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AVALIAÇÃO 
PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Genoveva Ribas Claro 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Olá! Sejam bem-vindos à nossa aula sobre avaliação psicopedagógica 
clínica. 
Hoje compreenderemos as etapas de um processo de avaliação. Elas 
podem seguir uma sequência diagnóstica; no entanto, não são rígidas e podem 
ser modificadas de acordo com a prática e a necessidade de cada 
psicopedagogo. 
Sugerimos o modelo desenvolvido por Weiss (1992), em que o processo 
diagnóstico é estruturado para que se possa observar a dinâmica de interação 
entre o cognitivo e o afetivo, da qual resulta o funcionamento do sujeito (Bosse, 
1995). De acordo com Weiss (1992), após a análise da queixa e da entrevista 
operativa centrada na aprendizagem (EOCA), devem ser realizados: 
 entrevista familiar exploratória situacional (EFES); 
 entrevista de anamnese; 
 sessões lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças); 
 provas e testes (quando necessário). 
Assim, nesta aula, entenderemos a atuação do profissional na realização 
de um diagnostico eficaz e no estabelecimento de uma intervenção adequada. 
Para isso, teremos que: 
 identificar as etapas do processo de avaliação psicopedagógica clínica; 
 analisar a EFES; 
 elaborar o roteiro de anamnese e aplicá-lo; 
 reconhecer a importância das sessões lúdicas na aprendizagem; 
 utilizar testes e provas psicopedagógicas; 
 analisar os resultados da avaliação diagnóstica. 
TEMA 1 – ENTREVISTA FAMILIAR EXPLORATÓRIA SITUACIONAL (EFES) 
A entrevista familiar exploratória situacional (EFES) nos dá a possibilidade 
de compreender a queixa nas dimensões da instituição, da família e do próprio 
sujeito, pois ela possibilita uma análise dinâmica que envolve as várias pessoas 
da família. Nessa entrevista é possível reunir pais, irmãos e o sujeito. Quando o 
sujeito é criança ou adolescente é preciso perceber as relações entre ele e sua 
família, os papéis de cada um na dinâmica familiar, além das expectativas 
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familiares quanto à sua aprendizagem e ao seu tratamento. Alguns pais 
demonstram aceitação do tratamento e engajamento, o que facilita no processo 
diagnóstico. Se isso não ocorrer, a família precisará de orientação, então inicie 
explicando os procedimentos da avaliação. 
A família faz parte do processo de diagnóstico, pois tem a oportunidade 
de fazer considerações sobre a real situação do desenvolvimento de seu filho e 
de desenvolver questões para reflexão sobre o contexto familiar. 
É fundamental, no diagnóstico do sujeito, buscar compreender a sua 
história de vida e o papel importante da família em sua formação. Também é 
preciso perceber como a família age diante das dificuldades enfrentadas. Weiss 
(2012) contribui para esse tema, esclarecendo que ele é “um processo de 
construção que se dá na interação permanente do sujeito com o meio que o 
cerca. Meio esse expresso inicialmente pela família, depois pelo acréscimo da 
escola, ambos permeados pela sociedade em que estão. Essa construção se dá 
sob a forma de estruturas complexas” (Weiss, 2012, p. 30). 
A constituição familiar, hoje, é muito diversificada. Quando a família era 
constituída por pai, mãe e filhos, as funções de cada componente eram bem 
delimitadas, sendo que cabia ao pai prover o sustento da família, e à mãe, cuidar 
da casa e da educação das crianças. Hoje em dia os papéis exercidos já não 
são tão definidos assim, e passaram a ser compartilhados com outras pessoas. 
De acordo com Minuchin (1982), a família exerce uma grande influência 
sobre os membros que a constituem, podendo ser essa influência positiva ou 
negativa. Com as mudanças na sociedade em relação à inserção da mulher no 
mercado de trabalho e à responsabilidade com os cuidados à criança, a mídia 
foi modificando as relações familiares e as questões de autoridade e limites. 
Prado (1981) afirma que, por conta dessa demanda das famílias, a escola 
passou a participar ainda mais da formação das crianças como cidadãs. 
A família, independentemente de conflitos, é a primeira instituição que 
influencia de maneira significativa as primeiras experiências vivenciadas pela 
criança e que vai formando sua personalidade e a base educacional, ou seja, 
valores, leis, costumes e crenças, que são transmitidas culturalmente. 
Na EFES, observe as relações de autoridade e dependência, os papéis 
exercidos por cada integrante e a comunicação entre os membros da família. 
Vale ressaltar que a família, independentemente de sua constituição, tem um 
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papel intransferível de participação na vida do sujeito e em seu desenvolvimento 
intelectual, social, emocional e cognitivo. 
TEMA 2 – ENTREVISTA DE ANAMNESE 
A anamnese, de acordo com Weiss (1992), é essencial para a 
investigação diagnóstica. Por meio de um roteiro estruturado são coletadas 
informações do passado e do presente do sujeito, juntamente com as variáveis 
existentes em seu meio. É importante observar qual é a visão da família sobre a 
história do sujeito, além de preconceitos, expectativas, afetos, conhecimentos e 
tudo aquilo que é depositado sobre ele. 
Weiss (2004) cita que toda anamnese já é, em si, uma intervenção na 
dinâmica familiar, pois faz os pais refletirem sobre a história do sujeito e sua 
própria intervenção. A entrevista deve abordar desde o início da gestação, se a 
gravidez foi desejada ou não, como foi a concepção e o nascimento; analisar os 
aspectos do desenvolvimento biológico, cognitivo e social; tratar da evolução 
geral do sujeito, como aquisição de hábitos, linguagem, desenvolvimento motor. 
Além disso, nela deve-se perguntar sobre a história clínica do sujeito – doenças, 
laudos e sequelas –, e sua história escolar e projeções. 
A anamnese constitui-se em uma segunda entrevista com os pais, e seu 
objetivo é obter dados sobre a história vital do avaliado. É conveniente realizá-la 
depois de se conhecer um pouco o paciente por meio da entrevista operativa 
centrada na aprendizagem (EOCA), pois ela poderá confirmar ou descartar 
algumas hipóteses levantadas na entrevista operativa. 
A história de vida do sujeito fornece uma série de dados objetivos que 
estão vinculados ao problema atual e permite detectar o grau de individuação 
que o avaliando tem com a mãe – e considerar se a sua história é uma 
continuação da história dela – e seus estágio de desenvolvimento. 
A entrevista deve conter um esquema de perguntas bem estabelecidos 
para que o avaliador recolha o maior número de informações possíveis, mas será 
só o elemento norteador, pois a entrevista deverá ser o mais livre possível, 
possibilitando aos entrevistadores contar fatos relevantes da história familiar, do 
avaliando, da própria história dos entrevistadores etc. 
 
 
 
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2.1 Roteiro de anamnese 
IDENTIFICAÇÃO: 
• Nome do aluno(a): _______________________________ Sexo: F ( ) M ( ) 
• Idade: __________ Data de nascimento: ____/____/____ 
• Nome da mãe: ______________________________ Profissão: __________ 
• Nome do pai: _______________________________ Profissão: __________ 
NA GESTAÇÃO: 
• Como recebeu a notícia da gravidez? Foi planejada? 
______________________________________________________________ 
• Qual foi a alimentação da mãe durante a gestação? Teve enjoo? 
_______________________________________________________________ 
• Fez uso de vitaminas e complementos? Não ( ) Sim ( ) 
• Fez uso de álcool, drogas, cigarros durante a gestação? Não ( ) Sim ( ) 
• Houve um fato marcante na gestação? Não ( ) Sim ( ) Qual? ____________ 
_______________________________________________________________ 
• Tempo gestacional? ____________________________________________ 
• Outras observações: radiografia, exame de sangue,transfusão, 
medicamentos (quais?). Acidentes, hemorragia, convulsão, rubéola, outras 
doenças (quais?)._______________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
_______________________________________________________________ 
PARTO: 
• Local: Em casa ( ) Na maternidade ( ) 
• Desenvolvimento do parto (natural, fórceps, cesariana)? 
_____________________________________________________________ 
• Teve alguma complicação no parto? Não ( ) Sim ( ) Qual? _____________ 
_______________________________________________________________ 
 
 
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• A criança precisou de cuidados especiais (incubadora, outros)? Não ( ) Sim 
( ) Por quanto tempo?___________________________________________ 
• Qual era o peso e o tamanho do bebê ao nascer? 
_____________________________________________________________ 
• Foram feitos os exames no recém-nascido? Não ( ) Sim ( ) 
• Houve alguma alteração nos exames? Não ( ) Sim ( ) Qual? ____________ 
_______________________________________________________________ 
• A criança aceitou o leite materno? Teve boa sucção? Não ( ) Sim ( ) 
DESENVOLVIMENTO: 
I – Alimentação 
• Amamentou? Não ( ) Sim ( ) Até quanto tempo?_____________________ 
• Como foi o desmame? Houve alguma dificuldade? Não ( ) Sim ( ). Qual? 
_______________________________________________________________ 
• Usou mamadeira? Não ( ) Sim ( ). Até quando?_____________________ 
• Quando começou a experimentar outros tipos de alimento além do leite 
materno? _____________________________________________________ 
• A criança tem horários para se alimentar? Não ( ) Sim ( ) 
• Necessita de ajuda para se alimentar? Não ( ) Sim ( ) 
• Qual foi a atitude da criança diante a refeição? Onde e como ela se alimenta? 
_______________________________________________________________ 
• Tem alguma alergia ou restrição alimentar? Não ( ) Sim ( ) Qual? ________ 
_______________________________________________________________ 
• Outras observações: 
_______________________________________________________________ 
 
II – Desenvolvimento motor 
• Quando sustentou a cabeça?______________________________ 
• Quando sentou? ________________________________________ 
• Quando engatinhou?_____________________________________ 
 
 
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• Quando ficou em pé sozinho, apoiando-se? ___________________ 
• Quando começou a andar? 
______________________________________ 
• Gosta de atividades físicas? 
_______________________________________ 
• Preferência por alguma das mãos? 
_________________________________ 
• Tem ou teve algum problema de locomoção? 
_________________________ 
• Outras observações: 
_______________________________________________________________ 
III Autonomia 
• Usou fraldas até quando? 
_______________________________________ 
• Foi tranquilo o desfralde? Não ( ) Sim ( ) 
• Usou chupeta? Não ( ) Sim ( ). Até que 
idade?_______________________ 
• Chupa dedo? Não ( ) Sim ( ) Até 
quando?___________________________ 
• Dorme sozinho? Não ( ) Sim ( ) Como é o sono? Calmo ou agitado? 
• Consegue ir ao banheiro sozinha? Não ( ) Sim ( ) A partir de que 
idade? 
• Outras Observações: Como é sua autonomia? Realiza atividades sozinho 
(vestir-se, colocar sapato, cuidados com a higiene, etc.) 
_______________________________________________________________ 
 
IV - Linguagem 
• Quando começou os primeiros balbucios, os primeiros sons? 
____________ 
• Quando começou a falar? 
_______________________________________ 
• Fala corretamente? Sim ( ) Não ( ). Quais as dificuldades 
apresentadas? 
_______________________________________________________________ 
• Seu filho era compreendido quando começou a falar? Sim ( ) Não ( ) 
 
 
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• Seu filho (a) troca “letras” na fala atualmente. Sim ( ) Não ( ) 
• Compreende a língua falada, atende o que é solicitado. Sim ( ) Não ( ) 
• Já apresentou problemas de gagueira? Sim ( ) Não ( ) 
• Outras observações: 
_______________________________________________________________ 
 
V – Socialização 
• Frequentou creche ou berçário? A partir de que 
idade?__________________ 
• Quando começou a frequentar a 
escola?____________________________ 
• Teve boa adaptação na escola? Sim ( ) Não ( ) 
• Prefere de ficar em grupo ou sozinho? 
_____________________________ 
• Faz amigos facilmente? Sim ( ) Não ( ) 
• Chora fácil? Sim ( ) Não ( ) 
• É calmo ou se irrita fácil? 
________________________________________ 
• Obedece ordens facilmente? Sim ( ) Não ( ) 
• Como é a educação dos pais frente a disciplina do 
filho?_______________ 
• Outras observações: 
_______________________________________________________________ 
 
VI – Aspecto físicos 
• Seu filho enxerga bem? Não ( ) Sim ( ) 
• Seu filho usa óculos? Não ( ) Sim ( ) 
• Seu filho ouve bem? Não ( ) Sim ( ) 
• Tem algum problema em relação a sexualidade? Manipulações? Não ( ) 
Sim ( ) 
• Tem teve alguma doença ou já foi submetida a alguma intervenção 
cirúrgica? 
Não ( ) Sim ( ). Qual?___________________________________________ 
 
• Seu filho tem alergia a alguma coisa? Não ( ) Sim ( ) Qual?_________ 
 
 
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• A criança apresenta tiques? Não ( ) Sim ( ). Qual?________________ 
• Tem algum problema de saúde? Não ( ) Sim ( ). Qual?_____________ 
• Faz uso de medicamentos? Não ( ) Sim ( ). 
Qual?_____________________ 
• Outras observações: 
 
VII - Histórico escolar: (Pré-escola: gostou de ir para a escola. Gosta de aprender 
coisas novas, gosta de estudar. Recebe ajuda nos estudos em casa, qual. 
Reação da família frente suas dificuldades escolares. Dificuldades na leitura ou 
na escrita, em matemática. Tem algum defeito de fala.) 
_______________________________________________________________ 
Outras Observações: 
_______________________________________________________________ 
Data: ______/ ______/ ______. 
____________________________________________ 
Nome completo do profissional que procedeu a entrevista 
 
_____________________________________________ 
Assinatura e função que exerce 
 
É importante destacar que esses dados possibilitam ao psicopedagogo 
compreender a vida do paciente e a de sua família, o que contribui com o 
processo de confirmação de hipótese e possibilita o levantamento de novas 
hipóteses. 
Outro fator a ser lembrado é a postura do psicopedagogo frente aos pais. 
Lembre-se de que a adequação das palavras, o tom de voz, a paciência e a 
discrição fazem parte da ética profissional e do respeito que devemos ter para 
com os outros. 
TEMA 3 – SESSÕES LÚDICAS CENTRADAS NA APRENDIZAGEM 
Depois da anamnese, as sessões lúdicas centradas na aprendizagem são 
um importante suporte para a observação do sujeito em suas dimensões afetivas 
e cognitivas. Elas darão o suporte às primeiras hipóteses em relação à queixa 
apresentada. Segundo Weiss (2004), o lúdico é um importante instrumento para 
coletar dados, pois, ao observar o sujeito brincar, pode-se perceber suas 
 
 
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ansiedades, atitudes e dificuldades, ficando mais fácil a confirmação ou não das 
hipóteses para a orientação quanto aos testes que serão usados no decorrer das 
sessões posteriores. 
Toda criança interage com brinquedos expressando a realidade de seu 
mundo interno e a sua relação com o mundo externo. Brincar é uma forma de 
expressão; por meio do jogo definem-se papéis e espaço, que mostram como a 
criança se relaciona com o meio e com os outros. O material utilizado nas 
sessões lúdicas pode ser um brinquedo ou jogos diversos, de acordo com a faixa 
etária e o interesse que se quer investigar. 
A ludicidade é parte fundamental no processo de investigação do 
diagnóstico psicopedagógico. É mais fácil perceber a conduta de crianças ejovens diante de diversas situações por meio de jogos e brincadeiras. A 
brincadeira é uma atividade inerente ao ser humano, e o ato de brincar é 
intrínseco à vida e ao aprendizado (Zatz; Zatz; Halaban, 2007). Assim, a 
brincadeira se torna um importante instrumento de avaliação psicodiagnóstica 
no trabalho terapêutico, pois, na brincadeira e na ludicidade, o sujeito estimula a 
imaginação, a criatividade, a afetividade, a socialização, o raciocínio, entre 
outros. Ela também faz com que a criança perceba os limites que lhes são 
impostos e demonstre como lida com eles. 
A observação lúdica é uma técnica de compilação de dados que auxilia 
na investigação dos aspectos mais significativos para a formulação das 
hipóteses. Trata-se de uma observação da espontaneidade da criança na 
escolha dos brinquedos e na interação com as brincadeiras, não devendo 
constrangê-la pelo fato de se sentir observada. 
Os objetivos da sessão lúdica são: 
 auxiliar no diagnóstico de crianças que não respondem a outras formas 
de avaliação; 
 auxiliar na investigação das dificuldades apresentadas nas áreas diversas 
de desenvolvimento, possibilitando o levantamento de hipóteses. 
As estratégias para realizar uma sessão lúdica estão em preparar 
brinquedos diversos de acordo com a faixa etária, o interesse e o que se quer 
investigar. Os brinquedos devem ficar expostos para que a criança interaja com 
eles. Deve-se observar: 
 a interação da criança com o brinquedo; 
 
 
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 os repertórios cognitivo, afetivo, motor, funcional e social da criança; 
 o nível e o tipo de linguagem; 
 a conduta; 
 a proposta de brincadeiras; 
 a centralização em brinquedos regressivos ou superiores à idade da 
criança; 
 o levantamento de hipóteses. 
A observação lúdica é também indicada no diagnóstico de crianças 
portadoras de necessidades especiais em idade pré-escolar ou escolar, quando 
não têm repertório de linguagem verbal e não respondem a outras formas de 
investigação. Ela também poder ser utilizada em casos de crianças com 
suspeitas de hiperatividade ou distúrbios de comportamento como autismo, 
psicose, esquizofrenia etc., que não respondem a outras formas de investigação. 
TEMA 4 – PROVAS E TESTES PSICOPEDAGÓGICOS 
As provas e os testes psicopedagógicos são usados quando há 
necessidade de investigar algo específico em nível pedagógico, em termos de 
estrutura cognitiva e/ou emocional do sujeito. São recursos extras e, para usá-
los, deve-se levar em consideração os seguintes aspectos: queixa, hipóteses, 
faixa etária e áreas de desenvolvimento (cognitiva, afetiva ou funcional) que se 
deseja investigar. 
Existem diversos testes e provas formais que podem ser utilizados em um 
diagnóstico psicopedagógico para avaliação cognitiva e afetiva, como: as provas 
piagetianas do diagnóstico operatório, testes projetivos, testes psicométricos, 
como as provas de inteligência WISC, testes que avaliam os aspectos 
psicomotores, linguagem e as habilidades acadêmicas: 
leitura/escrita/matemática, como exemplo, o teste de desempenho escolar. 
Devemos nos lembrar de que o Código de Ética do Psicopedagogo prevê 
a utilização de testes próprios da psicopedagogia, sendo que alguns são de uso 
exclusivo do psicólogo. 
Os testes e as provas psicopedagógicas podem confirmar ou não as 
suspeitas relacionadas à queixa, além de identificar problemas de 
aprendizagem. Com base nos resultados obtidos, é possível indicar um 
tratamento psicopedagógico ou fazer um encaminhamento. 
 
 
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TEMA 5 – ANÁLISE DOS RESULTADOS 
Um dos problemas da avaliação diagnóstica decorre da realização de uma 
análise equivocada do processo de avaliação do sujeito. Deve-se tomar cuidado 
para que o psicopedagogo não se limite a apresentar um diagnóstico que 
somente sirva para rotular o sujeito. 
A análise de resultados requer a compreensão do sujeito como um todo, 
além dos processos sociais e das relações vinculares, com a família e amigos. 
Requer compreender o que o sujeito sabe realizar e quais as dificuldades de 
aprendizagem. Para Weiss (2012), o diagnóstico psicopedagógico deve ser feito 
levando-se em consideração diferentes aspectos que permeiam os processos 
de aprendizagem. São eles: 
 pedagógico: nível pedagógico de forma global. A avaliação pedagógica 
não se limita ao conteúdo escolar. O foco está no pedagógico, mas 
também estão presentes a ligação entre o seu funcionamento cognitivo e 
suas emoções ligadas ao significado de conteúdos e ações. Para se 
planejar uma avaliação é necessário distinguir a problemática existente 
em torno do período em que se dá basicamente o processo de 
alfabetização (Weiss, 2004, p. 94). A investigação do nível pedagógico 
pode ser feita de diferentes maneiras. Uma dela é utilizando as chamadas 
provas pedagógicas, que incluem textos de leitura, séries de problemas, 
entre outros. Também pode-se fazer análise do material de sala de aula, 
das provas e das entrevistas com a equipe escolar, o que funciona como 
complemento da avaliação diagnóstica; 
 cognitivo: nível de estrutura de pensamento, defasagens, funcionamento 
e raciocínio lógico. O diagnóstico operatório está ligado à estrutura 
cognoscitiva adequada, que permite a organização dos estímulos de 
modo a possibilitar a aquisição dos conteúdos programáticos ensinados 
em sala de aula (Weiss, 2004, p.105). Dentro de uma visão piagetiana, o 
conhecimento se constrói pela interação entre o sujeito e o meio, e ele 
acontece por estágios de desenvolvimento; 
 socioafetivo: informações sobre os aspectos emocional e relacional. A 
área social está vinculada principalmente à área afetiva, pois engloba a 
autoestima e a confiança em si mesmo e nos outros que estão 
relacionadas diretamente com as experiências sociais. Dessa forma, é 
 
 
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importante investigar as relações sociais familiares, escolares e consigo 
próprio. Essa investigação é realizada por meio de provas projetivas; 
 psicomotor: aspectos do desenvolvimento físico e avaliação da linguagem 
(atrasos na fala; trocas de fonemas). O desenvolvimento psicomotor 
engloba o desenvolvimento funcional de todo o corpo e suas partes. As 
atividades motoras desempenham na vida da criança um papel 
importante em muitas de suas primeiras iniciativas intelectuais. Qualquer 
distúrbio psicomotor está ligado a problemas que envolvem o indivíduo 
em sua totalidade. Distúrbios psicomotores e distúrbios afetivos estão 
estreitamente interligados. Os sintomas mais característicos desses 
distúrbios são os transtornos na área de ritmo, atenção, comportamento, 
esquema corporal, orientações espacial e temporal, lateralidade e 
maturação. 
Para identificar os problemas de psicomotricidade é preciso fazer uma 
avaliação psicomotora utilizando exercícios específicos, que verifiquem aspectos 
como: 
 qualidade tônica (rigidez ou relaxamento muscular); 
 qualidade gestual (dissociação manual e dos membros superiores e 
inferiores); 
 agilidade; 
 equilíbrio; 
 coordenação; 
 lateralidade; 
 organização temporal e espacial. 
NA PRÁTICA 
De acordo com as etapas da avaliação psicopedagógica clínica, sabemos 
da importância da entrevista da anamnese no diagnóstico. Assim, pesquise o 
desenvolvimento humano em seus aspectos biológico, cognitivo, afetivo e social, 
e faça uma entrevista de anamnese com no mínimo quinze questões que 
considere importantes para a investigação sobre o histórico do sujeito. 
 
 
 
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FINALIZANDO 
Nesta aula, analisamos as etapas de uma avaliação psicopedagógica 
clínica de acordo com a seguinte ordem: 
 entrevista familiar exploratória situacional EFES) e sua importância para 
compreender as relações familiares; 
 entrevista de anamnese para investigar a história do sujeito; 
 sessões lúdicas no diagnóstico psicopedagógico; 
 diversos provas e testes psicopedagógicos que são utilizados para 
confirmar ou não os problemas de dificuldades; cuidados ao analisar os resultados da avaliação psicopedagógica. 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BOSSE, V. R. P. O material disparador: considerações preliminares de uma 
experiência clínica psicopedagógica. Psicopedagogia: Revista da Associação 
Brasileira de Psicopedagogia, São Paulo, v. 14, n. 33, p. 5-7, 1995. 
FERNÁNDEZ, A. A inteligência aprisionada. 2. ed. Porto Alegre: Artes 
Médicas, 1991. 
MINUCHIN, S. Famílias: funcionamento & tratamento. Porto Alegre: Artes 
Médicas, 1982. 
PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto 
Alegre: Artes Médicas, 1992 [1981]. 
PRADO, D. O que é família. 1 ed. São Paulo: Brasiliense, 1981. (Coleção 
Primeiros Passos). 
WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas 
de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. 
_____. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de 
aprendizagem escolar. 14. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lamparina, 2012 
[1992]. 
WINNICOTT, D. W. O brincar & a realidade. Rio de janeiro: Imago, 1975. 
VISCA, J. Clínica psicopedagógica: epistemologia convergente. 2. ed. 
Tradução de L. M. S. Barbosa. São José dos Campos: Pulso, 2010. 
ZATZ, S.; ZATZ, A.; HALABAN, S. Brinca comigo! Tudo sobre brincar e os 
brinquedos. São Paulo: Marco Zero, 2007.

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