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ARTE E MUSICALIZAÇÃO APLICADAS À EDUCAÇÃO

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Há uma ligação inata do ser humano com a arte, forma de expressar-se por meio 
de instrumentos e técnicas que ultrapassem a mera constatação da realidade. 
Por isso, podemos voltar à origem do nome Arte para estabelecermos uma pro-
posta de significação para esse conceito, sua origem é latina e vem do vocábulo 
Ars que significa técnica, habilidade, capacidade de fazer algo, que, com o passar 
do tempo, foi associada à produção de objetos com certa beleza e/ou utilidade.
Diante dessa origem, é fácil entendermos que o significado de Arte tem a 
ver com a necessidade do ser humano de se expressar por meio de uma técnica, 
habilidade que represente seu gosto, um conceito de beleza, uma crítica social, 
política, religiosa etc.
Claro que o conceito de beleza de uma obra pode ser questionado, até por-
que é um conceito sazonal, mas a necessidade de conceber o mundo, mudá-lo, 
recriá-lo é inquestionável, e é aí que entendemos a arte como uma fonte de liber-
dade e exploração que o homem se possibilita. Segundo Fischer (1981, p. 20), 
“a arte é necessária para que o homem se torne capaz de conhecer e mudar o 
mundo. Mas a arte também é necessária em virtude da magia que lhe é inerente”.
Ao entendermos Arte, segundo o autor supracitado, como “conhecimento e 
mudança do mundo” e “magia”, relacionamos ela, na Educação Infantil e Ensino 
Fundamental, não restrita às características que identificam como obra de arte 
ou as características da natureza da arte, mas sim uma maneira de expressar, 
dominar, transformar o mundo real pela ótica do inexplorado, da técnica, de 
um conceito, de seu contexto histórico, de uma razão e uma irracionalidade.
Uma obra de arte é um artefato de um certo tipo criado para ser apresenta-
do a um público do mundo da arte (Dickie 1984, p.80).
ARTE: O QUE É?
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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ARTE VERSUS ARTE
Uma pergunta sempre nos sonda quando estamos estudando Arte: tudo pode 
ser Arte? Em um primeiro momento, dizemos rapidamente que não, nem tudo 
pode ser arte, mas, depois, pensamos em Marcel Duchamp (1887 – 1968) apre-
sentando uma roda de bicicleta em cima de um banco e um urinol de porcelana 
em uma exposição de arte. 
Figura 3 - Roda de bicicleta
 
Fonte: Bicycle… (on-line).
A resposta que parecia tão clara e certa já começa a ser repensada, e partimos 
para o outro extremo: sim, tudo pode ser arte.
É notório que a arte contemporânea mexeu com conceitos clássicos e já esta-
belecidos, embora tudo possa ser tema ou tratado pela arte, nem toda produção 
e/ou transformação da matéria será arte. Segundo Freire (1961, p. 34) “fala-se 
do componente conceitual definitivo nas produções artísticas contemporâneas”, 
isto é, para ser arte, é necessário que ela construa ou carregue um conceito de 
produção e representatividade.
Dessa maneira, muitas vezes a Arte Conceitual opera uma análise crí-
tica das condições sociais e epistemológicas da prática visual ao revelar 
a dinâmica dos circuitos ideológicos e institucionais de legitimação da 
arte (FREIRE, 1961, p. 36).
Arte Versus Arte
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A arte moderna apresentou uma quebra de paradigmas em relação ao que era 
chamado de arte. Assim, essa mudança trouxe a ideia de uma arte conceitual que 
estabelece uma conexão direta entre a criação do artista e seu conceito/princí-
pio com a interação/participação do público com sua obra, tendo, com isso, um 
sentido produzido pelo artista e outro pelo público, há uma interação que não 
corresponde à visão clássica de obra de arte.
Dessa forma, podemos pensar que, como a sociedade, a arte está em constante 
transformação, da mesma forma que novos materiais e técnicas foram criadas 
ao longo da história da humanidade e isso foi utilizado nas produções artísticas, 
podemos entender que toda revolução tecnológica do século XXI - as questões 
ambientais, raciais, étnicas - ocasionam mudanças no conceito e na forma de 
entender a arte.
Um sistema do mundo da arte é um enquadramento para a apresentação de 
uma obra de arte por um artista a um público do mundo da arte. 
(Dickie)
A 29ª Bienal de Arte de São Paulo, em 2010, causou muita polêmica no uni-
verso artístico e ambiental, pois o artista Nuno Ramos criou a obra “Bandeira 
branca” a qual tinha três urubus vivos dentro de um cercado. A obra causou 
estranheza e muita discussão, um exemplo disso foi a invasão de pichadores 
que tentaram cortar a grade que cercava os urubus e escreveram “liberte os 
Ububu” na obra.
Fonte: adaptado de Bandeira… (on-line).1
ARTE: O QUE É?
Reprodução proibida. A
rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
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A arte expressa a experiência humana em sua diversidade de sentidos e refle-
xões, utilizando-se dos mais variados materiais, técnicas e lugares para provocar 
e/ou expor o público a um contato com sua obra, sendo assim, a sua obra é fruto 
de sua criatividade.
[...] a específica criatividade artística - tal como se manifesta nas for-
mas de arte por mais exclusivas, aristocráticas ou burguesas que sejam, 
ou simplesmente individualistas - é a mesma criatividade que rege em 
geral a produção cultural, seja ela qual for, e exprime mais uma vez 
as características específicas da adaptação humana, as suas específicas 
capacidades ilimitadas de escolha em condições intelectuais, sob uma 
legalidade bastante geral, e portanto capaz de se especificar das manei-
ras mais diversas e oportunas (GARRONI, 1992, p. 350).
A pluralidade da arte é marcante, não existe uma melhor do que a outra, mas 
sim concepções e estilos que marcam uma época, um princípio estético, uma 
tendência que são fundamentais para a construção da história da arte e todo seu 
desenvolvimento, demonstrando a evolução artística e humana.
A pintura não é melhor do que a música, a música não é melhor do que o 
teatro, o teatro não é melhor do que a dança, a dança não é melhor do que a 
escultura, ou seja, as manifestações artísticas carregam suas particularidades e 
concepções dentro de um contexto histórico, social e político.
Não podemos comparar uma obra com a outra? Não podemos comprar as 
diferentes formas de arte? Sim, podemos, mas também devemos ter a consciên-
cia e capacidade de apreciar os elementos que compõem essas obras e a natureza 
contextual dessa arte, isto é, não tratar os objetos comparados como coisas iguais 
e de forma descontextualizadas e sim propor um panorama que aprecie as pecu-
liaridades de cada obra e seus contextos de produção.
Arte na Escola e o Plano Curricular Nacional
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ARTE NA ESCOLA E O PLANO CURRICULAR 
NACIONAL
A necessidade de arte para o ser humano é notória, você concorda com isso? 
Nunca pensou nisso?
Para começarmos, vamos fazer uma brincadeira de imaginar… Iniciemos 
imaginando um mundo sem nenhuma música. Estranho, não é? Imagine entrar 
no seu carro e não ter um rádio tocando música, ligar seu smartphone e ele não 
tocar nenhuma música, sua televisão ter som, mas não tocar músicas. Acrescente 
a essa ideia a possibilidade de não termos histórias ficcionais, literatura, filmes, 
cinemas, gibis, Histórias em Quadrinhos (HQ’s).
Continuemos. Imagine não termos esculturas, bustos, estátuas... Isso não 
lhe causa estranheza? Tenho certeza que sim, o nosso mundo está cercado de 
arte, mas, muitas vezes, nem notamos pela naturalidade que esses elementos 
estão em nosso cotidiano. Por isso, quando questionados sobre a importância 
da arte, inúmeras vezes, acreditamos que ela não faz diferença na nossa vida e 
só quando realmente

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