Prévia do material em texto
Profª. MSc. Larissa Vieira Fundações diretas Aula de 30 de março de 2020 – Parte 1 Exercícios 4, 5 e 6 – Capítulo 2 Exercício 4 (livro Fundações Diretas – Capítulo 2): 4) Estimar a capacidade de carga de um elemento de fundação por sapata indicado na figura a seguir, com as seguintes posições do N.A.: a) - 5 m; b) - 7 m; c) - 1 m. a) N.A. à cota - 5 m Sapata com B=L= 3 m → quadrada Profundidade do bulbo de tensões para sapatas quadradas: z = 2B z = 2 . 3 z = 6 m Como dentro do bulbo de tensões temos a variação apenas do peso específico efetivo da areia, podemos obter sua média ponderada e efetuar o cálculo direto da capacidade de carga. a) N.A. à cota - 5 m Pela Tab. 2.5 (peso específico de solos arenosos), para areia compacta temos: γ = 18 kN/m³ γsat = 21 kN/m³ Peso específico efetivo médio: a = 4 m b = 2 m z = 6 m γ γsat γ′méd = a . γ + b (γsat − γw) a + b γ′méd = a . γ + b (γsat − γw) a + b = 4 . 18 + 2 (21 − 10) 4 + 2 ≅ 15,7 kN/m³ Areia compacta → ruptura geral σr = q ∙ Nq ∙ Sq + 1 2 γ ∙ B ∙ Nγ ∙ Sγ A parcela da contribuição da coesão do solo foi suprimida pois neste caso de solo puramente arenoso não há coesão e, portanto, temos c = 0 Ao entrarmos na tabela de fatores de capacidade de carga de Vesic (Tab. 2.2) com Ø = 38º, temos: Nq = 48,93 Nγ = 78,03 tg Ø = 0,78 E ao entrarmos na tabela de fatores de forma de De Beer (Tab. 2.3), temos: Sapata quadrada: Sq = 1 + tg Ø = 1 + 0,78 = 1,78 Sγ = 0,60 Sobrecarga q: q = γ . h = 18 . 1,00 = 18 kPa Substituindo os valores na equação da capacidade de carga, temos: σr = q ∙ Nq ∙ Sq + 1 2 𝛾 ∙ 𝐵 ∙ 𝑁𝛾 ∙ 𝑆𝛾 σr = 18 ∙ 48,93 ∙ 1,78 + 1 2 15,7 ∙ 3 ∙ 78,03 ∙ 0,60 σr ≅ 2.670 kPa = 𝟐, 𝟔𝟕 𝐌𝐏𝐚 γ′méd h = 1 m b) N.A. à cota - 7 m (no limite inferior do bulbo de tensões) N.A. Neste caso, todo o bulbo de tensões está seco. Procede-se normalmente com o cálculo da capacidade de carga. N.A. γ = 18 kN/m³ Areia compacta → ruptura geral σr = q ∙ Nq ∙ Sq + 1 2 γ ∙ B ∙ Nγ ∙ Sγ Ao entrarmos na tabela de fatores de capacidade de carga de Vesic (Tab. 2.2) com Ø = 38º, temos: Nq = 48,93 Nγ = 78,03 tg Ø = 0,78 E ao entrarmos na tabela de fatores de forma de De Beer (Tab. 2.3), temos: Sapata quadrada: Sq = 1 + tg Ø = 1 + 0,78 = 1,78 Sγ = 0,60 Sobrecarga q: q = γ . h = 18 . 1,00 = 18 kPa Substituindo os valores na equação da capacidade de carga, temos: σr = q ∙ Nq ∙ Sq + 1 2 𝛾 ∙ 𝐵 ∙ 𝑁𝛾 ∙ 𝑆𝛾 σr = 18 ∙ 48,93 ∙ 1,78 + 1 2 18 ∙ 3 ∙ 78,03 ∙ 0,60 σr ≅ 2.832 kPa = 𝟐, 𝟖𝟑 𝐌𝐏𝐚 γ c) N.A. à cota - 1 m (na base da sapata) N.A. Neste caso, todo o bulbo de tensões está saturado. Procede-se normalmente com o cálculo da capacidade de carga. N.A. γsat = 21 kN/m³ Areia compacta → ruptura geral σr = q ∙ Nq ∙ Sq + 1 2 γ ∙ B ∙ Nγ ∙ Sγ Ao entrarmos na tabela de fatores de capacidade de carga de Vesic (Tab. 2.2) com Ø = 38º, temos: Nq = 48,93 Nγ = 78,03 tg Ø = 0,78 E ao entrarmos na tabela de fatores de forma de De Beer (Tab. 2.3), temos: Sapata quadrada: Sq = 1 + tg Ø = 1 + 0,78 = 1,78 Sγ = 0,60 Sobrecarga q: q = γ . h = 18 . 1,00 = 18 kPa Substituindo os valores na equação da capacidade de carga, temos: σr = q ∙ Nq ∙ Sq + 1 2 𝛾 ∙ 𝐵 ∙ 𝑁𝛾 ∙ 𝑆𝛾 σr = 18 ∙ 48,93 ∙ 1,78 + 1 2 11 ∙ 3 ∙ 78,03 ∙ 0,60 σr ≅ 2.340 kPa = 𝟐, 𝟑𝟒 𝐌𝐏𝐚 γsat – γw = 21 – 10 Exercício: 5) Estimar a capacidade de carga de um elemento de fundação por sapata indicado na figura a seguir: Solução: vamos inicialmente calcular a capacidade de carga considerando apenas a primeira camada. Argila rija → ruptura geral σr1 = c ∙ NC ∙ SC + q ∙ Nq ∙ Sq Argila saturada em condições não drenadas → Ø = 0 Pela tabela dos fatores de capacidade de carga de Vesic (Tab. 2.2), temos: Ø = 0 → NC = 5,14 Nq = 1,00 Nq/Nc = 0,20 tg Ø = 0 Pela tabela dos fatores de forma de De Beer (Tab. 2.3) temos: Sapata quadrada: Sc = 1 + Nq/Nc = 1 + 0,20 = 1,20 Sq = 1 + tg Ø = 1 + 0 = 1,00 Como NSPT = 15, podemos estimar a coesão do solo com a equação: c = 10 . NSPT = 10 . 15 = 150 kPa Pela tabela dos pesos específicos dos solos argilosos (Tab. 2.4.), temos que, para argila rija, γ = 19 kN/m³ Portanto, a sobrecarga q será dada por: q = γ . h = 19 . 1,00 = 19 kPa Substituindo os valores na equação da capacidade de carga temos: σr1 = c ∙ NC ∙ SC + q ∙ Nq ∙ Sq σr1 = 150 ∙ 5,14 ∙ 1,20 + 19 ∙ 1,00 ∙ 1,00 σr1 ≅ 944 kPa = 𝟎, 𝟗𝟒 𝐌𝐏𝐚 Após o cálculo da capacidade de carga considerando somente a primeira camada de solo, vamos calcular a capacidade de carga para uma sapata fictícia apoiada no topo da segunda camada z A sapata fictícia apoiada no topo da segunda camada possui dimensões: B’ = B + z Onde z é a distância entre a base da sapata “real” e topo da segunda camada. Neste caso, B’ = 3 + 4 = 7 m z = 4 m Areia pouco compacta → ruptura por puncionamento σ′r = q ∙ N′q ∙ Sq + 1 2 𝛾 ∙ 𝐵 ∙ 𝑁′𝛾 ∙ 𝑆𝛾 Sabendo que NSPT = 6, podemos estimar o ângulo de atrito interno do solo por meio da seguinte equação: Ø = 28º + 0,4 NSPT Ø = 28º + 0,4 . 6 ≅ 30º Neste caso de ruptura por puncionamento, aplicamos a seguinte redução: tg Ø* = 2/3 tg Ø = 2/3 tg 30º = 0,38 Assim, procuramos o valor de 0,38 na coluna “tg Ø” da tabela dos fatores de capacidade de carga de Vesic. 1º procurar nesta coluna o valor de 0,38 O valor de 0,38 corresponde a um ângulo de atrito Ø = 21º Ao entrarmos na tabela de fatores de capacidade de carga de Vesic (Tab. 2.2) com Ø = 21º, temos: N’q = 7,07 N’γ = 6,20 tg Ø = 0,38 E ao entrarmos na tabela de fatores de forma de De Beer (Tab. 2.3), temos: Sapata quadrada: Sq = 1 + tg Ø = 1 + 0,38= 1,38 Sγ = 0,60 Neste caso, a sobrecarga q deverá considerar toda a espessura de solo acima da cota de assentamento da sapata fictícia: h = 5 m Acima da sapata fictícia, temos uma sobrecarga de argila rija, cujo peso específico é igual a (Tab. 2.4): γ = 19 kN/m³ Portanto a sobrecarga q será: q = γ . h = 19 . 5 = 95 kPa Pela tabela dos pesos específicos dos solos arenosos (Tab. 2.5), temos que, para areia pouco compacta, γsat = 19 kN/m³ Para o cálculo da tensão de ruptura, o valor do peso específico deverá ser o efetivo, ou seja, o peso específico saturado descontado o peso da água (10 kN/m³): γ’ = 19 – 10 = 9 kN/m³ Substituindo na equação de ruptura por puncionamento, temos: σ′r2 = q ∙ N′q ∙ Sq + 1 2 𝛾 ∙ 𝐵 ∙ 𝑁′𝛾 ∙ 𝑆𝛾 σ′r2 = 95 ∙ 7,07 ∙ 1,38 + 1 2 9 ∙ 7 ∙ 6,20 ∙ 0,60 σ′r2 ≅ 1.044 kPa ≅ 𝟏, 𝟎𝟒 𝐌𝐏𝐚 γsat – γw = 19 – 10 B’ = B + z = 3 + 4 Comparando os dois valores de capacidade de carga, temos: σr1 = 0,94 MPa < σ′r2 = 1,04 MPa → ok! Então podemos adotar, a favor da segurança, que a capacidade de carga do sistema é 𝝈𝐫 = 𝝈𝐫𝟏 = 𝟎, 𝟗𝟒 𝐌𝐏𝐚 Exercício 6 (livro Fundações Diretas – Capítulo 2): 6) Estimar a capacidade de carga de um elemento de fundação por sapata indicado na figura a seguir, com as seguintes condições de solo na segunda camada: a) Argila rija com NSPT = 15; b) Argila mole com NSPT = 4. Solução: vamos inicialmente calcular a capacidade de carga considerando apenas a primeira camada. Areia compacta → ruptura geral σr1 = q ∙ Nq ∙ Sq + 1 2 𝛾 ∙ 𝐵 ∙ 𝑁𝛾 ∙ 𝑆𝛾 Ao entrarmos na tabela de fatores de capacidade de carga de Vesic (Tab. 2.2) com Ø = 38º, temos: Nq = 48,93 Nγ = 78,03 tg Ø = 0,78 E ao entrarmos na tabela de fatores de forma de De Beer (Tab. 2.3), temos: Sapata quadrada: Sq = 1 + tg Ø = 1 + 0,78 = 1,78 Sγ = 0,60 Pela tabela dos pesos específicos dos solos arenosos (Tab. 2.5), temos que, para areia compacta, γ = 18 kN/m³ Portanto, a sobrecarga q será dada por: q = γ . h = 18 . 1,00 = 18 kPa Substituindo os valores na equação da capacidade de carga, temos: σr1 = q ∙ Nq ∙ Sq + 1 2 𝛾 ∙ 𝐵 ∙ 𝑁𝛾 ∙ 𝑆𝛾 σr1 = 18 ∙ 48,93 ∙ 1,78 + 1 2 18 ∙ 3 ∙ 78,03 ∙ 0,60 σr1 ≅ 2.832 kPa = 𝟐, 𝟖𝟑 𝐌𝐏𝐚 Agora, vamos considerar uma sapata fictícia apoiada no topo da segunda camada, nas duas condições solicitadas (a) e (b) a) Argila rija → ruptura geralσr2 = c ∙ NC ∙ SC + q ∙ Nq ∙ Sq Argila saturada em condições não drenadas → Ø = 0 Pela tabela dos fatores de capacidade de carga de Vesic (Tab. 2.2), temos: Ø = 0 → NC = 5,14 Nq = 1,00 Nq/Nc = 0,20 tg Ø = 0 Pela tabela dos fatores de forma de De Beer (Tab. 2.3) temos: Sapata quadrada: Sc = 1 + Nq/Nc = 1 + 0,20 = 1,20 Sq = 1 + tg Ø = 1 + 0 = 1,00 Como NSPT = 15, podemos estimar a coesão do solo com a equação: c = 10 . NSPT = 10 . 15 = 150 kPa Neste caso, a sobrecarga q deverá considerar toda a espessura de solo acima da cota de assentamento da sapata fictícia: h = 5 m Acima da sapata fictícia, temos uma sobrecarga de areia compacta seca, cujo peso específico é igual a (Tab. 2.4): γ = 18 kN/m³ Portanto a sobrecarga q será: q = γ . h = 18 . 5 = 90 kPa Substituindo na equação de capacidade de carga temos: σr2 = c ∙ NC ∙ SC + q ∙ Nq ∙ Sq σr2 = 150 ∙ 5,14 ∙ 1,20 + 90 ∙ 1,00 ∙ 1,00 σr2 ≅ 1.015 kPa = 1,01 MPa Comparando os dois valores de capacidade de carga, temos: σr1 = 2,83 MPa > σr2 = 1,01 MPa Como a segunda camada é menos resistente, devemos calcular a média ponderada dos valores de capacidade de carga dentro do bulbo de tensões. σr 1,2 = a . σr1 + b . σr2 a + b = 4 . 2,83 + 2 . 1,01 4 + 2 = 2,22 MPa Média ponderada dos valores de capacidade de carga dentro do bulbo de tensões: a = 4 m b = 2 m z = 6 m Sapata com B=L= 3 m → quadrada Profundidade do bulbo de tensões para sapatas quadradas: z = 2B z = 2 . 3 z = 6 m Parcela propagada dessa tensão até o topo da segunda camada: ∆σ ≅ σr 1,2 . B . L B + z L + z = 2,22 . 3 . 3 3 + 4 3 + 4 = 0,41 MPa Comparando os valores de Δσ com σr2 temos: ∆σ = 0,41 MPa < σr2 = 1,01 MPa → ok! Então, a capacidade de carga do sistema (σr) é a própria capacidade de carga média no bulbo de tensões σr1,2 : σr = σr 1,2 = 𝟐, 𝟐𝟐 𝐌𝐏𝐚 b) Argila mole → ruptura por puncionamento σ′r = 𝑐 ∗ ∙ N′C ∙ SC + q ∙ N′q ∙ Sq Pela tabela dos fatores de capacidade de carga de Vesic (Tab. 2.2), temos: Ø* = 0 → N’C = 5,14 N’q = 1,00 N’q/N’c = 0,20 tg Ø* = 0 Pela tabela dos fatores de forma de De Beer (Tab. 2.3) temos: Sapata quadrada: Sc = 1 + Nq/Nc = 1 + 0,20 = 1,20 Sq = 1 + tg Ø = 1 + 0 = 1,00 Como NSPT = 4, podemos estimar a coesão do solo com a equação: c = 10 . NSPT = 10 . 4 = 40 kPa e aplicar a seguinte redução considerando a ruptura por puncionamento: c* = (2/3) c = (2/3) 40 ≅ 27 kPa A sobrecarga q é igual 90 kPa, conforme calculado no item (a). Substituindo na equação de ruptura por puncionamento, temos: σ′r2 = 𝑐 ∗ ∙ N′C ∙ SC + q ∙ N′q ∙ Sq σ′r2 = 27 ∙ 5,14 ∙ 1,20 + 90 ∙ 1,00 ∙ 1,00 σ′r ≅ 257 kPa ≅ 𝟎, 𝟐𝟔 𝐌𝐏𝐚 Comparando os dois valores de capacidade de carga, temos: σr1 = 2,83 MPa > σ′r2 = 0,26 MPa Como a segunda camada é menos resistente, devemos calcular a média ponderada dos valores de capacidade de carga dentro do bulbo de tensões. σr 1,2 = a . σr1 + b . σr2 a + b = 4 . 2,83 + 2 . 0,26 4 + 2 = 1,97 MPa Parcela propagada dessa tensão até o topo da segunda camada: ∆σ ≅ σr 1,2 . B . L B + z L + z = 1,97 . 3 . 3 3 + 4 3 + 4 = 0,36 MPa Comparando os valores de Δσ com σr2 temos: ∆σ = 0,36 MPa > σ′r2 = 0,26 Mpa O que exige a redução da capacidade de carga de modo que o valor propagado Δσ não ultrapasse σ’r2 . Logo, σr = σr 1,2 σ′r2 ∆σ = 1,97 0,26 0,36 = 𝟏, 𝟒𝟐 𝐌𝐏𝐚