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Anatomia Patológica - Patologias de Próstata

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Anatomia Patológica - Patologias de Próstata
O sistema reprodutor masculino pode ser dividido em órgãos sexuais primários,
órgãos sexuais secundários e caracteres sexuais secundários.
Òrgãos Sexuais Primários:
● Gônadas: os órgãos responsáveis pela produção dos gametas. No caso do homem,
são os testículos, que produzem os espermatozóides;
● Testículos: que são envolvidos por uma pele protetora (a bolsa escrotal), possuem
uma estrutura interna de túbulos, chamados túbulos seminíferos. São túbulos muito
contorcidos, que podem chegar até 70 cm de comprimento se forem
desenrolados;Nos túbulos, existem as células espermatogônias, precursoras dos
espermatozóides, e as células de Sertoli, que produzem um líquido com função
nutritiva para o desenvolvimento dos espermatozóides. Entre os túbulos, há outro
tipo de célula, as células de Leydig (ou células intersticiais). Essas são as células
que produzem os hormônios sexuais masculinos, os androgênios (entre eles, a
testosterona).
Órgãos Sexuais Secundários
São as estruturas essenciais para o amadurecimento e a condução dos gametas ao
encontro do gameta feminino (o ovócito). Podem ser divididas em três categorias: os
ductos de transporte dos gametas, as glândulas acessórias e o órgão da cópula.
Ductos de transporte
● Os epidídimos. São dois tubos (um atrás de cada testículo) muito contorcidos que,
se esticados, podem chegar a medir 5,5m. Possuem três regiões: a cabeça (a
primeira região, ligada ao testículo), o corpo e a cauda (ligada aos ductos
deferentes).
● Os ductos deferentes podem medir até 45 cm de comprimento. Eles sobem da
bolsa escrotal até a cavidade pélvica, passando pelos lados da bexiga urinária. Em
sua região terminal, formam duas ampolas, que os ligam aos ductos ejaculatórios.
● Os ductos ejaculatórios são curtos (medem 2 cm) e são formados pela união dos
ductos deferentes e dos ductos das vesículas seminais. Os dois ductos ejaculatórios
penetram na próstata e se unem num único tubo, a uretra prostática, onde também
há liberação de secreções da próstata e por onde também passa a urina, vinda da
bexiga.
● A uretra é um tubo dividido em três
partes: a) Uretra Prostática - passa
através da próstata, recebendo os
ductos ejaculatórios, e mede cerca de
2,5 cm; b) Uretra Membranácea: mede
0,5 cm e passa pelo diafragma
urogenital, onde está o esfíncter
urinário externo; c) Uretra Esponjosa: é
a mais longa, medindo cerca de 15 cm,
e conduz o sêmen através do pênis,
que é o órgão copulatório (ou do coito).
Glândulas acessórias:
● As vesículas seminais medem cerca de 5 cm e também tem formato de tubos,
próximos à base da bexiga.
● A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz (3 a 4 cm de diâmetro), situada
logo abaixo da bexiga. A primeira parte da uretra passa diretamente por dentro dela.
É envolvida por uma rede de músculo liso, cujas contrações levam à liberação de
suas secreções.
● Glândulas bulbouretrais (ou de Cowper), localizadas logo abaixo da próstata. São
pequenas, medindo cerca de 1 cm.
Órgão da cópula:
● O pênis, juntamente com a bolsa escrotal, formam a genitália externa do homem. Ele
possui em seu interior dois corpos cavernosos (que se enchem de sangue no
momento da ereção) e um corpo esponjoso (por onde passa a uretra).
A próstata tem um peso aproximado de 15g a 20g e ela está localizada logo aqui
abaixo da bexiga, sendo atravessada pelo canal uretral, sua porção anterior está logo atrás
do púbis e a posterior está posicionada anteriormente ao reto. Tem função reprodutiva, atua
alcalinizando o semem (pH 7,29), tornando-o compatível com o pH vaginal.
Ao sair da bexiga, a uretra é dividida em duas porções, a uretra prostática passa,
seguida da uretra peniana; esta possui também função reprodutiva, e maior comprimento,
quando comparada à uretra feminina.
Lembrar que na próstata penetram os dois canais deferentes oriundos da bolsa escrotal
(estes que são operados na vasectomia) e as vesículas seminais.
Na infância a próstata é uma estrutura rudimentar de difícil localização devido ao
seu tamanho, sendo ainda menor no feto. Atualmente a próstata é dividida histologicamente
em zonas que, macroscopicamente não é possível diferenciar, apenas quando visualizada
no microscópio:
● zona anterior: área que está em
contato com o púbis, constituída
em sua maior parte de tecido
fibroso e muscular, contendo
pouquíssimas glândulas);
● zona periférica: constitui 75% da
próstata; rica em glândulas e
tecido conjuntivo; nesta zona que
ocorrem majoritariamente as
neoplasias de próstata - adenocarcinomas);
● zona central: porção entre os ductos ejaculatórios que estão vindo dos testículos/
junção do canal deferente com a vesícula seminal;
● zona de transição: glândulas envolvem a uretra proximal, nesta região são formados
os nódulos hiperplásicos da próstata - patologia benigna (visto que ocorre em volta
da uretra, esta reflete em uma clínica mais evidente, com manifestações de retenção
urinária, diferente da neoplasia que ocorre na porção periférica);
● Glândulas periuretrais: encontram-se em volta da uretra com finalidade de lubrificar
o uroepitélio.
O Câncer de próstata ocorre na zona periférica, hiperplasia nodular da próstata (HB
de próstata) ocorre na zona de transição. A glândula prostática possui um revestimento
frágil (cápsula de tecido fino), associado ao fato das neoplasias de próstata ocorrerem na
zona periférica, se deve à maior facilidade de infiltrar os tecidos moles adjacentes.
Estrutura histológica
Glândula do tipo tuboloalveolar, com espaços glandulares de pequenos a grandes.
● células colunares secretórias (estão em contato com a luz dos túbulos, onde
secretam o conteúdo responsável por alcalinizar o sêmem, estas são responsáveis
por produzir, além da secreção alcalina, o antígeno prostático específico - PSA, que
liquefaz o sêmem, evitando a coagulação dessa secreção e, por conseguinte,
impactação das glândulas após a ejaculação; uma parte do PSA é absorvida e cai no
sangue, tornando possível a sua quantificação/dosagem no rastreio de câncer de
próstata). Essa célula colunar é que vai fazer os adenocarcinomas, são as células
que na maioria das vezes sofrem malignização;
● células do epitélio cubóide ou célula basal: abaixo do epitélio colunar secretor, é
uma célula de reserva, que pode estar contínua ou não. Sua função é substituir a
célula colunar quando esta morre ao fim do seu prazo de vida, logo a célula cubóide
passa por uma diferenciação e origina uma célula colunar secretora (por isso é uma
célula de reserva). Estas células cubóides deixam de existir nas neoplasias de
próstata, passando a ser, sua ausência, um indicador de processo neoplásico.
Quando há dúvida se é um processo benigno ou maligno, faz-se a
imunohistoquímica a procura dessas células, se tiver células naquela glândula, tendo
células mioepiteliais, confirma-se a patologia é benigna; se não, certifica-se que há
uma patologia maligna.
● Membrana basal: constituída de colágeno IV e lâmina; responsável por reter o
conteúdo secretado pelas glândulas (PSA, da fosfatase alcalina); permitindo que
uma pequena quantidade seja absorvida.
O mioepitélio prostático não se contrai (como ocorre com o mioepitélio da glândula
mamária para promover a ejeção do leite produzido), mas sim o próprio estroma da
próstata, constituído também de músculo liso, fibras colágenas, fibras elásticas e músculo
esquelético, toda essa estrutura se contrai e promove a secreção no lúmen dos túbulos.
Além de contrair, esse estroma também produz diversas substâncias, como fatores de
crescimento, enzimas, etc; sendo dessa forma, muito importante para a fisiologia dessa
estrutura. Nesta também podem ocorrer processos neoplásicos, os chamados
Leiomiossarcoma.
Escore de Gleason
Escore de Gleason (também conhecido
como escala ou pontuação de Gleason) é uma
pontuação dada a um câncer de próstata
baseado em sua aparência microscópica. O
escore de Gleason é importante porque escores