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Currículo: INSTRUMENTO DE PODER E DE TRANSFORMAÇÃO CULTURAL

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ISSN 2176-1396 
 
 CURRÍCULO: INSTRUMENTO DE PODER E DE TRANSFORMAÇÃO 
CULTURAL 
 
Prado, Leandro Aparecido do1 - UNINTER 
Alencastro, Mario Sergio Cunha2 - UNINTER 
Almeida, Siderly do Carmo Dahle de3 - UNINTER 
 
Eixo – Cultura, Currículo e Saberes 
Agência Financiadora: não contou com financiamento 
 
Resumo 
 
Na contemporaneidade, as discussões sobre o currículo se apresentam como um processo 
complexo, em que os múltiplos saberes se relacionam colaborando na formação do aluno em 
sua totalidade. Assim, este artigo apresenta uma pesquisa de abordagem qualitativa que expõe 
uma revisão bibliográfica possibilitando uma releitura de autores indispensáveis em 
discussões sobre o tema. Este trabalho pretende rever as teorias que sustentam o currículo 
como documento responsável pela organização e teorização do conhecimento que se faz 
primordial no processo de conhecimento do homem. A seleção da bibliografia utilizada foi 
pensada em autores que visam o conhecimento e a construção do ser por intermédio do 
processo educativo. O problema de pesquisa que orientou a investigação buscou responder a 
seguinte questão: Como o currículo pode contribuir para a formação de cidadãos críticos e 
reflexivos, preparados para tomar decisões que irão impactar em sua vida pessoal e social? A 
pesquisa realizada teve o objetivo de analisar a bibliografia existente e as teorias tradicionais, 
críticas e pós-críticas elencadas por Silva (2015), e comentadas por Sacristán (2013), por 
Apple (2008) e outros autores, que permitiram uma nova visão e um reposicionamento do 
aluno como protagonista do processo de aprendizagem. A leitura sobre o tema trouxe como 
resultado a necessidade do empoderamento de termos que quando ressignificados permitirão 
o renascimento de uma geração que foi moldada por um currículo burocrático, que sofreu 
influências educacionais tecnicistas oriundas da revolução industrial. A reflexão sobre o 
assunto proporcionou conexões entre pensadores que valorizaram a postura do professor 
como mediador, responsável pela interpretação e aplicação do currículo em sua prática 
pedagógica. Conclui-se que o processo formativo, em que o professor valoriza as habilidades 
 
1 Mestrando em Educação e Novas Tecnologias pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER). E-mail: 
leuctba@gmail.com 
2 Doutor em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professor do 
Mestrado em Educação e Novas tecnologias do Centro Universitário Internacional (UNINTER). E-mail: 
mario.a@uninter.com 
3 Doutora em Educação e Currículo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCPR). Coordenadora 
do Mestrado em Educação e Novas Tecnologias do Centro Universitário Internacional (UNINTER). E-mail: 
siderly.a@uninter.com 
mailto:mario.a@uninter.com
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que o aluno traz consigo, proveniente de suas experiências pessoais, legitima o conhecimento 
em todas as suas dimensões e oportuniza um renascimento social. 
 
Palavras-chave: Currículo. Cultura. Poder. Formação de professores. 
Introdução 
A variedade de experiências que um currículo escolar trabalhado com 
responsabilidade pode proporcionar é imensa, repleto de significados capazes de encontrar 
respostas para questionamentos que poderão redefinir a existência do sujeito. 
Ao discorrer sobre o tema, o leitor será convidado a percorrer o caminho das teorias 
tradicionais, críticas e pós-críticas do currículo, que foram responsáveis por mudanças 
significativas neste documento que norteia a educação. Ao enfatizar a valorização das 
experiências anteriores, com a mediação dos professores e trabalhar os temas relacionados no 
currículo, o aluno passa a desempenhar um papel ativo em sua formação, tornando-se autor do 
seu processo de conhecimento. Esse processo leva o discente a novas possibilidades, 
permitindo experiências inovadoras capazes de estimular a sua atuação crítica e criativa na 
identificação e resolução de problemas. 
Por defender um processo educativo no qual o aluno se faz autor do mesmo, foi 
desenvolvida uma narrativa sobre o significado da palavra currículo, como constituidor e 
ordenador da carreira do estudante, que enaltece e justifica a necessidade de trilhar esse 
caminho amparado pela figura do professor que se apresentará como o mediador do 
conhecimento. 
As várias teorias que conceberam o currículo como documento em constante processo 
de transformação, serão apresentadas e embasadas por autores como Silva (2015), Sacristán 
(2013), Apple (2008), Freire (2014a), Morin (2011), Eyng (2007) e outros que se dedicaram a 
estudá-las e a compreendê-las como processo social, responsável por uma transformação 
cultural, necessária para o país que ainda vive sobre as influências educacionais tecnicistas 
oriundas da revolução industrial. 
O currículo atual é fruto de discussões antigas e de uma evolução, à custa, de lutas 
travadas pela educação na busca da libertação intelectual e social do indivíduo em sua 
plenitude. As teorias pós-críticas deixaram como herança conceitos que efetuaram um 
importante papel na resignificação dos temas que envolvem o discurso sobre o currículo; a 
busca pela identidade, a apropriação da linguagem para o entendimento dos discursos 
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José Gimeno Sacristán é catedrático de Didáctica e Organização Escolar na Universidade de Valência. Foi professor nas universidades Complutense de Madrid e de Salamanca e Professor Visitante noutras universidades espanholas e estrangeiras. É autor de diversas publicações sobre cultura, ensino e educação, tendo ainda participado em diversas colectivas. Colabora habitualmente em inúmeras revistas sobre educação. Entre os seus livros editados em Portugal destaca-se "Educar e Conviver na Cultura Global. O Aluno como Invenção e A Educação Obrigatória".

Michael Apple: é sociólogo e teórico da educação estadunidense. Influenciado pelo Pedagogia Crítica e estudos sobre ideologia e currículo. Obras: "Pode a educação mudar a sociedade?" "Escolas Democráticas" entre outros
Edgar Morin: é antropólogo e filósofo francês. No livro Os sete saberes necessários à educação do futuro, Morin apresenta o que ele mesmo chama de inspirações para o educador ou os saberes necessários a uma boa prática educacional.
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proferidos pela mídia, a descoberta da conexão entre saber e poder e a necessidade do respeito 
e da tolerância nas relações existentes fizeram com que surgisse uma compreensão 
antropológica que converge para o multiculturalismo, responsável não só por celebrar as 
diferenças, mas, por questioná-las. 
O poder do currículo e suas concepções 
 A palavra curriculum, vem do latim e pode ser traduzida como cursus honorum que 
seria a soma das honras. O cidadão, à medida que ocupava determinados cargos eletivos e 
judiciais, acumulava determinados conhecimentos e em consequência os utilizava para 
significar sua carreira, formando assim o seu curriculum. Na língua portuguesa a palavra 
currículo ganha um novo olhar conforme a orientação de Sacristán (2013). A mesma pode ser 
conceituada, primeiro como curriculum vitae, neste, tem-se a descrição e a valorização do 
percurso da vida profissional, a soma dos êxitos alcançados durante o trabalho. Já a segunda 
tradução da palavra currículo possui um sentido mais amplo, enfocando-o como o 
constituidor e ordenador da carreira do estudante, responsável por agregar e organizar os 
conteúdos que o aluno deverá aprender para trilhar este percurso. 
 Na idade média o conhecimento ideal era composto pela gramática, a lógica e a 
retórica, esse conjunto de saberes era chamado de trivium, que seriam os três caminhos ou 
disciplinas, (SACRISTÁN, 2013). Esse trio poderia ser chamado contemporaneamente de 
disciplinas instrumentais e com a soma

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