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Resumo: GONÇALVES, Williams e MIYAMOTO, Shiguenoli. Os militares na política externa brasileira.

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linha, o senado estadunidense decidiu condicionar a ajuda militar ao Brasil a partir do relatório sobre a situação dos direitos humanos. 
Geisel reagiu as essas pressões externas como uma intervenção interna no país. Ademais, denunciou os acordos militares entre os dois países em 1977 que teve grande efeito simbólico da ruptura entre os dois países.
EUA e Brasil também tiveram atritos econômicos. Os norte-americanos passaram a dificultar a entrada de manufaturados brasileiros em seu mercado interno. Esse fato, somente levou o Brasil a se aproximar mais da Europa e do Japão. 
A diplomacia brasileira buscou estabelecer relações horizontais com seus parceiros e não relações verticais como o Primeiro Mundo praticava. No entanto, teve dificuldades com a América Latina devido a imagem que o Brasil projetou de querer ser hegemônico nos anos anteriores, sendo necessária habilidades diplomáticas e revisão de seus interesses. 
A fronteira ideológica ainda era válida para a região. A única preocupação era com relação à Cuba, já que o golpe no Chile eliminou qualquer possibilidade de socialismo na região. 
O governo militar precisava saber equilibrar a defesa das fronteiras com a cooperação com os demais vizinhos. 
Para a Argentina, o Brasil estaria querendo isolá-la devido as boas relações com a Bolívia e o Paraguai, além da recusa de permitir o país de participar do projeto de Itaipu. 
Geisel passou todo o mandato em negociação com a Argentina e o Paraguai na tentativa de equilibrar os interesses. Somente em 1979, com Figueiredo a negociações resultaram no Acordo Multilateral Corpus-Itaipu. 
Para o resto da região, houve encaminhamento para o multilateralismo. O consenso de que a ordem internacional precisava mudar para uma ordem menos opressiva e mais justa. O país se esforçou para resolver certos atritos para tentar realizar uma articulação regional. Por esse viés, em 1978 houve a assinatura do Tratado de Cooperação Multilateral na Amazônia, (Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Venezuela e Brasil) para evitar a interferências externas na floresta amazônica.
Citações: 
“Queremos que a nossa linguagem no plano internacional, seja direta e simples, sem ambiguidades e subterfúgios. Queremos que o Governo brasileiro possa cumprir a vocação ecumênica de seu povo, aberto à comunicação desinibida e franca. Queremos explorar todas as vias do entendimento, por aceitarmos, fundamentalmente que a cooperação é mais eficaz do que o antagonismo e que o respeito mútuo é mais criador do que as ambições de preponderância. 
Nossa conduta, para alcançar esses objetivos, é pragmática e responsável. Pragmática, na medida em que buscamos a eficácia e estamos dispostos a procurar, onde quer que nos movam os interesses nacionais brasileiros, as áreas de convergência e as faixas de coincidência com os interesses nacionais de outros povos. Responsável, porque agiremos sempre na moldura do ético e exclusivamente em função de objetivos claramente identificados e aceitos pelo povo brasileiro”36 (p. 230) (discurso de Geisel) 
6. Governo Figueiredo: a política universalista (1979 – 1985) 
Governo de Figueiredo foi o último governo militar e tinha como dever realizar a etapa final da volta ao Estado de Direito e o compromisso com os ideais democráticos. Contudo, a redemocratização passou por algumas dificuldades devido a crise interna e a recessão externa.
Figueiredo não fez nenhuma grande mudança para a política externa, a única diferença é que a diplomacia deixou de ser tão secreta e passou a dialogar mais com o Congresso Nacional. 
A política externa foi chamada de universalista devido a adaptação à tendência à mundialização do sistema internacional. A ligação entre o Terceiro Mundo e o Ocidente, manutenção do diálogo com os dois lados. 
Os Estados da região foram prioridade da política internacional vigente, em especial a Argentina. Empenho em integrar a região com a Cooperação Amazônica e cooperação energética. 
As tensões entre Norte-Sul só se aprofundaram com a Guerra das Malvinas. O conflito deixou claro que os EUA não agiriam em favor da Argentina ou qualquer outro país da região que entrasse em conflito com outros países da OTAN. O continente só estava protegido contra ataques da URSS e seus aliados de acordo com o TIAR. 
O conflito também evidenciou quanto o Brasil estava incapaz de se defender por falta de equipamentos atuais e modernos e dependente do petróleo que dependia do sistema financeiro ocidental. O claro equívoco que foi o país priorizar por forças terrestres e não aeronavais. O ERRO que foi acreditar que os EUA estava protegendo o continente. 
Nesse sentido, o governo passou a defender a preservação da OEA e a importância de manter os EUA na organização para que eles respeitassem as diretrizes impostas por ela.
EUA:
Principalmente com a rebipolarização de Reagan em que se colocou ao lado da Inglaterra em relação as Malvinas e ameaçar a América Central de invasão militar. 
Além disso, a desqualificação política do Terceiro Mundo pelos EUA, os atritos econômicos e a questão nuclear contribuíram para que as relações entre ambos se mantivessem afastadas. 
Devido a isso, o Brasil focou nas relações com os vizinhos para tentar fazer frente a ofensiva de Reagan. 
O Estado tentou ajudar nas negociações entre Reino Unido e Argentina, se mantendo neutro, mas positivo a Argentina. A partir disso, a relações entre ambos melhoraram bastante, especialmente com a redemocratização na Argentina, e houve a percepção de diversos interesses em comum. Ambos perceberam que era preciso abandonar desavenças antigas e buscar o desenvolvimento da região. 
Em relação a América Central, procurou não intervir sobre as pressões que os EUA estavam fazendo e somente interviria se a solução daqueles países não viesse de dentro deles. A cautela do Brasil também se dava por ser exportador de armas para a região. 
O governo continuou e aprofundou a postura brasileira com relação ao continente africano. Aumentou a quantidade de embaixadas e Figueiredo viajou para o continente, sendo a primeira feita por um líder sul-americano. Com essa aproximação, o Brasil passou a se envolver mais nos problemas do continente.
O Estado solidificou relações com os países produtores de petróleo do Oriente Médio, também cliente da indústria bélica brasileira, em destaque Iraque e Irã. 
Em relação a Ásia, o Brasil aumentou o comércio e cooperação técnico-cientifica com a China e reafirmou as boas relações com o Japão. 
Uma maior aproximação com a Europa Ocidental e maior diálogo com a Europa Oriental.
Citações: 
“A marcha da redemocratização porém não foi linear. A crise econômica interna acentuada pelo quadro recessivo externo, atiçando a impaciência da sociedade pelas reformas, condicionou o surgimento de sérios percalços.” (p. 237)
7. Conclusão
Ao final do texto, o autor traz o questionamento de se realmente houver uma política externa específica dos governos militares ou se cada governo praticou uma política própria de acordo com as necessidades. 
Antes de responder a pergunta, ele realiza duas observações. A primeira é que para se avaliar o fracasso ou êxito da política externa a referência será a estratégia usada nas ações diplomáticas. A segunda é sobre as grandes potências moldarem o SI e os demais Estados, como o Brasil, adequarem suas estratégias para conseguir seus objetivos. 
O objetivo em comum durante todos os governos militares foi transformar o país em uma grande potência. Para o autor, as mudanças no Sistema Internacional causaram as alterações de cada governo, por questões de adequação. 
Contudo, o texto afirma que é possível visualizar dois grandes momentos diferentes, de Castelo Branco a Médici e de Geisel a Sarney. 
Castelo Branco a Médici: marcado pela forte ideologização com o conflito Leste-Oeste, boas relações com os EUA. 
“Por outras palavras, ambas as políticas externas situavam-se no mesmo quadro estratégico; ambas situavam o Brasil como um ator do campo ocidental. Seu objetivo era o mesmo: promover