a b r a t a e C . t r o p i c a l i s ).
Diferentemente da tricomoníase, não é uma DST.
O B S 3 : A vulvovaginite mais comum atualmente é a vaginose bacteriana por G a r d n e r e l l a . Contudo, a que mais se repete
é a candidíase.
F A T O R E S P R E D I S P O N E N T E S
Gestação;
Sexo oral;
Estrógenos em altas doses;
Anticoncepcionais hormonais orais (ACHO);
Diafragma;
Imunodeficiência;
Espermicida;
Dispositivos intra-uterinos (DIU);
Diabetes mellitus;
Antibióticos.
Q U A D R O C L Í N I C O
A candida, como vimos, é um fungo natural da flora residente vaginal, mas que, na ocasião de um desequilíbrio
imunológico, pode desenvolver a doença. A candidíase é caracterizada pela presença de um corrimento branco
homogêneo, com a presença de placas (semelhante a leite qualhado), sem odor fétido.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
255
D I A G N Ó S T I C O
Sinais e sintomas:
Prurido intenso;
Edema vulvar e/ou vaginal;
Secreção branca grumosa, com placas esbranquiçadas (com corrimento semelhante à nata de leite).
Exames complementares:
pH vaginal: normal ou mais ácido (< 4,5);
Exame microscópico a fresco: presença de hifas ou pseudo-hifas;
Cultura: meio de ágar-sabouraud.
C L A S S I F I C A Ç Ã O D A C A N D I D Í A S E V U L V O V A G I N A L ( C D C 2 0 0 2 )
N ã o - c o m p l i c a d a C o m p l i c a d a
CVV infrequente ou esporádica ou CVV recorrente ou
CVV leve a moderada ou CVV severa ou
CVV em mulheres imunocompetentes CVV não-albicans ou
CVV em mulheres com diabetes, gestantes ou imunossuprimidas
T R A T A M E N T O
O tratamento da candidíase vulvovaginal, assim como a vulvovaginose por G a r d n e r e l l a , é mais efetivo quando
realizado de forma tópica. Em resumo, temos os seguintes esquemas:
M e d i c a ç ã o D o s e I n t e r v a l o D u r a ç ã o
V i a O r a l
Cetoconazol cp. 200 mg 1 cp 12/12 h 5 a 7 dias
Fluconazol cp. 150 mg 1 cp Dose única ou repetir em 72 h 1 a 3 dias
Itraconazol cp. 100 mg 2 cp 12/12 h 1 dia
T ó p i c o s
Butoconazol creme 2% 1 aplicador À noite 3 dias
Clotrimazol creme 1% 1 aplicador À noite 7 a 14 dias
Clotrimazol óvulo 100 mg 1 óvulo À noite 3 dias
Clotrimazol óvulo 500 mg 1 óvulo À noite 1 dia
Miconazol creme 2% 1 aplicador À noite 7 a 14 dias
Miconazol óvulo 200 mg 1 óvulo À noite 3 dias
Isoconazol creme 1% 1 aplicador À noite 7 dias
Isoconazol óvulo 600 mg 1 óvulo À noite 1 dia
Serconazol creme 2% 1 aplicador À noite 7 dias
Terconazol creme 0,4% 1 aplicador À noite 7 dias
Terconazol creme 0,8 % 1 aplicador À noite 3 dias
Tioconazol creme 6% 1 aplicador À noite 7 a 10 dias
O esquema mais utilizado é o Fluconazol 1 comprimido de 150mg em dose única ou repetir em 72h, associado a
um tratamento tópico com o medicamento que for mais acessível à paciente.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
256
V A G I N I T E F Ú N G I C A R E C O R R E N T E
Como vimos a propósito da O B S 3 , a candidíase é a vaginite que mais se repete ao longo de vida de uma
paciente. Quando ocorre quatro ou mais episódios de vulvovaginites sintomáticas por ano, diz que a vaginite fúngica é
recorrente. Os principais fatores predisponentes são:
Terapia frequente com antibióticos;
Anticoncepcional hormonal oral (ACHO);
DM descompensado;
Imunossupressão;
Corticosteróides;
Atividade sexual;
Infecção por HIV.
O tratamento da vaginite fúngica recorrente é diferenciado. Deve ser feito de forma contínua, por pelomenos 6
meses, lançando mão de qualquer um dos seguintes esquemas.
M e d i c a ç ã o D o s e I n t e r v a l o D u r a ç ã o
V i a O r a l
Cetoconazol cp. 100 mg 1 cp 24/24 h 6 meses
Cetoconazol cp. 200 mg 1 cp 24/24h 5 dias antes da menstruação, 6 meses
Fluconazol cp. 150 mg 1 cp Semanal 6 meses
Itraconazol cp. 200 mg 1 cp Mensal 6 meses
Itraconazol cp 200 mg 1 cp 24/24 h 6 meses
Ácido Bórico cp 600 mg Intravaginal, 1 cp de gelatina À noite 14 dias
O B S 4 : Devemos tomar conta que a maioria dos medicamentos utilizados para o tratamento das vaginites (em especial o
Cetoconazol e seus derivados) podem agredir o parênquima hepático, sendo necessária a dosagem contínua do TGO e
TGP no intuito de avaliar uma possível hepatotoxicidade durante o tratamento.
ABORDAGEM SINDRMICA DO CORRIMENTO VAGINAL
A OMS e o Ministério da Saúde recomendam que o corrimento vaginal seja abordado de forma sindrômica, de
modo que o diagnóstico seja clinicamente estabelecido e o uso de exames complementares seja extremamente
reservado. Desta forma, o tratamento deve ser efetivamente implantado e, preferencialmente, sintomático.
Por conta disso, decidimos resumir as principais características clínicas das vulvovaginites específicas na tabela
abaixo:
V a g i n o s e p o r Gardnerella T r i c o m o n í a s e C a n d i d í a s e
C a r a c t e r í s t i c a s
c l í n i c a s
Pouca ou nenhuma reação
inflamatória; sem prurido, sem
dor e sem células inflamatórias;
pH vaginal alcalino
Prurido vulvar extremo; Hiperemia
vulvar; Edema de vulva e vagina;
Sinais urinários (disúria); Sintomas
pioram após o período menstrual.
Aspecto de colo em framboesa
Quadro fúngico, com prurido
intenso e edema vulvar e/ou
vaginal.
pH vaginal normal ou alto
C o r r i m e n t o
v a g i n a l
Branco-acinzentado, com odor
fétido típico (peixe podre),
homogêneo
Presença de c l u e c e l l s
Fluxo amarelo-esverdeado
(semelhante a pus), abundante,
bolhoso (não é homogêneo), de
odor fétido (azedo).
Corrimento branco homogêneo,
com a presença de placas
(semelhante a leite qualhado),
sem odor fétido.
Presença de hifas
L i n h a s g e r a i s d e
t r a t a m e n t o
Medicação tópica,
preferencialmente.
Medicação via oral,
preferencialmente. Por ser uma
DST, devemos tratar o parceiro
concomitantemente.
Medicação tópica, de
preferência.
Caso a doença seja
recorrente, optar por
tratamento prolongado (por
pelo menos 6 meses) com
medicação via oral).
Devemos proceder ainda com cobertura medicamentosa para clamídia e gonococo (que também são DSTs e
podem levar a infertilidade das pacientes acometidas), e os medicamentos para as vulvovaginites devem ser
acrescentados, em caso de suspeita destes. Devemos suspeitar de clamídia e gonococo principalmente quando houver
o corrimento de secreção branca através do óstio uterino.
A clamídia é tratada com Azitromicina, 1g em dose única.
O gonococo deve ser tradado com Ceftriaxone, 125 mg IM.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
257
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
D I S T O P I A S G E N I T A I S
( P r o f e s s o r M a r c e l o B r a g a )
As distopias genitais são conceituadas como modificações não fisiológicas, geralmente permanentes, na
topografia do útero, anexos e paredes vaginais. Em outras palavras, podemos definir as distopias genitais como atitudes
viciosas dos órgãos genitais femininos.
As principais distopias genitais a serem consideradas por este Capítulo são:
Retroversão uterina
Prolapso uterino
Inversão uterina
Procidência de paredes vaginais: da bexiga (Cistocele), de alças intestinais (enterocele), do reto (retocele)
Prolapso de cúpula vaginal
FATORES ANATMICOS ASSOCIADOS
Pensa-se que apenas mulheres com histórico de parto laborioso ou com intercorrências durante a gestação
podem a apresentar distopias. Contudo, não é bem assim. Na verdade, existem fatores específicos que estão
relacionados ao aparecimento de distopias, principalmente anatômicos: alterações nos aparelhos de sustentação ou de
suspensão determinam tanto o aparecimento das atitudes viciosas como o seu grau.
Alterações no a p a r e l h o d e s u s t e n t a ç ã o . Este é f o r m a d o p e l o d i a f r a g m a p é l v i c o ( r e p r e s e n t a d o n o s e x o f e m i n i d o
p e l o h i a t o u r o g e n i t a l ) e p e l o d i a f r a g m a u r o g e n i t a l (períneo ginecológico). Alterações no hiato urogenital vão
predispor ao prolapso de parede vaginal anterior com consequente incontinência urinária de esforço.
Alterações no a p a r e l h o d e s u s p e n s ã o , seja na f á s c i a e n d o p é l v i c a ou no r e t i n á c u l o d o ú t e r o ( r e t i n a c u l u m u t e r i ,
representado por um conjunto de ligamentos localizados ao nível do istmo; vide O B S 1 ).
O B S 1 : Como vimos no Capítulo referente à Anatomia Ginecológica, o útero é mantido na sua estática por estruturas que
estabelecem a suspensão e a sustentação. Em resumo, temos:
E l e m e n t o s d e s u s t e n t a ç ã o : consiste no d i a f r a g m a p é l v i c o (músculo elevador do ânus) e o d i a f r a g m a
u r o g e n i t a l (músculos isquiocavernoso, bulbocavernoso, etc.).
E l e m e n t o s d e s u s p e n s ã o : consiste nos ligamentos que, em
conjunto, compõem o grupo conhecido como r e t i n á c u l o d o ú t e r o ,
estando eles instalados ao nível do istmo. São eles: l i g a m e n t o
ú t e r o - p ú b i c o (liga o útero ao púbis), l i g a m e n t o ú t e r o - s a c r o (liga o
útero ao promontório do sacro) e os p a r a m é t r i o s (também
conhecidos como ligamentos cardinais, que liga o útero à parede
pélvica).
O ligamento útero-púbico (anterior) se relaciona diretamente com a
bexiga. Por esta razão, uma vez lesionado, pode determinar
prolapso de parede vaginal anterior e bexiga.
Os ligamentos cardinais são de extrema importância para o
estadiamento do colo uterino, pois geralmente são acometidos por
eles. Além destes ligamentos, podemos citar o ligamento largo e o
ligamento redondo.
O ligamento útero-sacro (posterior), uma vez lesado, predispõe ao
prolapso uterino e de cúpula vaginal.
ETIOPATOGENIA
Os mecanismos de alteração anatômica descritos anteriormente podem ser explicados por teorias que apontam
a responsabilidade dos seguintes fatores:
Estrogênio;
Fator constitucional a própria paciente (o que pode
explicar os prolapsos vaginais encontrados em
pacientes virgens);
Fatores socioeconômicos e, com menor
importância, racial;
Fator neurológico;
Trauma obstétrico;
Desnutrição (hipoproteinemia);
Aumento da pressão intra-abdominal.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
258
RETROVERSO UTERINA
Normalmente, o útero situa-se, com relação ao maior eixo vaginal, em a n t e f l e x ã o , formando um pequeno ângulo
com a vagina. Se ele se apresenta com uma maior angulação com relação ao eixo vaginal, diz-se que ele está em
a n t e v e r s o f l e x ã o (figura A); se ele se apresenta invertido, diz-se que o útero se encontra em r e t r o v e r s o f l e x ã o (figura B).
A retroversão uterina é conceituada como o movimento em báscula do útero em torno de um eixo imaginário que
passa transversalmente pelo istmo, de modo que o corpo uterino se volta para a região sacra, e o colo,
consequentemente, para a parede vaginal anterior.
C L A S S I F I C A Ç Ã O
A classificação da retroversão uterina é atribuída quanto à mobilidade do órgão, de modo que ela pode ser f i x a
ou m ó v e l .
Contudo, apenas a retroversão fixa tem maior importância do ponto de vista patológico, uma vez que esta só
acontece se a paciente apresenta endometriose ou aderências em consequência a doençainflamatória pélvica. A
presença de uma retroversão móvel, diferentemente, não terá nenhuma importância clínica.
E T I O P A T O G E N I A
Quanto à etiopatogenia, a retroversão uterina pode ser congênita ou adquirida:
C o n g ê n i t a : inerente à própria anatomia da paciente, sendo decorrente de uma variação anatômica de
nascença.
A d q u i r i d a : relacionada com causas obstétricas (multiparidade, decúbito dorsal) e causas ginecológicas
(aderências, DIP, endometriose, tumores, hipoestrogenismo, etc.).
Q U A D R O C L Í N I C O
Praticamente, a retroversão não gera nenhum sinal ou sintoma. Geralmente, o quadro clínico citado logo adiante
é decorrente da patologia de base que causou a retroversão. Desta forma, temos:
Lombalgia
Hipermenorragia (em função da congestão pélvica)
Dismenorréia (estase e contrações)
Complicações na gravidez (raro)
Dispareunia (descida dos ovários)
Transtornos vesicais e retais
D I A G N Ó S T I C O
Q u e i x a c l í n i c a : pesquisar o histórico ginecológico, buscando por possíveis patologias pélvicas prévias.
E x a m e f í s i c o : o toque vaginal combinado é suficiente para o diagnóstico do quadro. Por meio do toque,
podemos realizar a histerometria (a qual se mostra com concavidade posterior) e a manobra de Schulte (para
verificar se a retroversão é móvel ou fixa).
U S G : reforça o achado de retroversão uterina.
T R A T A M E N T O
Este quadro não exige tratamento algum (a não ser que haja doenças de base a serem corrigidas, como
inflamação pélvica, etc., e estabelecer medidas preventivas para elas). Não se faz mais procedimento cirúrgico de
fixação uterina para este tipo de distopia.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
259
PROLAPSO UTERINO
O prolapso uterino (ou h i s t e r o p t o s e ) consiste na queda ou descida do útero, sozinho (histerocele) ou
acompanhado da bexiga+parede vaginal anterior (colpocistocele) ou do reto+parede vaginal posterior (colporetocele),
podendo exteriorizar-se através da fenda genital. Seu tratamento é eminentemente cirúrgico.
C L A S S I F I C A Ç Â O
Duas classificações descritas na literatura podem ser
utilizadas para a histeroptose:
Escola Americana:
o 1o Grau
o 2o Grau
o 3o Grau
Escola Alemã:
o Descensus Uteri
o Prolapso Parcial
o Prolapso Total
Contudo, habitualmente, o prolapso uterino é
classificado de acordo com o grau de r o t u r a p e r i n e a l
associada. A rotura perineal seria classificada como outra causa
de distopia, mas que surge como complicação do prolapso
uterino quando a parede vaginal anterior e parede vaginal
posterior se acompanham do útero.
A rotura perineal pode ser classificada como:
1 º g r a u : laceração cutâneo-mucosa da fúrcula posterior
da rima valvar, acometendo algumas fibras da
musculatura superficial do períneo (que equivale à
própria rima vulvar).
2 º g r a u : consiste na associação das características
citadas no 1º grau + o rompimento das fibras
musculares do músculo elevador do ânus.
3 º g r a u : associação entre as características descritas
para o 1º grau + 2º grau + acometimento do esfíncter
externo do ânus.
E T I O P A T O G E N I A
Os seguintes fatores podem estar envolvidos na fisiopatogênese do prolapso uterino:
Fator obstétrico
Multiparidade
Nulíparas/ Espinha bífida
Fatores constitucionais
Q U A D R O C L Í N I C O
Sensação de peso perineal
Exteriorização de estruturas
Incontinência urinária
Incontinência fecal
Queixas sexuais
D I A G N Ó S T I C O
Q u a d r o c l í n i c o : associar a sintomatologia acusada pela paciente aos achados do exame físico praticamente
selam o diagnóstico.
I n s p e ç ã o d i n â m i c a : a inspeção do períneo deve ser feita com auxílio de métodos como a m a n o b r a d e v a l s a l v a
e o p i n ç a m e n t o e t r a ç ã o d o c o l o u t e r i n o (principalmente para mulheres no climatério, nas quais a protrusão
natural do útero pode ser dificultosa).
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
260
T R A T A M E N T O
M e d i d a s g e r a i s : boa assistência obstétrica.
C i r u r g i a d e M a n c h e s t e r : consiste na redução da cistocele através da amputação parcial do colo uterino, pexia
do útero pela sutura (encurtamento) dos ligamentos cardinais na face anterior do istmo uterino e
colpoperineorrafia complementar. Seu uso, entretanto, vem sendo abandonado. Atualmente, seu uso está
indicado em casos em que há associação de hiperplasia ou hipertrofia do colo uterino ao prolapso.
H i s t e r e c t o m i a v a g i n a l : tratamento da rotura perineal. A histerectomia vaginal passou a ser realizada para as
mesmas indicações da abdominal, principalmente em caso de miomatose; em casos sem prolapso; com cirurgia
pélvica prévia e, em nulíparas, com as vantagens da ausência de cicatriz, mínima abertura peritoneal ou
manuseio de alças, menor uso de analgésicos, deambulação e alta hospitalar precoces, com custos diminuídos.
O ideal para o tratamento da distopia uterina caracterizada pelo prolapso uterino é, em resumo, a histerectomia
vaginal associada a colpoperineoplastia anterior e posterior (para evitar prolapso de cúpula vaginal).
INVERSO DO TERO
A inversão do útero é uma distopia obstétrica rara e
extremamente grave, que consiste na invaginação do fundo uterino
para dentro da própria cavidade uterina. Pode progredir e exteriorizar-
se pela vaginal através do próprio colo uterino dilatado.
C L A S S I F I C A Ç Ã O
P a r c i a l : quando parte do corpo uterino se introduz no colo
dilatado.
T o t a l : quando todo o corpo uterino se introduz pelo colo e
ocupa a vagina.
A g u d a : ocorre mais em obstetrícia (como durante a dequitação
da placenta).
C r ô n i c a : causas ginecológicas e tumores (eliminação de miomas pediculados pela vagina).
E T I O L O G I A
T o c o g e n é t i c a : puerperal.
O n c o g e n é t i c a : causada por mioma submucoso parido (parturiente).
I d i o p á t i c a : constitucional.
Q U A D R O C L Í N I C O
T o c o g e n é t i c a : condição grave que pode causar o choque (neurogênico, principalmente, e o choque
hipovolêmico).
C r ô n i c a : endometrite, leucorréia, metrorragia, hipermenorragia, sensação de peso e de tumor. Esta fase
sintomática crônica não é tão comum.
D I A G N Ó S T I C O
Q u a d r o c l í n i c o : mais comum, é encontrar a paciente em choque, desenvolvimento um quadro tão grave que,
praticamente, não dá brechas para desenvolver um quadro clínico crônico ou mesmo realizar exames
diagnósticos subsidiários.
E x a m e f í s i c o : baseia-se no uso do toque simples e bimanual, que permite palpar o cone de inversão. É
necessário realizar o diagnóstico diferencial com mioma parido.
U S G p é l v i c a : se o quadro permitir, a USG pode auxiliar no diagnóstico.
T R A T A M E N T O
Atitudes profiláticas no parto.
Cuidados clínicos gerais: estabilizar o quadro hemodinâmico com transfusão, providenciar analgesia, etc.
Desfazer a inversão com t a x i s m a n u a l e ocitócito.
Para a invesão crônica, indicar cirurgia:
Knuster-Piccoli: consiste na correção cirúrgica da distopia.
Spinelli: correção cirúrgica da invesão associada à fixação do fundo uterino no promontório.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
261
PROLAPSO DE CPULA VAGINAL
Ocorre, comumente, em mulheres submetidas à histerectomia total e que perdem a fixação do fundo da vagina
por carência dos ligamentos que se fixam no istmo uterino. A correção é feita por meio da c o l p o p r o m o n t o f i x a ç ã o .
CLASSIFICAO ATUAL PARA AS DISTOPIAS GENITAIS
Atualmente, as distopias genitais são classificadas por um sistema mais moderno, porém complexo.Para
entender este método, devemos considerar as duas figuras abaixo:
A figura ao lado mostra os pontos de referência para a classificação
do prolapso genital (Aa, Ba, C, D, Ap, Bp), hiato genial (HG), corpo
perineal ou períneo posterior (CP, que se estende do orifício externo
da uretra ao orifício externo do ânus) e comprimento total da vagina
(CTV). De um modo geral, temos:
Os pontos na parede anterior da vagina são representados
pela letra a ; os pontos na parede vaginal posterior, pela letra p .
Cerca de 3cm acima da abertura vaginal, encontramos o
ponto Aa na parede anterior da vagina; mais 3cm acima,
encontramos o ponto Ba.
Cerca de 3cm acima da abertura vaginal, encontramos o
ponto Ap na parede posterior da vagina (no mesmo nível do ponto
Aa na parede anterior); mais 3cm acima, encontramos o ponto Bp na
parede posterior (no mesmo nível do ponto Ba).
No caso de uma
distopia, isto é, quando há uma inversão, ocorre toda uma
alteração nos pontos de referência genital, de modo que os
pontos que eram mais superiores tornam-se mais próximos do
intróito vaginal, que é o ponto de referência fundamental.
A . Esquema de eversão completa da vagina (estágio IV). Os
pontos C (cúpula vaginal), Ba e Bp (pontos mais
distais da parede vaginal anterior e posterior) estão
na mesma posição (+8) e os pontos Aa e Ap estão em
máxima posição distal (+3).
B . Suporte pélvico normal (estágio 0). Os pontos Aa e Ba
e os pontos Ap e Bp estão na mesma posição (-3),
pois não há procidência de parede vaginal anterior
ou posterior. O ponto mais baixo do côo uterino está a
8cm acima do hímen (-8) e o fórnice posterior (ponto
D) está a 10cm acima do hímen (-10). O comprimento
total da vagina (CTV) é de 10cm e o hiato genital (HG) e o
corpo perineal (CP) medem 2cm e 3cm,
respectivamente.
Desta forma, temos:
E s t á g i o 0 : Não há prolapso. Os pontos Aa, Ap, Ba, e Bp estão em -3cm, e os pontos C e D estão entre -2cm e
ocomprimento total da vagina.
E s t á g i o I : o ponto de maior prolapso esta localizado um cm acima do hímen (-1cm)
E s t á g i o I I : a porção mais distal do prolapso está entre um cm acima e um cm abaixo do hímen (-1cm a +1cm).
E s t á g i o I I I : a porção mais distal do prolapso está mais do que um cm abaixo do hímen (+1cm), porém não se
desloca mais do que o comprimento total da vagina menos dois cm.
E s t á g i o I V : eversão completa.
Este estadiamento representa graduações mais precisas das distopias uterinas, garantindo referências mais
reais para aplicar o tratamento e seguimento de tais situações. Contudo, não tem nenhuma aplicação didática para a
graduação em Medicina. Esta aqui exposta apenas para um conhecimento geral com relação aquilo que hoje é o
estadiamento mais moderno para as distopias genitais.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
262
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
C L I M A T É R I O
( P r o f e s s o r M a r c e l o B r a g a )
Climatrio, por defini
o, corresponde ao perodo de transi
o entre o tempo reprodutivo e o n
o-reprodutivo da
mulher, que vai desde 35-65 anos. Desta maneira, a prpria menopausa est contida no climatrio, sendo considerada
um sinal desta fase de transi
o.
O tema “climatrio”, do ponto de vista acadmico, bastante dinmico, de forma que a cada ano que passa,
novas atualizaes sobre a temtica s
o feitas. O aumento da expectativa de vida da mulher no Brasil e no mundo um
dos fatores que fazem com que mais mulheres no climatrio busquem os consultrios de ginecologia. Contudo, a mulher
que passa por esta fase necessita de uma equipe multidisciplinar para um melhor acompanhamento e/ou tratamento.
No Brasil, havia cerca de 15,7 milhes de mulheres em 1993; em 1996, esse nmero j havia alcanado 18
milhes. Em 2000, foram feitas 46 milhes de receitas com prescri
o de Premarin (estrgeno conjugado, sendo ela a
segunda medica
o mais vendida). Em 2002, 38% das mulheres faziam uso de terapia de reposi
o hormonal (TRH).
DEFINIO E FISIOPATOLOGIA
Como vimos anteriormente, o climatrio corresponde fase de transi
o entre o perodo reprodutivo e o n
o-
reprodutivo da mulher. Dentro desta fase, ocorre a m e n o p a u s a , que consiste na ltima menstrua
o feminina.
Por volta do intervalo entre os 40 – 65 anos, ocorre esta ltima menstrua
o. O perodo antes dela e logo depois
caracteriza o climatrio, e pode ser dividido em fase perimenopausa e ps-menopausa.
P e r í o d o p e r i m e n o p a u s a : nesta fase, ocorrem
modificaes endocrinolgicas, biolgicas e
clnicas. Podem iniciar de 2 a 8 anos antes da
menopausa. Tal fase caracterizada por:
Folculos em nmero reduzidos
Resposta errada aos hormnios
hipofisirios
Ciclos irregulares
Diminui
o ciclos ovulatrios
Variabilidade das secrees hormonais
Estradiol: diminudo
Progesterona: baixa
Aumento FSH (diminui inibina ovariana)
M e n o p a u s a : corresponde, em termos tcnicos,
ltima menstrua
o. caracterizada por:
Mdia de idade: 50 anos
Final da fun
o reprodutora
Esgotamento folculos ovarianos
Diminui
o da produ
o estrognio
Fisiologia:
FSH (>40) e LH aumentados
Estradiol baixo (<20)
Produ
o estrognio: aromatiza
o
andrognios, tecido gorduroso, fgado e
msculos.
Redu
o de esterides sexuais
Do ponto de vista hormonal, o climatrio caracterizado por uma falncia ovariana, com atrofia do patrimnio
folicular do ovrio. Com a diminui
o dos folculos, h uma maior carncia de estrognio na primeira fase do ciclo
menstrual. Como uma resposta em f e e d b a c k , a hipfise tenta estimular o ovrio aumentando os nveis de FSH. Portanto,
na verdade, a representa
o endcrina do climatrio responde pela a s c e n s ã o d o F S H em face dos n í v e i s r e d u z i d o s
d e e s t r o g ê n i o .
Como se sabe, existem receptores de estrognio em praticamente todos os tecidos do corpo (pele, vasos,
cora
o, ossos, crebro, mamas, tero, vagina, bexiga e uretra). Portanto, a queda estrognica decorrente do climatrio
desencadeia sinais e sintomas de intensidade varivel. justamente a amplitude de intensidade destes sintomas que
pode determinar as necessidades preventivas e teraputicas.
Dentre os mais importantes, est
o as prprias modificaes que ocorrem em nvel ginecolgico: sem o
patrimnio ovariano original, o ovrio torna-se atrsico e diminui; o endomtrio sofre um processo de atrofia (que
predispe o aparecimento de cncer); e o colo uterino torna-se mais plido, com alteraes histolgicas.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
263
QUADRO CLNICO
As repercusses endcrinas que caracterizam a fisiopatologia do climatrio determinam um quadro clnico
varivel, podendo envolver vrios outros sistemas, produzindo sinais e sintomas diversos.
Irregularidade menstrual:
Encurtamento ciclos, atraso menstrual e hipermenorria
Flutua
o hormonal
Diagnstico diferencial com: plipos, leiomiomas, adenocarcinoma de endomtrio
Psicognicos: principal causa de consultas mdicas.
Ansiedade, depress
o e irritabilidade
Estrognio estimula sistema adrenrgico e serotonrgico
Deficincia estrognica: altera
o de adrenalina, noradrenalina, serotonina, opides e GABA
Nem todas mulheres tem altera
o de humor: o que mostra que h outros fatores envolvidos
Doena de Alzheimer:
Estrognio: papel n
o claro na depress
o, cogni
o e demncia
Tang,1996: TRH protege para o desenvolvimento de Alzheimer
Wang, 2000: n
o melhorou quadro da doena, sugere TRH na preven
o
Yaffe, 2000: correla
o entre estrognio e declnio da cogni
o
Manifestaes genitais:
Ressecamento vaginal (43%), dispareunia (41%), vaginite
Diminui
o de colgeno na vulva e vagina Vagina fina, perda de plos pubianos
Diminui
o de estrognio: produ
o diminuda de clulas superficiais e pH vaginal 6-8 (vaginite atrfica)
Vagina encurta-se e perde as rugosidades, tero e ovrios diminuem
Manifestaes urogenitais:
Presena de receptores estrognicos: bexiga, trgono vesical, uretra e camadas musculares e fasciais
profundas
Urgncia urinria, disria, uretrite atrfica
ITU repeti
o, incontinncia urinria
Distopias
Manifestaes sexuais e autonmicas
Metablicos: pele fina, queda cabelo
Neurognicos: mais comuns da mulher climatrica. Incluem a queixa mais prevalente que s
o os
fogachos (ver O B S 1 ).
O B S 1 : O f o g a c h o uma sensa
o sbita e transitria de calor moderado ou intenso, que se espalha pelo trax,
pescoo e face, podendo ou n
o ser acompanhado de sudorese profusa, sendo piores noite. uma manifesta
o
caracterstica – se n
o patognomnia – do climatrio. Podem se iniciar na perimenopausa e prolongar-se por mais de 5
anos da menopausa. O mecanismo ainda desconhecido: parece envolver receptores hipotalmicos.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
264
PATOLOGIAS ASSOCIADAS AO CLIMATRIO
O S T E O P O R O S E
A osteoporose uma doena caracterizada pela altera
o metablica ssea alterada, com redu
o da massa
ssea e alteraes na microestrutura. Como se sabe, o processo de forma
o ssea (a
o dos osteoblastos e redu
o
da a
o dos osteoclastos) um processo dependente de vitamina D, hormnios do metabolismo do clcio e da
prostesterona. Cerca de 25% das mulheres podem ter osteoporose, enquanto que 40% das mulheres brancas ps 50
anos podem ter fraturas.
Na osteoporose, ocorre uma reabsor
o ssea maior do que a remodela
o, com consequente aumento da
fragilidade ssea decorrente da diminui
o do estrgeno, aumentando o risco de fraturas, que s
o mais frequentes na
ps-menopausa.
Em resumo, no que diz respeito ao m e t a b o l i s m o ó s s e o temos:
Determinado geneticamente (hormnio e fatores teciduais)
Fatores ambientais:nutri
o, sedentarismo, tabagismo e alcoolismo
Osteoblasto: forma osso
Osteoclasto: reabsorve osso
Crescimento: ganha massa ssea
Puberdade a 3 dcada: perda lenta (0,2 a 0,5% ano). Menopausa: perda 2 a 5% ano.
A menopausa aumenta atividade dos osteoclastos
Sem forma
o de novo osso (osteoblastos)
Osteoblastos: influncia de estrognios, fatores teciduais, vit D, calcitonina e paratormnio
A osteoporose considerada uma doena crnica e, geralmente, silenciosa (sem sintomas). O principal sintoma
a d o r , que s existe se houver fraturas – principal manifesta
o com aumento da morbimortalidade. A conduta frente a
suspeita de osteoporose se faz da seguinte maneira:
Avalia
o do risco de fratura
Determinar a densitometria da coluna e fmur
Excluir causas secundrias em casos mais graves
Pesquisar f a t o r e s d e r i s c o :
F a t o r e s d e r i s c o n ã o m o d i f i c á v e i s F a t o r e s d e r i s c o m o d i f i c á v e i s .
Fratura em idade adulta
Fratura familiar 1 grau
Raa branca
Idade > 65 anos
Sexo feminino
Demncia
Tabagismo
IMC < 19
Menopausa < 45 anos
Ooforectomia bilateral
Amenorria > 1 ano
Baixa ingest
o de clcio
Alcoolismo
Limita
o visual
Quedas repetidas
Sedentarismo
Enfraquecimento
Os c r i t é r i o s d i a g n ó s t i c o s baseiam-se em dados da OMS: medida de densitometria ssea no antebrao, na
coluna (L1 a L4) ou no fmur (colo, trocanter maior, total).
N o r m a l Escore T at -1
O s t e o p e n i a Escore T -1 e -2,5
O s t e o p o r o s e Escore T igual ou menor que -2,5
Escore T: desvio padr
o MO- mulheres e homens jovens
Escore Z: desvio padr
o MO- mulheres normais mesma idade
D O E N Ç A S C A R D I O V A S C U L A R E S
Nos EUA, a causa de morte mais comum em mulheres ps-menopausa era por doenas cardiovasculares
relacionadas com a deficincia de estrognio. Da, imaginou-se que o estrognio tinha um papel protetor, uma vez que
mulheres que faziam seu uso tinham menores risco de desenvolver tais doenas. Atualmente, sabe-se que o estrgeno
funciona como uma forma de preven
o primria de cardiopatia, servindo como um fator protetor apenas durante uma
determinada janela de oportunidade.
O fato de o sistema imunolgico da mulher ser estrognio dependente, faz com que sua imunidade desaparea
durante a menopausa. Este fator, associado menopausa precoce e ooforectomia bilateral com menos de 35 anos,
aumenta o risco de infarto agudo do miocrdio (IAM).
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
265
Há uma influência gradual da menopausa no aumento de risco: quanto mais tempo a mulher apresentar a
menopausa, maiores são os riscos para cardiopatias. Isso ocorre por que a queda do estrogênio, de um modo direto,
modifica fatores protetores.
De um modo geral, no que diz respeito ao sistema cardiovascular o estrogênio é responsável por:
Diminuir LDL e aumentar HDL
Efeito direto anti-aterosclerótico
Anti-agregação plaquetária
Vasodilatação
Ação inotrópica cardíaca
Secreção óxido nítrico
Redução resistência insulina
Proteção celular endotelial
Portanto, a queda do estrogênio altera, inclusive, o perfil lipídico: aumenta o colesterol total e diminui o HDL
colesterol, predispondo à aterosclerose.
DIAGNSTICO DO CLIMATRIO
A n a m n e s e
E x a m e f í s i c o c o m p l e t o
E x a m e c i t o p a t o l ó g i c o d e c o l o u t e r i n o
M a m o g r a f i a : bianual 40-50 anos; anual acima 50 anos
A v a l i a ç ã o e n d o m e t r i a l : não invasivo (Us transvaginal) ou invasivo (histeroscopia).
E x a m e s c o m p l e m e n t a r e s : hemograma, perfil lipídico, TSH, EQU, pesquisa sangue oculto nas fezes.
D e n s i t o m e t r i a ó s s e a
CONDUTA COM A MULHER CLIMATRICA
Orientar sobre as modificações fisiológicas
Promoção de saúde: higienodietéticas
Eliminar hábitos deletérios
Corrigir ingestão de cálcio
Atividade física
Prevenir doenças
Rastrear neoplasias
Tratamento preventivo de fraturas
Terapia de reposição hormonal (TRH) que, na atualidade, é individualizada e de uso restrito: antigamente, para
qualquer mulher que se apresentasse antes da menopausa, era feito estrógeno e progesterona conjugado; após
a menopausa, estrogênio puro e progesterona na segunda fase; pacientes com histerectomia prévia faziam uso
de estrogênio. Atualmente, este tratamento é individualizado e indicado em casos especiais.
T R A T A M E N T O D A O S T E O P O R O S E
De um modo geral, devemos considerar as seguintes recomendações:
Ingestão cálcio: 1,2 a 1,5 g/dia
Alimentos ou suplementação
Vitamina D > 65 anos
Estrogênio
Calcitonina
Raloxifeno (agonista estrogênio no tecido ósseo)
T R A T A M E N T O N Ã O H O R M O N A L D O C L I M A T É R I O
Todos os fármacos utilizados para o tratamento não-hormonal do climatério são formas de paliação da doença,
uma vez que, se a doença é decorrente da queda de estrogênio, ela só pode ser tratada, teoricamente, aumentado-se o
estrogênio (o que já seria um tratamento hormonal). Contudo, temos os seguintes representantes não-hormonais:
Veraliprida: 100mg/dia- 20 dias/mês
Sulpirida
Clonidina
Propanolol
Gabapentina
Vitamina E
Venlafaxina
Fluxetina
Paroxetina
Fitoestrogênio: não há resultados conclusivos
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
266
T E R A P I A D E R E P O S I Ç Ã O H O R M O N A L
Atualmente, a FDA aprovou a TRH para: alvio dos sintomas, tratamento e preven
o da osteoporose e
tratamento da atrofia urogenital. Portanto, a TRH trata apenas os sintomas, promove a profilaxia contra a osteoporose e
evita a atrofia urogenital. No quediz respeito s doenas cardiovasculares, a TRH serve como uma preven
o primria –
ela n
o responsvel por tratar tais quadros mrbidos quando j instalados.
De um modo geral, recomenda-se e s t r o g ê n i o n a t u r a l , associada ou n
o a p r o g e s t á g e n o (este deve ser
utilizado sempre que a paciente ainda tiver o tero, pois a a
o isolada e contnua do estrognio em nvel do tero pode
determinar a alteraes no endomtrio que predispem ao cncer de endomtrio). De uma forma geral, temos:
E s t r o g ê n i o : para pacientes histerectomizadas
E s t r o g ê n i o m a i s p r o g e s t e r o n a : pacientes com tero
A forma de administra
o pode ser c í c l i c a (estrognio 21 a 25 dias e progesterona 10 a 12 dias finais) para
pacientes que ainda menstruam; ou c o n t í n u a (progesterona e estrognio em doses iguais) para pacientes que n
o mais
menstruam. H, portanto, trs esquemas de tratamento: (1) estrognio e progesterona cclica para pacientes antes da
menopausa e que ainda menstruam; (2) estrognio e progesterona contnua para pacientes que j pararam de
menstruar; (3) estrognio exclusivo para pacientes histerectomiazadas.
As recomendaes gerais sobre a TRH s
o:
Via de administra
o: oral, transdrmica (mais usadas) ou vaginal
Parenteral: hipertensa ou com risco trombtico
Vaginal: queixa urogenital
Realizar acompanhamento semestral
Aumento de peso se d, em geral, por diminui
o do catabolismo
Deposi
o gordura no abdome: efeito andrognios
De um modo geral, atravs de uma vasta revis
o da literatura, possvel observar o quanto ainda h
divergncias e conflitos no que diz respeito TRH. Dos principais estudos, podemos destacar:
Current, 1994: benefcio reduzindo fratura de quadril, IAM e AVC. Aumento ca mama, endomtrio e tromboembolismo
Current, 1994 e Fletcher,2002: estudos observacionais com efeito protetor da TRH de 35 a 80% na ocorrncia de eventos
coronarianos. Vis: usurias de TRH serem mais saudveis
Fletcher, 2002: somente estudo randomizado pode estabelecer a segurana e eficcia da TRH
HERS, 1993-1998:
o ECR, duplo-cego, placebo controlado
o Objetivo: Avaliar se TRH (estrognios conjugados 0,625 mg mais acetato de medroxiprogesterona 2,5 mg) interfere
no prognstico em mulheres ps-menopusicas com doena coronariana estabelecida
o 2763 mulheres com menos de 80 anos, com doena coronariana e tero intacto de 20 centros clnicos nos EUA
o 1380 mulheres usando TRH e 1383 placebo
o Seguimento mdio de 4,1 anos
o Desfecho primrio: ocorrncia de IAM n
o fatal ou morte por doena coronariana
o Desfecho secundrio: revasculariza
o, angina, ICC, parada cardaca, AVC, doena arterial perifrica
o Resultados: N
o houve diferenas entre os grupos em rela
o ao desfecho primrio ou secundrio. Houve aumento
doena tromboemblica e litase biliar
o Dezembro de 1997: comit suspendeu a pesquisa no tempo previsto, pela perda de poder por incerteza de ades
o
ao tratamento
o Sugest
o: redu
o de risco de eventos cardiovasculares aps o terceiro ano de estudo
HERS II, 1998-2000
o Prosseguimento da interven
o
o Quebra do cegamento
o Objetivo: verificar se a redu
o do risco de eventos cardacos observada nos ltimos anos do HERS persistiria pelos
anos seguintes
o 2321 mulheres seguiram o estudo
o Estudo interrompido precocemente com 2,7 anos
o N
o houve diferena na incidncia cumulativa para d. cardiovascular entre os grupos nos 6,8 anos
o Aumento de risco (RR=3,30) para arritmia ventricular no grupo tratado
o Aumento de risco (RR=1,52) para evento cardiovascular no grupo tratado no 1 ano e prote
o (RR=0,60) no 4
ano.
o IAM prote
o (RR=0,50) no 4 ano
o Aps ajuste foi significativo apenas o aumento do risco de eventos cardacos no 4 ano do estudo
o Perda de significncia estatstica; Perda de poder estatstico
o Queda da aderncia TRH; Aumento de mulheres do grupo placebo que passaram a usar TRH
o Interrup
o do estudo: n
o foram encontradas evidncias que dessem suporte a hiptese de que TRH melhoraria o
prognstico em mulheres ps-menopusicas com doena cardiovascular
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
267
WHI, 1993-2002
o Amostragem: 16608 mulheres de 50-79 anos
o Dura
o de 8,5 anos
o ECR, duplo cego, controlado por placebo
o Objetivo: verificar benefcios e riscos da TRH (estrognios conjugados 0,625 mg mais acetato de
medroxiprogesterona 2,5 mg) em mulheres hgidas
o TRH: 8506 mulheres; e Placebo: 8102 mulheres
o Desfecho: doena coronariana e Ca de mama
o Vis: n
o selecionava as mulheres com sobrepeso, tabagistas, alcoolistas, desnutridas, etc.
o Interrup
o precoce com 5,2 anos
o O risco de cncer de mama e do ndice global (riscos/benefcios) atingiu ou ultrapassou margens de segurana pr-
determinadas
o Seguiu-se parte do estudo em mulheres histerectomizadas (2004): foi evidenciado que n
o h prote
o ou aumento
risco
o Redu
o risco fraturas e Ca coloretal
o Concluses: a TRH deve ser utilizada, mas com avalia
o cuidadosa.
A mdia e o entendimento popular acerca do estudo WHI (1993 – 2002) levou a crer que a TRH aumenta a
incidncia de cncer de mama, o que deixou muita paciente em uso de TRH assustada. Contudo, com a progress
o do
estudo, observou-se que a progesterona seria a responsvel pelas maiores intercorrncias e que a reposi
o hormonal,
por si s, n
o determinaria cncer de mama.
C o n t r a - i n d i c a ç õ e s d a T R H .
C o n t r a - i n d i c a ç õ e s a b s o l u t a s C o n t r a - i n d i c a ç õ e s r e l a t i v a s
Cncer de mama e endomtrio n
o tratados
Hepatopatia aguda
Tromboembolismo agudo
Sangramento genital anormal de causa
desconhecida
Porfiria
Tromboembolismo venoso prvio
Doena coronariana estabelecida
Hiperten
o arterial
Diabete Melito
Lupus eritematoso sistmica (LES)
Melanoma
Antecedentes de cncer de mama e endomtrio
H o r m ô n i o s u t i l i z a d o s n a T R H .
A reposi
o se faz com estrgeno, progesterona e eventualmente com andrognio
TER: teraputica de reposi
o estrognica
TRH: teraputica de reposi
o hormonal ou estroprogestativa (estrgeno e progesterona)
TRHC: teraputica de reposio hormonal completa (com estrgeno, progesterona, andrognios)
E s t r o g ê n i o s P r o g e s t á g e n o s A n d r o g ê n i o s
Sobre o perfil lipdico
Sobre os ossos
Sobre o sistema nervoso central
Sobre as estruturas plvicas
Desfaz muitas das aes
benficas do estrognio
N
o interfere na diminui
o do
colesterol total e do LDL
Parece ser malfico em rela
o
doena de Alzheimer
Efeito antiproliferativo no
endomtrio
Prolifera
o ductal na mama
Aumenta a atividade da
monoaminooxidase (intensifica o
catabolismo da serotonina)
Gaba-agonista
Melhoram a textura da pele
Atenuam sintomas vasomotores
Podem estimular a libido
Pele seborreica
Aumento clitris
Aumento do colesterol LDL
E s q u e m a s d e T H .
E isolado (cclico ou contnuo): mulheres sem tero
E cclico ou contnuo e P cclico: mulheres n
o histerectomizadas.
E e P contnuos e intermitentes: indicados na ps-menopausa e quando a mulher n
o deseja mais menstruar. Portadoras de
mioma e endometriose. Casos de tens
o pr-menstrual associados aos esquemas cclicos.
E contnuo e P a cada quatro meses: para menstruar somente de 4 em 4 meses,devido a sintoma de tens
o pr-menstrual
P isolado (cclico ou contnuo): cclico na pr-menopausa para corrigir os disturbios menstruais
E e A contnuos: para mulheres histerectomizadas e ooforectomizadas que tm queixa de diminui
o de libido e cansao
contnuo
E e A contnuos e P cclico: mesma indica
o anterior, porm em mulheres com tero
E e P e A contnuos:mesma indica
o anterior e desejo den
o menstruar
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
268
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
D O E N Ç A S B E N I G N A S D O S O V Á R I O S
( P r o f e s s o r E d u a r d o S é r g i o )
Os ovrios s
o estruturas da anatomia ginecolgica de difcil acesso e de pequeno volume que, normalmente,
n
o ultrapassa os 3 – 9cm3.
Na infncia, os ovrios se apresentam em situa
o fisiolgica de repouso, com pouca ou nenhuma estimula
o
hormonal. At que, durante o perodo de transi
o que corresponde puberdade, a mulher entra, gradativamente, no
menacme, de modo que a matura
o do eixo hipotlamo-hipfise-ovariano acontece. Com isso, os ovrios passam a
receber estimula
o hormonal, de modo que suas clulas passam a ser recrutadas, exatamente para que ocorra a
ovula
o, e que acontea toda a altera
o estrutural e volumtrica do ovrio, a depender da fase do ciclo hormonal em
que ele se encontra. Na senilidade, assim como ocorre na infncia, o ovrio deixa de ser estimulado hormonalmente;
contudo, aps a menopausa, ele passa a atrofiar e perder volume gradativamente, dificultando ainda mais seu acesso.
H, portanto, alteraes fisiolgicas do volume ovariano ao longo do ciclo hormonal da mulher. Esta varia
o
anatmica e volumtrica facilmente perceptvel ultrassonografia (transvaginal, de preferncia). Contudo, apesar de
todas estas alteraes, o ovrio permanece i n a c e s s í v e l à p a l p a ç ã o do exame fsico plvico quando ele estiver em
situa
o fisiolgica. Portanto, em outras palavras, praticamente impossvel palpar o ovrio em condies de
normalidade. Tanto que, durante a descri
o do exame fsico ginecolgico normal, consideramos o termo “ovrios e
trompas n
o palpveis” como sinnimo de normalidade.
Porm, devemos considerar que nem todo aumento ovariano implica em interven
o. Isto se justifica, por
exemplo, na prpria presena do folculo ovariano durante a fase folicular do ciclo menstrual. Outras situaes que
promovem o aumento normal do ovrio podem ser exemplificadas na fase logo aps a ruptura do folculo, quando h
aumento da irriga
o ovariana decorrente da presena do corpo lteo.
FORMAS DE APRESENTAO
As patologias benignas dos ovrios podem ser apresentar nas seguintes formas:
Inflamatria: aumento ovariano a partir de um processo infeccioso em decorrncia de doena inflamatria
plvica.
Cstica n
o neoplsica (Funcional):
Neoplsica (Cstica ou Slida)
CARACTERSTICAS
As principais caractersticas clnicas das patologias benignas dos ovrios que devem ser levadas em
considera
o s
o:
Podem causar aumento de volume ovariano ou n
o
Sintomtico ou n
o (desconforto, sensa
o de peso e dor) ou mesmo ser apenas um achado num exame de
rotina.
Patologia benigna funcional regride espontaneamente, enquanto a patologia neoplsica evolui no seu curso.
S
o dominantemente unilaterais.
Patologias csticas podem ocorrer em qualquer fase da vida: intra-uterina, infantil, adolescente, reprodutiva e
climatrica.
Se tiverem atividade hormonal, promovem disfun
o menstrual, precocidade sexual, viriliza
o
Se romperem, podem provocar ou n
o dor plvica aguda e choque.
Problemas mecnicos: tenesmo, obstru
o intestinal; poliria, nictria, ITU, reten
o urinria
Tor
o (principalmente aqueles tumores maiores do que 100cm3, que se aproximam do volume do tero)
Dispareunia
O B S 1 : Como vimos anteriormente, os ovrios sofrem interferncia variada ao longo do ciclo hormonal da mulher durante
o perodo da m e n a c m e , podendo, assim, apresentar variaes em seu volume. Tais variaes devem ser
cuidadosamente diferenciadas de aumento decorrente de doenas ovarianas. Alm disso, o ovrio permanece diminudo
na infncia ou passa a diminuir na senilidade. Por esta raz
o, frisemos as seguintes situaes:
I n f â n c i a : qualquer aumento ovariano (palpvel no abdome) deve ser encarado como anormal e investigado
atravs da USG, avalia
o hormonal e caritipo.
C l i m a t é r i o : qualquer aumento ovariano (palpvel no abdome) deve sempre encarado como potencialmente
maligno at que se prove o contrrio.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
269
C r i t é r i o s d e b e n i g n i d a d e e m a l i g n i d a d e d o s t u m o r e s o v a r i a n o s n o a t o o p e r a t ó r i o
T u m o r b e n i g n o T u m o r m a l i g n o
Unilateral
Cpsula ntegra
Mvel
Superfcie lisa
Sem ascite
Superfcie peritoneal livre
Tumor uniforme
Csticos
Paredes dos cistos lisas
Volume ovariano <8cm3
CA-125 < 35 U/ml
Bilateral
Cpsula fragmentada
Aderente a rg
os vizinhos
Superfcie irregular com vegeta
o
Com ascite, especialmente hemorrgica
Implantes peritoneais
reas hemorrgicas e necrose
Slidos ou slidos cisticos
Paredes dos cistos com papilomas
Volume > 8cm3
CA-125 > 35 U/ml
Velocimetria – Doppler da artria ovariana ou do vaso do tumor
com pulsatilidade de 1,0 ou menos
CLASSIFICAO DAS PATOLOGIAS BENIGNAS DOS OV
RIOS
Q U A N T O A O T I P O H I S T O L Ó G I C O
De um modo geral, os tumores benignos dos ovrios podem ser classificados em: n
o-neoplsicos, tumores
neoplsicos derivados do epitlio celmico, tumores derivados das clulas germinativas e neoplasias derivadas do
estroma ovrio. Cada uma destas modalidades apresenta subclassificaes especficas que, a depender de onde se
origina o tumor, v
o apresentar caractersticas diferentes.
N ã o N e o p l á s i c a s
T u m o r e s n e o p l á s i c o s
d e r i v a d o s d o e p i t é l i o
c e l ô m i c o
T u m o r e s d e r i v a d o s d a s
c é l u l a s g e r m i n a t i v a s
N e o p l a s i a s d e r i v a d a s d o
e s t r o m a o v a r i a n o
– Cisto folicular
– Cisto do corpo lteo
– Cisto tecalutenico
– Cisto de inclus
o
– Ovrios policisticos
– Luteoma da gravidez
– Cistoadenoma seroso
– Cistoadenoma
mucinoso
– Tumor de Brenner
– Cisto dermide
(teratoma cstico
maduro)
– Struma Ovarii
– Fibroma
– Tecoma
Q U A N T O À F U N C I O N A L I D A D E
Outro tipo de classifica
o que pode ser estabelecida aos tumores de ovrio se faz com rela
o aos tipos de
cistos do ovrio relacionados com a atividade hormonal ( c i s t o s o v a r i a n o s f u n c i o n a i s ). Desta forma, temos:
T i p o A t i v i d a d e h o r m o n a l H o r m ô n i o
Folicular
Corpo lteo
Teca/lutenico
Seroso
Possvel
Sim
Sim
N
o
Estrognio
Progesterona
Estrognio
N
o
CISTOS NO-NEOPL
SICOS
S
o cistos mais comuns na fase reprodutiva, sendo os mais frequentes o cisto folicular e o cisto lutenico.
Consistem na causa mais frequente de aumento ovariano (1,8 – 2,1 cm3/8cm3). Como vimos anteriormente, poder
o ter
atividade hormonal.
C I S T O F O L I C U L A R
O cisto folicular origina-se do folculo de Graaf que n
o rompeu e se tornou cstico, com incompleta reabsor
o
do lquido folicular. Suas principais caractersticas s
o:
Geralmente n
o atinge mais que 8cm;
Padr
o transitrio (geralmente regride espontaneamente dentro de no mximo 60 dias ou aps 3 ciclos
menstruais);
Tor
o e rotura: raro
Pode determinar alteraes menstruais
Sintomatologia depende do tamanho
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
270
D i a g n ó s t i c o .
A n a m n e s e : tipo menstrual, anticoncep
o, indutores de ovula
o, antecedentes familiares de doenas malignas
E x a m e f í s i c o e g i n e c o l ó g i c o (aps esvaziamento da bexiga e do reto)
E x a m e s c o m p l e m e n t a r e s : USG (mostra-se mais homogneo, com efeito Doppler negativo, sem vasculariza
o
central) e marcadores tumorais
T r a t a m e n t o .
Conduta expectante, na maioria das vezes, uma vez que seu padr
o transitrioe, portanto, o tratamento
expectante/clnico deve ser tentado sempre que possvel.
Contraceptivos hormonais orais (C H O ) por 2/3 meses. Cerca de 99% dos ovrios com volume menor que 50cm3
respondem bem ao uso de anticoncepcionais orais e cerca de 70% com volume entre 50 – 100cm3 responde
bem a este tratamento clnico.
Considerar cirurgia diante de alguns critrios, como na presena de ovrios volumosos (acima de 100cm3), pois
poucos respondem aos CHO (apenas 30%);
Alerta
Pun
o e esvaziamento de cistos
USG – paredes lisas e sem septaes (contedo homogneo)
Lquido deve ser encaminhado para exame
C I S T O D E C O R P O L Ú T E O
Origina-se da n
o reabsor
o do contedo do corpo lteo e a n
o cicatriza
o do mesmo, fazendo com que ele
persista e distenda-se. Geralmente, se mostra como uma les
o nica. Suas principais caractersticas s
o:
Les
o nica, geralmente < 8cm
Pode se desenvolver no fim do ciclo menstrual ou na vigncia de gravidez
Principais complicaes associadas:
Tor
o
Rotura Hemoperitnio
Q u a d r o c l í n i c o .
Clnica: atraso menstrual, amenorria
Dor em uma das fossas ilacas
D i a g n ó s t i c o .
O diagnstico do cisto do corpo lteo ,
geralmente, dificultoso. Por esta raz
o, necessrio lanar
m
o de parmetros que permitam realizar diagnsticos
diferenciais, principalmente com a gravidez ectpica,
endometrioma, sndrome dos ovrios policsticos (SOP).
Anamnese, exame ginecolgico, B-HCG (para
diferenciar de gravidez ectpica) e resposta
teraputica a CHO.
USG: diferentemente do cisto folicular, o cisto de
corpo lteo se mostra como uma les
o de
contedo lquido (devido ruptura do folculo),
geralmente hemorrgico, com efeito Doppler
alterado.
T r a t a m e n t o .
Expectante
Contraceptivos hormonais orais (C H O )
Tratamento cirrgico:
Cisto n
o regride aps 2 meses de uso de
CHO
Cistos > que 8cm
Atentar para sinais de tor
o ou rotura
O B S 2 : A figura ao lado mostra as variaes fisiolgicas que
ocorrem no parnquima do ovrio de acordo com as fases
do ciclo ovariano. Dentro destas alteraes fisiolgicas,
alguns cistos podem persistir um pouco mais ou at
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
271
mesmo complicar com hemorragias. Contudo, devemos ter bastante percia e conhecimento clnico para n
o confundir
estas alteraes com patologias malignas. Para isso, devemos acompanhar adequadamente estas pacientes,
considerando suas queixas e consultas anteriores. Devemos solicitar, se preciso, marcadores tumorais, USG e Doppler,
avaliando estas pacientes com muita parcimnia. Alm disso, se tratando do corpo lteo, devemos considerar que ele
vai ter um aspecto mais grosseiro e heterogneo, quando comparado ao cisto folicular e, mesmo assim, n
o se trata de
uma les
o maligna.
C I S T O T E C A L U T E Í N I C O S
Os cistos tecalutenicos s
o constitudos por clulas granulosas e da teca luteinizadas, formando mltiplos
pequenos cistos que podem determinar um aumento anexial maior que 20cm. Suas principais caractersticas s
o:
Geralmente bilaterais
Decorrentes de estimula
o ovariana com gonadotrofinas ou com clomifeno
Coexistem com doenas trofoblsticas, gravidez mltipla, toxemia severa, excepcionalmente na vigncia de
gravidez nica.
D i a g n ó s t i c o .
Anamnese: peso plvico, hiperemese, sndrome de hiperestmulo ovariano
Exame fsico
B-HCG quantitativo
USG
T r a t a m e n t o .
Expectante e lento
Cirurgia: tor
o ou rotura
Repouso relativo
C I S T O S D E I N C L U S Ã O
Os cistos de inclus
o s
o, geralmente, leses pequenas e mltiplas, sem qualquer significado clnico. S
o
considerados raros e mais comuns em mulheres mais velhas.
Provavelmente surgem de invaginaes do epitlio de revestimento em dire
o ao estroma e perdendo a
continuidade com a superfcie, tornam-se csticos. S
o revestidos por epitlio plano, cbico ou colunar, e podem
apresentar metaplasia tubal e corpos de psammoma na sua luz ou no estroma adjacente. O epitlio metaplsico mais
propenso a desenvolver carcinoma.
C I S T O S P A R A O V A R I A N O S
S
o cistos simples no ligamento largo a partir de ductos remanescentes de Mller ou do Wolf, ou a partir de
cistos de inclus
o peritoneal
Uniloculares com contedo fluido amarelo-claro
Assintomtico
Raramente: Tor
o ou rotura
< 5cm
CISTOS NEOPL
SICOS BENIGNOS DERIVADOS DO EPITLIO CELMICO
O ovrio composto por tecidos derivados do epitlio celmico, das clulas germinativas e do mesnquima. Os
cistos neoplsicos benignos que surgem a partir do epitlio celmico podem ser classificados da seguinte maneira:
Tipo de clula de revestimento
Serosos
Mucinosos
Padr
o de crescimento
Csticos
Slidos
Quantidade de estroma
Atipia e invas
o
Benignos
“ B o r d e l i n e ”
Malignos
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
272
C I S T O A D E N O M A S E R O S O
Os cistoadenomas serosos s
o menores que os mucinosos,
mas podem alcanar grandes tamanhos. Sua morfologia bastante
grosseira, de aspecto varivel (o que dificulta a defini
o quanto a
sua benignidade, sendo necessria, quase sempre, o exame de
congela
o intraoperatrio para diagnstico definitivo). Suas
principais caractersticas s
o:
30 – 50% - Bilaterais
Geralmente s
o uniloculares com contedo fluido, seroso,
claro e revestido por epitlio colunar, semelhante ao que
reveste a tuba.
Podem apresentar septos (sendo multiloculares)
A prolifera
o epitelial e estromal podem produzir reas
firmes que s
o foco de crescimento papilar (cistoadenoma
seroso papilar) que pode transformar-se em carcinoma (25%)
Necessita de congela
o intraoperatria
D i a g n ó s t i c o .
Anamnese: dependendo do tamanho, pode ser assintomtico
ou causar desconforto plvico, distens
o abdominal, ascite.
Exame fsico: pode haver massa abdominal ou ascite.
USG
Dosagem do antgeno CA-125 – n
o especfico do cncer
do ovrio e n
o distingue o benigno do maligno, nem o tumor
primrio do metasttico. Somente a cirurgia com exame de
congela
o pode garantir a benignidade da les
o.
T r a t a m e n t o .
Diante da hiptese da presena de cistoadenoma, devemos proceder com a cirurgia. A laparotomia exploradora
ou videolaparoscopia, alm de garantirem o tratamento, fornecem dados subjetivos do tumor. Atravs delas, devemos
realizar a excis
o do tumor (cistectomia), o inventrio abdominal e realizar de congela
o (para diagnstico definitivo e
defini
o de malignidade ou confirmando o diagnstico de cistoadenoma), contando, para isso, com um patologista no
bloco cirrgico.
Caso o exame de congela
o confirme o cistoadenoma, podemos optar pela ooforectomia ou anexectomia uni
ou bilateral (devido alta tendncia recorrncia e histria familiar). Caso o exame mostre malignidade, pode ser
necessria a expans
o da cirurgia por meio da pan-histerectomia (Wertheims-Meigs), que consiste na retirada do tero,
dos anexos e esvaziamento ganglionar retroperitoneal.
C I S T O A D E N O M A M U C I N O S O
O cistoadenoma mucinoso um cisto neoplsico
benigno menos frequente que o seroso. Suas principais
caractersticas s
o:
Cresce mais que o seroso
Bilaterais em 10-20%
Apresentam cpsula lisa, geralmente translcida
Tendem a ser multiloculares com contedo viscoso
claro
Revestidos internamente por epitlio alto, colunar,
n
o ciliado, mucparo (tipo endocervical ou tipo
intestinal ou ambos)
Podem malignizar-se em 5%
D i a g n ó s t i c o .
Anamnese
Sintomatologia depende do tamnho
USG
Congela
o intraoperatria
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
273
T r a t a m e n t o .
O tratamentodo cistoadenoma mucinoso é cirúrgico. Contudo, a opção cirúrgica depende do exame de
congelação intraoperatório. Se confirmada sua benignidade, podemos optar pela cistectomia ou pela anexectomia
unilateral.
O B S 3 : O p s e u d o m i x o m a p e r i t o n e a l é formado pela rotura dos cistos mucinosos, que leva a transformação do
mesotélio peritoneal em epitélio secretor de mucina, cujas massas gelatinosas distendem o abdome e podem causar
obstrução intestinal e peritonite. Desta forma, o pseudomixoma é caracterizado por recidiva cirúrgica com ascite
mucinosa, fraqueza física, obstrução intestinal. Sua resposta à quimioterapia ainda é questionável. Ablação a laser dos
implantes peritoneais (via LPC) pode ser uma opção.
CISTOS DERIVADOS DE CLULAS GERMINATIVAS
C I S T O D E R M Ó I D E O U T E R A T O M A C Í S T I C O B E N I G N O
O cisto dermóide (teratoma cístico benigno) é
considerado o tumor benigno mais comum do ovário. Ele é
constituído por tecidos maduros bem diferenciados,
provenientes dos 3 folhetos germinativos (ectoderma,
mesoderma e endoderma), sendo o ectoderma mais
predominante. Suas principais características são:
Mais de 20% de todas neoplasias ovarianas
Mais comum dos tumores ovarianos na infância
Mais comum na fase reprodutiva, mas pode ocorrer
na pós-menopausa e na gravidez
Malignização rara (1-3%), mais freqüente na pós-
menopausa
Macroscopicamente: cabelos, ossos, cartilagem,
dentes, fluído gorduroso que se torna sebáceo, pele
e suas glândulas anexas
Pode fistulizar-se para a bexiga, intestino, vagina
D i a g n ó s t i c o .
M a r c a d o r e s : CCE (Antígeno do carcinoma de
células escamosas) e CEA (Antígeno
carcinoembrionário) mostram-se superiores ao CA-
125
S i n t o m a t o l o g i a : Depende do tamanho
U S G : visualiza, facilmente, o conteúdo
característico do cisto dermóide.
T r a t a m e n t o .
Cistectomia
Anexectomia unilateral
STRUMA OVARII
O s t r u m a o v a r i i é uma variante do teratoma cístico maduro em que há predominância do tecido tireoidiano.
Contudo, é uma patologia rara. Suas principais características são:
Macroscopicamente: cor e consistência do tecido tireoidiano, mas mais conteúdo cístico
Pode: hiperplasia nodular (com hipotireoidismo), tireoidite e carcinoma
Pode associar-se ao cistoadenoma mucinoso, tumor de Brenner e carcinóide
Rara malignização
Tratamento cirúrgico mais conservador
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
274
TUMORES SLIDOS BENIGNOS DERIVADOS DO ESTROMA OVARIANO
F I B R O M A
O fibroma é um dos mais comuns tumores
sólidos benignos do ovário, embora seja pouco
frequente, no geral. É constituído por fibroblastos e
colágeno, apresentando-se como pequenos
nódulos (aspecto lobulado) que pode atingir
grandes volumes (diâmetro médio = 6cm). Suas
principais características são:
Consistência firme e geralmente unilateral
Aparece, mais frequentemente, após a
puberdade
Inativo, geralmente assintomático e quase
nunca maligniza-se
Coloração cinza-esbranquiçada
Degeneração cística nos grandes tumores
Está frequentemente relacionada com a
s í n d r o m e d e M e i g s : ascite, hidrotórax à
direita e tumor ovariano (fibroma
geralmente grande, Brenner ou
Krukenberg). O hidrotórax está relacionado
com pressão intratoráxica negativa e
passagem do fluido via transdiafragmática
através de poros ou linfáticos peritoniais.
Diagnóstico diferencial: tecoma, tumor de
Brenner e de Krukenberg
T U M O R D E B R E N N E R
Tumor de crescimento lento que surge, principalmente, após os 40 anos
Unilateral geralmente
1-2% das neoplasias ovarianas
Macroscopicamente parecido com fibroma e tecoma, podendo apresentar áreas císticas com fluído viscoso,
opaco e marrom-amarelado
Microscopia: abundante estroma, denso, de natureza fibromatosa com ninhos de células epiteliais que têm
tendência a apresentar degeneração cística central
Origem do epitélio de revestimento, rete ovarii e do próprio estroma
Raramente maligniza-se
Pode ser normalmente ativo, associado com hiperestrogenismo (hiperplasia endometrial pós menopausa), ou
com virilização
Pode coexistir com cistoadenoma mucinoso e struma ovarii
T E C O M A
O tecoma é um tumor geralmente unilateral, sólido, liso, arredondado ou lobulado, bem encapsulado. Suas
principais características são:
Consistência firme e fibrosa
Ocorre a partir da 5ª década
Raramente maligniza-se
Macroscopia: sólido com alguns cistos. Coloração amarelada
Microscopia: tecido conjuntivo e mesênquima gonadal (fibrotecoma), células do estroma hiperplasiadas e
entrelaçadas. Ás vezes contém células secretoras de hormônio esteroide (luteínicas, Leydig, córtex adrenal)
Tratamento: ooforectomia. Se pacientes pós-menopausa: anexectomia bilateral.
LPC: redução da morbidade operatória, redução da dor no pós-operatório, redução de drogas no pós-
operatório, redução do tempo de permanência hospitalar, redução do período de recuperação, maior
satisfação com a cicatriz operatória.
O B S 4 : Frente a uma paciente, na 4ª a 5ª década de vida, com ultrassonografia mostrando tumor sólido de ovário, mas
que o efeito Doppler mostra-se inalterado (sem neovascularização) e com marcadores tumorais inativos, devemos
sugerir, inicialmente, as hipóteses de fibroma ou de tecoma.
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
275
LINHAS GERAIS DE TRATAMENTO
De um modo geral, o tratamento dos tumores benignos de ovário pode ser e x p e c t a n t e (analgésicos, anti-
inflamatórios, anovulatórios) ou c i r ú r g i c o (por laparoscopia ou laparotomia), através da ressecção do tumor,
ooforectomia, anexectomia, histerectomia com anexectomia uni ou bilateral.
De um modo geral, podemos adotar os seguintes critérios:
T u m o r e s c í s t i c o s s i m p l e s n o m e n a c m e , m e d i n d o a t é 5 c m :
Cogitar a possibilidade de tratamento medicamentoso com anticoncepcionais orais (cistos
disfuncionais/bloqueio do eixo HHO )
Correlacionar com a dosagem do CA-125 sérico
Cogitar o procedimento cirúrgico radical na progressão do tumor e/ou elevação do marcador tumoral.
T u m o r e s m a i o r e s q u e 5 c m q u e a p r e s e n t a m a u m e n t o p r o g r e s s i v o e / o u c o m p l e x o s : cogitar o tratamento
cirúrgico minimamente invasivo, com biópsia de congelação, através de laparoscopia ou laparotomia .
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
276
MED RESUMOS 2011
NETTO, Arlindo Ugulino.
GINECOLOGIA _________
P A T O L O G I A O V A R I A N A M A L I G N A
( P r o f e s s o r E d u a r d o S é r g i o )
O cncer de ovrio o cncer ginecolgico mais difcil de ser diagnosticado. Cerca de 3/4 dos tumores malignos
de ovrio apresentam-se em estgio avanado no momento do diagnstico inicial. o cncer ginecolgico de maior
letalidade (este dado rendeu ao cncer de ovrio o termo “s i l e n c e k i l l e r ”: o assassino silencioso), embora seja menos
frequente que o cncer de colo do tero.
Alguns fatores s
o descritos na literatura como protetores e outros como estimuladores do cncer de ovrio.
Dentre os fatores de prote
o para o cncer de ovrio o uso de anticoncepcionais orais (ACO): comprovou-se,
cientificamente que, mulheres que fazem uso de ACO apresentam uma menor predisposi
o a desenvolver patologias
benignas e malignas dos ovrios. Isso acontece porque os ACO geram um repouso ovariano, diminuindo a capacidade
de diferencia
o e atividade ovariana.
IMPORTNCIA EPIDEMIOLGICA
O cncer ovariano a principal causa de bito por cncer ginecolgico.
a quinta principal causa de todos os bitos por cncer em mulheres.
considerada a neoplasia ginecolgica mais letal,relacionada com sobrevida global inferior a 40% em cinco anos.
Aproximadamente 1 em cada 70 mulheres ir desenvolver cncer ovariano durante sua vida.
Incidncia maior de tumores em membros de uma mesma famlia (condi
o gentica).
Mais comum em mulheres da raa branca
Cerca de 20% dos tumores em pacientes menores de 10 anos s
o malignos.
Cerca de 4% quando a faixa etria est entre 11 – 19 anos.
S
o raros antes da puberdade
Os tumores de clulas germinativas s
o encontrados em idades mais jovens (adolescncia).
Pacientes entre 40 – 60 anos tem maior risco de tumores epiteliais.
No menacme existe maior frequncia de tumores benignos (cistos foliculares / cistos lteos e teratomas benignos).
80% dos casos de tumores ovarianos envolvem pacientes com mais de 50 anos (menopausa)
O diagnstico tardio: 75% dos casos j se apresentam em estgios avanados (III ou IV).
PATOGNESE
Os tumores epiteliais (80 - 90%) derivam da superfcie epitelial ovariana (epitlio celmico e mesotlio),
enquanto que os demais (10 - 20%) derivam de clulas estromais e germinativas.
Algumas teorias tentam explicar a patognese do cncer de ovrio. Os dois mecanismos que estariam
envolvidos com o cncer de ovrio seriam:
Estmulo hormonal ovariano aumento do risco de cncer ovariano.
Inibi
o da ovula
o redu
o do risco de cncer ovariano.
Partindo deste pressuposto, conclui-se o porqu de os ACO protegerem os ovrios. Estes medicamentos,
teoricamente, protegem os ovrios das variaes hormonais que podem, de certa forma, favorecer as alteraes desta
estrutura. Assim, como vimos anteriormente, os ACO garantem um “repouso” aos ovrios e, uma vez que reduzindo a
ovula
o ns reduzimos o risco de cncer, estaramos protegendo-os de uma eventual agress
o.
vlido ressaltar que o cncer de ovrio tem uma frequncia bem mais significativa durante a menopausa, o
que pode estar relacionado com os elevados nveis de gonadotrofinas hipofisrias circulantes.
FATORES DE RISCO
Fatores hormonais, ambientais e genticos est
o relacionados com o aparecimento do cncer de ovrio. Cerca
de 90% dos cnceres de ovrio s
o espordicos, isto , n
o apresentam fator de risco reconhecido. Cerca de 10% dos
cnceres de ovrio apresentam um componente gentico ou familiar. Histria familiar o fator de risco isolado mais
importante.
De um modo geral, temos:
Histria Familiar e fatores genticos
Cncer ovariano isolado: gene BRCA1 (17q21)
Sndrome cncer mama-ovrio: BRCA1 (17q21) associado a casos familiares (80-90%)
Sndrome de cncer ovrio-clon: Sndrome de Lynch (n
o polipide hereditrio: Doena autossmica
dominante)
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
277
PATOLOGIA BENIGNA DO OV
RIO
T U M O R E S C Í S T I C O S
Excluindo as doenas inflamatrias (endometriose, principalmente) e anomalias estruturais ovarianas, os
tumores csticos s
o as principais leses que acometem o ovrio. A forma
o cstica “simples”, no contedo ovariano,
deve, inicialmente, ser interpretada como uma estrutura funcional ovariana.
A regula
o do ciclo menstrual, durante o qual s
o sintetizados os esterides ovarianos e ocorre o
desenvolvimento folicular (cisto funcional) e a libera
o de um ovcito, depende do complexo mecanismo de
retroalimenta
o que envolve o hipotlamo, a adeno-hipfise e os ovrios (eixo hipotlamo-hipfise-ovariano). Portanto,
a cada ciclo, um c i s t o f u n c i o n a l produzido pelo ovrio.
A USG ao lado mostra a importncia de conhecer o
estado do ciclo ovulatrio da paciente para
interpretar os achados. Alm disso, ela justifica
que, em estgios diferentes deste ciclo, a USG
mostrar imagens distintas. Em A, por exemplo,
observamos uma massa homognea,
caracterizada pelo cisto folicular em fase pr-
ovulatria. Em B, por sua vez, observamos uma
forma
o mais heterognea, caracterizada cisto
funcional lteo (ou seja, aps a ovula
o).
Os c i s t o s d i s f u n c i o n a i s originam-se da distens
o cstica dos folculos funcionais. S
o folculos de Graaf n
o
rompidos e, portanto, dilatados. N
o sofrem ruptura por distrbios funcionais do eixo hipotlamo-hipfise-ovrio ou
dificuldades mecnicas na superfcie ovariana. Ecograficamente, se mostram como cistos homogneos (anecicos ) e
uniloculares, com dimetro entre 4 – 5cm.
O c i s t o d e C o r p o L ú t e o d i s f u n c i o n a l n
o sofre o processo natural de atresia / absor
o e cicatriza
o.
Ecograficamente s
o polimorfos com formaes de aspecto anfractuoso (processo de absor
o) ou csticas de contedo
heterogneo (trabeculaes lineares – corpo lteo hemorrgico). Os cistos lutenicos s
o caracterizados por:
S
o revestidos por clulas lutenicas.
Aumentam o volume ovariano.
S
o encontrados em pacientes portadores de neoplasia trofoblstica gestacional (NTG), corioepitelioma e na
hiperestimula
o ovariana.
S Í N D R O M E D O S O V Á R I O S P O L I C Í S T I C O S
Os o v á r i o s p o l i c í s t i c o s correspondem a outra patologia benigna ovariana que deve ser bem diferenciada. Para
isso, podemos lanar m
os de alguns critrios, tais como:
C r i t é r i o s m o r f o l ó g i c o s :
Espessamento da cortical externa
Cistos foliculares de reduzidas dimenses, e.g., 10mm com disposi
o perifrica
Hiperplasia e luteiniza
o da teca interna
Volumes aumentados ou normais, bilateralmente ou unilateralmente
C r i t é r i o s f u n c i o n a i s :
Apresentam uma resposta individual.
Caracterizam-se como uma sndrome hiperandrognica
Critrios de Rotterdam
Distrbios menstruais
Obesidade ( central )
Microcistos ovarianos (+10 / = 10mm )
Hiperandrogenismo
O diagnstico de sndrome de ovrios policsticos pode ser obtido atravs dos seguintes parmetros:
D i a g n ó s t i c o c l í n i c o D i a g n ó s t i c o l a b o r a t o r i a l
Irregularidade menstrual (espaniomenorria /
amenorria)
Obesidade central
Hirsutismo
Infertilidade
Viriliza
o
Dosagens hormonais ( LH / FSH , Prolactina ,
TSH , T4-livre, Androstenediona , Sulfato de
deidroepiandrosterona – SDHEA - , Testosterona
livre, Cortisol )
Ecografia plvica
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
278
COMPARAES: TUMOR BENIGNO X TUMOR MALIGNO DE OV
RIO
De uma forma geral, podemos lanar m
o da anlise de caractersticas clnicas, imaginolgicas e morfolgicas
para diferenciar um tumor benigno de ovrio do maligno – diferencia
o fundamental para a defini
o teraputica.
C o n d i ç õ e s M a c r o s c ó p i c a s d o t u m o r o v a r i a n o b e n i g n o C o n d i ç õ e s m a c r o s c ó p i c a s d o t u m o r o v a r i a n o m a l i g n o
Aspectos Clnicos
Unilateral
Cpsula ntegra
Mvel
Superfcie lisa
Ausncia de ascite e/ou implantes
peritoneais
Cstico
Aparncia uniforme
Aspecto Clnicos
Bilateral
Ruptura de cpsula
Aderente
Excrescncias na superfcie
Ascite
Slido ou Slido-Cstico
Aparncia variada
reas de hemorragia e necrose
C o n d i ç õ e s m i c r o s c ó p i c a s ( a s p e c t o s h i s t o l ó g i c o s )
Ausncia de atipias nucleares
Manuten
o do padr
o de diferencia
o
celular
D i a g n ó s t i c o E c o g r á f i c o
T u m o r B e n i g n o T u m o r M a l i g n o
Paredes delgadas
Paredes lisas
Contornos regulares
Ecogenicidade homognea
Uniloculares
Septos delgados ( < 3mm )
Pouca vasculariza
o
Altos ndices de resistncia
Paredes espessas
Paredes irregulares ( papilas, vegetaes )
Contornos bocelados
Ecogenicidade mista
Multiloculares
Septos grosseiros ( > 3mm )
Rica vasculariza
o
Baixos ndices de resistncia
O B S 1 : vlido ressaltar que nem todo tumor slido de ovrio visto USG maligno: existe um grupo de patologias
benignas dos ovrios classificado como t u m o r e s s ó l i d o s b e n i g n o s d o s o v á r i o s , representado por: fibroma, tumor de
Brenner, tecoma, cistoadenofibroma, dentre outros (leiomiomas, neurinomas). O fibroma, por exemplo, embora seja um
tumor benigno, tem morfologia slida e apresenta associa
o com ascite e hidrotrax (sndrome de Meigs). Este fato
justifica a importncia da presena de um patologista durante a cirurgia para a realiza
o da congela
o, uma vez que a
ressec
o da les
o maligna bem mais extensa e agressiva do que uma les
o conhecidamente benigna. Se a
congela
o n
o for possvel de ser realizada ou for suspeita durante o ato cirrgico, o mais prudente retirar uma pea
maior do tumor para anlise histopatolgica, encerrar a cirurgia para s depois reoperar. Desta forma, podemos estar
preservando estruturas importantes para a fertilidade da paciente.
CLASSIFICAO DOS TUMORES OVARIANOS MALIGNOS
T u m o r e s s e r o s o s :
Adenocarcinoma e Cistoadenocarcinoma papilferos
Carcinoma papilfero de superfcie
Adenofibroma e Cistoadenofibroma malignos
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
279
T u m o r e s M u c i n o s o s :
Adenocarcinoma e Cistoadenocarcinoma mucinosos
Adenofibroma e Cistoadenofibroma malignos
T u m o r e s E n d o m e t r i ó i d e s :
Carcinomas
Sarcoma estromal endometrióide
Adenossarcoma mesodérmico
Tumor misto mesodérmico maligno (mulleriano )
T u m o r e s d e C é l u l a s C l a r a s ( m e s o n e f r ó i d e )
T u m o r e s d e B r e n n e r
Proliferativos e malignos
Tumores epiteliais mistos
Carcinoma Indiferenciado
Tumores Epiteliais não Classificados
T u m o r e s d o s C o r d õ e s S e x u a i s
o Tumores de Células da Granulosa-estroma
Tumor de células da granulosa
Tumores do grupo Tecoma-fibroma
Fibroma e Fibrossarcoma
Tumor Estromal Esclerosante
Não Classificados
o Tumores de Células Sertoli-Leydig (androblastomas)
Bem Diferenciado
Androblastoma
Tumor de Células de Sertoli
Tumor de Células Sertoli-Leydig
Com Diferenciação Intermediária
Pouco Diferenciados (Sarcomatóide)
Com Elementos Heterólogos
T u m o r e s M a l i g n o s d e C é l u l a s G e r m i n a t i v a s :
Disgerminomas
Tumor do Seio Endodérmico
Carcinoma Embrionário
Poliembrioma
Coriocarcinoma
Teratomas (Imaturos / Maturos malignos)
Formas Mistas
DIAGNSTICO
O diagnóstico dos tumores malignos e benignos dos ovários pode ser obtido através dos seguintes métodos:
A n a m n e s e : pesquisar por:
Dados epidemiológicos
Dados clínicos atuais
Desconforto abdominal vago e persistente
Sintomas digestivos leves
Sintomas urinários
Irregularidade menstrual
Sinais e sintomas de abdome agudo
E x a m e f í s i c o :
Estigmas de produção hormonal
Palpação abdominal externa
Genitoscopia
Toque ginecológico
Mobilidade, Consistência, Regularidade e Lateralidade
Toque retal
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
280
E x a m e s c o m p l e m e n t a r e s :
Exames hematolgicos e bioqumicos
Raios – X de trax
Urografia Excretora
Enema Opaco / Colonoscopia
Ecografia abdominal total
Ecografia Doppler
Tomografia Computadorizada e Ressonncia Nuclear Magntica: s
o fundamentais diante da suspeita
de patologias malignas ou para analisar retroperitnio e linfonodos.
Laparoscopia/Laparotomia
Marcadores tumorais: Baseia-se na detec
o srica de protenas produzidas pela clula neoplsica
(benigna / maligna). S
o importantes no seguimento ps-tratamento, embora possam ser sintetizados
por neoplasias benignas e malignas
CA-125: encontrado na maioria dos tumores epiteliais ovarianos n
o mucinosos. Contudo, pode
se encontrar alterada em casos de e n d o m e t r i o s e (doena inflamatria benigna).
CEA (antgeno carcinoembrionrio): encontrado particularmente no tumor mucinoso,
apresentando semelhana estrutural com o epitlio maligno intestinal.
HCG (hormnio gonadocorinico): encontrado particularmente nos tumores de clulas
germinativas com elementos trofoblsticos.
Alfa-fetoprotena: encontrado particularmente nos tumores do seio endodrmico.
Bipsia trans-operatria (congela
o): a bipsia considerada como o nico exame que fornece o
diagnstico concreto de malignidade da eventual tumora
o ovariana.
ESTADIAMENTO CLNICO-CIRRGICO
Os objetivos do estadiamento clnico-cirrgico do tumor de ovrio est
o listados logo abaixo. Aps o primeiro
estadiamento e tratamento, um “s e c o n d - l o o k ” restabelece o diagnstico e prognstico da neoplasia.
Estabelecer a dissemina
o da neoplasia
Definir magnitude da doena
Determinar a teraputica adjuvante
E s t a d i o D e s c r i ç ã o I n c i d ê n c i a S o b r e v i v ê n c i a
E s t a d i o I
Tumor limitado ao ovrio:
IA : unilateral sem ascite
IB : bilateral sem ascite
IC : uni ou bilateral com ascite ou lavado peritoneal positivo
20% 73%
E s t a d i o I I
Tumor envolvendo um ou ambos ovrios com extens
o plvica.
IIA : extens
o ou metstases ao tero e trompas
IIB : extens
o aos outros tecidos plvicos
IIC : tumor IIA ou IIB com ascite ou lavado peritoneal positivo
5% 45%
E s t a d i o I I I
Tumor envolvendo um ou ambos ovrios com metstases intraperitoneais
extra-plvicas ou linfonodos retroperitoneais positivos.
Tumor limitado pelve verdadeira com extens
o para o intestino delgado
ou omento.
5 8 % 21%
E s t a d i o I V
Tumor envolvendo um ou ambos ovrios com metstases a distncia.
Derrame pleural com histologia positiva.
Metstases hepticas.
17% < 5 %
TRATAMENTO DO TUMOR DE OV
RIO
As modalidades teraputicas disponveis para o tratamento do cncer de ovrio s
o:
Cirrgico: cito-redu
o mxima com histerectomia total, anexectomia contra-lateral, omentectomia,
apendicectomia e linfonodectomia regional.
Quimioterapia
Radioterapia
Imunoterapia
T R A T A M E N T O C I R Ú R G I C O
O tratamento cirrgico exige uma srie de anlises pr-operatrias e per-operatrias, mostradas na tabela
abaixo. Dentre as modalidades cirrgicas que dispomos, temos:
Cirurgia fundamental: Histerectomia total + Anexectomia bilateral + Omentectomia + Apendicectomia
Complementa
o teraputica (a depender dos resultados da congela
o)
Cirurgia citorredutora (retirar a maior parte de tecido possvel para melhor o resultado das terapias adjuvantes)
Arlindo Ugulino Netto – GINECOLOGIA – MEDICINA P7 – 2010.2
281
Cirurgia de reexplora
o
S e c o n d l o o k - Laparoscopia
Cirurgia paliativa
E x a m e s p r é - o p e r a t ó r i o s E x a m e s i n t r a - o p e r a t ó r i o s
Raio X de trax
Urografia excretora
Clister opaco
Proctoscopia
Cistoscopia
USG abdominal e plvica
TC abdomen
Avalia
o do trato gastrointestinal
Preparo de clon
Lquido asctico ou lavado – citologia
Avaliar aspectos macroscpicos do tumor
Realizar exame de congela
o (ver O B S 1 )
Bilateralidade
Propaga
o a tecidos plvicos
Propaga
o cavidade abdominal
Bipsias aleatrias ou de implantes
Avalia
o de linfonodos retroperitoneais
Em resumo, no que diz respeito ao tratamento cirrgico referente ao estadiamento especfico de cada tumor de
ovrio, temos:
E s t á d i o s I A e I B , g r a u 1
Tratamento cirrgico: salpingo-ooforectomia bilateral + HT total abdominal + estadiamento cirrgico.
B o r d e r l i n e e I A g r a u 1 : u n i l a t e r a l .
N
o necessria terapia adjuvante.
E s t á d i o s I A e I B , g r a u s 2 e 3 e e s t á g i o I C
Cirurgia padr
o + terapia adjuvante