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IntroduoaoEstudodosTecidos

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cavidades
de órgãos ocos, essa camada de
tecido conjunti
vo que os sustenta recebe o nome
de lâmina própria. Entre as células
epi teliais e o tecido conjuntivo
subjacente há uma fina camada de
moléculas que é chamada de
lâmina basal.
Membrana plasmática da superfície
basal da célula
Lâmina basal
Figura 5. Eletromiografia da lâmina basal da córnea humana (50 000x). As setas indicam os hemidesmossomas.
Fon te: Tratado de Histologia em Cores – Gartner
Os componentes das lâminas ba
SE LIGA! A lâmina basal é composta
por moléculas de colágeno do tipo IV,
glicoproteínas e proteoglicanos. Ela
pode estar presente em diversos locais
nos quais há contato de tecido conjun
tivo com outras células. Ela possui dis
tintas funções e é no tecido epitelial
que a lâmina basal exerce a principal
delas: promove a adesão das células
epite liais ao tecido conjuntivo
subjacente.
sais são secretados pelas células
epiteliais, musculares, adiposas e de
Schawann. A lâmina basal se
prende então ao tecido conjuntivo
por meio de fibrilas de ancoragem
constituídas por colágeno do tipo
VII. Em alguns casos, as células do
tecido conjunti
vo produzem fibras reticulares que
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 10
se associam intimamente à lâmina
basal, constituindo assim a lâmina
reticular.
A lâmina basal não é visível ao mi
croscópio óptico, sendo necessário
o uso de um microscópio eletrônico
para visualizá-la. À microscopia ele
trônica, apresenta-se como uma ca
mada elétron-densa (que aglutina
elétrons) e, portanto, aparece escure
cida na imagem.
As células epiteliais são células
polari zadas, ou seja, possuem um
polo api cal e um polo basal. A
porção da célula voltada para o
tecido conjuntivo é cha mada de
polo basal, enquanto a ex tremidade
oposta é chamada de polo apical e
está voltada para uma cavida de ou
um espaço, isto é, para o lúmen de
um órgão oco ou para o meio exter
no (no caso da pele, por exemplo).
Além dessa divisão, as superfícies
celulares que ficam em contato com
as células adjacentes são chamadas
de superfícies basolaterais, por se
rem contínuas com a superfície que
delimita a base da célula. É através
da superfície basolateral que as
células epiteliais adjacentes se
comunicam e aderem umas às
outras. Para tan to, existem algumas
especializações nessas superfícies,
que são abun dantes nas células
epiteliais e serão abordadas a
seguir.
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 12
Polo apical
Polo basalSuperfícies basolaterais Figura 6. Superfícies e polarização das células epiteliais.
Fonte: smart.servier.com/
Especializações da superfície
basolateral das células epiteliais
Como já foi dito, as células epiteliais
encontram-se justapostas e aderi
das umas às outras. Estruturas as
sociadas a membrana plasmática
são, em grande parte, as responsá
veis pela coesão e pela comunica
ção entre as células, principalmente
por meio da ação coesiva das cade
rinas, uma família de glicoproteínas
transmembrana.
Além disso, as membranas basola
terais das células epiteliais possuem
algumas especializações, tais como
a presença de interdigitações e de
junções intercelulares. Interdigita
ções nada mais são do que dobras
da
membrana plasmática de uma
célula, que se encaixam às dobras
da mem brana da célula adjacente,
aumentan do assim a adesão entre
elas.
Quanto às junções intercelulares,
elas podem ser de diferentes tipos,
ser vindo para promover a adesão
celu lar, para prevenir o fluxo de
moléculas pelo espaço intercelular
ou para ofe recer canais de
comunicação entre as células. São,
dessa forma, classifica das em
junções de adesão (zônulas de
adesão, desmossomos e hemi
desmossomos), junções impermeá
veis (zônulas de oclusão) e junções
comunicantes ( junções gap).
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 13
O termo “zônula” indica que a
junção forma uma faixa ou cinturão
que cir cunda toda a célula. As
zônulas de oclusão costumam
assumir a posição
mais apical da membrana basolate
ral. Promovem aderência intercelu
lar forte de modo a vedar o espaço
intercelular. As zônulas de adesão
costumam estar após as zônulas de
oclusão, no sentido ápice-base da
su perfície basolateral. Se
caracterizam pela inserção de
filamentos de actina em placas de
material elétron-denso contidos no
citoplasma subjacente à membrana
da junção.
Os desmossomos são um outro tipo
de junção de adesão. São estruturas
complexas, em forma de disco, que
estão contidas na superfície celular
e que se sobrepõem a estruturas
idên
ticas contidas na membrana da
célula adjacente. Na face
citoplasmática da membrana no
desmossomo há uma placa circular
chamada placa de an
coragem. Eles possuem formato de
botão, portanto não formam
zônulas.
Figura 8. Desmossomos. Fonte: smart.servier.com/
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 14
Os hemidesmossomos possuem
esse nome por possuírem a estrutu
ra de metade de um desmossomo.
Contudo, eles são encontrados na
zona de contato entre a célula epite
lial e sua lâmina basal, fazendo assim
a adesão entre a célula epitelial e a
lâmina basal e não a adesão célula-
-célula. Enquanto as placas de anco
ragem dos desmossomos possuem
caderinas, nos hemidesmossomos
as placas contêm integrinas, uma
outra família de proteínas transmem
brana, que podem agir como recep
tores para macromoléculas da matriz
extracelular, como colágeno tipo IV e
a glicoproteína laminina.
Por fim, as junções comunicantes
( junções gap) são encontradas em
qualquer local das membranas la
terais das células epiteliais, além de
estarem também em outros tecidos.
Elas tornam possível o intercâmbio
de moléculas entre duas células ad
jacentes, fazendo com que as células
de alguns órgãos trabalhem de ma
neira coordenada. Podem atravessar
essa junção moléculas como AMP e
GMP, íons e alguns hormônios.
Figura 9. Junções gap. Fonte: smart.servier.com/
Especializações da superfície
apical das células epiteliais
Além das especializações encon
tradas na membrana basolateral,
algumas células epiteliais também
apresentam modificações em sua
superfície apical que têm como ob
jetivo o aumento da superfície ou a
movimentação de partículas. Para
aumento de superfície, as células
podem expressar microvilos e este
reocílios, enquanto para movimento,
apresentam cílios ou flagelos.
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 15
Os microvilos ou microvilosidades
são pequenas projeções citoplasmá
ticas em forma de dedos, que
podem ser longas ou curtas e
possuem feixes de actina em seu
interior. São obser vados
principalmente em células que
exercem intensa atividade absortiva,
como as células do intestino
delgado, por exemplo. Isso porque
os microvi los aumentam a
superfície de contato entre a
membrana apical e o meio ex terno,
que contém os materiais a se rem
absorvidos, aumentando assim a
capacidade de absorção.
TINTRODUÇÃO AO ESTUDO DOS TECIDOS 16 Os estereocílios são
prolongamen
SE LIGA! As células que exercem inten
sa absorção possuem glicocálice mais
espessado. Isso faz com que, ao mi
croscópio óptico, seja facilmente visível
o conjunto formado pelos glicocálices
e microvilos. A esse conjunto dá-se o
nome de borda em escova.
Os cílios são, por sua vez, prolonga
mentos móveis. Eles podem realizar
um rápido movimento coordenado
de vaivém, de forma a gerar uma cor
rente de fluidos ou de partículas em
determinada direção ao longo da su
perfície do epitélio, às custas de
ATP. Eles são formados por um
arranjo de microtúbulos (dois
microtúbulos
tos longos e imóveis. Eles também
possuem a função de aumentar a
área de absorção, facilitando assim
o transporte de moléculas para den
tro e para fora das células. São co
mumente encontrados em células
do revestimento epitelial do
epidídimo e do ducto deferente.
Podem também agir como
mecanorreceptores senso riais,
como acontece nas células pilo sas
da orelha interna.
centrais cercados por nove pares de
microtúbulos periféricos) envolto
pela membrana plasmática e estão
inseri dos em corpúsculos basais
situados logo abaixo da membrana.
Essa es pecialização é encontrada
principal mente no epitélio
respiratório,