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Psicologia Social I - Aulas EAD

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diferente, a nos comportarmos diferente. A televisão, o cinema e o rádio competem muitas das vezes com as instituições clássicas responsáveis pelo processo de socialização, família, Igreja e escola.
· No modelo tridimensional de atitudes os componentes cognitivo, afetivo e comportamental influenciam-se mutuamente procurando uma harmonia. De tal forma, qualquer tipo de mudança em um desses três componentes pode gerar mudança nos outros na procura de uma reestruturação. Assim, uma informação nova, uma nova experiência ou uma nova prática pode gerar um estado de inconsistência entre os componentes das atitudes e levar a uma mudança atitudinal. Por exemplo, quando temos alguma desavença com alguém podemos passar a desgostar dessa pessoa. Ou quando temos algum tipo de preconceito em relação a um grupo que não conhecemos e passamos a ter contato com ele, podemos mudar a forma como pensamos desse grupo, a forma como nos sentimos em relação a ele e a forma como agimos com ele. Por outro lado, podemos explicar as mudanças de atitudes através da teoria da dissonância cognitiva de Festinger. Segundo esta teoria, podemos afirmar que existem diversos fatores capazes de propiciar mudanças de atitudes no sentido de tornar as novas atitudes coerentes com uma cognição de mais difícil mudança, fazendo com que se valorize a posição discrepante com que a pessoa se comprometeu mais. No entanto, embora sejam poderosas as técnicas de dissonância, elas são muito difíceis de aplicar em escala macro, com um grupo numeroso de pessoas. Nesses casos a comunicação persuasiva é mais adequada.
· A partir dos estudos clássicos realizados por um grupo de pesquisadores, na Universidade de Yale, no início da década de 1950, foi verificado o que torna mais eficaz uma comunicação persuasiva, tomando por base três aspectos principais:
· 
· A fonte de comunicação;
· A comunicação em si mesma e
· O tipo de audiência.
· 
· A partir dos dados encontrados foi comprovado que a eficácia de mensagens persuasivas depende de quem diz o quê o quem. Portanto, para entender o quão eficaz pode ser uma mensagem persuasiva é importante saber se a pessoa que fala é atraente e conhece bem o assunto, se existem bons argumentos para serem apresentados e se as pessoas que escutam são mais ou menos receptivas.
Medidas de Atitude
· A Psicologia Social dispõe de uma forma objetiva de verificar a eficácia das tentativas de persuasão a partir do fato de que as atitudes podem ser medidas. Existem várias escalas que nos permitem medir as atitudes antes e depois da tentativa de mudança.
· Uma das escalas mais utilizadas é a escala de formato Likert. Escala que consiste em uma série de afirmações relativas a um objeto atitudinal (por exemplo: aborto, pena de morte, fumar em público e outros temas) onde se trabalha com afirmações favoráveis e desfavoráveis sobre o assunto. Para cada afirmação o sujeito responde em uma escala de cinco alternativas (concordo totalmente; concordo parcialmente; sem opinião; discordo parcialmente e discordo totalmente.) que são posteriormente identificadas com valores numéricos na escala de 1 a 5 permitindo a soma das respostas de cada sujeito para avaliar o tipo e o grau de atitude de uma determinada população, em relação ao tema específico estudado. As escalas Likert são de fácil elaboração e seguem todos os princípios e os cuidados do preparo de qualquer teste padronizado, verificando sua adequação psicométrica (fidedignidade e validade). Desta forma, elas representam medidas válidas e fidedignas das atitudes sociais.
Crenças e Valores
· Condição psicológica que se define pela sensação de veracidade relativa a uma determinada ideia a despeito de sua procedência ou possibilidade de verificação objetiva. Portanto, longe de ser fidedigna à realidade, a crença passa a ser mais um elemento subjetivo do conhecimento. Através desta definição, podemos entender que, o interesse dos psicólogos sociais sobre as crenças independe delas serem consideradas como verdades ou não. 
· O interesse da Psicologia Social pelas crenças reside especialmente na sua origem, formação, estrutura e grau de aceitação. 
· A pesquisa psicossociológica das crenças possibilita obter esclarecimentos sobre a grande variedade de estilos interpretativos da realidade sociocultural e das correspondentes condutas sociais, tão assinaladamente distintas em cada sociedade. 
· Segundo Kruguer (1986), as crenças podem ser qualificadas como opiniões, boatos, dogmas, convicções e estereótipos que se evidenciam como a relação afetiva entre uma pessoa e algum objeto social, quando a pessoa manifesta uma determinada atitude em relação a este objeto. “As crenças são proposições que, na sua formulação mais simples, afirmam ou negam uma relação entre dois objetos concretos ou abstratos ou entre um objeto e algum possível atributo deste. Assim, põe-se de lado, por limitada, a interpretação de que crenças são conjeturas ou declarações baseadas na fé.” (Introdução à Psicologia Social. Helmuth Krüger. São Paulo: EPU, 1986, p. 32)
· O conceito de valor faz parte de várias ciências e campos como a Filosofia, a Sociologia, a Política e a Psicologia para citar algumas. Na Psicologia, especificamente na Psicologia Social, o estudo dos valores vai estar mais centrado com o estudo do comportamento e das atitudes dos indivíduos. Como exemplo de valores podemos mencionar o belo e a verdade. Os valores são dotados de uma estrutura atitudinal, mas com a característica de não se aplicarem a objetos particularizados. Assim, podemos entender, que as atitudes denotam valores na medida em que elas se manifestam sobre objetos mais claramente delineados. Portanto, a atitude é congruente com o valor e ela pode nos permitir inferir o valor que está por trás. Veja os exemplos abaixo: 
· 
· No caso de uma garota que não aceita ter relações sexuais antes de se casar com o namorado está denotando fortes valores morais e religiosos em relação à importância que para ela tem o casamento no início da sua vida sexual.
· Outro exemplo da relação entre atitudes e valores seria quando uma pessoa vota a favor da pena de morte no estado ou país onde vive está expressando os valores pessoais em relação a diversos aspectos éticos, morais, religiosos entre outros.
· 
· Ambos os exemplos representam temas muito polêmicos, pois envolvem valores que normalmente as pessoas têm de forma muito arraigada. É interessante destacar que estes temas são pouco recomendados de serem abordados em situações casuais como quando estamos apenas conhecendo alguém.
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Aula 6 – Preconceito, Estereótipos e Discriminação
· O preconceito é um fenômeno tão velho que por tal motivo se faz difícil a sua erradicação. A noção de preconceito como parte de estudos científicos vem sendo estudada desde o século XIX. Seu maior pesquisador foi Gordon Allport, se tornando o principal autor desta área com a publicação do livro intitulado Prejudice (Preconceito). 
· Os estudos anteriores a Allport não tiveram grandes desdobramentos pois consideravam a questão do preconceito como algo natural. Um bom exemplo disto são os estudos onde se aceitava superioridade racial como verdadeira.
· As diversas teorias de então davam relevância a explicação de, por exemplo, a suposta inferioridade dos negros, relacionando-a a um atraso evolutivo caracterizado por retardo intelectual e excessivo ímpeto sexual, entre outras coisas. 
· A partir dos anos 1930 do século passado iniciaram-se certas mudanças sobre o preconceito, e assim, estes fatos históricos foram considerados irracionais e sem fundamento cientifico. Na verdade, estas afirmações racistas eram expressões de interesses grupais, como consequência do processo de categorização social.
Características do Preconceito
· Muitas vezes não se reconhece o preconceito com facilidade e, muitas das vezes, este tema é desviado nos mais diversos ambientes sociais. Ele aparece em manifestações sutis ou tão cotidianas que

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