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SUPERVISÃO ESCOLAR

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do pessoal da escola, durante a jornada de trabalho (participação 
no PPP, novas práticas, metodologias, pesquisas, cursos, pós-graduação 
a distancia, etc.) e fora da jornada de trabalho (cursos, seminários, 
simpósios, palestras, pós-graduação, etc). 
d) Solução de Problemas
• Utilização de informações concretas e análise de cada 
problema em seus múltiplos aspectos, com ampla democratização 
das informações: Gestão baseada na coleta real e segura de dados e 
de informações, bem como uma análise global dos problemas (buscar 
sua essência, suas causas, seus aspectos fundamentais, para além das 
aparências).	Isso	significa	verificar	a	qualidade	das	aulas,	o	cumprimento	dos	
programas,	da	qualificação	e	a	experiência	dos	professores,	as	características	
socioeconômicas e culturais dos alunos e da comunidade, os resultados dos 
trabalhos que a equipe propôs atingir, a saúde dos alunos, a adequação entre 
métodos e procedimentos didáticos, entre outros.
e) Avaliação
• Avaliação compartilhada: Avaliação e acompanhamento constante e mútuo 
dos procedimentos organizativos.
• Avaliação do sistema escolar, das escolas e da aprendizagem: A avaliação 
não deve ser apenas a do aluno, mas sim de todo o sistema educacional e 
da escola. Existem meios formais de avaliar as políticas de educação e de 
gestão, como os exames nacionais de cunho pedagógico (Ex. ENEM) e de 
cunho de gestão (Ex. IDEB). A intenção é formular parâmetros quantitativos 
e qualitativos sobre alunos, professores, estrutura organizacional, recursos 
físicos e materiais, etc. A escola assim tem a possibilidade de perceber suas 
falhas	e	virtudes	para	então	buscar	uma	educação	eficiente	de	acordo	com	a	
sua própria situação. 
A gestão 
democrática 
valoriza a 
capacitação 
profissional e 
a competência 
técnica.
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A Gestão Escolar e as Possibilidades 
para uma Escola Democrática Capítulo 3
f) Envolvimento de Pais e Alunos 
Relações humanas produtivas e criativas, assentadas na busca de 
objetivos comuns: Relações humanas que preservem a exigência e o respeito, 
além de valorizar a experiência e o diálogo.
• Envolvimento dos alunos em processos de solução de problemas e de 
tomadas de decisões: Os alunos devem ser estimulados ao diálogo, praticar 
reflexões	 e	 atuar	 nos	 conteúdos	 escolares	 com	 a	 intenção	 de	 transformar	
o seu próprio pensamento e comportamento. Nesse contexto, podem ser 
explorados assuntos de formação social, econômicos, políticos e culturais. 
Também temos a chance de cobrir tópicos como drogas, violência, prostituição 
infantil, entre outros tópicos de cunho social.
• Regras disciplinares: Os alunos devem estar envolvidos no desenvolvimento 
das normas disciplinares. Devem participar para então melhor 
discutir e assim melhor respeitá-las. Nessa construção democrática 
das normas, o aluno se sente valorizado e respeitado e acaba 
cobrando a postura disciplinar de outros colegas e até de 
professores.
• Envolvimento dos pais: As melhores escolas do mundo têm em 
comum certas virtudes. Uma delas é a intensa participação dos 
pais no acompanhamento do desempenho escolar para que seus 
filhos	atinjam	o	melhor	em	termos	educacionais.	Essa	participação	
acontece na própria escola, onde os pais são atuantes na 
Associação de Pais e Mestres, ou no Conselho de Classe, assim 
como	 fora	 da	 escola,	 acompanhando	 e	 estimulando	 seus	 filhos	
fora do ambiente formal da escola, em tarefas ou outras atividades de cunho 
formativo e pedagógico. 
Exemplos da Participação Democrática
1. Na Escola Municipal Casa Meio Norte, em Teresina, os 
conselheiros são responsáveis pelo acompanhamento da 
frequência das crianças e acionados para visitar as famílias em 
caso de faltas. Os integrantes participam ainda das decisões 
pedagógicas e administrativas, bem como da destinação dos 
recursos. Para se ter ideia do envolvimento da comunidade, 
uma das conselheiras da escola é a vice-presidenta da 
associação de moradores do bairro. E os alunos também têm 
As melhores 
escolas do mundo 
têm em comum 
certas virtudes. 
Uma delas é a 
intensa participação 
dos pais no 
acompanhamento 
do desempenho 
escolar para que 
seus filhos atinjam 
o melhor em termos 
educacionais.
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Supervisão escolar
vez. Os líderes de turma, eleitos pelas crianças e adolescentes, 
conversam diretamente com a direção e os professores, além 
de integrarem os conselhos de classe.
2. Já na Escola Municipal Professor José Negri, em Sertãozinho 
(SP), os pais têm permissão para assistir às aulas e conhecer de 
perto a metodologia de cada professor. Eles aproveitam também 
o espaço para realizar atividades comunitárias e melhorar as 
instalações, como a quadra de esportes e a biblioteca – ambas 
construídas com apoio das famílias, que organizaram abaixo-
assinado e reivindicaram recursos junto ao prefeito e aos 
vereadores.
3. A Escola Estadual Professora Guiomar Gonçalves Neves, em 
Trajano de Moraes (RJ), por sua vez, aposta em um conselho 
fiscal	escolar	para	acompanhar	a	aplicação	de	todos	os	recursos.	
Um painel no corredor, logo na entrada, informa os visitantes 
sobre o uso do dinheiro. Além disso, os pais participam de 
reuniões bimestrais da Associação de Apoio à Escola (AAE), que 
debate inclusive o projeto político-pedagógico da instituição.
Fonte: FERREIRA, Thais. Gestão Democrática. Revista Nova Escola. Disponivel em: 
http://revistaescola.abril.com.br/politicas-publicas/gestao-democratica/transparencia-
gestao-participativa-aliadas-qualidade-425385.shtml. Acesso em 30/06/2011.
Gestão	Democrática	e	a	Escola	
Atual
Entende-se como gestão democrática a possibilidade de “oferecer” ao aluno 
uma	gerência	das	dimensões	pedagógicas,	administrativas	e	financeiras	de	uma	
escola, realizada por pessoas que têm conhecimento do processo educacional e 
que estão preocupadas com o andamento das atividades cotidianas com intenção 
de melhorar a escola. A gestão democrática pretende dar a oportunidade a um 
grupo de pessoas de participarem na discussão de possibilidades para a escola. 
Essa concepção pretende conectar a concepção de ideias e a sua aplicação, 
o pensar e o fazer e a conciliação entre teoria e prática. Pretende, portanto, 
promover	 uma	 reflexão/decisão/ação	 do	 que	 é	 possível	 dentro	 do	 contexto	 de	
cada escola e da comunidade que ela representa.
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A Gestão Escolar e as Possibilidades 
para uma Escola Democrática Capítulo 3
A gestão escolar tem diversas concepções, que vão desde a Tradicionalista, 
em que o diretor tem função centralizadora de tomada de decisão e condução 
das tarefas, até a gestão Democrático-Participativa. Libâneo (2003) determina 
que a gestão democrático-participativa acentua a busca de objetivos 
comuns assumidos por todos, através das decisões coletivas e que 
estas decisões sejam aplicadas e avaliadas pelos membros da gestão.
A escola atual necessita entender as transformações e o próprio 
supervisor precisa entender que a escola tradicional deve passar 
por	 uma	 renovação.	Medina	 (2002,	 p.	 88)	 traz	 o	 que	 os	 profissionais	
apontam como ‘ação supervisora tradicional’, fazendo um paralelo com 
a ‘ação supervisora renovada’, das quais são destacadas as que seguem: 
TRADICIONAL RENOVADA
Ter como objetivo a harmonia do grupo.
Explicitar as contradições, trabalhando o conflito 
com o objetivo de estabelecer relações de 
trabalho no grupo da escola.
Buscar a igualdade num processo de
mascaramento da realidade.
Trabalhar as diferenças.
Trabalhar a partir do seu próprio desejo. Trabalhar buscando criar demandas.
Produzir modelos de conhecimento. Criar formas próprias de conhecimento.
Enfatizar procedimentos linearizados.
Enfatizar a produção do professor no interior da 
escola, num movimento de ensinar e aprender.
Ser um facilitador. Ser um problematizador.
Ter o conhecimento como um dado absoluto. Ter o conhecimento como um dado relativo.
Ter comportamento de neutralidade. Ter comportamento expresso com clareza.
Trabalhar tendo em vista um tipo ideal de homem.
Trabalhar