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Aula 05 – Coerência e Coesão Textual - Texto 
Curso: Português – Resumo + Questões Comentadas 
Professor: Bruno Spencer
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Curso: Português 
Resumo + Questões Comentadas 
Prof. Bruno Spencer - Aula 05 
 
 
Prof. Bruno Spencer 2 de 125 
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Olá amigos! 
Tudo bem??? Vamos à nossa última aula teórica do curso. 
Estudaremos nesta aula dois assuntos importantíssimos para provas de 
concurso. 
Em ambos, a teoria é muitíssimo simples, mas é necessário muita 
prática, para resolvermos as questões sem embaraço. 
Caso tenham dificuldade nas questões de coerência coesão, revisem as 
aulas sobre pronomes, preposições e conjunções. 
Vamos lá pessoal, força nos estudos!!! 
Boa aula!!! 
 
 
Sumário 
 
1 – Coerência e Coesão Textual ................................................................ 3 
2 – Texto ............................................................................................... 4 
3 – Questões Comentadas ..................................................................... 13 
4 – Lista de Exercícios ........................................................................... 79 
5 - Gabarito ........................................................................................125 
6 - Referencial Bibliográfico ...................................................................125 
 
 
 
 
Aula 05 - Resumão 
Coerência e Coesão Textual - Texto 
 
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Curso: Português 
Resumo + Questões Comentadas 
Prof. Bruno Spencer - Aula 05 
 
 
Prof. Bruno Spencer 3 de 125 
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Coerência e Coesão Textual - O que é isso? 
São elementos fundamentais à construção textual, pois, para 
escrevermos um bom texto, necessitamos que ele soe como uma unidade. Para 
isso, precisamos utilizar de maneira correta os elementos de coesão textual 
e expor os nossos argumentos de forma coerente. 
 
Coerência 
 
 
 
Coesão 
 
 
Isso é o que chamamos de coesão referencial. 
As informações apresentadas não devem se contradizer, pois isso
provocaria a incoerência do texto.
A falta de coerência deixa o texto sem sentido. É como você dizer que
está feliz porque perdeu o emprego e foi abandonado pela(o)
namorada(o).
•Ex. O impeachment é algo importante para a nossa democracia. Ele
constitui-se em um mecanismo de controle político instituido pela nossa
Constituição.
Quando não utilizamos bem os elementos coesivos (pronomes,
preposições, conjunções, substantivos e etc), o nosso texto fica como
uma colcha de retalhos mal costurada, de difícil entendimento, pois as
informações ficam “soltas” e com muitas repetições desnecessárias.
Os elementos de coesão é que fazem esse papel de “costurar” as
informações, ligando-as de modo a constituir uma unidade textual.
•Ex. O Brasil é um país rico em recursos minerais. Aqui podemos
encontrá-los em abundância.
1 – Coerência e Coesão Textual 
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Resumo + Questões Comentadas 
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Note que, tanto o advérbio “aqui”, como o pronome “os” fazem 
referência a termos já citados no texto (referência ANAFÓRICA). É a utilização 
adequada desses recursos que faz um texto coeso. 
Podemos, por meio da coesão referencial nos referir a um termo, um 
período ou mesmo a um parágrafo inteiro. 
Exemplo: 
A dengue, hoje em dia, é um dos grandes problemas da saúde pública no 
Brasil. Ela ocorre principalmente em áreas sem saneamento básico e causa 
grandes transtornos à população mais carente, que é a mais vulnerável. 
Essa situação ocorre devido à falta de investimentos do governo federal, 
estadual e municipal. 
No trecho acima, temos dois exemplos de coesão referencial. O pronome 
“ela” substitui o substantivo “dengue”, enquanto a expressão “essa situação” 
faz referência a todo o parágrafo anterior, fazendo a ligação com o novo 
parágrafo e com as novas informações apresentadas no texto dissertativo. 
 
OBSERVAÇÃO 
A partir de hoje, quando ler um texto, preste bem atenção a esses 
elementos de ligação, que aparecem constantemente, principalmente no início 
de orações, períodos e parágrafos. 
 
 
 
Interpretação Textual 
 Para interpretarmos corretamente um texto, precisamos 
identificar nele dois pontos principais: 
 
 Algo que devemos ter muito cuidado é para não nos empolgarmos e 
EXTRAPOLAR as informações fornecidas pelo texto, pois certamente 
estaremos nos deixando levar pela nossa criatividade, que nesse momento é 
algo perigoso. 
 
Tipologia Textual 
1 - Qual a ideia central?
2 - Qual sua intenção?
2 – Texto 
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Resumo + Questões Comentadas 
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Os tipos textuais são constituídos por diferentes características próprias 
e peculiares que os diferenciam. São eles: 
 
Vamos ver as principais características de cada um deles. Certamente você já 
conhece todos eles, ainda que não ligue o tipo ao nome. 
 
Textos NARRATIVOS 
 
Textos DESCRITIVOS 
 
 
 
Narrativos
Descritivos
Instrucionais
Dissertativos
São utilizados para contar ou narrar estórias ou histórias, fatos e
acontecimentos.
Têm sempre um narrador que pode ser na primeira pessoa (narrador
personagem) ou na terceira (narrador observador).
Por consequência temos sempre a presença de AÇÃO, de
PESONAGENS e por vezes de discurso direto ou indireto.
São exemplos de textos narrativos: contos, fábulas, romances, lendas,
ficções, textos jornalísticos de notícias, biografias, quadrinhos e etc.
•Ex. "Dizem por ai, mas não tenho certeza, que meu sorriso fica mais 
feliz quando te vejo, dizem também que meus olhos brilham, dizem 
também que é amor, mas isso sim é certeza." (Dom Casmurro, Machado 
de Assis) 
Servem para descrever lugares ou ambientes, pessoas, momentos,
objetos e etc.
Normalmente, são utilizados dentro de um texto narrativo e
caracterizam-se pela ampla utilização de adjetivos, comparações e
recursos linguísticos (metáforas, sinestesia e etc) para que possamos
“visualizar” algo que está sendo descrito ou até mesmo nos
“transportarmos” para um determinado lugar ou um determinado
momento.
•Ex. “A minha alegria acordava a dele, e o céu estava tão azul, e o ar tão 
claro, que a natureza parecia rir também conosco. São assim as boas 
horas deste mundo.” (Dom Casmurro, Machado de Assis) 
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Resumo + Questões Comentadas 
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Textos INSTRUCIONAIS 
 
 
Textos DISSERTATIVOS 
 
 
Gêneros Textuais 
 Grande parte dos gêneros textuais são nossos velhos conhecidos. Desde 
crianças, já escutamos contos, lendas, fábulas e à medida que vamos crescendo 
passamos a ler os romances, ficções, artigos científicos, textos jornalísticos e 
etc. Para entrarmos nos pormenores de cada gênero textual, teríamos que fazer 
um curso de literatura, o que não é o nosso objetivo neste momento. Assim, 
vamos fazer uma lista exemplificativa de alguns dos gêneros textuais 
existentes. 
 Romance 
 Ficção 
 Conto 
São utilizados para transmitir ORIENTAÇÕES ou INSTRUÇÕES ao
interlocutor. É característico deste tipo o uso dos verbos no modo
imperativo, a linguagem direta e objetiva, sem uso de
argumentações.
São classificados com INJUNTIVOS quando visam meramente
transmitir orientações ou instruções como em bulas de remédio,
manuais de instrução, receitas culinárias.
Quando possuem caráter COERCITIVO (de obrigar a fazer ou não-
fazer), são chamados de PRESCRITIVOS.
Exemplos de textos prescritivos são as leis, decretos e atos
normativos em geral.
•
Normalmente, contêm uma introdução do tema, um
desenvolvimento (exposição ou argumentação) e uma conclusão.
Podemos subdividi-lo em dois subtipos: os textos dissertativos
EXPOSITIVOS e os textos dissertativos ARGUMENTATIVOS.
Os textos expositivos são utilizados para exposição de um assunto
sem a preocupação de convencer o leitor de determinada opinião,
portanto são IMPARCIAIS, não cabendo impressões pessoais ou pontos
de vistas do autor.
Exemplos desses textos são as aulas, seminários, matérias jornalísticas
informativas.
Já os textos argumentativos, são escritos com a intenção de levar o
leitor a concordar com o ponto de vista do autor por meio de uma
argumentação consistente por ele apresentada.
Normalmente são utilizadas comparações, estatísticas, opiniões de
autoridades no assunto, fatos e etc.
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Curso: Português 
Resumo + Questões Comentadas 
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 Lenda 
 Fábula 
 Poema 
 Artigo de opinião 
 Reportagem 
 Notícia 
 Crônica 
 Receita culinária 
 Lista de compras 
 Curriculum vitae 
 Telefonema 
 Aula expositiva 
 Debate 
 Seminário 
 Conferência 
 E-mail 
 Carta 
 Diário 
 Relato de viagem 
 Biografia 
 Piada 
 Relatório 
 Resumo 
 Resenha 
 Ofício 
 Memorando 
 Lei 
 Decreto 
 Instrução Normativa 
 Portaria 
 
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Recursos Linguísticos 
Vamos conhecer alguns recursos linguísticos utilizados na produção de 
textos, cujos conceitos podem ser necessários para a resolução de determinada 
questão, ou mesmo nos auxiliarem a chegar a uma melhor compreensão da 
peça textual. 
 
 
 
 
 
 
OBS. Repare que na COMPARAÇÃO existe a presença de termos comparativos: 
como, tal como, tal qual e etc. 
 
 
 
 
 
•Quando uma palavra é utilizada no seu sentido
próprio ou literal.
•Ex. O leão é uma fera selvagem.
DENOTAÇÃO
ou 
SENTIDO 
DENOTATIVO
•Quando uma palavra é utilizada em sentido
figurado.
•Ex. Minha esposa ficou uma fera.
CONOTAÇÃO
ou 
SENTIDO 
CONOTATIVO
•Figura de linguagem utilizada para fazer uma
comparação utilizando-se de uma conotação.
•Ex. Ela é um anjo, de nada reclama.
METÁFORA
•Não confundir a comparação com a metáfora.
•Ex. Ela é meiga como um anjo, de nada
reclama.
COMPARAÇÃO
•Quando se atribui características humanas a
seres inanimados.
•Ex. As pedras vão cantar. Chora viola!
PROSOPOPEIA
OU
PERSONIFICAÇÃO
•Quando utiliza-se uma palavra no lugar de
outra de sentido próximo, relacionado.
•Ex. Ela gosta de ler Paulo Coelho. (os livros
escritos por Paulo Coelho)
•Ex. Bebeu um copo de água. (a água que estava
dentro do copo)
METONÍMIA
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OBS. A ambiguidade é um recurso muito utilizado para causar efeitos 
humorísticos. Deve ser ferrenhamente evitada em textos mais formais e, 
principalmente, quando tratar-se de documentos oficiais. 
 
 
 
 
 
•É um recurso de linguagem utilizado para
suavizar ou amenizar determinadas expressões.
•Ex. Ele faltou com a verdade. = Ele mentiu.
•Ele foi para o além. = Ele morreu.
EUFEMISMO
•É um recurso utilizado com o objetivo de
expressar exagero.
•Ex. Estou morrendo de fome!
•Já repeti isso mil vezes.
HIPÉRBOLE
•É um tipo de metáfora que passou a ser utilizada
como linguagem usual.
•Ex. Pé da mesa, batata da perna, maçã do rosto, 
dente de alho, asa da xícara.
CATACRESE
•É o que conhecemos por duplo sentido.
•Ex. A cachorra da sogra dele ficou doente.
AMBIGUIDADE
•É uma figura que surge do contraste de
opostos.
•Ex."Não existiria som se não houvesse o silêncio."
ANTÍTESE
•Quando dizemos algo oposto ao que realmente é,
com intuito de criticar, ridicularizar ou satirizar
algo.
•Ex. Você está cheiroso como um gambá.
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OBS. O primeiro exemplo é um caso de paralelismo SEMÂNTICO. Note que 
“estudar” e “trabalhar” possuem uma ligação semântica, pois são atividade 
de caráter intelectual que têm uma relação entre si. 
Já o segundo exemplo apresenta um caso simplório de paralelismo 
SINTÁTICO, pois ensinar crianças e comer chocolates não têm uma ligação 
semântica evidente. Porém, evita-se escrever duas frases repetindo-se a 
mesma estrutura: Todos os dias ela ensina crianças. Todos os dias ela come 
chocolate. 
 
 
 
 
 
•Quando substituímos um nome por uma
característica ou fato marcante a ele
relacionados.
•Ex. Fomos ao show do Rei. (= Roberto Carlos)
•Nasceu na Veneza Brasileira. (= Recife)
PERÍFRASE
•Mistura de percepções sensoriais.
•Ex. Seu olhar era quente como brasa. (as
percepções visual e térmica se misturam)
SINESTESIA
•Quando há duas ideias com estruturas idênticas
•Ex. Gosto de trabalhar e de estudar.
•Ex. Todos os dias, ela ensina criançase come
muito chocolate.
PARALELISMO
•Quando um texto está inserido em
outro de maneira direta ou indireta.
•São exemplos de intertextualidade a
CITAÇÃO, a PARÁFRASE e a PARÓDIA.
INTERTEXTUALIDADE
•É quando mencionamos em nosso texto conteúdo
originário de obra de outro autor. As citações
devem ser acompanhadas da devida referência à
obra e ao autor originais.
CITAÇÃO
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Exemplo: 
Canção do Exílio 
(Gonçalves Dias) 
Minha terra tem palmeiras, 
Onde canta o sabiá; 
As aves que aqui gorjeiam, 
Não gorjeiam como lá 
(...) 
 
Canto de Regresso à Pátria 
(Oswald de Andrade) 
Minha terra tem palmares, 
Onde gorjeia o mar; 
Os passarinhos daqui, 
Não cantam como os de lá 
(...) 
 
 
 
 
OBS. Não confundir inferência com elucubração. A inferência é algo 
logicamente dedutível a partir do texto e não algo acrescentado pela 
criatividade do leitor. 
 
•É quando escreve-se um texto, tomando um outro
como base.
PARÁFRASE
•Quando escreve-se uma obra similar à original,
porém, normalmente com um sentido cômico.
PARÓDIA
•É uma dedução LÓGICA que podemos fazer com
segurança a partir das informações apresentadas.
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OBS. Repare que o subentendido vai de encontro ao que falamos 
anteriormente: CUIDADO para não EXTRAPOLAR o sentido do texto!!! 
 
 
Vamos praticar pessoal!!! 
 
 
•É uma informação implícita no texto que
podemos inferir com segurança, pois há
informações suficientes para isso.
•Ex. Pedro deixou de fumar. (pressuposto: Pedro
fumava)
PRESSUPOSTO
•Semelhante ao pressuposto, também é uma
informação implícita. Porém, há de se tomar
muito cuidado com eles, pois não há
garantias que sejam verdadeiros, são
hipóteses.
•Ex. Ela disse: Aqui está muito quente!
(subentendido: ela quer que abra as janela, que
ligue um ventilador ou ar condicionado; ela
quer tomar um banho de piscina; ela quer tirar
as roupas e etc.)
SUBENTENDIDO
•É uma redundância, que pode ser um vício ou
uma figura de linguagem, dependendo da maneira
como for utilizado.
•Ex. Todos saíram para fora. (vício de linguagem) 
•Eu canto o meu canto de paz. (figura de 
linguagem)
PLEONASMO
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1) FCC/AJ/TRE SP/Administrativa/"Sem Especialidade"/2017 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Sandberg, que mudou totalmente o conceito espectador/obra de arte com o seu 
trabalho de duas décadas no Museu Stedelijk, de Amsterdã, iniciou sua palestra 
elogiando a arquitetura do nosso MAM-RJ que, segundo ele, segue a sua teoria 
de que o público deve ver a obra de arte de frente e não de lado, como acontece 
até agora com o museu convencional de quatro paredes. O ideal, disse ele, é 
que as paredes do museu sejam de vidro e que as obras estejam à mostra em 
painéis no centro do recinto. O museu não é uma estrutura sagrada e quem o 
frequenta deve permanecer em contato com a natureza do lado de fora: 
A finalidade do museu de arte contemporânea é nos ajudar a ter consciência da 
nossa própria época, manter um espelho na frente do espectador no qual ele 
possa se reconhecer. Este critério nos leva também a mostrar a arte de todos 
os tempos dentro do ambiente atual. Isso significa que devemos abolir o 
mármore, o veludo, as colunas gregas, que são interpretações do século XIX. 
Apenas a maior flexibilidade e simplicidade. A luz de cima é natural ao ar livre, 
mas artificial ao interior. As telas são pintadas com luz lateral e devem ser 
mostradas com luz lateral. A luz de cima nos permite encerrar o visitante entre 
quatro paredes. Certos museólogos querem as quatro paredes para infligir o 
maior número possível de pinturas aos pobres visitantes. 
É de capital importância que o visitante possa caminhar em direção a um quadro 
e não ao lado dele. Quando os quadros são apresentados nas quatro paredes, 
o visitante tem de caminhar ao seu lado. Isso produz um efeito completamente 
diferente, especialmente se não queremos que ele apenas olhe para o trabalho, 
mas o veja. Isso é ainda mais verdadeiro em relação aos grandes museus de 
arte contemporânea. Eles são grandes porque o artista moderno quer nos 
envolver com o seu trabalho e deseja que entremos em sua obra. Ao organizar 
o nosso museu, devemos ter consciência da mudança de mentalidade da nova 
geração. Abolir todas as marcas do establishment: uniformes, cerimoniais, 
formalismo. Quando eu era jovem, as pessoas entravam nos museus nas pontas 
dos pés, não ousavam falar ou rir alto, apenas cochichavam. 
Realmente não sabemos se os museus, especialmente os de arte 
contemporânea, devem existir eternamente. Foram criados numa época em que 
a sociedade não estava bastante interessada nos trabalhos de artistas vivos. O 
ideal seria que a arte se integrasse outra vez na vida diária, saísse para as ruas, 
entrasse nas casas e se tornasse uma necessidade. Esta deveria ser a principal 
finalidade do museu: tornar-se supérfluo”. 
(Adaptado de: BITTENCOURT, Francisco. “Os Museus na Encruzilhada” [1974], 
em Arte-Dinamite, Rio de Janeiro, Editora Tamanduá, 2016, p. 73-75) 
 
3 – Questões Comentadas 
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...que o visitante possa caminhar em direção a um quadro e não ao lado dele. 
(3º parágrafo) 
Isso produz um efeito completamente diferente, especialmente se não 
queremos que ele apenas olhe para o trabalho, mas o veja. (3º parágrafo) 
...no qual ele possa se reconhecer. (2º parágrafo) 
Nos segmentos acima, os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, 
a: 
a) visitante − trabalho − ele 
b) quadro − trabalho − espelho 
c) quadro − efeito − espectador 
d) visitante − efeito − museu 
e) quadro − ele − espectador 
Comentários: 
Afirmativa I – “...que o visitante possa caminhar em direção a um quadro e 
não (caminhar – verbo implícito) ao lado dele.” 
O pronome “dele” refere-se ao termo “quadro”, pois “o visitante” (sujeito) é 
justamente quem há de caminhar ao seu lado. 
O pronome é utilizado acima com a intenção de evitar a repetição do 
substantivo “visitante”. 
Afirmativa II – “Isso produz um efeitocompletamente diferente, especialmente 
se não queremos que ele apenas olhe para o trabalho, mas o veja.” 
A segunda afirmativa assemelha-se muito com a primeira. 
Dessa vez, o pronome “o” evita a repetição desnecessária do substantivo 
“trabalho”. 
O “visitante” (sujeito) deve olhar o trabalho e vê-lo (ver o trabalho). 
Afirmativa III - “A finalidade do museu de arte contemporânea é nos ajudar a 
ter consciência da nossa própria época, manter um espelho na frente do 
espectador no qual ele possa se reconhecer.” 
O termo “espectador” é substituído pelo pronome “ele”, enquanto o nome 
“espelho” referenciado pelo pronome relativo “no qual”. 
É uma interpretação semântica, afinal, certamente, o espelho é um objeto no 
qual a pessoa pode reconhecer-se. 
Note que todos são casos de referência ANAFÓRICA. Os pronomes referem-se 
a substantivos previamente citados no texto. 
Gabarito: B 
 
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2) FCC/Ana RH/ALMS/2016 
Instituições e riscos 
Sem convívio não há vida, sem convívio não há civilização. Mas para conviver 
neste pequeno planeta, para se afastar da barbárie, os homens necessitam de 
princípios e de regras, em suas múltiplas formas de agrupamento. Orientados 
por tantos e tão diferentes interesses, premidos pelas mais diversas 
necessidades, organizamo-nos em associações, escolas, igrejas, sindicatos, 
corporações, clubes, empresas, assembleias, missões etc., confiando em que a 
força de um objetivo comum viabiliza a unificação de todos no corpo de uma 
instituição. É o sentido mesmo de uma coletividade organizada que legitima a 
existência e o funcionamento das instituições. 
Mas é preciso sempre alertar para o fato de que, criadas para permitir o convívio 
civilizado, as instituições também podem abrigar aqueles que se valem de seu 
significado coletivo para mascarar interesses particulares. A corrupção e a 
fraude podem tirar proveito do prestígio de uma instituição, alimentando-se de 
sua força como um parasita oportunista se aproveita do hospedeiro saudável. 
Não faltam exemplos de deturpações e desvios do bom caminho institucional, 
provocados exatamente por aqueles que deveriam promover a garantia do 
melhor roteiro. Por isso, não há como deixar de sermos vigilantes no 
acompanhamento das organizações todas que regem nossa vida: observemos 
sempre se são de fato os princípios do bem coletivo que estão orientando a ação 
institucional. Sem isso, deixaremos que a necessidade original de convívio, em 
vez de propiciar a saúde do empreendimento social, dê lugar ao atendimento 
do egoísmo mais primitivo. 
(Teobaldo de Carvalho, inédito) 
 
Os dois últimos períodos do texto são introduzidos pelas expressões “Por isso” 
e “Sem isso”, que nesse contexto se referem, precisamente, 
a) a um mesmo antecedente: a necessidade de ficarmos alertas. 
b) a um mesmo antecedente: a ocorrência do parasitismo oportunista. 
c) a estes dois respectivos antecedentes: um convívio civilizado e a boa saúde 
do empreendimento social. 
d) a estes dois respectivos antecedentes: desvios do roteiro desejável e 
necessidade de vigilância. 
e) a estes dois respectivos antecedentes: os bons princípios coletivos e o 
egoísmo mais primitivo. 
Comentários: 
“Não faltam exemplos de deturpações e desvios do bom caminho 
institucional, provocados exatamente por aqueles que deveriam promover a 
garantia do melhor roteiro. Por isso, não há como deixar de sermos vigilantes 
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no acompanhamento das organizações todas que regem nossa vida: 
observemos sempre se são de fato os princípios do bem coletivo que estão 
orientando a ação institucional. Sem isso, deixaremos que a necessidade 
original de convívio, em vez de propiciar a saúde do empreendimento social, dê 
lugar ao atendimento do egoísmo mais primitivo.” 
Note que o primeiro “isso” faz referência ao desvio do rumo institucional 
(período imediatamente anterior), enquanto o segundo “isso” refere-se ao 
período imediatamente anterior a ele, que trata da necessidade de vigilância no 
acompanhamento das organizações. 
Gabarito: D 
 
3) FCC/Ag/ALMS/Apoio Legislativo/2016 
Serviço público 
Entre os serviços oferecidos pelo Estado (com recursos provenientes da 
arrecadação de impostos) e a população (sobretudo os que dependem 
inteiramente da qualidade desses serviços), está a figura do servidor público. 
Para fazer essa importante mediação, costuma-se garantir ao servidor a 
estabilidade e o salário que lhe permitam exercer sua função com a 
independência e a dignidade de quem não pode e não deve se submeter a troca 
de favores ou de vantagens que não as da legislação que rege seu contrato de 
trabalho. 
Não convém esquecer que entre os servidores públicos, além dos que se 
entregam ao cumprimento da burocracia, estão aqueles que têm importância 
fundamental em áreas vitais como a Educação, a Saúde, a Segurança, o controle 
do meio ambiente e outras que concorrem diretamente para qualificar nosso 
nível de vida. Há quem julgue que todos os empreendimentos sociais deveriam 
regular-se pelo Mercado, e não pelo Estado. Para quem assim pensa, a figura 
do servidor público surge não como um cidadão operoso e eficiente, mas como 
um entrave à excelência dos negócios, que se regulamentariam por si mesmos. 
É nessa ordem de coisas que professores, médicos, agentes de segurança e 
tantos outros profissionais do setor público precisam tomar em suas mãos a 
responsabilidade de quem estabelece, na prática, o vínculo entre o cidadão e o 
Estado, o indivíduo e sua cidadania. O contato entre o servidor e a população 
deve espelhar uma relação de confiança em que, cidadãos ambos, reconhecem-
se como integrantes de uma mesma ordem social mediada pelo direito público 
e não pelo privilégio privado. O equilíbrio entre o que o Estado tem o dever de 
oferecer e o Mercado tem o interesse em vender e comprar é um desafio a ser 
enfrentado pela sociedade moderna. A figura do servidor público é não apenas 
emblemática: é a encarnação do vínculo profissional e humano entre os direitos 
do povo e os deveres do Estado . 
(Josimar Castelo, inédito) 
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Atente para as seguintes frases: 
I. O servidor público carece de estabilidade e boa remuneração. 
II. A falta de estabilidade e de boa remuneração fragiliza a condição do servidor. 
III. Um servidor fragilizado deixa de ser eficiente. 
As frases acima estão articuladas com correção e coerência em: 
a) Quando a condição de um servidor é fragilizada pela falta de estabilidade e 
boa remuneração,ele deixa de ser eficiente. 
b) Por falta de estabilidade e de boa remuneração, de cujas se mostra carente, 
o servidor fragilizado fica ineficiente. 
c) Não há eficácia, quando um servidor, sempre carente de estabilidade e 
remuneração, deixa por isso de ser eficiente. 
d) Por ser fragilizado, mesmo porque ele carece de estabilidade e boa 
remuneração, um servidor deixa de ser eficiente. 
e) Um servidor se torna ineficiente, caso a estabilidade e a boa remuneração 
venham a faltar-lhe, assim lhe fragilizando. 
Comentários: 
Alternativa A – Correta – Perfeita utilização dos conectivos, estabelecendo as 
relações semânticas adequadas. 
Alternativa B – Incorreta – A frase acima é totalmente incoerente (sem 
sentido), além de apresentar erro na utilização do pronome “cujo” e no emprego 
das vírgulas. 
Alternativa C – Incorreta – O período está gramaticalmente correto, no entanto 
modifica o sentido original das frases do enunciado, inclusive, estabelecendo 
uma ligação de causa e consequência entre a eficiência e a eficácia. 
Alternativa D – Incorreta – A frase está gramaticalmente correta, mas deixa de 
estabelecer o sentido original, o qual condiciona a fragilidade do servidor à 
falta de estabilidade e de boa remuneração (relação de causa e consequência) 
“A falta de estabilidade e de boa remuneração fragiliza a condição do servidor.” 
Alternativa E – Incorreta – O período não me parece 100% fiel ao sentido 
original das três frases, mas também não podemos dizer que está 
semanticamente errado. 
No entanto encontramos dois erros gramaticais no final do período, um no 
emprego da vírgula (falta dela) e o outro na utilização do pronome relativo 
errado. 
Um servidor se torna ineficiente, caso a estabilidade e a boa remuneração 
venham a faltar-lhe, assim lhe fragilizando. 
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Um servidor se torna ineficiente, caso a estabilidade e a boa remuneração 
venham a faltar-lhe, assim, fragilizando-o. 
OBS – Em relação ao pronome “se”, a ênclise é a forma de colocação pronominal 
mais adequada, pois não há palavra de atração. Podemos considerar a forma 
acima em uma linguagem informal. 
Gabarito: A 
 
4) FCC/Esc/BB/"Sem Área"/2013 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Ao longo do século XVII, a Holanda foi um dos dois motores de um fenômeno 
que transformaria para sempre a natureza das relações internacionais: a 
primeira onda da chamada globalização. O outro motor daquela era de 
florescimento extraordinário das trocas comerciais e culturais era um império 
do outro lado do planeta − a China. Só na década de 1650, 40 000 homens 
partiram dos portos holandeses rumo ao Oriente, em busca dos produtos 
cobiçados que se fabricavam por lá. Mas a derrota em uma guerra contra a 
França encerrou os dias da Holanda como força dominante no comércio mundial. 
Se o século XVI havia sido marcado pelas grandes descobertas, o seguinte 
testemunhou a consequência maior delas: o estabelecimento de um poderoso 
cinturão de comércio que ia da Europa à Ásia. "O sonho de chegar à China é o 
fio imaginário que percorre a história da luta da Europa para fugir do 
isolamento", diz o escritor canadense Timothy Brook, no livro O chapéu de 
Vermeer. 
Isso determinou mudanças de comportamento e de valores: "Mais gente 
aprendia novas línguas e se ajustava a costumes desconhecidos". O estímulo a 
esse movimento era o desejo irreprimível dos ocidentais de consumir as 
riquezas produzidas no Oriente. A princípio refratários ao comércio com o 
exterior, os governantes chineses acabaram rendendo-se à evidência de que o 
comércio significava a injeção de riqueza na economia local (em especial sob a 
forma de toneladas de prata). 
Sob vários aspectos, a China e a Holanda do século XVII eram a tradução de 
um mesmo espírito de liberdade comercial. Mas deveu-se só à Holanda a 
invenção da pioneira engrenagem econômica transnacional. A Companhia das 
Índias Orientais − a primeira grande companhia de ações do mundo, criada em 
1602 − foi a mãe das multinacionais contemporâneas. Beneficiando-se dos 
baixos impostos e da flexibilidade administrativa, ela tornou-se a grande 
potência empresarial do século XVII. 
(Adaptado de: Marcelo Marthe. Veja, p. 136137, 29 ago. 2012) 
 
Isso determinou mudanças de comportamento e de valores ... (3o parágrafo) 
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O pronome grifado evita a repetição, no texto, da expressão: 
a) o estabelecimento de um poderoso cinturão de comércio. 
b) a primeira onda da chamada globalização. 
c) a derrota em uma guerra contra a França. 
d) o desejo irreprimível dos ocidentais. 
e) a injeção de riqueza na economia local. 
Comentários: 
O pronome “isso” funciona como elemento de coesão textual, fazendo 
referência ao conteúdo do parágrafo anterior (referência anafórica) e ligando-
o com parágrafo seguinte. O pronome “isso” refere-se precisamente ao trecho 
marcado em azul que é a ideia principal do parágrafo anterior. 
“Se o século XVI havia sido marcado pelas grandes descobertas, o seguinte 
testemunhou a consequência maior delas: o estabelecimento de um 
poderoso cinturão de comércio que ia da Europa à Ásia. "O sonho de 
chegar à China é o fio imaginário que percorre a história da luta da Europa para 
fugir do isolamento", diz o escritor canadense Timothy Brook, no livro O chapéu 
de Vermeer. 
Isso determinou ... “ 
Gabarito: A 
 
5) FCC/AJ/TRF 3/Apoio Especializado/Arquivologia/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
A dor, juntamente com a morte, é sem dúvida a experiência humana mais bem 
repartida: nenhum privilegiado reivindica ignorância em relação a ela ou se 
vangloria de conhece-la melhor que qualquer outro. Violência nascida no próprio 
âmago do indivíduo, ela dilacera sua presença e o esgota, dissolve-o no abismo 
que nele se abriu, esmaga-o no sentimento de um imediato sem nenhuma 
perspectiva. Rompe-se a evidência da relação do indivíduo consigo e com o 
mundo. 
A dor quebra a unidade vivida do homem, transparente para si mesmo enquanto 
goza de boa saúde, confiante em seus recursos, esquecido do enraizamento 
físico de sua existência, desde que nenhum obstáculo se interponha entre seus 
projetos e o mundo. De fato, na vida cotidiana o corpo se faz invisível, flexível; 
sua espessura é apagada pelas ritualidades sociais e pela repetição incansável 
de situações próximas umas das outras. Aliás, esse ocultar o corpo da atenção 
do indivíduo leva René Leriche a definir a saúde como “a vida no silêncio dos 
órgãos”. Georges Canguilhem acrescenta que ela é um estado de “inconsciência 
em que o sujeito é de seu corpo”. 
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(Adaptado de: BRETON, David Le. Antropologia da Dor, São Paulo, Editora 
FapUnifesp, 2013, p. 256) 
 
Os pronomes grifados nos segmentos ... enraizamento físico de sua existência, 
... sua espessura é apagada... e ... ela é um estado de inconsciência... (2o 
parágrafo) referem-se, respectivamente, a: 
a) enraizamento físico, corpo e atenção do indivíduo. 
b) homem, corpo e saúde. 
c) dor, vida cotidiana e saúde. 
d) enraizamento físico, corpo e vida no silêncio. 
e) homem, vida cotidiana e saúde. 
Comentários: 
Vamos retomar o texto e examinar bem os períodos para verificarmos os 
termos referentes dos pronomes indicados. Todos fazem referência 
anafórica (a termos citados anteriormente no texto). 
A dor quebra a unidade vivida do homem, transparente para si mesmo 
enquanto goza de boa saúde, confiante em seus recursos, esquecido do 
enraizamento físico de sua existência (existência de quem?), desde que 
nenhum obstáculo se interponha entre seus projetos e o mundo. 
De fato, na vida cotidiana o corpo se faz invisível, flexível; sua espessura é 
apagada (a espessura de que é apagada?) pelas ritualidades sociais e pela 
repetição incansável de situações próximas umas das outras. 
Aliás, esse ocultar o corpo da atenção do indivíduo leva René Leriche a definir a 
saúde como “a vida no silêncio dos órgãos”. Georges Canguilhem acrescenta 
que ela é um estado de “inconsciência (ela quem?) em que o sujeito é de seu 
corpo”. 
Gabarito: B 
 
6) FCC/TJ/TRF 2/Administrativa/"Sem Especialidade"/2012 
Atenção: A questão baseia-se no texto abaixo. 
Quantas janelas você abre no computador enquanto checa seus e-mails e 
atualizações de amigos em redes sociais pelo celular? Você consegue cozinhar, 
conversar ao telefone e pôr o bebê para dormir com igual competência? 
Cuidado. O bombardeio de informações e a quantidade de tarefas a serem 
executadas ao mesmo tempo podem comprometer sua capacidade de 
concentração e, no final das contas, você acabará não fazendo nada direito. Ter 
um perfil multitarefeiro, associado à "geração Y" − jovens nascidos nos anos 80 
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− pode também ser sinônimo de falta de atenção e de trabalho mal feito, o que 
afeta a empregabilidade. 
Com a demanda de informação nos dias de hoje, em que um incidente em 
qualquer canto pode repercutir em vários países ao redor do mundo, o tempo 
de concentração diminuiu. Do ponto de vista dos departamentos de recursos 
humanos, esse pouco tempo de concentração pode ser um problema para a 
geração Y nas empresas, principalmente porque as organizações precisam da 
dedicação de tempos longos a reuniões extensas. 
A aposta em trabalhadores multitarefeiros está voltada para a quantidade de 
informações que alguém pode absorver frente às diversas fontes e dados 
eletrônicos disponíveis hoje. No entanto, as pesquisas mostram que aqueles que 
mantêm foco em mais de uma atividade ao mesmo tempo são uma raridade. O 
que se tem hoje são pessoas que, devido ao meio em que estão inseridas, se 
tornaram "multitarefeiras crônicas", mas não conseguem ser boas nos atributos 
relacionados ao multitarefismo: prestar atenção somente ao conteúdo 
relevante, armazená-lo na memória e alternar o foco nas tarefas. 
Um pesquisador alerta, no entanto, que as pessoas, de modo geral, já sentem 
estresse e vários problemas emocionais relacionados à correria da multitarefa. 
Pouco tempo de descanso, cabeça atolada de problemas e impossibilidade de 
concentração por mais de 20 minutos em uma leitura, por exemplo, são 
características marcantes das mentes altamente atarefadas. "A sociedade, 
normalmente, comete um terrível engano ao encorajar as pessoas a realizarem 
multitarefas", diz. 
(Maíra Lie Chao. Planeta, São Paulo, Editora Três, julho de 2011, p. 4246, com 
adaptações) 
 
... devido ao meio em que estão inseridas ... (3o parágrafo) 
O segmento denota, no contexto, noção de 
a) causa. 
b) condição. 
c) consequência. 
d) finalidade. 
e) temporalidade. 
Comentários: 
“O que se tem hoje são pessoas que, devido ao meio em que estão inseridas, 
se tornaram "multitarefeiras crônicas" “ 
A questão é bem simples, exigindo do candidato o reconhecimento do valor 
semântico do segmento acima. Note que o uso da conjunção causal “devido” 
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já nos dá uma dica. De fato, a oração em análise é causa da oração seguinte 
“se tornaram "multitarefeiras crônicas”. 
Gabarito: A 
 
7) FCC/AJ/TRE RO/Judiciária/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Pintor, gravador e vitralista, Marc Chagall estudou artes plásticas na Academia 
de Arte de São Petersburgo. Seguindo para Paris em 1910, ligou-se aos poetas 
Blaise Cendrars, Max Jacob e Apollinaire − e aos pintores Delaunay, Modigliani 
e La Fresnay. 
A partir daí, trabalhou intensamente para integrar o seu mundo de 
reminiscências e fantasias na linguagem moderna derivada do fauvismo e do 
cubismo. 
Na década de 30, o clima de perseguição e de guerra repercute em sua pintura, 
onde surgem elementos dramáticos, sociais e religiosos. Em 1941, parte para 
os EUA, onde sua esposa falece (1944). Chagall mergulha, então, em um 
período de evocações, quando conclui o quadro "Em torno dela", que se tornou 
uma síntese de todos os seus temas. 
(Adaptado de: educação.uol.com.br/biografias/marcchagall. html) 
 
No texto, evita-se a repetição do termo onde (3o parágrafo), substituindo o 
segmento onde surgem por: 
a) em que apresenta. 
b) cuja apresenta. 
c) que apresentam. 
d) que passa a apresentar. 
e) na qual apresenta-se. 
Comentários: 
No período acima, o pronome relativo “onde” foi utilizado substituindo “em sua 
pintura”, porém com função de adjunto adverbial de lugar. Vamos explicar 
colocando a oração em ordem direta: 
elementos dramáticos, sociais e religiosos (sujeito) surgem (V Intansitivo) em 
sua pintura (onde) – AAV de lugar 
Alternativa A – Incorreta – Ao utilizarmos o termo “que apresenta”, o sujeito da 
oração passa a ser “que” referindo-se a “sua pintura”, por isso não cabe a 
preposição “em”, pois não se pode preposicionar o sujeito. Por outro lado, 
se usarmos a forma passiva poderíamos utilizar a expressão “em que”. 
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“... em sua pintura, em que se apresentam/em que são apresentados 
elementos dramáticos, sociais e religiosos” 
Alternativa B – Incorreta – O pronome “cuja” é inadequado para o texto,pois 
indica posse. 
Alternativa C – Incorreta – A forma é incorreta, pois, o sujeito passaria a ser 
“que” se referindo a “sua pintura” devendo o verbo “apresentar” ser flexionado 
no singular. 
“... em sua pintura, que apresenta elementos dramáticos, sociais e religiosos” 
Alternativa D – Correta – Aqui, o termo “sua pintura” passa a ser o sujeito da 
oração, no entanto a correção e sentido da oração são preservados. 
“... em sua pintura, que passa a apresentar elementos dramáticos, sociais e 
religiosos” 
Alternativa E – Incorreta – A alternativa estaria correta, se o verbo 
“apresentar-se” estivesse no plural concordando com o sujeito passivo 
“elementos dramáticos, sociais e religiosos”, constituindo-se a forma PASSIVA 
SINTÉTICA. 
“... em sua pintura, na qual apresentam-se/na qual são apresentados 
elementos dramáticos, sociais e religiosos” 
Gabarito: D 
 
8) FCC/AJ/TRT 19/Judiciária/"Sem Especialidade"/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
O MAQUINISTA empurra a manopla do acelerador. O trem cargueiro começa a 
avançar pelos vastos e desertos prados do Cazaquistão, deixando para trás a 
fronteira com a China. 
O trem segue mais ou menos o mesmo percurso da lendária Rota da Seda, 
antigo caminho que ligava a China à Europa e era usado para o transporte de 
especiarias, pedras preciosas e, evidentemente, seda, até cair em desuso, seis 
séculos atrás. 
Hoje, a rota está sendo retomada para transportar uma carga igualmente 
preciosa: laptops e acessórios de informática fabricados na China e enviados 
por trem expresso para Londres, Paris, Berlim e Roma. 
A Rota da Seda nunca foi uma rota única, mas sim uma teia de caminhos 
trilhados por caravanas de camelos e cavalos a partir de 120 a.C., quando Xi'an 
− cidade do centro-oeste chinês, mais conhecida por seus guerreiros de 
terracota − era a capital da China. 
As caravanas começavam cruzando os desertos do oeste da China, viajavam 
por cordilheiras que acompanham as fronteiras ocidentais chinesas e então 
percorriam as pouco povoadas estepes da Ásia Central até o mar Cáspio e além. 
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Esses caminhos floresceram durante os primórdios da Idade Média. Mas, à 
medida que a navegação marítima se expandiu e que o centro político da China 
se deslocou para Pequim, a atividade econômica do país migrou na direção da 
costa. 
Hoje, a geografia econômica está mudando outra vez. Os custos trabalhistas 
nas cidades do leste da China dispararam na última década. Por isso as 
indústrias estão transferindo sua produção para o interior do país. 
O envio de produtos por caminhão das fábricas do interior para os portos de 
Shenzhen ou Xangai − e de lá por navios que contornam a Índia e cruzam o 
canal de Suez − é algo que leva cinco semanas. O trem da Rota da Seda reduz 
esse tempo para três semanas. A rota marítima ainda é mais barata do que o 
trem, mas o custo do tempo agregado por mar é considerável. 
Inicialmente, a experiência foi realizada nos meses de verão, mas agora 
algumas empresas planejam usar o frete ferroviário no próximo inverno boreal. 
Para isso adotam complexas providências para proteger a carga das 
temperaturas que podem atingir 40 °C negativos. 
(Adaptado de: www1.folhauol.com.br/FSP/newyorktimes/122473) 
 
Há relação de causa e consequência, respectivamente, entre 
a) o aumento dos custos trabalhistas no leste da China e a atual transferência 
da produção industrial para o interior do país. 
b) a redução de tempo no atual transporte por trem na Rota da Seda e a 
aceleração da venda de produtos de informática. 
c) o uso de caminhões para o transporte de carga e a atual mudança da 
geografia econômica da China. 
d) a retomada do transporte de mercadorias pela Rota da Seda e o aumento 
nos custos do transporte marítimo. 
e) a suspensão do uso da Rota da Seda no fim da Idade Média e a diminuição 
na demanda do Ocidente por especiarias e seda. 
Comentários: 
Alternativa A – Correta – “Os custos trabalhistas nas cidades do leste da China 
dispararam na última década. (causa) Por isso as indústrias estão transferindo 
sua produção para o interior do país. (consequência)” 
Alternativa B – Incorreta – O texto não aponta relação causal entre a diminuição 
do “tempo no atual transporte por trem na Rota da Seda e a aceleração da 
venda de produtos de informática”. Ele apenas indica que, hoje, está sendo 
utilizada para esse transporte. 
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“Hoje, a rota está sendo retomada para transportar uma carga igualmente 
preciosa: laptops e acessórios de informática fabricados na China e enviados 
por trem expresso para Londres, Paris, Berlim e Roma.” 
Alternativa C – Incorreta – Não há relação de causa. 
Alternativa D – Incorreta – O texto informa que o transporte marítimo é, na 
verdade, mais barato, porém agrega custo devido ao tempo que leva para 
chegar ao destino. 
Alternativa E – Incorreta – O texto não indica a causa por que a Rota da Seda 
caiu em desuso. 
Gabarito: A 
 
9) FCC/TJ/TRT 15/Apoio Especializado/Enfermagem/2015 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
O termo saudade, monopólio sentimental da língua portuguesa, geralmente se 
traduz em alemão pela palavra “sehnsucht”. No entanto, as duas palavras têm 
uma história e uma carga sentimental diferentes. A saudade é um sentimento 
geralmente voltado para o passado e para os conteúdos perdidos que o passado 
abrigava. Embora M. Rodrigues Lapa, referindo-se ao sentimento da saudade 
nos povos célticos, empregue esse termo como “ânsia do infinito”, não é esse o 
uso mais generalizado. Emprega-se a palavra, tanto na linguagem corrente 
como na poesia, principalmente com referência a objetos conhecidos e amados, 
mas que foram levados pela voragem do tempo ou afastados pela distância. 
A “sehnsucht” alemã abrange ao contrário tanto o passado como o futuro. 
Quando usada com relação ao passado, é mais ou menos equivalente ao termo 
português, sem que, contudo, lhe seja inerente toda a escala cromática de 
valores elaborados durante uma longa história de ausências e surgidos em 
consequência do temperamento amoroso e sentimental do português. Falta à 
palavra alemã a riqueza etimológica, o eco múltiplo que ainda hoje vibra na 
palavra portuguesa. 
A expressão “sehnsucht”, todavia, tem a sua aplicação principal precisamente 
para significar aquela “ânsia do infinito” que Rodrigues Lapa atribuiu à saudade. 
No uso popular e poético emprega-se o termo com frequência para exprimir a 
aspiração a estados ou objetos desconhecidos e apenas pressentidos ou 
vislumbrados, os quais, no entanto, se julgam mais perfeitos que os conhecidos 
e os quais se espera alcançar ou obter no futuro. 
Assim, a saudade parece ser, antes de tudo, um sentimento do coração 
envelhecido que relembra os tempos idos, ao passo que a “sehnsucht” seria a 
expressão da adolescência que, cheia de esperanças e ilusões, vive com o olhar 
firmado num futuro incerto, mas supostamente prometedor.Ambas as palavras 
têm certa equivalência no tocante ao seu sentido intermediário, ou seja, à sua 
ambivalência doce-amarga, ao seu oscilar entre a satisfação e a insatisfação. 
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Mas, como algumas de suas janelas dão para o futuro, a palavra alemã é 
portadora de um acento menos lânguido e a insatisfação nela contida 
transforma-se com mais facilidade em mola de ação. 
(Adaptado de: ROSENFELD, Anatol. Doze estudos. São Paulo, Imprensa oficial 
do Estado, 1959, p. 2527) 
 
... sem que, contudo, lhe seja inerente toda a escala cromática de valores... 
(2º parágrafo) 
... um sentimento do coração envelhecido que relembra os tempos idos (4º 
parágrafo) 
... a insatisfação nela contida transforma-se com mais facilidade em mola de 
ação. (4o parágrafo) 
Os elementos destacados acima referem-se, no contexto, respectivamente, a: 
a) “sehnsucht” alemã − tempos idos − mola de ação 
b) termo português − saudade − palavra alemã 
c) escala cromática de valores − tempos idos − insatisfação 
d) “sehnsucht” alemã − coração envelhecido − palavra alemã 
e) escala cromática de valores − coração envelhecido − mola de ação 
Comentários: 
 “A “sehnsucht” alemã abrange ao contrário tanto o passado como o futuro. 
Quando usada com relação ao passado, é mais ou menos equivalente ao 
termo português, sem que, contudo, lhe seja inerente toda a escala 
cromática de valores...” 
...sem que, contudo, toda a escala cromática de valores seja inerente a ela (a 
“sehnsucht” alemã). 
 
 “Assim, a saudade parece ser, antes de tudo, um sentimento do coração 
envelhecido que relembra os tempos idos...” 
Quem relembra os tempos idos?? O coração envelhecido, claro. 
 
 Mas, como algumas de suas janelas dão para o futuro, a palavra alemã é 
portadora de um acento menos lânguido e a insatisfação nela contida 
transforma-se com mais facilidade em mola de ação. “ 
Onde está contida a insatisfação? Na palavra alemã. 
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10) FCC/ACI (CGM São Luís)/Pref SL/Abrangência Geral/2015 
Atenção: A questão refere-se ao texto que segue. 
Pretende-se discutir aqui alguns aspectos da obra de Gilberto Freyre focalizando 
seu livro de estreia, Casa-grande & senzala, cuja publicação em 1933 levanta 
questões até hoje importantes para o entendimento do passado brasileiro. 
Cabe observar, antes de prosseguir, que o debate intelectual sobre os destinos 
do país estava, naquele momento(a), profundamente marcado pelo tema da 
mestiçagem. 
Mas a mestiçagem, isto é, o contato sexual entre grupos étnicos distintos, 
costumava ser apresentada como um problema: ora implicava esterilidade − 
biológica e cultural −, inviabilizando assim o desenvolvimento nacional, ora 
retardava o completo domínio da raça branca, dificultando o acesso do Brasil 
aos valores da civilização ocidental. 
O enorme impacto produzido pelo surgimento da obra, que(b) aprofundava a 
contribuição pioneira de alguns outros autores como Manuel Quirino, Lima 
Barreto e Manoel Bomfim, concorreu para alterar essa avaliação(c), ao enfatizar 
não só o valor específico das influências indígenas e africanas, como também a 
dignidade da híbrida e instável articulação de tradições que(d) teria 
caracterizado a colonização portuguesa. Isso(e) só foi possível, segundo o 
próprio Gilberto, pelo seu vínculo com a antropologia americana e com a 
orientação relativista de Franz Boas − ele obteve um título de mestre em 
Columbia, em 1922 − que lhe teria permitido separar a noção de raça da de 
cultura e conferir a esta última primazia na análise da vida social. 
(ARAÚJO, Ricardo Benzaquen de. "Chuvas de verão. 'Antagonismos em 
equilíbrio' em Casagrande & senzala de Gilberto Freyre. In: Um enigma 
chamado Brasil: 29 intérpretes e um país. André Botelho e Lilia Moritz 
Schwarcz (oganizadores). São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 200) 
 
Associam-se corretamente um segmento do texto e o trecho que ele retoma, 
precisamente demarcado, em: 
a) naquele momento / do passado brasileiro. 
b) que / impacto. 
c) essa avaliação / o acesso do Brasil aos valores da civilização ocidental. 
d) que / a híbrida e instável articulação de tradições. 
e) Isso / a colonização portuguesa. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – O AAV “naquele momento” retoma o ano de 1993, 
quando foi publicada a obra de Gilberto Freire. É o único momento citado no 
texto. 
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“Pretende-se discutir aqui alguns aspectos da obra de Gilberto Freyre 
focalizando seu livro de estreia, Casa-grande & senzala, cuja publicação em 
1933 levanta questões até hoje importantes para o entendimento do passado 
brasileiro. 
Cabe observar, antes de prosseguir, que o debate intelectual sobre os destinos 
do país estava, naquele momento, profundamente marcado pelo tema da 
mestiçagem. “ 
Alternativa B – Incorreta – O pronome relativo “que” retoma “obra” e equivale 
a “a qual”. 
“O enorme impacto produzido pelo surgimento da obra, que/a qual 
aprofundava a contribuição pioneira de alguns outros autores...” 
Alternativa C – Incorreta – O termo “essa avaliação” refere-se ao fato de julgar-
se a mestiçagem um problema. 
“Mas a mestiçagem, isto é, o contato sexual entre grupos étnicos distintos, 
costumava ser apresentada como um problema: ora implicava esterilidade − 
biológica e cultural −, inviabilizando assim o desenvolvimento nacional, ora 
retardava o completo domínio da raça branca, dificultando o acesso do Brasil 
aos valores da civilização ocidental. 
O enorme impacto produzido pelo surgimento da obra, que aprofundava a 
contribuição pioneira de alguns outros autores como Manuel Quirino, Lima 
Barreto e Manoel Bomfim, concorreu para alterar essa avaliação 
Alternativa D – Correta – O pronome relativo “que” retoma o termo equivalendo 
ao pronome “a qual”. 
“ao enfatizar não só o valor específico das influências indígenas e africanas, 
como também a dignidade da híbrida e instável articulação de tradições que 
teria caracterizado a colonização portuguesa. 
Alternativa E – Incorreta – O pronome “isso” refere-se a todo o período anterior 
que trata da contribuição da obra para a mudança de perspectiva em relação à 
colonização portuguesa. 
“O enorme impacto produzido pelo surgimento da obra, que aprofundava a 
contribuição pioneira de alguns outros autores como Manuel Quirino, Lima 
Barreto e Manoel Bomfim, concorreu para alterar essa avaliação, ao enfatizar 
não só o valor específico das influências indígenas e africanas, como também a 
dignidade da híbrida e instávelarticulação de tradições que teria caracterizado 
a colonização portuguesa. Isso só foi possível, segundo o próprio Gilberto, pelo 
seu vínculo com a antropologia americana e com a orientação relativista de 
Franz Boas... 
Gabarito: D 
 
11) FCC/AJ/TRE PB/Administrativa/2015 
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Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
O rio Paraíba corria bem próximo ao cercado. Chamavam-no "o rio". E era tudo. 
Em tempos antigos fora muito mais estreito. Os marizeiros e as ingazeiras 
apertavam as duas margens e as águas corriam em leito mais fundo. Agora era 
largo e, quando descia nas grandes enchentes, fazia medo. Contava-se o tempo 
pelas eras das cheias. Isto se deu na cheia de 93, aquilo se fez depois da cheia 
de 68. Para nós meninos, o rio era mesmo a nossa serventia nos tempos de 
verão, quando as águas partiam e se retinham nos poços. Os moleques saíam 
para lavar os cavalos e íamos com eles. Havia o Poço das Pedras, lá para as 
bandas da Paciência. Punham-se os animais dentro d’água e ficávamos nos 
banhos, nos cangapés. Os aruás cobriam os lajedos, botando gosma pelo casco. 
Nas grandes secas o povo comia aruá que tinha gosto de lama. O leito do rio 
cobria-se de junco e faziam-se plantações de batata-doce pelas vazantes. Era o 
bom rio da seca a pagar o que fizera de mau nas cheias devastadoras. E quando 
ainda não partia a corrente, o povo grande do engenho armava banheiros de 
palha para o banho das moças. As minhas tias desciam para a água fria do 
Paraíba que ainda não cortava sabão. 
O rio para mim seria um ponto de contato com o mundo. Quando estava ele de 
barreira a barreira, no marizeiro maior, amarravam a canoa que Zé Guedes 
manobrava. 
Vinham cargueiros do outro lado pedindo passagem. Tiravam as cangalhas dos 
cavalos e, enquanto os canoeiros remavam a toda a força, os animais, com as 
cabeças agarradas pelo cabresto, seguiam nadando ao lado da embarcação. 
Ouvia então a conversa dos estranhos. Quase sempre eram aguardenteiros 
contrabandistas que atravessavam, vindos dos engenhos de Itambé com 
destino ao sertão. Falavam do outro lado do mundo, de terras que não eram de 
meu avô. Os grandes do engenho não gostavam de me ver metido com aquela 
gente. Às vezes o meu avô aparecia para dar gritos. Escondia-me no fundo da 
canoa até que ele fosse para longe. Uma vez eu e o moleque Ricardo chegamos 
na beira do rio e não havia ninguém. O Paraíba dava somente um nado e corria 
no manso, sem correnteza forte. Ricardo desatou a corda, meteu-se na canoa 
comigo, e quando procurou manobrar era impossível. A canoa foi descendo de 
rio abaixo aos arrancos da água. Não havia força que pudesse contê-la. 
Pus-me a chorar alto, senti-me arrastado para o fim da terra. Mas Zé Guedes, 
vendo a canoa solta, correu pela beira do rio e foi nos pegar quase que no Poço 
das Pedras. Ricardo nem tomara conhecimento do desastre. Estava sentado na 
popa. Zé Guedes porém deu-lhe umas lapadas de cinturão e gritou para mim: 
− Vou dizer ao velho! 
Não disse nada. Apenas a viagem malograda me deixou alarmado. Fiquei com 
medo da canoa e apavorado com o rio. Só mais tarde é que voltaria ele a ser 
para mim mestre de vida. 
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(REGO, José Lins do. "O Rio". In: VV.AA. O Melhor da Crônica Brasileira. Rio 
/de Janeiro: José Olympio Editora, 1997, p. 43) 
 
Só mais tarde é que voltaria ele a ser para mim mestre de vida. (último 
parágrafo) 
Não havia força que pudesse contê-la. (3º parágrafo) 
Nas grandes secas o povo comia aruá que tinha gosto de lama. (1º parágrafo) 
Nas frases acima, os pronomes sublinhados referem-se respectivamente a: 
a) rio − canoa − aruá 
b) Zé Guedes − água − aruá 
c) rio − correnteza − povo 
d) Zé Guedes − canoa − povo 
e) Zé Guedes − correnteza – aruá 
Comentários: 
O pronome “ele” refere-se ao rio. Repare que ele, o rio, é quem ocupa o centro 
do texto. 
 Não disse nada. Apenas a viagem malograda me deixou alarmado. Fiquei 
com medo da canoa e apavorado com o rio. Só mais tarde é que voltaria 
ele a ser para mim mestre de vida. 
A canoa é que precisava ser detida para não descer rio abaixo. 
 A canoa foi descendo de rio abaixo aos arrancos da água. Não havia força 
que pudesse contê-la. 
O que tinha gosto de lama? Os aruás. 
 Nas grandes secas o povo comia aruá que tinha gosto de lama. 
Gabarito: A 
 
12) FCC/TJ/TRT 6/Administrativa/Segurança/2012 
Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte. 
Os livros de história sempre tiveram dificuldade em falar de mulheres que não 
respeitam os padrões de gênero, e em nenhuma área essa limitação é tão 
evidente como na guerra e no que se refere ao manejo de armas. 
No entanto, da Antiguidade aos tempos modernos a história é fértil em relatos 
protagonizados por guerreiras. Com efeito, a sucessão política regularmente 
coloca uma mulher no trono, por mais desagradável que essa verdade soe. 
Sendo as guerras insensíveis ao gênero e ocorrendo até mesmo quando uma 
mulher dirige o país, os livros de história são obrigados a registrar certo número 
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de guerreiras levadas, consequentemente, a se comportar como qualquer 
Churchill, Stálin ou Roosevelt. 
Semíramis de Nínive, fundadora do Império Assírio, e Boadiceia, que liderou 
uma das mais sangrentas revoltas contra os romanos, são dois exemplos. Esta 
última, aliás, tem uma estátua à margem do Tâmisa, em frente ao Big Ben, em 
Londres. Não deixemos de cumprimenta-la caso estejamos passando por ali. 
Em compensação, os livros de história são, em geral, bastante discretos sobre 
as guerreiras que atuam como simples soldados, integrando os regimentos e 
participando das batalhas contra exércitos inimigos em condições idênticas às 
dos homens. Essas mulheres, contudo, sempre existiram. Praticamente 
nenhuma guerra foi travada sem alguma participação feminina. 
(Adaptado de Stieg Larsson. A rainha do castelo de ar. São Paulo: Cia. das 
Letras, 2009. p. 78) 
 
Com efeito, a sucessão política regularmente coloca uma mulher no trono, por 
mais desagradável que essa verdade soe. 
Uma redação alternativa para a frase acima, em que se mantêm a correção, a 
lógica e, em linhas gerais, o sentido original, é: 
a) Embora a sucessão política regularmente coloca uma mulher no trono, por 
mais desagradável que soe essa verdade, isso é fato. 
b) Realmente, porquanto soe desagradável essa verdade, a sucessão política 
coloca, regularmente uma mulher no trono. 
c) De fato, embora essa verdade soe desagradável, a sucessão política costumacolocar uma mulher no trono. 
d) Para todos os efeitos, soa desagradável a verdade de que a sucessão política 
frequentemente se coloca uma mulher no trono. 
e) Conquanto a sucessão política, regularmente, coloque uma mulher no trono 
soam a alguns desagradável essa verdade. 
Comentários: 
Com efeito (afirmação), a sucessão política regularmente coloca uma mulher 
no trono, por mais desagradável que (concessão) essa verdade soe. 
Repare que no período acima, há dois conectores, um com valor afirmativo e 
o outro com valor concessivo. Para mantermos a coerência da frase ela 
deverá ser reescrita com conectores de mesmos valores nos respectivos 
lugares. 
Alternativa A – Incorreta – O uso de duas conjunções concessivas tornou a frase 
incoerente. 
Embora (concessiva) a sucessão política regularmente coloca uma mulher no 
trono, por mais desagradável que (concessiva) soe essa verdade, isso é fato. 
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Alternativa B – Incorreta – A banca trocou a conjunção “conquanto” = embora 
= ainda que pela conjunção de causa ou explicação “porquanto”, o que deixou 
o período incoerente. Há também uma colocação equivocada de vírgula após 
“coloca”, separando o verbo de seu complemento. 
Realmente (afirmação), porquanto (causa/explicação) soe desagradável essa 
verdade, a sucessão política coloca, regularmente uma mulher no trono. 
Alternativa C – Correta – A construção manteve o padrão original, mesmo 
modificando a ordem das orações. 
De fato (afirmação), embora (concessiva) essa verdade soe desagradável, a 
sucessão política costuma colocar uma mulher no trono. 
Alternativa D – Incorreta – Com as correções propostas abaixo, o período ficaria 
gramaticalmente correto, no entanto não mantém o mesmo sentido do período 
original, que tem ideia de oposição (concessão) entre os dois fatos. 
Para todos os efeitos, soa desagradável a verdade de que a sucessão política 
frequentemente se coloca uma mulher no trono. 
Alternativa E – Incorreta – Embora não tenha utilizado o conectivo de afirmação, 
a alternativa estaria corretamente grafada, caso não houvesse o erro de 
concordância no verbo SOAR e a omissão da vírgula que separa as orações 
subordinadas. 
Conquanto (concessiva) a sucessão política, regularmente, coloque uma mulher 
no trono, soam soa a alguns desagradável essa verdade. 
Gabarito: C 
 
13) FCC/TJ/TRE RO/Administrativa/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
"Temos de agir agora para evitar o pior", comentou o agrônomo Eduardo Assad, 
pesquisador da Embrapa, ao apresentar as conclusões de um dos capítulos do 
primeiro relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas − PBMC. Os 
pesquisadores esperam que as informações sirvam para nortear a elaboração e 
a implantação de políticas públicas e o planejamento das empresas. 
Os desafios apontados no relatório são muitos. Ele indica que as consequências 
da elevação da temperatura média global serão dramáticas no Brasil. De acordo 
com os modelos computacionais de simulação do clima, a agricultura será o 
setor mais afetado, por causa das alterações nos regimes de chuva. "Mesmo 
que a quantidade de chuva fique inalterada, a disponibilidade de umidade do 
solo deve diminuir, em consequência da elevação da temperatura média anual, 
que intensifica a evapotranspiração", diz outro especialista. Segundo ele, esse 
fenômeno deve prejudicar os cultivos agrícolas em regiões onde a escassez de 
água é constante, como o semiárido nordestino. 
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Uma provável consequência da redução da produtividade agrícola e da área de 
terras aptas à agricultura é a queda na renda das populações, intensificando a 
pobreza e a migração da área rural para as cidades que, por sua vez, deve 
agravar os problemas de infraestrutura (habitação, escola, saúde, transporte e 
saneamento). 
Os efeitos na agricultura já podem ser dimensionados. "De 1990 a 2010, a 
intensidade da precipitação dobrou na região do cerrado", diz Assad, "e o padrão 
tecnológico atual da agricultura ainda não se adaptou a esses novos padrões". 
Agora, segundo ele, torna-se imperioso investir intensivamente em sistemas 
agrícolas consorciados, e não somente na produção agrícola solteira, de modo 
a aumentar a fixação biológica de nitrogênio, reduzir o uso de fertilizantes e 
aumentar a rotação de culturas. "Temos de aumentar a produtividade agrícola 
no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, para evitar a destruição da Amazônia. A 
reorganização do espaço rural brasileiro agora é urgente." 
Cheias e secas mais frequentes e intensas devem causar uma redução na 
produção agrícola também por outra razão. Pesquisadores da Embrapa 
concluíram que algumas doenças − principalmente as causadas por fungos − e 
pragas podem se agravar em muitas culturas analisadas, em decorrência da 
elevação dos níveis de CO2 do ar, da temperatura e da radiação ultravioleta, 
acenando com a possibilidade de aumento de preços e redução da variedade de 
cereais, hortaliças e frutas. 
Cheias e secas devem também alterar a vazão dos rios e prejudicar o 
abastecimento dos reservatórios das hidrelétricas, acelerar a acidificação da 
água do mar e reduzir a biodiversidade dos ambientes aquáticos brasileiros. A 
perda de biodiversidade dos ambientes naturais deve se agravar; alguns já 
perderam uma área expressiva – o cerrado, 47%, e a caatinga, 44% − a ponto 
de os especialistas questionarem se a recuperação do equilíbrio biológico 
característico desses ambientes seria mesmo possível. 
(Adaptado de: FIORAVANTI, Carlos. Revista FAPESP, agosto de 2013, p. 23 e 
24) 
"Mesmo que a quantidade de chuva fique inalterada, a disponibilidade de 
umidade do solo deve diminuir, em consequência da elevação da temperatura 
média anual, que intensifica a evapotranspiração", diz outro especialista. (2º 
parágrafo) 
Redigida de modo diverso, mantém-se o sentido original da fala do especialista, 
com clareza e articulação lógica correta, em: 
a) Tendo-se elevado a temperatura média anual, com a perda de água do solo, 
a quantidade de chuva permanece ainda sem alteração e ainda mais, a umidade 
do solo não se mantém disponível. 
b) Contanto que se mantenha a precipitação de chuvas nas áreas destinadas à 
agricultura, com intensificação da perda de água do solo, haverá uma 
diminuição, como resultado do aumento da temperatura média anual. 
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c) Enquanto que, com a manutenção da quantidade de chuva, o aumento da 
perda de água é consequência da elevação da temperatura média anual, com 
intensidademaior no solo. 
d) Ainda que se mantenha a precipitação pluvial, haverá diminuição de áreas 
aptas à agricultura, resultante da intensificação da perda de água do solo, 
devido ao aumento da temperatura média anual. 
e) Sem redução da quantidade de chuva, no entanto, o solo permanece menos 
úmido, mesmo com o aumento da temperatura média anual, ampliando a perda 
de água por transpiração. 
Comentários: 
"Mesmo que a quantidade de chuva fique inalterada, a disponibilidade de 
umidade do solo deve diminuir, em consequência da elevação da temperatura 
média anual, que intensifica a evapotranspiração", diz outro especialista. “ 
Alternativa A – Incorreta – Que confusão foi feita do período original... 
Alternativa B – Incorreta – A conjunção “contanto que” tem valor condicional 
enquanto a expressão na oração original traz um valor concessivo. 
Alternativa C – Incorreta – A frase está incoerente devido ao uso indevido do 
termo “enquanto que”. 
Alternativa D – Correta – As conjunções “ainda que” e mesmo que” são 
equivalentes. Além disso, foi mantida a coerência na argumentação do período. 
Alternativa E – Incorreta – O uso incorreto dos conectivos “no entanto” e 
“mesmo com” provocou o erro no período, o qual ficaria correto da seguinte 
maneira: 
Mesmo sem redução da quantidade de chuva, no entanto, o solo permanece 
menos úmido, mesmo com devido ao aumento da temperatura média anual, 
ampliando a perda de água por transpiração. 
Gabarito: D 
 
14) FCC/Cons Leg (Cam Mun SP)/Biblioteconomia/2014 
Atenção: A questão referem-se ao texto seguinte. 
[Representações da infância] 
Para vários escritores, as origens de suas narrativas estão na infância e na 
juventude, cujo mundo é uma promessa de um futuro livro. A memória incerta 
e nebulosa do passado acende o fogo de uma ficção no tempo presente. 
Cada escritor elege seu paraíso. E a infância, um paraíso perdido para sempre, 
pode ser reinventada pela literatura. Mas há também vestígios de inferno no 
passado, e isso também interessa ao escritor. Traumas, decepções, desilusões 
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e conflitos alimentam trançados de eventos, tramas sutis ou escabrosas, 
veladas ou escancaradas. 
Cenas e conversas que presenciamos − ou que foram narradas por amigos e 
parentes − permanecem na nossa memória com a força de algo verdadeiro, que 
nos toca e inquieta. A infância, com seus sonhos e pesadelos, é prato cheio para 
a psicanálise, mas também para a literatura. 
(HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 
2013. p. 180) 
 
A frase A infância, com seus sonhos e pesadelos, é prato cheio para a 
psicanálise, mas também para a literatura está reescrita de modo a conservar 
o sentido, a correção e a clareza em: 
a) Por meio de seus sonhos e pesadelos, a infância não é apenas prato cheio 
para a literatura, e ainda o é para a psicanálise. 
b) Tanto a literatura como a psicanálise absorvem o prato cheio da infância, 
assim como seus sonhos e pesadelos. 
c) Por constituir um prato cheio tanto para a psicanálise como a literatura, a 
infância se apresenta com sonhos e pesadelos. 
d) Constituída por sonhos e pesadelos, não só a psicanálise, pois também a 
literatura, veem na infância o prato cheio. 
e) Tanto a psicanálise como a literatura encontram na infância, com os sonhos 
e pesadelos que ela encerra, um prato cheio. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – A expressão “por meio de” tem valor semântico de 
meio, enquanto a expressão original “com” tem valor de inclusão. Ainda, a 
expressão “e ainda” deveria ser substituída por mas também. 
Alternativa B – Incorreta – A frase distorceu o sentido da frase original. 
Alternativa C – Incorreta – A alternativa pecou ao atribuir um valor de causa 
ao fato de a infância “constituir um prato cheio tanto para a psicanálise como a 
literatura”. 
Alternativa D – Incorreta – Não clareza na frase proposta. Pelo contrário, a 
forma como é construída leva o leitor a crer que a psicanálise é constituída de 
sonhos e pesadelos. 
Alternativa E – Correta 
Gabarito: E 
 
15) FCC/AJ/TRF 2/Apoio Especializado/Taquigrafia/2012 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
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As Cartas de amor de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz foram dadas a público 
23 anos após a morte do poeta1; as cartas de Ofélia a Pessoa foram publicadas 
recentemente2. Possuímos, assim, a íntegra da correspondência entre os dois. 
O namoro teve duas fases. A primeira durou de março a novembro de 1920; a 
segunda, de setembro de 1929 a janeiro de 1930. Da primeira fase, ficaram 
trinta e tantas cartas; da segunda, pouco mais de uma dezena. 
Ofélia foi, ao que se sabe, o único amor de Pessoa; Pessoa, o único amor de 
Ofélia. O namoro foi intenso e tenso, breve no tempo factual, longo na duração 
existencial; mas, como se diz vulgarmente, "não deu certo". Alguns dados 
biográficos são necessários para se entender essas cartas; e naturalmente 
insuficientes para se entender esse amor. Entender um amor é sempre uma 
pretensão vã; considerando-se a complexidade do indivíduo-poeta em questão, 
querer compreender melhor sua obra à luz dessa correspondência seria uma 
pretensão desmedida. 
1 Cartas de amor de Fernando Pessoa. Lisboa/Rio de Janeiro; Ática/Camões, 
1978. 
2 Lisboa, Assírio Alvim, 1996. 
(Leyla Perrone-Moisés. "Sinceridade e ficção nas cartas de amor de Fernando 
Pessoa". In: Prezado senhor, prezada senhora: estudos sobre cartas. Org. 
Walnice Galvão, Nádia Battella Gotlib. São Paulo: Companhia das Letras, 
2000, p. 175) 
 
Ofélia foi [...] o único amor de Pessoa; Pessoa, o único amor de Ofélia. 
Outra formulação para a frase acima que, preservando a clareza e a correção, 
gera sentido equivalente é: 
a) Ofélia e Pessoa foram ambos o único amor. 
b) Os dois − Ofélia e Pessoa − tiveram um único amor recíproco. 
c) Os únicos amores de Ofélia e Pessoa foram eles próprios. 
d) Ofélia e Pessoa amaram unicamente um ao outro. 
e) Ofélia e Pessoa amaram-se unicamente a si próprios. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – A frase está incompleta, devendo ser complementada 
pela expressão de reciprocidade “um do outro”. 
Alternativa B – Incorreta – A frase peca ao não deixar claro que Ofélia foi o 
amor recíproco de Pessoa. 
Alternativa C – Incorreta – A frase não destacou o sentido de reciprocidade. 
Alternativa D – Correta – A oração sintetizou com clareza e coerência o texto 
proposto. 
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Alternativa E – Incorreta – O sentido do texto ficoudistorcido, pois um amava 
o outro e não a si mesmos. 
Gabarito: D 
 
16) FCC/AJ/TRE SP/Apoio Especializado/Análise de 
Sistemas/2012 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
Você está conectado? 
Alguns anos atrás, a palavra "conectividade" dormia em paz, em desuso, nos 
dicionários, lembrando vagamente algo como ligação, conexão. Agora, na era 
da informática e de todas as mídias, a palavra pulou para dentro da cena e 
ninguém mais admite viver sem estar conectado. Desconfio que seja este o 
paradigma dominante dos últimos e dos próximos anos, em nossa aldeia global: 
o primado das conexões. 
No ônibus de viagem, de que me valho regularmente, sou quase uma ilha em 
meio às mais variadas conexões: do vizinho da direita vaza a chiadeira de um 
fone de ouvido bastante ineficaz; do rapazinho à esquerda chega a viva 
conversa que mantém há quinze minutos com a mãe, pelo celular; logo à frente 
um senhor desliza os dedos no laptop no colo, e se eu erguer um pouquinho os 
olhos dou com o vídeo − um filme de ação − que passa nos quatro monitores 
estrategicamente posicionados no ônibus. Celulares tocam e são atendidos 
regularmente, as falas se cruzam, e eu nunca mais consegui me distrair com o 
lento e mudo crepúsculo, na janela do ônibus. 
Não senhor, não são inocentes e efêmeros hábitos modernos: a conectividade 
irrestrita veio para ficar e conduzir a humanidade a não sabemos qual destino. 
As crianças e os jovens nem conseguem imaginar um mundo que não seja 
movido pela fusão das mídias e surgimento de novos suportes digitais. Tanta 
movimentação faz crer que, enfim, os homens estreitaram de vez os laços da 
comunicação. 
Que nada. Olhe bem para o conectado ao seu lado. Fixe-se nele sem receio, ele 
nem reparará que está sendo observado. Está absorto em sua conexão, no 
paraíso artificial onde o som e a imagem valem por si mesmos, linguagens 
prontas em que mergulha para uma travessia solitária. A conectividade é, de 
longe, o maior disfarce que a solidão humana encontrou. É disfarce tão eficaz 
que os próprios disfarçados não se reconhecem como tais. Emitimos e cruzamos 
frenéticos sinais de vida por todo o planeta: seria esse, Dr. Freud, o sintoma 
maior de nossas carências permanentes? 
(Coriolano Vidal, inédito) 
 
A conectividade é, de longe, o maior disfarce que a solidão humana encontrou. 
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A frase acima pode ser reescrita, sem prejuízo para a clareza, a correção e o 
sentido, da seguinte forma: 
a) À distância, a maior camuflagem da nossa solidão são os meios com que nos 
conectamos. 
b) Nenhum disfarce de nossa solidão chegou a ser mais eficaz do que o da 
conectividade atual. 
c) Nossa dissimulada solidão é preferível, como sempre foi, do que já foi nossa 
ansiedade de comunicação. 
d) Pela conectividade, mal conseguimos disfarçar a necessidade maior de 
imergirmos em nossa solidão. 
e) O disfarce de uma geral e efetiva conectividade oculta o fato de que jamais 
superamos nossa solidão. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – A expressão “de longe” não indica distância, mas 
sim intensidade. 
Alternativa B – Correta – A frase manteve a clareza e o sentido da frase original. 
Alternativa C – Incorreta – Além de não representar a frase original, a frase 
proposta não tem coerência e nem mesmo correção gramatical, pois quem 
prefere, prefere uma coisa a outra. 
Alternativa D – Incorreta – O sentido da frase é totalmente diverso do original. 
Alternativa E – Incorreta - Novamente, o sentido da frase original foi modificado. 
Gabarito: B 
 
17) FCC/AJ/TRF 2/Judiciária/Execução de Mandados/2012 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
A natureza humana do monstro 
Um antigo provérbio latino adverte: “Cuidado com o homem de um só livro”. 
Hollywood, no entanto, conhece apenas um tema quando realiza filmes de 
monstros, desde o arquetípico Frankenstein, de 1931, ao recente megassucesso 
Parque dos dinossauros. A tecnologia humana não deve ir além de uma ordem 
decretada deliberadamente por Deus ou estabelecida pelas leis da natureza. 
Não importa quão benignos sejam os propósitos do transgressor, tamanha 
arrogância cósmica não pode senão levar a tomates assassinos, enormes 
coelhos com dentes afiados, formigas gigantes nos esgotos de Los Angeles ou 
mesmo fenomenais bolhas assassinas que vão engolindo cidades inteiras ao 
crescerem. Esses filmes, no entanto, originaram-se de livros muito mais sutis 
e, nessa transmutação, distorceram suas fontes de modo a impedir até o mais 
vago reconhecimento temático. 
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A tendência começou em 1931, com Frankenstein, o primeiro grande filme 
“falado” de monstro a sair de Hollywood, que determinou a sua temática através 
da estratégia mais “despojada” que se poderia conceber. O filme começa com 
um prólogo (antes mesmo da apresentação dos títulos), durante o qual um 
homem bem vestido, em pé sobre o palco e com uma cortina atrás de si, adverte 
os espectadores dos sustos que talvez levem. Em seguida, anuncia a temática 
mais profunda do filme: a história de “um homem de ciência que buscou criar 
um homem à sua própria semelhança, sem considerar os desígnios de Deus”. 
O Frankenstein original de Shelley é um livro rico, com inúmeros temas, mas 
encontro nele pouco que confirme a leitura hollywoodiana. O texto não é nem 
uma diatribe acerca dos perigos da tecnologia, nem uma advertência sobre uma 
ambição desmesurada contra a ordem natural. Não encontramos nenhuma 
passagem que trate da desobediência a Deus − um assunto inverossímil para 
Mary Shelley e seus amigos livres-pensadores. 
Victor Frankenstein é culpado de uma grande deficiência moral, mas o seu crime 
não consiste em transgredir uma ordem natural ou divina por meio da 
tecnologia. 
O seu monstro era um bom homem, num corpo assustadoramente medonho. 
Victor fracassou porque cedeu a uma predisposição da natureza humana − o 
asco visceral pela aparência do monstro − e não cumpriu o dever de qualquer 
criador ou pai ou mãe: instruir a sua progênie e educar os outros para aceitála. 
(Adaptado de Stephen Jay Gould. Dinossauro no palheiro. S. Paulo, Cia. das 
Letras, 1997, p.7989) 
 
... tamanha arrogância cósmica não pode senão levar a tomates assassinos, 
enormes coelhos com dentes afiados... 
A frase acima pode ser reescrita, mantendo-se a correção e a lógica, com a 
substituição do segmento grifado por: 
a) pode levar tão somente a. 
b) não pode levar a nada se não a. 
c) não pode levar à exceção de. 
d) pode levar a tudo menos a. 
e) pode não levar apenas a salvo de. 
Comentários: 
Alternativa A – Correta – A expressão “não... senão” tem sentido equivalente 
a somente/apenas. 
Alternativa B – Incorreta – O sentido está incorreto pois trocou-se o termo 
senão por “se não”. 
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Alternativa C – Incorreta – A expressão “à exceção de” tem valor oposto a 
somente/apenas. 
Alternativa D – Incorreta - A expressão “tudo menos” tem valor oposto a 
somente/apenas. 
Alternativa E – Incorreta – A expressão “a salvo de” tem valor oposto a 
somente/apenas. 
Gabarito: A 
 
18) FCC/AM/MPE PB/Analista de 
Sistemas/Desenvolvedor/2015 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
O que me moveu, inicialmente, a fazer este texto foi uma sensação produzida 
por uma viagem ao Havaí. Sensação de que se é parte de um cenário. Na praia 
de Waikiki, os hotéis têm lobbies que se comunicam, pontuados por belíssimos 
(mas falsos) jardins tropicais, sem uma folha no chão, lagos com peixes 
coloridos, tochas, belos gramados e, evidentemente, muitas lojas. Um filme de 
Elvis Presley. 
Honolulu é um dos milhares de exemplos a que podemos recorrer. A indústria 
do turismo cria um mundo fictício de lazer, onde o espaço se transforma em 
cenário e, desse modo, o real é transfigurado para seduzir e fascinar. 
O espaço produzido pela indústria do turismo é o presente sem espessura, sem 
história, sem identidade. O lugar é, em sua essência, produção humana, visto 
que se transforma na relação entre espaço e sociedade. O sujeito pertence ao 
lugar como este a ele. A indústria turística produz simulacros de lugares. 
Mas também se produzem modos de apropriação dos lugares. A indústria do 
turismo produz um modo de estar em Nova York, Paris, Roma, Buenos Aires... 
É evidente que não se pode dizer que essas cidades sejam simulacros, pois é 
claro que não o são; entretanto, o pacote turístico ignora a identidade do lugar, 
sua história e modo de vida, banalizando-os. 
Os pacotes turísticos tratam o turista como mero consumidor, delimitando o que 
deve ou não ser visto, além do tempo destinado a cada atração, num incessante 
"veja tudo depressa". 
Essa rapidez impede que os olhos desfrutem da paisagem. Passa-se em 
segundos por séculos de civilização, faz-se tábula rasa da história de gerações 
que se inscrevem no tempo e no espaço. Num autêntico tour de force 
consentido, pouco espaço é destinado à criatividade. Por sua vez, o turista vê 
sufocar um desejo que nem se esboçou, o de experimentar. 
No fim do caminho, o cansaço; o olhar e os passos medidos em tempo produtivo, 
que aqui se impõe sem que disso as pessoas se deem conta. Não cabem passos 
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lentos, olhares perdidos. O lazer produz a mesma rotina massacrante, 
controlada e vigiada que o trabalho. 
Como indústria, o turismo não parece criar a perspectiva do lazer como 
possibilidade de superação das alienações do cotidiano. Só a viagem como 
descoberta, busca do novo, abre a perspectiva de recomposição do passo do 
flâneur, daquele que se perde e que, por isso, observa. Walter Benjamin lembra 
que "saber orientar-se em uma cidade não significa muito. No entanto, perder-
se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer instrução". 
(Adaptado de Ana Fani Alessandri Carlos. Disponível em: 
http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/turismoproducaonaolugar.html) 
... pois é claro que não o são... (4º parágrafo) 
... banalizando-os. (4º parágrafo) 
... que se inscrevem no tempo e no espaço. (6º parágrafo) 
Os elementos sublinhados acima referem-se, respectivamente, a: 
a) simulacros − a identidade do lugar, sua história e modo de vida − gerações 
b) pacote turístico − modo de vida − tábula rasa 
c) cidades − os pacotes turísticos − gerações 
d) simulacros − os pacotes turísticos − história 
e) pacote turístico − a identidade do lugar, sua história e modo de vida − tábula 
rasa 
Comentários: 
Vamos fazer as correspondências pelas cores. 
“Mas também se produzem modos de apropriação dos lugares. A indústria do 
turismo produz um modo de estar em Nova York, Paris, Roma, Buenos Aires... 
É evidente que não se pode dizer que essas cidades sejam simulacros, pois é 
claro que não o são; entretanto, o pacote turístico ignora a identidade do lugar, 
sua história e modo de vida, banalizando-os.” 
“Essa rapidez impede que os olhos desfrutem da paisagem. Passa-se em 
segundos por séculos de civilização, faz-se tábula rasa da história de gerações 
que se inscrevem no tempo e no espaço. Num autêntico tour de force 
consentido, pouco espaço é destinado à criatividade. Por sua vez, o turista vê 
sufocar um desejo que nem se esboçou, o de experimentar.” 
Item 1 – “não se pode dizer que essas cidades sejam simulacros, pois é claro 
que não o são” - (pois é claro que essas cidades não são simulacros) 
Item 2 – “a identidade do lugar, sua história e modo de vida, banalizando-os.” 
– (banalizando a identidade do lugar, sua história e modo de vida) 
Item 3 – “... faz-se tábula rasa da história de gerações que se inscrevem no 
tempo e no espaço. – (as gerações inscrevem-se no tempo e no espaço) 
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Gabarito: A 
 
19) FCC/AJ/TRE SP/Administrativa/"Sem Especialidade"/2017 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Sandberg, que mudou totalmente o conceito espectador/obra de arte com o seu 
trabalho de duas décadas no Museu Stedelijk, de Amsterdã, iniciou sua palestra 
elogiando a arquitetura do nosso MAM-RJ que, segundo ele, segue a sua teoria 
de que o público deve ver a obra de arte de frente e não de lado, como acontece 
até agora com o museu convencional de quatro paredes. O ideal, disse ele, é 
que as paredes do museu sejam de vidro e que as obras estejam à mostra em 
painéis no centro do recinto. O museu não é uma estrutura sagrada e quem o 
frequenta deve permanecer em contato com a natureza do lado de fora: 
“A finalidade do museu de arte contemporânea é nos ajudar a ter consciência 
da nossa própria época, manter um espelho na frente do espectador no qual ele 
possa se reconhecer. Este critério nos leva também a mostrar a arte de todos 
os tempos dentro do ambiente atual. Isso significa que devemos abolir o 
mármore, o veludo, as colunas gregas, que são interpretações do século XIX. 
Apenas a maior flexibilidade e simplicidade. A luz de cima é natural ao ar livre, 
mas artificial ao interior. As telas são pintadas com luz lateral e devem ser 
mostradas com luz lateral. A luz de cima nos permite encerrar o visitante entre 
quatro paredes. Certos museólogos querem as quatro paredes para infligir o 
maior número possível de pinturas aos pobres visitantes. 
É de capital importância que o visitante possa caminhar em direção a um quadro 
e não ao lado dele. Quando os quadros são apresentados nas quatro paredes, 
o visitante tem de caminhar ao seu lado. Isso produz um efeito completamente 
diferente, especialmente se não queremos que ele apenas olhe para o trabalho, 
mas o veja. Isso éainda mais verdadeiro em relação aos grandes museus de 
arte contemporânea. Eles são grandes porque o artista moderno quer nos 
envolver com o seu trabalho e deseja que entremos em sua obra. Ao organizar 
o nosso museu, devemos ter consciência da mudança de mentalidade da nova 
geração. Abolir todas as marcas do establishment: uniformes, cerimoniais, 
formalismo. Quando eu era jovem, as pessoas entravam nos museus nas pontas 
dos pés, não ousavam falar ou rir alto, apenas cochichavam. 
Realmente não sabemos se os museus, especialmente os de arte 
contemporânea, devem existir eternamente. Foram criados numa época em que 
a sociedade não estava bastante interessada nos trabalhos de artistas vivos. O 
ideal seria que a arte se integrasse outra vez na vida diária, saísse para as ruas, 
entrasse nas casas e se tornasse uma necessidade. Esta deveria ser a principal 
finalidade do museu: tornar-se supérfluo”. 
(Adaptado de: BITTENCOURT, Francisco. “Os Museus na Encruzilhada” [1974], 
em Arte-Dinamite, Rio de Janeiro, Editora Tamanduá, 2016, p. 73-75) 
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Considerando-se o contexto, mantêm-se as relações de sentido e a correção 
gramatical substituindo-se 
a) supérfluo por “imprescindível” (4º parágrafo) 
b) abolir por “libertar” (2º parágrafo) 
c) encerrar por “terminar” (2º parágrafo) 
d) infligir por “impor” (2º parágrafo) 
e) formalismo por “descompostura” (3º parágrafo) 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – Supérfluo poderia ser substituído por PRESCIDÍVEL 
(algo de que se pode abrir mão). O vocábulo “imprescindível” é justamente o 
contrário. 
Alternativa B – Incorreta – O verbo ABOLIR significa BANIR, EXTINGUIR. 
Quando se fala em abolir a escravatura, fala-se em acabar com a escravatura. 
“Isso significa que devemos abolir o mármore, o veludo, as colunas gregas” 
Alternativa C – Incorreta – O verbo ENCERRAR foi empregado com o sentido de 
LIMITAR, PRENDER. 
“A luz de cima nos permite encerrar o visitante entre quatro paredes.” 
Alternativa D – Correta – INFLINGIR = IMPOR 
Alternativa E – Incorreta – O autor menciona o termo “formalismo” no sentido 
de excesso de formalidades, o que nada tem a ver com “descompostura”. 
Gabarito: D 
 
20) FCC/Ag OE/Pref Campinas/2016 
Pechada 
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo 
chamado de “Gaúcho”. Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do 
Sul, com um sotaque carregado. 
− Aí, Gaúcho! 
− Fala, Gaúcho! 
Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora 
explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão 
grandes assim. Afinal, todos falavam português. 
− Mas o Gaúcho fala “tu”! − disse o Jorge, que era quem mais implicava com o 
novato. 
− E fala certo − disse a professora. − Pode-se dizer “tu” e pode-se dizer “você”. 
Os dois estão certos. 
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O Jorge fez cara de quem não se entregara. 
Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que 
acontecera. 
− O pai atravessou a sinaleira e pechou. 
− O quê? 
− O pai. Atravessou a sinaleira e pechou. 
A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do 
menino atravessara uma sinaleira e pechara. 
Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com 
pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo. 
− O que foi que ele disse, tia? − quis saber o Jorge. 
− Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou. 
− E o que é isso? 
− Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu. 
− Nós vinha... 
− Nós vínhamos. 
− Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho 
e deu uma pechada noutro auto. 
A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? 
Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia 
admitir que não o entendera. Não com o Jorge rindo daquele jeito. 
“Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. “Auto” era automóvel, carro. Mas 
“pechar” o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? 
Só muitos dias depois a professora descobriu que “pechar” vinha do espanhol e 
queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o 
Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro 
apelido: Pechada. 
− Aí, Pechada! 
− Fala, Pechada! 
(VERÍSSIMO, Luis Fernando. “Pechada”. Revista Nova Escola. São Paulo, 
maio/2001. Disponível em:t thp://revistaescola.abril.com.br/fundamental-
1/pechada-634220.shtml) 
 
Um termo empregado com sentido figurado está sublinhado em: 
a) A professora sorriu. 
b) Os dois estão certos. 
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c) A professora varreu a classe com seu sorriso. 
d) “Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. 
e) Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – A frase possui sentido totalmente denotativo. 
 
Alternativa B – Incorreta – Novamente, temos uma denotação, pois o termo 
“certo” foi utilizado em seu sentido literal. 
Alternativa C – Correta – Aqui, o autor utilizou uma figura de linguagem 
chamada metáfora, portanto se trata de uma linguagem conotativa. 
 
 
 
 
 
Alternativa D – Incorreta – O termo “sinaleira” é apenas uma maneira regional 
de chamar o substantivo semáforo, não se constituindo em figura de linguagem. 
Alternativa E – Incorreta – O termo “sotaque” tem caráter denotativo e significa 
as características da fala de determinada região. 
Gabarito: C 
 
21) FCC/Ag FRT/ARTESP/Técnico em Contabilidade - 
Administração/2017 
Atenção: Para responder à questão considere o texto abaixo. 
Aplicativos para celular e outros avanços tecnológicos têm transformado as 
formas de ir e vir da população e podem ser grandes aliados na melhoria da 
mobilidade urbana. 
•Quando uma palavra é utilizada no seu sentido
próprio ou literal.
•Ex. O leão é uma fera selvagem.
DENOTAÇÃO
ou 
SENTIDO 
DENOTATIVO
•Quando uma palavra é utilizada em sentido
figurado.
•Ex. Minha esposa ficou uma fera.
CONOTAÇÃO
ou 
SENTIDO 
CONOTATIVO
•Figura de linguagem utilizada para fazer uma
comparação utilizando-se de uma conotação.
•Ex. Ela é um anjo, de nada reclama.
METÁFORA
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Segundo a União Internacional dos Transportes Públicos (UITP), simulações 
feitas nas capitais de países da União Europeia mostram que a combinação de 
transporte público de alta capacidade e o compartilhamento de carros e caronas 
poderia remover até 65 de cada 100 carros nos horários de pico. 
(Adaptado de: Aplicativos e tecnologia mudam a mobilidade urbana. 
Disponível em: http://odia.ig.com.br) 
 
A forma verbal poderia, no segundo parágrafo, atribui à expressão remover 
até 65 de cada 100 carros nos horários de pico sentido 
a) falacioso. 
b) factual. 
c) imperativo. 
d) conclusivo. 
e) conjectural. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – Falácia significa uma mentira, o que não é o caso. 
Alternativas B e C – Incorretas – O modo subjuntivo é sempre utilizado para 
indicar possibilidades, hipóteses e não fatos. Estes são próprios do modo verbal 
indicativo. Já o modo imperativo está relacionado a comandos, ordens e 
pedidos. 
 Alternativa D – Incorreta – Ainda que o período esteja no final do texto, ele 
traz informações de cunho argumentativo – dados de estudos – e não de cunho 
conclusivo. Estas normalmente são introduzidas por conjunções conclusivas, 
como: assim, dessa forma, portanto e etc. 
Alternativa E – Correta – O texto traz uma informação de um estudo que 
demonstra uma possibilidade, probabilidade ou mesmo uma conjectura. 
Gabarito: E 
 
22) FCC/AJ/TRT 24/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador 
Federal/2017 
A representação da “realidade” na imprensa 
Parece ser um fato assentado, para muitos, que um jornal ou um telejornal 
expresse a “realidade”. Folhear os cadernos de papel de ponta a ponta ou seguir 
pacientemente todas as imagens do grande noticiário televisivo seriam 
operações que atualizariam a cada dia nossa “compreensão do mundo”. Mas 
esse pensamento, tão disseminado quanto ingênuo, não leva em conta a 
questão da perspectiva pela qual se interpretam todas e quaisquer situações 
focalizadas. Submetermo-nos à visada do jornalista que compôs a notícia, ou 
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mesmo à do câmera que flagra uma situação (e que, aliás, tem suas tomadas 
sob o controle de um editor de imagens), é desfazermo-nos da nossa própria 
capacidade de análise, é renunciarmos à perspectiva de sujeitos da nossa 
interpretação. 
Tanto quanto os propalados e indiscutíveis “fatos”, as notícias em si mesmas, 
com a forma acabada pela qual se veiculam, são parte do mundo: convém 
averiguar a quem interessa o contorno de uma análise política, o perfil criado 
de uma personalidade, o sentido de um levante popular ou o alcance de uma 
medida econômica. O leitor e o espectador atentos ao que leem ou veem não 
têm o direito de colocar de lado seu senso crítico e tomar a notícia como espelho 
fiel da “realidade”. Antes de julgarmos “real” o “fato” que já está interpretado 
diante de nossos olhos, convém reconhecermos o ângulo pelo qual o fato se 
apresenta como indiscutível e como se compõe, por palavras ou imagens, a 
perspectiva pela qual uma bem particular “realidade” quer se impor para nós, 
dispensando-nos de discutir o ponto de vista pelo qual se construiu uma 
informação. 
(Tibério Gaspar, inédito) 
Diante das informações que habitualmente nos oferecem os jornais e os 
noticiários, devemos, segundo o autor do texto, 
a) considerar como fatos efetivos apenas aqueles que ganham igual dimensão 
em todos os veículos. 
b) imaginar que os interesses existentes na divulgação dos fatos acabam por 
destituí-los de importância. 
c) interpretar as notícias de modo a excluir delas o que nos pareça mais 
problemático ou inverossímil. 
d) ponderar que tais informações são construídas a partir de um ponto de vista 
necessariamente particular. 
e) avaliar os fatos noticiados segundo o ângulo que melhor se afine com os 
nossos valores pessoais. 
Comentários: 
Alternativa D – Correta – Nesse tipo de questão, prefiro deter-me na 
interpretação da alternativa correta, que elucubrar sobre a inventividade da 
banca. 
Vejam bem, para esse tipo de questão, precisamos necessariamente ler o texto, 
ok? 
O tema central do texto é justamente o fato de não podermos tomar como 
verdades uma notícia jornalística sem antes analisarmos criticamente, pois 
ela retrata a visão de uma outra pessoa (ou pessoas) sobre determinado fato e 
que pode também ser influenciada por diversos motivos ou interesses. 
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“Antes de julgarmos “real” o “fato” que já está interpretado diante de nossos 
olhos, convém reconhecermos o ângulo pelo qual o fato se apresenta como 
indiscutível e como se compõe, por palavras ou imagens, a perspectiva pela 
qual uma bem particular “realidade” quer se impor para nós” 
Portanto, apenas a letra D traz uma afirmação condizente com aquilo que o 
autor pretendeu transmitir em seu texto. 
Gabarito: D 
 
23) FCC/AJ/TRE SP/Judiciária/2017 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Amizade 
A amizade é um exercício de limites afetivos em permanente desejo de 
expansão. Por mais completa que pareça ser uma relação de amizade, ela vive 
também do que lhe falta e da esperança de que um dia nada venha a faltar. 
Com o tempo, aprendemos a esperar menos e a nos satisfazer com a finitude 
dos sentimentos nossos e alheios, embora no fundo de nós ainda esperemos a 
súbita novidade que o amigo saberá revelar. Sendo um exercício bem-sucedido 
de tolerância e paciência – amplamente recompensadas, diga-se – a amizade é 
também a ansiedade e a expectativa de descobrirmos em nós, por intermédio 
do amigo, uma dimensão desconhecida do nosso ser. 
Há quem julgue que cabe ao amigo reconhecer e estimular nossas melhores 
qualidades. Mas por que não esperar que o valor maior da amizade está em ser 
ela um necessário e fiel espelho de nossos defeitos? Não é preciso contar com 
o amigo para conhecermos melhor nossas mais agudas imperfeições? Não cabe 
ao amigo a sinceridade de quem aponta nossa falha, pela esperança de que 
venhamos a corrigi-la? Se o nosso adversário aponta nossas faltas no tom 
destrutivo de uma acusação, o amigo as identifica com lealdade, para que nos 
compreendamos melhor. 
Quando um amigo verdadeiro, por contingência da vida ou imposição da morte, 
é afastado de nós, ficam dele, em nossa consciência, seus valores, seus juízos, 
suas percepções. Perguntas como “O que diria ele sobre isso?” ou “O que faria 
ele com isso?” passam a nos ocorrer: são perspectivas dele que se fixaram e 
continuam a agir como um parâmetro vivo e importante. As marcas da amizade 
não desaparecem com a ausência do amigo, nem se enfraquecem como 
memórias pálidas: continuam a ser referências para o que fazemos e pensamos. 
 (CALÓGERAS, Bruno, inédito) 
 
A frase inicial A amizade é um exercício de limites afetivos em permanentedesejo de expansão deixa ver, no contexto, que em uma relação entre amigos 
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a) os sentimentos mútuos são restritos, devido à desconfiança que sempre 
estamos a alimentar uns dos outros. 
b) a afetividade é indispensável, embora alimentemos dentro de nós o desejo 
de uma plena autossuficiência. 
c) a afetividade é verdadeira, conquanto se estabeleça em contornos restritivos 
que gostaríamos de ver eliminados. 
d) os sentimentos predominantes passam a ser indesejáveis quando se percebe 
o quanto podem ser falsos. 
e) a afetividade, aparentemente real, revela-se ilusória, diante dos modelos 
ideais de afeto que conservamos do nosso passado. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – O autor não utiliza esse enfoque negativo de 
“desconfiança”, mas de limitação de cada um, inclusive de nós mesmos. 
“Com o tempo, aprendemos a esperar menos e a nos satisfazer com a finitude 
dos sentimentos nossos e alheios” 
Alternativa B – Incorreta – O auto refere-se ao desejo de completude da 
amizade e não da pessoa, o que vai em sentido oposto, pois significaria uma 
vida solitária. 
“Por mais completa que pareça ser uma relação de amizade, ela vive também 
do que lhe falta e da esperança de que um dia nada venha a faltar.” 
Alternativa C – Correta – Isso, mesmo verdadeira, a afetividade submete-se ao 
limite de cada um. 
Alternativas D e E – Incorretas – Essa abordagem negativa nada tem a ver 
com o texto, que traz uma visão positiva da amizade. 
“Se o nosso adversário aponta nossas faltas no tom destrutivo de uma acusação, 
o amigo as identifica com lealdade, para que nos compreendamos melhor.” 
Gabarito: C 
 
24) FCC/TJ/TRF 3/Administrativa/"Sem Especialidade"/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Texto I 
O canto das sereias é uma imagem que remonta às mais luminosas fontes da 
mitologia e da literatura gregas. As versões da fábula variam, mas o sentido 
geral da trama é comum. 
As sereias eram criaturas sobre-humanas. Ninfas de extraordinária beleza, 
viviam sozinhas numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si 
os navegantes, graças ao irresistível poder de sedução do seu canto. Atraídos 
por aquela melodia divina, os navios batiam nos recifes submersos da beira-
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mar e naufragavam. As sereias então devoravam impiedosamente os 
tripulantes. 
Doce o caminho, amargo o fim. Como escapar com vida do canto das sereias? 
A literatura grega registra duas soluções vitoriosas. Uma delas foi a saída 
encontrada por Orfeu, o incomparável gênio da música e da poesia. 
Quando a embarcação na qual ele navegava entrou inadvertidamente no raio 
de ação das sereias, ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabeça 
tocando uma música ainda mais sublime do que aquela que vinha da ilha. O 
navio atravessou incólume a zona de perigo. 
A outra solução foi a de Ulisses. Sua principal arma para vencer as sereias foi o 
reconhecimento franco e corajoso da sua fraqueza e da sua falibilidade − a 
aceitação dos seus inescapáveis limites humanos. 
Ulisses sabia que ele e seus homens não teriam firmeza para resistir ao apelo 
das sereias. Por isso, no momento em que a embarcação se aproximou da ilha, 
mandou que todos os tripulantes tapassem os ouvidos com cera e ordenou que 
o amarrassem ao mastro central do navio. O surpreendente é que Ulisses não 
tapou com cera os próprios ouvidos − ele quis ouvir. Quando chegou a hora, 
Ulisses foi seduzido pelas sereias e fez de tudo para convencer os tripulantes a 
deixarem-no livre para ir juntar-se a elas. Seus subordinados, contudo, 
cumpriram fielmente a ordem de não soltá-lo até que estivessem longe da zona 
de perigo. 
Orfeu escapou das sereias como divindade; Ulisses, como mortal. Ao se 
aproximar das sereias, a escolha diante do herói era clara: a falsa promessa de 
gratificação imediata, de um lado, e o bem permanente do seu projeto de vida 
− prosseguir viagem, retornar a Ítaca, reconquistar Penélope −, do outro. A 
verdadeira vitória de Ulisses foi contra ele mesmo. Foi contra a fraqueza, o 
oportunismo suicida e a surdez delirante que ele soube reconhecer em sua 
própria alma. 
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Autoengano. São Paulo, Cia. das Letras, 
1997. Formato e-BOOK) 
 
Depreende-se do texto que as sereias atingiam seus objetivos por meio de 
a) dissimulação. 
b) lisura. 
c) observação. 
d) condescendência. 
e) intolerância. 
Comentários: 
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A questão é bem tranquila, abordando um pouco de interpretação textual e 
semântica das palavras. 
O segundo parágrafo responde com clareza à pergunta acima. 
“As sereias eram criaturas sobre-humanas. Ninfas de extraordinária beleza, 
viviam sozinhas numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si 
os navegantes, graças ao irresistível poder de sedução do seu canto. 
Atraídos por aquela melodia divina, os navios batiam nos recifes submersos da 
beira-mar e naufragavam. As sereias então devoravam impiedosamente os 
tripulantes. “ 
O único termo cujo significado adequa-se à situação é “dissimulação”, que 
acontece quando o objetivo principal (devorar os tripulantes) é dissimulado 
ou encoberto por uma situação aparente (a beleza física e a sedução do 
canto). 
Gabarito: A 
 
25) FCC/Cons Leg/Cam Mun SP/Biblioteconomia/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Celebridades 
Todos sabemos qual é a atividade de um médico, de um engenheiro, de um 
publicitário, de um torneiro mecânico, de um porteiro. Mas o que faz, 
exatamente, uma celebridade − além de ser célebre? Vejam que não me refiro 
a quem alcançou sucesso pela competência na função que exerce; falo das 
celebridades que estão acima de um talento específico e se tornaram célebres 
ninguém sabe exatamente por quê. 
Ilustro isso com um caso contado pelo poeta Ferreira Gullar. Andando numa rua 
do Rio de Janeiro, com sua inconfundível figura − magérrimo, rosto comprido e 
longos cabelos prateados − foi avistado por um indivíduo embriagado que deve 
tê-lo reconhecido da televisão, onde sempre aparece, que lhe gritou da outra 
calçada: − Ferreira Gullar! Sujeito famoso que eu não sei quem é! 
Aqui, a celebração não era do poeta ou de sua obra: era o reconhecimento de 
uma celebridade pela celebridade que é, e ponto final. Isso faz pensar em 
quanto o poder da mídia é capaz de criar deuses sem qualquer poder divino, 
astros fulgurantes sem o brilho de uma sólida justificativa. E as consequências 
são conhecidas: uma vez elevadaa seu posto, a celebridade passa a ser ouvida, 
a ter influência, a exercitar esse difuso poder de um “formador de opinião”. 
Cobra-se da celebridade a lucidez que não tem, atribui-se-lhe um nível de 
informação que nunca alcançou, conta-se com um descortino crítico que lhe 
falta em sentido absoluto. Revistas especializam-se nelas, fotografam-nas de 
todos os ângulos, perseguem-nas onde quer que estejam, entrevistam-nas a 
propósito de tudo. Esgotada, enfim, uma celebração (até mesmo as 
celebridades são mortais), não faltam novos ocupantes do posto. 
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À falta de algum mérito real, as oportunidades da sorte ou da malícia bem-
sucedida acabam por presentear pessoas vazias com o cetro e a coroa de uma 
realeza artificial. Mas um artifício bem administrado, sabemos disso, pode 
ganhar o aspecto de uma qualidade natural. O que se espera é que sempre haja 
quem não confunda um manequim vazio com uma cabeça com cérebro dentro. 
(Diógenes Lampeiro, inédito) 
 
No dicionário Houaiss, o verbete tautologia apresenta, entre outras, a seguinte 
acepção: proposição analítica que permanece sempre verdadeira, uma vez que 
o atributo é uma repetição do sujeito. Com essa acepção, o qualificativo de 
tautológicas pode ser aplicado às passagens do texto em que o conceito de 
celebridade remete 
a) ao mérito real que algumas celebridades demonstram no exercício de funções 
profissionais específicas. 
b) à possibilidade de alguém gozar de celebração pelo fato de passar a ser 
reconhecido como uma celebridade. 
c) ao fato de que numa sociedade de consumo todo e qualquer indivíduo tem 
seu momento de celebridade. 
d) à possibilidade de que a celebração de alguém resista à passagem do tempo, 
tornando-se vitalícia. 
e) ao fato de que os grandes criadores passam a ser identificados publicamente 
a partir do mérito de suas obras. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – A afirmativa contraria o trecho seguinte: “Vejam que 
não me refiro a quem alcançou sucesso pela competência na função que 
exerce” 
Alternativa B – Correta – “falo das celebridades que estão acima de um talento 
específico e se tornaram célebres ninguém sabe exatamente por quê. “ 
Alternativa C – Incorreta – A alternativa traz NOVAS ideias que não foram 
citadas no texto, por isso EXTRAPOLOU o seu conteúdo. 
Alternativa D – Incorreta – “Esgotada, enfim, uma celebração (até mesmo as 
celebridades são mortais), não faltam novos ocupantes do posto. ” 
Alternativa E – Incorreta – O trecho seguinte contradiz a alternativa: 
“avistado por um indivíduo embriagado que deve tê-lo reconhecido da televisão, 
onde sempre aparece, que lhe gritou da outra calçada: − Ferreira Gullar! Sujeito 
famoso que eu não sei quem é! Aqui, a celebração não era do poeta ou de 
sua obra: era o reconhecimento de uma celebridade pela celebridade que é, e 
ponto final. “ 
Gabarito: B 
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26) FCC/TJ/TRT 15/Apoio Especializado/Enfermagem/2015 
Atenção: Para responder à questão, considere o poema abaixo. 
“Você não está mais na idade 
de sofrer por essas coisas”' 
Há então a idade de sofrer 
e a de não sofrer mais 
por essas, essas coisas? 
As coisas só deviam acontecer 
para fazer sofrer 
na idade própria de sofrer? 
Ou não se devia sofrer 
pelas coisas que causam sofrimento 
pois vieram fora de hora, e a hora é calma? 
E se não estou mais na idade de sofrer 
é porque estou morto, e morto 
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas? 
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Essas coisas. As impurezas do branco. Rio 
de Janeiro: José Olympio, 3. ed., 1976, p.30) 
 
Considerando-se que elipse é a supressão de um termo que pode ser 
subentendido pelo contexto linguístico, pode-se identifica-la no verso: 
a) As coisas só deviam acontecer 
b) Ou não se devia sofrer 
c) e a de não sofrer mais 
d) é a idade de não sentir as coisas, essas coisas? 
e) Você não está mais na idade 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – Não há qualquer termo elíptico na frase. Observe 
que todos os termos essenciais da oração estão presentes. 
“As coisas só deviam acontecer para fazer sofrer na idade própria de sofrer?” 
Alternativa B – Incorreta – Não há qualquer termo elíptico na frase. 
“Ou não se devia sofrer pelas coisas que causam sofrimento pois vieram fora de 
hora, e a hora é calma?” 
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Alternativa C – Correta – Na oração está elíptico o termo “idade”, para se 
evitar uma repetição desnecessária. 
“Há então a idade de sofrer e a (idade) de não sofrer mais” 
Alternativa D – Incorreta – Ao contrário da elipse, o autor utilizou-se do 
pleonasmo, com o termo “essas coisas”, para dar ênfase à afirmação. 
 
Alternativa E – Incorreta - Não há qualquer termo elíptico no trecho indicado. 
Gabarito: C 
 
27) FCC/ATE/SEFAZ PI/2015 
Instrução: A questão refere-se ao texto seguinte. 
Filosofia de borracharia 
O borracheiro coçou a desmatada cabeça e proferiu a sentença tranquilizadora: 
nenhum problema com o nosso pneu, aliás quase tão calvo quanto ele. Estava 
apenas um bocado murcho. 
− Camminando si sgonfia* − explicou o camarada, com um sorriso de 
pouquíssimos dentes e enorme simpatia. 
O italiano vem a ser um dos muitos idiomas em que a minha abrangente 
ignorância é especializada, mas ainda assim compreendi que o pneu do nosso 
carro periclitante tinha se esvaziado ao longo da estrada. Não era para menos. 
Tendo saído de Paris, havíamos rodado muito antes de cair naquele emaranhado 
de fronteiras em que você corre o risco de não saber se está na Áustria, na 
Suíça ou na Itália. Soubemos que estávamos no norte, no sótão da Itália, vendo 
um providencial borracheiro dar nova carga a um pneu sgonfiato. 
Dali saímos − éramos dois jovens casais num distante verão europeu, 
embarcados numa aventura que, de camping em camping, nos levaria a 
Istambul – para dar carga nova a nossos estômagos, àquela altura não menos 
sgonfiati. O que pode a fome, em especial na juventude: à beira de um himalaia 
de sofrível espaguete fumegante, julguei ver fumaças filosóficas na sentença do 
tosco borracheiro. E, entre garfadas, sob o olhar zombeteiro dos companheiros 
de viagem, me pus a teorizar. 
Sim, camminando si sgonfia, e não apenas quando se é, nesta vida, um pneu. 
Também nós, de tanto rodar, vamos aos poucos desinflando. E por aí fui, inflado 
e inflamado num papo delirante. Fosse hoje, talvez tivesse dito, infelizmente 
•É uma redundância, que pode ser um vício ou
uma figura de linguagem, dependendo da maneira
como for utilizado.
•Ex. Todossaíram para fora. (vício de linguagem) 
•Eu canto o meu canto de paz. (figura de 
linguagem)
PLEONASMO
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com conhecimento de causa, que a partir de determinado ponto carecemos 
todos de alguma espécie de fortificante, de um novo alento para o corpo, quem 
sabe para a alma. 
* Camminando si sgonfia = andando se esvazia. Sgonfiato é vazio; sgonfiati é 
a forma plural. 
(Adaptado de: WERNECK, Humberto – Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, 
Arquipélago, 2011, p. 8586) 
 
Atente para a seguinte construção: O borracheiro explicou-nos que os pneus 
haviam esvaziado com o uso, e que era fácil resolver aquele problema. 
Empregando-se o discurso direto, a frase deverá ser: O borracheiro explicou-
nos: 
a) − Os pneus com o uso tinham esvaziado, mas seria fácil resolver o problema. 
b) − Os pneus se esvaziaram com o uso, é fácil resolver este problema. 
c) − Com o uso os pneus terão se esvaziado, seria fácil resolver esse problema. 
d) − Os pneus com o uso estavam vazios, vai ser fácil resolver seu problema. 
e) − Com o uso os pneus estão esvaziando, problema este que seria fácil 
resolver. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – A frase está empregando o discurso indireto. 
Alternativa B – Correta – A primeira oração expressa um fato concluído, 
portanto é correta a utilização do pretérito perfeito do indicativo. No entanto, a 
segunda oração expressa algo que ainda haveria de ser resolvido pelo 
borracheiro, por isso a utilização do presente do indicativo também está 
adequada, já que se trata de um discurso direto. 
Alternativa C – Incorreta – O futuro do presente indicativo composto indica a 
ocorrência de um fato anterior a outro também no futuro ou um fato futuro 
iniciado no presente, portanto é inadequado para indicar um fato passado. A 
segunda oração está na forma indireta. 
Alternativa D – Incorreta – A forma verbal “estavam vazios” indica um estado, 
portanto é inadequada para expressar um fato já concluído (os pneus 
esvaziaram). 
Alternativa E – Incorreta – A expressão “estão esvaziando” indica uma ação no 
presente e não no passado. A frase está gramaticalmente incorreta e 
incoerente devido a desarmonia na correlação verbal, além de estar na 
forma indireta. 
Gabarito: B 
 
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28) FCC/AJ/TRT 1/Apoio Especializado/Tecnologia da 
Informação/2014 
Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte. 
A cultura brasileira em tempos de utopia 
Durante os anos 1950 e 1960 a cultura e as artes brasileiras expressaram as 
utopias e os projetos políticos que marcaram o debate nacional. Na década de 
1950, emergiu a valorização da cultura popular, que tentava conciliar aspectos 
da tradição com temas e formas de expressão modernas. 
No cinema, por exemplo, Nelson Pereira dos Santos, nos seus filmes Rio, 40 
graus (1955) e Rio, zona norte (1957) mostrava a fotogenia das classes 
populares, denunciando a exclusão social. Na literatura, Guimarães Rosa 
publicou Grande sertão: veredas (1956) e João Cabral de Melo Neto escreveu o 
poema Morte e vida Severina − ambos assimilando traços da linguagem popular 
do sertanejo, submetida ao rigor estético da literatura erudita. 
Na música popular, a Bossa Nova, lançada em 1959 por Tom Jobim e João 
Gilberto, entre outros, inspirava-se no jazz, rejeitando a música passional e a 
interpretação dramática que se dava aos sambas-canções e aos boleros que 
dominavam as rádios brasileiras. A Bossa Nova apontava para o despojamento 
das letras das canções, dos arranjos instrumentais e da vocalização, para 
melhor expressar o “Brasil moderno”. 
Já a primeira metade da década de 1960 foi marcada pelo encontro entre a vida 
cultural e a luta pelas Reformas de Base. Já não se tratava mais de buscar 
apenas uma expressão moderna, mas de pontuar os dilemas brasileiros e 
denunciar o subdesenvolvimento do país. Organizava-se, assim, a cultura 
engajada de esquerda, em torno do Movimento de Cultura Popular do Recife e 
do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), num 
processo que culminaria no Cinema Novo e na canção engajada, base da 
moderna música popular brasileira, a MPB. 
(Adaptado de: NAPOLITANO, Marcos e VILLAÇA, Mariana. História para o 
ensino médio. São Paulo: Atual, 2013, p. 738) 
 
Estes dois segmentos constituem respectivamente, no contexto dado, a 
expressão de uma causa e de seu efeito: 
a) interpretação dramática / despojamento das letras das canções (3o 
parágrafo) 
b) assimilando traços da linguagem popular / submetida ao rigor estético da 
literatura erudita (2o parágrafo) 
c) rejeitando a música passional / inspirava-se no jazz (3o parágrafo) 
d) Organizava-se, assim, a cultura engajada de esquerda / Cinema Novo e 
canção engajada (4o parágrafo) 
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e) a primeira metade da década de 1960 / luta pelas Reformas de Base (4o 
parágrafo) 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – Os dois termos referem-se à “Bossa Nova”, mas não 
têm qualquer relação de causa, mas antes de oposição, pois, se a Bossa Nova 
“rejeita a interpretação dramática”, ela “aponta para o despojamento das letras 
e canções”. 
“Na música popular, a Bossa Nova, lançada em 1959 por Tom Jobim e João 
Gilberto, entre outros, inspirava-se no jazz, rejeitando a música passional e a 
interpretação dramática que se dava aos sambas-canções e aos boleros que 
dominavam as rádios brasileiras. A Bossa Nova apontava para o despojamento 
das letras das canções, dos arranjos instrumentais e da vocalização, para 
melhor expressar o “Brasil moderno”. “ 
Alternativa B – Incorreta – O segundo trecho (sublinhado) tem função 
explicativa em relação ao primeiro. Analisando a relação sintática do dois, 
temos que o segundo tem função de adjunto adnominal do primeiro, sendo 
classificado como uma oração subordinada adjetiva explicativa reduzida de 
particípio. 
“Na literatura, Guimarães Rosa publicou Grande sertão: veredas (1956) e João 
Cabral de Melo Neto escreveu o poema Morte e vida Severina − ambos 
assimilando traços da linguagem popular do sertanejo, submetida ao rigor 
estético da literatura erudita. “ 
Alternativa C – Incorreta – Assim como na alternativa A, os dois termos também 
se referem à “Bossa Nova”, mas não têm qualquer relação de causa, mas de 
oposição, pois, a Bossa Nova “inspirava-se no jazz”, porém rejeitava “a 
música passional”. 
“Na música popular, a Bossa Nova, lançada em 1959 por Tom Jobim e João 
Gilberto, entre outros, inspirava-se no jazz, rejeitando a música passional e 
a interpretaçãodramática que se dava aos sambas-canções e aos boleros que 
dominavam as rádios brasileiras. A Bossa Nova apontava para o despojamento 
das letras das canções, dos arranjos instrumentais e da vocalização, para 
melhor expressar o “Brasil moderno”. “ 
Alternativa D – Correta – O trecho “num processo que culminaria no” estabelece 
a relação de causa e efeito entre o primeiro e o segundo termo. A lógica aqui 
é simples: a primeira ação culminou na segunda (tem o sentido de 
causar/desencadear). 
“Organizava-se, assim, a cultura engajada de esquerda, em torno do Movimento 
de Cultura Popular do Recife e do Centro Popular de Cultura da União Nacional 
dos Estudantes (UNE), num processo que culminaria no Cinema Novo e na 
canção engajada, base da moderna música popular brasileira, a MPB. “ 
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Alternativa E – Incorreta – A forma verbal “foi marcada” não estabelece 
qualquer relação de causa entre os dois termos, mas indica que o segundo (a 
luta pelas Reformas de Base) foi uma característica do primeiro (a primeira 
metade da década de 1960). 
“Já a primeira metade da década de 1960 foi marcada pelo encontro entre a 
vida cultural e a luta pelas Reformas de Base. “ 
Gabarito: D 
 
29) FCC/TJ/TRT 1/Administrativa/2013 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
Visão monumental 
Nada superará a beleza, nem todos os ângulos retos da razão. Assim pensava 
o maior arquiteto e mais invocado sonhador do Brasil. Morto em 5 de dezembro 
de insuficiência respiratória, a dez dias de completar com uma festa, no Rio de 
Janeiro onde morava, 105 anos de idade, Oscar Niemeyer propusera sua própria 
revolução arquitetônica baseado em uma interpretação do corpo da mulher. 
Filho de fazendeiros, fora o único ateu e comunista da família, tendo ingressado 
no partido por inspiração de Luiz Carlos Prestes, em 1945. Como a agremiação 
partidária não correspondera a seu sonho, descolara-se dela, na companhia de 
seu líder, em 1990. “O comunismo resolve o problema da vida”, acreditou até 
o fim. “Ele faz com que a vida seja mais justa. E isso é fundamental. Mas o ser 
humano, este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino lhe impõe.” 
E desprotegido talvez pudesse se sentir um observador diante da 
monumentalidade que ele próprio idealizara para Brasília a partir do plano-piloto 
de Lucio Costa. Quem sabe seus museus, prédios governamentais e catedrais 
não tivessem mesmo sido construídos para ilustrar essa perplexidade? Ele 
acreditava incutir o ardor em quem experimentava suas construções. 
Bem disse Le Corbusier que Niemeyer tinha “as montanhas do Rio dentro dos 
olhos”, aquelas que um observador pode vislumbrar a partir do Museu de Arte 
Contemporânea de Niterói, um entre cerca de 500 projetos seus. Brasília, em 
que pese o sonho necessário, resultara em alguma decepção. Niemeyer vira a 
possibilidade de construir ali a imagem moderna do País. E como dizer que a 
cidade, ao fim, deixara de corresponder à modernidade empenhada? Houve um 
sonho monumental, e ele foi devidamente traduzido por Niemeyer. No Planalto 
Central, construíra a identidade escultural do Brasil. 
(Adaptado de Rosane Pavam. CartaCapital, 07/12/2012, 
www.cartacapital.com.br/sociedade/avisaomonumental2/) 
 
Quem sabe seus museus, prédios governamentais e catedrais não tivessem 
mesmo sido construídos para ilustrar essa perplexidade? (3º parágrafo) 
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De acordo com o contexto, o sentido do elemento grifado acima pode ser 
adequadamente reproduzido por: 
a) descompasso. 
b) problemática. 
c) melancolia. 
d) estupefação. 
e) animosidade. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – descompasso = desarmonia, desacordo, divergência 
Alternativa B – Incorreta – problemática = questão, dificuldade 
Alternativa C – Incorreta – melancolia = tristeza, desânimo, abatimento 
Alternativa D – Correta - A questão aborda a semântica do termo “perplexidade” 
que tem como sinônimos os termos “estupefação”, surpresa, assombro. Ele 
refere-se ao sentimento de Oscar Niemeyer frente à monumentalidade de 
Brasília. 
Alternativa E – Incorreta – animosidade = aversão, rancor, inimizade 
Gabarito: D 
 
30) FCC/AJ/TRE RO/Judiciária/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Pintor, gravador e vitralista, Marc Chagall estudou artes plásticas na Academia 
de Arte de São Petersburgo. Seguindo para Paris em 1910, ligou-se aos poetas 
Blaise Cendrars, Max Jacob e Apollinaire − e aos pintores Delaunay, Modigliani 
e La Fresnay. 
A partir daí, trabalhou intensamente para integrar o seu mundo de 
reminiscências e fantasias na linguagem moderna derivada do fauvismo e do 
cubismo. 
Na década de 30, o clima de perseguição e de guerra repercute em sua pintura, 
onde surgem elementos dramáticos, sociais e religiosos. Em 1941, parte para 
os EUA, onde sua esposa falece (1944). Chagall mergulha, então, em um 
período de evocações, quando conclui o quadro "Em torno dela", que se tornou 
uma síntese de todos os seus temas. 
(Adaptado de: educação.uol.com.br/biografias/marcchagall.html) 
 
Para manter as relações de sentido e a correção gramatical do texto, o termo 
derivada (2o parágrafo) NÃO pode ser substituído por: 
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a) provida. 
b) advinda. 
c) proveniente. 
d) originária. 
e) oriunda. 
Comentários: 
Observe que a questão foi cobrada em um concurso de nível superior. Essa é 
uma daquelas que não se pode perder de jeito nenhum!!! 
Derivada = provinda (não é provida), advinda, proveniente, originária e 
oriunda 
Gabarito: A 
 
31) FCC/Ana Con/TCE-MT/2013 
Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte. 
O preço da virtude 
Nossas qualidades naturais são, já por si, virtuosas? Pessoas de temperamento 
calmo e índole generosa, por exemplo, podem ser vistas como gente 
indiscutivelmente meritória? Mulheres e homens bem-intencionados devem ser 
julgados apenas com base em suas boas intenções? Tais perguntas nos levam 
a um complicado centro de discussão: haverá algum valor moral nas ações que 
se executam com naturalidade, sem o enfrentamento de qualquer obstáculo, ou 
o que é natural não encerra virtude alguma, já que não encontra qualquer 
adversidade? 
Há quem defenda a tese de que somente há virtude numa ação benigna cujo 
desempenho implica algum sacrifício do sujeito. A virtude estaria, assim, não 
na natureza do indivíduo, mas na sua firme disposição para sacrificar-se em 
benefício de um outro ser ou de um ideal. O sacrifício indicaria o desprendimento 
moral, o ato desinteressado,a disposição para pagar um preço pela escolha 
feita: eu me disponho a passar fome para que essa criança se alimente; eu 
deixo de usufruir um prazer para que o outro possa experimentá-lo. 
Nessa questão, valores éticos e valores religiosos podem até mesmo se 
confundir. A palavra sacrifício tem o sagrado na raiz; mas não é preciso ser 
religioso para se provar a capacidade de renúncia. Quanto ao preço a pagar, 
não há dúvida: sempre reconheceremos mais mérito em quem foi capaz de agir 
passando por cima de seu próprio interesse do que naquele que agiu sem ter 
que enfrentar qualquer ônus em sua decisão. 
(TRANCOSO, Doroteu. Inédito) 
 
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Considere as seguintes afirmações: 
I. No primeiro parágrafo, o conceito de adversidade está empregado para 
caracterizar situações em que não há necessidade de sacrifício. 
II. No segundo parágrafo, deve-se entender por ação benigna aquela que 
implica, necessariamente, o sacrifício de quem a executa. 
III. No terceiro parágrafo, reafirma-se a tese de que os sacrifícios pessoais são 
inerentes às ações autenticamente virtuosas. 
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em 
a) II e III. 
b) I. 
c) II. 
d) III. 
e) I e II. 
Comentários: 
Item I – Incorreta – O sentido de adversidade é justamente o contrário do que 
é afirmado neste item. O termo “adversidade” foi empregado no sentido de 
dificuldade, sacrifício ou obstáculo. 
Item II – Incorreta – O autor é claro ao afirmar que isso é uma tese defendida 
por algumas pessoas e não necessariamente uma realidade. 
“Há quem defenda a tese de que somente há virtude numa ação benigna 
cujo desempenho implica algum sacrifício do sujeito. “ 
Item III – Correta – De fato o terceiro parágrafo reafirma a tese estabelecida 
no segundo. 
Gabarito: D 
 
32) FCC/AJ/TRF 4/Judiciária/"Sem Especialidade"/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Um programa a ser adotado 
O PET − Programa de Educação pelo Trabalho − está fazendo dez anos, que 
serão comemorados num evento promovido pelo TRF4, que contará com 
representantes da Fase − Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio 
Grande do Sul. 
Há dez anos seria difícil imaginar um interno da Fase em cumprimento de 
medida socioeducativa saindo para trabalhar em um tribunal e, no final do dia, 
retornar à fundação. Muitos desacreditariam da iniciativa de colocar um 
adolescente infrator dentro de um gabinete de desembargador ou da 
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Presidência de um tribunal. Outros poderiam discriminar esses jovens e deseja-
los longe do ambiente de trabalho. 
Todas essas barreiras foram vencidas. Em uma década, o PET do TRF4 se tornou 
realidade, quebrou preconceitos, mudou a cultura da própria instituição e a vida 
de 154 adolescentes que já passaram pelo projeto. São atendidos jovens entre 
16 e 21 anos, com escolaridade mínima da 4ª série do ensino fundamental. O 
tribunal enfrenta o desafio de criar, desenvolver e, principalmente, manter um 
programa de reinserção social. Os resultados do trabalho do PET com os 
menores que cumprem medida socioeducativa na Fase são considerados muito 
positivos quando se fala de jovens em situação de vulnerabilidade social. 
Durante esses dez anos, 45% dos participantes foram inseridos no mercado de 
trabalho e muitos já concluíram o ensino médio; cerca de 70% reorganizaram 
suas vidas e conseguiram superar a condição de envolvimento em atividades 
ilícitas. 
Na prática, os jovens trabalham durante 4 horas nos gabinetes de 
desembargadores e nas unidades administrativas do tribunal. Recebem 
atendimento multidisciplinar, com acompanhamento jurídico, de psicólogos e de 
assistentes sociais. Por meio de parcerias com entidades, já foram realizados 
cursos de mecânica, de padaria e de garçom. Destaque a considerar é o projeto 
“Virando a página”: oficinas de leitura e produção textual, coordenadas por 
servidores do TRF4 e professores e formandos de faculdades de Letras. 
(Adaptado de: wttp://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php? acao= 
noticia_visualizar&id_noticia=10129) 
 
No contexto, o sentido do elemento sublinhado em 
a) Outros poderiam discriminar esses jovens (2º parágrafo) é o de distinguir, 
enfatizar. 
b) em cumprimento de medida socioeducativa (2º parágrafo) é o de 
observância, atendimento. 
c) manter um programa de reinserção social (3º parágrafo) é o de remissão, 
retroação. 
d) em situação de vulnerabilidade social (3º parágrafo) é o de impropriedade, 
informalidade. 
e) Recebem atendimento multidisciplinar (4º parágrafo) é o de socialista, 
democrático. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – O termo “discriminar” foi empregado no sentido de 
segregar, marginalizar, isolar. 
Alternativa B – Correta – A palavra “cumprimento” foi, de fato, utilizada com o 
sentido de atendimento, observância. 
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Alternativa C – Incorreta – O termo “reinserção social” tem o sentido inserir 
novamente as pessoas na sociedade. 
Alternativa D – Incorreta – A palavra “vulnerabilidade” tem o sentido de 
fragilidade, indefensabilidade, insegurança. 
Alternativa E – Incorreta – O termo “atendimento multidisciplinar” significa que 
o atendimento abrange diversas áreas (disciplinas): jurídico, psicológico e de 
assistência social. 
Gabarito: B 
 
33) FCC/AJ/TRT 3/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador 
Federal/2015 
Atenção: A questão refere-se ao texto que segue. 
A matéria abaixo, que recebeu adaptações, é do jornalista Alberto Dines, e foi 
veiculada em 9/05/2015, um dia após as comemorações pelos 70 anos do fim 
da Segunda Guerra Mundial. 
Quando a guerra acabar… 
Abre parêntese: há momentos − felizmente raros − em que a história pessoal 
se impõe às percepções conjunturais e o relato na primeira pessoa, embora 
singular, parcial, às vezes suspeito, sobrepõe-se à narrativa impessoal, ampla, 
genérica. Fecha parêntese. 
O descaso e os indícios de esquecimento que, na sexta-feira (8/5), rodearam 
os setenta anos do fim da fase europeia da Segunda Guerra Mundial 
sobressaltaram. O ano de 1945 pegou-me com 13 anos e a data de 8 de maio 
incorporou-se ao meu calendário íntimo e o cimentou definitivamente às 
efemérides históricas que éramos obrigados a decorar no ginásio. 
Seis anos antes (1939), a invasão da Polônia pela Alemanha hitlerista − e logo 
depois pela Rússia soviética − empurrou a guerra para dentro da minha casa 
através dos jornais e do rádio: as vidas da minha avó paterna, tios, tias, primos 
e primas dos dois lados corriamperigo. Em 1941, quando a Alemanha rompeu 
o pacto com a URSS e a invadiu com fulminantes ataques, inclusive à Ucrânia, 
instalou-se a certeza: foram todos exterminados. 
A capitulação da Alemanha tornara-se inevitável, não foi surpresa, sabíamos 
que seria esmagada pelos Aliados. Nova era a sensação de paz, a certeza que 
começava uma nova página da história e perceptível mesmo para crianças e 
adolescentes. A prometida quimera embutida na frase “quando a guerra acabar” 
tornara-se desnecessária, desatualizada. 
A guerra acabara para sempre. Enquanto o retorno dos combatentes brasileiros 
vindos da Itália era saudado delirantemente, matutinos e vespertinos − mais 
calejados do que a mídia atual − nos alertavam que a guerra continuava feroz 
não apenas no Extremo Oriente, mas também na antiquíssima Grécia, onde 
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guerrilheiros de direita e de esquerda, esquecidos do inimigo comum − o nazi-
fascismo − se enfrentavam para ocupar o vácuo de poder deixado pela 
derrotada barbárie. 
Sete décadas depois − porção ínfima da história da humanidade −, aquele que 
foi chamado Dia da Vitória e comemorado loucamente nas ruas do mundo 
metamorfoseou-se em Dia das Esperanças Perdidas: a guerra não acabou. Os 
Aliados desvincularam-se, tornaram-se adversários. A guerra continua, está aí, 
espalhada pelo mundo, camuflada por diferentes nomenclaturas, inconfundível, 
salvo em breves hiatos sem hostilidades, porém com intensos ressentimentos. 
(Reproduzido da Gazeta do Povo (Curitiba, PR) e do Correio Popular 
(Campinas, SP), 9/5/2015; intertítulo do Observatório da Imprensa, edição 
849) 
 
O segmento do texto que está traduzido de maneira a não prejudicar o sentido 
original é: 
a) (linhas 1 e 2) a história pessoal se impõe às percepções conjunturais / o 
relato da própria pessoa infunde veracidade aos fatos da conjuntura. 
b) (linha 8) incorporou-se ao meu calendário íntimo / passou a fazer parte de 
minhas memórias negativas mais intensas. 
c) (linha 9) e o cimentou definitivamente às efemérides históricas / e o conectou 
por fim às catástrofes históricas. 
d) (linha 17) A capitulação da Alemanha tornara-se inevitável / a fragmentação 
da Alemanha era considerada indiscutível. 
e) (linha 33) camuflada por diferentes nomenclaturas / disfarçada sob o véu de 
distintos nomes. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – As duas expressões têm sentidos diferentes. A 
segunda indica a confirmação da percepção conjuntural, enquanto a primeira 
indica a sua sobreposição pela percepção pessoal. 
“há momentos ... em que a história pessoal se impõe às percepções conjunturais 
e o relato na primeira pessoa, embora singular, parcial, às vezes suspeito, 
sobrepõe-se à narrativa impessoal, ampla, genérica. Fecha parêntese. “ 
Alternativa B – Incorreta – Pelo contrário, a data foi um marco positivo para 
o autor, pois marca o fim da fase europeia da Segunda Guerra Mundial. O autor 
tinha diversos familiares correndo perigo em países envolvidos na guerra. 
“as vidas da minha avó paterna, tios, tias, primos e primas dos dois lados 
corriam perigo” 
Alternativa C – Incorreta – O termo “efemérides” significa um acontecimento 
histórico/fato importante e não uma catástrofe. 
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Alternativa D – Incorreta – O termo “capitulação” foi empregado no sentido de 
derrota/rendição, enquanto “fragmentação” indica divisão/fracionamento. 
Alternativa E – Correta 
camuflada = disfarçada sob o véu 
diferentes nomenclaturas = distintos nomes 
Gabarito: E 
 
34) FCC/ATE/SEFAZ PI/2015 
Instrução: A questão refere-se ao texto seguinte. 
Filosofia de borracharia 
O borracheiro coçou a desmatada cabeça e proferiu a sentença tranquilizadora: 
nenhum problema com o nosso pneu, aliás quase tão calvo quanto ele. Estava 
apenas um bocado murcho. 
− Camminando si sgonfia* − explicou o camarada, com um sorriso de 
pouquíssimos dentes e enorme simpatia. 
O italiano vem a ser um dos muitos idiomas em que a minha abrangente 
ignorância é especializada, mas ainda assim compreendi que o pneu do nosso 
carro periclitante tinha se esvaziado ao longo da estrada. Não era para menos. 
Tendo saído de Paris, havíamos rodado muito antes de cair naquele emaranhado 
de fronteiras em que você corre o risco de não saber se está na Áustria, na 
Suíça ou na Itália. Soubemos que estávamos no norte, no sótão da Itália, vendo 
um providencial borracheiro dar nova carga a um pneu sgonfiato. 
Dali saímos − éramos dois jovens casais num distante verão europeu, 
embarcados numa aventura que, de camping em camping, nos levaria a 
Istambul – para dar carga nova a nossos estômagos, àquela altura não menos 
sgonfiati. O que pode a fome, em especial na juventude: à beira de um himalaia 
de sofrível espaguete fumegante, julguei ver fumaças filosóficas na sentença do 
tosco borracheiro. E, entre garfadas, sob o olhar zombeteiro dos companheiros 
de viagem, me pus a teorizar. 
Sim, camminando si sgonfia, e não apenas quando se é, nesta vida, um pneu. 
Também nós, de tanto rodar, vamos aos poucos desinflando. E por aí fui, inflado 
e inflamado num papo delirante. Fosse hoje, talvez tivesse dito, infelizmente 
com conhecimento de causa, que a partir de determinado ponto carecemos 
todos de alguma espécie de fortificante, de um novo alento para o corpo, quem 
sabe para a alma. 
* Camminando si sgonfia = andando se esvazia. Sgonfiato é vazio; sgonfiati é 
a forma plural. 
(Adaptado de: WERNECK, Humberto – Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, 
Arquipélago, 2011, p. 8586) 
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Por valorizar recursos expressivos da linguagem, o autor da crônica, 
a) na expressão quase tão calvo quanto ele (1º parágrafo), qualifica o 
borracheiro com um termo familiarmente aplicado a um pneu já muito gasto. 
b) no segmento minha abrangente ignorância é especializada (3º parágrafo), é 
irônico ao atribuir à ignorância qualidades aplicáveis a um alto conhecimento. 
c) na expressão num distante verão europeu (4º parágrafo), utiliza um indicador 
de tempo para denotar a extensão do território percorrido. 
d) em à beira de um himalaia (4º parágrafo), deixa claro que os viajantes agora 
se acercavam de uma alta cordilheira, semelhante à asiática. 
e) em inflado e inflamado (5º parágrafo), vale-se de sinônimos para reforçar o 
estado de espírito reflexivo da personagem. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – A expressão “quase tão calvo quanto ele” qualifica 
o pneu, comparando-o com o borracheiro de cabeça “desmatada”. 
Alternativa B – Correta– Isso, o autor utilizou-se de um jogo de palavras 
contrárias (abrangente e especializada) formando uma ironia suave e 
inteligente, para expressar que o italiano era uma das suas línguas menos 
conhecidas. Note que ambas as expressões citadas normalmente referem-se ao 
termo conhecimento e não ignorância, aí está o caráter irônico da frase. 
 
 Alternativa C – Incorreta – A palavra “distante” não foi utilizada no seu sentido 
denotativo de distância física, mas com sentido figurado dando ideia de tempo, 
de algo há muito ocorrido. 
 
Alternativa D – Incorreta – A palavra “Himalaia” foi utilizada em sentido 
figurado ou conotativo, para indicar a altura do prato de espaguete. 
 
•Quando dizemos algo oposto ao que realmente é,
com intuito de criticar, ridicularizar ou satirizar
algo.
•Ex. Você está cheiroso como um gambá.
IRONIA
•Quando uma palavra é utilizada no seu sentido
próprio ou literal.
•Ex. O leão é uma fera selvagem.
DENOTAÇÃO
ou 
SENTIDO 
DENOTATIVO
•Quando uma palavra é utilizada em sentido
figurado.
•Ex. Minha esposa ficou uma fera.
CONOTAÇÃO
ou 
SENTIDO 
CONOTATIVO
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Alternativa E – Incorreta – De fato, o autor vale-se das expressões “inflado e 
inflamado” para reforçar o estado de espírito reflexivo da personagem, no 
entanto a alternativa peca ao apontar as duas como sinônimos. 
Gabarito: B 
 
35) FCC/Cons Leg/AL PB/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Já estamos habituados ao romance anual de José Lins do Rego; uma escapada 
ao Nordeste em sua companhia faz parte do nosso ritmo de vida. Durante cinco 
anos, em livros ora mais plenamente realizados, como Menino de engenho e 
Banguê, ora mais fracos, como Doidinho, mas sempre vivos e verdadeiros, o 
romancista nos trazia mais um caso da família de José Paulino, mais uma 
vicissitude do Santa Rosa, mais um aspecto da existência nas lavouras de cana 
do Nordeste, e da indústria do açúcar. Com Usina esgotou o assunto. Sem se 
repetir, não poderia continuar a estudar o mesmo tema. 
Que daria José Lins do Rego sem o açúcar, sem as recordações de infância? 
Essa pergunta era formulada por todos quantos admiramos o seu talento e 
seguimos com interesse a expansão da sua força criadora. Pureza foi a resposta 
do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar com segurança da sua 
capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida das evocações de gente 
e coisas familiares. 
José Lins do Rego mostrou [...] poder prescindir da terra para formar o 
ambiente, dos canaviais que assobiam ao vento, das pastagens sonoras de 
mugidos, dos rios de cheias aterradoras, das matas floridas, de tudo aquilo que 
constitui, sobretudo em Menino de engenho, um fundo de beleza e poesia. E 
sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo, não está escravizado à literatura regionalista, 
não é apenas o cronista do Nordeste. 
(Trecho da nota de Lúcia Miguel Pereira ao romance Pureza, de José Lins do 
Rego. 5 ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 1956, com atualização ortográfica 
em respeito ao Acordo vigente) 
 
É correto afirmar, considerando-se o teor do texto, que a autora 
a) defende a literatura voltada para aspectos regionais, como superior a 
qualquer outra. 
b) aponta para uma mudança favorável na criação literária de um romancista 
nordestino. 
c) analisa o viés repetitivo dos temas abordados por um escritor nordestino, o 
que lhe tira a originalidade. 
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d) aborda a permanência, nos romances nordestinos, de temas já esgotados, 
como o do ciclo do açúcar. 
e) avalia a importância de um romancista como divulgador dos problemas 
sociais e econômicos do Nordeste. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – No fechamento do texto, a autora nega totalmente 
a possibilidade dessa interpretação, ao afirmar que José Lins do Rêgo é mais 
que um regionalista. 
“E sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo, não está escravizado à literatura regionalista, 
não é apenas o cronista do Nordeste. “ 
Alternativa B – Correta – O texto afirma que após esgotar o tema, José Lins do 
Rêgo surpreendeu com o romance “Pureza” partindo para a abordagem de 
outros temas, o que o fez transcender o rótulo de escritor regionalista. 
“Pureza foi a resposta do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar 
com segurança da sua capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida 
das evocações de gente e coisas familiares. “ 
Alternativa C – Incorreta – O texto afirma que, mesmo escrevendo sobre temas 
afins, o autor apenas esgotara o assunto com “Usina”, sem que até então 
houvesse qualquer repetição. 
“Com Usina esgotou o assunto. Sem se repetir, não poderia continuar a estudar 
o mesmo tema. “ 
Alternativa D – Incorreta – O texto afirma que após esgotar o tema, José Lins 
do Rêgo surpreendeu com o romance “Pureza” partindo para a abordagem de 
outros temas, o que o fez transcender o rótulo de escritor regionalista. 
“Pureza foi a resposta do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar 
com segurança da sua capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida 
das evocações de gente e coisas familiares. “ 
Alternativa E – Incorreta – O texto não faz qualquer abordagem nesse sentido, 
focando apenas a questão literária. 
Gabarito: B 
 
36) FCC/Cons Leg/AL PB/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Já estamos habituados ao romance anual de José Lins do Rego; uma escapada 
ao Nordeste em sua companhia faz parte do nosso ritmo de vida. Durante cinco 
anos, em livros ora mais plenamente realizados, como Menino de engenho e 
Banguê, ora mais fracos, como Doidinho, mas sempre vivos e verdadeiros, o 
romancista nos trazia mais um caso da família de José Paulino, mais uma 
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vicissitude do Santa Rosa, mais um aspecto da existência nas lavouras de cana 
do Nordeste, e da indústria do açúcar. Com Usina esgotou o assunto. Sem se 
repetir, não poderia continuar a estudar o mesmo tema. 
Que daria José Lins do Rego sem o açúcar, sem as recordações de infância? 
Essa pergunta era formulada por todos quantos admiramos o seu talento e 
seguimos com interesse a expansão da sua força criadora. Pureza foi a resposta 
do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar com segurança da sua 
capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida das evocações de gente 
e coisas familiares. 
José Lins do Rego mostrou [...]poder prescindir da terra para formar o 
ambiente, dos canaviais que assobiam ao vento, das pastagens sonoras de 
mugidos, dos rios de cheias aterradoras, das matas floridas, de tudo aquilo que 
constitui, sobretudo em Menino de engenho, um fundo de beleza e poesia. E 
sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo, não está escravizado à literatura regionalista, 
não é apenas o cronista do Nordeste. 
(Trecho da nota de Lúcia Miguel Pereira ao romance Pureza, de José Lins do 
Rego. 5 ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 1956, com atualização ortográfica 
em respeito ao Acordo vigente) 
 
E sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo ... 
Depreende-se do emprego da expressão grifada que seu correto entendimento 
está em: 
a) uma maneira de ser e de mostrar aspectos e costumes próprios de uma 
província ou região. 
b) exprimir habitualmente um mau gosto acentuado, consolidado em uma 
província ou região isolada. 
c) tentar corrigir o atraso no modo de vida e nos costumes típicos de 
determinada região ou província. 
d) criar personagens sem expressão, por estarem inseridas em um meio 
provinciano bastante atrasado. 
e) dedicar-se à criação de romances cujo interesse extrapola as características 
de determinada região. 
Comentários: 
Alternativa A – Correta – “Já estamos habituados ao romance anual de José Lins 
do Rego; uma escapada ao Nordeste em sua companhia faz parte do nosso 
ritmo de vida. “ 
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Alternativa B – Incorreta – O texto reconhece o talento do escritor e a qualidade 
de sua obra. 
Alternativa C – Incorreta – A autora demonstra ter prazer ao ler as obras 
regionalistas do escritor. 
“o ambiente, dos canaviais que assobiam ao vento, das pastagens sonoras de 
mugidos, dos rios de cheias aterradoras, das matas floridas, de tudo aquilo que 
constitui, sobretudo em Menino de engenho, um fundo de beleza e poesia.“ 
Alternativa D – Incorreta – Mais uma alternativa que contradiz o texto. “Durante 
cinco anos, em livros ora mais plenamente realizados, como Menino de engenho 
e Banguê, ora mais fracos, como Doidinho, mas sempre vivos e verdadeiros” 
Alternativa E – Incorreta – De fato José Lins do Rêgo criou romances cujo 
interesse extrapola as características de determinada região, no entanto, não é 
esse o sentido da expressão “do seu provincianismo”. 
Gabarito: A 
 
37) FCC/Cons Leg/AL PB/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Já estamos habituados ao romance anual de José Lins do Rego; uma escapada 
ao Nordeste em sua companhia faz parte do nosso ritmo de vida. Durante cinco 
anos, em livros ora mais plenamente realizados, como Menino de engenho e 
Banguê, ora mais fracos, como Doidinho, mas sempre vivos e verdadeiros, o 
romancista nos trazia mais um caso da família de José Paulino, mais uma 
vicissitude do Santa Rosa, mais um aspecto da existência nas lavouras de cana 
do Nordeste, e da indústria do açúcar. Com Usina esgotou o assunto. Sem se 
repetir, não poderia continuar a estudar o mesmo tema. 
Que daria José Lins do Rego sem o açúcar, sem as recordações de infância? 
Essa pergunta era formulada por todos quantos admiramos o seu talento e 
seguimos com interesse a expansão da sua força criadora. Pureza foi a resposta 
do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar com segurança da sua 
capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida das evocações de gente 
e coisas familiares. 
José Lins do Rego mostrou [...] poder prescindir da terra para formar o 
ambiente, dos canaviais que assobiam ao vento, das pastagens sonoras de 
mugidos, dos rios de cheias aterradoras, das matas floridas, de tudo aquilo que 
constitui, sobretudo em Menino de engenho, um fundo de beleza e poesia. E 
sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo, não está escravizado à literatura regionalista, 
não é apenas o cronista do Nordeste. 
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(Trecho da nota de Lúcia Miguel Pereira ao romance Pureza, de José Lins do 
Rego. 5 ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 1956, com atualização ortográfica 
em respeito ao Acordo vigente) 
 
Com Usina esgotou o assunto. Sem se repetir, não poderia continuar a estudar 
o mesmo tema. 
As afirmativas acima conduzem à correta interpretação de que, segundo a 
autora, José Lins do Rego 
a) apresentava uma visão infantil em seus romances regionais − e, portanto, 
sujeita a interpretações equivocadas dos fatos vivenciados em sua história. 
b) estava sendo redundante nos temas abordados em seus romances − a vida 
no Nordeste durante sua infância −, porém continuava ainda a explorá-los. 
c) com Pureza, ainda era visto e reconhecido como um escritor voltado para um 
único tema − a vida no Nordeste dos engenhos de açúcar e sua transformação 
em usinas. 
d) somente deveria mudar os temas trabalhados em seus romances quando 
todos os aspectos regionais − especialmente a natureza da região nordestina – 
tivessem sido abordados. 
e) já havia abordado todas as facetas do seu mundo particular − o engenho e 
a produção do açúcar − e se tornaria monótono e enfadonho caso continuasse 
a explorar esses temas. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – Em seu texto, a autora reconhece o talento do 
escritor e a qualidade de sua obra. 
“provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se alimentem do 
seu provincianismo, não está escravizado à literatura regionalista, não é apenas 
o cronista do Nordeste. “ 
Alternativa B – Incorreta – O texto afirma que, mesmo escrevendo sobre temas 
afins, o autor apenas esgotara o assunto com Usina, sem que até então 
houvesse qualquer repetição. 
“Com Usina esgotou o assunto. Sem se repetir, não poderia continuar a estudar 
o mesmo tema. “ 
A afirmativa também entra em contradição com o segundo parágrafo do texto. 
“Que daria José Lins do Rego sem o açúcar, sem as recordações de infância? 
Essa pergunta era formulada por todos quantos admiramos o seu talento e 
seguimos com interesse a expansão da sua força criadora. Pureza foi a resposta 
do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar com segurança da sua 
capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida das evocações de gente 
e coisas familiares. “ 
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Alternativa C – Incorreta – Pureza foi uma demonstração de que o escritor era 
capaz de ir além de suas memórias de infância retratadas de forma singular emseus primeiros livros. 
Alternativa D – Incorreta – O texto afirma que a partir de Usina não havia mais 
aspectos de sua infância e dos canaviais do Nordeste a serem abordados sem 
que houvesse repetições. 
Alternativa E – Correta 
Gabarito: E 
 
38) FCC/AJ/TRT 1/Judiciária/Execução de Mandados/2013 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
Confiar e desconfiar 
Desconfiar é bom e não custa nada − é o que diz o senso comum, valorizando 
tanto a cautela como a usura. Mas eu acho que desconfiar custa, sim, e às vezes 
custa demais. A desconfiança costuma ficar bem no meio do caminho da 
aventura, da iniciativa, da descoberta, atravancando a passagem e impedindo 
− quem sabe? – uma experiência essencial. 
Por desconfiar deixamos de arriscar, permitindo que a prudência nos imobilize; 
por cautela, calamo-nos, não damos o passo, desviamos o olhar. Depois, 
ficamos ruminando sobre o que teremos perdido, por não ousar. 
O senso comum também diz que é melhor nos arrependermos do que fizemos 
do que lamentarmos o que deixamos de fazer. Como se vê, a sabedoria popular 
também hesita, e se contradiz. Mas nesse capítulo da desconfiança eu arrisco: 
quando confiar é mais perigoso e mais difícil, parece-me valer a pena. Falo da 
confiança marcada pela positividade, pela esperança, pelo crédito, não pela 
mera credulidade. Mesmo quando o confiante se vê malogrado, a confiança terá 
valido o tempo que durou, a qualidade da aposta que perdeu. O desconfiado 
pode até contar vantagem, cantando alto: − Eu não falei? Mas ao dizer isso, 
com os pés chumbados no chão da cautela temerosa, o desconfiado lembra 
apenas a estátua do navegante que foi ao mar e voltou consagrado. As estátuas, 
como se sabe, não viajam nunca, apenas podem celebrar os grandes e ousados 
descobridores. 
“Confiar, desconfiando” é outra pérola do senso comum. Não gosto dessa 
orientação conciliatória, que manda ganhar abraçando ambas as opções. Confie, 
quando for esse o verdadeiro e radical desafio. 
(Ascendino Salles, inédito) 
 
Quanto ao sentimento da desconfiança, o texto manifesta clara divergência do 
senso comum, pois, para o autor, esse sentimento 
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a) leva, como é sabido, à prática da prudência, que é a chave das grandes 
criações humanas. 
b) traz, como poucos sabem, a consequência de esperar que tudo acabe se 
resolvendo por si mesmo. 
c) acaba, como poucos reconhecem, por impedir que se tomem iniciativas 
audazes e criativas. 
d) traduz, como poucos sabem, a vantagem de se calcular muito bem cada 
passo das experiências essenciais. 
e) importa, como é sabido, em eliminar a dose de irracionalidade que deve 
acompanhar a prudência conservadora. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – O texto fala justamente o contrário. 
“Por desconfiar deixamos de arriscar, permitindo que a prudência nos imobilize” 
Alternativa B – Incorreta – O trecho a seguir contradiz a afirmativa. 
“Por desconfiar deixamos de arriscar, permitindo que a prudência nos imobilize; 
por cautela, calamo-nos, não damos o passo, desviamos o olhar. Depois, 
ficamos ruminando sobre o que teremos perdido, por não ousar. “ 
Alternativa C – Correta – “A desconfiança costuma ficar bem no meio do 
caminho da aventura, da iniciativa, da descoberta, atravancando a passagem e 
impedindo − quem sabe? – uma experiência essencial. “ 
Alternativa D – Incorreta – O texto expressa ideia contrária à alternativa. 
“Mas nesse capítulo da desconfiança eu arrisco: quando confiar é mais perigoso 
e mais difícil, parece-me valer a pena. “ 
Alternativa E – Incorreta – Na questão da confiança, o autor desafia a 
racionalidade e a prudência, uma vez que estes apontam predominantemente 
no sentido da desconfiança. 
“Por desconfiar deixamos de arriscar, permitindo que a prudência nos imobilize” 
Gabarito: C 
 
39) FCC/AJ/TRT 1/Judiciária/Execução de Mandados/2013 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
Confiar e desconfiar 
Desconfiar é bom e não custa nada − é o que diz o senso comum, valorizando 
tanto a cautela como a usura. Mas eu acho que desconfiar custa, sim, e às vezes 
custa demais. A desconfiança costuma ficar bem no meio do caminho da 
aventura, da iniciativa, da descoberta, atravancando a passagem e impedindo 
− quem sabe? – uma experiência essencial. 
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Por desconfiar deixamos de arriscar, permitindo que a prudência nos imobilize; 
por cautela, calamo-nos, não damos o passo, desviamos o olhar. Depois, 
ficamos ruminando sobre o que teremos perdido, por não ousar. 
O senso comum também diz que é melhor nos arrependermos do que fizemos 
do que lamentarmos o que deixamos de fazer. Como se vê, a sabedoria popular 
também hesita, e se contradiz. Mas nesse capítulo da desconfiança eu arrisco: 
quando confiar é mais perigoso e mais difícil, parece-me valer a pena. Falo da 
confiança marcada pela positividade, pela esperança, pelo crédito, não pela 
mera credulidade. Mesmo quando o confiante se vê malogrado, a confiança terá 
valido o tempo que durou, a qualidade da aposta que perdeu. O desconfiado 
pode até contar vantagem, cantando alto: − Eu não falei? Mas ao dizer isso, 
com os pés chumbados no chão da cautela temerosa, o desconfiado lembra 
apenas a estátua do navegante que foi ao mar e voltou consagrado. As estátuas, 
como se sabe, não viajam nunca, apenas podem celebrar os grandes e ousados 
descobridores. 
“Confiar, desconfiando” é outra pérola do senso comum. Não gosto dessa 
orientação conciliatória, que manda ganhar abraçando ambas as opções. Confie, 
quando for esse o verdadeiro e radical desafio. 
(Ascendino Salles, inédito) 
 
Atente para as seguintes afirmações: 
I. No primeiro parágrafo, os termos cautela e usura são atributos de que o autor 
se vale para exprimir o que vê como desvantagens da mais cega confiança. 
II. No segundo parágrafo, o segmento ficamos ruminando sobre o que teremos 
perdido refere-se aos remorsos que sentimos depois de uma iniciativa 
intempestiva. 
III. No terceiro parágrafo, a expressão mera credulidade é empregada para 
distinguir a ingenuidade do homem crédulo da consciência ativa do confiante. 
Em relação ao texto, está correto o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) I e III, apenas. 
c) II e III, apenas. 
d) II, apenas. 
e) III, apenas. 
Comentários: 
Item I – Incorreta – Tanto “cautela” como “usura” estão associados no texto à 
desconfiança. 
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“Desconfiar é bom e não custa nada − é o que diz o senso comum, valorizando 
tanto a cautela como a usura.“ 
Item II – Incorreta – Ao contrário, o autor refere-se ao fato de não agirmos 
em virtude de alguma desconfiança. 
“Por desconfiar deixamos de arriscar, permitindo que a prudência nos 
imobilize; por cautela, calamo-nos, não damos o passo, desviamos o olhar. 
Depois, ficamos ruminando sobre o que teremos perdido, por não ousar. “ 
Item III – Correta – Podemos considerar que o termo “consciência ativa” refere-
se ao trecho “confiança marcada pela positividade, pela esperança, pelo 
crédito”. 
“Falo da confiança marcada pela positividade, pela esperança, pelo crédito, não 
pela mera credulidade. “ 
Gabarito: E 
 
40) FCC/AJ/TRF 5/Judiciária/"Sem Especialidade"/2013 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
O arroz da raposa 
Julio Cortázar tem um conto que sai de um palíndromo − “Satarsa”. Um menino 
brinca de desarticular as palavras. No fundo, um escritor é um sujeito que pela 
vida afora continua a mexer com as palavras. Para diante delas, estranha esta, 
questiona aquela. O menino de Cortázar, que devia ser ele mesmo, virava a 
palavra pelo avesso e se encantava. Saber que a leitura pode ser feita de trás 
para diante é uma aventura. 
E às vezes dá certo. No conto “Satarsa”, a palavra é ROMA. Lida ao contrário, 
também faz sentido. Deixa de ser ROMA e vira AMOR. Para o leitor adulto e 
apressado, isso pode ser uma bobagem. Para o menino é uma descoberta 
fascinante. Olhos curiosos, o menino vê a partir daí que o mundo pode ser 
arrumado de várias maneiras. Não só o mundo das palavras. É a partir dessa 
possibilidade de mudar que o mundo se renova. E melhora. 
Ou piora. Não teria graça se só melhorasse. O risco de piorar é fundamental na 
aventura humana. Mas estou me afastando da história do Cortázar. E sobretudo 
do que pretendo dizer. Ou pretendia. No embalo das palavras, vou me deixando 
arrastar de brincadeira, como o menino do conto. Um dia ele encontrou esta 
frase: “Dábale arroz a la zorra el abad”. Em português, significa: “O vigário dava 
arroz à raposa”. Soa estranho isso, não soa? 
Mesmo para um menino aberto ao que der e vier, a frase é bastante surrealista, 
mas o que importa é que a oração em espanhol pode ser lida de trás para diante. 
E fica igualzinha. Pois este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, 
como decidiu o seu destino de escritor. Isto sou eu quem digo. 
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Ele percebeu aí que as palavras podem se relacionar de maneira diferente. E 
mágica. Sem essa consciência, não há poeta, nem poesia. Como a criança, o 
poeta tem um olhar novo. Lê de trás para diante. Cheguei até aqui e não disse 
o que queria. Digo então que tentei uma série de anagramas com o Brasil de 
hoje. Quem sabe virando pelo avesso a gente acha o sentido? 
(Adaptado de Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. S.Paulo: Cia. das 
Letras, 2011. p.2967) 
 
No texto, o autor sugere que 
a) as frases mais estranhas seriam aquelas mais plenas de sentido. 
b) as palavras só adquiririam sentido quando lidas pelo avesso. 
c) o conhecimento do Brasil atual só pode ser aprofundado por meio da poesia. 
d) o conto “Satarsa”, de Julio Cortázar, seria autobiográfico. 
e) a poesia só seria válida quando colocada a serviço da atuação política. 
Comentários: 
Alternativa A – Incorreta – A afirmativa extrapola o significado do texto e 
distorce o seu significado. 
Alternativa B – Incorreta – A afirmativa extrapola o significado do texto e 
distorce o seu significado. 
 “O menino de Cortázar, que devia ser ele mesmo, virava a palavra pelo avesso 
e se encantava. Saber que a leitura pode ser feita de trás para diante é uma 
aventura. “ 
Alternativa C – Incorreta – No trecho abaixo, com a palavra “anagrama”, o autor 
expressa uma ideia de reorganização ou releitura para buscar um sentido, como 
Julio Cortázar fazia com as palavras. 
“Digo então que tentei uma série de anagramas com o Brasil de hoje. Quem 
sabe virando pelo avesso a gente acha o sentido? “ 
Alternativa D – Correta – Podemos inferir esta ideia da seguinte afirmação: “O 
menino de Cortázar, que devia ser ele mesmo, virava a palavra pelo avesso 
e se encantava. Saber que a leitura pode ser feita de trás para diante é uma 
aventura ... Pois este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, como 
decidiu o seu destino de escritor”. 
Alternativa E – Incorreta – Não há qualquer informação no texto que nos leve a 
inferir que na abordagem literária do escritor haja presença de elementos 
políticos. 
Gabarito: D 
 
41) FCC/AJ/TRF 5/Judiciária/"Sem Especialidade"/2013 
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Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
O arroz da raposa 
Julio Cortázar tem um conto que sai de um palíndromo − “Satarsa”. Um menino 
brinca de desarticular as palavras. No fundo, um escritor é um sujeito que pela 
vida afora continua a mexer com as palavras. Para diante delas, estranha esta, 
questiona aquela. O menino de Cortázar, que devia ser ele mesmo, virava a 
palavra pelo avesso e se encantava. Saber que a leitura pode ser feita de trás 
para diante é uma aventura. 
E às vezes dá certo. No conto “Satarsa”, a palavra é ROMA. Lida ao contrário, 
também faz sentido. Deixa de ser ROMA e vira AMOR. Para o leitor adulto e 
apressado, isso pode ser uma bobagem. Para o menino é uma descoberta 
fascinante. Olhos curiosos, o menino vê a partir daí que o mundo pode ser 
arrumado de várias maneiras. Não só o mundo das palavras. É a partir dessa 
possibilidade de mudar que o mundo se renova. E melhora. 
Ou piora. Não teria graça se só melhorasse. O risco de piorar é fundamental na 
aventura humana. Mas estou me afastando da história do Cortázar. E sobretudo 
do que pretendo dizer. Ou pretendia. No embalo das palavras, vou me deixando 
arrastar de brincadeira, como o menino do conto. Um dia ele encontrou esta 
frase: “Dábale arroz a la zorra el abad”. Em português, significa: “O vigário dava 
arroz à raposa”. Soa estranho isso, não soa? 
Mesmo para um menino aberto ao que der e vier, a frase é bastante surrealista, 
mas o que importa é que a oração em espanhol pode ser lida de trás para diante. 
E fica igualzinha. Pois este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, 
como decidiu o seu destino de escritor. Isto sou eu quem digo. 
Ele percebeu aí que as palavras podem se relacionar de maneira diferente. E 
mágica. Sem essa consciência, não há poeta, nem poesia. Como a criança, o 
poeta tem um olhar novo. Lê de trás para diante. Cheguei até aqui e não disse 
o que queria. Digo então que tentei uma série de anagramas com o Brasil de 
hoje. Quem sabe virando pelo avesso a gente acha o sentido? 
(Adaptado de Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. S.Paulo: Cia. das 
Letras, 2011. p.2967) 
Atente para as afirmações abaixo. 
I. A frase Sem essa consciência, não há poeta pode ser corretamente reescrita 
do seguinte modo: Não há essa consciência em quem não seja poeta. 
II. A frase este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, como decidiu o 
seu destino de escritor tem seusentido corretamente reproduzido nesta outra 
construção: este palíndromo, além de ter encantado o menino Cortázar, 
decidiu o seu destino de escritor. 
III. Em Mesmo para um menino aberto ao que der e vier, a frase é bastante 
surrealista, a substituição do verbo é por parecia implica a alteração do 
segmento grifado para um menino aberto ao que desse e viesse. 
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Está correto o que consta em 
a) I, II e III. 
b) II, apenas. 
c) I e III, apenas. 
d) II e III, apenas. 
e) I, apenas. 
Comentários: 
Item I – Incorreta – A reescritura da frase não mantém a ideia de condição 
entre a ausência dessa consciência e a não existência de poetas. 
Item II – Correta – A expressão “não só...como”, indicando adição, foi 
corretamente substituída pela expressão “além de”. 
Item III – Correta – Ao modificar o verbo e o tempo verbal para o pretérito 
imperfeito do indicativo, a alteração dos verbos DER e VIER para o pretérito 
imperfeito do subjuntivo se faz necessária para manter a harmonia da 
correlação verbal e a coerência do texto. 
Gabarito: D 
 
 
Valeu pessoal. 
Nas próximas aulas teremos provas, 
para praticar mais e testar nosso conhecimento. 
Abraço!!! 
 
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1) FCC/AJ/TRE SP/Administrativa/"Sem Especialidade"/2017 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Sandberg, que mudou totalmente o conceito espectador/obra de arte com o seu 
trabalho de duas décadas no Museu Stedelijk, de Amsterdã, iniciou sua palestra 
elogiando a arquitetura do nosso MAM-RJ que, segundo ele, segue a sua teoria 
de que o público deve ver a obra de arte de frente e não de lado, como acontece 
até agora com o museu convencional de quatro paredes. O ideal, disse ele, é 
que as paredes do museu sejam de vidro e que as obras estejam à mostra em 
painéis no centro do recinto. O museu não é uma estrutura sagrada e quem o 
frequenta deve permanecer em contato com a natureza do lado de fora: 
A finalidade do museu de arte contemporânea é nos ajudar a ter consciência da 
nossa própria época, manter um espelho na frente do espectador no qual ele 
possa se reconhecer. Este critério nos leva também a mostrar a arte de todos 
os tempos dentro do ambiente atual. Isso significa que devemos abolir o 
mármore, o veludo, as colunas gregas, que são interpretações do século XIX. 
Apenas a maior flexibilidade e simplicidade. A luz de cima é natural ao ar livre, 
mas artificial ao interior. As telas são pintadas com luz lateral e devem ser 
mostradas com luz lateral. A luz de cima nos permite encerrar o visitante entre 
quatro paredes. Certos museólogos querem as quatro paredes para infligir o 
maior número possível de pinturas aos pobres visitantes. 
É de capital importância que o visitante possa caminhar em direção a um quadro 
e não ao lado dele. Quando os quadros são apresentados nas quatro paredes, 
o visitante tem de caminhar ao seu lado. Isso produz um efeito completamente 
diferente, especialmente se não queremos que ele apenas olhe para o trabalho, 
mas o veja. Isso é ainda mais verdadeiro em relação aos grandes museus de 
arte contemporânea. Eles são grandes porque o artista moderno quer nos 
envolver com o seu trabalho e deseja que entremos em sua obra. Ao organizar 
o nosso museu, devemos ter consciência da mudança de mentalidade da nova 
geração. Abolir todas as marcas do establishment: uniformes, cerimoniais, 
formalismo. Quando eu era jovem, as pessoas entravam nos museus nas pontas 
dos pés, não ousavam falar ou rir alto, apenas cochichavam. 
Realmente não sabemos se os museus, especialmente os de arte 
contemporânea, devem existir eternamente. Foram criados numa época em que 
a sociedade não estava bastante interessada nos trabalhos de artistas vivos. O 
ideal seria que a arte se integrasse outra vez na vida diária, saísse para as ruas, 
entrasse nas casas e se tornasse uma necessidade. Esta deveria ser a principal 
finalidade do museu: tornar-se supérfluo”. 
(Adaptado de: BITTENCOURT, Francisco. “Os Museus na Encruzilhada” [1974], 
em Arte-Dinamite, Rio de Janeiro, Editora Tamanduá, 2016, p. 73-75) 
4 – Lista de Exercícios 
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...que o visitante possa caminhar em direção a um quadro e não ao lado dele. 
(3º parágrafo) 
Isso produz um efeito completamente diferente, especialmente se não 
queremos que ele apenas olhe para o trabalho, mas o veja. (3º parágrafo) 
...no qual ele possa se reconhecer. (2º parágrafo) 
Nos segmentos acima, os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, 
a: 
a) visitante − trabalho − ele 
b) quadro − trabalho − espelho 
c) quadro − efeito − espectador 
d) visitante − efeito − museu 
e) quadro − ele − espectador 
 
2) FCC/Ana RH/ALMS/2016 
Instituições e riscos 
Sem convívio não há vida, sem convívio não há civilização. Mas para conviver 
neste pequeno planeta, para se afastar da barbárie, os homens necessitam de 
princípios e de regras, em suas múltiplas formas de agrupamento. Orientados 
por tantos e tão diferentes interesses, premidos pelas mais diversas 
necessidades, organizamo-nos em associações, escolas, igrejas, sindicatos, 
corporações, clubes, empresas, assembleias, missões etc., confiando em que a 
força de um objetivo comum viabiliza a unificação de todos no corpo de uma 
instituição. É o sentido mesmo de uma coletividade organizada que legitima a 
existência e o funcionamento das instituições. 
Mas é preciso sempre alertar para o fato de que, criadas para permitir o convívio 
civilizado, as instituições também podem abrigar aqueles que se valem de seu 
significado coletivo para mascarar interesses particulares. A corrupção e a 
fraude podem tirar proveito do prestígio de uma instituição, alimentando-se de 
sua força como um parasita oportunista se aproveita do hospedeiro saudável. 
Não faltam exemplos de deturpações e desvios do bom caminho institucional, 
provocados exatamente por aqueles que deveriam promover a garantia do 
melhor roteiro. Por isso, não há como deixar de sermos vigilantes no 
acompanhamento das organizações todas que regem nossa vida: observemos 
sempre se são de fato os princípios do bem coletivo que estão orientando a ação 
institucional. Sem isso, deixaremos que a necessidade original de convívio, em 
vez de propiciar a saúde do empreendimento social, dê lugar ao atendimento 
do egoísmo mais primitivo. 
(Teobaldo de Carvalho, inédito) 
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Os dois últimos períodos do texto são introduzidos pelas expressões “Por isso” 
e “Sem isso”, que nesse contexto se referem, precisamente, 
a) a um mesmo antecedente: a necessidade de ficarmos alertas. 
b) a um mesmo antecedente: a ocorrência do parasitismo oportunista. 
c) a estes dois respectivos antecedentes: um convívio civilizado e a boa saúde 
do empreendimento social. 
d) a estes dois respectivos antecedentes: desvios do roteiro desejável e 
necessidade de vigilância. 
e) a estes dois respectivos antecedentes: os bons princípios coletivos e o 
egoísmo mais primitivo. 
 
3) FCC/Ag/ALMS/Apoio Legislativo/2016 
Serviço público 
Entre os serviços oferecidos pelo Estado (com recursos provenientes da 
arrecadação de impostos) e a população (sobretudo os que dependem 
inteiramente da qualidade desses serviços), está a figura do servidor público. 
Para fazer essa importante mediação, costuma-se garantir ao servidor a 
estabilidade e o salário que lhe permitam exercer sua função com a 
independência e a dignidade de quem não pode e não deve se submeter a troca 
de favores ou de vantagens que não as da legislação que rege seu contrato de 
trabalho. 
Não convém esquecer que entre os servidores públicos, além dos que se 
entregam ao cumprimento da burocracia, estão aqueles que têm importância 
fundamental em áreas vitais como a Educação, a Saúde, a Segurança, o controle 
do meio ambiente e outras que concorrem diretamente para qualificar nosso 
nível de vida. Há quem julgue que todos os empreendimentos sociais deveriam 
regular-se pelo Mercado, e não pelo Estado. Para quem assim pensa, a figura 
do servidor público surge não como um cidadão operoso e eficiente, mas como 
um entrave à excelência dos negócios, que se regulamentariam por si mesmos. 
É nessa ordem de coisas que professores, médicos, agentes de segurança e 
tantos outros profissionais do setor público precisam tomar em suas mãos a 
responsabilidade de quem estabelece, na prática, o vínculo entre o cidadão e o 
Estado, o indivíduo e sua cidadania. O contato entre o servidor e a população 
deve espelhar uma relação de confiança em que, cidadãos ambos, reconhecem-
se como integrantes de uma mesma ordem social mediada pelo direito público 
e não pelo privilégio privado. O equilíbrio entre o que o Estado tem o dever de 
oferecer e o Mercado tem o interesse em vender e comprar é um desafio a ser 
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enfrentado pela sociedade moderna. A figura do servidor público é não apenas 
emblemática: é a encarnação do vínculo profissional e humano entre os direitos 
do povo e os deveres do Estado . 
(Josimar Castelo, inédito) 
 
Atente para as seguintes frases: 
I. O servidor público carece de estabilidade e boa remuneração. 
II. A falta de estabilidade e de boa remuneração fragiliza a condição do servidor. 
III. Um servidor fragilizado deixa de ser eficiente. 
As frases acima estão articuladas com correção e coerência em: 
a) Quando a condição de um servidor é fragilizada pela falta de estabilidade e 
boa remuneração, ele deixa de ser eficiente. 
b) Por falta de estabilidade e de boa remuneração, de cujas se mostra carente, 
o servidor fragilizado fica ineficiente. 
c) Não há eficácia, quando um servidor, sempre carente de estabilidade e 
remuneração, deixa por isso de ser eficiente. 
d) Por ser fragilizado, mesmo porque ele carece de estabilidade e boa 
remuneração, um servidor deixa de ser eficiente. 
e) Um servidor se torna ineficiente, caso a estabilidade e a boa remuneração 
venham a faltar-lhe, assim lhe fragilizando. 
 
4) FCC/Esc/BB/"Sem Área"/2013 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Ao longo do século XVII, a Holanda foi um dos dois motores de um fenômeno 
que transformaria para sempre a natureza das relações internacionais: a 
primeira onda da chamada globalização. O outro motor daquela era de 
florescimento extraordinário das trocas comerciais e culturais era um império 
do outro lado do planeta − a China. Só na década de 1650, 40 000 homens 
partiram dos portos holandeses rumo ao Oriente, em busca dos produtos 
cobiçados que se fabricavam por lá. Mas a derrota em uma guerra contra a 
França encerrou os dias da Holanda como força dominante no comércio mundial. 
Se o século XVI havia sido marcado pelas grandes descobertas, o seguinte 
testemunhou a consequência maior delas: o estabelecimento de um poderoso 
cinturão de comércio que ia da Europa à Ásia. "O sonho de chegar à China é o 
fio imaginário que percorre a história da luta da Europa para fugir do 
isolamento", diz o escritor canadense Timothy Brook, no livro O chapéu de 
Vermeer. 
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Isso determinou mudanças de comportamento e de valores: "Mais gente 
aprendia novas línguas e se ajustava a costumes desconhecidos". O estímulo a 
esse movimento era o desejo irreprimível dos ocidentais de consumir as 
riquezas produzidas no Oriente. A princípio refratários ao comércio com o 
exterior, os governantes chineses acabaram rendendo-se à evidência de que o 
comércio significava a injeção de riqueza na economia local (em especial sob a 
forma de toneladas de prata). 
Sob vários aspectos, a China e a Holanda do século XVII eram a tradução de 
um mesmo espírito de liberdade comercial. Mas deveu-se só à Holanda a 
invenção da pioneira engrenagem econômica transnacional. A Companhia das 
Índias Orientais − a primeira grande companhia de ações do mundo, criada em 
1602 − foi a mãe das multinacionais contemporâneas. Beneficiando-se dos 
baixos impostos e da flexibilidade administrativa, ela tornou-se a grande 
potência empresarial do século XVII. 
(Adaptado de: Marcelo Marthe. Veja, p. 136137, 29 ago. 2012) 
 
Isso determinou mudanças de comportamento e de valores ... (3o parágrafo) 
O pronome grifado evita a repetição, no texto, da expressão: 
a) o estabelecimento de um poderoso cinturão de comércio. 
b) a primeira onda da chamada globalização. 
c) a derrota em uma guerra contra a França. 
d) o desejo irreprimível dos ocidentais. 
e) a injeção de riqueza na economia local. 
 
5) FCC/AJ/TRF 3/Apoio Especializado/Arquivologia/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
A dor, juntamente com a morte, é sem dúvida a experiência humana mais bem 
repartida: nenhum privilegiado reivindica ignorância em relação a ela ou se 
vangloria de conhece-la melhor que qualquer outro. Violência nascida no próprio 
âmago do indivíduo, ela dilacera sua presença e o esgota, dissolve-o no abismo 
que nele se abriu, esmaga-o no sentimento de um imediato sem nenhuma 
perspectiva. Rompe-se a evidência da relação do indivíduo consigoe com o 
mundo. 
A dor quebra a unidade vivida do homem, transparente para si mesmo enquanto 
goza de boa saúde, confiante em seus recursos, esquecido do enraizamento 
físico de sua existência, desde que nenhum obstáculo se interponha entre seus 
projetos e o mundo. De fato, na vida cotidiana o corpo se faz invisível, flexível; 
sua espessura é apagada pelas ritualidades sociais e pela repetição incansável 
de situações próximas umas das outras. Aliás, esse ocultar o corpo da atenção 
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do indivíduo leva René Leriche a definir a saúde como “a vida no silêncio dos 
órgãos”. Georges Canguilhem acrescenta que ela é um estado de “inconsciência 
em que o sujeito é de seu corpo”. 
(Adaptado de: BRETON, David Le. Antropologia da Dor, São Paulo, Editora 
FapUnifesp, 2013, p. 256) 
 
Os pronomes grifados nos segmentos ... enraizamento físico de sua existência, 
... sua espessura é apagada... e ... ela é um estado de inconsciência... (2o 
parágrafo) referem-se, respectivamente, a: 
a) enraizamento físico, corpo e atenção do indivíduo. 
b) homem, corpo e saúde. 
c) dor, vida cotidiana e saúde. 
d) enraizamento físico, corpo e vida no silêncio. 
e) homem, vida cotidiana e saúde. 
 
6) FCC/TJ/TRF 2/Administrativa/"Sem Especialidade"/2012 
Atenção: A questão baseia-se no texto abaixo. 
Quantas janelas você abre no computador enquanto checa seus e-mails e 
atualizações de amigos em redes sociais pelo celular? Você consegue cozinhar, 
conversar ao telefone e pôr o bebê para dormir com igual competência? 
Cuidado. O bombardeio de informações e a quantidade de tarefas a serem 
executadas ao mesmo tempo podem comprometer sua capacidade de 
concentração e, no final das contas, você acabará não fazendo nada direito. Ter 
um perfil multitarefeiro, associado à "geração Y" − jovens nascidos nos anos 80 
− pode também ser sinônimo de falta de atenção e de trabalho mal feito, o que 
afeta a empregabilidade. 
Com a demanda de informação nos dias de hoje, em que um incidente em 
qualquer canto pode repercutir em vários países ao redor do mundo, o tempo 
de concentração diminuiu. Do ponto de vista dos departamentos de recursos 
humanos, esse pouco tempo de concentração pode ser um problema para a 
geração Y nas empresas, principalmente porque as organizações precisam da 
dedicação de tempos longos a reuniões extensas. 
A aposta em trabalhadores multitarefeiros está voltada para a quantidade de 
informações que alguém pode absorver frente às diversas fontes e dados 
eletrônicos disponíveis hoje. No entanto, as pesquisas mostram que aqueles que 
mantêm foco em mais de uma atividade ao mesmo tempo são uma raridade. O 
que se tem hoje são pessoas que, devido ao meio em que estão inseridas, se 
tornaram "multitarefeiras crônicas", mas não conseguem ser boas nos atributos 
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relacionados ao multitarefismo: prestar atenção somente ao conteúdo 
relevante, armazená-lo na memória e alternar o foco nas tarefas. 
Um pesquisador alerta, no entanto, que as pessoas, de modo geral, já sentem 
estresse e vários problemas emocionais relacionados à correria da multitarefa. 
Pouco tempo de descanso, cabeça atolada de problemas e impossibilidade de 
concentração por mais de 20 minutos em uma leitura, por exemplo, são 
características marcantes das mentes altamente atarefadas. "A sociedade, 
normalmente, comete um terrível engano ao encorajar as pessoas a realizarem 
multitarefas", diz. 
(Maíra Lie Chao. Planeta, São Paulo, Editora Três, julho de 2011, p. 4246, com 
adaptações) 
 
... devido ao meio em que estão inseridas ... (3o parágrafo) 
O segmento denota, no contexto, noção de 
a) causa. 
b) condição. 
c) consequência. 
d) finalidade. 
e) temporalidade. 
 
7) FCC/AJ/TRE RO/Judiciária/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Pintor, gravador e vitralista, Marc Chagall estudou artes plásticas na Academia 
de Arte de São Petersburgo. Seguindo para Paris em 1910, ligou-se aos poetas 
Blaise Cendrars, Max Jacob e Apollinaire − e aos pintores Delaunay, Modigliani 
e La Fresnay. 
A partir daí, trabalhou intensamente para integrar o seu mundo de 
reminiscências e fantasias na linguagem moderna derivada do fauvismo e do 
cubismo. 
Na década de 30, o clima de perseguição e de guerra repercute em sua pintura, 
onde surgem elementos dramáticos, sociais e religiosos. Em 1941, parte para 
os EUA, onde sua esposa falece (1944). Chagall mergulha, então, em um 
período de evocações, quando conclui o quadro "Em torno dela", que se tornou 
uma síntese de todos os seus temas. 
(Adaptado de: educação.uol.com.br/biografias/marcchagall. html) 
 
No texto, evita-se a repetição do termo onde (3o parágrafo), substituindo o 
segmento onde surgem por: 
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a) em que apresenta. 
b) cuja apresenta. 
c) que apresentam. 
d) que passa a apresentar. 
e) na qual apresenta-se. 
 
8) FCC/AJ/TRT 19/Judiciária/"Sem Especialidade"/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
O MAQUINISTA empurra a manopla do acelerador. O trem cargueiro começa a 
avançar pelos vastos e desertos prados do Cazaquistão, deixando para trás a 
fronteira com a China. 
O trem segue mais ou menos o mesmo percurso da lendária Rota da Seda, 
antigo caminho que ligava a China à Europa e era usado para o transporte de 
especiarias, pedras preciosas e, evidentemente, seda, até cair em desuso, seis 
séculos atrás. 
Hoje, a rota está sendo retomada para transportar uma carga igualmente 
preciosa: laptops e acessórios de informática fabricados na China e enviados 
por trem expresso para Londres, Paris, Berlim e Roma. 
A Rota da Seda nunca foi uma rota única, mas sim uma teia de caminhos 
trilhados por caravanas de camelos e cavalos a partir de 120 a.C., quando Xi'an 
− cidade do centro-oeste chinês, mais conhecida por seus guerreiros de 
terracota − era a capital da China. 
As caravanas começavam cruzando os desertos do oeste da China, viajavam 
por cordilheiras que acompanham as fronteiras ocidentais chinesas e então 
percorriam as pouco povoadas estepes da Ásia Central até o mar Cáspio e além. 
Esses caminhos floresceram durante os primórdios da Idade Média. Mas, à 
medida que a navegação marítima se expandiu e que o centro político da China 
se deslocou para Pequim, a atividade econômica do país migrou na direção da 
costa. 
Hoje, a geografia econômica está mudando outra vez. Os custos trabalhistas 
nas cidades do leste da China dispararam na última década. Por isso as 
indústriasestão transferindo sua produção para o interior do país. 
O envio de produtos por caminhão das fábricas do interior para os portos de 
Shenzhen ou Xangai − e de lá por navios que contornam a Índia e cruzam o 
canal de Suez − é algo que leva cinco semanas. O trem da Rota da Seda reduz 
esse tempo para três semanas. A rota marítima ainda é mais barata do que o 
trem, mas o custo do tempo agregado por mar é considerável. 
Inicialmente, a experiência foi realizada nos meses de verão, mas agora 
algumas empresas planejam usar o frete ferroviário no próximo inverno boreal. 
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Para isso adotam complexas providências para proteger a carga das 
temperaturas que podem atingir 40 °C negativos. 
(Adaptado de: www1.folhauol.com.br/FSP/newyorktimes/122473) 
 
Há relação de causa e consequência, respectivamente, entre 
a) o aumento dos custos trabalhistas no leste da China e a atual transferência 
da produção industrial para o interior do país. 
b) a redução de tempo no atual transporte por trem na Rota da Seda e a 
aceleração da venda de produtos de informática. 
c) o uso de caminhões para o transporte de carga e a atual mudança da 
geografia econômica da China. 
d) a retomada do transporte de mercadorias pela Rota da Seda e o aumento 
nos custos do transporte marítimo. 
e) a suspensão do uso da Rota da Seda no fim da Idade Média e a diminuição 
na demanda do Ocidente por especiarias e seda. 
 
9) FCC/TJ/TRT 15/Apoio Especializado/Enfermagem/2015 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
O termo saudade, monopólio sentimental da língua portuguesa, geralmente se 
traduz em alemão pela palavra “sehnsucht”. No entanto, as duas palavras têm 
uma história e uma carga sentimental diferentes. A saudade é um sentimento 
geralmente voltado para o passado e para os conteúdos perdidos que o passado 
abrigava. Embora M. Rodrigues Lapa, referindo-se ao sentimento da saudade 
nos povos célticos, empregue esse termo como “ânsia do infinito”, não é esse o 
uso mais generalizado. Emprega-se a palavra, tanto na linguagem corrente 
como na poesia, principalmente com referência a objetos conhecidos e amados, 
mas que foram levados pela voragem do tempo ou afastados pela distância. 
A “sehnsucht” alemã abrange ao contrário tanto o passado como o futuro. 
Quando usada com relação ao passado, é mais ou menos equivalente ao termo 
português, sem que, contudo, lhe seja inerente toda a escala cromática de 
valores elaborados durante uma longa história de ausências e surgidos em 
consequência do temperamento amoroso e sentimental do português. Falta à 
palavra alemã a riqueza etimológica, o eco múltiplo que ainda hoje vibra na 
palavra portuguesa. 
A expressão “sehnsucht”, todavia, tem a sua aplicação principal precisamente 
para significar aquela “ânsia do infinito” que Rodrigues Lapa atribuiu à saudade. 
No uso popular e poético emprega-se o termo com frequência para exprimir a 
aspiração a estados ou objetos desconhecidos e apenas pressentidos ou 
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vislumbrados, os quais, no entanto, se julgam mais perfeitos que os conhecidos 
e os quais se espera alcançar ou obter no futuro. 
Assim, a saudade parece ser, antes de tudo, um sentimento do coração 
envelhecido que relembra os tempos idos, ao passo que a “sehnsucht” seria a 
expressão da adolescência que, cheia de esperanças e ilusões, vive com o olhar 
firmado num futuro incerto, mas supostamente prometedor. Ambas as palavras 
têm certa equivalência no tocante ao seu sentido intermediário, ou seja, à sua 
ambivalência doce-amarga, ao seu oscilar entre a satisfação e a insatisfação. 
Mas, como algumas de suas janelas dão para o futuro, a palavra alemã é 
portadora de um acento menos lânguido e a insatisfação nela contida 
transforma-se com mais facilidade em mola de ação. 
(Adaptado de: ROSENFELD, Anatol. Doze estudos. São Paulo, Imprensa oficial 
do Estado, 1959, p. 2527) 
 
... sem que, contudo, lhe seja inerente toda a escala cromática de valores... 
(2º parágrafo) 
... um sentimento do coração envelhecido que relembra os tempos idos (4º 
parágrafo) 
... a insatisfação nela contida transforma-se com mais facilidade em mola de 
ação. (4o parágrafo) 
Os elementos destacados acima referem-se, no contexto, respectivamente, a: 
a) “sehnsucht” alemã − tempos idos − mola de ação 
b) termo português − saudade − palavra alemã 
c) escala cromática de valores − tempos idos − insatisfação 
d) “sehnsucht” alemã − coração envelhecido − palavra alemã 
e) escala cromática de valores − coração envelhecido − mola de ação 
 
10) FCC/ACI (CGM São Luís)/Pref SL/Abrangência Geral/2015 
Atenção: A questão refere-se ao texto que segue. 
Pretende-se discutir aqui alguns aspectos da obra de Gilberto Freyre focalizando 
seu livro de estreia, Casa-grande & senzala, cuja publicação em 1933 levanta 
questões até hoje importantes para o entendimento do passado brasileiro. 
Cabe observar, antes de prosseguir, que o debate intelectual sobre os destinos 
do país estava, naquele momento(a), profundamente marcado pelo tema da 
mestiçagem. 
Mas a mestiçagem, isto é, o contato sexual entre grupos étnicos distintos, 
costumava ser apresentada como um problema: ora implicava esterilidade − 
biológica e cultural −, inviabilizando assim o desenvolvimento nacional, ora 
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retardava o completo domínio da raça branca, dificultando o acesso do Brasil 
aos valores da civilização ocidental. 
O enorme impacto produzido pelo surgimento da obra, que(b) aprofundava a 
contribuição pioneira de alguns outros autores como Manuel Quirino, Lima 
Barreto e Manoel Bomfim, concorreu para alterar essa avaliação(c), ao enfatizar 
não só o valor específico das influências indígenas e africanas, como também a 
dignidade da híbrida e instável articulação de tradições que(d) teria 
caracterizado a colonização portuguesa. Isso(e) só foi possível, segundo o 
próprio Gilberto, pelo seu vínculo com a antropologia americana e com a 
orientação relativista de Franz Boas − ele obteve um título de mestre em 
Columbia, em 1922 − que lhe teria permitido separar a noção de raça da de 
cultura e conferir a esta última primazia na análise da vida social. 
(ARAÚJO, Ricardo Benzaquen de. "Chuvas de verão. 'Antagonismos em 
equilíbrio' em Casagrande & senzala de Gilberto Freyre. In: Um enigma 
chamado Brasil: 29 intérpretes e um país. André Botelho e Lilia Moritz 
Schwarcz (oganizadores). São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 200) 
 
Associam-se corretamente um segmentodo texto e o trecho que ele retoma, 
precisamente demarcado, em: 
a) naquele momento / do passado brasileiro. 
b) que / impacto. 
c) essa avaliação / o acesso do Brasil aos valores da civilização ocidental. 
d) que / a híbrida e instável articulação de tradições. 
e) Isso / a colonização portuguesa. 
 
11) FCC/AJ/TRE PB/Administrativa/2015 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
O rio Paraíba corria bem próximo ao cercado. Chamavam-no "o rio". E era tudo. 
Em tempos antigos fora muito mais estreito. Os marizeiros e as ingazeiras 
apertavam as duas margens e as águas corriam em leito mais fundo. Agora era 
largo e, quando descia nas grandes enchentes, fazia medo. Contava-se o tempo 
pelas eras das cheias. Isto se deu na cheia de 93, aquilo se fez depois da cheia 
de 68. Para nós meninos, o rio era mesmo a nossa serventia nos tempos de 
verão, quando as águas partiam e se retinham nos poços. Os moleques saíam 
para lavar os cavalos e íamos com eles. Havia o Poço das Pedras, lá para as 
bandas da Paciência. Punham-se os animais dentro d’água e ficávamos nos 
banhos, nos cangapés. Os aruás cobriam os lajedos, botando gosma pelo casco. 
Nas grandes secas o povo comia aruá que tinha gosto de lama. O leito do rio 
cobria-se de junco e faziam-se plantações de batata-doce pelas vazantes. Era o 
bom rio da seca a pagar o que fizera de mau nas cheias devastadoras. E quando 
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ainda não partia a corrente, o povo grande do engenho armava banheiros de 
palha para o banho das moças. As minhas tias desciam para a água fria do 
Paraíba que ainda não cortava sabão. 
O rio para mim seria um ponto de contato com o mundo. Quando estava ele de 
barreira a barreira, no marizeiro maior, amarravam a canoa que Zé Guedes 
manobrava. 
Vinham cargueiros do outro lado pedindo passagem. Tiravam as cangalhas dos 
cavalos e, enquanto os canoeiros remavam a toda a força, os animais, com as 
cabeças agarradas pelo cabresto, seguiam nadando ao lado da embarcação. 
Ouvia então a conversa dos estranhos. Quase sempre eram aguardenteiros 
contrabandistas que atravessavam, vindos dos engenhos de Itambé com 
destino ao sertão. Falavam do outro lado do mundo, de terras que não eram de 
meu avô. Os grandes do engenho não gostavam de me ver metido com aquela 
gente. Às vezes o meu avô aparecia para dar gritos. Escondia-me no fundo da 
canoa até que ele fosse para longe. Uma vez eu e o moleque Ricardo chegamos 
na beira do rio e não havia ninguém. O Paraíba dava somente um nado e corria 
no manso, sem correnteza forte. Ricardo desatou a corda, meteu-se na canoa 
comigo, e quando procurou manobrar era impossível. A canoa foi descendo de 
rio abaixo aos arrancos da água. Não havia força que pudesse contê-la. 
Pus-me a chorar alto, senti-me arrastado para o fim da terra. Mas Zé Guedes, 
vendo a canoa solta, correu pela beira do rio e foi nos pegar quase que no Poço 
das Pedras. Ricardo nem tomara conhecimento do desastre. Estava sentado na 
popa. Zé Guedes porém deu-lhe umas lapadas de cinturão e gritou para mim: 
− Vou dizer ao velho! 
Não disse nada. Apenas a viagem malograda me deixou alarmado. Fiquei com 
medo da canoa e apavorado com o rio. Só mais tarde é que voltaria ele a ser 
para mim mestre de vida. 
(REGO, José Lins do. "O Rio". In: VV.AA. O Melhor da Crônica Brasileira. Rio 
/de Janeiro: José Olympio Editora, 1997, p. 43) 
 
Só mais tarde é que voltaria ele a ser para mim mestre de vida. (último 
parágrafo) 
Não havia força que pudesse contê-la. (3º parágrafo) 
Nas grandes secas o povo comia aruá que tinha gosto de lama. (1º parágrafo) 
Nas frases acima, os pronomes sublinhados referem-se respectivamente a: 
a) rio − canoa − aruá 
b) Zé Guedes − água − aruá 
c) rio − correnteza − povo 
d) Zé Guedes − canoa − povo 
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e) Zé Guedes − correnteza – aruá 
 
12) FCC/TJ/TRT 6/Administrativa/Segurança/2012 
Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte. 
Os livros de história sempre tiveram dificuldade em falar de mulheres que não 
respeitam os padrões de gênero, e em nenhuma área essa limitação é tão 
evidente como na guerra e no que se refere ao manejo de armas. 
No entanto, da Antiguidade aos tempos modernos a história é fértil em relatos 
protagonizados por guerreiras. Com efeito, a sucessão política regularmente 
coloca uma mulher no trono, por mais desagradável que essa verdade soe. 
Sendo as guerras insensíveis ao gênero e ocorrendo até mesmo quando uma 
mulher dirige o país, os livros de história são obrigados a registrar certo número 
de guerreiras levadas, consequentemente, a se comportar como qualquer 
Churchill, Stálin ou Roosevelt. 
Semíramis de Nínive, fundadora do Império Assírio, e Boadiceia, que liderou 
uma das mais sangrentas revoltas contra os romanos, são dois exemplos. Esta 
última, aliás, tem uma estátua à margem do Tâmisa, em frente ao Big Ben, em 
Londres. Não deixemos de cumprimenta-la caso estejamos passando por ali. 
Em compensação, os livros de história são, em geral, bastante discretos sobre 
as guerreiras que atuam como simples soldados, integrando os regimentos e 
participando das batalhas contra exércitos inimigos em condições idênticas às 
dos homens. Essas mulheres, contudo, sempre existiram. Praticamente 
nenhuma guerra foi travada sem alguma participação feminina. 
(Adaptado de Stieg Larsson. A rainha do castelo de ar. São Paulo: Cia. das 
Letras, 2009. p. 78) 
 
Com efeito, a sucessão política regularmente coloca uma mulher no trono, por 
mais desagradável que essa verdade soe. 
Uma redação alternativa para a frase acima, em que se mantêm a correção, a 
lógica e, em linhas gerais, o sentido original, é: 
a) Embora a sucessão política regularmente coloca uma mulher no trono, por 
mais desagradável que soe essa verdade, isso é fato. 
b) Realmente, porquanto soe desagradável essa verdade, a sucessão política 
coloca, regularmente uma mulher no trono. 
c) De fato, embora essa verdade soe desagradável, a sucessão política costuma 
colocar uma mulher no trono. 
d) Para todos os efeitos, soa desagradável a verdade de que a sucessão política 
frequentemente se coloca uma mulher no trono. 
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e) Conquanto a sucessão política, regularmente, coloque uma mulher no trono 
soam a alguns desagradável essa verdade. 
 
13) FCC/TJ/TRE RO/Administrativa/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
"Temos de agir agora para evitar o pior", comentou o agrônomo Eduardo Assad, 
pesquisador da Embrapa, ao apresentaras conclusões de um dos capítulos do 
primeiro relatório do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas − PBMC. Os 
pesquisadores esperam que as informações sirvam para nortear a elaboração e 
a implantação de políticas públicas e o planejamento das empresas. 
Os desafios apontados no relatório são muitos. Ele indica que as consequências 
da elevação da temperatura média global serão dramáticas no Brasil. De acordo 
com os modelos computacionais de simulação do clima, a agricultura será o 
setor mais afetado, por causa das alterações nos regimes de chuva. "Mesmo 
que a quantidade de chuva fique inalterada, a disponibilidade de umidade do 
solo deve diminuir, em consequência da elevação da temperatura média anual, 
que intensifica a evapotranspiração", diz outro especialista. Segundo ele, esse 
fenômeno deve prejudicar os cultivos agrícolas em regiões onde a escassez de 
água é constante, como o semiárido nordestino. 
Uma provável consequência da redução da produtividade agrícola e da área de 
terras aptas à agricultura é a queda na renda das populações, intensificando a 
pobreza e a migração da área rural para as cidades que, por sua vez, deve 
agravar os problemas de infraestrutura (habitação, escola, saúde, transporte e 
saneamento). 
Os efeitos na agricultura já podem ser dimensionados. "De 1990 a 2010, a 
intensidade da precipitação dobrou na região do cerrado", diz Assad, "e o padrão 
tecnológico atual da agricultura ainda não se adaptou a esses novos padrões". 
Agora, segundo ele, torna-se imperioso investir intensivamente em sistemas 
agrícolas consorciados, e não somente na produção agrícola solteira, de modo 
a aumentar a fixação biológica de nitrogênio, reduzir o uso de fertilizantes e 
aumentar a rotação de culturas. "Temos de aumentar a produtividade agrícola 
no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, para evitar a destruição da Amazônia. A 
reorganização do espaço rural brasileiro agora é urgente." 
Cheias e secas mais frequentes e intensas devem causar uma redução na 
produção agrícola também por outra razão. Pesquisadores da Embrapa 
concluíram que algumas doenças − principalmente as causadas por fungos − e 
pragas podem se agravar em muitas culturas analisadas, em decorrência da 
elevação dos níveis de CO2 do ar, da temperatura e da radiação ultravioleta, 
acenando com a possibilidade de aumento de preços e redução da variedade de 
cereais, hortaliças e frutas. 
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Cheias e secas devem também alterar a vazão dos rios e prejudicar o 
abastecimento dos reservatórios das hidrelétricas, acelerar a acidificação da 
água do mar e reduzir a biodiversidade dos ambientes aquáticos brasileiros. A 
perda de biodiversidade dos ambientes naturais deve se agravar; alguns já 
perderam uma área expressiva – o cerrado, 47%, e a caatinga, 44% − a ponto 
de os especialistas questionarem se a recuperação do equilíbrio biológico 
característico desses ambientes seria mesmo possível. 
(Adaptado de: FIORAVANTI, Carlos. Revista FAPESP, agosto de 2013, p. 23 e 
24) 
"Mesmo que a quantidade de chuva fique inalterada, a disponibilidade de 
umidade do solo deve diminuir, em consequência da elevação da temperatura 
média anual, que intensifica a evapotranspiração", diz outro especialista. (2º 
parágrafo) 
Redigida de modo diverso, mantém-se o sentido original da fala do especialista, 
com clareza e articulação lógica correta, em: 
a) Tendo-se elevado a temperatura média anual, com a perda de água do solo, 
a quantidade de chuva permanece ainda sem alteração e ainda mais, a umidade 
do solo não se mantém disponível. 
b) Contanto que se mantenha a precipitação de chuvas nas áreas destinadas à 
agricultura, com intensificação da perda de água do solo, haverá uma 
diminuição, como resultado do aumento da temperatura média anual. 
c) Enquanto que, com a manutenção da quantidade de chuva, o aumento da 
perda de água é consequência da elevação da temperatura média anual, com 
intensidade maior no solo. 
d) Ainda que se mantenha a precipitação pluvial, haverá diminuição de áreas 
aptas à agricultura, resultante da intensificação da perda de água do solo, 
devido ao aumento da temperatura média anual. 
e) Sem redução da quantidade de chuva, no entanto, o solo permanece menos 
úmido, mesmo com o aumento da temperatura média anual, ampliando a perda 
de água por transpiração. 
 
14) FCC/Cons Leg (Cam Mun SP)/Biblioteconomia/2014 
Atenção: A questão referem-se ao texto seguinte. 
[Representações da infância] 
Para vários escritores, as origens de suas narrativas estão na infância e na 
juventude, cujo mundo é uma promessa de um futuro livro. A memória incerta 
e nebulosa do passado acende o fogo de uma ficção no tempo presente. 
Cada escritor elege seu paraíso. E a infância, um paraíso perdido para sempre, 
pode ser reinventada pela literatura. Mas há também vestígios de inferno no 
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passado, e isso também interessa ao escritor. Traumas, decepções, desilusões 
e conflitos alimentam trançados de eventos, tramas sutis ou escabrosas, 
veladas ou escancaradas. 
Cenas e conversas que presenciamos − ou que foram narradas por amigos e 
parentes − permanecem na nossa memória com a força de algo verdadeiro, que 
nos toca e inquieta. A infância, com seus sonhos e pesadelos, é prato cheio para 
a psicanálise, mas também para a literatura. 
(HATOUM, Milton. Um solitário à espreita. São Paulo: Companhia das Letras, 
2013. p. 180) 
 
A frase A infância, com seus sonhos e pesadelos, é prato cheio para a 
psicanálise, mas também para a literatura está reescrita de modo a conservar 
o sentido, a correção e a clareza em: 
a) Por meio de seus sonhos e pesadelos, a infância não é apenas prato cheio 
para a literatura, e ainda o é para a psicanálise. 
b) Tanto a literatura como a psicanálise absorvem o prato cheio da infância, 
assim como seus sonhos e pesadelos. 
c) Por constituir um prato cheio tanto para a psicanálise como a literatura, a 
infância se apresenta com sonhos e pesadelos. 
d) Constituída por sonhos e pesadelos, não só a psicanálise, pois também a 
literatura, veem na infância o prato cheio. 
e) Tanto a psicanálise como a literatura encontram na infância, com os sonhos 
e pesadelos que ela encerra, um prato cheio. 
 
15) FCC/AJ/TRF 2/Apoio Especializado/Taquigrafia/2012 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
As Cartas de amor de Fernando Pessoa a Ofélia Queiroz foram dadas a público 
23 anos após a morte do poeta1; as cartas de Ofélia a Pessoa foram publicadas 
recentemente2. Possuímos, assim, a íntegra da correspondência entre os dois. 
O namoro teve duas fases. A primeira durou de março a novembro de 1920; a 
segunda, de setembro de 1929 a janeiro de 1930. Da primeira fase, ficaram 
trinta e tantas cartas; da segunda, pouco mais de uma dezena. 
Ofélia foi, ao que se sabe, o único amor de Pessoa; Pessoa, o único amor de 
Ofélia. O namoro foi intenso e tenso, breve no tempo factual, longo na duração 
existencial; mas, como se dizvulgarmente, "não deu certo". Alguns dados 
biográficos são necessários para se entender essas cartas; e naturalmente 
insuficientes para se entender esse amor. Entender um amor é sempre uma 
pretensão vã; considerando-se a complexidade do indivíduo-poeta em questão, 
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querer compreender melhor sua obra à luz dessa correspondência seria uma 
pretensão desmedida. 
1 Cartas de amor de Fernando Pessoa. Lisboa/Rio de Janeiro; Ática/Camões, 
1978. 
2 Lisboa, Assírio Alvim, 1996. 
(Leyla Perrone-Moisés. "Sinceridade e ficção nas cartas de amor de Fernando 
Pessoa". In: Prezado senhor, prezada senhora: estudos sobre cartas. Org. 
Walnice Galvão, Nádia Battella Gotlib. São Paulo: Companhia das Letras, 
2000, p. 175) 
 
Ofélia foi [...] o único amor de Pessoa; Pessoa, o único amor de Ofélia. 
Outra formulação para a frase acima que, preservando a clareza e a correção, 
gera sentido equivalente é: 
a) Ofélia e Pessoa foram ambos o único amor. 
b) Os dois − Ofélia e Pessoa − tiveram um único amor recíproco. 
c) Os únicos amores de Ofélia e Pessoa foram eles próprios. 
d) Ofélia e Pessoa amaram unicamente um ao outro. 
e) Ofélia e Pessoa amaram-se unicamente a si próprios. 
 
16) FCC/AJ/TRE SP/Apoio Especializado/Análise de 
Sistemas/2012 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
Você está conectado? 
Alguns anos atrás, a palavra "conectividade" dormia em paz, em desuso, nos 
dicionários, lembrando vagamente algo como ligação, conexão. Agora, na era 
da informática e de todas as mídias, a palavra pulou para dentro da cena e 
ninguém mais admite viver sem estar conectado. Desconfio que seja este o 
paradigma dominante dos últimos e dos próximos anos, em nossa aldeia global: 
o primado das conexões. 
No ônibus de viagem, de que me valho regularmente, sou quase uma ilha em 
meio às mais variadas conexões: do vizinho da direita vaza a chiadeira de um 
fone de ouvido bastante ineficaz; do rapazinho à esquerda chega a viva 
conversa que mantém há quinze minutos com a mãe, pelo celular; logo à frente 
um senhor desliza os dedos no laptop no colo, e se eu erguer um pouquinho os 
olhos dou com o vídeo − um filme de ação − que passa nos quatro monitores 
estrategicamente posicionados no ônibus. Celulares tocam e são atendidos 
regularmente, as falas se cruzam, e eu nunca mais consegui me distrair com o 
lento e mudo crepúsculo, na janela do ônibus. 
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Não senhor, não são inocentes e efêmeros hábitos modernos: a conectividade 
irrestrita veio para ficar e conduzir a humanidade a não sabemos qual destino. 
As crianças e os jovens nem conseguem imaginar um mundo que não seja 
movido pela fusão das mídias e surgimento de novos suportes digitais. Tanta 
movimentação faz crer que, enfim, os homens estreitaram de vez os laços da 
comunicação. 
Que nada. Olhe bem para o conectado ao seu lado. Fixe-se nele sem receio, ele 
nem reparará que está sendo observado. Está absorto em sua conexão, no 
paraíso artificial onde o som e a imagem valem por si mesmos, linguagens 
prontas em que mergulha para uma travessia solitária. A conectividade é, de 
longe, o maior disfarce que a solidão humana encontrou. É disfarce tão eficaz 
que os próprios disfarçados não se reconhecem como tais. Emitimos e cruzamos 
frenéticos sinais de vida por todo o planeta: seria esse, Dr. Freud, o sintoma 
maior de nossas carências permanentes? 
(Coriolano Vidal, inédito) 
 
A conectividade é, de longe, o maior disfarce que a solidão humana encontrou. 
A frase acima pode ser reescrita, sem prejuízo para a clareza, a correção e o 
sentido, da seguinte forma: 
a) À distância, a maior camuflagem da nossa solidão são os meios com que nos 
conectamos. 
b) Nenhum disfarce de nossa solidão chegou a ser mais eficaz do que o da 
conectividade atual. 
c) Nossa dissimulada solidão é preferível, como sempre foi, do que já foi nossa 
ansiedade de comunicação. 
d) Pela conectividade, mal conseguimos disfarçar a necessidade maior de 
imergirmos em nossa solidão. 
e) O disfarce de uma geral e efetiva conectividade oculta o fato de que jamais 
superamos nossa solidão. 
 
17) FCC/AJ/TRF 2/Judiciária/Execução de Mandados/2012 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
A natureza humana do monstro 
Um antigo provérbio latino adverte: “Cuidado com o homem de um só livro”. 
Hollywood, no entanto, conhece apenas um tema quando realiza filmes de 
monstros, desde o arquetípico Frankenstein, de 1931, ao recente megassucesso 
Parque dos dinossauros. A tecnologia humana não deve ir além de uma ordem 
decretada deliberadamente por Deus ou estabelecida pelas leis da natureza. 
Não importa quão benignos sejam os propósitos do transgressor, tamanha 
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arrogância cósmica não pode senão levar a tomates assassinos, enormes 
coelhos com dentes afiados, formigas gigantes nos esgotos de Los Angeles ou 
mesmo fenomenais bolhas assassinas que vão engolindo cidades inteiras ao 
crescerem. Esses filmes, no entanto, originaram-se de livros muito mais sutis 
e, nessa transmutação, distorceram suas fontes de modo a impedir até o mais 
vago reconhecimento temático. 
A tendência começou em 1931, com Frankenstein, o primeiro grande filme 
“falado” de monstro a sair de Hollywood, que determinou a sua temática através 
da estratégia mais “despojada” que se poderia conceber. O filme começa com 
um prólogo (antes mesmo da apresentação dos títulos), durante o qual um 
homem bem vestido, em pé sobre o palco e com uma cortina atrás de si, adverte 
os espectadores dos sustos que talvez levem. Em seguida, anuncia a temática 
mais profunda do filme: a história de “um homem de ciência que buscou criar 
um homem à sua própria semelhança, sem considerar os desígnios de Deus”. 
O Frankenstein original de Shelley é um livro rico, com inúmeros temas, mas 
encontro nele pouco que confirme a leitura hollywoodiana. O texto não é nem 
uma diatribe acerca dos perigos da tecnologia, nem uma advertência sobre uma 
ambição desmesurada contra a ordem natural. Não encontramos nenhuma 
passagem que trate da desobediência a Deus − um assunto inverossímil para 
Mary Shelley e seus amigos livres-pensadores. 
Victor Frankenstein é culpado de uma grande deficiência moral, mas o seu crime 
não consiste em transgredir uma ordem natural ou divina por meio da 
tecnologia. 
O seu monstro era um bom homem, num corpo assustadoramente medonho. 
Victor fracassou porque cedeu a uma predisposição da natureza humana − o 
asco visceral pela aparência do monstro − enão cumpriu o dever de qualquer 
criador ou pai ou mãe: instruir a sua progênie e educar os outros para aceitála. 
(Adaptado de Stephen Jay Gould. Dinossauro no palheiro. S. Paulo, Cia. das 
Letras, 1997, p.7989) 
 
... tamanha arrogância cósmica não pode senão levar a tomates assassinos, 
enormes coelhos com dentes afiados... 
A frase acima pode ser reescrita, mantendo-se a correção e a lógica, com a 
substituição do segmento grifado por: 
a) pode levar tão somente a. 
b) não pode levar a nada se não a. 
c) não pode levar à exceção de. 
d) pode levar a tudo menos a. 
e) pode não levar apenas a salvo de. 
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18) FCC/AM/MPE PB/Analista de 
Sistemas/Desenvolvedor/2015 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
O que me moveu, inicialmente, a fazer este texto foi uma sensação produzida 
por uma viagem ao Havaí. Sensação de que se é parte de um cenário. Na praia 
de Waikiki, os hotéis têm lobbies que se comunicam, pontuados por belíssimos 
(mas falsos) jardins tropicais, sem uma folha no chão, lagos com peixes 
coloridos, tochas, belos gramados e, evidentemente, muitas lojas. Um filme de 
Elvis Presley. 
Honolulu é um dos milhares de exemplos a que podemos recorrer. A indústria 
do turismo cria um mundo fictício de lazer, onde o espaço se transforma em 
cenário e, desse modo, o real é transfigurado para seduzir e fascinar. 
O espaço produzido pela indústria do turismo é o presente sem espessura, sem 
história, sem identidade. O lugar é, em sua essência, produção humana, visto 
que se transforma na relação entre espaço e sociedade. O sujeito pertence ao 
lugar como este a ele. A indústria turística produz simulacros de lugares. 
Mas também se produzem modos de apropriação dos lugares. A indústria do 
turismo produz um modo de estar em Nova York, Paris, Roma, Buenos Aires... 
É evidente que não se pode dizer que essas cidades sejam simulacros, pois é 
claro que não o são; entretanto, o pacote turístico ignora a identidade do lugar, 
sua história e modo de vida, banalizando-os. 
Os pacotes turísticos tratam o turista como mero consumidor, delimitando o que 
deve ou não ser visto, além do tempo destinado a cada atração, num incessante 
"veja tudo depressa". 
Essa rapidez impede que os olhos desfrutem da paisagem. Passa-se em 
segundos por séculos de civilização, faz-se tábula rasa da história de gerações 
que se inscrevem no tempo e no espaço. Num autêntico tour de force 
consentido, pouco espaço é destinado à criatividade. Por sua vez, o turista vê 
sufocar um desejo que nem se esboçou, o de experimentar. 
No fim do caminho, o cansaço; o olhar e os passos medidos em tempo produtivo, 
que aqui se impõe sem que disso as pessoas se deem conta. Não cabem passos 
lentos, olhares perdidos. O lazer produz a mesma rotina massacrante, 
controlada e vigiada que o trabalho. 
Como indústria, o turismo não parece criar a perspectiva do lazer como 
possibilidade de superação das alienações do cotidiano. Só a viagem como 
descoberta, busca do novo, abre a perspectiva de recomposição do passo do 
flâneur, daquele que se perde e que, por isso, observa. Walter Benjamin lembra 
que "saber orientar-se em uma cidade não significa muito. No entanto, perder-
se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer instrução". 
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(Adaptado de Ana Fani Alessandri Carlos. Disponível em: 
http://www.cefetsp.br/edu/eso/lourdes/turismoproducaonaolugar.html) 
... pois é claro que não o são... (4º parágrafo) 
... banalizando-os. (4º parágrafo) 
... que se inscrevem no tempo e no espaço. (6º parágrafo) 
Os elementos sublinhados acima referem-se, respectivamente, a: 
a) simulacros − a identidade do lugar, sua história e modo de vida − gerações 
b) pacote turístico − modo de vida − tábula rasa 
c) cidades − os pacotes turísticos − gerações 
d) simulacros − os pacotes turísticos − história 
e) pacote turístico − a identidade do lugar, sua história e modo de vida − tábula 
rasa 
 
19) FCC/AJ/TRE SP/Administrativa/"Sem Especialidade"/2017 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Sandberg, que mudou totalmente o conceito espectador/obra de arte com o seu 
trabalho de duas décadas no Museu Stedelijk, de Amsterdã, iniciou sua palestra 
elogiando a arquitetura do nosso MAM-RJ que, segundo ele, segue a sua teoria 
de que o público deve ver a obra de arte de frente e não de lado, como acontece 
até agora com o museu convencional de quatro paredes. O ideal, disse ele, é 
que as paredes do museu sejam de vidro e que as obras estejam à mostra em 
painéis no centro do recinto. O museu não é uma estrutura sagrada e quem o 
frequenta deve permanecer em contato com a natureza do lado de fora: 
“A finalidade do museu de arte contemporânea é nos ajudar a ter consciência 
da nossa própria época, manter um espelho na frente do espectador no qual ele 
possa se reconhecer. Este critério nos leva também a mostrar a arte de todos 
os tempos dentro do ambiente atual. Isso significa que devemos abolir o 
mármore, o veludo, as colunas gregas, que são interpretações do século XIX. 
Apenas a maior flexibilidade e simplicidade. A luz de cima é natural ao ar livre, 
mas artificial ao interior. As telas são pintadas com luz lateral e devem ser 
mostradas com luz lateral. A luz de cima nos permite encerrar o visitante entre 
quatro paredes. Certos museólogos querem as quatro paredes para infligir o 
maior número possível de pinturas aos pobres visitantes. 
É de capital importância que o visitante possa caminhar em direção a um quadro 
e não ao lado dele. Quando os quadros são apresentados nas quatro paredes, 
o visitante tem de caminhar ao seu lado. Isso produz um efeito completamente 
diferente, especialmente se não queremos que ele apenas olhe para o trabalho, 
mas o veja. Isso é ainda mais verdadeiro em relação aos grandes museus de 
arte contemporânea. Eles são grandes porque o artista moderno quer nos 
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envolver com o seu trabalho e deseja que entremos em sua obra. Ao organizar 
o nosso museu, devemos ter consciência da mudança de mentalidade da nova 
geração. Abolir todas as marcas do establishment: uniformes, cerimoniais, 
formalismo. Quando eu era jovem, as pessoas entravam nos museus nas pontas 
dos pés, não ousavam falar ou rir alto, apenas cochichavam. 
Realmente não sabemos se os museus, especialmente os de arte 
contemporânea, devem existir eternamente. Foram criados numa época em que 
a sociedade não estava bastante interessada nos trabalhosde artistas vivos. O 
ideal seria que a arte se integrasse outra vez na vida diária, saísse para as ruas, 
entrasse nas casas e se tornasse uma necessidade. Esta deveria ser a principal 
finalidade do museu: tornar-se supérfluo”. 
(Adaptado de: BITTENCOURT, Francisco. “Os Museus na Encruzilhada” [1974], 
em Arte-Dinamite, Rio de Janeiro, Editora Tamanduá, 2016, p. 73-75) 
Considerando-se o contexto, mantêm-se as relações de sentido e a correção 
gramatical substituindo-se 
a) supérfluo por “imprescindível” (4º parágrafo) 
b) abolir por “libertar” (2º parágrafo) 
c) encerrar por “terminar” (2º parágrafo) 
d) infligir por “impor” (2º parágrafo) 
e) formalismo por “descompostura” (3º parágrafo) 
 
20) FCC/Ag OE/Pref Campinas/2016 
Pechada 
O apelido foi instantâneo. No primeiro dia de aula, o aluno novo já estava sendo 
chamado de “Gaúcho”. Porque era gaúcho. Recém-chegado do Rio Grande do 
Sul, com um sotaque carregado. 
− Aí, Gaúcho! 
− Fala, Gaúcho! 
Perguntaram para a professora por que o Gaúcho falava diferente. A professora 
explicou que cada região tinha seu idioma, mas que as diferenças não eram tão 
grandes assim. Afinal, todos falavam português. 
− Mas o Gaúcho fala “tu”! − disse o Jorge, que era quem mais implicava com o 
novato. 
− E fala certo − disse a professora. − Pode-se dizer “tu” e pode-se dizer “você”. 
Os dois estão certos. 
O Jorge fez cara de quem não se entregara. 
Um dia o Gaúcho chegou tarde na aula e explicou para a professora o que 
acontecera. 
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− O pai atravessou a sinaleira e pechou. 
− O quê? 
− O pai. Atravessou a sinaleira e pechou. 
A professora sorriu. Depois achou que não era caso para sorrir. Afinal, o pai do 
menino atravessara uma sinaleira e pechara. 
Podia estar, naquele momento, em algum hospital. Gravemente pechado. Com 
pedaços de sinaleira sendo retirados do seu corpo. 
− O que foi que ele disse, tia? − quis saber o Jorge. 
− Que o pai dele atravessou uma sinaleira e pechou. 
− E o que é isso? 
− Gaúcho... Quer dizer, Rodrigo: explique para a classe o que aconteceu. 
− Nós vinha... 
− Nós vínhamos. 
− Nós vínhamos de auto, o pai não viu a sinaleira fechada, passou no vermelho 
e deu uma pechada noutro auto. 
A professora varreu a classe com seu sorriso. Estava claro o que acontecera? 
Ao mesmo tempo, procurava uma tradução para o relato do gaúcho. Não podia 
admitir que não o entendera. Não com o Jorge rindo daquele jeito. 
“Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. “Auto” era automóvel, carro. Mas 
“pechar” o que era? Bater, claro. Mas de onde viera aquela estranha palavra? 
Só muitos dias depois a professora descobriu que “pechar” vinha do espanhol e 
queria dizer bater com o peito, e até lá teve que se esforçar para convencer o 
Jorge de que era mesmo brasileiro o que falava o novato. Que já ganhara outro 
apelido: Pechada. 
− Aí, Pechada! 
− Fala, Pechada! 
(VERÍSSIMO, Luis Fernando. “Pechada”. Revista Nova Escola. São Paulo, 
maio/2001. Disponível em:t thp://revistaescola.abril.com.br/fundamental-
1/pechada-634220.shtml) 
 
Um termo empregado com sentido figurado está sublinhado em: 
a) A professora sorriu. 
b) Os dois estão certos. 
c) A professora varreu a classe com seu sorriso. 
d) “Sinaleira”, obviamente, era sinal, semáforo. 
e) Recém-chegado do Rio Grande do Sul, com um sotaque carregado. 
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21) FCC/Ag FRT/ARTESP/Técnico em Contabilidade - 
Administração/2017 
Atenção: Para responder à questão considere o texto abaixo. 
Aplicativos para celular e outros avanços tecnológicos têm transformado as 
formas de ir e vir da população e podem ser grandes aliados na melhoria da 
mobilidade urbana. 
Segundo a União Internacional dos Transportes Públicos (UITP), simulações 
feitas nas capitais de países da União Europeia mostram que a combinação de 
transporte público de alta capacidade e o compartilhamento de carros e caronas 
poderia remover até 65 de cada 100 carros nos horários de pico. 
(Adaptado de: Aplicativos e tecnologia mudam a mobilidade urbana. 
Disponível em: http://odia.ig.com.br) 
 
A forma verbal poderia, no segundo parágrafo, atribui à expressão remover 
até 65 de cada 100 carros nos horários de pico sentido 
a) falacioso. 
b) factual. 
c) imperativo. 
d) conclusivo. 
e) conjectural. 
 
22) FCC/AJ/TRT 24/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador 
Federal/2017 
A representação da “realidade” na imprensa 
Parece ser um fato assentado, para muitos, que um jornal ou um telejornal 
expresse a “realidade”. Folhear os cadernos de papel de ponta a ponta ou seguir 
pacientemente todas as imagens do grande noticiário televisivo seriam 
operações que atualizariam a cada dia nossa “compreensão do mundo”. Mas 
esse pensamento, tão disseminado quanto ingênuo, não leva em conta a 
questão da perspectiva pela qual se interpretam todas e quaisquer situações 
focalizadas. Submetermo-nos à visada do jornalista que compôs a notícia, ou 
mesmo à do câmera que flagra uma situação (e que, aliás, tem suas tomadas 
sob o controle de um editor de imagens), é desfazermo-nos da nossa própria 
capacidade de análise, é renunciarmos à perspectiva de sujeitos da nossa 
interpretação. 
Tanto quanto os propalados e indiscutíveis “fatos”, as notícias em si mesmas, 
com a forma acabada pela qual se veiculam, são parte do mundo: convém 
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averiguar a quem interessa o contorno de uma análise política, o perfil criado 
de uma personalidade, o sentido de um levante popular ou o alcance de uma 
medida econômica. O leitor e o espectador atentos ao que leem ou veem não 
têm o direito de colocar de lado seu senso crítico e tomar a notícia como espelho 
fiel da “realidade”. Antes de julgarmos “real” o “fato” que já está interpretado 
diante de nossos olhos, convém reconhecermos o ângulo pelo qual o fato se 
apresenta como indiscutível e como se compõe, por palavras ou imagens, a 
perspectiva pela qual uma bem particular “realidade” quer se impor para nós, 
dispensando-nos de discutir o ponto de vista pelo qual se construiu uma 
informação. 
(Tibério Gaspar, inédito) 
Diante das informações que habitualmente nos oferecem os jornais e os 
noticiários, devemos, segundo o autor do texto, 
a) considerar como fatos efetivos apenas aqueles que ganham igual dimensão 
em todos os veículos. 
b) imaginar que os interesses existentes na divulgação dos fatos acabam por 
destituí-los de importância. 
c) interpretar as notícias de modo a excluir delas o que nos pareça mais 
problemático ou inverossímil.d) ponderar que tais informações são construídas a partir de um ponto de vista 
necessariamente particular. 
e) avaliar os fatos noticiados segundo o ângulo que melhor se afine com os 
nossos valores pessoais. 
 
23) FCC/AJ/TRE SP/Judiciária/2017 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Amizade 
A amizade é um exercício de limites afetivos em permanente desejo de 
expansão. Por mais completa que pareça ser uma relação de amizade, ela vive 
também do que lhe falta e da esperança de que um dia nada venha a faltar. 
Com o tempo, aprendemos a esperar menos e a nos satisfazer com a finitude 
dos sentimentos nossos e alheios, embora no fundo de nós ainda esperemos a 
súbita novidade que o amigo saberá revelar. Sendo um exercício bem-sucedido 
de tolerância e paciência – amplamente recompensadas, diga-se – a amizade é 
também a ansiedade e a expectativa de descobrirmos em nós, por intermédio 
do amigo, uma dimensão desconhecida do nosso ser. 
Há quem julgue que cabe ao amigo reconhecer e estimular nossas melhores 
qualidades. Mas por que não esperar que o valor maior da amizade está em ser 
ela um necessário e fiel espelho de nossos defeitos? Não é preciso contar com 
o amigo para conhecermos melhor nossas mais agudas imperfeições? Não cabe 
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ao amigo a sinceridade de quem aponta nossa falha, pela esperança de que 
venhamos a corrigi-la? Se o nosso adversário aponta nossas faltas no tom 
destrutivo de uma acusação, o amigo as identifica com lealdade, para que nos 
compreendamos melhor. 
Quando um amigo verdadeiro, por contingência da vida ou imposição da morte, 
é afastado de nós, ficam dele, em nossa consciência, seus valores, seus juízos, 
suas percepções. Perguntas como “O que diria ele sobre isso?” ou “O que faria 
ele com isso?” passam a nos ocorrer: são perspectivas dele que se fixaram e 
continuam a agir como um parâmetro vivo e importante. As marcas da amizade 
não desaparecem com a ausência do amigo, nem se enfraquecem como 
memórias pálidas: continuam a ser referências para o que fazemos e pensamos. 
 (CALÓGERAS, Bruno, inédito) 
 
A frase inicial A amizade é um exercício de limites afetivos em permanente 
desejo de expansão deixa ver, no contexto, que em uma relação entre amigos 
a) os sentimentos mútuos são restritos, devido à desconfiança que sempre 
estamos a alimentar uns dos outros. 
b) a afetividade é indispensável, embora alimentemos dentro de nós o desejo 
de uma plena autossuficiência. 
c) a afetividade é verdadeira, conquanto se estabeleça em contornos restritivos 
que gostaríamos de ver eliminados. 
d) os sentimentos predominantes passam a ser indesejáveis quando se percebe 
o quanto podem ser falsos. 
e) a afetividade, aparentemente real, revela-se ilusória, diante dos modelos 
ideais de afeto que conservamos do nosso passado. 
 
24) FCC/TJ/TRF 3/Administrativa/"Sem Especialidade"/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Texto I 
O canto das sereias é uma imagem que remonta às mais luminosas fontes da 
mitologia e da literatura gregas. As versões da fábula variam, mas o sentido 
geral da trama é comum. 
As sereias eram criaturas sobre-humanas. Ninfas de extraordinária beleza, 
viviam sozinhas numa ilha do Mediterrâneo, mas tinham o dom de chamar a si 
os navegantes, graças ao irresistível poder de sedução do seu canto. Atraídos 
por aquela melodia divina, os navios batiam nos recifes submersos da beira-
mar e naufragavam. As sereias então devoravam impiedosamente os 
tripulantes. 
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Doce o caminho, amargo o fim. Como escapar com vida do canto das sereias? 
A literatura grega registra duas soluções vitoriosas. Uma delas foi a saída 
encontrada por Orfeu, o incomparável gênio da música e da poesia. 
Quando a embarcação na qual ele navegava entrou inadvertidamente no raio 
de ação das sereias, ele conseguiu impedir a tripulação de perder a cabeça 
tocando uma música ainda mais sublime do que aquela que vinha da ilha. O 
navio atravessou incólume a zona de perigo. 
A outra solução foi a de Ulisses. Sua principal arma para vencer as sereias foi o 
reconhecimento franco e corajoso da sua fraqueza e da sua falibilidade − a 
aceitação dos seus inescapáveis limites humanos. 
Ulisses sabia que ele e seus homens não teriam firmeza para resistir ao apelo 
das sereias. Por isso, no momento em que a embarcação se aproximou da ilha, 
mandou que todos os tripulantes tapassem os ouvidos com cera e ordenou que 
o amarrassem ao mastro central do navio. O surpreendente é que Ulisses não 
tapou com cera os próprios ouvidos − ele quis ouvir. Quando chegou a hora, 
Ulisses foi seduzido pelas sereias e fez de tudo para convencer os tripulantes a 
deixarem-no livre para ir juntar-se a elas. Seus subordinados, contudo, 
cumpriram fielmente a ordem de não soltá-lo até que estivessem longe da zona 
de perigo. 
Orfeu escapou das sereias como divindade; Ulisses, como mortal. Ao se 
aproximar das sereias, a escolha diante do herói era clara: a falsa promessa de 
gratificação imediata, de um lado, e o bem permanente do seu projeto de vida 
− prosseguir viagem, retornar a Ítaca, reconquistar Penélope −, do outro. A 
verdadeira vitória de Ulisses foi contra ele mesmo. Foi contra a fraqueza, o 
oportunismo suicida e a surdez delirante que ele soube reconhecer em sua 
própria alma. 
(Adaptado de: GIANETTI, Eduardo. Autoengano. São Paulo, Cia. das Letras, 
1997. Formato e-BOOK) 
 
Depreende-se do texto que as sereias atingiam seus objetivos por meio de 
a) dissimulação. 
b) lisura. 
c) observação. 
d) condescendência. 
e) intolerância. 
 
25) FCC/Cons Leg/Cam Mun SP/Biblioteconomia/2014 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Celebridades 
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Todos sabemos qual é a atividade de um médico, de um engenheiro, de um 
publicitário, de um torneiro mecânico, de um porteiro. Mas o que faz, 
exatamente, uma celebridade − além de ser célebre? Vejam que não me refiro 
a quem alcançou sucesso pela competência na função que exerce; falo das 
celebridades que estão acima de um talento específico e se tornaram célebres 
ninguém sabe exatamente por quê. 
Ilustro isso com um caso contado pelo poeta Ferreira Gullar. Andando numa rua 
do Rio de Janeiro, com sua inconfundível figura − magérrimo, rosto comprido e 
longos cabelos prateados − foi avistado por um indivíduo embriagado que deve 
tê-lo reconhecido da televisão, onde sempre aparece, que lhe gritou da outra 
calçada: − Ferreira Gullar!Sujeito famoso que eu não sei quem é! 
Aqui, a celebração não era do poeta ou de sua obra: era o reconhecimento de 
uma celebridade pela celebridade que é, e ponto final. Isso faz pensar em 
quanto o poder da mídia é capaz de criar deuses sem qualquer poder divino, 
astros fulgurantes sem o brilho de uma sólida justificativa. E as consequências 
são conhecidas: uma vez elevada a seu posto, a celebridade passa a ser ouvida, 
a ter influência, a exercitar esse difuso poder de um “formador de opinião”. 
Cobra-se da celebridade a lucidez que não tem, atribui-se-lhe um nível de 
informação que nunca alcançou, conta-se com um descortino crítico que lhe 
falta em sentido absoluto. Revistas especializam-se nelas, fotografam-nas de 
todos os ângulos, perseguem-nas onde quer que estejam, entrevistam-nas a 
propósito de tudo. Esgotada, enfim, uma celebração (até mesmo as 
celebridades são mortais), não faltam novos ocupantes do posto. 
À falta de algum mérito real, as oportunidades da sorte ou da malícia bem-
sucedida acabam por presentear pessoas vazias com o cetro e a coroa de uma 
realeza artificial. Mas um artifício bem administrado, sabemos disso, pode 
ganhar o aspecto de uma qualidade natural. O que se espera é que sempre haja 
quem não confunda um manequim vazio com uma cabeça com cérebro dentro. 
(Diógenes Lampeiro, inédito) 
 
No dicionário Houaiss, o verbete tautologia apresenta, entre outras, a seguinte 
acepção: proposição analítica que permanece sempre verdadeira, uma vez que 
o atributo é uma repetição do sujeito. Com essa acepção, o qualificativo de 
tautológicas pode ser aplicado às passagens do texto em que o conceito de 
celebridade remete 
a) ao mérito real que algumas celebridades demonstram no exercício de funções 
profissionais específicas. 
b) à possibilidade de alguém gozar de celebração pelo fato de passar a ser 
reconhecido como uma celebridade. 
c) ao fato de que numa sociedade de consumo todo e qualquer indivíduo tem 
seu momento de celebridade. 
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d) à possibilidade de que a celebração de alguém resista à passagem do tempo, 
tornando-se vitalícia. 
e) ao fato de que os grandes criadores passam a ser identificados publicamente 
a partir do mérito de suas obras. 
 
26) FCC/TJ/TRT 15/Apoio Especializado/Enfermagem/2015 
Atenção: Para responder à questão, considere o poema abaixo. 
“Você não está mais na idade 
de sofrer por essas coisas”' 
Há então a idade de sofrer 
e a de não sofrer mais 
por essas, essas coisas? 
As coisas só deviam acontecer 
para fazer sofrer 
na idade própria de sofrer? 
Ou não se devia sofrer 
pelas coisas que causam sofrimento 
pois vieram fora de hora, e a hora é calma? 
E se não estou mais na idade de sofrer 
é porque estou morto, e morto 
é a idade de não sentir as coisas, essas coisas? 
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Essas coisas. As impurezas do branco. Rio 
de Janeiro: José Olympio, 3. ed., 1976, p.30) 
 
Considerando-se que elipse é a supressão de um termo que pode ser 
subentendido pelo contexto linguístico, pode-se identifica-la no verso: 
a) As coisas só deviam acontecer 
b) Ou não se devia sofrer 
c) e a de não sofrer mais 
d) é a idade de não sentir as coisas, essas coisas? 
e) Você não está mais na idade 
 
27) FCC/ATE/SEFAZ PI/2015 
Instrução: A questão refere-se ao texto seguinte. 
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Filosofia de borracharia 
O borracheiro coçou a desmatada cabeça e proferiu a sentença tranquilizadora: 
nenhum problema com o nosso pneu, aliás quase tão calvo quanto ele. Estava 
apenas um bocado murcho. 
− Camminando si sgonfia* − explicou o camarada, com um sorriso de 
pouquíssimos dentes e enorme simpatia. 
O italiano vem a ser um dos muitos idiomas em que a minha abrangente 
ignorância é especializada, mas ainda assim compreendi que o pneu do nosso 
carro periclitante tinha se esvaziado ao longo da estrada. Não era para menos. 
Tendo saído de Paris, havíamos rodado muito antes de cair naquele emaranhado 
de fronteiras em que você corre o risco de não saber se está na Áustria, na 
Suíça ou na Itália. Soubemos que estávamos no norte, no sótão da Itália, vendo 
um providencial borracheiro dar nova carga a um pneu sgonfiato. 
Dali saímos − éramos dois jovens casais num distante verão europeu, 
embarcados numa aventura que, de camping em camping, nos levaria a 
Istambul – para dar carga nova a nossos estômagos, àquela altura não menos 
sgonfiati. O que pode a fome, em especial na juventude: à beira de um himalaia 
de sofrível espaguete fumegante, julguei ver fumaças filosóficas na sentença do 
tosco borracheiro. E, entre garfadas, sob o olhar zombeteiro dos companheiros 
de viagem, me pus a teorizar. 
Sim, camminando si sgonfia, e não apenas quando se é, nesta vida, um pneu. 
Também nós, de tanto rodar, vamos aos poucos desinflando. E por aí fui, inflado 
e inflamado num papo delirante. Fosse hoje, talvez tivesse dito, infelizmente 
com conhecimento de causa, que a partir de determinado ponto carecemos 
todos de alguma espécie de fortificante, de um novo alento para o corpo, quem 
sabe para a alma. 
* Camminando si sgonfia = andando se esvazia. Sgonfiato é vazio; sgonfiati é 
a forma plural. 
(Adaptado de: WERNECK, Humberto – Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, 
Arquipélago, 2011, p. 8586) 
 
Atente para a seguinte construção: O borracheiro explicou-nos que os pneus 
haviam esvaziado com o uso, e que era fácil resolver aquele problema. 
Empregando-se o discurso direto, a frase deverá ser: O borracheiro explicou-
nos: 
a) − Os pneus com o uso tinham esvaziado, mas seria fácil resolver o problema. 
b) − Os pneus se esvaziaram com o uso, é fácil resolver este problema. 
c) − Com o uso os pneus terão se esvaziado, seria fácil resolver esse problema. 
d) − Os pneus com o uso estavam vazios, vai ser fácil resolver seu problema. 
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e) − Com o uso os pneus estão esvaziando, problema este que seria fácil 
resolver. 
 
28) FCC/AJ/TRT 1/Apoio Especializado/Tecnologia da 
Informação/2014 
Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte. 
A cultura brasileira em tempos de utopia 
Durante os anos 1950 e 1960 a cultura e as artes brasileiras expressaram as 
utopias e os projetos políticos que marcaram o debate nacional. Na década de 
1950, emergiu a valorização da cultura popular, que tentava conciliar aspectos 
da tradição com temas e formas de expressão modernas. 
No cinema, por exemplo, Nelson Pereira dos Santos, nos seus filmes Rio, 40 
graus (1955) e Rio, zona norte (1957) mostrava afotogenia das classes 
populares, denunciando a exclusão social. Na literatura, Guimarães Rosa 
publicou Grande sertão: veredas (1956) e João Cabral de Melo Neto escreveu o 
poema Morte e vida Severina − ambos assimilando traços da linguagem popular 
do sertanejo, submetida ao rigor estético da literatura erudita. 
Na música popular, a Bossa Nova, lançada em 1959 por Tom Jobim e João 
Gilberto, entre outros, inspirava-se no jazz, rejeitando a música passional e a 
interpretação dramática que se dava aos sambas-canções e aos boleros que 
dominavam as rádios brasileiras. A Bossa Nova apontava para o despojamento 
das letras das canções, dos arranjos instrumentais e da vocalização, para 
melhor expressar o “Brasil moderno”. 
Já a primeira metade da década de 1960 foi marcada pelo encontro entre a vida 
cultural e a luta pelas Reformas de Base. Já não se tratava mais de buscar 
apenas uma expressão moderna, mas de pontuar os dilemas brasileiros e 
denunciar o subdesenvolvimento do país. Organizava-se, assim, a cultura 
engajada de esquerda, em torno do Movimento de Cultura Popular do Recife e 
do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), num 
processo que culminaria no Cinema Novo e na canção engajada, base da 
moderna música popular brasileira, a MPB. 
(Adaptado de: NAPOLITANO, Marcos e VILLAÇA, Mariana. História para o 
ensino médio. São Paulo: Atual, 2013, p. 738) 
 
Estes dois segmentos constituem respectivamente, no contexto dado, a 
expressão de uma causa e de seu efeito: 
a) interpretação dramática / despojamento das letras das canções (3o 
parágrafo) 
b) assimilando traços da linguagem popular / submetida ao rigor estético da 
literatura erudita (2o parágrafo) 
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c) rejeitando a música passional / inspirava-se no jazz (3o parágrafo) 
d) Organizava-se, assim, a cultura engajada de esquerda / Cinema Novo e 
canção engajada (4o parágrafo) 
e) a primeira metade da década de 1960 / luta pelas Reformas de Base (4o 
parágrafo) 
 
29) FCC/TJ/TRT 1/Administrativa/2013 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
Visão monumental 
Nada superará a beleza, nem todos os ângulos retos da razão. Assim pensava 
o maior arquiteto e mais invocado sonhador do Brasil. Morto em 5 de dezembro 
de insuficiência respiratória, a dez dias de completar com uma festa, no Rio de 
Janeiro onde morava, 105 anos de idade, Oscar Niemeyer propusera sua própria 
revolução arquitetônica baseado em uma interpretação do corpo da mulher. 
Filho de fazendeiros, fora o único ateu e comunista da família, tendo ingressado 
no partido por inspiração de Luiz Carlos Prestes, em 1945. Como a agremiação 
partidária não correspondera a seu sonho, descolara-se dela, na companhia de 
seu líder, em 1990. “O comunismo resolve o problema da vida”, acreditou até 
o fim. “Ele faz com que a vida seja mais justa. E isso é fundamental. Mas o ser 
humano, este continua desprotegido, entregue à sorte que o destino lhe impõe.” 
E desprotegido talvez pudesse se sentir um observador diante da 
monumentalidade que ele próprio idealizara para Brasília a partir do plano-piloto 
de Lucio Costa. Quem sabe seus museus, prédios governamentais e catedrais 
não tivessem mesmo sido construídos para ilustrar essa perplexidade? Ele 
acreditava incutir o ardor em quem experimentava suas construções. 
Bem disse Le Corbusier que Niemeyer tinha “as montanhas do Rio dentro dos 
olhos”, aquelas que um observador pode vislumbrar a partir do Museu de Arte 
Contemporânea de Niterói, um entre cerca de 500 projetos seus. Brasília, em 
que pese o sonho necessário, resultara em alguma decepção. Niemeyer vira a 
possibilidade de construir ali a imagem moderna do País. E como dizer que a 
cidade, ao fim, deixara de corresponder à modernidade empenhada? Houve um 
sonho monumental, e ele foi devidamente traduzido por Niemeyer. No Planalto 
Central, construíra a identidade escultural do Brasil. 
(Adaptado de Rosane Pavam. CartaCapital, 07/12/2012, 
www.cartacapital.com.br/sociedade/avisaomonumental2/) 
 
Quem sabe seus museus, prédios governamentais e catedrais não tivessem 
mesmo sido construídos para ilustrar essa perplexidade? (3º parágrafo) 
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De acordo com o contexto, o sentido do elemento grifado acima pode ser 
adequadamente reproduzido por: 
a) descompasso. 
b) problemática. 
c) melancolia. 
d) estupefação. 
e) animosidade. 
 
30) FCC/AJ/TRE RO/Judiciária/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Pintor, gravador e vitralista, Marc Chagall estudou artes plásticas na Academia 
de Arte de São Petersburgo. Seguindo para Paris em 1910, ligou-se aos poetas 
Blaise Cendrars, Max Jacob e Apollinaire − e aos pintores Delaunay, Modigliani 
e La Fresnay. 
A partir daí, trabalhou intensamente para integrar o seu mundo de 
reminiscências e fantasias na linguagem moderna derivada do fauvismo e do 
cubismo. 
Na década de 30, o clima de perseguição e de guerra repercute em sua pintura, 
onde surgem elementos dramáticos, sociais e religiosos. Em 1941, parte para 
os EUA, onde sua esposa falece (1944). Chagall mergulha, então, em um 
período de evocações, quando conclui o quadro "Em torno dela", que se tornou 
uma síntese de todos os seus temas. 
(Adaptado de: educação.uol.com.br/biografias/marcchagall.html) 
 
Para manter as relações de sentido e a correção gramatical do texto, o termo 
derivada (2o parágrafo) NÃO pode ser substituído por: 
a) provida. 
b) advinda. 
c) proveniente. 
d) originária. 
e) oriunda. 
 
31) FCC/Ana Con/TCE-MT/2013 
Atenção: A questão refere-se ao texto seguinte. 
O preço da virtude 
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Nossas qualidades naturais são, já por si, virtuosas? Pessoas de temperamento 
calmo e índole generosa, por exemplo, podem ser vistas como gente 
indiscutivelmente meritória? Mulheres e homens bem-intencionados devem ser 
julgados apenas com base em suas boas intenções? Tais perguntas nos levam 
a um complicado centro de discussão: haverá algum valor moral nas ações que 
se executam com naturalidade, sem o enfrentamento de qualquer obstáculo, ou 
o que é natural não encerra virtude alguma, já que não encontra qualquer 
adversidade? 
Há quem defenda a tese de que somente há virtude numa ação benigna cujo 
desempenho implica algum sacrifício do sujeito. A virtude estaria, assim, não 
na natureza do indivíduo, mas na sua firme disposição para sacrificar-se em 
benefício de um outro ser ou de um ideal. O sacrifício indicaria o desprendimento 
moral, o atodesinteressado, a disposição para pagar um preço pela escolha 
feita: eu me disponho a passar fome para que essa criança se alimente; eu 
deixo de usufruir um prazer para que o outro possa experimentá-lo. 
Nessa questão, valores éticos e valores religiosos podem até mesmo se 
confundir. A palavra sacrifício tem o sagrado na raiz; mas não é preciso ser 
religioso para se provar a capacidade de renúncia. Quanto ao preço a pagar, 
não há dúvida: sempre reconheceremos mais mérito em quem foi capaz de agir 
passando por cima de seu próprio interesse do que naquele que agiu sem ter 
que enfrentar qualquer ônus em sua decisão. 
(TRANCOSO, Doroteu. Inédito) 
 
Considere as seguintes afirmações: 
I. No primeiro parágrafo, o conceito de adversidade está empregado para 
caracterizar situações em que não há necessidade de sacrifício. 
II. No segundo parágrafo, deve-se entender por ação benigna aquela que 
implica, necessariamente, o sacrifício de quem a executa. 
III. No terceiro parágrafo, reafirma-se a tese de que os sacrifícios pessoais são 
inerentes às ações autenticamente virtuosas. 
Em relação ao texto, está correto APENAS o que se afirma em 
a) II e III. 
b) I. 
c) II. 
d) III. 
e) I e II. 
 
32) FCC/AJ/TRF 4/Judiciária/"Sem Especialidade"/2014 
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Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
Um programa a ser adotado 
O PET − Programa de Educação pelo Trabalho − está fazendo dez anos, que 
serão comemorados num evento promovido pelo TRF4, que contará com 
representantes da Fase − Fundação de Atendimento Socioeducativo do Rio 
Grande do Sul. 
Há dez anos seria difícil imaginar um interno da Fase em cumprimento de 
medida socioeducativa saindo para trabalhar em um tribunal e, no final do dia, 
retornar à fundação. Muitos desacreditariam da iniciativa de colocar um 
adolescente infrator dentro de um gabinete de desembargador ou da 
Presidência de um tribunal. Outros poderiam discriminar esses jovens e deseja-
los longe do ambiente de trabalho. 
Todas essas barreiras foram vencidas. Em uma década, o PET do TRF4 se tornou 
realidade, quebrou preconceitos, mudou a cultura da própria instituição e a vida 
de 154 adolescentes que já passaram pelo projeto. São atendidos jovens entre 
16 e 21 anos, com escolaridade mínima da 4ª série do ensino fundamental. O 
tribunal enfrenta o desafio de criar, desenvolver e, principalmente, manter um 
programa de reinserção social. Os resultados do trabalho do PET com os 
menores que cumprem medida socioeducativa na Fase são considerados muito 
positivos quando se fala de jovens em situação de vulnerabilidade social. 
Durante esses dez anos, 45% dos participantes foram inseridos no mercado de 
trabalho e muitos já concluíram o ensino médio; cerca de 70% reorganizaram 
suas vidas e conseguiram superar a condição de envolvimento em atividades 
ilícitas. 
Na prática, os jovens trabalham durante 4 horas nos gabinetes de 
desembargadores e nas unidades administrativas do tribunal. Recebem 
atendimento multidisciplinar, com acompanhamento jurídico, de psicólogos e de 
assistentes sociais. Por meio de parcerias com entidades, já foram realizados 
cursos de mecânica, de padaria e de garçom. Destaque a considerar é o projeto 
“Virando a página”: oficinas de leitura e produção textual, coordenadas por 
servidores do TRF4 e professores e formandos de faculdades de Letras. 
(Adaptado de: wttp://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php? acao= 
noticia_visualizar&id_noticia=10129) 
 
No contexto, o sentido do elemento sublinhado em 
a) Outros poderiam discriminar esses jovens (2º parágrafo) é o de distinguir, 
enfatizar. 
b) em cumprimento de medida socioeducativa (2º parágrafo) é o de 
observância, atendimento. 
c) manter um programa de reinserção social (3º parágrafo) é o de remissão, 
retroação. 
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d) em situação de vulnerabilidade social (3º parágrafo) é o de impropriedade, 
informalidade. 
e) Recebem atendimento multidisciplinar (4º parágrafo) é o de socialista, 
democrático. 
 
33) FCC/AJ/TRT 3/Judiciária/Oficial de Justiça Avaliador 
Federal/2015 
Atenção: A questão refere-se ao texto que segue. 
A matéria abaixo, que recebeu adaptações, é do jornalista Alberto Dines, e foi 
veiculada em 9/05/2015, um dia após as comemorações pelos 70 anos do fim 
da Segunda Guerra Mundial. 
Quando a guerra acabar… 
Abre parêntese: há momentos − felizmente raros − em que a história pessoal 
se impõe às percepções conjunturais e o relato na primeira pessoa, embora 
singular, parcial, às vezes suspeito, sobrepõe-se à narrativa impessoal, ampla, 
genérica. Fecha parêntese. 
O descaso e os indícios de esquecimento que, na sexta-feira (8/5), rodearam 
os setenta anos do fim da fase europeia da Segunda Guerra Mundial 
sobressaltaram. O ano de 1945 pegou-me com 13 anos e a data de 8 de maio 
incorporou-se ao meu calendário íntimo e o cimentou definitivamente às 
efemérides históricas que éramos obrigados a decorar no ginásio. 
Seis anos antes (1939), a invasão da Polônia pela Alemanha hitlerista − e logo 
depois pela Rússia soviética − empurrou a guerra para dentro da minha casa 
através dos jornais e do rádio: as vidas da minha avó paterna, tios, tias, primos 
e primas dos dois lados corriam perigo. Em 1941, quando a Alemanha rompeu 
o pacto com a URSS e a invadiu com fulminantes ataques, inclusive à Ucrânia, 
instalou-se a certeza: foram todos exterminados. 
A capitulação da Alemanha tornara-se inevitável, não foi surpresa, sabíamos 
que seria esmagada pelos Aliados. Nova era a sensação de paz, a certeza que 
começava uma nova página da história e perceptível mesmo para crianças e 
adolescentes. A prometida quimera embutida na frase “quando a guerra acabar” 
tornara-se desnecessária, desatualizada. 
A guerra acabara para sempre. Enquanto o retorno dos combatentes brasileiros 
vindos da Itália era saudado delirantemente, matutinos e vespertinos − mais 
calejados do que a mídia atual − nos alertavam que a guerra continuava feroz 
não apenas no Extremo Oriente, mas também na antiquíssima Grécia, onde 
guerrilheiros de direita e de esquerda, esquecidos do inimigo comum − o nazi-
fascismo − se enfrentavam para ocupar o vácuo de poder deixado pela 
derrotada barbárie. 
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Sete décadas depois − porção ínfima da história da humanidade −, aquele que 
foi chamado Dia da Vitória e comemorado loucamente nas ruas do mundo 
metamorfoseou-se em Dia das Esperanças Perdidas: a guerra não acabou. Os 
Aliados desvincularam-se, tornaram-seadversários. A guerra continua, está aí, 
espalhada pelo mundo, camuflada por diferentes nomenclaturas, inconfundível, 
salvo em breves hiatos sem hostilidades, porém com intensos ressentimentos. 
(Reproduzido da Gazeta do Povo (Curitiba, PR) e do Correio Popular 
(Campinas, SP), 9/5/2015; intertítulo do Observatório da Imprensa, edição 
849) 
 
O segmento do texto que está traduzido de maneira a não prejudicar o sentido 
original é: 
a) (linhas 1 e 2) a história pessoal se impõe às percepções conjunturais / o 
relato da própria pessoa infunde veracidade aos fatos da conjuntura. 
b) (linha 8) incorporou-se ao meu calendário íntimo / passou a fazer parte de 
minhas memórias negativas mais intensas. 
c) (linha 9) e o cimentou definitivamente às efemérides históricas / e o conectou 
por fim às catástrofes históricas. 
d) (linha 17) A capitulação da Alemanha tornara-se inevitável / a fragmentação 
da Alemanha era considerada indiscutível. 
e) (linha 33) camuflada por diferentes nomenclaturas / disfarçada sob o véu de 
distintos nomes. 
 
34) FCC/ATE/SEFAZ PI/2015 
Instrução: A questão refere-se ao texto seguinte. 
Filosofia de borracharia 
O borracheiro coçou a desmatada cabeça e proferiu a sentença tranquilizadora: 
nenhum problema com o nosso pneu, aliás quase tão calvo quanto ele. Estava 
apenas um bocado murcho. 
− Camminando si sgonfia* − explicou o camarada, com um sorriso de 
pouquíssimos dentes e enorme simpatia. 
O italiano vem a ser um dos muitos idiomas em que a minha abrangente 
ignorância é especializada, mas ainda assim compreendi que o pneu do nosso 
carro periclitante tinha se esvaziado ao longo da estrada. Não era para menos. 
Tendo saído de Paris, havíamos rodado muito antes de cair naquele emaranhado 
de fronteiras em que você corre o risco de não saber se está na Áustria, na 
Suíça ou na Itália. Soubemos que estávamos no norte, no sótão da Itália, vendo 
um providencial borracheiro dar nova carga a um pneu sgonfiato. 
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Dali saímos − éramos dois jovens casais num distante verão europeu, 
embarcados numa aventura que, de camping em camping, nos levaria a 
Istambul – para dar carga nova a nossos estômagos, àquela altura não menos 
sgonfiati. O que pode a fome, em especial na juventude: à beira de um himalaia 
de sofrível espaguete fumegante, julguei ver fumaças filosóficas na sentença do 
tosco borracheiro. E, entre garfadas, sob o olhar zombeteiro dos companheiros 
de viagem, me pus a teorizar. 
Sim, camminando si sgonfia, e não apenas quando se é, nesta vida, um pneu. 
Também nós, de tanto rodar, vamos aos poucos desinflando. E por aí fui, inflado 
e inflamado num papo delirante. Fosse hoje, talvez tivesse dito, infelizmente 
com conhecimento de causa, que a partir de determinado ponto carecemos 
todos de alguma espécie de fortificante, de um novo alento para o corpo, quem 
sabe para a alma. 
* Camminando si sgonfia = andando se esvazia. Sgonfiato é vazio; sgonfiati é 
a forma plural. 
(Adaptado de: WERNECK, Humberto – Esse inferno vai acabar. Porto Alegre, 
Arquipélago, 2011, p. 8586) 
 
Por valorizar recursos expressivos da linguagem, o autor da crônica, 
a) na expressão quase tão calvo quanto ele (1º parágrafo), qualifica o 
borracheiro com um termo familiarmente aplicado a um pneu já muito gasto. 
b) no segmento minha abrangente ignorância é especializada (3º parágrafo), é 
irônico ao atribuir à ignorância qualidades aplicáveis a um alto conhecimento. 
c) na expressão num distante verão europeu (4º parágrafo), utiliza um indicador 
de tempo para denotar a extensão do território percorrido. 
d) em à beira de um himalaia (4º parágrafo), deixa claro que os viajantes agora 
se acercavam de uma alta cordilheira, semelhante à asiática. 
e) em inflado e inflamado (5º parágrafo), vale-se de sinônimos para reforçar o 
estado de espírito reflexivo da personagem. 
 
35) FCC/Cons Leg/AL PB/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Já estamos habituados ao romance anual de José Lins do Rego; uma escapada 
ao Nordeste em sua companhia faz parte do nosso ritmo de vida. Durante cinco 
anos, em livros ora mais plenamente realizados, como Menino de engenho e 
Banguê, ora mais fracos, como Doidinho, mas sempre vivos e verdadeiros, o 
romancista nos trazia mais um caso da família de José Paulino, mais uma 
vicissitude do Santa Rosa, mais um aspecto da existência nas lavouras de cana 
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do Nordeste, e da indústria do açúcar. Com Usina esgotou o assunto. Sem se 
repetir, não poderia continuar a estudar o mesmo tema. 
Que daria José Lins do Rego sem o açúcar, sem as recordações de infância? 
Essa pergunta era formulada por todos quantos admiramos o seu talento e 
seguimos com interesse a expansão da sua força criadora. Pureza foi a resposta 
do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar com segurança da sua 
capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida das evocações de gente 
e coisas familiares. 
José Lins do Rego mostrou [...] poder prescindir da terra para formar o 
ambiente, dos canaviais que assobiam ao vento, das pastagens sonoras de 
mugidos, dos rios de cheias aterradoras, das matas floridas, de tudo aquilo que 
constitui, sobretudo em Menino de engenho, um fundo de beleza e poesia. E 
sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo, não está escravizado à literatura regionalista, 
não é apenas o cronista do Nordeste. 
(Trecho da nota de Lúcia Miguel Pereira ao romance Pureza, de José Lins do 
Rego. 5 ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 1956, com atualização ortográfica 
em respeito ao Acordo vigente) 
 
É correto afirmar, considerando-se o teor do texto, que a autora 
a) defende a literatura voltada para aspectos regionais, como superior a 
qualquer outra. 
b) aponta para uma mudança favorável na criação literária de um romancista 
nordestino. 
c) analisa o viés repetitivo dos temas abordados por um escritor nordestino, o 
que lhe tira a originalidade. 
d) aborda a permanência, nos romances nordestinos, de temas já esgotados, 
como o do ciclo do açúcar. 
e) avalia a importância de um romancista como divulgador dos problemas 
sociais e econômicos do Nordeste. 
 
36) FCC/Cons Leg/AL PB/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Já estamos habituados ao romance anual de José Lins do Rego; uma escapada 
ao Nordeste em sua companhia faz parte do nosso ritmo de vida. Durante cinco 
anos, em livros ora mais plenamente realizados, como Menino de engenho e 
Banguê, ora mais fracos, como Doidinho, mas sempre vivos e verdadeiros, o 
romancista nos trazia mais um caso da família de José Paulino, mais uma 
vicissitude do Santa Rosa, mais um aspecto da existência nas lavouras de cana 
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do Nordeste, e da indústria do açúcar. Com Usina esgotou o assunto. Sem se 
repetir, não poderia continuar a estudar o mesmo tema. 
Que daria José Lins do Rego sem o açúcar, sem as recordações de infância? 
Essa pergunta era formulada por todos quantos admiramos o seu talento e 
seguimos com interesse a expansão da sua força criadora. Pureza foi a resposta 
do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar com segurança da sua 
capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida das evocações de gente 
e coisas familiares. 
José Lins do Rego mostrou [...] poder prescindir da terra para formar o 
ambiente, dos canaviais que assobiam ao vento, das pastagens sonoras de 
mugidos, dos rios de cheias aterradoras, das matas floridas, de tudo aquilo que 
constitui, sobretudo em Menino de engenho, um fundo de beleza e poesia. E 
sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo, não está escravizado à literatura regionalista, 
não é apenas o cronista do Nordeste. 
(Trecho da nota de Lúcia Miguel Pereira ao romance Pureza, de José Lins do 
Rego. 5 ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 1956, com atualização ortográfica 
em respeito ao Acordo vigente) 
 
E sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo ... 
Depreende-se do emprego da expressão grifada que seu correto entendimento 
está em: 
a) uma maneira de ser e de mostrar aspectos e costumes próprios de uma 
província ou região. 
b) exprimir habitualmente um mau gosto acentuado, consolidado em uma 
província ou região isolada. 
c) tentar corrigir o atraso no modo de vida e nos costumes típicos de 
determinada região ou província. 
d) criar personagens sem expressão, por estarem inseridas em um meio 
provinciano bastante atrasado. 
e) dedicar-se à criação de romances cujo interesse extrapola as características 
de determinada região. 
 
37) FCC/Cons Leg/AL PB/2013 
Atenção: Considere o texto abaixo para responder à questão. 
Já estamos habituados ao romance anual de José Lins do Rego; uma escapada 
ao Nordeste em sua companhia faz parte do nosso ritmo de vida. Durante cinco 
anos, em livros ora mais plenamente realizados, como Menino de engenho e 
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Banguê, ora mais fracos, como Doidinho, mas sempre vivos e verdadeiros, o 
romancista nos trazia mais um caso da família de José Paulino, mais uma 
vicissitude do Santa Rosa, mais um aspecto da existência nas lavouras de cana 
do Nordeste, e da indústria do açúcar. Com Usina esgotou o assunto. Sem se 
repetir, não poderia continuar a estudar o mesmo tema. 
Que daria José Lins do Rego sem o açúcar, sem as recordações de infância? 
Essa pergunta era formulada por todos quantos admiramos o seu talento e 
seguimos com interesse a expansão da sua força criadora. Pureza foi a resposta 
do romancista e a pedra de toque nos permitiu aquilatar com segurança da sua 
capacidade de criar livremente, sem o ponto de partida das evocações de gente 
e coisas familiares. 
José Lins do Rego mostrou [...] poder prescindir da terra para formar o 
ambiente, dos canaviais que assobiam ao vento, das pastagens sonoras de 
mugidos, dos rios de cheias aterradoras, das matas floridas, de tudo aquilo que 
constitui, sobretudo em Menino de engenho, um fundo de beleza e poesia. E 
sobretudo provou que, embora as raízes de sua vocação de romancista se 
alimentem do seu provincianismo, não está escravizado à literatura regionalista, 
não é apenas o cronista do Nordeste. 
(Trecho da nota de Lúcia Miguel Pereira ao romance Pureza, de José Lins do 
Rego. 5 ed. Rio de Janeiro. José Olympio, 1956, com atualização ortográfica 
em respeito ao Acordo vigente) 
 
Com Usina esgotou o assunto. Sem se repetir, não poderia continuar a estudar 
o mesmo tema. 
As afirmativas acima conduzem à correta interpretação de que, segundo a 
autora, José Lins do Rego 
a) apresentava uma visão infantil em seus romances regionais − e, portanto, 
sujeita a interpretações equivocadas dos fatos vivenciados em sua história. 
b) estava sendo redundante nos temas abordados em seus romances − a vida 
no Nordeste durante sua infância −, porém continuava ainda a explorá-los. 
c) com Pureza, ainda era visto e reconhecido como um escritor voltado para um 
único tema − a vida no Nordeste dos engenhos de açúcar e sua transformação 
em usinas. 
d) somente deveria mudar os temas trabalhados em seus romances quando 
todos os aspectos regionais − especialmente a natureza da região nordestina – 
tivessem sido abordados. 
e) já havia abordado todas as facetas do seu mundo particular − o engenho e 
a produção do açúcar − e se tornaria monótono e enfadonho caso continuasse 
a explorar esses temas. 
 
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38) FCC/AJ/TRT 1/Judiciária/Execução de Mandados/2013 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
Confiar e desconfiar 
Desconfiar é bom e não custa nada − é o que diz o senso comum, valorizando 
tanto a cautela como a usura. Mas eu acho que desconfiar custa, sim, e às vezes 
custa demais. A desconfiança costuma ficar bem no meio do caminho da 
aventura, da iniciativa, da descoberta, atravancando a passagem e impedindo 
− quem sabe? – uma experiência essencial. 
Por desconfiar deixamos de arriscar, permitindo que a prudência nos imobilize; 
por cautela, calamo-nos, não damos o passo, desviamos o olhar. Depois, 
ficamos ruminando sobre o que teremos perdido, por não ousar. 
O senso comum também diz que é melhor nos arrependermos do que fizemos 
do que lamentarmos o que deixamos de fazer. Como se vê, a sabedoria popular 
também hesita, e se contradiz. Mas nesse capítulo da desconfiança eu arrisco: 
quando confiar é mais perigoso e mais difícil, parece-me valer a pena. Falo da 
confiança marcada pela positividade, pela esperança, pelo crédito, não pela 
mera credulidade. Mesmo quando o confiante se vê malogrado, a confiança terá 
valido o tempo que durou, a qualidade da aposta que perdeu. O desconfiado 
pode até contar vantagem, cantando alto: − Eu não falei? Mas ao dizer isso, 
com os pés chumbados no chão da cautela temerosa, o desconfiado lembra 
apenas a estátua do navegante que foi ao mar e voltou consagrado. As estátuas, 
como se sabe, não viajam nunca, apenas podem celebrar os grandes e ousados 
descobridores. 
“Confiar, desconfiando” é outra pérola do senso comum. Não gosto dessa 
orientação conciliatória, que manda ganhar abraçando ambas as opções. Confie, 
quando for esse o verdadeiro e radical desafio. 
(Ascendino Salles, inédito) 
 
Quanto ao sentimento da desconfiança, o texto manifesta clara divergência do 
senso comum, pois, para o autor, esse sentimento 
a) leva, como é sabido, à práticada prudência, que é a chave das grandes 
criações humanas. 
b) traz, como poucos sabem, a consequência de esperar que tudo acabe se 
resolvendo por si mesmo. 
c) acaba, como poucos reconhecem, por impedir que se tomem iniciativas 
audazes e criativas. 
d) traduz, como poucos sabem, a vantagem de se calcular muito bem cada 
passo das experiências essenciais. 
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e) importa, como é sabido, em eliminar a dose de irracionalidade que deve 
acompanhar a prudência conservadora. 
 
39) FCC/AJ/TRT 1/Judiciária/Execução de Mandados/2013 
Atenção: A questão refere-se ao texto abaixo. 
Confiar e desconfiar 
Desconfiar é bom e não custa nada − é o que diz o senso comum, valorizando 
tanto a cautela como a usura. Mas eu acho que desconfiar custa, sim, e às vezes 
custa demais. A desconfiança costuma ficar bem no meio do caminho da 
aventura, da iniciativa, da descoberta, atravancando a passagem e impedindo 
− quem sabe? – uma experiência essencial. 
Por desconfiar deixamos de arriscar, permitindo que a prudência nos imobilize; 
por cautela, calamo-nos, não damos o passo, desviamos o olhar. Depois, 
ficamos ruminando sobre o que teremos perdido, por não ousar. 
O senso comum também diz que é melhor nos arrependermos do que fizemos 
do que lamentarmos o que deixamos de fazer. Como se vê, a sabedoria popular 
também hesita, e se contradiz. Mas nesse capítulo da desconfiança eu arrisco: 
quando confiar é mais perigoso e mais difícil, parece-me valer a pena. Falo da 
confiança marcada pela positividade, pela esperança, pelo crédito, não pela 
mera credulidade. Mesmo quando o confiante se vê malogrado, a confiança terá 
valido o tempo que durou, a qualidade da aposta que perdeu. O desconfiado 
pode até contar vantagem, cantando alto: − Eu não falei? Mas ao dizer isso, 
com os pés chumbados no chão da cautela temerosa, o desconfiado lembra 
apenas a estátua do navegante que foi ao mar e voltou consagrado. As estátuas, 
como se sabe, não viajam nunca, apenas podem celebrar os grandes e ousados 
descobridores. 
“Confiar, desconfiando” é outra pérola do senso comum. Não gosto dessa 
orientação conciliatória, que manda ganhar abraçando ambas as opções. Confie, 
quando for esse o verdadeiro e radical desafio. 
(Ascendino Salles, inédito) 
 
Atente para as seguintes afirmações: 
I. No primeiro parágrafo, os termos cautela e usura são atributos de que o autor 
se vale para exprimir o que vê como desvantagens da mais cega confiança. 
II. No segundo parágrafo, o segmento ficamos ruminando sobre o que teremos 
perdido refere-se aos remorsos que sentimos depois de uma iniciativa 
intempestiva. 
III. No terceiro parágrafo, a expressão mera credulidade é empregada para 
distinguir a ingenuidade do homem crédulo da consciência ativa do confiante. 
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Em relação ao texto, está correto o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) I e III, apenas. 
c) II e III, apenas. 
d) II, apenas. 
e) III, apenas. 
 
40) FCC/AJ/TRF 5/Judiciária/"Sem Especialidade"/2013 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
O arroz da raposa 
Julio Cortázar tem um conto que sai de um palíndromo − “Satarsa”. Um menino 
brinca de desarticular as palavras. No fundo, um escritor é um sujeito que pela 
vida afora continua a mexer com as palavras. Para diante delas, estranha esta, 
questiona aquela. O menino de Cortázar, que devia ser ele mesmo, virava a 
palavra pelo avesso e se encantava. Saber que a leitura pode ser feita de trás 
para diante é uma aventura. 
E às vezes dá certo. No conto “Satarsa”, a palavra é ROMA. Lida ao contrário, 
também faz sentido. Deixa de ser ROMA e vira AMOR. Para o leitor adulto e 
apressado, isso pode ser uma bobagem. Para o menino é uma descoberta 
fascinante. Olhos curiosos, o menino vê a partir daí que o mundo pode ser 
arrumado de várias maneiras. Não só o mundo das palavras. É a partir dessa 
possibilidade de mudar que o mundo se renova. E melhora. 
Ou piora. Não teria graça se só melhorasse. O risco de piorar é fundamental na 
aventura humana. Mas estou me afastando da história do Cortázar. E sobretudo 
do que pretendo dizer. Ou pretendia. No embalo das palavras, vou me deixando 
arrastar de brincadeira, como o menino do conto. Um dia ele encontrou esta 
frase: “Dábale arroz a la zorra el abad”. Em português, significa: “O vigário dava 
arroz à raposa”. Soa estranho isso, não soa? 
Mesmo para um menino aberto ao que der e vier, a frase é bastante surrealista, 
mas o que importa é que a oração em espanhol pode ser lida de trás para diante. 
E fica igualzinha. Pois este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, 
como decidiu o seu destino de escritor. Isto sou eu quem digo. 
Ele percebeu aí que as palavras podem se relacionar de maneira diferente. E 
mágica. Sem essa consciência, não há poeta, nem poesia. Como a criança, o 
poeta tem um olhar novo. Lê de trás para diante. Cheguei até aqui e não disse 
o que queria. Digo então que tentei uma série de anagramas com o Brasil de 
hoje. Quem sabe virando pelo avesso a gente acha o sentido? 
(Adaptado de Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. S.Paulo: Cia. das 
Letras, 2011. p.2967) 
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No texto, o autor sugere que 
a) as frases mais estranhas seriam aquelas mais plenas de sentido. 
b) as palavras só adquiririam sentido quando lidas pelo avesso. 
c) o conhecimento do Brasil atual só pode ser aprofundado por meio da poesia. 
d) o conto “Satarsa”, de Julio Cortázar, seria autobiográfico. 
e) a poesia só seria válida quando colocada a serviço da atuação política. 
 
41) FCC/AJ/TRF 5/Judiciária/"Sem Especialidade"/2013 
Atenção: Para responder à questão, considere o texto abaixo. 
O arroz da raposa 
Julio Cortázar tem um conto que sai de um palíndromo − “Satarsa”. Um menino 
brinca de desarticular as palavras. No fundo, um escritor é um sujeito que pela 
vida afora continua a mexer com as palavras. Para diante delas, estranha esta, 
questiona aquela. O menino de Cortázar, que devia ser ele mesmo, virava a 
palavra pelo avesso e se encantava. Saber que a leitura pode ser feita de trás 
para diante é uma aventura. 
E às vezes dá certo. No conto “Satarsa”, a palavra é ROMA. Lida ao contrário, 
também faz sentido. Deixa de ser ROMA e vira AMOR. Para o leitor adulto e 
apressado, isso pode ser uma bobagem. Para o menino é uma descoberta 
fascinante. Olhos curiosos, o menino vê a partir daí que o mundo pode ser 
arrumado de várias maneiras. Não só o mundo das palavras. É a partir dessa 
possibilidadede mudar que o mundo se renova. E melhora. 
Ou piora. Não teria graça se só melhorasse. O risco de piorar é fundamental na 
aventura humana. Mas estou me afastando da história do Cortázar. E sobretudo 
do que pretendo dizer. Ou pretendia. No embalo das palavras, vou me deixando 
arrastar de brincadeira, como o menino do conto. Um dia ele encontrou esta 
frase: “Dábale arroz a la zorra el abad”. Em português, significa: “O vigário dava 
arroz à raposa”. Soa estranho isso, não soa? 
Mesmo para um menino aberto ao que der e vier, a frase é bastante surrealista, 
mas o que importa é que a oração em espanhol pode ser lida de trás para diante. 
E fica igualzinha. Pois este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, 
como decidiu o seu destino de escritor. Isto sou eu quem digo. 
Ele percebeu aí que as palavras podem se relacionar de maneira diferente. E 
mágica. Sem essa consciência, não há poeta, nem poesia. Como a criança, o 
poeta tem um olhar novo. Lê de trás para diante. Cheguei até aqui e não disse 
o que queria. Digo então que tentei uma série de anagramas com o Brasil de 
hoje. Quem sabe virando pelo avesso a gente acha o sentido? 
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(Adaptado de Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. S.Paulo: Cia. das 
Letras, 2011. p.2967) 
Atente para as afirmações abaixo. 
I. A frase “Sem essa consciência, não há poeta” pode ser corretamente reescrita 
do seguinte modo: Não há essa consciência em quem não seja poeta. 
II. A frase “este palíndromo não só encantou o menino Cortázar, como decidiu 
o seu destino de escritor” tem seu sentido corretamente reproduzido nesta outra 
construção: este palíndromo, além de ter encantado o menino Cortázar, 
decidiu o seu destino de escritor. 
III. Em “Mesmo para um menino aberto ao que der e vier”, a frase é bastante 
surrealista, a substituição do verbo é por parecia implica a alteração do 
segmento grifado para um menino aberto ao que desse e viesse. 
Está correto o que consta em 
a) I, II e III. 
b) II, apenas. 
c) I e III, apenas. 
d) II e III, apenas. 
e) I, apenas. 
 
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1 B 7 D 13 D 19 D 25 B 31 D 37 E 
2 D 8 A 14 E 20 C 26 C 32 B 38 C 
3 A 9 D 15 D 21 E 27 B 33 E 39 E 
4 A 10 D 16 B 22 D 28 D 34 B 40 D 
5 B 11 A 17 A 23 C 29 D 35 B 41 D 
6 A 12 C 18 A 24 A 30 A 36 A - - 
 
 
 
1. CEGALLA, DOMINGOS PASCHOAL - Novíssima Gramática da Língua 
Portuguesa, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 2008. 
2. BECHARA, EVANILDO – Moderna Gramática Portuguesa, Nova Fronteira, 
Rio de Janeiro, 2009. 
 
 
5 - Gabarito 
6 - Referencial Bibliográfico 
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