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Fluidoterapia e Vasopressores

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Fluidoterapia e vasopressores 
@diaveterinario 
FLUIDOTERAPIA 
→ Deve ser vista como uma medicação 
→ Quantidade e doses corretas 
HOMEOSTASE 
→ Hipotálamo 
 Osmolaridade (±290-330 
mOsm/kg) 
→ Rins 
 Pressão arterial 
 Volemia 
ALTERAÇÕES DE VOLUME INTERSTICIAL 
→ Avaliação clínica 
 Hidratação de mucosas 
 Turgor cutâneo 
 Posição do olho na órbita 
 Umidade da có́rnea 
 É um parâmetro subjetivo 
→ O que pode causar desidratação? 
 Vômitos e diarréia 
 Poliúria 
 Sudorese excessiva 
 Queimadura 
 Diabetes insipidus 
 DRC 
 Desequilíbrios eletrolíticos 
 Desequilíbrio de entrada e saída 
de líquidos 
• Entrada: água, alimentos, 
metabolismo dos animentos 
• Saída: urina, fezes, sudorese, 
respiração 
→ Desidratação hipertônica = Perda de 
água pura (Ex.: Atividade excessiva, 
diabetes insipidus...) 
 Usar fluído hipotônico, como a 
glicose 5% 
→ Desidratação isotônica = Perda de 
água e eletrólitos (Ex.: Vômitos, 
diarreias, perdas renais) 
 Usar fluído de cristaloides 
isotônicos, como Ringer Lactato 
→ Desidratação hipotônica = Perda de 
eletrólitos (Ex.: Hipoadrenocorticismo) 
 Nunca deve ser usado solução 
hipertônica em paciente 
desidratado, pois os eletrólitos 
retiram a água do interstício 
 Usar Ringer Lactato, o mais 
próximo da concentração 
fisiológica de eletrólitos 
 
ALTERAÇÕES DE VOLUME 
INTRAVASCULAR 
→ Avaliação clínica dos parâmetros 
perfusionais (hipovolemia) 
 Cor de membranas mucosas 
(pálidas) 
 TPC (aumentado) 
 FC aumentado 
 Qualidade de pulso (fraco) 
 Distensibilidade da jugular 
 Taquipnéia 
 Hiperlactatemia (não 
necessariamente) 
 Vasoconstrição periférica 
 Diminuição dos borborigmos 
intestinais 
 Pressão, prostração, bradicardia e 
baixa temperatura central (são 
indicadores tardios) 
→ Há redução de pré-carga e consequente 
redução de débito cardíaco 
 DC = FC X VS 
→ Com a redução do débito cardíaco, 
ocorre diminuição da entrega de O2 
 DO2 = DC X CaO2 
LEI DA ELETRONEUTRALIDADE: 
→ Fisiologicamente existe um equilíbrio 
entre cátions e ânions 
→ Principal cátion: Na+ 
→ Principal ânion: Cl- 
→ O NaCl 0,9% tem em sua composição 
154 miliequivalentes de Cl, enquanto o 
plasma sanguíneo tem por volta de 103 
miliequivalentes de Cl 
→ Utilizar o NaCl 0,9% significa administrar 
mais Cl que o fisiológico do plasma 
→ Como tentativa de restaurar o equilíbrio e 
manter a lei da eletroneutralidade, o 
organismo aumenta a quantidade de íons 
de carga positiva (cátions). O íon de 
carga positiva mais fácil de controlar, é o 
H+ (por meio da respiração). 
→ Ocorre aumento de H+ e consequente 
acidose metabólica. 
→ Ou seja, o uso de NaCl pode causar a 
chamada acidose hiperclorêmica. 
→ Por esse motivo, NaCl é usado apenas 
em casos pontuais. O mais comum é 
usar Ringer com Lactato (não causa tanto 
desequilíbrio). 
OBJETIVOS DA FLUIDOTERAPIA 
→ Melhorar a entrega de O2 (DO2) = 
Reanimação volêmica (otimizando a 
hemodinâmica e a microcirculação) 
→ Reposição hídrica (reidratação) 
→ Manutenção (manter status de 
hidratação nos casos de perdas) 
→ Ajustar o equilíbrio ácido-base 
→ Reposição de eletrólitos 
→ O uso correto de fluidos intravenosos 
pode salvar vidas, no entanto, a 
literatura recente demonstra que a 
fluidoterapia não é isenta de riscos. 
 
→ NaCl 7,5% (salgadão) só deve ser 
usado em casos de hemorragias 
controladas, aumento de PIC ou 
vasodilatação (somente em 
pacientes hidratados!). 
REANIMAÇÃO VOLEMICA 
→ A hipovolemia resultante da perda 
aguda de volume no sistema vascular 
acarreta diminuição do retorno 
venoso, queda da pré-carga e 
consequente redução do débito 
cardíaco, da perfusão periférica e da 
pressão arterial em fases mais 
avançadas. 
→ As causas mais comuns associadas à 
hipovolemia são: perdas 
gastrintestinais, sangramento, poliúria 
e vasodilatação. 
→ Hipoperfusão = Taquicardia, 
vasoconstrição periférica, 
hiperlactatemia, alteração de linha 
central 
→ Alterações em DO2 = Pré-carga, pós-
carga e contratilidade 
→ Hipovolemia: 
 Prova de carga (método de 
diagnóstico para saber se o 
paciente está respondendo ao 
fluido) 
 Combinação de fluidos (vai 
depender do paciente) 
• Cristaloides + coloides 
• Cristaloides + salina 
hipertônica 
• Cristaloide + coloide + salina 
hipertônica 
 Hipotensão persistente: 
Inotrópicos e vasopressores 
 
 Ex.: Desidratação 
 
 Ex.: Perda sanguinea 
 
Ex.: Perda aguda de sangue e perda de 
água para o intersticio 
(Não existe “receita” certa”) 
PROVA DE CARGA 
→ Objetivo: entender se o paciente é 
responsivo a fluidoterapia ou não 
→ Considera a taxa de choque 
→ Cães: 90ml/kg/hora 
→ Gatos: 60ml/kg/hora 
→ Usar 1/3 a ¼ dessa dose em 
aproximadamente 15-30 minutos de 
infusão 
 Cães: 20ml/kg em 15 minutos 
 Gatos: 10ml/kh em 15 minutos 
→ 2 ou 3 provas 
→ Bomba de infusão ou bomba seringa 
→ Utilizar ringer lactato (NaCl pode 
causar acidose metabolica) 
→ Primeira escolha em todos os tipos de 
choque, exceto cardiogênico 
→ Promove redução de PT – dilucional. 
→ Lembrar de aquecer o paciente antes, 
principalmente os felinos (pois quando 
ficam hipotérmicos “desligam” o SNC 
e não conseguem fazer 
vasoconstrição periférica e não 
demonstram sinais) – Fazer quando a 
temperatura estiver acima dos 37 
graus. 
 
 
 
 
REPOSIÇÃO HÍDRICA 
→ Reidratação: 
 Reposição da desidratação: 
% de desidratação x peso x 10 
(em 4 a 24h dependendo da 
velocidade da desidratação) 
 Perdas: vômitos/ diarreias (40 a 
60 mL/kg/dia ou 2-4ml/kg por 
episódio) 
 Descontar a prova de carga 
BALANÇO HIDRICO 
→ Resultado da diferença entre o que é 
fornecido (fluidoterapia, medicações 
diluídas, água via oral...) e o que o 
animal perde (urina, diarreia, efusões, 
estase gástrica...). 
→ Permite que, ao final de 12 ou 24 
horas, seja feita uma estimativa de 
excesso ou falta de fluido. 
→ A partir daí, reavaliar necessidade de 
manutenção. 
CRISTALOIDES ISOTONICOS 
→ Soluções aquosas de baixo peso 
molecular 
→ Base = água 
→ Osmolaridade semelhante ao plasma 
→ Mais seguros e baratos 
→ Temporários no espaço IV (35-45min) 
→ 1ª escolha na reanimação volêmica 
 Grandes quantidades em um 
curto espaço de tempo 
→ NaCl pode provocar acidose 
hiperclorêmica. 
→ Quanto mais baixo o SID, menor o 
pH. Por isso a solução de NaCl é 
acidificante. 
→ SID do Ringer Lactato é semelhante 
ao do plasma, por isso o pH se 
mantém 
 
SOLUÇÃO SALINA 7,5% 
→ Cristaloide hipetônico 
→ Promove um gradiente osmótico, 
permitindo transferência da água do 
interstício para o meio intravascular. 
→ Baixo custo e fácil aquisição 
→ Vasodilatação e aumento da 
contratilidade cardíaca 
→ Diminui a PIC; 
 PCC = PAM - PIC 
→ 4 a 5 mL/kg para o cão e 2 a 4 mL/kg 
para o gato em 20 minutos 
 Efeitos duram de 30 a 60 minutos no 
espaço vascular 
→ Diluir NaCl 20% em NaCl 0,9% proporção 
1:3 (1 parte de NaCl20% + 2 partes de 
NaCl 0,9%) 
→ Em conjunto com coloides sintéticos para 
potencializar os efeitos 
→ Indicações: 
 Expansão de volume plasmático 
 TCE (redução de PIC) 
 Aumentar inotropismo cardíaco 
 Redução da resposta inflamatória 
(trauma e choque) 
→ Contraindicações: 
 Hipernatremia 
 Desidratação 
 DR oligúrica 
 Hemorragias não controladas 
 
 
 
 
 
 
 
COLOIDES SINTÉTICOS 
→ Soluções aquosas de alto peso molecular 
(>10milDa) 
→ Melhora na pressão oncótica 
→ Permanecem mais tempo IV 
→ Maior expansão volêmica 
→ Potencial de reação, LRA e alterações de 
coagulação 
→ Gelatina, as dextranas, e as 
hidroxietilamido 
→ Poucos usados devido aos efeitos 
adversos 
→ Indicações: 
 Baixa pressão oncótica 
 Hipoproteinemia (albumina abaixo de 
2 g/dL)/ hipoalbuminemia 
 Perda aguda de sangue total (não hásangue total disponível) 
→ Contraindicações: 
 Casos de inflamação – SEPSE 
 Doença renal 
 Trombocitopenia grave a moderada 
→ Usada em bolus, chegando ao máximo 
de 50mL/Kg/L 
QUANDO ADMINISTRAR COLOIDES 
→ Quando for difícil administrar volumes 
com rapidez suficiente para ressuscitar 
um paciente e / ou quando se deseja 
alcançar o maior benefício cardiovascular 
com o menor volume de fluidos infundido 
(por exemplo, paciente grande, cirurgia 
de emergência) 
→ Em pacientes com grandes perdas de 
volume (>15ml.kg), em que os 
cristaloides não estão efetivamente 
melhorando ou mantendo a restauração 
do volume sanguíneo 
→ Quando o aumento da perfusão tecidual 
e da entrega de O2 é necessário 
→ Se edema se desenvolver antes da 
restauração adequada do volume 
sanguíneo 
→ Quando se suspeita de diminuição da 
pressão oncótica ou quando a proteína é 
menor que 35g/L (ou albumina é menor 
que 15g/L) 
→ O uso de coloides pode prolongar os 
efeitos da administração de solução 
salina hipertônica 
QUANDO ASSOCIAR 
COLOIDE + CRISTALOIDE 
→ Quando for necessário aumentar o 
volume intravascular (via coloides) e 
repor os déficits intersticiais (via 
cristaloides). 
→ Administrar coloides em 5 a 10 ml/kg no 
cão e 1 a 5 ml/kg no gato. 
→ Administre os cristaloides a 40-45 mL/kg 
no cão e 25 a 27 mL/kg no gato 
COLOIDES NATURAIS 
→ Hemocomponentes 
→ São indicados em: 
 Perda sanguínea maior que 40% 
da volemia do paciente 
 Queda de 50% do hematócrito 
basal 
 Hemoglobina abaixo do nível 
crítico (menor que 7g/dL) 
→ No trauma: 
 proporção plasma: plaquetas 
• Concentrado de eritrócitos de 1:1: 
1 ou 1:1:2 
→ Sangue total 
→ Concentrado de eritrócitos 
→ Plasma rico em plaquetas (fresco) 
→ Plasma fresco congelado – queimados 
→ Concentrado de plaquetas 
MONITORIZAÇÃO DA VOLEMIA 
→ Pacientes hipoperfundidos por 
hipovolemia liberam catecolaminas 
→ Na prática: 
 FC e FR 
 Sinais de vasoconstrição 
 Estado mental (linha central) 
 Temperatura central (linha central) 
 Produção de urina (periférico) 
 PA = DC x RVS (linha central) 
 Lactato (periférico) 
 
 
 
→ No “mundo ideal”: 
 PVC – estimar volume sangue AD 
 DC 
 Colabamento de veia cava. 
 São manobras mais invasivas 
EXCESSO DE FLUIDO 
→ Aumenta a congestão pulmonar 
→ Aumenta a congestão sistêmica 
→ Diluição do Ht/PPT 
→ Coagulopatia dilucional 
→ Pode levar a GIPS (Global increased 
permeability syndrome) 
→ Sinais de hiperidratação/hipervolemia: 
 Aumento do turgor cutâneo 
(“gelatinoso”) 
 Quemose 
 Secreção nasal espumosa/Estertores 
úmidos/ Tosse/ Taquipneia 
 Ascite/ Efusão pleural 
 Quemose 
 Sinal de Godet + (edema 
subcutâneo) 
INOTRÓPICOS E VASOPRESSORES 
→ Inotrópicos 
 Aumentam contratilidade cardiaca 
 Quando usar: 
• Insuficiência cardíaca congestiva 
• Disfunção cardíaca 
(principalmente por falha na 
perfusão) 
 Princípios de uso: 
• Evidência de disfunção sistólica 
• Evidência de hipoperfusão 
→ Vasopressores 
 Induzem aumento de resistência 
vascular sistêmica (vasoconstrição) 
 Está relacionado a quais receptores 
adrenérgicos esses fármacos atuam 
 Usado para aumentar pressão 
arterial 
• PA menor que 90mmHg em cães 
• PA menor que 100mmHg em 
gatos 
 Princípios de uso: 
• Hipotensão 
• Evidências de disfunção orgânica 
• Hipovolemia deve estar corrigida 
ou em correção avançada 
 
→ Noradrenalina/Norepinefrina: 
 Catecolamina endógena à 
neurotransmissor excitatório 
 Exógena 
 Ação vasopressora 
 Ações: 
• Vasoconstrição periférica 
mediada pelos receptores alfa1 
• Aumento de contratilidade pela 
ação em receptores beta1 
• Aumento do fluxo sanguíneo 
renal 
 Uso clínico: 
• De escolha no choque séptico 
• Menores efeitos adversos 
• 0,2 a 1,5mcg/kg/min - dose 
titulada para manter PAM acima 
de 65mmHg (ajuste a cada 10 
min); 
 Efeitos adversos: 
• Necrose tecidual local por 
extravasamento (Obrigatório o uso 
de bomba de infusão) 
• Intensa vasoconstrição sistêmica 
com piora de função orgânica 
quando são necessárias doses 
altas. 
 
 
 
 
 
→ Dobutamina 
 Catecolamina sintética 
 Inodilatador: efeito inotrópico positivo 
(β1) e vasodilatador (β2) 
 Como o aumento no volume de 
ejeção é acompanhado por redução 
da resistência vascular sistêmica 
(vasodilatação), a PA em geral 
permanece inalterada ou aumenta 
discretamente. Porém, em paciente 
críticos, a resposta à essa droga é 
amplamente variável. 
 Usos clínicos 
• Pacientes com ICC 
descompensada devido à 
disfunção sistólica 
• Depressão miocárdica associada 
ao choque séptico 
• 5 a 15 mcg/kg/min, sem bolus 
prévio. 
 Efeitos adversos 
• Aumento do consumo de oxigênio 
pelo miocárdio e aumento no 
trabalho cardíaco, efeitos que 
podem ser deletérios na 
insuficiência cardíaca 
• Taquiarritmias 
 Contraindicada em pacientes com 
cardiomiopatias hipertróficas. 
 
→ Desmame: 
 Iniciar quando estabilidade 
pressórica e reanimação volêmica 
realizada 
 Reduzir gradualmente as doses: 
inicie pela vasopressina, epinefrina 
ou dobutamina 
 A norepinefrina deve ser desmamada 
por último. 
 Reduz, aguarda, monitora. 
 Reduzir a dose a cada 10 minutos