A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
148 pág.
SUPERVISÃO ESCOLAR

Pré-visualização | Página 19 de 36

ensino.
 9 Investigar novas possibilidades da educação como ferramenta de 
transformação social e cultural para uma sociedade justa.
 9 Discutir criticamente as atribuições dos personagens que compõem os 
cargos de orientação e supervisão e a boa integração entre os mesmos.
78
Supervisão escolar
79
A Gestão Escolar e as Possibilidades 
para uma Escola Democrática Capítulo 3
Contextualização
Depois de discutirmos o planejamento, iremos transcorrer sobre a gestão 
democrática, suas características e sua aplicação como uma forma de gestão que 
pretende trazer para a escola decisões que atendam os anseios dos alunos, em 
se tratando da parte pedagógica, além de atender também as possibilidades para 
uma escola inclusiva e transformadora para toda a comunidade.
Teremos também um momento para descrever novas possibilidades 
socioculturais	 em	 que	 a	 escola	 se	 torna	 oficialmente	 uma	 instituição	 de	
transformação de seus envolvidos na busca de uma sociedade justa e na 
promoção do aluno-cidadão, em sua plenitude.
É válido também descrever os personagens nessa gestão democrática e os 
caminhos de interação entre eles, como um bom time que luta para o sucesso, 
realizando, cada um, funções coletivas ou individualizadas, mas sempre em 
benefício de todos.
A	Gestão	Democrática	na	LDB
Quando se fala em democracia, muitos de nós pensamos em 
política ou forma de governo. Na verdade, Democracia tem, sim, a ver 
com política, pois dá ao cidadão o “poder” de decidir de maneira direta 
em situações que afetam a sua vida. A democracia legítima se baseia 
na busca dos ideais de igualdade e liberdade para todos. 
É interessante percebermos que na educação a democracia está 
presente, normalmente, na: escolha da escola onde iremos estudar, 
na escolha do gestor e principalmente na oportunidade de todos em 
participarem na formação do conselho escolar, de forma democrática 
e positiva, para a melhoria da educação e da escola. Outro fator, 
crucial para uma educação transformadora e social, é a possibilidade 
de o(a) aluno(a) participar livremente e opinar com consciência sobre 
a realidade em que vive e sobre as possibilidades que a própria 
educação pode promover. Poderíamos então chamar essa constituição 
da opinião como uma preparação para atuar na sociedade de forma 
cidadã, promovendo assim uma formação democrática.
As possibilidades da gestão democrática estão presentes na LDB, 
que veremos citada a seguir:
É interessante 
percebermos 
que na educação 
a democracia 
está presente, 
normalmente, 
na: escolha da 
escola onde 
iremos estudar, na 
escolha do gestor 
e principalmente 
na oportunidade 
de todos em 
participarem 
na formação 
do conselho 
escolar, de forma 
democrática e 
positiva, para 
a melhoria da 
educação e da 
escola. 
80
Supervisão escolar
A LDB apresenta, em seus artigos 14 e 15, as seguintes determinações, no 
que diz respeito à gestão democrática:
Art.	 14	 –	 Os	 sistemas	 de	 ensino	 definirão	 as	 normas	 da	
gestão democrática do ensino público na educação básica, de 
acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes 
princípios:
I.	 Participação	 dos	 profissionais	 da	 educação	 na	 elaboração	
do projeto pedagógico da escola;
II. Participação das comunidades escolar e local em conselhos 
escolares ou equivalentes.
Art. 15 – Os sistemas de ensino assegurarão às unidades 
escolares públicas de educação básica que os integram 
progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa 
e	 de	 gestão	 financeira,	 observadas	 as	 normas	 de	 direito	
financeiro	público.	(BRASIL,	2011).
Está determinado, portanto, que a gestão deve contar com a participação 
do corpo docente e da comunidade e que a escola tem autonomia gerencial. As 
normas dessa gestão é que devem ser determinadas pelo gestor da escola, que 
deve buscar nessa prática um repensar a realidade da escola e principalmente 
da estrutura de poder. De acordo com Veiga (2003), a socialização do poder, 
que o gestor deve promover, propicia a prática da participação coletiva; da 
solidariedade, que supera a opressão; da autonomia, que anula a dependência de 
órgãos intermediários que elaboram as políticas educacionais das quais a escola 
é mera executora.
 
Como se percebe, a gestão democrática não é uma possibilidade fácil na 
realidade das escolas, mas pretende, e consegue, em alguns casos, promover a 
cidadania, a pedagogia emancipatória e a mobilização social. 
Princípios	e	Características	da	
Gestão	Democrática
A gestão democrática deve seguir certos conceitos para que se respeite a 
própria concepção de “democrática”. O estilo de gestão com ênfase na democracia 
deve	preceder	ações	 concretas	e	 competências	profissionais	que	assegurem	o	
desenvolvimento	de	práticas	de	gestão	com	participação	e	influência	democrática	
(LIBANEO, 2003). Segundo Libâneo (2003), algumas ações concretas são 
combinadas com os princípios da gestão que estão determinados a seguir:
81
A Gestão Escolar e as Possibilidades 
para uma Escola Democrática Capítulo 3
a) Autonomia 
• Autonomia da escola e da comunidade educativa: Mesmo tendo que seguir 
as	diretrizes	gerais	(do	financiamento	escolar,	do	pagamento	dos	salários	dos	
professores, da legislação e do currículo), deve ter autonomia em gerenciar 
suas	decisões,	administrar	livremente	seus	recursos	financeiros	e	poder	traçar	
objetivos futuros.
b) Participação da Comunidade e dos Profissionais na Gestão 
• Relação orgânica entre a direção e a participação dos 
membros da equipe escolar: A participação de professores, pais, 
alunos, funcionários e outros representantes da comunidade, na 
própria escolha desses representantes, bem como a viabilização 
dessa participação, determinam a gestão democrática.
• Formação de uma boa equipe de trabalho:	Pessoas	qualificadas	
trabalhando	de	forma	cooperativa	e	solidária.	Definição	de	formas	
de gestão e determinação das funções de cada componente na 
estrutura organizacional, de acordo com as especialidades dos 
membros.
• Envolvimento da comunidade no processo escolar: O conselho da escola 
deve ter a presença da comunidade, especialmente de pais, para preparar 
o projeto pedagógico e acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços 
prestados. Nesse caso, vale lembrar que uma visão externa é relevante e 
pode perceber defeitos e desenvolver idéias que os envolvidos tradicionais 
(professores e diretores) não percebem nitidamente. Com a participação 
comunitária a escola propicia uma cultura de aprendizagem em que toda a 
comunidade está imbuída na melhoria da educação, podendo assim se tornar 
uma comunidade de aprendizagem.
• Fortalecimento de formas de comunicação e de difusão de informações: 
A boa gestão deve estar baseada também na difusão de informações para a 
comunidade escolar. As decisões tomadas pelo conselho ou a direção devem 
ser transmitidas e absorvidas por todos, para o bom andamento do processo 
educacional. A comunidade deve estar ciente de possíveis alterações e novas 
ideias para então instaurar uma prática com o entendimento de que se torne 
público e transparente.
c) Planejamento das Atividades 
Há necessidade de um plano de ação ou projeto pedagógico com o qual se 
busque uma ação racional, de estratégias de ação, de provimento e ordenação 
dos recursos disponíveis, de cronogramas e formas de controle e avaliação. 
O conselho da 
escola deve ter 
a presença da 
comunidade, 
especialmente de 
pais, para preparar o 
projeto pedagógico 
e acompanhar e 
avaliar a qualidade 
dos serviços 
prestados.
82
Supervisão escolar
d) Formação e Desenvolvimento Profissional
• Formação continuada para o desenvolvimento pessoal e profissional 
dos integrantes da comunidade escolar: A gestão democrática valoriza a 
capacitação	profissional	e	a	competência	técnica.	A	organização	e	gestão	do	
trabalho	escolar	requerem	o	constante	aperfeiçoamento	profissional	–	político,	
científico,	pedagógico	–	de	toda	a	equipe.	
• Ações de desenvolvimento profissional: Destinam-se à formação 
continuada