A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
3 pág.
Princípios gerais da função gastrointestinal (Resumo cap 62 - Guyton & Hall)

Pré-visualização | Página 2 de 2

nervoso ou nos gânglios da 
medula espinhal. São estimuladas por irritação da mucosa intestinal, 
distensão excessiva do intestino ou presença de substâncias químicas 
específicas no intestino, causando inibição ou excitação. As fibras 
aferentes transmitem sinais para o bulbo, que desencadeia sinais 
reflexos para o TGI. 
 
Reflexos gastrointestinais 
Três tipos de reflexos são essenciais: 
1- Reflexos completamente integrados na parede intestinal: controlam 
secreção, peristaltismo, contrações de mistura. 
2- Reflexos do intestino para os gânglios simpáticos prévertebrais e 
que voltam para o trato gastrointestinal: transmitem sinais por 
longas distâncias. 
3- Reflexos do intestino para a medula ou para o tronco cerebral e 
que voltam para o trato gastrointestinal. 
 
Controle Hormonal 
Hormônio Estímulo Local secretado Ação 
Gastrina 
Proteína, 
distensão 
nervo, (Ácido 
inibe liberação). 
Células G do 
antro, duodeno e 
jejuno 
Estimula secreção de ácido 
gástrico e crescimento da 
mucosa. 
Colecistoci
nina 
Proteína, 
gordura, ácido 
Células I do 
duodeno, jejuno e 
íleo 
Estimula secreção de enzima 
pancreática e de bicarbonato 
pancreático, contração da 
vesícula biliar e crescimento do 
pâncreas exócrino; Inibe 
esvaziamento gástrico. 
Secretina Ácido, gordura 
Células S do 
duodeno, jejuno e 
íleo 
Estimula secreção de pepsina, 
bicarbonato pancreático e 
bicarbonato biliar, crescimento de 
pâncreas exócrino; Inibe secreção 
de ácido gástrico. 
Peptídeo 
inibidor 
gástrico 
Proteína, 
gordura, 
carboidrato 
Células K do 
duodeno e jejuno 
Estimula liberação de insulina; 
Inibe secreção de ácido gástrico. 
Motilina 
Gordura, ácido, 
nervo 
Células M do 
duodeno e jejuno 
Estimula motilidade gástrica e 
motilidade intestinal. 
 
Tipos de movimento no TGI 
No trato gastrointestinal ocorrem dois tipos de movimentos: 
movimentos propulsivos e movimentos de mistura. 
Movimentos Propulsivos — Peristaltismo 
Um anel contrátil, ao redor do intestino, surge em um ponto e se 
move para adiante; a estimulação em qualquer ponto do intestino 
pode fazer com que um anel contrátil surja na musculatura circular. O 
estímulo usual do peristaltismo intestinal é a distensão do trato 
gastrointestinal, mas também pode acontecer por irritação química 
ou física do revestimento epitelial do intestino e intensos sinais 
nervosos parassimpáticos. 
*O peristaltismo efetivo requer o plexo mioentérico ativo. 
O peristaltismo pode ocorrer em ambas às direções, mas tende a se 
manter em direção ao ânus. Não se conhece a explicação exata, mas 
acredita- se que o próprio plexo mioentérico seja ―polarizado‖ na 
direção anal. O intestino às vezes relaxa vários centímetros adiante, 
na direção do ânus, o que é chamado de ―relaxamento receptivo‖, 
permitindo que o alimento seja impulsionado, mais facilmente, na 
direção anal do que na direção oral. 
Movimentos de mistura 
Contrações constritivas intermitentes locais ocorrem em regiões 
separadas por poucos centímetros da parede intestinal. Essas 
constrições, geralmente, duram apenas de 5 a 30 segundos; então, 
novas constrições ocorrem em outros pontos no intestino, 
―triturando‖ e ―separando‖ os conteúdos aqui e ali. 
 
Fluxo sanguíneo 
Os vasos sanguíneos fazem parte da circulação esplâncnica. Todo o 
sangue que passa pelo intestino, baço e pâncreas flui, imediatamente, 
para o fígado por meio da veia porta. No fígado, o sangue passa por 
Unidade XII 
Waleska Maria - Med IX 
milhões de diminutos sinusoides hepáticos e, finalmente, deixa o 
órgão por meio das veias hepáticas, que desembocam na veia cava da 
circulação geral. Os nutrientes não lipídicos e hidrossolúveis, 
absorvidos no intestino, são transportados pela veia porta para os 
sinusóides hepáticos, onde células hepáticas e reticuloendoteliais 
absorvem parte dos nutrientes. 
 
Artéria celíaca: supre sangue do estômago. 
Artérias mesentéricas superior e inferior: suprem paredes dos 
intestinos delgado e grosso. 
Ileocólica, jejunal, ileal, cólica direita, cólica média. 
 
Depois de refeição, a atividade motora, a atividade secretória e a 
atividade absortiva aumentam; então, o fluxo de sangue aumenta 
bastante, mas depois diminui para os valores de repouso, no período 
seguinte de 2 a 4 horas. 
Esse aumento de fluxo acontece porque existem muitas substâncias 
vasodilatadoras sendo liberadas (colecistocinina, peptídeo vasoativo 
intestinal, gastrina e secretina, calidina e bradicinina). Além disso, a 
redução da concentração de oxigênio na parede intestinal pode 
aumentar o fluxo de sangue intestinal por 50% a 100%. 
Grande parte do oxigênio sanguíneo se difunde das arteríolas, 
diretamente, para as vênulas adjacentes, sem passar pelas 
extremidades dos vilos. Em condições normais, esse desvio do 
oxigênio das arteríolas para as vênulas não é lesivo às vilosidades, 
mas em condições patológicas, o fluxo sanguíneo para o intestino fica 
bastante comprometido e pode causar morte isquêmica na 
vilosidades. 
 
A estimulação simpática tem efeito direto em, essencialmente, todo o 
trato gastrointestinal causando vasoconstrição intensa das 
arteríolas, com grande redução do fluxo sanguíneo. Uma das 
principais utilidades adaptativas da vasoconstrição simpática, no 
intestino, é permitir a interrupção do fluxo sanguíneo gastrointestinal 
e esplâncnico por breves períodos de tempo, durante o exercício 
pesado, quando o coração e os músculos esqueléticos necessitam de 
maior fluxo. 
 
Caso clínico 
 
Ficha do paciente: 
Paciente JMSC, feminino, 27 anos, queixas queimação no peito e na 
―boca‖ do estômago há 1 ano. Já consultou anteriormente e ―deram 
remédio para verme‖ sem melhora significativa. 
Nega antecedentes. Teve duas gestações e conta que piorou este 
problema durante a gravidez. 
Exame físico: bom estado geral, sobrepeso, normotensa, ausculta 
pulmonar e cardíaca normais, abdome flácido e sem visceromegalias. 
 
1. Qual sua hipótese diagnóstica? 
a) Doença do refluxo gasto-esofágico 
b) Úlcera péptica 
c) Gastrite 
 
2. Qual a sua conduta? 
a) Exame de imagem 
b) Exame endoscópio 
c) Tratamento empírico (sem exames) 
d) Tratamento com drogas inibidoras de bomba de prótons (IBP) 
 
Conduta e retorno: A conduta proposta foi: tratamento clínico 
com IBP por 2 meses e orientação alimentar, se possível controle de 
peso/ avaliação nutricional. Retornou 6 meses depois, contou que não 
pode comprar o remédio prescrito, mas o farmacêutico deu 
ranitidina. Teve melhora inicial, porém apresentou recidiva após 4 
meses. O exame físico inalterado em relação ao anterior, exceto por 
ganho ponderal. 
 
3. Qual sua conduta nesta situação? 
a) Solicitar endoscopia 
b) Insistir no tratamento prescrito 
c) Tratamento da obesidade 
d) Mandar retornar com o farmacêutico 
 
4. Por quanto tempo manter a medicação? 
a) 1 mês 
b) 2 meses 
c) 6 meses 
d) Uso contínuo 
 
Respostas: 
1. a. boa hipótese, a presença de sintomas típicos, por duas ou mais vezes 
semanais por dois ou mais meses é suficiente para o diagnóstico desta 
entidade. 
2. d. perfeito, esta paciente pode se beneficiar com o uso de drogas 
antissecretoras (omeprazol, pantoprazol, entre outros). Os IBPs são 
muitos mais potentes e não causam a taquifilaxia. Sobre o endoscópio: 
quando disponível é sempre útil, principalmente para definir a gravidade 
da DRGE. Vários protocolos permitem o tratamento sem investigação 
para indivíduos jovens e sem sinais de alerta 
3. b. é a conduta ideal, provavelmente houve taquifilaxia com uso de 
ranitidina. 
4. b. o consenso brasileiro de DRGE sugere o mínimo de 6 semanas para 
tratamento de DRGE nos casos leves. 
 
 
Fonte: UNA-SUS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade XII