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ALDEÍDOS E CETONAS Bibliografia 1- Solomons T. W. Grahan. Química Orgânica, v.2. Livros técnicos e científicos Ed. S.A 2- Vollhardt, K. P. C. Química Orgânica – estrutura e função. Bookman Editora. 3- Costa, P. e outros; Série Química Orgânica – substâncias carboniladas e derivados. Artmed Editora. O átomo de carbono do grupo carbonílico tem hibridização sp2; Ângulos das ligações de ~120° - Estrutura plana triangular; A ligação dupla C=O consiste em 2 elétrons em uma ligação p e 2 elétrons em uma ligação s. O par de elétrons na ligação p ocupa ambos os lobos (acima e abaixo do plano das ligações s). Grupo Carbonílico Pares de életrons O oxigênio (mais eletronegativo) atrai fortemente os elétrons de ambas as ligações s e p, fazendo com que o grupo carbonílico seja altamente polarizado. O átomo de carbono carrega uma carga parcial positiva substancial e o átomo de oxigênio carrega uma carga parcial negativa substancial. A polarização da ligação p pode ser representada pelas estruturas de ressonância. A carbonila como híbrido de ressonância Vetor momento de dipolo Cargas parciais da carbonila No sistema IUPAC, os aldeídos são nomeados substitutivamente, trocando-se o final -o do nome do alcano correspondente por -al. Uma vez que o grupo aldeído está no final da cadeia carbônica, não há necessidade de indicar sua posição. Quando outros substituintes estão presentes, entretanto, dá-se ao C do grupo carbonílico a posição 1. Os aldeídos, cujo grupo –CHO é ligado a um sistema cíclico, são nomeados substitutivamente adicionando-se o sufixo carbaldeído. Nomenclatura dos aldeídos • As cetonas são denominadas substitutivamente trocando- se o final -o do nome do alcano correspondente por –ona. A cadeia carbônica é numerada de modo que o átomo de C da carbonila tenha o menor número possível, este numero é utilizado para designar sua posição. • Nomes comuns para cetonas são obtidos nomeando-se separadamente os dois grupos ligados ao grupo carbonílico, adicionando-se a palavra cetona como uma palavra separada. Nomenclatura das cetonas Propriedades físicas de aldeídos e cetonas • Aldeídos e cetonas simples são líquidos a temperatura ambiente e apresentam pontos de ebulição (p.e) intermediários entre os hidrocarbonetos e álcoois de massas moleculares (MM) semelhantes. • A polarização do grupo C=O cria atrações dipolo-dipolo permanentes entre as moléculas de aldeído e cetonas. • Não podem formar ligações de hidrogênio entre sí; •Aldeídos e cetonas até 4C são solúveis em compostos hidroxilados polares, como os álcoois; •Solubilidade decresce com o aumento da cadeia hidrocarbônica, os homólogos superiores são de caráter hidrofóbico. Solubilidade Empregados como solventes e reagentes para síntese de outros produtos. • Formol usado na industria de plástico e resinas - Baquelite, colas uréia-formaldeído; • Acetona – solvente industrial - dissolve uma grande variedade de produtos orgânicos, é de baixa toxicidade e facilmente removida por destilação. Fontes e usos de aldeídos e cetonas a) Oxidação de Álcoois a1) Introdução: Oxidação em Química Orgânica Um processo que adiciona átomos eletronegativos tais como halogênio ou oxigênio, ou remove hidrogênio, constitui uma oxidação. Redução em Química Orgânica A remoção de um halogênio ou de um oxigênio ou a adição de um hidrogênio é definida como redução. CH4 (O) CH3OH -H2 H2C O (O) HC OH O (O) CO2 R R O +H2 R R H O H Síntese de aldeídos e cetonas A Redução de ésteres, cloreto de acila e nitrilas a aldeído • Cloretos de acila podem ser reduzidos a aldeídos, tratando- os com hidreto de tri-terc-butoxialumínio e lítio; • A redução é provocada pela transferência de um íon hidreto do átomo de alumínio para o carbono do cloreto de acila, uma hidrólise posterior reduz o alumínio. O C ClH3C C O CH3 + benzeno cloreto de acila acetofenona 95% AlCl3 Acilação de Friedel-Crafts Reatividade do grupo carbonila À medida que a reação acontece, há uma transformação de uma geometria plana triangular e hibridização sp2 em uma geometria tetraédrica e hibridização sp3. Reações de equilíbrio, e portanto reversíveis. Os aldeídos são mais reativos em adições nucleofílicas do que as cetonas (fatores estéricos e fatores eletrônicos). A adição nucleofílica à ligação C=O pode ocorrer através de dois modos gerais. Adição Nucleofílica à ligação Carbono-Oxigênio Modo 1: Quando o reagente é um nucleófilo forte Na primeira etapa, o nucleófilo forma uma ligação com o carbono da carbonila doando um par de elétrons. Um par de elétrons se desloca para o oxigênio. Na segunda etapa, o oxigênio do alcóxido, por ser fortemente básico, remove um próton de H-Nu ou de outro ácido. Como os reagentes são bases fortes, sua reação de adição é reversível. Na primeira etapa, um par de elétrons do oxigênio da carbonila aceita um próton do ácido (ou se associa com um ácido de Lewis), produzindo um cátion oxônio. O carbono de um cátion oxônio é mais suscetível ao ataque nucleofílico do que a carbonila da cetona inicial. Na segunda etapa, o cátion oxônio admite o par de elétrons do nucleófilo. A base remove um próton do átomo carregado positivamente, regenerando o ácido. Modo 2: Mecanismo catalisado por ácido Quando compostos carbonílicos são tratados com ácidos fortes na presença de nucleófilos fracos; Formação de hemiacetais e acetais • Os álcoois se adicionam ao grupo carbonila, e os produtos são chamados de hemiacetais (hemi do grego metade); • As características estruturais essenciais de um hemiacetal são um grupo OH e um grupo O—R ligado ao mesmo átomo de carbono; • Ácidos e bases catalisam o processo; • Os hemiacetais normalmente não são isolados, mas podem ser, quando a ciclização leva a formação de anéis de cinco ou seis membros; • Os hemiacetais são intermediários na formação de acetais. Adição de álcool: Formação de hemiacetal Adição de álcool: Formação de hemiacetal • Os acetais possuem dois grupos OR ligados ao mesmo átomo de carbono; • São obtidos na presença de excesso de álcool e catalisado por ácido. Nestas condições, a função hidróxi do hemiacetal é substituída por outro grupo alcóxi derivado do álcool; • Todas as etapas de formação de um acetal a partir de um aldeído são reversíveis. Adição de álcool: Formação de acetal Adição de álcool: Formação de acetal Adição de álcool: Formação de acetal As duas etapas são reversíveis. A sequência inteira→começa com o composto carbonilado e termina com o acetal→ processo em equilíbrio. Na presença de um catalisador ácido: o equilíbrio pode ser deslocado nas duas direções: para o acetal, com excesso de álcool ou remoção de água, e para o aldeído ou cetona, com água em excesso. O processo é chamado de hidrólise de acetal. Ao contrário dos hidratos de hemiacetais, os acetais podem ser isolados como substâncias puras por neutralização do catalisador ácido usado em sua formação. Na ausência de ácido, a reversão da formação do acetal não pode ocorrer, o que faz com que os acetais possam ser separados e usados em síntese. Adição de álcool: Formação de acetal • Na conversão de um aldeído ou cetona a acetal, a carbonila se transforma em um diéter relativamente pouco reativo; • Como a transformação em acetal é reversível, este processo protege o grupo carbonila; • Esse tipo de proteção é necessário quando se pretende fazer reações seletivas (por exemplo com nucleófilos) em outra função da molécula e não deseja atacar um grupo carbonila desprotegido da mesma molécula. Ex: Acetais como grupos protetores Acetais como grupos protetores acetal Aldeídos e cetonas podem ser protegidos por conversão a grupos cetal ou acetal Acetais como grupos protetores Adição nucleofílica da amônia e seus derivados •A amônia e as aminas primárias formam iminas; •Os produtos de adição de aminas e seus derivados perdem água para dar dois novos derivados do grupocarbonila, as iminas e as enaminas; •Em contato com aminas, os aldeídos e cetonas formam hemiaminas, os análogos nitrogenados dos hemiacetais; •As hemiaminas de aminas primárias perdem água facilmente para formar uma dupla ligação carbono-nitrogênio, essa função, chamada de imina (base de Schiff) é o análogo nitrogenado do grupo carbonila. Adição nucleofílica da amônia e seus derivados Adição nucleofílica da amônia e seus derivados • A condensação de aminas só são possíveis para derivados primários, porque o nitrogênio da amina tem que prover os dois hidrogênios necessários para formar água; • No entanto, as reações com aminas secundárias seguem um curso diferente: depois da adição inicial, a água é eliminada pela desprotonação do carbono para dar uma enamina; • Este grupo funcional incorpora a função eno do grupo dos alquenos e o grupo amino das aminas. Adição nucleofílica da amônia e seus derivados Exercício 1. Faça o mecanismo da reação abaixo: Reações com ácido cianídrico • O ácido cianídrico é adicionado aos grupos carbonila dos aldeídos e da maioria das cetonas para formar compostos denominados cianoidrinas; • As cetonas fortemente impedidas não experimentam esta reação; • O HCN é um nucleófilo fraco, assim, qualquer base que possa gerar íons cianeto a partir de HCN, aumenta a taxa de reação; • O íon cianeto, sendo um nucleófilo forte, ataca o átomo de carbono da carbonila mais rapidamente que o HCN, sendo esta a fonte de seu efeito catalítico. Cianoidrina em solução é instável, por isso é um bom grupo protetor HCN é um gás tóxico por isso usa-se (NaCN + HCl HCN) Reações com ácido cianídrico C O H H + CH3CH2CH2CH2 MgBr CH3CH2CH2CH2CH2O MgBr H3O + CH3CH2CH2CH2CH2OHformaldeído Brometo de butilmagnáesio 1º ROH 1-pentanol Íon alcóxido 2º ROH 3º ROH Reagentes de Grignard Adição de Reagentes Organometálicos Exemplos da Adição de compostos de Grignard a carbonila Reação de Witting: Adição de Ilídeos • A reação de Witting forma ligação dupla carbono-carbono. •Um outro reagente útil em adições nucleofílicas tem um carbânion estabilizado por um átomo de fósforo com carga positiva. Esta espécie chamada de ilídeo de fósforo. Ataca aldeídos e cetonas, para formar alquenos; • Os ilídeos de fósforo são preparados a partir de halo- alcanos. Reação de Witting: Adição de Ilídeos • A carga positiva do átomo de fósforo torna ácido o próton vizinho. Na segunda etapa, ocorre a desprotonação por bases para dar ilídeos, os quais podem ser isolados, porém normalmente são gerados em solução e tratados imediatamente com outros reagentes. Reação de Witting: Adição de Ilídeos Qualquer ou todos os grupo R podem ser hidrogênios, embora os resultados sejam melhores quando pelo menos um dos grupos é o hidrogênio. O haleto deve ser primário, secundário ou haleto de metila. Acidez dos hidrogênios α Acidez dos hidrogênios α Íon enolato Um enol Composto carbonilado Composto carbonilado substítuído em alfa C C H :O: α E+ E+ C C O E C C : :O:- C C : :OH Reação de substituição α-carbonila Exemplo: Bromação da acetona via catálise ácida H—Br C CH3 :O: H3C + Br- C + C :O H3C H H H H :Base C :O H3C . . H C H H Br—Br Enol C :O H3C + H C H H Br :Base C . . : O H3C H C H H Br + C CH2Br :O: H3C + HBr FIM