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EDUCAÇÃO CORPORATIVA 1 Apresentação ................................................................................................................................ 6 Aula 1: O surgimento do modelo de educação corporativa no âmbito da especialização flexível ....................................................................................................................................................... 7 Introdução ............................................................................................................................. 7 Conteúdo ................................................................................................................................ 8 O mercado globalizado, a nova realidade do mundo e a educação corporativa . 8 O mercado globalizado, a nova realidade do mundo e a educação corporativa . 8 Desafios atuais .................................................................................................................... 9 Questões emergentes ..................................................................................................... 10 Formação acadêmica e necessidades do mercado de trabalho ............................ 10 Educação do trabalhador ............................................................................................... 12 Universidades corporativas ............................................................................................ 12 O que é universidade corporativa? .............................................................................. 13 Universidade X universidade corporativa ................................................................... 14 Estratégia da organização .............................................................................................. 15 O alvo principal da universidade corporativa ............................................................ 16 Os trabalhadores da era do conhecimento ................................................................ 16 O modelo de educação corporativa ............................................................................ 17 Treinamento x educação corporativa ......................................................................... 18 Comparação entre departamento de treinamento e universidade corporativa . 19 Atividade proposta .......................................................................................................... 20 Referências........................................................................................................................... 21 Exercícios de fixação ......................................................................................................... 21 Chaves de resposta ..................................................................................................................... 25 Aula 1 ..................................................................................................................................... 25 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 25 Aula 2: Implementando o modelo de educação corporativa ..................................................... 29 Introdução ........................................................................................................................... 29 Conteúdo .............................................................................................................................. 30 Considerações iniciais .................................................................................................... 30 A implementação da educação corporativa .............................................................. 30 A crise e o crescimento .................................................................................................. 32 Capital intelectual da organização ............................................................................... 32 Competências estratégicas ............................................................................................ 32 EDUCAÇÃO CORPORATIVA 2 Implantação de uma universidade corporativa ......................................................... 34 Estrutura organizacional de uma universidade corporativa ................................... 36 Aspectos relevantes da implantação de um projeto de educação corporativa .. 37 Instalação de uma universidade corporativa ............................................................. 38 Atividade proposta .......................................................................................................... 40 Referências........................................................................................................................... 41 Exercícios de fixação ......................................................................................................... 41 Chaves de resposta ..................................................................................................................... 45 Aula 2 ..................................................................................................................................... 45 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 45 Aula 3: Universidade corporativa: aprofundando questões preponderantes para um projeto de educação estratégica nas organizações ...................................................................................... 49 Introdução ........................................................................................................................... 49 Conteúdo .............................................................................................................................. 51 A constituição de uma universidade corporativa ..................................................... 51 A criação do projeto da universidade corporativa .................................................... 52 O planejamento educacional da universidade corporativa .................................... 53 Modelo pedagógico da universidade corporativa ..................................................... 54 Competências a serem desenvolvidas pela universidade corporativa ................. 55 Currículos e trilhas de aprendizagem .......................................................................... 56 Avaliação dos empreendimentos em educação corporativa ................................. 58 Avaliação por competências ......................................................................................... 59 Atividade proposta .......................................................................................................... 60 Aprenda Mais ....................................................................................................................... 61 Referências........................................................................................................................... 61 Exercícios de fixação ......................................................................................................... 62 Chaves de resposta ..................................................................................................................... 66 Aula 3 ..................................................................................................................................... 66 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 66 Aula 4: Educação corporativa e gestão do conhecimento no âmbito do aprendizado organizacional ............................................................................................................................. 69 Introdução ...........................................................................................................................69 Conteúdo .............................................................................................................................. 70 Aprendizado organizacional, educação corporativa e gestão do conhecimento ............................................................................................................................................. 70 O novo modelo de aprendizagem das universidades corporativas ...................... 71 Inteligência individual e inteligência organizacional ............................................... 72 EDUCAÇÃO CORPORATIVA 3 Conhecimento explícito e conhecimento tácito ...................................................... 73 Diferenças entre a educação formal e a educação corporativa ............................. 74 Ensino formal X educação corporativa ....................................................................... 77 Práticas de educação corporativa e gestão do conhecimento .............................. 78 Universidade corporativa X unidade de gestão do conhecimento ....................... 79 Conhecimento organizacional X desenvolvimento do capital intelectual .......... 81 Atividade proposta .......................................................................................................... 83 Referências........................................................................................................................... 84 Exercícios de fixação ......................................................................................................... 85 Chaves de resposta ..................................................................................................................... 88 Aula 4 ..................................................................................................................................... 88 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 88 Aula 5: Educação corporativa e formação dos trabalhadores no âmbito da polivalência, politécnica e a tese das polarizações .......................................................................................... 92 Introdução ........................................................................................................................... 92 Conteúdo .............................................................................................................................. 93 Do trabalhador polivalente ao politécnico ................................................................. 93 Síntese dos efeitos da globalização para os trabalhadores ..................................... 93 Reavaliação das posições e possibilidades das organizações ................................ 94 Adaptação profissional ................................................................................................... 94 Diferentes sistemas produtivos – a industrialização ................................................ 95 Atualidade industrial ....................................................................................................... 96 A era dos profissionais multiqualificados .................................................................... 97 O trabalhador politécnico .............................................................................................. 98 Formação dos trabalhadores ......................................................................................... 98 Educação corporativa X quadro de demandas das organizações ......................... 99 Panorama do mundo do trabalho .............................................................................. 100 Papel estratégico das universidades corporativas................................................... 100 Robótica na área da saúde ........................................................................................... 101 Educação corporativa emancipatória ........................................................................ 102 Atividade proposta ........................................................................................................ 102 Referências......................................................................................................................... 103 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 104 Chaves de resposta ................................................................................................................... 107 Aula 5 ................................................................................................................................... 107 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 107 EDUCAÇÃO CORPORATIVA 4 Aula 6: A educação corporativa e a tese das polarizações ....................................................... 110 Introdução ......................................................................................................................... 110 Conteúdo ............................................................................................................................ 111 Polarização das Competências ................................................................................... 111 Toyotismo e Fordismo .................................................................................................. 112 Universidades Corporativas ......................................................................................... 113 O desenvolvimento de competências e a educação corporativa ....................... 115 Diferentes perspectivas sobre o tema competências ............................................. 116 Distintas visões sobre as competências .................................................................... 117 Crítica à pedagogia das competências...................................................................... 118 Conclusão ....................................................................................................................... 119 Atividade proposta ........................................................................................................ 121 Referências......................................................................................................................... 121 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 122 Chaves de resposta ................................................................................................................... 126 Aula 6 ................................................................................................................................... 126 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 126 Aula 7: A educação corporativa e a qualificação do trabalhador do ponto de vista da educação emancipatória ........................................................................................................................... 129 Introdução ......................................................................................................................... 129 Conteúdo ............................................................................................................................ 130 Educação continuada e a qualificação de trabalhadores ...................................... 130 Conceito de qualificação profissional........................................................................ 130 Friedmann X Naville ...................................................................................................... 131 Processo de aprendizagem .........................................................................................132 O Ministério do Trabalho e a qualificação profissional .......................................... 132 Universidades corporativas .......................................................................................... 133 Certificações ................................................................................................................... 134 Entendendo as UCs ....................................................................................................... 134 A interface com a educação emancipatória ............................................................ 135 Pensamento de Marx sobre emancipação ............................................................... 135 Pensamento de Silva sobre emancipação ................................................................ 136 O compromisso da educação emancipada ............................................................. 136 Prática educacional ....................................................................................................... 137 Pedagogia emancipatória ............................................................................................ 138 Pedagogia da omissão .................................................................................................. 139 EDUCAÇÃO CORPORATIVA 5 Humanizar a empresa ................................................................................................... 139 Atividade proposta ........................................................................................................ 140 Referências......................................................................................................................... 140 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 141 Chaves de resposta ................................................................................................................... 144 Aula 7 ................................................................................................................................... 144 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 144 Aula 8: Politecnia, o trabalho como princípio educativo, itinerários formativos, a implementação do currículo integrado de forma coletiva e a formação onimilateral: uma síntese para uma proposta de formação integral comprometida com os interesses dos trabalhadores ............................................................................................................................ 147 Introdução ......................................................................................................................... 147 Conteúdo ............................................................................................................................ 148 Formação profissional integral do trabalhador ........................................................ 148 Conceito de profissão ................................................................................................... 148 Como se forma um profissional ................................................................................. 149 Diferentes visões sobre a formação profissional integral ...................................... 150 Princípios de uma proposta de formação profissional integral – A politecnia . 151 Princípios de uma proposta de formação profissional integral – O trabalho como princípio educativo ............................................................................................ 152 Princípios de uma proposta de formação profissional integral – Itinerários Formativos ...................................................................................................................... 153 Implementação do currículo integrado de forma coletiva ................................... 155 Formação omnilateral ................................................................................................... 157 Atividade proposta ........................................................................................................ 158 Referências......................................................................................................................... 159 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 160 Chaves de resposta ................................................................................................................... 163 Aula 8 ................................................................................................................................... 163 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 163 Conteudista ............................................................................................................................... 166 EDUCAÇÃO CORPORATIVA 6 No atual cenário da sociedade do conhecimento, as organizações buscam enfrentar a perenidade da informação e a demanda por empresas mais produtivas e competitivas. É nesse cenário que discutimos o nascimento e estruturação das universidades corporativas e a constituição de uma proposta de educação continuada para os trabalhadores. Objetivos: Sendo assim, essa disciplina tem como objetivos: 1. Apresentar o histórico da educação e universidades corporativas; 2. Mostrar as distintas bases teóricas que alicerçam uma universidade corporativa; 3. Indicar as metodologias usadas para o desenvolvimento de uma universidade corporativa; 4. Apresentar as aproximações e distanciamentos entre educação corporativa e gestão do conhecimento; 5. Analisar as bases para a constituição de uma proposta de educação continuada alicerçada no interesse dos trabalhadores. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 7 Introdução Estamos iniciando nossa primeira aula sobre educação corporativa. Vamos conhecer mais sobre a origem dessa modalidade de aprendizagem que as empresas estão cada vez mais adotando em seus projetos de desenvolvimento de pessoas e de gestão do conhecimento. Esperamos que realize as leituras indicadas e possa explorar os textos e navegar na Internet em busca de mais leituras e novas informações que poderão ajudar em sua aprendizagem. Objetivo: 1. Apresentar o atual cenário do mercado globalizado e a necessidade de adaptação das empresas e trabalhadores à nova realidade do mundo competitivo, proporcionando os fundamentos da educação corporativa e sua contextualização nas universidades corporativas; 2. Mostrar as diferenças entre treinamento e desenvolvimento (T&D) e educação corporativa (EC) e departamento de treinamento e desenvolvimento e universidade corporativa (UC). EDUCAÇÃO CORPORATIVA 8 Conteúdo O mercado globalizado, a nova realidade do mundo e a educação corporativa Estamos aprendendo a aprender em meio ao século XXI. Cada vez mais se torna necessário acompanhar as mudanças que o mundo tem enfrentado nos últimos anos e, principalmente, a partir do advento das tecnologias de informação e comunicação que tornaram a informação perene, efêmera e com a qual temos que lidar a cada segundo (RICARDO, 2012). O mundo transitou dos eventos locais para os acontecimentos em âmbito planetário, sua complexidade tem transmutado a economia, a política, a cultura e os diversos segmentos e representações da sociedade. Como salientam Morin e Viveret (2011, p. 14) “o desafio da globalidade é a complexidade”. Precisamos nos atualizar permanentemente e acompanhar as mutações que cotidianamente nos colocam em xeque com a validade de conteúdos, práticas e crenças, seja no espaço escolar ou até mesmo no próprio ambiente profissional. Há uma necessidadeemergencial tanto de empresas como de profissionais imposta pela economia planetária de enfrentamento dos gaps de formação e capacitação para o mundo competitivo. O mercado globalizado, a nova realidade do mundo e a educação corporativa Estamos aprendendo a aprender em meio ao século XXI. Cada vez mais se torna necessário acompanhar as mudanças que o mundo tem enfrentado nos últimos anos e, principalmente, a partir do advento das tecnologias de informação e comunicação que tornaram a informação perene, efêmera e com a qual temos que lidar a cada segundo (RICARDO, 2012). EDUCAÇÃO CORPORATIVA 9 O mundo transitou dos eventos locais para os acontecimentos em âmbito planetário, sua complexidade tem transmutado a economia, a política, a cultura e os diversos segmentos e representações da sociedade. Como salientam Morin e Viveret (2011, p. 14) “o desafio da globalidade é a complexidade”. Precisamos nos atualizar permanentemente e acompanhar as mutações que cotidianamente nos colocam em xeque com a validade de conteúdos, práticas e crenças, seja no espaço escolar ou até mesmo no próprio ambiente profissional. Há uma necessidade emergencial tanto de empresas como de profissionais imposta pela economia planetária de enfrentamento dos gaps de formação e capacitação para o mundo competitivo. Desafios atuais Como vimos anteriormente, as empresas também precisam se adaptar à nova realidade do mundo competitivo. As organizações acabam se confrontando também com outros desafios que também as circundam e que servem de provocação para que novas medidas sejam tomadas em busca de resolução de problemas, inclusive, adotando a educação corporativa como uma estratégia. Vejamos a seguir o que Ana Paula Mundim (2002) aponta como os desafios atuais das organizações. As empresas estão enfrentando muitas mudanças na maneira como elas fazem negócio. Saiba quais são elas: 1 - Diminuição do orçamento de treinamento. 2 - Redução da complexidade organizacional. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 10 3 - Aumento na competição. 4 - Aceleração na inovação. 5 - Variações constantes nas demandas dos clientes. 6 - Necessidades de desenvolver novas capacidades mais velozmente. 7 - Aumento na mobilidade dos colaboradores. 8 - Guerra por talentos. Questões emergentes Como você pôde notar, as empresas precisam pensar em como lidar com questões emergentes, tais como a necessidade de inovar, o aumento da competitividade e de mobilidade dos colaboradores, bem como uma demanda maior de soluções advindas dos clientes e até mesmo de novas capacidades dos trabalhadores e a disputa entre as empresas por talentos que acabam por compor o seu capital intelectual. Para Mundim (2002), os desafios também abrangem: aceleração da taxa de mudança, transformação da economia industrial para a economia do conhecimento, diminuição dos custos de comunicação e transação e competição global sem precedentes. Formação acadêmica e necessidades do mercado de trabalho E você? Como tem cuidado do seu processo educacional? Você deve ter percebido que nos últimos tempos é preciso aprender mais e em um espaço de tempo menor, não é mesmo? A organização em que você trabalha tem buscado enfrentar as transformações atuais do mundo globalizado investindo em educação? EDUCAÇÃO CORPORATIVA 11 No Brasil, a partir dos anos 2000, tivemos um momento singular de surgimento e de crescimento de investimentos na educação de trabalhadores nas empresas. Além dos fatores que atingem o mercado de uma forma geral, enfrentamos o que denominamos “apagão de mão de obra”. Consideramos esse um dos fenômenos que contribuíram para que as empresas situadas no Brasil fizessem investimentos no desenvolvimento de programas educacionais para o desenvolvimento estratégico de seus colaboradores (RICARDO, 2011). O apagão de mão de obra é um dos reflexos do descompasso entre a formação acadêmica e as necessidades do mercado de trabalho. Enquanto há profissões cujas ofertas são maiores que as demandas das organizações, as formações eminentemente essenciais para a área industrial e de serviços desaceleraram. Um dos segmentos profissionais em que o apagão é mais percebido é o de formação de engenheiros, por exemplo. Segundo Menezes Filho (2014), outro fator que podemos considerar como um dos indicadores do apagão de mão de obra qualificada no Brasil é o baixo índice de população com nível superior completo, uma vez que apenas 10% tem ensino superior. Enquanto isso, nos EUA e Coréia em torno de 40% da população possuem nível superior. Os dados apresentados pelo estudioso retratam o cenário do estudo comparativo realizado dentro do período entre os anos de 2000 até 2010. Confira os dados no gráfico abaixo: Brasil Coréia EUA EDUCAÇÃO CORPORATIVA 12 Educação do trabalhador A educação tão necessária para o desenvolvimento profissional tem transitado da sala de aula tradicional para o ambiente empresarial. Hoje, uma empresa longe da realidade da aprendizagem contínua no ambiente do trabalho está em desvantagem competitiva. Para Bonilauri e Ricardo (2007), a necessidade de inovar, a capacitação de profissionais qualificados e a competividade são elementos que reforçam a tendência dos investimentos em programas destinados à aprendizagem no chão de fábrica. No século XXI a educação do trabalhador se tornou estratégica para que as empresas pudessem se manter competitivas. A verdade é que precisamos que as instituições de ensino formal que cuidam da formação inicial do trabalhador reforcem as competências estratégicas essenciais ao mercado de trabalho e habilite o profissional para o seu campo de atuação. Segundo Mundim (2002), a relação entre mercado de trabalho e empresa deve ser uma relação de intercomplementariedade. Um dos pontos importantes dessa interação é a manutenção dos postos de trabalho, nesse sentido, o estágio como campo de preparação para a ocupação de espaço no setor produtivo é um dos encaminhamentos proativos para o exercício profissional. Universidades corporativas Agora, que você já tem uma noção inicial da importância que a educação tem para o trabalhador no mercado de trabalho e que tanto a educação formal EDUCAÇÃO CORPORATIVA 13 quanto as empresas são fundamentais nesse processo, podemos avançar sobre o modelo de educação desenvolvido dentro das empresas. A educação do trabalhador já é uma tendência internacional que iniciou nos anos 50 nos EUA. Na verdade, um dos setores americanos que sempre investiu em educação, tecnologia e inovação foi o segmento militar. Eles utilizavam abordagens tecnológicas, da qual desfrutamos na atualidade, tal como a Internet, tecnologias e metodologias educacionais que hoje são adotadas na educação a distância. Meister (1999) sinaliza que em 1955 a General Eletric lançou sua universidade corporativa, denominada Crotonville. Mas, é nos anos 80 que eclodiu a febre de universidades corporativas nos EUA. Nessa fase, as organizações começaram a olhar mais seriamente o tema e a relacionar a educação corporativa às metas e resultados estratégicos da empresa. Então agora reflita: Você sabe o que é uma universidade corporativa? E a diferença entre universidade corporativa e uma universidade de cunho acadêmico? O que é universidade corporativa? Para Meister (1999), a universidade corporativa é um processo cujo objetivo é desenvolver ações de aprendizagem permanente e desempenho excepcional dos colaboradores de uma organização com vistas a impulsionar a empresa para um cenário competitivo. A universidade corporativa impulsiona a empresa para um cenário competitivo. A aprendizagem é direcionada para os negócios da instituição. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 14 Uma universidadecorporativa representa uma mudança de paradigma, tanto no que se refere à aprendizagem, como uma evolução dos setores de treinamento para unidades consolidadas de educação no interior das empresas. Ela não se limita a um espaço físico ou ao uso de tecnologias para ações educacionais à distância. Mas, representa um modo de olhar o desenvolvimento de pessoas na/e para a organização, além de ser uma forma de gerir a inteligência organizacional. Com demandas específicas, as empresas precisam investir cada vez mais na educação de seus trabalhadores focando o alinhamento entre as competências estratégicas para o negócio e o desempenho de seus colaboradores. Universidade X universidade corporativa É importante que fique claro que a sala de aula tradicional e o ambiente escolar já não são o único espaço de aprendizagem e tampouco suficiente para enfrentar as mudanças contínuas que a sociedade tem enfrentado. A empresa é hoje um espaço de aprendizagem contextualizado para o trabalhador. A Universidade Corporativa pode apresentar em seus programas formações de cunho acadêmico, por exemplo. No Brasil, atualmente, ainda, as Universidades Corporativas não podem chancelar seus cursos de nível superior. Essas unidades educacionais precisam realizar parcerias com instituições de ensino reconhecidas pelo Ministério da Educação para que seus colaboradores possam participar de tais iniciativas. Mas, afinal, qual é a diferença entre uma Universidade Corporativa e uma Universidade acadêmica, você sabe? Para Wanderley (2003, p. 11) “a universidade é uma instituição social que forma, de maneira sistemática e organizada, os profissionais, técnicos e intelectuais de nível superior que as sociedades necessitam”. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 15 O autor, ainda, salienta as finalidades básicas da universidade, que são: Ensino Pesquisa Extensão A universidade tem como característica a autonomia para realizar suas finalidades. A sua relação com a cultura universal e com as ciências também são aspectos importantes de uma universidade. Também, vale destacar alguns aspectos: Está relacionada à educação formal Autorização para funcionamento por órgão externo Avaliação da aprendizagem Estratégia da organização Em contraposição à formação acadêmica oferecida por uma instituição de ensino oficial, a universidade corporativa está relacionada à estratégia da organização a qual está vinculada, desenvolvendo competências relacionadas ao negócio. Pode oferecer em parceria com uma instituição acadêmica ou escola técnica educação formal para seus colaboradores. Para isso, alguns pontos precisam ser considerados: Avaliação de aprendizagem, reação e retorno de investimento; EDUCAÇÃO CORPORATIVA 16 Autorização da própria empresa para funcionar; Sem parceria pode oferecer apenas educação não formal. Atenção Quadro comparativo elaborado a partir das leituras dos teóricos estudados: O alvo principal da universidade corporativa Como você pôde observar, a universidade corporativa tem metas bem definidas e está direcionada para os negócios da empresa. Possui uma estrutura física, mas suas ações vão além. Ela tem, concretamente, a educação corporativa como seu alvo principal. Meister (2000, p. 21) nos chama atenção: “O número crescente de empresas começou a perceber a necessidade de transferir o foco de seus esforços de treinamento, de eventos únicos em uma sala de aula, cujo objetivo é desenvolver qualificações isoladas, para criação de uma cultura de aprendizagem continua em que os funcionários aprendem uns com os outros e compartilham inovações e melhores práticas com o objetivo de solucionar problemas empresariais reais”. Os trabalhadores da era do conhecimento Atualmente, as empresas precisam investir cada vez mais em educação para a manutenção de seu potencial competitivo. O cotidiano das empresas mudou, o tempo é escasso e as respostas aos desafios do mercado globalizado precisam ser urgentes. Hoje na quinta onda, ou seja, na era do conhecimento, aprender continuamente se tornou essencial para os trabalhadores e as organizações. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 17 Você sabe qual é o perfil atual do trabalhador? Mundim (2002) nos apresenta as principais competências do profissional: 1 - Aprender a aprender. 2 - Comunicar e colaborar. 3 - Pensar criativamente e resolver problemas. 4 - Competência tecnológica. 5 - Competência em negócios globais. 6 - Desenvolver liderança. 7 - Autogerenciamento de carreira. O modelo de educação corporativa O modelo de treinamento tradicional perdeu espaço para a educação corporativa e os setores de treinamento pouco a pouco são transformados em universidades corporativas. Uma das questões tratadas nos programas de educação corporativa é a formação de líderes influenciadores, essa é uma tendência atual e que tem sido comum como uma das metas das universidades corporativas. Mas, afinal, o que mudou de fato no século XXI na preparação de trabalhadores no ambiente empresarial? De fato, o modelo de treinamento já não respondia mais às questões emergenciais e que não estavam mais restritas aos treinamentos pontuais em EDUCAÇÃO CORPORATIVA 18 sala de aula. As ações de treinamento reativas foram e, ainda, estão sendo transformados em processos de educação continuada. O paradigma atual é o da aprendizagem. Vejamos abaixo como Meister (2000) apresenta a mudança de paradigma de treinamento para o de aprendizagem. Treinamento x educação corporativa Como podemos observar no quadro anterior, a mudança de paradigma do treinamento para a aprendizagem trouxe para a realidade da empresa uma necessidade constante de aprendizagem, em que a sala de aula tradicional migra para a aprendizagem a qualquer hora e lugar. A educação corporativa envolve toda a cadeia produtiva e os docentes podem ser colaboradores internos e externos, inclusive, os próprios líderes. A educação continuada e contextualizada atualmente é o alvo das empresas: aprender e aplicar no espaço do trabalho, desenvolver competências essenciais ao negócio e entender o próprio universo empresarial. Enfim, temos um panorama diferenciado para a aprendizagem nas organizações. As ações de educação corporativa, efetivamente operacionalizadas pelas universidades corporativas são diferenciadas dos setores de treinamento. Veja como Mundim (2002) apresenta tais distinções: Diferenças entre treinamento e educação corporativa Como é possível observar, a educação corporativa é uma ação estratégica dentro da estrutura organizacional focada no negócio e na aprendizagem, essencial para o desenvolvimento de competências críticas. Visa ao aumento do desempenho, além estar direcionada para a cadeia produtiva (público interno e externo). Uma das vantagens da educação corporativa é que pode ser realizada a qualquer hora e em qualquer lugar. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 19 Tais diretrizes a diferenciam do paradigma do treinamento e desenvolvimento. O treinamento local, reativo, apenas para necessidades individuais e focadas nas habilidades do trabalhador são características de um modelo que cada vez mais perde força. Que tal você conhecer um pouco mais sobre as diferenças entre os setores de treinamento e as universidades corporativas? Siga em frente! Comparação entre departamento de treinamento e universidade corporativa Meister (2000) aponta diferenças fundamentais entre uma divisão de T&D e uma universidade corporativa. Como podemos notar, as universidades corporativas buscam uma dimensão mais global da organização e se envolvem com o desempenho do trabalhador, a gestão da unidade é vista como um negócio. Há um direcionamento da clientela para um currículo personalizado eenvolve a administração e os funcionários. Seu alcance é maior e tem direcionamento para metas estabelecidas a partir de um olhar estratégico. Enfim, os departamentos de treinamento ainda perduram nas empresas, mas a tendência das organizações é de adotar o modelo de universidades EDUCAÇÃO CORPORATIVA 20 corporativas. Isso implica em mais investimentos e profissionais qualificados para auxiliarem na criação, gestão e manutenção de um ambiente de aprendizagem nas organizações. Atividade proposta Leia o texto disponível no link http://www.educor.desenvolvimento.gov.br/public/arquivo/arq1229 431220.pdf Educação corporativa: uma experiência Natura, de Denise Asnis, uma das principais agentes responsáveis pela implantação da Universidade Corporativa da Natura. Em seguida, responda: a) Quais os objetivos da educação corporativa na Natura? b) Qual o modelo educacional adotado pela Natura? Chave de resposta: a) Gerar oportunidades de aprendizagem que desenvolvam competências para a melhoria do desempenho das pessoas e da empresa; apoiar a formação de lideranças, propiciando uma evolução no processo de sucessão da Natura; criar clima de aprendizagem coletiva por meio da expansão das ações educacionais para terceiros, consultoras e familiares de colaboradores; consolidar a cultura de excelência nos processos, produtos e serviços. Nortear as ações de educação a partir do conceito de desenvolvimento sustentável, que contempla aspectos econômicos, sociais e ambientais; ser um grande agente catalisador na gestão do conhecimento organizacional. b) O modelo educacional montado pela Natura abandona a hierarquia corporativa, em que os “pensadores” estavam no topo da pirâmide e os “fazedores” na base. A empresa valoriza adversidade e a capacidade de contribuição de cada indivíduo. Esse paradigma vê o sucesso como resultado da eficiência de funcionários com conhecimentos culturalmente diversos e prioriza o aprendizado e o compartilhamento do conhecimento. Tanto é que a visão da ECN visa “estimular o desenvolvimento humano, a construção do conhecimento organizacional e as práticas do desenvolvimento sustentável, através da http://www.educor.desenvolvimento.gov.br/public/arquivo/arq1229431220.pdf http://www.educor.desenvolvimento.gov.br/public/arquivo/arq1229431220.pdf EDUCAÇÃO CORPORATIVA 21 educação permanente de toda a comunidade Natura, inspirando o aperfeiçoamento da vida e da sociedade”. O que se pratica na Natura é o pensamento sistêmico em que se deixa de ver as partes para se ver o todo. Esse modelo deixa de considerar as pessoas como reativas e impotentes para reconhecê-las como participantes ativas na formação da realidade organizacional, deixando de reagir ao presente para criar o futuro. O pensamento sistêmico permite ver inter-relacionamentos ao invés de simples fotos instantâneas. Referências BONILAURI, A. R.C.; RICARDO, E. J. Aplicações da educação a distância no setor produtivo. In.: Anuário estatístico de educação aberta e a distância - Instituto Monitor: São Paulo: 2007. MUNDIM, A.P. Educação Corporativa. In.: Curso de extensão educação corporativa: fundamenots e práticas. Rio de Janeiro: EJR World Learining e Unisuam, 2002. 1 CD-ROM. RICARDO, E. J. Educação corporativa e aprendizagem: as práticas pedagógicas na era do conhecimento. Qualitymark: Rio de Janeiro: 2012. WANDERLEY, L. E. W. O que é universidade. Brasiliense: São Paulo, 2003. Exercícios de fixação Questão 1 Marque falso ou verdadeiro de acordo com as leituras realizadas em nossa aula: a) As tecnologias de informação e comunicação transformaram o cenário competitivo mundial e as empresas, precisaram se adaptar a uma nova realidade do mundo globalizado. b) Para enfrentar as dificuldades impostas pelo mundo competitivo as empresas diminuíram seus investimentos em treinamento. c) O investimento em inovação se tornou desnecessário para as empresas no atual contexto global. a) V; V; F b) F; V; F EDUCAÇÃO CORPORATIVA 22 c) V; F; V d) F; F; V Questão 2 Marque falso ou verdadeiro para as sentenças abaixo: a) Há uma necessidade de enfrentamento dos gaps de formação e capacitação para o mundo globalizado. b) Uma das formas que as empresas encontraram para enfrentar as mudanças do mundo globalizado no que tange ao desenvolvimento de seu capital intelectual foi por meio da expansão dos departamentos de treinamento. c) Estamos vivenciando, na atualidade, uma mudança no modelo de produção, ou seja, migramos da economia industrial para a economia do conhecimento. a) V; V; F b) F; V; F c) V; F; V d) F; F; V Questão 3 Marque a resposta correta a partir das sentenças abaixo relacionadas ao apagão de mão de obra: a) O apagão de mão de obra é um dos reflexos do descompasso entre a formação acadêmica e as necessidades do mercado de trabalho. b) O apagão de mão de obra foi uma das causas do avanço das tecnologias de informação e comunicação. c) O apagão de mão de obra é um dos problemas que impede a expansão das universidades corporativas. Questão 4 Complete o texto abaixo com os conceitos corretos: O __________ é um campo de preparação para a ocupação do espaço no setor produtivo. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 23 A relação entre sistema educacional e o mercado de trabalho é de___________________. A universidade corporativa é uma mudança de________________, e um de seus objetivos é desenvolver ações de aprendizagem_________________. a) estágio; intercomplementariedade; paradigma; permanente b) paradigma; estágio; intercomplementariedade; permanente c) paradigma; intercomplementariedade; estágio; permanente Questão 5 Sinalize as características que não correspondem à universidade em contraposição à universidade corporativa: a) A universidade oferece educação formal b) Vinculada à gestão empresarial c) Autonomia d) É uma instituição de ensino oficial Questão 6 Marque a expressão incorreta que identifica uma universidade corporativa: a) A organização de uma universidade corporativa é coesa e centralizada. b) O currículo da universidade corporativa é personalizado por família de cargo. c) A universidade corporativa opera como função administrativa. Questão 7 Complete o texto abaixo com os conceitos corretos: As universidades corporativas possuem como foco a pro atividade, enquanto os departamentos de treinamento já são ____________. Com as tecnologias de informação, a aprendizagem na perspectiva da educação corporativa pode acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar. Enquanto isso, o treinamento está restrito a ___________________. O alcance das atividades das universidades corporativas acontece no nível __________________, enquanto nos departamentos de treinamento acontecem no nível tático. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 24 a) reativos; estratégico; sala de aula b) relativos; sala de aula; estratégico c) estratégico; sala de aula; relativos Questão 8 Marque a opção com as características que identificam o modelo de treinamento e desenvolvimento: a) O objetivo é desenvolver habilidades; o resultado esperado é o aumento de desempenho; atende ao público interno e externo. b) O objetivo é desenvolver habilidades; o foco é no aprendizado individual; ênfase nas necessidades individuais. c) O resultado esperado é o aumento de desempenho; o foco é no aprendizado individual; ênfase nas necessidades individuais. Questão 9 Identifique com T as características que identificam o modelo de treinamento e desenvolvimento e com E as relacionadas à educação corporativa: ( ) Instrutor ( ) Aprendizagem no momento certo ( ) Diretor de treinamento ( ) Aumento das qualificações profissionais ( ) Experiência com várias tecnologias a) T; T; T; E; E b) T; E; E; E; T c) T; E; T; E; T Questão 10 Preencha os parênteses assinalando falsoou verdadeiro para as frases a seguir: a. ( ) A aprendizagem nas empresas que adotam a educação corporativa é disponibilizada sempre que solicitada para acesso a qualquer hora e em qualquer lugar. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 25 b. ( ) Na educação corporativa o colaborador tem a oportunidade de aprender agindo, já no treinamento ele aprende ouvindo. c. ( ) Na educação corporativa a meta é desenvolver o estoque de qualificações do indivíduo. a) V; F; V b) F; V; F c) V; V; F Aula 1 Exercícios de fixação Questão 1 - A Justificativa: a) As empresas, de fato, tiveram que enfrentar os desafios do mundo globalizado a partir das tecnologias de informação e comunicação. Esse processo ainda está ocorrendo nas organizações devido a mutações cada vez mais velozes provocadas pelo universo comunicacional. b) As empresas enfrentaram um primeiro momento em que a crise provocada pela globalização, novas medidas foram necessárias para alavancar a competitividade. Como sempre um dos primeiros setores a sofrer cortes é o de treinamento. Na verdade, as empresas entenderam que era necessário rever as ações de treinamento e otimizar os recursos e realizar ações estratégicas para o desenvolvimento de seu capital intelectual. c) A afirmativa é falsa. As empresas, pelo contrário, cada vez mais estão investindo em inovação e esta é uma tendência nas organizações. Sem inovar não há como se manterem vivas no mercado. Questão 2 - C Justificativa: a) De fato a sentença está certa. As mudanças promovidas na sociedade de uma forma geral e principalmente, nas organizações exigem investimentos significativos na capacitação/formação de mão de obra qualificada para os setores produtivos. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 26 b) A sentença está incorreta. Os departamentos de treinamento estão sofrendo uma retração, estão sendo substituídos por unidades educacionais denominadas universidades corporativas. c) A sentença está correta. Com as mudanças que estão sendo promovidas pela globalização dos mercados e da economia, certamente, hoje o capital mais valioso é o conhecimento. Questão 3 - A Justificativa: O apagão de mão de obra no Brasil é uma realidade que temos enfrentado com certeza há anos. O descompasso entre as demandas das empresas e os currículos desenhados pelas instituições de ensino (técnico e superior) tem provocado um caos. Há vagas de empregos que não são ocupadas por falta de trabalhadores preparados para tais desafios. Questão 4 - A Justificativa: O estágio é uma das formas de adaptação do estudante do ambiente de trabalho e que faz parte de uma das etapas da educação formal. A relação entre universidade/escola e a empresa complementar uma a outra. A formação inicial de trabalhadores que se dá no espaço escolar se articula com as necessidades dos setores produtivos. Uma das questões que precisa ficar clara é que a universidade corporativa representa uma mudança no modelo de desenvolvimento do capital intelectual. Representa sair do padrão do treinamento pontual, local e reativo para processos de educação continuada e permanente, proativos que podem ocorrer de forma flexível, a qualquer hora e em qualquer lugar. Questão 5 - B Justificativa: A universidade tem como uma das suas características a autonomia. Ela é gerida pela sua comunidade que é composta por seus representantes, enquanto a universidade corporativa acompanha o modelo de gestão da empresa, e por isso está subordinada à política institucional. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 27 Questão 6 - C Justificativa: A terceira afirmação está incorreta, pois a universidade corporativa opera como unidade de negócio. Questão 7 - B Justificativa: Como foi possível observar em nossos estudos, as universidades corporativas têm papel fundamental no desenho do diferencial competitivo das organizações. Em função disso o foco é proativo, enquanto os departamentos de treinamento estão direcionados para atuarem apenas a partir de demandas, enfim, são reativos. Uma das questões importantes que precisamos salientar é justamente a diferença na perspectiva que a aprendizagem assume dentro das organizações no século XXI, enquanto a educação corporativa pode acontecer a qualquer hora e em qualquer lugar, as atividades de treinamento ainda são realizadas presencialmente e em salas de aula. Questão 8 - B Justificativa: A educação corporativa se concentra no desempenho do colaborador, enquanto o foco do treinamento está no aumento de habilidades. A educação corporativa atende ao público interno e externo, uma vez que está envolvida com toda a cadeia produtiva relacionada com a organização. Questão 9 - C Justificativa: No departamento de treinamento a figura responsável pelas ações de transmissão da informação é o instrutor. A instrução está relacionada ao processo reativo. A universidade corporativa prepara as soluções de aprendizagem para a oferta de acordo com o seu planejamento estratégico. O responsável pelas atividades do departamento de treinamento é o diretor de treinamento, enquanto na universidade corporativa a gestão ocorre através de um gerente de unidade de negócios. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 28 O treinamento se preocupa com o aumento das qualificações profissionais, enquanto a universidade corporativa se preocupa com a melhoria do desempenho/performance. A universidade corporativa tem experiência com várias tecnologias aplicadas à educação, já o departamento de treinamento conta com o instrutor como referência para a capacitação. Questão 10 - A Justificativa: A resposta certa é treinamento, pois nesse paradigma o foco é apenas desenvolver uma gama de habilidades, enquanto na educação corporativa a meta é solucionar os problemas empresariais reais e melhorar o desempenho no trabalho. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 29 Introdução Como vimos na nossa primeira aula, as mudanças promovidas pelas tecnologias de informação e comunicação na sociedade propiciaram a globalização de diversos segmentos. Os setores produtivos foram impactados pela transitoriedade da informação, a mundialização da economia e a formação de grandes blocos econômicos, ou seja, foram grandes as transformações por que passaram as organizações, no início do século XXI. Foi dentro desse contexto que a implantação das universidades corporativas avançou nas organizações. Agora, podemos avançar e entender como se dá a constituição de um projeto de educação corporativa em uma organização. Sugerimos que realize continuamente suas leituras, retomando os pontos principais da aula para consolidar a aprendizagem. Estamos acompanhando você e torcendo pelo seu sucesso! Bom estudo! Objetivo: EDUCAÇÃO CORPORATIVA 30 1. Apresentar a importância da implementação de um modelo de educação corporativa nas organizações; 2. Mostrar os aspectos relevantes na implantação da educação corporativa. Conteúdo Considerações iniciais Como vimos na aula 01, as empresas estão migrando seus departamentos de treinamento e desenvolvimento para unidades educacionais denominadas Universidades Corporativas. Os investimentos cada vez mais são crescentes nas organizações para que seus colaboradores possam aprender mais. A implementação da educação corporativa Um projeto de educação corporativa representa, primeiramente, pensar que esse é um projeto que necessita de uma estrutura organizada e sistematizada para operacionalizar suas ações. Nesse sentido, temos que cuidar do desenvolvimento da Universidade Corporativa e efetivação de suas ações. Ao mesmo tempo, temos que nos preocupar com a definição da política educacional dessa Universidade Corporativa e cuidar de seu alinhamento com as estratégias institucionais. Por outro lado, a constituiçãode uma equipe sólida é fundamental para que efetivamente os programas educacionais, as soluções de aprendizagem, as tecnologias educacionais, sistema de avaliação, parcerias, ações em geral e EDUCAÇÃO CORPORATIVA 31 governança sejam viabilizadas em consonância com as diretrizes organizacionais. Outro ponto fundamental para alicerçar as ações educacionais de uma universidade corporativa é o projeto político pedagógico dessa unidade de negócio, ou melhor, de educação. O projeto político pedagógico, ou como também podemos chamar, projeto pedagógico e, inclusive, projeto pedagógico empresarial, é mais que um documento, se refere ao planejamento detalhado onde a visão educacional, objetivos, linhas pedagógicas, e outros detalhes de cunho educacional são definidos, como, por exemplo, a avaliação (RICARDO, 2012). Podemos dizer que, o planejamento das ações educacionais de uma Universidade Corporativa precisa passar por quatro fases: Diagnóstico Planejamento Implantação Acompanhamento No que se refere ao planejamento estratégico, pensamos sobre a logística, governança, sustentabilidade, alinhamento aos negócios da organização, ou seja, visão, missão e valores. Já o projeto pedagógico tem um aspecto filosófico, a definição da estrutura curricular, e ao mesmo tempo a definição das linhas de atuação para a operacionalização das atividades educacionais. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 32 Dentro dessas fases, podemos ainda pensar que temos dois níveis de planejamento, o planejamento estratégico e o planejamento pedagógico. A crise e o crescimento Como já estudamos na aula 1, uma das molas propulsoras para o boom das universidades corporativas, certamente, foi a crise provocada pela globalização, que fundou a era das incertezas. Viveret e Morin (2011) afirmam que as crises agravam as incertezas, favorecem as interrogações, podem estimular a busca por novas soluções ou, até mesmo, ocasionar desdobramentos destrutivos, ou seja, há uma ambivalência quanto às reações e condutas que possam ser adotadas diante de uma conjuntura de tensão. A crise pode ser um momento de crescimento, de avanço ou retrocesso. As organizações estão se reorganizando diante do cenário de competitividade e instabilidade econômica. Capital intelectual da organização Cada vez mais as empresas estão investindo em inovação e também, na alavancagem de seus programas educacionais. Buscam responder aos desafios de um período de instabilidade econômica apostando na produção e gestão do conhecimento organizacional e aprendizagem flexível e especializada. A rede de colaboradores, ou seja, a inteligência da instituição nesse contexto é assumida como o diferencial competitivo frente ao mercado. Os colaboradores de uma empresa são o capital intelectual da organização. Esse é o momento em que o conhecimento é a moeda de valor. Competências estratégicas Veja! Na verdade, a universidade corporativa tem dois desafios: o primeiro, alinhar o desenvolvimento de pessoas à estratégia organizacional e o outro, EDUCAÇÃO CORPORATIVA 33 cuidar para que os processos de aprendizagem venham a auxiliar na produção e compartilhamento do conhecimento organizacional com vistas à vantagem competitiva. É importante salientar que o conhecimento organizacional tem como base a cultura da empresa e seu sistema produtivo. Isso inclui a prática, o fazer de cada trabalhador no chão de fábrica, a expressão de sua individualidade e compartilhamento de suas descobertas, avanços e retrocessos com os demais colaboradores. Portanto, uma universidade corporativa não atua apenas com conteúdos de cunho teórico que devem ser assimilados por seus colaboradores. Um dos seus focos é desenvolver as competências estratégicas que são cruciais para o negócio da empresa. E quando falamos em competências, temos que entender que a prática é um de seus componentes. Quando entramos na questão das competências relacionadas ao negócio da empresa, entendemos que cada projeto de universidade e educação corporativa é singular. Cada instituição tem sua identidade e sua inteligência, portanto, desenhar um projeto de constituição de uma universidade corporativa e suas soluções de aprendizagem significa pensar na realidade organizacional e seu contexto. Não adianta copiar um modelo de universidade corporativa de outra instituição. Conhecer cases de sucesso é saudável, mas é importante pensar que cada realidade é diferente, ainda que surjam problemas muito parecidos. Cada instituição precisa de um olhar personalizado. Há distintas formas delinear um projeto de Educação Corporativa. Mas, todos tem em comum a necessidade de planejar! EDUCAÇÃO CORPORATIVA 34 Implantação de uma universidade corporativa Para Meister (2000), a implantação de uma universidade corporativa engloba dez componentes fundamentais que precisam ser ponderados dentro do contexto empresarial. 01 - Visão/Missão 02 - Fontes de receita 03 - Organização 04 - Partes interessadas 05 - Produtos e serviços 06 - Parceiros de aprendizagem 07 - Tecnologia 08 - Avaliação 09 - Comunicação constante 10 - Controle Cada um dos componentes essenciais para a estruturação de uma universidade corporativa tem uma finalidade. Veja a síntese de cada um deles. Visão/Missão Ajuda a clarear a direção na qual a universidade corporativa precisa caminhar. Fontes de receita EDUCAÇÃO CORPORATIVA 35 Após definir o alcance de suas operações, é necessário que se escolha a origem dos recursos para a sustentabilidade. Organização O público-alvo atendido pela universidade corporativa é amplo, inclui a cadeia de valor, composta por funcionários, fornecedores, clientes e todo o grupo de parceiros. Partes interessadas O critério deve procurar manter a relação entre a aprendizagem do colaborador e a estratégia da empresa. A tendência é centralizar as funções estratégicas da educação do trabalhador. Produtos e serviços Desenvolver o modelo de soluções de aprendizagem de acordo com as qualificações, conhecimentos e competências determinadas. Parceiros de aprendizagem Selecionar os parceiros: fornecedores, consultores e instituições de educação superior. Tecnologia Selecionar as tecnologias para disseminar as ações educacionais, uso da EAD. Avaliação Criar um sistema de avaliação que englobe desde a avaliação de aprendizagem até a avaliação de impacto. Comunicação constante Comunicar a visão. Comunicar informações sobre a universidade corporativa. Controle EDUCAÇÃO CORPORATIVA 36 O ideal é que a estrutura de controle vincule as principais estratégias empresariais ao projeto de desenvolvimento de soluções de aprendizagem. Estrutura organizacional de uma universidade corporativa Então, você conseguiu assimilar os elementos básicos para criar uma universidade corporativa? Como foi possível observar, a universidade corporativa tem estrutura mais complexa que o departamento de treinamento, ou seja, há necessidade de um projeto robusto. Requer o delineamento de um diagnóstico que auxilie na elaboração de sua arquitetura, que envolve desde sua estrutura de funcionamento até a realização de um levantamento dos parceiros ideais. Também necessita de uma análise de como serão financiadas as atividades, a programação de sua expansão e das ações educacionais para a cadeia de valor e o investimento em soluções educacionais. É necessário avaliar estratégias de comunicação para dar visibilidade a universidade corporativa, encontrar fornecedores que auxiliarão no desenvolvimento de soluções e promover parcerias com instituições certificadoras: Universidades, escolas técnicas, escolas de negócios, entre outras. Enfim, o planejamento é necessário e deveser realizado junto aos atores que atuam no nível decisório. Nesse processo, deve-se ter a percepção estratégica sobre a unidade de educação corporativa e o diálogo com os pares que auxiliarão em sua implantação e gestão. Meister (2000) tem a visão da estrutura organizacional de uma universidade corporativa e da sua importância para a estratégia de negócios, bem como de EDUCAÇÃO CORPORATIVA 37 seus desdobramentos no desenvolvimento da força de trabalho para a empresa. E são as bases teóricas do trabalho dessa autora que têm sido adotadas na modelagem de unidades de educação corporativa, nos últimos anos, por empresas brasileiras. Vale a pena realizar uma leitura mais detalhada da principal obra de Meister: Educação corporativa: a gestão do capital intelectual através das universidades corporativas. É interessante salientar que já houve uma evolução nos processos de instalação e gestão de universidades corporativas, inclusive, envolvidas em outros processos, seja como o amadurecimento dos departamentos de T&D para um modelo institucional de educação formal, implicando na criação de figuras jurídicas ou projetando as ações de educação corporativa, interligadas a gestão do conhecimento. É importante endossar que a educação corporativa depende da instalação de um processo contínuo, de um sistema operacional que viabilize sua realização. As universidades corporativas têm uma tarefa árdua: pensar o negócio e traduzi-lo em ações de aprendizagem dentro de uma engrenagem organizacional complexa que depende tanto do desenvolvimento de competências de sua cadeia produtiva, assim como do retorno dos investimentos realizados. Aspectos relevantes da implantação de um projeto de educação corporativa Projetar a universidade corporativa e as ações de educação corporativa requer habilidade para a gestão de projetos. São os detalhes que podem tornar o processo de modelagem sucesso ou fracasso. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 38 Para Sabbag (2010, p. 254), “gerenciar projetos é usar competências, metodologia e instrumentos de gestão, visando atingir objetivos pré-definidos para obter a satisfação dos interessados”. Logo, como você pode observar, a implantação de uma universidade corporativa implica na conscientização de aspectos relevantes para a gestão do projeto. Isso significa considerar a adoção de metodologias e procedimentos, além do conhecimento sobre a realidade da empresa. Para Barcaui (2012, p. 9), “a gerência de projeto requer um claro entendimento de onde a organização está posicionada em termos de sua maturidade e quais os passos que deve seguir para ir adiante”. Para realizar a implantação de uma universidade corporativa é preciso adotar técnicas e procedimentos que possibilitem uma análise da realidade e modelagem da empresa, visando o desenvolvimento dessa unidade de negócios. Instalação de uma universidade corporativa Há distintos olhares sobre como avançar na instalação de uma universidade corporativa. Uma das tendências é preconizada por Sabagg (2010) e se baseia na gestão do conhecimento para avançar no desenho do modelo de educação corporativa. Dentro da perspectiva de Sabagg (idem) é preciso definir alguns itens. Veja quais são eles e conheça seus detalhes. Objetivos Definir os objetivos, metas e indicadores auxilia na definição de onde se quer chegar com o projeto; o desempenho e o controle do alcance ou não da ação. Escopos EDUCAÇÃO CORPORATIVA 39 São planejados progressivamente. Define as ações e articulações à realização do projeto. Seu ponto de partida são os objetivos que foram definidos. Qualidade Definir o mínimo de qualidade que o produto deve apresentar. Esse padrão é definido a partir de metas de qualidade. Para cada especificidade do produto é delimitado um nível ou patamar de qualidade. Custos Estimar os custos necessários à realização do escopo do projeto (estimativa + margem). Recursos Humanos Definir a alocação de pessoas no projeto, delimitar seus papéis e tempo de dedicação ao projeto. Tempos Definir o cronograma dentro do escopo do projeto. É preciso estimar a duração das atividades. Comunicação O planejamento é essencial, visto que há distintos interessados nas ações de educação corporativa. É possível também planejar ações de comunicação, especificamente; e, se são aproveitados os veículos de comunicação já existentes, não será necessário investimento em novos veículos de comunicação, cabe destacar. Como foi possível observar, cada detalhe do projeto é relevante. Independente de ser um projeto de implementação de educação corporativa, qualquer iniciativa em que há uma mobilização de pessoas, recursos, tempo e pessoas precisa ser visto com responsabilidade. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 40 Na aula três vamos aprofundar mais sobre as etapas de implantação de um projeto de educação corporativa ou de instalação de uma universidade corporativa. Até a próxima aula! Atividade proposta Vamos expandir mais nossos estudos assistindo a dois vídeos sobre universidades corporativas. O primeiro vídeo é uma entrevista sobre o tema Universidades Corporativas. Após assisti-lo, avance para assistir ao segundo. Jornal BHNews - Universidade Corporativa Fonte: Canal BhNews Este segundo vídeo trata da Universidade do Hambúrguer do McDonald’s. Você deve destacar, à luz de nossa aula, os pontos principais que identificou como importantes em um projeto de educação corporativa. A Universidade do Hambúrguer Fonte: FRANCHISINGEVAREJO Chave de resposta: Primeiro vídeo: Você irá encontrar a definição dos objetivos de uma universidade corporativa. Segundo vídeo: Você consegue encontrar a definição dos objetivos e metas da Universidade do Hambúrguer, a delimitação de seu alcance, o alinhamento de suas metas aos negócios da empresa, recursos humanos e logística. Material complementar EDUCAÇÃO CORPORATIVA 41 Para saber mais sobre gestão de projetos, assista ao vídeo indicado, disponível em nossa galera de vídeo. Referências BARCAUI, A.Project management office: um conceito dinâmico. In.: BARCAUI, A. PMO: escritórios de projetos, programas e portifólio na prática. Brasport: Rio de Janeiro, 2012.p 3-32. SABAGG, P. Y. Gestão de projetos de educação corporativa. In.: EBOLI, M et al.( Org.) Educação Corporativa: fundamentos, evolução e implantação de projetos. Atlas: São Paulo. p. 252-274. VIVERET, P.; MORIN, E. Como viver em tempo de crise? INCM:Lisboa, 2011. Exercícios de fixação Questão 1 Marque falso ou verdadeiro de acordo com as leituras realizadas no tópico 1 de nossa aula: a. O primeiro passo para a realização de um projeto de educação corporativa é o planejamento. b. O modelo de universidade corporativa está totalmente dissociado do planejamento estratégico organizacional. c. O projeto pedagógico é essencial para fundamentar as ações educacionais de uma universidade corporativa. a) V;V;F b) F;V;F c) V;F;V Questão 2 Defina as sentenças abaixo como correto ou incorreto: EDUCAÇÃO CORPORATIVA 42 A dois níveis de planejamento de uma universidade corporativa: o estratégico e o pedagógico. b. O capital intelectual de uma organização se tornou o seu diferencial competitivo. c. Um dos desafios de uma universidade corporativa é cuidar para que os processos de aprendizagem venham a auxiliar na produção e compartilhamento do conhecimento organizacional. a) Correto; Correto; Correto b) Correto; Incorreto; Correto c) Incorreto; Correto; Correto Questão 3 Marque a resposta errada a partir das sentenças abaixo sobre educação corporativa, universidade corporativa e conhecimento organizacional: a) Um dos focos da universidade corporativa é desenvolver as competências estratégicas de seus colaboradores. b) O ideal para estruturarum projeto de educação corporativa é copiar os melhores cases disponíveis de universidades corporativas. c) O conhecimento organizacional tem como fundamentos a cultura da empresa e seu sistema produtivo. Questão 4 Analise as afirmativas abaixo e sinalize a opção com os componentes fundamentais de um projeto de universidade corporativa: a. Comunicação constante b. Organização c. Tecnologia a) Somente a afirmativa “a” b) As afirmativas “b” e “c” c) Todas as afirmativas Questão 5 Complete o texto abaixo com os conceitos corretos. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 43 a. A __________ ajuda a clarear a direção na qual a universidade corporativa precisa caminhar. b. Criar um _________ de avaliação que englobe desde a avaliação de aprendizagem até a avaliação de impacto. c. O público alvo atendido pela universidade corporativa é amplo, inclui a _____________. a) Cadeia de valor; sistema; visão b) Visão; sistema; cadeia de valor c) Visão; problema; cadeia de valor Questão 6 Analise as afirmativas sobre gerenciamento de um projeto de educação corporativa e defina se estão corretas ou incorretas. a. Para gerenciar um projeto de educação corporativa é necessário adotar metodologias e procedimentos. b. É essencial entender primeiramente o posicionamento da organização no mercado. c. A gestão de um projeto de educação corporativa pode ser baseado na gestão do conhecimento. a) Correta; Incorreta; Incorreta b) Correta; Correta; Correta c) Incorreta; Correta; Correta Questão 7 Complete a frase corretamente com os elementos que fazem parte de um modelo de projeto de educação corporativa de acordo com Sabagg (2010): Para a modelagem de um projeto é preciso definir os __________, escopos, ___________, cronogramas, _______________, padrões de ____________, recursos humanos, comunicação, contratação, ________________ e a ___________________. a) Objetivos; custos; prazos; qualidade; riscos; gestão do conhecimento b) Riscos; prazos; qualidade; objetivos; custos; gestão do conhecimento EDUCAÇÃO CORPORATIVA 44 c) Objetivos; custos; prazos; gestão do conhecimento; riscos; qualidade Questão 8 Analise as frases abaixo e defina quais são os procedimentos corretos que devem constar em um projeto de educação corporativa: a. Definição do escopo do projeto. b. Delimitar o tempo: cronograma. c. Definir os recursos humanos. d. Fixar um sistema de seleção e captação de engenheiros. a) Letras a, b e d b) Todas as afirmativas c) Letras a, b e c Questão 9 Marque F (falso) ou V (verdadeiro) para as sentenças apresentadas: a. Definir o mínimo de qualidade em um projeto de educação corporativa é prematuro antes de finalizar a sua implementação. b. Faz parte do projeto de educação corporativa sempre criar novos padrões de comunicação. c. Em um projeto de educação corporativa é preciso estimar os custos necessários à sua realização. d. Sempre há um único padrão de qualidade em um projeto de educação corporativa. a) F;V;V;F b) V;F;F;V c) F;F;V;F Questão 10 Analise as frases abaixo e defina quais estão corretas: a. A gestão do conhecimento pode auxiliar em um projeto de modelagem de educação corporativa. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 45 b. A gestão do conhecimento é a única metodologia que pode auxiliar em um projeto de modelagem de educação corporativa. Em um projeto de educação corporativa é preciso estimar os custos necessários à sua realização. c. Sobreveio um progresso nos processos de instalação e gestão das universidades corporativas. d. Sobreveio um retrocesso nos processos de instalação e gestão das universidades corporativas. a) Correta; Incorreta; Correta; Incorreta b) Incorreta; Correta; Correta; Incorreta c) Correta; Incorreta; Correta; Correta Aula 2 Exercícios de fixação Questão 1 - C Justificativa: b. A resposta é falsa. O planejamento é fundamental para o desenho de uma universidade corporativa e de suas ações. Ao modelar a universidade corporativa, também é preciso considerar os níveis de planejamento e suas relações, por isso, um dos pontos importantes a ser destacado é o vínculo entre a universidade corporativa e o planejamento estratégico da organização. Essa relação auxilia no estabelecimento das prioridades e norteia a visão e missão da unidade de negócios. Questão 2 - A Justificativa: Todas as respostas estão certas. A validade de uma universidade corporativa em uma organização se justifica pelo seu potencial em desenvolver o capital intelectual da empresa, a possibilidade de compartilhamento do conhecimento, alavancagem da competitividade e produtividade. Para sua implementação é preciso estabelecer os dois níveis de planejamento: o estratégico e o pedagógico. Questão 3 - B EDUCAÇÃO CORPORATIVA 46 Justificativa: Cada empresa possui seu conhecimento organizacional e, portanto, sua identidade. Assim, ao realizar o projeto de educação corporativa é preciso buscar a identidade da corporação. Um dos documentos importantes para constituição do projeto é consultar o planejamento estratégico organizacional. Questão 4 - C Justificativa: Ao pensar em um projeto de educação corporativa é necessário considerar o valor que tem para o sucesso do projeto comunicar à organização a visão da universidade corporativa e selecionar as tecnologias adequadas que serão usadas para disseminar as ações educacionais. É importante destacar a necessidade de alinhar o projeto da universidade corporativa com o planejamento estratégico da organização. Questão 5 - B Justificativa: a. Para avançar com a universidade corporativa é preciso definir a visão, para onde os projetos de educação corporativa serão encaminhados e onde se pretende chegar. b. Na universidade corporativa é preciso criar um sistema integrado de avaliações que abrangem tanto a abordagem qualitativa como quantitativa, englobando a avaliação de aprendizagem, avaliação de reação, avaliação de impacto, avaliação de retorno de investimento e outras modalidades de avaliação que possam demonstrar a eficiência e a eficácia das ações empreendidas. c. As ações educacionais não são restritas apenas aos colaboradores da organização/trabalhadores, ela engloba toda a cadeia produtiva que é composta por colaboradores, fornecedores, clientes e todo o grupo de parceiros. Questão 6 - B Justificativa: Coordenar a modelagem de um projeto de educação corporativa requer uma técnica que seja baseada em metodologias e procedimentos. Uma EDUCAÇÃO CORPORATIVA 47 abordagem para a gestão de um projeto de educação corporativa pode ser baseada na gestão do conhecimento. Além de adotar uma metodologia, também é preciso considerar como um dos pontos de partida do projeto de educação corporativa conhecer a organização, entender seu posicionamento no mercado e onde pretende chegar. Questão 7 - A Justificativa: Como você pode estudar em nossa aula, o modelo sugerido por Sabagg preconiza para a gestão e modelagem de um projeto de educação corporativa que a gestão do conhecimento seja uma metodologia adotada. Dentro dessa perspectiva, inclui elementos que devem ser pensados e incluídos no projeto: definir objetivos, escopos, custos, cronogramas, prazos, custos, padrões de qualidade, recursos humanos, comunicação, contratação, riscos e a gestão do conhecimento. Questão 8 - C Justificativa: As opções A, B e C apresentam os procedimentos para a gestão de um projeto de educação corporativa que Sabagg (2010) aponta. Todavia a opção D está incorreta, pois se trata de um procedimento de seleção de profissionais do setor de recursos humanos da organização. Questão 9 - C Justificativa: a – A sentença é falsa. Em um projeto de educação corporativa é preciso definir o mínimo de qualidade e suas respectivas metas. Portanto, é esperado que se delimite um padrão básico dequalidade desde o início do projeto. b - A sentença é falsa. Faz parte do projeto de educação corporativa aproveitar padrões de comunicação já existentes ou criar novas alternativas. c – A sentença é verdadeira. Os custos necessários sempre precisam ser estimados, saber o quanto será necessário ser mobilizado para a realização do projeto é fundamental, uma vez que impacta na realização do projeto. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 48 d – A sentença é falsa. Os padrões de qualidade são definidos a partir de metas de qualidade e podem atender a cada especificidade delimitada para os produtos gerados. Questão 10 - A Justificativa: b. A sentença “a gestão do conhecimento é a única metodologia que pode auxiliar em um projeto de modelagem de educação corporativa” está incorreta, pois ela não é única metodologia para a gerir um projeto de educação corporativa. É uma opção do gestor do projeto escolher a abordagem que melhor se adequa ao perfil da organização e de seus objetivos. d. A sentença “sobreveio um retrocesso nos processos de instalação e gestão das universidades corporativas” está incorreta, pois houve uma evolução nas iniciativas de implantação das universidades corporativas, hoje há diferentes modelos que podemos acompanhar, que se iniciaram apenas com o uso apenas de tecnologias para educação a distância, e hoje conseguiram realizar a instalação de programas complexos e que usam diferentes abordagens de acordo com as propostas de aprendizagem. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 49 Introdução Na aula anterior, estudamos os componentes essenciais de um modelo de educação corporativa baseado em Meister (2000) e destacamos a importância de planejar para programar uma universidade corporativa, considerando como um dos pontos fundamentais a gestão de projeto. Também vislumbramos como a gestão do conhecimento pode ser um caminho para uma iniciativa educacional corporativa. Agora, vamos aprofundar mais em pontos que consideramos cruciais para a implementação de uma universidade corporativa. Além dos componentes essenciais de um projeto de educação corporativa, é preciso cuidar de aspectos como o diagnóstico e seu impacto para o EDUCAÇÃO CORPORATIVA 50 planejamento da Universidade Corporativa, e, ainda, como desenhar a proposta pedagógica e seu desdobramento para a definição e delimitação das trilhas de conhecimento, bem como do sistema de acompanhamento e avaliação. Como é possível notar em nossos textos didáticos, cada vez mais leituras e tempo de dedicação são necessários para as nossas aulas; estudar cada ponto é essencial, e principalmente, encontrar a aplicabilidade para todo o arcabouço construído em nossas unidades de aprendizagem. Para avançar, sempre busque rever os principais pontos da aula anterior antes de seguir e reler seus objetivos. Estamos aqui para crescer passo a passo com você! Buscamos sempre sanar suas dúvidas e necessidades de aprendizagem. Sucesso e siga em frente! Bom estudo! Objetivo: 1. Proporcionar os subsídios metodológicos preponderantes para um projeto de universidade corporativa; 2. Apresentar a universidade corporativa constituída como um sistema integrado de educação que contempla desde o desenvolvimento de trilhas de aprendizagem ao acompanhamento e avaliação do conhecimento. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 51 Conteúdo A constituição de uma universidade corporativa O primeiro passo na constituição de uma universidade corporativa é a realização de um diagnóstico para uma implementação de sucesso do projeto. Imagine que, em um hospital, ao chegar um paciente ao setor de emergência, mesmo antes de ser atendido pelo médico, ele terá que preencher uma ficha com dados que auxiliarão o médico na sua anamnésia e diagnóstico, ou seja, a idade, onde mora, a profissão, os tipos de medicamentos que usa e os tipos de doenças que possui serão considerados. Depois dessa primeira etapa, o médico atenderá seu paciente aprofundando pontos fundamentais para que ele possa entendê-lo melhor e prescrever o melhor tratamento e medicamentos e, inclusive, os exames que deverão ser realizados. O diagnóstico é importante para entender a realidade de determinado objeto de investigação e conhecer melhor tanto o ambiente como os sujeitos envolvidos. Assim como ocorre com um paciente, deve-se realizar diagnóstico para detectar as necessidades referentes à realização de projetos de qualquer natureza. Inclusive, isso aplica-se para o bom desenvolvimento de um projeto de educação corporativa. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 52 Para Eboli e Moraes (2010), o diagnóstico em um projeto de educação corporativa deve ser aplicado para detectar em primeiro lugar as competências críticas que deverão ser desenvolvidas pela UC. Mas se levarmos em consideração o contexto em que essas competências serão mobilizadas, primeiramente, é preciso conhecer o cenário onde a UC será desenvolvida. A criação do projeto da universidade corporativa O que é preciso saber sobre a empresa para a criação do projeto da UC (contexto – diagnóstico)? 01 - Qual o perfil da empresa? 02 - Qual o negócio da empresa? 03 - Qual o porte da empresa? 04 - Em que cenário (contexto) essa empresa se encontra? 05 - Como a universidade corporativa pode auxiliar na melhoria dos resultados da empresa? 06 - Em que nível hierárquico ela deverá estar inserida? Ligada à presidência da empresa (estratégico) ou à diretoria de RH (operacional)? 07 - Quais serão os objetivos, visão e missão da UC? 08 - Qual o perfil dos colaboradores e gaps de profissionais? EDUCAÇÃO CORPORATIVA 53 Tais levantamentos precisam ser realizados anteriormente à análise de tarefas concretizadas pelos trabalhadores durante o labor (chão de fábrica). Somente entendendo o contexto é possível interpretar os cenários e diagnosticar as competências que são estratégicas ou essenciais para a organização e que de fato irão desenvolver o negócio e impactar nos resultados da organização. O planejamento educacional da universidade corporativa A fim de auxiliar estrategicamente no crescimento e desenvolvimento dos negócios da organização, devemos estruturar a universidade corporativa baseada em dois pilares principais que nortearão as ações educacionais. São eles: O negócio A filosofia educacional Primeiramente, temos que considerar que uma UC não é apenas um conjunto de atividades ou um site no ar para ofertas de cursos a distância. Uma universidade corporativa é um avanço em relação aos setores de treinamento e desenvolvimento, ela é estratégica pelo seu envolvimento com o negócio da empresa e com a missão de desenvolver as competências essenciais ao negócio. Muitas, e não raras, são as ocasiões em que as UCs desenvolvem ações para complementar a formação inicial realizada nas faculdades ou escolas técnicas, devido ao gap entre a formação e as necessidades do mercado de trabalho. O planejamento educacional de uma universidade corporativa é essencial para que suas atividades sejam realizadas de forma madura e para que os objetivos sejam alcançados com os programas educacionais e atividades apresentados no formato de soluções de aprendizagem. Saiba que operacionalmente o planejamento educacional de uma UC é representado pelo Projeto Político- EDUCAÇÃO CORPORATIVA 54 Pedagógico (PPP) ou Projeto Pedagógico-Empresarial (PPE). Veja o que é necessário para construir o PPP ou PPE (VEIGA apud RICARDO, 2012, p. 29): 01 - Conhecer a cultura da organização. 02 - Todos os atores envolvidos na elaboração da proposta devem estar engajados em sua construção. 03 - É preciso definir os objetivos, metas, diretrizes, valores e finalidadesda ação educacional. Também será preciso definir: o modelo de gestão, a filosofia e a política educacional. 04 - Definir a metodologia e os desenhos dos currículos (trilhas); ambos representarão uma síntese do PPP. 05 - Selecionar os modelos de avaliação coerentes com os objetivos, finalidades, metodologias e currículo a fim de possibilitar feedback a todos os participantes do processo educacional em relação à concepção educacional. Modelo pedagógico da universidade corporativa Cada vez mais as universidades corporativas adotam o PPP como documento norteador para suas ações educacionais. Ele também pode ser chamado de Projeto Pedagógico-Organizacional (PPO), cabe destacar. Esperamos que você tenha compreendido a importância de realizar um diagnóstico a fim de conhecer a realidade da instituição e o contexto no qual ela está inserida antes de qualquer ação de implementação de uma universidade corporativa e de suas respectivas ações educacionais. Depois, em uma segunda fase, é preciso desenhar o modelo de universidade corporativa e representar pedagogicamente suas ações, intenções, filosofia, diretrizes, as trilhas de aprendizagem, metodologias, tecnologias, estrutura de EDUCAÇÃO CORPORATIVA 55 gestão e modelos de avaliação, tudo a ser acompanhado no PPP (ou PPE ou PPO) (RICARDO, 2012). Caro aluno, como você pôde ver até o momento, uma universidade corporativa exige uma estrutura educacional alicerçada, precisa ser pensada, vista em todos os pontos cruciais para o seu sucesso, e considerar o PPP é fundamental. O PPP não é apenas um documento, mas uma proposta de ação educacional a ser implementada e posta em ação representando em cada página o entendimento da organização e de todos os seus atores sobre a visão educacional da instituição e as escolhas das tecnologias educacionais. Ele representa até mesmo se é buscada uma linha transdisciplinar para as escolas que serão criadas dentro da UC e se tais escolas seguirão uma linha pedagógica baseada em Paulo Freire ou behaviorismo ou múltiplas inteligências. Precisamos ter em mente que o PPP precisa estar alinhado à estratégia e ao planejamento organizacional global. A UC está a serviço do negócio da organização. Competências a serem desenvolvidas pela universidade corporativa Uma das questões pertinentes ao PPP e que precisa estar clara no momento de sua confecção refere-se às competências que a universidade irá desenvolver em seus colaboradores, as quais reúnem as necessidades da organização e outras pessoais. A pesquisa “As melhores empresas para se trabalhar” realizada por FIA/USP e Revista Exame tem indicado em suas recentes edições (entre 2010 e 2014) que um dos fatores de retenção de talentos nas corporações é o investimento realizado em educação do trabalhador, uma das estratégias de retenção que também desenvolvem as organizações. Acesse e leia na íntegra sobre a EDUCAÇÃO CORPORATIVA 56 pesquisa em: http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/melhores-empresas- para-trabalhar/inscricoes/2014/ Hoje, a UC é estratégica para os desenvolvimentos organizacional e profissional. Mas afinal o que são competências? Há diferentes correntes teóricas que apresentam distintas definições. Um dos estudiosos que aborda a temática é McClelland (MCCLELLAND apud BONILAURI; KARAM, 2009, p. 46), que define competência como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (CHA), um estoque de recursos que o individuo detém. Por outro lado, Le Boterf (LE BOTERF apud BONILAURI; KARAM, 2009, p. 47) afirma que a competência está relacionada ao saber agir responsável, que implica em saber como mobilizar, integrar e transferir conhecimentos, recursos e habilidades num contexto profissional. O que é importante sinalizar é que a definição adotada de competência delimitará o formato das escolas que congregarão as ações educacionais a serem desenvolvidas, os percursos de aprendizagem (trilhas) que os colaboradores deverão cumprir e as soluções de aprendizagem. Currículos e trilhas de aprendizagem A forma mais simples de entender conceitualmente e na prática o que representam as trilhas de aprendizagem (ou itinerário formativo) é estabelecer um contraponto com o conceito de currículo. Veremos algumas definições para os conceitos de currículo e trilhas. Currículo http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/melhores-empresas-para-trabalhar/inscricoes/2014/ http://exame.abril.com.br/revista-voce-sa/melhores-empresas-para-trabalhar/inscricoes/2014/ EDUCAÇÃO CORPORATIVA 57 Trilhas de aprendizagem Para Rule (RULE apud APPLE, 2008, p. 14), há historicamente distintos significados, entre eles: “(...) o currículo como definição de conteúdos da educação, como planos ou propostas, especificação de objetivos (...) programa da escola que contém conteúdos da educação ou propostas, especificação de objetivos (...)“ Conteúdos “(...) As trilhas de aprendizagem consistem em conjuntos integrados e sistemáticos de ações de desenvolvimento que recorrem a múltiplas formas de aprendizagem, visando à aquisição e ao desenvolvimento de competências, conhecimentos, habilidades e atitudes requeridas para o desempenho profissional dos colaboradores (...)”. Fonte: http://www.uc.sebrae.com.br/sites/default/files/joomla/docs/apresentao_trilhas _iqpc.pdf Competências Conforme Freitas (2002), as trilhas são caminhos alternativos e flexíveis para promover o desenvolvimento pessoal e profissional. Então, há na verdade um movimento que coaduna o crescimento profissional e o ambiente organizacional, as competências, necessidades de carreira e expectativas corporativas. Portanto, ao compararmos a noção de um currículo de um curso superior à trilha de aprendizagem em uma empresa, temos duas situações distintas: a primeira é direcionada para a qualificação profissional, centrada em um itinerário baseado em conteúdos e objetivos; enquanto a segunda tem como metas o desenvolvimento de competências/carreira e as demandas organizacionais. Assim sendo, organizar as trilhas de aprendizagem de uma empresa para uma UC parte de um coletivo que envolve consultores, equipes de gestão, colaboradores etc. http://www.uc.sebrae.com.br/sites/default/files/joomla/docs/apresentao_trilhas_iqpc.pdf http://www.uc.sebrae.com.br/sites/default/files/joomla/docs/apresentao_trilhas_iqpc.pdf EDUCAÇÃO CORPORATIVA 58 Enfim, a construção da trilha representa os percursos para o desenvolvimento das competências mapeadas (análise de tarefas), as quais contarão com o auxilio de diversos formatos de soluções de aprendizagem. Esse é um trabalho a ser realizado a médio e longo prazo, até que os primeiros resultados se manifestem na organização e que os próprios colaboradores tenham a percepção das mudanças e do impacto sobre os negócios da organização e o desempenho profissional. Teremos dois níveis de resultados: Tangíveis Intangíveis Avaliação dos empreendimentos em educação corporativa Como medir ou avaliar os empreendimentos em educação corporativa? Uma das avaliações que deve ser realizada é a avaliação por competências, desenvolvida por meio de múltiplas ferramentas. Podemos destacar os seguintes instrumentos: 01 - Testes escritos, simulações práticas e debates. 02 - Projetos, situações-problema e testes orais. 03 - Trabalhos individuais e trabalhos em equipe. 04 - Pesquisa, jogos e relatórios. 05 - Atividades virtuais e seminário. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 59 06 - Observação e estudo de caso, entre outros. Avaliação por competências A avaliação por competências não tem a tarefa de aprovar ou reprovar, mas de indicar a aquisição das competências necessárias aos negócios da organização ou mesmo o apoio a quem necessita de um acompanhamento mais próximo de seuprocesso de aprendizagem ou de reposicionamento na organização. Mas o que a empresa espera como resultado de seus investimentos em educação por meio das universidades corporativas? De acordo com Starec (2009, p. 123), “a avaliação de impacto da formação no aumento da produtividade ou do desempenho individual é uma questão recente no cenário empresarial”. Mensurar o investimento em educação pode ser mais simples, pois se refere aos cálculos dos aportes financeiros para o desenvolvimento dos programas da universidade corporativa. O grande desafio não é calcular o retorno do empreendimento em números, mas o impacto dos processos educacionais nos resultados da empresa. Starec (2009) sugere o modelo dos cinco níveis de avaliação assimilado no universo da universidade corporativa. Vamos aprender agora como podemos avaliar de forma global? O modelo dos cinco níveis de avaliação Nível 5 EDUCAÇÃO CORPORATIVA 60 ROI – qual foi o retorno sobre o investimento? Verificar o retorno financeiro, custos, produtividade. Nível 4 Resultados – o que se conseguiu? Conferir requerimentos, processos e sistemas. Nível 3 Comportamento – houve mudança de comportamento? Checar a performance individual e do grupo. Nível 2 Aprendizado – o que aprendeu? Melhorar a qualidade da informação e habilidades construídas. Nível 1 Reação – a organização está preparada para P&D? Aperfeiçoar o processo de aprendizagem com foco no negócio. Pesquisa de opinião. Na verdade, quando você for implementar a sua universidade corporativa, terá que encontrar a identidade dela, buscar alinhá-la ao negócio da empresa, considerar os fatos de risco, empreender fortemente em educação e aprender como é possível desenvolver competências e alinhar aprendizagem com resultados mensuráveis e tempo imensuráveis. Esse é o seu desafio! Vamos em frente! Atividade proposta Vamos expandir mais nossos estudos assistindo a um vídeo específico sobre ROI e os cinco níveis de avaliação. Você deve destacar, à luz de nossa aula, a importância que o ROI tem para a empresa que investe em ações educacionais. O vídeo para ser analisado sobre ROI é com Eliane Leite – Affero. Chave de resposta: EDUCAÇÃO CORPORATIVA 61 O vídeo traz à tona a importância de realizar a avaliação em cinco níveis. É muito importante ser realizada a avaliação de aprendizagem na UC. O ROI é uma complementação de todo o processo avaliativo, mas é preciso realizar os quatro níveis que o antecedem. Material complementar Para saber mais sobre a escassez de mão de obra qualificada e o papel das universidades corporativas no desenvolvimento de competências, leia o texto disponível em nossa biblioteca virtual e assista ao vídeo indicado, disponível em nossa galera de vídeo. Aprenda Mais Para saber mais sobre a escassez de mão de obra qualificada e o papel das universidades corporativas no desenvolvimento de competências, leia o texto e assista ao vídeo indicados abaixo. href="http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/eu- estudante/ensino_educacaoprofissional/2014/04/14/ensino_educacaoprofission al_interna,422923/mercado-acusa-falha-na-formacao.shtml" Mercado acusa falha na formação; Apagão de mão de obra no Brasil. Referências APPLE, M.W. Ideologia e currículo. Artmed: Porto Alegre, 2006. BONILAURI, A. R. C.; KARAM, M.E. Desenvolvimento de competências: conceitos e aplicações. . In.: MUNDIM, A.P; RICARDO, E.J. (OrgS.). Educação Corporativa: fundamentos e práticas. Qualitymark: Rio de Janeiro,2009. p. 45-61. EBOLI, M.; MORAES, F.C.C. Concepção e modelagem do projeto de educação corporativa. In.:AMORIM,W.A.C. et alli (Orgs.). Educação Corporativa: EDUCAÇÃO CORPORATIVA 62 fundamentos, evolução e implantação de projetos. Atlas: São Paulo, 2010. P. 275-296. FREITAS, I. A. Trilhas de desenvolvimento profissional: da teoria à prática. In: Anais 6. ENANPAD. Salvador: ANPAD, 2002. RICARDO, E.J. Educação Corporativa: as práticas pedagógicas na era do conhecimento. Qualitymark: Rio de Janeiro,2012. STAREC, C. Educação corporativa em xeque: até que ponto treinamento é um bom negócio para as organizações? Senac Rio: Rio de Janeiro, 2011. Exercícios de fixação Questão 1 Marque falso ou verdadeiro de acordo com as leituras realizadas em nossa aula. . O diagnóstico é uma etapa essencial ao projeto de constituição de um projeto de universidade corporativa. . O diagnóstico é um procedimento unicamente usado em espaços de estudos da área das ciências médicas. . O diagnóstico compõe a metodologia de trabalho para análise de cenários. . É essencial o diagnóstico ser realizado antes dos procedimentos de mapeamento de competências. a) V; V; F; V b) F; V; F; V c) V; F; V; V Questão 2 Uma vez que sabemos que o diagnóstico nos permite uma análise de cenário para constituição de uma universidade corporativa, verifique dentre as opções a seguir quais são os elementos importantes a serem levantados em um diagnóstico de uma UC. 1 – levantamento do perfil da empresa. 2 – dimensão da empresa. 3 – impacto da UC para a melhoria de resultados da empresa. 4 – os gaps de profissionais. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 63 a) Todas as opções estão corretas b) As opções 1 e 3 estão corretas c) As opções 1, 2 e 4 estão corretas Questão 3 Marque verdadeiro ou falso para as sentenças abaixo. • Para a estruturação de uma universidade corporativa, uma das questões que precisa ser considerada é a realização do diagnóstico antes do mapeamento de competências. • A análise de tarefa é uma das técnicas usadas para o mapeamento de competências estratégicas nas corporações. • Conhecer a realidade organizacional nem é tão primordial para a construção de uma universidade corporativa. a) V; F; V b) V; V; F c) F; V; F Questão 4 Ao estruturar uma universidade corporativa o que você consideraria pertinente em seu planejamento? 1. Realizar o planejamento educacional da UC. 2. Inserir o projeto político-pedagógico como um elemento essencial no planejamento educacional da UC. 3. Envolver somente algumas lideranças que se destacam na empresa como atores fundamentais para o planejamento da UC. a) Opções 1 e 2 b) Todas as opções c) Opções 1 e 3 Questão 5 EDUCAÇÃO CORPORATIVA 64 Como vimos, o projeto pedagógico tem sua especificidade para uma empresa e pode ser chamado de Projeto Político-Pedagógico (PPP), Projeto Pedagógico- Empresarial (PPE) ou mesmo Projeto Pedagógico-Organizacional (PPO). Independente da nomenclatura, que elementos ou procedimentos devem fazer parte do projeto de questão? 1. Definir a visão educacional que norteará a UC. 2. Especificar as tecnologias educacionais empregadas. 3. Demarcar a linha pedagógica que será adotada. 4. Estabelecer objetivos e metas da UC. 5. Selecionar os modelos de avaliação que serão adotados. a) Opções 1, 2 e 5 b) Opções 2, 3 e 4 c) Todas as opções Questão 6 Assinale a opção incorreta quanto à seguinte afirmação – aquela que não lhe serve de complemento: “Na atualidade as empresas têm buscando transformar o cenário de escassez de mão de obra qualificada com alguns procedimentos que envolvem (...)”. a) A criação de universidades corporativas. b) O investimento no desenvolvimento de pessoas. c) A retenção de talentos. d) O desenvolvimento de competências. e) A criação de programas de demissão voluntária. Questão 7 O conceito de competência tem distintas definições que são apresentadas por teóricos que se dedicam a esse tema; a partir das sentenças abaixo, complete corretamente as definições de acordo com os teóricos estudados em nossa aula. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 65 Para McClelland competência é a conjuntura de ______________, habilidades e _______________ representada pela sigla __________. Já Le Boterf diz quea competência está relacionada ao ______________ responsável. a) Conhecimentos; atitudes; CHA; saber agir b) Estudos; livros; PPP; professor Questão 8 Relacione aos conceitos de currículo e trilha as expressões abaixo usando as letras C para currículo e T para trilha. 1. Está relacionada à definição de conteúdos. 2. Adota soluções de aprendizagem. 3. Pressupõe a especificação de planos. 4. Proporciona o desenvolvimento pessoal e profissional de forma flexível. 5. Permite na educação superior a qualificação profissional. a) C; T; C; T; C b) T; C; C; T; T c) C; T; T; T; C Questão 9 Marque F (falso) ou V (verdadeiro) para as sentenças apresentadas. 1. As trilhas de aprendizagem conduzem aos percursos que encaminham ao desenvolvimento de competências. 2. Um dos modelos de avaliação adotado nas universidades corporativas é a avaliação por competências. 3. A relação entre o desempenho individual, desenvolvimento de competências e os resultados esperados pela organização pode ser conferida por meio da avaliação de impacto. 4. A avaliação de reação é realizada para saber se houve mudança de comportamento no individuo. a) V; F; V; F b) F; V; V; F EDUCAÇÃO CORPORATIVA 66 c) V; V; V; F Questão 10 Enumere os cinco níveis de avaliação propostos por Starec (2009). ( ) Reação; ( ) Aprendizado; ( ) ROI; ( ) Resultados; ( ) Comportamento. a) 2; 4; 1; 5; 3 b) 1; 2; 5; 4; 3 c) 4; 3; 1; 5; 2 Aula 3 Exercícios de fixação Questão 1 - C Justificativa: O procedimento para entrada em campo para a constituição de uma universidade corporativa depende da realização de um estudo de cenário, o qual depende do diagnóstico. Tal técnica faz parte de qualquer metodologia aplicada para estudo de casos, análise de conjunturas; enfim, é uma metodologia de cunho científico que pode ser aplicada no meio corporativo. Questão 2 - A Justificativa: Para realizar um diagnóstico de uma empresa para a constituição de um projeto de educação corporativa que implica na instalação e funcionamento de uma UC é preciso conhecer o perfil da empresa. Em função dessa demanda, é essencial ao desenho do projeto avaliar os gaps de profissionais e competências, as expectativas em relação à UC, o perfil e o porte da empresa, a fim de que o projeto represente os anseios e supra as expectativas em relação ao seu funcionamento. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 67 Questão 3 - B Justificativa: Infelizmente, em algumas situações os projetos de educação corporativa iniciam-se baseados em modelos de outras instituições que já programaram suas UCs. Não há uma fórmula exata, pois cada empresa possui sua realidade, identidade e particularidades. Por essa razão é preciso conhecer a realidade da organização. Questão 4 - A Justificativa: Realizar o planejamento de uma universidade corporativa com o projeto pedagógico e o mapeamento de competências pressupõe o envolvimento de todos os atores que estarão vinculados com a universidade corporativa, desde os líderes aos técnicos e até mesmo uma representação dos trabalhadores que serão beneficiados pelos programas educacionais, o que implicará no desenvolvimento dos colaboradores. Questão 5 - C Justificativa: O que vale é reforçarmos que o projeto político-pedagógico é um documento e uma prática que as universidades corporativas precisam considerar durante o planejamento de uma estrutura e de práticas educacionais no âmbito empresarial. Por meio dele, reflete-se sobre elementos do universo pedagógico que devem estar presentes, elementos esses definidos pelos agentes da ação educacional. Questão 6 - E Justificativa: No atual cenário de escassez de mão de obra, as empresas, ao contrário, estão buscando a reintegração de antigos colaboradores para que eles possam auxiliar no desenvolvimento organizacional. Questão 7 - A Justificativa: Há um diferencial conceitual bastante substantivo entre os dois teóricos; enquanto McClelland tem uma percepção de base comportamentalista, EDUCAÇÃO CORPORATIVA 68 aliada ao aspecto da formação, Le Boterf consegue unir o saber com a prática, saber + fazer. Questão 8 - A Justificativa: Como é possível observar, as trilhas de aprendizagem são construídas para uma aprendizagem mais flexível e alinhada ao desenvolvimento profissional e pessoal, enquanto o currículo tem uma estrutura delimitada por conteúdos prefixados com a finalidade de qualificação profissional na educação superior. Questão 9 - C Justificativa: A sentença 4 é falsa, pois a avaliação de reação é uma pesquisa de opinião aplicada para saber o grau de satisfação dos participantes em relação ao curso, seminário ou qualquer outra ação educacional que tenha sido empreendida. Questão 10 - B Justificativa: O modelo dos cinco níveis de Starec (2011) considera desde a avaliação mais elementar (reação) ao nível mais complexo (ROI). EDUCAÇÃO CORPORATIVA 69 Introdução Iniciamos a aula 04, na qual você será apresentado à Educação Corporativa e à Gestão do Conhecimento, sendo enfocadas as suas similaridades e diferenças no âmbito do aprendizado organizacional. Serão realizadas reflexões sobre as novas abordagens de aprendizagem, a formal e a educação corporativa, e suas respectivas particularidades. Serão indicadas empresas que adotam a Educação Corporativa e as que possuem unidades de Gestão do Conhecimento. Você também terá a oportunidade de estudar as práticas que caracterizam a Educação Corporativa e de Gestão do Conhecimento. Indicamos que realize as leituras sugeridas, uma vez que servem para ilustrar e aprofundar o assunto abordado em nossa aula. Esperamos instigá-lo para investigar na internet leituras complementares que venham a enriquecer seus estudos. Vamos em frente e bem-vindo! Bons estudos! Objetivo: 1. Apresentar a Educação Corporativa e a Gestão do Conhecimento no âmbito do Aprendizado Organizacional e as abordagens da aprendizagem formal e informal na educação corporativa; 2. Indicar as similaridades e diferenças entre as práticas de educação corporativa e gestão do conhecimento. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 70 Conteúdo Aprendizado organizacional, educação corporativa e gestão do conhecimento Você sabe que as organizações buscam criar valor e inovar a todo o momento? Nas últimas décadas, as empresas têm investido no desenvolvimento de seus colaboradores para a geração de novos conhecimentos, objetivando o desenvolvimento pessoal e organizacional. Mitroff apud Franco (2001) demonstra sua preocupação acerca da necessidade de as organizações adquirirem capacidade de coletar, organizar e disseminar informações de modo a incorporarem inovações, pesquisas e desenvolvimento contínuo. Por isso, para Garvin apud Franco (2001) “a organização que aprende é a que dispõe de habilidades para criar, adquirir e transferir conhecimentos, e é capaz de modificar seu comportamento de modo a refletir os novos conhecimentos e ideias”. Como produzir conhecimento e gerar valor nas empresas no cenário atual? O homem passou a ter um papel primordial para as empresas, uma vez que o foco de competitividade está centrado no investimento em preparação da mão de obra. As empresas brasileiras estão gradativamente reconhecendo sua nova função em relação ao desenvolvimento de seus funcionários e da necessidade de sua capacitação estratégica. Bomfim (1995) acredita que há empresas ainda presas a paradigmas alinhados ao mecanicismo, que não apostam na mudança e não entendem que seu maior capital são seus colaboradores, tampouco acreditam que essa possa ser uma nova proposição para as empresas brasileiras. Porém, a era do conhecimento já é uma realidade na sociedade do século XXI, na qual as pessoas têm acesso EDUCAÇÃO CORPORATIVA 71 livre a qualquer hora e a qualquer momento aosdiversos dispositivos comunicacionais e informacionais; estamos na sociedade conectada. As gerações de jovens estudantes e trabalhadores têm acesso a uma diversidade de tecnologias que lhes facilita a conectividade e acesso a informação. É preciso chamar atenção para o fato de que, até os anos 70, o principal objetivo da educação corporativa era manter os empregados atualizados para ficarem a par dos novos acontecimentos; já nos anos 80, os investimentos das corporações eram direcionados para a manutenção de um prédio ou um campus destinado à educação corporativa. Tais realidades retratam uma tendência americana que mais tarde viria a influenciar o Brasil no final dos anos 90 e no inicio de 2000. Empresas mudaram seus polos de treinamento (qualificações isoladas) para um modelo de investimento em uma cultura de aprendizagem contínua, segundo a qual os funcionários aprendem uns com os outros, compartilham novos conhecimentos e podem inovar e solucionar problemas práticos. Nessa nova visão em que a educação corporativa cresce cada vez mais, as aprendizagens formal e informal caminham paralelamente promovendo novas oportunidades de produção e gestão do conhecimento em uma economia que lida com a competitividade e mercados globais. O novo modelo de aprendizagem das universidades corporativas Na verdade, atualmente, as universidades corporativas apresentam um novo modelo de aprendizagem; cada vez mais, esse modelo evolui de modo que o “aprender fazendo” seja uma tônica de suas práticas. Segundo Senge (2004), as organizações que aprendem permitem que seus colaboradores expandam continuamente suas capacidades de criar resultados, e, simultaneamente a isso, novos padrões de pensamento e aspiração coletiva ganham espaço para uma EDUCAÇÃO CORPORATIVA 72 aprendizagem coletiva e compartilhada. Esse não é um modelo fácil de ser implementado. Aprender a pensar e criar juntos, a compartilhar, a entender que toda a empresa é um espaço de aprendizagem e solução de problemas e que o autodesenvolvimento e a aprendizagem coletiva convivem dentro do mesmo espaço. Esse é um desafio para as empresas que deverão cada vez mais abandonar os modelos de T&D e investir em universidades corporativas, que sejam renovadas e baseadas em novos padrões de aprendizagem, cada vez mais inovadores e que saibam lidar com a gestão do conhecimento. Inteligência individual e inteligência organizacional Encontramos diferentes percepções de inteligência na organização, tanto a individual como a organizacional. E a universidade corporativa precisa saber lidar com essas questões, uma vez que pode auxiliar na gestão do conhecimento organizacional. Vamos, então, verificar com mais clareza o que podemos apresentar como inteligência individual e inteligência organizacional? Inteligência individual Definida como a capacidade de uma pessoa processar, interpretar, codificar, manipular e acessar informações de modo a adquirir, reter e aplicar conhecimento de forma rápida e com sucesso para responder aos desafios externos ou resolver problemas de um determinado domínio ou contexto (GLYNN apud CHOO, 2011, p. 39) Inteligência organizacional É a capacidade de uma organização para processar, interpretar, codificar, manipular e acessar informações de maneira proposital e direcionada a metas EDUCAÇÃO CORPORATIVA 73 para que a organização possa aumentar seu potencial de adaptação no ambiente em que opera (CHOO, 2011, p. 39) . Já para Glynn ela é definida como um resultado social que está relacionado à inteligência individual por três mecanismos: agregação, transferência transversal e distribuição (GLYNN apud CHOO, 2011, p. 39-40). Hoje sabemos que o papel da universidade corporativa é contribuir para o desenvolvimento da inteligência organizacional e auxiliar na gestão do conhecimento de maneira tal que seus empreendimentos sejam passíveis de geração de resultados, sejam eles tangíveis ou intangíveis. Em todo momento estamos lidando nas organizações com arcabouço de conhecimentos individuais e coletivos, conhecimentos pessoais e organizacionais. Mas como em um universo tão diverso é possível entender esses mecanismos e agir? Conhecimento explícito e conhecimento tácito De acordo com Nonaka e Takeuchi (1997, p. XIII), há dois tipos de conhecimento: o conhecimento explícito e o conhecimento tácito. Conhecimento explícito “Pode ser articulado na linguagem formal, inclusive em afirmações gramaticais, expressões matemáticas, especificações manuais e assim por diante. A maneira de transmitir esse conhecimento entre as pessoas pode ser de maneira formal.” Conhecimento tácito “É difícil ser articulado na linguagem formal, é o conhecimento pessoal incorporado à experiência individual e envolve fatores intangíveis como, por exemplo, crenças pessoais, perspectivas e sistemas de valor.” EDUCAÇÃO CORPORATIVA 74 Se a empresa tem o desafio de lidar com as diferentes formas de conhecimento e produzir o conhecimento organizacional unindo o tácito e o explícito, o formal e o informal, então, a universidade corporativa na linha da aprendizagem organizacional precisa lidar com esse cenário. A escola tradicional, por exemplo, lida durante todo o tempo com o conhecimento formal, ou seja, o explícito, o conhecimento que é reconhecido pela academia, pode ser transmitido oficialmente e, portanto, certificado. Já as universidades corporativas lidam com o conhecimento tácito e explícito, com o conhecimento organizacional. Ainda que se busquem parceiros de aprendizagem, elas vivenciam a experiência do não reconhecimento oficial de suas ações educacionais, ainda que muitas vezes supram as carências da educação formal. Suas ações educacionais não são certificadas pelo sistema formal de ensino; necessitam, para algumas ações, de parceiros acadêmicos para a certificação de programas que dependem da chancela do sistema oficial. Diferenças entre a educação formal e a educação corporativa É verdade que a educação formal e continuada cumpre um papel fundamental na transmissão de conhecimentos teóricos, sobre procedimentos sociais e informações para o indivíduo, contribuindo para sua formação pessoal e como cidadão. As organizações, por sua vez, possibilitam, com um processo de aprendizagem permanente, a aplicação de todo o conhecimento adquirido em suas práticas diárias, desenvolvido com habilidades e atitudes que são traduzidas nas competências. As diferenças podem ser pontuadas nos seguintes campos: Destino do saber O conteúdo do ensino EDUCAÇÃO CORPORATIVA 75 O tipo de desenvolvimento do capital intelectual Currículos e programas de ensino Certificação Processos e métodos de ensino Aprendizagem Conheça as diferenças entre a educação formal e a educação corporativa, segundo Bonilauri e Ricardo (2007). O destino do saber Educação formal: é propriedade do indivíduo para utilizá-lo do jeito que bem entender e em tempo próprio. Educação corporativa: é propriedade do individuo para aplicá-la, preferencialmente e objetivamente, no ambiente organizacional da patrocinadora. O conteúdo do ensino Educação formal: agrupa tanto a aquisição de saberes como de valores e atitudes, sendo esses últimos mais visíveis por e através da instituição de ensino responsável, destacando-se, sobretudo, as diferenças entre público/privado. Valores intrínsecos aos conteúdos, por sua vez, obedecem a interpretações de autores socialmente aceitos. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 76 Educação corporativa: geralmente, explicita-se com clareza o “produto” da ação educativa ou de treinamento sob a forma de conhecimentos, habilidades e atitudes, ou competências, a serem aprendidas ou desenvolvidas. O desenvolvimento do potencial intelectualEducação formal: é tratada por meio do estímulo e da criação de ambientes específicos que favoreçam boas condições físicas, psíquicas e de sociabilidade. Educação corporativa: é vista como produto das diversas situações que a vivência no trabalho propicia, seja ela de natureza “técnica” ou “comportamental”. O fator “individual” é fundamental, desonerando a organização dos eventuais “insucessos” no desenvolvimento das pessoas. Currículos e programas de ensino Educação formal: é regulamentada e observa políticas de desenvolvimento econômico-social. Educação corporativa: é organizada de acordo com a natureza da atividade produtiva da organização ou em função de desafios estratégicos que agregam valor ao negócio, direta ou indiretamente, a curto ou a médio prazo. Nesse ponto, há que se refletir sobre impactos da própria sociedade sobre os setores produtivos (fatores exógenos) e fatores intrínsecos ao negócio tais como as condições de competitividade incidindo sobre a oferta de produtos e serviços ou a racionalização direta das atividades de produção, estando a própria filosofia de gestão de pessoas no âmago dessa racionalidade. Certificação Educação formal: legitima socialmente a prontidão para novos ciclos de estudo e/ou atividade de trabalho. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 77 Educação corporativa: habilita o aprendiz para o desempenho na posição de trabalho ou para a evolução interna de carreira. Contraditoriamente, habilita-o também para o mercado externo de trabalho. O mesmo valor do diploma atribuído pela educação formal se constata na ação das organizações que investem em educação. A percepção de segurança pelo trabalhador incide diretamente tanto na melhoria do clima de trabalho quanto na efetiva valorização do potencial de empregabilidade. Processos e métodos de ensino-aprendizagem Educação formal: está orientada para o sucesso da formação do estudante, apoiando-se na contribuição da psicologia do desenvolvimento, na filosofia e nas teorias de aprendizagem. A tecnologia de ensino se submete, como meio, a tais prescrições teóricas. Educação corporativa: está orientada para o sucesso da habilitação do trabalhador, apoiando-se nas “boas práticas” consagradas; o fator tempo x espaço destinado à educação ou treinamento tem estimulado a pesquisa de métodos e ferramentas alternativas à sala de aula, trazendo efetivos ganhos de produtividade à ação educacional que se processa nas organizações. Ensino formal X educação corporativa Vale ressaltar, como vimos na nossa aula 2, que o currículo formal é uma prática na educação oficial, enquanto nas empresas o sistema de capacitação e educação continuada é traduzido nos itinerários formativos ou trilhas de aprendizagem. Então, enquanto o ensino formal está centrado na aprendizagem de conteúdos, a educação corporativa (educação informal) está vinculada ao desenvolvimento de competências que se traduzem em conhecimentos, habilidades e atitudes, em uma relação estreita do conhecimento aliado à prática no ambiente laboral. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 78 A escola é fundamental para o desenvolvimento humano e de sua subjetividade, e as universidades corporativas são consideradas laboratórios de aprendizagem que apostam em novas práticas metodológicas e tecnologias educacionais. As organizações, ao optarem por gerir seus ativos intelectuais, admitem ser o conhecimento a única vantagem competitiva sustentável ao longo do tempo devido ao seu alto poder multiplicador e seu grande potencial gerador de resultados. Mostram, ainda, que estão conscientes de que a concorrência globalizada exige hoje competência sempre atualizada e estado de vigília permanente. O que resta em termos de soluções para as empresas? Optar pela gestão do conhecimento e universidades corporativas (educação corporativa). Como você pode observar, as organizações da nova economia vivenciam a revolução do conhecimento, buscando cada vez mais o aumento de sua capacidade institucional de se recriar e apostando que os empregados desenvolverão seus conhecimentos, habilidades e atitudes. As corporações, ao investirem em educação, acreditam no comprometimento mútuo entre empresa e empregado, conscientes de que os resultados são a médio e longo prazo. Práticas de educação corporativa e gestão do conhecimento Vamos nos ater agora às práticas de educação corporativa e gestão do conhecimento, apresentado as diferenças e similaridades entre ambas. Mas queremos aproveitar, antes de seguirmos, para esclarecer como as organizações lidam com a expressão “universidade corporativa”. Meister (2000), em seu estudo sobre as universidades corporativas (EUA), descobriu que 54 % das empresas não adotavam o termo universidade corporativa para designar esse processo de aprendizagem e de desenvolvimento focado em resultados. Tais instituições adotaram EDUCAÇÃO CORPORATIVA 79 denominações como instituto de aprendizagem (institute of learning) e, até mesmo, a expressão academia de aprendizagem (learning academy). Outras simplesmente utilizam o nome de sua própria instituição, como Unilever, Four Acres, Siemens Management Learning e Vivendi Universal Management (Renaud-Coulon, 2002, p. 223). Como foi possível observar, apesar de as práticas serem as mesmas nas empresas, a nomenclatura é uma questão em discussão entre as instituições no que se refere à expressão universidade corporativa e até mesmo sobre sua finalidade. Também há aqueles que acreditam que uma universidade corporativa é a mesma coisa que uma unidade de gestão do conhecimento. Mas afinal quais são as aproximações e os distanciamentos entre ambas? Você sabe? Universidade corporativa X unidade de gestão do conhecimento É fato que ambas tiveram avanços no fervor das mudanças no sistema produtivo, no momento em que a produção desenfreada e em massa começava a sofrer seus abalos em decorrência da globalização do mundo, da desaceleração da indústria e da explosão das tecnologias de informação e comunicação. Nesse ponto, as empresas começaram a perceber que o sistema produtivo estava em transformação e que as tecnologias de informação e comunicação no mundo globalizado desafiam as organizações para se manterem atualizadas e mais competitivas. Na verdade, descobriu-se a importância do homem como produtor de conhecimento e valor, ou seja, o capital intelectual das corporações. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 80 As organizações perceberam a importância de produzir e gerenciar o conhecimento, cuidar do seu capital e, ao mesmo tempo, desenvolver as competências básicas para organização. A gestão do conhecimento tem como missão estabelecer a relação entre o conhecimento individual e o conhecimento organizacional, criar sistemas e mecanismos para que o conhecimento tácito e explicito possam se comunicar, fundir e alternar, constituindo uma espiral do conhecimento para criar mais valor, competitividade, produtividade e inovação. O método adotado pela gestão do conhecimento cria ambientes físicos e, principalmente, tecnológicos que cuidam do armazenamento de informações e da gestão de comunidades de prática. A gestão do conhecimento também pode: Captar Produzir Codificar Registrar Armazenar Compartilhar Disseminar Aplicar EDUCAÇÃO CORPORATIVA 81 O conhecimento organizacional e retroalimentar todo o processo. Para Fleury e Oliveira Junior (2002), o conhecimento é fruto das interações que ocorrem no ambiente de negócios e pode se desenvolver através da aprendizagem. Já para Davenport e Prusak (2001), o conhecimento é uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado que propicia uma estrutura para avaliação e assimilação de novas experiências e informações, e cujo nascedouroestá na mente dos conhecedores. Esse conhecimento se encontra nas organizações e costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais. Conhecimento organizacional X desenvolvimento do capital intelectual Enquanto a gestão do conhecimento lida com o conhecimento organizacional a partir de uma visão sistêmica, a educação corporativa tem como foco o desenvolvimento do capital intelectual (trabalhador) e sua cadeia produtiva investindo no desenvolvimento de competências. As estratégias usadas dependem das trilhas de aprendizagem que irão requerer soluções variadas, desde cursos em diferentes níveis até palestras, seminários, vídeos, jogos e simulações, entre outros. A educação corporativa pode contar com especialistas internos e externos para gerar suas soluções de aprendizagem, seja para atividades presenciais, semipresenciais ou a distância. Enfim, a educação corporativa é uma educação informal que pode contar com as possibilidades de aproveitamento de parcerias entre universidades corporativas e instituições oficiais para a certificação de seus colaboradores. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 82 Olhando as distintas propostas dos dois modelos apresentados, podemos encontrar a convergência entre eles. Ambos precisam lidar com o conhecimento e os seus produtores, gerar resultados a partir de metas e considerar a aprendizagem como uma metodologia capaz de originar valor para a organização, além de disseminarem e compartilharem o conhecimento. Todavia, a educação corporativa precisa metodologicamente mapear competências e gerar suas trilhas, escolas e soluções de aprendizagem, além de impactar positivamente a performance dos colaboradores visando ao negócio e à estratégia organizacional. A gestão do conhecimento, por sua vez, necessita produzir e gerenciar o conhecimento organizacional, não tendo a necessidade de validação externa de suas atividades; mas pode contar com a educação corporativa para gerar aprendizagem, produzir e disseminar o conhecimento organizacional. Se agora conseguimos esclarecer as aproximações e diferenças entre a gestão do conhecimento e a educação corporativa, já entendemos que ambas podem se complementar e manter suas individualidades. Universidades corporativas que promovem gestão do conhecimento e unidades de gestão do conhecimento que geram aprendizagem. Hoje os dois são essenciais e estratégicos para as empresas. Há exemplos de universidades corporativas de sucesso e cujos modelos já são consagrados tais como: Universidade Petrobras, Universidade do Hambúrguer (McDonald’s), Universidade Corporativa do Sebrae Nacional, Universidade Corporativa da Votorantim. Contudo, ainda há modelos internacionais da Ge, United States Airforce, Bank Montreal Institute for Learning, Disney Institute, Centro Internacional de Educación y Desarrollo – Petróleos de Venezuela, e tantas mais espalhadas pelo mundo. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 83 Em relação à gestão do conhecimento, há modelos muito interessantes para serem observados: Petrobras, Vale, Serpro, Marinha do Brasil, Serasa, Eletronorte, entre outros modelos consolidados. Você terá oportunidades de descobrir mais modelos e exemplos de universidades corporativas e de empresas que investem em gestão do conhecimento. Atividade proposta Assista ao vídeo “RH tem que se apropriar da gestão do conhecimento nas empresas”. O vídeo sugere uma reflexão sobre como o RH pode se tornar o centro da gestão do conhecimento. Qual é a sua opinião? O RH tem condições de assumir a gestão do conhecimento? Chave de resposta: De acordo com o palestrante, há possibilidades de o RH assumir a gestão do conhecimento, uma vez que o arsenal de conhecimento organizacional da empresa pode estar em suas mãos. O que é preciso é que os setores de RH revejam seus papéis e suas funções estratégicas e busquem formação técnica para assumir mais esse desafio em sua prática. Material complementar Para saber mais sobre a evolução da sociedade do conhecimento, assista ao vídeo disponível em nossa galera de vídeo. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 84 Referências BOMFIM, G. A. Metodologia para o Desenvolvimento de Projetos. João Pessoa: Editora UFPB, 1995. BONILAURI, A. R.C.; RICARDO, E.J. Educação corporativa e educação a distância: dimensões e perspectivas da educação do trabalhador. In.: ABED; Instituto Monitor. Anuário Estatístico de Educação Aberta e a Distância: abraEAD, 2007, p.125-133. CHOO, CH.W.. Aprendizado como inteligência organizacional. In.: TARAPANOFF, K. (Org.). Aprendizado Organizacional. Curitiba:IBPEX, 2011. EBOLI, Marisa. Educação corporativa no Brasil: mitos e verdades. São Paulo: Gente, 2004. GARVIN, D. A. Building a learning organization. In: Harvard Business Review, v. 71, n.4, p.78-91, 1993. In.: Gestão do conhecimento na construção civil: uma aplicação dos mapas cognitivos na concepção ergonômica da tarefa de gerenciamento dos canteiros de obras. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Santa Catarina, Engenharia de Produção, 2001. p.253. MITROFF, I.; MASON, Richard, PEARSON,C. M. Frame Break. The Radical Redesign of American Business. San Francisco: Jossey-Bass, 1994. In.: FRANCO, E. M. Gestão do conhecimento na construção civil: uma aplicação dos mapas cognitivos na concepção ergonômica da tarefa de gerenciamento dos canteiros de obras. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Santa Catarina, Engenharia de Produção, 2001. p.253. NONKAKA, I; TAKEICHI, H. Criação do conhecimento na empresa: como as empresas japonesas gera a dinâmica da inovação. Campus: São Paulo, 1997. RICARDO, E.J. Educação corporativa e aprendizagem: as práticas pedagógicas na era do conhecimento. Qualitymark: Rio de Janeiro, 2012. SENGE, P.M. A quinta disciplina: a arte da organização que aprende. Best Seller: São Paulo, 2004. STAREC, C. Educação corporativa em xeque: até que ponto treinamento é um bom negócio para as organizações? Senac Rio: Rio de Janeiro, 2011. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 85 Exercícios de fixação Questão 1 – Complete as sentenças apresentadas usando conceitos e expressões que dão sentido às frases abaixo. As organizações na atualidade investem no ________________ de seus colaboradores para a geração de novos conhecimentos. A organização que aprende é a que dispõe de ________________ para criar, adquirir e transferir conhecimentos. As gerações de jovens estudantes e trabalhadores têm acesso a uma diversidade de ________________ que lhes facilita a conectividade e acesso à informação. a) Desenvolvimento; habilidades; tecnologias b) Relacionamento; produtos; pensamentos c) Desenvolvimento; produtos; ideias Questão 2 Classifique as afirmativas como verdadeiras ou falsas. Bonfim (1995) crê que não há empresas presas a paradigmas mecanicistas. A era do conhecimento ainda não é uma realidade na sociedade atual, em pleno século XXI. A educação formal tem como características a adoção do modelo de currículo baseado em objetivos e conteúdos e é reconhecida pelos órgãos oficiais do país. a) V; F; V b) V; F; F c) F; F; V Questão 3 Assinale a resposta incorreta. a) Os estudos formais ainda são centrados no ambiente físico. b) Os estudos informais são focados na aprendizagem a qualquer hora e em qualquer lugar. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 86 c) Segundo Senge (2004), as organizações que aprendem limitam a capacidade de crescer continuamente dos trabalhadores, inibindo o aprender no espaço organizacional. Questão 4 Assinale a resposta incorreta. a) O conhecimento pode ser tácito ou explícito, sendo considerado explícito quando é parte intrínseca do estoque pessoal de um indivíduo (know- how, crenças, percepções). b) Nas organizações, o conhecimento é fruto das interaçõesque ocorrem no ambiente de negócios e se desenvolve por meio do processo de aprendizagem. c) Ao optarem por gerir seus ativos intelectuais, as organizações reconhecem ser o conhecimento a única vantagem competitiva sustentável ao longo do tempo, devido ao seu alto poder multiplicador e ao seu grande potencial gerador de resultados positivos. Questão 5 Complete as sentenças com os conceitos corretos. As ________________ desenvolvem as competências individuais e organizacionais. A conversão do conhecimento tácito e em explicito e vice e versa é um processo contínuo da ______________________. A ____________________ é a capacidade de uma pessoa processar, interpretar, codificar, manipular e acessar informações de modo a adquirir, reter e aplicar conhecimento de forma rápida e com sucesso a) Gestões do conhecimento; inteligência individual; universidades corporativas b) Universidades corporativas; gestão do conhecimento; inteligência individual c) Inteligências individuais; universidades corporativas; gestão do conhecimento. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 87 Questão 6 Assinale a alternativa correta. a) Em seu estudo sobre as universidades corporativas, Meister descobriu que a maioria das empresas adotam a expressão instituto de aprendizagem. b) Há uma unanimidade no uso da expressão universidade corporativa nas empresas. c) A desaceleração da produção foi um dos fatores que facilitaram o avanço das universidades corporativas e da gestão do conhecimento. Questão 7 Classifique as afirmativas como verdadeiras ou falsas. 1. O homem foi descoberto pelas organizações como produtor de conhecimento. 2. As organizações descobriram a importância de produzir e gerenciar o conhecimento e cuidar de seu capital intelectual. 3. A gestão do conhecimento adota ambientes tecnológicos para armazenamento de informações. a) V; F; F b) V; V; V c) F; V; V Questão 8 Marque com X a prática que não faz parte da gestão do conhecimento. a) Captar e produzir conhecimento b) Codificar c) Desenvolver competências Questão 9 Marque com X a prática que não faz parte das práticas de educação corporativa. a) Armazenar informação. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 88 b) Desenvolver competências, habilidades e atitudes. c) Poder contar com especialistas internos e externos para desenvolver soluções de aprendizagem. Questão 10 Classifique como V (verdadeiras) as empresas que são modelos de universidades corporativas ou F (falsas) as empresas que não são. 1. Sebrae Nacional. 2. Vale. 3. Petrobras. Votorantim. a) V; F; V; V; F b) V; V; V; V; V c) F; V; F; V; V Aula 4 Exercícios de fixação Questão 1 - A Justificativa: Como podemos observar, as organizações estão investimento realmente no desenvolvimento de seus colaboradores. Uma questão que precisa ficar clara é que as empresas se tornam espaços de aprendizagem que propiciam o aprender fazendo. Desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes é fundamental nas empresas que aprendem, que lidam com trabalhadores conectados na atualidade e são produtores de conhecimento. Questão 2 - C Justificativa: 1 - Para Bonfim (1995), ainda existem empresas que estão presas ao antigo modelo baseado na produção mecanicista e que não investem em educação e tampouco acreditam no seu capital intelectual. 2 - Estamos em plena era do conhecimento. O século XXI é marcado pelas transformações EDUCAÇÃO CORPORATIVA 89 promovidas pela globalização e tecnologias de informação e comunicação. O conhecimento se torna perene, mas as empresas buscam se manter competitivas em meio ao cenário econômico em constante transformação. Questão 3 - C Justificativa: A resposta C está incorreta. Senge (2004) afirma que as empresas que aprendem permitem que seus colaboradores gerem resultados. Questão 4 - A Justificativa: O conhecimento tácito é parte intrínseca do estoque pessoal de um indivíduo (know-how, crenças, percepções). Questão 5 - B Justificativa: Segundo Mendes (2009), a educação corporativa possui alguns elementos que merecem a nossa atenção, que são as competências organizacionais e individuais. A competência organizacional se refere ao conjunto de elementos que fazem a organização “funcionar”, ou seja, o somatório de habilidades e conhecimentos, e podemos incluir até as atitudes dos seus integrantes. A competência individual, como o próprio nome já diz, se refere ao conjunto de elementos que cada funcionário possui, como, por exemplo, seus conhecimentos e habilidades. A conversão do conhecimento (tácito-explicito-tácito) em contínuo processo espiral de criação-transferência-inovação é o principal objeto de estudo da gestão do conhecimento. Da perspectiva da prática profissional, o gestor de conhecimentos se ocupa de processos e tecnologias para aquisição (via captação ou produção), organização (por codificação, registro, seleção, análise), socialização (por compartilhamento, transferência) e internalização (por adaptação, aplicação, uso ou reutilização) do conhecimento nas organizações, criando ambiência, dando suporte, facilitando sua absorção pelas estruturas produtiva e decisória e avaliando os resultados manifestados sob forma de incremento do nível de competitividade da organização. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 90 A inteligência individual mobiliza o individuo para a resolução de desafios externos ou resolver problemas de um determinado domínio ou contexto. Questão 6 - C Justificativa: a) Meister descobriu que 54 % das empresas não adotavam a expressão universidade corporativa, mas diversificam com outras denominações, tais como: instituto de aprendizagem, academia de aprendizagem, em outras situações. Inclusive, o nome das próprias empresas é adotado, é o que nos indica Annick Renaud-Coulon. b) Como já vimos, não há homogeneidade nas empresas quanto ao uso da expressão, havendo outros termos usados. c) Você sabe que a desaceleração da economia foi um dos fatores que contribui para o avanço de modelos de gestão do conhecimento e universidades corporativas para busca de vantagem competitiva. Questão 7 - B Justificativa: Se você marcou V para todas as sentenças, então você está de parabéns! Você entendeu que a gestão do conhecimento lida com o conhecimento organizacional e que o homem é o sujeito de sua atenção; também percebeu que existem uma metodologia e tecnologias a serem aplicadas para o desenvolvimento de suas intervenções. Questão 8 - C Justificativa: Captar e produzir o conhecimento organizacional, codificar e disseminar o conhecimento organizacional fazem parte da gestão do conhecimento; essas são práticas de gestão do conhecimento. Já desenvolver competências é uma prática das universidades corporativas. Questão 9 - A Justificativa: O armazenamento de informações é uma prática da gestão do conhecimento. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 91 Questão 10 - B Justificativa: Essas empresas são cases consolidados de universidades corporativas. Vale informar que o modelo da Ge é um modelo internacional que chegou ao Brasil no ano de 2013. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 92 Introdução Vamos iniciar a discussão falando sobre o modelo atual de qualificação educacional e a necessidade de conformação de profissionais para as demandas empresariais. A partir desse confronto de ideias, apresentaremos os conceitos de polivalência e politecnia, suas implicações para a educação de trabalhadores e desdobramentos no âmbito da educação corporativa. Bons estudos! Objetivo: 1. Discutir a qualificação de trabalhadores no cenário atual da produção, considerando a perspectiva emancipatória e as limitações, panoramas e implicações para a educação corporativa; 2. Apresentar os conceitos de polivalência e politecnia.EDUCAÇÃO CORPORATIVA 93 Conteúdo Do trabalhador polivalente ao politécnico Vamos acompanhar as implicações para a formação do trabalhador e os desdobramentos para a educação corporativa. Em nossas aulas, você tem acompanhado que a educação corporativa engloba um conjunto de ações para desenvolver as competências estratégicas de colaboradores em resposta às novas exigências do ambiente empresarial, além de ter o objetivo de enfrentar os efeitos da globalização. Mas, afinal, você sabe que efeitos foram esses? No esquema a seguir, veja uma síntese de alguns desses efeitos. Síntese dos efeitos da globalização para os trabalhadores Economia planetária O trabalhador precisa estar atento às mudanças econômicas e suas tendências, além de acompanhar os impactos, desafios e oportunidades no mercado planetário que poderão influenciar a corporação. Alta competitividade Para atuar na empresa, o colaborador precisa estar atento às oportunidades que sua corporação pode alcançar visando maior competitividade. Conteúdos fugazes O trabalhador precisa estar sempre atualizado. Novos conhecimentos e competências O trabalhador precisa constantemente instruir-se e desenvolver novas competências. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 94 Novos sistemas informacionais O colaborador precisa compreender que, com as mudanças comunicacionais, são necessárias novas formas de interação, comunicação e negociação. Também é preciso estar conectado e acompanhar as transformações referentes a maneiras de agir e se comunicar. Internacionalização Trabalhadores locais migram para processos de internacionalização da mão de obra. Reavaliação das posições e possibilidades das organizações Como observamos no esquema anterior, o trabalhador enfrenta uma nova configuração do mundo do trabalho e adaptar-se às exigências do ambiente empresarial sempre é um desafio. Podemos entender que, a cada transformação tecnológica e a cada mudança econômica e seus desdobramentos, as organizações e trabalhadores reavaliam suas posições e possibilidades. Enfim, agora, mais uma onda de mudanças vem crescendo com mais automação, mais ciência e mais tecnologia. Um exemplo é a robótica, que está cada vez mais presente nas empresas; ela aumenta a produção e diminui a tarefa braçal, ou seja, computadores operando máquinas. Todos esses acontecimentos geram novas demandas junto aos colaboradores das organizações e impactam, cada vez mais, as relações entre empregados e seus empregadores. Adaptação profissional Em algum período de seu percurso profissional, houve a necessidade de rever seu estoque de competências, reavaliar seus valores, conhecimentos e prioridades para atender às demandas de sua organização? EDUCAÇÃO CORPORATIVA 95 Se pensarmos em como o homem e a sociedade têm encarado tais mutações, percebemos que, a cada mudança econômica, tecnológica e, até mesmo, política, sempre há uma mobilização significativa para o trabalhador adaptar-se à nova realidade e reaprender a trabalhar. Ao refletirmos um pouco sobre o que foi a revolução industrial e seus impactos na sociedade, certamente veremos que os trabalhadores tiveram que reestruturar sua visão em torno do labor e suas formas de criar valor. O homem da produção artesanal precisou migrar para o sistema manufaturado e, mais tarde, deparar-se com a configuração industrial do espaço de trabalho; assim, enfrentou o uso de novas técnicas de produção e tecnologias. Também foi estabelecido que esse trabalhador tinha que produzir mais e em menos tempo. Diferentes sistemas produtivos – a industrialização Três revoluções industriais influenciaram e impactaram a relação homem- trabalho. Se antes o homem precisava aprender a dominar as técnicas para uso das máquinas de produção, na atualidade, o trabalhador começa a lidar com outros desafios: a ciência e a tecnologia ingressando nas corporações com mais força, os robôs substituindo o homem no sistema industrial e colaboradores ensinando as máquinas inteligentes a trabalharem. Em cada fase da industrialização, o homem teve que lidar com novas provocações à sua capacidade de gerar valor. Acompanhe: Na primeira era industrial, o homem precisou deslocar-se dos campos para as cidades em busca de trabalho e sair do sistema de produção artesanal para o processo fabril. Também transitou do manuseio das máquinas a vapor para os modelos pesados (aço e máquinas). EDUCAÇÃO CORPORATIVA 96 Na segunda fase da industrialização, enfrentou a produção em grande escala para o mercado mundial e ingressou na mecanização, facilitada pela eletricidade, que mudaria a configuração do sistema produtivo. Já a terceira fase, baseada na automação e apoiada na informatização e no ingresso da robótica, exigiu do trabalhador a revisão de suas atividades no sistema produtivo; agora, ele tem a tarefa de criar conhecimento, além de ensinar às máquinas inteligentes (MARCELINO, 2014). Atualidade industrial Se as empresas estão robotizando a mão de obra, e o homem precisa ensinar as máquinas a trabalharem, então, para que serve o colaborador do século XXI? Avance para discutirmos melhor esse assunto. Segundo Roggero (2014), o que temos na atualidade, com tantas mudanças, é a emergência por trabalhadores do conhecimento, que transcendam a operação de máquinas e ao sistema de automação. A automação industrial tem exigido que os trabalhadores sejam polivalentes, assumam distintas tarefas e acessem uma multiplicidade de informações. São esperados pensadores e profissionais capazes de atuar em empresas onde a ciência e a tecnologia cada vez mais estão unidas, onde o conhecimento é a moeda de valor para as organizações. O homem não terá mais o trabalho fragmentado, mas deverá usar sua capacidade de criar conhecimento e autogerenciar sua carreira. Como desdobramento dessa questão, impõe-se para as organizações e suas universidades corporativas, trabalhadores e instituições de ensino regular a validada da “qualificação do trabalhador”. Para Deluiz (2014, p. 4), essa é uma realidade que está além da qualificação formal. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 97 A automação industrial tem exigido que os trabalhadores sejam polivalentes, assumam distintas tarefas e acessem uma multiplicidade de informações. A era dos profissionais multiqualificados De acordo com Deluiz (2014), são tantas as competências, habilidades, conhecimentos e capacidades exigidas do trabalhador, que as empresas não se satisfazem mais com os estoques de competências apresentados por seus colaboradores, o que coloca em risco a expansão das potencialidades humanas e o processo de emancipação individual e coletivo do proletariado. Diante de tal panorama, podemos nos perguntar: como tratar da emancipação e autonomia do trabalhador no espaço educacional na empresa, se temos um cenário conformado pela globalização que promoveu tantas mudanças no mundo do trabalho emprego e nas empresas? As organizações não esperam trabalhadores com conhecimentos fragmentados, mas almejam profissionais mais generalistas e menos especialistas. Na verdade, há uma expectativa por um profissional multiqualificado, ou seja, um polivalente: capaz de abstrair; exercer funções intelectuais, com competência para se autogerir; tomar decisões; acumular tarefas referentes a postos de trabalhados extintos etc. A polivalência tem sido uma exigência organizacional, tanto que têm se criado para atender essa demanda funções polivalentes, favorecendo a mobilidade do colaborador. Para Deluiz (2014, p. 6), a polivalência se aproxima da politecnia. Mas, afinal, o que significa politecnia? O trabalhador não apenas domina diferentes técnicas, equipamentos e métodos, mas conhece a origem destes procedimentos, os princípios científicos e técnicos que embasamos processos produtivos, apreende as implicações do seu trabalho, seu conteúdo ético, compreendendo não só o “como fazer”, mas EDUCAÇÃO CORPORATIVA 98 o porquê fazer. Neste caso, a autonomia do trabalhador e sua participação são enfatizadas. (DELUIZ, 2014, p. 6). O trabalhador politécnico Para Farias (2014), o trabalhador politécnico apresenta um perfil diferenciado do polivalente, que, para o meio acadêmico, se opõe ao polivalente, pois este necessita de formação de base para atender as novas demandas das empresas, já o segundo é forjado no próprio cotidiano do trabalho. Frigotto é dos estudiosos que tem se aprofundado na relação educação e trabalho, suas contradições e os aspectos econômicos e políticos do capital que acabam por interferir na formação do trabalhador. Com relação à politecnia, podemos conhecer a percepção de Frigotto (1989, p. 15) quanto a esse modelo de trabalho; veja: “É uma opção ao mesmo tempo política, ideológica, técnica e prática, e, na luta concreta e nos embates concretos que se dão na sociedade, é algo que está em germe, em desenvolvimento, ainda que minoritariamente.” Formação dos trabalhadores Há uma questão contraditória entre a necessidade de formação de trabalhadores, o mercado de trabalho, a educação emancipatória e as expectativas desses colaboradores. As universidades corporativas precisam lidar com tais dicotomias e orientar as ações de educação corporativa para que os objetivos estratégicos da organização sejam alcançados, mas levando em consideração a humanização dos postos de trabalho. Precisamos considerar o que está em xeque: A demanda por trabalhadores cada vez mais qualificados; A lacuna de formação de mão de obra; EDUCAÇÃO CORPORATIVA 99 O modelo educacional no espaço escolar precisa ser atualizado com a realidade do mercado; A educação corporativa precisa considerar seu compromisso com uma educação inclusiva, que dê oportunidades aos trabalhadores para que construam sua autogestão; Coadjuvar os interesses empresariais e a proposta de uma educação emancipatória. Educação corporativa X quadro de demandas das organizações Diante de tudo que estudamos até agora, você pode se perguntar: qual é o papel da educação corporativa frente ao quadro de demandas das organizações e a realidade da formação do trabalhador? Que educação se quer ter de fato para o chão de fábrica? A transição das tarefas e ocupações funcionais nas empresas é uma realidade. Em tempos distintos, empresas enfrentam a saída do modelo fragmentado de tarefas para a polivalência, já outras transitam da polivalência para a politecnia e há as que atuam com ambas. Na verdade, há um descompasso entre a formação no espaço escolar e o trabalho, e entre o trabalho e os tempos de produção e as expectativas do capital. Para Küenzer (1998), na atualidade, o aspecto intelectual tem assumido, cada vez mais, maior relevância para as corporações, sendo necessário um novo modelo educacional para a sociedade do conhecimento, sinalizando para uma reforma da educação que alcance as transformações do mundo do trabalho, uma vez que as organizações já assumiram a preparação de seus colaboradores ao invés de aguardarem por profissionais plenamente aperfeiçoados pelo meio formal de educação. Contudo, Arroyo (1997) nos chama atenção para as próprias necessidades do trabalhador de desenvolver conhecimentos que são de seu próprio interesse e não do empresariado. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 100 Panorama do mundo do trabalho Podemos perguntar: Qual o caminho que as empresas e suas universidades corporativas podem assumir diante do quadro atual? Que panorama provocante é esse? Você já pode perceber essa realidade na sua prática profissional? • Descompasso entre a qualificação da mão de obra e as demandas do sistema produtivo; • Escassez de mão de obra qualificada; • Informatização das organizações; • Automação crescente; • Necessidade de domínio de novas técnicas; • Entrada de novas tecnologias e da ciência no espaço organizacional. Papel estratégico das universidades corporativas Levando em consideração que as empresas se tornaram laboratórios e ambientes de aprendizagem, precisamos ponderar a respeito do papel estratégico das universidades corporativas para as organizações avançarem, considerando suas possibilidades para o atendimento das expectativas de capacitação de profissionais polivalentes e politécnicos. Sabemos que o sistema formal de ensino ainda terá que rever suas práticas, currículos, a formação de professores, e, até mesmo, as políticas públicas para a educação básica e o ensino profissionalizante. Todavia, o tempo em que tais transformações ocorrerão nas escolas e meio acadêmico nem sempre acompanharão as exigências das empresas. Podemos nos perguntar: como as universidades corporativas podem cuidar da capacitação de profissionais que terão que lidar com a multifuncionalidade e politecnia? Vejamos, então, algumas sugestões de encaminhamentos. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 101 Desenvolver itinerários formativos que possam ser colocados em prática por meio de parceria com instituições de ensino formal. Levar em consideração o uso de tecnologias, inclusive de simuladores e jogos, como facilitadores para a educação de profissionais multifuncionais. Adotar a educação a distância como uma das possibilidades de capacitação de seus profissionais. Selecionar educadores que possam auxiliar na construção de propostas pedagógicas que contemplem a capacitação de profissionais para a multifuncionalidade e politecnia. Investimentos financeiros e humanos para o desenvolvimento de um ambiente educacional na empresa que venha a estimular o uso da capacidade intelectual do trabalhador e de criação do conhecimento. Robótica na área da saúde A realidade do profissional multifuncional e politécnico pode ser bem apreciada dentro da área de saúde, por exemplo. Atualmente, com a robótica adentrando as salas de cirurgia, os médicos necessitam dominar outras competências técnicas que exigem além de um diagnóstico ou prescrição de um medicamento. O case do Hospital Albert Einstein em São Paulo já representa um modelo organizacional em que o profissional de saúde é um multiprofissional. O Da Vinci Surgical System é o sistema robotizado para cirurgias do Hospital Albert Einstein aplicada para procedimentos minimamente invasivos. A instituição, além de investir em equipamentos e tecnologias de ponta, acredita em educação e também aporta recursos para tal finalidade. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 102 Educação corporativa emancipatória Ao finalizarmos essa aula, é importante deixar claro que a questão de uma educação corporativa emancipatória é importante para o trabalhador e cidadão, mas não basta criar um projeto educacional que a contempla. É preciso compromisso institucional para implementação de um modelo que possa ser utilizado na organização, fomente o trabalhador para a sua autonomia e autorrealização, conciliando com os interesses organizacionais. Como já vimos anteriormente, a formação de um trabalhador no âmbito empresarial não é fácil, em função das carências e lacunas educacionais. Atualizar e trazer para a realidade empresarial esse colaborador e ainda aliar uma proposta de educação emancipatória necessitará de educadores preparados para esta missão, prontos para equilibrar as relações humanas que se estabelecem em um ambiente organizacional. Atividade proposta Veja a primeira parte do vídeo com Acássia Küenzer sobre a capacitação de mão de obra e ensino médio integrado e formação de professores no programa em pauta. Aponte quais são as contribuições da discussão para a questão da necessidade de professores para a educação profissional e que impactam na preparação de profissionais para asempresas. Chave de resposta: a discussão trata de uma situação real, que envolve a não formação de professores para a educação profissionalizante. Essa é uma lacuna que, infelizmente, perdura há anos e que, inclusive, reverá nos cursos de pedagogia, uma vez que não há espaço para discutir a educação para o trabalho, a educação de jovens e adultos e educação profissionalizante. Tais questões são básicas, pois endossam a carência de mão de obra especializada para as empresas, o que acaba deixando nas mãos das universidades corporativas um grande desafio. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 103 Material complementar Para saber mais sobre a qualificação de trabalhadores, assista ao vídeo disponível em nossa galera de vídeo. Referências ARROYO, M. Pedagogia das relações de trabalho. Trabalho e Educação. Belo Horizonte: NETE – UFMG. N.2, ago/dez.1997. DELUIZ, N. A globalização econômica e os desafios à formação profissional. Disponível em: http://www.senac.br/INFoRMAtIVo/BtS/303/boltec303f.htm. Acessado em 10 out 2014. FARIAS, I.M. Diferenças entre polivalência e politecnia: implicações para a formação da concepção sobre o trabalho no processo educativo Disponível em: http://www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/viewFile/861/773. Acessado em: 10 out. 2014. FRIGOTTO, G. Trabalho, educação e tecnologia: treinamento polivante ou formação técnica. ANDE, Brasilia, v.8, n.14, p38, 1989. KÜENZER, A. Z. As mudanças no mundo do trabalho e a educação: novos desafios para a gestão. IX ENDIPE, Anais, Águas de Lindóia, 4 a 8 de mai. 1998. MARCELINO, C. Revolução industrial. Disponível em: http://www.camilomarcelino.com/personagens/revolucao_ind.htm. Acessado em: 10 nov 2014. ROGGERO, R. Qualificação e competência: um diálogo necessário entre sociologia, gestão e educação para alimentar as práticas pedagógicas na formação profissional. Disponível em: http://www.senac.br/BTS/293/boltec293b.htm. Acessado em: 10 nov. 2014. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 104 Exercícios de fixação Questão 1 Com os avanços da globalização, tanto empresas como seus colaboradores sofreram seus efeitos; os trabalhadores tiveram que ficar mais atentos às exigências do mercado, por exemplo. Marque a resposta correta, onde os elementos caracterizam as decorrências para a classe trabalhadora. a) Economia planetária b) Alta competitividade c) O trabalhador precisa desenvolver novos conhecimentos e competências d) Todas as alternativas estão corretas Questão 2 Coloque F para as sentenças falsas e V para as verdadeiras. ( ) A globalização promoveu uma nova configuração do mundo do trabalho. ( ) A robótica é uma inovação distante da realidade das empresas e dos trabalhadores. ( ) Na atualidade, os trabalhadores precisam reaprender a trabalhar e rever seus estoques de competências. Questão 3 Assinale somente as frases corretas. a)Com a revolução industrial e seus impactos na sociedade, os trabalhadores tiveram que se adaptar ao novo sistema produtivo. b)Novas tecnologias e antigas técnicas de produção determinaram o avanço da revolução industrial. c)Os robôs, com a automação do chão de fábrica, provocaram uma transformação industrial. Questão 4 Marque a resposta correta. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 105 a) As empresas necessitam cada vez mais de trabalhadores do conhecimento para o novo modelo produtivo. b) O trabalhador do conhecimento deverá aprender a autogerenciar sua carreira e usar a sua capacidade de criar valor para a corporação. c) A mecanização do sistema produtivo na indústria foi viabilizada através do uso da eletricidade. d) Todas estão incorretas. Questão 5 Marque a resposta correta. a) Na atualidade, o trabalhador deverá se adaptar ao uso da eletricidade no chão de fábrica. b) Nos dias de hoje, o colaborador deverá manusear máquinas a vapor na indústria para agilizar a produção. c) Com ingressos dos robôs no chão de fábrica, o trabalhador deverá atentar-se à produção do conhecimento válido para a organização. Questão 6 Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as sentenças abaixo. ( ) A automação tem exigido do trabalhador que ele atue ainda no nível da fragmentação das tarefas. ( ) Segundo Deluiz (2014), com o crescimento das exigências do mundo do trabalho quanto à qualificação e domínio das tarefas, a emancipação do homem está em risco. ( ) Atualmente, há uma expectativa nas empresas por trabalhadores mais especializados e menos generalistas. Questão 7 Identifique com o número 1 as características do trabalhador polivalente (PV), e com o número 2 as características do trabalhador politécnico (PT). 1. PV ( ) Capaz de acumular tarefas de postos já extintos. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 106 2. PT ( ) Acessa uma multiplicidade de informações. Questão 8 Diante do cenário atual, onde as indústrias lidam com a automação e a entrada cada vez mais forte da ciência e tecnologia, as universidades corporativas deverão enfrentar alguns desafios para que possam colocar em prática seus programas de educação corporativa. Assinale a opção que apresente o desafio correspondente. a) Desenvolver programas educacionais que auxiliem o trabalhador em sua autogestão. b) Coadjuvar os interesses empresariais e a proposta de uma educação emancipatória. c) Suprir a carência de trabalhadores qualificados. d) Todas as respostam estão corretas. Questão 9 Marque as frases abaixo com V para a resposta verdadeira e com F a falsa. ( ) Para Arroyo (1997), os trabalhadores não precisam ser contemplados com programas educacionais que considerem suas expectativas de qualificação. ( ) Na atualidade, os colaboradores enfrentam a necessidade de dominar novas técnicas de trabalho. ( ) Temos um excesso de mão de obra qualificada, e as empresas não possuem vagas para absorver tais trabalhadores. Questão 10 Marque apenas as respostas que apontam as possibilidades de atuação das universidades corporativas e ações educacionais que possam atender as necessidades da empresa e de colaboradores. a)Estabelecer parcerias com instituições de ensino formal para a operacionalização de itinerários formativos que necessitem do apoio de instituições educacionais. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 107 b)Mudar as políticas públicas para o ensino básico e profissionalizante. c)Adotar a educação a distância como uma das possibilidades de capacitação de mão de obra. Aula 5 Exercícios de fixação Questão 1 - D Justificativa: Se levarmos em consideração que a globalização atingiu todas as aéreas (econômica, política, educacional, científica, tecnológica e, também, empresarial), é evidente que os trabalhadores foram alvo das transformações provocadas pela globalização e que isso exigiu uma nova postura diante do trabalho e de seu compromisso com o negócio da empresa, precisando estar mais envolvido com as mudanças e seus desdobramentos para a empresa e seu desempenho. Questão 2 - V, F, V Justificativa: As sentenças A e C são verdadeiras, pois retratam os impactos da globalização no mercado e no mundo do trabalho. Já a sentença B é falsa, pois o processo de automação tem crescido nas empresas com a informatização e adoção de robôs. Questão 3 - A, C Justificativa: As respostas A e C estão corretas, pois apresentam elementos que caracterizam as mudanças no sistema de produção industrial. Já a letra B está incorreta, pois, quando a revolução industrial sucedeu as técnicas e tecnologias adotadas anteriormente, promoveu uma transformação na forma de produzir e trabalhar, e no uso de novos recursos no chão de fábrica. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 108 Questão 4 - D Justificativa: Quando tratamos da revolução industrial, sabemos que, para cada fase, foram adotadas tecnologias e técnicas diferenciadas. Da automação com o uso da eletricidade, o homem evoluiupara o modelo em que o conhecimento é o valor tangível da organização. Questão 5 - C Justificativa: As respostas A e B se referem às fases anteriores da industrialização. No momento, com a automação e uso de robôs, o homem se torna o centro da produção como criador de conhecimento; por essa razão, a resposta C está correta. Questão 6 - F, V, F Justificativa: A – Falso. A indústria hoje necessita de trabalhadores multiqualificados. Cada vez mais, as formas de produção estão mudando, e o colaborador precisa se adaptar a trabalhar em distintas funções simultaneamente. B – Verdadeiro. Deluiz (2014) vê a questão das exigências cada vez maior por trabalhadores que tenham estoques maiores de competências, que satisfação quanto ao capital perca de vista o espaço da autonomia e da emancipação do trabalhador em favor da produção. C – Falso. Cada vez mais, as empresas esperam por profissionais mais generalistas e menos especializados. Essa é a tendência atual nas organizações. Questão 7 - A, A, B, B, B Justificativa: Há uma diferença entre o polivalente e o politécnico, que é limítrofe. Na verdade, há uma necessidade que ambos sejam capazes de apresentar novos estoques de competências e saibam abstraí-las; entretanto, o que surge como o diferencial entre ambos é onde são formados: o polivalente é forjado no chão de fábrica, e o politécnico vem do espaço formal de educação preparado para exercer a sua função. Mas ambos possuem o desafio de criar conhecimento para a empresa. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 109 Questão 8 - D Justificativa: As universidades corporativas deverão enfrentar um cenário de escassez de mão de obra qualificada e, ao mesmo tempo, desenvolver programas educacionais que venham suprir tais necessidades de formação. Além disso, devem ter em mente que, ao atender o sistema de produção, não poderam considerar as necessidades dos trabalhadores por uma educação emancipatória. Questão 9 - F, V, F Justificativa: A única resposta certa é a B. A resposta correta para o item A é justamente ao contrário: Arroyo aponta a necessidade de as empresas olharem para as próprias necessidades do trabalhador para o desenvolvimento de conhecimentos que sejam de seu próprio interesse. Com relação à resposta para o item C, a sentença está errada, pois a situação é contrária: as organizações enfrentam uma grande carência de mão de obra qualificada para o desenvolvimento de tarefas no espaço empresarial. Questão 10 - A, C Justificativa: As respostas A e C são as possibilidades que estão ao alcance de as universidades corporativas colocarem em prática suas ações educacionais para atender as necessidades organizacionais e dos trabalhadores. Com relação ao item B, a mudança de uma política pública depende de deputados e senadores para que sejam realizadas as alterações. O que cabe às empresas é influenciar positivamente para que as reformas educacionais aconteçam e sejam contempladas as demandas do segmento empresarial e, também, da classe trabalhadora. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 110 Introdução Nesta aula você estudará a tese da polarização, a qualificação profissional contrapondo as competências. Vamos olhar esses assuntos do ponto de vista da importância da educação corporativa para a formação continuada e desenvolvimento de competências dos colaboradores. Indicamos que realize as leituras sugeridas, uma vez que servem para ilustrar e aprofundar o assunto abordado em nossa aula. Esperamos instigar você para investigar na Internet leituras complementares que venham a enriquecer seus estudos. Vamos em frente e bons estudos! Objetivo: 1. Apresentar as bases da tese da polarização e seu contraponto com o desenvolvimento de competências; 2. Mostrar a contribuição da educação corporativa para o desenvolvimento de competências. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 111 Conteúdo Polarização das Competências O avanço das universidades corporativas está relacionado às mudanças no mundo do trabalho e às necessidades de formação e capacitação de trabalhadores para o contexto em que a produção se encontra em pleno século XXI. As ações de educação corporativa estão crescendo, mas há questões ainda não resolvidas sobre a qualificação do trabalhador e que acabam reverberando nas iniciativas das Universidades Corporativas. A discussão em torno do capital e da exploração do trabalhador ainda não está solucionada. O quanto podemos avançar nos processos de educação dos trabalhadores sem sentimento de culpa por construirmos planos de ensino que atenderão ao sistema produtivo? E como podemos contemplar os anseios desses colaboradores por uma formação que lhe propicia autonomia, desperte sua cidadania, seu espírito criativo, e que em algumas situações podem estar fora do escopo de prioridades da empresa? Silva e Shneider (2014) salientam que os modelos de produção de massa taylorista e fordista foram confrontados por um modelo de produção mais flexível. Esse novo padrão (toyotismo) aproximaria a concepção, o controle e execução, acionando aos poucos as competências dos trabalhadores. Enfim, o toyotismo tem como uma de suas bases o trabalho cooperativo, a atividade em equipe, trabalhadores polivalentes e multifuncionais. Os profissionais conseguem ter uma visão plena do processo de produção e, portanto, podem intervir, resolver problemas, propor soluções etc. (HIRATA, 2013). Henrique Nou Schneider Fonte: http://tinegociosse.com.br/ Acesso em: 18 de fev. 2015. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 112 O toyotismo tem como base a polivalência e a rotação de tarefas. O trabalhador tem uma visão do conjunto do processo do trabalho. Toyotismo e Fordismo Entendemos que para os padrões apresentados de produção é rígida a definição das funções e tarefas. Toyotismo O toyotismo tem uma proposta antagônica que propõe um parâmetro de flexibilização da produção e das tarefas. Entendemos que para os padrões apresentados de produção é rígida a definição das funções e tarefas. Fordismo Já o fordismo, por exemplo, tem regras de operação rigorosas, prescritas para que sejam seguidos pelo trabalhador, regulamentos que disciplinam a tarefa, considerando, inclusive, o aspecto comportamental, por exemplo, a prática profissional realizada em silêncio, sem comunicação entre os pares. Esse procedimento se contrapõe ao princípio do trabalho colaborativo proposto pelo toyotismo (HIRATA, 2013). Toyotismo Quadro 1 – Comparação entre os modelos taylorista e fordista X toyotismo Elaborador a partir das leituras de Hirata (2013 ) TAYLORISMO E FORDISMO TOYOTISMO SISTEMA DE PRODUÇÃO RÍGIDO SISTEMA DE PRODUÇÃO FLEXÍVEL FUNÇÕES DEMARCADAS PARA OS TRABALHADORES TRABALHADORES POLIVANTES E MULTIFUNCIONAIS TAREFAS INDIVIDUALIZADAS ATIVIDADES COLABORATIVAS EDUCAÇÃO CORPORATIVA 113 A qualificação de trabalhadores sofre a influência desses modelos de produção e que se desdobram em dois padrões que podem ser identificados: o primeiro definido como qualificação formal para o modelo tradicional de produção; já o segundo identifica a qualificação tácita como prática do sistema flexível. É importante salientar que há empresas em que o modelo fordista de produção ainda é adotado. Contudo, existem as ilhas para a produção flexível. Sendo assim, os dois modelos podem coexistir dentro da mesma empresa, o que exige da Universidade Corporativa planejar ações educacionais de forma a atender essas duas realidades. Universidades Corporativas Os profissionais que atuam nas Universidades Corporativas e que precisam estar atentos às mudanças do mundo do trabalho, dos sistemas de produção e seus impactos para a empresa e seus negócios também carecem pensar os aspectos educacionais das ações que são traduzidas em: escolhas metodológicas;o tipo de abordagem que será adotada para a aprendizagem; tecnologias; parceiros; operacionalização de seus programas etc., inclusive, relevando o tipo de educação para o sistema de produção vigente. Um dos pontos que precisamos ressaltar é que com toyotismo a aprendizagem baseada no conhecimento tácito se tornou um ponto de discussão de estudiosos da educação e do mundo do trabalho. Há controvérsias entre o desenvolvimento de propostas de qualificação e o desenvolvimento de competências. Correntes teóricas se confrontam contra ou a favor de suas tendências. Cabe ao gestor da universidade corporativa e sua equipe analisarem o contexto no qual a organização está inserida e buscar as melhores soluções, as mais inovadoras e que se adequem ao cenário. Os profissionais que atuam nas Universidades Corporativas e que precisam estar atentos às mudanças do mundo do trabalho, dos sistemas de produção, EDUCAÇÃO CORPORATIVA 114 também devem estar atentos às ações educacionais e situações de aprendizagem que irão empreender. No caso da flexibilização da produção surgiu a necessidade de uma aprendizagem mais direcionada para a ação no chão de fábrica. Foi preciso rever a formação de trabalhadores para que se pudesse contar com profissionais polivantes e multifuncionais. Hirata (2013) distingue dois padrões de educação ajustados a esses sistemas produtivos: o primeiro é a educação formal (qualificação formal) mais ligada ao sistema de produção rígido, e o segundo, a qualificação tácita para o modelo flexível (toyotismo). Essa ambivalência traz para a pauta de nosso estudo a tese das polarizações das qualificações, ou seja, qualificações de alguns em detrimento de outros e o aparecimento do modelo de competências. Para que você possa entender melhor o que significa a tese da polarização das qualificações, imaginemos uma empresa de linha taylorista com dois grupos de trabalhadores. Um deles afastado das possibilidades e oportunidades de ser qualificado, e o outro grupo com colaboradores submetidos a uma série de programas educacionais e que se tornam qualificados para a produção. Logo, na mesma empresa, teremos coexistindo duas realidades: trabalhadores desqualificados e qualificados. Hirata (2013), em um de seus estudos sobre a tese da polarização das qualificações, explica que: O debate aberto por Braverman no inicio dos anos setenta em torno da desqualificação inelutável, gradual, progressiva como consequência do aprofundamento da divisão do trabalho no capitalismo teve uma de suas variantes consagradas durante um período relativamente longo: a tese da polarização das qualificações. Segundo essa tese, a modernização tecnológica estaria criando, de um lado, uma massa de trabalhadores desqualificados, de EDUCAÇÃO CORPORATIVA 115 outro, um punhado de trabalhadores superqualificados. As novas tecnologias reforçariam a divisão do trabalho e a desqualificação da mão de obra. A tese da polarização das qualificações, simplesmente, apresenta um panorama no qual o antigo sistema produtivo fragmentava a força de trabalho. As tecnologias serviam de mola propulsora para que a empresa tivesse trabalhadores qualificados submetidos aos procedimentos formais de qualificação por meio de componentes organizados e explícitos, viabilizados pelas escolas, formação técnica e educação profissional. Por outro lado, crescia a massa de trabalhadores desqualificados dentro das empresas. Essa tendência sofre uma quebra nos anos 80, a partir do momento em que o novo sistema de produção inicia a requalificação dos trabalhadores e o ingresso da microeletrônica no chão de fábrica. Emergem as empresas qualificadoras, que, nesse momento, privilegiam conhecimentos e atitudes distintos das qualificações formais. Tratava-se do novo modelo emanado das indústrias japonesas Esse novo padrão industrial, ao tratar de forma mais flexível à produção, passou a valorizar a qualificação tácita (denominada de social ou informal), adotada para se implantar as novas tecnologias nas empresas. Assim, o modelo de polarização das qualificações foi suplantado pelo modelo de competências, um padrão pós- taylorista. O desenvolvimento de competências e a educação corporativa Como pudemos ver em nossa aula, a mudança da polarização das qualificações para o modelo de competências foi uma transformação promovida com a entrada de novas tecnologias no sistema produtivo, a necessidade de inovação e um novo perfil de profissional polivalente. Para alguns autores, o novo modelo de produção tem suas dificuldades. Hirata (2013), por exemplo, aponta que a divisão de tarefas no chão de fábrica não é EDUCAÇÃO CORPORATIVA 116 igual, os homens são demandados para muitas tarefas, enquanto as mulheres ocupam um segundo plano na produção. O espaço feminino, de forma geral, está crescendo em nossa sociedade e, hoje, a mulher já consegue ocupar postos significativos nas organizações, antes só ocupados por homens. Mas, sabemos que há muito que avançar, e isso depende das organizações, movimentos de trabalhadores e de políticas públicas que firmem o espaço da mulher no âmbito do trabalho em todos os espaços. Helena Hirata Fonte: http://recherche.parisdescartes.fr Acesso em: 19 de fev. de 2015. Diferentes perspectivas sobre o tema competências Entre nós especialistas há posicionamentos distintos sobre as oportunidades e dificuldades do sistema de produção flexível. No que se refere à questão das competências, Silva e Schneider (2014) ressaltam que essas controvérsias nos enriquecem no sentido de termos diferentes opiniões sobre o mesmo ponto e descobrirmos suas contribuições e contradições. Conheça a opinião de três grandes estudiosos do tema. Le Boterf alia a competência ao saber + fazer e a mobilização de um conjunto de recursos de personalidade do trabalhador para resolver um problema (RICARDO, 2012). Le Boterf Fonte: http://www.cibcsudaquitaine.net/ Acesso em: 19 de fev. 2015. Zarifian aborda a questão do uso das tecnologias e das competências como uma nova forma de qualificação, que desenvolveria as capacidades dos EDUCAÇÃO CORPORATIVA 117 trabalhadores para o enfrentamento de situações inesperadas na produção (SILVA; SCHNEIDER, 2014). Zarifian (2003) salienta que o novo modelo teria sua atenção colocada não apenas nas qualidades que o trabalhador possui, mas também nas que ele poderia adquirir em um processo de produção qualificante. O novo conteúdo das qualificações promoveria a aquisição contínua de competência. Segundo o estudioso, competência é a capacidade de assumir responsabilidades frente a situações de trabalho complexas, aliada ao exercício sistemático de uma reflexividade no trabalho. Zarifian Fonte: http://philippe.zarifian.pagesperso-orange.fr Acesso em: 19 de fev. 2015. Marize Ramos (2014) sinaliza que esse é o momento em que surge a oportunidade para a valorização do conhecimento, recuperação do controle do saber e da produção pelo trabalhador. Marise Ramos Fonte: https://compartilharepsjv.files.wordpress.com Acesso em: 19 de fev. 2015. Distintas visões sobre as competências Como cada um desses estudiosos apresenta sua visão em torno do que consideram a questão das competências, vamos ver uma síntese com pontos principais sobre suas opiniões. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 118 Le Boterf (2003, p. 23) “Essa abordagem permite reencontrar o sujeito portador e produtor de competências”. “Diante das exigências incessantes de renovação e de adaptação dos produtos e serviços, e da necessidade de inovar, torna-se indispensável renovar os conhecimentos e as competências, colocando-se em situação de aprendizagem permanente”. Zarifian (2003, p. 137) “Competência é uma inteligência prática das situações, quese apoia em conhecimentos adquiridos e os transforma à medida que a diversidade das situações aumenta”. Marise Ramos (2014) “Esse deslocamento da qualificação para as competências no plano do trabalho produziu, no plano pedagógico, outro deslocamento, a saber: do ensino centrado em saberes disciplinares para um ensino definido pela produção de competências verificáveis em situações e tarefas específicas e que visa a essa produção, que caracteriza a ‘pedagogia das competências’”. Crítica à pedagogia das competências Certamente, você deve estar começando a formar sua opinião sobre esse tema e terá a oportunidade de expressar suas conclusões. Mas, com certeza já sabemos que a questão das competências é um momento que irá perdurar no sistema produtivo e que as universidades corporativas terão que lidar com tal situação, criando programas educacionais direcionados para desenvolver as competências estratégicas para esse momento do sistema de produção. O que também intuímos por meio de nossas leituras é que há um jogo de poder do sistema que trabalha com a possibilidade de criar sempre mecanismos de EDUCAÇÃO CORPORATIVA 119 maior ganho, mais lucro em tempo menor. O trabalhador, na verdade, tem que estar atento à essas variações do mercado e se manter atualizado permanentemente. Todavia, há uma questão, o trabalhador, o profissional produz apenas para o capital? Qual é o lugar de seu bem-estar, saúde, direitos e realizações? Em função dessas indagações é que Marize Ramos chama atenção e critica a pedagogia das competências, pois vê nessa proposta a exploração do trabalhador pelo capital, possibilidades de ganhos e formação, mas que atendem aos interesses do empresariado. Acredita que o modelo favorece as corporações, deixando de lado a educação básica e a profissionalização do trabalhador. Conclusão E qual é a posição das universidades corporativas diante das dicotomias apresentadas? Como você vê sua atuação e as escolhas que precisa realizar para operacionalizar os programas de educação corporativa? A educação corporativa tem alternativas muito interessantes entre suas possibilidades e limites, despertar a cidadania do trabalhador é essencial, a cidadania corporativa, mas a social também, pensar que as ações empreendidas e que os programas para o desenvolvimento de competências estratégicas para o trabalho, podem significar fidelização do trabalhador à organização, ou, então, a sua preparação para uma nova empresa, uma nova oportunidade de emprego ou sua melhoria profissional dentro da própria organização. No Brasil, as universidades corporativas estão crescendo a cada dia, mas também é verdade que ainda há aquelas que usam o título, colocam um site no ar e uma grade de cursos a distância e vídeoaulas e já se denominam EDUCAÇÃO CORPORATIVA 120 universidades corporativas. Porém, não atendem diversos requisitos apresentados por Meister para a criação de uma unidade de aprendizagem denominada Universidade Corporativa e nem sequer empreende ações ou investimentos significativos em programas educacionais que façam a diferença, não mapeiam competências, não desenham os itinerários formativos, não desenvolvem um projeto político pedagógico ou criam espaços de salas de aula ou capacitam seu próprio corpo docente ou criam parcerias com universidades ou escolas técnicas. São ainda os setores de treinamento travestidos de falsas academias e que de fato não estão comprometidos com a educação do trabalhador e com as possibilidades ou com a diferença que possam fazer na vida desses profissionais e em suas carreiras. Esse é um bom momento para pensar se você quer realmente atuar na educação de trabalhadores nas organizações, refletir sobre aprendizagem ou se quer fazer do seu setor de treinamento mais um espaço físico bonito chamado de escola de líderes. Se não nos questionarmos sobre o papel das universidades corporativas e de sua gestão e equipe técnica, vamos praticar as mesmas ações de qualificação e desqualificação de trabalhadores cometidas pelo antigo modelo, a educação corporativa irá perder sua oportunidade de abrir espaços reais, irá reduzir seu campo de atuação e a prática da gestão do conhecimento perderá sua validade e suas possibilidades de ajudar a criar o conhecimento organizacional e ao mesmo tempo, desenvolver os profissionais para produzir conhecimentos e desenvolver seu aspecto social, levando em consideração sua integração no mundo em que vive. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 121 Atividade proposta Hora de pararmos para refletir sobre tudo o que aprendemos e expressar o que apreendemos depois de todas as leituras e atividades realizadas. Vamos retomar a nossa reflexão em torno do filme Tempos Modernos. Responda: Qual é o papel do educador no espaço empresarial? Chave de resposta: Certamente, o educador engajado no espaço empresarial tem o compromisso com o desenvolvimento de ações educacionais direcionadas para que sejam atingidos os objetivos estratégicos da organização. Contudo, o aspecto da humanização dos postos de trabalho é fundamental nas empresas atuais. Esse é um aspecto a ser considerado quanto ao papel social da educação no espaço do trabalho e quanto mais o trabalhador se sentir acolhido melhor irá aprender, mais ele irá se desenvolver e, hoje, a retenção de talentos se tornou fundamental para as organizações diante do apagão de mão de obra. Material complementar Para saber mais sobre a tese da polarização das qualificações e sobre a história do sistema produtivo, assista aos vídeos disponíveis em nossa galera de vídeo. Referências HIRATA, H. Da polarização das qualificações ao modelo da competência. In.: FERRETI, C.J. et al.( Orgs.). Novas tecnologias, trabalho e educação: um debate multidisciplinar. Petróplis: Vozes, 2013. p. 128-142. LE BORTERF, Guy. Desenvolvendo a competência dos profissionais. Porto Alegre: Artmed, 2007. RAMOS, M.N. Pedagogia das Competências. Disponível em: http://www.epsjv.fiocruz.br/dicionario/verbetes/pedcom.html. Acessado em: 10 nov 2014. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 122 RICARDO, E.J. Educação corporativa e aprendizagem: as práticas pedagógicas na era do conhecimento. Qualitymark: Rio de Janeiro, 2012. SILVA, A.P.; SCHNEIDER, H.N. Reflexões sobre a utilização das tecnologias da informação e da comunicação em programas de educação corporativa. Disponível em: http://scientiaplena.org.br/sp/article/download/131/22. Acessado em 10 nov. 2014. ZARIFIAN, P. O modelo de competência: trajetória histórica, desafios atuais e propostas. São Paulo: Senac SP, 2003. Exercícios de fixação Questão 1 Marque a opção que indica um dos antigos modelos de produção adotadas no sistema produtivo: a) Toyotismo b) Neotoytismo c) Neofordismo d) Fordismo Questão 2 Marque a opção correta: a) O modelo de produção taylorista se manteve como um sistema de produção de massa até o surgimento do fordismo como um modelo diferenciado de produção. b) O toyotismo aproxima as fases de concepção, controle e execução no sistema de produção. c) O fordismo tem como característica o trabalho multifuncional. Questão 3 Coloque F para as sentenças falsas e V para as verdadeiras. I. O toyotismo tem como uma de suas bases o trabalho cooperativo. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 123 II. Um dos fundamentos do toyotismo propõe a adoção de profissionais polivalentes. III. Os trabalhadores do sistema toyotista tem uma visão fragmentada do processo de produção. IV. O toyotismo propõe que o trabalhador passe no seu cotidiano do trabalho pela rotação de tarefas no sistema de produção. A sentença correta é: a) I – V; II – V; III – F; IV – V. b) I – F; II – V; III – V; IV – F. c) I – F; II – F; III – F; IV – V. Questão 4 Analise as afirmativas: I - Os sistemas de produçãotaylorista e fordista possuem como característica a rigidez. II - Os sistema fordista e taylorista se baseiam na individualização das tarefas. III - Há empresas que conciliam o sistema tradicional e o novo modelo, usando ilhas de produção flexível. Marque a alternativa correta: a) Apenas as afirmativas I e III estão corretas. b) Nenhuma das afirmativas está correta. c) Todas as afirmativas estão corretas. d) Todas estão incorretas. Questão 5 Marque falso ou verdadeiro: Ao relacionarmos os termos qualificação e polarização das competências, podemos afirmar: a) C; C; Q, Q b) C; Q; Q, C c) Q; C; Q, C. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 124 Questão 6 Marque falso ou verdadeiro: Ao relacionarmos os termos qualificação e polarização das competências, podemos afirmar: ( ) A) Hirata (2013) distingue dois padrões de educação ajustados a esses sistemas produtivos: o primeiro é a educação formal e o segundo ao modelo de especialização flexível. ( ) A qualificação formal está ligada ao sistema de produção rígido e a polarização das competências à qualificação tácita ( toyotismo). ( ) Se com o fordismo temos uma massa desqualificada de trabalhadores, no modelo flexível encontramos um grupo de trabalhadores altamente qualificados. Questão 7 Observe as sentenças abaixo: I. O modelo de competências foi uma transformação promovida com a entrada de _______________________no sistema produtivo. II. É bom conhecer __________________perspectivas sobre o tema competências. III. A divisão de tarefas não é igual no _____________, os homens são demandados para muitas ____________, enquanto as mulheres ocupam um segundo plano na__________________________. A palavras que correspondem as lacunas são: a) I. novas tecnologias; II. diferentes; III. chão de fábrica, tarefas, produção. b) I. diferentes tarefas; II. novas; III. chão de fábrica, tarefas, gestão. c) I. teorias capitalistas; II. tradicionais; III. chão de fábrica, tarefas, produção. Questão 8 Preencha com C (certo) ou E (errado) para as sentenças abaixo: EDUCAÇÃO CORPORATIVA 125 I. Zarifian trata a questão do uso das tecnologias e das competências como uma nova forma de qualificação. II. Para Zarifian (2003) competência é a capacidade de assumir responsabilidades frente a situações complexas. III. Segundo Zarifian ( 2003) os trabalhadores não conseguiriam com o novo modelo resolver problemas inesperados. a) I – C; II – E; III – E. b) I – C; II – C; III – E. c) I – E; II – C; III – C. Questão 9 Relacione as visões sobre competências aos seus autores; (L) Le Boterf (Z) Zarifian (M) Marise Ramos I. ( ) Houve um deslocamento do ensino centrado em saberes disciplinares para um ensino definido pela produção de competências. II. ( ) Competência é uma inteligência prática das situações que se apoia em conhecimentos adquiridos e os transforma à medida que a diversidades das situações aumenta. III. ( ) Essa abordagem permite reencontrar o sujeito portador e produtor de competências. A sequencia correta é: a) I – M; II – Z; III – L. b) I – B; II – M; III – Z. c) I – L; II – B; III – L. Questão 10 Marque a alternativa incorreta. Diante do cenário das Universidades Corporativas e seu compromisso com o desenvolvimento de competências e a educação do trabalhador, podemos afirmar que: EDUCAÇÃO CORPORATIVA 126 a) Ainda há no Brasil setores de treinamentos que não se transformaram em universidades corporativas e que se denominam como tal. b) Está havendo um retrocesso nas universidades corporativas no Brasil. Desde o início da pedagogia das competências as universidades corporativas diminuíram. c) Uma das possibilidades das Universidades Corporativas é desenvolver profissionais para produzir conhecimento, levando em consideração seu ser social, auxiliando em sua integração no mundo em que vive. Questão 11 São possibilidades de atuação das universidades corporativas diante da dicotomia homem e trabalho: I. Despertar o trabalhador para o seu papel de cidadão na sociedade. II. Preparar o profissional para uma melhoria dentro da organização. III. Desenvolver programas educacionais que estimulem a fidelização do trabalhador à empresa. a) Todas as afirmativas estão corretas. b) Apenas I e II estão corretas. c) Nenhuma das afirmativas está correta. Aula 6 Exercícios de fixação Questão 1 - D Justificativa: O fordismo é o antigo padrão do sistema de produção em que as tarefas são rigidamente estabelecidas e prescritas para serem seguidas. Inclusive, tal modelo de produção interferia no comportamento dos trabalhadores não estimulando o trabalho colaborativo. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 127 Questão 2 - B Justificativa: Como vimos em nossas aulas, o fordismo não foi o modelo novo que surgiu, mas o toyotismo, que inclusive trazia a proposta do trabalho multifuncional. Questão 3 - A Justificativa: A afirmativa III é falsa, pois os trabalhadores do sistema toyotista tem uma visão global do processo de produção. Questão 4 - D Justificativa: Todas as respostas indicam características dos distintos sistemas de produção. Inclusive, a convivência em uma mesma organização de um modelo misto de produção. Questão 5 - B Justificativa: A qualificação tácita é uma das características do modelo de competências que se contrapõem ao padrão formal de qualificação realizado pelas escolas, cursos técnicos e profissionalizantes. No modelo por competências os trabalhadores são requalificados, enquanto no modelo de polarização das qualificações somente um grupo é qualificado e os demais são desqualificados. Questão 6 - V, V, V Justificativa: Como foi possível compreender, a qualificação tácita que é uma das características do modelo de competências que se contrapõem ao padrão formal de qualificação realizado pelas escolas, cursos técnicos e profissionalizantes. Questão 7 - A Justificativa: No segundo tópico de nossa aula pudemos observar que as novas tecnologias formam a base do novo sistema produtivo. Esse novo modelo promoveu discussões e diferentes perspectivas sobre o tema competências, EDUCAÇÃO CORPORATIVA 128 inclusive sobre a divisão do trabalho, sendo que nesse padrão os homens seriam mais aproveitados para muitas tarefas, e as mulheres assumiriam outras tarefas em segundo plano na produção. Questão 8 - B Justificativa: A afirmativa III está incorreta, pois, para Zarifian, os trabalhadores com o novo modelo, o uso das tecnologias e o desenvolvimento de competências está preparado para resolver problemas inesperados. Questão 9 - A Justificativa: A sequencia I corresponde à Marise Ramos, a II a Zarifian e a II a Le Boterf. Questão 10 - B Justificativa: A resposta B está incorreta, pois na verdade as universidades corporativas estão em expansão. Questão 11 - A Justificativa: Todas as respostas estão corretas, pois a Universidade Corporativa também tem um compromisso com o trabalhador e com o desdobramento de suas ações educacionais no desenvolvimento desse colaborador. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 129 Introdução Nesta aula, você estudará a educação corporativa e a qualificação do trabalhador do ponto de vista da educação emancipatória. Seja bem-vindo e vamos em frente! Bons estudos! Objetivo: 1. Discutir a educação do trabalhador do ponto de vista da qualificação de trabalhadores e das formas de educação corporativa e continuada; 2. Mostrar a relação entre educação corporativa e sua interface com a educação emancipatória. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 130 Conteúdo Educação continuada e a qualificação de trabalhadores Como já vimos na aula anterior, a qualificação profissional (ou qualificação do trabalho) está relacionada aos sistemas de produção rígidosque demandam uma educação formal oferecida por escolas, cursos técnicos ou profissionalizantes. Porém, atualmente, as empresas têm buscado, cada vez mais, o desenvolvimento de competências estratégicas e investir em processos de educação continuada de seus colaboradores. Para Deluiz (2014), o tema qualificação aparece nos anos de 1980 na Europa e, no Brasil, nos anos de 1980 e 1990. Porém, na década de 90, o tema assume relevância para a agenda de governos, empresários, sindicatos e mídia, que o consideram como um caminho para solucionar os problemas de mercado de trabalho. Conceito de qualificação profissional Se você tivesse que conceituar o que é qualificação profissional, como definiria? Podemos dizer que há distintas visões sobre o que venha a ser a definição de qualificação profissional. Segundo a leitura de Deluiz (2014), são destacadas duas definições de teóricos renomados: Friedmann e Naville. Friedmann Para Friedmann, a qualificação do trabalho está “relacionada ao conteúdo do trabalho e a complexidade da tarefa”, e a qualificação do trabalhador se refere “à posse de saberes e tempo de formação” (DELUIZ, 2014). Deluiz (2014) critica a visão de Friedmann, uma vez que ele vincula as definições aos processos e progressos técnicos e, também, às mudanças EDUCAÇÃO CORPORATIVA 131 organizacionais, limitando “a qualificação para os postos de trabalho a uma lista de tarefas” e a “qualificação do trabalhador a uma lista de atributos pessoais”. Naville Para Naville, “é um processo e um produto social que decorre, por um lado, da relação e das negociações tensas entre capital e trabalho, e, por outro, de fatores socioculturais que influenciam o julgamento e a classificação que a sociedade faz sobre os indivíduos” (DELUIZ, 2014). Dentro dessa perspectiva de Naville, a definição de qualificação depende do jogo de forças que ocorrem entre o sistema de produção (a indústria) e o trabalhador (indivíduo). Há também os fatores tempo e espaço, que influenciam em tal questão e que estão relacionadas à cultura, política, condições sociais e econômicas, e que podem delimitar os critérios para definir o que é um trabalho qualificado (DELUIZ, 2014). Friedmann X Naville Veja o quadro comparativo entre Friedmann e Naville sobre qualificação: Friedmann • Classificação em qualificação do trabalhado e qualificação do trabalhador; • Qualificação profissional depende de mudanças, processos e progressos técnicos e mudanças organizacionais. Naville • Qualificação definida de acordo com o contexto (cultura, política, condições sociais e econômicas). Ela é influenciada pelo tempo e espaço; • Qualificação é um processo. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 132 Quadro organizado a partir das leituras de Deluiz (2014). Processo de aprendizagem Um dos pontos que devemos estar atentos é que a qualificação profissional pressupõe a participação em cursos, avaliação e certificação, ou seja, que o trabalhador se submeta a um processo de aprendizagem. Os cursos devem apresentar carga horária e grade curricular com o conjunto de disciplinas (conteúdos) que o embasem teoricamente e ofereçam subsídios para a prática (RICARDO, 2012). O Ministério do Trabalho e a qualificação profissional A questão da qualificação profissional tem sido alvo de debates há anos. Inclusive, esse é um tema permanente em função da abertura e manutenção dos postos de trabalho. O Ministério do Trabalho e Emprego – MTE tem política pública para emprego e qualificação denominada Plano Nacional de Qualificação Profissional – PNQ. Vamos ler o que o MTE declara sobre o PNQ: “A política pública de qualificação desenvolvida no âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE promove gradativamente a universalização do direito dos trabalhadores à qualificação, com vistas a contribuir para o aumento da probabilidade de obtenção de emprego e trabalho decente e da participação em processos de geração de oportunidade de trabalho e renda, inclusão social, redução da pobreza, combate à discriminação e diminuição da vulnerabilidade das populações”. Fonte: http://www3.mte.gov.br/pnq/ As políticas públicas existem para auxiliar milhares de trabalhadores, escolas e cursos profissionalizantes, mas o apagão de mão de obra no Brasil continua. Em relação à certificação profissional, leia a definição do MTE: “A certificação profissional pode ser entendida como o reconhecimento formal dos saberes e práticas do(a) trabalhador(a) desenvolvidos na experiência de EDUCAÇÃO CORPORATIVA 133 vida, de trabalho, na escola ou em programas de qualificação social e profissional. Seu sentido consiste em tornar-se uma estratégia para promover a formação continuada e ao longo da vida e para ampliar as oportunidades de acesso do(a) trabalhador(a) brasileiro(a) ao mundo do trabalho”. Fonte: http://www3.mte.gov.br/pnq/proposta_governamental.pdf Universidades corporativas Como foi possível verificar anteriormente, a questão do reconhecimento formal por instituições credenciadas dos saberes e práticas do trabalhador submerge por meio da certificação, que pode ser realizada por uma instituição de ensino formal ou por entidades formadoras (Sistema S) e organismos acreditados. Exatamente trinta e duas universidades corporativas participaram de uma pesquisa realizada por Ricardo (2012) sobre as práticas pedagógicas e educação corporativa na era do conhecimento, a qual revelou a importância que a certificação tem para os programas educacionais empreendidos pelos próprios centros universitários. O estudo apresenta a preocupação das universidades corporativas com a qualidade dos cursos ministrados e o impacto de seus empreendimentos em EC. Conheça algumas opiniões de universidades corporativas que participaram da pesquisa e expressaram suas opiniões sobre a certificação (RICARDO, 2012, p. 77). • [...] Estimula o empregado no gerenciamento de carreira e no desenvolvimento pessoal e profissional. • [...] Os cursos são necessários ao progresso na carreira. • [...] Certificação é utilizada para comprovar o conhecimento adquirido pelo profissional por meio da educação junto à instituição e à sociedade. • [...] Aumento na confiabilidade do cliente final na empresa que possui colaboradores e na sociedade. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 134 Certificações Para essas empresas, a certificação significa reconhecimento, confiabilidade e qualidade em torno da força de trabalho que compõe a corporação. É interessante, também, saber quem são as instituições que certificam e os percentuais envolvidos. Como é possível observar no gráfico, as que mais certificam, primeiramente, são as universidades públicas; em segundo, as instituições de ensino privado e, depois, as próprias UCs (RICARDO, 2012). A certificação é uma questão relevante para as UCs, que, apesar de serem unidades de educação corporativa, não são instituições de ensino, nem organismos formadores ou credenciados. Enfim, os investimentos são crescentes em educação continuada e, para qualificar profissionalmente um trabalhador, são construídas parcerias com instituições certificadoras. Entendendo as UCs O trabalho de uma UC é desafiador. Ela precisa desenvolver as competências estratégicas para os negócios da organização, preparar um profissional polivalente para responder às novas exigências das empresas e, ao mesmo tempo, ter um olhar para a humanização dos postos de trabalho. Com a oportunidade de oferecer educação continuada aos colaboradores da organização, as UCs, frequentemente, precisam negociar suas atividades com as instituições de ensino; essas negociações incluem: revisões curriculares, desenvolvimento de estudos sobre aprendizagem, fomentação de pesquisas e uma série de atividades complementares para avançar e sanar os gapsde formação dos profissionais da empresa. Na atualidade, a educação corporativa nas políticas de recursos humanos está vinculada, na maioria dos casos, ao desenvolvimento de recursos humanos, que se tornou um item valioso para a retenção de talentos nas organizações e, EDUCAÇÃO CORPORATIVA 135 principalmente, para as novas gerações que não se sentem compromissadas com suas permanências na organização. Agora, educação significa fidelização do trabalhador à empresa. As universidades corporativas enfrentam os desafios da humanização dos postos de trabalho através da educação e da fidelização de trabalhadores. A interface com a educação emancipatória Antes de adentrarmos na relação entre educação corporativa e educação emancipatória, vamos esclarecer o que significa educação emancipatória. Alguns teóricos, como Marx, Adorno, entre outros, discutiram o conceito de emancipação com profundidade. Marx, por exemplo, relacionava a questão da emancipação às dimensões política e humana. Karl Marx - “Nasceu em 1818, em Trier, sul da Alemanha (então Prússia) e morreu em 1883, em Londres. O pensador alemão foi um dos mais influentes de todos os tempos. Investigou a mecânica do capitalismo e previu que o sistema seria superado pela emancipação dos trabalhadores. No século XX, o pensamento de Marx foi submetido a numerosas interpretações, agrupados sob a classificação de marxismos.” Pensamento de Marx sobre emancipação Vamos expandir nosso estudo sobre esse tema. Sendo assim, que tal entender o que Marx pensava sobre emancipação? Marx relacionava a emancipação à liberdade, tanto como prática quanto como direito. Porém, a sociedade burguesa manteria um jogo de poder que colocaria em xeque o direito e a liberdade, e imporia seus limites. O trabalhador envolvido pelos sistemas de exploração e alienação estaria intrincado por uma falsa perspectiva de liberdade, uma vez que seria submisso ao capital através do trabalho. Essa filosofia burguesa se contrapõe às dimensões universalistas EDUCAÇÃO CORPORATIVA 136 de emancipação da humanidade, solidariedade e do social preconizadas por Marx (BORGES, 2014). Pensamento de Silva sobre emancipação Agora que você já conhece o pensamento de Marx sobre emancipação, vamos estudar a visão de Silva (2014) sobre este tema. Emancipar-se, assumir a liberdade, não se sujeitar mais a outrem, seguir seu próprio caminho, desatar as amarras que prende e impede o homem de ser livre. A emancipação tem a ver com a assunção do protagonismo e tomada de decisões a partir de seus princípios e concepções. [...] Subjacente a essa ideia, ser emancipado pode ser a condição de andar com suas próprias pernas, não ser tutelado por interesses alheios, promover entendimentos e constituir opiniões sobre sua inserção no mundo [...]. O compromisso da educação emancipada Portanto, a educação emancipatória teria o compromisso de criar condições de inclusão dos que estariam afastados de condições dignas de vida, mesmo perante tanto avanço das ciências e tecnologias de produção. Porém, a emancipação pressupõe que os indivíduos entendam que são sujeitos de direitos conquistados com esforços próprios (SILVA, 2014). Na atualidade, os processos emancipatórios já são diferentes. Para Silva (2014), a emancipação significa o contraponto a tudo que desqualifica a vida e que prioriza os interesses do capital. Isso não representa ser contra a produção, mas, sim, pensar no bem-estar social da maioria, vivendo em uma sociedade em que possamos ser livres, sem oprimidos e opressores. Um estado de igualdade e de felicidade social. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 137 Logo, a educação emancipatória tem um compromisso com a libertação do indivíduo, com seu bem-estar social. Estamos falando de uma educação que valoriza o ser humano. Que tal lermos a definição de educação emancipadora de Silva (2014) e ampliarmos um pouco mais o nosso estudo? A educação emancipadora é aquela que se relaciona com pensamentos e ações que tornam as pessoas mais felizes, em que a produção material seja distribuída ou oportunizada a todos (SILVA, 2014). Prática educacional A emancipação é relacionada à liberdade, autonomia. Ao realizarmos uma educação que ajude os indivíduos a exercerem a cidadania, a descobrirem seus próprios valores e a construírem a sua própria identidade, libertos da opressão, contribuímos consideravelmente para uma sociedade mais solidária. Mas como isso se traduz na prática educacional? Freire (2004) destaca, primeiramente, o respeito ao educando, à sua dignidade e à sua identidade. O educador necessita conhecer e compreender o educando, além de adotar uma prática docente que seja coerente com o saber do seu aluno. Um dos pontos que podemos tratar é sobre a capacidade criadora. Se o trabalhador do passado era o reprodutor, o colaborador da empresa atual é o que está comprometido com a criação do conhecimento na organização e com o compartilhamento de seus conhecimentos e suas práticas. Portanto, as ações educacionais no ambiente empresarial que tem uma visão da educação emancipatória precisam colocar em destaque os seguintes princípios: Autonomia do aluno; EDUCAÇÃO CORPORATIVA 138 Estímulo à criatividade; Incentivo ao exercício da cidadania; Educação para a liberdade. Se as empresas esperam por profissionais críticos e pensantes, capazes de responder aos problemas cotidianos do trabalho, então, é imperativo que os programas educacionais instiguem o espírito crítico e reflexivo, em qualquer que seja o itinerário formativo que o trabalhador venha a cumprir. A empresa pode ser também um espaço de educação; mas, é preciso que seus dirigentes tenham consciência que é um investimento de médio e longo prazo, e que seus resultados, mensuráveis ou não, precisam impactar positivamente na vida do trabalhador. Talvez essa seja a fórmula da retenção de talentos. Uma educação empresarial que emancipa o trabalhador e respeita suas individualidades e capacidades torna a empresa em um espaço de aprendizagem e de construção do conhecimento, além de dar-lhe a liberdade de se sentir parte, verdadeiramente, do corpo da empresa. Isso é evidenciado a partir do momento em que o colaborador pode refletir sobre a empresa, buscar soluções, responder a questões que, talvez, sem um espírito inventivo, não se chegasse a uma inovação, a um novo produto ou serviço. Pedagogia emancipatória A educação emancipatória no espaço empresarial torna a empresa em um ambiente de aprendizagem e de construção do conhecimento. É preciso que as empresas percebam que o trabalhador da atualidade é um pensador, criador de conhecimento. Nas organizações, devem existir espaços alternativos para a aprendizagem, ou seja, uma educação corporativa que quebre a lógica dos conteúdos lineares e de salas de aulas tradicionais. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 139 Podemos dizer que, além de promovermos uma pedagogia emancipatória no espaço das universidades corporativas e adotar leituras de teóricos, como Paulo Freire, como a base de tais propostas, precisamos fazer uma releitura de tais teorias à luz do século XXI e do contexto atual do país e do mundo. Pedagogia da omissão Também temos o compromisso contra a pedagogia da omissão. Mas, que prática é essa? A pedagogia da omissão é perversa, prima-irmã da pedagogia do oprimido. Ela é capaz de gerar pessoas incapazes de pensar, criar, contestar e, até mesmo, de apresentar respostas a problemas cotidianos. Esses indivíduos são vítimas daqueles que, hoje, se revestem de uma imagem de educadores democráticos, pois é bom dizer que é democrático (RICARDO, 2012). A educação corporativa tem pacto com a empresa e com o trabalhador. Seus educadores devem ser profissionais compromissados com a qualidade da educaçãoe com o conhecimento legítimo. Sendo assim, de forma alguma a UC pode ser espaço para que educadores autoritários transformem o ambiente de aprendizagem em um lugar para proliferação de conteúdos desconectados da realidade da empresa e do educando, que instaurem o silêncio como elemento de ausência de expressão do ser. O silêncio é uma forma de expressão. Ele pode revelar sentimentos, situações e, inclusive, a ausência de manifestação do ser. E os motivos podem ser diversos. No contexto do nosso curso, o silêncio é fruto de uma opressão, sem voz, sem autoridade, sem autonomia. Humanizar a empresa Humanizar a empresa pode ser uma das metas da UC a partir de uma proposta de educação emancipatória, tendo em vista uma empresa comprometida com a solidariedade e a sustentabilidade, com o social e a ética. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 140 Com tantos desafios para as universidades corporativas, é necessário um corpo gestor composto por profissionais engajados com a educação (tanto como diferencial competitivo quanto voltado para o âmbito social) e que seja capaz de responder a várias demandas. A ética no ambiente de trabalho combate práticas de abusos de poder e assédios tanto morais quanto sexuais, entre outros. E somente uma educação consciente e realmente interessada no bem-estar de seus colaboradores pode pensar em programas educacionais que englobem tais temas, tão preocupantes e relevantes nos dias atuais. Também é essencial considerar uma educação voltada para o respeito à diversidade e à inclusão, visto que muitas empresas pensam demasiadamente em tecnologia e se esquecem de considerar aspectos que são inegociáveis no espaço empresarial no século XXI. Atividade proposta Assista ao vídeo em que Rubem Alves realiza uma série de reflexões sobre a educação e o papel do educador. Esse é o momento ideal para questionarmos o sistema educacional e vislumbrarmos quais podem ser as nossas ações e contribuições. E você? Concordará com as ideias de Rubens Alves? Chave de resposta: A proposta de Rubem Alves é de uma educação em que o educador estimula o educando à descoberta, sua autonomia para buscar as respostas, as soluções, cabendo ao docente estimular a inteligência do aluno. Rubem Alves destaca a provocação à inteligência do aluno e o papel da escola e do professor. Tais sugestões são aplicáveis nas empresas como práticas da educação corporativa. Estimular que, no espaço empresarial, essa educação não entregue as respostas, mas que provoque o colaborador a buscá-las. Referências DELUIZ, N. Qualificação profissional, trabalho e formação. Disponível em: http://www.epsjv.fiocruz.br/upload/d/neise.pdf. Acessado em: 10 dez. 2014. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 141 FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Paz e terra: São Paulo, 2004. BORGES, N.M. Em defesa da política e da humanidade: contribuições de Karl Max para as reflexões jurídicas contemporâneas acerca dos direitos humanos. Disponível em: http://www.sociologiajuridica.net.br/numero-4/186- em-defesa-da-politica-e-da-humanidade-contribuicoes-de-karl-marx-para-as- reflexoes-juridicas-contemporaneas-acerca-dos-direitos-humanos. Acessado em: 10 dez. 2014. RICARDO, E.J. Educação corporativa e aprendizagem: as práticas pedagógicas na era do conhecimento. Qualitymark: Rio de Janeiro, 2012. SILVA, L. E. Educação emancipatória: significado e sentidos. Disponível em: http://www.ijui.com/blog-do-luiz-etevaldo-da-silva/60828-educacao- emancipatoria-significado-e-sentidos.html. Acessado em: 10 dez. 2014. Exercícios de fixação Questão 1 Complete as sentenças apresentadas usando conceitos e expressões que dão sentido às frases abaixo. Hoje, as empresas têm buscado cada vez mais o desenvolvimento de ________________estratégicas e investir em processos de _______________de seus colaboradores. Nos dias atuais, o tema____________ reaparece; isso aconteceu nos anos de 1980, na Europa, e no ___________, nos anos de 1980/1990. Na década de 90, o tema qualificação se torna relevante para a _______________, ______________, _____________ e mídia. a) Competências, educação continuada, qualificação, Brasil, agenda de governo, empresários, sindicatos. b) Educação continuada, Brasil, agenda de governo, competências, empresários, sindicatos, qualificação. c) Brasil, agenda de governo, educação continuada, competências, sindicatos, qualificação, empresários. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 142 d) Competências, educação continuada, Brasil, qualificação, empresários, sindicatos, agenda de governo. Questão 2 Coloque F para as sentenças falsas e V para as verdadeiras. ( ) Para Friedmann, a qualificação do trabalho está relacionada ao conteúdo do trabalho e à complexidade da tarefa. ( ) Para Friedmann, a qualificação do trabalhador se refere à posse de saberes e tempo de formação. ( ) Friedmann limita a qualificação para os postos de trabalho a uma lista de tarefas. Questão 3 Leia as sentenças abaixo e marque a afirmativa incorreta. a) Naville define qualificação como um processo e produto social. b) Segundo Naville, a definição de qualificação depende do jogo de forças entre a indústria e o trabalhador. c) Para Naville, o conceito de qualificação independe do contexto; o tempo e o espaço não interferem. Questão 4 Leia as sentenças abaixo e marque a afirmativa correta. a) Para Friedmann, a qualificação profissional depende da continuidade dos processos e das técnicas nas organizações. b) Para Naville, a qualificação é um processo. c) As condições econômicas não interferem diretamente na qualificação do trabalhador. Questão 5 Marque os elementos que fazem parte da qualificação profissional. a)Participação em cursos, cursos técnicos e profissionalizantes b)Avaliação EDUCAÇÃO CORPORATIVA 143 c)Certificação d)Instituições não credenciadas e)Grade curricular Questão 6 Coloque F para as sentenças falsas e V para as verdadeiras. ( ) A sociedade mantém um jogo de poder que envolve o trabalhador, e o subjuga e lhe impõe limites à liberdade (Marx). ( ) A emancipação está relacionada às concepções universais de emancipação da humanidade, solidariedade e dimensão social (Marx). ( ) A emancipação pressupõe a dimensão estética do homem e sua independência econômica (Marx). Questão 7 Assinale apenas as frases verdadeiras sobre emancipação. a)Para Silva (2014), emancipar é assumir o controle sobre a liberdade do outro. b)Ser emancipado pode ser a condição de andar com suas próprias pernas (SILVA, 2014). c)A educação emancipatória tem o compromisso de criar condições de inclusão para aqueles que estariam afastados de condições dignas de vida, mesmo diante dos avanços das ciências e das tecnologias de produção (SILVA, 2014). Questão 8 Marque as frases que identificam o conceito de educação emancipatória. a)Tem compromisso com a libertação do indivíduo. b)Valoriza do indivíduo. c)Está relacionada ao bem-estar do indivíduo. d)Torna as pessoas mais felizes. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 144 Questão 9 Marque apenas as práticas de educação emancipatória. a)Considerar o educando b)Respeitar a identidade do educando c)Conhecer o educando d)Apontar as fraquezas do educando Questão 10 Sinalize as sentenças corretas que identificam a prática da educação emancipatória na educação corporativa. a)Educação para a autonomia b)Estímulo à criatividade c)Incentivar o espírito crítico e reflexivo d)Exercício da liberdade e da cidadania Aula 7 Exercícios de fixação Questão 1 - A Justificativa: Como vimos em nossa aula, em função do novo sistema de produção, as empresas procuram manter seus colaboradores atualizados e qualificados. É importante rememorar que o conceito de qualificação depende de tempo e espaço. Assim, há momentos em que o tema émais relevante e, em outros, nem tanto. Questão 2 - V, F, V Justificativa: A primeira e a terceira questões são verdadeiras, pois retratam os impactos da globalização no mercado e no mundo do trabalho. Já a segunda questão é falsa, pois o processo de automação tem crescido nas empresas com a informatização e adoção de robôs. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 145 Questão 3 - C Justificativa: Para Naville, o conceito de qualificação depende do contexto; o tempo e o espaço influenciam, visto que estão relacionados à cultura, política etc. Questão 4 - B Justificativa: Para Naville, a qualificação é um processo e depende do contexto. Para Friedman, a qualificação profissional depende de mudanças, processos e progressos técnicos e mudanças organizacionais. É bom destacar que é evidente que as condições econômicas interferem diretamente na qualificação do trabalhador, pois são elas que vão influenciar na produção e, consequentemente, nas demandas por formação. Questão 5 - A, B, C, E Justificativa: A quarta questão não corresponde à qualificação profissional, pois esta só pode ser realizada por instituições credenciadas como instituições de ensino formal e entidades formadoras, como as do sistema S e organismos acreditados. Questão 6 - V, V, F Justificativa: A emancipação para Marx tem duas dimensões: a política e a humana. Questão 7 - B, C Justificativa: A primeira questão não é verdadeira, pois a sentença correta é “ emancipar-se, assumir a liberdade, não se sujeitar a outrem, seguir seu próprio caminho” (SILVA, 2014). Questão 8 - A, B, C, D Justificativa: Todas as sentenças estão relacionadas ao conceito de educação emancipatória. A educação emancipatória, na visão de Silva (2014), é libertadora, proporciona autonomia, tem estratégias de promoção que EDUCAÇÃO CORPORATIVA 146 valorizam o indivíduo e busca tornar as pessoas mais felizes através do seu próprio bem-estar. Questão 9 - A, B, C Justificativa: A única resposta que a prática não se aplica à educação emancipatória é a que aponta as fraquezas do educando (a quarta questão). Essa é uma prática de educação que valoriza o educando e busca, no processo de aprendizagem, levá-lo a realizar suas descobertas de forma autônoma. Questão 10 - A, B, C, D Justificativa: Todas as respostas estão corretas. A educação corporativa, ao adotar princípios da educação emancipatória, se compromete com uma educação destinada à autonomia, liberdade, cidadania e desenvolvimento do espírito reflexivo e crítico do trabalhador. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 147 Introdução Nesta aula você aprofundará seus estudos sobre os princípios que norteiam a composição de uma proposta de formação profissional integral. Objetivo: 1. Discutir a importância de uma proposta de formação profissional integral comprometida com os interesses dos trabalhadores; 2. Apresentar os princípios que fundamentam a formação profissional integral. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 148 Conteúdo Formação profissional integral do trabalhador Você poderia responder a essas perguntas? Todos os dias na televisão, em especial na TV Globo, um de seus telejornais dá dicas sobre o mercado de trabalho e profissões, envolvendo diversos temas: como encontrar uma vaga de emprego, oportunidades de emprego, como se qualificar, como se portar em uma entrevista. Enfim, todas essas orientações são dadas para aqueles que são ou pretendem se tornar “profissionais”. Conceito de profissão Para Le Boterf (2003) a noção de profissão tem sua origem nas ordens profissionais em que o profissional prestava juramento (profes) sobre a execução de um conjunto de regras, dentre as quais: o segredo profissional. Existe uma relação entre saberes, ética e habilitação profissional. A profissão é uma comunhão de valores e de vida. Instâncias legitimadas estabelecem regras e são encarregadas de velar por sua boa aplicação.[...] O profissional é habilitado a exercer atividades que outros não podem pôr em prática. Para isso é preciso uma licença.[...] Exercer uma profissão supõe uma relação de serviço. Exercer um ofício faz mais referência à operacionalização de um saber-fazer ou de uma especialização. Se a profissão supõe o ofício, a ordem inversa nem sempre pode ser afirmada. Aquele que domina um ofício possui um conjunto de conhecimentos e habilidades específicos, provados pela experiência. O conjunto dos saberes funda a identidade profissional e o futuro de quem domina um ofício se inscreve na perspectiva de uma orientação profissional (Le BOTERF, 2003, p. 21). EDUCAÇÃO CORPORATIVA 149 Atenção Ao analisar a definição de Le Boterf (2003), é possível perceber que ele diferenciou dois conceitos: profissão e ofício. A profissão é submetida a uma ordem que regula os saberes e as práticas; o ofício é fundado pelos saberes que o forjam. O primeiro está relacionado ao emprego, à divisão de trabalho, enquanto o segundo é independente desse sistema formal. Desde os anos 90, as referências ao profissionalismo e ao profissional avançaram. O profissional já não é identificado apenas pelo saber-fazer de um oficio, ele mobiliza recursos de sua personalidade para encontrar saídas para problemas ou situações relacionadas e confronta seus valores à realidade das circunstâncias em que intervém. Ele possui conhecimentos e habilidades que são reconhecidos e valorizados pelo mercado de trabalho, tecendo sua identidade profissional (LE BOTERF, 2003). Como se forma um profissional Quando e onde iniciamos a formação de um trabalhador? A formação de um trabalhador inicia na escola, no banco escolar são ensinadas as primeiras letras, a leitura do mundo, as primeiras noções de tempo e espaço, de existência e reconhecimento do outro. São essas noções iniciais que auxiliarão na formação do profissional, na sua base. Fato é que a escola tem sua contribuição para a formação de um trabalhador, de um futuro profissional. Quando adentramos no tema formação integral, estamos ingressando na esfera da educação profissional, da escola como espaço formativo do trabalhador, do domínio das técnicas, saberes e da ética profissional. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 150 Você sabe como a escola pode dar conta dessa missão? Como realizar uma formação profissional integral? Segundo Ciavatta (apud CIAVITTA, FRIGOTTO, RAMOS, 2010) a educação integrada (integral), refere-se ao sentido de completude, de compreensão das partes no seu todo ou da unidade no diferente, significa abordar a educação como um conjunto social, isto é, nas múltiplas mediações históricas que concretizam os processos educativos. Como realizar uma formação profissional integral comprometida com os interesses dos trabalhadores? Para Thuns (2003) a formação integral precisa garantir que sejam atendidos todos os aspectos da personalidade do homem: físicos, intelectuais, morais, afetivos, sociais, éticos, sexuais etc.. Ela contempla a educação profissional; a educação permanente; a educação de adultos; entre outros segmentos. Quanto à educação integral no âmbito da formação profissional, significa concentrar ações para uma formação que considere a integralidade do ser e sua emancipação, que vislumbre a dimensão humana e suas necessidades. Não se trata apenas de desenvolver competências que atendam à empresa ou o desempenho puramente técnico. Mas, em sua essência, é uma formação para a cidadania, para o exercício do social, que valoriza o ser humano e seus interesses. Diferentes visões sobre a formação profissional integral A visão cubana de desenvolvimento profissional integral identifica três dimensões essenciais para a formação e que expressam a preparação do profissional para seu desempenho na sociedade. São elas:a dimensão instrutiva, a dimensão educativa e a dimensão desenvolvimentista (DURÁN, 2014). Conforme Horruitiner (apud DURÁN, 2014), essa formação envolve a preparação de um profissional criativo, independente, capaz de: manter-se constantemente atualizado; atender as demandas de desenvolvimento do país; EDUCAÇÃO CORPORATIVA 151 capacitado para trabalhar em grupo; preparado para atuar em equipes multidisciplinares e na construção social do conhecimento. A questão da formação profissional integral tem distintas perspectivas, dependendo do contexto histórico, cultural, social, político e econômico. O que é importante salientar é que há um espaço para o desenvolvimento de uma proposta educacional que, efetivamente, pode colocar no centro de sua proposição o homem, o trabalhador, o cidadão e concentrar suas ações para realizar uma formação profissional que integre as distintas dimensões do ser e promovam à sua autorrealização. Princípios de uma proposta de formação profissional integral – A politecnia Como já vimos no tópico anterior, é preciso uma proposta diferenciada para a formação integral do trabalhador que possa contemplar suas necessidades e interesses. Vamos estudar agora os princípios que podem alicerçar essa proposta. 1 - A POLITECNIA O profissional politécnico é forjado no espaço da educação formal. Em estudo anterior, foi esclarecido que a politecnia está além da polivalência, propicia o domínio de diferentes técnicas e métodos, envolvendo princípios científicos, dando ao trabalhador bases para que saiba o porquê da realização daquela atividade ou tarefa. O trabalhador politécnico é tecido a partir do domínio da ciência e da tecnologia, do saber ético que envolve o domínico das técnicas que irá aplicar. É importante salientar que o perfil profissional do politécnico ainda está sendo forjado, pois ainda persistem dúvidas sobre como formar em pouco tempo um EDUCAÇÃO CORPORATIVA 152 profissional com um perfil que atenda às demandas das empresas na atualidade no estado de emergência de suas necessidades. Como afirma Farias (2014), a politecnia não pode ser vista como um conceito “mágico”, precisa se tornar uma práxis e para sua efetivação é necessário olhar o sistema educacional como um todo, auxiliando para a construção de propostas educacionais que de fato venham a atender à formação integral do homem. Princípios de uma proposta de formação profissional integral – O trabalho como princípio educativo 2 - O TRABALHO COMO PRINCÍPIO EDUCATIVO O trabalho representa a primeira mediação entre o homem e a realidade material e social. Portanto, a compreensão do trabalho como princípio educativo é o fundamento para a organização e desenvolvimento curricular com seus objetivos, conteúdos e métodos. “O trabalho como principio educativo significa dizer que o ser humano é produtor de sua realidade e, por isso, apropria-se dela” (CIAVATTA; FRIGOTTO; RAMOS, 2010, p. 67). Tal princípio transcende a preparação para o mercado de trabalho e o exercício profissional. Para Marx, a ligação entre o homem e o trabalho está livre das relações de troca, o trabalho é visto como prazer. Hoje, portanto, uma proposta de formação profissional, que considera o trabalho como princípio educativo, implica em uma formação que proporciona o entendimento da relação que se estabelece entre trabalho, ciência, tecnologia e cultura, possibilitando que o individuo se aproprie desses saberes (CIAVATTA; FRIGOTTO; RAMOS, idem). A percepção de Ciavatta, Frigotto e Ramos (2010) sobre o trabalho como princípio educativo nos chama atenção para um olhar crítico a respeito da formação/educação profissional e seu impacto na vida do cidadão, que não EDUCAÇÃO CORPORATIVA 153 deve ser formado apenas para a ocupação de um posto de trabalho, mas promover a compreensão do sistema produtivo e habilitar o indivíduo para uma visão crítica da profissão e do seu exercício. Atenção Como salienta Farias (2014), o trabalho como princípio educativo pode auxiliar no resgate da unidade do conhecimento a ser transmitido ao cidadão em formação, unidade essa que se encontra presente na ciência tecnológica. Princípios de uma proposta de formação profissional integral – Itinerários Formativos 3 – ITINERÁRIOS FORMATIVOS Ainda que existam correntes filosóficas que questionem a adoção das competências para o desenvolvimento do perfil profissional, imputando a esta um modelo de alienação do trabalhador, há experiências positivas. Na União Europeia essa é uma prática que facilita não só a empregabilidade do trabalhador, mas auxilia no reconhecimento das competências profissionais e na mobilidade de profissionais entre os países do Mercado Comum Europeu (RICARDO, 2012). As universidades corporativas adotaram o modelo de itinerários formativos para a estruturação de suas iniciativas educacionais e o desenvolvimento de competências estratégicas para a organização, trata-se uma proposta curricular em que são apontados percursos para o desenvolvimento das competências baseadas na análise de tarefas. As UC realizam o mapeamento de competências/análise de tarefas para que possam ser desenhados os itinerários formativos. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 154 Já dentro de uma proposta de formação profissional integral, comprometida com os interesses dos trabalhadores, ou seja, através de cursos profissionalizantes ofertados por instituições credenciadas, temos uma normativa que define o conceito de itinerários formativos. Na Resolução CNE/CEB 6/2012. Diário Oficial da União, Brasília, 20 de setembro de 2012, Seção 1, p. 22. do MEC, você encontra a definição de itinerário formativo para os cursos e programas de Educação Profissional Técnica de Nível Médio, nos seguintes parágrafos: § 2º Os cursos e programas de Educação Profissional Técnica de Nível Médio são organizados por eixos tecnológicos, possibilitando itinerários formativos flexíveis, diversificados e atualizados, segundo interesses dos sujeitos e possibilidades das instituições educacionais, observadas às normas do respectivo sistema de ensino para a modalidade de Educação Profissional Técnica de Nível Médio. § 3º Entende-se por itinerário formativo o conjunto das etapas que compõem a organização da oferta da Educação Profissional pela instituição de Educação Profissional e Tecnológica, no âmbito de um determinado eixo tecnológico, possibilitando contínuo e articulado aproveitamento de estudos e de experiências profissionais devidamente certificadas por instituições educacionais legalizadas. § 4º O itinerário formativo contempla a sequência das possibilidades articuláveis da oferta de cursos de Educação Profissional, programado a partir de estudos quanto aos itinerários de profissionalização no mundo do trabalho, à estrutura sócio ocupacional e aos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos de bens ou serviços, o qual orienta e configura uma trajetória educacional consistente. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 155 § 5º As bases para o planejamento de cursos e programas de Educação Profissional, segundo itinerários formativos, por parte das instituições de Educação Profissional e Tecnológica, são os Catálogos Nacionais de Cursos mantidos pelos órgãos próprios do MEC e a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO). As definições de itinerários formativos homologadas pelo MEC estão divididas em três segmentos: Educação Profissional Técnica de Nível Médio, Educação Profissional e Tecnológica e cursos de Educação Profissional. Para cada uma delas o itinerário formativo tem uma característica: o primeiro composto por eixos tecnológicos flexíveis, o segundo por etapas e o terceiro por sequências. Educação profissional técnica de nível médio O itinerário formativo é composto por eixostecnológicos flexíveis. Educação profissional e tecnológica O itinerário formativo é o conjunto das etapas que compõem a oferta de educação profissional e tecnológica de um determinado eixo tecnológico. Cursos de educação profissional O itinerário formativo contempla a sequência das possibilidades articuláveis. É esboçado a partir de estudos relacionados aos itinerários de profissionalização no mundo do trabalho, à estrutura sócio-ocupacional e aos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos de bens ou serviços. Fonte: elaborado a partir das leituras da Resolução CNE/CEB nº 6/12 (BRASIL. Resolução nº 6, de 20 de setembro de 2012. Define Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. Ministério da Educação: Diário Oficial da União, 2012). Implementação do currículo integrado de forma coletiva As universidades corporativas, ao construírem suas parcerias com instituições de ensino para a formação profissional de nível médio passam a ter a necessidade de conhecer como são constituídos os currículos integrados do EDUCAÇÃO CORPORATIVA 156 ensino médio e educação profissional técnica de nível médio. Então, vamos avançar em torno desse princípio? As bases que norteiam a construção do currículo do Ensino Médio à Educação Profissional Técnica de Nível Médio estão presentes nas Diretrizes Curriculares Nacionais (2012/SECTEC/MEC). Elaborar, portanto, um currículo integrado em que a formação geral e a preparação básica para o trabalho venham a convergir demanda dos atores envolvidos a compreensão da existência de gaps de formação que perpassam o ensino médio. O engajamento de todos os atores que estão envolvidos com a proposta é essencial, além da participação e do compromisso permanente da esfera pública com a integração do ensino médio à educação profissional (UNESCO, 2013). Construir uma proposta curricular de forma coletiva para a formação profissional integral deve partir do princípio da construção coletiva e participativa, ou seja, dar voz aos atores envolvidos no processo educativo: comunidade, professores, estudantes, profissionais de educação, parceiros da escola e outros integrantes. A participação de diferentes atores compromissados com a elaboração coletiva do currículo e a influência do contexto no qual foi construído nos remete à compreensão de que o currículo é uma construção coletiva, cultural (SACRISTÁN, 2000). Também é possível, com a participação coletiva, obter as distintas visões sobre o currículo integrado, que contribuirão para uma proposta que venha a nascer a partir dos anseios da comunidade escolar e dentro de um contexto (tempo e espaço) que leve em consideração às necessidades de alunos, professores e profissionais de educação, ponderando sobre aspectos essenciais, tais como: o trabalho como princípio educativo, a interligação entre ciência e tecnologia, as possibilidades institucionais para efetivação da proposta, a formação politécnica e omnilateral. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 157 Formação omnilateral As palavras politecnicia e omnilateral estão carregadas de uma base teórica marxista na qual foram forjadas. Segundo Lourenço (2014), a expressão omnilateralidade “é um neologismo que se refere à formação humana oposta à formação unilateral provocada pelo trabalho alienado, pela divisão social do trabalho, pelas relações burguesas parciais, limitadas e perniciosas”. Que tal estudarmos um pouco sobre essas expressões à luz de Ciavatta (2014), uma militante que busca na sua prática docente exercitar seu discurso em prol de uma educação profissional integral baseada nos princípios de uma educação inclusiva, emancipatória e igualitária, cunhadas por Marx e que abarcam a educação omnilateral, a politecnia e educação integral? Na verdade, tais expressões representam princípios para uma educação de qualidade, acessada de forma igualitária por todos os trabalhadores e membros da sociedade. Há um anseio por uma educação que de fato seja concretizada e que coloque em prática a politecnia, a educação omninalateral e a formação integrada ao alcance de todos (CIAVATTA, 2014). Ciavatta (2014), para expressar o que vem a ser uma formação omnilateral, vale-se da explicação da palavra politecnia (muitas técnicas), manifestando o sentido de uma formação humana em todos os aspectos, humanista e científica. A carga ideológica por trás da expressão traz em si a expectativa por uma educação omnilateral, ou seja, que forme um ser humano na sua integralidade física, mental, cultural, política, científica e tecnológica, uma formação completa. A educação omnilateral se expressaria através da educação politécnica ou da formação em todos os aspectos. Construir e validar uma proposta educacional de educação profissional integrada de acordo com os interesses dos trabalhadores, considerando uma proposta total, articulando a politecnia, o trabalho como princípio educativo, os itinerários formativos, um currículo integrado e formação onminlateral é estar EDUCAÇÃO CORPORATIVA 158 em meio a um jogo de forças, de poder, em que de um lado temos bases do pensamento marxista, e ao mesmo tempo, os interesses do sistema produtivo presente quando posicionamos a construção de um currículo por competências. São lutas ideológicas que se tratavam desde a Lei 5692/71, retomada nos anos 80 e 90, e que nos tempos atuais, ainda, prosseguem, mesmo com a participação de estudiosos como Ciavatta, Frigotto, entre outros , que chamam atenção para as necessidades de uma educação de qualidade e que irá repercutir para uma educação, cidadania e uma vida melhor para todos. Atividade proposta Esse é um momento importante para ampliarmos nossos estudos e atividades. Assista ao vídeo e resuma o conteúdo exposto pela professora Désirée Gonçalves Raggi sobre o princípio educativo do trabalho. Chave de resposta: O trabalho como princípio educativo em sua origem relacionava a ideia de que o homem, ao desenvolver suas atividades, expressava a sua humanidade e seu conhecimento. Marx posteriormente irá criticar a visão capitalista de produção em que é criada uma cultura com o valor de troca que gera um sistema de exploração do trabalho humano. O trabalho como princípio educativo, o homem descobre o prazer pela produção, pela sua capacidade de criar e sua satisfação e prazer. Material complementar Para saber mais sobre a formação profissional, assista aosvídeo disponível em nossa galera de vídeo. Para saber mais sobre currículo integrado, leia o texto disponível em nossa biblioteca virtual. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 159 Referências BRASIL. Resolução nº6, 20 de setembro de 2012. Define diretrizes curriculares nacionais para a educação profissional técnica de nível médio. Diário Oficial da União/. Poder Executivo, Brasília, DF, 04 dez. 2012, p.22. CIAVATTA, M.; FRIGOTTO, G.; RAMOS, M. Formação integrada entre o Ensino Médio e a Educação Profissional: retomando o conceito. Rio de Janeiro: Projetos Integrados UFF-Uerj-EPSJV-Fiocruz, jul. 2010. CIAVATTA, M.. O ensino integrado, a politécnica e a educação omnilateral: por que lutamos. Disponível em: www.portal.fae.ufmg.br/seer/index.php/trabedu/article/view/.../1425. Acessado em: 10 dez. 2015. DURÁN, M. T. M.. Formação integral. Disponível em: http://www.gestrado.org/?pg=dicionario-verbetes&id=20. Acessado em: 10 dez 2014. FARIAS, I.M. Diferenças entre polivalência e politecnia: implicações para a formação da concepção sobre o trabalho no processo educativo. Disponível em: www.seer.ufu.br/index.php/EducacaoFilosofia/article/viewFile/861/773. Acessado em: 10 dez. 2014. LE BOTERF, G. Desenvolvendo a competência dos profissionais. Artmed: Porto Alegre, 2003. LOURENÇO E. S. A. Educação omnilateral e politécnica. Disponível em: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3886348.Acessado em: 10 dez 2014. RICARDO, E.J. Educação corporativa e aprendizagem: as práticas pedagógicas na era do conhecimento. Qualitymark: Rio de Janeiro, 2012. SACRISTÁN, J.C. O currículo: uma reflexão sobre a prática. Artmed: Porto Alegre, 2000. SILVA, L. E. Educação emancipatória: significado e sentidos. Disponível em: http://www.ijui.com/blog-do-luiz-etevaldo-da-silva/60828-educacao- emancipatoria-significado-e-sentidos.html. Acessado em: 10 dez. 2014. THUMS, Jorge. Ética na educação: filosofia e valores na escola. Canoas: ULBRA, 2003. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 160 UNESCO. Currículo integrado para o nível médio: das normas à prática transformadora. Brasília, DF: UNESCO, 2013. Exercícios de fixação Questão 1 Analise as afirmativas abaixo e marque a resposta incorreta: a) Profissão é uma comunhão de valores e de vida. b) A profissão é composta por saberes e regras. c) A profissão é forjada independente da formação formal. Questão 2 Coloque F para as sentenças falsas e V correspondendo às verdadeiras. I. Na atualidade, a partir dos anos 90, o profissional já não é identificado apenas pelo saber-fazer. II. O profissional mobiliza recursos de sua personalidade para encontrar respostas para problemas e situações relacionadas à sua prática. III. O profissional possui conhecimentos e habilidades que são reconhecidos apenas pela empresa onde exerce sua profissão( ). a) I – V, II – F, III – V b) I – V, II – V, III – F c) I – F, II – F, III – F Questão 3 Analise as afirmativas abaixo: I. A formação integral significa abordar a educação como um conjunto social. II. A formação integral considera a integralidade do ser e sua emancipação. III. A educação integral contempla apenas a educação profissional. a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas b) Todas as afirmativas estão corretas c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas Questão 4 Marque a resposta correta relacionada à educação integral: EDUCAÇÃO CORPORATIVA 161 a) A educação integral é uma formação apenas para o desenvolvimento da individualidade do ser. b) A educação integral é uma formação que valoriza apenas os interesses do ser. c) A educação integra é uma formação para a cidadania. Questão 5 Marque a afirmativa que apresenta corretamente as dimensões do desenvolvimento profissional integral: a) Para Durán (2014) o desenvolvimento profissional integral contempla apenas duas dimensões: a dimensão instrutiva e educativa. b) Durán (2014) sinaliza que há apenas uma dimensão no desenvolvimento profissional integral: desenvolvimentista. c) Conforme Durán ( 2014), são três as dimensões do desenvolvimento profissional integral: instrutiva, educativa e desenvolvimentista. Questão 6 Analise as afirmativas abaixo: I. A politécnica propicia o domínio de diferentes técnicas e métodos, envolvendo princípios centrados no senso comum. II. A politécnica propicia o domínio de diferentes técnicas e métodos, envolvendo princípios científicos. III. A politécnica propicia o domínio de diferentes técnicas e métodos, envolvendo princípios políticos. a) Apenas as afirmativas I e III estão corretas b) Apenas a afirmativa III está correta c) Apenas a afirmativa II está correta Questão 7 Analise as afirmativas abaixo: I. O trabalho é a primeira mediação entre o homem e a realidade material e social. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 162 II. O trabalho como princípio educativo é a base para a organização e desenvolvimento curricular. III. O trabalho como princípio educativo auxilia no entendimento da relação entre trabalho, ciência e tecnologia. a) Todas as afirmativas são verdadeiras b) Apenas as afirmativas I e II são verdadeiras c) Apenas a afirmativa III é verdadeira Questão 8 Analise as afirmativas abaixo: I. Para a educação profissional técnica de nível médio o itinerário formativo é composto por eixos tecnológicos flexíveis. II. Para a educação profissional e tecnológica, o itinerário formativo é o conjunto de etapas que compõem a oferta de educação profissional e tecnológica de um determinado eixo tecnológico. III. Para os cursos de educação profissional o itinerário formativo contempla a sequência curricular. É correto afirmar que as seguintes sentenças identificam conceitualmente o que são itinerários formativos, a partir da Resolução CNE/CEB 6/2012. a) I, II e III b) III e II c) I e II Questão 9 Marque a alternativa correta relativa as diretrizes que norteiam o currículo integrado e a educação profissional. a) As diretrizes que norteiam a integração do currículo do ensino médio com a educação profissional técnica de nível médio estão na Lei nº 5.692/71 b) As diretrizes que norteiam a integração do currículo do ensino médio com a educação profissional técnica de nível médio estão nos Parâmetros Curriculares Nacionais. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 163 c) As diretrizes que norteiam a integração do currículo do ensino médio com a educação profissional técnica de nível médio estão presentes nas Diretrizes Curriculares Nacionais (2012) – SETEC/MEC. Questão 10 São elementos que identificam a construção coletiva de um currículo integrado: a) Compromisso permanente da esfera privada. b) Participação da comunidade acadêmica na elaboração do currículo. c) Engajamento de todos os atores envolvidos com a elaboração da proposta, inclusive a comunidade local. Aula 8 Exercícios de fixação Questão 1 - C Justificativa: A primeira e a segunda alternativas estão corretas. A terceira alternativa está incorreta, pois a profissão depende do sistema formal que reconhece o profissional, seus saberes e práticas através de uma ordem. Questão 2 - B Justificativa: A única afirmativa falsa é a terceira, pois o profissional possui conhecimentos e habilidades que são reconhecidos e valorizados pelo mercado de trabalho que reconhece a sua identidade profissional. Questão 3 - A Justificativa: A educação integral contempla educação profissional, educação permanente, a educação de adultos, entre outras modalidades. Questão 4 - C EDUCAÇÃO CORPORATIVA 164 Justificativa: A única resposta correta é a terceira alternativa. A educação integral é, em sua essência, uma formação para a cidadania, para o social e que valoriza o ser humano e seus interesses. Questão 5 - C Justificativa: De acordo com Durán (2014), são três as dimensões essenciais para o desenvolvimento profissional integral e que expressam a sua preparação para o seu desempenho na sociedade: instrutiva, educativa e desenvolvimentista. Questão 6 - C Justificativa: Apenas a afirmativa II está correta, pois é baseada em princípios e bases cientificas que dão ao trabalhador a garantia sobre o porquê de estar realizando determinada atividade. Questão 7 - A Justificativa: O trabalho como princípio educativo é o fundamento para a construção de um currículo com seus objetivos, conteúdos e métodos, significa também dizer que o homem é produtor de sua realidade e por isso apropria-se dela, por essa razão precisa compreender a relação entre trabalho, ciência e tecnologia. Questão 8 - C Justificativa: As sentenças corretas são apenas as I e II. A afirmativa número III está incorreta, pois o itinerário formativo contempla a sequência das possibilidades articuláveis. Questão 9 - C Justificativa: A única resposta correta é a C. Após longos debates o MEC, através de sua Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, elaborou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional Técnica de Nível Médio. EDUCAÇÃO CORPORATIVA 165 Questão 10 - C Justificativa: A resposta correta é a terceira alternativa, pois como aprendemos em nossa aula, a construção do currículo é fruto de um coletivo, de todos os atores envolvidos, de um contexto e é fruto de construção cultural.EDUCAÇÃO CORPORATIVA 166 Eleonora Jorge Ricardo. Doutora em Educação pela Universidade Estácio de Sá (2012). Linha de pesquisa: tecnologias de informação e comunicação nos processos educacionais. Mestre em Educação pela Universidade Estácio de Sá (2005). Especialização em Língua Espanhola e Respectivas Literaturas pela Faculdade de Letras da UFRJ. Bacharel e Licenciada em Letras (1988) e Licenciada em Pedagogia (1993) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Presta consultoria para implantação, acompanhamento e avaliação de projetos de EAD, Educação Continuada, Educação Corporativa e Inovação É autora dos livros Educação a distância: professores autores em tempos de Cibercultura pela Atlas ( 2013) e Educação corporativa e aprendizagem: as práticas pedagógicas na era do conhecimento pela Qualitymark (2012). Organizadora dos livros Educação corporativa e educação a distância pela Qualitymark e Educação corporativa: fundamentos e práticas em parceria com Ana Paula Mundim. Organizou pela Pearson o livro: Gestão da educação corporativa: cases, reflexões e ações em educação a distância. Artigos publicados em outras obras como: Educação online pela Loyola (Org. SILVA, M.) Avaliação da aprendizagem em educação online ( Orgs. SILVA, M; SANTOS, E. O.) e Educação a distância: o estado da arte (Orgs. LITTO, F.;FORMIGA, M - Pearson). Foi membro do Conselho Científico da Associação Brasileira de Tecnologia Educacional e Diretora de relações com agentes de educação corporativa da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (SBGC), foi professora convidada do Programa de Pós-graduação em Direito da Criança e do Adolescente pela Faculdade de Direito da UERJ. Atuou como Professora Visitante da Fundação Dom Cabral para o desenvolvimento de Escola de Líderes. Atualmente, coordena o projeto Monitoria Online - Cetreina/Sub- Reitoria de Graduação da UERJ em conjunto com a Profa Tania Maria de Castro Carvalho Netto. É presidente do Conselho Editorial da Revista Criativos da Anitec. Presidente da Associação Nacional de Inovação de Trabalho e Educação Corporativa. Elaborou o projeto político pedagógico de diversas Universidades EDUCAÇÃO CORPORATIVA 167 Corporativas, dentre elas: Senac RJ, Ancar Ivanhoe e Sistema Eletrobras. Com três novos livros no prelo sobre o tema educação corporativa.