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GERENCIAMENTO DE RISCO 
 
INTRODUÇÃO À GESTÃO DE RISCOS 
 
 A responsabilidade da gestão de riscos é da organização. Ocorre que, como regra geral, a 
organização está focada em sua atividade fim, que é produzir, distribuir produtos ou prestar serviços. 
Assim, o corretor de seguros, seguradora, corretor de resseguro ou resseguradoras, que diariamente estão 
manuseando riscos, têm mais familiaridade com o assunto. Estes players, além da comercialização e 
subscrição de riscos, podem oferecer a gestão de riscos como prestação de serviços, lembrando que a 
responsabilidade é sempre da organização. A prestação de serviços de gestão de riscos pode fazer parte 
dos serviços oferecidos (situação comumente encontrada) ou ser vendida à parte. 
 Uma discussão atual e importante diz respeito ao papel do corretor de seguros na comercialização 
dos produtos. 
 O corretor de seguros deve conhecer tecnicamente os produtos que comercializa, mas discute-se 
a mudança do foco de “venda de seguros” para “venda consultiva”. A “venda consultiva” pode ser entendida 
como uma assessoria fornecida ao segurado e compreende: 
1. Identificação dos riscos acidentais que podem ocorrer na organização; 
2. Análise da frequência (quantidade de vezes que pode ocorrer num período de tempo, normalmente um 
ano) e da severidade (impacto financeiro da ocorrência do risco acidental); 
3. Montagem da matriz de riscos, que é uma planilha em que visualmente se classificam os riscos acidentais 
identificados e analisados; 
4. Verificação, para cada risco acidental identificado e analisado, das alternativas de controle de riscos 
(medidas que diminuem a frequência e/ou severidade) e financiamento de riscos (reembolso das perdas 
ocorridas); 
5. Seleção das técnicas de controle de riscos e/ou financiamento de riscos a serem implantadas; 
6. Implantação das técnicas selecionadas; e 
7. Monitoramento do programa de gestão de riscos, que fornecerá insumos para o item 1, caracterizando o 
processo como cíclico e contínuo. 
 
 A “venda consultiva” corresponde à adaptação do processo de gestão de riscos para riscos 
acidentais. Portanto, a “venda consultiva” e a “gestão de riscos acidentais” estão intimamente ligadas. 
 
LEMBRANDO: A gestão de risco é responsabilidade da Organização, a empresa que é avaliada. 
 
ISO 31000 
 A gestão de riscos é objeto de Norma Internacional, com aplicação em todo mundo. Seu 
conhecimento é importante porque é a base da gestão de riscos. 
1. Internacionalmente temos a ISO – International Organization for Standardization, que é uma 
organização não governamental independente composta por 162 membros que representam vários 
países. Através de seus membros são recebidas contribuições de especialistas que compartilham 
conhecimento e desenvolvem voluntariamente, através de consenso, normas internacionais que 
suportam a inovação e provêm soluções para desafios globais. A Secretaria Central da ISO fica 
localizada na cidade de Genebra – Suíça. 
2. No Brasil, temos a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que é o Foro Nacional de 
Normalização. As normas brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros 
(ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ ONS) e das Comissões de Estudo 
Especiais (ABNT/CEE), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas pelas partes 
interessadas no tema objeto da normalização. 
 
A ISO 31000 estabelece diretrizes para a gestão de riscos sem caráter mandatório. Ou seja, sua aplicação 
não é obrigatória, mas pelo seu caráter internacional, suas diretrizes são seguidas pelos países que têm 
representação nesta organização. 
 
 A norma, na versão brasileira, tem 23 páginas e, conforme sua orientação, a aplicação pode ser 
personalizada para qualquer organização. Seu contexto fornece abordagem comum para gerenciar 
qualquer tipo de risco, não sendo específico para qualquer indústria ou setor. Com esta enorme abrangência 
e o tamanho reduzido do documento, temos: 
1. É uma norma genérica com aplicação universal, ou seja, qualquer organização ou parte dela pode se 
beneficiar do seu processo de tomada de decisão. 
2. Por ser genérica, sua aplicação deve ser particularizada para o segmento a que se destina. 
 
 Assim, para a gestão de riscos temos duas necessidades básicas: 
1. Conhecimento do processo de gestão de riscos baseado na ISO 31000. 
2. Conhecimento da atividade em que ela será aplicada. 
 
LEMBRANDO: A ISSO 31000 não tem caráter mandatório 
 
RISCOS: CONCEITOS E EVOLUÇÃO 
Assim, vamos conhecer algumas definições de risco: 
1. Risco como possibilidade de perda, normalmente financeira. Quando se vê uma placa com os dizeres 
“Perigo – Eletricidade – Risco de Morte”, o termo “risco” está se referindo ao risco de perda da vida (não 
necessariamente ligado a uma perda financeira). Já risco de roubo de uma carteira implica na possibilidade 
de perda financeira de valores monetários. 
 
Após o ano de 2009, e conforme Norma ABNT NBR ISO 31000, temos uma definição normatizada de risco: 
“Risco é o efeito da incerteza nos objetivos.” 
 
RISCOS NA GESTÃO DE RISCOS 
Os Riscos podem ser classificados de diversas maneiras, sendo que uma das mais comuns é a classificação 
em riscos puros (em que só existe a possibilidade de perda ou empate) ou riscos especulativos (quando 
existe possibilidade de perda, empate ou ganho). 
 
A ISO 31000 não estabelece qualquer tipo de classificação de risco. No entanto, a literatura especializada 
divide os riscos, para fins de gestão de riscos, em riscos de operação e riscos de mercado. 
1. Riscos de operação são aqueles sobre os quais a organização tem controle. Por exemplo, riscos 
acidentais são riscos de operação, pois a organização tem controle sobre eles. (Risco interno, a empresa 
tem conhecimento). 
2. Riscos de mercado são aqueles sobre os quais a organização não tem controle. Por exemplo, risco de 
variação cambial não está no controle da organização, mas pode influenciar nos objetivos da organização. 
(Risco externo, dependente da aceitação do mercado). 
 
Riscos da Operação 
 
Risco do Negócio: Possibilidade de perda ou ganho devido a variáveis econômicas e de mercado. Vale 
uma reflexão sobre os riscos de negócios, em que a incorreta identificação e análise dos riscos de negócios 
pode trazer consequências sérias. 
No nosso mercado de seguros estamos imunes aos riscos de negócio? A assim chamada 4ª Revolução 
Industrial ou Indústria 4.0 está chegando ao nosso mercado com IOT (internet of things ou internet das 
coisas), blockchain, inteligência artificial, etc. Estas tecnologias disruptivas devem alterar os padrões de 
comercialização, afetando os corretores de seguros. As seguradoras, a exemplo do que está ocorrendo com 
as fintechs em relação ao mercado bancário tradicional, poderão sofrer concorrência das insurtechs no 
modelo de compartilhamento (nos Estados Unidos existe o caso concreto da Lemonade, que é uma 
alternativa às seguradoras tradicionais). Não se pode prever com exatidão como será o futuro próximo, mas 
podemos ter a certeza de que não será como no presente. 
 
Risco Financeiro: Risco de uma organização não ter capacidade de honrar suas obrigações financeiras. 
Trazendo para o mercado segurador, seria a incapacidade financeira de uma seguradora cumprir com suas 
obrigações como, por exemplo, a de liquidar sinistros. Este é um risco real do nosso mercado e faz parte 
dos riscos de solvência de uma seguradora. 
 
Risco Operacional: Possibilidade de perda devido ao mal funcionamento ou inoperância da tecnologia 
existente ou dos sistemas de suporte. 
 
Risco de Crédito: Possibilidade de perda devido ao inadimplemento dos tomadores em honrar as 
prestações devidas que foram assumidas através de contrato entre as partes. 
 
Risco Acidental: Possibilidade da ocorrência de perda à organização, originada por acidente envolvendo 
diretamente o patrimônio, pela geraçãode responsabilidade civil, por perda de receita, ou por perda de 
recursos humanos. Tradicionalmente, mas não necessariamente, os riscos acidentais são aqueles que são 
transferidos (na totalidade ou parcialmente) ao mercado segurador. 
 
Risco da perda de reputação: Refere-se à perda real ou percebida da reputação, ou deterioração da 
marca. Em época de intensa atividade das redes sociais, sabemos que a perda de reputação de uma marca 
pode implicar no fim da existência de uma organização. 
 
Riscos de Mercado 
São riscos de origem externa à organização com característica sistêmica (não atinge somente uma 
organização, mas setores da economia). 
Risco da taxa de juros: Refere-se à possibilidade de a taxa de juros diminuir ou elevar-se. 
Risco da taxa de câmbio: Possibilidade de variação do valor da moeda de um país em relação ao valor da 
moeda de outro país. 
Risco do preço das commodities (mercadorias): Possibilidade do preço das commodities – como, por 
exemplo, petróleo – aumentar ou diminuir. 
Risco político: Possibilidade de perdas financeiras decorrentes de posturas políticas adotadas no país em 
que se encontram investidos os ativos da organização. 
 
GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS: HISTÓRICO E EVOLUÇÃO 
 Quando comparado aos seguros, o processo de gestão de riscos tem o desenvolvimento bem mais 
recente. O princípio do mutualismo, que é a base dos seguros, foi desenvolvido milhares de anos antes de 
Cristo, quando as perdas dos camelos nas viagens pela antiga Babilônia eram divididas entre os 
participantes da empreitada. 
 A força motriz da Primeira Revolução Industrial foram as máquinas a vapor, que para sua geração 
necessitavam de caldeiras, que por sua vez eram muito sujeitas ao evento de explosão. Surge na Inglaterra 
o Seguro de Boiler Explosion and Inspection (seguro de explosão e inspeção de caldeiras), o que nos nossos 
dias seria equivalente à combinação da técnica de prevenção de perdas com transferência via seguros. 
 
GESTÃO DE RISCOS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS 
 As instituições financeiras têm como característica a administração de recursos que não são 
próprios delas. 
■ No caso dos bancos, eles administram recursos financeiros dos correntistas e investidores. 
■ No caso das seguradoras, elas administram provisões como, por exemplo, PPNG – provisão de prêmios 
não ganhos e PSL –, provisão de sinistros a liquidar que são de propriedade dos segurados. 
 
OS CAMINHOS DA GESTÃO DE RISCOS 
 A ISO 31000 não foi fruto de um trabalho científico em que se tenha descoberto a gestão de riscos; 
foi, antes, resultado das necessidades da administração dos riscos que podem prejudicar a organização ou 
uma área específica em atingir seus objetivos. 
 
GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS Riscos acidentais são eventos súbitos e imprevistos que causam 
perdas à organização. 
 
 
Terminando esta unidade, vale esclarecer alguns equívocos que encontramos no nosso mercado. 
■ A gestão de riscos acidentais é um processo sequencial constituído de vários passos nos quais o seguro 
é uma das alternativas de financiamento de risco via transferência. O seguro é importante e muito utilizado 
na gestão de riscos acidentais, fazendo parte dela (e não o contrário). 
■ Subscrição de riscos é uma atividade exclusiva da seguradora ou resseguradora que se constitui na 
aceitação, recusa ou aceitação com modificações dos riscos a elas oferecidos. 
■ Inspeção de riscos é uma atividade de coleta de dados físicos do risco que fornece subsídios para a 
subscrição de riscos. 
■ Inspeção de loss control (controle de perdas) é uma inspeção mais especializada que visa identificar e 
sugerir medidas de mitigação de riscos da organização. 
■ Regulação de sinistros é uma atividade de verificação das causas e apuração dos prejuízos decorrentes 
de um sinistro. 
 
RESUMO 
 
 A gestão de riscos é um processo estruturado de responsabilidade da organização, mas que pode 
ter consultoria (prestação de serviços gratuita ou não) dos players do mercado de seguros (corretores de 
seguros, seguradoras, corretores de resseguro, resseguradoras). 
 A gestão de riscos foi normatizada através da ISO 31000, cuja primeira edição ocorreu no ano de 
2009, sendo revisada em sua segunda edição no ano de 2018. Esta norma tem duas características 
importantes: a vantagem de ser extremamente abrangente, servindo para qualquer tipo de organização ou 
atividade, o que gera a desvantagem de possuir pouco detalhamento para uma organização ou atividade. 
Portanto, sua aplicação deve respeitar seus princípios e diretrizes, mas precisa ser adaptada para uma 
aplicação específica. Nela encontramos a definição de risco enquanto “efeito das incertezas nos objetivos”. 
 O efeito pode ser negativo (o que significa perdas), mas pode ser positivo (significa que a gestão de 
riscos pode gerar oportunidades de ganho). Sob o ponto de vista da gestão de riscos, podemos ter os riscos 
da operação (que estão no controle da organização) e os riscos de mercado (riscos sistêmicos que não 
estão no controle direto da organização, mas que deverão ser identificados, analisados e, se for o caso, 
tratados). 
 A gestão de riscos enquanto processo decisório teve desenvolvimento a partir da metade do século 
XX. A gestão de riscos acidentais e a gestão de riscos de instituições financeiras tiveram caminhos 
diferentes, mas convergentes, resultando no processo estruturado que vem sendo praticado de maneira 
uniforme. 
 Finalmente, a gestão de riscos é um processo abrangente que pode utilizar o seguro como uma 
ferramenta de financiamento de riscos através de transferência. 
 
GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – PATRIMÔNIO 
 
BENS DA ORGANIZAÇÃO 
O patrimônio da organização corresponde ao seu ativo e é composto de bens tangíveis e bens intangíveis. 
 
— Bens Tangíveis: Os bens tangíveis são ativos da organização que são concretos e que podem ser 
tocados. Eles podem ter: 
■ Origem natural, ou seja, não foram produzidos pelo homem, mas fazem parte do patrimônio da 
organização. Como exemplo, temos terrenos, lagos, cursos d’água naturais, vegetação nativa, florestas 
naturais, etc. 
■ Origem na exploração dos recursos naturais pelo homem, quer seja pela extração destes recursos (pedras 
preciosas, materiais de insumo para indústrias, petróleo, etc.), quer seja pela alteração do meio ambiente 
para fins de exploração comercial, como exemplo a agricultura, piscicultura, criação de animais, 
hidroelétricas, etc. 
■ Origem na produção de produtos pelo homem, criando e construindo benfeitorias, classificados em: 
 
 
 São os bens da organização necessárias para o funcionamento da organização. Nesta 
classificação, temos as indústrias, comércios, prestação de serviços e residências (incluindo condomínios). 
 
— Bens Intangíveis: Os bens intangíveis não podem ser vistos ou tocados, mas são percebidos como ativos 
da organização. São bens intangíveis da organização as marcas, valores e princípios presentes na cultura 
organizacional, percepção de perenidade, dentre outros. 
 
— Exposição a Perdas: O bloco patrimônio é entendido e estudado através de três dimensões: 
 
 
— Itens Expostos a Perdas: Prédios e instalações; Maquinismos, móveis e utensílios; Mercadorias e 
matérias-primas (Prédio e Instalações, Maquinismos, móveis e utensílios, Mercadorias e matérias-primas); 
Desentulho do local; Despesas de demolição; Propriedades não danificadas; Aumento dos custos de 
reconstrução ou reparação; Valor do conjunto; 
— Riscos que Causam as Perdas: São inúmeros os riscos que causam perdas no bloco patrimônio e é 
importante que haja uma correta identificação destes riscos. Abaixo estão os principais riscos identificáveis 
no bloco patrimonial, agrupados pela origem dos riscos. 
 
Riscos com origem na atividade da organização: Incêndio; Explosão; Fumaça; Derrame e vazamento de 
água de chuveiros automáticos (sprinklers); Desmoronamento; Rompimento ou vazamento darede de água 
interna da organização; Impacto de veículos, queda de aeronaves, engenhos aeroespaciais; Acidentes de 
origem súbita e imprevista em máquinas e equipamentos; Contaminação e deterioração de mercadorias em 
ambientes frigorificados; Danos elétricos. 
 
Riscos com origem na Natureza: Queda de raio, que pode ocorrer; Alagamento e inundação; Vendaval, 
Furacão, ciclone, tornado, granizo. 
 
Riscos com origem no Homem: Roubo e furto qualificado de bens, mercadorias e valores; Infidelidade de 
empregados; Tumultos; Cyber Risks. 
 
— Consequências Financeiras das Perdas: Uma vez conhecidos os itens expostos a perdas e os riscos que 
causam perdas, partimos para o estudo das consequências financeiras das perdas. Para medir as 
consequências financeiras das perdas, é necessário o entendimento de dois conceitos: valoração e 
parâmetros da qualidade do risco. 
 
Valoração: Valor de novo; Valor atual; Depreciação física. 
 
Parâmetros da Qualidade do Risco 
 Os dois principais parâmetros para medição da qualidade do risco são PMP – Perda Máxima 
Possível e DMP – Dano Máximo Provável. Estes parâmetros são utilizados para todos riscos analisados 
pela gestão de riscos acidentais, mas, para fins de seu entendimento, utilizaremos a causa de perda 
Incêndio. 
 
PMP: Perda Máxima Possível no Risco de Incêndio, de maneira simplificada, é a perda total do maior risco 
isolado. (Quando se faz um investimento para reduzir as perdas). 
 
DMP: Dano Máximo Provável é a perda esperada considerando os sistemas protecionais existentes. 
 
— Identificação e Análise de Riscos: Para a identificação de riscos, existem métodos já consagrados em 
literatura especializada. Somente para fins de ilustração, vamos citá-los: 
 HAZID – Hazard Identification – Identificação de Perigos Envolve seções de brainstorm direcionadas 
por checklists preparados pela gestão de riscos. 
 What If Analisys – Análise “O Que – Se” Através de brainstorm menos estruturados, busca-se a 
identificação de perigos através da resposta “o que aconteceria” se “tal evento ocorresse”. 
 HAZOP – Hazard and Operability Studies – Estudo dos Perigos e Operabilidade Muito utilizada no 
estudo de perigos em processo contínuos; 
 Análise Preliminar de Perigos Técnica qualitativa para identificar perigos em novos projetos ou 
novas instalações. 
 FMEA – Failure Mode and Effect Analisys – Análise do Modo de Falha e Efeitos Método de análise 
indutivo para estudar causas e efeitos das falhas. 
 Análise de Frequência - A análise de riscos envolve o estudo da frequência e severidade dos riscos 
identificados, sempre em relação aos objetivos da organização. Nos riscos acidentais, o objetivo é 
que as perdas não ocorram, ou ocorram dentro de determinados limites. 
 
 A frequência é a quantidade de ocorrências em relação à quantidade de expostos ao risco. A 
severidade é a consequência financeira (em R$) da ocorrência dos riscos. Neste curso, utilizaremos análise 
qualitativa conforme a seguir: ■ Frequência: ocorrência remota, baixa, média, alta. ■ Severidade: 
consequência insignificante, significativa, severa, catastrófica. 
 
— Matriz de Riscos A matriz de riscos é um recurso gráfico utilizado na gestão de riscos para condensar o 
resultado da identificação e análise de riscos: Alta, média, baixa, remota. 
 
— Medidas de Controle de Riscos e Financiamento de Riscos Devemos ter em mente que os recursos 
disponibilizados para a gestão de riscos, assim como para as demais áreas da organização são limitadas. 
 
As medidas de controle de riscos são: 
 Eliminar a exposição: De pouca aplicação para riscos acidentais do bloco patrimônio. Um exemplo 
de sua aplicação é mudar a organização para um local mais alto, eliminando o risco de 
alagamento/inundação. 
 Prevenção de perdas – loss prevention: Amplamente aplicada na gestão de riscos acidentais do 
bloco patrimônio, visa reduzir a frequência (reduz a frequência de ocorrência). 
 Redução de perdas – loss reduction: Amplamente aplicada na gestão de riscos acidentais do bloco 
patrimônio, visa reduzir a severidade (se ocorrer, diminuir sua severidade). 
 Separação: Quando possível, isolar os riscos (paredes e portas corta fogo, aumentar a distância de 
isolamento entre os riscos); tem por objetivo reduzir a PMP – Perda Máxima Possível. 
 Duplicação: Mais utilizada quando envolve sistemas de informática, mantendo backup dos 
programas e arquivos. 
 
 As medidas de financiamento de riscos são: 
 
 Retenção: As perdas são assumidas pela organização. Não é aplicável para os riscos situados nas 
áreas vermelha e amarela da matriz de riscos. 
 Transferência por seguros: Normalmente a gestão de riscos aplica medidas de controle de riscos 
conjugadas com a transferência por seguros. 
 
RESUMO 
 
 O Patrimônio da organização é composto de bens tangíveis e bens intangíveis. Os bens tangíveis 
são ativos concretos da organização que podem ser tocados. Eles podem ser de origem natural, resultantes 
da exploração de recursos naturais e mesmo produção do homem. Neste último caso, são criadas e 
construídas benfeitorias, que são os (1) prédios/instalações (2) maquinismos/móveis/utensílios, (3) 
mercadorias/matérias-primas e são os bens da organização necessários para seu funcionamento. Nesta 
classificação, temos as indústrias, comércios, prestação de serviços e residências (incluindo condomínios). 
 O bloco patrimônio é estudado através de três dimensões: dimensão 1 – itens expostos a perdas; 
dimensão 2 – riscos que causam as perdas; dimensão 3 – consequências financeiras. 
 Na “dimensão 1 – itens expostos a perdas”, temos prédios e instalações; maquinismos, móveis e 
utensílios; mercadorias e matérias primas. Além destes itens, também devem ser considerados desentulho 
do local, despesas de demolição, propriedades não danificadas, aumento dos custos de reconstrução ou 
reparação, valor do conjunto. 
 Na “dimensão 2 – riscos que causam perdas”, são analisados os riscos que causam perdas no bloco 
patrimonial. 
 Na “dimensão 3 – consequências financeiras das perdas”, é mensurado o impacto das perdas, 
devendo-se aplicar os conceitos de valoração e parâmetros da qualidade do risco. 
 O resultado da identificação e análise dos riscos (causas de perdas, frequência e severidade) são 
condensados na matriz de riscos, que serve para decidir quais riscos serão objeto da gestão de riscos. 
 Finalmente, as medidas de controle de riscos e financiamento de riscos deverão ser analisadas para 
os riscos que serão objeto da gestão de riscos. 
 
GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – RESPONSABILIDADE CIVIL 
 
EXPOSIÇÃO A PERDAS O processo de gestão de riscos acidentais é o mesmo para todos os blocos 
(patrimônio, responsabilidade civil, pessoas e receita líquida), sendo adaptado às características de cada 
um deles. 
 
— Riscos que Causam as Perdas: 
 Danos causados por outras pessoas: O Código Civil Brasileiro gera responsabilidade civil para 
pessoas físicas e pessoas jurídicas, não somente pelos atos por elas cometidos, mas também por 
atos praticados por outras pessoas 
 Responsabilidade civil extracontratual: A responsabilidade civil contratual é aquela que advém de 
um contrato formal celebrado entre as partes, estabelecendo direitos, obrigações e condições entre 
as partes contratantes. 
 Responsabilidade civil subjetiva: Quando se analisa os riscos que causam perdas, é necessário que 
a gestão de riscos acidentais saiba em qual campo da responsabilidade civil se está atuando, se na 
responsabilidade civil subjetiva ou na responsabilidade civil objetiva. (Provar inocência por meio de 
processo) 
 Responsabilidade civil objetiva: A responsabilidade civil objetiva é prevista no parágrafo único do 
artigo 927 do Código Civil Brasileiro, e diz que “Haverá obrigação de reparar o dano, 
independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente 
desenvolvidapelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem”. 
— Consequências Financeiras das Perdas As consequências financeiras das perdas do bloco 
responsabilidade civil podem ser agrupadas em reparação dos danos e custos judiciais: Reparação 
de Danos; Custos de Advogados e Custas Judiciais. 
 
RESUMO 
 
 A responsabilidade civil surge em função da existência de (1) Leis, (2) Códigos, que reúnem, em 
uma única lei, normas de um mesmo ramo do direito e (3) Estatutos, que regulam as relações de certas 
pessoas que têm em comum pertencerem a um território ou sociedade, etc. No Código Civil Brasileiro, temos 
três artigos que são importantes para conceituação da Responsabilidade Civil, que são: 
Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar 
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito. 
Art. 927. Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo. 
Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos 
especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua 
natureza, risco para os direitos de outrem. 
Art. 942. Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação 
do dano causado; e, se a ofensa tiver mais de um autor, todos responderão solidariamente pela reparação. 
Parágrafo único. São solidariamente responsáveis com os autores os coautores e as pessoas designadas 
no art. 932. 
Portanto, as dimensões da exposição a perdas do bloco responsabilidade civil são: 
■ Bens expostos a perdas: os bens expostos a perdas na Responsabilidade civil são os bens da própria 
organização. 
■ Riscos que causam perdas: são os atos ilícitos cometidos pela organização e que causam danos a outrem. 
■ Consequências financeiras das perdas: são os custos de reparação dos danos materiais, imateriais, 
pessoais e morais, e as custas judiciais envolvidas no processo. 
 Uma consequência importante destas definições é que se não houver dano a outrem, não existe 
ato ilícito, não existe necessidade de reparação, e, em última análise, não existe responsabilidade civil da 
organização. 
 Outro ponto importante é saber se exposição a perdas em análise encontra-se no campo da 
Responsabilidade Civil Subjetiva ou Objetiva, sendo que a Responsabilidade Civil Objetiva prescinde do 
elemento culpa. 
 Devido à grande quantidade de atos ilícitos que causam danos a outrem, uma boa técnica para 
análise dos riscos e sugestão de medidas de mitigação é agrupá-los, por exemplo: Operações (existência, 
uso e conservação), Produtos, Empregador, Guarda de Veículos de Terceiros, Cyber Risks, dentre outros. 
 As medidas de mitigação de riscos aplicáveis no bloco responsabilidade civil são: 
■ Controle de riscos: eliminação da exposição, prevenção de perdas, redução de perdas, transferência 
contratual. 
■ Financiamento de riscos: retenção, transferência através de seguros. 
 
GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – PESSOAS E RECEITA LÍQUIDA 
 
GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS – RECEITA LÍQUIDA 
 O bloco gestão de riscos acidentais - Receita Líquida, também será analisado através das três 
dimensões: dimensão 1 – itens expostos a perdas; dimensão 2 – riscos que causam as perdas; dimensão 
3 – consequências financeiras. A receita Líquida é baseada no orçamento da organização e é calculada 
pela fórmula: 
Receita líquida = receitas orçadas - despesas orçadas 
 
RESUMO 
 
 Neste capítulo abordamos o bloco pessoas e o bloco receita líquida (de forma resumida), o processo 
de gestão de riscos e fizemos uma complementação sobre gestão de riscos da pessoa física. 
 O bloco pessoas foca nas pessoas-chave da organização e no impacto que sua ausência temporária 
ou permanente causa nos objetivos da organização. Nos dias de hoje, as organizações estão cada vez 
menos dependentes de pessoas-chave. 
 O item exposto a perdas no bloco pessoas-chave é a contribuição delas para os objetivos da 
organização. Os riscos são morte, invalidez para o trabalho, aposentadoria e pedido de dispensa. As 
consequências financeiras estão relacionadas às dificuldades em se atingir os objetivos e as despesas 
adicionais necessárias para repor a pessoa-chave. 
 O bloco receita líquida é baseado no orçamento da organização e é calculado pela fórmula: Receita 
líquida = receitas orçadas - despesas orçadas 
 O item exposto a perda do bloco receita líquida é a própria receita líquida orçada. Os riscos que 
causam perdas são decorrentes de danos ao patrimônio, responsabilidade civil e perda de pessoa-chave. 
 A consequência financeira, que é a diminuição de receita ou aumento de despesas depende da 
duração da paralização/evento, grau da paralização/evento, se parcial ou total, redução das receitas x 
receitas orçadas e aumento das despesas x despesas orçadas. Como complemento ao curso, 
apresentamos nesta unidade a gestão de riscos da pessoa física, os quais são: exposições a perdas por 
morte, invalidez, aposentadoria ou desemprego. 
 Estas perdas podem, pelo menos conceitualmente, ser classificadas em perdas previstas, perdas 
normais e perdas imprevistas. As consequências financeiras podem ser medidas através de dois caminhos: 
valor das necessidades e valor da vida humana. 
 
PROCESSO DE GESTÃO DE RISCOS ACIDENTAIS 
 
RESUMO 
 O Processo de gestão de riscos acidentais é composto de cinco passos, baseado nos preceitos da 
ISO 31000 e adaptado para riscos acidentais. 
Seus passos são: 
Passo 1 – Identificação e análise das exposições a perdas; 
Passo 2 – Exame das técnicas de gestão de riscos acidentais disponíveis; 
Passo 3 – Seleção do melhor conjunto de técnicas; 
Passo 4 – Implantação das técnicas escolhidas; 
Passo 5 – Monitoramento e melhoria do programa de gestão de riscos acidentais.

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