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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Questionário para Professores da Educação Infantil Eliane da Silva Vizioli Luana Dalmás Zappelo Luciana Maciel Serafim Seusa Maria Zanchet Varela Dados da Professora: Nome: Carmen Susana Polli Formação: Licenciatura em Pedagogia, Licenciatura Plena e Letras e Pedagogia, BEM-Informática Aplicada a Educação, Educação Interdisciplinar com Ênfase em Língua Inglesa, Licenciatura em Letras habilitação em Língua Portuguesa e Língua Espanhola e Suas Respectivas Literaturas, Cursando Pós Graduação em Educação Infantil, Cursando Docência em Ensino Religioso. Ano da Formação: 25 anos Tempo de docência: 25 anos Tempo de docência na educação infantil: 25 anos Escola(s) em que trabalha: Escola Municipal de Educação Infantil Crescendo Com Você Cidade: Caseiros – RS Questão 1) A BNCC procura, a partir dos princípios de interações, experiências e brincadeiras necessárias para a construção do conhecimento, chegar à conclusão de que, brincando, também é possível educar? Como você explica isso? Resposta: Sim, brincando também é possível educar, pois, a escola se torna muito mais interessante, quando temos muitas brincadeiras e atividades psicomotoras envolventes e atrativas para as crianças. A professora também tem que brincar, interagir, se entregar às atividades juntamente com as crianças. O professor tem que encantar suas crianças, seus alunos. Todos os conteúdos podem ser planejados, contendo brincadeiras, na maneira de explicitá-los, de apresentá-los às crianças. E sendo assim, aprende-se brincando também. Brincando também se educa. Brincando também se aprende regras e valores. Brincando também se educa para a cidadania. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Questão 2) Seu planejamento escolar é guiado pelos 6 direitos de aprendizagem propostos pela BNCC? De que forma? Resposta: Procuro planejar da melhor maneira possível, pensando sempre em trazer a alegria para as aulas. Procuro envolver todas as crianças, nas brincadeiras e atividades psicomotoras. O direito de conviver, é apresentado em todos os momentos das aulas, pois é necessário educar para a convivência. As crianças gostam de estarem umas com as outras, e a escola deve reforçar isto. O planejamento, muitas vezes tem-se que modifica-lo no decorrer da aula. Muitas vezes planejei e tive que mudar, pois tinha que ensinar a conviverem uns com os outros. Como o fiz? Sendo escriba e perguntando para as crianças sugerirem o que, e como podemos conviver harmoniosamente. E assim, criamos acordos didáticos, onde todos participaram e todos cobraram. Muitas vezes a falta de limites de algumas crianças, fez com que o planejamento fosse imediatamente modificado. Então o primeiro direito de aprendizagem realmente deve se o de conviver! Foto: Arquivo Pessoal UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 O direito de conviver. Convivendo em harmonia, explorando, expressando em diferentes linguagens, pela pintura, pela arte visual. O direito de brincar, este é primordial ao desenvolvimento infantil, em todas as faixas etárias da creche, e do pré-escolar. Brinca-se na turma, no recreio com os colegas de outras turmas, e brinca-se com a professora. Neste ano atípico, os familiares estão brincando com as crianças, os familiares estão convivendo muito mais com as crianças. Não temos muitos espaços para o brincar, apenas o pátio da escola com playground, grama, área coberta, e pátio coberto para dias de chuva. Todos os dias tem-se brincadeiras com a turma. Foto: Arquivo Pessoal O direito de brincar. O direito de conviver. O brincar é o que a infância tem de mais belo. Os adultos devem respeitar, e serem companheiros deste brincar O direito de participar, é bem interessante, pois quando a faixa etária é menor, as crianças participam mais, pela curiosidade e expectativa de explorar o brinquedo ou o ambiente. Porém na educação infantil, quando já possuem um vocabulário mais rico, é interessante ouvir, observar os comentários que fazem sobre as atividades propostas. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Participar é o ponto chave do desenvolvimento psicomotor. Tem crianças que devem ser ensinadas a se liberarem das amarras da timidez, da vergonha, do medo. Observa- se muitas crianças bem livres, e empolgadas em participar de tudo. A convivência, se faz participando por meio do brincar. Observa-se que um direito é ligado ao outro, um puxa o outro, literalmente. O direito de explorar, é garantido quando a criança brinca, quando convive, quando participa de experiências cotidianas instigantes. Explorar o mundo a sua volta, é amassar, pegar, pisar, picotar, sentir o sabor, sentir o cheiro, sentir o tato, sentir no coração, é sentir as emoções. O nome deste direito de aprendizagem é o que levará a criança a tornar-se um pequeno cientista do seu mundo. O direito de expressar, é quando a criança demonstra, pelas suas diferentes linguagens, pelas suas cem linguagens, como nos diz Malaguzzi. Quando a criança expressa que é um sujeito dialógico, que tem emoções, que é criativa, que tem sensibilidade, que tem dúvidas, que faz questionamentos, que é um pequeno cidadão ou cidadã, com direitos e deveres. Faz-se muito isto no momento da roda de conversa, nos momentos de conflito, senta-se e conversa-se. Então, expressa-se é interligado com o brincar, com o conviver, com o explorar, com o participar. O direito de conhecer, após o período de adaptação e identidade realizado no primeiro trimestre, e muitas vezes o ano todo, podemos dizer que nos conhecemos. As crianças se conhecem umas às outras, durante o período de adaptação e, se conhecendo conseguem se expressar, conviver, explorar, participar e brincar. Temos todos estes direitos, que fazem parte de nosso planejamento. Às vezes estão ocultos e muitas vezes, ou na maioria das vezes, estão explícitos em nossas aulas. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Arquivo Pessoal Aqui o direito de brincar, com a cantiga Meu Pintinho Amarelinho. Um brincar planejado. Brincando com a professora. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 O direito de explorar, por meio desta “roda de conversa”, dialogávamos sobre os cuidados, o respeito com a individualidade dele, o Pintinho Amarelinho. E, assim falávamos de cuidarmos uns dos outros e sermos companheiros e amiguinhos. Era um pintinho de corda, que caminhava. Questão 3) Na sua opinião, como você acha que esses direitos devem ser desenvolvidos no ambiente escolar? Resposta: Minha opinião estes direitos devem sim serem desenvolvidos no ambiente escolar. É necessário planejar sempre com a BNCC do lado, sempre pesquisando e seguindo orientações. A escola tem o dever de garantir tais direitos às suas crianças. E, é imprescindível que cada professor ou professora, tenha o comprometimento necessário, para garantir estes direitos. Questão 4) Na educação infantil existem direitos de aprendizagem e desenvolvimento. Como você trabalha o “Explorar” no seu trabalho pedagógico? Resposta: O Explorar, trabalha-se com muita atividade prática, com muita psicomotricidade,coordenação motora, artes visuais, oralidade, músicas, cantos, contação de histórias, expedições investigativas, experiências. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Arquivo Pessoal Explorando a Bandeira Nacional, explorando o tato, a visão, a linguagem, as cores, os desenhos, o país. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Arquivo Pessoal Explorando a “Girafinha Flor”, após a contação da história. A professora criou a girafa e doou para a turma de Pré 4 anos, que estavam trabalhando as amizades. E fomos convidados para a festa da amizade, na escola. Construí a Girafinha Flor, que chegou na escola, em grande estilo, durante a festa no pátio com todas as turmas. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Questão 5) A prática do diálogo e o compartilhamento de responsabilidades entre instituição de Educação Infantil e a família são essenciais. A instituição precisa conhecer e trabalhar com as culturas plurais, dialogando com a diversidade cultural das famílias e da comunidade. Que programações, planejamentos, tarefas ou aulas, você realiza promovendo a participação dos pais, famílias ou comunidade no ensino-aprendizagem? Resposta: Neste ano de 2020, com toda esta situação de pandemia vivida, tivemos que nos adaptar, reinventar, recriar, a maneira, de como ensinar conhecimento. Os familiares foram os grandes protagonistas deste ano letivo atípico. Aqui algumas imagens de atividades em ensino à distância, acompanhados pelo grupo de whatsapp, da turma Pré 4 anos/matutino. Arquivo Pessoal Piquenique em família, comemorando o Dia da Criança, em modalidade Ensino à distância. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Arquivo Pessoal UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 No período de Adaptação e Identidade, trabalhando o Projeto “Dona Centopéia” com a comunidade escolar, no ensino aprendizagem da cantiga Dona Centopéia. Uma Centopéia Gigante onde cada criança entrava num pedaço “do seu corpo” (centopéia). Arquivo Pessoal Expondo seu trabalho para a comunidade, sobre a purificação da água com filtro caseiro, montado pelas crianças. Estudo de “Cuidados do Meio- Ambiente!”, dentro do Projeto “Autonomia e Identidade”. Questão 6) Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, ampliando e diversificando o acesso a conhecimentos, a imaginação e a criatividade. Em suas aulas, os locais para brincadeiras são diversificados? Quais? As crianças podem criar suas próprias brincadeiras? Resposta: Na preparação e planejamento das aulas já é previsto, onde brincar e como brincar. Nossa escola tem um pátio razoável, com grama, parque, área coberta, casinha de UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 boneca, além de um pátio coberto no interior da escola, onde as crianças utilizam em dias de chuva. Brincamos na sala, no pátio, no parque. Fizemos brincadeiras dirigidas e livres. Também deixamos que elas brinquem no parque, e com os brinquedos da escola. Cada turma tem vários brinquedos que podem usar, como corda, aros, colchonetes, bolas, bonecas, peças de encaixe, brinquedos para desenvolver coordenação motora, como alinhavos, e vários outros construídos pela direção. Temos quebra-cabeças, casinhas, barracas, balanços. Questão 7) A interação e o convívio com o outro em sala de aula nem sempre é fácil, principalmente no início do ano letivo! Você como professora utiliza de quais materiais ou jogos para que, no ambiente escolar a criança perceba seus colegas (outro) e passe a interagir no meio dos outros (nós)? Resposta: A interação e o convívio no período de adaptação, é trabalhado com muitas histórias e leituras orientadas por mim, professora. Utilizo um vasto repertório de cantigas, dançamos, cantamos e interagimos. Utilizo vários materiais, como colchonetes, aros, bolas, cadeiras, objetos, para atividades psicomotoras, circuitos. Faço muitas atividades ao ar livre, como pular corda, amarelinha, e usamos o parque para atividades livres. Praticamente toda, manhã fizemos atividades. Costumo trabalhar o tempo todo junto com as crianças, minha prática é fazer junto, brincar junto, rolar no chão junto, engatinhar, virar cambalhota, correr, jogar bola, sempre junto, sempre pratico junto com as crianças. Nesta atitude de praticar junto com as crianças, os “novos” na escola, se sentem liberados para se soltarem, por que vêem a professora praticar com eles. Isto, faz com que o convívio inicial, do período de adaptação, os encante, e passam a amar a escola, a turma, a professora. E tive muitas crianças que quando chegava o momento de irem para casa, que não queriam ir, queriam ficar na escola. Isto era o resultado de sentirem-se amadas e valorizadas na escola, na minha turma, na minha prática. Meu lugar, era sentada no chão, com os bebes, quando trabalhei com maternais. E isto UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 encantava, isto os deixava felizes, pois a professora estava ali, brincando e demonstrando todo afeto, com aquelas crianças. Questão 8) Na escola que você trabalha são elaborados projetos que proporcionem aos alunos, um conhecimento mais amplo de si mesmo, do ser humano, da função da escola na sociedade? Se sim, qual o resultado ao fim do projeto? Resposta: No início do ano letivo, sempre planejamos um projeto geral, que irá nos embasar o ano letivo inteiro. Este projeto é decido com todas as professoras e direção. Porém, percebo que deveríamos ter a participação das crianças na escolha de projeto. Sei que um projeto tem que partir de uma indagação da criança. Neste sentido temos que repensar a maneira como escolhemos os projetos. Porém os projetos elaborados e desenvolvidos até então, proporciona o desenvolvimento intelectual das crianças. Tive projeto que desenvolveu a moralidade, como o projeto “valores”, já desenvolvido em outro ano. Teve projeto que desenvolveu as diferentes linguagens, como “Histórias Infantis”. E assim, sempre procurando o desenvolvimento e a interação com as famílias também. Questão 9) Sabemos que os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento se fazem presentes em todo o cotidiano escolar, desde as brincadeiras livres no pátio, até as atividades dirigidas, planejadas pelo professor. Desta forma, cite 2 intervenções pedagógicas intencionais que você já proporcionou aos seus alunos, onde os direitos de aprendizagem se fizeram presentes: Resposta: Dentro dos seis direitos de aprendizagens, acredito que procuro realizar todos os direitos, de repente, divididos em várias aulas, nem sempre no mesmo plano diário, mas nos planos semanais. Eu uma turma de Pré 5 anos, trabalhei uma história do livro de Tatiana Belinky – “Vulcão”. Exploramos tudo daquele livro, na capa exploramos cores, imagens, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 ilustrações, autora, ilustrador, título, editora. Na contra capa exploramos tudo também. Depois em cada página mostravaas ilustrações, e em uma roda de conversa, cada criança na sua vez participava, da leitura, da releitura, contribuindo com as opiniões e hipóteses de como seria ver um vulcão em erupção. Então, em artes visuais, decidimos construir um vulcão. A professora organizou todo o material, e iniciamos com a argila. 4(anexos) Com esta mesma turma, trabalhamos os nomes de cada um, onde o livro de Ilan Brenman – “De onde vem os nomes?”, foi nosso instrumento de trabalho. Construímos o livro na turma, após leitura e interpretação de todos os nomes, a professora solicitou a história de cada nome, das crianças da turma, aos familiares. Pesquisamos na internet o significado de cada nome, e cada criança, pintou sua página de amarelo, e ilustrou seu nome, com base no significado pesquisado. Este livro se encontra no acervo, da biblioteca da escola.4(anexos) Uma outra intervenção pedagógica foi o plantio de girassóis pelo Maternal I, onde todos plantamos, todos os dias molhávamos e, quando o girassol cresceu, no final do ano, cada um levou seu girassol para casa. As crianças do maternal, com um ano, aprenderam a falar girassol e girassóis. Era lindo de ouvir “- Prof.ª, vamos molhar os girassóis”? E assim, aprenderam a valorizar uma flor, um vasinho com flor, uma mudinha, e aprenderam que as plantas precisam de sol e água para crescerem e se desenvolverem. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Arquivo Pessoal Trabalho sobre o Livro “Vulcão” – Tatiana Belinky. O entorno do vulcão, representamos a vegetação e como fica o solo. Após esta atividade em sala, fomos convidados a expôr, na Biblioteca Pública Padre Fernando Negreiro de Paiva, em nosso município. Questão 10) A BNCC estabelece cinco campos de experiências, essenciais para o desenvolvimento infantil. Um deles é “o Eu, o Outro e o Nós”. Este campo está relacionado ao autoconhecimento e à construção de relações, com todas as especificidades que acarretam. Busca-se desenvolver a consciência cidadã, incentivando a criação de vínculos sociais fortes e baseados no respeito. Como você acha que este campo deve ser trabalhado na Educação Infantil? Resposta: Penso que este campo é muitíssimo importante, pois ensina o grande valor de se ter o outro no nosso dia a dia. Este campo de experiência, considero o mais relevante de todos, pois nos mostra que não vivemos sem o eu, sem o nós, sem o outro. Somos essencialmente humanos e precisamos do outro, e o outro, precisa de nós. Somos seres essencialmente sociais, precisamos viver em contato com o outro. Não necessariamente, vivermos em grupos, mas termos a convivência de uma pessoa, de UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 um amigo, de uma amiga. Este pertencimento à uma família, à um grupo, à uma sociedade, nos torna mais felizes, mais parte deste mundo. Trabalhar este campo, nos diferentes grupos etários da educação infantil, desde a creche, até o pré-escolar, requer estudo, leituras, comprometimentos. Acredito que o período de adaptação, no início do ano letivo, é onde se inicia. Trabalhei este início de ano letivo/2020, com Pré 4 anos, onde o primeiro passo, foi observar-se no espelho, e depois desenhar-se. Desenhos são linguagens das crianças, e representam o seu mais íntimo “Eu”. Fizeram o que sabiam, e fizeram com alegria e timidez. Timidez daqueles que estavam freqüentando a escola pela primeira vez. Porém, todos fizeram. Depois recortou-se de revistas, “o outro”, e encontraram muitas representações do outro. O “nós”, foi representado pelas brincadeiras todos juntos no pátio, e pelo canto “Eu” – Palavra Cantada. Cantamos outras cantigas todo juntos, brincamos todos juntos. E fizemos uma representação de nossos corpos no chão da escola. Com giz, em duplas, um deitava no chão, e o outro contornava o corpo com o giz, depois, colocava-se peças de encaixe em cima, do contorno do corpo.5(anexos) Relatório: Com base nas respostas da Professora, responda: i) De que forma esses direitos de aprendizagem e desenvolvimento são propostos na prática docente? Que tipo de interações e brincadeiras os garantem? O professor precisa sempre ter em mente os direitos de aprendizagem e desenvolvimento para garantir que as experiências propostas estejam de acordo com os aspectos considerados fundamentais no processo educacional. A Educação Básica é fundamental para a construção da identidade e da subjetividade dos pequenos. O importante é criar condições para a formulação de perguntas. As crianças precisam pensar sobre o mundo ao seu redor, desenvolver estratégias de observação, criar hipóteses e narrativas. A professora entrevistada procura planejar da melhor maneira possível, pensando sempre em trazer a alegria para as aulas. Procura envolver todas as crianças, nas UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 brincadeiras e atividades psicomotoras. E propõe os direitos de aprendizagem e brincadeiras da seguinte maneira: “O direito de conviver, é apresentado em todos os momentos das aulas, pois é necessário educar para a convivência. As crianças gostam de estarem umas com as outras, e a escola deve reforçar isto. O planejamento, muitas vezes tem-se que modifica-lo no decorrer da aula. Muitas vezes planejei e tive que mudar, pois tinha que ensinar a conviverem uns com os outros. Como o fiz? Sendo escriba e perguntando para as crianças sugerirem o que, e como podemos conviver harmoniosamente. E assim, criamos acordos didáticos, onde todos participaram e todos cobraram. Muitas vezes a falta de limites de algumas crianças, fez com que o planejamento fosse imediatamente modificado. Então o primeiro direito de aprendizagem realmente deve se o de conviver! O direito de brincar, este é primordial ao desenvolvimento infantil, em todas as faixas etárias da creche, e do pré-escolar. Brinca-se na turma, no recreio com os colegas de outras turmas, e brinca-se com a professora. Neste ano atípico, os familiares estão brincando com as crianças, os familiares estão convivendo muito mais com as crianças. Não temos muitos espaços para o brincar, apenas o pátio da escola com playground, grama, área coberta, e pátio coberto para dias de chuva. Todos os dias tem- se brincadeiras com a turma. O direito de participar, é bem interessante, pois quando a faixa etária é menor, as crianças participam mais, pela curiosidade e expectativa de explorar o brinquedo ou o ambiente. Porém na educação infantil, quando já possuem um vocabulário mais rico, é interessante ouvir, observar os comentários que fazem sobre as atividades propostas. Participar é o ponto chave do desenvolvimento psicomotor. Tem crianças que devem ser ensinadas a se liberarem das amarras da timidez, da vergonha, do medo. Observa- se muitas crianças bem livres, e empolgadas em participar de tudo. A convivência, se faz participando por meio do brincar. Observa-se que um direito é ligado ao outro, um puxa o outro, literalmente. O direito de explorar, é garantido quando a criança brinca, quando convive, quando participa de experiências cotidianas instigantes. Explorar o mundo a sua volta, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 é amassar, pegar, pisar, picotar, sentir o sabor, sentir o cheiro, sentir o tato, sentir no coração, é sentir as emoções. O nome deste direito de aprendizagem é o que levará a criança a tornar-se um pequeno cientista do seu mundo. O direito de expressar, é quando a criançademonstra, pelas suas diferentes linguagens, pelas suas cem linguagens, como nos diz Malaguzzi. Quando a criança expressa que é um sujeito dialógico, que tem emoções, que é criativa, que tem sensibilidade, que tem dúvidas, que faz questionamentos, que é um pequeno cidadão ou cidadã, com direitos e deveres. Faz-se muito isto no momento da roda de conversa, nos momentos de conflito, senta-se e conversa-se. Então, expressa-se é interligado com o brincar, com o conviver, com o explorar, com o participar. O direito de conhecer, após o período de adaptação e identidade realizado no primeiro trimestre, e muitas vezes o ano todo, podemos dizer que nos conhecemos. As crianças se conhecem umas às outras, durante o período de adaptação e, se conhecendo conseguem se expressar, conviver, explorar, participar e brincar. Temos todos estes direitos, que fazem parte de nosso planejamento. Às vezes estão ocultos e muitas vezes, ou na maioria das vezes, estão explícitos em nossas aulas. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 ii) De que forma os campos de experiências são propostos na prática docente? Que tipo de interações e brincadeiras os garantem? A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece cinco Campos de Experiência para a Educação Infantil, que indicam quais são as experiências fundamentais para que a criança aprenda e se desenvolva. Os Campos enfatizam noções, habilidades, atitudes, valores e afetos que as crianças devem desenvolver de 0 a 5 anos e buscam garantir os direitos de aprendizagem dos bebês, crianças bem pequenas e crianças pequenas. Ou seja, o conhecimento vem com a experiência que cada criança vai viver no ambiente escolar. Os Campos estão organizados de forma a apoiar o professor no planejamento de sua prática intencional. As atividades propostas à criança devem ser bem planejadas, o próprio cuidar não pode ser algo mecânico. A criança precisa ter tempo e espaço para se expressar e o professor tem de estar aberto para acompanhar as reações dela, que serão sempre únicas e pessoais. É importante que as práticas do professor estejam diretamente comprometidas com as necessidades e os interesses da criança, para que a vivência se transforme em uma experiência e tenha, de fato, um propósito educativo. 1. O eu, o outro e o nós Destaca experiências relacionadas à construção da identidade e da subjetividade, as aprendizagens e conquistas de desenvolvimento relacionadas à ampliação das experiências de conhecimento de si mesmo e à construção de relações, que devem ser, na medida do possível, permeadas por interações positivas, apoiadas em vínculos profundos e estáveis com os professores e os colegas. O Campo também ressalta o desenvolvimento do sentimento de pertencimento a determinado grupo, o respeito e o valor atribuído às diferentes tradições culturais. Brincadeiras que demonstram imagem positiva de si e confiança em sua capacidade para enfrentar dificuldades e desafios. A professora entrevistada pensa que este campo é muitíssimo importante, pois ensina o grande valor de se ter o outro no nosso dia a dia. Ela considera este campo de experiência o mais relevante de todos, pois nos mostra que não vivemos sem o eu, sem o nós, sem o outro. “Somos essencialmente humanos e precisamos do outro, e o outro, precisa de nós. Somos seres essencialmente sociais, precisamos viver em contato com UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 o outro. Não necessariamente, vivermos em grupos, mas termos a convivência de uma pessoa, de um amigo, de uma amiga. Este pertencimento à uma família, à um grupo, à uma sociedade, nos torna mais felizes, mais parte deste mundo. Trabalhar este campo, nos diferentes grupos etários da educação infantil, desde a creche, até o pré-escolar, requer estudo, leituras, comprometimentos. Acredito que o período de adaptação, no início do ano letivo, é onde se inicia. Trabalhei este início de ano letivo/2020, com Pré 4 anos, onde o primeiro passo, foi observar-se no espelho, e depois desenhar-se. Desenhos são linguagens das crianças, e representam o seu mais íntimo “Eu”. Fizeram o que sabiam, e fizeram com alegria e timidez. Timidez daqueles que estavam freqüentando a escola pela primeira vez. Porém, todos fizeram. Depois recortou-se de revistas, “o outro”, e encontraram muitas representações do outro. O “nós”, foi representado pelas brincadeiras todos juntos no pátio, e pelo canto “Eu” – Palavra Cantada. Cantamos outras cantigas todo juntos, brincamos todos juntos. E fizemos uma representação de nossos corpos no chão da escola. Com giz, em duplas, um deitava no chão, e o outro contornava o corpo com o giz, depois, colocava-se peças de encaixe em cima, do contorno do corpo” 2. Corpo, gestos e movimentos Colocar ênfase nas experiências das crianças em situações de brincadeiras, nas quais exploram o espaço com o corpo e as diferentes formas de movimentos. A partir daí, elas constroem referenciais que as orientam em relação a aproximar-se ou distanciar- se de determinados pontos, por exemplo. O Campo também valoriza as brincadeiras de faz de conta, nas quais as crianças podem representar o cotidiano ou o mundo da fantasia, interagindo com as narrativas literárias ou teatrais. Traz, ainda, a importância de que as crianças vivam experiências com as diferentes linguagens, como a dança e a música, ressaltando seu valor nas diferentes culturas, ampliando as possibilidades expressivas do corpo e valorizando os enredos e movimentos criados na oportunidade de encenar situações fantasiosas ou narrativas e rituais conhecidos. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Exemplos de brincadeiras de deslocar seu corpo no espaço, orientando-se por noções como em frente, atrás, no alto, embaixo, dentro, fora etc., ao se envolver em brincadeiras e atividades de diferentes naturezas. 3. Traços, sons, cores e formas Ressalta as experiências das crianças com as diferentes manifestações artísticas, culturais e científicas, incluindo o contato com a linguagem musical e as linguagens visuais, com foco estético e crítico. Enfatiza as experiências de escuta ativa, mas também de criação musical, com destaque nas experiências corporais provocadas pela intensidade dos sons e pelo ritmo das melodias. Valoriza a ampliação do repertório musical, o desenvolvimento de preferências, a exploração de diferentes objetos sonoros ou instrumentos musicais, a identificação da qualidade do som, bem como as apresentações e/ou improvisações musicais e festas populares. Ao mesmo tempo, foca as experiências que promovam a sensibilidade investigativa no campo visual, valorizando a atividade produtiva das crianças, nas diferentes situações de que participam, envolvendo desenho, pintura, escultura, modelagem, colagem, gravura, fotografia etc. Exemplos de brincadeiras são as de explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente. 4. Escuta, fala, pensamento e imaginação Realça as experiências com a linguagem oral que ampliam as diversas formas sociais de comunicação presentes na cultura humana, como as conversas, cantigas, brincadeiras de roda, jogos cantados etc. Dá destaque, também, às experiências com a leitura de histórias que favoreçam aprendizagens relacionadas à leitura, ao comportamento leitor, à imaginação e à representação e, ainda, à linguagem escrita, convidando a criança a conhecer os detalhes do texto e das imagens e a ter contato com os personagens, a perceber no seu corpo as emoções geradas pela história, a imaginarcenários, construir novos desfechos etc. O Campo compreende as experiências com as práticas cotidianas de uso da escrita, sempre em contextos significativos e plenos de significados, promovendo imitação de atos escritos em situações de faz de conta, bem UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 como situações em que as crianças se arriscam a ler e a escrever de forma espontânea, apoiadas pelo professor, que as engajam em reflexões que organizam suas ideias sobre o sistema de escrita. Exemplos de brincadeiras: Produzir suas próprias histórias orais e escritas em situações com função social significativa. 5. Espaço, tempo, quantidades, relações e transformações A ênfase está nas experiências que favorecem a construção de noções espaciais relativas a uma situação estática, como a noção de longe e perto, ou a uma situação dinâmica, para frente, para trás, potencializando a organização do esquema corporal e a percepção espacial, a partir da exploração do corpo e dos objetos no espaço. O Campo também destaca as experiências em relação ao tempo, favorecendo a construção das noções de tempo físico, dia e noite, estações do ano, ritmos biológicos, e cronológico, ontem, hoje, amanhã, semana, mês e ano, as noções de ordem temporal e histórica. Envolve experiências em relação à medida, favorecendo a ideia de que, por meio de situações-problemas em contextos lúdicos, as crianças possam ampliar, aprofundar e construir novos conhecimentos sobre medidas de objetos, de pessoas e de espaços, compreender procedimentos de contagem, aprender a adicionar ou subtrair quantidades aproximando-se das noções de números e conhecendo a sequência numérica verbal e escrita. A ideia é de que as crianças entendam que os números são recursos para representar quantidades e aprender a contar objetos usando a correspondência "um-a- um", comparando quantidade de grupos de objetos utilizando relações como mais que, menos que, maior que e menor que. O Campo ressalta, ainda, as experiências de relações e transformações favorecendo a construção de conhecimentos e valores das crianças sobre os diferentes modos de viver de pessoas em tempos passados ou em outras culturas. Da mesma forma, é importante favorecer a construção de noções relacionadas à transformação de materiais, objetos, e situações que aproximem as crianças da ideia de causalidade. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA SEMINÁRIOS INTEGRADORES IV Profa. Dra. Suelen Assunção Santos 2020/02 Exemplos de brincadeiras: Manipular materiais diversos e variados para comparar as diferenças e semelhanças entre eles.