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ANTONIO GONÇALVES SOBREIRA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEOLOGIA BÍBLICA E 
MISSÃO URBANA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Edições INTA 
2017 
 
 
 
 
PRÁTICA CURRICULAR I - TELOGIA BÍBLICA E 
MISSÃO URBANA 
Sumário 
Palavra do Professor autor 
Sobre o Autor 
Ambientação a disciplina 
Trocando ideias com os autores 
Problematizando 
UNIDADE I – TEOLOGIA BÍBLICA DA EVANGELIZAÇÃO 
1.1 Jesus o primeiro evangelizador 
1.2 A evangelização dos apóstolos e dos primeiros séculos 
1.3 A nossa evangelização 
1.4 Os evangelistas no Novo testamento 
 
UNIDADE 2 – ESTATISTICAS E DESAFIOS DOS POVOS NÃO ALCANÇADOS 
 
 
UNIDADE 3 - PASTORAL URBANA 
3.1 Características da vida urbana 
3.2 Conhecer a cidade 
3.3 Os grupos 
3.4 Agir na cidade 
3.5 Os ministérios na cidade 
3.6 Cidade e campo 
 
UNIDADE 4- MÉTODOS DE EVANGELISMO 
Método de confrontação 
Método socrático 
Método testemunhal 
Método assistencial 
Método Comportamental 
 
 
UNIDADE 5 – PRÁTICA DE EVANGELISMO 
 
Elaborando um projeto 
Escolha do público alvo 
Escolha do método 
Orientações Práticas 
... 
 
Explicando melhor com a pesquisa 
Leitura obrigatória 
Saiba mais 
Pesquisando na internet 
Vendo com os olhos de ver 
Revisando 
Bibliografia 
Bibliografia da Web 
Vídeos 
 
 
 
 
 
Palavra do professor autor 
 
Prezado estudante, 
 
Esta é uma disciplina de cunho teórico-prático, em função do perfil do 
profissional que o curso pretende formar. Ela requer do estudante organização e 
planejamento a fim de não incorrer em prejuízos e atropelos que certamente virão 
caso não se faça o planejamento adequado. As disciplinas práticas são necessárias 
afim de desenvolver habilidades e competências imprescindíveis para uma boa 
formação teológica. 
 Neste livro, estudaremos a teologia bíblica que fundamenta a missão urbana, 
bem como o significado e os desafios de evangelizar em uma cidade. Primeiramente 
revisaremos a base bíblica para que a Igreja seja potencialmente um centro de 
evangelização e que cada membro, a seu modo, por meio dos seus dons espirituais, 
possa cumprir a ordem de Cristo “Ide e pregai o evangelho”. 
Analisaremos o exemplo de Cristo e dos apóstolos, na forma como realizaram 
a missão buscando descobrir princípios que possam ser aplicados em nossos dias. 
Em seguida conheceremos as principais características de uma cidade, seus 
aspectos sociais e culturais, a fim de melhor percebermos as estruturas sociais, os 
condicionamentos psicológicos daqueles que vivem em cidades, para em seguida 
transformar esse conhecimento em meios e técnicas que possam resultar em um 
evangelismo eficaz. 
O autor 
 
 
 
Sobre o autor 
 
Sobre o autor 
 
Antonio Gonçalves Sobreira é graduado em Teologia e Filosofia. 
Pós-graduado em Ciências da Educação; em Psicopedagogia e 
mestrando em Ciências da Educação. Atualmente é professor no 
Centro Universitário INTA. Atua na área docente, tem experiência 
na área de teologia sistemática. 
 
 
 
 
Trocando ideias com os autores 
Indicamos a leitura de dois livros que o ajudarão a entender melhor esse 
tema. 
HORTON, Michael. A grande comissão. Cultura Cristã: São 
Paulo, 2014. 
 A Missão de Cristo na terra não foi conquistar poderia e gloria mundana. 
Nem tampouco fundar instituições, sua missão envolvia algo bem mais 
importante. 
 Neste livro Michael Horton reflete sobre a “grande missão” que 
Cristo deu aos seus discípulos com a autoridade que lhe foi 
conferida no céu e na terra. Também analisa os termos da 
missão. E por fim analisa o plano estratégico de Jesus. Analisa 
algumas estratégias que buscam os números acima de tudo, 
criticando esse modelo que não tem apoio bíblico. O autor nos convida a recuperarmos 
o verdadeiro sentido de missão e evangelização. 
 
 
MACARTHUR, JOHN; Evangelismo. Editora Fiel: São Paulo, 2012. 
Desde sua origem, a Igreja surge em Jerusalém como um movimento 
missionário. Graças ao esforço dos primeiros missionários cheios do 
Espírito o mundo civilizado da época ouviu o evangelho. E hoje a Igreja 
enfrnta o desfio de dar continuidade a esse movimento iniciado por 
cristo e seus apostolos. 
 
 
 
“Neste livro, John MacArthur juntamente com os pastores e missionários da Grace 
Community Church, na Califórnia, apresentam uma teologia clara acerca do 
compartilhar do evangelho genuíno, proclamado com clareza em toda sua poderosa 
simplicidade Segundo eles, a chave para o evangelismo bíblico não está baseada em 
estratégias ou técnicas, mas sim no próprio evangelho. Ele precisa estar focado na 
mensagem da redenção, não diluído por interesses mundanos, e deve estar 
centralizado em Cristo. Assim, este livro lança o alicerce teológico para a evangelização 
e ajuda o leitor a edificá-la a partir do púlpito e por meio da igreja, a fim de alcançar 
vidas. Este é um guia, doutrinariamente criterioso para a evangelização bíblica.” 
 
Problematizando 
Vivemos em tempos onde o relativismo filosófico, ateísmo, agnosticismo e outros 
ismos tomaram conta da sociedade, já não se acreditam em verdades absolutas, isso 
constitui um obstáculo significativo, já que a mensagem do evangelho afirma possuir a 
verdade única, absoluta, necessária para salvação de toda humanidade. Todos 
independente da nacionalidade, cultura ou étnica, precisam ouvir o convite da Palavra 
de Deus “arrependei-vos e convertei-vos”. Por outro lado, vemos o homem moderno 
numa carreira desesperada em busca de sentido para sua existência. Às vezes buscam 
na pose de bens materiais, prazeres instantâneos e passageiro, entregue as paixões e 
sensações do momento, deixando passar à larga a oportunidade única, de viver uma 
vida com significado olhando para a eternidade. Às vezes opta-se por viver uma vida 
órfã de um amor infinito. Assim a mensagem de Cristo que fala do Pai que recebe o 
filho arrependido, é capaz de acolher a cada ser individualmente, e de coroar a 
existência humana de significado. A questão que se faz é, como tornar a mensagem 
cristã tão necessária, significativa para os tempos modernos? Que linguagem poderá 
expressar a sua essência no mundo atual? Como torna-la atrativa sem alterar a sua 
essência? 
 
 
 
 
 
 
 
TEOLOGIA BÍBLICA DA 
EVANGELIZAÇÃO 
1 
Conhecimentos 
Conhecer a base bíblica para a evangelização, com base no exemplo de Jesus, dos 
apóstolos e da Igreja cristã primitiva. Conhecer as características da vida urbana para 
melhor realizar a pastoral urbana. 
 
. 
Habilidades 
Ser capaz de identificar à luz do NT os princípios fundamentais para a evangelização. 
Ser capaz de compreender a psicologia instalada das comunidades urbanas e 
desenvolver estratégias para alcança-las com o evangelho. 
 
Atitude 
Procurar aplicar na sua práxis os princípios descobertos nesse estudo. Aplicar na 
prática os conhecimentos obtidos. 
 
 
1 TEOLOGIA BÍBLICA DA EVANGELIZAÇÃO 
 
1.1 Jesus o primeiro evangelizador 
Jesus Cristo é o primeiro a proclamar o evangelho, cujo termo significa “boas 
novas”. Portanto evangelizar é levar as boas novas de salvação ensinadas pelo Filho de 
Deus acerca do Pai que se reconcilia com a humanidade mediante o sacrifício do seu 
Filho. Ele é o revelador do Pai e também é o modelo de ser humano, é o caminho, a 
verdade e a vida. Além de ser o salvador da humanidade Jesus foi o primeiro a assumir 
a missão de evangelizar o mundo. 
 
 
 
A Relação diz que o mundo caiu do seu primeiro estado de glória e perfeição. O 
mundo jaz sob a condenação e morte consequências direto do pecado. O mundo jaz no 
maligno. Ah um princípio de morte atuando no corpo, alma, espirito de todos que 
nascem nesse mundo. Atingido não só a dimensão física da vida humana, mas também 
as relações humanas, o mundo necessita de um salvador. 
A salvação veio ao mundo e tem nome: Jesus Cristo. A fé cristã surge pelos 
esforços evangelísticos de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Ele começa seu trabalho 
recrutandohomens simples que estavam dispostos a ouvir sua mensagem. Ele ensina 
que é possível obter a vida eterna. É possível se reconciliar com Deus e ter seus 
pecados perdoados. Mas é preciso receber e crer no Filho de Deus. Ele falou por figuras 
e símbolos, “comer a sua carne e beber o seu sangue”. Essas figuras foram explicadas 
posteriormente e melhor compreendidas depois que o Espírito foi derramado. Paulo foi 
o apóstolo que mais explicitou o significado do ministério de Jesus incluindo sua morte 
e ressurreição por meio das suas cartas especialmente Romanas e Gálatas. 
Os evangelhos narram o trabalho de Jesus junto a comunidade e a seus discípulos 
mais próximos. Se observarmos a forma de Jesus trabalhar pelo Reino, que atitudes 
teve, como tratava as pessoas, perceberemos algumas coisas importantes que 
certamente contribuirão para o êxito da obra missionária. 
1. Harmonia entre teoria e prática. Jesus não ensinou apenas com palavras, ele 
uniu o ensino à prática de boas obras. 
2. Correlação entre o ensino e a prática. Não havia incoerência entre o ensino e a 
sua vida vivida. Jesus ensinava o amor ao próximo e demostrava isso na prática. 
Não dizia “faça o que digo, mas não faça o que faço”. 
3. Jesus se preocupou em treinar pessoas para continuarem sua obra. 
4. O treinamento foi teórico prático. 
5. Jesus trouxe seus discípulos para seu circulo de intimidade e amizade. 
O mundo precisa ser evangelizado? Por quê? 
 
6. Jesus delegava tarefas e demonstrava confiança nas pessoas. 
7. Jesus falava com autoridade. Autoridade de quem tinha verdadeira comunhão 
com Deus. 
8. Jesus costumava contar histórias. Jesus usava ilustrações simples do dia a dia. 
9. Jesus não condescendia com desvios de qualquer natureza. 
10. Jesus conhecia com clareza o plano de Deus. 
11. Jesus estava disposto a se sacrificar pela verdade. 
Essas são algumas características do trabalho de Cristo que a Igreja pode estudar 
aprofundar e incorporar na sua prática missionária. 
Carmita Overbeck em seu livro “Ide, evangelizai”, nos traz outras características 
que consegue observar como traços marcantes do método de Jesus, que devemos 
destacar: 
a) O testemunho. “Filipe, quem vê a mim vê o Pai”. (Jo 14,9). 
b) Autoridade: “Maravilhavam-se com sua doutrina porque ele ensinava com 
autoridade e não como os escribas ( Lc 4,32; Mt 7,29; Mc 1,22). 
c) A força: “Todos que o tocavam ficavam curados, porque dele saia uma força” 
(Mt 14,36). 
d) Intimidade com o Pai – vida de oração “De manha, tendo se levantado muito 
antes do amanhecer, foi para um lugar deserto e ali se pôs em oração (Mc 1.35), “Subiu 
para orar na solidão. E chegando a noite lá estava sozinho”. (Mt 14.23). “Retirou-se a 
uma montanha para orar, e passou toda noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou 
os seus discípulos e escolheu doze entre eles que chamou de apóstolos”. (Lc 6,12-13). 
 Jesus sempre atribuía ao Pai todo o mérito de suas realizações. “As palavras que 
vos digo, não as digo de mim mesmo, mas é o Pai que permanece em mim, é ele quem 
realiza as suas próprias obras”. Jo 14. 10. Ele não estava sozinho. A união entre o Pai e o 
Filho tem proporções que chegam ao campo do mistério Trinitariano. “Toda dádiva boa 
e todo dom perfeito vem de cima: desce do Pai das luzes “ ( Tg 1.17). 
e) Sua vida: “Passou fazendo o bem, porque Deus estava com ele”. (At.10:38). 
A obra de Jesus não se concentrou em escrever livros, em elaborar sistemas 
filosóficos complexos acessíveis apenas às mentes mais brilhantes, não erigiu grandes 
monumentos, edifícios ou templos, não conquistou nem fundou grandes impérios, no 
entanto sua obra dura até hoje, e durará para sempre. Sua obra consistiu simplesmente 
em fazer o bem, no entanto ninguém fez mais do que ele pela humanidade. 
 
1.2 Evangelização dos apóstolos e dos primeiros séculos. 
Overbeck analisando a obra de Cristo e a dos seus discípulos que procuravam 
imitar o mestre deixaram algumas marcas que precisamos conhecer na forma de 
evangelizar. 
a) A obediência. Antes de Jesus subir para o Pai ele pediu que os seus discípulos 
aguardassem em Jerusalém para serem revestidos do poder do Espírito Santo. 
At. 1:4-5. 12-14. 
b) O entusiasmo: Depois que foram revestidos do Espírito Santo deram 
testemunho em Jerusalém, com muita coragem e entusiasmo, testemunhando 
até para as autoridades a ressureição do Senhor. AT 4:33; Fl 1:14. At 4:20. 
c) Oração: Assim como Jesus os seus seguidores tinham a prática de contínua 
oração. At 2:46-47; 6:4. 
d) A alegria: Os apóstolos eram alegres, mesmo quando acoitados e perseguidos. 
At 5:40-41. 2 Cor 6:10; Fl 4:4. 
e) A perseverança na pregação: eles pregavam todos os dias. Não cessavam de 
falar das coisas que tinham experimentado ao lado de Jesus. At 5:42; 8:4; 9:28. 
f) A união e o serviço: eram unidos e dividiam tudo com os outros. Viviam um 
amor genuíno pelo próximo e socorriam o pobre. At 2:44; Fl 4:4. 
 “Sem dúvida Jesus, seus discípulos e os que vieram posteriores a eles, obtivera 
grande êxito na missão evangelizadora, prova disto é que já por volta do terceiro século 
o número de cristãos no Império Romano era tão significativo ao ponto de Constantino 
considera-los não mais uma seita, mas uma religião reconhecida pelo Estado, e em 
pouco tempo se tornou a religião oficial do Império Romano”. (OVERBECK, 1995). 
 
1.4 Os evangelistas do Novo Testamento 
 
 Quando Jesus chamou seus primeiros discípulos, prometeu que faria daqueles 
pescadores profissionais “pescadores de homens”. O que ele queria dizer com isso? De 
que modo ele concretizou sua afirmação? 
 Jesus sabia da importância do preparo. Por isso tirou seus discípulos das suas 
atividades diárias, e trouxe para perto de si, a fim de ensiná-los com palavras e 
exemplo. Foi a melhor faculdade para eles. Jesus queria prepará-los para a missão de 
servir: “Então, designou doze para estarem com ele e para enviá-los a pregar e a 
exercer a autoridade de expelir demônios” (Mc 3.14,15). Jesus queria prepará-los para 
que eles fossem enviados a pregar (kêrussô, “proclamação”, “anúncio”). O ministério de 
Jesus seria ampliado por meios dos seus apóstolos. Assim como Jesus eles também 
seriam “pescadores de homens”. (Mt 4.19). 
 Outro termo, frequentemente empregado nos evangelhos para dar clareza aos 
propósitos de Jesus, é “discípulo”. Literalmente, refere-se a uma pessoa que segue com 
a intenção de aprender. O seguidor-aprendiz da história do evangelho era mais do que 
um aluno. Ele abandonava sua casa e sua profissão, entregava sua vida ao professor 
(Rabi) e procurava absorver os valores e o estilo de vida do Mestre. 
 Jesus foi claro quando procurou desestimular aqueles seguidores que tinham 
dúvidas quanto a se dedicaram a ele. Ele mesmo instou os futuros discípulos a 
calcularem o risco antes de por a mão no "arado” (Lc 9.62) ou partirem para o campo 
de batalha (Lc 14:31-33). A história do jovem rico ilustra muito bem o grau de relutância 
de Jesus em aceitar um seguidor que não se entregasse a ele por inteiro. Era muito 
melhor que o jovem se retirasse consternado naquele momento, evitando com isso 
desaparecer mais tarde, depois de um breve período de discipulado. É verdade que 
muitos dos “discípulos” de Jesus se retiraram depois de ouvirem uma mensagem muito 
dura em que ele exigia de seus seguidores que comessem o seu corpo e bebessem o 
seu sangue (Jo 6.66). A impressão que temos, porém, é que a escolha desses discípulos 
foi obra deles mesmos, e não segundo o critério de escolha dos Doze (Jo 17.12). 
 Jesus empregou modos e meios para treinar seus seguidores. Primeiramente, 
nenhum discípulo deveria deixar de desfrutar da vida do Mestre, a qual ele 
compartilhava com os Doze. Foram inúmeras as horas em que os discípulos passaram 
ouvindo, questionando, discutindo e aprendendo de acordo com a hábil pedagogia de 
Jesus, o que lhes valeu uma vantagem sem paralelo na história. Talvez seja impossível 
encontrar uma situação de aprendizagem semelhante a essaem nosso mundo 
moderno. Nossa principal preocupação atualmente gira em torno da competência 
intelectual e da habilidade capaz de produzir impacto. Jesus moldou o caráter dos 
discípulos e fez com que sua visão convergisse para o reino de Deus e para a edificação 
de sua igreja. 
 Em segundo lugar, Jesus deu a seus discípulos “autoridade” e responsabilidades. 
Particularmente importante para seu treinamento foi a missão de pregar (Mt 10.1-16; Lc 
9.1-6; 10.1-12). Ele não permitiu aos doze levarem consigo dinheiro, provisão extra de 
alimentos ou roupas (Lc 9.3), para que aprendessem a dependência de Deus e 
exercitassem a fé. Jesus os revestiu com autoridade divina para expelir demônios e 
curar os enfermos (Lc 9.1,2). Tais demonstrações de poder prepararam o público que 
haveria de ouvir sua mensagem, além de lhes outorgar confiança e um sentimento de 
realização. 
 Em terceiro lugar, os discípulos foram instruídos sobre o reino (por meio das 
parábolas), sobre a igreja (Mt 16.18-20; 18.15-20; Jo 10.1-18; 14.1; 15.1-16) e sobre a 
liderança humilde (Lc 22.24-30; Jo 13.13-17). Jesus deu-lhes lições sobre a adoração, 
sobre a oração (Jo 4.21-24; Mt 65-15) e sobre as doutrinas centrais da fé (Lc 24.443). 
Havia necessidade de que fossem orientados com respeito à família de Deus e à lei de 
Cristo (v. o Sermão da Montanha em Mat 5-7. 
 A grande comissão deixa clara a amplitude e a intensidade implícita o dos 
“pescadores de homens”. Jesus enviou os apóstolos a fazerem discípulos entre as 
nações, batizando-os em nome do Deus trino, e ensinando-lhes a guardar tudo que 
Jesus lhes havia ordenado. Mt 28.19-20. O comandante supremo colocou sobre suas 
ordens seus embaixadores, para que levassem o evangelho a todo o mundo e 
disciplinassem seus convertidos naquilo que tinham ouvido. O objetivo universal da 
proclamação do evangelho a todos os homens deve ser atingido antes do retorno de 
Jesus (Mt 24.14). A missão que nos foi dada pelo Senhor de fazer discípulos, isto e, 
“pescadores de homens”, por meio da conversão e da obediência, continuam a ser a 
tarefa primeira e universal da igreja (cf. Ef 4.11,12). 
 Finalmente, podemos sintetizar do seguinte modo o modelo evangélico para a 
formação de evangelistas: era preciso que eles se empenhassem para que o caráter de 
Jesus ganhasse forma em suas vidas e se tornasse parte dela. Jesus amou de tal modo 
suas ovelhas perdidas, que morreu por elas; com isso, o Senhor criou um padrão de 
caráter cujo impacto se tem estendido a todas as gerações de discípulos que realmente 
procuram imitá-lo (Mt 11.28-30). 
 Foi a profunda influência de Cristo sobre seus discípulos que assombrou os 
líderes do Sinédrio judaico (At 4.13). Na verdade, embora “iletrados e incultos”, Pedro e 
João demonstraram uma coragem extraordinária e uma singular compulsão de 
obediência a Deus. Segundo suas próprias palavras, “não podemos deixar de falar das 
cousas que vimos e ouvimos” (At 4.19,20). Á semelhança do que se passou com Jesus, 
o Espírito os encheu, e eles, “com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (At 4.31). 
Jesus cumprira o que havia declarado ser sua intenção. Ele fizera de seus discípulos 
“pescadores de homens” eficazes. 
 
1.5 Os Evangelistas Em Atos E Nas Epístolas 
Tomando por base as cartas de Paulo, aprendemos algumas das qualidades que um 
evangelista deve ter. 
 Os evangelistas precisam se importar com as pessoas 
 Uma característica primordial a um ganhador de almas é a capacidade de se 
interessar profundamente pelas pessoas. Note que Paulo, um grande evangelista era 
profundamente e emocionalmente interessado pelos seus compatriotas: “... tenho 
grande tristeza e incessante dor no coração; porque eu mesmo desejaria ser anátema, 
separado de Cristo, por amor de meus irmãos, meus compatriotas, segundo a carne” 
(Rm 9.2,3). E não só por estes, mas também pelos gentios, ao ponto de dizer: Fora do 
círculo de Israel, Paulo se reconhece devedor dos gentios (Rm 1.14). 
Mas não só a emoção ou amor pela humanidade deve mover o missionário, também a 
responsabilidade diante da importância da mensagem que carrega. Paulo sabia do 
valor da sua mensagem, e por isso dizia: “ai de mim se não pregar o evangelho”. (l Co 
9.16). Essa consciência que tinha Paulo deve ter todos os que desejam evangelizar os 
perdidos. 
 
 Os evangelistas precisam falar 
 
 Segundo suas próprias palavras, “não podemos deixar de falar das coisas que 
vimos e ouvimos” (At 4.19,20). A semelhança do que se passou com Jesus, o Espírito os 
encheu, e eles, “com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” (At 4.31). Jesus 
cumprira o que havia declarado ser sua intenção. Ele fizera de seus discípulos 
“pescadores de homens” eficazes. 
 
 Os evangelistas precisam ser enviados 
 Paulo sabia da necessidade de se enviar missionários para o trabalho: “Como, 
porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada 
ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem 
enviados?” (Rm 10.14,15). 
 Paulo nos leva a raciocinar que se pessoas não forem enviadas, não haverá quem 
pregue, e sem pregação como ocorrera às conversões? A conclusão é sem pessoas 
para pregar, não haverá conversões. (Rm 10.13). 
 Jesus sabia do grande desafio que seria a obra de evangelizar. Pois são poucos os 
missionários diante da grande seara que é o mundo. Por isso disse: “Rogai, pois, ao 
senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara” (Mt 9.38; Lc 10.2). Os 
apóstolos de Cristo, são como os embaixadores do Rei celestial. (2Co 5.20). “Assim 
como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20.21). Todos de algum modo podem 
cooperar com Deus, mas existem aqueles que são chamados para se dedicarem 
exclusivamente a obra missionaria. Esses são chamados por Deus precisam ser e 
capacitadas por Deus, a fim de que os resultados apareçam abundantemente. O 
evangelista recebe o chamado direto do Espírito Santo. (Jo 15.519). 
 Os que labutam nessa seara devem estar cônscios que são meros cooperadores 
de Deus. Ele faz a sua obra por meio dos instrumentos humanos. Sem o poder de Deus, 
ninguém conseguiria converte alguém. I Coríntios 3.9; 2Co 4.4. 
 Paulo insistia em que seu apostolado (do grego apostellõ, “enviar com uma 
missão”) não era escolha sua, e sim de Deus. As frases “chamado para ser apóstolo” e 
“[Deus] me separou antes de eu nascer” (Rm 1.1; cf. Gl 1.15) significam basicamente o 
mesmo que “Paulo, apóstolo [...] pela vontade de Deus” (2Co 1.1; Ef 1.1; Cl 1.1; cf. 1 Tm1.1). 
Deus inicia e autoriza os que enviam à sua seara. 
 Essa autorização deve ser acompanhada de revestimento de poder. Não havia 
nenhuma expectativa de sucesso para os Onze até que “do alto” fossem “revestidos de 
poder” (Lc 24.49). Jesus prometeu a esses mesmos apóstolos que o Espírito Santo os 
capacitaria a testemunhar “em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos 
confins da terra” (At 1.8). Paulo confessa abertamente aos romanos que ele de nada 
trataria “senão [... daquelas coisas] que Cristo fez por meu intermédio, para conduzir os 
gentios a obediência, por palavras e por obras” (Rm 15. 18). O evangelista não reivindica 
mérito nenhum para seu sucesso. 
 Com base nessas considerações, parece lógico concluir que, quando Deus envia 
alguém, ele se torna seu companheiro mediante sua presença e pelo poder do Espírito 
Santo (ver Mt 28.18-20). É claro que não temos nenhuma intenção de identificar o 
ganhador de alma dos dias de hoje com um apóstolo do Novo Testamento, porém 
insistimos, isto sim, em que os mesmos fatores básicos ainda são válidos. Deus precisa 
enviar obreiros para sua seara e para sua igreja, cabendo a nós, em oração, suplicar a 
ele para que o faça. Igrejas mundanas, que não oram, é a explicação para a existência 
de uma evangelização anêmica. 
 
 O dom de evangelista 
 
 Dentre os dons (charismata, “dons da graça”) e os ministérios (domata, 
“presentes, dons”, Ef 4.8,11), Paulo coloca o “evangelista” entre o profetae o pastor-e-
mestre (Ef 4.11). Que faremos desse dom endossado por Lucas ao chamar Filipe “o 
evangelista” (At 21.8)? 
 Seria bom lembrarmos que o contexto de Efésios destaca que os homens com 
dons na igreja devem concentrar seu tempo e seus esforços no “aperfeiçoamento dos 
santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 
4.12). Em outras palavras, o título de “evangelista” aplica-se a alguém que não somente 
proclama o evangelho, mas também incentiva e treina os membros do corpo de Cristo 
nesse ministério específico. 
 
 Paulo estava de tal modo convencido de que o treinamento dos trabalhadores da 
seara era prioridade para Deus, que procurava assegurar-se de levar consigo um ou 
mais companheiros em seu curso de fundação de igrejas. Timóteo, “como filho ao pai” 
(Fp 2.22), desprezou suas próprias preocupações em prol de interesses alheios (Fp 
2.21). Paulo exortou-o a fazer o trabalho de um evangelista na igreja de Éfeso (2Tm 4.5). 
 
 Epafras, o “amado conservo” de Paulo, foi uma pessoa de fundamental 
importância para a igreja de Colossos (Cl 1.7). Muitos dos outros 35 companheiros -
aproximadamente- que o apóstolo enumera em suas epístolas, juntamente com os que 
são mencionados por Lucas, devem ter sido preparados para seus ministérios sob a 
liderança e sob o incentivo de Paulo (cf. Tt 1.5). De fato, ele expõe claramente sua 
filosofia de ministério a Timóteo: “E o que de minha parte ouviste através de muitas 
testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a 
outros” (2Tm 2.2). Habilidades, qualidades e motivação precisam ser passadas de uma 
geração a outra geração de evangelistas. 
 
 A Importância Da Vida Na Igreja 
 Por mais surpreendente que nos possa parecer, há poucas exortações à 
evangelização dos perdidos no Novo Testamento. Na verdade, durante os três 
primeiros séculos de vida da igreja primitiva, há uma escassez de tentativas conscientes 
de disseminação do evangelho. Todavia, ele se propagou com rapidez, com tenacidade 
e de modo seguro. Como um exército de cupins invasores, os cristãos infiltraram-se 
em todos os níveis sociais. Eles cresceram a despeito da perseguição e da calúnia dos 
que os acusavam dos crimes mais horrendos. Atente para os comentários do pagão 
Cecílio: “Os cristãos são um bando de facínoras rematados e de má reputação [...] São a 
aglutinação da escória do populacho, de homens ignorantes e mulheres crédulas [...] os 
quais formaram uma ralé de conspiradores ímpios [...] que suspiram de paixão uns 
pelos outros antes mesmo de se darem a conhecer; por toda parte eles introduzem um 
tipo de religião sensual”. 
 Ainda assim, a atração exercida pelos cristãos pode ser explicada pelo efeito que 
o evangelho tinha em sua vida diária. A fidelidade dos mártires era sempre a primeira 
coisa a atrair os pagãos para o cristianismo. Outros tomavam conhecimento da nova fé 
por meio das observações de um colega de trabalho cristão. 
 Certamente a ajuda generosa que os cristãos romanos davam aos pobres e aos 
necessitados granjeou reputação favorável para a fé cristã. Por que as pessoas estariam 
dispostas a se sacrificar por aqueles para com quem não tinham nenhuma obrigação, 
tampouco laços de parentesco? A esperança diante da morte certa era uma 
caraterística tão notável do cristianismo que muitos desejavam abertamente o martírio 
como o meio mais adequado para uma fuga gloriosa dos males e das dores da vida. 
 Não há por que nos delongarmos nas razões bem conhecidas para o rápido 
crescimento da igreja em face da hostilidade do Império Romano. O que nos interessa 
e é importante ressaltar, é o estímulo duplamente necessário para o progresso hoje em 
dia. O testemunho verbal, juntamente com a proclamação pública, requerem uma vida 
comunitária vital, em que haja a manifestação do fruto do Espírito (Gl 5.22). Quando a 
vida em Cristo não apresenta uma atração magnética ou quando os crentes sepultam 
sua fé num silêncio tumular, a evangelização fica sufocada. O evangelista eficaz tem 
uma mensagem dinâmica de júbilo eterno, sustentada por uma vida de bondade 
amorosa. Ele é capaz de derrotar o mais ferrenho dos inimigos. 
 Justino Mártir apresenta uma descrição convincente da vida da igreja no Império 
Romano durante o final do século II. “Nós, os que antes nos deleitávamos na 
fornicação, abraçamos agora somente a castidade. Nós, que praticávamos outrora as 
artes mágicas, dedicamo-nos ao bem e ao Deus ingênito. Nós, que valorizávamos 
sobretudo a aquisição de riquezas e de bens, sacamos agora daquilo que temos em 
comum e o comunicamos a todos os necessitados. Nós, que nos odiávamos e nos 
destruíamos uns aos outros [...] agora, desde a vinda de Cristo, convivemos uns com os 
outros como em família e oramos por nossos inimigos, empenhando-nos em persuadir 
os que nos odeiam injustamente. 
 Tal sociedade altruísta, como verdadeira igreja de Jesus Cristo, obediente às suas 
instruções, fez com que as pessoas se sentissem atraídas por Cristo. Esse tipo de igreja 
tinha uma evangelização dinâmica, graças à sua vida atraente e às suas explicações 
cativantes (l Pe 3.15; Cl 6.10). 
 
2 AS ESTATÍSTICAS E OS DESAFIOS DA EVANELIZAÇÃO 
2.1 Como andam as estatísticas 
As estatísticas revelam que mais da metade da população mundial são 
considerados povos não alcançados1. Ou seja, menos da metade da população mundial 
foi evangelizada. Essas pessoas nunca ouviram falar do Deus cristão e da salvação 
ofertada por Jesus. 
 Os departamentos de estatísticas calculam que, até hoje, menos da metade da 
população mundial com as suas etnias e línguas tenham sido alcançadas pelo 
evangelho, a outra parte é conhecida como povos não alcançados. Este termo 
designa aqueles que não foram evangelizados de uma determinada tribo ou povo, não 
alcançados pelo evangelho de Jesus Cristo. 
 É imensa a lista dos povos não alcançados. Eles estão em todos os continentes, 
grandes metrópoles, vilarejos, aldeias e tribos. Não estão apenas em lugares isolados. 
Algumas vezes, é possível encontrar grupos inteiros isolados por barreiras idiomáticas 
ou culturais. Na atualidade, há no mundo 487 cidades com mais de 1 milhão de pessoas, 
e dezenas dessas cidades em diversas regiões se encontram nessa condição de não 
evangelizados. 
 O número exato dos povos não alcançados varia de acordo com as definições e 
requisitos exigidos. É possível classificar “povos não-alcançados” a partir de um grupo 
considerado como megapovo ou povos minoritários, considerando a variedade étnica, 
complexidade linguística, situação socioeconômica, barreiras políticas, etc. Desta 
forma, estima-se que na atualidade haja em todo o mundo aproximadamente 16.475 
grupos distintos, onde mais de 6.664, ou seja, 40,4% dos povos caracterizados pelas 
suas culturas, línguas e raças ainda não foram alcançados pelo evangelho do nosso 
Senhor. 
 
 A maioria desses grupos não tem uma estrutura de linguagem escrita formada, 
não leem nem escrevem em seus próprios idiomas, consequentemente, não têm 
sequer uma porção das escrituras em sua língua materna. Já outros possuem uma 
estrutura social bem dividida, dominam a escrita e possuem uma forte e milenar 
estrutura religiosa, mas, isto se constitui uma ameaça, pois as religiões encontradas 
nessas culturas se opõem às doutrinas cristãs. 
 
Desafios 
 
1
 https://www.ieadpe.org.br/index.php/departamentos/missoes/1197-povos-nao-alcancados 
Cada grupo não alcançado possui barreiras e desafios únicos a serem vencidos. Estes 
grupos permanecem inalcançados ou ocultos porque são verdadeiramente difíceis de 
se alcançar. Estima-se que na atualidade a população global seja de aproximadamente 
7.290 bilhões de pessoas, sendo que 3.080 bilhões, ou seja 42,2%, ainda não ouviram 
falar de Jesus. As estatísticas revelam que aproximadamente 102 pessoas morrem e 180 
pessoas nascem por minuto em todo o mundo. Urge a necessidade de alcançarmoso 
mundo com a mensagem das Boas Novas! Portanto, há muitos desafios a serem 
vencidos: 
 
1. O desafio religioso 
Existem no mundo mais de 33 milhões de religiões com suas distintas crenças, seitas e 
heresias, que dificultam a proclamação do genuíno evangelho do nosso Senhor e 
Salvador. 
2. O desafio cultural 
Os usos e costumes, a cosmovisão e a percepção de cada povo em relação ao mundo 
é uma realidade encontrada no meio de várias etnias. A transculturação do missionário 
para a propagação do evangelho é um desafio a ser vencido. 
3. O desafio linguístico 
A diversidade de idiomas e dialetos falados ao redor do mundo se constitui um grande 
desafio, pois existe a necessidade de se traduzir a bíblia ou porção dela para a 
pregação do evangelho entre esses povos. 
4. O desafio econômico 
A disparidade econômica também apresenta seus grandes desafios: os lugares mais 
ricos se tornam não evangelizados pela grande segurança estabelecida em favor dos 
mais abastados, enquanto que as regiões extremamente pobres também se tornam 
difíceis devido à necessidade de alimento, roupa, moradia, estrada, acesso a 
determinados ambientes, múltiplas enfermidades etc. 
5.Janela 10/40 
Entre os povos não alcançados existe o “Cinturão de Resistência” ao evangelho, que 
está localizado na faixa do globo terrestre que se estende do Oeste da África, passando 
por todo o Oriente Médio e vai até a Ásia. Esta região acompanha a linha do equador, 
subindo em forma de um retângulo entre os graus 10 e 40. A esse retângulo denomina-
se o termo JANELA 10/40. Nessa região encontra-se uma grande multidão de cerca de 
3,2 bilhões de pessoas que ainda não ouviram a mensagem de salvação através de 
Cristo Jesus. Ali predomina os seguidores do Budismo com aproximadamente 1 bilhão e 
200 milhões de adeptos, o Islamismo com um número próximo de 1 bilhão de 
seguidores e o Hinduísmo, com mais de 700 milhões de fiéis. Dos 50 países menos 
evangelizados do mundo 37 desses encontram-se na JANELA 10/40, onde reside 82% 
das pessoas mais pobres do planeta. Bilhões de pessoas são vítimas das enfermidades, 
misérias e calamidades. 
 
 
OS POVOS SEM PÁTRIAS 
Outro grande desafio a evangelização são os chamados “povos sem pátria”. Eles são 
povos nativos de certa região, porem não possui autonomia daquele local, e por isso 
lutam pela soberania do seu Estado. Às vezes ocorrem confrontos armados, pois as 
autoridades não querem reconhecer a autonomia desses povos, pois nenhum país 
deseja ceder seu território para esses povos os quais consideram insubordinados. 
Entre esses povos podemos citar: 
Bascos. População: 2,2 milhões. Religião: Católicos romanos. Características: Habitam 
parte da França e Espanha. 
Bérberes. População: 70 milhões. Religião: Muçulmanos. Características: Moram entre 
Marrocos, Argélia e no deserto do Saara. 
Chechenos. População: 1,2 milhão. Religião: Muçulmanos. Características: Vivem nas 
montanhas do Cáucaso, perto da Geórgia. 
Curdos. População: 32 milhões. Religião: Muçulmanos. Características: Moram na 
Turquia e Iraque. 
Ciganos. População: 5 milhões Religião: Crenças peculiares a esse povo e aos seus 
respectivos deuses. Características: Nômades, sem reivindicação de território. 
Indígenas brasileiros. População: Média de 250 mil indivíduos em 221 etnias. Religião: 
Animistas. Características: residentes em várias regiões do Brasil 
Palestinos População: 7 milhões. Religião: Muçulmanos. Características: Vivem no 
Oriente Médio. 
 Tibetanos. População: 6,2 milhões. Religião: Budistas e Muçulmanos. Características: 
Descendentes de pastores que vivem no noroeste chinês. 
 
1.4 Como anda a influência das testemunhas de Cristo no mundo? 
 Atualmente como anda a evangelização? Permanece o vigor presente nos 
primeiros tempos do cristianismo? O evangelho de Jesus ainda tem o poder de 
transformar o homem do nosso tempo? O evangelho que se está sendo pregado é o 
evangelho de Jesus? São muitas questões que se colocam. 
 De uma forma ou de outra as diversas Igrejas cristãs representantes do 
cristianismo atual, católicos, ortodoxos, anglicanos, protestantes, evangélicos, 
pentecostais, etc, estão evangelizando, às vezes com ênfases diferenciadas sobre 
algum aspecto, mas todas falam de Jesus Cristo, da salvação e do poder transformador 
que ele opera na vida das pessoas. Mas será que a Igreja Cristã hoje não se afastou 
daqueles marcos característico da evangelização de Jesus e dos seus apóstolos nos 
primeiros tempos? 
 Antes de Jesus retornar para o Pai disse aos seus seguidores que eles seriam as 
suas testemunhas de Jerusalém até os confins do mundo. At 1.8. A obra de Cristo na 
terra se entende por meio do trabalho dos seus discípulos. Ela não terminou com a 
Ascensão de Cristo. Ele disse em outro momento “Vós sois o sal da terra, se o sal vier a 
perder o sabor, para nada mais serve, a não ser para ser pisado pelos homens”. Mt 
5.13. Será que a evangelização da Igreja tem sido como o sal que perdeu o sabor, uma 
evangelização insossa que não muda a vida de ninguém, que não atinge ninguém com 
força? 
 Jesus também disse que seus seguidores seriam a luz do mundo. Para que o 
mundo visse a luz deles e glorificassem o Pai. Mt 5.14. Mas às vezes o povo de Deus 
anda com sua luz quase apagada. Não iluminam ninguém. 
 Jesus também comparou seus seguidores ao fermento que leveda toda a massa. 
Seus seguidores deviam ser uma influencia crescente sobre os demais. Mas se ele 
perde a usa força, não fará crescer a massa. Mt 16.6. Jesus advertiu seus seguidores 
para terem cuidado com o fermento dos fariseus, seu problema? “eles dizem, mais não 
fazem”. Viver uma vida que contradiz suas palavras é fatal para o evangelismo. Porque 
as pessoas estão mais interessadas no que você faz, do que no que você fala. As ações 
devem estar conforme as palavras. 
Mas o que é ser uma testemunha? 
Também esquecemos, ou nem sabemos, o que significa ser uma testemunha, a 
palavra de origem grega: martiria – mártir, assim sendo, todo aquele que deseja ser 
testemunha do Cristo, que deseja ser evangelizador, é de alguma maneira, um mártir 
em potencial. Às vezes o testemunho de Cristo exige o derramamento de sangue, às 
vezes não. Mas a verdade é que para ser testemunha de Cristo precisamos ser como 
aquele “grão de trigo” trigo que para dar fruto tem que morrer. 
 Uma testemunha de Cristo tem de estar disposta a sacrificar alguma coisa, até a 
própria vida se necessário. Quem não está disposto a sacrificar o seu conforto, o seu 
lazer, suas oras de entretenimento, ou do trabalho, para se dedicar a obra da 
evangelização, não pode ser uma testemunha. Se esperar o momento quando sobrar 
algum tempo, esse tempo nunca chegará. 
 A importância do planejamento 
 Outro aspecto importante é o planejamento. Ao iniciar qualquer empreendimento 
é necessário fazer o planejamento para que obtenhamos êxito. Da mesma forma é a 
evangelização. Sem planejamento, seja institucional, ou mesmo pessoal, as coisas não 
vão funcionar bem. Jesus contou uma parábola sobre a construção de uma torre que 
ensina a necessidade do planejamento. Lc 14:28-30. 
 Para que nossa evangelização seja frutuosa, é preciso conhecer bem os meios de 
acordo com o nosso tempo. Fortalecer a espiritualidade da Igreja não é um empecilho 
para se estudar meios modernos de evangelizar. Mas as duas coisas não são 
incompatíveis. Então o evangelista precisa conhecer o seu peixe e a isca ideal para ele. 
Jesus disse que seus discípulos seriam pescadores de homens. Assim é importante para 
quem quer pescar, entender de pescaria. As seitas estão pescando. O ateísmo e o 
misticismo também. E a Igreja? Não deveria ela mais do que todos lançar ao mar a sua 
rede? 
 Será que não estamos improvisando? Não deveria as testemunhas de Jesus se 
especializar no oficio de ganhar as almas dos homens para Cristo? I Pd 3.15 alerta sobre 
a necessidade de se estar preparado. É necessário se preparar para a obra da 
evangelização. 
 Os homensde negócios desse mundo estão sempre se esforçando para obterem 
sempre melhores resultados. Dão treinamento para seus funcionários, inovam, são 
criativos, buscam novas estratégias para vender sue produto. Eles se especializam 
naquilo que fazem. Com razão Jesus disse que “os filhos do mundo são mais espertos 
que os filhos da luz”. Talvez nesse aspecto devêssemos imita-los para melhor 
comunicarmos o evangelho do nosso Senhor. 
 Certo escritor escreveu um livro intitulado Os sete passos do bom comunicador. 
Vejamos como estes passos podem ser usados pelo evangelizador. 
 
Comunicando bem o evangelho 
1. Boa acolhida. O aperto de mão, o abraço, o beijo, o sorriso. Pela nossa acolhida 
podemos transmitir: simpatia, amor, frieza, medo. Uma acolhida quente transmite 
segurança, firmeza. Uma acolhida fria, frouxa, transmite insegurança, falsidade, 
desânimo. O sorriso tem um imenso poder, muitas vezes será o único presente que 
podemos dar. 
 
2. O nome. Procurar saber e guardar o nome das pessoas, isso estabelece um 
contato mais profundo. Veja o caso logo após a ressurreição de Jesus. Maria no jardim 
manteve algum contato com um homem que parecia ser o jardineiro. Mas quando ele a 
chamou pelo seu nome: Maria. Ela de pronto o reconheceu que era Jesus. 
 
3. A conversa. Estabelece um contato direto com a pessoa. Olhar para a pessoa 
com quem se fala, ouvir, prestar atenção, se interessar pelo assunto. Falar menos e 
ouvir mais. Esse é o segredo de conquistar as pessoas. 
 
4. O tom da voz. O tom da fala pode mudar completamente o significado das 
palavras. Por isso a importância de nos importarmos com ela. Quão cativando deve ter 
sido a voz de Jesus nas suas entrevistas com a mulher samaritana, Zaqueu, Nicodemos 
e tantos outros. 
 
5. A postura do corpo. Não só a nossa boca fala, mas todo o nosso corpo se 
comunica. Assim a nossa postura corporal pode influenciar mais do que as nossas 
palavras. Pela nossa postura, as pessoas sentem se estamos ou não prestando atenção 
ao que estão falando. 
 
6. Os gestos. Eles são muito importantes e marcam profundamente as pessoas. As 
palavras poderão ser esquecidas, os gestos, nunca. 
 
7. A respiração. Ela também é importante na nossa comunicação. Através dela 
podemos passar para os outros: tranquilidade ou ansiedade, calma ou irritação, paz 
interior ou angustia, segurança ou insegurança. 
 
8. O olhar. Ele possui um imenso poder através dele passamos para os outros: amor, 
paz, alegria, luz, segurança, convicção. 
 
9. A simplicidade. Os simples, os descomplicados, são grandes comunicadores, tem 
um enorme poder de conquista. 
 Quem deseja evangelizar precisa fazer uma autoavaliação para saber se está 
colocando em prática esses passos importantes. Precisa estudar as marcas 
características da evangelização de Jesus, dos apóstolos e da Igreja cristã primitiva. Só 
assim estaremos preparados para cumprirmos a missão evangelizadora. 
 
 
 
 
 
 
2 
Pastoral Urbana 
Conhecimentos 
Conhecer as características da vida urbana para melhor realizar a pastoral urbana. 
 
Habilidades 
Ser capaz de compreender a psicologia instalada das comunidades urbanas e 
desenvolver estratégias para alcança-las com o evangelho. 
Atitude 
Aplicar na práxis os conhecimentos obtidos. 
 
 
 
2 CARACTERISTICAS DA VIDA URBANA 
 
O desafio da evangelização 
 
No campo, a cultura era homogênea, a religião era homogênea e era o centro da 
cultura. A religião transmitia-se na família e na vizinhança com a cultura e como a 
cultura: os filhos adotavam os comportamentos dos pais. Alguns eram mais religiosos e 
outros menos, mas todos estavam inseridos na Igreja como o peixe na água. O peixe 
nem sequer se dá conta da água: ele está dentro da água. Assim os camponeses 
estavam dentro da Igreja mesmo se ignoravam o que era a Igreja. Podiam ser cristãos 
inconscientemente. De todos os modos, a religiosidade se transmitia sem que os líderes 
religiosos tivessem que empenhar-se muito: as famílias encarregavam-se de levar as 
novas gerações para a cultura religiosa dos seus pais e a prática da moral aceita 
comumente na sociedade rural como sendo moral cristã. 
 
Nas cidades modernas já não é assim. Não há mais garantia de transmissão da 
religião dos pais para os filhos. Primeiro porque na cidade há várias ofertas religiosas: 
as pessoas podem escolher. Em segundo lugar, as novas gerações não aceitam 
simplesmente o modo de viver, o modo de pensar ou de agir dos pais. Adaptam-se 
mais depressa à vida urbana e consideram os seus pais como ultrapassados. Além 
disso, os pais estão muito ocupados e a TV estabelece uma barreira: não deixa tempo 
para a conversa. Não há mais momento do dia nem da semana em que os pais possam 
tranquilamente explicar aos seus filhos os seus valores. Eles próprios duvidam dos seus 
valores tão diferentes daqueles que a vida urbana exalta. Sentem-se intimidados e 
deixam que os Filhos sigam cada um o seu caminho. 
 
Durante 1500 anos, a fé foi comunicada pelos pais aos filhos. Este processo 
deixou de funcionar nas Cidades. Isso constitui para a Igreja um desafio inédito: a 
necessidade de evangelizar adultos, necessidade de provocar conversões pessoais. 
Pois o cristão da cidade há de ser um cristão consciente livre, que fez opção pessoal 
por Jesus Cristo. Os cristãos de tradição não resistem ao modo de viver urbano: a sua fé 
se dissolve mesmo sem que eles se deem conta. Um dia, despertam, constatando que 
perderam a fé e a religião dos seus pais. 
 
 
A liberdade 
 
O que leva as pessoas para a cidade é o desejo de fazer sua vida pessoalmente. 
No mundo rural, as pessoas são feitas pelo ambiente, pelas tradições e, sobretudo, 
pelas limitações materiais. Cada geração já sabia desde a infância que sua vida seria a 
reprodução da vida dos seus pais. Quem vai para a cidade não aceita mais tal 
dependência. Acha que na cidade vai encontrar possibilidade de ter desejos e de poder 
satisfazer os seus desejos, de se fazer um pouco a vida que prefere. 
 
No campo, as pessoas sentem-se vigiadas, fiscalizadas, julgadas, 
permanentemente pela família e pela vizinhança. Na cidade, as pessoas já não se 
importam muito com o que pensa a vizinhança. Podem escolher a sua religião, a sua 
filiação política, o seu time de futebol, a sua roupa, o seu jeito de viver. Apesar das 
novas dependências, sobretudo nos bairros populares, a vida na cidade é mais livre. É o 
que os pastores tradicionais lamentam, mas o que os jovens apreciam. 
 
Claro que a satisfação dos desejos está limitada pelo limite do dinheiro. O 
dinheiro é pouco, mas existe. No campo o dinheiro é quase inexistente. Muitos ainda 
comem da sua produção. Compram pouco. Os jovens não recebem dinheiro dos seus 
pais. O que leva tantos jovens para a cidade é que os pais não lhes dão dinheiro e na 
cidade todos esperam ganhar algum dinheiro, nem que seja por meio de biscates. 
Talvez comam menos, mas fazem do seu pouco dinheiro o que querem. 
 
O mercado das religiões 
Tem crescido constantemente o número de religião. Hoje tem religião para 
todos os gostos. As pessoas mudam de religião facilmente. Muitos católicos se 
converteram especialmente para as igrejas pentecostais. Cresce no ocidente as 
religiões não cristãs. Cristãos estão se convertendo ao Islamismo. Cresce o número 
daqueles que se dizem ateus e céticos. Apareceram novas religiões e as antigas 
ganharam nova publicidade, como a umbanda, a macumba, o candomblé. A cidade é 
um grande mercado de religiões em que cada um escolhe livremente e não se sente 
constrangido nem pela família nem pela vizinhança. 
 
Existe realmente liberdade de religião pela primeira vez na história da 
humanidade. Por isso nenhuma religião ou igreja pode confiar na força do seu passado; 
precisa conquistar os seus membros, um por um, tornando-se muito presente em 
todas as áreas da vida urbana. 
 
O dinamismoO mundo rural é parado. Não muda nem sente necessidade de mudar. Somente 
muda agora pela pressão do modo de viver da cidade que se comunica por meio da 
TV. Na cidade todos querem progredir. Querem melhorar. Trabalham para melhorar. 
 
Na cidade cada família quer melhorar a casa: cada ano acrescenta alguma coisa, 
aumentam o espaço, compram móveis, aumentam o conforto, compram roupas de 
marcas famosas. Todos querem seguir a moda. Com raras exceções de algumas igrejas 
pentecostais mais radicais que proíbem certos usos. Muda a comida: o fast-food 
(comida rápida) entra em todas as famílias, mesmo entre os pobres. Come-se muito 
entre as refeições, sobretudo as crianças. Coca-cola é um símbolo universal: sinal de 
livre escolha para todos, ainda que todos caiam sem perceber na dominação da 
publicidade. 
 
As novas bebidas aparecem como conquista da personalidade e muitos jovens 
recorrem às drogas pensando assim afirmar sua independência, sem ver que caem 
numa dependência maior. A cidade vive de novidades: precisa mudar sempre. Esta 
sempre em obras. Os grandes prefeitos são os que enchem a cidade de obras. Os 
cidadãos odeiam a repetição das mesmas coisas: mesmos espetáculos, mesmas festas, 
mesmas cerimonias. 
 
Querem novidades, novas figuras, novos artistas. Querem sempre coisa melhor. 
Uma objeção que os jovens fazem é a seguinte: as igrejas são muito paradas. Para eles 
só isto já basta para desqualificar uma instituição. É preciso oferecer coisas novas. 
 
O capitalismo já penetrou em todos os setores da vida e constitui um estímulo 
permanente. Pois o capitalismo estimula a competição. Felizes os que chegam na 
frente. Quem chega atrasado, perde. Esta mentalidade entrou já na cabeça de muitos 
na cidade: aprender mais para ser mais capaz, para entrar na turma dos vencedores na 
vida e não se deixar ultrapassar por outros, bem diferente da mentalidade tradicional 
em que cada um trabalha o indispensável. Quantos trabalham o número de dias 
necessário para garantir a cervejinha e depois preferem descansar! O mundo urbano é 
diferente. Ali as pessoas querem ganhar cada vez mais porque os desejos aumentam 
também a cada dia. 
 
 
Os grupos pequenos 
 
Sobretudo no meio popular, a família, ou, melhor dito, os fragmentos da família 
que subsistem, porque as famílias completas já não são tão numerosas, ainda é uma 
forma de sociedade muito importante. Na luta pela sobrevivência os laços de família 
ainda são os mais seguros. As pessoas ajudam-se dentro das redes das relações 
familiares. Mas a medida que as pessoas se libertam das pressões pela sobrevivência, 
criam grupos de amigos que se encontram para momentos de lazer. 
 
Vão juntos para a praia ou para o clube, ou para o centro de diversões. Reúnem-
se nas suas casas para comer e beber nos domingos ou dias de festas, celebram 
aniversários e assim por diante. 
 
São grupos pequenos e homogêneos que substituem a grande família do mundo 
rural. A Igreja tem trabalhado com um modelo que procura reunir os membros em 
pequenos grupos. A Igreja Católica criou as Comunidades eclesiais de base, as Igrejas 
protestantes e evangélicas os grupos familiares ou pequeno grupo, (a nomenclatura 
pode mudar, mas é a mesma ideia). Os chamados grupos em certos casos, assumiram 
esse papel: adotaram a forma de grupo pequeno de amigos, grupo homogêneo e 
limitado aos assuntos do grupo. 
 
As associações 
 
 Para agir na cidade, os habitantes juntam-se para formar associações 
formalmente constituídas. Estas associações sempre têm fins limitados: são fins 
econômicos, políticos, sociais, culturais, ecológicos, referem-se à saúde, à segurança, 
às festas e assim por diante. Nas cidades importantes há centenas ou milhares de 
associações. Elas constituem o tecido da sociedade civil. Pode-se medir o 
amadurecimento da população urbana pelo número de associações que promovem. 
Também a Igreja promove dezenas, centenas e, às vezes, milhares de associações 
quando se trata de grandes metrópoles. 
 
Poderíamos enumerar outras características das cidades. São objetos da 
sociologia urbana. Mencionamos aqui apenas aquelas que mais diretamente 
questionam a Igreja. 
 
Conhecer a cidade 
 
A cidade é geralmente mal conhecida. Cada um conhece um fragmento, mas 
estes conhecimentos não são socializados. A igreja como tal não conhece a cidade nem 
sequer imagina que tal tarefa seria da sua incumbência. Por isso a Igreja precisa de uma 
pastoral da cidade em que o ponto de partida é o conhecimento do sujeito que 
pretende evangelizar: a cidade. 
 
Apresenta-se um breve esquema que é apenas uma indicação para identificar 
todos os elementos que compõem uma cidade. Esta é uma realidade complexa. Sem 
analisá-Ia, achamos que conhecemos a cidade porque temos algumas impressões 
globais que procedem de alguns fatos que impressionaram a imaginação, 
provavelmente por razões muito subjetivas. 
 
A Geografia 
 
Geograficamente, a cidade adapta-se à configuração do solo: vales e colinas, 
rios, vias de comunicação naturais ou previamente existentes. Reparte-se em áreas ou 
zonas e em bairros. Os bairros podem reunir algumas centenas de casas. Raramente 
mais de mil. Cada bairro tem a sua configuração própria, a sua história, a sua vida social 
e cultural própria. Cada bairro tem sua personalidade única. 
 
Os romanos construíam cidades conforme os planos dos campos militares. O 
próprio S. Tomás inspira-se nos arquitetos militares romanos para desenhar o mapa da 
cidade. E os reis católicos inspiraram-se em S. Tomás e fundaram cidades na América 
seguindo o modelo dos acampamentos militares romanos. No Brasil não sucedeu assim 
e as cidades nasceram e cresceram com muita espontaneidade, seguindo as 
possibilidades oferecidas pela geografia. Foram crescendo sem plano estabelecido, e 
em muitos casos, ainda sucede assim. 
 
Por sinal, mesmo os acampamentos tipo militares ou os Conjuntos residenciais 
que tanto se parecem com eles acabam transformados pela vida e vão humanizando-
se com o tempo. 
 
Todos os moradores sabem a que bairro pertence e todos os bairros acabam 
recebendo um nome. A pastoral deve conhecer os bairros e o que lhes faz a unidade, a 
vida própria, deve conhecer os lugares de encontro e os tempos fortes da vida coletiva. 
 
De modo geral, os bairros têm forte conotação de classe. Poucas vezes casas 
residenciais de classe média misturam-se com casas populares. Se isso acontece, 
podemos ter a certeza de que o fato não vai durar. Os bairros ricos manifestam-se 
imediatamente: as casas, as ruas, a iluminação, os esgotos, a coleta de lixo a 
regularidade na distribuição da água ou da energia mostram com toda evidência que se 
trata de bairro rico. Nos bairros pobres sempre faltam vários desses elementos. A 
cultura do bairro está evidentemente ligada ao caráter de classe. 
 
Entidades sociais: Educação 
 
As escolas, os colégios, as universidades já não têm a importância que se lhes 
dava no século XIX, quando todo o progresso da nação se esperava das suas escolas. 
Então, a escola era o novo santuário destinado a substituir as igrejas. Pois as escolas 
seriam os templos do saber, assim como as igrejas eram os templos da ignorância e da 
superstição. 
 
Hoje em dia há muitas outras instituições que tiraram às escolas o monopólio 
dos valores sociais: os meios de comunicação, os shopping centers, os estádios e 
ginásios de esportes, por exemplo, são tão importantes como as escolas para a difusão 
da cultura e a educação dos jovens, ou talvez mais importantes do que as escolas ou as 
universidades. 
 
No entanto, as instituições de ensino ainda são socialmente muito importantes. 
Sobretudo na ideologia dominante que as elites tratam de difundir no povo. Importa 
conhecer as escolas, a mentalidade do corpo docente e dos alunos. A pastoral parte da 
presença cristã. Qual é a presença católica em cada escola ou institutode educação: 
grupos, sinais, atos significativos: o que constitui uma presença de Igreja em cada 
escola? Claro que cada uma é diferente e nenhuma pode ser tratada a partir de um 
padrão comum para todas. Cada escola terá o seu grupo de evangelizadores. 
 
Saúde 
 
As instituições de saúde são hospitais e postos de saúde, clinicas especializadas, 
sem esquecer todos os centros de novas terapias que absorvem boa parte do tempo 
das classes médias. Cada hospital tem a sua especificidade. Os hospitais são lugares 
sociais privilegiados pelo grande número de pessoas que ali trabalham ou por ali 
passam. Além disso, os doentes e os seus familiares são pessoas fragilizadas, muito 
sensíveis, carentes-de sentido e de apoio moral. A saúde é o bem mais precioso e mais 
precário. 
 
Precisa conhecer bem cada hospital ou centro de saúde. Em cada instituição 
haverá uma presença cristã. Frequentemente, a presença da evangelização cristã nos 
hospitais é muito precária, muito insuficiente. No entanto, muitas pessoas idosas, 
aposentadas, poderiam dedicar muitas horas dos seus lazeres na visita aos hospitais, de 
tal sorte que sempre houvesse uma presença visível da Igreja. 
 
 
Meios de comunicação 
 
Ultimamente cresceu bastante a presença da igreja nos meios de comunicação: 
TV. Rádios, impressos. No entanto, ela precisa saber qual é o público atingido. Qual é o 
alcance real da presença católica. Precisa examinar o conteúdo referindo-se a metas. 
Se a Igreja quer evangelizar, não pode falar somente para aqueles que já estão 
persuadidos. Não pode alimentar somente os bons crentes tradicionais. Precisa buscar 
exatamente o público que os meios tradicionais já não atingem mais, isto é, que a igreja 
local deixa de atrair. 
 
 
 
Movimentos Sociais 
 
 
Nas cidades sempre há movimentos organizados para transformar a sociedade. 
São movimentos de trabalhadores, profissionais, feministas, negros, indígenas, 
ecológicos, de moradores, de defesa dos direitos humanos, de promoção social de 
diversas categorias marginalizadas ou excluídas. Vários desses movimentos podem ser 
promovidos pela Igreja. No entanto, a grande maioria é alheia à Igreja. Qual será a 
presença cristã evangelizadora dentro desses movimentos? 
 
Entidades Culturais 
 
São academias ou grupos literários, organizações de espetáculos, companhias 
de teatro, conjuntos musicais, teatros, centros de convenções ou centros culturais, 
centros de artesanato, salas de exposição, feiras artísticas, bibliotecas, centros de 
difusão de livros, etc. Qual é a presença cristã nestas entidades? Quem leva o 
evangelho a essas categorias de pessoas? 
 
Entidades de Lazer 
 
O lazer ocupa e ocupará um lugar cada vez mais importante na vida urbana. 
Inclusive, muitos habitantes das cidades voltam para o campo nos fins de semana. Este 
campo, porém, é bem diferente do campo dos camponeses. E um campo urbanizado, 
acomodado para o lazer. 
 
Muitos procuram o lazer em atividades individuais. No entanto, há também 
muitas instituições que oferecem melhores condições de lazer. Primeiro, tudo o que se 
refere às praias ou lugares de turismo. Depois, os balneários e clubes de campo, os 
balneários e clube de campo, os parques de diversões para as crianças e os pais. Os 
campos de esportes, ginásios de esportes sem contar os shopping centers e os lugares 
de diversão noturna. Essas são as instituições em que os habitantes das cidades se 
encontram. Primeiro, as classes médias, mas também as classes populares vão 
seguindo o exemplo das classes superiores. Qual é a presença cristã em tudo isso? 
 
Empresas 
 
A economia está no centro da vida das cidades atuais. O centro das atividades, 
dos valores, das preocupações. A primazia da economia é tão forte que o que faz o 
lado espetacular da cidade é a publicidade. A publicidade está 99% a serviço da 
economia. Trata-se sempre de vender e comprar. Na sociedade atual a atividade 
sagrada por excelência é comprar: manipular o dinheiro que é o símbolo sagrado, o 
ídolo dos nossos tempos. 
 
Os dirigentes das empresas são prisioneiros do sistema. Daí o problema para os 
cristãos: como há de ser o comportamento dos cristãos num sistema fechado a todos 
os valores evangélicos? Quais são as aberturas, as brechas? Como compensar a dureza 
do sistema por medidas locais que possam suavizar as relações de classe? 
 
Precisam conhecer as empresas financeiras, industriais, comerciais, as empresas 
de transporte: quantos empregados, quais são as condições de trabalho? Ao lado das 
empresas existe todo o setor informal. Vários trabalhadores preferem o setor informal, 
apesar da sua precariedade, porque não se adaptam à disciplina do trabalho nas 
empresas. Quais são os valores, os comportamentos, as formas de socialização dos 
trabalhadores do setor informal? 
 
Na pratica, uma parte da população importante vive ou sobrevive de biscates 
improvisa cada dia o modo de sobreviver. São mulheres abandonadas que devem 
sustentar seus filhos, famílias que sustentam filhos com deficiências especiais, doentes, 
incapacitados de trabalhar. 
 
Finalmente, há os desempregados que vivem às custas da mulher ou dos pais 
ou, mais frequentemente, vivem da aposentadoria dos velhos. Quem vive assim, nunca 
adquire segurança, tranquilidade, não pode ter uma vivência religiosa constante. 
Depende das emoções do momento. 
 
A política 
 
Na antiga civilização rural do Brasil, o vigário formava parte do grupo das 
autoridades, junto com o prefeito, o delegado, o juiz. Representava o poder eclesiástico 
ao lado dos poderes civil e militar. Em algumas cidades do interior, o sistema ainda 
vigora. No entanto, na vida de cada dia, o poder real do vigário na cidade é mínimo. 
Convém identificar: onde está o poder? 
 
Quais são os grupos que mandam, isto e, que dispõem do dinheiro público? 
Qual é a politica, isto e: como é que se gasta o dinheiro público? Como funciona a 
policia e como julgam os tribunais? Qual é a seleção dos funcionários públicos? O que 
fazem? Prestam os serviços devidos à população? Quais são os grupos que pressionam, 
questionam, fiscalizam as finanças municipais? 
 
Religião 
 
Nas cidades há variedade de religiões. O catolicismo perdeu o monopólio. É 
preciso fazer um levantamento da configuração religiosa da cidade. Com efeito, o 
ecumenismo é parte importante da pastoral e não se pode praticá-lo se não se tem um 
conhecimento aprofundado da situação das outras igrejas e das outras religiões. Cada 
uma tem sua fisionomia própria. Entre elas existem diferenças notáveis. 
 
O espiritismo está em plena ascensão e, também, as religiões afro-brasileiras. 
Aparecem novas religiões de tipo oriental ou de origem norte-americana, como a Nova 
Era, todas mais ou menos misturas de terapias e de religiosidade. Estão presentes em 
quase todas as cidades, mesmo de Estados retirados como o Maranhão ou o Piauí ou 
mesmo na Amazônia. 
 
 
Evangelizar 
 
 A Evangelização exige algumas orientações específicas no ambiente da cidade. 
Nas cidades, vários ambientes estão impregnados de preconceitos antirreligiosos. 
Trata-se dos intelectuais, universitários, professores e alunos de colégios públicos ou 
particulares, dos empresários, mas também de operários ou empregados de comércio 
que assimilam os preconceitos dos patrões ou foram secularizados na ação política ou 
social. Para essas pessoas a Igreja é uma instituição do passado, responsável por 
muitos dos males que vêm da história do Brasil. A igreja é feita de pessoas atrasadas, 
ignorantes da ciência, da tecnologia, das exigências da vida moderna; defende uma 
moral antiquada e, sobretudo, se dedica a atividades aborrecidas. Para muitos a Igreja é 
velhice, aborrecimento, vida parada, moral superada, obsessão do sexo, dependência 
dos padres e pastores, uma instituição sem futuro e sem novidade. 
 
Então, a evangelização consiste em tornar presenteuma imagem diferente do 
cristianismo e da Igreja. Se para muitos o cristianismo é lei, pecado, tristeza, medo, é 
preciso mostrar testemunhos de vida cristã alegre, livre, com metas positivas, com 
mensagem para o futuro, com ousadia, inovação, sem medo da novidade. 
 
Outrora, muitos deixaram a Igreja por causa de Marx; em seguida veio Freud, 
que ainda tem bastante força nas grandes cidades. Depois veio Nietzsche. Para muitos 
Deus morreu porque os cristãos o mataram, como dizia Nietzsche. Não adianta dizer 
que Deus está vivo, é preciso mostrar com o testemunho de vida que ele está vivo na 
vida de cada cristão. 
 
Por outro lado, há muitos ambientes urbanos em que simplesmente falta a 
presença da Igreja. Com efeito, não basta que haja um templo ou capela para que haja 
presença. O que faz a presença na cidade, são as pessoas. Certas pessoas podem 
morar ao lado da Igreja e não ter tido nunca a ideia de entrar nela, porque ninguém foi 
buscá-las. A presença vem de pessoas que, como missionárias, buscam o contato e 
não se contentam em esperar que venham, porque não virão espontaneamente. Daí a 
necessidade de missionários e missionárias não somente nos bairros, mas também em 
todos os ambientes em que se realiza a socialização urbana. 
 
Muitas pessoas resistem a entrar numa capela ou templo porque esta se 
identifica demais com pessoas que não lhes são simpáticas. Por isso, a evangelização 
não consiste em forçar pessoas a frequentar lugares ou pessoas que não lhes são 
simpáticas. Antes, trata-se de criar ambientes simpáticos em que o encontro possa ser 
agradável. 
 
Reviavivamento 
 
Muitos cristãos perdem, na cidade, o contato com os sinais, símbolos, ritos que 
eram o suporte da sua religião no campo. Permanecem cristãos, mas não fazem mais 
nada. Os filhos abandonam a prática religiosa e eles seguem os filhos. Não foram 
atraídos por nenhum elemento. O seu cristianismo adormeceu. O perigo é que os filhos 
já não terão mais religião nenhuma. Somente uma adesão de princípio, sem saber nada 
do cristianismo. 
 
Explica-se em grande parte o êxito dos pentecostais pelo fato de que 
conseguem revitalizar elementos cristãos adormecidos: Deus, pecado, salvação, Jesus, 
perdão, tudo isso estava adormecido. A pregação do pastor desperta os elementos 
cristãos que estavam apagados. Da mesma maneira, as demais Igrejas cristãs, podem 
provocar uma revitalização do catolicismo adormecido. Porem é preciso ir buscar as 
pessoas no lugar em que elas estão e apresentar-lhes um modo de ser católico 
adaptado ao ambiente em que estão. 
 
A vocação 
 
A experiência dos movimentos religiosos que fazem conversões deve inspirar-
nos. Estamos na época da história do mundo em que houve mais conversões pessoais, 
conversões para uma fé pessoal, livre, sem nenhum constrangimento, sem interesse 
material. Os pentecostais já conseguiram no mundo centenas de milhões de 
conversões individuais. Os movimentos carismáticos católicos e outros movimentos de 
conversão conseguiram dezenas de milhões de conversões individuais. A prova está 
dada. Não precisa perguntar mais. Somente não vê quem não quer ver. 
 
Há uma metodologia de conversão que funciona, existem variantes, mas os 
elementos fundamentais são comuns. Sempre é um apelo a uma pessoa individual, 
apelo para uma vida nova, apelo para uma libertação. Uma pessoa descobriu o seu 
estado de pobreza espiritual, de vazio de sentido da vida, percebeu a nulidade da sua 
existência e este reconhecimento foi ajudado por outra pessoa, um crente de 
convicção. Neste momento entra um apelo para uma vida nova. 
 
A conversão acontece quando a pessoa está numa situação emocional forte. 
Ficou abalada por acontecimentos marcantes na vida - morte de uma pessoa querida, 
doença, acidente, ruptura com o cônjuge, com um filho, os pais, provação na vida 
profissional, fracasso, abalo na autoconfiança, crise da idade madura. Nesta 
circunstância em que uma pessoa se sente na sua fraqueza humana e perde a falsa 
segurança que dá a cultura moderna, o missionário questiona, cria um impacto. O 
missionário oferece, em si próprio e ao grupo ao qual pertence, a imagem de uma 
alternativa. Não adianta pedir uma conversão se não se oferece o modelo alternativo. 
 
O impacto criado pelo missionário põe em contato com Jesus Cristo. A 
conversão é sempre a descoberta de Jesus Cristo para mim agora. Não a uma igreja ou 
a um cristianismo abstrato. A conversão é vocação para seguir Jesus: libertar-se para 
seguir o caminho de Jesus. Ora, a vocação inclui sempre um apelo para entrar num 
grupo. Não há conversão a Jesus sem a mediação de um grupo: o grupo representado 
pela pessoa que estimula a conversão, o grupo ao qual pertence o missionário. 
 
Assim fazem os movimentos carismáticos, os grupos familiares (pequeno grupo) 
encontro de casais com Cristo, e todos os movimentos de conversão. Uma conversão 
que não é entrada num grupo que pertence a um movimento eclesial, católico ou 
protestante, cai em pouco tempo. Sem o sustento do grupo, é impossível permanecer 
fiel a um compromisso. 
 
Por isso, fracassam as missões de tipo rural quando introduzidas na cidade. 
Muitas pessoas querem entrar numa vida nova, mas onde? Como? Depois da missão 
cada um volta para o isolamento e tudo fica esquecido. A missão somente deixa 
desilusões se não incorpora num grupo de pessoas todas convertidas. É impossível 
introduzir pessoas recém-convertidas num ambiente eclesial de pessoas tradicionais 
ou fechado em si mesmo. Levar um convertido para a Igreja é levá-lo ao desânimo e a 
desilusão muitas vezes. 
 
Por isso, também os evangelismos relâmpagos dão pouco resultado. 
Eles não asseguraram a continuidade de maneira suficiente porque não introduzem o 
novo convertido em grupos com espiritualidade e lideranças espirituais fortes. Nunca, 
em dois mil anos, foi tão fácil evangelizar. Nunca foi tão fácil levar pessoas à conversão 
e à fé cristã. Porém, precisa usar a metodologia adequada. 
 
H. Múhlen mostrava como, na segunda metade deste século XX, o conteúdo do 
catolicismo se racionalizou, ficou abstrato, deixou de envolver a pessoa humana 
completa. Ninguém se entrega a Cristo por motivos racionais, intelectuais. Ninguém se 
convence por motivos de razão pura. Trata-se de suscitar uma expressão da fé e da 
vida cristã que envolva a totalidade do ser humano, o seu corpo inteiro e não somente 
a razão abstrata ou científica. Acontece que, mesmo na América Latina, a igreja entrou 
numa fase de racionalização, sobretudo a partir dos anos 60. Agora, manifesta-se uma 
insatisfação profunda e reaparecem os sinais sensíveis. 
 
Já que os sinais sensíveis não são exclusivos dos cristãos, mas se acham em 
todas as religiões, convém examinar o contexto global da evangelização para ver se 
estamos num contexto cristão ou no contexto de outra religião. Em todo caso, a 
experiência mostra que, na atualidade, a conversão nunca se reduz a uma mudança 
racional e consta sempre de uma experiência ou de um conjunto de experiências em 
que todas as faculdades humanas se movem. 
 
Evangelização da vida social 
 
A evangelização refere-se também à vida social. Não precisa insistir no princípio 
que é a base da doutrina social da Igreja. A vida social da cidade é a realidade 
complexa que foi brevemente evocada num parágrafo anterior. Pelo exemplo, pelo 
testemunho, pela palavra os cristãos são chamados a proclamar a novidade do 
evangelho em cada setor da cidade. 
 
Pois, em cada setor, algo pode e deve mudar. A evangelização da sociedade é 
tarefa de formiga: milhões de pessoas trabalhando juntas, cada uma levando um grão 
de evangelho e, assim, indefinidamente sem cessar, sem jamais ver o fim da tarefa. Pois 
a cidade muda constantemente e a evangelização deve recomeçar sempre de novo a 
partir de uma realidade nova. 
 
Assim que as pessoas se convertem e se entregam a Jesus, “devem assumirum 
serviço”. Os ministérios da Igreja local (pastoral) pode da sugestões, orientar para tal ou 
qual setor mais abandonado, sempre que estas orientações não apareçam como 
coerção moral e não gerem constrangimento. Lembremo-nos que a cidade é lugar de 
liberdade e não adianta propor a uma pessoa uma missão para a qual não sente gosto. 
 
Não adianta elaborar um organograma perfeito em que todas as tarefas estejam 
previstas, se não há ninguém para assumi-las. A pastoral será sempre incompleta, 
porque nunca aparecem todos os agentes para todas as tarefas. O Espírito Santo envia 
missionários para a missão. Porém, não são aceitos pela burocracia da Igreja, por uma 
série de motivos, todos válidos, porém destrutivos da espontaneidade e da liberdade 
do Espírito. 
 
Uma prática de libertação passa por milhares de pequenas transformações no 
tecido urbano. Não existe mais a possibilidade de imaginar uma mudança global. As 
experiências da revolução russa e da revolução cultural chinesa mostraram que o 
preço de tais transformações é inaceitável e que os resultados a longo prazo são 
irrisórios. Estamos diante do desafio de montar outra estratégia de mudanças, passo a 
passo, por passos pequenos. 
 
Milhões de iniciativas particulares são necessárias nas nossas sociedades. Em 
cada cidade, seriam necessárias milhares de iniciativas. Somente conversões 
individuais numerosas podem fornecer essas iniciativas: na liberdade! 
 
O conteúdo do evangelho 
 
Muitos missionários repetem sem cansar que o evangelho é uma boa-nova, mas 
não dizem qual é esta boa-nova. Na sensibilidade de muitas pessoas, tudo o que se 
refere a religião é uma nova e querem livrar-se dela. Não adianta comentar que o 
evangelho e boa-nova. Se é boa ou má, vai resultar do conteúdo. Os ouvintes dirão se 
foi boa-nova ou se não foi. 
 
No catolicismo tradicional, o evangelho não é nenhuma “nova". Pelo contrário, é 
a coisa mais antiga do mundo. A religião é tradição do passado e tira o seu valor da 
tradição. Dizer que é nova não seria bem recebido. Para os camponeses que chegam à 
cidade, isso de boa-nova não soa bem: a religião é lembrança do passado, saudade do 
passado. Receber boa-nova cabe dentro da psicologia e das expectativas das pessoas 
urbanizadas. O problema é que a pregação tradicional nunca anuncia uma boa-nova, 
mas repete as coisas de sempre e os camponeses aprovam porque reconhecem as 
coisas de sempre. Se alguém anuncia uma boa-nova, já desconfiam. 
 
Na Cidade ocorre o contrário, uma nova religião atrai, chama a atenção. É o que 
acontece com a Nova Era. Não se sabe o que é, mas atrai porque e novidade. O 
conteúdo vai depender do tipo de pessoas. Num nível muito baixo de pessoas muito 
pobres e não integradas na cidade, a libertação dos vícios é a boa notícia. Um crente 
vem contar como se livrou dos vícios da bebida, do fumo, da fornicação, das drogas. 
Muitas pessoas – homens, mas também mulheres - são escravas desses vícios e 
quereriam libertar-se. Mas não sabem como. Alguém vem oferecer um caminho eficaz. 
Eles se deixam conduzir e começam uma vida nova que para eles é uma ressurreição. É 
o que acontece com a pregação dos pentecostais em muitos casos. A mensagem do 
evangelho é, Jesus me liberta dos vícios, do pecado. 
 
Outros são cristãos adormecidos, perdidos na cidade: é preciso recordar a 
mensagem que ouviram no passado, adapta-la ao mundo da cidade: trazer a bênção 
de Jesus sobre os trabalhos, as esperanças da implantação na cidade. Adaptar-se à 
cidade custa muito trabalho, suor e paciência. Jesus nos acompanha nessa tarefa. No 
campo ele dava a chuva. Agora ele dá ânimo força, coragem e também solidariedade 
com um grupo de vizinhos. Ele dá paz e tranquilidade que decorrem da colaboração 
entre vizinhos iguais. 
 
As novas gerações nascidas na cidade são muito fragilizadas. Sabem como se 
virar na cidade, mas não acham satisfação. O modo de viver que a sociedade oferece 
deixa frustrações: solidão, estresse, dificuldade de comunicar-se com outros, 
dificuldade de se aceitar a si próprio, insatisfação com tudo que parece sem sabor. Daí 
o recurso ao sexo, às drogas, a paixão pela Internet, a busca de gurus, a atração pelas 
religiões novas. 
 
A libertação que buscam é libertação de si próprios, da sua insuficiência, da falta 
de sentido da sua vida. O evangelho vem anunciar o amor de Jesus: Jesus te ama. Tal 
amor infinito vem dar paz e segurança. Além disso, dissipa o medo e permite lançar-se 
em atividades de serviço. Fazendo coisas às quais se atribui valor, a pessoa sente-se 
mais segura de si mesma, mais confiante. Claro está que tal evangelho pode alimentar 
uma nova forma de narcisismo. Pode estar então adaptado à psicologia do interlocutor 
que é recebido simplesmente como remédio, prolongando o narcisismo que já era o 
modo de viver anterior. Se fosse assim, o evangelho não seria uma verdadeira 
libertação, mas uma nova droga. Sem dúvida, tais casos ocorrem mais 
frequentemente do que os dirigentes dos movimentos podem imaginar. No entanto, as 
pessoas da cidade são assim e não adianta enviar uma mensagem que não podem 
captar. 
 
A verdadeira libertação está no serviço ao próximo. Por conseguinte, o critério 
de autenticidade do evangelho está no efeito produzido: nos serviços que produz. Se 
produz uma vida de serviço, foi autêntico. Se não produzir, não foi autêntico. 
 
Não se pode julgar da autenticidade do evangelho anunciado pela análise das 
palavras. As palavras podem significar muitas coisas de acordo com a mentalidade de 
quem as recebe. Um discurso de libertação pode produzir alienação dos ouvintes. O 
caso não é imaginário. Aconteceu que havia pessoas que repetiam sem cessar um 
discurso de libertação e nunca faziam nada: as palavras serviam de cobertura para 
esconder a alienação da pessoa. O fato é tão comum que somente os interessados não 
se dão conta dele. 
O conteúdo e a expressão do evangelho variam, mesmo dentro de um esquema 
comum. Daí a importância de se situar corretamente a pessoa com quem se conversa. 
O evangelho não é de estilo expositivo: não é catecismo. Não é de estilo narrativo: não 
é leitura, menos ainda explicação do evangelho. Menos ainda, de estilo teológico. 
 
Um dia ouvi um sacerdote encarregado da pastoral de um grande hospital 
conversando com um doente. O doente dizia que era ateu. Então o sacerdote explicou 
ao doente que ele não acreditava no Deus dos filósofos, de Aristóteles e dos outros e 
que nisto estavam bem de acordo. Ele, padre, também era ateu desse Deus filosófico. 
Mas o Deus que anunciava era outro, era o Deus de Jesus Cristo. Claro que o doente 
pensou que o padre era um louco. (COMBLIN, 1999). 
 
O evangelho é sempre um apelo. Um apelo dirigido pelo próprio Deus. O 
missionário vem trazer uma mensagem do próprio Deus, vem como enviado, 
encarregado de uma mensagem. Esta mensagem é um apelo, uma vocação: apelo para 
aceitar o amor de Deus e viver nele e dele. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
Métodos de Evangelismo 
Conhecimentos 
Conhecer os principais métodos para realização do evangelismo nas cidades, tanto 
no âmbito pessoal como público. 
Habilidades 
Saber organizar e liderar grupos de pessoas e mobiliza-las ao evangelismo pessoal 
e público. 
Atitude 
Buscar o Reino de Deus em primeiro lugar e fazer discípulos para Cristo. 
 
 
 
 
 
 
3 OS MÉTODOS PARA EVANGELIZAÇÃO 
 
Ao iniciarmos este estudo convém dizer que o método é o caminho ou a forma 
de realizar algo. Um método evangelístico é uma maneira ou modo de evangelizar. Não 
existe apenas um único método a ser seguido e seria um erro achar que exista um 
método superior a outro. A variedade de método nada tem a ver com a mensagem, ela 
permanece a mesma, inalterada. Não podemos mudar a mensagem para agradar as 
pessoas ou achando que facilitaremos as conversões, que tornaremos o evangelho 
mais palatável mudando sua essência.Isso não deve ser feito de forma alguma. 
 Os métodos podem variar de acordo com a personalidade, habilidades e o jeito 
de ser de cada pessoal. Ninguém é igual, também os dons e talentos não são, assim é 
natural que as pessoas prefiram métodos diferentes de realizar a obra de Deus. Erra o 
líder que insiste que a obra deva ser realizada apenas de uma maneira, achando que 
todos devam se enquadrar naquela forma. Na Bíblia encontramos exemplo de pessoas 
diferentes que foram usadas por Deus de formas diferentes. Mas todos, a sua maneira 
contribuindo com o Reino de Deus. Lembre-se que a mensagem sempre será a mesma 
em qualquer época ou para qualquer pessoa, porém os métodos podem e devem 
variar. 
 
3.1 Método de confrontação 
 
O método da confrontação nada mais é do que o meio pelo qual a pessoa que 
vai evangelizar aborda diretamente uma ou mais pessoas a qual ela não conhece ou 
conhece muito pouco ao ponto de não haver entre elas uma laço de amizade mais forte 
e aproveitando a oportunidade, prega para elas o evangelho. Pode ser uma abordagem 
com os colegas de trabalho, ou um vizinho sem muita proximidade. Nesses casos é o 
evangelista que determina a quem abordará e qual o momento propício para isso. 
Comumente é uma abordagem breve porem completa incluindo a exposição essencial 
do evangelho, e a necessidade de decidir ao lado de Jesus, evitando assim a ruina 
eterna. Este método de evangelização pode ser praticado praticamente em qualquer 
lugar onde se possa ter uma conversa amigável com alguém. Por exemplo: no lar de 
alguém, de porta-em-porta, numa conversa ao celular, em lugares de lazer ou 
entretenimento, como praia, lugares públicos, ônibus, aviões, estacionamentos e 
eventos esportivos etc. 
Pode ser empregado numa pregação ou conferência evangelística. O 
evangelista leva a mensagem de salvação a um grande número de pessoas e em 
seguida apela para uma tomada de decisão. Temos o exemplo na Bíblia do apóstolo 
Pedro em várias ocasiões. Devemos lembrar que Pedro tinha personalidade forte, era 
incisivo em suas atitudes, e essas características contribui para este tipo de método 
evangelístico. 
Por ocasião do Pentecostes, quando a promessa de Jesus se cumpriu acerca do 
derramamento do Espírito Santo (Atos 2.11-12), mesmo diante dos zombadores que 
escarneciam dos apóstolos, Pedro não se intimidou e começou o seu discurso (At 2.14-
41) expondo a mensagem de salvação para os judeus, e no verso 41 diz que naquele dia 
cerca de três mil pessoas se converteram a Cristo. Pedro teve coragem, foi intrépido, 
manifestou disposição e paixão pelos perdidos, Pedro manifestou essas características. 
Deus usou as características da personalidade de Pedro, potencializadas pelo Espírito, 
mesmos sendo uma pessoa imperfeita, para realizar um trabalho incrível e frutífero 
com muitas almas para o Reino de Deus. A promessa de Jesus que faria dele um 
pescador de homens havia se cumprido. Hoje também, existem pessoas que não 
aceitarão o evangelho, a menos que sejam confrontadas com a palavra de Deus, e 
Deus quer usar as pessoas certas para fazer essa obra. 
 
3.2 Método dialético 
O termo dialético é uma referência ao método de filosofar de Sócrates e Platão, 
onde se trava um dialogo entre duas pessoas, com perguntas, raciocínios, argumentos 
com o fim de fazer aflorar a verdade e afastar o falso. Este método pode ser usado 
pelos cristãos, que por meio de argumentos e arrazoamentos levam a outra pessoa a 
raciocinar acerca de certas realidades. A essência desse método é levar a outra 
pessoa a raciocinar e até questionar certas ideias, E por meio de argumentos racionais 
conduz o outro ao conhecimento verdadeiro do evangelho. 
 É um método ótimo para tirar dúvidas. É um meio de fazer com que o outro 
participe do descobrimento da verdade, e não seja apenas um ouvinte passivo, 
recebendo por imposição a verdade. Se observarmos, as pessoas geralmente não 
gostam de pessoas que acham que possui a verdade absoluta, isso parece um tanto 
arrogante, e assim não são bem recebidas. Até porque vivemos em uma época em que 
não se creem mais em verdades absolutas, hoje tudo é relativo. (BARNA, 1988). 
 Este método apela mais para a razão do que para a emoção. Existem pessoas 
assim, bastante racionais e só tomarão uma decisão ao lado de Cristo se forem 
convencidas de que esse é um caminho correto. 
 Com este método diminuem o risco de decisões mais emotivas, precipitadas 
por influência externa de parentes e amigos, por carência ou por fragilizadas geradas 
por problemas pessoais. 
 A sua decisão virá após uma compreensão do significado do evangelho que 
está aceitando. Paulo usou muito este método, mesmo que ele usasse a confrontação, 
o seu método envolvia também uma apresentação lógica e racional da mensagem do 
evangelho, ele era expert em apresentar verdades centrais a respeito de Deus, o 
pecado, o homem e a solução para o problema do homem, haja visto a carta aos 
Romanos. 
 Certa ocasião, Paulo estava em Tessalônica, onde havia uma sinagoga de 
judeus, e foi procurá-los a fim de discutir sobre as Escrituras (At 17.1-4). É interessante 
que a Bíblia diz que este já era um costume de Paulo (v.2), e este “discutir” envolvia 
expor ou defender algum assunto alegando razões, envolvia muito o raciocínio, o 
intelecto. Paulo explicava-lhes porque foi necessário que Cristo padecesse e 
ressurgisse dentre os mortos. (Barna. 1988, p. 162). 
 
Um pouco mais adiante, Paulo encontra-se em Atenas enfurecido por causa da 
idolatria do povo, e não se cala e começa a anunciar as Boas Novas, e por isso foi 
levado ao Areópago, que era um Tribunal Ateniense onde eram realizadas assembleias 
de magistrados, sábios e literatos, e lá pôde falar mais ainda a respeito do seu Deus. 
Paulo usou de muita sabedoria para falar àqueles homens, pois ele partiu do conhecido; 
que eram as várias estátuas de deuses, para o desconhecido, que era uma estátua que 
havia entre as demais a qual Paulo chamou de “o Deus desconhecido”. Paulo falou com 
eles usando cultura e conhecimento do evangelho, e alguns creram e se agregaram a 
ele (At 17.16-34). 
Há pessoas que são resistentes ao evangelho, não aceitam qualquer ideia que 
seja nova para elas. São pessoas que não aceitam respostas fáceis, quadradinhas, 
muitos querem ver a razão em tudo. Diante destas pessoas não há método melhor a ser 
usado que o socrático, pois este envolve o uso de uma argumentação racional, e para 
isto é necessário estar preparado “…para responder a todo aquele que vos pedir razão 
da esperança que há em vós” (1 Pe 3.15). 
 
3.3 Método testemunhal 
Este é o método em que a pessoa evangeliza falando da obra realizada por Deus 
em sua vida, é um testemunho do poder transformador do evangelho. Este método, 
como qualquer outro, exige muito mais do que falar, porque as pessoas vão querer ver 
o que de fato aconteceu, investigarão para ver se é verdade ou não. 
As Escrituras falam a respeito de um cego de nascença que fora curado pelo 
Senhor Jesus (Jo 9), e este teve a oportunidade de testemunhar a respeito deste 
milagre, tanto para seus vizinhos (vv. 8-9) quanto para os fariseus (vv. 31-33), mesmo 
sem conhecer o autor do mesmo. Após conhecê-lo, o que era cego creu no Senhor 
Jesus e O adorou (v. 38). Mesmo a liderança não acreditando, questionando o seu 
testemunho, ele não cessou de falar a verdade ao ponto de ser expulso da sinagoga. 
Nem sempre as pessoas reagirão positivamente ante ao testemunho pessoal, muitos 
rejeitam o evangelho independente do método usado para anunciá-lo. 
Outro exemplo do uso deste método é o testemunho da mulher samaritana (Jo 
4.1-18) que, após compreender quem era Jesus saiu contanto a todos quem havia 
conhecido (Jo 4.39-42); por intermédio do seu testemunho, muitos vieram a crer no 
Senhor. Mesmo sendo uma mulher de má reputação ela não receou em ir até a cidade 
para falar a respeito dequem ela conhecera. É bem possível que tenha acontecido 
alguém tê-la rejeitado, mas muitos foram os que a ouviram. 
A maioria das pessoas tem em mente o método testemunhal para ser usado 
somente por aqueles que possuem um testemunho dramático ou sensacionalista. Na 
realidade basta haver evidências de transformação de vida, para que um testemunho 
seja eficiente, e se algum cristão não consegue ver o que Deus fez e faz em sua vida, 
algum problema há. 
 
3.4 Método assistencial 
É aquele que leva as Boas Novas através de alguma obra de ação social, seja 
abrigando crianças de rua, distribuindo alimentos e roupas aos carentes. Este método 
busca infiltrar o evangelho na comunidade suprindo suas necessidades, tanto físicas 
quanto materiais e espirituais. 
 
 Vemos em Dorcas o exemplo de alguém que praticava este método de 
evangelização, um personagem pouco conhecido, mas que fez muita diferença na vida 
de algumas pessoas. Em Atos 9.36-42, diz que Dorcas era uma mulher notável pelas 
boas obras que praticava, pelos seus atos amorosos; tinha um ministério de assistência 
às viúvas, confeccionava roupas e lhes dava. Nesta passagem fica nítido o amor que os 
beneficiados sentiam por Dorcas, que havia falecido e fora ressuscitada pelo apóstolo 
Pedro, fato este, que tornou-se conhecido por toda Jope. 
 
Geralmente as pessoas que gostam de servir aos demais são as que se 
identificam com este método. Ela tem a sensibilidade de perceber a necessidade dos 
outros e procuram empenhar-se ao máximo para ajudá-los sentem-se realizadas e 
felizes em exercer este ministério, mesmo que não haja o reconhecimento de muitos. 
 
Este é um método que leva tempo até que a pessoa compreenda o evangelho, 
visto que muitos só estão interessados em suprir suas necessidades físicas e materiais. 
As pessoas que se empenham neste método de evangelismo são as que tocam 
naquelas pessoas que ninguém jamais tocaria, são geralmente aquelas consideradas 
“escória da sociedade”. 
 
Certa vez ouvi uma ilustração que contava a história de um menino de rua que 
estava faminto em frente a uma padaria, observando pela janela de vidro os pãezinhos 
que iam saindo. Eis que chegou um senhor e vendo o menino perguntou-lhe se estava 
com fome, ao que este respondeu positivamente. Então, aquele senhor entrou na 
padaria e comprou vários daqueles pãezinhos e os entregou nas mãos do menino que 
olhou para ele e perguntou-lhe: – Moço, o senhor é Deus? Outra história me contou um 
amigo meu que costumava resgatar pessoas alcoólicas das ruas. Após auxiliar um certo 
senhor que estava caído na calçada alcoolizado, levou-o para sua casa, deu um banho 
no cidadão e o alimentou, vestiu e preparou os familiares do mesmo que não mais 
queriam contato com ele, após conversar com os mesmos, eles o receberam. Então o 
homem olhou para este meu amigo e disse: o senhor é Jesus? 
 
Há pessoas famintas não só de pão, mas de Deus, e nós somos instrumentos 
seus para suprir tais necessidades. As pessoas não estão tão interessadas no que 
pensamos ou falamos até estarem sensibilizadas pelo que somos e como nos 
interessamos por elas, elas querem ver Jesus Cristo em nós. 
 
3.5 Método Comportamental 
Como o próprio nome diz, este método de evangelização baseia-se no 
relacionamento entre cristãos e não cristãos. É desenvolvido através da amizade 
sincera e desinteressada do cristão. Consequentemente essa amizade desperta uma 
curiosidade no não-cristão quanto ao modo de viver, padrões, conduta, razões e 
motivações essenciais do estilo vida do cristão. Desta forma, não se corre o risco de 
fazer do não-cristão apenas o projeto evangelístico, é uma oportunidade para investir 
em um relacionamento autêntico de amor e amizade, o que os não-cristãos estão 
sempre a procura. Esse método tem crescido de modo significativo, e o que é melhor, 
tem crescido também a confiança mútua. 
 
Joseph Aldrich, divide o evangelismo comportamental em três fases. A primeira 
fase é a presença, na qual o cristão se aproxima do não-cristão e antes que ele ouça a 
respeito do evangelho ele deve perceber através do modo de vida e do amor 
demonstrado pelo cristão, o evangelho no qual ele supostamente se baseia. A 
segunda fase é a proclamação, e nesta sim, o cristão falará do evangelho para o seu 
amigo. Viver o evangelho não é suficiente para que o não-cristão o compreenda, há 
também a necessidade de falar sobre a essência do evangelho, falar sobre os 
fundamentos ou em que está baseado este diferente estilo de vida. É fundamental, 
portanto, que se fale para o não-cristão as boas notícias de salvação. A terceira fase, 
Aldrich a chama de persuasão. É a fase em que a pessoa é chamada a tomar uma 
decisão por Cristo. 
 
Algumas vantagens deste método é que é um método que não depende de 
muito conhecimento bíblico, visto que o não cristão valoriza mais a pessoa do cristão 
do que o conhecimento dele. O fato de apresentar o evangelho a uma pessoa com a 
qual já exista um laço de amizade facilita a proclamação da mensagem do evangelho. O 
conteúdo do evangelho ganha impacto adicional quando é comunicado com base no 
que se vive, e se a presença do espírito for de fato sentida e positiva, o não-cristão 
perguntará a respeito da razão da sua fé. 
 
O cuidado que se deve tomar com este método de evangelismo é o de não 
acomodar-se a simplesmente viver o evangelho e se calar não buscando 
oportunidades para compartilhar o evangelho. O “deixar que Deus fale aos corações 
dos pecadores” pode-se tornar desculpa para o cristão fugir de sua responsabilidade 
de proclamar as Boas Novas. 
 
 
Conclusão 
Deus escolhe pessoas diferentes para realizar Seus propósitos; “…deleita-se em 
usar pessoas comuns e simples de maneiras surpreendentes e emocionantes”. O 
evangelho deve permanecer puro e inflexível, não importando que mecanismos são 
usados para apresentá-lo aos não-cristãos, porém, o mecanismo que escolhermos 
poderá influenciar na disposição, na capacidade de ouvir, ou até mesmo na 
compreensão da mensagem que está sendo pregada. 
 
O próprio Cristo usou vários métodos para falar das Boas Novas do Reino, 
evangelizou através do Seu testemunho de vida, supriu as necessidades das pessoas, 
pregou para grandes multidões e falou individualmente com as pessoas, contudo, Ele 
diferenciou os métodos que usou para alcançar judeus, samaritanos e romanos, ricos e 
pobres. É preciso avaliarmos o provável sucesso de cada um desses métodos 
baseados no que sabemos a respeito de formas de pensamento, estilos de vida, visões 
e experiências religiosas, bem como das necessidades e interesses pessoais desta 
geração. 
 
O incentivo do apóstolo Paulo aos cristãos é que usem de todos os meios que 
estiverem ao alcance para efetivamente e sem comprometimento da integridade da 
mensagem, apresentem o evangelho aos não-cristãos (Rm 11.13-14; 1 Co 9.19-23). 
 
 Sócrates desenvolveu um método de instrução que tem a propriedade de 
envolver um estudante em um debate lógico que leva a uma conclusão sólida. A chave 
para o método socrático é que o professor tenha domínio sobre a questão que está 
sendo considerada, de modo que ele possa fazer perguntas investigativas, diretivas que 
não manipulem o estudante, antes ajudem a esclarecer a verdade conclusiva que o 
estudante procura. (Barna. 1988, p. 162). 
 
 
 
 
 
 4 
A PRÁTICA NA EVANGELIZAÇÃO 
 
COMPETÊNCIA 
Planejar e elaborar um projeto missionário na sua comunidade. 
 
HABILIDADE 
Ser capaz de executar junto à sua comunidade um projeto 
evangelístico 
 
ATITUDE 
Priorizar o interesse do Reino de Deus acima dos projetos e 
interesses terrenos. 
 
 
CRIANDO UM PROJETO MISSIONÁRIO 
 
 Para cumprir os requisitos de aprovação nessa disciplina é necessário que o 
estudante cumpra as exigências previstas na disciplina, que inclui atividades teóricas e 
práticas. A atividade prática requer que o aluno vá a campo cumprir parte da carga 
horaria e no final da atividade entregar um relatóriofinal, contendo o projeto e os 
relatos de experiências. Este capítulo de um modo mais específico colaborará para que 
o estudante receba as orientações necessárias para que consiga elaborar seu projeto 
missionário e o execute-o com êxito no campo. No anexo A no final do Livro você tem 
um modelo de como estruturar seu projeto. 
 O planejamento é indispensável em qualquer atividade humana e não seria 
diferente com a prática do evangelismo. O próprio Jesus contou uma parábola sobre a 
importância do planejamento. Portanto oferecemos abaixo os passos necessários criar 
um projeto missionário. 
 
Escolher o público alvo 
É importante saber qual será o tipo de público a ser alancado. Pois a depender 
do mesmo se escolherá o método. Obviamente se seu público for infantil isso 
demandará um trato diferenciado. Assim estipule o tipo de pessoas que irá trabalhar. 
Defina se será um público infantil, se sim, até que faixa etária, se serão jovens, adultos, 
idosos, moradores de rua, grupo social, etc. 
 
Escolher o método 
Após definir seu público alvo defina o método. Entre vários, citamos estes 
abaixo: 
1. Grupo familiar (pequeno grupo). 
Na sua casa ou na casa de terceiros. Defina o local. Organize um cronograma de 
todas as tarefas do grupo, como: local das reuniões, ou seja, será na casa de quem? 
Quando iniciar, com data e horário de começo e fim. Como atrairá as pessoas para seu 
grupo, quem participará e se terá pessoas para lhe auxiliar, quem são estas pessoas, e o 
que elas farão. 
2.Visitando lares. 
Caso opte por visitar os lares é importante que vá a dupla. Esse tipo de trabalho 
só deve ser feito de dois em dois como ensinou Jesus. Escolha esta pessoa, de 
preferencia alguém compromissada com o reino. Tenha um plano B, caso aconteça 
alguma coisa, tenha outra pessoa em mira para lhe acompanhar. Selecione com 
antecedência os textos bíblicos que serão lidos na visita. Estabeleça um roteiro, quais 
as ruas, qual o bairro, quantos lares irão visitar naquele dia, qual o dia e a hora. Planeje 
quanto tempo em média irá durará a visita. Não seja prolixo. Não demore demais na 
oração. Tem orações longas que cansam até os anjos. 
O que fará nessa vista? Primeiro tente entrar nos lares, quebre o gelo falando 
sobre algum assunto, procure despertar interesse fazendo alguma pergunta para 
sondar o grau de compromisso que essa pessoa tem com Deus. Exemplo: você se 
considera uma pessoa religiosa? Com que frequência costuma ler a Bíblia? A depender 
da resposta poderá melhor direcionar a sua mensagem e apelo. Revele o objetivo da 
vista com clareza, lei a palavra de Deus, deixe uma mensagem e faça uma oração pela 
família. E passe para a próxima casa. 
 
 3.Estudo bíblico 
 
O estudo bíblico consiste em estudar sistematicamente os principais temas 
bíblicos a fim de levar uma pessoa que não conhece a verdade tal qual ela se apresenta 
em Jesus Cristo possa fazê-lo. O estudo apresentará os rudimentos básicos da fé cristã. 
Estudo bíblico pode ser organizado em uma série de temas essenciais. A ordem 
dos temas é importante. Didaticamente devemos começar com temas mais fáceis e ir 
avançando a medida que o estudante vai se familiarizando com a Bíblia. Uma ordem de 
assuntos que sigam certa lógica ajuda na assimilação da mesma. 
 Veja essa série sugestiva de temas: a Palavra de Deus, Deus, pecado, 
arrependimento, justificação, fé e obras, santificação, conduta e modéstia cristã, juízo, 
vida eterna, adoração, Igreja, batismo, discipulado. O objetivo principal do estudo 
bíblico é tornar o estudante um discípulo de Cristo e não simplesmente levá-lo para 
uma Igreja. Converte-lo é melhor que convencê-lo, embora saibamos que esta é uma 
obra do Espírito devemos fazer com que o estudante entenda esta diferença. 
Uma série de estudos bíblicos podem ter 10, 15 a 20 ou mais lições, a depender 
do modelo adotado. Geralmente o estudo bíblico é feito no formato de um “catecismo” 
com perguntas e indicando a resposta na Bíblia. Ambos (professor e o estudante) 
devem ter uma Bíblia na mão na ora do estudo. Você pode criar sua própria série ou 
pode usar uma pronta, geralmente as Igrejas cristãs disponibilizam essas séries para os 
seus membros usarem no evangelismo. Cada lição deve ter entre 8 a 10 versos bíblicos. 
Não é bom usar muitos para não tornar o estudo cansativo. É melhor que o estudo seja 
curto e interessante, do que longo e enfadonho. Deixe o estudante interessado para as 
próximas lições. O tempo de estudo com o estudante deve girar em torno de 45 
minutos no máximo 1h. Faça um apelo a cada estudo perguntando ao estudante se ele 
está disposto a aceitar na sua vida as verdades aprendidas naquele estudo. 
Use linguagem clara, evite clichês de crentes, fale compassado e com 
naturalidade. 
 
4.Sermões 
 
O sermão é uma forma clássica de evangelizar, Jesus e seus discípulos faziam 
sermões para o povo. Paulo pregou sermões em muitas ocasiões e lugares. Jesus e 
Paulo pregavam nas sinagogas dos judeus. Pedro Pregou no templo em Jerusalém, e 
muitos se converteram, Estevão pregou para uma multidão e foi apedrejado. A história 
mostra diversos pregadores famosos que levaram muitas almas a Cristo. Paulo 
acompanhou tudo e segurava as vestes daqueles que apedrejavam Estevão, depois 
Paulo se converte e se torna o grande evangelizador dos gentios. O testemunho de 
Estevão foi marcante na vida de Paulo. 
Sermões podem ser pregados em qualquer lugar, desde que ajam pessoas 
atentas e dispostas a ouvir. Um ambiente comum são as Igrejas onde já existe um 
público predisposto. Mais um pregador ousado pode até mesmo em uma praça pública 
ganhar a atenção das pessoas que ali trafegam. Depende da intrepidez e dos talentos 
de cada um. 
Existem vários tipos de sermões. O sermão temático assemelhasse a um estudo 
bíblico, mudando apenas a forma de apresentação e a dinâmica do mesmo. Enquanto 
que o sermão é uma exposição do tema seguindo uma série de versículos 
preestabelecidos. O sermão expositivo focasse em um único texto (que pode ter alguns 
versículos) da Bíblia e dali se extrai todas as lições sem precisar ficar passeando entre 
vários livros da bíblia ou versículos. Este último exige maior preparo. 
 
5. Conferência pública 
 
A conferência pública consiste na apresentação pública de vários sermões 
concatenados em uma série, para um grupo de pessoas que foram previamente 
convidadas a participarem da conferência. Exige preparo e a participação de várias 
pessoas auxiliando o conferencista. A conferência pode ser feita em uma Igreja ou um 
local previamente arranjado. É feito divulgação por meio das mídias existente, panfletos 
de casa em casa, faixas publicitaria em alguns lugares da cidade, outdoors, rádio, TV, 
carro de som, etc. Todos os meios lícitos são válidos. É um método que requer maior 
preparação para executá-lo com êxito. Todas as noites o conferencista faz apelos aos 
presentes a fim de que se posicionem ao lado de Cristo e da verdade. O ponto alto da 
conferência deve coincidir com uma cerimônia de batismo, sendo os mesmo 
acrescidos ao rol de membros da Igreja. 
 
6.Internet 
 Não poderíamos deixar de fora a internet. Hoje em dia a internet é 
potencialmente um meio para se evangelizar. Como? Através de um canal do you tube 
você poderá criar um canal evangelístico e divulgar vídeo com mensagens ou mesmo 
sermões, estudos bíblicos, tira dúvidas, etc. Ainda pode criar um blog do tipo blospot 
ou outro gratuitamente ou mesmo criar um site para evangelizar. Muitas pessoas 
podem seres alcançados por meio desse meio. Hoje em dia são muitos ou site e canais 
que possuem essa proposta. Também poderá utilizar o facebook criando FromPage 
dedicadas especificamente a este proposito. 
 
7.Visita a hospitais 
Os hospitais são lugares onde encontramos pessoas em situações limites. 
Geralmente nessas circunstancias o ser humano fica mais sensível às “coisas de Deus”. 
Pois o sofrimento e o medo da morte colocam os mesmos diante de questões 
existenciaispara as quais não se tem resposta. A ameaça da morte, o não-ser, faz o ser 
humano pensar sobre o valor das coisas e a importância da vida que tem levado. Este 
pode ser o momento propício para ouvir o evangelho com atenção. 
A evangelização é permitida nesses lugares e existe legislação que franqueiam a 
entrada de evangelizadores aos pacientes, sejam católicos ou evangélicos. Nessas 
visitas aos leitos evite não interferir na rotina pré-estabelecida pelo hospital. Seja 
discreto. Ode distribuir literatura, orar com os pacientes e ler a Bíblia com eles. Não 
deixe de se identificar na portaria como um evangelizador, do contrario você não 
conseguirá entrar. Se for a primeira vez que for fazer este trabalho procure ir com 
alguém que tenha experiência. 
Legislação que permite a entrada de religiosos em hospitais e preside-os. LEI No 
9.982, De 14 De Julho De 2000. 
 
8.Visitas a presídios 
O número de encarcerados no Brasil é enorme. Pessoas nessas circunstancias 
podem apresentar diversos quadros e estados de espírito. Podem ser até gentis e 
atenciosas, mas também podem manifestar desinteresse, apatia, ou até mesmo má 
educação. De qualquer forma esteja preparado para tudo. Não é um trabalho fácil. 
Porem reconfortante conseguir restaurar pessoas que desceram tão baixo e devolve-
las para a sociedade por meio da palavra de Deus. 
Assim como nos hospitais, os presídios também possuem sua rotina, seus 
horários de visita, suas regras e normas. A vistoria é um momento desagradável, mas 
necessário, é assim que se previnem a entrada de armas, drogas e celulares. 
Recomenda-se que pessoas inexperientes se façam acompanhar por alguém de 
experiência nesse trabalho. 
Legislação que permite a entrada de religiosos em hospitais e preside-os. LEI No. 
9.982, De 14 De Julho De 2000. 
 
 Estes são alguns dos métodos mais comuns, mas o estudante poderá estar 
fazendo uso de outros caso deseje, mas estes são mais comuns e assim o estudante 
tem em mãos referenciais mais do que suficiente para concluir com êxito sua atividade 
de campo. Em seguida ofereceremos orientações gerais que podem ser usado e 
adaptado a qualquer metodologia. 
 
 
Orientações Práticas Gerais Para o Evangelismo 
1. Planeje onde e como irá evangelizar. 
2.Prepare sua mensagem pessoal. Não caia no erro do improviso, nem de adquirir 
sermões “enlatados”, ou seja, sermões que já vem pronto. Selecione as porções da 
Bíblia para a hora de evangelizar. Também prepare histórias de sua própria vida que 
possam servir para fazer com que alguém se torne um cristão. Você pode compartilhar: 
Versículos e histórias prediletas; Versículos importantes; A história de sua fé. 
3.Prepare várias perguntas. Para não ficar apenas em conversas superficiais, faça 
perguntas pertinentes para adentrar os assuntos relativos a fé. Para não ter que 
inventar na hora, tenha uma lista de perguntas em sua mente. Boas questões podem 
incluir: 
Existe vida além da morte? Você acredita numa recompensa para além desta vida, tipo 
paraíso ou inferno? Você se sente pleno ou algo lhe falta para ser feliz? Você tem 
hábitos de orar ou ler a bíblia? 
 
4.Prepare-se 
Prepare-se espiritualmente para essa tarefa diariamente, e em especial no dia 
que for sair para evangelizar. Isso pode ser feito através da oração pessoal. Pode 
parecer difícil falar de questão de fé com as pessoas, mas se surpreenderá com a 
quantidade de pessoas que possuem interesse nesse campo. As pessoas não são tão 
preconceituosas como se imagina, no fundo todos tem um pouco de fé que precisa 
desenvolver. Esteja preparado para encontrar resistências e provas. Mas lembrem-se, 
as ovelhas de Cristo ouvirão a sua voz e reconhecerão. 
5.Conversando 
Na primeira conversa não vá direto ao ponto, fale sobre algo do dia a dia ou que 
seja do interesse da pessoa. Leva algum tempo até a pessoa passar a confiar em você. 
As pesquisas demostram que 90% das pessoas que se convertem e possuem laços de 
amizade com alguém da Igreja, costumam permanecer. Portanto antes de tentar 
evangelizar alguém procure primeiro se tornar amigo desta pessoa. 
6.Faça uma pergunta forte. 
Faça perguntas que leve a pessoa a refletir sobre questões existenciais, como o 
sentido da vida, de onde viemos, quem somos, para onde vamos. Também pode 
elaborar uma pesquisa sobre um assunto interessante que sirva de quebra gelo para 
iniciar a conversa. 
7.Escute e preste atenção. 
Se você falar o tempo todo sem prestar atenção ao que o outro tem a falar, logo 
você perderá esse ouvinte. Caso a pessoa seja muito calada ou tímida faça algumas 
perguntas e assim motive-a a falar. Preste atenção a resposta. Além de demonstrar ao 
outro que você é ouvinte, é preciso prestar atenção ao que o outro diz para aprender a 
responder de maneira precisa e convincente. Escutar atentamente lhe ajudará a 
analisar o interesse do outro e ajudá-lo a se abrir ainda mais. 
8.O testemunho para encorajar a pessoa. 
Conte a ela sua experiência de conversão. Fale sobre como sua vida mudou 
após ter encontrado com Jesus, apresente sua compreensão do cristianismo. Foque nos 
temas mais importantes da fé e da salvação. 
9.Fale sobre temas familiares. Trate sobre um tema familiar, isso fará com que ambos 
entrem em acordo, é melhor do que falar de assuntos polémicos que podem de início 
gerar barreiras e discórdia. 
10.Fale sobre o passo-a-passo da conversão. Eu costumo chamar de iniciação aos 
“rudimentos da fé”. Como uma maneira de dar a um possível convertido uma lista 
concreta de passos que devem ser mantidos em mente na hora de desenvolver a fé. O 
método ABC se divide assim: 
1 Reconheça que você é um pecador e arrependa-se de sues pecados. 
2. Aceite Jesus como seu salvador pessoal, louve-o e bendiga o nome do 
Senhor. que morreu por seus pecados. 
3. Confesse sua fé em Cristo e testemunhe aos outros. 
11.Dando o Próximo Passo 
 Forneça literatura religiosa em especial uma bíblia, para pessoas que deseja 
evangelizar e demostram receptividade. Faça o mesmo em especial para pessoas que 
aceitaram o apelo inicial à conversão. É preciso que elas sejam bem alimentadas na fé. 
Distribua o máximo de material evangelístico possível, como folhetos, livretos, 
revistas, etc. Tudo pelo bem na causa do mestre. 
12.Ofereça orientação espiritual. 
Após o primeiro apelo, caso a pessoa aceite Jesus, ela não nascerá madura no 
reino, ela precisará de tempo para desenvolver sua fé e espiritualidade. Isso não 
ocorrerá da noite para o dia, nem será como um passe de mágica. Qual é o próximo 
passo? Ela precisará de sua orientação e cuidado pelo menos no início da nova fé. 
Ofereça para continuar orientando, caso ela deseje, indique uma igreja onde ela poderá 
congregar e receber mais orientação espiritual, de preferencia a mesma que você 
congrega. 
13. Ore com eles. 
Existem pessoas que nunca oraram na vida ou pelo menos não na frente de outros e 
por isso se sentem apreensivas quanto tiverem que orar na frente de outras pessoas. 
Assim como Jesus ensinou a seus discípulos, ensine com seu exemplo. Faça você 
mesmo às primeiras orações de forma simples, sem muitos rodeios ou rebuscamentos, 
não seja prolixo nas orações, mas objetivo. Quando ela se sentir confortável para isso, 
peça que ela faça a oração. Oriente a mesma na prática da oração, indicando os 
horários mais adequados, frequência e como fazê-lo. 
14 Seja realístico sobre a nova fé. 
Ser realístico é ensinar o que Jesus ensinou, com equilíbrio, sem falsas 
promessas, Jesus não prometeu a ninguém o céu na terra. Ao contrário disse “no 
mundo terreis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Ou seja, tem gente 
pregando um evangelho que não é o de Jesus. Prometem o céu na terra, só apresentam 
o lado maravilhoso da experiência cristã, mas esquecem de falar das provações e 
dificuldades que sobrevém a todos que vivem nesse mundo. Há uma oposição real 
contra os princípios de Cristo no mundo em várias esferas da sociedade, e a Bíbliaensina que o “mundo jaz no maligno”. Portanto com certeza haverá conflito. 
 
Vá devagar com o novo converso, um passo de cada vez, nada muito 
complicado no início, nada de querer fazê-lo entender profecias complexas e temas 
escatológicos. De início ensine aquilo que é o fundamental no evangelho. A história 
básica de Jesus é um bom início, a forma como ele tratava as pessoas, a forma como o 
evangelho muda nossa relação com as pessoas, introduzindo elementos fundamentais 
como o perdão, a reconciliação, o amor para com o próximo, a solidariedade, 
fraternidade e caridade cristã; Esses elementos estão quase que esquecidos. Muitos 
estão mais preocupados com questões de doutrinas porque trabalham na 
especificidade das suas crenças e assim conquistam as pessoas para suas 
denominações e não para o evangelho de Cristo. Primeiro o novo convertido precisa 
aprender a se relacionar com Jesus Cristo e o próximo, depois vem as doutrinas. 
Evangelize pelos motivos corretos. Não use falsos argumentos para convencer alguém, 
a verdade não precisa disso. 
 
15. Pessoas já evangelizadas 
Sobre evangelizar pessoas que já foram evangelizadas e são membros regulares 
de alguma Igreja cristã, não inicie uma discursão polêmica com membros de outras 
denominações. Se a pessoa esta satisfeita com a sua fé porque você iria convencê-la 
que a sua Igreja é a melhor? Vá em busca de pessoas que ainda não aceitaram a Jesus e 
necessitam ser evangelizadas. 
16. Exalar a Cristo sempre 
Não exalte sua Igreja mais do que a Cristo. Existem pessoas tão ou mais 
comprometidas com a denominação do que com Jesus. Cuidado com isso. Embora 
seja importante e necessário fazer parte de uma Igreja Cristã, é pelos méritos de Cristo 
que somos salvos. 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
BARNA, George. Evangelização Eficaz. Campinas, SP: United Press, 1998. 
COLEMAN, Robert E. O Plano Mestre de Evangelismo. São Paulo: Mundo cristão, 1984. 
COMBLIN, José. Pastoral Urbana: o dinamismo na evangelização. Rio de Janeiro: editora 
Vozes, 1999. 
DONDERS, Joseph G. Evangelizar ou colonizar: Experiência africana de Jesus. São 
Paulo: Edições Paulinas. 
HYBELS, Bill, MITTELBERG, Mark, BISPO, Armando. Cristão Contagiante, São Paulo: 
Vida, 1999. 
OVERBECK, Carmita. Ide, Evangelizai. São Paulo: Edições Paulinas, 1996. 
SHEDD, Russell R. Fundamentos Bíblicos da Evangelização. São Paulo: Vida Nova, 
2004. 
 
 
 
SAIBA MAIS 
 
Revivalismo religioso no cristianismo-Maria Cristina Pratis Hernández 
http://www2.pucpr.br/reol/index.php/10CT?dd1=5616&dd99=pdf 
 
Como descobrir e organizar ministérios 
Indicamos a leitura do artigo intitulado “Como descobrir e organizar ministérios” do Pr. 
Derson Lopes Jr – Professor, pastor e consultor. Autor dos livros “Administração da 
Igreja MIssional” e Gerenciamento de Projetos ao Alcance de Todos”. 
Fonte: http://ucb.adventistas.org/missaourbana/2017/04/06/como-descobrir-e-
organizar-um-ministerio/ 
 
VÍDEOS 
http://www2.pucpr.br/reol/index.php/10CT?dd1=5616&dd99=pdf
http://ucb.adventistas.org/missaourbana/2017/04/06/como-descobrir-e-organizar-um-ministerio/
http://ucb.adventistas.org/missaourbana/2017/04/06/como-descobrir-e-organizar-um-ministerio/
 
O melhor método de evangelismo é o testemunho 
VÍDEO 1 - https://www.youtube.com/watch?v=JkG6bk2T1kg 
 
Quatro estágio do evangelismo 
VÍDEO 2 https://www.youtube.com/watch?v=92VRQK6PuZg 
 
Aprenda a evangelizar 
VÍDEO 3 https://www.youtube.com/watch?v=WBry1Ob-7UU 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=JkG6bk2T1kg
https://www.youtube.com/watch?v=92VRQK6PuZg
https://www.youtube.com/watch?v=WBry1Ob-7UU
ANEXO A 
 
[MODELO DE PROJETO] 
O projeto deve possuir os seguintes elementos: 
 
Capa (seguir normas da ABNT) 
Folha De Rosto (seguir normas da ABNT) 
Sumário (seguir normas da ABNT) 
 
1. Identificação 
2. Justificativa 
3. Objetivos 
4. Problema 
5. Questões norteadoras 
6. Referencial Teórico 
7. Metodologia 
8. Cronograma 
9. Referencias 
 
 
 
 
 
 
1 IDENTIFICAÇÃO 
Dados que devem constar na folha de rosto (ver modelo da ABNT). 
1.1 Tema: (Tema e título do seu projeto. Exemplo: 
Tema: Visitação a presidiários. 
Título: “Estive preso e foste me ver”: Alcançando presidiários no preside-o (nome do 
presidio e cidade-estado); 
1.2 Autor(a): (nome do estudante) 
1.3 Orientador: Nome do professor da disciplina de Prática curricular I 
1.4 Instituição: Centro universitário INTA 
1.5 Mês/ ano: Junho de 2018 a Março de 2018. 
 
2 JUSTIFICATIVA 
[Exemplo] 
O presente projeto surge da necessidade de evangelizar aqueles que na perspectiva da 
Palavra de Deus também são alvos do seu amor e interesse, mesmo se encontrando à 
margem da sociedade. Todos pela criação divina são filhos de Deus. Embora, 
espiritualmente falando, apenas os que nascem para o reino de Deus é que de fato são 
seus filhos. 
Evangelizar essas pessoas marginalizadas requer preparo da parte da Igreja e de seus 
líderes porque geralmente são pessoas embrutecidas pelo crime, são agressores e 
vítimas ao mesmo tempo da violência, da desigualdade social, da pobreza e miséria, se 
bem que Deus não inocenta o culpado, devem-se levar em consideração os aspectos 
sociais que contribuíram para introduzi-los na criminalidade. 
Levando em conta o preço valioso de uma alma para Deus, ninguém na sociedade 
deve ficar fora do raio de ação do amor divino, e isso deve levar a Igreja a buscar por 
todos os meios lícitos os perdidos. Pensando na salvação de almas e nos ganhos para 
a própria sociedade ao ter um cidadão nas ruas, em vez de um delinquente, a 
evangelização em presídios é um trabalho altamente valiosos para todos. O trabalho de 
ganhar almas deve ser abrangente e sem acepção de pessoas. 
Também a igreja deve procurar os meios de ressocialização dessas pessoas, ajudando-
o a encontrar um trabalho e readquirindo sua dignidade. 
 
3 OBJETIVOS 
3.1 Geral 
• Apresentar o Plano de Salvação em Cristo Jesus aos detentos do ... (citar o nome do 
presidio), como única solução para o maior problema humano, o pecado e a morte. 
3.2 Específicos 
• Evangelizar todos os detentos (citar os recursos); 
• Fazer orações segundo a necessidade de cada um; 
• Ter momentos de louvor (se possível com instrumentos musicais); 
• Testemunhar do poder libertador que Jesus Cristo; 
• apela para que aceitem jesus como Salvador. 
 
4 PROBLEMATICA 
Durante seu ministério Jesus demostrou interesse pelas pessoas marginalizadas da 
sociedade, tais como enfermos, ladroes, prostitutas, corruptos, assassinos, miseráveis. 
Por que poucas igrejas se interessam por estas pessoas? 
 
5 QUESTÕES PONTUAIS 
• Qual o papel da Igreja na terra? 
• O preconceito social impede a Igreja de evangelizar pessoas marginalizadas 
socialmente? 
• O que explica a inercia de algumas Igrejas em relação a evangelização de pessoas 
marginalizadas? Seria medo de trazer para o convívio da Igreja pessoas indesejadas? 
 
6 REFERENCIAL TEÓRICO 
Fazer pesquisa bibliográfica acerca do tema e fundamentar seu projeto com base na 
Bíblia e nesses autores. 
7. METODOLOGIA 
Explicar como se dará a atividade em nível teórico e prático e qual a bibliografia 
principal a ser utilizada. 
8. CRONOGRAMA 
Com data, dia, mês e atividade a ser realizada. 
9. REFERÊNCIAS 
São as referências bibliográficas utilizadas no projeto, fazer referencia apenas as que 
foram citadas no corpo do trabalho. Citá-las segundo as normas da ABNT (autor, título, 
edição, editora e cidade-Estado e ano).

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