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Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e Educação Curso de Licenciatura em Música Jheicy Kethly Corrêa da Silva Uma continuação da oficina de canto coral do Projeto Música na Comunidade Belém – PA 2019 2 Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e Educação Curso de Licenciatura em Música Jheicy Kethly Corrêa da Silva Uma continuação da oficina de canto coral do Projeto Música na Comunidade Relatório Final de Estágio do curso de Licenciatura em Música, apresentado como requisito de avaliação da disciplina Estágio Supervisionado I, orientado pela Profa Me. Társilla Rodrigues, turma do oitavo semestre no ano 2019. Belém/PA 2019 APRESENTAÇÃO: 3 Este relatório final atribuiu-se a partir da minha atuação em campo de estágio pela disciplina Estágio Supervisionado II, pertencente ao componente curricular do 8o semestre do curso de Licenciatura Plena em Música da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Este trabalho tem como objetivo relatar as experiências vivenciadas em sala de aula através da regência de classe. Durante o período de 13 de agosto a 17 de dezembro de 2019, dei continuidade ao estágio no Curso de Canto Coral do Projeto Música na Comunidade na Universidade do Estado do Pará- CCSE Campus I, localizado em Belém, no Bairro do Telégrafo, Travessa Djalma Dutra- entre Rua do Una e Travessa José Pio, no qual eu e mais um colega do 8o semestre estaríamos ministrando as aulas. O projeto em questão é ofertado pelo Curso de Licenciatura em Música da UEPA que tem em sua essência tornar acessível o ensino musical a comunidade em geral, disponibilizando anualmente cursos livres de Teoria, Violão, Flauta Doce e Canto Coral. Em relação a infraestrutura do local onde o projeto é realizado, as aulas de canto coral são executadas com maior frequência na sala de recitais e com menor frequência na sala 1218. Este primeiro é localizado no bloco IV do Campus I, este que contém um prédio com 2 andares, e no térreo contendo dois banheiros, duas salas de aulas e um auditório conhecido como sala de recitais. O segundo se localiza no 2º andar do bloco III do campus I, este prédio contém passarelas de acessibilidade em cada andar que para se ter acesso precisa se deslocar para o IV bloco, o prédio possui dois banheiros no 1º andar e no térreo há uma sala de materiais didáticos e um Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI). Em relação aos aspectos estruturais das sala, elas possuem condições adequadas para o desenvolvimento do curso equipada com cadeiras, ares-condicionados e caixas de som, sendo que somente a sala de recitais contém Datashow, palco e piano. A realização do estágio foi pela parte do turno da noite no horário de 19:00 hs às 21:30 hs todas as terças-feiras. A oficina de Canto Coral é uma continuação do curso que havia começado no primeiro semestre no mês de abril. Tem como participantes pessoas com faixa etária de 13 a 60 anos, sendo estas de diversas áreas de Belém, como Barreiro, Telégrafo, Outeiro, Icoaraci, Pratinha, Marituba, Castanhal , dentre outras localidades. Como no primeiro dia de volta às aulas o curso sofreu algumas evasões de alunos, foram chamados as pessoas que estavam na lista de espera, para que pudesse ter o equilíbrio entre os naipes, principalmente nos naipes 4 masculinos. No decorrer das aulas alguns dos desafios a serem enfrentados seriam a diferença entre os alunos que vierem desde o primeiro semestre e os alunos que passaram a ingressar somente a partir do segundo semestre. Pois os que já estavam desde o início já sabiam o repertório do grupo (Uirapuru, Azulão e Dinâmica para 4 vozes), como também a iniciação dos assuntos passados em slides e vídeos referentes a Técnica Vocal, Saúde Vocal, Respiração, Fisiologia da Voz, dentre outros assuntos que foram trabalhados durante o primeiro semestre. A junção desses dois grupos seria um desafio que para se resolver precisaria de estratégias a serem utilizadas e principalmente paciência e flexibilidade não só por parte dos professores. A reflexão sobre a prática não resolve tudo, a experiência refletida não resolve tudo. São necessárias estratégias, procedimentos, modos de fazer, além de uma sólida cultura geral, que ajudam a melhor realizar o trabalho e melhorar a capacidade reflexiva sobre o que e como mudar (LIBÂNEO, 2005, p. 76) Como Cavalcante e Muller (2016) dizem que “o canto coral não exclui, mas sim tem o poder de incluir [...] o coral mostra [...] que para cantar ela precisa do outro, mesmo vendo as diferenças que existem. Recebendo e dando apoio ao colega.” (CAVALCANTE; MULLER, 2016, p. 2). O objetivo do curso de Canto Coral à comunidade é fazer com que as pessoas venham experimentar e conhecer as noções de canto coral e técnica vocal, assim como a preparação a execução de repertórios para coral com caráter popular/erudito. No entanto desde o primeiro semestre houve uma certeza de que o curso não é só um rio para obtenção de conhecimento mas é algo significativo e prazeroso para os alunos. Embora hajam também desafios quanto a diversidade de faixa etária e de interesse que não está somente em querer aprender a cantar, mas também em um passatempo, uma curiosidade, um refúgio para os problemas enfrentados pela realidade do cotidiano. 2. DESENVOLVIMENTO: A aulas de Canto Coral sempre seguiam uma rotina, iniciava-se com exercícios de preparação (alongamento e relaxamento corporal, respiração e o aquecimento vocal). No primeiro dia de volta as aulas houve um pequeno diálogo sobre as férias, se os alunos 5 treinaram os exercícios em casa e se pesquisaram sobre as músicas para sugestão do repertório para o segundo semestre. Em seguida foi relembrado sobre a importância dos exercícios de preparação e então foram chamados alguns “voluntários” para que passassem os exercícios a turma. Alguns já não lembravam mais dos exercícios então tivemos que relembrar e passar os exercícios a turma. Após isso foram relembrado o repertório do semestre anterior ( Uirapuru, Azulão e Dinâmica para 4 vozes). Tivemos que passar algumas vezes individualmente as vozes de cada naipe. Em sequência trabalhamos as dinâmicas staccato e legato na música Azulão. Para isso precisou ser feito primeiro pela professora para então os alunos entenderem como fazer e então cantar. Para a dinâmica Legato cantando as notas de forma cantada sem cortes como um círculo “O”. E então repetindo a música os alunos teriam que estar atentos para o comando da regente que iria mesclar as dinâmicas staccato e legato em qualquer momento da música. No segundo dia foi bastante trabalhado os exercícios de preparação, sendo chamados novamente alguns voluntários. Mas antes foi destacado que poderiam ser feitos outros exercícios que tivessem os mesmos objetivos além daqueles que costumávamos fazer. E alguns alunosinovaram trazendo não só novas possibilidades mas também exercícios de articulação como o da acerola na laranja: “ Tomei um suco de acerola na laranja no armarinho ali do lado na ladeira do Leblon.” Para esse exercício trabalhamos parte por parte se baseando no método de Suziki que utiliza a repetição e a escuta para o aprendizado do aluno. Trabalhamos a articulação e a dicção, sendo destacado que fizessem com um pouco de exagero no movimento da boca. As dinâmicas Forte e Piano, Rápido e Lento foram também trabalhadas. A partir do terceiro dia os alunos da lista de espera passaram a estar presente nas aulas. Então fizemos uma breve apresentação da turma para se conhecerem, uma revisão sobre a importância dos exercícios de preparação, bem como o cuidado vocal. Mesclamos a explicação com os exercícios para que aprendessem de forma prática. Trabalhamos novamente o exercício da “Acerola na Laranja” com as dinâmicas, em seguida fizemos vocalizes simples começando pelo Humming para que os alunos novos se habituassem. Então com o decorrer dos exercícios escutamos individualmente e separamos os alunos para seus respectivos naipes. Em relação ao repertório iniciamos com a dinâmica para 4 vozes por ser mais simples e curta. E repetimos conforme a necessidade. 6 Ao decorrer das aulas, foram trabalhados exercícios voltados ao equilíbrio vocal do grupo como um todo, para isso fizemos como a dinâmica do círculo, primeiramente dividimos em grupos de 5 alunos do mesmo naipe para que formassem círculos, e então que cantassem a nota dó utilizando o Humming (dó 1 para os baixos, dó 2 para os tenores, dó 3 para os contraltos e dó 4 para os sopranos), e com as luzes apagadas foi pedido que os alunos fechassem os olhos para escutassem o colega do lado e igualar as vozes. Após isso os grupos foram misturados com naipes diferentes para que fosse também trabalhada a concentração mesmo que os colegas estivessem cantando em seu ouvido em uma oitava diferente. Trabalhamos também exercícios de respiração sempre destacando que sem ar não tem som, e a importância da respiração pelo diafragma e ter o controle de ar principalmente para cantar. De forma prática são separadas duplas para o exercício de respiração. Como na imagem 1, a pessoa que está na frente terá que soltar todo o ar e inspirar enchendo o diafragma e soltar fazendo “fuu...” e depois “ ziii... ”. São feitos comandos como: inspirar em 2 segundos e soltar em 3 segundos, inspirar em 4 e soltar em 1, e assim por diante. A pessoa que está atrás com as mãos ao redor da cintura da pessoa da frente terá que sentir expandindo a frente, lados e atrás, para assim saber se a pessoa está respirando corretamente e também se consegue controlar o ar seguindo todos os comandos, em seguida, revezado para assim todos poderem praticar. Utilizamos desses tipos de exercícios de forma prática como aliado para que a aula se tornasse interessante e significativa para o aluno. Conforme diz Mateiro e Ilari (2012) que: [...] é através do modo de ensinar que podemos selecionar e organizar os conteúdos de acordo com a capacidade cognitiva e os interesses de nossos alunos; planejar atividades que motivem a turma e, ao mesmo tempo, permitam o desenvolvimento de suas habilidades/ capacidade; empregar os recursos disponíveis, mesmo que limitados, em função do processo educativo etc.” (MATEIRO; ILARI, 2012, p. 14) Com relação ao repertório, demos continuidade com o repertório do semestre anterior e também escolhemos a música Madama Butterfly e as outras foram sugestões dos próprios alunos que escolheram Oh Happy Day e Oh Vinde Adoremos. 7 Para a música Madama Butterfly primeiro mostramos em áudio para que a conhecessem, em sequência contamos a história por detrás da música e seu significado. Somente a partir disso que a cantamos, primeiramente passado trecho por trecho repetindo várias vezes para que ficasse fixa na memória. E sempre destacando que utilizassem a voz de cabeça, como se estivessem bocejando ou imitando boi, para que entendessem de forma mais clara. Para a música Oh Vinde Adoremos, primeiro ensinamos a primeira letra de forma repetitiva e falada com o ritmo da música, e então a melodia principal para todos cantassem juntos, e depois foram passadas as vozes dos contraltos, baixos e tenores, em seguida juntados os naipes para que pudéssemos passar a música até onde conseguiram aprender. O mesmo se deu com a música Oh Happy Day que mesclamos com a Dinâmica para 4 vozes. Trabalhando parte por parte, repetindo e passando naipe por naipe. E destacando a importância da expressão da música cantada por eles pois ela precisa passar seu significado. Segundo Kerr (2006): A busca do repertório vai ser isso: conscientizar o coro de que ele tem um recado a dar. Qual é esse recado? E, o caminho que tenho tentado seguir é o de fazer com que os grupos corais, sob a minha direção, discutam o porquê de estarem cantando, o que e como querem cantar. (KERR, 2006, p. 133). As músicas Oh Vinde Adoremos e Dinâmica para 4 vozes/Oh Happy Day por serem a 4 vozes e mais complexas que as outras demandou mais tempo. Apesar disso todo o processo valeu a pena. Apesar de ser um coral amador, a vontade e o esforço fizeram alcançar ótimos resultados. “O maestro nunca deve desprezar a capacidade de seus coralistas. A adequação do repertório às condições levará a um resultado mais eficaz e de melhor qualidade” (MARTINEZ, 2000, p. 42). Trabalhamos a organização do coral no palco, a expressão, a interpretação, as dinâmicas em cada música. Na música Azulão, durante a introdução pedimos que os alunos assobiassem como pássaros bem suaves para dar um maior significado ao caráter da música. Para a música Madama Butterfly como é uma música dramática foi pedido que cantassem parados sem se movimentar enquanto uma bailarina dança dando vida ao significado de todas as músicas cantadas, destacando a importância da interpretação da música. 8 Na semana anterior da apresentação aconteceu a confraternização da turma na sala de recitais, foi pedido que os alunos cantassem músicas de sua própria escolha, alguns levaram suas próprias composições e outros cantaram e tocaram ao mesmo tempo, fazendo uma pequena amostra musical entre eles. E também foi entregue uma apostila para os alunos, contendo os assuntos vistos durante o curso. Para a finalização do curso os alunos foram preparados ao decorrer do semestre para a apresentação final, na qual eles prepararam as músicas Uirapuru, Azulão, Madama Butterfly, Oh Vinde Adoremos e Dinâmica para 4 vozes/Oh Happy Day. 1. CONSIDERAÇÕES FINAIS O estágio realizado no projeto na comunidade me proporcionou muita aprendizagem principalmente para minha formação como docente. Foram enfrentados muitos desafios não só com relação a adequação dos alunos novos ao grupo, mas também com relação ao grande número de aulas que precisaram ser modificadasou canceladas, também o repertório escolhido que apesar de ser complexo eles tinham capacidade de conseguir aprender. Porém uma das dificuldades também foi a questão da frequência dos alunos que por conta de muitos terem ficado doentes, ou com problemas pessoais. Atrasou um pouco o andamento das aulas, pois quando adiantávamos uma parte de alguma música, na outra aula não estavam os alunos, então tínhamos que repassar novamente a mesma explicação. Apesar das dificuldades enfrentadas pelo grupo, cada vez que acertavam ou concluiam alguma parte da música eles transpassavam alegria e contentamento. Uma das coisas muito interessante é que todos se ajudavam e se esforçaram para aprender. Quando era aberto a oportunidade para eles repassarem ao grupo suas experiências, conhecimentos e exercitar o ato de criação, todos estes fatores foram importantes para que isso contribuísse para a aprendizagem mas também para que eles pudessem se sentir acolhidos no grupo sabendo que a opinião deles é importante. Com relação ao meu papel frente a turma, tive um pouco de dificuldade com relação a regência, pois muitas vezes meu papel como regente necessitava da regência e algumas vezes eu deixava de reger para cantar as vozes e fazer gestos para a articulação. Outra dificuldade 9 foi com relação ao piano, pois muitas vezes o grupo necessitava do acompanhamento do piano, então somente meu colega que é pianista conseguia tocar, consequentemente eu tinha que passar as vozes masculinas porém, os alunos homens tinham dificuldades para entender a altura por conta de meu registro ser diferente do deles. Aos poucos conseguimos avançar, a nossa professora supervisora nos auxiliava dando opiniões, sugestões e nos ajudava com as vozes masculinas principalmente com a música Oh Vinde Adoremos que tem um grau de dificuldade grande para um coro iniciante. Apesar de todas as dificuldades foi uma experiência prazerosa para todos nós que participamos do projeto e também o resultado musical foi incrível. Houve uma certeza, de que mesmo que as pessoas da comunidade nunca tenham tido contato com música, mas se houver o querer tudo pode acontecer e tudo aprender. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAVALCANTE, A. C. M. O.; MULLER, Cristiane. O Repertório e as relações interpessoais no canto coral infanto-juvenil. REDIVI - Revista de Divulgação Interdisciplinar , v. 4, p. 1-12, 2016. KERR, Samuel. Carta Canto coral I. In: Lakschevitz, Eduardo (Org.). Ensaios: Olhares sobre a música coral brasileira. Rio de Janeiro: Centro de estudos de música coral/Oficina Coral, 2006. P. 119-143. MARTINEZ, Emanuel. Regência Coral; princípios básicos / colaboradores Denise Sartori, Pedro Garcia, Rosemari Brack. Curitiba; 1a edição, 2000. MATEIRO, Teresa; ILARI, Beatriz. Pedagogias Brasileiras em Educação Musical. Curitiba: InterSaberes, 1ª edição, 2016. ( Séries Educação Infantil) LIBÂNEO, J.C. Educação Escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortêz, 2005.