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AVALIAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA CLÍNICA AULA 3 Profª Genoveva Ribas Claro 2 CONVERSA INICIAL Olá! Sejam bem-vindos à nossa aula sobre avaliação psicopedagógica clínica. Hoje compreenderemos as etapas de um processo de avaliação. Elas podem seguir uma sequência diagnóstica; no entanto, não são rígidas e podem ser modificadas de acordo com a prática e a necessidade de cada psicopedagogo. Sugerimos o modelo desenvolvido por Weiss (1992), em que o processo diagnóstico é estruturado para que se possa observar a dinâmica de interação entre o cognitivo e o afetivo, da qual resulta o funcionamento do sujeito (Bosse, 1995). De acordo com Weiss (1992), após a análise da queixa e da entrevista operativa centrada na aprendizagem (EOCA), devem ser realizados: entrevista familiar exploratória situacional (EFES); entrevista de anamnese; sessões lúdicas centradas na aprendizagem (para crianças); provas e testes (quando necessário). Assim, nesta aula, entenderemos a atuação do profissional na realização de um diagnostico eficaz e no estabelecimento de uma intervenção adequada. Para isso, teremos que: identificar as etapas do processo de avaliação psicopedagógica clínica; analisar a EFES; elaborar o roteiro de anamnese e aplicá-lo; reconhecer a importância das sessões lúdicas na aprendizagem; utilizar testes e provas psicopedagógicas; analisar os resultados da avaliação diagnóstica. TEMA 1 – ENTREVISTA FAMILIAR EXPLORATÓRIA SITUACIONAL (EFES) A entrevista familiar exploratória situacional (EFES) nos dá a possibilidade de compreender a queixa nas dimensões da instituição, da família e do próprio sujeito, pois ela possibilita uma análise dinâmica que envolve as várias pessoas da família. Nessa entrevista é possível reunir pais, irmãos e o sujeito. Quando o sujeito é criança ou adolescente é preciso perceber as relações entre ele e sua família, os papéis de cada um na dinâmica familiar, além das expectativas deborah Highlight deborah Highlight 3 familiares quanto à sua aprendizagem e ao seu tratamento. Alguns pais demonstram aceitação do tratamento e engajamento, o que facilita no processo diagnóstico. Se isso não ocorrer, a família precisará de orientação, então inicie explicando os procedimentos da avaliação. A família faz parte do processo de diagnóstico, pois tem a oportunidade de fazer considerações sobre a real situação do desenvolvimento de seu filho e de desenvolver questões para reflexão sobre o contexto familiar. É fundamental, no diagnóstico do sujeito, buscar compreender a sua história de vida e o papel importante da família em sua formação. Também é preciso perceber como a família age diante das dificuldades enfrentadas. Weiss (2012) contribui para esse tema, esclarecendo que ele é “um processo de construção que se dá na interação permanente do sujeito com o meio que o cerca. Meio esse expresso inicialmente pela família, depois pelo acréscimo da escola, ambos permeados pela sociedade em que estão. Essa construção se dá sob a forma de estruturas complexas” (Weiss, 2012, p. 30). A constituição familiar, hoje, é muito diversificada. Quando a família era constituída por pai, mãe e filhos, as funções de cada componente eram bem delimitadas, sendo que cabia ao pai prover o sustento da família, e à mãe, cuidar da casa e da educação das crianças. Hoje em dia os papéis exercidos já não são tão definidos assim, e passaram a ser compartilhados com outras pessoas. De acordo com Minuchin (1982), a família exerce uma grande influência sobre os membros que a constituem, podendo ser essa influência positiva ou negativa. Com as mudanças na sociedade em relação à inserção da mulher no mercado de trabalho e à responsabilidade com os cuidados à criança, a mídia foi modificando as relações familiares e as questões de autoridade e limites. Prado (1981) afirma que, por conta dessa demanda das famílias, a escola passou a participar ainda mais da formação das crianças como cidadãs. A família, independentemente de conflitos, é a primeira instituição que influencia de maneira significativa as primeiras experiências vivenciadas pela criança e que vai formando sua personalidade e a base educacional, ou seja, valores, leis, costumes e crenças, que são transmitidas culturalmente. Na EFES, observe as relações de autoridade e dependência, os papéis exercidos por cada integrante e a comunicação entre os membros da família. Vale ressaltar que a família, independentemente de sua constituição, tem um deborah Highlight deborah Highlight deborah Highlight deborah Highlight deborah Highlight deborah Highlight deborah Highlight 4 papel intransferível de participação na vida do sujeito e em seu desenvolvimento intelectual, social, emocional e cognitivo. TEMA 2 – ENTREVISTA DE ANAMNESE A anamnese, de acordo com Weiss (1992), é essencial para a investigação diagnóstica. Por meio de um roteiro estruturado são coletadas informações do passado e do presente do sujeito, juntamente com as variáveis existentes em seu meio. É importante observar qual é a visão da família sobre a história do sujeito, além de preconceitos, expectativas, afetos, conhecimentos e tudo aquilo que é depositado sobre ele. Weiss (2004) cita que toda anamnese já é, em si, uma intervenção na dinâmica familiar, pois faz os pais refletirem sobre a história do sujeito e sua própria intervenção. A entrevista deve abordar desde o início da gestação, se a gravidez foi desejada ou não, como foi a concepção e o nascimento; analisar os aspectos do desenvolvimento biológico, cognitivo e social; tratar da evolução geral do sujeito, como aquisição de hábitos, linguagem, desenvolvimento motor. Além disso, nela deve-se perguntar sobre a história clínica do sujeito – doenças, laudos e sequelas –, e sua história escolar e projeções. A anamnese constitui-se em uma segunda entrevista com os pais, e seu objetivo é obter dados sobre a história vital do avaliado. É conveniente realizá-la depois de se conhecer um pouco o paciente por meio da entrevista operativa centrada na aprendizagem (EOCA), pois ela poderá confirmar ou descartar algumas hipóteses levantadas na entrevista operativa. A história de vida do sujeito fornece uma série de dados objetivos que estão vinculados ao problema atual e permite detectar o grau de individuação que o avaliando tem com a mãe – e considerar se a sua história é uma continuação da história dela – e seus estágio de desenvolvimento. A entrevista deve conter um esquema de perguntas bem estabelecidos para que o avaliador recolha o maior número de informações possíveis, mas será só o elemento norteador, pois a entrevista deverá ser o mais livre possível, possibilitando aos entrevistadores contar fatos relevantes da história familiar, do avaliando, da própria história dos entrevistadores etc. 5 2.1 Roteiro de anamnese IDENTIFICAÇÃO: • Nome do aluno(a): _______________________________ Sexo: F ( ) M ( ) • Idade: __________ Data de nascimento: ____/____/____ • Nome da mãe: ______________________________ Profissão: __________ • Nome do pai: _______________________________ Profissão: __________ NA GESTAÇÃO: • Como recebeu a notícia da gravidez? Foi planejada? ______________________________________________________________ • Qual foi a alimentação da mãe durante a gestação? Teve enjoo? _______________________________________________________________ • Fez uso de vitaminas e complementos? Não ( ) Sim ( ) • Fez uso de álcool, drogas, cigarros durante a gestação? Não ( ) Sim ( ) • Houve um fato marcante na gestação? Não ( ) Sim ( ) Qual? ____________ _______________________________________________________________ • Tempo gestacional? ____________________________________________ • Outras observações: radiografia, exame de sangue,transfusão, medicamentos (quais?). Acidentes, hemorragia, convulsão, rubéola, outras doenças (quais?)._______________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ PARTO: • Local: Em casa ( ) Na maternidade ( ) • Desenvolvimento do parto (natural, fórceps, cesariana)? _____________________________________________________________ • Teve alguma complicação no parto? Não ( ) Sim ( ) Qual? _____________ _______________________________________________________________ 6 • A criança precisou de cuidados especiais (incubadora, outros)? Não ( ) Sim ( ) Por quanto tempo?___________________________________________ • Qual era o peso e o tamanho do bebê ao nascer? _____________________________________________________________ • Foram feitos os exames no recém-nascido? Não ( ) Sim ( ) • Houve alguma alteração nos exames? Não ( ) Sim ( ) Qual? ____________ _______________________________________________________________ • A criança aceitou o leite materno? Teve boa sucção? Não ( ) Sim ( ) DESENVOLVIMENTO: I – Alimentação • Amamentou? Não ( ) Sim ( ) Até quanto tempo?_____________________ • Como foi o desmame? Houve alguma dificuldade? Não ( ) Sim ( ). Qual? _______________________________________________________________ • Usou mamadeira? Não ( ) Sim ( ). Até quando?_____________________ • Quando começou a experimentar outros tipos de alimento além do leite materno? _____________________________________________________ • A criança tem horários para se alimentar? Não ( ) Sim ( ) • Necessita de ajuda para se alimentar? Não ( ) Sim ( ) • Qual foi a atitude da criança diante a refeição? Onde e como ela se alimenta? _______________________________________________________________ • Tem alguma alergia ou restrição alimentar? Não ( ) Sim ( ) Qual? ________ _______________________________________________________________ • Outras observações: _______________________________________________________________ II – Desenvolvimento motor • Quando sustentou a cabeça?______________________________ • Quando sentou? ________________________________________ • Quando engatinhou?_____________________________________ 7 • Quando ficou em pé sozinho, apoiando-se? ___________________ • Quando começou a andar? ______________________________________ • Gosta de atividades físicas? _______________________________________ • Preferência por alguma das mãos? _________________________________ • Tem ou teve algum problema de locomoção? _________________________ • Outras observações: _______________________________________________________________ III Autonomia • Usou fraldas até quando? _______________________________________ • Foi tranquilo o desfralde? Não ( ) Sim ( ) • Usou chupeta? Não ( ) Sim ( ). Até que idade?_______________________ • Chupa dedo? Não ( ) Sim ( ) Até quando?___________________________ • Dorme sozinho? Não ( ) Sim ( ) Como é o sono? Calmo ou agitado? • Consegue ir ao banheiro sozinha? Não ( ) Sim ( ) A partir de que idade? • Outras Observações: Como é sua autonomia? Realiza atividades sozinho (vestir-se, colocar sapato, cuidados com a higiene, etc.) _______________________________________________________________ IV - Linguagem • Quando começou os primeiros balbucios, os primeiros sons? ____________ • Quando começou a falar? _______________________________________ • Fala corretamente? Sim ( ) Não ( ). Quais as dificuldades apresentadas? _______________________________________________________________ • Seu filho era compreendido quando começou a falar? Sim ( ) Não ( ) 8 • Seu filho (a) troca “letras” na fala atualmente. Sim ( ) Não ( ) • Compreende a língua falada, atende o que é solicitado. Sim ( ) Não ( ) • Já apresentou problemas de gagueira? Sim ( ) Não ( ) • Outras observações: _______________________________________________________________ V – Socialização • Frequentou creche ou berçário? A partir de que idade?__________________ • Quando começou a frequentar a escola?____________________________ • Teve boa adaptação na escola? Sim ( ) Não ( ) • Prefere de ficar em grupo ou sozinho? _____________________________ • Faz amigos facilmente? Sim ( ) Não ( ) • Chora fácil? Sim ( ) Não ( ) • É calmo ou se irrita fácil? ________________________________________ • Obedece ordens facilmente? Sim ( ) Não ( ) • Como é a educação dos pais frente a disciplina do filho?_______________ • Outras observações: _______________________________________________________________ VI – Aspecto físicos • Seu filho enxerga bem? Não ( ) Sim ( ) • Seu filho usa óculos? Não ( ) Sim ( ) • Seu filho ouve bem? Não ( ) Sim ( ) • Tem algum problema em relação a sexualidade? Manipulações? Não ( ) Sim ( ) • Tem teve alguma doença ou já foi submetida a alguma intervenção cirúrgica? Não ( ) Sim ( ). Qual?___________________________________________ • Seu filho tem alergia a alguma coisa? Não ( ) Sim ( ) Qual?_________ 9 • A criança apresenta tiques? Não ( ) Sim ( ). Qual?________________ • Tem algum problema de saúde? Não ( ) Sim ( ). Qual?_____________ • Faz uso de medicamentos? Não ( ) Sim ( ). Qual?_____________________ • Outras observações: VII - Histórico escolar: (Pré-escola: gostou de ir para a escola. Gosta de aprender coisas novas, gosta de estudar. Recebe ajuda nos estudos em casa, qual. Reação da família frente suas dificuldades escolares. Dificuldades na leitura ou na escrita, em matemática. Tem algum defeito de fala.) _______________________________________________________________ Outras Observações: _______________________________________________________________ Data: ______/ ______/ ______. ____________________________________________ Nome completo do profissional que procedeu a entrevista _____________________________________________ Assinatura e função que exerce É importante destacar que esses dados possibilitam ao psicopedagogo compreender a vida do paciente e a de sua família, o que contribui com o processo de confirmação de hipótese e possibilita o levantamento de novas hipóteses. Outro fator a ser lembrado é a postura do psicopedagogo frente aos pais. Lembre-se de que a adequação das palavras, o tom de voz, a paciência e a discrição fazem parte da ética profissional e do respeito que devemos ter para com os outros. TEMA 3 – SESSÕES LÚDICAS CENTRADAS NA APRENDIZAGEM Depois da anamnese, as sessões lúdicas centradas na aprendizagem são um importante suporte para a observação do sujeito em suas dimensões afetivas e cognitivas. Elas darão o suporte às primeiras hipóteses em relação à queixa apresentada. Segundo Weiss (2004), o lúdico é um importante instrumento para coletar dados, pois, ao observar o sujeito brincar, pode-se perceber suas 10 ansiedades, atitudes e dificuldades, ficando mais fácil a confirmação ou não das hipóteses para a orientação quanto aos testes que serão usados no decorrer das sessões posteriores. Toda criança interage com brinquedos expressando a realidade de seu mundo interno e a sua relação com o mundo externo. Brincar é uma forma de expressão; por meio do jogo definem-se papéis e espaço, que mostram como a criança se relaciona com o meio e com os outros. O material utilizado nas sessões lúdicas pode ser um brinquedo ou jogos diversos, de acordo com a faixa etária e o interesse que se quer investigar. A ludicidade é parte fundamental no processo de investigação do diagnóstico psicopedagógico. É mais fácil perceber a conduta de crianças ejovens diante de diversas situações por meio de jogos e brincadeiras. A brincadeira é uma atividade inerente ao ser humano, e o ato de brincar é intrínseco à vida e ao aprendizado (Zatz; Zatz; Halaban, 2007). Assim, a brincadeira se torna um importante instrumento de avaliação psicodiagnóstica no trabalho terapêutico, pois, na brincadeira e na ludicidade, o sujeito estimula a imaginação, a criatividade, a afetividade, a socialização, o raciocínio, entre outros. Ela também faz com que a criança perceba os limites que lhes são impostos e demonstre como lida com eles. A observação lúdica é uma técnica de compilação de dados que auxilia na investigação dos aspectos mais significativos para a formulação das hipóteses. Trata-se de uma observação da espontaneidade da criança na escolha dos brinquedos e na interação com as brincadeiras, não devendo constrangê-la pelo fato de se sentir observada. Os objetivos da sessão lúdica são: auxiliar no diagnóstico de crianças que não respondem a outras formas de avaliação; auxiliar na investigação das dificuldades apresentadas nas áreas diversas de desenvolvimento, possibilitando o levantamento de hipóteses. As estratégias para realizar uma sessão lúdica estão em preparar brinquedos diversos de acordo com a faixa etária, o interesse e o que se quer investigar. Os brinquedos devem ficar expostos para que a criança interaja com eles. Deve-se observar: a interação da criança com o brinquedo; 11 os repertórios cognitivo, afetivo, motor, funcional e social da criança; o nível e o tipo de linguagem; a conduta; a proposta de brincadeiras; a centralização em brinquedos regressivos ou superiores à idade da criança; o levantamento de hipóteses. A observação lúdica é também indicada no diagnóstico de crianças portadoras de necessidades especiais em idade pré-escolar ou escolar, quando não têm repertório de linguagem verbal e não respondem a outras formas de investigação. Ela também poder ser utilizada em casos de crianças com suspeitas de hiperatividade ou distúrbios de comportamento como autismo, psicose, esquizofrenia etc., que não respondem a outras formas de investigação. TEMA 4 – PROVAS E TESTES PSICOPEDAGÓGICOS As provas e os testes psicopedagógicos são usados quando há necessidade de investigar algo específico em nível pedagógico, em termos de estrutura cognitiva e/ou emocional do sujeito. São recursos extras e, para usá- los, deve-se levar em consideração os seguintes aspectos: queixa, hipóteses, faixa etária e áreas de desenvolvimento (cognitiva, afetiva ou funcional) que se deseja investigar. Existem diversos testes e provas formais que podem ser utilizados em um diagnóstico psicopedagógico para avaliação cognitiva e afetiva, como: as provas piagetianas do diagnóstico operatório, testes projetivos, testes psicométricos, como as provas de inteligência WISC, testes que avaliam os aspectos psicomotores, linguagem e as habilidades acadêmicas: leitura/escrita/matemática, como exemplo, o teste de desempenho escolar. Devemos nos lembrar de que o Código de Ética do Psicopedagogo prevê a utilização de testes próprios da psicopedagogia, sendo que alguns são de uso exclusivo do psicólogo. Os testes e as provas psicopedagógicas podem confirmar ou não as suspeitas relacionadas à queixa, além de identificar problemas de aprendizagem. Com base nos resultados obtidos, é possível indicar um tratamento psicopedagógico ou fazer um encaminhamento. 12 TEMA 5 – ANÁLISE DOS RESULTADOS Um dos problemas da avaliação diagnóstica decorre da realização de uma análise equivocada do processo de avaliação do sujeito. Deve-se tomar cuidado para que o psicopedagogo não se limite a apresentar um diagnóstico que somente sirva para rotular o sujeito. A análise de resultados requer a compreensão do sujeito como um todo, além dos processos sociais e das relações vinculares, com a família e amigos. Requer compreender o que o sujeito sabe realizar e quais as dificuldades de aprendizagem. Para Weiss (2012), o diagnóstico psicopedagógico deve ser feito levando-se em consideração diferentes aspectos que permeiam os processos de aprendizagem. São eles: pedagógico: nível pedagógico de forma global. A avaliação pedagógica não se limita ao conteúdo escolar. O foco está no pedagógico, mas também estão presentes a ligação entre o seu funcionamento cognitivo e suas emoções ligadas ao significado de conteúdos e ações. Para se planejar uma avaliação é necessário distinguir a problemática existente em torno do período em que se dá basicamente o processo de alfabetização (Weiss, 2004, p. 94). A investigação do nível pedagógico pode ser feita de diferentes maneiras. Uma dela é utilizando as chamadas provas pedagógicas, que incluem textos de leitura, séries de problemas, entre outros. Também pode-se fazer análise do material de sala de aula, das provas e das entrevistas com a equipe escolar, o que funciona como complemento da avaliação diagnóstica; cognitivo: nível de estrutura de pensamento, defasagens, funcionamento e raciocínio lógico. O diagnóstico operatório está ligado à estrutura cognoscitiva adequada, que permite a organização dos estímulos de modo a possibilitar a aquisição dos conteúdos programáticos ensinados em sala de aula (Weiss, 2004, p.105). Dentro de uma visão piagetiana, o conhecimento se constrói pela interação entre o sujeito e o meio, e ele acontece por estágios de desenvolvimento; socioafetivo: informações sobre os aspectos emocional e relacional. A área social está vinculada principalmente à área afetiva, pois engloba a autoestima e a confiança em si mesmo e nos outros que estão relacionadas diretamente com as experiências sociais. Dessa forma, é 13 importante investigar as relações sociais familiares, escolares e consigo próprio. Essa investigação é realizada por meio de provas projetivas; psicomotor: aspectos do desenvolvimento físico e avaliação da linguagem (atrasos na fala; trocas de fonemas). O desenvolvimento psicomotor engloba o desenvolvimento funcional de todo o corpo e suas partes. As atividades motoras desempenham na vida da criança um papel importante em muitas de suas primeiras iniciativas intelectuais. Qualquer distúrbio psicomotor está ligado a problemas que envolvem o indivíduo em sua totalidade. Distúrbios psicomotores e distúrbios afetivos estão estreitamente interligados. Os sintomas mais característicos desses distúrbios são os transtornos na área de ritmo, atenção, comportamento, esquema corporal, orientações espacial e temporal, lateralidade e maturação. Para identificar os problemas de psicomotricidade é preciso fazer uma avaliação psicomotora utilizando exercícios específicos, que verifiquem aspectos como: qualidade tônica (rigidez ou relaxamento muscular); qualidade gestual (dissociação manual e dos membros superiores e inferiores); agilidade; equilíbrio; coordenação; lateralidade; organização temporal e espacial. NA PRÁTICA De acordo com as etapas da avaliação psicopedagógica clínica, sabemos da importância da entrevista da anamnese no diagnóstico. Assim, pesquise o desenvolvimento humano em seus aspectos biológico, cognitivo, afetivo e social, e faça uma entrevista de anamnese com no mínimo quinze questões que considere importantes para a investigação sobre o histórico do sujeito. 14 FINALIZANDO Nesta aula, analisamos as etapas de uma avaliação psicopedagógica clínica de acordo com a seguinte ordem: entrevista familiar exploratória situacional EFES) e sua importância para compreender as relações familiares; entrevista de anamnese para investigar a história do sujeito; sessões lúdicas no diagnóstico psicopedagógico; diversos provas e testes psicopedagógicos que são utilizados para confirmar ou não os problemas de dificuldades; cuidados ao analisar os resultados da avaliação psicopedagógica. 15 REFERÊNCIAS BOSSE, V. R. P. O material disparador: considerações preliminares de uma experiência clínica psicopedagógica. Psicopedagogia: Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia, São Paulo, v. 14, n. 33, p. 5-7, 1995. FERNÁNDEZ, A. A inteligência aprisionada. 2. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1991. MINUCHIN, S. Famílias: funcionamento & tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas, 1982. PAIN, S. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992 [1981]. PRADO, D. O que é família. 1 ed. São Paulo: Brasiliense, 1981. (Coleção Primeiros Passos). WEISS, M. L. L. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. Rio de Janeiro: DP&A, 2004. _____. Psicopedagogia clínica: uma visão diagnóstica dos problemas de aprendizagem escolar. 14. ed. rev. e ampl. Rio de Janeiro: Lamparina, 2012 [1992]. WINNICOTT, D. W. O brincar & a realidade. Rio de janeiro: Imago, 1975. VISCA, J. Clínica psicopedagógica: epistemologia convergente. 2. ed. Tradução de L. M. S. Barbosa. São José dos Campos: Pulso, 2010. ZATZ, S.; ZATZ, A.; HALABAN, S. Brinca comigo! Tudo sobre brincar e os brinquedos. São Paulo: Marco Zero, 2007.