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e-Tec Brasil Aula 1 – Fundamentação teórica da administração Objetivos Estudar as concepções necessárias ao entendimento da ciência ad- ministrativa. Compreender os fundamentos da administração. Conhecer os principais conceitos de administração. 1.1 Concepções e conceitos de administração É de conhecimento popular que a administração existe, desde que o mundo é mundo. Esta afirmação pode ser reforçada pois, desde que as civilizações mais primitivas ocupavam a terra, elas já adotavam técnicas e ferramentas administrativas para alcançar seu objetivo principal. A administração, tal como conhecemos hoje, é resultado histórico e integrado de inúmeros precursores. Referências históricas mostram que até hoje conceitos administrativos de mais de 1.200 a.C. ainda são usados no nosso meio. A história da administração iniciou-se num tempo muito remoto, mais pre- cisamente no ano 5.000 a.C., na Suméria, quando os antigos Sumerianos procuravam melhorar a maneira de resolver seus problemas práticos, exercitando assim a arte de administrar. Depois, no Egito, Ptolomeu dimensionou um sistema econômico planejado, que não poderia ter-se operacionalizado sem uma administração pública sistemática e organizada. Em seguida, na China de 500 a.C, a necessidade de adotar um sistema orga- nizado de governo para o império, a Constituição de Chow, com seus oito regulamentos e as regras de administração pública de Confúcio, exemplificam a tentativa chinesa de definir regras e princípios de administração. e-Tec BrasilAula 1 - Fundamentação teórica da administração 15 Apontam-se, ainda, outras raízes históricas. As instituições Otomanas, pela forma como eram administrados seus grandes feudos. Os prelados católicos, já na Idade Média, destacando-se como administradores natos. Ao longo dos anos, tem-se observado que a administração, como estrutura formal de ação, foi sendo delineada por influências de diversas áreas do conhe- cimento humano. A filosofia deu sua grande contribuição para a administração. Já antes de Cristo, os filósofos da antiguidade expunham seu ponto de vista sobre esta área fascinante que viria a ser importante nos dias atuais. Platão, filósofo grego, discípulo de Sócrates, (429 a.C. – 347 a.C.), também deu sua contribuição, relatando em sua obra intitulada “A República”, seu ponto de vista sobre democracia e administração dos negócios públicos. Aristóteles, filósofo grego, discípulo de Platão, estudou a organização do Estado e relata três tipos de administração pública: monarquia, aristocracia e democracia. Francis Bacon, filósofo inglês, (1561 – 1626) antecipa-se ao princípio da administração, conhecido como princípio da prevalência do principal sobre o acesso, enfocando a separação do que é essencial e do que é acessório. René Descartes, filósofo, matemático e físico francês (1596 – 1650), foi o autor das coordenadas cartesianas ou dos princípios cartesianos. Vários princípios da administração moderna, como, divisão do trabalho, da ordem, do controle, estão fundamentados nestes princípios. Precisamos, também, explicitar que Jean-Jacques-Rousseau (1712 – 1778), contextualizou a teoria do contrato social, teoria essa fundamentada no acordo entre os participantes de uma ação, com base num conjunto de regras que regem o mesmo. Por sua vez, Karl Marx (1818 – 1883), ofereceu contribuições significativas para a ciência administrativa, a partir da introdução da teoria da origem do Estado e considera que todos os acontecimentos históricos são produto das relações econômicas entre os homens. Porém, é preciso explicitar que na evolução histórica da administração, duas instituições têm papel fundamental enquanto instituições normativas do ponto de vista de suas contribuições, para entender melhor as organizações e a administração: a Igreja Católica Romana e as Organizações Militares. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 16 A Igreja Católica Romana pode ser considerada a organização formal mais eficiente da civilização ocidental. Através dos séculos, vem mostrando e provando a força de atração de seus objetivos, a eficácia de suas técnicas organizacionais e administrativas, espalhando-se por todo o mundo e exercendo influência, inclusive sobre os comportamentos das pessoas, seus fiéis. A Igreja Católica absorveu, ao longo do tempo, normas administrativas e princípios de organização pública das instituições de Estado, como Atenas, Roma, etc. Empregou na sua organização, a hierarquia de autoridade, o estado maior (assessoria) e a coordenação funcional. Muitos autores apontam que entre todas as formas de atividades humanas, a Igreja Católica constitui um dos exemplos mais destacados de aplicação e funcionamento de todos os princípios de organização. Ela aproveitou e aperfeiçoou toda a técnica administrativa que os romanos desenvolveram para fazer a administração a distância. Como exemplo de eficiência e de coordenação administrativa e departamental. Através dos séculos, vem mostrando e provando a força de atração de seus objetivos, a eficácia de suas técnicas organizacionais e administrativas, espalhando-se por todo mundo e exercendo influência, inclusive sobre os comportamentos das pessoas, seus fiéis. A Igreja Católica Romana contribuiu bastante para a evolução administrativa. À proporção que o cristianismo se expandia, ocasionava muitos conflitos, fazendo surgir novas seitas, por sentir-se pressionada, a Igreja passou a definir com mais clareza a sua missão, objetivos, diretrizes, regras e regulamentos, assim como a sua hierarquia organizacional, desenvolveu, então, uma relação altamente centralizada de autoridade e responsabilidade, ocasionando muitos conflitos entre centralização e descentralização existentes até hoje. Essas características, além do grau de imposições de diretrizes, doutrinas, procedimentos, entre outros, são uns dos principais fatores de diferenças de seitas cristãs. Hoje, a Igreja Católica, tem uma organização tão simples e eficiente que sua enorme organização mundial pode operar satisfatoriamente sob o comando de uma só pessoa, o Papa. Esta forma de organização tem atravessado séculos e sua forma primitiva tem permanecido mais ou menos a mesma: um chefe executivo, um colégio de conselheiros, arcebispos, bispos, párocos e a con- gregação de fiéis. Apoiada não só na força de atração de seus objetivos, mas também na eficácia de suas técnicas organizacionais e administrativas, a igreja e-Tec BrasilAula 1 - Fundamentação teórica da administração 17 tem sobrevivido às revoluções do tempo e oferecido um exemplo de como conservar e defender suas propriedades, suas finanças, rendas e privilégios. Por sua vez, as organizações militares evoluíram das displicentes ordens dos cavaleiros medievais e dos exércitos mercenários dos séculos XVII e XVIII, até os tempos modernos com uma hierarquia de poder rígida e adoção de princípios e práticas administrativas comuns a todas empresas da atualidade. A organização militar influenciou enormemente o desenvolvimento das teorias da administração ao longo do tempo. A organização linear, por exemplo, tem suas origens nos militares da antiguidade e da Idade Média. O princípio da unidade de comando, fundamental para a função de direção, é o núcleo central de todas as organizações militares. A escala hierárquica, ou seja, a escala de níveis de comando de acordo com o grau de autoridade e responsabilidade correspondente, é tipicamente um aspecto da organização militar utilizado em outras organizações. Na época de Napoleão (1769 – 1821), o general francês ao chefiar seu exército, tinha a responsabilidade de supervisionar a totalidade do campo de batalha. Entretanto, as batalhas de maior alcance, chegando a serem de nível continental, conduziram a um planejamento e controle centralizados em paralelos às operações descentra- lizadas, ou seja, passou-se à centralizaçãodo comando e à descentralização da execução, porém, Napoleão, ainda era responsável por todas as decisões mais importantes. Uma outra contribuição da organização militar, é o princípio de direção, por meio do qual todo soldado deve saber perfeitamente o que se espera dele e daquilo que ele deve fazer. Mesmo Napoleão, o general mais autocrata da história militar, aplicava este princípio, pois estava convencido de que a obediência cega jamais leva a uma execução inteligente de alguma coisa. No início do século XIX, Carl von Clausewitz (1780 – 1831), general prussiano, escreveu um Tratado sobre a Guerra e os Princípios de Guerra, falando sobre como administrar os exércitos em períodos de guerra. Foi o grande inspirador de muitos teóricos da administração, que posteriormente se basearam na organização e estratégias militares para adaptá-las à organização de estratégias empresariais. Para Clausewitz, toda organização requer cuidadoso planejamento e rigorosa disciplina, sendo que as decisões devem ser científicas, fundamentadas na dimensão probabilística, ao contrário de uma necessidade lógica ou institucional. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 18 Ele reforça que o administrador deve entender que há sempre um forte grau de incerteza nas decisões e sua função é reduzir ao máximo esta incerteza. Na medida em que aprofundarmos os estudos históricos a respeito da admi- nistração, nos deparamos com muitas concepções que dão o necessário suporte para seu entendimento. Porém, podemos considerar estas como sendo algumas das principiais contribuições teóricas históricas a respeito das origens e do significado da administração. Conceituar administração não é uma tarefa fácil. Muitas são as considera- ções, concepções, postulações e significados a respeito dessa temática tão importante. Porém, não podemos, de forma alguma, deixar de considerar sua origem sintática e semântica. A palavra administração tem sua origem ligada ao latim ad – direção para, tendência para; minister – subordinação ou obediência, e significa a função que se desenvolve sob o comando de outro. Então, administrar é obter resultados por intermédio de outros, exerce-se a função de fazer as coisas através de outras pessoas, com os melhores resultados possíveis. Chama-se a atenção para o fato de o administrador comandar a ação e não realizá-la. Tecnicamente, a administração constitui fazer as coisas da maneira mais adequada possível, com o mínimo de recursos – humanos, financeiros e materiais – com o intuito de alcançar objetivos. O conceito de administração representa uma governabilidade, gestão de uma empresa ou organização de forma que as atividades sejam administradas com planejamento, organização, direção, e controle. O ato de administrar é trabalhar com e por intermédio de outras pessoas, na busca de realizar objetivos da organização, bem como de seus membros. Administração é a tomada de decisão sobre recursos disponíveis, trabalhando com e através de pessoas para atingir objetivos. É o gerenciamento de uma organização, levando em conta as informações fornecidas por outros profissio- nais e, também, pensando previamente nas consequências de suas decisões. É, também, a ciência social que estuda e sistematiza as práticas usadas para administrar. e-Tec BrasilAula 1 - Fundamentação teórica da administração 19 Os princípios para administrar algo são: planejar, organizar, dirigir e controlar, sendo que as principais funções administrativas são: Fixar objetivos. Analisar, conhecer os problemas. Solucionar os problemas. Organizar e alocar os recursos, tanto financeiros, quanto tecnológicos e humanos. Liderar, comunicando, dirigindo e motivando as pessoas. Negociar. Tomar decisões. Controlar, mensurando e avaliando. O bom desempenho da administração depende de que o profissional consiga ser um bom líder, capaz de lidar com pessoas, negociando e comunicando, e, também, apto a tomar decisões, tendo uma visão sistêmica e global da situação que administra. Existem quatro áreas básicas de atuação do administrador: finanças, produção, marketing e recursos humanos, porém o mercado abrange várias áreas do conhecimento. A administração é resultado de um processo de formação que passa pelas mais diversas áreas, desde as exatas, como matemática, até humanas como filosofia. Cada vez mais esta ciência adquire importância na formação de profissionais, para melhor estruturar e impulsionar o funcionamento dos mais diversos setores das mais diversas organizações. Como as empresas adquirem crescente complexidade e tamanho na economia de mercado, é essencial que haja profissionais com competência para administrar. Também ganha valor diante do mercado financeiro, pois busca entender e sistematizar a administração do capital, fator essencial na economia atual. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 20 A administração tem uma série de características, entre elas: um circuito de atividades interligadas como: buscar a obtenção de resultados, proporcionar a utilização dos recursos físicos e materiais disponíveis, envolver atividades de planejamento, organização, direção e controle. Figura 1.1: Circuito de atividades da administração Fonte: CTISM Dessa forma, fica evidente que a tarefa da administração é interpretar os objetivos propostos pela empresa e transformá-los em ação empresarial por meio de planejamento, organização, direção e controle. Planejamento – significa estabelecer planos, métodos e processos que irão guiar as ações e os objetivos da organização, deixando para trás o empirismo e os palpites nas decisões administrativas. Tais procedimentos são as linhas mestras que definirão: O que? Quando? Quem? Como? serão feitas as coisas. e-Tec BrasilAula 1 - Fundamentação teórica da administração 21 Organização – é o processo de alocar, arrumar e/ou distribuir tarefas, responsabilidades e recursos entre os membros da organização. Significa adequar a estrutura da organização aos objetivos propostos, isso porque objetivos distintos requerem adaptações diferentes. Direção – significa liderar, influenciar e motivar as pessoas a realizarem tarefas essenciais à obtenção dos resultados. Ao contrário de planejar e organizar, dirigir é uma atividade concreta, uma vez que envolve trabalhar com pessoas. Sua função essencial é criar uma atmosfera adequada para o exercício de todas as funções. Controle – finalmente, controle significa verificar, constatar ou certificar-se da realização das atividades e objetivos conforme estabelecido. Enfim, controlar visa medir o desempenho das pessoas com relação aos objetivos previstos para manter a empresa no caminho certo. Estas atividades compõem o processo administrativo, o qual deve adequar o fator externo à organização, visando estabelecer objetivos possíveis de serem alcançados. Do exercício de tais atividades, depende o alcance dos objetivos que por sua vez determina o sucesso da organização. Dessa maneira, a administração é necessária para equilibrar objetivos pessoais e organizacionais, coordenar esforços e conseguir eficiência (capacidade de fazer certo as coisas) e eficácia (habilidade de fazer as coisas da maneira correta). Ainda, dentro dos conceitos que envolvem a administração, precisamos entender como ela pode ser desenvolvida. O sucesso de uma administração não está inteiramente relacionado àquilo que lhe foi ensinado, ao seu brilhantismo acadêmico ou ao seu interesse pessoal em praticar o que aprendeu nas escolas. Esses aspectos são importantes, porém estão condicionados a características de personalidade, ao modo pessoal de agir de cada um. O conhecimento tecnológico da administração é importantíssimo, básico e indispensável, mas depende, sobretudo, da personalidade e do modo de agir do administrador, ou seja, de suas habilidades. Nessa lógica, podemos afirmar que há, pelo menos, três tipos de habilidades necessáriaspara que o administrador possa executar eficazmente o processo administrativo: a habilidade técnica, a humana e a conceitual. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 22 Habilidade técnica – consiste em utilizar conhecimentos, métodos, téc- nicas e equipamentos necessários para a realização de suas tarefas espe- cíficas, através de sua instrução, experiência e educação. Habilidade humana – consiste na capacidade e no discernimento para trabalhar com pessoas, compreender suas atitudes e motivações e aplicar uma liderança eficaz. Habilidade conceitual – consiste na habilidade para compreender as complexidades da organização global e o ajustamento do comportamento da pessoa dentro da organização. Esta habilidade permite que a pessoa se comporte de acordo com os objetivos da organização total e não apenas de acordo com os objetivos e as necessidades de seu grupo imediato. A adequada combinação dessas habilidades varia à medida que um indivíduo sobe na escala hierárquica, de posições de supervisão a posições de alta direção. Com base nessas considerações, foi possível apresentar-lhe algumas concepções e conceitos a respeito do que significa administração. Isso tudo teve como objetivo oferecer-lhe subsídios para iniciar discussões mais profundas acerca da administração e de que forma ela interfere nas ações do nosso cotidiano, do cotidiano das organizações e também no cotidiano da sociedade como um todo. Como fechamento dessa aula, deixamos como referencial algumas das principais características presentes nas concepções a respeito do processo histórico de evolução da administração. 1ª Fase – artesanal (até 1780) Produção baseada no artesanato rudimentar. Existência de mão-de-obra investida, não qualificada e até mesmo escrava. Predomínio de oficinas, granjas e agricultura. Resquícios do feudalismo, com sistema comercial baseado em trocas. 2ª Fase – do artesanato à industrialização (1780 – 1860) Acompanha a 1ª Revolução Industrial, quando ocorre a crescente meca- nização das oficinas e da agricultura. e-Tec BrasilAula 1 - Fundamentação teórica da administração 23 O carvão e o ferro passam a ter enorme importância para o desenvolvi- mento dos países. As oficinas transformam-se em fábricas e usinas, dotadas de grandes máquinas, que substituem o esforço físico humano. Houve grandes avanços nos setores de transporte e comunicação. 3ª Fase – desenvolvimento industrial (1860 – 1914) Corresponde à 2ª Revolução Industrial, onde o aço e a eletricidade passam a ser fundamentais, em substituição ao carvão e ferro. Crescente domínio da ciência e do avanço tecnológico sobre a indústria e surgimento do automóvel, avião, telefone, e telégrafo sem fio. Substituição do capitalismo industrial pelo capitalismo financeiro devido a necessidade e surgimento de grandes bancos e instituições financeiras, ao lado de uma espetacular ampliação do mercado. 4ª Fase – gigantismo industrial (1914 – 1945) Fase situada entre as duas grandes guerras onde se utilizavam tecnologias e organização com propósitos bélicos. As empresas atingem proporções enormes, passando a atuar tanto no mercado nacional como internacional. Predomínio de aplicações técnicas-científicas e ênfase em materiais petro- químicos, colaborando para o aprimoramento dos setores de transporte e comunicação. 5ª Fase – moderna (1945 – 1980) Desenvolvimento tecnológico extraordinário, especialmente para fins comerciais mediante produtos e processos mais sofisticados. Surgimento do alumínio, plástico, fibras têxteis, energia nuclear e solar. No brasil, surgem as primeiras empresas nacionais de grande porte. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 24 Surgem os primeiros problemas econômicos, trazendo a incerteza e a imprevisibilidade do que vai acontecer. 6ª Fase – incerteza (após 1980) Fase carregada de novos desafios, dificuldades, oportunidades, ameaças, tornando o ambiente muito complexo e mutável. Fase da escassez de recursos, acirrada concorrência, dificuldade de entender o mercado e assimilar informações. Mudança radical no gerenciamento das organizações. Era da revolução do computador, que passa a substituir o ser humano em termos físicos e intelectuais. Resumo Nessa aula, foi possível compreender o contexto do surgimento da admi- nistração, além dos seus principais conceitos, características e métodos de desenvolvimento. Esse capítulo dedicou-se em apresentar que a administração tal como conhecemos hoje, que é resultado histórico e integrado de inúmeros precursores. Referências históricas mostram que até hoje, conceitos adminis- trativos de mais de 1.200 anos a.C., ainda são usados no nosso meio. Ficaram evidentes as influências de diferentes correntes do pensamento humano, mas especialmente um conjunto de implicações ganhou notoriedade, espe- cialmente do ponto de vista das influências das organizações militares e da Igreja Católica. Além disso, expusemos considerações acerca das áreas da administração (marketing, produção, finanças e recursos humanos), processo administrativo (planejamento, organização, direção e controle), bem como, habilidades necessárias para que o administrador possa executar eficazmente o processo administrativo (técnica, humana e conceitual). Assista a um vídeo sobre fundamentos (1) em: http://www.youtube.com/ watch?v=QKbPCcr4fXY Assista a um vídeo sobre fundamentos (2) em: http://www.youtube.com/ watch?v=Cr6wejS_fWk e-Tec BrasilAula 1 - Fundamentação teórica da administração 25 Atividades de aprendizagem 1. A organização militar influenciou a administração através de diversos con- ceitos. Assim sendo, o princípio de direção se baseia na seguinte afirmação: a) Os soldados devem se reportar a um superior apenas. b) Todo soldado deve cumprir seu horário de trabalho. c) Todo soldado deve saber o que se espera dele e aquilo que deve fazer. d) Nenhum soldado pode ser negligente na realização de suas tarefas. e) O soldado tem clara sua missão na empresa. 2. O processo decisório é uma sequência de etapas logicamente encadea- das, visando a: a) Justificar a manutenção da estrutura hierárquica da empresa. b) Definir e delimitar possíveis soluções para os problemas. c) Implementar soluções para os problemas encontrados. d) Planejar as medidas necessárias à solução de problemas. e) Controlar as ações da empresa. 3. É um sistema de atividades conscientemente coordenadas de duas ou mais pessoas, isso é o conceito de: a) Administração. b) Recursos humanos. c) Normas organizacionais. d) Missão. e) Organização. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 26 4. Assinale a opção que indica corretamente as principais funções do pro- cesso administrativo: a) Planejamento, organização, direção e controle. b) Planejamento, verificação, execução e ação. c) Comunicação, ação, correção e fiscalização. d) Execução, organização, direção e verificação. e) Fiscalização, comunicação, correção e controle. 5. Administração é um processo de tomar decisões e realizar ações que compreendem quatro processos principais interligados: planejamento, organização, direção e controle. Pode-se afirmar que: a) Direção – é definir as tarefas a serem realizadas e as responsabilidades pelas realizações. b) Organização – é assegurar a realização dos objetivos e de identificar a necessidade de modificá-los. c) Planejamento – é definir objetivos, atividades e recursos. d) Controle – é distribuir recursos disponíveis segundo algum critério. e) Organização – é definir o modelo de gestão a ser adotado pela empresa. e-Tec BrasilAula 1 - Fundamentação teórica da administração 27 Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p.52–82 Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Conceptions of management and manager in times of flexible capitalism: a critical approach Ana Cristina Batista-dos-Santos 1 José Arimatés deOliveira 2 Resumo O texto socializa os resultados de uma pesquisa cujo objetivo foi compreender criticamente as concepções de Administração e Administrador em tempos de capitalismo flexível. A referência epistemológica da pesquisa é a Teoria Crítica frankfurtiana, fundamentada em três pares categóricos dialéticos: história-naturalização, práxis social-sistema, e alienação-emancipação. A literatura prevalente da área foi revisada no tocante aos conceitos em estudo. Metodologicamente, foi realizada uma pesquisa integralmente qualitativa, com uso de três tipos de entrevistas: entrevista narrativa com história de vida; entrevista com elementos-estímulo; e entrevista narrativa ficcional. Para compreensão das narrativas, utilizou-se a técnica de análise hermenêutico-dialética. Os resultados indicam o predomínio da concepção pragmática-instrumental, no tocante à Administração, pela qual ela continua a ser pensada e discursada como uma ação tecnológica e teleológica, que utiliza saberes múltiplos e aprendizagens cambiantes como meios para alcance das finalidades do contexto organizacional mutante. Quanto ao Administrador, há a emergência da concepção estética para apresentá-lo. Por essa concepção, há a migração do histórico estereótipo do Administrador controlador e vigilante para a representação do Administrador como profissional performático. O segundo resultado, que se apresenta como o mais relevante em relação ao Administrador, é o da fuga da profissão. Palavras-chave: Administração. Administrador. Capitalismo Flexível. Teoria Crítica. Abstract The text is backed up by a field research whose goal was to critically comprehend the conceptions of the management field about the Management and the Manager, in times of flexible capitalism. Epistemologically, the research was conducted by the Frankfurtian critical perspective, based on three categorical dialectical pairs: (i) history versus naturalization; (ii) social praxis versus system; (iii) alienation versus emancipation. The mainstream literature of the Management area was revised. Methodologically, a fully qualitative research was carried out using three types of surveys: (i) narrative survey with life story; (ii) a survey with stimuli elements; and (iii) fictional narrative surveys. For the sake of interpretation and comprehension of the narratives, a hermeneutical-dialectical analysis technique was used. The results indicate the predominance of the pragmatical-instrumental conception regarding Management, through which it continues to be thought and discussed as a technological and teleological action, that uses multiple knowledge and shifting learning as a means of reaching the goals of the changing organizational context. Regarding the Manager, there is the emergence of the aesthetical conception to introduce it. Through this conception, there is the migration from the Artigo submetido em 17 de maio de 2014 e aceito para publicação em 13 de outubro de 2014. DOI: http://dx.doi.org/10.1590/1679-395123042 1 Doutora em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte; Professora assistente na Universidade Estadual do Ceará. Endereço: Av. Dr. Silas Munguba, 1700, Campus do Itaperi, CEP 60.714.903, Fortaleza - CE, Brasil. E-mail: ana.batista@uece.br 2 Doutor em Administração pela Fundação Getulio Vargas/EAESP; Professor adjunto na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Endereço: Campus Universitário Lagoa Nova, Edifício do CCSA – 1º andar - CEP 59078-970, Natal – RN, Brasil. E- mail: arimates@gmail.com Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 53-82 historic stereotype of the controlling and watchful Manager to the representation of the Manager as a performance professional. The second result, the most relevant with respect to the Manager, is that of the escape from the profession. Keywords: Management. Manager. Flexible Capitalism. Critical Theory. Introdução Embora ainda minoritárias, as pesquisas críticas no campo da Administração têm ganhado espaço. Isso é exemplificado pelo surgimento e crescimento do movimento Critical Management Studies, no contexto internacional (ALVENSON e DEETZ, 1998), pela criação de linhas temáticas para trabalhos que adotam uma perspectiva crítica em eventos brasileiros de referência, como os encontros da Associação Nacional dos Cursos de Pós-graduação em Administração (ANPAD), ou, ainda, pela identificação de mais de uma geração de autores socializando trabalhos de cunho crítico na Administração, no contexto brasileiro. Dentre esses autores, podemos citar: Maurício Tragtenberg, na perspectiva marxista libertária, e Alberto Guerreiro Ramos na perspectiva fenomenológica; eles se constituem nos precursores dos estudos críticos em Administração no Brasil, bem como Fernando Cláudio Prestes Motta, José Henrique de Faria e Fernando Coutinho Garcia, representando a primeira geração na linha tragtenberguiana, e autores contemporâneos como Ana Paula Paes de Paula, Francis K. Meneghetti, Maria Ceci Araújo Misoczky, dentre outros. A despeito dos frequentes debates sobre a falta de consenso quanto ao conceito de crítica para os críticos (PAULA, 2008), observa-se certa confluência temática nos trabalhos: poder, controle, dominação, disciplina e ideologia, colocados como crítica ao capital; e emancipação, autonomia e mudança social, apontadas como possibilidades para o trabalhador. Em geral, os textos trazem como pano de fundo a dialética capital- trabalho, e, não menos frequentemente, narram a administração como agente do capital, presos ao discurso da sua culpabilização por tomá-la como promotora dos males que assolam o trabalho. A pesquisa que fundamenta este trabalho identificou e buscou trabalhar criticamente uma lacuna: a questão “ontológica” (não respondida) da administração – O que é Administração? -, questão essa imersa no silêncio acrítico sobre a administração enquanto trabalho e sobre o administrador enquanto trabalhador, tanto por parte do mainstream, quanto por parte da crítica. Mesmo concordando que predomine, historicamente, uma sujeição acrítica da administração ao capital, este trabalho propõe que essa questão fundamental tem sido mal respondida. Parte-se, aqui, da compreensão da administração como trabalho e do administrador, profissional assalariado, como integrante da classe-que-vive-do-trabalho (ANTUNES, 2003), classe não- proprietária. A administração inscreve-se como processo de trabalho na concretude das relações de produção, sendo, como afirma Braverman (1987, p. 228): “um processo de trabalho rigorosamente análogo ao processo de produção, embora ele não produza artigo algum que não seja a operação e coordenação da empresa. [Portanto], examinar a gerência significa também examinar esse processo de trabalho que contém as mesmas relações antagônicas contidas no processo de produção”. A pergunta apenas aparentemente simples – O que é Administração? –, que vem sendo respondida indefinidamente como ciência, arte, tecnologia, fenômeno político ou, de maneira simplista, como sendo aquilo que os gerentes fazem, quando não silenciada, desvela-se, então, como o problema conceitual da Administração, problema de um campo com crise de identidade possivelmente devido a sua sujeição acrítica aos movimentos do capitalismo. Esse foi o tema escolhido para estudo: aprofundar-se na questão “ontológica” da Administração, considerando o contexto sócio-histórico do capitalismo flexível. O objetivo geral da pesquisa foi compreender criticamente as concepções do campo administrativo sobre a Administração e o Administrador, em tempos de capitalismo flexível, operacionalizado pelos seguintes objetivosespecíficos: (i) identificar as concepções do campo administrativo sobre a Administração; (ii) identificar as concepções do campo administrativo sobre o Administrador; (iii) discutir, a partir de uma abordagem crítica, os resultados dos objetivos anteriores. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 54-82 Concepções de Administração e Administrador na Literatura Prevalente Diversos autores podem ser considerados integrantes do mainstream da administração. Este texto socializa uma síntese de concepções identificadas em sete desses autores, por entender que foram ou são propagadores do pensamento administrativo em três momentos da recente história da administração, esta amalgamada com três fases do capitalismo: capitalismo familiar, capitalismo burocrático e capitalismo flexível (BOLTANSKI e CHIAPELO, 2009). Taylor (1986) e Fayol (1989) representam o primeiro momento de sistematização da matéria administrativa, imersos historicamente na transição de um capitalismo tipicamente familiar para um capitalismo burocrático. Em seguida, através de Drucker (1975), são acessadas as concepções de administração e administrador na fase de oponência do capitalismo burocrático, seguindo o anúncio da lógica flexível. O último bloco de autores, composto por Deming (1990), Ohno (1997), Champy (1995), e Mintzberg (2009), representa as concepções atualmente dominantes sobre o capitalismo em sua fase flexível. Os Quadros 1 e 2 sintetizam os temas e concepções identificados na literatura consultada: Quadro 1 Síntese das concepções da literatura (Administração) Concepção sistêmica Concepção pragmática Concepção comportamental Concepção filosófico- doutrinária Concepção político- ideológica Função Órgão Sistema totalizante Cérebro Sistema de melhoria contínua Atividades Desempenho Prática Prática situacional Ação transformadora “Ciência” Liderança Força Responsabilidade Posição Filosofia Doutrina Instituição social “Ciência” Fayol Drucker Deming Ohno Taylor Drucker Deming Mintzberg Drucker Champy Taylor Fayol Taylor Drucker Fonte: Quadro elaborado pelos autores (2013). Quadro 2 Síntese das concepções da literatura (Administrador) Concepção sistêmica Concepção pragmática Concepção comportamental Concepção filosófico- doutrinária Concepção político- ideológica Planejador Regente Otimizador do sistema Fazedor Artesão Treinador Professor Modelo Cooperador Responsável Mobilizador da Discipulador Conselheiro Educador Inculcador de valores Cooptador Aprendiz Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 55-82 (demonstrador) Frenético Eliminador de desperdícios mudança Líder visionário Comunicador Herói Concepção sistêmica Concepção pragmática Concepção comportamental Concepção filosófico- doutrinária Concepção político- ideológica Taylor Deming Taylor Drucker Ohno Mintzberg Taylor Fayol Deming Drucker Ohno Champy Mintzberg Deming Champy Taylor Deming Fonte: Quadro elaborado pelos autores (2013). A linguagem sistêmica é recorrente na totalidade dos autores estudados. Contudo, a concepção sistêmica é diretamente assumida em Fayol (1989), Drucker (1975), Ohno (1997) e Deming (1990). Essa concepção emerge predominantemente através de um discurso metafórico que toma a Administração como uma função ou órgão específico, que integra uma organização entendida como organismo vivo, exemplificando a prática corrente no campo administrativo de praticar a transferência inadequada de conceitos (RAMOS, 1981). Por vezes, a Administração é apresentada como sendo o próprio sistema, preferencialmente, um sistema total, global. Nessa categoria de concepção, o Administrador tende a ser identificado como planejador, regente e otimizador do sistema. A concepção pragmática emerge de maneira bastante expressiva na quase totalidade dos autores examinados. Ela se torna identificável através de um discurso que, ao tentar definir a Administração, utiliza com frequência termos como ação, prática, atividades, tarefas, e desempenho. Por vezes, essa ação – ou prática – é adjetivada como transformadora e situacional, por exemplo, dando os contornos com que cada autor vai qualificando a Administração como algo pragmático. O tema “ciência” também integra as concepções pragmáticas, apenas no sentido evocado por Mintzberg (2009), de que algum resultado da ciência é pragmaticamente utilizado pela Administração. Os autores que concebem, predominantemente, a Administração de maneira pragmática são: Taylor (1986), Drucker (1975), Deming (1990), e Mintzberg (2009). O Administrador, nessa concepção, é identificado como um permanente fazedor, é metaforizado como artesão, como treinador, e ainda, como professor demonstrador; também é apresentado como um indivíduo frenético e com uma obsessão pela eliminação de desperdícios. A concepção comportamental, por sua vez, desvela-se no discurso da literatura principalmente através do tema liderança, mas também através de dimensões como responsabilidade, força e posição, pelas quais a Administração deve “se comportar” como: (i) tendo a responsabilidade por algo; (ii) sendo uma força em si mesma; ou (iii) aquela que deve atuar a partir da posição que lhe é inerente. Os autores que, em geral, transitam nesse universo semântico para conceber a Administração são: Drucker (1975), Deming (1990), Champy (1995), e Mintzberg (2009). Por essa concepção, o Administrador se comporta como modelo, cooperador, mobilizador da mudança, é metaforizado como herói, mas, principalmente, é narrado como líder e como responsável pelo que acontece nas organizações. Surpreendentemente, a concepção filosófico-doutrinária emerge de maneira pontual somente em autores considerados expoentes da Administração tradicional: Taylor (1986) e Fayol (1989). Taylor (1986), apesar Cont. Quadro 2 Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 56-82 de qualificar como científico o sistema de Administração que propunha, apresenta a Administração como uma nova filosofia. Fayol (1989) entendia a Administração como a doutrina que faltava ao mundo dos negócios. Autores mais contemporâneos como Deming (1990) e Champy (1995) assumem essa concepção filosófico-doutrinária através de suas representações de Administrador, apresentando este último através de metáforas como discipulador, conselheiro, educador e inculcador de valores. Já a concepção político-ideológica é aqui compreendida como identificável no discurso de Drucker (1975), quando este afirma de maneira categórica e prescritiva que a Administração é uma instituição social, a despeito de qualquer debate sociológico ou consenso social sobre tal “enquadramento”; e, também, no discurso taylorista, que inaugura a definição da Administração como ciência, sem igualmente ter havido qualquer consenso acadêmico sobre a questão, exemplificando concepções que se impõem pelo discurso, independentemente de existirem ou não fundamentos para admiti-las ao nível do concreto. O Administrador, nessa concepção, desvela-se, em Taylor (1986), como cooptador de conhecimento; e como aprendiz, no discurso da qualidade; ambos relacionados ao conhecimento como “matéria-prima” da “Administração- ciência”.Fundamentos Epistemológicos e Desenho da Pesquisa A crítica, em sentido frankfurtiano, especialmente a oriunda das reflexões da primeira geração da Escola de Frankfurt, é aquela resultante do exercício da auto-reflexividade, exercício que impõe colocar os juízos e conceitos prévios em suspensão para interrogar-se sobre si, o outro, o mundo, visando compreender, sempre provisoriamente, os fenômenos sociais. Oposta que é à lógica formal, causal, linear, própria à teoria tradicional positivista, a Teoria Crítica (TC), por sua vez, entende a lógica dialética como constituinte da realidade, sendo, portanto, a que melhor daria conta de compreender essa mesma realidade (HORKHEIMER, 1980; ADORNO, 1980; 1986). Pautar-se na dialética para empreender uma práxis de pesquisa crítica exige adequações metodológicas, buscando apreender essa tensão dialética constituinte dos fenômenos. Este trabalho se fundamentou nas contribuições de Adorno (1980), Horkheimer (1980), e os dois juntos (ADORNO e HORKHEIMER, 1985), para eleger categorias epistemológicas críticas norteadoras do trabalho de campo, a saber: naturalização-história; sistema-práxis social; e alienação/dominação-emancipação. Uma pesquisa de natureza integralmente qualitativa foi delineada, isto é, aquela fruto da interação entre dados qualitativos e análise qualitativa dos dados (DESLAURIERS e KÉRISIT, 2008), utilizando-se a entrevista como técnica de coleta que leva à emergência de narrativas situadas no interstício homem-mundo, que se abrem como textos passíveis de compreensão. Foram utilizados tipos variados: (i) entrevista narrativa com história de vida; (ii) entrevista com elementos-estímulo; e (iii) entrevistas narrativas ficcionais. Essas são adaptações de múltiplas técnicas, configurando um mix metodológico favorável à manifestação da tensão dialética própria às dimensões epistemológicas norteadoras. Quanto ao primeiro tipo de entrevista, investiu-se na dimensão narrativa como fundamento para emergência das concepções de administração e administrador. Para Jovchelovitch e Bauer (2002), em geral, as entrevistas narrativas são uma forma de entrevista não estruturada e de profundidade, que tem em vista a reconstrução discursiva de algo anteriormente vivido pelo sujeito, visando ultrapassar o clássico modelo pergunta-resposta. Nessa entrevista, tinha-se como alvo o discurso do outro em sua rememoração do vivido (HAGUETTE, 2001). Conforme os roteiros (Apêndice: Quadros 5, 6, 7), buscou-se evocar uma narrativa histórica do sujeito, na qual os objetos em estudo pudessem ser por ele evocados no cenário da sua existência. Partiu-se do entendimento de Adorno (1980) de que devemos sempre considerar a constituição histórica dos fenômenos se pretendemos compreendê-los, ressaltando a importância das dimensões objetivas (economia, sociedade, política) e subjetivas (momentos psicológicos), que captem o entrelaçamento entre o individual e o social. Importava saber, por exemplo, sobre a história de vida dos sujeitos à época da escolha do curso de administração, e o que os levou, naquele momento, a optar pela área. Que concepções tinham, àquela época, sobre a administração e o profissional administrador? Como tais concepções se entrelaçavam com sua história de vida, com o mundo em geral e o organizacional, em particular? Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 57-82 Na segunda entrevista, o elemento-estímulo foi o recurso incentivador e norteador da fala. Elemento- estímulo é “algo” (pergunta, afirmação, proposição) que se apresenta ao entrevistado como uma proposta suficientemente ampla, mas necessariamente focal, servindo de eixo a uma entrevista (ALBANDES- MOREIRA, 2002). Originalmente, o autor falava de questão-estímulo. Nessa pesquisa, editou-se a expressão para elemento-estímulo tendo em vista que são múltiplas as possibilidades de estímulos, e não apenas uma pergunta. O elemento-estímulo possibilita ao pesquisador obter o máximo de informação multidisciplinar relevante e necessária à pesquisa, sem transformar a entrevista em interrogatório. Usando variados elementos que estimulem o entrevistado a discorrer sobre a temática central, o pesquisador provê condições de exame do tema em termos de práticas e de experiências subjetivas, de afetos e conhecimentos, de teorias e realizações mais próximas da realidade. O elemento-estímulo foi a palavra ADMINISTRAÇÃO, colocada em folha impressa em estilo cartaz, diante do entrevistado, solicitando que ele falasse livremente sobre ela. Dentre as inúmeras possibilidades de conteúdos que poderiam surgir, tinha-se especialmente em consideração, quando da proposta desse segundo tipo de entrevista, a possibilidade de emergência das concepções de administração e administrador envoltas em conteúdos ligados à tensão dialética da práxis social-sistema, devido à recorrente tendência de professores, alunos e administradores reproduzirem o discurso sistêmico dos livros e textos da área, no qual, para a administração, é delegada a tarefa de garantir a funcionalidade de uma organização-sistema, negando não só aos subordinados, mas também ao administrador, as possibilidades de uma espontaneidade própria à práxis social autêntica. Essa proposta metodológica baseou-se na perspectiva epistemológica de Horkheimer (1980) que denunciava a postura sistêmica da teoria tradicional que toma a realidade social como formada por elementos, organizados em uma lógica harmônica que elimina a contradição, e corroborada por Adorno (1980), para quem essa visão harmonizadora mecânica se constitui na colocação de um véu que escamoteia os antagonismos inscritos em sua base material, que é a práxis. O terceiro tipo foi a entrevista narrativa ficcional, combinação e adaptação das técnicas da entrevista narrativa tradicional (JOVCHELOVITCH e BAUER, 2002) e da entrevista ficcional (ALBANDES- MOREIRA, 2002). Jovchelovitch e Bauer (2002) discutem a relação entre narrativa, realidade e representação, e entendem que as narrativas não devem ser consideradas como espelhos da realidade, devendo-se atentar para sua dimensão expressiva, aquela que guarda relação com as representações do contador de história: “o que dizer de narrativas que estão claramente separadas da realidade dos acontecimentos?” (idem, p. 109). O que elas dizem sobre o que/como os narradores pensam? Assim, com a entrevista narrativa ficcional, buscou-se evocar narrativas “descoladas” dos eventos fáticos, porém plenamente imbricadas nas representações dos sujeitos de pesquisa. Com os roteiros (script) propostos (Apêndice, Quadros 8 e 9), almejava-se, principalmente, “acessar” tais representações, especialmente as relacionadas aos construtos administração e administrador. Entretanto, ensejava-se, também, com o “descolamento” do real que a ficcional possibilita, identificar possíveis conteúdos que expressassem a tensão dialética alienação/dominação-emancipação. Especialmente no tocante as suas narrativas fictícias de carreiras, esperava-se ver em que situações profissionais eles colocariam o administrador. Seria no recorrente lugar de mediação entre capital e trabalho? Se não neste, em qual seria? Com esse desenho de pesquisa, foi-se ao campo. Ao todo, foram entrevistados 7 sujeitos. No grupo de docentes, duas professoras graduadas em Administração, com mestrado na área, ensinando atualmente em universidades públicas, uma federal e outra estadual (Dora e Dani). Entre os alunos entrevistados, um é do sexo masculino (Dan), iniciando o curso de Administração, cursando o segundo semestre à época das entrevistas. O outro aluno é do sexo feminino (Mari), à época concluindo o curso. Ambos estudam em uma universidade pública federal. Dentre os administradores,dois são do sexo masculino (Fred e Max) e um do sexo feminino (Lia). Os dois são administradores e donos do próprio negócio. A última é uma administradora pública. Ao todo, a pesquisa de campo resultou em aproximadamente 12 horas de entrevistas. As entrevistas foram integralmente transcritas, resultando em um arquivo de registro contendo 114 páginas. A técnica de análise qualitativa utilizada foi a hermenêutico-dialética. Minayo (2002; 2004) é a pesquisadora que tem proposto tal técnica, no estágio atual da pesquisa qualitativa brasileira, desde o seu campo de pesquisa, a área da saúde. Pesquisadores de outros campos disciplinares têm adotado o mesmo caminho Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 58-82 analítico, como Oliveira (2001), na área de educação. Mais recentemente, também indicaram o uso da técnica, pesquisadores qualitativos da área de Administração que trabalham segundo a perspectiva crítica, como Bicalho (2009), Bicalho e Paes de Paula (2009) e Cardoso (2010). Minayo (2004) propôs essa tipologia de análise ancorada nas proposições de Stein (1987) sobre questões que envolvem o emprego da dialética e da hermenêutica. Levando-se em conta as origens epistemológicas diversas, a hermenêutica e a dialética constituem “dois caminhos através dos quais o debate atual sobre a questão do método se desenvolve numa esfera que transcende a fragmentação dos procedimentos científicos em geral” (STEIN, 1987, p. 99), perspectiva que se mostra alinhada aos movimentos de vanguarda da histórica Escola de Frankfurt, cujo “trabalho tem sido hibridizado e amalgamado com outras tendências teóricas” (JAY, 2008, p. 16). Para Stein (1987), a conjunção da hermenêutica com a dialética constitui-se como método apropriado para compreensão do real, argumento que Minayo (2002; 2004) acolhe e traduz em termos de utilização da análise hermenêutico-dialética como “caminho do pensamento”, mais do que em termos de procedimentos operacionais pormenorizados. Para a autora, a análise hermenêutico-dialética visa transcender os aspectos meramente procedimentais associados a técnicas, como a análise de conteúdo e análise de discurso, bem como almeja evitar os problemas epistemológicos a elas associados. A análise hermenêutico-dialética preserva da hermenêutica a possibilidade de interpretação dos sentidos que os sujeitos elaboram em seus discursos, estes tratados como textos a serem interpretados, e investe na possibilidade que a dialética fornece de compreender tais discursos em face das contradições e da totalidade da práxis social: “enquanto a hermenêutica penetra no seu tempo e através da compreensão procura atingir o sentido do texto, a crítica dialética se dirige contra seu tempo. Ela enfatiza a diferença, o contraste, o dissenso e a ruptura de sentido.” (MINAYO, 2004, p. 227). Tal técnica se operacionaliza, portanto, pelo constante movimento pendular entre interioridade e exterioridade, teoria e práxis, dado e mundo, indivíduo e sociedade. A análise não se restringe ao “momento hermenêutico”, de diálogo com as falas dos sujeitos, estas tomadas como texto a ser interpretado “em si mesmo”; este momento integra uma dinâmica maior porque constituinte da própria fala, que é o “movimento dialético”, pelo qual se considera essa fala como inscrita no mundo, na totalidade, na práxis de uma determinada sociedade, em toda sua dinâmica, complexidade e contradições, pois “não há nada, mas nada mesmo, sob o sol que, por ser mediado pela inteligência humana e pelo pensamento humano, não seja ao mesmo tempo também mediado socialmente” (ADORNO, 2008, p. 72). Portanto, essas falas emergem em contextos (culturais) específicos, que lhes servem de mediação, pois como afirma Gomes (1996, p. 7): “[na técnica hermenêutica-dialética] a fala dos atores sociais é situada em seu contexto para melhor ser compreendida. Essa compreensão tem, como ponto de partida, o interior da fala. E, como ponto de chegada, o campo da especificidade histórica e totalizante que produz a fala” (GOMES, 1996, p. 7). Para empreender o processo analítico-compreensivo, foram considerados os contextos em que os sujeitos se inscrevem em duas perspectivas, ou aproximações: os contextos imediatos e os mediatos (Figura 1). Os contextos imediatos correspondem aos espaços em que as existências dos sujeitos se passam, ou os que eles projetam para suas vivências futuras, nos quais suas vidas adquirem um sentido, e a partir dos quais manifestam a condição de seres sócio-históricos. Nessa pesquisa, os contextos imediatos considerados foram: (i) a história de vida individual; (ii) a universidade; e (iii) as organizações de trabalho. Os contextos mediatos são a própria história em geral, sociedade e economia, em que todos estamos implicados. A análise se deu em um movimento de contato com as falas em duas perspectivas: uma descritiva e outra exploratória; e em dois momentos: o primeiro em que as falas dos sujeitos eram analisados por grupos (professores, alunos, administradores) e o segundo momento em que se discutiu a narrativa totalizante. A instância descritiva disse respeito à identificação das opiniões, motivos e juízos dos entrevistados sobre três dimensões: (i) os contextos imediatos (história de vida pessoal, universidade e organizações de trabalho); (ii) suas escolhas (curso e área de Administração); (iii) seus destinos profissionais (carreira futura). Essas foram consideradas como dimensões a priori, e como pano de fundo do objeto de estudo: as concepções de Administração e Administrador. A instância exploratória, por sua vez, foi a que permitiu a identificação de temas emergentes do campo empírico, ou dimensões a posteriori, aquelas que esposam mais explicitamente suas representações dos construtos em estudo. Esses temas foram reunidos em grupos temáticos. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 59-82 Figura 1 Processo de operacionalização da análise Fonte: Elaborado pelos autores. Para auxiliar na operacionalização do processo interpretativo, optou-se pelo recurso analítico de trabalhar com metáforas para compreensão das concepções que transitam no campo em estudo, especialmente pelo fato de a pesquisa tratar de conceitos. Lakoff e Johnson (2002) defendem a ideia de que muito mais do que um aparato ou adornamento linguístico, a metáfora deve ser entendida como uma expressão (linguística) da forma como os homens pensam, conceitualizam e agem no mundo. Sendo “a essência da metáfora compreender e experienciar uma coisa em termos de outra” (LAKOFF e JOHNSON, 2002, p. 48), a sistematicidade metafórica presente em um discurso tanto realça, quanto encobre conteúdos e suas contradições. Entendendo que os processos de pensamento são, em grande parte, metafóricos porque o sistema conceitual humano é metaforicamente estruturado e definido, Lakoff e Johnson (idem, ibidem) argumentam que “um conceito metafórico estrutura o que fazemos, assim como a maneira pela qual compreendemos o que fazemos”. É, portanto, a metáfora, um evento linguístico que sintetiza a tríade linguagem-pensamento-ação. Esse caminho analítico contribuiu, especialmente, para realizar a discussão dialética dos resultados, pois o exame do discurso metafórico oferece condições interessantes para lidar com as ambiguidades e as contradições emergentes nos discursos. Análise e Discussão dos Resultados Apenas por razões de espaço, as falas dos sujeitos não são literalmente e integralmente divulgadas neste texto, trabalhando-se, nesta seção, com as síntesesinterpretativas sobre as mesmas. Da leitura analítica da dimensão de contextos (escolhas, destinos, universidade e organizações), previamente escolhida para exame, diversos temas foram identificados e sintetizados no Quadro 3. Os temas emergentes da fase exploratória também foram sintetizados e são apresentados, por grupos de sujeitos, no Quadro 4. Do exame desses temas e grupos tomados como uma totalidade, foi elaborada uma síntese empírica da pesquisa, apresentada sob a denominação de Grupos Temáticos (GTs) (Figura 2). Os GTs congregam as zonas de convergência de sentidos entre os grupos, bem como especificidades ou singularidades qualificadoras da compreensão do todo da narrativa. O Grupo Temático I apresenta uma tensão que permeia toda a narrativa, independentemente do grupo de sujeitos, cada qual elaborando a questão em seus próprios termos, atravessada por um sentido comum. Tal tensão se refere ao antagonismo expresso nos sentimentos e pensamentos ambivalentes que tanto professores quanto alunos e administradores tendem a nutrir pela Administração, e a tensão envolve: gostar/não gostar, não se convencer/apaixonar-se, reconhecer a importância/temer a concorrência, além da luta por permanente reconhecimento, em uma espécie de dicotomia do tipo “bem versus mal”. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 60-82 Quadro 3 Síntese de dimensões a priori: contextos Contextos História de vida estudantil e profissional Contextos imediatos Escolhas Destinos Universidade Organizações Indefinição Indecisão Dúvida Problema Não escolha Segunda opção Complemento Questionamento Paixão Certeza Encanto Formação continuada Administrador de TI Gestor de pessoas Docente Empreendedor Concurso público Gerência de empresa de grande porte Gerência de compras Consultoria Importância Valorização social Depositária do saber Ressentimento Formação Múltiplas aprendizagens Empresa Objetivos Organismo vivo Mudanças Identificação Pertencimento Ambiente dinâmico Necessidades Formação Lucro Inovação Família Orquestra Continente Múltiplas aprendizagens Fonte: Elaborado pelos autores. Quadro 4 Síntese de temas emergentes, por grupos de sujeitos Professores Alunos Administradores Amplitude Utilidade Concorrência Importância/reconhecimento Saberes e fazeres Experiência Conhecimento aplicado Necessidades Mudanças Finalidades Ação (fazer, prática, experiência, vivência) Tecnologia Abrangência Desvalorização Paixão Visual Estilo Status Não gostar Gostar Atividades sistemáticas Mudanças Perfil Experiência Aprendizagens Fonte: Elaborado pelos autores. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 61-82 Figura 2 Síntese da parte empírica da pesquisa (grupos temáticos) Fonte: Elaborado pelos autores. Essa tensão se mostra relacionada, na narrativa, aos processos de escolha de curso, às inquietações no decorrer do mesmo, e diante da decisão sobre o exercício da profissão. Quanto às escolhas de curso, nota-se a recorrência de temas como dúvida, incerteza, indefinição; o curso de Administração figurando muitas vezes como uma segunda opção, ou complementando outro curso/área. Em relação aos destinos profissionais, percebe-se que os entrevistados elaboram narrativas alternativas pelas quais ou passam rapidamente pela gestão para depois investirem em outro rumo profissional (principalmente como professores ou empreendedores), ou apontam para um adiamento da prática administrativa em suas vidas. Nos administradores, há um movimento entre querer e não querer, gostar e não gostar, não ser convencido pelo curso e depois apaixonar-se, que, frequentemente, é traduzido em dúvida na escolha durante e, por vezes, até o final do curso. Esse antagonismo da área pode ser assim sintetizado, no grupo de administradores: em uma mesma área, convivem a lógica do “não gosto”, “não sei se quero”, “não me convence, logo, desisto”; com a possibilidade do encantamento, da admiração e da paixão, estes advindos da aproximação com a dimensão prática da área. Entre os alunos, identifica-se que, diante de tal tensão, especificamente a aluna Mari adota três vertentes discursivas: (i) é proativa na crítica à desvalorização social da área; (ii) é silente quanto à falta de valor que ela própria dá a sua formação; (iii) é passiva para viver, em termos profissionais, o que declara ter se tornado uma paixão. Isso permite propor a síntese de que a aluna não consegue elaborar subjetivamente o antagonismo entre a paixão e a desvalorização do objeto da paixão, a Administração, acomodando-a como um sonho, um encanto, ou um adiamento em sua própria existência. Por outro lado, Dan é o mais expressivo em relação à valorização da Administração através do tema status, que ele elabora especialmente relacionando-o ao Administrador, um tipo profissional importante por assumir posições privilegiadas dentro do contexto organizacional. Entre o grupo de professores, a inquietação com o aspecto negativo da concorrência com outras áreas e da falta de reconhecimento da importância da Administração emerge em contraste com o processo de apaixonar-se durante o curso. As entrevistadas parecem admitir que escolheram uma área não consolidada quanto ao reconhecimento social e com permanente incerteza em relação ao exercício profissional, dada a Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 62-82 concorrência. Assim, elas tomam a luta pelo reconhecimento como sua, nutrindo a esperança de que, embora seja uma área com dificuldades, tem possibilidades de melhoria. Identificar nesse grupo de sujeitos uma não escolha inicial da área de Administração, transmutada posteriormente em uma opção apaixonante e solucionadora de conflitos pessoais, foi algo relevante. Ademais, a procura pela resposta ao que fez essa paixão nascer e se desenvolver, mesmo sendo fruto de uma não escolha consciente, também apontou caminhos de compreensão quanto à “natureza” da Administração para estes sujeitos, os quais respondem com conteúdos ligados ao segundo grupo temático, adiante discutido. Elas, as professoras, como que respondem, dizendo: “me apaixonei porque ela é suficientemente ampla e útil, podendo me apontar várias possibilidades futuras, em termos de carreira como Administrador e, mesmo que por alguma razão, tal encarreiramento não se efetive, não terei perdido tempo, pois a Administração me será útil para tudo, até para “gerência da vida pessoal”. Essa racionalização ecoa também nos dois outros grupos. Uma síntese possível sobre tal interpretação é que as professoras acomodam discursivamente o fato original de não terem escolhido Administração, através de um processo de racionalização afetiva e utilitária, pelo qual a Administração se transforma em um objeto alvo de paixão e cuja utilidade generalizada, dada a amplitude da mesma, justifica a permanência no curso, independentemente de uma carreira futura como Administrador. Esse primeiro grupo temático, associado às dimensões de escolha de curso e destinos profissionais, suscita discussões teóricas e históricas interessantes. Um diálogo teórico possível sobre esse cenário antagônico de otimismo/pessimismo, possibilidades/adiamentos,paixão/rejeição, dá-se com dois tipos de literatura, historicamente bem situados. De um lado, literaturas que apregoavam ou identificavam com reservas uma supervalorização da gerência, correspondente aos anos gloriosos do capitalismo burocrático. Evidencia-se essa supervalorização em diversos autores, com variadas perspectivas e localizações geográficas, como, por exemplo, no contexto anglo-saxão: o capitalismo gerencial (CHANDLER, 1984), administradores como representantes do topo da hierarquia dos colarinhos-brancos (MILLS, 1979), o boom administrativo (DRUCKER, 1975) e, no contexto brasileiro, um clamor por espaço e valorização dos administradores profissionais em face da industrialização do país (PEREIRA, 1966; CASTRO, 1974), ou a emergência de uma categoria profissional a serviço dos interesses do capital (COVRE, 1982). Por outro lado, em uma época mais recente, identifica-se uma literatura que lança luz sobre o mal estar ou desvalorização da gerência, especialmente a intermediária (BITTENCOURT NETO, 2004), a responsabilização da Administração pelos problemas empresariais de baixo crescimento (DEMING, 1990), a recusa aos termos manager (BROCKLEHURST, GREY e STURDY, 2009) ou cadre (BOLTANSKI e CHIAPELLO, 2009), o declínio ou morte do management (GREY, 1999), e, ainda, uma flutuação no seu status com diminuição das recompensas materiais e simbólicas (BROCKLEHURST, GREY e STURDY, 2009). A narrativa dos entrevistados, então, parece situar-se no interstício dessas duas visões ou dessas duas épocas, e remete ao alerta de Grey (1999) de que as condições do trabalho gerencial não são e nunca foram uma questão homogênea. Ao considerar, por exemplo, as ideias de Drucker (1975), percebe-se a mudança de perspectiva em relação à valorização da função gerencial, ou ao que ele chamava de boom administrativo, fenômeno que, para ele, como todo boom, chegaria ao seu momento de depressão, estando tal depressão associada aos reveses da economia. No momento de crise econômica que sucedeu aos anos gloriosos, Drucker (1975) compartilhava da ideia de redução da “gordura excessiva” dos níveis gerenciais das grandes empresas. Ao se examinar o lado positivo ou de otimismo da tensão, identificam-se dois temas predominantes que mostram duas inscrições de uma mesma questão. Um é o do sonho/encanto/paixão, e outro é o do status/importância. No primeiro, a narrativa aciona aspectos de natureza pessoal, individual, vinculados ao desejo de um indivíduo, um ser apaixonado e encantado, mais próximo das emoções sentidas em relação ao objeto desejado, do que por algo que, efetivamente, “viva com este objeto”. O segundo remete ao lado mais exterior da questão, ou a algo que poderia ser socialmente identificável, isto é, uma importante localização social garantidora de prestígio. Esse conteúdo da narrativa faz ecoar, mesmo que retrospectivamente, tanto o ideário quanto a concretude da importância da Administração e Administrador na literatura correspondente aos anos gloriosos, do quarto de século após a Segunda Guerra Mundial, no contexto anglo-saxão. Drucker (1975) apresentava a Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 63-82 Administração como pedra angular e nova instituição social, indispensável à vida em sociedade. Mills (1979) e Chandler (1984) relacionavam tal importância às necessidades da indústria moderna que, do rápido crescimento, demandou a multiplicação das funções de coordenação e controle dentro do novo tipo de organização: a indústria burocratizada. É nessa empresa integrada verticalmente que os “colarinhos-brancos” (MILLS, 1979) têm lugar privilegiado em uma grande hierarquia gerencial (CHANDLER, 1984). A essa localização, a esse status, corresponde o prestígio, que emergiu nas entrelinhas da narrativa do grupo entrevistado, especialmente nas valorizações que faz dos movimentos ascendentes, e nas atraentes metáforas de posição e localização. Dois pontos importantes se destacam, na narrativa, quanto à valorização do status gerencial: (i) a distinção dos Administradores como os que não ocupam o mesmo status de outros trabalhadores, ou não pertencem ao mesmo estrato dos demais; (ii) o reconhecimento material correspondente a tal status. Especialmente no grupo de alunos, há uma ênfase na diferenciação do Administrador em relação a outros profissionais, e a tendência de apresentar o contexto organizacional por uma lógica estratificada. Esses aspectos emergiram também relacionados à expectativa de um retorno financeiro diferenciado. Mills (1979) considerava a renda um fator de distinção de status entre operários e “colarinhos-brancos”, em que estes últimos estariam em uma posição de meio-termo, sendo a questão da propriedade um ponto em comum: nas burocracias modernas, ambas as categorias profissionais são não- proprietárias. Em contraste com o lado otimista da questão, a narrativa totalizante carrega, por vezes, o tom da desvalorização, da revolta com a concorrência na área, e mesmo a frustração pessoal pelas peculiaridades da profissão. A importância da Administração é evocada em conjunto com um clamor pelo reconhecimento social dessa importância, muito distante discursivamente do prestígio social de outrora. Nesses termos, as falas se aproximam da síndrome da sobrevivência, que ataca, principalmente, a gerência intermediária nos dias atuais, síndrome esta relacionada à falta de garantia de uma carreira promissora, segurança e estabilidade no trabalho, mesmo que em troca de lealdade (BITTENCOURT NETO, 2004). Sobre esse aspecto da segurança pecuniária e da estabilidade, observa-se que alguns destinos profissionais dos entrevistados, quer os vividos por eles, quer os projetados para seus personagens ficcionais, guardam relação com essa busca pela segurança e perspectivas de carreira, que eles não localizam na prática gerencial tradicional, corroborando o que dizem Brocklehurst, Grey e Sturdy (2009) quanto à atual erosão dos privilégios dos gerentes burocratas em termos de segurança. Assim, os entrevistados pegavam outras “rotas” profissionais que guardassem alguma relação com a Administração, mas que lhes desse mais segurança e reconhecimento material e simbólico, como, por exemplo, a docência e a propriedade. Mesmo os que idealizaram uma trajetória ascendente como gestores empresariais, como Dan, sempre terminaram a narrativa apontando o empreendimento próprio como futuro almejado, como se o posto gerencial como empregado fosse apenas uma passagem necessária, mas não definitiva, em seus horizontes profissionais. Os aspectos materiais, contudo, não são suficientes para explicar a desvalorização e perda de status de uma profissão. Brocklehurst, Grey e Sturdy (2009) lembram que status é um fenômeno complexo, apenas parcialmente relacionado com recompensas materiais. Nos territórios da Administração, os autores incluem tal fenômeno em um processo maior de desvalorização da área, que inclui dois aspectos: “uma proposição é que o management está em declínio como uma atividade que está se tornando rara. A outra é que o management está em declínio como uma atividade que tem status” (BROCKLEHURST, GREY e STURDY, 2009, p. 8). A raridade da Administração como atividade específica e restrita a um grupo profissional guarda relação com o frequente discurso contemporâneo da autogestão, do empowerment, da Administração como atividade incentivada e que se tornou possível a todos. Esse aspecto emerge de modo indireto na narrativa, não nomeado pelos entrevistados como autogestão, estando, contudo, mais associado ao tema da concorrência, pelo qual muitos outros profissionais podem e fazem o trabalho do administrador, como também o discurso de que, se a Administração serve pratudo, para gerenciar desde a vida privada às organizações, todos estariam habilitados a exercê-la. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 64-82 Assim é que a síndrome da sobrevivência de que fala Bittencourt Neto (2004) assola especialmente a gerência intermediária, que se vê reduzida dentro das empresas que tenham passado por reestruturações e assumido estruturas mais enxutas, como os entrevistados reconhecem ser a tendência atual, e também pelo movimento de incentivo a que todos dentro da organização gerenciem o próprio trabalho. Champy (1995), por exemplo, anuncia a entrada da gerência no rol das profissões perigosas e circunstancia o êxodo gerencial em três ondas: (i) a de redução de custos; (ii) a da gerência que não agrega valor; e (iii) a da TI substituindo atividades gerenciais; para, finalmente, apresentar a reengenharia como aquela que questiona a necessidade da existência de muitos gerentes nas organizações, na medida em que torna o trabalho mais autogerenciado. E mesmo Drucker (1975), defensor e propagador do boom administrativo, muda para a opinião de que a Administração como atividade restrita a Administradores deve se tornar cada vez mais inapropriada. A raridade da Administração como atividade detentora de status é própria de um discurso como o contemporâneo, segundo Brocklehurst, Grey e Sturdy (2009), que não atribui à gerência qualquer status distintivo e ainda a acusa de ser fonte das “doenças organizacionais”. É o caso, por exemplo, do discurso de Deming (1990) nos territórios da qualidade, que investe na culpabilização da Administração pelos problemas de crescimento empresarial em tempos de competitividade. A visão de lugar-comum da Administração, qualificada por participantes da pesquisa de Grey (1999) como “onipresença” da Administração e pelos entrevistados dessa pesquisa também como “onipresente” (aquela que está em tudo e é de todos, espécie de domínio público), realmente parece solapar a Administração não só como atividade, mas o Administrador como profissional com status, na medida em que, se todos podem e fazem o que ele faz, não há mais justificativa para um status diferenciado. Embora emerjam falas de que ainda é muito bonito ser chamado de Administrador, essa mesma narrativa associa frustração e angústia à profissão escolhida. Diferentemente da visão de uma culpabilização acrítica dos Administradores, a despeito deles historicamente servirem ao capital (COVRE, 1982; FARIA, 2004a), entende-se como Brocklehurst, Grey e Sturdy (2009, p. 8) que “variações no status de uma ocupação pode ocorrer por razões que fogem ao controle de seus membros”; ou como Gaulejac (2007, p. 12) quando afirma que “sabe-se hoje que a linha reta e segura do progresso pessoal depende de variáveis que escapam do controle do sujeito”. A tensão expressa nesse primeiro grupo temático guarda relação com as transformações em curso no capitalismo, cujas consequências pessoais e sociais são amplas, mesmo em espaços ocupacionais que lhe foram caros em um tempo histórico tão recente. Se as mudanças atuais não atingem a alta gestão, é forçoso admitir que os níveis gerenciais intermediários, aqueles para os quais os cursos de graduação “fornecem” anualmente um enorme contingente de força de trabalho, são atingidos de maneira expressiva, gerando situações existenciais conflituosas e desestruturantes. O Grupo Temático II é integrado pelos temas abrangência, amplitude e utilidade, os quais emergiram, predominantemente, nas falas dos professores e alunos, tendo ecoado esparsamente na narrativa dos administradores. Os grupos de professores e alunos elaboram tais temáticas com uma alternância avaliativa, em que a amplitude da Administração tanto pode ser vista como vantagem, como diferencial gerador de oportunidades profissionais, mas também como limitação quando comparada a outras áreas com foco definido. Quanto à avaliação negativa dessa amplitude ou abrangência de conhecimento do campo administrativo, é possível encontrar eco na literatura em pelo menos dois momentos específicos. Na abordagem clássica, identifica-se o incômodo de Fayol (1989) com tal amplitude ou indefinição da Administração, no início do século XX, problema para o qual via como solução a proposição de uma doutrina administrativa que tivesse contornos próprios. Assim foi que propôs sua lista de princípios e códigos para a matéria administrativa, esta tomada como um conjunto de funções a serem desempenhadas pelo Administrador, e este pautando-se em tais princípios doutrinários. Atualmente, a conotação negativa da abrangência da Administração guarda certa relação com as temáticas da desvalorização e perda de status debatidos no primeiro grupo temático. Brocklehurst, Grey e Sturdy (2009), por exemplo, afirmam que o management difere de outras ocupações profissionais, mesmo de profissões com atividades mais ligadas a aspectos comerciais, como a contabilidade. Os autores afirmam que o debate Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 65-82 gira em torno da dúvida se o management é essencialmente o tipo errado de conhecimento ou se é porque ele próprio tem sido incapaz de persuadir que é o tipo certo de conhecimento, mesmo que se apresente tão amplo e por vezes indefinido, razão pela qual teria que procurar por status em todo lugar, tendo frequentemente o efeito contrário da progressiva diminuição do mesmo. Essa espécie de grande passeio que a Administração faz em diversas áreas do saber, isto é, o seu caráter multicientífico e multidisciplinar, bem como a versatilidade de ir do senso comum às teses de doutorado (RAYMUNDO, 2006), ou, ainda, a possibilidade de ser considerada ciência por uns, e arte por outros, como alerta criticamente Aktouf (2005) e, ainda mais, o paradoxo de ser considerada as duas coisas ao mesmo tempo; todo esse “passeio”, enfim, acaba resultando no questionamento sobre a pertinência de se considerar uma área tão ampla e abrangente, como é a Administração, uma profissão. Essa queixa, por outro lado, foi considerada ilegítima por defensores da necessidade de administradores profissionais, à época de ascensão da gerência no Brasil, como Pereira (1966), que afirmava: “ninguém nega a existência de administradores profissionais, mas é muito comum ouvirmos a afirmação de que a Administração não é uma profissão. Torna-se difícil compreender semelhante posição. A Administração é sem dúvida uma profissão, desde que é uma atividade especializada, remunerada, com objeto próprio e constitui a fonte de receita, por excelência, daqueles que a exercem” (PEREIRA, 1966, p. 89). Castro (1974) compartilhava da visão de Pereira (1966) sobre a emergência e necessidade dos administradores como profissionais estratégicos para consolidação do processo de industrialização nacional. Ele destacava, em meados da década de 1970, o aspecto frágil da formação em Administração em detrimento de outras áreas do saber, como a Economia, que tinha uma formação teórica geral mais sólida. Castro (1974) também comentava, à época, sobre a abrangência própria ao termo Administrador dentro das empresas, por considerar que ele podia significar tanto o técnico especializado quanto o tomador de decisão, situações ocupacionais que ele considerava pertencentes a polos extremos e com demandas de formação diferenciadas. Por outro lado, considerar a Administração uma profissão com demandas de formação universitária abrangente não parece ser a compreensão de autores como Deming (1990). Falando desde o contexto norte-americano, Deming (1990) argumenta tratar-se de uma brincadeira cruel dizer que administrar é uma profissão e que os que passaram pelas escolas de negócios estão preparados para assumir os altos postos gerenciais das empresas daquele país, argumentando, ainda, que há um escopo de disciplinas que se constituem como formação do manager, mas outras que significam apenas um desenvolvimento de habilidades as quais ele julga mais adequado serem aprendidas e desenvolvidas na empresa. Assim, Deming (1990) reconhece a amplitude de conhecimentos próprios à área, mas acomoda em categorias diferentes – formação e habilidades – e em espaços também distintos de acesso e desenvolvimento: a universidade e a empresa. Em relação à avaliação positiva da amplitude da Administração, tanto no grupo de professores quanto no de alunos, há uma tendência a resolver o impasse que ela gera a partir do tema utilidade, que emerge em duas perspectivas: (i) a utilidade para a empresa; e (ii) a utilidade para a vida. Os alunos tendem a valorizar a abrangência de conhecimentos da Administração como útil para o contexto empresarial. Eles investem em um discurso pelo qual o estudante de Administração pode não saber para quê aquele conhecimento situado entre extremos servirá (da matemática à psicologia), mas que em algum momento de suas trajetórias profissionais, nas empresas, fará sentido. Eles defendem a característica da abrangência ou da pluralidade de conteúdos como inerente à Administração e à formação do Administrador, mesmo que a validade dessa abrangência só se verifique a posteriori, como uma espécie de aposta no futuro. As professoras argumentam sobre sua utilidade mais ao nível pessoal, como que dizendo: se tudo o que se estuda em Administração não servir para a vida profissional, ao menos servirá para a vida pessoal. Como mencionado anteriormente, toda a incerteza que envolveu a vida das professoras quando da escolha de curso, foi racionalizado em termos da utilidade que esse campo de conhecimento amplo e abrangente poderia trazer para suas vidas. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 66-82 Voltando a Taylor (1986), por exemplo, vê-se que esse tipo de pensamento de utilidade da Administração, para tudo na vida e na sociedade, não é uma novidade. É algo que já vem sendo incutido como ideologia gerencialista que transpõe os territórios da fábrica desde a passagem do capitalismo familiar para o capitalismo burocrático. Taylor (1986) defendia a universalidade dos princípios da Administração, o que significava, para ele, a aplicação desses princípios às mais diversas esferas da vida humana associada: lares, fazendas, casas comerciais, igrejas, universidades, governos etc. A lógica dessa ampla área que é a Administração servir para tudo não é uma mera questão retórica e não é considerada simples por autores como Grey (1999) e Gaulejac (2007), os quais entendem tal compreensão como associada a uma visão gerencialista da vida e do mundo como um todo. Para Grey (1999), por exemplo, a ascendência da perspectiva de que o management serve para tudo e é de todos é correlata ao seu declínio ou desvalorização como profissão, na contemporaneidade, com correspondente rompimento dos limites organizacionais para a prática do mesmo. Uma consequência possível, julga o autor, é que se estaria ampliando a racionalidade instrumental própria ao management para todas as dimensões da vida humana associada, fenômeno que, Gaulejac (2007, p. 28) elabora em termos de maior abrangência e, portanto, maior alcance da ideologia gerencialista: nascida na esfera do privado, a ideologia gerencialista tende a se espalhar nos setores públicos e no mundo não comercial. Hoje, tudo se gere – as cidades, as administrações, as instituições, mas também a família, as relações amorosas, a sexualidade, até os sentimentos e emoções. Todos os registros da vida social são atingidos. Cada indivíduo é convidado a se tornar o empreendedor de sua própria vida. Essa compreensão, de fato, encontra eco e até mesmo legitimação na narrativa dos sujeitos ouvidos nessa pesquisa. O Grupo Temático III é composto por um mix de temas intrinsecamente relacionados que atravessam a narrativa na sua totalidade, com facetas próprias em cada grupo de sujeitos. De um lado, há a recorrência de falas ligadas a temas operacionais como ação, atividades, fazeres, sendo estes relacionados a conhecimentos aplicados/tecnologia; e, por outro lado, temas relacionados à formação e conhecimentos que habilitariam o Administrador a tal operacionalização, como, por exemplo: saberes, aprendizagens, experiência. No grupo de professoras, há a recorrência dos temas saberes e fazeres, experiência e conhecimento aplicado. Tais temas fazem emergir a lógica pela qual as docentes concebem o saber e fazer administrativo, a partir da qual tendem, por um lado, a pluralizar os tipos de conhecimentos necessários ao Administrador para conduzir-se bem na profissão (saber técnico, saber interpessoal, saber organizacional), bem como pluralizam as fontes desses conhecimentos: está na teoria e na experiência, na escola e na empresa. Por outro lado, elas condicionam a validade desses múltiplos conhecimentos, acessados em várias instâncias, pelo critério da aplicabilidade: ele vale se for aplicável, utilizável. Uma síntese do pensamento das professoras é que elas estruturam o currículo de Administração e de formação do Administrador em saberes técnico, interpessoal e organizacional, localizam sua origem e destino na dimensão da experiência e condicionam sua validade pelo critério da aplicabilidade, como uma espécie de saber tecnológico. Os alunos, por sua vez, são contundentes ao enquadrar discursivamente os dois construtos – Administração e Administrador – em um contexto de práticas, de experiência, de vivência, de fazeres, aqui nomeado ação. Há falas que rechaçam a possibilidade da não concretização dessa ação, ou de uma correspondente permanência no campo da abstração, o que eles veem como característica de várias disciplinas do curso. Tal ação é para eles a garantidora de sentido do curso e da profissão que escolheram. Localizam no contexto da ação a necessidade de aplicação, de utilização de ferramentas, entendendo a Administração tanto como meio, isto é, como algo a ser aplicado nesses contextos demandantes, mas também como ela própria precisando lançar mão sistemicamente de outros meios – ferramentas – para cumprir os objetivos desse contexto. Assim, a Administração emerge como um conhecimento aplicado ou como mediadora de outros instrumentos de aplicação, e portanto, como uma tecnologia. Uma síntese possível de como os alunos pensam esses temas é que eles concebem a Administração como uma ação tecnológica plural, pela qual as dimensões das suas experiências e vivências, atuais e futuras, constituem-se como instância de formação complementar à universidade, sendo essa ação cativa ao contexto organizacional. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 67-82 Quanto a esse grupo temático, os administradores foram os que mais citaram conteúdo corrente na literatura da área para descrever a Administração e o trabalho do Administrador. Eles reproduzem discursivamente a literatura clássica que apresenta a Administração e o trabalho do Administrador como o desempenhar de atividades sistemáticas, como planejar, organizar, coordenar, controlar, tendo em vista a finalidade sistêmica de fazer a organização funcionar. Sobre as aprendizagens, eles as trazem na mesma perspectiva pluralcom que as professoras falam dos saberes e fazeres. São diversas as aprendizagens e as mesmas se dão em diversos lugares, mas, principalmente. na universidade e nas organizações de trabalho. As metáforas predominantes foram a da reciclagem, por meio da qual defendem a necessidade do aprender de novo, e de sempre ser necessário reiniciar o processo de aprendizagem; e a da abertura de mente e coração, pela qual caberia à universidade o papel de fazer essa abertura, visando preparar o futuro Administrador para as aprendizagens que ocorreriam nas organizações. Sobre a necessidade de reaprender sempre, eles justificam pelos diferentes focos das diversas organizações de trabalho por que venham a passar durante o exercício profissional. A cada nova experiência de trabalho, novas aprendizagens devem se efetivar. Uma proposição sintética do pensamento dos administradores no que se refere a esse grupo temático é que, mesmo há algum tempo longe da universidade, eles tendem a reproduzir acriticamente a concepção teórica clássica da Administração como um processo sistemático de planejamento, organização, coordenação e controle, e a acomodar tal visão em um pensamento sistêmico funcionalista. Por outro lado, trazem um conteúdo corrente na atualidade que é o da aprendizagem, apresentando a universidade como a que prepara o graduando para aprender continuamente depois, nas organizações de trabalho, sendo as experiências que se desenrolam nesse ambiente as qualificadoras de tal aprendizagem. Na narrativa totalizante, os temas operacionais tendem a reproduzir, como corrobora Grey (1999, p. 569), um “certo tipo de conhecimento [de que] management é o que os gestores fazem”; e, ainda, que “o administrador é definido como um homem, ou uma mulher, de ação” (AKTOUF, 2005, p. 154). Falas que focam a gerência como ação, como prática, encontram amparo nas mais diversas proposições teóricas ao longo do século XX. De Fayol (1989) a Ohno (1997), passando por Drucker (1975) e Mintzberg (2009), encontra-se a defesa desse tipo de concepção. Leituras clássicas que influenciaram a formação do pensamento administrativo ocidental, como bem tipifica Fayol (1989) com sua prescrição das funções plurais de prever, organizar, coordenar, comandar e controlar, ainda são frequentemente evocadas e reproduzidas. A esse respeito, no contexto brasileiro de ascensão da gerência, pelo idos da década de 1960, Pereira (1966) criticava a opinião corrente de que a Administração não era uma profissão, recorrendo exatamente à descrição das funções fayolistas para qualificar o objeto da Administração e o trabalho do Administrador: um administrador de empresas profissional é aquele indivíduo que, sem possuir a propriedade de uma empresa, toma decisões com autoridade sobre seus recursos humanos e materiais, planejando, organizando e controlando suas operações. É o homem que realiza essas funções especializadas em razão de sua competência profissional, e não por ser o proprietário da empresa ou por manter com estas relações de parentesco ou amizade (PEREIRA, 1966, p. 89). Tanto autores brasileiros, como Pereira (1966), quanto autores que escreviam desde o contexto anglo-saxão sobre a emergência da gerência (MILLS, 1979; CHANDLER (1962; 1984), eram unânimes em acomodar o uso dessas funções, pelo Administrador profissional, em uma localização específica: a organização moderna burocratizada. Para Mills (1979, p. 89): a ascensão de milhares de pequenas e grandes burocracias e a minuciosa especialização do sistema em geral criam a necessidade de que muitas pessoas planifiquem, coordenem e administrem as novas rotinas desempenhadas por outros. O desenvolvimento de unidades de atividade econômica cada vez maiores e mais complexas aumenta a proporção de empregados dedicados a tarefas de coordenação e gerência. Há necessidade de dirigentes, técnicos e empregados de escritório de todos os tipos – supervisores de seção, contramestres, chefes de escritório; pessoas às quais os seus subordinados prestam contas e Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 68-82 que, por sua vez, devem prestar contas a seus supervisores, elos das cadeias de poder e obediência, coordenando e supervisionando as experiências, funções e capacidades de outros. Em diversos trechos da narrativa, é esse o cenário valorizado pelos entrevistados, especialmente quando reclamam um status privilegiado dentro de um contexto estratificado; quando almejam um contexto profissional em que são considerados importantes para solução de problemas pelo desempenho dessas funções, mesmo que não se acomodem discursivamente nessa condição por toda a vida profissional. Esse tipo de atividade, de ação gerencial própria à organização burocratizada foi qualificada por Weber (1994) como uma ação racional referente a fins, com uma correspondente ética da responsabilidade. Assim, o Administrador figura como aquele que exerce sua profissão primordialmente orientado em relação às finalidades e regido por uma ética da responsabilidade (RAMOS, 1983). Uma prática direcionada a finalidades também foi o ponto fulcral para autores neoclássicos como Drucker (1975), que, em lugar de ciência, concebia a Administração como uma prática necessariamente comprometida com o desempenho empresarial. Essa ação gerencial, então, seria sempre regida pelas finalidades, a despeito dos meios, como racionalizado pela aluna Mari em relação à forma como ela concebia e gerenciava as pessoas com o intuito de levá-las a se identificar com a organização: uma gerência estratégica, que não necessariamente toma as pessoas como pessoas, mas que as coloca como meios para alcance dos objetivos organizacionais, configurando a concepção da Administração como um fazer-fazer (ALBANDES-MOREIRA, 2002). Tais concepções exemplificam a extensão da supervisão gerencial citada por Mills (1979): supervisão das funções, das capacidades, mas também das experiências dos outros, por parte do Administrador. A frequente recorrência na literatura em relação à existência de variados tipos de recursos gerenciáveis nas organizações, principalmente materiais, humanos e financeiros, encontra eco nesse grupo temático por meio da unidade de sentido fazer, que emerge sempre no plural. Para os entrevistados, nos territórios da Administração, trata-se sempre de fazeres múltiplos, associados a saberes também diversos, que eles apresentam como de três tipos: técnicos, gerenciais e organizacionais. Pelo menos parcialmente, tal classificação faz lembrar o pensamento de Fayol (1989) que distinguia dois tipos de capacidades que julgava necessárias às empresas: a técnica e a administrativa, sendo esta última própria do Administrador e mais ligada a aspectos comportamentais. Ambas as capacidades, para Fayol (1989), careciam de formação combinada ou complementar entre escola e empresa. Semelhante diferenciação foi a proposta por Drucker (1975) entre o profissional de carreira, aquele que detém um conhecimento especializado e supervalorizado pela organização, e o Administrador, o responsável pela transmissão de conhecimento e tomada de decisão. A pluralidade de fazeres e saberes da Administração também é referida por autores brasileiros como Castro (1974) em sua divisão dos gerentes entre o técnico especializado e o tomador de decisão, ou a classificação de Silva (2009) em: (i) conhecimento técnico; (ii) habilidades gerenciais; e (iii) compreensão da organização, do impacto nos outros e de si mesmo. O trânsito entre as áreas técnicas e gerenciais parece, inclusive, ser um ponto de tensão para o Administrador em comparação com outras profissões, especialmente as que têm um lado técnico mais destacado, como a engenharia, que parecedar força aos temas da desvalorização e concorrência que integram o primeiro grupo temático. A esse respeito, Bittencourt Neto (2004, p. 8), ao falar do mal estar que assola a gerência intermediária na contemporaneidade, circunstancia a questão nos seguintes termos: “as gerências intermediária e operacional apresentam o desconforto causado em vencer a resistência particular oriunda da imposição de abandonar a carreira técnica em prol das funções gerenciais por parte da empresa, em consequência do crescimento do negócio. Os profissionais que assumiram alguns cargos de gerência são engenheiros com reconhecida experiência técnica”. Assim é que se percebe na narrativa, em particular no discurso do aluno Dan, a insistência em unir ou mesclar dois tipos de saberes para a prática profissional futura (técnico na área de Tecnologia da Informação Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 69-82 e superior em Administração), como que garantindo, ainda no período de formação, a possibilidade de ter posto de trabalho nos dois tipos de fazeres – técnico e gerencial –, tornando-se, então, imprescindível. Uma inferência possível é que a pluralidade de fazeres de que falam e que a literatura sustenta favorece mais a profissionais com outras formações, em áreas com um foco técnico mais definido, do que Administradores, para quem resta fazeres mais performáticos do que conteudísticos, ou saberes e fazeres extremamente dependentes de um contexto organizacional específico, com consequências que não devem ter sua importância minimizadas, como, por exemplo: (i) impossibilidade de formação prévia adequada; e (ii) novas (con)formações a cada experiência de trabalho. Sobre esta última, Sennett (2007), em sua leitura reflexiva sobre esses tempos de flexibilidade, alerta quanto ao risco de corrosão do caráter, pela impossibilidade de desenvolvimento de relações duradouras, aquelas que eram próprias às carreiras burocráticas. Ao evocarem essa pluralidade de saberes e fazeres do Administrador, os entrevistados convergem para a compreensão da Administração como saber e fazer tecnológico, em que o tipo de conhecimento valorizado na área é sempre um conhecimento aplicado. Faria (2004a, 2004b) adverte sobre o cuidado de não se restringir o conceito de tecnologia ao uso de máquinas no processo produtivo. Ao entender tecnologia como o conjunto de conhecimentos aplicados a uma atividade (FARIA, 1992; 2004a), o autor apresenta as tecnologias de gestão como um tipo específico de tecnologia, na medida em que se constituem como instrumentos ou estratégias de gestão da força de trabalho. Faria (1992; 2004a) as classifica, então, em tecnologias de gestão de ordem instrumental e tecnologias de gestão de ordem comportamental e ideológica, em que as primeiras, em geral, relacionam-se às técnicas e estratégias de racionalização do trabalho, e as segundas a qualquer ação gerencial de manipulação e modelização do comportamento. Na narrativa, identifica-se nos grupos de professores e de alunos a tendência a fazer uma certa categorização dos saberes e fazeres que se mostram exemplares da compreensão de Faria (2004a). No grupo de alunos, vemos a tendência à valorização das tecnologias de gestão de ordem comportamental, tal como a gestão estratégica de pessoas proposta por Mari. O grupo de professoras, ao classificar os saberes e fazeres da gerência em técnicos, interpessoais e organizacionais, credita ao primeiro a possibilidade de solução de problemas no trabalho diário, tal como fazem os engenheiros; destacam, também, especialmente, a importância do segundo para o administrador, um tipo de saber que diz respeito, para elas, à capacidade de lidar com pessoas, conhecendo-as, motivando-as, e até mesmo corrigindo-as; e o terceiro tipo ligado à possibilidade do gestor ser o portador de uma “memória organizacional”. Esses temas operatórios são sustentados, na narrativa, pelo segundo grupo de temas que lhe conferem um sentido interessante: as aprendizagens e as experiências. Para se voltar à ação, aos fazeres, às práticas, o Administrador necessita passar por processos de aprendizagens diversificados e por experiências. O grupo que mais colocou a questão das aprendizagens foi o de administradores, os quais falaram principalmente a partir de suas histórias de vida estudantil e profissional. Eles insistiram no fato de que havia muita aprendizagem além dos muros da universidade. Essa ideia, de fato, não é nova, ou é de “berço” nos territórios da Administração, quando se relembra Fayol (1989) afirmando que a capacidade administrativa deveria ser adquirida em duas instâncias: a escola e a oficina. Ao tratar a Administração em termos de doutrina administrativa, Fayol (1989) apresenta como papel da escola o de inculcar esse tipo de conhecimento nos futuros Administradores. Desde autores clássicos como Fayol (1989), percebe-se que a formação ou os tipos de aprendizagens tidos como necessários ao Administrador transcendem os aspectos meramente técnicos de um ofício. O Administrador, de antemão, precisa se preparar para ser de uma determinada maneira no contexto de trabalho. Assim é que, na contemporaneidade, temáticas como a das emoções são trazidas para o debate sobre a aprendizagem de gerentes (SILVA, 2009), como que corroborando a “mente e coração abertos” colocada pelos entrevistados como sendo a parte que caberia à universidade nas aprendizagens necessárias ao Administrador. Como corroboram Brocklehurst, Grey e Sturdy (2009, p. 9-10), na atualidade, “os atos educacionais nos territórios do management representam mais um filtro ou mecanismo de socialização do que um veículo para transmissão de conhecimento utilizável”. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 70-82 Silva (2009) organiza essa multiplicidade de aprendizagens em termos de educação gerencial (sistema educacional) e desenvolvimento gerencial (mecanismos de mercado), e entende essas duas dimensões ao mesmo tempo como distintas e sobrepostas, mas tende a valorizar a segunda para formação dos Administradores quando afirma: a discussão em torno da relação entre educação e aprendizagem nos programas que fomentam a aprendizagem de gerentes nas organizações deve considerar que a educação não leva necessariamente à aprendizagem e que esta não está necessariamente conectada com a educação. Para que a aprendizagem ocorra, torna-se necessário que haja uma troca entre o indivíduo e a situação de trabalho. [...] O gerente deve encarar a aprendizagem como dinâmica e contextualizada ao ambiente da sua prática (SILVA, 2009, p. 154-6). É nesse sentido, o de enquadrar a aprendizagem dos gerentes especialmente no contexto das práticas, que tanto os entrevistados quanto literaturas clássicas e contemporâneas do campo, evocam o último tema desse grupo: a experiência. Fayol (1989) falava que saber avaliar era uma das principais qualidades do Administrador e a mesma era resultado do tato e da experiência. Para Silva (2009, p. 179): “as palavras ‘experiência’ e ‘aprendizagem’ estão intimamente relacionadas. [...] No ambiente empresarial, a palavra ‘experiência’ está associada a um conhecimento prático de como atuar em determinada situação profissional. A experiência faz parte do saber prático do gerente na ação”. A recorrência do tema experiência, em todos os grupos, leva a pensar sobre qual tipo de experiência os entrevistados estão falando. Um exame minucioso indica serem várias as perspectivas pelas quais eles abordam a questão. Há a predominância de trêstipos de perspectivas: (i) experiência associada a uma localização sistêmica do Administrador, como ocupante de função na organização-sistema; (ii) coisificação da experiência, ao tratá-la como algo que se carrega, que se ganha, que se adquire, que se tem; e (iii) experiência como instância de formação do administrador. Pela primeira perspectiva, a experiência do Administrador não se dá a partir da ação individual espontânea ou como fruto de relações interpessoais informais próprias ao convívio social no contexto do trabalho; a experiência emerge a partir dos critérios formais de inclusão do profissional da Administração como um trabalhador que desempenha funções dentro de uma organização pensada sistemicamente. Com essa inscrição, pode-se compreender que eles falam sobre a experiência de alguém colocado (e se colocando) na condição de elemento sistêmico, o que dá contornos próprios a tal experiência. Semelhantemente, Silva (2009) argumenta que a experiência é de importância determinante para a aprendizagem gerencial por possibilitar ao gerente, através de um raciocínio sistêmico, ter uma compreensão mais rica e ampla do seu papel. A lógica sistêmica também emerge como fundamento em outras perspectivas que relacionam as experiências e a aprendizagem no contexto do trabalho, como em Senge (1990), ao propor quatro disciplinas – domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada, aprendizado em grupo – fundamentadas no pensamento sistêmico. Por esse tipo de pensamento, que liga tudo e todos na organização por uma lógica sistêmica, é que autores como Senge (1990) fazem a extrapolação da experiência individual para o paradoxo de uma aprendizagem não mais individual, mas organizacional, pela qual os resíduos de individualidade das experiências e aprendizagens se diluem na organização-sistema, pela antropomorfização velada das organizações no discurso da aprendizagem organizacional. É, então, de maneira alinhada à perspectiva sistêmica que emerge a segunda representação: a da coisificação da experiência, para a qual também, sem dificuldades, encontra-se respaldo frequente na literatura que versa sobre a aprendizagem gerencial: “a experiência tanto pode ser adquirida mediante um processo de aprendizado sistemático, aprimorado no decorrer do tempo, como também é um conhecimento obtido de forma mais abrangente e não estruturada, adquirido ao longo da vida, por meio das relações sociais” (SILVA, 2009, p. 179). Assim, novamente, a experiência, em lugar de ser narrada como um processo individual e social espontâneo, próprio à vida humana corriqueira, ela é tipificada pelos sujeitos e pela literatura da área, como uma coisa a ser adquirida, transacionada, possuída, barganhada, tal qual um produto Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 71-82 com valor, que, se usado pelo Administrador sob uma lógica instrumental – tal como quer Max (administrador entrevistado): enriquecer-se de experiências pegando os “tiquinhos de cada um”, por onde passar, terá seu valor aumentado. Assim, a terceira concepção de experiência dos entrevistados emerge como uma consequência das duas primeiras: a experiência sistêmica circunstanciada no “mundo das práticas”, adicionada de valor ao longo da caminhada, transforma-se na instância ideal de formação do Administrador, com um valor potencializado quando comparada à experiência de formação universitária tradicional, que, para eles, parece deslocada do mundo real. Esse tipo de experiência lhes parece mais interessante pela perspectiva instrumental com que lidam com a mesma: ela é uma experiência enriquecedora porque os habilita para algo, porque serve para o próprio contexto imediato em que se dá, em uma espécie de movimentos circulares permanentes. Ela não tem valor substantivo em si mesma, ela é uma experiência rica e que forma o gerente porque serve à organização em que ele está na condição de elemento sistêmico. Vale lembrar que tal perspectiva sistêmica instrumentalizante da “experiência” não é nova para a Administração, como já prescrevera Fayol (1989, p. 43), ao ensinar sobre como surgem os princípios em matéria administrativa: “qualquer regra, qualquer instrumento administrativo que fortaleça o corpo social ou facilite seu funcionamento pode-se alinhar entre os princípios e durante o tempo em que a experiência o confirmar nessa posição”. Logo, desde Fayol (1989) falava-se de experiência, menos em sentido de uma vivência individual, e mais na perspectiva de práticas funcionais no interior de uma organização tomada como um sistema orgânico, naturalizada. O Grupo Temático IV é formado pelos temas visual, estilo e perfil, apresentando-se como o grupo temático mais diretamente relacionado ao construto Administrador e, por isso, o mais personalístico de todos. Os temas que o compõem emergem nos grupos de alunos e administradores. No primeiro, recorrem os temas visual e estilo; os administradores, por sua vez, apresentam o tema perfil como qualificador do Administrador. Por esse grupo temático, os entrevistados indicam que a possibilidade de ser (ou estar) Administrador acha- se menos relacionada à capacitação ou formação para tal, mesmo que dela não se possa prescindir, do que a dimensões ligadas à performance, tanto em termos das práticas/ações/experiências discutidas no terceiro grupo temático, mas aqui principalmente por aquilo que pode ser mostrado e visto, a partir de um estilo próprio ou aprendido por esse Administrador. Essas seriam as garantias para adquirir e situar-se em um status privilegiado, o do administrador-líder, figura situada sempre à frente, ou acima, no espaço organizacional. Esse grupo temático intercambia com o primeiro grupo no que toca à dimensão status, donde uma síntese possível é: ao considerarem o status como definidor de quem é o Administrador no contexto organizacional, os entrevistados entendem que o alcance de tal posição lhes exige: (i) o atendimento a um perfil específico, que pode ser aprendido em situações de formação ou ser nato, perfil que também deve servir de modelo para outros; (ii) a capacidade de ver e aprender um estilo próprio e compatível com o status pretendido; e (iii) a capacidade de mostrar-se detentor desse perfil e atuante nesse estilo; assim, associam a profissão mais a dimensões performáticas do que a aspectos conteudísticos. Novamente, também, os temas desse grupo encontram eco em autores clássicos, como Fayol (1989, p. 37), que dava contornos próprios ao tema: Se se trata de escolher um contramestre entre os operários, um chefe de oficina entre os contramestres ou um diretor entre os engenheiros, não é nunca a capacidade técnica que decide a escolha. Verifica-se se o escolhido possui a dose necessária de capacidade técnica, mas, entre os candidatos de valor técnico quase equivalente, será dada preferência ao que for considerado superior por suas qualidades de presença, autoridade, ordem, organização e outras que são os próprios elementos da capacidade administrativa. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 72-82 Uma identificação importante no pensamento de Fayol (1989) é que ele apresentava o Administrador como um modelo ou como um exemplo a ser seguido, logo, muito mais relacionado a um “saber ser”, a um comportar-se de determinada maneira, do que a um “saber fazer” um trabalho, desde o ponto de vista técnico de um ofício. Também em autores da época de ascensão da gerência brasileira pode-se identificar essa distinção entre um trabalho técnico e um trabalho ligadoa características individuais. Castro (1974, p. 61), ao propor as tipologias de administradores técnicos e administradores tomadores de decisão, esclarece: “nas funções de decision-making, atributos pessoais são mais relevantes para a performance do que propriamente a formação universitária, [assim], podemos recrutar livremente para estas funções engenheiros, advogados, economistas e técnicos de administração”. Esse tipo de concepção sobre o trabalho do Administrador favorece, inclusive, a situação de concorrência com profissionais de outras áreas, como abordado no primeiro grupo temático, uma vez que, como Castro (1974) defende, atributos individuais prescindem da formação acadêmica, podendo, portanto, ser encontrados em profissionais de outras áreas. Assim, o Administrador como trabalhador performático, com perfil e estilos adequados ao status pretendido, sofre a concorrência direta de profissionais de outras áreas. Será por isso que os entrevistados insistem na metáfora ótica ou da visibilidade, pela qual precisam ser permanentemente vistos em suas performances para garantir o posto de gerência? Em épocas mais recentes, e com contornos próprios, autores como Champy (1995), em suas proposições sobre a reengenharia, também tende a apresentar os novos administradores a partir de aspectos performáticos e mesmo revolucionários, como a figura do herói, aquele que sai como vencedor nos processos de mudança empresarial servindo de modelo para todos na organização. Como o autor afirma, os gerentes mostram os novos caminhos a todos na organização, sendo “modelo de comportamento, possibilitando e educando” (CHAMPY, 1995, p. 35), à medida em que demonstra visivelmente uma forma de ser e portar-se. Também no seu conceito de autoridade existencial, para contrapor-se à autoridade formal tradicional, Champy (1995) enseja uma concepção da gestão pela qual é através do exemplo e dos resultados visíveis que os novos gestores estariam garantindo seu espaço. Finalmente, o Grupo Temático V é composto por temas que, juntos, trazem um sentido convergente a uma dimensão muito significativa para os territórios da Administração, aquela que diz respeito ao lócus ou ao espaço social privilegiado para sua emergência: a organização. Os temas “mudanças”, “necessidades” e “finalidades” perpassam praticamente toda a narrativa, lançando luz e privilegiando principalmente um tipo de organização: a empresa. A empresa emerge como o contexto privilegiado da gestão, à semelhança do status de instituição social atribuído por Drucker (1975). Quando falam da empresa, os entrevistados a narram como uma espécie de primeira e última razão da Administração e do Administrador. Trata-se da organização, o continente do qual Administração e Administrador lhe são conteúdos peculiares. Que necessidades? As da organização. O que deve mudar? A organização. Em nome de que finalidades? As da organização. É sempre esse o cenário no qual os entrevistados situam essas questões e a eles próprios enquanto administradores. O tema mudança não é novo nos territórios da Administração. Embora seja frequentemente narrado como uma espécie de mantra contemporâneo, como se mudança fosse a novidade corrente da gestão em contraposição a um passado tomado discursivamente como estático no campo administrativo, ao contrário, desde Taylor (1986), e reaparecendo em Drucker (1975) e em tantos outros autores do mainstream, as mudanças são apresentadas como “tema da hora” nos territórios da empresa e sua Administração. Era sobre mudança que Taylor (1986) falava e buscava implantar com sua proposta de Administração Científica, em substituição à Administração por iniciativa e incentivo. Suas propostas eram respostas às mudanças demandadas pelo sistema capitalista de produção de então, e Taylor (1986) considerava ser necessária à figura do dirigente, enquanto promotor das mudanças, grande experiência pessoal antecedente, como uma espécie de formação pela prática, a qual lhe habilitaria a implantar as mudanças necessárias ao sistema administrativo. Semelhantemente, Drucker (1975) apregoava a necessidade de mudança e reestruturação na empresa e sua Administração. Ohno (1997), por sua vez, apresentava o sistema Toyota de produção como a mudança necessária para os tempos de crise e necessidades de reconstrução da indústria e economia japonesa. O que talvez marque uma diferenciação no discurso, é que, diferentemente de Taylor (1986), Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 73-82 Drucker (1975) associava mudança à incerteza e descontinuidade nos territórios da gestão, como que demarcando uma requalificação do próprio sentido de mudança nesse campo. Esse quinto grupo temático guarda estreita relação com o terceiro, pois, enquanto o terceiro apresenta a defesa dos entrevistados quanto à demanda de saberes e fazeres plurais, que se inscrevem especialmente na prática, requerendo, em uma lógica de causa e efeito, um tipo específico de conhecimento (o aplicado, o tecnológico), esse quinto grupo temático explica os porquês ou os motivos disso: é porque existem necessidades imperiosas a serem supridas, em especial, as relacionadas a mudanças e transformações, tornadas cada vez mais urgentes na atualidade, uma vez que existem finalidades a impor e determinar toda essa cadeia causal, sendo essas finalidades a de um espaço, de um lócus específico, plenamente identificado em suas narrativas: o contexto organizacional. Em geral, é a grande empresa que habita o imaginário dos entrevistados. Uma síntese possível é que os sujeitos conferem ao contexto organizacional uma espécie de poder soberano, por ser o território das necessidades e finalidades, cuja complexidade envolve uma demanda constante de transformações, impondo à Administração e ao Administrador um estado de submissão permanente. Essa espécie de soberania conferida pelos entrevistados à organização empresarial é própria de um discurso de elevação da empresa a uma categoria de distinção na sociedade moderna, como proposto por apologistas da cultura de empresa: “a empresa é hoje, de longe, a instituição mais influente na sociedade moderna. Apenas o Estado pode a ela ser comparado em termos de poder” (RICHERS, 2005, p. 9); tipo de pensamento que permite a leitura crítica dos opositores do capital que enquadram esse tipo de representação como o discurso da empresa soberana em tempos de democracia totalitária (BERNARDO, 2004). Para falar da empresa elevada a tal status institucional ou de soberania totalitária, a narrativa incorre em dimensões naturalizantes do construto histórico empresa, ao apresentá-la, metaforicamente, como um sistema biológico vivo que muda e que tem necessidades a serem atendidas. Novamente, trata-se de um tema recorrente no campo administrativo desde autores clássicos como Fayol (1989), ou neoclássicos como Drucker (1975), que apresentavam a empresa capitalista como um organismo vivo, utilizando com frequência metáforas como as da empresa com vida próspera, empresas que enfraquecem, empresas com órgãos de visão, empresas que andam depressa e empresas como corpo social (FAYOL, 1989), ou empresas como esqueletos, corpo, organismo e como órgãos da sociedade, esta também tomada sistemicamente (DRUCKER, 1975). Ao evocarem temas como necessidades e mudanças, é essa mesma equiparação com organismos vivos que os entrevistados estão a fazer, mesmo que disso não se deem conta, como corrobora Morgan (1996), ao tratar das imagens metafóricas pelas quais as organizações têm sido lidas e discursadas desde a abordagem clássica até à dita flexível: as organizações são concebidas como sistemas vivos, que existem em um ambiente mais amplo do qual dependem em termos da satisfaçãodas suas várias necessidades. Pela lógica sistêmica, que apresenta as organizações como organismos com necessidades e que continuamente mudam e evoluem, a Administração emerge como um meio adequado para fazer tal sistema orgânico funcionar. Entretanto, o funcionamento por ele mesmo não é o fim último das organizações tomadas como organismos, são as suas finalidades ou objetivos que qualificam que necessidades atender, que mudanças realizar. Por esse raciocínio, Administração e Administrador figuram sistemicamente também como meios, como instrumentos para alcance das finalidades da organização. Retomando Drucker (1975), percebe-se o tom quase axiomático com que eleva as finalidades organizacionais a um status de definição da própria natureza da Administração: “Administração é muito mais uma prática do que uma ciência. Não é conhecimento, mas sim desempenho” (DRUCKER, 1975, p. 20). Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 74-82 Síntese crítica da narrativa totalizante Das análises empreendidas, um primeiro movimento de síntese dessa pesquisa é que as representações dos sujeitos entrevistados integram duas concepções sobre a Administração e o Administrador, na contemporaneidade, concepções ao mesmo tempo independentes, mas que se explicam mutuamente: (i) a concepção pragmática-instrumental; e (ii) a concepção estética. A concepção pragmática-instrumental perpassa especialmente os grupos temáticos II, III e V, clarificando o que os entrevistados pensam sobre a Administração, enquanto a concepção estética se desvela especialmente no grupo temático IV e em temas do grupo temático I, expressando predominantemente suas compreensões sobre o Administrador. A concepção pragmática-instrumental encaminha para a conclusão de que os sujeitos entrevistados definem a Administração, em sentido lato, como uma ação ampla e útil para tudo e todos. Em sentido estrito, por essa concepção, eles entendem e apresentam discursivamente a Administração como uma ação tecnológica e teleológica, que utiliza saberes múltiplos e aprendizagens cambiantes como meios para alcance das finalidades do contexto organizacional mutante. A representação que emerge de suas ideias é a do movimento. A Administração é esse movimentar-se para algo, ou em função de algo. Pela concepção estética, eles tendem a apresentar o Administrador como um profissional performático, quando dentro das organizações. Tal concepção estética emerge com duas facetas. Em temas do grupo temático I, como status, o “belo” emerge associado à ideia de que o Administrador é aquele com posição e localização de destaque nas organizações, com merecida importância e reconhecimento, donde o lugar, o estar nesta e não noutra posição, seria o grande qualificador da sua profissão. A outra faceta estética é predominante no grupo temático IV e infere-se que ela é acionada quando há ausência da primeira, isto é, se não houver garantia do lugar, da posição, o Administrador deve “correr atrás” com um visual, estilo e perfil adequados, valorizando a dimensão da aparência como garantidora da permanência. Uma particularidade identificada nesses resultados se refere ao Administrador. Em geral, as representações predominantes do Administrador são as ligadas ao poder e controle, ou à figura da vigilância e punição, como aquele que “faz fazer” dentro das organizações, a espécie de “mão” mediadora do capitalista, como comparava Braverman (1987). Diferentemente, os resultados desse estudo tendem a apresentar silêncio e performance como os principais qualificadores do construto Administrador, em substituição ou alternativa à concepção do Administrador como controlador e vigilante. Embora na narrativa totalizante haja esparsas emergências do tema “controle” associado à figura do Administrador, o que predominou foi a fuga da profissão; há um vazio discursivo quase unânime sobre esse profissional. Tal como nos estudos de Grey (1999), o Administrador simplesmente não emerge nas narrativas; nessa pesquisa, ele aparece apenas temporariamente, isto é, em um período da carreira dos sujeitos, para depois migrarem para outras ocupações profissionais. Ao relacionar a concepção de Administração (pragmática-instrumental) e a concepção de Administrador (estética), um questionamento surge: se, nas concepções de Administração vem sempre se repetindo a dimensão operacional da mesma, o fazer, a prática, o resultado, a lógica finalista, por que, nas concepções de Administrador, há uma migração da lógica do “fazer fazer” para o silêncio ou para a performance? Seria mais compreensível pensar que, se a Administração é entendida pelos sujeitos como pertencente ao mundo das práticas, como um ofício meramente operatório e instrumental, posto que dirigido e destinado a finalidades específicas, caberia ao Administrador permanecer no papel de mediador e garantidor da execução por parte dos subordinados, para alcance das finalidades. Mas não é isso que eles identificam na realidade que os cerca, ou que projetam para suas vidas. Quando dizem algo, isto é, quando ainda narram sobre o Administrador dentro de um contexto organizacional como um profissional da gerência, pouco o apresentam como o mediador que “faz fazer” atrelado à autoridade conferida pelo cargo; em lugar disso, ora predomina a referência a alguém que se mostra, que se faz perceber como necessário a partir de estilo e perfil pessoal próprios, ora emerge através do amálgama entre o chefe hierárquico e o gestor-líder. Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 75-82 Percebe-se que o capitalismo flexível traz em seu bojo caminhos de respostas para tal questionamento. Uma compreensão possível é que, em tempos nos quais o novo discurso ideológico gerencialista é o da generalização ou amplificação da mentalidade administrativa para toda a sociedade, seja com o conceito de autogestão, no âmbito das organizações, ou com a disseminação da lógica do gerenciamento de todas as esferas da vida por todos, além muros organizacionais, tem-se como contradição a desvalorização da área enquanto profissão restrita a poucos especialistas, no mesmo movimento de supervalorização da área enquanto conhecimento disseminado e acessível a todos ou qualquer um. A Administração, ao mesmo tempo em que é valorizada como conhecimento importante para tudo e todos, também tende a se desvalorizar como profissão restrita a um universo de profissionais com status elevado, como o era nos tempos de ouro do capitalismo burocrático. Assim é que se pode entender os silêncios sobre o Administrador como profissional de carreira e também o aspecto performático, este último como uma alternativa para mostrar-se ainda necessário. Os sujeitos se mostram como pretensos Administradores, tentando apresentar discursivamente trajetórias profissionais que façam algum sentido em substituição ou alternativa à carreira gerencial, esta que não se lhes apresenta mais como possibilidade, exemplificando o eu maleável, a colagem de fragmentos em incessantes ensaios do vir a ser, de que fala Sennett (2007), ao qualificar o trabalhador em tempos de flexibilidade. Finalmente, explicitando os conteúdos discutidos agora em termos dos pares categóricos dialéticos que nortearam toda a pesquisa, um segundo movimento de síntese crítica é proposto para reflexão. Quanto ao par dialético história-naturalização, percebe-se na narrativa o predomínio do discurso que naturaliza diversos fenômenos que, diferentemente, são históricos em sua constituição. Pela frequência das metáforassistêmicas orgânicas utilizadas pelos entrevistados e que são igualmente abundantes na literatura mainstream revisada, identifica-se a ideológica naturalização de fenômenos sociais como, por exemplo, as organizações e o trabalho que acontece nas mesmas. Naturalizando discursivamente a empresa capitalista, que foi o tipo organizacional mais evocado pelos sujeitos, eles, por conseguinte, também naturalizam tudo o que acontece no âmbito e entorno dela. É assim, por exemplo, que eles tomam como natural e legitimam o fenômeno da mudança empresarial, mesmo que esta lhes atinja como profissionais. É nessa linha de compreensão que os entrevistados tendem a narrar as empresas a partir do discurso das necessidades e desenvolvimento, tal qual um organismo vivo que necessita de recursos para sua sobrevivência e crescimento. A partir das necessidades empresariais naturalizadas, justifica-se que tudo o que ela demanda, em razão das suas finalidades, seja naturalmente atendido, conforme exemplificado pela concepção pragmática-instrumental. Uma contradição é que estando a Administração e os Administradores atrelados ao desenvolvimento da organização, ao mesmo tempo em que se tornam promotores da ideologia empresarial, sendo por vezes seus principais agentes, eles também são reféns ou atingidos por essa mesma ideologia, em suas novas versões. Tal compreensão traz implicações práticas para a vida dos próprios sujeitos, como bem exemplificam seus silêncios ou fugas do exercício profissional. Semelhantemente, o par dialético práxis-sistema emerge envolto em contradições, na narrativa totalizante. Os entrevistados repetem o discurso metafórico sistêmico harmonizador para explicar o cotidiano organizacional incluindo, por exemplo, a dimensão da experiência. Nesse sentido, ao contrário da experiência emergir como possibilidade de uma práxis social autêntica e espontânea, ela se desvela como práxis inautêntica, posto que tomada de maneira coisificada para atender à demanda pragmática-instrumental da organização; isto é, a experiência é evocada por eles como algo que se adquire para uso instrumental, em lugar de algo que se vive com potencial emancipatório, além de estar associada à localização sistêmica do Administrador. Eles são administradores na medida em que se confinam “funcionalisticamente” na organização-sistema. Fora dela, não parece haver, para eles, a possibilidade da experiência autêntica como administradores. Será este também outro motivo das novas rotas profissionais que traçam, como professores e empreendedores, em lugar de Administradores profissionais? Em outro sentido, ao se refletir sobre a concepção estética com que apresentam o Administrador que ainda reside nos territórios da organização, não estaria também a necessidade de mostrar, de ser visto, de aparecer perante o outro, obliterando a possibilidade de uma práxis social autêntica? Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 76-82 Consequentemente, essas reflexões permitem, também, concluir que, no que concerne ao par dialético emancipação-alienação, tanto a forma naturalizada com que concebem as organizações e sua Administração, quanto a práxis interrompida velada em uma experiência reificada, mostram-se como fenômenos pessoalmente alienantes e contra-emancipatórios. Por outro lado, percebe-se na aparente fuga da profissão uma tentativa dos sujeitos de resolverem o que vulgarmente chama-se de “esquizofrenia constituinte” da Administração: o fato de a Administração ser trabalho, mas ter de “pensar-se” como capital, para poder ser o trabalho que interessa e serve ao capital. Os entrevistados resolvem tal questão como que dizendo: se a grande empresa muda e não posso mais gozar da recompensa pelo status anteriormente garantido enquanto representante do capital, prefiro, agora, sair dos seus domínios. Se antes eu não me assumia como trabalho por ser vantajoso pensar e agir como se fosse capital, cumprindo o papel da mediação, agora que o status de tal condição já não me é garantido, adoto uma rota de fuga ou de solução para tal condição contra-emancipatória: agora eu sou outro trabalho, preferencialmente na esfera pública (a docência sendo o mais escolhido), ou sou realmente capital (entre os entrevistados já proprietários e os que almejam o futuro negócio próprio); estando esta última opção fortemente imbricada no atual e efusivo discurso do empreendedorismo, que a todos alcança e é reproduzido como se o empreendedorismo individual fosse, desde sempre, a “ordem natural” das coisas. Neste movimento de fuga discursiva, os entrevistados parecem (re)significar o silêncio fundador da alienação associada à condição de Administrador: o de não se assumir como trabalho, mantendo-se historicamente como representante do capital. Entende-se aqui que as possibilidades de emancipação desse profissional guardam relação com tal processo de tomada de consciência, mesmo em tempos de riscos e incertezas. Assumindo-se como trabalhador, o Administrador poderá lutar pelo seu trabalho, repensando-o em novos termos, em que as dimensões pragmáticas-instrumentais que envolvem sua profissão possam ser dosadas e mediadas por conteúdos substantivos e emancipatórios. Dado que o estranhamento parece ter lhe “custado caro”, assumir sua real condição pode ser um bom (re)começo. Considerações Finais Este texto baseou-se em uma pesquisa cujo objetivo foi compreender criticamente as concepções de Administração e Administrador, na contemporaneidade, a partir das mudanças promovidas pelo capitalismo em sua fase flexível. Ao primeiro objetivo específico – identificar as concepções do campo administrativo sobre a Administração, em tempos de capitalismo flexível –, a pesquisa de campo responde com o predomínio da concepção pragmática-instrumental, pela qual a Administração continua a ser pensada e discursada como uma ação tecnológica e teleológica, que utiliza saberes múltiplos e aprendizagens cambiantes como meios para alcance das finalidades do contexto organizacional mutante. Ao segundo objetivo específico – identificar as concepções do campo administrativo sobre o Administrador, em tempos de capitalismo flexível –, a pesquisa traz dois importantes resultados. O primeiro diz respeito à emergência da concepção estética para apresentar o Administrador, quando vinculado às organizações. Por essa concepção, há a migração do histórico estereótipo do Administrador como controlador e vigilante para a representação do Administrador como um profissional performático muito associado à figura do líder. O segundo resultado, que se apresenta como o mais relevante, e que, portanto, enseja maiores investigações para melhor compreensão, é o da fuga da profissão. Do ponto de vista da escolha do objeto e das decisões metodológicas decorrentes, percebe-se como uma escolha acertada ter investigado as concepções sobre os dois construtos de maneira interligada: Administração e Administrador; incitando os sujeitos, com um mix de técnicas qualitativas, a se colocarem diante do construto Administrador a partir de suas próprias existências. Entende-se, ao final dessa pesquisa, que se a mesma tivesse se limitado a tentar compreender o que é a Administração para esses sujeitos, sem trazer o construto Administrador para o “centro da cena”, não teria, por exemplo, emergido a aparente contradição da repetição da Administração como matéria pragmática-instrumental acompanhada, agora, da fuga disso por parte dos Administradores. Semelhantemente, era possível que a dimensão estética não Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR,v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 77-82 emergisse como qualificadora desse profissional, na atualidade. Assim, nessa pesquisa, foi possível “experienciar” e reafirmar um pressuposto básico da pesquisa qualitativa que é por vezes esquecido: os sujeitos expressam o que pensam e sentem sobre qualquer tema quando lhes é oportunizado falar a partir de suas próprias existências e suas projeções sobre elas. Cabe aos pesquisadores qualitativos buscar com afinco e rigor, mas sem rigidez, formas criativas de fazê-lo. Uma outra contribuição foi de natureza teórica, ou mesmo didática. Trata-se do levantamento das concepções de parte da literatura predominante na área, pelo menos ao nível de graduação, sobre seus principais construtos, através dos resultados socializados de maneira sintética na segunda parte do trabalho. Ao mesmo tempo que foi uma contribuição, compreende-se que tal levantamento abre uma possibilidade de linha de investigação para novos estudos que considerem pertinente investigar as concepções dos construtos fulcrais do campo administrativo, subjacentes ao discurso do seu próprio mainstream. Nesse estudo, foi interessante identificar que foram os próprios autores do management que começaram a “acabar discursivamente com a área”, e não os autores críticos do capital. Autores considerados “gurus” do campo, que compõem o seleto grupo dos mais lidos, foram os primeiros propagadores do discurso do fim da Administração como profissão. Será que as falas condenatórias e “apocalípticas” de Drucker, Champy e Deming sobre a Administração têm sido reproduzidas por outros autores do mainstream? Seria interessante verificar. Outra possibilidade de temática para novos estudos é a da empregabilidade de Administradores sobre o capitalismo flexível, no contexto de pequenas, médias e grandes empresas. Parece haver uma demanda ainda reprimida sobre tal tema que pode ser suprida com estudos longitudinais a médio e longo prazos, visando entender o que se apresenta, no mercado de trabalho, para essa categoria profissional, em termos de quantidade e perfil dos postos de trabalho. Será que as vagas para Administradores graduados seguem a lógica de um local esvaziado, ou com sentido modificado, como socializado pelos sujeitos dessa pesquisa? Finalmente, esse texto propõe a continuidade do exercício crítico da reflexividade sobre seus temas; logo, apresenta-se aos leitores como um convite à interlocução, lembrando: Todo texto é uma máquina preguiçosa pedindo ao leitor que faça uma parte de seu trabalho. Que problema seria se um texto tivesse de dizer tudo que o receptor deve compreender... Umberto Eco Referências ADORNO, T. W. Introdução à controvérsia sobre o Positivismo na sociedade alemã. In: HORKHEIMER, M. et al. Textos Escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1980. 117-154 p. (Col. 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Apêndice Quadro 5 Roteiro de entrevista com elementos de história de vida (Sujeitos: administradores) Dados de caracterização: Idade – Sexo – Estado Civil – Tempo de formado 1º Momento: fase pré-universitária Fale-me um pouco da sua vida estudantil antes de entrar na universidade... Por que Administração? O que te fez, o que te levou a escolher esse curso? 2º Momento: fase universitária Fale-me um pouco da sua vida como aluno de Administração... O que você lembra de que mais gostou durante o curso? (disciplinas, estágio etc.) Por quê? O que você lembra de que menos gostou durante o curso? (disciplinas, estágio etc.) Por quê? 3º Momento: fase pós-universitária Na sua época de formatura, o que você pensava para a sua vida profissional? Fale-me um pouco da sua vida profissional até aqui... O que você pensa para o futuro? Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 81-82 Quadro 6 Roteiro de entrevista com elementos de história de vida (Sujeitos: alunos) Dados de caracterização: Idade – Sexo – Estado Civil – Tempo de curso 1º Momento: fase pré-universitária Fale-me um pouco da sua vida estudantil antes de entrar na universidade... Por que Administração? O que lhe fez, o que lhe levou a escolher este curso? 2º Momento: fase universitária Fale-me um pouco da sua vida como aluno de Administração... Do que você mais gostou no seu curso até agora? (disciplinas, estágio etc.) Por quê? Do que você menos gostou no seu curso até agora? (disciplinas, estágio etc.) Por quê? 3º Momento: fase pós-universitária O que você pensa para a sua vida profissional depois da formatura? Quadro 7 Roteiro de entrevista com elementos de história de vida (Sujeitos: professores) Dados de caracterização: Idade – Sexo – Estado Civil – Tempo de formado 1º Momento: fase pré-universitária Fale-me um pouco da sua vida estudantil antes de entrar na universidade... Por que cursar Administração? 2º Momento: fase universitária e pós-universitária Fale-me um pouco da sua vida estudantil nos tempos de graduando... Fale-me um pouco da sua vida estudantil nos tempos de pós-graduando... Por que ensinar Administração? Como tem sido, para você, ensinar Administração? Concepções de administração e administrador em tempos de capitalismo flexível: uma abordagem crítica Ana Cristina Batista-dos-Santos José Arimatés de Oliveira Cad.EBAPE.BR, v. 13, nº 1, artigo 4, Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2015. p. 82-82 Quadro 8 Roteiro da entrevista ficcional (Sujeitos de pesquisa: administradores, alunos) Script: É manhã de uma 2ª feira do mês de ___ de 2022. Diferente do habitual, você não se dirigiu ao seu local de trabalho. Em lugar disso, você foi a um evento no Centro de Convenções da cidade. No intervalo da 1ª palestra, você aproveitou para ir ao restaurante para tomar um café. Para sua surpresa, lá você encontra um(a) ex-professor(a) dos tempos de universidade. Ele(a) também estava participando do evento. Vocês iniciam uma conversa... Questões de apoio: Qual a cidade do evento? / Qual é o evento? Nome? / Quem está promovendo? Qual é a palestra que você está assistindo? / Quem é esse(a) professor(a)? / Ele(a) foi seu professor(a) em qual disciplina? / Em que ano você terminou o curso? / Como foi a conversa? / O que você falou para ele sobre sua vida profissional desde que se formou? / Fale um pouco dessa(s) experiência(s)... Quadro 9 Roteiro da entrevista ficcional (Sujeitos de pesquisa: professores) Script: É manhã de uma 2ª feira do mês de ________ de 2022. Diferente do habitual, você não se dirigiu para a universidade. Em lugar disso, você foi como palestrante convidado a um evento no Centro de Convenções da cidade. No intervalo da sua palestra, você aproveitou para ir ao restaurante para tomar um café. Para sua surpresa, lá você encontra um(a) ex-aluno(a) da universidade. Ele(a) também estava participando do evento. Vocês iniciam uma conversa... Questões de apoio: Qual a cidade do evento? / Qual é o evento? Nome? Quem está promovendo? / Qual era a sua palestra? Qual o tema? Sobre o que você falou? / Quem é esse(a) aluno(a)? Ele(a) foi seu aluno(a) de graduação ou de pós-graduação? / Como foi a conversa? /O que ele(a) lhe falou sobre a vida profissional desde que se formou? Me fale um pouco sobre o que você achou a respeito do que ouviu do ex-aluno... e-Tec Brasil Aula 2 – Teorias organizacionais – clássica e estruturalista Objetivos Identificar a importância das teorias organizacionais. Compreender conceitos, significados e campo de aplicação das abordagens clássica e estruturalista da administração. 2.1 As teorias organizacionais As pessoas vêm sendo administradas em grupos e organizações desde a pré-história. Mesmo os bandos mais simples de caçadores e coletores, geral- mente, reconheciam e obedeciam a um líder ou a um grupo que tomava decisões, responsável pelo bem-estar do bando. À medida que as sociedades cresceram e ficaram mais complexas, a necessidade de administradores tornou-se cada vez mais aparente, levando os estudiosos dessas épocas a pensar de modo intuitivo sobre a natureza da administração. As tentativas de desenvolver teorias da administração, entretanto, são relativa- mente recentes, datando da Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX. O uso de novas tecnologias, concentrou grandes quantidades de matéria-prima e de trabalhadores nas fábricas. Os bens eram produzidos em grandes quantidades e precisavam ser amplamente distribuídos. Dessa forma, começaram a surgir os primeiros estudos em relação à forma de como administrar as organizações. Como consequência da Revolução Industrial, houve um crescimento desorde- nado e caótico das empresas. Os recursos eram mal aproveitados e desorgani- zados, portanto havia a necessidade de aumento da eficiência e de substituição do empirismo por métodos científicos, que assim poderiam ser comprovados por cientistas. É nesse campo de estudos que surgem as chamadas teorias, concepções ou abordagens organizacionais. De modo a padronizar nossa discussão, utilizaremos para qualificar todos esses sinônimos a expressão teorias organizacionais. e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 29 Antes de avançarmos nas teorias organizacionais, propriamente ditas, demanda compreender o que significa uma teoria. Teoria é o conjunto de princípios fundamentais de uma arte ou de uma ciência. Teoria é uma opinião sintetizada, é uma noção geral. Do grego theoria, que no contexto histórico significava observar ou examinar. Com sua evolução, o termo passou a designar o con- junto de ideias, base de um determinado tema, que procura transmitir uma noção geral de alguns aspectos da realidade. Teoria é também uma hipótese, uma conjectura, uma opinião formada diante de um fato. Uma teoria tenta explicar algo de difícil concretização. Nos últimos 150 anos, a administração tornou-se um campo estruturado do ponto de vista de conhecimentos ou teorias, assumindo a condição de uma disciplina ou ciência de vida própria. Assim, é preciso evidenciar que as teorias modernas da administração organizam-se em abordagens. Estas abordagens representam um conjunto amplo e complexo de ideias e discussões fundamentais para entender a administração na sua plenitude. Por isso, é necessário enfocar a atenção ao conjunto de significados que cada uma destas abordagens oferece, de modo a alicerçar um entendimento mais efetivo da administração. A abordagem à teoria das organizações agrega o conjunto de ideias, fatos e histórias que vêm emergindo no campo da gestão, enquanto ciência do conhecimento da organização. Com o evoluir dos tempos, têm surgido novas abordagens ao conceito de organização, de estruturação, de coordenação, de planejamento e de controle, que em alguns casos são aplicações velhas a novas realidades e em outras são aplicações novas a velhas realidades ou novas aplicações a novas realidades. Sendo assim, para que possam estudar e apreender o conjunto de conceitos a respeito das abordagens organizacionais, necessitamos inicialmente, com- preender a importância e os motivos que nos levam a estudá-las. As teorias guiam as decisões administrativas: Ajuda a entender os processos fundamentais. Possibilita escolher uma linha eficaz de ação. Permite prever, através de estudos de cenários, o que pode vir a acontecer. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 30 Permite o uso de diferentes teorias da administração em situações distintas. As teorias dão forma à nossa visão das organizações: Permite identificar as ideias pelas quais tem-se a concepção do significado da palavra organização. Permite identificar a importância das pessoas dentro do processo administrativo. Possibilita verificar diferentes maneiras de realizar as tarefas de modo eficiente e eficaz. As teorias nos conscientizam do ambiente empresarial: À medida em que se estudam as teorias administrativas, percebe-se que estas são um conjunto de forças presentes num dado momento e lugar. Este conhecimento possibilita ajudar a compreender quais tipos de teoria são apropriadas em diferentes situações. As teorias são uma fonte de novas ideias: Permitem assumir um ponto de vista diferente com relação a novas ideias. Destacam que não há nenhuma teoria mais importante que a outra, mas sim situações onde a utilização de uma é mais apropriada em relação às demais. Com base nisso, percebe-se que o estudo das organizações e suas abordagens têm proporcionado ampliação de conhecimentos nas mais diversas áreas de atuação. Seu objetivo é oferecer ao administrador condições de estabelecer como se estrutura, como se coordena, como se gerencia e como são geridas as pessoas em uma organização. É isso que pretendemos oferecer para você a partir de agora. 2.2 Abordagem clássica A abordagem clássica da administração surgiu, em parte, da necessidade de se aumentar a produtividade. Nos Estados Unidos, especialmente, havia carência de mão de obra especializada no início do século XX. O único modo de expandir e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 31 a produtividade era aumentar a eficiência dos trabalhos. Assim, Frederick W. Taylor e Henri Fayol, entre outros, delinearam o conjunto de princípios conhecido como abordagem clássica. A abordagem clássica constitui-se de duas teorias: a teoria da administração científica e a teoria clássica. 2.2.1 Teoria da administração científica A teoria da administração científica foi uma abordagem à administração, formulada por Frederick W. Taylor e outros, entre 1890 e 1930, que buscava determinar cientificamente os melhores métodos para realização de qualquer tarefa para selecionar, treinar e motivar seus trabalhadores. Em seu segundo livro, Princípios de Administração Científica, publicado em 1911, Taylor apresenta seus estudos, porém com maior ênfase em sua filosofia, e introduz os quatro princípios fundamentais da administração científica: Princípio de planejamento – substituição de métodos empíricos por pro- cedimentos científicos – sai de cena o improviso e o julgamento individual, o trabalho deve ser planejado e testado, seus movimentos decompostos a fim de reduzir e racionalizar sua execução. Princípio de preparo dos trabalhadores – selecionar os operários de acordo com as suas aptidões e então prepará-los e treiná-los para produ- zirem mais e melhor, de acordo com o método planejado para que atinjam a meta estabelecida. Princípio de controle – controlar o desenvolvimento do trabalho para se certificar de que está sendo realizado de acordo com a metodologia estabelecida e dentro da meta. Princípio da execução – distribuir as atribuições e responsabilidades para que o trabalho seja o mais disciplinado possível. Taylor baseou seu sistema de administração no estudo de tempos, nas linhas de produção. Ao invés de confiar nos métodos tradicionais de trabalho, ele analisou e cronometrou os tempos dos movimentos dos operários para executar cada um desses componentes. Usando como base o estudo de tempos, ele dividiu cada função em seus componentes e projetouos métodos melhores e mais rápidos para executar cada um deles. Com isso, Taylor estabeleceu quanto os trabalhadores deveriam Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 32 ser capazes de produzir com o equipamento e materiais disponíveis. Também, encorajou os patrões a pagar para os empregados mais produtivos uma tarifa (taxa de pagamento por unidade produzida) mais alta que para os demais. A tarifa mais alta era cuidadosamente calculada e baseada no maior lucro que resultaria da maior produção. Assim, os trabalhadores eram incitados a ultrapassar seus padrões de desem- penho anteriores, para ganhar mais. Taylor chamou seu plano de sistema de tarifas diferenciadas (sistema de compensação, envolvendo o pagamento de salários mais altos para trabalhadores mais eficientes). Ele acreditava que os trabalhadores que alcançassem os padrões mais eleva- dos não precisariam ter medo de serem demitidos, porque as empresas se beneficiariam de sua maior produtividade. Ao mesmo tempo, Taylor insistia que ninguém seria prejudicado pelo sistema diferenciado, porque os trabalhadores que produzissem abaixo do padrão, encontrariam um novo trabalho “em um ou dois dias”, por causa da falta de mão de obra. 2.2.1.1 A experiência de Taylor na Simonds Rolling Machine Company (1893) Simonds empregava 120 mulheres experientes para inspecionar rolamentos de bicicletas. O trabalho era tedioso e as horas de trabalho longas. Taylor estudou e cronometrou os movimentos das melhores operárias. Depois, treinou as demais nos métodos de suas colegas mais eficientes. As menos eficientes foram transferidas ou demitidas. Com isso, ele reduziu a jornada de trabalho de 10 ½ horas para 8 ½ horas, introduziu períodos de descanso, implantou o sistema de tarifas diferenciadas e outras melhorias. Como resultado disso, 35 inspetoras faziam o trabalho anteriormente realizado por 120; a precisão aumentou em 2/3; os salários cresceram 80 % a 100 %; e a satisfação dos trabalhadores também cresceu. Apesar dos métodos de Taylor levarem a aumentos dramáticos de produtividade e a maiores salários em vários casos, os trabalhadores e os sindicatos começaram a se opor à sua abordagem, temendo que se trabalhassem mais intensamente e mais rapidamente, acabariam com o trabalho disponível, causando demissões. O fato de estarem trabalhando na Simonds e em outras organizações, que também adotaram o método de Taylor, e em consequência terem sido demi- e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 33 tidos, o temor de novas demissões aumentou. Enquanto as ideias de Taylor se espalhavam, também se espalhava a oposição delas. Taylor baseou sua filosofia em quatro princípios básicos: O desenvolvimento de uma verdadeira ciência da administração, de modo que pudesse ser determinado o melhor método para realizar cada tarefa. A seleção científica dos trabalhadores, de modo que cada um ficasse responsável pela tarefa a qual fosse mais bem habilitado. A educação e o desenvolvimento científico do trabalhador. A cooperação íntima e amigável entre a administração e os trabalhadores. Taylor afirmava que, para o sucesso de suas ideias, era necessário que houvesse “uma completa revolução mental” entre administração e trabalhadores. Ao invés de discutir quais seriam os lucros, ambos deveriam preocupar-se em trabalhar cada vez mais, pois o aumento da produtividade acarretaria no aumento dos lucros para ambos. Enfim, Taylor acreditava que a administração e os trabalhadores tinham um interesse comum no aumento da produtividade. Porém, algumas críticas forma apresentadas ao modelo de Taylor: Para os críticos, a administração científica transformou o homem em uma máquina. O operário é tratado como apenas uma engrenagem do sistema produtivo, passivo e desencorajado de tomar iniciativas. A padronização do trabalho seria mais uma intensificação da maquinização humana do que uma forma de racionalizar o trabalho. A superespecialização do operário facilita o treinamento e a supervisão do trabalho, porém, isto reduz sua satisfação e ele adquire apenas uma visão limitada do processo. A administração científica não leva em conta o lado social e humano do trabalhador. A análise de seu desempenho leva em conta apenas as tarefas executadas na linha de produção. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 34 A administração científica propõe uma abordagem científica para a admi- nistração, no entanto, ela mesma carece de comprovação científica e teve sua formulação baseada no conhecimento empírico. A administração científica se restringe apenas aos aspectos formais da organização não abrangendo, por exemplo, o conflito que pode haver entre objetivos individuais e organizacionais. A administração científica trata da organização como um sistema fechado, sem considerar as influências externas. Diante disso, é preciso ponderar que o movimento da administração científica, melhorou muito a forma de mensurar a precisão das medidas, no campo produtivo das organizações. Além de minimizar e solucionar problemas relativos ao fator fisiológico humano, ou seja, o operário produzia ao máximo sem desperdiçar movimentos que poderiam afetar negativamente sua produtividade ao longo dos dias, semanas e meses. Acrescenta-se ainda que apesar de todas as falhas cometidas, pela adminis- tração científica, muitas vezes por negligências ou mesmo imperícias, mudou a realidade das indústrias americanas, pois buscavam sempre a eficiência dos processos, ou seja, produzir utilizando máquinas e com foco nas tarefas, como objetivo final. 2.2.2 Teoria clássica A administração científica se preocupava com o aumento da produtividade da fábrica e do trabalho individualmente. O outro ramo da abordagem clássica – a teoria clássica das organizações – surgiu da necessidade de encontrar as linhas mestras para administrar organizações complexas como as fábricas. Henri Fayol (1841 – 1925) acreditava que “com a previsão científica e métodos adequados de administração, os resultados satisfatórios eram inevitáveis”. Em sua fé nos métodos científicos, Fayol era parecido com seu contemporâneo Taylor. Entretanto, enquanto Taylor preocupava-se com funções organizacionais, Fayol se interessava pela organização total. A partir de sua experiência de muitos anos como administrador, Fayol dividiu as operações empresariais em seis atividades inter-relacionadas. Assista a um vídeo sobre teoria da adiministração científica em: http://www.youtube.com/ watch?v=LD6kGNQKt44 e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 35 Técnica – produção e fabricação de produtos. Comercial – compra de matéria-prima e venda de produtos. Financeira – aquisição e uso do capital. Segurança – proteção dos empregados e da propriedade. Contábil – registros, balanços, custos, receitas e estatísticas. Administração. Dentre estas, ele focalizou, principalmente, a administração, porque sentia que era a mais negligenciada das operações empresariais. Antes de Fayol, acreditava-se geralmente que “os administradores nascem prontos, não são feitos”. Fayol insistia, entretanto, que a administração era uma habilidade como qualquer outra, uma habilidade que poderia ser ensinada, uma vez que se compreendesse seus princípios. A palavra “princípio” para Fayol tinha o propósito de evitar qualquer ideia de rigidez, já que não era nada rígido ou absoluto nas questões administrativas. Fayol considera que, dentre as várias funções da empresa, a mais importante é a função administrativa que consiste em: Prever – visualizar o futuro e traçar o programa de ação. Organizar – articular o aspecto material e social da empresa. Comandar – dirigir e orientar o pessoal. Coordenar – fazer a devida articulação entre todos os esforços e atos das pessoas envolvidas na empresa. Controlar – verificar se os procedimentos do pessoal está em acordo com as regras e osprincípios estabelecidos na empresa. Para melhor explicar suas ideias, Fayol estabeleceu 14 princípios que, segundo ele, norteavam o processo administrativo: Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 36 Divisão do trabalho – quanto mais as pessoas se especializarem, mais eficientemente podem realizar o seu trabalho. Este princípio é ilustrado pela linha moderna de montagem. Autoridade – os administradores devem dar ordens para que as coisas sejam feitas. Apesar de sua autoridade formal lhes dar o direito de coman- dar, os administradores nem sempre induzirão à obediência, a não ser que tenham também autoridade pessoal. Disciplina – os membros de uma organização precisam respeitar as regras e os acordos que a governam. Para Fayol, a disciplina resulta de uma boa liderança em todos os níveis da organização, de acordos justos, como, por exemplo, esquemas para recompensar um desempenho superior e, de penalidades, para as infrações. Unidade de comando – cada empregado deve receber instruções de apenas uma pessoa. Fayol acreditava que, quando um empregado responde a mais de um administrador, o resultado gera instruções conflitantes e confusões de autoridade. Unidade de direção – dentro de uma organização, as operações que têm o mesmo objetivo devem ser dirigidas apenas por um administrador, usando um único plano. Subordinação do interesse individual ao bem comum – em qualquer empreendimento, os interesses dos empregados não devem ter precedência sobre os interesses da organização como um todo. Remuneração – a compensação pelo trabalho realizado deve ser justa, tanto para os empregados quanto para os empregadores. Centralização – a diminuição do papel dos subordinados nas tomadas de decisão é a centralização; o seu aumento é a descentralização. Fayol acreditava que os administradores devem ter a responsabilidade final, mas devem, ao mesmo tempo, dar aos subordinados autoridade suficiente para que realizem bem seus trabalhos. O problema é encontrar o grau apropriado de centralização em cada caso. Hierarquia – a linha de autoridade numa organização, frequentemente representada, hoje em dia, pelos quadros e retas de um organograma, e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 37 vai, por ordem de escalões, da alta administração até os níveis mais baixos da empresa. Ordem – os materiais e as pessoas devem estar no lugar certo e na hora certa. As pessoas, em particular, devem estar nos serviços ou cargos para os quais sejam mais capacitadas. Equidade – os administradores devem ser amigáveis e justos para com seus subordinados. Estabilidade de pessoal – uma alta taxa de rotatividade dos empregados estraga o funcionamento eficiente de uma organização. Iniciativa – os subordinados devem ter a liberdade de conceber e concre- tizar seus planos, ainda que disso possam resultar alguns erros. Espírito de equipe – a promoção de um espírito de equipe dará um sentido de unidade à organização. Para Fayol, até mesmo pequenos fatores podem ajudar a desenvolver esse espírito. Ele sugeria, por exemplo, o uso, sempre que possível, da comunicação verbal, em vez da comunicação formal. Fayol coloca a ênfase da sua análise empresarial na Estrutura, visualizando a organização como um conjunto de partes ou órgãos. Considera que a divisão do trabalho deve pressupor e considerar, sempre, a tarefa de coordenação para que o trabalho conjunto resulte em uma forma harmônica e articulada. 2.3 Abordagem estruturalista É a fase em que administrar é, sobretudo, planejar e organizar a estrutura de órgãos e de cargos que compõem a empresa, e dirigir e controlar as suas atividades. Nesta fase, verifica-se que a eficiência da empresa é muito mais do que a eficiência dos seus trabalhadores, e que ela deve ser alcançada por meio da racionalidade, isto é, da adequação dos meios (órgãos e cargos) aos fins que se deseja alcançar. Duas são as abordagens relacionadas com a estrutura organizacional: a teoria da burocracia e a teoria estruturalista. 2.3.1 Teoria da burocracia Raciocinando que qualquer organização orientada por objetivos e consistindo em milhares de indivíduos exigiria a regulamentação cuidadosamente controlada de suas atividades, o sociólogo alemão Max Weber (1864 – 1920) desenvolveu Assista a um vídeo sobre teoria clássica em: http://www.youtube.com/ watch?v=eWsJgMF4Kuc Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 38 uma teoria da administração burocrática que enfatizava a necessidade de uma hierarquia estritamente definida e governada por regulamentos e linhas de autoridade claramente estabelecidas. Nas considerações de Weber, é notória a evidência contextual dos meandros relacionados à autoridade legal e o tipo monocrático de administração burocrá- tica. O conjunto diversificado de tópicos onde são detalhadas as contribuições da autoridade legal deixa clara a forte presença das suas considerações ao cenário das organizações públicas, mesmo ante ao fato de o autor pouco referendar essas organizações como exemplos de burocracia. Cabe evidenciar a objetividade, cujas principais consequências enfocam a dominação burocrática diante da tendência de recrutamento com foco na qualificação profissional; da tendência no interesse de uma formação profissional mais prolongada possível; e da impessoalidade nas relações. Figura 2.1: Dominação burocrática Fonte: CTISM Para Weber, a organização ideal era uma burocracia, não no sentido pejorativo, mas cujas atividades e objetivos eram pensados racionalmente, e cujas divisões de trabalho eram declaradas explicitamente. Ele também acreditava que a competência técnica deveria ser enfatizada e que as avaliações de desempenho deveriam ser feitas totalmente com base no mérito. A administração burocrática constitui-se na determinação de um tratado onde são definidos os seguintes aspectos: Formalização – todas as atividades da organização são definidas por escrito (rotinas e procedimentos) e a organização opera com um conjunto de leis ou regras que são aplicados a todos os casos individuais, sem exceção. e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 39 Divisão do trabalho – cada participante tem um cargo ou uma posição definidos com esfera específica de competência, com deveres, responsa- bilidades e autoridade. Ou seja, a cada cargo está associado um conjunto de deveres, responsabilidades e autoridade e quando um indivíduo ocupa aquele cargo, ele assume esse conjunto de atributos. Princípio da hierarquia – os cargos obedecem a uma hierarquia de impor- tância e essa hierarquia é conhecida pelos elementos que os diferenciam. Estes elementos são o poder de mando e o valor da remuneração atri- buído ao cargo. Cada função mais baixa está sob o controle e supervisão da mais alta, assegurando a unidade de controle: cada funcionário tem apenas um único chefe. Impessoalidade – o funcionário ideal desempenha seu trabalho com impessoalidade no relacionamento com outros ocupantes de cargos. A burocracia enfatiza os cargos e não as pessoas que os ocupam, pois as pessoas entram e saem da organização, mas os cargos permanecem para garantir sua continuidade e perpetuação. Competência técnica – a seleção e a escolha dos participantes é baseada na competência técnica e qualificação profissional dos candidatos e não em preferências de ordem pessoal. Separação entre propriedade e administração – os recursos utilizados pela organização burocrática para a execução de suas tarefas não são pro- priedade dos burocratas. A administração está separada da propriedade dos meios de produção, pois o dirigente ou o burocrata não é necessa- riamente o dono da organização. Profissionalização do funcionário – os funcionários da burocracia são profissionais, pois são especialistas em face da divisão do trabalho, são assalariados de acordo com a função desempenhada, são nomeados pelo superior imediato,seguem carreira dentro da organização e não possuem a propriedade dos meios de produção da organização. Para finalizar, é preciso salientar que a burocracia é uma forma de organização humana que se baseia na racionalidade, isto é, na adequação dos meios aos objetivos pretendidos, a fim de garantir a máxima eficiência possível no alcance desses objetivos. Max Weber defende que o moderno sistema de produção, eminentemente racional e capitalista, não se originou das mudanças Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 40 tecnológicas nem das relações de propriedade, mas de um novo conjunto de normas sociais morais, às quais denominou “ética protestante”: o trabalho duro e árduo, a poupança e o ascetismo que proporcionaram a reaplicação das rendas excedentes, em vez de seu dispêndio e consumo em símbolos materiais e improdutivos de vaidade e prestígio. Como os demais teóricos da administração, Weber buscava melhorar o desem- penho das organizações socialmente importantes, tornando suas operações previsíveis e produtíveis. Apesar de hoje em dia valorizarmos a inovação e a flexibilidade tanto quanto a eficiência e a previsibilidade, o modelo de Weber claramente contribuiu para a formação de organizações gigantescas, como por exemplo, a Coca-Cola. 2.3.2 Teoria estruturalista Desenvolveu-se a partir dos estudos sobre as limitações e rigidez do modelo burocrático, considerado um modelo típico de sistema fechado, altamente mecanístico e fundado em uma “teoria da máquina”, onde a organização é concebida como um arranjo estático de peças cujo funcionamento é previsto. A partir do modelo burocrático, os estruturalistas introduziram o conceito de sistema aberto no estudo das organizações e tentaram compatibilizar as contribuições clássicas e humanísticas. A teoria estruturalista, assim como a teoria da burocracia, faz parte também da abordagem estruturalista. O enfoque da teoria estruturalista é na estrutura e ambiente, assim, esta teoria trouxe uma importante ruptura com relação às anteriores. Ela mostra a organização como sendo um sistema aberto que se relaciona com o ambiente e com outras organizações. A teoria estruturalista baseia-se no conceito de estrutura, que é um todo composto por partes que se inter-relacionam. Portanto, o todo é maior do que a simples soma das partes. O que significa que os sistemas organizacionais não são a mera justaposição das partes. A análise das organizações dentro de uma abordagem múltipla – tanto a organização formal como a organização informal devem ser compreendidas – foi a contribuição principal desta teoria. A teoria estruturalista traz a ideia da sociedade das organizações, em que as diversas organizações (formal e informal) dependem uma da outra, por isso, se destaca o papel que o homem desempenha nestas organizações. Assista a um vídeo sobre teoria da burocracia em: http://www.youtube.com/ watch?v=IStj9z03jzQ e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 41 Com a aplicação das ciências sociais na administração, destaca-se a impor- tância do homem organizacional, já que este homem desempenha papeis simultâneos, em diversas organizações diferentes, que servem de molde para a teoria comportamental. A teoria estruturalista também considera as organizações como “sistemas abertos”, em constante interação com seu contexto externo, influenciando o comportamento das pessoas, classificando as organizações como um sistema social cooperativo, onde as pessoas não atuam isoladamente, e sim, por meio de interações com outras pessoas para poder alcançar os objetivos organizacionais. Figura 2.2: Sistema social cooperativo Fonte: CTISM A teoria estruturalista, não considera somente o fator externo, como na teoria da burocracia, mas também o fator interno, dando a visão de uma organização flexível, já que as pessoas são tomadoras de decisão, necessita considerar estes fatores, gerando um conflito para as pessoas, em atender os objetivos individuais e objetivos organizacionais. Nesse sentido, podemos concluir que a teoria estruturalista ofereceu as seguintes contribuições para os estudos organizacionais: A oposição surgida entre a teoria clássica e a teoria das relações humanas – incompatíveis entre si – tornou necessária uma posição mais ampla e compreensiva que integrasse os aspectos considerados por uma e omitidos pela outra e vice-versa. A teoria estruturalista pretende ser uma síntese delas, inspirando-se na abordagem de Max Weber. A necessidade de visualizar a organização como uma unidade social com- plexa na qual interagem grupos sociais que compartilham alguns dos objetivos da organização (como a viabilidade econômica da organização), Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 42 mas podem se opor a outros (como a maneira de distribuir os lucros). Seu maior diálogo foi com a teoria das relações humanas. A influência do estruturalismo nas ciências sociais e sua repercussão no estudo das organizações. O estruturalismo influenciou a filosofia, a psicolo- gia (com a Gestalt), a antropologia (com Claude Lévi-Strauss), a matemática (com N. Bourbaki), a linguística, chegando até a teoria das organizações com Thompson, Etzioni e Blau. Na teoria administrativa, o estruturalismo se concentra nas organizações sociais. Novo conceito de estrutura. O conceito de estrutura é antigo. Heráclito, nos primórdios da história da filosofia, concebia o “logos” como uma unidade estrutural que domina o fluxo ininterrupto do devir e o torna inteligível. É a estrutura que permite reconhecer o mesmo rio, embora suas águas jamais sejam as mesmas devido à contínua mudança das coisas. Estrutura é o conjunto formal de dois ou mais elementos e que permanece inalterado, seja na mudança ou seja na diversidade de conteúdos, isto é, a estrutura mantém-se mesmo com a alteração de um dos seus elementos ou relações. A mesma estrutura pode ser apontada em diferentes áreas, e a compreen- são das estruturas fundamentais em alguns campos de atividade permite o reconhecimento das mesmas estruturas em outros campos. O estruturalismo está voltado para o todo e com o relacionamento das partes na constituição do todo. A totalidade, a interdependência das partes e o fato de o todo ser maior do que a soma das partes, são as características do estruturalismo. Várias tipologias de organizações foram tentadas e as análises comparativas foram surpreendentemente desenvolvidas, incluindo a análise interorganizacional e o ambiente externo, que passou a ser considerado como uma variável a mais no estudo das empresas. Para muitos estudiosos, a teoria estruturalista representa um período de intensa transição e expansão nos territórios da teoria da administração. Resumo Nessa aula, foi possível termos acesso às duas abordagens da administração, enquanto componente teórico que nos permitiu identificar que a teoria da administração científica teve como propósitos os seguintes fundamentos: desenvolvimento de uma verdadeira ciência da administração; determinar o melhor método para realizar cada tarefa; seleção científica dos trabalhadores, executar a tarefa a qual fosse mais bem habilitado; educação e o desen- Assista a um vídeo sobre teoria estruturalista em: http://www.youtube.com/ watch?v=xda7ZCaJ7xI e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 43 volvimento científico do trabalhador; cooperação íntima e amigável entre a administração e os trabalhadores; pressupostos motivacionais simplistas; trabalhadores como partes de uma máquina; exclusão de tarefas da alta administração; ignorava o relacionamento entre organização e ambiente; racionalismo e produção padrão; advento da máquina como ferramenta da produção; homem econômico; administração como ciência. Em se tratando da teoria clássica, observamos as seguintes contribuições: administração de grandes organizações; princípios e áreas da administração;ênfase nas tarefas e na estrutura organizacional, estrutura formal como um conjunto de órgãos, cargos e tarefas, incentivos materiais e salariais; identidade de interesses onde não há conflito perceptível; homem econômico. Quanto à teoria da burocracia constatamos as seguintes considerações: divisão do trabalho organizacional em hierarquias de autoridade; formalização da comunicação através de papéis e documento; adoção de normas legais; impessoalidade no relacionamento entre pessoas; adoção de rotinas e procedimentos para substituir decisões individuais; meritocracia e competência técnica. Por fim, em termos de teoria estruturalista, percebeu-se como apontamentos: ampla visão do adminis- trador, além dos aspectos internos; adoção de princípios da teoria clássica e da teoria das relações humanas; conceito de estrutura e fundamentação no estruturalismo; aceitação da organização formal e informal; adoção de tipologias para estudar os diferentes tipos de organizações; foco na análise organizacional e do ambiente. Atividades de aprendizagem 1. Os principais métodos científicos que utilizou a administração científica para embasar suas teses foram: a) Ergonomia e análise crítica. b) Qualidade e produtividade. c) Testes de qualidade. d) Observação e mensuração. e) Teoria de erro e acerto. 2. Foram críticas que recebeu a teoria da administração científica: Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 44 a) Limitação do campo de aplicação; pioneirismo na administração. b) Abordagem prescritiva e normativa; comando e controle. c) Superespecialização do operário; visão microscópica do homem. d) Abordagem de sistema fechado; visão romântica do operário. e) Abordagem de sistema aberto. 3. Das afirmativas abaixo está correta: a) Frederick Taylor começou as suas atividades profissionais como mestre em uma fábrica. b) Taylor era um advogado, que foi trabalhar em funções de engenheiro, apesar de não ter formação na área. c) Taylor estava mais preocupado com a racionalização da organização do trabalho do que com a racionalização dos métodos e sistemas de trabalho. d) A principal obra de Taylor, “Princípios de Administração Científica”, se caracteriza pelo pensamento dedutivo, em consonância com o tipo de experiência do autor. e) Taylor não concordava que se pagasse mais a quem produzisse mais, de acordo com um sistema de incentivos monetários, pois entendia que a produção não dependia do funcionário, mas sim do sistema implantado pela organização. 4. Administrar para Fayol era: a) Prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. b) Prever, organizar, liderar e controlar. c) Prever, organizar, comandar, planejar e monitorar. d) Planejar, organizar, liderar, coordenar e controlar. e) Prever, comandar, planejar e monitorar. e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 45 5. Para Fayol, as funções básicas da empresa eram: a) Técnicas, comerciais, empresarias, financeiras, logísticas, administrativas. b) Produtivas, mercadológicas, logísticas, financeiras, contábeis, administrativas. c) Técnicas, comercias, empresariais, contábeis, mercadológicas, administrativas. d) Técnicas, comerciais, financeiras, segurança, contábeis e administrativas. e) Financeiras, segurança, contábeis e administrativas. 6. De acordo com Max Weber, cada tipo de sociedade corresponde a um tipo de autoridade. O tipo de autoridade que não é racional e nem her- dada, mas que se baseia em qualidades místicas e de personalidade, é a: a) Autoridade tradicional. b) Autoridade racional. c) Autoridade burocrática. d) Autoridade legal. e) Autoridade carismática. 7. Sabemos que a sociedade burocrática possui algumas características mar- cantes. Assinale a opção que não representa uma destas características: a) Legalidade e a racionalidade. b) Flexibilidade. c) Impessoalidade. d) Formalidade. e) Competência técnica do ocupante do cargo. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 46 8. Marque a única alternativa correta. Na teoria estruturalista os principais enfoques são: a) Nas pessoas; nas atividades; múltipla abordagem; organização formal e informal; análise intraorganizacional e análise interorganiacional. b) Na estrutura; nas atividades; nas tarefas; múltipla abordagem; organização formal e informal; análise intraorganizacional e análise interorganiacional. c) No ambiente; nas atividades; múltipla abordagem; organização formal e informal; análise intraorganizacional e análise interorganiacional. d) Na múltipla abordagem; organização formal e informal; análise intraor- ganizacional e análise interorganiacional. e) Nos sistemas; nas pessoas; nas atividades; múltipla abordagem; organização formal e informal; análise intraorganizacional e análise interorganiacional. 9. Quanto à teoria estruturalista, assinale a alternativa que não está correta: a) Surgiu como um desdobramento das análises dos autores voltados para a teoria da burocracia os quais tentaram conciliar as teses propostas pela teoria clássica e pela de relações humanas. b) Os autores estruturalistas procuraram interrelacionar as organizações com seu ambiente externo, que é a sociedade maior. c) A análise das organizações estruturalista é feita dentro de uma aborda- gem múltipla e globalizante. d) Os estruturalistas, para avaliar a realização das organizações, estudam os objetivos organizacionais que representam as intenções das organizações. e) O estruturalismo é uma teoria que não se estendeu a nenhuma outra ciência, permanecendo ligado apenas à administração. e-Tec BrasilAula 2 - Teorias organizacionais – clássica e estruturalista 47 10. Dentre as teorias da administração, uma destacou-se mais por ser a in- trodutora do conceito de ‘sistema aberto’ no estudo e análise das orga- nizações. Esta teoria é a: a) Teoria estruturalista. b) Teoria clássica. c) Teoria da burocracia. d) Teoria da administração científica. e) Teoria da administração. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 48 CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br TEORIA ESTRUTURALISTA Os autores estruturalistas procuram inter-relacionar as organizações com o seu ambiente externo, que é a sociedade maior, ou seja, a sociedade de organizações, caracterizada pela interdependência entre as organizações. A Teoria estruturalista inaugura os estudos acerca dos ambientes dentro do conceito de que a organização é um sistema aberto e em constante interação com o seu meio ambiente. Até agora, a teoria administrativa havia se confinado aos estudos dos aspectos internos da organização dentro de uma concepção de sistema fechado. Já quando se inclui o ambiente na estrutura sistêmica, deve-se observar o papel na sobrevivência do sistema, ou seja, do principal agente: o gestor. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br BREVE RESUMO DAS TEORIAS ANTERIORES A abordagem clássica (Escola da Administração Científica e Teoria Clássica) deu ênfase às tarefas e estrutura organizacional, proporcionando uma abordagem rígida e mecanicista, que considerava o homem como um apêndice da máquina ou como mero ocupante de um cargo em uma hierarquia centralizada. A eficiência foi seu objetivo principal, porém tal abordagem mostrou-se incompleta e parcialista. A Teoria das Relações Humanas foi uma reação de oposição ao tradicionalismo da abordagem clássica, dando ênfase ao homem e ao clima psicológico de trabalho (Organização Informal). Ao superestimar os aspectos informais e emocionais da organização, numa visão romântica do trabalho, esta teoria tambémse mostrou incompleta e parcialista. A Teoria da Burocracia pretendeu dar as bases de um modelo ideal que pudesse ser aplicado às empresas. Apesar de apresentar um passo à frente da organização formal proposta pela Abordagem Clássica, a organização burocrática mostrou-se carente da flexibilidade e inovação imprescindíveis a uma sociedade moderna. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br ORIGEM DA TEORIA ESTRUTURALISTA A origem da Teoria Estruturalista se dá aos seguintes aspectos: Oposição Entre A Teoria Tradicional E Das Relações Humanas Tornou-se necessária uma posição mais ampla e compreensiva que abrangesse os aspectos que eram considerados por uma e omitidos pela outra e vice-versa. A Teoria Estruturalista pretende ser uma síntese da Teoria Clássica (formal) e da Teoria das Relações Humanas (informal), inspirando-se na abordagem de Max Weber, e até certo ponto nos trabalhos de Karl Marx; Necessidade De Visualizar A Organização Como Uma Unidade Social Uma unidade grande e complexa, onde interagem grupos sociais que compartilham alguns dos objetivos da organização (como a viabilidade econômica da organização), mas que pode incompatibilizar com outros (como a maneira de distribuir lucros da organização). Nesse sentido, o diálogo maior da Teoria Estruturalista foi com a Teoria das Relações Humanas; A Influência Do Estruturalismo Nas Ciências Sociais Sua influência e repercussão no estudo das organizações. O estruturalismo teve forte influência na Filosofia, na Psicologia, na Antropologia, na Matemática, na Linguística, chegando até na Teoria das Organizações. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br Novo Conceito De Estrutura O conceito de estrutura é bastante antigo. Estrutura é o conjunto formal de dois ou mais elementos e que permanece inalterado seja na mudança, seja na diversidade de conteúdos, isto é, a estrutura mantém-se mesmo com a alteração de um de seus elementos ou relações. A mesma estrutura pode ser apontada em diferentes áreas, e a compreensão das estruturas fundamentais em alguns campos de atividade permite o reconhecimento das mesmas estruturas em outros campos. O estruturalismo está voltado para o todo e com o relacionamento das partes na constituição do todo. A Teoria Estruturalista é administrativa baseada no movimento estruturalista, fortemente influenciado pela sociologia organizacional. Estrutura é o conjunto de elementos relativamente estáveis que se relacionam no tempo e no espaço para formar uma totalidade. Em administração, a estrutura corresponde a maneira como as organizações estão organizadas e estruturadas. Como sabemos, a Teoria das Relações Humanas foi uma tentativa de introdução das ciências do comportamento na teoria administrativa através de uma filosofia humanística a respeito da participação do homem na organização. Contudo a partir da década de 1950 a Teoria das Relações Humanas entrou em declínio, pois se de um lado combateu a Teoria Clássica, por outro não proporcionou as bases adequadas de uma nova teoria que a pudesse substituir. A oposição entre a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas criou um impasse dentro da administração que mesmo a Teoria da Burocracia não teve condições de ultrapassar. A Teoria Estruturalista representa um desdobramento da Teoria da Burocracia e uma leve aproximação a Teoria das Relações Humanas e representa também uma visão bastante crítica da organização formal. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br A SOCIEDADE DAS ORGANIZAÇÕES Para os estruturalistas, a sociedade moderna e industrializada é uma sociedade de organizações, das quais as pessoas passam a depender para nascer, viver e morrer. Essas organizações são altamente diferenciadas e requerem dos seus participantes determinadas características de personalidade. Essas características permitem a participação simultânea das pessoas em várias organizações, nas quais os papéis desempenhados variam. O estruturalismo ampliou o estudo das interações entre os grupos sociais iniciado pela Teoria das Relações Humanas, para os das interações entre as organizações sociais. Da mesma forma como interagem entre si os grupos sociais, também interagem entre si as organizações. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br AS ORGANIZAÇÕES Constituem a forma dominante de instituição da moderna sociedade: são a manifestação de uma sociedade altamente especializada e interdependente, que se caracteriza por um crescente padrão de vida. As organizações permeiam todos os aspectos da vida moderna e envolvem a participação de numerosas pessoas. Cada organização é limitada por recursos escassos, e por isso, não pode tirar vantagens de todas as oportunidades que surgem: daí o problema de determinar a melhor alocação de recursos. A eficiência é obtida quando a organização aplica seus recursos naquela alternativa que produz melhor resultado. A Teoria Estruturalista concentra-se no estudo das organizações, na sua estrutura interna e na interação com outras organizações. As organizações são concebidas como unidades sociais (ou agrupamentos humanos) intencionalmente construídas e reconstruídas, a fim de atingir objetivos específicos. Exemplo de organizações e suas finalidades: Escolas – proporcionar educação; Hospitais – cuidar da saúde; Prisões – manter a segurança civil. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br O HOMEM ORGANIZACIONAL Enquanto a Teoria Clássica caracteriza o homo economicus (homem econômico) e a Teoria das Relações Humanas, o homem social, a Teoria Estruturalista focaliza o "homem organizacional", ou seja, o homem que desempenha papéis em diferentes organizações. Ao final da década de 50, o ambiente organizacional estava em plena mutação e a visão do homem passou a ser organizacional. Eram os estruturalistas defendendo a ideia de um homem dinâmico, cooperativo e coletivista, capaz de desempenhar vários papeis em organizações diferentes. O homem organizacional era o indivíduo idealizado para compor o cenário industrializado e com alta rotatividade que se formava naquela época, era preciso que os funcionários entendessem que em nome da empresa ele precisaria ser capaz de adiar ou abdicar de seus interesses, ser flexível diante dos diversos papeis que ele poderia exercer dentro das organizações. Logo, na sociedade das organizações, moderna e industrializada, aparece a figura do "homem organizacional" que participa simultaneamente de várias organizações. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br O homem moderno, ou seja, o homem organizacional, para ser bem sucedido em todas as organizações, precisa ter as seguintes característicasde personalidade: A. FLEXIBILIDADE Em face das constantes mudanças que ocorrem da vida moderna, bem como da diversidade dos papéis desempenhados nas diversas organizações, que podem chegar à inversão, aos bruscos desligamentos das organizações e aos novos relacionamentos. B. TOLERÂNCIA AS FRUSTRAÇÕES Para evitar o desgaste emocional decorrente do conflito necessário entre necessidades organizacionais e necessidades individuais, cuja mediação é feita através de normas racionais, escritas e exaustivas, que procuram envolver toda a organização. C. CAPACIDADE DE ADIAR AS RECOMPENSAS E poder compensar o trabalho rotineiro dentro da organização, em detrimento das preferências e vocações pessoais por outros tipos de atividade profissional. D. PERMANENTE DESEJO DE REALIZAÇÃO Garantido a conformidade e cooperação com as normas que controlam e asseguram o acesso a posições de carreira dentro da organização, proporcionando recompensas e sanções sociais e materiais. A Teoria Estruturalista fez o mundo empresarial e, quando falamos deste universo, falamos de todos os tipos de empresas. A teoria estruturalista mudou a visão do homem simplório, com visão fechada e ampliou-a para um homem articulado e capaz de se adaptar em qualquer ambiente empresarial, seja na indústria ou no comércio. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br ANÁLISE DAS ORGANIZAÇÕES Os estruturalistas utilizam uma análise organizacional mais ampla do que a de qualquer teoria anterior, pois pretendem conciliar a Teoria Clássica e a Teoria das Relações Humanas, baseando-se também na Teoria da Burocracia. Assim, a análise das organizações do ponto de vista estruturalista é feita a partir de uma abordagem múltipla que leva em conta simultaneamente os fundamentos da Teoria Clássica, da Teoria das Relações Humanas e da Teoria da Burocracia. Trata-se de uma abordagem múltipla utilizada por essa teoria que envolve: 1. TANTO A ORGANIZAÇÃO FORMAL COMO A ORGANIZAÇÃO INFORMAL; 2. TANTO AS RECOMPENSAS SALARIAIS E MATERIAIS COMO AS RECOMPENSAS SOCIAIS E SIMBÓLICAS; 3. TODOS OS DIFERENTES NÍVEIS HIERÁRQUICOS DE UMA ORGANIZAÇÃO; 4. TODOS OS DIFERENTES TIPOS DE ORGANIZAÇÕES; 5. A ANÁLISE INTRA-ORGANIZACIONAL E ANÁLISE INTERORGANIZACIONAL. Veremos a seguir cada uma delas CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br ABORDAGEM MÚLTIPLA: ORGANIZAÇÃO FORMAL E INFORMAL Enquanto a Teoria Clássica se concentrava na organização formal e a Teoria das Relações Humanas somente na organização informal, os estruturalistas tentam estudar o relacionamento entre ambas as organizações: a formal e a informal, em uma abordagem múltipla. A Teoria Estruturalista vai tentar relacionar as relações formais e informais dentro e fora da organização. Os estruturalistas não alteram os conceitos da organização formal e informal. (formal tudo o que estiver expresso no organograma como hierarquia, regras, regulamentos, controle de qualidade e informal as relações sociais). A Teoria Estruturalista tenta encontrar o equilíbrio entre os elementos racionais e não racionais do comportamento humano que constitui o ponto principal da vida, da sociedade e do pensamento moderno. Constitui o problema da Teoria das Organizações CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br ABORDAGEM MÚLTIPLA: RECOMPENSAS MATERIAIS E SOCIAIS Os estruturalistas combinam os estudos da Teoria Clássica e da Teoria das Relações Humanas. O significado das recompensas salariais e sociais e tudo que se inclui nos símbolos de posição (tamanho da mesa ou do escritório, carros da companhia, etc.) é importante na vida de qualquer organização. Para as recompensas sociais e simbólicas sejam eficientes, quem as recebe deve estar identificado com a organização que as concede. Os símbolos e significados devem ser prezados e compartilhados pelos outros, como a esposa, colegas, amigos, vizinhos, etc. Por essas razões, as recompensas sociais são menos eficientes com os funcionários de posições mais baixas do que com os de posições mais altas. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br ABORDAGEM MÚLTIPLA: OS DIFERENTES ENFOQUES DA ORGANIZAÇÃO As organizações para os estruturalistas podem ser concebidas segundo duas diferentes concepções: MODELO RACIONAL DA ORGANIZAÇÃO Concebe a organização com um meio deliberado e racional de alcançar metas conhecidas. Os objetivos organizacionais são explicitados (como, por exemplo, a maximização dos lucros), todos os aspectos e componentes da organização são escolhidos em função de sua contribuição ao objetivo e as estruturas organizacionais são cuidadas para atingir a mais alta eficiência, os recursos são adequados e alocados de acordo com um plano diretor, todas ações são apropriadas e iniciadas por planos e seus resultados devem coincidir com os planos. É um sistema fechado, tendo como característica a visão focalizada apenas nas partes internas do sistema, com ênfase no planejamento e controle. Expectativa de certeza e de viabilidade. Neste modelo inclui a abordagem clássica da administração e a teoria da burocracia. MODELO NATURAL DE ORGANIZAÇÃO Concebe a organização com um conjunto de partes independentes que, juntas, constituem um todo. O objetivo básico é a sobrevivência do sistema. O modelo natural procura tornar tudo funcional e equilibrado, podendo ocorrer disfunções. Este modelo traz com inevitável aparecimento a organização informal nas organizações. É um sistema aberto tendo como característica a visão focalizada sobre o sistema e sua interdependência com o ambiente. Expectativa de incerteza e de imprevisibilidade. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br ABORDAGEM MÚLTIPLA: OS NÍVEIS DA ORGANIZAÇÃO Assim com o modelo burocrático de Weber, as organizações sofrem uma multiplicidade de problemas que são classificados e categorizados para que a responsabilidade por sua solução seja atribuída a diferentes níveis hierárquicos: NÍVEL INSTITUCIONAL: É o nível mais alto, composto dos dirigentes ou altos funcionários. É também denominado nível estratégico, pois é responsável pela definição dos principais objetivos e das estratégias organizacionais relacionadas em longo prazo. NÍVEL GERENCIAL: É o nível intermediário, situado entre o institucional e o técnico, cuidando do relacionamento e da integração desses dois níveis. Uma vez tomadas as decisões no nível institucional, o nível gerencial é o responsável pela sua transformação em planos e em programas para que o nível técnico os execute. NÍVEL TÉCNICO: É o nível mais baixo da organização. Também denominado nível operacional, é o nível em que as tarefas são executadas, os programas são desenvolvidos e as técnicas são aplicadas. É o nível que cuida da execução das tarefas em curto prazo e segue os programas e rotinas desenvolvidas pelo nível gerencial.CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br ABORDAGEM MÚLTIPLA: A DIVERSIDADE DE ORGANIZAÇÕES Enquanto a Administração Científica e a Escola das Relações Humanas focalizaram as fábricas, a abordagem estruturalista ampliou o campo da análise da organização, a fim de incluir outros tipos diferentes de organizações além das fábricas: organizações pequenas, médias e grandes, públicas e privadas, empresas dos mais diversos tipos (indústrias ou produtoras de bens, prestadoras de serviços, comerciais, agrícolas, etc.), organizações militares (exército, marinha, aeronáutica), organizações religiosas (igreja), organizações filantrópicas, partidos políticos, prisões, sindicatos, etc. A partir do estruturalismo, a administração não ficou mais restrita as fábricas, mas passou a ser entendida a todos os tipos possíveis de organizações. Além disso, toda a organização, a medida que cresce torna-se complexa e passa a exigir um adequada administração. ABORDAGEM MÚLTIPLA: ANÁLISE INTERORGANIZACIONAL Os estruturalistas, além de se preocupar com os fenômenos internos, também se preocupam com os fenômenos que ocorrem externamente nas organizações, mas que afetam os que ocorrem dentro delas, ou seja, os fenômenos internos. Assim, os estruturalistas se baseiam em uma abordagem de sistema aberto e utilizam o modelo natural de organização como base de seus estudos. A análise organizacional passa a ser feita através de uma abordagem múltipla, ou seja, através das análises intra-organizacional (fenômenos internos) e interorganizacional (fenômenos externos). CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br A TIPOLOGIA DAS ORGANIZAÇÕES Não existem duas organizações iguais. Contudo, embora elas sejam diferentes entre si, apresentam características que permitem classificá-las em certos grupos. São as classificações ou tipologias das organizações, que permitem uma análise comparativa das mesmas do ponto de vista de uma característica comum. As classificações tradicionais enfatizam seu tamanho (empresas pequenas, médias e grandes), ou sua natureza (empresas primárias, secundárias e terciárias), ou seu mercado (indústrias de bens de capital ou indústrias de bens de consumo), ou ainda sua dependência (empresas públicas ou privadas). TIPOLOGIA DE ETZIONI Amitai Etzioni é um sociólogo germano- estadunidense-israelense. É um dos autores mais importantes da Abordagem Estruturalista mais precisamente da Teoria Estruturalista da Administração. Etzioni elabora sua tipologia de organizações classificando as organizações com base no uso e significado da obediência. Para ele, a estrutura de obediência em uma organização é determinada pelos tipos de controles aplicados aos participantes. Amitai Etzioni CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br Assim, a tipologia das organizações, segundo Etzioni, é: ORGANIZAÇÕES COERCITIVAS: o poder é imposto pela força física ou por controles baseados em prêmios ou punições. Utilizam a força - latente ou manifesta - como o significado principal de controle sobre os participantes de nível inferior. O envolvimento dos participantes tende a ser "alienativo" em relação aos objetivos da organização. As organizações coercitivas incluem exemplos como os campos de concentração, prisões, instituições penais etc. ORGANIZAÇÕES UTILITÁRIAS: poder baseia-se no controle dos incentivos econômicos. Utilizam a remuneração como base principal de controle. Os participantes de nível inferior contribuem para a organização com um envolvimento tipicamente "calculativo", baseado quase exclusivamente nos benefícios que esperam obter. O comércio e as corporações trabalhistas estão incluídos nesta classificação. ORGANIZAÇÕES NORMATIVAS: o poder baseia-se em um consenso sobre objetivos e métodos de organização. Utilizam o controle moral como a força principal de influência sobre os participantes. Os participantes têm um alto envolvimento "moral" e motivacional. As organizações normativas são também chamadas "voluntárias" e incluem a Igreja, universidades, hospitais e muitas organizações políticas e sociais. Aqui, os membros tendem a buscar seus próprios objetivos e a expressar seus próprios valores pessoais. A tipologia de Etzioni é muito utilizada em face da consideração que faz sobre os sistemas psicossociais das organizações. Contudo, sua desvantagem é dar pouca consideração à estrutura, à tecnologia utilizada e ao ambiente externo. Trata-se de uma tipologia simples e unidimensional, baseada exclusivamente nos tipos de controle. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br TIPOLOGIA DE BLAU E SCOTT Peter Blau foi um sociólogo norte-americano e como sociólogo dedicou-se prioritariamente ao estudo das organizações. Junto com Richard Scott, apresentaram uma tipologia das organizações baseada no beneficiário, ou seja, de quem se beneficia com a organização. Para Blau e Scott, há quatro categorias de participantes que podem se beneficiar com uma organização formal: A. OS PRÓPRIOS MEMBROS DA ORGANIZAÇÃO; B. OS PROPRIETÁRIOS OU DIRIGENTES DA ORGANIZAÇÃO; C. OS CLIENTES DA ORGANIZAÇÃO: D. O PÚBLICO EM GERAL. Richard Scott Peter Blau CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br Em função dessas quatro categorias de beneficiários principais que a organização visa atender, existem quatro tipos básicos de organizações: 1. ASSOCIAÇÃO DE BENEFÍCIOS MÚTUOS: em que o beneficiário principal é os próprios membros da organização como as cooperativas, os sindicatos, etc. 2. ORGANIZAÇÕES DE INTERESSES COMERCIAIS: em que os proprietários ou acionistas são os principais beneficiários da organização como a maior parte das empresas privadas, sejam sociedades anônimas ou sociedades de responsabilidade limitada; 3. ORGANIZAÇÕES DE SERVIÇOS: em que um grupo de clientes é o beneficiário principal. Exemplos: hospitais, universidades, escolas, organizações religiosas. 4. ORGANIZAÇÕES DE ESTADO: em que o beneficiário é o público em geral. Exemplos: a organização militar, correios instituições jurídicas e penais, etc. A tipologia de Blau e Scott apresenta a vantagem de enfatizar a força de poder e de influencia do beneficiário sobre as organizações, a ponto de condicionar a sua estrutura. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br OBJETIVOS ORGANIZACIONAIS As organizações são unidades sociais que procuram atingir objetivos específicos: a sua razão de ser é servir a esses objetivos, proporcionando benefícios. Um objetivo organizacional é uma situação desejada que a organização tenta atingir. Porém, se o objetivo é atingido, ele deixa de ser a imagem orientadora da organização e é incorporado a ela como algo real e atual. Quandoisso ocorre, deixa de ser o objetivo desejado. Neste sentido, um objetivo nunca existe; é um estado que se procura, e não um estado que se possui. A eficiência geral de uma organização é determinada pela medida em que esta atinge seus objetivos, enquanto a competência de uma organização é medida pela quantidade de recursos utilizados para fazer uma unidade de produção. Os objetivos organizacionais têm muitas funções, a saber: A. Estabelecem linhas mestras para a atividade da organização; B. Constituem uma fonte de legitimidade que justifica as atividades de uma organização e, inclusive, sua existência; C. Servem como padrões para a avaliação de seu êxito, isto é, de sua eficiência e de seu rendimento; D. Servem como unidade de medida para o estudioso de organizações que tenta comparar e verificar a produtividade da organização. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br Há cinco categorias de objetivos organizacionais: OBJETIVOS DA SOCIEDADE: cujo ponto de referência é a sociedade em geral. Exemplos: produzir bens e serviços, manter a ordem pública, etc. OBJETIVOS DE PRODUÇÃO: cujo ponto de referência é o público que entra em contato com a organização. Exemplos: bens de consumo, serviços a empresas, educação. OBJETIVOS DE SISTEMAS: cujo ponto de referência é o estado ou maneira de funcionar da organização, independentemente dos bens e serviços que ela produz ou dos objetivos daí resultantes. Exemplos: ênfase nos lucros, no crescimento e na estabilidade da organização. OBJETIVOS DE PRODUTOS: cujo ponto de referência são as características dos bens e serviços produzidos. Exemplos: ênfase sobre qualidade ou quantidade de produtos, originalidade ou inovação dos produtos, etc. OBJETIVOS DERIVADOS: cujo ponto de referência são os usos que a organização faz do poder originado na consecução de outros objetivos. Exemplos: metas políticas, serviços comunitários, etc. O estudo dos objetivos das organizações permite identificar as relações entre as organizações e a sociedade em geral. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS Um dos assuntos mais abordados pelos estruturalistas são as mudanças organizacionais. As organizações apresentam maior inclinação para a mudança do que qualquer outra unidade social, pelo fato de serem planificadas e orientadas por objetivos específicos, sob liderança relativamente racional. Podem, ainda, alterar de forma profunda seus objetivos, no processo de ajustamento a problemas e situações emergentes e imprevistas. Para os estruturalistas, há uma relação íntima entre os objetivos organizacionais e o meio, de forma que a estrutura de objetivos é que estabelece a base para a relação entre uma organização e seu meio ambiente. O processo de estabelecer objetivos é complexo e dinâmico, porque toda organização não busca unicamente um objetivo, mas um total de objetivos inter-relacionados e que formam toda uma estrutura. Estes, não sendo estáticos, estão em contínua evolução, modificando as relações da organização com seu meio. CURSO: TEORIA ESTRUTURALISTA Carga Horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br CONSIDERAÇÕES FINAIS Apesar de se apoiar nas teorias anteriores, os Estruturalistas apresentam uma série de novos conceitos: como o de homem organizacional, a organização como um sistema aberto, a abordagem múltipla, etc. Sendo estes de grande contribuição para o campo da Administração. A teoria estruturalista se apresenta consideravelmente mais completa que as anteriores, pois abrange as organizações formais e informais, o fenômenos internos (intra-organizacional) e externos (interorganizacional), procurando conciliar aspectos estudados nas teorias anteriores e ainda acrescentar novos aspectos à administração. Notamos a importância da Teoria Estruturalista pela sua influência no estudo das organizações, e também quando percebemos uma ampliação do campo de estudo da Administração a partir desta. e-Tec Brasil Aula 3 – Teorias organizacionais – humanista e comportamental Objetivos Compreender conceitos, significados e campo de aplicação das abordagens humanista e comportamental da administração. 3.1 Abordagem humanista A abordagem humanista surgiu, em parte, porque a abordagem clássica não proporcionou suficiente eficiência de produção e harmonia no local de trabalho. Para a frustração dos administradores, as pessoas nem sempre seguiam os padrões de comportamento previstos ou esperados. Outro motivo, o surgimento da abordagem das relações humanas, ganhou força com a grande depressão criada na quebra da bolsa de valores de Nova Iorque, em 1929. Com a “Grande Crise”, todas as verdades, até então aceitas, são contestadas na busca da causa da crise. As novas ideias trazidas pela escola de relações humanas trazem uma nova perspectiva para a recuperação das empresas, de acordo com as preocupações de seus dirigentes e começa a tratar de forma mais complexa os seres humanos. Essas teorias criaram novas perspectivas para a administração, visto que bus- cavam conhecer as atividades e sentimentos dos trabalhadores e estudar a formação de grupos. Até então, o trabalhador era tratado pela teoria clássica de uma forma muito mecânica. Com os novos estudos, o foco mudou e, do homo economicus, o trabalhador passou a ser visto como homo social. As três principais características desses modelos são mostrados na Figura 3.1. e-Tec BrasilAula 3 - Teorias organizacionais – humanista e comportamental 49 Figura 3.1: Três principais características da abordagem humanista Fonte: CTISM, adaptado do autor A partir de então, começa-se a pensar na participação dos funcionários na tomada de decisão e na disponibilização das informações acerca da empresa na qual eles trabalhavam. Foram sendo compreendidos aspectos ligados à afetividade humana e percebeu-se os limites no controle burocrático por parte das organizações como forma de regulamentação social. Um dos objetivos do movimento das relações humanas foi quebrar o excessivo controle hierárquico e encorajar a espontaneidade dos trabalhadores. Porém, ainda prevalece que o homem é um instrumento a ser usado pela organização. Assim, houve um interesse crescente em ajudar os administradores a lidar de modo mais eficaz com o “lado humano” de suas organizações. Vários teóricos tentaram reforçar a teoria clássica da organização com conceitos de sociologia e psicologia. Em consequência desses estudos, tais precursores lançaram a base da nova filosofia da administração, chamada relações humanas no trabalho. Contribuí- ram com a ideia de “homem social” em substituição ao homem econômico, motivado pela vontade de se relacionar com os outros, destacando, também, a importância das habilidades humanas para o novo estilo de administração, em oposição às habilidades técnicas. As principais contribuições dessa teoria concentraram-se no esforço pioneiro rumo à humanização das empresas: a ênfase na organização informal, nos grupos sociais, nas comunicações, na motivação, na liderança, nas abordagens participativas e, sobretudo, na preocupação com a satisfação no trabalho. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 50 3.1.1 As experiências em Hawthorne O movimento das relações humanas desenvolveu-se a partir de uma famosa série de estudosrealizados na Western Electric Company, entre 1924 e 1933. Os estudos em Hawthorne começaram como uma tentativa de investigar a relação entre o nível de iluminação no local de trabalho e a produtividade dos operários. Em alguns dos primeiros estudos, os pesquisadores da Western Electric dividiram os empregados em grupos de testes, que eram submetidos a deliberadas mudanças na iluminação, e em grupos de controle, cuja iluminação permanecia constante durante toda a experiência. Os resultados foram ambíguos. Quando era melhorada a iluminação para o grupo de teste, a produtividade tendia a crescer, apesar dos resultados serem ruins. Mas, quando as condições de iluminação ficavam piores, também havia uma tendência ao aumento de produtividade no grupo de teste. Para complicar o mistério, a produção do grupo de controle também cresceu durante os estudos, ainda que os testes não sofressem mudanças de ilumi- nação. Obviamente, havia algo além da iluminação que estava influenciando o desempenho dos trabalhadores. Num novo conjunto de experiências, os pesquisadores colocaram um pequeno grupo de operários numa sala separada e alteraram algumas variáveis: aumen- taram os salários, introduziram períodos variáveis de descanso, reduziram as jornadas diária e semanal. O desempenho tendia a aumentar com o tempo, mas também subia e caía. Durante o transcorrer desse conjunto de experiências, Elton Mayo (1880 – 1949) e alguns colegas de Harvard, passaram a participar do projeto. Nessas e em outras experiências, Mayo e seus colegas concluíram que uma cadeia complexa de atitudes havia interferido nos aumentos de produção. Como haviam sido destacados para receber uma atenção especial, os grupos de teste e de controle haviam desenvolvido um espírito de grupo, que os motivou a melhorar o desempenho profissional. Os pesquisadores concluíram que os empregados trabalhariam mais caso acreditassem que a administração estava preocupada com o seu bem-estar e que os supervisores prestavam atenção especial a eles. Esse fenômeno, subsequentemente chamado de efeito Hawthorne, permanece bastante controvertido até hoje. Como o grupo de controle não recebeu nenhum tratamento especial da supervisão, nem qualquer melhoria nas condições de trabalho, e ainda assim melhorou o desempenho, algumas pessoas, inclusive o próprio Mayo, especularam que o aumento da produtividade no grupo de controle resultou da atenção especial dada pelos próprios pesquisadores. e-Tec BrasilAula 3 - Teorias organizacionais – humanista e comportamental 51 Os pesquisadores, também, concluíram que os grupos informais, ou seja, o ambiente social dos empregados, tem influência positiva sobre a produtividade. Muitos empregados da Western Electric achavam seu trabalho monótono e sem sentido, mas as associações e as amizades com os companheiros, algumas vezes influenciadas por um antagonismo compartilhado contra os “patrões”, davam algum significado às suas vidas profissionais, e de certo modo os protegiam da administração. Por esses motivos, a pressão do grupo era frequentemente uma influência mais forte na produtividade do trabalhador do que as exigências da administração. Para Mayo, então, o conceito de “homem social”, motivado por necessidades sociais, que deseja relacionamentos recompensadores no local de trabalho e responde mais às pressões do grupo do que do controle administrativo, era necessário para complementar o velho conceito de “homem racional”, motivado por necessidades pessoais de ordem econômica. A experiência de Hawthorne gerou um novo paradigma para os administradores mundiais. Suas conclusões mais importantes são: Integração social como determinante da produção, ou seja, quanto maior sua integração social no grupo maior será sua vontade de produzir, ao contrário do que dizia a escola clássica, que coloca fatores físicos como determinantes. Comportamento do empregado é baseado no comportamento dos grupos e organizações informais, cada empregado não age isoladamente. As necessidades psicológicas e sociais e a atenção para novas formas de recompensa e sanções não-materiais. O despertar para as relações humanas dentro das organizações. A ênfase nos aspectos emocionais e não-racionais do comportamento das pessoas. A importância do conteúdo dos cargos e tarefas para as pessoas, eram realizadas trocas de posição para evitar a monotonia, mesmo que provo- cassem queda na produtividade aumentavam o moral do grupo. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 52 Apesar das contribuições altamente significativas para os estudos organizacio- nais, a abordagem humanista da administração também foi alvo de algumas críticas, sendo elas: Apresenta uma visão inadequada dos problemas de relações industriais – em alguns aspectos a experiência de Hawthorne foi insegura e artificial e mesmo tendenciosa; alguns estudiosos acreditam que a origem esteja no fato de ser a teoria das relações humanas em produto da ética e do princípio democrático então existente nos Estados Unidos. Apesar de os industriais tenderem a julgar sempre as conclusões de Mayo verdadeiras, estes as consideravam inaplicáveis, como citado por um “Tudo isto é muito interessante, mas o que psicólogos e teóricos em geral pare- cem esquecer é que tenho que obter lucro e produzir bens”. O bem-estar é muito justo no devido lugar, mas é, no final das contas, um problema secundário na indústria e não a sua função principal. Uma crítica feita pelos psicólogos é que as conclusões de Mayo são óbvias, porém Mayo sem dúvida tem seu mérito por tirar este conceito das ciências e aplicá-lo às práticas administrativas. Oposição cerrada à teoria clássica, onde tudo aquilo que esta preconizava, a teoria das relações humanas negava. Limitação no campo experimental, sua principal crítica é a de natureza analítica. Suas pesquisas concentram-se em campos muito pequenos de variáveis e ao estudá-las não levou em conta as demais. Isto levou, com o tempo, a um certo descrédito de sua teoria. A concessão ingênua e romântica do operário – as pessoas que seguiram demonstraram que nem sempre isto ocorreu. A ênfase exagerada nos grupos informais colaborou rapidamente para que esta teoria fosse repensada. O seu enfoque manipulativo e certamente demagogo não deixou de ser descoberto e identificado pelos operários e seus sindicatos. Ao receber tantas críticas, a abordagem das relações humanas precisou de uma reestruturação que deu origem à abordagem ou teoria comportamental. Assista a um vídeo sobre abordagem humanista em: http://www.youtube.com/ watch?v=6wCPtcqpFLE e-Tec BrasilAula 3 - Teorias organizacionais – humanista e comportamental 53 3.2 Abordagem comportamental Deriva do livro de Herbert Simon “O Comportamento Administrativo”, onde o autor desenvolve uma teoria de decisões, salientando que a decisão é muito mais importante do que a execução que a sucede. A partir daí as empresas são visualizadas como sistemas de decisões, onde as pessoas percebem, sentem, decidem e agem, definindo seus comportamentos frente às situações com que se deparam. A administração não pode deixar de lado estes aspectos comportamentais. A teoria comportamental descende diretamente da escola das relações humanas e mantém a tradição de deixar os aspectos formais em segundo plano, para se dedicar completamente aos aspectos comportamentais (informais). A teoria comportamental (ou teoria behaviorista) da administração veio sig- nificar uma nova direção e um novo enfoque dentro da teoria administrativa: a abordagem das ciências do comportamento, o abandono das posições normativas e prescritivas das teorias anteriores e a adoção de posições expli- cativas e descritivas. A ênfase permanece nas pessoas, mas dentro de um contexto organizacional. A teoria comportamental defendia a valorização do trabalhador em qualquer empreendimento baseado na cooperação, buscando um novopadrão de teoria e pesquisa administrativas. Foi bastante influenciado pelo desenvolvimento de estudos comportamentais em vários campos da ciência, como a antropologia, a psicologia e a sociologia. Adotando e adaptando para a administração conceitos originalmente elaborados dentro dessas ciências, propunha-se fornecer uma visão mais ampla do que motiva as pessoas para agirem ou se comportarem do modo que o fazem, particularizando as situações específicas do indivíduo no trabalho. Os estudiosos desta escola, onde se destacam McGregor, Maslow, Herzberg, Porter, entre outros, procuram desenvolver e comparar estilos de administração, capazes de potencializar as motivações individuais existentes nos participantes da organização e reduzir as incongruências e os conflitos entre os objetivos organizacionais e individuais dos participantes. A teoria comportamental percebe a organização como um sistema de decisões em que cada membro participa racional e conscientemente, escolhendo e tomando decisões individuais a respeito de alternativas racionais de compor- Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 54 tamento. Ou seja, mostra que não é somente o administrador quem toma as decisões dentro da empresa, mas sim todos os membros que dela fazem parte, compondo assim um complexo sistema de decisões. Surge, então, a teoria das decisões, fundada por Hebert Simon, na qual busca explicar o comportamento de cada indivíduo dentro de uma organização. A decisão é uma escolha entre alternativas ou possibilidades e são tomadas para resolver problemas ou aproveitar oportunidades. Alguns autores ponderam que seis elementos são necessários ao processo decisório: Tomador de decisão – é a pessoa que faz uma escolha ou opção frente às várias existentes. Objetivos – são os objetivos que o tomador de decisões busca atingir. Preferências – para fazer a sua escolha, o tomador de decisões estabelece critérios, preferências. Estratégia – é o caminho escolhido pelo tomador de decisões para o alcance de seus objetivos, com base nos recursos que lhes são disponíveis. Situação – são os aspectos do ambiente que circunda o tomador de decisões. Resultado – é o que se obteve com as estratégias utilizadas. Simplificando os pontos acima mencionados, é dizer que o tomador de deci- sões, encontra-se numa situação, na qual para alcançar os seus objetivos, estabelece preferências, formula estratégias para conseguir obter um resultado satisfatório ou não. A situação na qual o tomador de decisões se encontra para dar início ao alcance de seus resultados é interpretada segundo algumas noções como a de eventos futuros e das probabilidades de suas ocorrências, as consequências de algumas alternativas, as possibilidades de ações possíveis ou disponíveis e a hierarquia estabelecida guiada pelas suas preferências. Noções estas, que fazem com que o indivíduo tenha que abandonar algumas decisões, as mais racionais possíveis, em virtude de outras. Racionalidade importante para o alcance dos fins ou objetivos, com o intuito de obter os e-Tec BrasilAula 3 - Teorias organizacionais – humanista e comportamental 55 melhores resultados. Porém, essa racionalidade é limitada, porque só se toma decisões com base no que se conseguiu perceber e compreender, podendo deixar fugir algumas outras informações. O comportamento administrativo foca o homem administrativo, como aquele que não procura a melhor alternativa, o máximo absoluto, mas sim, aquela alternativa mais satisfatória, que se mostra suficiente frente às possibilidades da situação. Podendo-se utilizar o termo satisficer, como palavra que traduz o homem administrativo. Termo este que foi introduzido por Simon, atenuando-se o conceito de “homem econômico”. Reforçando essa ideia, pode-se afirmar que o comportamento administrativo é satisfaciente (satisficer) e não otimi- zante, pois o homem administrativo toma decisões sem poder procurar todas as alternativas possíveis: não procura o máximo lucro, mas o lucro adequado; não o preço ótimo, mas o preço razoável. Figura 3.2: Comportamento administrativo Fonte: CTISM Dentro desse processo organizacional, as empresas tendem a se tornarem racionalmente insatisfeitas, com vistas ao aperfeiçoamento permanente. A teoria comportamental é importante e definitiva, principalmente, pelo fato de seus melhores autores terem desenvolvido uma grande quantidade de pesquisas apresentadas de forma clara, tornando-se bastante conhecidas. Porém, mesmo não tendo muitas críticas, ela está passível de censuras. Os behavioristas falharam ao dividir as pessoas em “racionais e não-racionais”, “eficientes e não-eficientes”, “satisfeito e insatisfeito”, partindo, portanto, para uma espécie de “psicologização” dos problemas de relações industriais. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 56 Outra crítica apresentada, é que, para James Earley, as ideias dadas pela teoria comportamentalista, não buscam maximizar nada, apenas resultados satisfatório. Earley, em suas pesquisas, tirou várias conclusões que são opostas a esse pensamento. Para ele, os administradores, cada vez mais, procuram novos meios para ter lucros e redução de custos. A teoria comportamentalista errou ao padronizar os fenômenos do compor- tamento, desprezando as diferenças individuais de personalidade. Ela procura explicar o comportamento humano tal como os cientistas poderiam explicar ou prever os fenômenos da natureza ou o comportamento dos ratos no laboratório. Porém, é preciso evidenciar que esta teoria representou um avanço para a administração. Os behavioristas mostram um novo conceito democrático e humano, baseado na equalização do poder, assim como as principais teorias de motivação para a administração. Outro aspecto a ser considerado é o reconhecimento dos conflitos organi- zacionais. Os behavioristas acreditam que há um conflito entre os objetivos individuais e organizacionais, que podem ser resolvidos por uma mudança no comportamento e na estrutura organizacional. Nesta teoria, também, é dada importância à formação de grupos de trabalho como meio eficiente de alcançar os objetivos. Como já foi dito, a teoria comportamental foi muito importante para o con- teúdo das teorias organizacionais. Ela é uma teoria de análise mais descritiva e explicativa do que prescritiva, preocupando-se mais em explicar do que formar normas, demonstrando uma dificuldade em sua aplicação. Porém, seus conteúdos são um dos mais conhecidos, representando uma grande base para as teorias administrativas. Resumo Após estudar essa aula, foi possível apresentar algumas considerações rele- vantes acerca da abordagem humanista nas organizações: ênfase no homem social e nos grupos informais; necessidade de participação nas decisões; o trabalho é uma atividade grupal; o mundo social do adulto é padronizado em relação às atividades no trabalho; personalidade central, formada durante o processo de socialização do indivíduo; personalidade periférica, formada através do contato e da participação do indivíduo no grupo; coesão, status e normas de grupos determinam o resultado; ênfase no bem-estar, motivação e Assista a um vídeo sobre abordagem corportamental em: http://www.youtube.com/ watch?v=Gbg5zRT3W5I e-Tec BrasilAula 3 - Teorias organizacionais – humanista e comportamental 57 comunicação; processos psicológicos e sociais que influenciam o desempenho; ignorava o lado racional e a contribuição das organizações formais. Por sua vez, consideram-se também alguns apontamentos do ponto de vista das contribuições da abordagem comportamental para a administração: ênfase nas pessoas e no ambiente; foco no comportamento organizacional; homem administrativo; eficácia pelo envolvimento de processos individuais, de grupos e organizacionais; desejo pelo trabalho e controle próprio; maior participação, autonomia e desafios; desenvolvimento e iniciativa individual; incentivosmistos (materiais e sociais); conflitos possíveis e negociáveis; relação de equilíbrio entre eficiência e eficácia; processos de tomada de decisão; autoridade, autonomia e aceitação; aspectos psicossociais; sistema social cooperativo e racional; ser racional tomador de decisões quanto à participação nas organizações. Atividades de aprendizagem 1. Experiência que marcou o surgimento da teoria das relações humanas: a) Psicologia dinâmica. b) Hawthorne. c) Interviewing program. d) Motivação humana. e) New generation. 2. As teorias X e Y, sobre estilos de administração, foram idealizadas por: a) Douglas McGregor. b) Frederick Taylor. c) Elton Mayo. d) Herbert Simon. e) Max Weber. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 58 3. Das afirmativas abaixo não está correta: a) Elton Mayo era um psicólogo industrial australiano, que desenvolveu uma série de experimentos na Western Eletric, na sua fábrica de Hawthorne. b) Os trabalhos de Elton Mayo estavam ligados às relações entre moral, satisfação e produtividade dos trabalhadores. c) As ideias de Elton Mayo estavam fundamentadas num modelo de natu- reza humana, com características de homem econômico. d) No modelo desenvolvido por Elton Mayo, o homem é visto como ampla- mente movido por necessidades de segurança, aprovação social, afeto, prestígio e autorrealização. e) Elton Mayo dava muita importância às atividades do grupo informal no trabalho e com a sua força sobre os indivíduos. 4. Julgue os itens a seguir sobre a teoria comportamental da administração. I - Representa um desdobramento da teoria das relações humanas, com a qual se mostrou crítica e severa, reformulando seus conceitos e rejeitando suas concepções ingênuas e românticas. II - Tem seu início com Herbert Alexander Simon, Chester Barnard e Douglas McGregor. III - Surge no final de década de 1920. IV - Fundamenta-se no comportamento organizacional das pessoas para explicar o comportamento individual. Estão corretos: a) I e II somente. b) I e III somente. c) I, II e III somente. e-Tec BrasilAula 3 - Teorias organizacionais – humanista e comportamental 59 d) II e III somente. e) III e IV somente. 5. Dentre as contribuições da teoria das relações humanas, assinale a alter- nativa falsa: a) Esforço pioneiro rumo à humanização das empresas. b) Ênfase na organização informal e nos grupos sociais. c) Foco nas comunicações, na motivação, na liderança e nas abordagens participativas. d) Preocupação com a satisfação no trabalho. e) Hierarquia define o relacionamento entre os cargos. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 60 CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br ABORDAGEM HUMANÍSTICA A Abordagem Humanística da Administração representa uma transferência da ênfase anterior, colocada nos aspectos técnicos e formais da Administração para os aspectos sociológicos e psicológicos do trabalho. Esse estudo compreendeu dois assuntos distintos, a saber: A) A ANÁLISE DO TRABALHO E ADAPTAÇÃO DO TRABALHADOR AO TRABALHO: Seleção de pessoal, orientação profissional, métodos de aprendizagem, fisiologia do trabalho, estudo dos acidentes e da fadiga. B) A ADAPTAÇÃO DO TRABALHO AO TRABALHADOR: Estudo da personalidade do trabalhador e do chefe, da motivação e dos incentivos do trabalho, da liderança, das comunicações, das relações interpessoais e sociais dentro da organização. Essa abordagem constituiu-se na mais dura oposição à Teoria Clássica e seus preceitos, pois apresentou evidências da existência de outros aspectos envolvendo a produtividade humana nas organizações, de natureza não mecanicista ou operacional. Essa teoria abordou o lado humano das organizações. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br A TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS A Teoria das Relações Humanas é um conjunto de teorias administrativas que ganharam força com a Grande Depressão criada na quebra da bolsa de valores de Nova York, nos Estados Unidos, em 1929. Com a "Grande Crise" todas as verdades, até então aceitas, são contestadas na busca da causa da crise. As novas ideias trazidas pela Escola de Relações Humanas trazem uma nova perspectiva para a recuperação das empresas de acordo com as preocupações de seus dirigentes e começa a tratar de forma mais complexa os seres humanos em geral. Essas teorias criaram novas perspectiva para a administração, visto que buscavam conhecer as atividades e sentimentos dos trabalhadores e estudar a formação de grupos. Até então, o trabalhador era tratado pela Teoria Clássica como citado anteriormente, e de uma forma muito mecânica. As origens da Teoria se fizeram da necessidade de humanizar e democratizar a administração, do desenvolvimento das chamadas ciências humanas (Sociologia, Psicologia, Antropologia, etc.) e da conclusão da experiência de Hawthorne, na qual veremos adiante. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br EXPERIÊNCIA DE HAWTHORNE Essa experiência aconteceu na Western Electric Company, a partir de 1927, visando determinar qual a relação existente entre a intensidade da iluminação e a eficiência dos operários (produtividade). A Western Electric Company fabricava equipamentos e componentes telefônicos, e desenvolvia, na época, uma política de pessoal bastante voltada para o bem estar de seus funcionários. Em sua fábrica, situada no bairro de Hawthorne, em Chicago, havia um departamento de montagem de relês de telefone, composto basicamente por moças, que executavam um trabalho manual de montagem, dependendo intensamente de sua velocidade manual para a produção. Antes do início da pesquisa, a produção média era de cinco relês a cada seis minutos por pessoa. A direção da companhia não se preocupava em aumentar a produção, mas sim em conhecer um pouco mais sobre seus funcionários. Essa experiência aconteceu em quatro fases distintas. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br 1º FASE Nessa fase, foram estudados dois grupos de trabalho, que operando em condições idênticas, tiveram sua produção constantemente avaliada. Um dos grupos teve suas condições ambientais de trabalho mantidas constantes, enquanto o outro teve sua iluminação intensificada, propositalmente. Para frustração dos pesquisadores (Elton Mayo, médico e sociólogo), ambos os grupos apresentaram variações semelhantes de produtividade, independente da intensidade da luz existente, levando os pesquisadores à verificação da existência de outras variáveis; descoberta do fator psicológico, preponderante sobre o fator fisiológico; 2º FASE Com a introdução de novas variáveis independentes (horários de descanso, lanches, reduções no período de trabalho, sistema de pagamento) buscava-se identificar aquela que mais se relacionava com a produtividade. Após diversas variações nas condições de trabalho, que resultaram em crescimento da produtividade, retornaram o trabalho às condições originais, e mesmo assim presenciando um crescimento na produtividade das pessoas; CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRABRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br 3º FASE Programa de entrevistas buscando maiores conhecimentos sobre as atitudes e sentimentos do trabalhador, entrevistando 21.126 operários; revelação da existência da organização informal; por meio dessa organização informal, os operários se mantinham unidos com certa lealdade entre si ou para com a empresa; essa lealdade dividida entre o grupo e a companhia poderia trazer conflito, tensão, inquietação e provável descontentamento; 4º FASE Foi montado um grupo experimental, composto por nove operadores, nove soldadores e dois inspetores, que passaram a ser constantemente observados na sala de observações de montagens de terminais; a observação permitiu perceber as artimanhas utilizadas por esses operários para reduzir seu trabalho, de acordo com padrões que o próprio grupo considerava ideal; aqueles trabalhadores que não o fizessem eram punidos simbolicamente pelo grupo; nessa última fase da experiência, foi possível o estudo das relações entre a organização informal dos operários e a organização formal da fábrica. A experiência de Hawthorne durou de 1927 a 1932, quando foi encerrada por motivos não vinculados ao seu desenvolvimento. Entretanto, a influência de seus resultados sobre a teoria administrativa foi fundamental, abalando terrivelmente os princípios da Teoria Clássica então dominante. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br CONCLUSÕES DA EXPERIÊNCIA DE HAWTHORNE A Experiência de Hawthorne permitiu o delineamento dos princípios básicos da Escola das Relações Humanas que veio a se formar logo em seguida, por meio de seus principais pesquisadores. Dentre as principais conclusões, estão: A) NÍVEL DE PRODUÇÃO É RESULTANTE DA INTEGRAÇÃO SOCIAL: é a capacidade social do trabalhador que estabelece seu nível de competência e eficiência, e não a sua capacidade de executar movimentos eficientes dentro de um tempo previamente estabelecido. Quanto mais integrado socialmente no grupo de trabalho, tanto maior será sua disposição para o trabalho; B) COMPORTAMENTO SOCIAL DOS EMPREGADOS: os trabalhadores não agem ou reagem isoladamente como indivíduos, mas como membro de grupos. A Teoria Clássica não chegara a perceber que não são os trabalhadores que definem sua capacidade máxima de produção, mas sim os grupos com os quais ele interage. A qualquer desvio de comportamento pelo indivíduo, este será retaliado simbolicamente pelo grupo que participa; C) AS RECOMPENSAS E SANÇÕES SOCIAIS: as pessoas passam a ser avaliadas pelos grupos que participam, de acordo com as normas de comportamento que o grupo cria para si. São tomadas como boas companheiras e colegas se o seu comportamento se ajusta a essas normas e padrões de comportamento e são avaliadas como péssimas colegas ou desleais se o seu comportamento transgride aquelas normas e padrões. Essas recompensas são simbólicas e não-materiais, porém influenciam decisivamente na motivação e na felicidade do trabalhador; CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br D) GRUPOS INFORMAIS: a empresa passou a ser visualizada como uma organização social composta de diversos grupos sociais informais, cuja estrutura nem sempre coincide com a organização formal da empresa. Os grupos informais constituem a organização humana da empresa, muitas vezes em contraposição à organização formal estabelecida pela direção. Esses grupos informais definem suas regras de comportamento, suas formas de recompensas ou sanções sociais, seus objetivos, suas escalas de valores sociais, suas crenças e expectativas, que cada participante vai assimilando e integrando em suas atitudes e comportamento; E) AS RELAÇÕES HUMANAS: para poder explicar e justificar o comportamento das pessoas na organização, a Teoria das Relações Humanas passou a estudar intensamente essas interações sociais surgidas dentro das organizações, em face do grande número de grupos e as interações necessariamente resultantes; é exatamente a compreensão da natureza dessas relações humanas que permite ao administrador melhores resultados de seus subordinados; F) A IMPORTÂNCIA DO CONTEÚDO DE CARGO: a maior especialização (e, portanto, maior fragmentação) do trabalho não é a forma mais eficiente de divisão do trabalho, pois não cria, necessariamente, a organização mais eficiente. Durante a experiência, percebeu-se que os operários mudavam de lugar várias vezes para variar a monotonia. Percebeu-se então que o conteúdo e a natureza do trabalho têm enorme influência sobre o moral do trabalhador; G) A ÊNFASE NOS ASPECTOS EMOCIONAIS: os elementos emocionais não- planejados e mesmo irracionais do comportamento humano passam a merecer a atenção de quase todas as figuras da Teoria das Relações Humanas. Daí o fato de serem denominados sociólogos da organização, por alguns autores. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br COMPARAÇÃO ENTRE A TEORIA CLÁSSICA E A TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS A colaboração humana é determinada antes pela organização informal do que pela organização formal. A colaboração é um fenômeno estritamente social, não-lógico, concebido inteiramente em códigos sociais, convenções, tradições, expectativas e modos rotineiros de reagir às situações. Não é questão de lógica, mas de psicologia. Assim, para a maioria dos operários, os estímulos psicológicos e sociais são mais importantes do que as condições de ordem material ou econômica. A concepção do homo economicus (homem econômico) não explica adequadamente o comportamento humano e peca por estabelecer uma relação lógica e primária entre causa (condições físicas) e efeito (cooperação). Também a fadiga não tem apenas origem orgânica e fisiológica, mas principalmente subjetiva e psicológica. Dentro desse espírito, a Teoria das Relações Humanas trouxe novas dimensões e novas variáveis para a Teoria Geral da Administração. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br O HOMEM SOCIAL A experiência de Hawthorne constatou que a produtividade do homem está ligada a sua integração social, ou seja, só um estímulo econômico salarial não é suficiente para aumentar o grau de satisfação com a empresa, pois o homem busca também recompensas sociais. Pontos principais: Os trabalhadores são criaturas sociais complexas, com sentimentos, desejos e temores; As pessoas são motivadas por certas necessidades e alcançam suas satisfações primárias por meio dos grupos com os quais interagem; O comportamento dos grupos pode ser manipulado por um adequado estilo de supervisão e liderança; As normas do grupo funcionam como mecanismos reguladores do comportamento dos membros; CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br A INFLUÊNCIA DA MOTIVAÇÃO HUMANA Com a Teoria das Relações Humanas passou-se a estudar a influência da motivaçãono comportamento das pessoas. A motivação humana procura explicar por que as pessoas se comportam. A compreensão da motivação do comportamento humano exige o conhecimento das necessidades humanas fundamentais. Verificou-se que o comportamento humano é determinado por causas que, as vezes, escapam ao próprio entendimento e controle do homem. Essas causas se chamam necessidades ou motivos: são forças conscientes ou inconscientes que levam o indivíduo a um determinado comportamento. Uma das principais teorias motivacionais é do psicólogo americano Abraham Maslow, conhecido pela proposta hierarquia de necessidades de Maslow. O comportamento motivacional, segundo ele, é explicado pelas necessidades humanas. Para Maslow, as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa hierarquia de importância e de influência, representadas numa pirâmide, tendo na base as necessidades mais baixas (necessidades fisiológicas) e no topo, as necessidades mais elevadas (as necessidades de auto-realização). CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br NECESSIDADES FISIOLÓGICAS Para Maslow, as necessidades fisiológicas constituem a sobrevivência do indivíduo e a preservação da espécie. Exemplos: Alimentação, sono, respiração, reprodução, abrigo, vestuário etc. NECESSIDADES DE SEGURANÇA Constituem pela busca de proteção contra as ameaças em geral. Referem-se à estabilidade ou manutenção do que se tem. Exemplos: Uma casa para morar, segurança física, segurança financeira, saúde e bem-estar etc. NECESSIDADES SOCIAIS Incluem a necessidade de associação, de participação, de aceitação por parte dos companheiros, de troca de amizade, de afeito e amor. Referem-se às necessidades do indivíduo em termos sociais. Exemplos: Aceitação, amizade, sentimento de pertencer, intimidade, convivência social, família, organizações (clubes, torcidas, entidades de classe, etc.). CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br NECESSIDADES DE ESTIMA Após conseguir suprir as demais necessidades, o ser humano passa a perseguir a necessidade de estima, ou de ser respeitado em busca de autoestima e autorrespeito. A estima é um desejo humano de ser aceito e valorizado por si e pelos outros. Exemplos: A autoconfiança, a necessidade de aprovação social e de respeito, de status, prestígio e consideração, de confiança perante o mundo, independência e autonomia. NECESSIDADES DE REALIZAÇÃO PESSOAL A realização pessoal é a necessidade mais elevada da pirâmide. Trata-se da pessoa realizar o seu próprio potencial e auto desenvolver-se continuamente. Para se ter esta motivação, é necessário que as outras tenham sido satisfatórias, assim, a pessoa pode realizar o seu potencial máximo, ou seja, ele pode explorar suas possibilidades. Este pode ser considerado a motivação maior e a única verdadeiramente satisfatória para a natureza humana. E claro, ela é totalmente subjetiva, ou seja, varia para cada indivíduo. Para uns, a realização pessoal é construir uma família, para alguns é a riqueza, para outros é conhecer o lugar que sempre sonhou. Qual é o seu? CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br CICLO MOTIVACIONAL A partir da Teoria das Relações Humanas, todo o acervo de teorias psicológicas acerca da motivação humana passou a ser aplicado dentro das empresas. Para entender o Ciclo Motivacional primeiramente deve ser feita a diferenciação entre algo motivador e um fator de satisfação: 1. A motivação é definida como a inclinação para a ação que tem como origem uma necessidade. 2. O motivador é a própria necessidade enquanto o fator de satisfação é alguma coisa que satisfaz esta necessidade. Um exemplo prático disso é a sede. Água é um fator de satisfação da necessidade sede, o que motiva a pessoa a buscar a mudança de estado é a sede e não a água. Um exemplo nas empresas é relativo à segurança no trabalho, que é um fator de satisfação da necessidade de se manter vivo. O que motiva o trabalhador é a vida e não a segurança no trabalho. A motivação, portanto, nasce somente das necessidades humanas e não de coisas que satisfazem estas necessidades. Transferindo isto para o ambiente das organizações, é possível oferecer fatores de satisfação como dinheiro, reconhecimento ou promoção, mas não é possível motivar as pessoas com isso. A tarefa da administração passa a não ser de motivar seus empregados, e sim induzi-los a comportamentos positivos. O comportamento humano pode ser explicado através do ciclo motivacional, isto é, o processo pelo qual as necessidades condicionam o nosso comportamento a algum estado de resolução. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br 1. O organismo humano permanece em estado de equilíbrio; 2. Um estímulo rompe este equilíbrio; 3. Cria-se uma necessidade; 4. Essa provoca um estado de tensão, insatisfação, desconforto em substituição ao anterior estado de equilíbrio; 5. A tensão conduz a um comportamento ou ação capaz de satisfazer aquela necessidade; 6. Satisfeita a necessidade, o organismo retorna ao seu estado de equilíbrio inicial, até que outro estímulo sobrevenha. Esse ciclo se divide em 6 etapas: CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br FRUSTRAÇÃO E COMPENSAÇÃO Toda vez que alguma satisfação é bloqueada por alguma barreira, ocorre a frustração, que gera uma tensão interna no indivíduo, deixando-o em intenso estado de desequilíbrio. Quando o indivíduo tenta satisfazer essa tensão por meio da satisfação de outra necessidade complementar ou substitutiva, ocorre a compensação. Assim, a satisfação de outra necessidade aplaca a necessidade mais importante e reduz ou evita a frustração. Desta forma toda a necessidade humana pode ser satisfeita, frustrada ou compensada. Já toda necessidade não-satisfeita é motivadora de comportamento, porém, quando uma necessidade não é satisfeita dentro de algum tempo razoável, ela passa a ser um motivo frustrado. A frustração pode levar a certas reações generalizadas, como desorganização do comportamento, agressividade, reações emocionais, alienação e apatia. MORAL E ATITUDE A literatura sobre o moral dos empregados teve seu início com a Teoria das Relações Humanas. O moral é uma decorrência do estado motivacional, uma atitude mental provocada pela satisfação ou não-satisfação das necessidades do indivíduo (moral elevado x moral baixo). Atitude é o resultante do moral dos participantes de uma organização. O moral elevado é acompanhado de uma atitude de interesse, identificação, aceitação fácil, entusiasmo e impulso positivo em relação ao trabalho e geralmente em paralelo a uma diminuição de problemas de supervisão e disciplina. Por outro lado, o moral baixo é acompanhado por uma atitude de desinteresse, negação, rejeição, pessimismo e apatiacom relação ao trabalho e geralmente trazendo problemas de supervisão e de disciplina. Assim, o moral é uma consequência do grau de satisfação das necessidades individuais. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br LIDERANÇA Com a Teoria das Relações Humanas passou-se a constatar a enorme influência da liderança informal sobre o comportamento das pessoas. A liderança é necessária em todos os tipos de organização humana, principalmente nas empresas e em cada um de seus departamentos. Ela é igualmente essencial em todas as demais funções da Administração: o administrador precisa conhecer a motivação humana e saber conduzir as pessoas, isto é, liderar. Existem três principais teorias a respeito da liderança. A saber: TEORIA DOS TRAÇOS DE PERSONALIDADE - O líder apresenta características marcantes de personalidade que o distinguem das demais pessoas. Certos indivíduos possuem uma combinação especial de traços de personalidade que podem ser definidos e utilizados para identificar futuros líderes potenciais, bem como avaliar a eficácia da liderança. TEORIA DOS ESTILOS DE LIDERANÇA - estudam a liderança em termos de estilos de comportamento do líder em relação aos seus subordinados, isto é, maneiras pelas quais o líder orienta sua conduta. Esta abordagem se refere ao que o líder faz, isto é, seu estilo de comportamento para liderar. TEORIA SITUACIONAL DE LIDERANÇA - procuram explicar a liderança dentro de um contexto bem mais amplo do que as teorias anteriormente apresentadas. As teorias situacionais de liderança partem do princípio de que não existe um único estilo ou característica de liderança válida para toda e qualquer situação. O verdadeiro líder é aquele que é capaz de se ajustar a um grupo particular de pessoas sob condições extremamente variadas. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br A IMPORTÂNCIA DA COMUNICAÇÃO Para a Teoria das Relações Humanas, a comunicação é importante no relacionamento entre as posições e no esclarecimento e na explicação aos participantes inferiores das razões das orientações tomadas. Os subordinados devem receber continuamente dos superiores um fluxo de comunicações capaz de suprir-lhes as necessidades. Por outro lado, os superiores devem receber dos subordinados um fluxo de comunicações capaz de lhes oferecer uma ideia adequada do que está acontecendo. A comunicação é uma atividade administrativa que possui dois propósitos: A ORGANIZAÇÃO INFORMAL E A DINÂMICA DE GRUPO. ORGANIZAÇÃO INFORMAL Desenvolvem-se a partir da interação imposta e determinada pela organização formal. São padrões de relações não encontradas no organograma da organização. Encontramos amizades e antagonismos, indivíduos que se identificam com outros, grupos que se afastam de outros e uma grande variedade de relações no trabalho e fora dele e que constituem a chamada organização informal. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br São características da organização informal: A) RELAÇÃO DE COESÃO OU ANTAGONISMO: os indivíduos criam relações pessoais de simpatia, ou antipatia, cuja duração e intensidade são variáveis; B) STATUS: cada indivíduo adquire certa posição social ou status em função de seu papel em cada grupo, que sobrepõe-se à sua posição na organização formal; C) COLABORAÇÃO ESPONTÂNEA: existe em toda a empresa, e é um pré-requisito necessário à colaboração efetiva de pessoal, pois no nível informal existe um alto nível de colaboração espontânea que deve ser aplicado em favor da empresa; D) POSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO À ORGANIZAÇÃO FORMAL: a organização informal pode se desenvolver em oposição à organização formal e em desarmonia com os objetivos da empresa; E) PADRÕES DE RELAÇÕES E ATITUDES: os grupos informais desenvolvem, espontaneamente, padrões de relações e de atitudes que passam a ser aceitos pelos seus componentes, pois traduzem os interesses e aspirações do grupo; F) MUDANÇAS DE NÍVEIS E ALTERAÇÕES DOS GRUPOS INFORMAIS: a mudança de nível funcional de um indivíduo na organização formal pode levá-lo a ingressar em outros grupos informais em face das relações funcionais que manterá com os outros indivíduos em outros níveis e setores da empresa. Os grupos informais, portanto, tendem a se alterar com as modificações da organização formal; G) PADRÕES DE DESEMPENHO NOS GRUPOS INFORMAIS: os padrões de desempenho e de trabalho estabelecidos pelo grupo informal nem sempre correspondem aos padrões estabelecidos pela administração. Podem ser maiores ou menores, bem como podem estar em perfeita harmonia ou em completa oposição, dependendo do grau de motivação do grupo quanto aos objetivos da empresa. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br São consideradas origens da organização informal: 1. Os interesses comuns que se desenvolvem em certo número de pessoas e que, através deles, passam a se sintonizar mais intimamente; 2. A interação provocada pela própria organização formal; 3. A flutuação de pessoal dentro da empresa provoca normalmente a alteração dos grupos sociais informais; 4. Os períodos de lazer permitem uma intensa interação entre as pessoas, possibilitando um estabelecimento e fortalecimento de vínculos sociais entre o pessoal; Os grupos informais, também chamados de grupos de amizade e vão-se organizando naturalmente por meio de adesões espontâneas de indivíduos que com eles se identificam. Os grupos informais são encontrados, às vezes, dentro da organização formal. Entretanto, geralmente se compõem de elementos de diversos grupos e níveis hierárquicos da empresa. Assim, como nem sempre existe uma correspondência entre a formação dos grupos formais e informais, a hierarquia funcional existente na organização formal nem sempre prevalece nos grupos informais. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br DINÂMICA DE GRUPO Os processos grupais e os hábitos sociais não são estáticos; ao contrário, são processos vivos e dinâmicos decorrentes de uma constelação de forças causais. Como a mudança ou a resistência à mudança são grandemente influenciadas pela natureza dos grupos aos quais a pessoa pertence, as tentativas de mudança devem necessariamente considerar a dinâmica de grupo. Da mesma forma que o nível fisiológico do corpo se mantém em um nível relativamente constante durante longos períodos de tempo, por meio de processos reguladores, um grupo pode compensar a ausência de um colega pela contribuição aumentada dos outros membros. A Escola da Dinâmica de Grupo desenvolve uma proposição de que o comportamento, as atitudes, as crenças e os valores do indivíduo baseiam-se firmemente nos grupos aos quais pertence. O grau de agressividade ou cooperação de uma pessoa, seu grau de autoconfiança, sua energia e produtividade no trabalho, suas aspirações, sua opinião sobre o que são verdadeiros e bons, seus amores ou ódiose suas crenças e preconceitos, todas essas características são determinadas em alto grau pelo grupo a que pertence o indivíduo. As relações entre os membros de um grupo são denominados relações intrínsecas, enquanto que as relações que os membros do grupo mantêm com outros grupos ou pessoas são chamadas de relações extrínsecas. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br AS RELAÇÕES HUMANAS MODERNAS As experiências acumuladas demonstram que a necessidade de renovação processual talvez venha a ressaltar a relatividade do investimento em reciclagem técnica. Ainda assim, no mundo atual, existem dúvidas a respeito de como a valorização desses fatores subjetivos acarretem em um processo de reformulação e modernização do sistema de participação humana em geral. O fenômeno da globalização trouxe mudanças significativas tanto para as pessoas quanto para as corporações. No meio organizacional, hoje, se observam investimentos destinados não apenas às novas tecnologias, como também em ações voltadas ao desenvolvimento do capital humano e das atitudes comportamentais. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br O desenvolvimento de competências comportamentais passou a ser trabalhado, na prática, em treinamentos dinâmicos que abordam as relações humanas e aplicam técnicas de sensibilização, onde o colaborador faz uma reflexão sobre seus relacionamentos pessoais e profissionais, e uma análise em relação às escolhas feitas todos os dias e que nortearão suas vidas, tanto na organização como fora dela. Com esses treinamentos os resultados se evidenciam na melhoria no desempenho das pessoas; aumento do orgulho pessoal em pertencer à empresa; crescimento da satisfação dos colaboradores; maior retenção de talentos; aumento na participação no mercado; progresso na qualidade dos serviços e atendimento; melhoria da imagem institucional; expansão dos negócios da empresa; aumento da eficácia organizacional; equipes mais inspiradas para superação de metas e a motivação das pessoas em busca de objetivos. O assunto “relações humanas” está vinculado ao Respeito Pessoal – que compreende promover o relacionamento profissional baseado na ética, respeito e reconhecimento das diferenças de cada pessoa. CURSO: TEORIA DAS RELAÇÕES HUMANAS Carga horária no certificado: 40 horas Curso promovido por: ADMINISTRA BRASIL CURSOS Após a leitura da apostila, solicite seu certificado de conclusão no site: www.administrabrasil.com.br CONSIDERAÇÕES FINAIS As Relações Humanas são os contatos conscientes estabelecidos entre indivíduos e grupos, entre os empregados e seus colegas, entre os subordinados e seus chefes, entre os elementos de uma seção e aqueles de outra. Um programa de Relações Humanas tem por objeto fomentar a cooperação eficaz entre os membros de uma comunidade de trabalho. Por meio da cooperação se consegue, não só uma maior satisfação das necessidades materiais e espirituais do homem, mas também um substancial aumento da produtividade. A Teoria das Relações Humanas foi um importante passo para o ser humano buscar uma maior eficiência nas empresas e exigir a reconsideração das relações e aspirações dos elementos humanos na organização. Nos dias atuais, essa busca por eficiência se faz comum, e está ligada diretamente com o sucesso da empresa. O funcionário – e sua satisfação - deixou de ser uma máquina aos olhos do administrador e passou a ser parte da organização. e-Tec Brasil Aula 4 – Teorias organizacionais – sistêmica e contingencial Objetivos Compreender conceitos, significados e campo de aplicação das abordagens sistêmica e contingencial da Administração. 4.1 Abordagem sistêmica A abordagem sistêmica, também conhecida como teoria geral de sistemas, surgiu com os trabalhos do biólogo alemão Ludwig von Bertalanffy, publicados entre 1950 e 1968. A abordagem sistêmica não busca solucionar problemas ou tentar soluções práticas, mas sim produzir teorias e formulações conceituais que possam criar condições de aplicação na realidade empírica. Seus pressupostos básicos são: Existe uma nítida tendência para a integração nas várias ciências naturais e sociais. Essa integração parece orientar-se rumo a uma teoria dos sistemas. Esta teoria de sistemas pode ser uma maneira mais abrangente de estu- dar os campos não físicos do conhecimento científico, especialmente as ciências sociais. Esta teoria de sistemas, ao desenvolver princípios unificadores que atraves- sam verticalmente os universos particulares das diversas ciências envolvidas, aproxima-nos do objetivo da unidade da ciência. Isto pode levar a uma integração muito necessária da educação científica. Ao invés de lidar separadamente com os vários segmentos de uma organi- zação, a teoria dos sistemas vê a organização como um sistema unificado e propositado, composto de partes inter-relacionadas. e-Tec BrasilAula 4 - Teorias organizacionais – sistêmica e contingencial 61 Esta abordagem permite que os administradores vejam a organização como um todo e como parte de um sistema maior, o ambiente externo. Com isso, a teoria dos sistemas nos diz que a atividade de qualquer segmento de uma organização afeta em graus variados a atividade de todos os outros segmentos. Por exemplo: os gerentes de produção de uma determinada fábrica gostariam de ter longos períodos de produção de produtos padronizados, para poder manter o máximo de eficiência e baixos custos. Os gerentes de marketing, por sua vez, querendo oferecer entrega rápida de uma grande variedade de produtos, gostariam de um programa de produção flexível que pudesse atender a pedidos especiais quase de imediato. Os gerentes de produção orientados por uma abordagem sistêmica só tomariam decisões de programação após terem identificado o impacto dessas decisões sobre outros departamentos e sobre a organização como um todo. O ponto fundamental da teoria dos sistemas é que os administradores não podem funcionar completamente dentro dos limites do organograma tradicional. Devem fundir seu departamento à empresa como um todo e, para fazê-lo, precisam se comunicar como os outros empregados, com os departamentos e, com representantes de outras organizações. A importância da abordagem sistêmica é significativa, tendo em vista a necessidade de se avaliar a organização como um todo e não somente em departamentos ou setores. O mais importante ou tanto quanto é a identificação do maior número de variáveis possíveis, externas e internas que, de alguma forma, influenciam em todo o processo existente na organização. Outro fator, também de significativa importância, é o feedback que deve ser realizado ao planejamento de todo o processo. A abordagem sistêmica começou a ser aplicada na administração, principalmente em função da necessidade de uma síntese e uma maior integração das teorias anteriores (científicas e relações humanas, estruturalista e comportamental oriundas das ciências sociais) e da intensificação do uso da cibernética e da tecnologia da informação nas empresas. Os sistemas vivos, sejam indivíduos ou organizações, são analisados como “sistemas abertos”, mantendo um contínuo intercâmbio de matéria/energia/ informação com o ambiente. A abordagem sistêmica permite reconceituar os fenômenos em uma abordagem global, permitindo a inter-relação e integração de assuntos que são, na maioria das vezes, de natureza completamente diferentes. Introdução à Administraçãoe-TecBrasil 62 As organizações são, por definição, sistemas abertos, pois não podem ser ade- quadamente compreendidas de forma isolada, mas sim pelo inter-relacionamento entre diversas variáveis internas e externas, que afetam seu comportamento. Tal como os organismos vivos, as organizações têm seis funções primárias ou principais, que mantêm estreita relação entre si, mas que podem ser estudadas individualmente. Funções primárias das organizações: Ingestão – as organizações adquirem ou compram materiais para pro- cessá-los de alguma maneira. Para assistirem outras funções, como os organismos vivos que ingerem alimentos para suprirem outras funções e manter a energia. Processamento – no animal, a comida é transformada em energia e suprimento das células. Na organização, a produção é equivalente a esse ciclo animal. Os materiais são processados havendo certa relação entre entradas e saídas no qual o excesso é o equivalente a energia necessária para a sobrevivência da organização (transformação em produtos). Reação ao ambiente – o animal reage frente as mudanças ambientais para sua sobrevivência. Ele deve adaptar-se as mudanças. As organizações também reagem ao ambiente, mudando seus materiais, consumidores, empregados e recursos financeiros. As alterações podem efetuar-se nos produtos, no processo ou na estrutura (as mudanças ocorrem face ao que o mercado demanda). Suprimento das partes – os participantes da organização são supridos, não só do significado de suas funções, mas também de dados de compras, produção, vendas ou contabilidade, e são recompensados principalmente sob a forma de salários e benefícios. Regeneração das partes – as partes do organismo perdem sua eficiência, adoecem ou morrem e devem ser regenerados ou recolocados no sentido de sobreviver no conjunto. Os membros das organizações também podem adoecer, aposentar-se, desligar-se da firma ou então morrer. As máquinas podem tornar-se obsoletas. Ambos os homens e máquinas devem ser mantidos ou recolocados – manutenção e substituição. e-Tec BrasilAula 4 - Teorias organizacionais – sistêmica e contingencial 63 Organização – administração e decisão sobre as funções. A abordagem sistêmica possibilitou uma abordagem global, definindo a inter-relação dos processos organizacionais, para a produção de resultados. A percepção sistêmica é uma forma lógica de compreensão do real, permitindo a organização em torno de um objetivo. É uma ferramenta organizacional que gera a visualização dos componentes em interação, agregados em conjuntos, para compreender e adaptar-se ao ambiente. A gestão sistêmica ampliou a visão da organização, focando no valor do trabalho conjunto e na relação positiva com suas competências, sustentando assim, a competência organizacional. A compreensão sistêmica das organizações desenvolveu novas estratégias e processos de gestão, incluindo a área de recursos humanos como gestora de pessoas. Em uma apreciação crítica da abordagem sistêmica, verifica-se que essa aborda- gem trouxe uma fantástica ampliação na visão dos problemas organizacionais em contraposição à antiga abordagem do sistema fechado. Seu caráter integrativo e abstrato e a possibilidade de compreensão dos efeitos sinergéticos da organização são realmente surpreendentes. Situações complexas, componentes de um todo, interdependência, interação, feedback e aplicação nas mais variadas áreas ditam o rumo do pensamento sistêmico. A visão do homem funcional dentro das organizações é a decorrência principal sobre a concepção da natureza humana. A abordagem sistêmica em muito contribuiu para o desenvolvimento das organizações, orientando-as para a busca do conhecimento global, do alcance de melhores resultados, com o ser humano na sua totalidade. 4.2 Abordagem contingencial A palavra contingência significa algo incerto ou eventual, que pode suceder ou não, refere-se a uma proposição que só pode ser conhecida pela experiência e pela evidência e não pela razão. A abordagem contingencial vai bem mais longe do que a teoria de sistemas, quando aborda a problemática do ambiente. Na teoria da contingência, as Assista a um vídeo sobre abordagem em : http://www.youtube.com/ watch?v=d_c8xvHtdHo Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 64 condições de ambiente é que causam transformações no interior das orga- nizações. Ou seja, o ambiente explica o fenômeno organizacional. Há quem negue esta influência total do ambiente sobre a organização. O argumento é que a influência sobre a organização é ditada não pelo ambiente, mas apenas pelo que interessa diretamente a organização, isto é, a tecnologia existente no ambiente. A abordagem contingencial, algumas vezes chamada de teoria situacional, foi desenvolvida por administradores, consultores e pesquisadores que tentaram aplicar os conceitos das principais escolas a situações reais. Quando métodos altamente eficazes numa situação deixavam de funcionar em outras, eles buscavam uma explicação. Por que, por exemplo, um programa de desen- volvimento organizacional funciona brilhantemente numa situação e fracassa terrivelmente em outra? Os defensores da teoria da contingência tinham uma resposta lógica para essas questões: os resultados são diferentes porque as situações são diferentes; uma técnica que funcione num caso não funcionará necessariamente em todos os outros. De acordo com a teoria da contingência, a tarefa do administrador é identificar que técnica poderá, numa situação específica sob circunstâncias específicas e num momento específico, contribuir melhor para a obtenção dos objetivos da administração. Quando os trabalhadores precisam ser encorajados a aumentar a produtividade, por exemplo, o gerente treinado na teoria da contingência perguntará: “Que método irá funcionar melhor aqui?”. Ao contrário de um teórico clássico, que sistematiza uma nova rotina de simplificação de trabalho, com recompensas financeiras, ou do teórico comportamental, que tentaria criar um clima psi- cologicamente motivador. A abordagem contingencial diz que não há nada de absoluto nas organizações ou na teoria administrativa. Tudo é relativo, tudo depende. Ao analisar uma pequena organização de estrutura simples e poucos níveis hierárquicos, observa-se que na medida em que essa estrutura cresce, adicionam-se mais níveis de hierarquia e a mesma torna-se diferenciada. Portanto, quando as empresas se diversificam, a estrutura original deixa de responder à complexidade das decisões e a organização, quando grande e diversificada torna-se mais burocratizada e descentralizada, demonstrando como a estrutura organizacional varia à medida que as contingências mudam em prol do crescimento. e-Tec BrasilAula 4 - Teorias organizacionais – sistêmica e contingencial 65 O objetivo desta abordagem para o gestor contemporâneo, neste contexto, é, portanto, compreender como a organização se relaciona com o ambiente. É necessário perceber a existência de uma relação entre as condições do ambiente e as técnicas administrativas apropriadas para o alcance dos objetivos da organização para que os mesmos estejam sempre em harmonia, auxiliando no conhecimento das estruturas de mercado e na diminuição dos ganhos por parte de alguns setores, melhorando o nível de eficiência, aumentando a competitividade e a habilidade nos processos e, ainda, obtendo decisões coerentes. A tomada de decisão e a teoria da contingência integram elementos de risco e incerteza em relação ao futuro, portanto a decisão estratégica é uma forma de ligar princípios que alcancem estes elementos. Assim, a arte de decidir compreende o conhecimento de todas as estratégias, suas consequências e seus possíveis resultados. De modo conclusivo, considera-se que a abordagem contingencial tem for- necido um paradigma coerente para a análise da estrutura das organizações. Esta teoria adianta que não há uma estrutura organizacionalúnica que seja altamente efetiva para todas as organizações. Na realidade, este aspecto ótimo tem como variável determinados fatores, no qual emergem a estratégia, o tamanho, a tecnologia, as tarefas, dentre outros. Assim, a chamada organização ótima é contingente a estes fatores, denominado fatores contingenciais. Dessa forma, é necessário que a organização consiga adequar sua estrutura a esses fatores contingenciais e ambientais. As origens da teoria da contingência estão arraigadas às questões da incerteza. Sendo assim, a hipótese central da teoria é que as tarefas de baixa incerteza são executadas mais eficazmente por meio de uma hierarquia centralizada. Na medida em que a incerteza da tarefa aumenta (inovação), a hierarquia precisa perder um pouco do controle e ser coberta por estruturas comunicativas e participativas. As organizações necessitam manter uma adequação entre sua estratégia e sua estrutura, caso contrário, terão menor desempenho. A importância da teoria da contingência pode ser percebida nos serviços ou processos produ- tivos, pois à medida que as organizações procuram inovar em produtos, as tarefas tornam-se mais incertas. Assim, as contingências são mais intensas demandando ações mais efetivas. A ênfase na adaptação da organização ao seu ambiente faz da teoria da contingência estrutural parte do funcionalismo sociológico adaptativo. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 66 Uma vez que a teoria da contingência começou como uma síntese das ideias das escolas clássicas e das relações humanas, fica a dúvida sobre até que ponto esta, efetivamente, pode se tornar uma parte maior ou menor de uma nova metodologia, quanto aos estudos organizacionais. A abordagem contingencial marca uma nova etapa no estudo das teorias organizacionais, assumindo uma abordagem eclética, comparando as demais teorias administrativas existentes à luz dessas variáveis, aplicando seus diversos princípios em cada situação distinta de cada organização. A abordagem contingencial é um passo além da abordagem sistêmica. A visão contingencial da organização e de sua administração sugere que uma organização é um sistema composto de subsistemas e delineado por limites identificáveis em relação ao seu supra sistema ambiental. Resumo Ao final dessa aula, podemos apresentar as seguintes considerações acerca da abordagem sistêmica: ênfase no ambiente; sistema aberto; organização como sistema; homem funcional; todo sistema sofre deterioração; para que o sistema continue existindo, tem que desenvolver forças contrárias; gerar capacidade para o sistema manter o equilíbrio; toda vez que há uma ação imprópria (desgaste) do sistema, ele necessita buscar o equilíbrio; transformações físicas necessárias à fabricação dos produtos e prestação dos serviços; comunicação entre agentes e colaboradores; desenvolver, produzir e entregar o produto ou serviço; atender as expectativas e necessidades do cliente; envolvimento das pessoas para que haja empenho no processo cooperativo. Também em paralelo, apontam-se elementos sobre a abordagem contingencial do ponto de vista de: contingências situacionais que influenciam estratégias, estruturas e processos; o ambiente e a dinâmica das organizações; ênfase no ambiente e na tecnologia, sem desprezar as tarefas, as pessoas e a estrutura; não existe ‘a melhor maneira’; tudo depende das características ambientais significativas; não há nada de absoluto, pois tudo é relativo e depende da situação; há formas diversificadas para alcançar os objetivos; necessidade de adaptação das organizações às situações; sistemas orgânicos; homem complexo; conflito de papéis; aqui a variável tecnológica passa a assumir importante papel na teoria administrativa; técnica – situação específica sob circunstâncias específicas e momento específico, contribui nos resultados. Assista a um vídeo sobre abordagem contingencial em: http://www.youtube.com/ watch?v=b6j3fd9Td1E e-Tec BrasilAula 4 - Teorias organizacionais – sistêmica e contingencial 67 Atividades de aprendizagem 1. Quanto a sua natureza os sistemas podem ser: a) Abertos e fechados. b) Neutros e mistos. c) Abertos e concretos. d) Abertos e abstratos. e) Abstratos e concretos. 2. A teoria de sistemas faz menção ao homem: a) Digital. b) Eclético. c) Funcional. d) Administrativo. e) Abstrato. 3. O conceito de homeostasia, enfatizado na teoria de sistemas, envolve: a) Estabilidade, duplicidade e morbidade. b) Equilíbrio, permanência e estabilidade. c) Instabilidade, restabelecimento e renovação. d) Morbidade, enfraquecimento e perda de energia. e) Permanência, enfraquecimento e estabilidade. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 68 4. A teoria da contingência destaca o conceito de homem: a) Social. b) Complexo. c) Financeiro. d) Tecnocrata. e) Sociocrata. 5. A teoria da contingência: a) Trata de um conjunto de conhecimentos que procuram delimitar a valida- de dos princípios gerais de administração e organização. b) Se refere a uma forma estrutural específica, derivada de variáveis contextuais. c) Apresenta três tipos ideais de organização: sistema mecânico, sistema orgânico e sistema dinâmico, conforme burns e stalker. d) É caracterizada pelos estudos de lawrence e lorsch, que marcam o fim da segunda etapa da abordagem dos sistemas abertos na teoria das organi- zações. e) Procura suplantar a ideia do agente social, substituindo-a pela ideia do agente racional, característico de uma época mais estável. e-Tec BrasilAula 4 - Teorias organizacionais – sistêmica e contingencial 69 Teoria da Contingência Eduardo de Oliveira Fargnoli Etel Maria Mendes de Almeida Gustavo Diniz Palhares Keiliane Souza Silvério Raphaela Gomes Marques RESUMO O objetivo principal de presente ensaio é demonstrar as principais características da Teoria da Contingência. Está teoria tem como característica principal o estudo das teorias das organizações onde os pesquisadores analisam três aspectos principais, que são a organização quanto a sua forma de estrutura organizacional, o ambiente externo e interno de uma organização, o mercado, em que esta inserida, a tecnologia dividiu em três grupos que são: a tecnologia de produção unitária ou oficina, produção em massa e produção contínua. Podemos perceber em que no final da pesquisa os pesquisadores concluíram que não existe uma única maneira de estruturar uma organização e que as organizações precisam cada vez se ajustar às condições ambientais de acordo com as suas necessidades internas e externas. Palavras-chave: estrutura organizacional, tecnologia, produção. ABSTRACT The main objective of this paper is to demonstrate the main features of Contingency Theory. In that theory has as main feature the study of theories of organizations where researchers analyze three main aspects, which are the organization and its form of organizational structure, the external and internal environment of an organization, the market, in which is inserted, the technology that is divided into three groups that are the technology of production unit or workshop, mass production and continuous production. We can see that the end of the study the researchers concluded that there is no single way to structure an organization and that organizations need time to adjust to environmental conditions in accordance with their internal and external needs. Keywords: organizational structure, technology, production. id4611765 pdfMachine by Broadgun Software - a great PDF writer! - a great PDF creator! - http://www.pdfmachine.com http://www.broadgun.com 1 - INTRODUÇÃO A Teoria da Contingência enfatiza o mais recente estudo integrando na teoria da Administração; é sem dúvida a mais eclética de todas as teorias, pois além de considerar as contribuições das diversas teorias anteriores, consegue coordenar os princípios básicos da administraçãocomo: as tarefas, as estruturas, as pessoas, a tecnologia e o ambiente. Chiavenato (1997) diz que a palavra contingência significa algo incerto ou eventual, que pode suceder ou não. A abordagem contingencial salienta que não se atinge os objetivos de forma eficaz seguindo um único modelo ou diretriz, ou forma pré-estabelecida para todas as circunstancias, mas sim através de diversas variáveis internas e externas. Tudo é composto de variáveis sejam situacionais, circunstanciais, ambientais, tecnologias, econômicas; enfim diferem de diferentes graus de variação. Essa teoria enfoca as organizações de dentro para fora colocando o ambiente como fator primordial na estrutura e no comportamento das organizações que é um sistema aberto. A tecnologia provavelmente será um fator para a terceira revolução industrial, aliada ao ambiente e a forma como as organizações e a própria administração saberão utiliza e adaptar estes dois importantes fatores face à globalização de todos os conceitos organizacionais. Há um aspecto proativo e não apenas reativo na abordagem contingencial: a administração contingencial pode ser intitulada de abordagem de �se-então� o reconhecimento, diagnostico e adaptação à situação são fundamentais para abordagem contingencial. Mas não são suficientes. As relações funcionais entre as condições ambientais e as práticas administrativas precisam ser constantemente identificadas e ajustadas. (CHIAVENATO, 2000). 2 - ORIGEM DA TEORIA DA CONTINGÊNCIA A teoria da contingência surgiu a partir de varias pesquisas feita para verificar os modelos das estruturas organizacionais mais eficazes em determinados tipos de empresa. As pesquisas eram feitas isoladamente, pretendiam confirmar se as organizações mais eficazes seguiam os princípios da Teoria Clássica, como a divisão do trabalho e a especialização do operário, ênfase na estrutura � com a tradicional hierarquia de autoridade, visão microscópica do homem, ou seja, aquela administração mecanicista. Podemos dizer que essas pesquisas foram contingentes, no sentido em que procuram compreender e explicar o modo como às empresas funcionavam em diferentes condições que variam de acordo com o ambiente ou contexto que a empresa escolheu como seu domínio de operação. Ou seja, podemos dizer que essas condições são ditadas de fora da empresa, isto é, do seu ambiente. Essas contingências externas podem ser consideradas oportunidades e imperativos ou restrições e ameaças que influenciam a estrutura e os processos internos da organização. O ambiente é tudo aquilo que envolve externamente uma organização (ou um sistema). É o contexto dentro do qual uma organização está inserida. Como o ambiente é vasto, envolvendo tudo o mais ao redor da organização, ele pode ser analisado em dois segmentos: Ambiente Geral: é o macroambiente, ou seja, o ambiente genérico e comum a todas as organizações. O ambiente geral é constituído de um conjunto de condições semelhantes para as organizações. As principais dessas condições são: condições tecnológicas, econômicas, políticas, legais, demográficas, ecológicas e culturais. Ambiente de tarefa: é o ambiente mais próximo e imediato de cada organização. É o segmento do ambiente geral do qual uma determinada organização extrai as suas entradas e deposita suas saídas. Ele é constituído por: fornecedores de entradas, clientes ou usuários, concorrentes e entidades reguladoras. O grande problema com que as organizações de hoje se defrontam é a incerteza. Aliás, a incerteza é o grande desafio atual da Administração. Contudo, a incerteza não está no ambiente. A incerteza está na percepção e na interpretação das organizações e não na realidade ambiental percebida. Parece mais adequado falar-se em incerteza na organização, pois o mesmo ambiente pode ser percebido de maneiras diferentes por duas organizações. Tecnologia é o conhecimento que pode ser utilizado para transformar elementos materiais em bens ou serviços, modificando sua natureza ou suas características. A tecnologia tem a propriedade de determinar a natureza da estrutura e do comportamento organizacional. Existe um forte impacto da tecnologia sobre a vida, natureza e funcionamento das organizações. Toda organização tem que adotar uma tecnologia podendo ser ela tosca, isto é, grosseira, rude ou sofisticada, como o uso de computadores, mas todas as organizações precisam de uma tecnologia para funcionar e chegarem aos fins desejados. Na parte administrativa, a tecnologia é desenvolvida nas organizações através de Know-how, os resultados são obtidos com os serviços e produtos. A tecnologia não incorporada são as pessoas competentes para desenvolver sua função dentro da empresa e a tecnologia incorporada é o capital (dinheiro), matérias-primas, etc. seja qual for, está presente no dia a dia das empresas, transformando as matérias-primas em produtos consumíveis e produtivos para a humanidade. A tecnologia variável ambiental é aquela que assume a tecnologia criada para outras empresas de seu ambiente de tarefa em seus sistemas de dentro para fora. A tecnologia variável organizacional é quando a tecnologia esta presente em sua empresa, influencia e desempenha melhor em seu ambiente de tarefa. Enfim, a tecnologia cria incentivos nas empresas para levar os administradores a melhorarem cada vez mais a eficiência, mas sempre dentro dos limites do critério normativo. Por isso, a tecnologia tem influenciado muito sobre as organizações e seus participantes. A abordagem contingencial conclui que os fatores ambientes e tecnologia são fundamentais para o equilíbrio e ponderação dentro das organizações, podendo tais aspectos atuarem como oportunidade ou restrições que influenciam a estrutura e os processos internos da organização e que tais fatores devem ser constantemente identificados, especificados e reformulados para uma Administração equilibrada e de acordo com seu objetivo alcançado. 3 - PESQUISA Pesquisa de Chandler sobre Estrutura e Estratégia Alfred Chandler realizou uma investigação histórica sobre as mudanças estruturais de grandes organizações relacionando-as com a estratégia de negócios. O autor estuda a experiência de quatro grandes empresas americanas (Dupont, General Motors, Standard Oil e a Sears Roebuck), e examina comparativamente essas corporações americanas demonstrando como a sua estrutura foi sendo continuamente adaptada e ajustada a sua estratégia. A conclusão de Chandler é que a estrutura organizacional das grandes empresas americanas foi sendo gradativamente determinada pela sua estratégia mercadológica. A estrutura organizacional corresponde ao desenho da organização, isto é, a forma organizacional que ela assumiu para integrar seus recursos, enquanto a estratégia corresponde ao plano global de alocação de recursos para atender as demandas do ambiente. Pesquisa de Burns e Stalker sobre Organizações Tom Burns e G. M. Stalker pesquisaram vinte indústrias inglesas para verificar a relação existente entre as práticas administrativas e o ambiente externo dessas indústrias. Impressionados com os diferentes procedimentos administrativos encontrados nessas indústrias, classificaram-nas em dois tipos: mecanística e orgânica. A conclusão de Burns e Stalker é que a forma mecanística de organização é apropriada para condições ambientais estáveis, enquanto que a forma orgânica é apropriada para condições ambientais de mudanças e inovação. Em resumo, há um imperativo ambiental, isto é, ambiente que determina a estrutura e o funcionamento das organizações. Pesquisa de Lawrence e Lorsch sobre o ambiente Paul R. Lawrence e Jay W. Loesch fizeram uma pesquisa sobre o defrontamento entre organização e ambiente que marca o aparecimento da Teoria da Contingência. Este nome derivou desta pesquisa. Estes autores,preocupados com as características que as empresas devem ter para enfrentar com eficiência as diferentes condições externas, tecnológicas e de mercado, fizeram uma pesquisa sobre três empresas com diferentes meios industriais (plásticos alimentos empacotados e recipientes/containers). Os autores concluíram que os problemas organizacionais básicos são: a diferenciação e a integração. Integração requerida e Diferenciação requerida referem-se a predições do ambiente da empresa que mais se aproxima das características requeridas pelo ambiente, onde terá mais sucesso do que a empresa que se afasta muito delas. Em resumo, a Teoria da Contingência explica que não há nada de absoluto nos princípios da administração. Os aspectos universais e normativos devem ser substituídos pelo critério de ajuste entre cada organização e seu ambiente e tecnologia. Pesquisa de Woodward sobre a Tecnologia. Joan Woodward organizou uma pesquisa para saber se os princípios da administração propostos pelas teorias administrativas se relacionavam com êxito do negócio quando colocados em prática. A pesquisa envolveu 100 empresas de vários tipos de negócios, nas quais foram classificadas em três grupos de tecnologia de produção: produção unitária ou oficina, produção em massa e produção continua. Em resumo, há um imperativo tecnológico, isto é, a tecnologia adotada pela empresa determina a sua estrutura e comportamento organizacional. 4 - CONCLUSÃO Esta pesquisa mostrou que não existe uma única maneira de melhor de organizar, em vez disso, as organizações precisam ser sistematicamente ajustadas às condições ambientais. Assim a Teoria da Contingência apresentam os seguintes aspectos básicos: a organização é de natureza sistêmica; ela é um sistema aberto. As variáveis organizacionais apresentam um complexo inter-relacionamento entre si e com o ambiente. Para se ter boas medidas na administração são necessárias ter além de diferentes tipos de enfoques, tarefas e organizações, se analisarem principalmente o ambiente o qual está inserido. Essas são as principais idéias ao enfoque contingencial da organização na moderna análise organizacional de Gareth Morgan. Concluiu que há uma estreita dependência da organização em relação ao seu ambiente e a tecnologia adotada, onde uma organização não depende dela própria, mas das circunstancias ambientais e da tecnologia que ela utiliza no momento. 5 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICA MORGAN, Gareth. Imagens da Organização. São Paulo: Editora Atlas, 1996. CHIAVENATO, Idalberto. Recursos Humanos. São Paulo: Editora Atlas, 1980. CHIAVE NATO, Idalberto. Introdução À Teoria Geral da Administração. 2º Ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2000. CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração. 6º Ed. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2002. Dutra, Gilberto W. Barreto, Willian B. O Portal do Administrador. Teoria da Contingência. Disponível: http://www.administradores.com.br. Acesso em: 25 junho 2012. e-Tec Brasil Aula 5 – As organizações Objetivos Compreender conceitos e características das organizações. 5.1 Conceituação e caracterização Organização é uma palavra originada do Grego “organon” que significa instrumento, utensílio, órgão ou aquilo com que se trabalha. De um modo geral, organização é a forma como se dispõe um sistema para atingir os resultados pretendidos. Podemos falar de organização escolar, organização empresarial, organização pessoal, organização de eventos, organização doméstica, etc. Em todas essas aplicações, o sentido de organização se baseia na forma como as pessoas se inter-relacionam e na ordenação e distribuição dos diversos elementos envolvidos, visando uma mesma finalidade. As organizações podem ser consideradas como organizações sociais. A pró- pria sociedade moderna se caracteriza por ser uma sociedade composta de organizações. O homem moderno passa a maior parte de seu tempo dentro de organizações, das quais depende para nascer, viver, aprender, trabalhar, ganhar seu salário, obter produtos e serviços que necessita, dentre outros. Durante a maior parte de nossas vidas, somos membros de uma organização: um curso técnico, uma faculdade, uma equipe de esporte, um grupo de trabalho, uma organização religiosa ou uma empresa. Dessa forma ,pode-se dizer que uma organização compreende duas ou mais pessoas trabalhando juntas e de modo estruturado para alcançar um objetivo específico ou um conjunto de objetivos. Em administração de empresas, entende-se por organização uma entidade social formada por duas ou mais pessoas que trabalham de forma coordenada em determinado ambiente externo, visando um objetivo coletivo. Envolve a divisão de tarefas e atribuição de responsabilidades. e-Tec BrasilAula 5 - As organizações 71 Importantes elementos, objetivos e recursos são as palavras-chaves na defi- nição de administração e também de organização. Como já foi dito, uma organização é um sistema de recursos que procura realizar algum tipo de objetivo ou um conjunto deles. Um tipo importante de organização e que é alvo de investigação exaustiva de nosso curso é a organização cooperativa. As organizações cooperativas se desenvolvem a partir de uma doutrina que preconiza a colaboração e a associação de pessoas ou grupos com os mesmos interesses, a fim de obter vantagens comuns em suas atividades econômicas. O associativismo cooperativista tem por fundamento o progresso social da cooperação e do auxílio mútuo segundo o qual aqueles que se encontram na mesma situação desvantajosa de competição conseguem, pela soma de esforços, garantir a sobrevivência. Como fato econômico, o cooperativismo atua no sentido de reduzir os custos de produção, obter melhores condições de prazo e preço, edificar instalações de uso comum, enfim, interferir no sistema em vigor à procura de alternativas a seus métodos e soluções. Como elementos norteadores para sua gestão, as organizações cooperativas seguem sete princípios de modo a criar uma identidade única nos mercados em que atuam. Os sete princípios do cooperativismo são as linhas orientadoras por meio das quais as cooperativas levam os seus valores à prática. Foram aprovados e utilizados na época em que foi fundada a primeira cooperativa do mundo, na Inglaterra, em 1844. São eles: Adesão voluntária e livre – as cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas aptas a utilizar os seus serviços e assumir as responsabilidades como membros, sem discriminações de sexo, sociais, raciais, políticas e religiosas. Gestão democrática – as cooperativas são organizações democráticas, controladas pelos seus membros, que participam ativamente na formula- ção das suas políticas e na tomada de decisões. Os homens e as mulhe- res, eleitos como representantes dos demais membros, são responsáveis perante estes. Nas cooperativas de primeiro grau, os membros têm igual direito de voto (um membro, um voto); as cooperativas de grau superior são, também ,organizadas de maneira democrática. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 72 Participação econômica dos membros – os membros contribuem equi- tativamente para o capital das suas cooperativas e controlam-no demo- craticamente. Parte deste capital é, normalmente, propriedade comum da cooperativa. Os membros recebem, habitualmente, se houver, uma remuneração limitada ao capital integralizado, como condição de sua adesão. Os membros destinam os excedentes a uma ou mais das seguin- tes finalidades: a) desenvolvimento das suas cooperativas, eventualmente através da criação de reservas, parte das quais, pelo menos será, indivisí- vel; b) benefícios aos membros na proporção das suas transações com a cooperativa; c) apoio a outras atividades aprovadas pelos membros. Autonomia e independência – as cooperativas são organizações autô- nomas, de ajuda mútua, controladaspelos seus membros. Se firmarem acordos com outras organizações, incluindo instituições públicas, ou recor- rerem à capital externo, devem fazê-lo em condições que assegurem o controle democrático pelos seus membros e mantenham a autonomia da cooperativa. Educação, formação e informação – as cooperativas promovem a edu- cação e a formação dos seus membros, dos representantes eleitos e dos trabalhadores, de forma que estes possam contribuir, eficazmente, para o desenvolvimento das suas cooperativas. Informam o público em geral, particularmente os jovens e os líderes de opinião, sobre a natureza e as vantagens da cooperação. Intercooperação – as cooperativas servem de forma mais eficaz aos seus membros e dão mais – força ao movimento cooperativo, trabalhando em conjunto, através das estruturas locais, regionais, nacionais e internacionais. Interesse pela comunidade – as cooperativas trabalham para o desenvol- vimento sustentado das suas comunidades através de políticas aprovadas pelos membros. Paralelamente a essa discussão, surge de modo rotineiro em nosso dia a dia e expressão empresa. Por sua vez, o termo empresa provém do prefixo “em” e do radical latino “prehensa”, oriundo de “prehendere” = prender. Daí o termo utilizado de empreender. e-Tec BrasilAula 5 - As organizações 73 Uma empresa consiste numa unidade de produção na qual se combinam os diversos fatores produtivos para o fornecimento de bens e/ou serviços à comu- nidade. Estes fatores são: o trabalho, a direção e o capital, compreendendo recursos humanos, instalações, equipamentos, energia e matéria-prima. As empresas constituem uma das mais complexas instituições criadas e desen- volvidas pelo homem. Empresa é todo empreendimento humano que procura reunir recursos humanos e não-humanos (como recursos financeiros, físicos, tecnológicos, mercado- lógicos, etc.), no sentido de alcançar objetivos de autossustentação e de lucratividade, através da produção e comercialização de bens ou de serviços. Dentro da discussão mais profunda sobre as organizações, devemos chamar atenção para duas postulações necessárias ao contexto organizacional, sendo elas: as organizações e seus níveis; e, as organizações e suas áreas ou unidades. As organizações, independentemente de sua natureza ou tamanho, possuem três classes de problemas que devem resolver e a responsabilidade pela solução desses problemas é geralmente atribuída a três diferentes partes ou níveis estratégicos: Nível institucional ou estratégico – corresponde ao nível mais ele- vado, composto pelos diretores, proprietários ou acionistas e pelos altos executivos e, em algumas empresas este nível envolve ainda o conselho administrativo. O nível estratégico é responsável por estabelecer objeti- vos, verificar e analisar alternativas estratégicas, tomar decisões globais e elaborar o planejamento estratégico e as políticas organizacionais. Nível intermediário ou tático – está colocado entre o nível institu- cional e o operacional. Cuida da articulação interna entre os dois níveis que respectivamente, estão situados no topo e na base da organização empresarial. Cabe a este nível administrar o nível operacional e cuidar das decisões aos níveis departamentais relacionados com o dimensionamento e alocação dos recursos necessários às atividades da organização. É tam- bém responsável por estabelecer objetivos setoriais ou departamentais, verificar e analisar alternativas táticas, elaborar e implementar planos táticos e avaliar resultados. Nível operacional – é o que se localiza nas áreas inferiores. Relaciona-se com os problemas ligados à execução de tarefas e operações, com mate- riais a serem processados e com a cooperação de diversos especialistas Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 74 necessários ao andamento dos trabalhos. É o nível onde as tarefas são executadas e as operações realizadas. Também verifica e analisa alternativas operacionais, avalia, planeja e replaneja a ação diária, implementa a ação do dia-a-dia e avalia resultados do cotidiano. Outro componente importante, as áreas ou unidades organizacionais são as tarefas especializadas que as pessoas e os grupos executam, para que a organi- zação consiga realizar seus objetivos. As principais funções organizacionais são: Marketing – é o processo usado para determinar que produtos ou serviços poderão interessar aos consumidores, assim como a estratégia que será utilizada nas vendas, comunicações e no desenvolvimento do negócio. A finalidade do marketing é criar valor e satisfação no cliente, gerindo rela- cionamentos lucrativos para ambas as partes. As atividades de um gestor de marketing abrangem um leque muito alargado de atividades, desde o estudo de mercado, a definição de uma estratégia, comunicação, vendas e assistência pós-venda. Produção – responsável pelo estudo e pelo desenvolvimento de técnicas de gestão da produção de bens e serviços. A função produção se preo- cupa principalmente com os seguintes assuntos: estratégia de produção, projeto de produtos e serviços, sistemas de produção, arranjos produtivos, ergonomia; estudo de tempos e movimentos; planejamento da produção e planejamento e controle de projetos. Finanças – tem por objetivo a proteção e a utilização eficaz dos recursos financeiros, o que inclui a maximização do retorno dos acionistas. É uma técnica utilizada para controlar da forma mais eficaz possível, no que diz respeito à concessão de crédito para clientes, planejamento, análise de investimentos e, de meios viáveis para a obtenção de recursos para financiar operações e atividades da empresa. Recursos humanos – é uma associação de habilidades e métodos, políticas, técnicas e práticas definidas com objetivo de administrar os comportamentos internos e potencializar o capital humano. Tem por finalidade selecionar, gerir e nortear os colaboradores na direção dos objetivos e metas da empresa. O objetivo básico que persegue a função de recursos humanos é alinhar as políticas de gestão de pessoas com a estratégia da organização. Assista a um vídeo sobre entendendo as organizações em: http://www.youtube.com/ watch?v=HoeWxSxS_vM Assista a um vídeo sobre política empresarial das organizações em: http://www.youtube.com/ watch?v=twyuGastULs Assista a um vídeo sobre organizações cooperativas em: http://www.youtube.com/ watch?v=XMXMh6HonOA e-Tec BrasilAula 5 - As organizações 75 Nesse sentido, podemos considerar que as organizações exercem uma função considerável na vida do ser humano. Justifica-se isso por que modelam o com- portamento dos respectivos membros, pois podem influenciar as necessidades e motivos dos indivíduos em diferentes organizações, ou em grupos na mesma organização, incentivarem a produtividade, bem como respostas rápidas às estratégias administrativas variadas. Caracterizam-se pela sua complexidade e o seu empenho em superar as pressões sociais, econômicas, culturais, tecnológicas e políticas. Resumo Ao final dessa aula, faz-se importante reforçar algumas questões abordadas ao longo do mesmo. Uma organização é qualquer grupo social formado por pessoas, com uma série de tarefas e uma administração, que interagem no marco de uma estrutura sistêmica com a meta de cumprir certos objetivos propostos. O traço essencial de qualquer tipo de organização que se deve observar para que exista e depois subsista, é a de que as pessoas que a integram se comuniquem e estejam de acordo em atuar, de forma coordenada, no lucro dos objetivos propostos que os levem a cumprir efetiva e satisfatoriamente com sua missão. No entanto, para ajudar esta coordenação e comunicação, as organizações quase sempre funcionam através de normas que servirão na consecução de propósitos. Dentro desse contexto não se pode deixar de lado os apontamentos feitos sobre os níveis organizacionais (estratégico, tático e operacional), bem como das principais funçõesorganizacionais (marke- ting, produção, finanças e recursos humanos). Também, é preciso reforçar as discussões acerca das organizações cooperativas como uma associação autônoma de pessoas que se unem, voluntariamente, para satisfazer aspirações e necessidades econômicas, sociais e culturais, por meio de uma empresa de propriedade coletiva e democraticamente gerida. Chama-se a atenção ainda para os princípios cooperativos: adesão voluntária e livre; gestão democrática; participação econômica dos membros; autonomia e independência; educação, formação e informação; intercooperação; interesse pela comunidade. Atividades de aprendizagem 1. Em toda organização existe uma tensão permanente entre os interesses dos trabalhadores e os da administração, gerando conflitos que: a) Sempre existirão e são úteis para o aparecimento de novas ideias. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 76 b) Devem ser reprimidos a qualquer custo, para garantir a harmonia. c) Podem ser tolerados, mas explodirão um dia sob a forma de violência. d) Não são passíveis de nenhum aproveitamento positivo para ninguém. e) São perfeitamente toleráveis. 2. O processo decisório é uma sequência de etapas logicamente encadea- das, visando a: a) Justificar a manutenção da estrutura hierárquica da empresa. b) Definir e a delimitar possíveis soluções para os problemas. c) Implementar soluções para os problemas encontrados. d) Planejar as medidas necessárias à solução de problemas. e) Controlar as ações da empresa. 3. Estar relacionada com o alcance dos objetivos da organização, refere-se a: a) Eficiência. b) Efetividade. c) Eficácia. d) Relatividade. e) Nenhuma das alternativas está correta. 4. É um sistema de atividades, conscientemente coordenadas, de duas ou mais pessoas, isto é o conceito de: a) Administração. b) Recursos humanos. e-Tec BrasilAula 5 - As organizações 77 c) Normas organizacionais. d) Missão. e) Organização. 5. Dos itens a seguir, não se refere ao nível estratégico das organizações: a) Nível mais elevado, composto pelos diretores, proprietários ou acionistas e pelos altos executivos. b) É responsável por estabelecer objetivos, verificar e analisar alternativas estratégicas. c) Responsável por estabelecer resultados e ações setoriais ou departamen- tais, além de analisar, elaborar, implementar e verificar planos e avaliar resultados das unidades. d) Caracteriza-se por tomar decisões globais e elaborar o planejamento es- tratégico e as políticas organizacionais. e) Sua finalidade está em criar sinergia e concentração de esforços, inte- grando toda a organização. 6. As organizações são estruturadas em níveis. Em cada um desses níveis, os administradores assumem diferentes funções. Associe cada um dos níveis às suas características. I - Nível estratégico II - Nível tático III - Nível operacional (A) Nível que administra a execução e realização das tarefas e atividades cotidianas. (B) Nível mais periférico da organização, recebe o impacto das mudanças e pressões organizacionais. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 78 (C) Nível que interpreta a missão e os objetivos fundamentais do negócio, traduzindo-os em meios de ação cotidiana. (D) Nível administrativo mais elevado da organização, funcionando como uma camada mais amortecedora dos impactos ambientais. As associações corretas são: a) I – A; II – B; III – C. b) I – A; II – C; III – D. c) I – B; II – C; III – A. d) I – B; II – D; III – C. e) I – D; II – B; III – A. 7. As cooperativas são organizações democráticas. Na verdade, este prin- cípio é a via para a autogestão cooperativa, que é entendida como a gestão da cooperativa que expressa a transferência do poder de decisão: a) Somente para o mais alto nível hierárquico de gerência operacional da cooperativa. b) Somente para o diretor presidente. c) Do ápice para a base e busca a participação ativa do cidadão na demo- cracia, ou seja, no poder. d) Somente para o conselho de administração. e) Nenhuma das respostas anteriores. 8. Os princípios do cooperativismo constituem um conjunto de normas que norteiam a constituição e o funcionamento das cooperativas. Entre os princípios atuais do cooperativismo, há um que determina que os as- sociados contribuam equitativamente e controlem democraticamente o capital de sua cooperativa. Parte desse capital é, usualmente, proprieda- de comum da cooperativa para seu desenvolvimento, e, usualmente, os e-Tec BrasilAula 5 - As organizações 79 sócios recebem juros limitados sobre o capital, como condição de socie- dade. Os sócios destinam as sobras para os seguintes propósitos: desen- volvimento da cooperativa, apoio às outras atividades aprovadas pelos sócios e redistribuição das sobras, na proporção das operações. O texto acima se refere ao princípio da: a) Adesão voluntária e livre. b) Autonomia e independência. c) Educação, formação e informação. d) Gestão democrática pelos associados. e) Participação econômica dos associados. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 80 REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE ADMINISTRAÇÃO – ISSN: 1676-6822 Revista Científica Eletrônica de Administração é uma publicação semestral da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais de Garça FAEG/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VIII – Número 14 – Junho de 2008 – Periódicos Semestral UMA BREVE ANÁLISE SOBRE OS CONCEITOS DE ORGANIZAÇÃO E CULTURA ORGANIZACIONAL. MILANI, Nilton Cesar. Discente da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais/ACEG. E-mail: nilton_milani@hotmail.com MOSQUIN, Estevão Silvio. Discente da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais/ACEG. E-mail: estevaomosquin@hotmail.com MICHEL, Murillo. Docente da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais/ACEG. E-mail: murillo@faef.br RESUMO Artigo que aborda a conceituação dos termos: organização e cultura organizacional. Este trabalho teve como objetivo fundamental apresentar as conceituações de organização e cultura organizacional, a partir da mais atual revisão de literatura, com intuito de subsidiar estudos futuros sobre estes temas. Palavras-chave: Conceituação, cultura, organização. Tema central: Administração, Organização. ABSTRACT Article that approaches the idea of the terms: organization and organizational culture. This work had as fundamental objective to present the organization concept and organizational culture, starting from the most current literature revision, with intention of subsidizing future studies on these themes. Keywords: Concept, culture, organization. 1. INTRODUÇÃO. A correta percepção dos conceitos de “organização e cultura”, é sem duvida um dos fundamentos necessários para uma boa compreensão dos assuntos associados à Administração de Empresas e ciências afins, entendendo isso como de grande relevância, os autores deste artigo revisional pretenderam através do mesmo contribuir para um melhor entendimento destes conceitos, tanto por parte da comunidade acadêmica, quanto de outros grupos de interesse, como empresários, empreendedores, e profissionais de outras áreas do conhecimento que venham a prescindir de uma melhor fundamentação sobre esta temática. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE ADMINISTRAÇÃO – ISSN: 1676-6822 Revista Científica Eletrônica de Administração é uma publicação semestral da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais de Garça FAEG/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br.Ano VIII – Número 14 – Junho de 2008 – Periódicos Semestral 2. CONTEÚDO. 2.1 Conceito de organização. A conceituação de organização tem sido objeto de vários estudos, para iniciar a discussão do tema cita-se a conceituação proposta por Kanaane, que conceitua organização como: Um sistema socialmente estabelecido pelo conjunto de valores expressos pelos indivíduos que dela fazem parte, sendo assimiladas e transmitidas sucessivamente pelas mesmas, daí a importância e a responsabilidade diante dos outros, das novas gerações (KANAANE, 1994, p. 30). Continuando a explanação sobre a conceituação de organização, Peter Drucker (1997) vincula o conceito de organização no conhecimento. Para esse autor o conhecimento é a base onde a organização deveria ser especializada e as funções definidas pela tarefa para tornar conhecimento em conhecimento produtivo. A função das organizações é tornar produtivos os conhecimentos, e quanto mais especializados forem, mais eficazes serão. Já para outro autor, Etzioni (1989), a base da organização é ser uma unidade social, onde os objetivos organizacionais têm várias funções, entre elas, ser a fonte de legitimidade que justifica suas atividades; padrões para avaliar sua eficiência e rendimento; unidade de medida, para verificar sua produtividade. A razão de ser então da organização é servir a esses objetivos. O autor destaca que existem muitas organizações que, simultaneamente e legitimamente, têm dois ou mais objetivos, isto é, possuem finalidades múltiplas; deixando claro que a organização deve ser vista como uma unidade social que procura atingir objetivos específicos, sendo estruturada para tal. Sob uma perspectiva estruturalista, as organizações são intencionalmente construídas e reconstruídas. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE ADMINISTRAÇÃO – ISSN: 1676-6822 Revista Científica Eletrônica de Administração é uma publicação semestral da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais de Garça FAEG/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VIII – Número 14 – Junho de 2008 – Periódicos Semestral Bernardes (1993), por sua vez, afirma que as organizações são manifestações concretas de instituições e uma associação de pessoas com papéis e tarefas específicas. A distinção que Bernardes (1993) faz de instituição e organização é a seguinte: a instituição caracteriza-se por ter: 1 – uma função que é a de atender a certa necessidade social básica; 2 – uma estrutura formada por pessoas que possuem um conjunto de crenças, valores e comportamentos comuns; 3 – relações de acordo com normas e procedimentos. E destaca que: organização é uma associação de pessoas caracterizadas por: 1 – ter a função de produzir bens, prestar serviços à sociedade e atender necessidades de seus próprios participantes; 2 – possuir uma estrutura formada por pessoas que se relacionam colaborando e dividindo o trabalho para transformar insumos em bens e serviços; 3 – ser perene no tempo. Bernardes, conclui que, a instituição é um fenômeno social abstrato e geral, enquanto a organização é a sua manifestação concreta e particular. Hall (1984), por sua vez, parte do pressuposto que as organizações são diferentes das organizações sociais, uma vez que aquelas estão no campo empresarial e estas na sociedade e afirma que a organização social é um conjunto mais amplo de relacionamentos e processos dos quais as organizações são uma parte. Sintetizando, na concepção de Hall a organização: É uma coletividade com uma fronteira relativamente identificável, uma ordem normativa com uma fronteira relativamente identificável, uma ordem normativa, escalas de autoridade, sistemas de comunicações e sistemas de coordenação de afiliação: essa coletividade existe numa base relativamente contínua em um ambiente e se engaja em atividades que estão relacionadas, usualmente, com um conjunto de objetivos (HALL, 1984, p. 23). Para Restrepo e Angulo (1992) a organização é a expressão particular, concreta de um sistema de ação histórica e de relações de classe, num conjunto societal. E assim colocam: REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE ADMINISTRAÇÃO – ISSN: 1676-6822 Revista Científica Eletrônica de Administração é uma publicação semestral da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais de Garça FAEG/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VIII – Número 14 – Junho de 2008 – Periódicos Semestral Entendemos por instituição as formas juridicamente estruturadas para a tomada de decisões legítimas. Chamamos organizações unidades coletivas de ação que utilizam categorias específicas de recursos, cumprem uma função legítima e se orientem por um modelo de autoridade própria (RESTREPO; ANGULO, 1992, p. 31). Apresentam também quatro aspectos que configuram as organizações: dimensões, elementos, continuidade de inovação e crise do sistema. Os níveis de cada uma dessas dimensões se podem definir a partir das relações que estabelecem os membros e dos valores introjetados em cada organização, que são: participação, reivindicação, iniciativa e integração. Restrepo; Ângulo (1992) enfatizam que as organizações são unidades particulares formadas para atingir fins específicos, dirigidos por um poder que estabelece uma forma de autoridade que determina o status e o papel dos membros da organização. Assim, as organizações fazem parte de um conjunto societal e interagem com o meio ambiente, as organizações estão inseridas na Teoria dos Sistemas Abertos. Srour (1998), quando analisa o que são organizações, também faz uma diferenciação entre instituição e organização. Para ele, numa primeira acepção, instituição aplica-se a organizações ou a agrupamentos sociais dotados de certa estabilidade estrutural. Numa segunda acepção, além da estabilidade estrutural, acrescenta uma nova exigência, o rótulo aplica-se somente àquelas unidades sociais que adquirem significado especial, valorizados por elas mesmas – são as organizações que obtiveram respeitabilidade social. Numa terceira acepção, instituição remete a um complexo consagrado de normas, com valores arraigados e de longa duração. Define então instituição como conjunto de normas sociais, geralmente de caráter jurídico, que gozam de reconhecimento social. Quanto às organizações, Srour (1998) diz que podem ser definidas como coletividade especializada na produção de um determinado bem ou serviço. Elas combinam agentes sociais e recursos e se convertem em instrumentos de economia de esforço em que ações cooperativas se dão de forma ordenada. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE ADMINISTRAÇÃO – ISSN: 1676-6822 Revista Científica Eletrônica de Administração é uma publicação semestral da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais de Garça FAEG/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VIII – Número 14 – Junho de 2008 – Periódicos Semestral As organizações são planejadas de forma deliberada para realizar um determinado objetivo e formam unidades sociais portadoras de necessidades e interesses próprios. Para Srour (1998) toda organização constitui um micro-cosmo social onde o caráter precípuo das organizações pode ser definido a partir de trêsdimensões analíticas: econômicas, políticas e sociais – que demarcam todo espaço social e que, de fato, se interpenetram ou imbricam. Essas três dimensões, além da dominância, servem para demarcar espaços internos e variados, como unidade produtiva, entidade política e agência ideológica. Resumindo, para Srour (1998) as organizações são sistemas abertos e campos de forças, competem para absorver mais energia ou valor do ambiente externo, onde processam insumos e geram produtos, administram pressões e apoios, dependem da credibilidade que vão construindo, exigindo delas enorme capacidade de adaptação e grande flexibilidade. 2.2 Cultura organizacional. 2.2.1 O conceito de cultura organizacional. Para Schein (2001): A cultura organizacional é o modelo de pressupostos básicos, que determinado grupo tem inventado, descoberto ou desenvolvido no processo de aprendizagem para lidar com os problemas de adaptação externa e adaptação interna.Uma vez que os pressupostos tenham funcionado bem o suficiente para serem considerados válidos, são ensinados aos demais membros como a maneira correta para se perceber, se pensar e sentir-se em relação àqueles problemas” (SCHEIN, 2001, p. 7). Para Schein (2001), pressupostos básicos são: respostas aprendidas originadas em valores esposados, que leva a um comportamento, e se ele resolve REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE ADMINISTRAÇÃO – ISSN: 1676-6822 Revista Científica Eletrônica de Administração é uma publicação semestral da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais de Garça FAEG/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VIII – Número 14 – Junho de 2008 – Periódicos Semestral um problema passa a ser um valor e gradualmente transformado em um pressuposto subjacente e internalizado como verdade inquestionável. A cultura organizacional, na visão de Srour, “não se resume à somatória das opiniões individuais dos agentes que a partilham, pois tem vida própria e constitui uma das dimensões da organização” (1998, p. 168). É muito interessante quando Srour compara a organização a um lugar de representação imaginária sob três dimensões, onde “a dimensão política traça o espaço da arena em que articulam as relações de poder e a dimensão econômica demarca o espaço da praça em que se articulam as relações de haver, a dimensão simbólica representa o espaço do palco em que se articulam as relações de saber” (1998, p. 168). Depreende-se então que a cultura organizacional engloba as relações de poder, de haver e de saber. 3. CONCLUSÃO. Finalizamos este artigo, acreditando que ele tenha contribuído para a fixação dos conceitos de organização e cultura organizacional. Esperando que ele venha a ser de grande utilidade para futuros trabalhos que necessitem um revisão conceitual destes termos. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. BERNARDES, C. Teoria geral da administração: a análise integrada das organizações. São Paulo: Atlas, 1993. DRUCKER, Peter. Sociedade pós-capitalista. 6 ed. São Paulo : Pioneira, 1997. ETZIONI, A. Organizações modernas. 8 ed. São Paulo: Pioneira, 1989. HALL, Richard. Organizações: estruturas e processos. 3 ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1984. KANAANE, Roberto. Comportamento humano nas organizações: o homem rumo ao século XXI. São Paulo: Atlas, 1994. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE ADMINISTRAÇÃO – ISSN: 1676-6822 Revista Científica Eletrônica de Administração é uma publicação semestral da Faculdade de Ciências Jurídicas e Gerenciais de Garça FAEG/FAEF e Editora FAEF, mantidas pela Associação Cultural e Educacional de Garça – ACEG. Rua das Flores, 740 – Vila Labienópolis – CEP: 17400-000 – Garça/SP – Tel: (0**14) 3407-8000 – www.revista.inf.br – www.editorafaef.com.br – www.faef.br. Ano VIII – Número 14 – Junho de 2008 – Periódicos Semestral RESTREPO, Mariluz J. e ANGULO, Jaime Rubio. Intervir en la organización. Bogotá : Significantes de Papel Ediciones, 1992. SCHEIN, Edgar H. Guia de sobrevivência da cultura corporativa. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. SROUR, Robert Henry. Poder, cultura e ética nas organizações. Rio de Janeiro: Campus, 1998. e-Tec Brasil Aula 6 – Ambiente organizacional Objetivos Compreender o significado do ambiente nas organizações. Conhecer os ambientes externos e internos de influência e suas respectivas variáveis. Realizar a análise ambiental identificando oportunidades e ameaças. Realizar a análise organizacional identificando forças e fraquezas. 6.1 Conceitos O ambiente em que as organizações atuam, proporciona a elas extremas van- tagens, como também, apresenta enormes riscos. As mudanças que ocorrem, com extrema e intensa rapidez, fazem com que tenham que se adaptar com extrema agilidade a essa nova situação. A análise ambiental é a prática de rastrear as mudanças no ambiente, que possam afetar uma organização e seus mercados. Estas mudanças ocorrem em todas as dimensões do ambiente – econômica, política e legal, social, natural, tecnológica e competitiva. A importância da análise ambiental se salienta devido às necessidades que as organizações têm de conhecer o ambiente que as cercam. É necessário que a organização conheça muito bem o ambiente, não só aquele em que ela irá atuar, mas também o todo, pois só assim ela pode desenvolver suas atividades de maneira eficaz. É através dessa análise que se poderá identificar ameaças, oportunidades, restrições e contingências importantes que não podem ser deixadas de lado. Todas as organizações estão sujeitas às influências do ambiente e, por isso, sua análise é fundamental para que a gestão possa ser orientada para o alcance dos resultados. É através da análise ambiental que se consegue definir os diferentes cenários competitivos. e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 81 Costuma-se dividir o ambiente externo às organizações em duas partes: em primeiro lugar considera-se o ambiente externo, dividido em macroambiente e microambiente; em segundo lugar considera-se o ambiente interno, ou seja, a organização, com suas características, potencialidades e limitações. Enfim, é o ambiente que determina como a organização deve funcionar, além de determinar as mudanças necessárias, a fim de alcançar seus objetivos gerais e específicos. 6.2 Ambiente externo – macroambiente O macroambiente é constituído por um conjunto bastante amplo de condições e fatores que influenciam e são influenciados pelas diversas organizações existentes no mercado. Inúmeras oportunidades e ameaças surgem deste macroambiente em constante mutação e as empresas devem ser extremamente hábeis na identificação das diversas variáveis que compõem esta parte do ambiente. As oportunidades e ameaças são encontradas pela influência de tendências. Uma tendência é uma direção ou sequência de eventos, que vêm ocorrendo ao longo do tempo e que promete durabilidade. As variáveis tecnológicas, político-legais, sócio-culturais, econômicas, demo- gráficas e físicas são aquelas que compõem este ambiente. 6.2.1 Ambiente tecnológico A tecnologia é, sem dúvida, uma das forças que mais tem influência na vida da sociedade empresarial ao longo dos tempos, pois todas as empresas se deparam com a inadequação tecnológica ou até mesmo com a obsolescên- cia. A tecnologia tem um impacto muito grande sobre estas organizações, obrigando-as a se adaptarem às constantes mutações que ocorrem. A tecnologia é encarada como um desafio para as novas empresas, que veem a inovação como sendo a sua principal estratégia de sobrevivência e de obtenção de uma boa posição no mercado. A manutenção dos investimentosem tecnologia dentro das empresas pode, ainda, proporcionar uma redução nos custos do processo produtivo, possibilitando maiores retornos financeiros. A tecnologia proporciona à empresa a possibilidade de efetuar um maior controle interno, através do monitoramento de suas atividades. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 82 Pode-se destacar, ainda, o papel da tecnologia como criadora e/ou destruidora de mercados e oportunidades. Muito se tem comentado a respeito da tendência de que a tecnologia contribua para reduzir o mercado de trabalho. Afinal, algumas atividades podem ser otimizadas pelo uso da tecnologia. Em contrapartida, a tecnologia pode acarretar problemas para a organização no aspecto da sua utilização de maneira inadequada. Além disso, a descoberta de uma nova tecnologia que traga benefícios ao concorrente, torna a perda de mercado uma situação quase certa. São inúmeras as oportunidades obtidas a partir da tecnologia, pois esta per- mite que uma empresa esteja sempre buscando novas formas de produzir, bem como novas formas de conhecer aquilo que os consumidores em geral desejam. É através da tecnologia que as empresas podem proporcionar uma melhor forma de trabalhar, buscando a máxima eficiência e eficácia produtiva. No entanto, é essa mesma tecnologia que faz com que muitas empresas não obtenham o sucesso esperado, principalmente pelo fato de não conseguirem se adaptar a ela ou, até mesmo, por não estarem atentas às novas tendências que venham a surgir no mercado. Com isso, pode-se concluir que nenhuma empresa pode abrir mão de um mínimo de atualização tecnológica, especialmente no que diz respeito à comunicação, tendo em vista a altíssima competitividade do mercado. 6.2.2 Ambiente político-legal O ambiente político legal influi de maneira constante nas empresas, pois envolve tributos e impostos, bem como, impõe um conjunto de leis e obrigações que fazem com que as empresas tenham que se adaptar a elas. É importante que as empresas façam uma verificação constante das políticas, leis e normas, no intuito de que estas possam favorecer ou prejudicar seus negócios. A grande maioria das empresas monitora constante e arduamente os aspectos que se referem aos órgãos políticos, legislativos, normativos e fiscalizadores. Além disso, muitas dessas empresas buscam ganhar influências e, porque não dizer, benefícios através de doações a partidos políticos e a parlamentares. As leis que regem os negócios têm três objetivos principais, sendo eles: Proteger as empresas individualmente – como por exemplo, a legis- lação brasileira que proíbe o truste, resguardando as mesmas de uma concorrência nociva e desleal das empresas estrangeiras. e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 83 Proteger os consumidores de práticas de negócio ou comerciais desleais – defender os consumidores de adulterações de produtos, pro- paganda enganosa, enganos nas embalagens e preços abusivos. Proteger os interesses da sociedade contra o comportamento desen- freado dos negociantes – pode significar, em alguns casos, que a qua- lidade de vida decresceu, mesmo com o aumento do Produto Nacional Bruto (PNB). Além da sua natural orientação para o mercado, as empresas devem estar atentas à sua relação com entes político-legais. Não se trata de uma opção para a empresa e sim uma obrigação, que pode ser revertida de maneira favorável, se considerados os direitos que a empresa capitaliza a seu favor. 6.2.3 Ambiente econômico O ambiente econômico pode ser considerado, talvez, como o mais importante para a empresa. As diversas análises deste ambiente é que determinarão o tipo de produto e de estratégias a serem utilizadas dentro de um nicho de mercado adotado pela empresa. A adoção de uma estratégia ou produto, corretamente, acarretará no sucesso da organização, ao passo de que uma decisão precipitada determinará o seu fracasso. As mudanças econômicas recentes têm proporcionado às classes menos favorecidas um acesso maior aos bens de consumo anteriormente inatingí- veis. Entre estes bens, podem ser destacados os produtos alimentícios, que obtiveram uma disseminação maior entre todas as classes da população. Isso proporcionou um maior volume em suas vendas, mas por outro lado, com a queda da inflação, as margens de lucro diminuíram de maneira bastante considerável. As empresas devem estar sempre atentas às taxas de inflação, pois uma elevação dos preços pode gerar consequências muito graves e, na maioria dos casos, a renda do consumidor, que influencia na probabilidade deles adquirirem algo, não acompanha esta alta de preços. Outro fator relevante é o da instabilidade da moeda nacional em relação ao dólar. Para qualquer empresa, este fator é de suma relevância, fato comprovado pelas relações existentes entre empresas e o mercado internacional. Aqui vale destacar a atual crise econômica mundial, cujas consequências afetam consideravelmente a economia brasileira e, consequentemente, as empresas Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 84 nacionais e faz com que elas tenham que adotar estratégias diferenciadas para que os riscos não se tornem ameaças e acarretem mais prejuízos para todos. O mercado, em função de todos estes fatores, apresenta níveis elevados de inadimplência, fazendo com que todas as empresas deem atenção especial à concessão de crédito. Hoje, também, se tem os olhos voltados para a situação do mercado financeiro, principalmente do mercado da bolsa de valores e dos índices das empresas de tecnologia. As empresas procuram, constantemente, monitorar os indicadores específicos da saúde econômica, a fim de dar uma sustentação maior aos seus planos de negócio, para as próximas decisões a serem tomadas. 6.2.4 Ambiente sócio-cultural As empresas são, ao mesmo tempo, organizações sociais e unidades econô- micas e, por isso, estão sujeitas às pressões sociais e a influências do meio sócio-cultural onde se situam. Os fatores sócio-culturais que mais repercutem nas atividades das empresas são: cultura geral do país e comunidade onde estão localizadas, estrutura do orçamento familiar em relação a despesas com bens e serviços, atitude das pessoas frente ao trabalho, a seus ideais quanto ao seu dinheiro e poupança. Ainda, deve-se destacar a homogeneidade e a heterogeneidade das estruturas raciais e linguísticas da região em que a empresa está inserida. Em qualquer lugar que se observar, o nível de exigência dos consumidores é extremamente alto, devido ao maior acesso às informações e à grande competitividade, o que faz com que as empresas valorizem cada vez mais os seus clientes. Atualmente, as pessoas estão dedicando um tempo menor e apresentando um menor grau de confiança nas organizações. Isso faz com que seja necessário encontrar novas formas de conquista e confiança dos consumidores, revendo formas de comunicação e propaganda, na tentativa de construir imagens mais positivas junto a eles. A tendência cada vez mais evidente da responsabilidade social das organizações, faz com que elas deem especial atenção a isso, pois é mais provável que os clientes potenciais venham a comprar de uma organização que demonstra preocupação com o bem-estar deles. e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 85 Deve-se compreender, ainda, a visão das pessoas sobre si mesmas, os outros, as organizações, a sociedade, a natureza e o universo. Os produtos a serem vendidos pelas organizações devem, além de corresponderem aos valores principais e secundários da sociedade, atender às necessidades subculturais diferentes dentro da sociedade. No entanto, a dificuldade de desenvolver um determinado produto, de acordo com a cultura de uma determinada comunidade, pode se constituir numa ameaça constante às empresas. 6.2.5 Ambiente demográfico O ambiente demográfico é muito importante, pois envolve a população em geral que, por sua vez, representa o mercadoconsumidor. Ele consiste num estudo de um conjunto de características diversificadas a respeito dessa população, como por exemplo, o tamanho, a distribuição geográfica e etária, a densidade, as taxas de natalidade e mortalidade, dentre outros. O mercado não é dimensionado tão somente pelo tamanho da população, mas principalmente pelas mudanças populacionais. O crescimento populacional e as mudanças nas estruturas das populações devem ser considerados pelas empresas em seus planos e estratégias, visto que uma empresa pode analisar seu mercado atual e prever seu mercado potencial futuro em função dessas variáveis. Uma outra oportunidade para as empresas está nos dados de migração. Enquanto alguns lugares perdem população, outros se tornam mais atraentes com a conclusão desse processo. Isso possibilita que as empresas utilizem estratégias variadas, a fim de estimular estes “novos clientes” a adquirirem seus produtos. É óbvia a influência do homem sobre o mundo que o cerca, provocando profunda modificação sobre todas as demais condições ambientais. Dessa forma, se compreende a grande importância dos estudos demográficos. No entanto, a dificuldade de identificar a marca da empresa com determinado(s) grupo(s) social(ais), faz com que a mesma perca um tempo precioso na escolha de qual grupo atender. 6.2.6 Ambiente físico ou natural Sob um ponto de vista mais restrito, o ambiente físico ou natural inclui as condições físicas e geográficas, bem como a sua utilização pelo homem. Há alguns anos o fator ecologia e outros fatores como energia e clima não eram considerados importantes. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 86 Dois aspectos vieram recentemente mudar essa situação. O primeiro foi a compreensão do equilíbrio ecológico e os efeitos das atividades humanas nesse equilíbrio, trazendo benefícios de um lado e degradação do outro. O segundo é a mudança da mentalidade e das atitudes quanto aos prejuízos naturais que a industrialização descuidada pode causar. Em muitas cidades do mundo, a poluição do ar e da água atingiu níveis considerados perigosos, causando muita inquietação em relação à destruição da camada de ozônio e com o efeito estufa resultante disso. Outro aspecto a ser levado em conta pelas empresas é o clima específico da região em que elas estão localizadas. Muitas vezes, ele atua como uma ameaça para as empresas, pois aspectos como a umidade, o calor e o frio podem comprometer a estrutura física do produto. Por mais que as empresas procurem manter a produção a uma temperatura ambiente, elas devem levar em conta que os processos de estocagem e de transporte são fatores determinantes no que se refere à manutenção da qualidade de seus produtos. Por outro lado, mesmo não havendo uma legislação criteriosa no país quanto à questão da eliminação de resíduos, as empresas devem ter uma preocupação quanto a esta questão. Explica-se isso visto que estes resíduos podem trazer malefícios para o meio ambiente e pessoas, principalmente no que se refere aos resíduos resultantes do processo de fabricação. Além de todas estas barreiras, a crise energética e a possibilidade de “apagão” em algumas regiões do país fez com que o governo adotasse medidas drásticas relativas à esta situação, tornando necessária uma conduta mais proativa das empresas no que se refere ao desperdício, obrigando-as a se comprometerem a adotar novas políticas de economia de energia. 6.3 Ambiente externo – microambiente Também conhecido como sistema central de marketing ou ambiente de tarefa, o microambiente compreende o meio específico em que a empresa opera. Ele envolve outras empresas, instituições, grupos e indivíduos com quem uma determinada empresa mantém um relacionamento que possibilite a sua operação, de modo a propiciar benefícios mútuos. É de suma importância, para o sucesso da organização, que ela saiba reconhecer as diversas oportunidades que venham a surgir, como também se defender das e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 87 ameaças que aparecerão. Por isso, é que as empresas necessitam de informações sobre os personagens chaves que compõem esse ambiente tão importante. Fornecedores, intermediários de mercados, concorrentes, clientes e públicos compõem esse ambiente. 6.3.1 Fornecedores Os fornecedores são peças-chave do desenvolvimento organizacional. Eles são parceiros da empresa no que se refere ao processo de evolução estratégica da mesma. Este componente do microambiente corresponde ao mercado de suprimentos de entradas e insumos necessários às operações da empresa. A qualidade e a disposição dos fornecedores de uma empresa têm um grande impacto no seu sucesso. Fornecedores que entregam produtos de má qualidade, com atrasos, difíceis de contatar ou sujeitos a greve, são uma praga para a vida de uma organização. No entanto, muitas empresas preferem permanecer com esses tipos de fornecedores devido ao fato de que seus produtos são mais baratos, deixando de desenvolver um relacionamento satisfatório a longo prazo. No entanto, bons fornecedores são poucos hoje em dia e os existentes, já atendem à concorrência ou estão incapacitados de atender a novos clientes. Por este motivo, as empresas costumam trabalhar com um número muito pequeno de fornecedores, ou seja, querem fornecedores que forneçam um sistema-componente completo. Isso tudo, permite que esses fornecedores sejam mais exigidos em termos de qualidade do insumo e, ao mesmo tempo, que reduzam os preços desses insumos à medida que passa o tempo. O objetivo disso tudo é ver a empresa e seus fornecedores como um “sistema integrado de fornecimento de valor”, que possa superar a concorrência na satisfação das exigências do mercado-alvo. É por este motivo que as organizações devem se manter atualizadas quanto à capacidade, empenho e aos problemas de seus fornecedores. Ao gerenciar um sistema para detectar sinais e antecipar problemas de qualidade ou de capacidade de fornecimento, a empresa pode evitar o embaraço de deixar de atender a seus compromissos com seus clientes. 6.3.2 Intermediários de mercado Os intermediários compreendem aquelas pessoas ou empresas que se interpõem entre os produtores e os consumidores. Ao decidir por adotar um intermediário, Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 88 o produtor deve vê-lo tanto como um cliente quanto um parceiro. Também, vale ressaltar que o produtor precisa compreender suas necessidades, objetivos e operações e deve oferecer condições comerciais e apoio que despertem o entusiasmo e a fidelidade do intermediário. O uso de intermediários caracteriza o uso de empresas de distribuição física, atacadistas e varejistas. A distribuição física envolve o planejamento, a implementação e o controle dos fluxos físicos de materiais e produtos finais, a partir de seus pontos de origem aos seus pontos de utilização, para satisfazer as necessidades do cliente, visando a um lucro. A maioria das empresas tem se preocupado com o custo total da distribuição física, e os especialistas acreditam que podem ser obtidas maiores economias nesta área. Os principais elementos dos custos de distribuição física, com seus percentuais médios estimados, são: transporte (46 %); armazenamento (26 %); controle de estoque (10 %); recebimento e despacho (6 %); embalagem (5 %); administração (4 %); e processamento de pedidos (3 %). O atacado inclui todas as atividades envolvidas na venda de bens ou serviços para compradores que utilizarão estes para revenda ou no uso industrial. No entanto, vale destacar que os fabricantes e agropecuaristas não são atacadistas, devido ao fato de estarem envolvidos na produção. Importância do atacado: maior capacidade de atingir os compradores; oferece informações sobre os compradores; reduz as perdas potenciais ao assumir os riscos do negócio; informações sobre setores e produtos; reduz os custos monetários detempo e esforço pelo oferecimento de uma variedade de bens; melhora a seleção de produtos, ao informar os varejistas sobre os produtos mais adequados aos usuários finais. O varejista é aquele que vende bens ou serviços para os consumidores finais. Após comprarem produtos de fabricantes ou atacadistas, eles dedicam-se exclusivamente ao atendimento do público final. Um varejo ou uma loja de varejo é qualquer empresa cujo volume de vendas decorre, principalmente, do fornecimento por unidades ou pequenos lotes. Embora usualmente se pense em varejistas como comerciantes intermediários que possuem lojas, qualquer organização que utilize esta forma de venda, seja um fabricante, um atacadista ou um varejista, todos estarão praticando o varejo. Não importa como os bens ou serviços são vendidos (pessoalmente, pelo correio, telefone ou máquina automática) ou onde são vendidos (em uma loja, na rua, ou na casa do consumidor). e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 89 Importância do varejo: colocam os produtos à disposição do consumidor final; coletam e divulgam dados sobre os consumidores e seu comportamento de compra; assumem riscos na compra de produtos perecíveis; promovem os produtos dos fabricantes; oferecem serviços eficientes na distribuição física; colocam produtos à disposição no momento e no lugar em que os consumidores desejam comprá-los; facilitam as compras ao aceitar cartões de crédito ou oferecer planos de pagamento e venda de produtos em pequenas quantidades; tornam conveniente ou prazerosa a experiência de comprar; oferecem variedade de marcas para que os consumidores possam fazer comparações; fornecem serviços especiais como entrega ou alterações/consertos nos produtos. Assim, o uso de intermediários proporciona o aumento da eficiência da distri- buição de bens da empresa, por torná-los amplamente disponíveis e acessíveis a todos os mercados-alvo da mesma. 6.3.3 Concorrentes Concorrentes são empresas que competem entre si por um mesmo mercado ou por vários mercados. O concorrente mais imediato da empresa é aquele que mais se parece com ela, ou seja, fornece para o mesmo mercado-alvo e utiliza o mesmo mix de marketing. As empresas têm que “ficar de olho” em todos os concorrentes que são poten- cialmente perigosos. Para que uma empresa conheça bem sua concorrência, ela precisa estudar os objetivos, as estratégias, os pontos fortes e fracos e os padrões de resposta da mesma. O objetivo único da análise dos concorrentes é ajudar a desenvolver uma vantagem competitiva, no intuito de ofertar algo ao mercado que tenha um desempenho superior. Isso pode ser obtido a partir da oferta de maiores benefícios aos clientes em geral. As empresas concorrem entre si, a fim de obterem recursos necessários para se desenvolverem, bem como conquistarem os mercados para a colocação dos seus produtos e/ou serviços. Os concorrentes disputam tanto as entradas quanto as saídas de uma empresa. Podemos identificar três tipos de concorrência: a genérica, por forma de produto e a empresarial cujos exemplos são mostrados a seguir. A concorrência genérica é o tipo de concorrência que está sempre presente, pois ela vem de outras categorias de produtos que tem por função satisfazer Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 90 a mesma necessidade dos consumidores. Tomando como base as empresas do segmento alimentício, observa-se que não há este tipo de concorrência, porque não existe nenhum outro produto capaz de substituir os alimentos que são essenciais à sobrevivência. Já a concorrência por forma de produto é o tipo de concorrência que ocorre entre versões específicas do produto, ou seja, dentro da mesma linha. Exemplo: barras de cereais, chocolates em barra, bolachas, bombons, etc. Por fim, a concorrência empresarial: é o tipo de concorrência que ocorre entre organizações que fabricam o mesmo tipo de produto, ou seja, que atendem ao mesmo mercado. Exemplos: Nutrimental, Nestlé, Nutrilatina, Grain Mills, Kraft, Suchard, Vital, Jasmine, Unilever, Mococa, Slim, Parmalat, entre outras. Para as empresas é importante que elas saibam o máximo possível sobre o mercado, no intuito de adotar estratégias que viabilizem a satisfação das necessidades e desejos dos consumidores, melhor que seus concorrentes. É por isso que as organizações procuram englobar o maior conjunto possível de informações sobre a concorrência no caso de um confronto direto. Isso permite uma análise mais eficiente das estratégias de ataque a serem adotadas. É importante prever a disputa de concorrentes existentes, novos ingressantes, produtos substitutos, fornecedores e compradores numa base global. 6.3.4 Clientes Os clientes são aquelas pessoas ou empresas que adquirem os produtos da empresa no intuito de satisfazer as suas necessidades e desejos, ou seja, são os entes que absorvem as saídas resultantes da atividade empresarial. No entanto, antes de determinar os clientes, as empresas devem estabelecer o mercado-alvo em que elas irão atuar. Do ponto de vista do marketing, atender a uma parte do mercado é mais eficiente, pois é mais fácil determinar as necessidades e os desejos dele. Um mercado-alvo é o segmento específico que uma organização escolhe atender. Estes mercados-alvo podem ser classificados em: Mercados consumidores – aqueles que utilizam o produto/serviço de maneira pessoal. Mercados industriais – quando o produto/serviço é utilizado na trans- formação de outros produtos/serviços. e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 91 Mercados revendedores – organizações que compram com o objetivo de revender visando o lucro. Mercados governamentais – órgãos governamentais que compram para executar serviços públicos ou transferir para outras pessoas. Mercados internacionais – qualquer cliente de outro país, podendo ser produtor, revendedor ou governamental. Atualmente, o que as empresas procuram fazer é manter os seus clientes e desenvolver cada vez mais o relacionamento empresa-cliente no intuito de proporcionar benefícios para ambas as partes. Por esse motivo, as empresas devem definir qual é o seu mercado-alvo e concentrar os esforços nele para obter o retorno planejado. Também é relevante que as empresas saibam realmente qualificar seus clientes. Para isso, ela deve encontrar um modo claro de avaliar a lucratividade de cada um. Clientes que compram mais, são mais exigentes e, por isso, devem ser trabalhados de maneira diferente daqueles que compram menos. No entanto, é importante que as empresas fixem mais as suas atenções naqueles clientes, que mais cedo ou mais tarde, podem ser transformados em clientes lucrativos. Em suma, as empresas devem concentrar seus esforços administrativos no intuito de conquistar o maior número de clientes e, a partir disso, trabalhar cada vez mais para fidelizar sua marca na mente dos clientes e procurar agregar, o máximo possível, valor aos mesmos. 6.3.5 Públicos Correspondem a um grupo distinto que possui algum tipo de interesse ou exerce algum tipo de impacto sobre as atividades da organização. São eles que impõem controles, limitações ou regulamentações às atividades empresariais, especificando as maneiras pelas quais as organizações deverão guiar suas ações. É muito importante que a empresa esteja sempre atenta às regulamentações que sobre ela são impostas, de maneira a conduzir de forma correta suas atividades. Algumas empresas, de maneira geral, procuram postar-se de forma coerente e correta frente às determinações que os órgãos regulamentadores exercem sobre ela. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 92 As empresas apresentam sete tipos de público, como por exemplo: público financeiro, imprensa, governo, órgãos de defesa do consumidor, comunidade local, público em geral, público interno. Por fim, os públicos atuam como influenciadores chaves para o desenvolvi- mento organizacional e, por isso, as empresasdevem estar atentas a todas as alterações que venham a ocorrer nesse segmento, a fim de que não percam tempo nem dinheiro, o que seria extremamente prejudicial. 6.4 Ambiente interno O ambiente interno é o nível de ambiente da organização que está dentro dela e, normalmente, tem implicação imediata e específica na administração da organização. A análise do ambiente interno tem por finalidade colocar em evidência as deficiências e qualidades da empresa que está sendo analisada, ou seja, os pontos fortes e fracos da empresa deverão ser determinados diante da sua atual posição produto-mercado. Esta análise deve tomar como perspectiva para comparação as outras empresas do seu setor de atuação, sejam elas concorrentes diretas ou apenas concorrentes potenciais. Quando fazemos uma análise interna, esta nos habilita a identificar pontos fortes e pontos fracos no contexto organizacional. Um ponto forte é a diferenciação conseguida pela empresa que lhe proporciona uma vantagem operacional no ambiente empresarial (variável controlável). Por sua vez, um ponto fraco é uma situação inadequada da empresa que lhe proporciona uma desvantagem operacional no ambiente empresarial (variável controlável). Na realidade, além dos pontos fortes e fracos da empresa, devem-se considerar também os pontos neutros que são aqueles que, em determinado momento ou situação, não estão sendo considerados nem como qualidades nem como deficiências da empresa. Como o planejamento é um processo dinâmico, estes pontos neutros vão sendo enquadrados como pontos fortes ou pontos fracos ao longo do tempo. A definição dos pontos neutros é muito importante pelo seguinte fato: o pla- nejamento estratégico é um sistema que considera a empresa como um todo. E como tal deve considerar todos os seus componentes e partes (subsistemas) visando formar o todo unitário. Portanto, não se podem deixar partes de fora e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 93 do sistema. E, às vezes temos dificuldade de saber se determinada variável, componente ou item é um ponto forte ou fraco da empresa. É fundamental para o sucesso da estratégia da empresa que a área de atuação seja escolhida, considerando aquilo que ela melhor pode fazer, ou seja, a empresa deve ser “puxada” pelas suas principais capacidades. Isso absolutamente, não quer dizer que a empresa deve abandonar atividades nas áreas em que não está devidamente capacitada. No caso de a empresa ter de realizar atividades em que não haja pontos fortes, o reconhecimento desta fraqueza torna mais fácil o processo corretivo. Dentre os fatores que devemos levar em consideração para a definição do ambiente interno da empresa podemos citar os seguintes: Aspectos organizacionais – rede de comunicação; estrutura da organiza- ção; registro dos sucessos; hierarquia de objetivos, política, procedimentos e regras; habilidade da equipe administrativa. Aspectos do pessoal – relações trabalhistas; práticas de recrutamento; programas de treinamento; sistema de avaliação de desempenho; sistema de incentivos; rotatividade e absenteísmo. Aspectos de marketing – segmentação do mercado, estratégia do pro- duto, estratégia de preço, estratégia de promoção, estratégia de distribuição. Aspectos de produção – layout das instalações da fábrica; pesquisa e desenvolvimento; uso de tecnologia; aquisição de matéria-prima; controle de estoques; uso de subcontratação. Aspectos financeiros – liquidez; lucratividade; atividades; oportunidades de investimento. O diagnóstico do ambiente interno corresponde a uma análise de como a empresa se encontra e o quão está preparada para enfrentar os desafios que naturalmente surgem nos confrontos com empresas concorrentes. Por essa razão a análise deve levar em consideração não só os aspectos mais relevantes ou fortes da empresa, como por exemplo, sua disciplina operacio- nal, a motivação e capacitação de seus empregados ou mesmo o portfólio de sua carteira de clientes, resultante ou não do “nome” da empresa, como Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 94 também os aspectos nos quais a empresa precisa aprimorar-se ou fortalecer-se, que podem contemplar aspectos como a entrada de novos concorrentes, a desatualização de suas instalações industriais, a briga interna por sucessão, que tende a ocorrer em empresas ditas familiares, entre outros aspectos. Resumo Ao final dessa aula, podemos apresentar algumas considerações acerca do ambiente organizacional e a necessidade de sua análise. Nesse sentido, o ambiente em que as organizações atuam proporciona a elas extremas vantagens como também apresentam enormes riscos. Ele é composto pelo ambiente externo (macro e microambiente) e pelo ambiente interno. O macroambiente é constituído por um conjunto bastante amplo de condições e fatores que influenciam e são influenciados pelas diversas organizações existentes no mercado. As variáveis tecnológicas, político-legais, sócioculturais, econô- micas, demográficas e físicas são aquelas que compõem este ambiente. Já o microambiente compreende o meio específico em que a empresa opera. Ele envolve outras empresas, instituições, grupos e indivíduos com quem uma determinada empresa mantém um relacionamento que possibilite a sua operação, de modo a propiciar benefícios mútuos. É composto por forne- cedores, intermediários de mercados, concorrentes, clientes e públicos. Por fim, a análise do ambiente interno tem por finalidade colocar em evidência as deficiências e qualidades da empresa que está sendo analisada, ou seja, os pontos fortes e fracos da empresa deverão ser determinados diante da sua atual posição produto-mercado. Essa análise deve tomar como perspectiva para comparação, as outras empresas do seu setor de atuação, sejam elas concorrentes diretas ou apenas concorrentes potenciais. Atividades de aprendizagem 1. Alguns teóricos propõem a divisão do ambiente organizacional em cate- gorias. Considere as afirmações abaixo sobre as categorias que identificam os fatores que influenciam as mudanças que ocorrem nas organizações. I - As condições econômicas referem-se ao comportamento humano e estudam como as pessoas e as organizações na sociedade se empenham na produção, troca e no consumo de bens e serviços. II - As condições culturais referem-se à expectativa dos funcionários e dos consumidores e estão expressas na tecnologia aplicada ao processo produtivo. Assista a um vídeo sobre ambiente em: http://www.youtube.com/ watch?v=2dzGbKYyxoI e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 95 III - As condições legais referem-se à legislação vigente no país, porém afetam as empresas que atuam no mercado local, já que as empresas exportadoras não precisam obedecer a ela. IV - As condições demográficas referem-se à taxa de crescimento, etnia, religião, distribuição geográfica, distribuição por sexo e idade da população, contribuindo para análise do mercado atual e previsão de seu mercado futuro. Está correto o que se afirma em: a) I somente. b) I e II somente. c) I e IV somente. d) II, III e IV somente. e) Todas as afirmativas. 2. Alguns componentes do ambiente externo são comuns a todas as orga- nizações, variando apenas na forma e no volume de sua influência. Esta afirmativa é válida: a) Somente no caso de empresas. b) Em todos os casos, menos nas empresas. c) No caso das sociedades anônimas. d) Em todos os casos, sem exceção. e) No caso de apenas uma empresa no mercado. 3. Em geral, para a análise do ambiente ser bem sucedida na organização, deve-se: a) A alta administração deve determinar quais elementos devem ser moni- torados. Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 96 b) O processo deve ser mantido com pouca avaliação. c) O processo em si deve ser avaliado. d) Ela deve ocorrer em todos os níveis do ambiente. e) Nenhuma das respostas anteriores. 4. Das técnicas a seguir a que deve ser adotada ao se fazer uma análise ambientalé: a) Desenvolvimento de inteligência interna. b) Formulação e monitoramento estratégicos. c) Técnicas de planejamento ambiental. d) Exame do ambiente e previsão ambiental. e) Estrutura analítica completa. 5. Quando se avalia uma organização e sua atuação no mercado, verifica-se que a empresa é um sistema inserido em um ambiente sujeito à ação de múltiplas variáveis que atuam direta e/ou indiretamente sobre a mesma. Considerando que a organização está sujeita a uma grande variedade de ações internas e externas, é possível afirmar que uma empresa é um sistema: a) Probabilístico simples. b) Probabilístico complexo. c) Probabilístico hipercomplexo. d) Determinístico complexo. e) Determinístico hipercomplexo. e-Tec BrasilAula 6 - Ambiente organizacional 97 ANÁLISE DO AMBIENTE ORGANIZACIONAL (INTERNO E EXTERNO) AMBIENTE ORGANIZACIONAL É o conjunto de todos os fatores, tanto internos como externos, que podem influenciar o progresso obtido por meio da realização dos objetivos. Certo e Peter (2005) ANÁLISE DO AMBIENTE É o processo de monitoramento do ambiente organizacional para identificar as oportunidades e os riscos atuais e futuros que podem vir a influenciar a capacidade das empresas de atingir suas metas. Certo e Peter (2005) Análise do Ambiente Análise do Ambiente Interno O ambiente interno é composto pelos elementos internos da organização, como trabalhadores, administradores, cultura organizacional, tecnologia, estrutura organizacional e instalações físicas. É o esforço sistêmico e metódico de ampliação de conhecimento dos elementos da organização em relação ao sistema em que ela está situada. Análise do Ambiente Externo Construção da percepção do ambiente externo à organização visando a analisar as oportunidades e ameaças para o bom funcionamento da empresa FERRAMENTAS DE ANÁLISE MATRIZ DE SWOT A análise SWOT é uma ferramenta utilizada para verificar a posição estratégica da empresa no seu ambiente de atuação . Strenghts - forças Weakness - fraquezas Opportunities - oportunidades Threats - ameaças � Base para a formulação de estratégias Fluxograma Geral de Análise Exemplo de Análise SWOT AMBIENTE INTERNO Empresa grande. Imagem boa – perfil elevado. Bons Recursos Financeiros PONTOS FORTES PONTOS FRACOS Localização da fábrica. Falta de flexibilidade. Reestrutura recentemente. AMBIENTE EXTERNO OPORTUNIDADES AMEAÇAS Novos mercados potenciais Novos produtos potenciais Queda de barreiras comerciais internacionais Nova concorrência Crescimento lento do mercado Novas regulamentações Exemplo de Análise SWOT ASPECTOS POSITIVOS Empresa grande. Imagem boa – perfil elevado. Bons Recursos Financeiros PONTOS FORTES OPORTUNIDADES Localização da fábrica. Falta de flexibilidade. Reestrutura recentemente. AMBIENTE EXTERNO PONTOS FRACOS AMEAÇAS Novos mercados potenciais Novos produtos potenciais Queda de barreiras comerciais internacionais Nova concorrência Crescimento lento do mercado Novas regulamentações TAMANHO DAS ORGANIZAÇÕES X RELEVÂNCIA DOS NÍVEIS AMBIENTAIS AMBIENTE EXTERNO AMEAÇAS OPORTUNIDADES AMBIENTE EXTERNO (Geral e Operacional) AMBIENTE GERAL Econômico: indica como os recursos são distribuídos e usados no ambiente. � Ex. PIB, inflação, juros, tributos, etc. Social: características da sociedade na qual se situa a organização. � Ex. níveis educacionais, estilo de vida, distribuição geográfica, costumes, crenças, etc. AMBIENTE GERAL Político: elementos relacionados as decisões governamentais. � Ex. tipo de governo, progressos na aprovação de leis, etc. Legal: legislação Aprovada. � Ex. Lei de Proteção do Consumidor, Lei de Defesa da Concorrência, Lei do Meio Ambiente, etc. AMBIENTE GERAL Tecnológico: novas abordagens para produção de mercadorias e serviços. � Ex. novos equipamentos (robôs) que aumentam a produtividade e reduzem custos ao logo do tempo, etc. AMBIENTE OPERACIONAL Cliente: características e comportamento daqueles que compram produtos e serviços da organização. Renda, localização, requisitos de compra, etc. Mão-de-obra:disponibilidade de mão de obra para realizar a tarefa. � Observa-se o nível de conhecimento, faixa desejada de salário, etc. AMBIENTE OPERACIONAL Fornecedor: importância da qualidade dos materiais oferecidos, a credibilidade na entrega e as formas de pagamento. Internacional: estabilidade econômica, disputas políticas e revoluções, política de câmbio, etc. que influenciam até mesmo as empresas que não exportam ou importam. � AMBIENTE OPERACIONAL Concorrência: a análise da concorrência ajuda a organização a avaliar a capacidade dos concorrentes existentes e potenciais. � Pontos a serem analisados: localização, qualidade dos serviços prestados, preço, horário de funcionamento, etc. Oportunidades são situações externas, atuais ou futuras que, se adequadamente aproveitadas pela empresa, podem influenciá-las positivamente. Ameaças são situações externas, atuais ou futuras que, se não eliminadas, minimizadas ou evitadas pela empresa, podem afeta-la negativamente. AMBIENTE EXTERNO (Geral e Operacional) Diagnóstico das ameaças e oportunidades Análise Externa – SWOT Exemplos Oportunidades (externas) - Mudanças demográficas, políticas, sociais e econômicas. - Mudanças na legislação. - Novas tecnologias. - Abertura de mercados estrangeiros: Mercosul, Alca. - Concorrentes com dificuldades. - Produtos substitutos. - Parcerias com distribuidores e fornecedores. Ameaças (externas) - Alteração nos gastos e hábitos dos clientes. - Novas tecnologias. - Mudanças demográficas, políticas, sociais, econômicas. - Declínio do produto, ciclo de vida. - Globalização dos mercados com novos concorrentes. - Produtos substitutos. - Novas parcerias entre concorrentes. Análise SWOT Fatores Internos Fatores Externos Pontos Fortes USE-OS Pontos Fracos ELIMINE-OS Oportunidades APROVEITE-AS Ameaças EVITE-AS MODELO DE ANÁLISE DA INDÚSTRIA - PORTER O modelo objetiva conhecer as forças competitivas que determinam as diferenças de desempenho das organizações Ele auxilia o gestor a elaborar estratégias eficazes para concorrer em ambientes de negócio com maior ou menor grau de competição. As 5(Cinco) Forças de Porter AMEAÇA DE NOVOS ENTRANTES Esta força refere-se ao grau de competitividade do mercado ou até que ponto as empresas são capazes de entrar no mesmo e concorrer por clientes. Para Porter, os novos entrantes em um setor trazem novas capacidades, o desejo de ganhar participações no mercado e, em geral, recursos substanciais. Por outro lado, existem duas expectativas dos entrantes em relação às barreiras: a existência já consolidada de barreiras de entrada e a ameaça de reação dos competidores já estabelecidos (PORTER, 1986). AMEAÇA DE SERVIÇOS SUBSTITUTOS Porter (1999) afirma que por imporem um teto aos preços, os serviços substitutos limitam o potencial de um setor, a menos que este consiga melhorar a qualidade do produto ou, de alguma forma (através de marketing) estabelecer uma diferenciação – assim sofrerá as consequências nos lucros e, possivelmente, no crescimento. Ameaças de serviços substitutos são a principal variável que define preço no mercado e ativa a oncorrência. No entanto, a qualidade dos produtos ou serviços será a estratégia que determinará a opção final do consumidor. PODER DE NEGOCIAÇÃO DOS FORNECEDORES O poder de negociação dos fornecedores é capaz de exercer ameaça ao desempenho das empresas de uma indústria através da elevação dos preços ou da redução da qualidade dos bens e serviços. Assim, os fornecedores poderosos dispõem de condições para espremer a rentabilidade de um setor que não consiga compensar os aumentos de custos nos próprios preços. PODER DE NEGOCIAÇÃO DOS CONSUMIDORES Os clientes também são capazes de forçar a baixa dos preços, de exigir melhor qualidade ou de cobrar mais prestação de serviços, jogando os concorrentes(fornecedores) uns contra os outros – em detrimento dos lucros do setor. Segundo Porter (1999) um grupo de comprador é poderoso se: • os compradores forem mais concentrados ou comprarem em grandes volumes; • os produtos adquiridos no setor forem padronizados ou não diferenciados; • a certeza de que sempre disporão de fornecedores alternativos, os compradores jogam um fornecedor contra o outro; • os produtos adquiridos no setor forem componentes dos produtos dos compradores e representarem parcelas significativas de seus custos; • seus lucros forem baixos, criando um forte incentivo para a redução dos custos de suas compras; • os produtos do setor não forem importantes para a qualidade dos produtos ou serviços dos compradores; • o produto do setor não economiza o dinheiro do comprador; e, • os compradores representarem uma ameaça concreta de integração para trás, incorporando o produto do setor. RIVALIDADE ENTRE AS EMPRESAS EXISTENTES Os movimentos competitivos de uma empresa dentro de seu setor têm efeitos significativos em seus concorrentes, que podem, portanto, desencadear esforços para conter esses movimentos ou ações de retaliação. Quando o setor é concentrado, dominado por um reduzido número de empresas, estas podem impor a sua disciplina ou desempenhar um papel coordenador no setor. Quanto maior for a rivalidade maior será a possibilidade de ocorrência de guerras de preços, disputas publicitárias, investimentos em qualidade etc. Desenvolvendo cenários Cenários são configurações de um sistema ou situação que se deseja conhecer, sempre vinculado a um período de tempo. Schwartz (1991) São desenvolvidos com base nos estudos de tendências. Exemplo Tendência: - Em 2020 o número de brasileiros acima de 60 anos poderá ser maior que o de brasileiros com menos de 15 anos. Análise: - Qual o impacto na sua empresa? - A tendência de queda de natalidade afetará que setores? - Com a população mais idosa que setores serão beneficiados? - Algum ramo específico/empresa que será atingido é seu cliente? Elaborar cenários é construir elos coerentes de hipóteses. O objetivo é se preparar para as mudanças em um dado período de tempo Três cenários: Otimista Intermediário Pessimista Desenvolvendo cenários Para Que Servem os Cenários • Unificar as visões de futuro dos decisores, tornando explícitas e comuns as premissas em que se baseiam suas decisões; • Configurar evoluções prováveis do mercado (demanda) e do ambiente competitivo da instituição; e • Antecipar oportunidades e ameaças para a Organização. CONSTRUÇÃO DOS CENÁRIOS • A base para a construção de cenários é a análise SWOT • O cenário é uma previsão do futuro baseada em fatos e dados (não é chute) • As ações propostas no cenário e derivadas das estratégias devem ser factíveis de serem implementadas (não vale sonhar) Esquemas para Formulação de Cenários Esquemas para Formulação de Cenários No estudo de cenários não se busca acertar o que vai acontecer no futuro, mas sim entender qual é o caminho que está se tomando. Saber quais são as tendências e acompanhá-la de perto é um requisito essencial para as organizações que querem crescer no mercado. Desenvolvendo cenários Exemplos de Questões – 5 anos Relações capital/trabalho Quais são as tendências relativas ás formas de participação do trabalhador na gestão e nos destinos das organizações no país? Quais serão as expectativas do trabalhador com relação à remuneração? Quais serão as novas demandas relativas a desenvolvimento organizacional/treinamento? E as que dizem respeito ao relacionamento empregador-empregado. Quais são as principais competências requeridas do trabalhador do século XXI? Exemplos de Questões – 5 anos Economia Quais são as tendências relativas a expansão do PIB e ao crescimento da economia (inflação? recessão?) no próximos anos? Quais são as tendências com relação à política de crédito e de juros? Quais são as tendências com relação à taxa de câmbio, exportação e importação e quanto isso poderá afetar as organizações e os consumidores? Quais são as tendências com relação a taxa de desemprego? Exemplos de Questões – 5 anos Consumidores, mercados e produtos Qual será o ambiente competitivo que as organizações irão encontrar? Quais serão os modelos de negócios apropriados nesse novo ambiente competitivo? Quais serão as expectativas e comportamentos dos consumidores em relação aos produtos/serviços e quanto isso afetará os negócios em geral? Quais serão as tendências dominantes me termos de desenvolvimento de novos produtos e serviços? Exemplos de Questões – 5 anos Sociedade e política Quais serão as tendências relativas à intervenção do Estado na economia e quanto isso afetará as organizações no Brasil? O que o futuro indica com relação à privatização no país? Quais serão as tendências relativas à proteção do meio ambiente? Quais serão as expectativas da sociedade e do governo sobre a atuação das organizações? Exemplos de Questões – 5 anos Tecnologia Como as mudanças que estão ocorrendo no campo da tecnologia da informação deverão impactar os modelos de negócios? Como os relacionamentos com os consumidores e fornecedores deverão ser impactados pelos avanços da tecnologia? Que transformações ocorrerão na organização dos processos de trabalho? e-Tec Brasil Aula 7 – Processo administrativo – planejamento e organização Objetivos Entender conceitos de planejamento e organização. Compreender os processos de cada um destes elementos. 7.1 Planejamento O planejamento compreende um processo consciente e sistemático de tomada de decisões relativas a objetivos e atividades que uma pessoa, um grupo, uma unidade ou uma organização buscarão no futuro. Convém salientar que o planejamento não constitui uma resposta informal ou casual a uma crise, mas sim corresponde a um esforço que tem um pro- pósito, sendo liderado e controlado por seus administradores com suporte do conhecimento e experiência dos colaboradores. Compreende técnica administrativa que procura ordenar as ideias das pessoas, de forma que se possa criar uma visão do caminho que se deve seguir (estraté- gia). Depois de ordenar as ideias, são ordenadas as ações (implementação) de modo que a organização “caminhe” na direção pretendida, sem desperdício de esforços. Isso permite inferir que ninguém ganha dinheiro apenas porque é esforçado e faz seu trabalho. Na realidade, é preciso também saber dirigir os esforços para aquilo que traz resultados. Esse processo provê aos indivíduos e unidades de trabalho um mapa claro a ser seguido em suas atividades futuras, ao mesmo tempo em que esse mapa pode levar em consideração circunstâncias únicas e mutantes. É o processo administrativo que tem como objetivo proporcionar a sustentação mercadológica da organização através do estabelecimento de uma direção a ser seguida. É um processo de definir objetivos ou resultados a serem alcançados, bem como as atividades e os recursos que permitirão alcançá-los. e-Tec BrasilAula 7 - Processo administrativo – planejamento e organização 99 Dessa forma, observa-se claramente que planejar é tomar, no presente, decisões que afetam o futuro, visando reduzir sua incerteza. O planejamento tem como prioridade a interação otimizada da empresa com o seu ambiente, através de formas inovadoras e diferenciadas, uma vez que considera a organização como um todo. Através do planejamento, a organização consegue estabelecer um fluxo de informações com maior eficiência para os tomadores de decisão. Por oportuno, permite uma interação maior com o ambiente, de modo a tornar a organização proativa e possibilita o comportamento sinérgico das unidades de negócio da organização. Como consequência, a organização pode compensar incertezas e mudanças, enfocar a atenção aos objetivos, operar economicamentee facilitar o controle. Cabe destacar que o planejamento atua como uma locomotiva que puxa o trem de ações de organização, direção e controle. Sem o planejamento, os administradores não têm condições de organizar as pessoas e os recursos, podendo até não ter uma ideia clara sobre o que precisam organizar. Seguindo esse fundamento, o planejamento torna-se relevante à medida que sua falta impede liderança com confiança e impede seguidores que desenvolvam ati- vidades que agregam valor para a organização. Essencialmente, as expressões eficiência, eficácia e efetividade são inerentes ao processo de planejamento, pois é primordial determinar os objetivos “certos”, identificar os meios “certos” para alcançar esses objetivos e, por fim, atender às aspirações dos agentes envolvidos. As técnicas de planejamento não vão indicar um milagre, mas apenas mos- trar como estruturar as ações, para que sejam dirigidas para o resultado. O planejamento não irá indicar como administrar o dia a dia de trabalho, mas ajudará o profissional a organizar suas ideias e a redirecionar suas atividades. Inúmeras são as formas pelas quais o planejamento constitui instrumento administrativo essencial para qualquer organização. Percebe-se claramente que a comercialização e a inovação são áreas básicas para a identificação dos objetivos do planejamento, uma vez que necessitam estar ligados a realizações, visando ao fazer e não às boas intenções. Além disso, somente com uma clara determinação dos objetivos do planeja- mento é que a organização terá condições de alcançar resultados efetivos e Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 100 realísticos. Essa determinação é o fundamento das prioridades, estratégias, planos e atribuições de serviços, compreendendo o ponto de partida para a concepção da estrutura e dos cargos que compõem a organização. De maneira resumida, podem ser descritos como objetivos do planejamento: Ser componente de interação entre organização e ambiente. Atuar como instrumento de sinergia e congruência de esforços, propor- cionando orientação clara e efetiva a todos os envolvidos. Fornecer às pessoas um sentimento específico e adequado de seu papel na organização, bem como responsabilidades, obrigações e direitos. Dar consistência ao processo de tomada de decisão. Estimular o empenho e a realização com base nos resultados predeterminados. Fornecer a base para os processos de controle, avaliação e tomada de ação corretiva. A par dessas considerações, evidencia-se que o planejamento necessita respeitar alguns princípios de modo que os resultados obtidos pela sua implementação sejam aqueles determinados. Os princípios gerais são aqueles que norteiam a totalidade das estratégias e ações desenvolvidas, sendo: O princípio da contribuição aos objetivos, ou seja, o planejamento sempre deve visar aos objetivos máximos da organização. O princípio da precedência do planejamento, implicando que essa atividade deve ser realizada antes das demais. O princípio da maior penetração e abrangência, uma vez que o planeja- mento pode provocar diversas modificações nas características e atividades organizacionais. O princípio da maior eficiência, eficácia e efetividade, pois o planejamento deve maximizar os resultados e minimizar as deficiências. e-Tec BrasilAula 7 - Processo administrativo – planejamento e organização 101 Por sua vez, os princípios específicos remetem à consideração dos segmentos ou partes da atividade organizacional. Esses princípios compreendem: Planejamento participativo, cuja finalidade está em destacar que o resul- tado é importante, mas o desenvolvimento do planejamento é a atividade fundamental. Planejamento coordenado, uma vez que todas as ações, técnicas e pro- cedimentos devem ser projetados para atuar de forma interdependente. Planejamento integrado, que visa manter coesão entre os diferentes níveis da organização. Planejamento permanente: devido à mutabilidade ambiental, o planeja- mento deve ser reconstruído sempre. Quando se refere ao planejamento é fundamental ter visão de que esse acontece em partes que são oriundas dos diferentes níveis das organizações e, como o planejamento é uma função administrativa relevante é necessária sua utilização nos três níveis organizacionais. Sendo assim, existem três tipos de planejamento, conforme aplicado na organização: estratégico, tático e operacional. O planejamento estratégico, relativo ao nível institucional ou estratégico, envolve a tomada de decisões sobre os objetivos e estratégias de longo prazo, ou seja, é o processo de planejamento formalizado e de longo prazo empregado para se definir e atingir os objetivos organizacionais. Compreende também diretriz formulada pela administração de topo para super- visionar interesses e operações compostas por mais de uma linha de negócios. Os planos estratégicos têm uma orientação externa forte e envolvem as partes principais da organização, no qual os altos executivos são responsáveis pelo desenvolvimento e execução do plano estratégico, embora não formulem ou implementem pessoalmente o plano todo. Sendo assim, as principais questões nesse nível são: em que ramos de negócio a organização deve se engajar? Quais são os objetivos e as expectativas para cada negócio? Como devem ser alocados os recursos para alcançar os objetivos? Os objetivos estratégicos constituem os alvos principais ou resultados finais, tendo relação direta com a sobrevivência a longo prazo, com o valor e com Introdução à Administraçãoe-Tec Brasil 102 o crescimento e desenvolvimento organizacional. Ao desenvolver objetivos estratégicos as organizações precisam decidir onde desejam estar em oito áreas: mercado existente; inovação; produtividade; recursos físicos e financeiros; lucratividade; desempenho e desenvolvimento da administração; desempenho e atitudes dos colaboradores; e, responsabilidade pública. Algumas características do planejamento estratégico: É projetado a longo prazo ou, pelo menos, envolve um prazo maior que os outros tipos de planejamento. Está voltado para as relações entre a organização e seu ambiente e, por- tanto, sujeito à incerteza quanto aos eventos ambientais. Devido ao fato de lidar com a incerteza tem suas decisões baseadas prin- cipalmente em julgamento e não em dados. É uma atividade de nível superior ou institucional, no sentido de que a direção tem que ter uma participação ativa nele. Isto ocorre porque, em primeiro lugar, somente a direção tem acesso às informações necessárias para se levar em consideração todos os aspectos da organização e, em segundo lugar, porque o compromisso da direção é necessário para se conseguir o compromisso dos níveis mais baixos. Uma vez que os objetivos e planos estratégicos sejam estabelecidos, tornam-se a base do planejamento empreendido pelos administradores táticos e opera- cionais. Isso permite inferir que os objetivos e planos ficam mais específicos e envolvem períodos de tempo menores à medida que o planejamento caminha do nível estratégico para o operacional. Por sua vez, o planejamento tático, considerado de nível intermediário, traduz os objetivos e planos estratégicos mais amplos em objetivos e planos especí- ficos que são relevantes para uma parte definida de organização, geralmente uma área funcional como marketing ou produção. Ou seja, é o processo de planejamento formalizado e de médio prazo empregado para se definir e atingir os objetivos de cada departamento em separado. Cabe salientar que os planos táticos focalizam as principais ações que uma unidade deve empreender para realizar sua parte do plano estratégico. O planejamento tático ou da unidade de negócio envolve a administração dos e-Tec BrasilAula 7 - Processo administrativo – planejamento e organização 103 interesses e das operações de um negócio específico, lidando com questio- namentos do tipo: a) Como o negócio irá competir