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Teorias que contribuíram para a renovação da pratica educativa 
3.1 A Teoria de Jean Piaget
A teoria de Jean Piaget é chamada por ele de Epistemologia Genética ou Teoria Psicogenética, mais conhecida como concepção construtivista da inteligência, ou apenas construtivismo. 
Para Piaget, o conhecimento construído pelo homem é resultado do seu esforço de compreender e dar significado ao mundo. Nessa tentativa de interação e compreensão do meio, o homem desenvolve equipamentos neurológicos herdados que facilitam o funcionamento intelectual.
Jean Piaget, por meio de seus estudos na área da biologia concluiu que o desenvolvimento biológico é um processo de adaptação ao meio em que vive o indivíduo, que depende da sua maturação tanto quanto das condições desse meio. O cientista leva esta concepção para estudos sobre o desenvolvimento humano, especialmente o cognitivo.
"Especialmente orientada para descrever e identificar os modos ou as formas de conhecer e pensar que emergem ao longo da octogênese humana, a teoria de Piaget dirige-se também para aspectos do desenvolvimento moral, linguístico e afetivo, concebendo-os sempre em estreita ligação com o desenvolvimento cognitivo " (VIEIRA; LINO, 2007, p. 199).
As ideias de Jean Piaget vêm entrando nas escolas sob o nome de construtivismo e muita gente associa o termo apenas à psicologia argentina Emília Ferreiro. O impacto mais forte recebido pela escola básica neste século não partiu de um educador, foi obra de um psicólogo, suíço Jean Piaget, o mesmo dedicou a vida a estudar as engrenagens da inteligência, do nascimento á maturidade do ser humano. Decifrou sucessivos degraus na evolução do raciocínio, não empregou as descobertas para propor novos métodos de ensino, mas batalhou pela educação em organismos internacionais e não fugiu de tomar partido em disputas pedagógicas, suas pesquisas tiveram efeitos profundos no processo da educação. Já nos anos 1920, deram aval teórico a pedagogos inovadores, hoje sua obra continua viva. É a matriz do construtivismo, linha educativa em expansão no Brasil.
3.2 As Teorias de Lev Vygotsky
A teoria de Vygotsky oferece uma nova racionalidade, a partir da qual é possível entender-se o desenvolvimento interno da aprendizagem e do conhecimento. A conclusão de que uma atividade que hoje a criança somente consegue fazer com o auxílio de outra pessoa, mas que pode vir a fazer sozinha amanhã recoloca a relação erro/acerto numa outra perspectiva: a de que o ato de errar não deve ser encarado como incapacidade, mas como indicador de que certos conhecimentos precisam ser estimulados.A importância da cultura, da linguagem e das relações sociais na teoria de Vygotsky fornece a base para uma educação na qual o homem seja visto na sua totalidade: na multiplicidade de suas relações com outros, na sua especificidade cultural; na sua dimensão histórica, ou seja, em processo de construção e reconstrução permanente.
De acordo com a teoria sócio-histórico-cultural de Vygotsky, a origem das mudanças que ocorrem no ser humanos, ao longo do seu desenvolvimento, está associada as interações que ocorrem entre o individuo e a sociedade, sua cultura e história de vida, além das oportunidades e situações de aprendizagem que resultaram neste desenvolvimento durante toda a sua existência, considerando a influência das várias representações de signo, uso de diferentes instrumentos, e influência da cultura e história, propiciando o desenvolvimento das funções mentais superiores.
3.3 As teorias de Henri Wallon 
Para Wallon, o organismo é a condição primeira do pensamento, visto que toda função psíquica supõe um componente orgânico e que o objeto da ação mental vem do ambiente em que o sujeito está inserido. Dessa forma, o sujeito é determinado fisiológica e socialmente, ou seja, é resultado tanto das disposições internas quanto das situações exteriores.
 Wallon procurou entender a pessoa completa, integrada ao meio em que está imersa, com os seus aspectos afetivos, cognitivos e motores também integrados. Seus estudos sobre a origem da pessoa na sua totalidade, enquanto ser biológico, afetivo, social e intelectual, ele os denominou de Psicogênese. Em seus estudos sobre o desenvolvimento humano, considera o sujeito como "geneticamente social". Para esse autor, o desenvolvimento inicia-se na relação do organismo do bebê recém-nascido com o meio humano. A partir das reações das pessoas aos seus reflexos e movimentos impulsivos, a criança passa a atuar no ambiente humano, desenvolvendo aquilo que Wallon denomina motricidade expressiva, ou dimensão afetiva do movimento.
3.4 As teorias de Emília Ferreiro
Emilia Ferreiro, psicóloga e pesquisadora argentina, radicada no México, fez seu doutorado na Universidade de Genebra, sob a orientação de Jean Piaget. Autora de várias obras, muitas traduzidas e publicadas em português, já esteve algumas vezes no país, participando de congressos e seminários.Falar de alfabetização, sem abordar pelo menos alguns aspectos da obra de Emilia Ferreiro, é praticamente impossível.
 De acordo com Mello (2007) possível considerar que certamente Emília Ferreiro lançou o olhar construtivista para a alfabetização, visto que essa linha é caracterizada por defender que o conhecimento se constrói pelo indivíduo, a partir de suas experiências. Dessa maneira, a criança se apropria da língua escrita a partir de seus próprios recursos. Ou seja, o conhecimento não é trazido pelo professor de maneira linear e autoritária, mas sim elaborado em um processo que situa o indivíduo como protagonista de seus saberes. Todo esse referencial foi bastante inovador, ao surgir em contraste com a tendência formalista, em que o ensino se caracterizava-se por seu aspecto rígido, centrado na figura do professor.
No período considerado, essas ideias se popularizaram rapidamente, vez que os métodos tradicionais na década de 1980 vinham sendo associados a índices bastante desfavoráveis no que se refere à alfabetização, tendo refletido em um alto número de reprovações no primeiro ano escolar. Nesse contexto, Moreira (2014) aponta que a abordagem e os estudos de Emilia Ferreiro se mostraram impactantes no período, inclusive acarretando modificações aos parâmetros curriculares nacionais, com a adoção do Ciclo Básico de Alfabetização.
 Em termos práticos, os conceitos propostos em “Psicogênese da Língua Escrita” sugerem que a intermediação do educador no processo de alfabetização pelo aluno deve estar focada no oferecimento de um ambiente rico e propício ao letramento, em que haja um contato favorável com a leitura e a escrita.

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