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Etica em Ginecologia e Obstetricia Boyaciyan 5ed

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IV. Tenha postura digna – Apresente-se sempre bem vestido, com 
a barba feita e sapatos limpos. Saiba que é proibido fumar em todas 
as dependências do hospital, ambulatório e consultório. A penali-
dade é prevista em Lei. Não eleve a voz quando estiver nervoso, é 
falta de educação e revela a sua insegurança. Saiba respeitar todos 
os integrantes da equipe de saúde. Respeite para ser respeitado.
V. Respeite a hierarquia – Obedeça para saber mandar. Aprenda 
com o mais experiente e ensine ao mais jovem. Seja rigoroso consi-
go próprio.
VI. Seja assíduo e pontual – Pontualidade em cirurgia é chegar 
antes da hora marcada, examinar o doente e fazer os preparativos 
para a operação iniciar na hora marcada. Seja disciplinado.
VII. Não se ausente do plantão – Não saia antes que o colega que o 
substituirá chegue. Use uma agenda e anote os casos graves, óbitos 
e reclamações (poderá ser útil no futuro). Ausência no plantão é 
enquadrada como omissão de socorro.
VIII. Atenda imediatamente – Quando chamado, não relute: vá 
atender o doente imediatamente. Atrasar o atendimento é erro 
crasso, enquadrado como omissão de socorro.
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IX. Registre todo o procedimento – Faça a observação médica, 
não deixe para depois. Registre “o que e por que foi feito”. O Có-
digo do Consumidor facilita reclamações contra o trabalho do mé-
dico. Para o Juiz e para o CRM, o que não estiver escrito não foi 
feito. Escrever é sua garantia.
X. Respeite a instituição – Residência Médica é a melhor maneira 
de se preparar para o exercício profissional. Lembre-se de que você 
está na instituição por opção própria. Respeite-a ou demita-se.
Referências
 1. Brasil. Lei Federal nº 6.932, de 07 de julho de 1981. Dispõe sobre as atividades do mé-
dico residente e dá outras providências. Diário Oficial da União 9 jul. 1981: 12789.
 2. Conselho Regional de Medicina do Estado do Mato Grosso do Sul. Parecer Con-
sulta nº 27/2008. Plantão médico, gestação de alto risco, atendimento eletivo. Apro-
vado em 24.04.2009.
 3. Cartilha do Cremesp orienta residentes sobre assédio moral. Jornal do Cremesp. 
2017 mar; Jovem Médico: 13.
 4. Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior. Comissão Nacio-
nal de Residência Médica. Resolução nº 2, de 7 de julho de 2005. Dispõe sobre a es-
trutura, organização e funcionamento da Comissão Nacional de Residência Médi-
ca. Diário Oficial da União 14 jul. 2005. Seção 1:59-61. [acessado em: 28 jun. 2018]. 
Disponível em: http://www.cremesp.org.br/library/modulos/legislacao/versao_im-
pressao.php?id=6836
 5. Brasil. Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957. Dispõe sobre os Conselhos de Me-
dicina, e dá outras providências. Diário Oficial da União. 1957 out. 04. [Acesso em 
16 jul. 2018. Disponível em http://www.cremesp.org.br/library/modulos/legislacao/
versao_impressao.php?id=11204.
 6. Brasil. Conselho Federal de Medicina. Resolução nº 1.931 de 17 de setembro de 
2009. Aprova o Código de Ética Médica. [acesso em 20 mai 2018]. Disponível em: 
https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2009/1931
 7. Timi JRR. Limites da responsabilidade ética e legal do médico residente. In: A in-
fluência do direito no exercício da medicina. São Paulo: Revinter; 2004: 47-48.
 8. França GV. Direito Médico. 10 ed. São Paulo: Revinter; 2010.
 9. Kesselheim AS, Austad KE. Residents: workers or students in the eyes of the law? N 
Engl J Med 2011; 364(8): 697-9
 10. Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior. Comissão Nacio-
nal de Residência Médica. Resolução nº 2, de 17 de maio de 2006. Dispõe sobre 
requisitos mínimos dos Programas de Residência Médica e dá outras providên-
cias. Diário Oficial da União. 2006 maio 19. [Acesso em 28 jun. 2018]. Disponí-
vel em http://www.cremesp.org.br/library/modulos/legislacao/versao_impressao.
php?id=6475
 11. Moraes IN. Responsabilidade do médico residente. In: Erro Médico e a Justiça. 5 
ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais; 2003: 571-4.
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2.3
A responsabilidade do médico 
em cargos de direção 
As instituições que prestam assistência à saúde, de natureza pública ou privada, apresentam estrutura organizacional com diversos ór-gãos diretivos, e o médico pode assumir diferentes cargos de dire-
ção. Nessas estruturas, destacam-se os cargos de Diretor Clínico e Diretor 
Técnico. O Diretor Clínico, escolhido pelos médicos do corpo clínico, repre-
senta a ligação entre os médicos e a administração da instituição. O Diretor 
Técnico, por sua vez, é escolhido pela administração, e é o responsável pela 
garantia das condições técnicas de atendimento na instituição, respondendo 
perante aos Conselhos Regionais de Medicina, às autoridades sanitárias, ao 
Ministério Público, ao Judiciário e às demais competências.
As atribuições dos profissionais que assumem cargos de direção são di-
versificadas e demandam grande responsabilidade, uma vez que, primor-
dialmente, devem zelar pela prestação da assistência médica na instituição. 
Segundo o artigo 19 do Código de Ética Médica,1 o médico investido em car-
go ou função de direção não pode deixar de assegurar os direitos dos médi-
cos e as demais condições adequadas para o desempenho ético-profissional 
da Medicina.
As normas sobre a responsabilidade, as atribuições e os direitos de dire-
tores técnicos e clínicos e de chefias de serviço estão estabelecidas na Reso-
lução do CFM nº 2.147/2016.2 O artigo 1º da referida resolução dispõe que a 
prestação de assistência médica e a garantia das condições técnicas de aten-
dimento nas instituições públicas ou privadas são de responsabilidade do di-
retor técnico e do diretor clínico, que, no âmbito de suas respectivas atribui-
ções, responderão ao Conselho Regional de Medicina.
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Os cargos de Diretor Clínico e Diretor Técnico podem ser acumulados 
pelo mesmo médico (Art. 8º, Resolução CFM nº 2.147/2016),2 na mesma ins-
tituição, desde que o corpo clínico tenha menos de trinta médicos. Entretan-
to, tendo em vista que o profissional pode exercer seu trabalho em empresas 
ou instituições distintas, é permitido a ele assumir a responsabilidade de Di-
retor Técnico ou Diretor Clínico em no máximo duas instituições prestado-
ras de serviços médicos, sejam elas públicas ou privadas – mesmo quando se 
tratarem de filiais, subsidiárias ou sucursais da mesma entidade.2 O exercício 
da direção técnica em mais de dois estabelecimentos assistenciais será per-
mitido quando preencher os requisitos da Resolução CFM nº 2.127/2015.3 
Para o desempenho do cargo ou função de Diretor Clínico ou Diretor 
Técnico de serviços assistenciais especializados, é necessário ter a titulação na 
especialidade médica correspondente, devidamente registrada no Conselho 
Regional. Nos estabelecimentos assistenciais médicos não especializados, basta 
a graduação em Medicina para assumir a direção técnica ou direção clínica.2
diretor Clínico
O Diretor Clínico é o médico de confiança do corpo clínico,4 represen-
tando-o perante o corpo diretivo da instituição. Em linhas gerais, ele é o res-
ponsável pela assistência, coordenação e supervisão dos serviços médicos da 
instituição, e é obrigatoriamente eleito pelo corpo clínico. Esse profissional 
tem como dever comunicar ao Diretor Técnico quanto às condições de fun-
cionamento dos equipamentos, bem como sobre questões de abastecimento 
de medicamentos, para que as providências cabíveis sejam tomadas. Ele deve 
também zelar pelo cumprimento do regimento interno da instituição, incen-
tivar a melhor prática da Medicina (estimulando a criação e organização de 
centros de estudos), e assegurar aos médicos estagiários e residentes condi-
ções de exercer suas atividades com meios de aprendizagem adequados e su-
pervisionados.
As competências do Diretor Clínico, conforme estabelece a Resolução 
CFM nº 2.147/2016,2 incluem ainda: garantir que o médico assistente realize ao 
menos uma evolução diária do