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Ginecologia e Obstetrícia Morgana Fernandes Distopia genital ou prolapso genital resulta de um desequilíbrio das forças de sustentação e suspensão que mantém a estática pélvica. É decorrente de fatores congênitos ou adquiridos que abalam o suporte pélvico. O parto vaginal, aumentos crônicos da pressão intra-abdominal, deficiência estrogênica e o próprio envelhecimento são fatores predisponentes. Os prolapsos se classificam em: Nível I – sustenta o útero e o terço superior da vagina. Nesse caso, o órgão prolapsado não atinge introito vaginal. Nível II – sustenta o terço médio da vagina. O órgão se exterioriza parcialmente através do introito vaginal. Nível III –O órgão prolapsado se exterioriza totalmente através do introito vaginal. As distopias genitais se dividem em: cistocele (parede anterior), retocele (parede posterior), enterocele e prolapso uterino. A Cistocele consiste no prolapso de parede anterior que pode ocorrer de duas formas: 1. A cistocele de distensão ou central que resulta do estiramento e atenuação da parede anterior. É responsável por reduzir a espessura e a rugosidade do epitélio da parede vaginal com protusão da bexiga e preservação dos sulcos anterolaterais da vagina. Ginecologia e Obstetrícia Morgana Fernandes 2. A cistocele de deslocamento é causada pela separação fáscia pubocervical e resulta no defeito paravaginal. Nesse caso ocorre atenuação dos sulcos com preservação da espessura e rugosidade central da mucosa. O diagnóstico diferencial é realizado pela elevação dos sulcos vaginais lateralmente em direção ao arco tendíneo que corrige o defeito no caso de cistocele de deslocamento, não ocorrendo o mesmo na cistocele de distensão, pois, nesse caso a correção é feita por colporrafia anterior. Retocele consiste em uma herniação ou abaulamento da parede vaginal posterior, ficando o reto em contato com o epitélio vaginal. É comum em mulheres multíparas, estando relacionado à manobra de valsava. Diferenciada da enterocele pelo toque retal, pois apresenta menor protusão e é possível como o dedo do examinador acessar o seu interior. O tratamento é feito pela colporrafia posterior. Em casos de grande extensão, as porções mediais dos músculos puborretais são aproximadas na linha média. Enterocele é uma herniação de intestino delgado por defeito na fáscia endo-pélvica resultando no contato entre o peritônio e a mucosa vaginal. Classifica-se em quatro formas: 1. A congênita é rara e está associada a distúrbios neurológicos como espinha bífida e doenças do tecido conjuntivo. 2. A enterocele de tração é decorrente do prolapso útero-vaginal. 3. A de pulsão resulta do aumento crônico da pressão intra-abdominal. E juntamente com o de tração ordem se associar com a cistocele, retocele e o prolapso de cúpula vaginal. 4. A iatrogênica ocorre após procedimentos cirúrgicos que elevam o eixo vaginal horizontal na direção vertical. O tratamento para enterocele associa procedimentos cirúrgicos e colporrafia posterior e/ou suspensão da cúpula vaginal. As técnicas mais usadas são: • Dissecção, sutura em bolsa e ressecção do saco herniário com incorporação dos ligamentos útero-sacro cardinais. • Culdoplastia de McCall que associa obturação do fundo-de-saco posterior com suporte do ápice vaginal. • Procedimento de Moschowitz é feito por meio da realização de suturas sem bolsas concêntricas ao redor do fundo-de-saco. • Técnica de Halban que consiste na obliteração do fundo-de-saco com 4 ou 5 suturas sagitais entre os ligamentos útero-sacros. Prolapso uterino resulta da lesão do complexo cardinal uterossacro e da perda do tônus muscular, com alargamento do hiato genital e perda da estabilidade. O envelhecimento, partos múltiplos e redução do estrogênio são fatores associados a essa distopia. O em casos mais simples o tratamento pode ser feito por realização de exercícios de Kegel para fortalecer os músculos pélvicos, pelo uso de cremes ou anéis contendo hormônio para serem aplicados na vagina. Porém, em casos graves, deve-se realizar a cirurgia.