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Direito Sociais do Trabalho

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deflagrada uma greve ou proposto um dissídio coletivo”. 
 
O segundo requisito é a aprovação do dissídio por assembleia do sindicato, conforme art. 859 da CLT. 
 
Art. 859 - A representação dos sindicatos para instauração da instância fica subordinada à aprovação de assembléia, da qual participem os associados interessados na solução do dissídio coletivo, em primeira convocação, por maioria de 2/3 (dois terços) dos mesmos, ou, em segunda convocação, por 2/3 (dois terços) dos presentes. 
 
E o terceiro é a aprovação da parte contrária (comum acordo), conforme o art. 114, §2º da CF. 
 
Obs.: Mas esse requisito está sendo discutido pelo Superior Tribunal Federal (STF), pelo tema nº 841 (RE 1002295) – 2012 – última movimentação 2017 
Isso porque a necessidade do comum acordo para que o caso possa ser discutido judicialmente seria contrário ao direito de ação e livre acesso à Justiça bem como a impossibilidade de emenda que possa abolir direitos e garantias individuais, assegurado pela CF (art. 5º, XXXV e XXXVI, e 60, § 4º, considerando que, em caso de recusa da outra parte, não pode ser instaurado o dissídio para solucionar a questão). 
 
Decisão: O Tribunal, por maioria, apreciando o tema 841 da repercussão geral, negou provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto do Ministro Alexandre de Moraes, Redator para o acórdão, vencidos os Ministros Marco Aurélio (Relator), Edson Fachin, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber. Foi fixada a seguinte tese: "É constitucional a exigência de comum acordo entre as partes para ajuizamento de dissídio coletivo de natureza econômica, conforme o artigo 114, § 2º, da Constituição Federal, na redação dada pela Emenda Constitucional 45/2004". 
 
LEGIMITADOS 
 
Art. 616. Os Sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as emprêsas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusar-se à negociação coletiva. 
 
art. 114, CF - § 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente. 
§ 3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito. 
 
• os sindicatos; • as empresas; • o Ministério Público do Trabalho, em caso de greve em atividade considerada essencial que possa prejudicar o interesse público. 
 
 
TRAMITAÇÃO 
 
A primeira fase do processo é a formulação e protocolo (distribuição/ajuizamento) da petição no Tribunal competente 
 
O Presidente do Tribunal analisará o pedido e, caso atendidos todos os requisitos legais e formais do processo, será designada uma audiência de conciliação no prazo de 10 dias, sendo as partes notificadas para comparecimento. 
 
A segunda fase tem início na audiência de conciliação, em que as partes ou seus representantes poderão apresentar propostas para um acordo. Se a conciliação for positiva, o acordo poderá ser homologado pela Seção Especializada em Dissídios Coletivos. Caso contrário, inicia-se a terceira fase ou fase de instrução. 
 
Nessa fase, o Presidente interrogará as partes e solicitará as diligências que entender necessárias, além de ouvir a Procuradoria. Após esses procedimentos, ele julgará o processo, oferecendo uma solução que entenda ser capaz de resolver a questão. 
 
Obs.: Caso uma das partes, ou ambas, não compareçam à audiência, também acontecerá o julgamento. Então, após a decisão, as partes serão notificadas. 
 
art. 114 Cf - competência para julgar dissídios coletivos é da JT 
 
A competência para julgar o dissídio coletivo em regra é originária do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da região competente. Em Santa Catarina, por exemplo, a competência será do TRT da 12ª Região. 
 
Quebra de Página
 
Obs.: Contudo, se o dissídio exceder a área de atuação de um Tribunal Regional, caberá ao Tribunal Superior do Trabalho julgar a questão. 
 
SENTENÇA NORMATIVA 
 
A sentença do dissídio é chamada de sentença normativa, tendo em vista que ela cria uma norma jurídica e tem força de lei para as partes envolvidas. 
E não é chamada de acórdão, pois a competência originária transforma o Tribunal em juízo a quo (primeiro grau de jurisdição) 
Da sentença caberá recurso ordinário para a Seção Especializada em Dissídios Coletivos do TST, nos casos de sentença proferida pelo TRT. 
No entanto, caso a decisão tenha sido proferida já pelo TST, caberá recurso apenas caso a decisão não tenha sido unânime. (embargos de divergência) 
 
Quebra de Página
 
ART. 868 , PARÁGRAFO ÚNICO , DA CLT 
 
Art. 868. Em caso de dissídio coletivo que tenha por motivo novas condições de trabalho e no qual figure como parte apenas uma fração de empregados de uma empresa, poderá o Tribunal competente, na própria decisão, estender tais condições de trabalho, se julgar justo e conveniente, aos demais empregados da empresa que forem da mesma profissão dos dissidentes. Parágrafo único - O Tribunal fixará a data em que a decisão deve entrar em execução, bem como o prazo de sua vigência, o qual não poderá ser superior a 4 (quatro) anos. 
 
O prazo máximo é de 4 anos, contudo, as partes podem fazer uma nova negociação, por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho antes desse prazo 
 
Obs.: Ainda, após decorrido mais de um ano, a decisão poderá ser revista por iniciativa do Tribunal, da Procuradoria da Justiça do Trabalho, dos sindicatos ou dos empregadores interessados, se houver mudanças em relação às circunstâncias que tenham tornado as normas injustas ou inaplicáveis. 
 
Art. 873 CLT- Decorrido mais de 1 (um) ano de sua vigência, caberá revisão das decisões que fixarem condições de trabalho, quando se tiverem modificado as circunstâncias que as ditaram, de modo que tais condições se hajam tornado injustas ou inaplicáveis. Ver tópico (2491 documentos) 
 
Art. 874 - A revisão poderá ser promovida por iniciativa do Tribunal prolator, da Procuradoria da Justiça do Trabalho, das associações sindicais ou de empregador ou empregadores interessados no cumprimento da decisão. 
 
Art. 875 - A revisão será julgada pelo Tribunal que tiver proferido a decisão, depois de ouvida a Procuradoria da Justiça do Trabalho