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20.08.2020 FISIOPATOLOGIA II Aula 5 
 
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Patologia do Esôfago 
O esôfago é um tubo muscular responsável pela condução dos alimentos desde a faringe até o estômago. Em 
adultos, o órgão mede cerca de 25 cm a partir do músculo cricofaríngeo, na altura da sexta vértebra cervical, até a 
junção com o estômago. Na região esofagogástrica, existem o esfíncter esofágico inferior, a crura diafragmática 
(ligamentos fibromusculares entre as vértebras lombares e o tendão central do diafragma) e o ligamento 
frenoesofágico. O esôfago é dividido em três regiões: superior ou cervical, média ou torácica e inferior, esta última 
constituída pelas porções supradiafragmática e infradiafragmática, está incluindo a junção esofagogástrica. Nas 
regiões cervical e próximo da junção esofagogástrica, existem os esfíncteres superior e inferior. 
Histologicamente, o órgão é formado por quatro camadas: mucosa, submucosa, muscular e 
adventícia. A mucosa é revestida por epitélio estratificado pavimentoso não ceratinizado, que se apoia 
em lâmina própria formada por tecido conjuntivo frouxo, rico em vasos e que emite papilas que 
penetram até cerca de um terço da espessura do epitélio. Na base da mucosa, existe delicada faixa de 
tecido muscular liso entremeado por fibras elásticas (muscular da mucosa). A submucosa é constituída 
por tecido conjuntivo rico em fibras (colágenas e elásticas) e vasos (plexo venoso submucoso); existe 
ainda o plexo nervoso submucoso (de Meissner), constituído por rica rede de nervos interligada com 
gânglios nervosos. A muscular, que é o principal componente da parede do órgão e responsável pela 
função motora, é dividida em duas camadas de feixes musculares, mais distintas à medida que se 
aproxima da parte distal do órgão, denominadas muscular interna (circular) e muscular externa 
(longitudinal). Na porção superior do esôfago, a camada muscular é constituída predominantemente por 
músculo estriado esquelético, que progressivamente é substituído por fibras musculares lisas, tornando-
se estas as únicas a partir da metade inferior do órgão. Na camada muscular, existe o plexo nervoso 
mientérico (de Auerbach), também constituído por rede de filetes e gânglios nervosos. Os gânglios 
nervosos mientéricos são essenciais para os movimentos peristálticos. Na região distal do órgão, existe o 
esfíncter inferior, que não é um verdadeiro esfíncter muscular anatômico, mas um esfíncter fisiológico de 
difícil delimitação anatômica. A adventícia é formada por tecido conjuntivo rico em nervos e vasos 
sanguíneos (artérias e o plexo venoso adventícia). 
A passagem de comida pode ser impedida pelo estresse esofágico, ou estreitamento do lúmen. Isso 
geralmente é causado pelo espessamento fibroso da submucosa e está associado à atrofia da 
musculatura própria, assim como a danos epiteliais secundários. Embora ocasionalmente congênito, a 
estenose é, muitas vezes, decorrente de inflamação e cicatrização, que podem ser causadas por refluxo 
gastroesofágico crônico, irradiação ou injurias cáusticas. 
 
 
 
 
 
 
 
Acalásia 
Patologia associada ao aumento do tônus do esfíncter esofágico inferior (EEI), como resultado do 
relaxamento prejudicado do musculo liso, é uma causa importante da obstrução esofágica. A liberação de 
oxido nítrico e polipeptídeos intestinais vasoativos dos neurônios inibitórios, juntamente com a 
interrupção da sinalização colinérgica normal, permitem que o EEI 
relaxe durante a deglutição. A acalasia é caracterizada pela tríade de 
relaxamento incompleto do EEI, tônus aumentado do EEI e o 
peristaltismo do esôfago. 
A acalasia primaria é causada pela filha dos neurônios inibitórios 
esofágicos distais e é, por definição, idiopática. Também podem 
ocorrer alterações degenerativas na inervação neural, tanto intrínsecas 
ao esôfago quando no nervo vago extraesofágico ou no núcleo motor 
dorsal do vago. 
A acalasia secundária pode sugerir na doença de Chagas, na qual a 
infecção por Trypanosoma cruzi causa a destruição do plexo 
mientérico, falha no peristaltismo e dilatação esofágica. Os plexos 
mioentéricos duodenais, colônicos e uretéricos também pode ser 
causado por neuropatia autonômica diabética; distúrbios infiltrativos 
Randomiossarcoma: tumor maligno de musculo estriado 
esquelético; 
Leiomioma: tumor benigno de musculatura lisa; 
Leiomiossarcoma: tumor maligno de musculatura lisa; 
 Rabdomioma: tumor benigno de musculatura esquelética. 
 
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tais como malignâncias, amiloidose ou sarcoidose; e lesões dos núcleos motores dorsais, particularmente 
pólio e ablação cirúrgica. As opções de tratamento para acalasia primária e secundária incluem miotomia 
laparoscopia e dilatação por balão pneumático. 
A injeção de neurotoxina botulínica (Botox), para inibir os neurônios colinérgicos do EEI, também 
pode ser efetiva 
Esofagite 
É uma inflamação (aguda ou crônica) da mucosa esofágica. 
Principais etiologia 
o Doença do refluxo gastroesofágico; 
o Agentes químicos; 
o Agentes físicos; 
o Agentes biológicos (infecciosos); 
o Autoimunidade (esofagite eosinofílica). 
Infecções podem ocorrer em indivíduos normalmente saudáveis, mas são mais frequentes nos que 
estão debilitados ou imunosssuprimidos, é comum ocorrer a infecção esofágica pelos vírus do herpes 
vírus simples, citomegalovírus (CMV) ou organismos fúngicos. 
Esofagite Química e Física 
A mucosa escamosa estratificada do esôfago pode ser danificada por uma variedade de irritantes 
incluindo álcool, ácidos e álcalis corrosivos, fluidos excessivamente quentes e fumo intensivo. A mucosa 
esofágica também pode ser danificada quando pílulas medicinais se alojam e se dissolvem no esôfago em 
vez de chega- rem até o estômago intactas, um condição chamada de esofagite induzida por pílula. A 
esofagite decorrente de injúrias químicas geralmente causa somente dor autolimitante, particularmente 
disfagia (dor com a deglutição). Hemorragias, estrangulamentos ou perfurações também podem ocorrer 
em casos graves. A injúria esofágica iatrogênica pode ser causada por quimioterapia citotó- xica, terapia 
radioativa ou doença do enxerto-versus-hospedeiro. 
Lesão direta da mucosa esofágica por: 
o Substancia química potencialmente lesivas (suco gástrico, 
substância corrosivas); 
o Temperaturas extremas (calor); 
o Radiação. 
Morfologia. A morfologia das esofagites químicas e infec- ciosas 
varia conforme a etiologia. Infiltrados densos de neutrófilos estão 
presentes na maioria dos casos, mas podem estar ausentes nas injúrias 
induzidas por químicos (lixívia, ácidos ou detergentes), o que pode 
resultar em necrose total da parede esofágica. A esofagite induzida por 
pílula ocorre frequentemente no local dos estrangula- mentos que 
impedem a passagem dos conteúdos lumi- nais. Quando presente, a 
ulceração é acompanhada pela necrose superficial com tecido de 
granulação e fibrose eventual. 
Esofagite Infecciosa 
Infecções podem ocorrer em indivíduos normalmente saudá- veis, mas são mais frequentes nos que 
estão debilitados ou imu- nossuprimidos como resultado de uma doença ou terapia. Nesses pacientes, é 
comum ocorrer a infecção esofágica pelos vírus do herpes simples, citomegalovírus (CMV) ou organismos 
fúngicos. Dentre as fúngicas, 
a candidíase é a mais 
comum, embora a 
mucormicose e a aspergilose 
possam ocorrer. O esôfago 
também pode estar 
envolvido em doenças 
descamativas da pele, como 
penfigoide bolhoso e 
epidermólise bolhosa e, 
raramente, a doença de 
Crohn. 
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Esofagite de Refluxo 
O epitélio pavimentoso estratificado do esôfago é resistente à abrasão dos alimentos, mas é sensível 
ao ácido. As glândulas submucosas, as quais são mais abundantes no esôfago proximal e distal, 
contribuem para a proteção da mucosa por meio da secreção de mucina e bicarbonato. Ainda mais 
importante, o tônus constante do esfíncter esofágico inferior previne o refluxo de conteúdo gástricos 
ácidos, os quais estão sob pressão positivae que de outro modo estrariam no esôfago. O refluxo de 
conteúdo gástricos no esôfago inferior é a causa mais frequente de esofagite. A condição clinica 
associada é chamada de doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) 
Patologia. O refluxo dos sucos gástricos é central para o desenvolvimento de injúria na mucosa na 
DRGE. Nos casos graves, o refluxo de bile do duodeno pode exacerbar o dano. As condições que 
diminuem o tônus do esfíncter esofágico inferior ou aumento a pressão abdominal contribuem para a 
DRGE e incluem o uso de álcool e tabaco, obesidade, depressivos do sistema nervoso central, gravides, 
hérnia do hiato, atraso no esvaziamento gástrico e volume gástrico aumentado. Em muitos casos, 
nenhuma causa definitiva é identificada. 
Aspectos Clínicos. A DRGE é mais comum em indivíduos acima dos 40 anos de idade, mas também 
ocorre em bebês e crianças. Os sintomas clínicos mais frequentes são azia, disfagia e regurgitação de 
conteúdos gástricos com sabor ácido. Raramente, a DRGE crônica é pontuada por ataques de dor torácica 
aguda que podem ser confundidos com doenças cardíacas. O tratamento com inibidores de bomba de 
prótons, os quais substituíram os antagonistas do receptor de histamina H2, para reduzir a acidez 
gástrica, tipicamente fornece alívio dos sintomas. Embora a severidade dos sintomas não esteja 
intimamente relacionada ao grau de lesões histológicas, estas tendem a aumentar com a duração da 
doença. As complicações da esofagite de refluxo incluem ulceração, hematêmese, melena, 
desenvolvimento de estreitamento e esôfago de Barrett. A hérnia de hiato pode desencadear sintomas 
como azias e regurgitação de sucos gástricos, os 
quais são semelhantes aos da DRGE. Ela é 
caracterizada pela separação da crura (pilares) 
diafragmática e protrusão do estômago para 
dentro do tórax através da fenda resultante. As 
hérnias de hiato congênitas são evidenciadas em 
bebês e crianças, mas muitas são adquiridas ao 
longo da vida. Ela é sintomática em menos de 
10% dos adultos, mas pode ser uma causa de 
funcionamento deficiente do esfíncter esofágico 
inferior. 
Morfologia. A simples hiperemia, evidente 
para o endoscopista como uma vermelhidão, 
pode ser a única alteração. Na DRGE leve, a 
histologia da mucosa é, quase sempre, 
aparentemente normal. No caso de uma doença 
mais significativa, os eosinófilos são recrutados 
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para a mucosa escamosa, seguidos pelos neutrófilos, os quais estão geralmente associados a uma lesão 
mais grave. A hiperplasia da zona basal, excedendo 20% da espessura total do epitélio, e o alongamento 
das papilas da lâmina própria, de modo que elas se estendam para o terço superior do epitélio, também 
podem estar presentes. 
 
 Hiperemia → Edema → Erosão 
 
 Normal → Eosinófilos Dispersos → Metaplasia 
Esofagite Eosinofílica 
A incidência da esofagite eosinofílica está aumentando significativamente. Os sintomas incluem 
impactação dos alimentos e disfagia em adultos e intolerância à alimentação ou sintomas semelhantes à 
DRGE em crianças. A característica histológica cardinal é o grande número de eosinófilos intraepiteliais, 
em particular superficialmente. Sua abundância pode ajudar a diferenciar a esofagite eosinofílica da 
DRGE, da doença de Crohn e de outras causas de esofagite. Além disso, diferentemente de pacientes 
com DRGE, o refluxo ácido não é proeminente e altas doses de inibidores de bomba de próton 
geralmente não trazem alívio. A maioria dos indivíduos com esofagite eosinofílica é atópica e muitos têm 
dermatite atópica, rinite alérgica, asma ou eosinofilia periférica moderada. Os tratamentos incluem 
restrições na dieta para evitar a exposição a alérgenos dos alimentos, tais como produtos do leite de vaca 
e da soja, e corticosteroides tópicos ou sistêmicos. 
Esôfago de Barrett 
O esôfago de Barrett é uma complicação da DRGE crônica, 
caracterizada por metaplasia intestinal dentro da mucosa escamosa 
esofágica. A incidência do esôfago de Barrett está aumentando, e 
estima-se que ocorra em cerca de 10% dos indivíduos com DRGE 
sintomática. O esôfago de Barrett é mais comum em homens 
brancos e se apresenta tipicamente entre 40 e 60 anos de idade. A 
maior preocupação no esôfago de Barrett é que ele confere um 
grande risco de adenocarcinoma esofágico. O sequenciamento 
genômico das biópsias envolvidas pelo esôfago de Barrett tem 
revelado a presença de mutações compartilhadas com o 
adenocarcinoma esofágico, mantendo a ideia de que o esôfago de 
Barrett é uma lesão precursora do câncer. Mutações potencialmente 
oncogênicas são mais numerosas quando biópsias demonstram 
displasia, que é detectada em 0,2% a 2% das pessoas que possuem esôfago de Barrett, todos os anos. A 
presença de displasia, uma alteração pré-invasiva, está associada a sintomas prolongados, comprimento 
alongado do segmento, idade avançada do paciente e pessoas caucasianas. Embora a vasta maioria dos 
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adenocarcinomas esofágicos esteja associada ao 
esôfago de Barrett, é importante lembrar que a 
maioria dos indivíduos com esôfago de Barrett não 
desenvolve tumores esofágicos. 
Morfologia. O esôfago de Barrett pode ser 
reconhecido como uma ou várias línguas ou placas 
vermelhas de mucosa aveludada, se estendendo 
para cima, a partir da junção gastroesofágica. Essa 
mucosa metaplásica se alterna com uma mucosa 
escamosa (esofágica) lisa, pálida, e se conecta com 
uma mucosa colunar (gástrica) marrom-clara, 
distalmente. Os endoscópios de alta resolução têm 
aumentado a sensibilidade da detecção do esôfago 
de Barrett. Isso levou a uma subclassificação do 
esôfago de Barrett como segmento longo, o qual 
envolve 3 cm ou mais, ou como segmento curto, no 
qual menos de 3 cm estão envolvidos. Dados 
disponíveis sugerem que o risco de displasia está 
correlacionado com o comprimento do esôfago 
afetado. 
Características Clínicas. O esôfago de Barrett so 
pode ser identificado por meio de endoscopia e 
biopsia, as quais são geralmente instigadas pelos 
sintomas da DRGE. Uma vez diagnostico, o melhor 
caminho de tratamento no esôfago de Barrett é um assunto em debate. Todavia, incertezas sobre o 
potencial da displasia em regressar, tanto espontaneamente quanto em resposta à terapia, complicam as 
decisões clinicas quando a displasia está identificada. Contrariamente, os carcinomas intramucosos 
requerem intervenções terapêuticas. As opções de tratamento incluem ressecção cirúrgica, ou 
esofagectomia, assim como novas modalidades, tais como terapia fotodinâmica, ablação por laser, 
mucosectomia endoscópica. A displasia multifocal de alto grau, que carrega um risco significativo de 
progressão de carcinoma intramucoso para invasivo, é tratada 
similarmente ao carcinoma intramucosa. Muitos médicos 
acompanham displasias de baixo grau ou um simples foco de 
displasia de alto grau com endoscopia e biópsia a intervalos 
frequentes. No entanto, o tratamento da displasia esofágica está 
evoluindo, e espera-se que um melhor entendimento molecular da 
progressão neoplasia possa permitir o desenvolvimento de 
abordagens quimiopreventivas que reduzam a incidência do 
adenocarcinoma esofágico. 
 
 
 
 
 
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Resumo – Histologia 
Camada Mucosa: 
• Epitélio Estratificado Pavimentoso Não queratinizado 
Sendo um epitélio de revestimento, ele protege sobre o calor e o atrito mecânico do 
alimento. As células mais próximas ao lúmen podem surgir uma degeneração hidrópica 
(células + claras) sendo responsável pela resposta ao estresse (lesão reversível). Algumas 
células podem ser encontradas anucleadas podendo sugestionar um processo apoptótico. 
As células basais são mais escuras e numerosas, sendo fundamentais para substituir as 
células próximas ao lúmen quando necessárias.• Lâmina Própria ou Tecido Conjuntivo 
Responsável por absorver os impactos dos alimentos, podendo apresentar células de 
fibroblastos e linfócitos. 
Musculatura da Mucosa 
• Feixes de músculo liso 
Sendo responsável pela providenciar os movimentos peristáltico através do plexo nervoso de 
Musser. 
Submucosa 
• Glândulas 
Secreta substancias que auxiliam no processo de passagem do alimento e para sua futura 
digestão. 
Muscular Externa 
• Musculatura própria onde se inicia o plexo nervoso mientérico (Auerbach). 
Adventícia 
Se encontram os vasos sanguíneos.

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