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‘ A inafastabilidade da jurisdição ante a condenação de honorários sucumbenciais. Luiz Guilherme dos Anjos Matei –2164569 Docente - Chris Passos Faculdade Metropolitanas Unidas – FMU Direito - Processo do Trabalho – 003208B02 A presente obra pretende analisar de forma sintética e objetiva, um dos temas que desencadeou acalorados debates, tanto na seara acadêmica quanto na forense, em razão das drásticas alterações nos dispositivos da CLT decorrentes da promulgação da Lei nº 13.467 de 2017. Com efeito, iremos comparar o princípio do axioma constitucional da inafastabilidade da jurisdição com a lei ordinária que impôs a condenação do sujeito hipossuficiente em suportar os honorários de sucumbenciais, dentro de tal contexto, passaremos a verificar se está imposição normativa, passa a coagir o trabalhador que acredita de forma veemente na violação do seu direito, a não buscar o judiciário, pois, os resultados poderão ser catastróficos. Como escorço fático para embasar a presente análise, utilizaremos o recente Acórdão proferido em 2019 pela 3º turma do Tribunal Superior do Trabalho. O princípio da inafastabilidade da jurisdição está previsto no artigo 5º, inciso XXXV da Carta Magna, que dispõe “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”, alguns autores acreditam que o próprio inciso XXXV é o próprio direito de ação, por facultar ao ofendido a possibilidade da devida reparação pela lesão ou ameaça de direito. Em uma análise perfunctória do dispositivo, denota-se um direito negativo, que impede a sua violação pelo Estado ou terceiro, in casu, impedindo que as legislações ordinárias excluam da apreciação do poder judiciário lesão ou ameaça aos direitos. De fato é impedido a exclusão deste direito, contudo, não é afastado o ônus decorrente da alegação de violação, quando tal direito não foi violado. Eis o problema de uma norma negativa, em suma ela gera efeito erga omnes, impedindo a realização daquele ato em específico, naquele momento específico, o preciosismo terminológico da “não exclusão da apreciação” é claro, mas, abre espaço para outros atos coercitivos mediante leis ordinárias. Via de exemplo, o disposto no inciso XXXV impede a qualquer ordenamento que impeça seu direito de ação, contudo, não nega a retaliação como os encargos processuais oriundos do seu direito de ação. Foi assegurada a garantia constitucional ‘ pelo direito de ação, e ainda está sendo assegurado, não existe uma norma que está excluindo a apreciação de lesão e ameaça de direito ou mesmo coagindo o trabalhador a não buscar o judiciário, existe uma norma que agravou sua responsabilidade. O direito negativo em sua disposição constitucional de característica rígida, limita a interpretação da norma, assim permeia a distorção legislativa para impingir responsabilidade ao sujeito, sem prejuízo a garantia da eficácia normativa. Ao corolário do exposto, podemos destacar a frase do Relator “No âmbito do processo do trabalho, a imposição pelo legislador de honorários sucumbenciais ao reclamante reflete a intenção de desestimular lides temerárias. É uma opção política.” De mais a mais, o judiciário tem o dever de interpretar a normal, analisar pelos elementos processuais se a Parte faz jus ao direito pretendido em razão dos fatos narrados, tanto é que tem limitação até mesmo pelos atos que pode tomar sem a provocação das partes. Ademais, no tocante a inafastabilidade da jurisdição, por mais ardiloso que seja permeabilidade de executar os honorários advocatícios do sujeito hipossuficiente, além de uma opção do legislador, isso não afronta diretamente o acesso do trabalhador ao judiciário, tampouco exclui a apreciação de lesão ou ameaça ao seu direito, mas impõe ônus decorrente a pretensão frustrada. Por outro lado, é imperioso mencionar que os honorários sucumbenciais que são devidos para a parte vencedora do litígio judicial. Estes honorários em suma, são estipulados no processo do trabalho entre 5 a 15% do valor da causa, e o valor da causa, necessariamente deverá ser condizente ao proveito econômico esperado pela parte. Desta forma, o princípio o da hipossuficiência (C.F. Art. 5 LXXIV) visa garantir as pessoas com recursos limitados o direito da ação, pois, o estado oferecerá assistência judiciária, que comporta advogado, custeio de perícia e encargos processuais. Para garantir o acesso à justiça ao sujeito hipossuficiente, o legislador condicionou o pagamento da sucumbência ao beneficiário da assistência processual pelos próximos 2 anos casa haja crédito em processo, ou naquele mesmo, ou na última hipótese sair do estado de hipossuficiência financeira, mas não condiciona o acesso ao judiciário a perca de recursos para sua subsistência. Em que pese o entendimento, que suportar os honorários de sucumbência afasta os trabalhadores do poder judiciário de forma direta, é equivocado, é nítido, portanto, que tal afastamento ocorre de forma indireta, ‘ contudo, a previsão constitucional é a negativa direta, proíbe a promulgação de lei que disponha diretamente apreciação ou a faculdade de ação, pois não às macula, apenas condiciona a responsabilidade em caso de frustração. Ao balancear o sujeito hipossuficiente o legislador, somente, condicionou o pagamento caso tenha créditos em outros processos, objetivando não restringir o acesso à justiça ao trabalhador, mesmo condicionando um ônus decorrente da derrota jurídica, viabilizou meio para restituir valor sem prejuízo a manutenção básica do sujeito.