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DERMATOLOGIA EM CÃES E GATOS

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17 (Figura 37)
Terapia do prurido
O primeiro princípio que o clíni-
co deve se lembrar quando está lidando 
com um paciente que apresenta prurido 
é que trata-se de um sinal clínico, e não 
uma doença. Portanto, todo esforço deve 
ser feito na identificação da causa primá-
ria e no seu tratamento específico, para 
que não se estabeleça apenas terapia ba-
seada em sinais clínicos (6). Geralmente 
Fluxograma 4- Abordagem do prurido em cão, em que o prurido persiste mesmo após a dieta de ex-
clusão. Em vermelho, informações que auxiliam na identificação do paciente, e que são comuns no 
paciente atópico, porém não necessariamente precisam estar presentes.
a terapia do paciente com prurido exige 
terapia tópica e sistêmica, de acordo com 
a infecção subjacente (7).
Diversos são os agentes sistêmicos 
para o controle do prurido (Quadro3). 
A escolha deve estar relacionada essen-
cialmente à causa primária, ao controle 
de infecções secundárias e também ao 
controle do prurido intenso que trás 
desconforto ao paciente.
Porém algumas considerações sobre 
o uso dessas terapias devem ser realiza-
das. A escolha inicialmente é empírica, 
e dentre os antimicrobianos mais utili-
zados estão a cefalosporina de primeira 
geração e a amoxicilina associada ao áci-
do clavulânico para o controle da folicu-
lite. Porém o seu uso geralmente é feito 
de forma errônea, com doses insuficien-
tes de antibiótico ou administração por 
curtos períodos 9. A utilização por até 
duas semanas após a resolução clínica é 
essencial para a cura microbiológica.
51Abordagem diagnóstica do prurido em cães
Há diversos antihistamínicos pas-
síveis de ser utilizados nos cães, porém 
os seus efeitos são na maioria das vezes 
imprevisíveis. Mas sabe-se que possuem 
efeito limitado em desordens prurigino-
sas que não as urticariantes, já que no 
cão é raro ocorrer indução do prurido 
única e exclusivamente pela histami-
na1. Se for opção de uso, o clínico deve 
estar preparado para tentar a utilização 
de diversos antihistamínicos até que se 
chegue à conclusão qual é o mais efetivo 
para o paciente19. É considerado atual-
mente pouco útil no tratamento de der-
matite atópica crônica, principalmente 
como agente único 7,20. Podem auxiliar 
na redução de dosagem de corticóide 
em animais alérgicos em que a opção de 
tratamento tenha sido esse fármaco e, 
assim, reduzir os efeitos colaterais 19. Foi 
AGENTES SISTÊMICOS POSOLOGIA TEMPO DE TRATAMENTO
ANTIMICROBIANOS
Cefalexina 22-30mg/kg/q12h, VO 21-30 dias
Amoxicilina + Ácido clavulânico 15-20mg/kg/q12h, VO 21-30 dias
Cefovexina sódica 8mg/kg/q15d, SC 2-3 aplicações
Enrofloxacino 5mg/kg/q24h, VO 21-30 dias
Itraconazol 5-10mg/kg/q12h, VO 30 dias
Cetoconazol 5-10mg/kg/q12h, VO 30 dias
GLICOCORTICÓIDES
Prednisona 0,5-1mg/kg/q12h, VO
Quando necessário uso crônico 
definir a mais baixa dosagem 
para controle da afecção, 
geralmente 0,5mg/kg/q4 horas 
a critério
Dexametasona 0,25-1mg/cão/q48h, IM A critério
Acetato de metilprednisolona 1,1mg/kg/q7d, SC/IM A critério
ANTIHISTAMÍNICOS
Cetirizine 0,5-1mg/kg/q24 h, VO
Observar resposta do animalHidroxizine 2-7mg/kg/q8-12 h, VO
Ciproheptadina 0,1-2mg/kg/q8-12 h, VO
OUTROS
Ciclosporina 5-10mg/kg/q24h, VO
Alterar dose de acordo com 
resposta observada
Quadro 3- Classe, posologia e tempo de tratamento dos principais agentes sistêmicos utilizados no 
controle do prurido 
52 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 71 - dezembro de 2013
demonstrado recentemente que a cle-
mastina utilizada há duas décadas, não 
apresenta biodisponibilidade, quando 
administrado por via oral, e assim não 
se observa qualquer efeito benéfico em 
sua utilização 20.
Os glicocorticoides são os medi-
camentos mais utilizados para o tra-
tamento sintomático do prurido. São 
reconhecidamente as drogas que tem 
mais eficácia no tratamento dos sinais 
clínicos da dermatite atópica canina, e 
do alívio temporário do prurido, porém 
o seu uso deve ser muito bem descrimi-
nado, já que na maioria das vezes são 
utilizados, sem definir a causa primária 
7,18. O seu uso prolongado e abusivo está 
relacionado a problemas sistêmicos, 
como hepatopatia esteroide, aumento 
na incidência de infecções cutâneas por 
fungos e bactérias, desenvolvimento de 
demodiciose e hiperadrenocorticismo 
iatrogênico1,6,7,16. Deve-se evitar o uso 
de apresentações injetáveis já que a su-
pressão do eixo hipotálamo-hipófise-
-adrenal é mais duradoura após o inter-
rompimento do tratamento 2.
A sua utilização no tratamento em 
concomitante da foliculite bacteriana 
e malassezia não é aconselhado, já que 
o prurido associado a essas condições 
responde muito bem a terapia antimi-
crobiana, e o corticóide camufla a inten-
sidade da resposta. Isso pode dificultar a 
elucidação da causa primária, que deve 
ser o principal objetivo do clínico 8,10.
Como opção de terapia para a ato-
pia, tem-se a ciclosporina, um fármaco 
imunomodulador Ela inibe a calcineuri-
na, interferindo na ativação das células 
que iniciam a resposta imune, como as 
células de Langerhans e linfócitos, as-
sim como nas células efetoras da reação 
alérgica, como os mastócitos e eosinó-
filos22,23. A redução do prurido com seu 
uso foi bastante similar ao encontrado 
quando utilizado corticosteróide, com 
o benefício de haver menos efeitos co-
laterais, porém, a melhora clínica ocorre 
em torno de três a quatro semanas após 
início da terapia 22,23.
Considerações finais
A abordagem eficaz de um animal 
com prurido é essencial, visto este pode 
ser desencadeado por diversos fatores. 
Deve-se iniciar com a exclusão das in-
fecções secundárias e progredir para 
diagnósticos de causas alérgicas de acor-
do com as respostas obtidas. 
A utilização crônica de glicocor-
ticóides deve ser realizada em último 
caso, como tratamento de dermatite 
atópica e quando as outras opções não 
forem válidas. 
O ideal é sempre priorizar o diag-
nóstico da afecção que concorre com 
prurido, ao invés de realizar somente 
um tratamento sintomático que permita 
alívio temporário. Essa conduta mini-
miza possíveis efeitos colaterais, gastos 
desproporcionais e gera maior cumpli-
cidade do médico veterinário com o 
proprietário.
53Abordagem diagnóstica do prurido em cães
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Clínica Veterinária

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