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Módulo de Véspera Enem - Linguagens e Código - Simulado Enem SFB 2020 2021

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VÉSPERA ENEM
Linguagens, Códigos e
suas Tecnologias
VÉSPERA ENEM
 
fariasbrito.com.br @fariasbrito canalfariasbrito@fariasbrito colegiofariasbrito
NÚCLEO ALDEOTA
(85) 3486.9000
NÚCLEO CENTRAL
(85) 3464.7788 (85) 3064.2850
NÚCLEO SUL
(85) 3260.6164
NÚCLEO EUSÉBIO
(88) 3677.8000
NÚCLEO SOBRAL
 
 
 
 
LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS 
LÍNGUA PORTUGUESA 
Professor Carlos Augusto ................................................................................................................................. 5 
Professor Paulo Lobão ................................................................................................................................... 13 
Professor Sousa Nunes ................................................................................................................................... 26 
Professor Tom Dantas .................................................................................................................................... 34 
LÍNGUA INGLESA 
Professor Pablo Rodrigues ............................................................................................................................. 46 
ESPANHOL 
Professora Ana Paula ..................................................................................................................................... 52 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sumário 
 
 
M
ó
d
u
lo
 d
e
 V
é
s
p
e
ra
 E
n
e
m
 2
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2
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MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
 5 029.443 - 152043/20 
 
 
 
 
 
 
1. 
[…] O cigarro o envolvia em branco nevoeiro; 
Vicente foi recordando sua vida de trabalho 
ininterrupto, desde os quinze anos — trabalho de sol a 
sol, sem descanso e quase sem recompensa... 
Quantas vezes não sentira um movimento de 
revolta, quando via o pai mandar aumentar com custo, 
quase com sacrifício, a mesada do irmão acadêmico, e 
dar-lhe extraordinários para festas, para sabe lá que 
bambochatas de estudantes, disfarçadas em livros e 
matrículas… 
Então, porque não quisera estudar, estaria 
eternamente obrigado a esse papel paciente e sofredor 
que agora o revoltava? [...]. 
QUEIROZ, Rachel. O quinze. 
 
Por meio do discurso indireto livre, que deixa conhecer 
os pensamentos do personagem Vicente, o trecho 
compõe um determinado quadro do homem do sertão, 
no século XX, figura que 
a) se dedicava aos estudos clericais ou universitários 
fora do país. 
b) abandonava a escola para empreender negócios 
próprios na capital. 
c) conseguia contornar a pobreza por meio de um 
emprego nas grandes cidades. 
d) trabalhava desde muito cedo, não frequentando a 
escola, a fim de sustentar a casa. 
e) cultivava lavouras no nordeste, tornando-se 
fazendeiro e grande proprietário de terras. 
 
2. 
NO MEIO DO CAMINHO 
 
No meio do caminho tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
tinha uma pedra 
no meio do caminho tinha uma pedra. 
 
Nunca me esquecerei desse acontecimento 
na vida de minhas retinas tão fatigadas. 
Nunca me esquecerei que no meio do caminho 
tinha uma pedra 
tinha uma pedra no meio do caminho 
no meio do caminho tinha uma pedra. 
 
ANDRADE, Carlos Drummond de. 
 
No poema, o eu lírico explora uma preocupação 
humana, ao expressar as noções de absurdo e de 
dificuldade por meio do(a) 
a) imagem insistente da pedra que estorva o caminho. 
b) sensação de cansaço, atribuída a algo inanimado, o 
olho. 
c) incapacidade de esquecer memórias traumáticas da 
infância. 
d) sucessão de fatos marcantes relembrados 
obsessivamente pelo eu. 
e) metáfora sobre a impossibilidade de ser original, a 
partir da figura da pedra. 
3. 
Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe 
beijou-me a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos 
e eu parti. 
Duas vezes fora visitar o Ateneu antes da minha 
instalação. 
Ateneu era o grande colégio da época. Afamado 
por um sistema de nutrido reclame, mantido por um 
diretor que de tempos a tempos reformava o 
estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, 
como os negociantes que liquidam para recomeçar com 
artigos de última remessa; o Ateneu desde muito tinha 
consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar 
em conta a simpatia da meninada, a cercar de 
aclamações o bombo vistoso dos anúncios. 
O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida 
família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o 
império com o seu renome de pedagogo. Eram boletins 
de propaganda pelas províncias, conferências em 
diversos pontos da cidade, a pedidos, à substância, 
atochando a imprensa dos lugarejos, caixões, 
sobretudo, de livros elementares, fabricados às pressas 
com o ofegante e esbaforido concurso de professores 
prudentemente anônimos, caixões e mais caixões de 
volumes cartonados em Leipzig, inundando as escolas 
públicas de toda a parte com a sua invasão de capas 
azuis, róseas, amarelas, em que o nome de Aristarco, 
inteiro e sonoro, oferecia-se ao pasmo venerador dos 
esfaimados de alfabeto dos confins da pátria. Os 
lugares que não procuravam eram um belo dia 
surpreendidos pela enchente, gratuita, espontânea, 
irresistível! E não havia senão aceitar a farinha daquela 
marca para o pão do espírito. 
 
POMPÉIA, R. O Ateneu. São Paulo: Scipione, 2005. 
 
Ao descrever o Ateneu e as atitudes de seu diretor, o 
narrador revela um olhar sobre a inserção social do 
colégio demarcado pela 
a) ideologia mercantil da educação, repercutida nas 
vaidades pessoais. 
b) interferência afetiva das famílias, determinantes no 
processo educacional. 
c) produção pioneira de material didático, responsável 
pela facilitação do ensino. 
d) ampliação do acesso à educação, com a negociação 
dos custos escolares. 
e) cumplicidade entre educadores e famílias, unidos 
pelo interesse comum do avanço social. 
 
4. 
CONSOADA 
 
Quando a Indesejada das gentes chegar 
(Não sei se dura ou caroável), 
Talvez eu tenha medo. 
Talvez sorria, ou diga: 
– Alô, iniludível! 
O meu dia foi bom, pode a noite descer. 
(A noite com os seus sortilégios.) 
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, 
A mesa posta, 
Com cada coisa em seu lugar. 
BANDEIRA, Manuel. 
PROFESSOR CARLOS AUGUSTO 
LÍNGUA PORTUGUESA 
 
LÍNGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
 6 029.443 - 152043/20 
 O eu lírico usa-se de linguagem popular e coloquial, 
mesclada ao tom lírico e metafórico, para descrever o(a) 
a) ansiedade de certa comemoração. 
b) fim do expediente de trabalho. 
c) lembrança da amante. 
d) saudade da infância. 
e) espera pela morte. 
 
5. 
[…] Pensou de novo na cama de varas e 
mentalmente xingou Fabiano. Dormiam naquilo, 
tinham-se acostumado, mas seria mais agradável 
dormirem numa cama de lastro de couro, como outras 
pessoas. 
Fazia mais de um ano que falava nisso ao marido. 
Fabiano a princípio concordara com ela, mastigara 
cálculos, tudo errado. Tanto para o couro, tanto para a 
armação. Bem. Poderiam adquirir o móvel necessário 
economizando na roupa e no querosene. Sinhá Vitória 
respondera que isso era impossível, porque eles vestiam 
mal, as crianças andavam nuas, e recolhiam-se todos ao 
anoitecer […]. Tinham discutido, procurando cortar 
outras despesas. Como não se entendessem, Sinhá 
Vitória aludira, bastante azeda, ao dinheiro gasto pelo 
marido na feira, com jogo e cachaça. Ressentido, 
Fabiano condenara os sapatos de verniz que ela usava 
nas festas, caros e inúteis. Calçada naquilo, trôpega, 
mexia-se como um papagaio, era ridícula. Sinhá Vitória 
ofendera-se gravemente com a comparação, e se não 
fosse o respeito que Fabiano lhe inspirava, teria 
despropositado […]. 
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 
 
O trecho reflete as mazelas no dia a dia dos retirantes 
nordestinos do século XX, e, de maneira mais 
específica, a raiva de Sinhá Vitória diz respeito à 
dificuldade de 
a) divorciar-se de Fabiano e mudar de casa. 
b) lidar com o vício do marido em bebida. 
c) comprar sapatosnovos. 
d) possuir uma boa cama. 
e) obter comida e água. 
 
6. 
AQUARELA 
 
O corpo no cavalete 
é um pássaro que agoniza 
exausto do próprio grito. 
As vísceras vasculhadas 
principiam a contagem 
regressiva. 
No assoalho o sangue 
se decompõe em matizes 
que a brisa beija e balança: 
o verde – de nossas matas 
o amarelo – de nosso ouro 
o azul – de nosso céu 
o branco o negro o negro 
 
CACASO. In: HOLLANDA, H. B (Org.). 
26 poetas hoje. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2007. 
 
Situado na vigência do Regime Militar que governou o 
Brasil, na década de 1970, o poema de Cacaso edifica 
uma forma de resistência e protesto a esse período, 
metaforizando 
a) as artes plásticas, deturpadas pela repressão e 
censura. 
b) a natureza brasileira, agonizante como um pássaro 
enjaulado. 
c) o nacionalismo romântico, silenciado pela 
perplexidade com a Ditadura. 
d) o emblema nacional, transfigurado pelas marcas do 
medo e da violência. 
e) as riquezas da terra, espoliadas durante o 
aparelhamento do poder armado. 
 
7. 
DO AMOR À PÁTRIA 
 
São doces os caminhos que levam de volta à 
pátria. Não à pátria amada de verdes mares bravios, a 
mirar em berço esplêndido o esplendor do Cruzeiro do 
Sul; mas a uma outra mais íntima, pacífica e habitual – 
uma cuja terra se comeu em criança, uma onde se foi 
menino ansioso por crescer, uma onde se cresceu em 
sofrimentos e esperanças plantando canções, amores e 
filhos ao sabor das estações. 
 
MORAES, V. Poesia completa e prosa. 
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1987. 
 
O nacionalismo constitui tema recorrente na literatura 
romântica e na modernista. No trecho, a representação 
da pátria ganha contornos peculiares porque 
a) o amor àquilo que a pátria oferece é grandioso e 
eloquente. 
b) os elementos valorizados são intimistas e de 
dimensão subjetiva. 
c) o olhar sobre a pátria é ingênuo e comprometido 
pela inércia. 
d) o patriotismo literário tradicional é subvertido e 
motivo de ironia. 
e) a natureza é determinante na percepção do valor da 
pátria. 
 
8. 
O FARRISTA 
 
Quando o almirante Cabral 
Pôs as patas no Brasil 
O anjo da guarda dos índios 
Estava passeando em Paris. 
Quando ele voltou de viagem 
O holandês já está aqui. 
O anjo respira alegre: 
“Não faz mal, isto é boa gente, 
Vou arejar outra vez.” 
O anjo transpôs a barra, 
Diz adeus a Pernambuco, 
Faz barulho, vuco-vuco, 
Tal e qual o zepelim 
Mas deu um vento no anjo, 
Ele perdeu a memória. 
E não voltou nunca mais. 
 
MENDES, M. História do Brasil. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 1992. 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
 7 029.443 - 152043/20 
 A obra de Murilo Mendes situa-se na fase inicial do 
Modernismo, cujas propostas estéticas transparecem, no 
poema, por um eu lírico que 
a) configura um ideal de nacionalidade pela integração 
regional. 
b) remonta ao colonialismo assente sob um viés 
iconoclasta. 
c) repercute as manifestações do sincretismo religioso. 
d) descreve a gênese da formação do povo brasileiro. 
e) promove inovações no repertório linguístico. 
 
9. 
[…] – Fabiano, você é um homem, exclamou em 
voz alta. 
Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, 
com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, 
pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra 
ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, 
queimando, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos 
ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de 
animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença 
dos brancos e julgava-se cabra. 
Olhou em torno, com receio de que, fora os 
meninos, alguém tivesse percebido a frase imprudente. 
Corrigiu-a, murmurando: 
– Você é um bicho, Fabiano. 
Isto para ele era motivo de orgulho. Sim senhor, 
um bicho, capaz de vencer dificuldades. […]. 
 
RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 
 
Pela reflexão presente no trecho, Fabiano chega à 
conclusão de que 
a) os filhos sentem-se envergonhados diante de sua 
falta de instrução. 
b) é um ser inferior por não possuir o respeito de seu 
filho e dos amigos. 
c) ser homem é superior a ser animal, pois os animais 
não podem fazer muitas coisas. 
d) ser animal vale mais do que sentir-se homem, pois a 
bestialidade contribui para a resistência. 
e) embora possua uma aparência distinta, o fato de ser 
queimado de sol o rebaixa ante os outros. 
 
10. 
INVERNO! INVERNO! INVERNO! 
 
Tristes nevoeiros, frios negrumes da longa treva 
boreal, descampados de gelo cujo limite escapa-nos 
sempre, desesperadamente, para lá do horizonte, 
perpétua solidão inóspita, onde apenas se ouve a voz do 
vento que passa uivando como uma legião de lobos, 
através da cidade de catedrais e túmulos de cristal na 
planície, fantasmas que a miragem povoam e animam, 
tudo isto: decepções, obscuridade, solidão, desespero e a 
hora invisível que passa como o vento, tudo isto é o frio 
inverno da vida. 
Há no espírito o luto profundo daquele céu de 
bruma dos lugares onde a natureza dorme por meses, à 
espera do sol avaro que não vem. 
 
POMPEIA, R. Canções sem metro. Campinas: Unicamp, 2013. 
 
Reconhecido pela linguagem impressionista, Raul 
Pompeia desenvolveu-a na prosa poética, em que se 
observa 
a) imprecisão no sentido dos vocábulos. 
b) dramaticidade como elemento expressivo. 
c) subjetividade em oposição à verossimilhança. 
d) valorização da imagem com efeito persuasivo. 
e) plasticidade verbal vinculada à cadência melódica. 
 
11. 
Talvez pareça excessivo o escrúpulo do Cotrim, a 
quem não souber que ele possuía um caráter ferozmente 
honrado. Eu mesmo fui injusto com ele durante os anos 
que se seguiram ao inventário de meu pai. Reconheço 
que era um modelo. Arguiam-no de avareza, e cuido que 
tinham razão; mas a avareza é apenas a exageração de 
uma virtude, e as virtudes devem ser como os 
orçamentos: melhor é o saldo que o déficit. Como era 
muito seco de maneiras, tinha inimigos que chegavam a 
acusá-lo de bárbaro. O único fato alegado neste 
particular era o de mandar com frequência escravos ao 
calabouço, donde eles desciam a escorrer sangue; mas, 
além de que ele só mandava os perversos e os fujões, 
ocorre que, tendo longamente contrabandeado em 
escravos, habituara-se de certo modo ao trato um pouco 
mais duro que esse gênero de negócio requeria, e não se 
pode honestamente atribuir à índole original de um 
homem o que é puro efeito de relações sociais. A prova 
de que o Cotrim tinha sentimentos pios encontrava-se no 
seu amor aos filhos, e na dor que padeceu quando 
morreu Sara, dali a alguns meses; prova irrefutável, 
acho eu, e não única. Era tesoureiro de uma confraria, e 
irmão de várias irmandades, e até irmão remido de uma 
destas, o que não se coaduna muito com a reputação da 
avareza; verdade é que o benefício não caíra no chão: a 
irmandade (de que ele fora juiz) mandara-lhe tirar o 
retrato a óleo. 
 
ASSIS, M. Memórias póstumas de Brás Cubas. Rio de Janeiro: 
 Nova Aguilar, 1992. 
 
Obra que inaugura o Realismo na literatura brasileira, 
Memórias póstumas de Brás Cubas condensa uma 
expressividade que caracterizaria o estilo machadiano: a 
ironia. Descrevendo a moral de seu cunhado, Cotrim, o 
narrador-personagem Brás Cubas refina a percepção 
irônica ao 
a) acusar o cunhado de ser avarento para confessar-se 
injustiçado na divisão da herança paterna. 
b) atribuir a “efeito de relações sociais” a naturalidade 
com que Cotrim prendia e torturava os escravos. 
c) considerar os “sentimentos pios” demonstrados pelo 
personagem quando da perda da filha Sara. 
d) menosprezar Cotrim por ser tesoureiro de uma 
confraria e membro remido de várias irmandades. 
e) insinuar que o cunhado era um homem vaidoso e 
egocêntrico, contemplado com um retrato a óleo. 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
 8 029.443 - 152043/20 
12. 
VIDA OBSCURA 
 
Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, 
ó ser humilde entre os humildes seres, 
embriagado, tonto de prazeres, 
o mundo para tifoi negro e duro. 
 
Atravessaste no silêncio escuro 
a vida presa a trágicos deveres 
e chegaste ao saber de altos saberes 
tornando-te mais simples e mais puro. 
 
Ninguém te viu o sentimento inquieto, 
magoado, oculto e aterrador, secreto, 
que o coração te apunhalou no mundo, 
 
Mas eu que sempre te segui os passos 
sei que cruz infernal prendeu-te os braços 
e o teu suspiro como foi profundo! 
 
SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961. 
 
Com uma obra densa e expressiva no Simbolismo 
brasileiro, Cruz e Sousa transpôs para seu lirismo uma 
sensibilidade em conflito com a realidade vivenciada. 
No soneto, essa percepção traduz-se em 
a) sofrimento tácito diante dos limites impostos pela 
discriminação. 
b) tendência latente ao vício como resposta ao 
isolamento social. 
c) extenuação condicionada a uma rotina de tarefas 
degradantes. 
d) frustração amorosa canalizada para as atividades 
intelectuais. 
e) vocação religiosa manifesta na aproximação com a 
fé cristã. 
 
13. 
Eu sobrevivi do nada, do nada 
Eu não existia 
Não tinha uma existência 
Não tinha uma matéria 
Comecei existir com quinhentos milhões 
e quinhentos mil anos 
Logo de uma vez, já velha 
Eu não nasci criança, nasci já velha 
Depois é que eu virei criança 
E agora continuei velha 
Me transformei novamente numa velha 
Voltei ao que eu era, uma velha 
 
PATROCÍNIO, S. In: MOSÉ, V. (Org ). Reino dos bichos 
 e dos animais é meu nome. Rio de Janeiro: Azougue, 2009. 
 
Nesse poema de Stella do Patrocínio, a singularidade da 
expressão lírica manifesta-se na 
a) representação da infância, redimensionada no 
resgate da memória. 
b) associação de imagens desconexas, articuladas por 
uma fala delirante. 
c) expressão autobiográfica, fundada no relato de 
experiências de alteridade. 
d) incorporação de elementos fantásticos, explicitada 
por versos incoerentes. 
e) transgressão à razão, ecoada na desconstrução de 
referências temporais. 
14. 
O trabalho não era penoso: colar rótulos, meter 
vidros em caixas, etiquetá-las, selá-las, envolvê-las em 
papel celofane, branco, verde, azul, conforme o 
produto, separá-las em dúzias… Era fastidioso. Para 
passar mais rapidamente as oito horas havia o remédio: 
conversar. Era proibido, mas quem ia atrás de 
proibições? O patrão vinha? Vinha o encarregado do 
serviço? Calavam o bico, aplicavam-se ao trabalho. Mal 
viravam as costas, voltavam a taramelar. As mãos não 
paravam, as línguas não paravam. Nessas conversas 
intermináveis, de linguagem solta e assuntos crus, 
Leniza se completou. Isabela, Afonsina, Idália, Jurete, 
Deolinda – foram mestras. O mundo acabou de se 
desvendar. Leniza perdeu o tom ingênuo que ainda 
podia ter. Ganhou um jogar de corpo que convida, um 
quebrar de olhos que promete tudo, à toa, gratuitamente. 
Modificou-se o timbre de sua voz. Ficou mais quente. 
A própria inteligência se transformou. 
Tornou-se mais aguda, mais trepidante 
 
REBELO, M. A estrela sobe. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009. 
 
O romance, de 1939, traz à cena tipos e situações que 
espelham o Rio de Janeiro daquela década. No 
fragmento, o narrador delineia esse contexto centrado 
no 
a) julgamento da mulher fora do espaço doméstico. 
b) relato sobre as condições de trabalho no Estado 
Novo. 
c) destaque a grupos populares na condição de 
protagonistas. 
d) processo de inclusão do palavrão nos hábitos de 
linguagem. 
e) vínculo entre as transformações urbanas e os papéis 
femininos. 
 
 
15. 
ESCAPULÁRIO 
 
No Pão de Açúcar 
De Cada Dia 
Dai-nos Senhor 
A Poesia 
De Cada Dia. 
 
ANDRADE, Oswald de. Poesias reunidas. 
 
A intertextualidade presente no poema constitui-se 
como um procedimento modernista, de reformulação 
poética, porque 
a) compõe uma paródia de texto religioso tradicional. 
b) emprega uma metáfora para descrever o Rio de 
Janeiro. 
c) transforma a cultura clássica em tema da realidade 
carioca. 
d) aproxima ironicamente os conceitos de “poesia” e 
“açúcar”. 
e) apropria-se de um conteúdo da geografia sem 
intenção científica. 
 
 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
 9 029.443 - 152043/20 
16. 
ARTE DE AMAR 
 
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua 
alma. 
A alma é que estraga o amor. 
Só em Deus ela pode encontrar satisfação. 
Não noutra alma. 
Só em Deus – ou fora do mundo. 
As almas são incomunicáveis. 
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo. 
Porque os corpos se entendem, mas as almas não. 
 
BANDEIRA, Manuel. 
 
A visão modernista acerca do amor, empregada por 
Manuel Bandeira no poema, opõe-se à ideia de um 
sentimento romântico ao 
a) conferir importância à sensibilidade da alma e seus 
desejos. 
b) descrever as almas humanas como elementos 
inexistentes no corpo. 
c) valorizar o contato material e corpóreo próprio das 
relações amorosas. 
d) centrar sua reflexão na figura do sujeito ao aludir a 
uma alma humana. 
e) rebaixar a condição religiosa, alegando a ausência 
de amor na figura divina. 
 
17. 
MEUS OITO ANOS 
 
[…] Oh! dias de minha infância! 
Oh! meu céu de primavera! 
Que doce a vida não era 
Nessa risonha manhã! 
Em vez das mágoas de agora, 
Eu tinha nessas delícias 
De minha mãe as carícias 
E beijos de minha irmã! […]. 
 
ABREU, Casimiro de. 
 
O Romantismo do autor, presente nos versos, pode ser 
compreendido por meio do(a) 
a) exaltação da natureza. 
b) idealização da infância. 
c) relação familiar afetiva. 
d) chegada da morte como alívio das dores. 
e) conforto oferecido pela confissão religiosa. 
 
18. 
ENCOMENDA 
 
Desejo uma fotografia 
como esta — o senhor vê? — como esta: 
em que para sempre me ria 
como um vestido de eterna festa. 
 
Como tenho a testa sombria, 
derrame luz na minha testa. 
Deixe esta ruga, que me empresta 
um certo ar de sabedoria. 
Não meta fundos de floresta 
nem de arbitrária fantasia... 
Não... Neste espaço que ainda resta, 
ponha uma cadeira vazia. 
 
MEIRELES, Cecília. 
 
A ideia de ausência, experimentada pelo sujeito lírico, 
sendo ainda tema frequente na poesia de Cecília 
Meireles, pode ser compreendida por meio da menção à 
a) beleza misteriosa da floresta. 
b) realização de uma festa eterna. 
c) cadeira vazia na plano de fundo. 
d) velhice metaforizada numa ruga. 
e) vontade de ser gravada em um retrato. 
 
19. 
Tudo no mundo começou com um sim. Uma 
molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. 
Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré- 
-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. 
Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou. 
[…] 
Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta 
continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as 
coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré- 
-pré-história já havia os monstros apocalípticos? Se esta 
história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. 
Sentir é um fato. Os dois juntos — sou eu que escrevo o 
que estou escrevendo. […] Felicidade? Nunca vi 
palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que 
andam por aí aos montes. 
Como eu irei dizer agora, esta história será o 
resultado de uma visão gradual — há dois anos e meio 
venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da 
iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. 
Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou 
lido. Só não inicio pelo fim que justificaria o começo — 
como a morte parece dizer sobre a vida — porque 
preciso registrar os fatos antecedentes. 
 
LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro: 
Rocco, 1998. Fragmento. 
 
A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha 
a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada 
com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da 
escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade 
porque o narrador 
a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica 
distante, sendo indiferente aos fatos e às 
personagens. 
b) relata a história sem ter tido a preocupaçãode 
investigar os motivos que levaram aos eventos que a 
compõem. 
c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões 
existenciais e sobre a construção do discurso. 
d) admite a dificuldade de escrever uma história em 
razão da complexidade para escolher as palavras 
exatas. 
e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e 
metafísica, incomuns na narrativa de ficção. 
 
 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
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20. 
Texto I 
 
O meu nome é Severino, 
não tenho outro de pia. 
Como há muitos Severinos, 
que é santo de romaria, 
deram então de me chamar 
Severino de Maria; 
como há muitos Severinos 
com mães chamadas Maria, 
fiquei sendo o da Maria 
do finado Zacarias, 
mas isso ainda diz pouco: 
há muitos na freguesia, 
por causa de um coronel 
que se chamou Zacarias 
e que foi o mais antigo 
senhor desta sesmaria. 
Como então dizer quem fala 
ora a Vossas Senhorias? 
 
MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio de Janeiro: 
Aguilar, 1994. Fragmento. 
 
Texto II 
 
João Cabral, que já emprestara sua voz ao rio, 
transfere-a, aqui, ao retirante Severino, que, como o 
Capibaribe, também segue no caminho do Recife. A 
autoapresentação do personagem, na fala inicial do 
texto, nos mostra um Severino que, quanto mais se 
define, menos se individualiza, pois seus traços 
biográficos são sempre partilhados por outros homens. 
 
SECCHIN, A. C. João Cabral: a poesia do menos. Rio de Janeiro: 
Topbooks, 1999. Fragmento. 
 
Com base no trecho de Morte e Vida Severina (Texto I) 
e na análise crítica (Texto II), observa-se que a relação 
entre o texto poético e o contexto social a que ele faz 
referência aponta para um problema social expresso 
literariamente pela pergunta “Como então dizer quem 
fala / ora a Vossas Senhorias?”. A resposta à pergunta 
expressa no poema é dada por meio da 
a) descrição minuciosa dos traços biográficos do 
personagem-narrador. 
b) construção da figura do retirante nordestino como 
um homem resignado com a sua situação. 
c) representação, na figura do personagem-narrador, de 
outros Severinos que compartilham sua condição. 
d) apresentação do personagem-narrador como uma 
projeção do próprio poeta, em sua crise existencial. 
e) descrição de Severino, que, apesar de humilde, 
orgulha-se de ser descendente do coronel Zacarias. 
 
21. 
MARIA DIAMBA 
 
Para não apanhar mais 
falou que sabia fazer bolos: 
virou cozinha. 
Foi outras coisas para que tinha jeito. 
Não falou mais: 
Viram que sabia fazer tudo, 
até molecas para a Casa-Grande. 
Depois falou só, 
só diante da ventania 
que ainda vem do Sudão; 
falou que queria fugir 
dos senhores e das judiarias deste mundo 
para o sumidouro. 
 
LIMA, J. Poemas negros. Rio de Janeiro: Record, 2007. 
 
O poema retrata a violência física da escravidão na vida 
de Maria Diamba por meio do(a) 
a) referência ao Sudão e à saudade da terra natal. 
b) loucura que acomete Maria Diamba na velhice. 
c) proibição de que ela falasse em frente aos senhores. 
d) condição de trabalhos forçados nas plantações da 
Casa-Grande. 
e) registro dos maus-tratos aos quais tenta escapar 
recorrendo à cozinha. 
 
22. 
O mato do Mutúm é um enorme mundo preto, que 
nasce dos buracões e sobe a serra. O guará-lobo trota a 
vago no campo. As pessôas mais velhas são inimigas 
dos meninos. Soltam e estumam cachorros, para ir matar 
os bichinhos assustados — o tatú que se agarra no chão 
dando guinchos suplicantes, os macacos que fazem 
— artes, o coelho que mesmo até quando dorme todo- 
tempo sonha que está sendo perseguido. O tatú levanta 
as mãozinhas cruzadas, ele não sabe — e os cachorros 
estão rasgando o sangue dele, e ele pega a sororocar. 
O tamanduá. Tamanduá passeia no cerrado, na beira do 
capoeirão. Ele conhece as árvores, abraça as árvores. 
Nenhum nem pode rezar, triste é o gemido deles 
campeando socôrro. Todo choro suplicando por socôrro 
é feito para Nossa Senhora, como quem diz a salve- 
-rainha. Tem uma Nossa Senhora velhinha. Os homens, 
pé-ante-pé, indo a peitavento, cercaram o casal de 
tamanduás, encantoados contra o barranco, o casal de 
tamanduás estavam dormindo. Os homens empurraram 
com a vara de ferrão, com pancada bruta, o tamanduá 
que se acordava. Deu som surdo, no corpo do bicho, 
quando bateram, o tamanduá caiu pra lá, como um 
colchão velho. 
 
ROSA, G. Noites do sertão (Corpo de baile). 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016. 
 
Na obra de Guimarães Rosa, destaca-se o aspecto 
afetivo no contorno da paisagem dos sertões mineiros. 
Nesse fragmento, o narrador empresta à cena uma 
expressividade apoiada na 
a) plasticidade de cores e sons dos elementos nativos. 
b) dinâmica do ataque e da fuga na luta pela 
sobrevivência. 
c) religiosidade na contemplação do sertanejo e de seus 
costumes. 
d) correspondência entre práticas e tradições e a 
hostilidade do campo. 
e) humanização da presa em contraste com o desdém e 
a ferocidade do homem. 
 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
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23. 
A nossa emotividade literária só se interessa pelos 
populares do sertão, unicamente porque são pitorescos e 
talvez não se possa verificar a verdade de suas criações. 
No mais é uma continuação do exame de português, 
uma retórica mais difícil, a se desenvolver por este tema 
sempre o mesmo: Dona Dulce, moça de Botafogo em 
Petrópolis, que se casa com o Dr. Frederico. 
O comendador seu pai não quer porque o tal Dr. 
Frederico, apesar de doutor, não tem emprego. Dulce 
vai à superiora do colégio de irmãs. Esta escreve à 
mulher do ministro, antiga aluna do colégio, que arranja 
um emprego para o rapaz. Está acabada a história. É 
preciso não esquecer que Frederico é moço pobre, isto 
é, o pai tem dinheiro, fazenda ou engenho, mas não 
pode dar uma mesada grande. Está aí o grande drama de 
amor em nossas letras, e o tema de seu ciclo literário. 
 
BARRETO, L. Vida e morte de MJ Gonzaga de Sá. 
Disponível em: www.brasiliana.usp.br. Acesso em: 10 ago. 2017. 
 
Situado num momento de transição, Lima Barreto 
produziu uma literatura renovadora em diversos 
aspectos. No fragmento, esse viés se fundamenta na 
a) releitura da importância do regionalismo. 
b) ironia ao folhetim da tradição romântica. 
c) desconstrução da formalidade parnasiana. 
d) quebra da padronização do gênero narrativo. 
e) rejeição à classificação dos estilos de época. 
 
24. 
CANÇÃO 
 
No desequilíbrio dos mares, 
as proas giram sozinhas… 
Numa das naves que afundaram 
é que certamente tu vinhas. 
Eu te esperei todos os séculos 
sem desespero e sem desgosto, 
e morri de infinitas mortes 
guardando sempre o mesmo rosto. 
Quando as ondas te carregaram 
meus olhos, entre águas e areias, 
cegaram como os das estátuas, 
a tudo quanto existe alheias. 
Minhas mãos pararam sobre o ar 
e endureceram junto ao vento, 
e perderam a cor que tinham 
e a lembrança do movimento. 
E o sorriso que eu te levava 
desprendeu-se e caiu de mim: 
e só talvez ele ainda viva 
dentro destas águas sem fim. 
 
MEIRELES, C. In: SECCHIN, A. C. (Org.). 
Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. 
 
Na composição do poema, o tom elegíaco e solene 
manifesta uma concepção de lirismo fundada na 
a) contradição entre a vontade da espera pelo ser 
amado e o desejo de fuga. 
b) expressão do desencanto diante da impossibilidade 
da realização amorosa. 
c) associação de imagens díspares indicativas de 
esperança no amor futuro. 
d) recusa à aceitação da impermanência do sentimento 
pela pessoa amada. 
e) consciência da inutilidade do amor em relação à 
inevitabilidade da morte. 
 
25. 
 
Esbraseia o Ocidente na agonia 
O sol... Aves em bandos destacados, 
Por céus de ouro e púrpura raiados, 
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia... 
 
Delineiam-se além da serrania 
Os vértices de chamas aureolados, 
E em tudo, em torno, esbatem derramados 
Uns tons suaves de melancolia.Um mundo de vapores no ar flutua... 
Como uma informe nódoa avulta e cresce 
A sombra à proporção que a luz recua. 
 
A natureza apática esmaece... 
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua 
Surge trêmula, trêmula... Anoitece. 
 
CORRÊA, R. Disponível em: www.brasiliana.usp.br. 
Acesso em: 13 ago. 2017 
 
Composição de formato fixo, o soneto tornou-se um 
modelo particularmente ajustado à poesia parnasiana. 
No poema de Raimundo Corrêa, remete(m) a essa 
estética 
a) as metáforas inspiradas na visão da natureza. 
b) a ausência de emotividade pelo eu lírico. 
c) a retórica ornamental desvinculada da realidade. 
d) o uso da descrição como meio de expressividade. 
e) o vínculo a temas comuns à Antiguidade Clássica. 
 
26. 
— Não digo que seja uma mulher perdida, mas 
recebeu uma educação muito livre, saracoteia sozinha 
por toda a cidade e não tem podido, por conseguinte, 
escapar à implacável maledicência dos fluminenses. 
Demais, está habituada ao luxo, ao luxo da rua, que é o 
mais caro; em casa arranjam-se ela e a tia sabe Deus 
como. Não é mulher com quem a gente se case. Depois, 
lembra-te que apenas começas e não tens ainda onde 
cair morto. Enfim, és um homem: faze o que bem te 
parecer. 
Essas palavras, proferidas com uma franqueza por 
tantos motivos autorizada, calaram no ânimo do 
bacharel. Intimamente ele estimava que o velho amigo 
de seu pai o dissuadisse de requestar a moça, não pelas 
consequências morais do casamento, mas pela 
obrigação, que este lhe impunha, de satisfazer uma 
dívida de vinte contos de réis, quando, apesar de todos 
os seus esforços, não conseguira até então pôr de parte 
nem o terço daquela quantia. 
 
AZEVEDO, A. A dívida. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. 
Acesso em: 20 ago. 2017. 
 
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O texto, publicado no fim do século XIX, traz à tona 
representações sociais da sociedade brasileira da época. 
Em consonância com a estética realista, traços da visão 
crítica do narrador manifestam-se na 
a) caracterização pejorativa do comportamento da 
mulher solteira. 
b) concepção irônica acerca dos valores morais 
inerentes à vida conjugal. 
c) contraposição entre a idealização do amor e as 
imposições do trabalho. 
d) expressão caricatural do casamento pelo viés do 
sentimentalismo burguês. 
e) sobreposição da preocupação financeira em relação 
ao sentimento amoroso. 
 
27. 
DOIS PARLAMENTOS 
 
Nestes cemitérios gerais 
não há morte pessoal. 
Nenhum morto se viu 
com modelo seu, especial. 
Vão todos com a morte padrão, 
em série fabricada. 
Morte que não se escolhe 
e aqui é fornecida de graça. 
Que acaba sempre por se impor 
sobre a que já medrasse. 
Vence a que, mais pessoal, 
alguém já trouxesse na carne. 
Mas afinal tem suas vantagens 
esta morte em série. 
Faz defuntos funcionais, 
próprios a uma terra sem vermes. 
 
MELO NETO, J. C. Serial e antes. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 1997. Fragmento. 
 
A lida do sertanejo com suas adversidades constitui um 
viés temático muito presente em João Cabral de Melo 
Neto. No fragmento em destaque, essa abordagem 
ressalta o(a) 
a) inutilidade de divisão social e hierárquica após a 
morte. 
b) aspecto desumano dos cemitérios da população 
carente. 
c) nivelamento do anonimato imposto pela miséria na 
morte. 
d) tom de ironia para com a fragilidade dos corpos e da 
terra. 
e) indiferença do sertanejo com a ausência de seus 
próximos. 
 
28. 
⎯ Recusei a mão de minha filha, porque o senhor 
é... filho de uma escrava. 
⎯ Eu? 
⎯ O senhor é um homem de cor!... Infelizmente 
esta é a verdade... 
Raimundo tornou-se lívido. Manoel prosseguiu, no 
fim de um silêncio: 
⎯ Já vê o amigo que não é por mim que lhe 
recusei Ana Rosa, mas é por tudo! A família de minha 
mulher sempre foi muito escrupulosa a esse respeito, e 
como ela é toda a sociedade do Maranhão! Concordo 
que seja uma asneira; concordo que seja um prejuízo 
tolo! O senhor porém não imagina o que é por cá a 
prevenção contra os mulatos!... Nunca me perdoariam 
um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria 
que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não 
dar a neta senão a um branco de lei, português ou 
descendente direto de portugueses! 
 
AZEVEDO, A. O mulato. 
 
Influenciada pelo ideário cientificista do Naturalismo, a 
obra destaca o modo como o mulato era visto pela 
sociedade de fins do século XIX. Nesse trecho, Manoel 
traduz uma concepção em que a 
a) miscigenação racial desqualificava o indivíduo. 
b) condição econômica anulava os conflitos raciais. 
c) discriminação racial era condenada pela sociedade. 
d) escravidão negava o direito da negra à maternidade. 
e) união entre mestiços era um risco à hegemonia dos 
brancos. 
 
29. 
Sou um homem comum 
brasileiro, maior, casado, reservista, 
e não vejo na vida, amigo 
nenhum sentido, senão 
lutarmos juntos por um mundo melhor. 
Poeta fui de rápido destino 
Mas a poesia é rara e não comove 
nem move o pau de arara. 
Quero, por isso, falar com você 
de homem para homem, 
apoiar-me em você 
oferecer-lhe meu braço 
que o tempo é pouco 
e o latifúndio está aí matando 
[...] 
Homem comum, igual 
a você, 
[...] 
Mas somos muitos milhões de homens 
comuns 
e podemos formar uma muralha 
com nossos corpos de sonhos e margaridas. 
 
FERREIRA GULLAR. Dentro da noite veloz. Rio de Janeiro: 
 José Olympio, 2013. Fragmento. 
 
No poema, ocorre uma aproximação entre a realidade 
social e o fazer poético, frequente no Modernismo. 
Nessa aproximação, o eu lírico atribui à poesia um 
caráter de 
a) agregação construtiva e poder de intervenção na 
ordem instituída. 
b) força emotiva e capacidade de preservação da 
memória social. 
c) denúncia retórica e habilidade para sedimentar 
sonhos e utopias. 
d) ampliação do universo cultural e intervenção nos 
valores humanos. 
e) identificação com o discurso masculino e 
questionamento dos temas líricos. 
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30. 
A ROSA DE HIROSHIMA 
 
Pensem nas crianças 
Mudas telepáticas 
Pensem nas meninas 
Cegas inexatas 
Pensem nas mulheres 
Rotas alteradas 
Pensem nas feridas 
Como rosas cálidas 
Mas oh não se esqueçam 
Da rosa da rosa 
Da rosa de Hiroshima 
A rosa hereditária 
A rosa radioativa 
Estúpida e inválida 
A rosa com cirrose 
A antirrosa atômica 
Sem cor sem perfume 
Sem rosa sem nada 
 
MORAES, Vinicius de. “A rosa de Hiroshima”. 
Disponível em: http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-
br/musica/cancoes/rosa-de-hiroxima. 
 
Vinicius de Moraes usa os versos do poema para 
tematizar determinado contexto histórico, o que pode 
ser percebido pelo(a) 
a) metáfora da rosa, que faz referência à primavera 
árabe. 
b) menção às mulheres e meninas, tematizando a luta 
pela igualdade de gênero. 
c) citação de uma cidade Japonesa, o que sugere a 
conquista do Oriente pelo Ocidente. 
d) uso de adjetivos como “atômica”, que caracterizam 
a explosão da bomba em Hiroshima. 
e) termo “rosa radioativa”, que permite pensar nas 
explosões nucleares de usinas como em Angra. 
 
 
 
 
1. 
Em um mundo onde o “boca a boca” tornou-se 
virtual, é de extrema importância que a empresa se faça 
presente e tenha um bom canal de comunicação com o 
consumidor. Enfim, a empresa deve saber interagir com 
o seu consumidor, atender às suas necessidades, dúvidas 
e estabelecer um contato direto, claro e contínuo com os 
consumidores cada vez mais exigentes. 
 
Disponível em: www.agenciars.com.br. Acesso em: 26 fev. 2012. 
 
O texto apresenta um assunto interessante e atual, uma 
vez que a internet constitui-se como um meio de 
comunicação eficiente. Nesse contexto, “boca a boca” é 
uma expressão indicadora de que 
a) as redes sociais se tornaram recurso de comunicação 
de fácil acesso e baixo custo para o consumidor de 
variados produtos. 
b) as redes sociais se tornaram fontefundamental para 
indicações de amigos e divulgação de produtos, 
marcas e serviços das empresas. 
c) as redes sociais são sistemas de comunicação que 
agrupam empresas e indivíduos semelhantes com 
objetivos diferentes. 
d) as redes sociais permitem às empresas buscarem 
novos profissionais para seu quadro de pessoal. 
e) as redes sociais possibilitam aos usuários se fazerem 
presentes e atuantes na internet. 
 
2. 
 
 
 
Disponível em: http://picasaweb.google.com.br. 
Acesso em: 27 abr. 2010. 
 
 No processo de modernização apresentado na tirinha, 
Mafalda depara-se com um contraponto entre 
a) o domínio dos modos de produção e a geração de 
novas ferramentas com a tecnologia de informação e 
comunicação. 
b) o acompanhamento das mudanças na sociedade e o 
surgimento de novas opções de vida e trabalho com 
a cibernética. 
c) a constatação do avanço da tecnologia e a 
proposição de reprodução de velhas práticas com 
novas máquinas. 
d) a apresentação de novas perspectivas de vida e 
trabalho para a mulher com os avanços das 
tecnologias de informação. 
e) a aplicação da cibernética e o descontentamento com 
a passividade do cotidiano das mulheres no trabalho 
de corte e costura. 
 
3. 
 Texto I 
 
 
DUCHAMP, M. Roda de bicicleta. Aço e madeira, 
1,3 m x 64 cm x 42 cm, 1913. 
Museu de Arte Moderna de Nova York. 
PROFESSOR PAULO LOBÃO 
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 Texto II 
 
Ao ser questionado sobre seu processo de criação 
de ready-mades, Marcel Duchamp afirmou: 
— Isto dependia do objeto; em geral, era preciso 
tomar cuidado com o seu look . É muito difícil escolher 
um objeto porque depois de quinze dias você começa a 
gostar dele ou a detestá-lo. É preciso chegar a qualquer 
coisa com uma indiferença tal que você não tenha 
nenhuma emoção estética. A escolha do ready-made é 
sempre baseada na indiferença visual e, ao mesmo 
tempo, numa ausência total de bom ou mau gosto. 
 
CABANNE, P. Marcel Duchamp: engenheiro do tempo 
perdido. São Paulo: Perspectiva, 1987. Adaptado. 
 
Relacionando o texto e a imagem da obra, entende-se 
que o artista Marcel Duchamp, ao criar os ready-mades, 
inaugurou um modo de fazer arte que consiste em 
a) designar ao artista de vanguarda a tarefa de ser o 
artífíce do século XX. 
b) considerar a forma dos objetos como elemento 
essencial da obra de arte. 
c) revitalizar de maneira radical o conceito clássico do 
belo na arte. 
d) criticar os princípios que determinam o que é uma 
obra de arte. 
e) atribuir aos objetos industriais o status de obra de 
arte. 
 
4. 
ABC DO SERTÃO 
 
Lá no meu sertão pros caboclo lê 
Têm que aprender um outro ABC 
O jota é ji, o éle é lê 
O ésse é si, mas o érre 
Tem nome de rê 
 
O jota é ji, o éle é lê 
O ésse é si, mas o érre 
Tem nome de rê 
 
Até o ypsilon lá é pissilone 
O eme é mê, O ene é nê 
O efe é fê, o gê chama-se guê 
Na escola é engraçado ouvir-se tanto "ê" 
A, bê, cê, dê, 
Fê, guê, lê, mê, 
Nê, pê, quê, rê, 
Tê, vê e zê 
[...] 
Luiz Gonzaga 
 
A linguagem, por ser um fator social e cultural, torna-se 
o espelho da comunidade linguística a que está ligada, 
logo, se cada indivíduo falasse como quisesse, não 
existiria linguagem da forma como é organizada 
socialmente, pois a sociedade auxilia no desempenho 
linguístico de seus membros. Considerando a canção de 
Gonzaga e a afirmação introdutória, é coerente concluir 
que a variante explorada pelo autor é 
a) histórica, pela mudança de significado dos termos. 
b) estilística, marcada pelo interesse de produzir efeitos 
metafóricos. 
c) sociocultural, para identificar a linguagem de um 
grupo social isolado. 
d) geográfica, destacando a singularidade fonética 
como fator de identidade. 
e) coloquial, caracterizada pela simplicidade da 
linguagem e pela sua funcionalidade comunicativa. 
 
5. 
SONETO 
 
Carregado de mim ando no mundo, 
E o grande peso embarga-me as passadas, 
Que como ando por vias desusadas, 
Faço o peso crescer, e vou-me ao fundo. 
 
O remédio será seguir o imundo 
Caminho, onde dos mais vejo as pisadas, 
Que as bestas andam juntas mais ornadas, 
Do que anda só o engenho mais profundo. 
 
Não é fácil viver entre os insanos, 
Erra, quem presumir, que sabe tudo, 
Se o atalho não soube dos seus danos. 
 
O prudente varão há de ser mudo, 
Que é melhor neste mundo o mar de enganos 
Ser louco cos demais, que ser sisudo. 
 
 A poesia satírica de Gregório de Matos emprega 
modelos e procedimentos variados, José Miguel Wisnik 
indica que ela pode ser entendida como “uma luta 
cômica entre duas sociedades, uma normal e outra 
absurda”. 
 
WISNIK, J. M. “Prefácio”. Poemas escolhidos de Gregório de Matos. 
São Paulo: Companhia das Letras, 2012, p. 23. 
 
 Com base nisso, é correto dizer que este soneto 
a) apresenta a imagem de um “mundo às avessas”, em 
que a maioria aceita a sociedade absurda como se 
fosse a ideal. 
b) desenha a sociedade ideal e utópica, que deverá ser 
alcançada no futuro. 
c) explora a dualidade conflituosa entre corpo e 
espírito e associa a vertente satírica à sacro- 
-religiosa. 
d) apresenta um sujeito poético “sisudo e só”, o que 
retira do soneto o tom cômico que caracteriza a 
sátira. 
e) apresenta a crítica aberta e racional como solução 
para o estado insano do mundo. 
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6. 
INDIFERENÇA NA VIDA CONTEMPORÂNEA 
 
 
 
 
 
5 
 
 
 
 
10 
 
 
 
 
15 
Há um tipo de indiferença necessário à 
condução da vida cotidiana, mas é 
principalmente uma forma de discrição para não 
incomodar os outros ou não dar ensejo à sua 
observação. É uma espécie de “inatenção 
polida”. O desligamento é, às vezes, uma forma 
deliberada de independência, uma atitude estoica 
para um indivíduo que tem lucidez de sua 
impotência para mudar as coisas ou que não 
deseja mudá-las. Mas a indiferença, que está 
relacionada ao afastamento radical do indivíduo, 
concerne, nesse caso, a formas mais profundas 
que traduzem a vontade de não colaborar com os 
movimentos do vínculo social, de se manter 
distante das interações ou de só participar delas 
de modo impessoal. É então uma espécie de 
neutralização radical de toda afetividade, uma 
desvitalização que está claramente além da 
ligeira reserva que se impõe na vida cotidiana 
para se preservar. 
 
LE BRETON, David. Desaparecer de si: uma tentação 
contemporânea. Petrópolis: Vozes, 2018. p. 33-34. Adaptado. 
 
O processo de argumentação do texto é construído por 
meio de uma 
a) citação de autoridade, que recorre ao discurso de um 
especialista para legitimar um posicionamento. 
b) diferenciação conceitual, que contrasta dois modos 
de conceber um determinado objeto discursivo. 
c) comparação de objetos, que demonstra a 
possibilidade de se usar um objeto no lugar do outro. 
d) exemplificação estatística, que confirma a 
recorrência de um comportamento na vida cotidiana. 
e) evidência empírica, que mostra o processo de 
comprovação de uma hipótese científica prévia. 
 
7. 
 
 
PICASSO, Pablo. “Guernica” (1973). In. PROENÇA, Graça. História da 
Arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2008, p. 257. 
 
 
 Em 2018, o quadro cubista Guernica, obra emblemática 
da carreira de Pablo Picasso, completa oitenta anos. A 
estética cubista 
a) busca retratar o efeito da luz sobre os objetos e as 
constantes alterações que essa luz provoca nas cores 
da natureza. 
b) representa as figuras em minúsculos fragmentos e 
pontos, cabendo ao observador percebê-las como um 
todo organizado. 
c) objetiva criar uma arte desprovida de sentido para, 
com isso, apontar para o próprio não sentido do 
mundo moderno. 
d) recusa-se a uma representação realista utilizando-se 
de linhas e pontilhados que sugerem velocidade e 
exaltação do futuro. 
e) fundamenta-se na destruição da harmonia clássica 
das figuras, na fragmentação da realidadee na 
distorção dos volumes. 
 
8. 
Meus brinquedos... 
Coquilhos de palmeira. 
Bonecas de pano. 
Caquinhos de louça. 
Cavalinhos de forquilha. 
Viagens infindáveis... 
Meu mundo imaginário 
mesclado à realidade. 
 
E a casa me cortava: “menina inzoneira!” 
Companhia indesejável – sempre pronta 
a sair com minhas irmãs, 
era de ver as arrelias 
e as tramas que faziam 
para saírem juntas 
e me deixarem sozinha, 
sempre em casa. 
 
CORALINA, Cora. “Minha Infância”. In: Melhores poemas de Cora 
Coralina. 3. ed. São Paulo: Global, 2008, p. 97. 
 
 
 
GREENWAY, “Kate. Cabra-cega, cartão-postal” (1989). In: PROENÇA, 
Graça. História da arte. 17. ed. São Paulo: Ática, 2008, p. 187. 
 
 O fragmento poético e a imagem entabulam diálogo ao 
retratarem episódios da infância, 
a) transcorrida em brincadeira coletiva no fragmento e 
em brincadeira individual na imagem. 
b) que se afigura como um período infeliz e irrealizado 
tanto no fragmento quanto na imagem. 
c) que se mostra problematizada de modo realista no 
fragmento e feliz e idealizada na imagem. 
d) que se afigura como uma etapa plena de realizações 
tanto no fragmento quanto na imagem. 
e) transcorrida em brincadeiras solitárias e enfadonhas 
tanto no fragmento quanto na imagem. 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
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9. 
 
SCHWARZKOGLER, Rudolf. Repost (s.d.). 
Disponível em; https://www.jornale.com.br/single-
post/2017/10/19/repost-rudolf-schwarzkogler-limites-do-
corpo-ao-puulo-para-morte-Blog-Quimera. 
Acesso em: 26 abr. 2019. 
 
Teu corpo claro e perfeito, 
– Teu corpo de maravilha, 
Quero possuí-lo no leito 
Estreito da redondilha... 
 
Teu corpo é tudo o que cheira... 
Rosa... flor de laranjeira... 
 
Teu corpo, branco e macio, 
É como um véu de noivado... 
 
Teu corpo é pomo doirado... 
 
Rosal queimado do estio, 
Desfalecido em perfume... 
 
Teu corpo é a brasa do lume... 
 
Teu corpo é chama e flameja 
Como à tarde os horizontes... 
 
É puro como nas fontes 
A água clara que serpeja, 
Quem em antigas se derrama... 
 
Volúpia da água e da chama... 
 
A todo o momento o vejo... 
Teu corpo... a única ilha 
No oceano do meu desejo... 
 
Teu corpo é tudo o que brilha, 
Teu corpo é tudo o que cheira... 
Rosa, flor de laranjeira... 
 
BANDEIRA, Manuel. “Poemeto erótico”. In: Manuel Bandeira: poesia 
completa e prosa. 4. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1985, p. 156. 
 
 Tanto a performance quanto o poema apresentados 
a) veiculam a ideia de que tudo na vida se pauta por 
um caráter de efemeridade. 
b) tematizam aspectos concernentes a dilemas sociais e 
morais do indivíduo. 
c) abordam questões atinentes ao plano metafísico da 
existência humana. 
d) tratam o corpo como lócus de criatividade, 
experimentação e desejo. 
e) reconfiguram a crença na vida do corpo e do espírito 
após a morte. 
10. 
 
 
 
 
 
 
5 
 
 
 
 
 
10 
 
 
 
 
 
15 
 
Ergue-se Marco Antônio de repente... 
Ouve-se um grito estrídulo, que soa 
O silêncio cortando, e longamente 
Pelo deserto acampamento ecoa. 
 
O olhar em fogo, os carregados traços 
Do rosto em contração, alto e direito 
O vulto enorme, – no ar levanta os braços, 
E nos braços aperta o próprio peito. 
 
Olha em torno e desvaira. Ergue a cortina, 
A vista alonga pela noite afora... Nada vê. 
Longe, à porta purpurina 
Do Oriente em chamas, vem raiando a aurora. 
 
E a noite foge. Em todo o firmamento 
Vão se fechando os olhos das estrelas: 
Só perturba a mudez do acampamento 
O passo regular das sentinelas. 
 
BILAC, Olavo. “O sonho de Marco Antônio” – parte III. In: Melhores 
poemas de Olavo Bilac. 4. ed. Global, 2003, p. 37. 
 
 Embora pertença ao gênero lírico, o excerto poético 
apresentado comporta características do gênero 
a) dramático, tendo em vista que o eu lírico lança mão 
de uma estrutura dialógica para construir uma 
interação com os leitores; 
b) trágico, já que a personagem retratada realiza ações 
grandiosas e heroicas. 
c) cômico, pois o eu lírico lança mão de um humor 
sutil para sensibilizar os leitores. 
d) narrativo, uma vez que o sujeito poético faz um 
relato de parte do que acontece em um 
acampamento militar durante a noite. 
e) descritivo, porque se notam descrições das 
personagem e da paisagem que as circunda. 
 
11. 
 
 
GOYA Francisco de. El sueño de la razón produce monstruosa, 1797-79. 
Disponível em: http://sarah-sauvin.com/index.php?option= 
com_virtuemar&view+productdetais&virtuenmat_ 
product_id=1848virtuemant_category_id+5&lang+em. 
Acesso em 05 mar. 2018 
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O meu fim evidente era atar as duas pontas da 
vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, 
não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em 
tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só 
me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais 
ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e 
esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, 
semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, 
e que apenas conserva o hábito externo, como se diz 
nas autópsias; o interno não aguenta tinta. 
 
ASSIS, Machado. Dom Casmurro. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 14. 
 
 Tem-se, na gravura de Goya, a personificação do 
abatimento humano, ao passo que, no fragmento de 
Dom Casmurro, o narrador-personagem se apresenta de 
modo melancólico porque 
a) não consegue repara na senilidade o que fora na 
juventude. 
b) seu semblante apresenta aspecto análogo ao de sua 
face. 
c) fechou seu ciclo de existência e não sente nenhum 
vazio. 
d) está emocionado com o fato de poder buscar outra 
vida. 
e) sente ter alcançado a plenitude ao reviver seu 
passado. 
 
12. 
 
 
YAYOKI HUSAMA. Dots obsession (Obsessão dos pontos – 
tradução livre). 1998. instalação – 600 x 600 – 300 cm 
COUTURIER, Élisabeth. Art contemporain Le guide. paris: 
Flamarion, s. d. p. 60 
 
 
 
 
PEREIRA, C. Disponível em: 
http://1.bp.blogspot.com/_p6aURW6N4ik/Ssvzu47g
U7I/AAAAAAAACE/68mw5ykZTM/s320/POEMA
03.jpg. Acesso em: 23 ago. 2017. 
 
A leitura, tanto da imagem quanto do poema 
apresentados, metaforiza o caráter 
a) recorrente da existência humana, pela sugestão de 
ciclicidade. 
b) efêmero das paixões humanas, confirmado pela 
linearidade da leitura. 
c) linear de tudo que compõe a vida, ratificado pelo 
jogo visual. 
d) duradouro das coisas e da vida, indicado pela 
circularidade das imagens. 
e) moroso dos entusiasmos existenciais, reiterado pelas 
combinações difusas. 
 
13. 
 
SONETO DA SEPARAÇÃO 
 
De repente do riso fez-se o pranto 
Silencioso e branco como a bruma 
E das bocas unidas fez-se a espuma 
E das mãos espalmadas fez-se o espanto 
 
De repente da calma fez-se o vento 
Que dos olhos desfez a última chama 
E da paixão fez-se o pressentimento 
E do momento imóvel fez-se o drama 
 
De repente, não mais que de repente 
Fez-se de triste o que se fez amante 
E de sozinho o que se fez contente 
 
Fez-se do amigo próximo, distante 
Fez-se da vida uma aventura errante 
De repente, não mais que de repente. 
 
 MORAES, Vinicius de. “Soneto da separação”. In: 
Antologia poética. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 177. 
 
 
 
MUNCH, Edvard. Kneeling Female Nude Crying (1919). 
 Disponível em: http://br.printerest.com/pin256494141249676234/ 
?ip-true. Acesso em: 12 mar. 2019. 
 
 O soneto, embora modernista, é modulado por um tom 
romântico, ao passo que a pintura é 
a) realista, porque mimetiza a realidade epidérmica. 
b) surrealista, pois dialoga com o automatismo 
psíquico. 
c) impressionista, já que contrasta tons claros e 
escuros. 
d) dadaísta, uma vez que indica o niilismo perante a 
vida. 
e) expressionista, por revelar realidades subjetivas e 
emocionais. 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
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14. 
O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: 
esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa,sossega e depois 
desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. 
 
ROSA, J. G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova 
Fronteira, 1986. 
 
 No romance Grande sertão: veredas, o protagonista 
Riobaldo narra sua trajetória de jagunço. A leitura do 
trecho permite identificar que o desabafo de Riobaldo se 
aproxima de um(a) 
a) diário, por trazer lembranças pessoais. 
b) fábula, por apresentar uma lição de moral. 
c) notícia, por informar sobre um acontecimento. 
d) aforismo, por expor uma máxima em poucas 
palavras. 
e) crônica, por tratar de fatos do cotidiano. 
 
15. 
Só há uma saída para a escola se ela quiser ser 
mais bem-sucedida: aceitar a mudança da língua como 
um fato. Isso deve significar que a escola deve aceitar 
qualquer forma da língua em suas atividades escritas? 
Não deve mais corrigir? Não! 
Há outra dimensão a ser considerada: de fato, no 
mundo real da escrita, não existe apenas um português 
correto, que valeria para todas as ocasiões: o estilo dos 
contratos não é o mesmo do dos manuais de instrução; o 
dos juízes do Supremo não é o mesmo do dos 
cordelistas; o dos editoriais dos jornais não é o mesmo 
do dos cadernos de cultura dos mesmos jornais. Ou do 
de seus colunistas. 
 
POSSENTI, S. Gramática na cabeça. Língua Portuguesa, ano 5, n. 67, 
maio 2011. Adaptado. 
 
Sírio Possenti defende a tese de que não existe um único 
“português correto”. Assim sendo, o domínio da língua 
portuguesa implica, entre outras coisas, saber 
a) descartar as marcas de informalidade do texto. 
b) reservar o emprego da norma-padrão aos textos de 
circulação ampla. 
c) moldar a norma-padrão do português pela linguagem 
do discurso jornalístico. 
d) adequar as formas da língua a diferentes tipos de 
texto e contexto. 
e) desprezar as formas da língua previstas pelas 
gramáticas e manuais divulgados pela escola. 
 
16. 
eu acho um fato interessante… né… foi como 
meu pai e minha mãe vieram se conhecer… né… que… 
minha mãe morava no Piauí com toda família… né… 
meu… meu avô… materno no caso… era maquinista… 
ele sofreu um acidente… infelizmente morreu… minha 
mãe tinha cinco anos… né… e o irmão mais velho 
dela… meu padrinho… tinha dezessete e ele foi 
obrigado a trabalhar… foi trabalhar no banco… e… ele 
foi… o banco… no caso… estava… com um número 
de funcionários cheio e ele teve que ir para outro local e 
pediu transferência prum local mais perto de Parnaíba 
que era a cidade onde eles moravam e por engano o… 
o… escrivão entendeu Paraíba… né… e meu… e minha 
família veio parar em Mossoró que era exatamente o 
local mais perto onde tinha vaga pra funcionário do 
Banco do Brasil e:: ela foi parar na rua do meu pai… 
né… e começaram a se conhecer… namoraram onze 
anos… né… pararam algum tempo… brigaram… é 
lógico… porque todo relacionamento tem uma briga… 
né… e eu achei esse fato muito interessante porque foi 
uma coincidência incrível… né… como vieram a se 
conhecer… namoraram e hoje… e até hoje estão 
juntos… dezessete anos de casados… 
 
CUNHA, M. A. F. (Org.) . Corpus discurso & gramática: 
a língua falada e escrita na cidade do Natal. Natal: EdUFRN, 1998 
 
Na transcrição de fala, há um breve relato de 
experiência pessoal, no qual se observa a frequente 
repetição de “né”. 
 Essa repetição é um(a) 
a) índice de baixa escolaridade do falante. 
b) estratégia típica de manutenção da interação oral. 
c) marca de conexão lógica entre conteúdos na fala. 
d) manifestação característica da fala regional 
nordestina. 
e) recurso enfatizador da informação mais relevante da 
narrativa. 
 
17. 
CAMELÔS 
 
Abençoado seja o camelô dos brinquedos de tostão: 
O que vende balõezinhos de cor 
O macaquinho que trepa no coqueiro 
O cachorrinho que bate com o rabo 
Os homenzinhos que jogam boxe 
A perereca verde que de repente dá um pulo que 
engraçado 
E as canetinhas-tinteiro que jamais escreverão coisa 
alguma. 
 
Alegria das calçadas 
Uns falam pelos cotovelos: 
– “O cavalheiro chega em casa e diz: Meu filho, vai 
buscar um 
pedaço de banana para eu acender o charuto. 
Naturalmente o menino pensará: Papai está malu…” 
 
Outros, coitados, têm a língua atada. 
 
Todos porém sabem mexer nos cordéis como o tino 
ingênuo de 
demiurgos de inutilidades. 
E ensinam no tumulto das ruas os mitos heroicos da 
meninice… 
E dão aos homens que passam preocupados ou tristes 
uma lição de infância. 
 
BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: 
Nova Fronteira, 2007. 
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Uma das diretrizes do Modernismo foi a percepção de 
elementos do cotidiano como matéria de inspiração 
poética. O poema de Manuel Bandeira exemplifica essa 
tendência e alcança expressividade porque 
a) realiza um inventário dos elementos lúdicos 
tradicionais da criança brasileira. 
b) promove uma reflexão sobre a realidade de pobreza 
dos centros urbanos. 
c) traduz em linguagem lírica o mosaico de elementos 
de significação corriqueira. 
d) introduz a interlocução como mecanismo de 
construção de uma poética nova. 
e) constata a condição melancólica dos homens 
distantes da simplicidade infantil. 
 
18. 
 
Disponível em: http//info.abril.com.br. 
Acesso em: 09 maio 2013. Adaptado. 
 
 O texto introduz uma reportagem a respeito do futuro da 
televisão, destacando que as tecnologias a ela 
incorporadas serão responsáveis por 
a) estimular a substituição dos antigos aparelhos de 
TV. 
b) contemplar os desejos individuais com recursos de 
ponta. 
c) transformar a televisão no principal meio de acesso 
às redes sociais. 
d) renovar técnicas de apresentação de programas e de 
captação de imagens. 
e) minimizar a importância dessa ferramenta como 
meio de comunicação de massa. 
 
19. 
 
Scientific American Brasil, ano 11, n. 
134, jul. 2013. Adaptado. 
 Para atingir o objetivo de recrutar talentos, esse texto 
publicitário 
a) afirma com a frase “Queremos seu talento 
exatamente como ele é”, que qualquer pessoa com 
talento pode fazer parte da equipe. 
b) apresenta como estratégia a formação de um perfil 
por meio de perguntas direcionadas, o que dinamiza 
a interação texto-leitor. 
c) utiliza a descrição da empresa como argumento 
principal, pois atinge diretamente os interessados em 
informática. 
d) usa estereótipo negativo de uma figura conhecida, o 
nerd, pessoa introspectiva e que gosta de 
informática. 
e) recorre a imagens tecnológicas ligadas em rede, para 
simbolizar como a tecnologia é interligada. 
 
20. 
 
Texto I 
 
 
Disponível em: https://www.elo7.com.br/xilogravura- 
carro-de-boi/dp/C366EC 
Acesso em: 03 dez. 2020. 
 
Texto II 
 
CORDEL RESISTE À TECNOLOGIA GRÁFICA 
 
O Cariri mantém uma das mais ricas tradições da 
cultura popular. É a literatura de cordel, que atravessa 
os séculos sem ser destruída pela avalanche de 
modernidade que invade o sertão lírico e telúrico. Na 
contramão do progresso, que informatizou a indústria 
gráfica, a Lira Nordestina, de Juazeiro do Norte, e a 
Academia dos Cordelistas do Crato conservam, em suas 
oficinas, velhas máquinas para impressão dos seus 
cordéis. 
A chapa para impressão do cordel é feita à mão, 
letra por letra, um trabalho artesanal que dura cerca de 
uma hora para confecção de uma página. Em seguida, a 
chapa é levada para a impressora, também manual, para 
imprimir. A manutenção desse sistema antigo de 
impressão faz parte da filosofia do trabalho. A outra 
etapa é a confecção da xilogravura para a capa do 
cordel. 
As xilogravuras são ilustrações populares obtidas 
por gravuras talhadas em madeira. A origem da 
xilogravura nordestina até hoje é ignorada. Acredita-se 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
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que os missionários portugueses tenham ensinado sua 
técnica aos índios, como uma atividade extra-catequese, 
partindo do princípio religioso que defende a 
necessidade de ocupar as mãos para que a mente nãofique livre, sujeita aos maus pensamentos, ao pecado. 
A xilogravura antecedeu ao clichê, placa 
fotomecanicamente gravada em relevo sobre metal, 
usualmente zinco, que era utilizada nos jornais 
impressos em rotoplanas. 
 
VICELMO, A. Disponível em: www.onordeste.com. 
 Acesso em: 24 fev. 2013. Adaptado. 
 
A estratégia gráfica constituída pela união entre as 
técnicas da impressão manual e da confecção da 
xilogravura na produção de folhetos de cordel 
a) realça a importância da xilogravura sobre o clichê. 
b) oportuniza a renovação dessa arte na modernidade. 
c) demonstra a utilidade desses textos para a catequese. 
d) revela a necessidade da busca das origens dessa 
literatura. 
e) auxilia na manutenção da essência identitária dessa 
tradição popular. 
 
21. 
EM BOM PORTUGUÊS 
 
No Brasil, as palavras envelhecem e caem como 
folhas secas. Não é somente pela gíria que a gente é 
apanhada (aliás, já não se usa mais a primeira pessoa, 
tanto do singular como do plural: tudo é “a gente”). 
A própria linguagem corrente vai-se renovando e a cada 
dia uma parte do léxico cai em desuso. 
Minha amiga Lila, que vive descobrindo essas 
coisas, chamou minha atenção para os que falam assim: 
— Assisti a uma fita de cinema com um artista que 
representa muito bem. 
Os que acharam natural essa frase, cuidado! Não 
saberão dizer que viram um filme com um ator que 
trabalha bem. E irão ao banho de mar em vez de ir à 
praia, vestido de roupa de banho em vez de biquíni, 
carregando guarda-sol em vez de barraca. Comprarão 
um automóvel em vez de comprar um carro, pegarão um 
defluxo em vez de um resfriado, vão andar no passeio 
em vez de passear na calçada. Viajarão de trem de ferro 
e apresentarão sua esposa ou sua senhora em vez de 
apresentar sua mulher. 
 
SABINO, F. Folha de S. Paulo, 13 abr. 1984. Adaptado. 
 
A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes 
classes socioculturais. O texto exemplifica essa 
característica da língua, evidenciando que 
a) o uso de palavras novas deve ser incentivado em 
detrimento das antigas. 
b) a utilização de inovações no léxico é percebida na 
comparação de gerações. 
c) o emprego de palavras com sentidos diferentes 
caracteriza diversidade geográfica. 
d) a pronúncia e o vocabulário são aspectos 
identificadores da classe social a que pertence o 
falante. 
e) o modo de falar específico de pessoas de diferentes 
faixas etárias é frequente em todas as regiões. 
22. Por onde houve colonização portuguesa, a música 
popular se desenvolveu basicamente com o mesmo 
instrumental. Podemos ver cavaquinho e violão atuarem 
juntos aqui, em Cabo Verde, em Jacarta, na Indonésia, 
ou em Goa. O caráter nostálgico, sentimental, é outro 
ponto comum da música das colônias portuguesas em 
todo o mundo. O kronjong, a música típica de Jacarta, é 
uma espécie de lundu mais lento, tocado comumente 
com flauta, cavaquinho e violão. Em Goa não é muito 
diferente. 
De acordo com o texto de Henrique Cazes, grande parte 
da música popular desenvolvida nos países colonizados 
por Portugal compartilham um instrumental, 
destacando-se o cavaquinho e o violão. No Brasil, são 
exemplos de música popular que empregam esses 
mesmos instrumentos: 
a) Maracatu e ciranda. 
b) Carimbó e baião. 
c) Choro e samba. 
d) Chula e siriri. 
e) Xote e frevo. 
 
23. Quando vou a São Paulo, ando na rua ou vou ao 
mercado, apuro o ouvido; não espero só o sotaque geral 
dos nordestinos, onipresentes, mas para conferir a 
pronúncia de cada um; os paulistas pensam que todo 
nordestino fala igual; contudo as variações são mais 
numerosas que as notas de uma escala musical. 
Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, 
Piauí têm no falar de seus nativos muito mais variantes 
do que se imagina. E a gente se goza uns dos outros, 
imita o vizinho, e todo mundo ri, porque parece 
impossível que um praiano de beira-mar não chegue 
sequer perto de um sertanejo de Quixeramobim. 
O pessoal do Cariri, então, até se orgulha do falar deles. 
Têm uns tês doces, quase um the; já nós, ásperos 
sertanejos, fazemos um duro au ou eu de todos os 
terminais em al ou el - carnavau, Raqueu... Já os 
paraibanos trocam o l pelo r. José Américo só me 
chamava, afetuosamente, de Raquer. 
 
QUEIROZ, R. O Estado de São Paulo. 
09 maio 1998. Fragmento adaptado. 
 
Rachel de Queiroz comenta, em seu texto, um tipo de 
variação linguística que se percebe no falar de pessoas 
de diferentes regiões. As características regionais 
exploradas no texto manifestam-se 
a) na fonologia. 
b) no uso do léxico. 
c) no grau de formalidade. 
d) na organização sintática. 
e) na estruturação morfológica. 
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24. 
— Ora dizeis, não é verdade? Pois o Sr. Lúcio 
queria esse cravo, mas vós lho não podíeis dar, porque 
o velho militar não tirava os olhos de vós; ora, 
conversando com o Sr. Lúcio, acordastes ambos que 
ele iria esperar um instante no jardim… 
 
MACEDO, J. M. A moreninha. Disponível em: 
www.dominiopublico.com.br. Acesso em: 17 abr. 2010. Fragmento. 
 
O trecho faz parte do romance A moreninha, de 
Joaquim Manuel de Macedo. Nessa parte do romance, 
há um diálogo entre dois personagens. A fala transcrita 
revela um falante que utiliza uma linguagem 
a) informal, com estruturas e léxico coloquiais. 
b) regional, com termos característicos de uma região. 
c) técnica, com termos de áreas específicas. 
d) culta, com domínio da norma-padrão. 
e) lírica, com expressões e termos empregados em 
sentido figurado. 
 
25. 
Texto I 
DOIS QUADROS 
 
Na seca inclemente do nosso Nordeste, 
O sol é mais quente e o céu mais azul 
E o povo se achando sem pão e sem veste, 
Viaja à procura das terras do Sul. 
De nuvem no espaço, não há um farrapo, 
Se acaba a esperança da gente roceira, 
Na mesma lagoa da festa do sapo, 
Agita-se o vento levando a poeira. 
 
Texto II 
 
ABC DO NORDESTE FLAGELADO 
 
O – Outro tem opinião 
de deixar mãe, deixar pai, 
porém para o Sul não vai, 
procura outra direção. 
Vai bater no Maranhão 
onde nunca falta inverno; 
outro com grande consterno 
deixa o casebre e a mobília 
e leva a sua família 
pra construção do governo. 
 
Disponível em: www.revista.agulha.com.br. 
Acesso em: 23 abr. 2010. Fragmento. 
 
Os textos I e II são de autoria do escritor nordestino 
Patativa do Assaré, que, em sua obra, retrata de forma 
bastante peculiar os problemas de sua região. Esses 
textos têm em comum o fato de abordarem 
a) falta de esperança do povo nordestino, que se deixa 
vencer pela seca. 
b) a dúvida de que a ajuda do governo chegará ao povo 
nordestino. 
c) o êxodo do homem nordestino à procura de 
melhores condições de vida. 
d) o sentimento de tristeza do povo nordestino devido à 
falta de chuva. 
e) o sofrimento dos animais durante os longos períodos 
de estiagem. 
26. 
A aptidão física, em termos gerais, pode ser 
definida como a capacidade que um indivíduo possui 
para realizar atividades físicas. Ter uma boa amplitude 
nos movimentos das diversas partes corporais é um dos 
componentes da aptidão física relacionada à saúde, pois 
permite maior disposição para atividades da vida diária, 
como, por exemplo, maior facilidade para alcançar os 
próprios pés. 
 
NAHAS, M. V. Atividade física, saúde e qualidade de vida: 
conceitos e sugestões para um estilo de vida ativo. 
Londrina: Midiograf, 2006. Adaptado. 
 
 O componente da aptidão física destacado no texto é 
a) força. 
b) agilidade. 
c) equilíbrio. 
d) velocidade. 
e) flexibilidade. 
 
27. 
GRUPO ESCOLAR 
 
Sonhei com um general de ombros largos 
que fedia 
e que no sonho me apontava a poesia 
enquanto um pássaro pensava suas penas 
e já sem resistência resistia. 
O general acordou e eu que sonhava 
face a face deslizei à dura via 
vi seus olhos que tremiam, ombros largos, 
vi seu queixo modelado a esquadria 
vi que o tempo galopando evaporava(deu para ver qual a sua dinastia) 
mas em tempo fixei no firmamento 
esta imagem que rebenta em ponta fria: 
poesia, esta química perversa, 
este arco que desvela e me repõe 
nestes tempos de alquimia. 
 
BRITO, A. C. In: HOLLANDA, H. B. (Org.). 26 
 Poetas Hoje: antologia. Rio de Janeiro: Aeroplano, 1998. 
 
O poema de Antônio Carlos Brito está historicamente 
inserido no período da ditadura militar no Brasil. A 
forma encontrada pelo eu lírico para expressar 
poeticamente esse momento demonstra que 
a) a ênfase na força dos militares não é afetada por 
aspectos negativos, como o mau cheiro atribuído ao 
general. 
b) a descrição quase geométrica da aparência física do 
general expõe a rigidez e a racionalidade do 
governo. 
c) a constituição de dinastias ao longo da história 
parece não fazer diferença no presente em que o 
tempo evapora. 
d) a possibilidade de resistir está dada na renovação e 
transformação proposta pela poesia, química que 
desvela e repõe. 
e) a resistência não seria possível, uma vez que as 
vítimas, representadas pelos pássaros, pensavam 
apenas nas próprias penas. 
 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
 22 029.443 - 152043/20 
28. 
MÚSCULOS IMPOSSÍVEIS E INVEJÁVEIS 
 
Claramente, nas últimas duas décadas, constituiu-se 
uma cultura masculina da modificação corporal. Por que 
não aplaudir? Pessoalmente, levanto ferro há 35 anos e 
acho ótimo tanto para a saúde quanto para o humor. 
Então qual é o problema? 
Acontece que uma parte não negligenciável dos 
malhadores não encontra saúde nenhuma. Só nos 
Estados Unidos, as pesquisas mostram que, para quase 
1 milhão deles, a insatisfação com seu corpo deixa de 
ser um incentivo e transforma-se numa obsessão 
doentia. Eles sofrem de uma verdadeira alteração da 
percepção da forma de seu próprio corpo. Por mais que 
treinem, “sequem” e fiquem fortes, desenvolvem 
preocupações irrealistas, constantes e angustiadas de 
que seu corpo seja feio, desproporcionado, miúdo ou 
gordo etc. Passam o tempo verificando furtivamente o 
espelho. São as primeiras vítimas do uso desregrado de 
qualquer substância que prometa facilitar o crescimento 
muscular. 
 
CALLIGARIS, C. Folha de S. Paulo, 8 fev. 2001. Fragmento. 
 
O modelo de corpo perseguido pelos sujeitos descritos 
no texto possui como característica principal o(a) 
a) agilidade, com o intuito de realizar ações com maior 
performance atlética. 
b) equilíbrio, com o intuito de impedir oscilações ou 
desvios posturais. 
c) hipertrofia, com o intuito de ampliar o delineamento 
da massa corporal. 
d) relaxamento, com o intuito de alcançar uma 
sensação de satisfação, beneficiando a autoestima. 
e) flexibilidade, com o intuito de evitar lesões 
musculares e outros riscos da atividade física. 
 
29. 
 
Disponível em: http://portal.saude.gov.br. 
Acesso em: 29 fev. 2012. 
 
As propagandas fazem uso de diferentes recursos para 
garantir o efeito apelativo, isto é, o convencimento do 
público em relação ao que apresentam. O cartaz da 
campanha promovida pelo Ministério da Saúde utiliza 
vários recursos, verbais e não verbais, como estratégia 
persuasiva, dentre os quais se destaca 
a) a ligação estabelecida entre as palavras “hábito” e 
“hemocentro”, explorando a ideia de frequência. 
b) a relação entre a palavra “corrente”, a imagem das 
pessoas de mãos dadas e a mão estendida ao leitor. 
c) o emprego da expressão “Um grande ato”, 
despertando a consciência das pessoas para o 
sentimento de solidariedade. 
d) a apresentação da imagem de pessoas saudáveis, 
estratégia adequada ao público-alvo da campanha. 
e) a associação entre o grande número de pessoas no 
cartaz e o número de pessoas que precisam receber 
sangue em nosso país. 
 
30. 
HISTÓRIA DA MÁQUINA QUE FAZ 
O MUNDO RODAR 
 
Cego, aleijado e moleque, 
Padre, doutor e soldado, 
Inspetor, juiz de direito, 
Comandante e delegado, 
Tudo, tudo joga o dinheiro 
Esperando bom resultado. 
 
Matuto, senhor de engenho, 
Praciano e mandioqueiro, 
Do agreste ao sertão 
Todos jogam seu dinheiro 
Se um diz que é mentiroso 
Outro diz que é verdadeiro. 
 
Na opinião do povo 
Não tem quem possa mandar 
Faça ou não faça a máquina 
O povo tem que esperar 
Por que quem joga dinheiro 
Só espera mesmo é ganhar. 
 
Assim é que muitos pensam 
Que no abismo não cai 
Que quem não for no Juazeiro 
Depois de morto ainda vai, 
Assim também é crença 
Que a dita máquina sai. 
 
Quando um diz: ele não faz, 
Já outro fica zangado 
Dizendo: assim como Cristo 
Morreu e foi ressuscitado 
Ele também faz a máquina 
E seu dinheiro é lucrado. 
 
CRUZ, A. F. Disponível em: www.jangadabrasil.org. 
Acesso em: 5 ago. 2012. Fragmento. 
 
No fragmento, as escolhas lexicais remetem às origens 
geográficas e sociais da literatura de cordel. 
 Exemplifica essa remissão o uso de palavras como 
a) cego, aleijado, moleque, soldado, juiz de direito. 
b) agreste, sertão, Juazeiro, matuto, senhor de engenho. 
c) comandante, delegado, dinheiro, resultado, praciano. 
d) mentiroso, verdadeiro, joga, ganhar. 
e) morto, crença, zangado, Cristo. 
 
MÓDULO DE VÉSPERA ENEM 2020 
 
 23 029.443 - 152043/20 
31. 
 
Disponível em: http://portal.rpc.com.br. Acesso em: 13 jun. 2011. 
 
A tirinha faz referência a uma situação muito comum 
nas famílias brasileiras: a necessidade de estudar para o 
vestibular. Buscando convencer o seu interlocutor, os 
personagens da tira fazem uso das seguintes estratégias 
argumentativas: 
a) Comoção e chantagem. 
b) Comoção e ironia. 
c) Intimidação e chantagem. 
d) Intimidação e sedução. 
e) Sedução e ironia. 
 
32. 
Como os gêneros são históricos e muitas vezes 
estão ligados às tecnologias, eles permitem que surjam 
novidades nesse campo, mas são novidades com algum 
gosto do conhecido. Observem-se as respectivas 
tecnologias e alguns de seus gêneros: telegrama; 
telefonema; entrevista televisiva; entrevista radiofônica; 
roteiro cinematográfico e muitos outros que foram 
surgindo com tecnologias específicas. Neste sentido, é 
claro que a tecnologia da computação, por oferecer uma 
nova perspectiva de uso da escrita num meio eletrônico 
muito maleável, traz mais possibilidades de inovação. 
 
MARCUSCHI, L. A. Disponível em: www.progesp.ufba.br. 
Acesso em: 23 jul. 2012. Fragmento. 
 
O avanço das tecnologias de comunicação e informação 
fez, nas últimas décadas, com que surgissem novos 
gêneros textuais. Esses novos gêneros, contudo, não são 
totalmente originais, pois eles inovam em alguns 
pontos, mas remetem a outros gêneros textuais 
preexistentes, como ocorre no seguinte caso: 
a) O gênero e-mail mantém características dos gêneros 
carta e bilhete. 
b) O gênero aula virtual mantém características do 
gênero reunião de grupo. 
c) O gênero bate-papo virtual mantém características 
do gênero conferência. 
d) O gênero videoconferência mantém características 
do gênero aula presencial. 
e) O gênero lista de discussão mantém características 
do gênero palestra. 
 
33. 
 
Disponível em: www.flogao.com.br. Acesso em: 28 fev. 2012. 
Os textos relativos ao mundo do trabalho, geralmente, 
são elaborados no padrão normativo da língua. No 
anúncio, apesar de o enunciador ter usado uma 
variedade linguística não padrão, ele atinge seus 
propósitos comunicativos porque 
a) os fazendeiros podem contar com a comodidade de 
serem atendidos em suas fazendas. 
b) a parede de uma casa é um suporte eficiente para a 
divulgação escrita de um anúncio. 
c) a letra de forma torna a mensagem mais clara, de 
modo a facilitar a compreensão. 
d) os mecânicos especializados em máquinas pesadas 
são raros na zona rural. 
e) o contexto e a seleção lexical permitem que se 
alcance o sentido pretendido. 
 
34. 
O CORDELISTA POR ELE MESMO 
 
Aos doze anos eu era 
forte, esperto e nutrido. 
Vinha do Sítio de Piroca 
muito alegre e divertido 
vender cestos e balaios 
que eu mesmo havia tecido. 
 
Passava o

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