Prévia do material em texto
CENTRO UNIVERSITARIO ESTÁCIO DE SERGIPE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA WALLACE MAJOR DOS SANTOS educação, sexualidade e genero DIVERSIDADE DE SEXUAL E PRECONCEITO NA ESCOLA ARACAJU 2020 DIVERSIDADE DE SEXUAL E PRECONCEITO NA ESCOLA Este trabalho tem como objetivo abordar a problemática das relações de gênero e diversidade sexual, que de maneira peculiar tem sido alvo da manifestação do preconceito na escola. Tendo isso em vista, aborda como o professor pode contribuir, ao identificar essa situação, no combate ao preconceito de gênero. Fruto de uma pesquisa de iniciação científica intitulada “Estudo sobre gênero e diversidade na formação docente”, esse artigo visa resgatar a discussão construída ao longo desse período tendo como pressuposto que é de extrema relevância caracterizar as condições de trabalho docente e as perspectivas para uma formação continuada. É nesta direção que construímos uma abordagem das relações de gênero e da diversidade sexual inseridas numa discussão mais ampla, em que a luz da totalidade identificou-se que seja impossível discuti-las sem apreensão da realidade social, bem como do contexto em que estão inseridas. Assim, surge a necessidade de abordar além de formação dos professores, como uma forma permanente de aprimoramento e perspectiva para lhe dar com a questão da diversidade, mas as questões que dizem respeito as suas condições de trabalho, para que neste momento tenha claro os limites e as possibilidades dos professores no combate ao preconceito de gênero na escola. Atualmente é crescente a mobilização de diversos setores sociais em favor do reconhecimento e da legitimidade de ações que visam uma educação com base na diversidade. Assim sendo, esta é vista como fator essencial para garantir inclusão do tema nas escoas, promovendo a igualdade de oportunidades e o enfrentamento do preconceito, discriminação e violência, especialmente no que se refere a questões de gênero e sexualidade. Essas questões envolvem conceitos fortemente relacionados, tais como gênero, identidade de gênero, sexualidade e orientação sexual, que requerem a adoção de políticas públicas educacionais que, a um só tempo, contemplem suas articulações sem negligenciar suas especificidades. (BRASIL, 2007). A REALIDADE CONTIDA NAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES A RESPEITO DE GÊNERO E DIVERSIDADE SEXUAL São complexos os desafios que envolvem a formação de todos os profissionais da educação para lidar com as questões de gênero, sexualidade e diversidade no cotidiano escolar. Fica claro que precisamos abrir espaço no interior escolar para se problematizar os sentimentos, os preconceitos, as resistências que cercam essa temática. Para tanto, [...] é preciso considerar a experiência escolar como fundamental para que tais conceitos se articulem, ao longo de processos em que noções de corpo, gênero e sexualidade, entre outras, são socialmente construídas e introjetadas. Uma experiência que apresenta repercussões na formação identitária de cada indivíduo, incide em todas as suas esferas de atuação social e é indispensável para proporcionar instrumentos para o reconhecimento do outro e a emancipação de ambos. (BRASIL, 2007) Deste modo, compreende-se que a escola e, em particular, a sala de aula, constitui-se um lugar privilegiado para a promoção da cultura de reconhecimento da pluralidade das identidades e dos comportamentos relativos a diferenças. Daí, a importância de se discutir a educação escolar a partir de uma perspectiva crítica e problematizadora, questionar relações de poder, hierarquias sociais opressivas e processos de subalternização ou de exclusão, que as concepções curriculares e as rotinas escolares tendem a preservar (SILVA, 1996, 2000 e 2001). Destarte, Louro (2003, p.41) em suas pesquisas, reflete sobre a atitude de muitos professores em relação à incerteza sobre a diversidade sexual e de gênero no espaço escolar, onde destaca que para Nós, educadoras e educadores, geralmente nos sentimos pouco à vontade quando somos confrontados com as ideias de provisoriedade, precariedade, incerteza- tão recorrentes nos discursos contemporâneos. Preferimos contar com referências seguras, direções claras, metas sólidas e inequívocas. Apesar disso, hoje são poucos os que se atrevem a negar que a instabilidade e a transitoriedade se transformaram em “marcas” do nosso tempo [...]. Para este autor, existe uma noção singular de gênero e sexualidade que ainda sustenta currículos e práticas em ambiente escolar, mesmo que se admita a existência de multiformas de gênero e sexualidade, mas [...] é consenso que a instituição escolar tem obrigação de nortear suas ações por padrão: haveria apenas um modo adequado, legítimo, normal de masculinidade e de feminilidade e uma única forma sadia e normal de sexualidade, a hetorossexualidade: afastar-se desse padrão significa buscar o desvio, sair do centro, tornar-se excêntrico. (LOURO, 2003 p.43-44) De acordo com Demo (2005) vive-se um momento histórico propício ao delineamento de éticas plurais e de valorização da diversidade em todos os níveis. Obviamente, a concretização de éticas plurais no dia-a-dia demanda a articulação entre diversas ações individuais e coletivas, entre instituições e movimentos sociais. Das políticas públicas atuais na área de gênero e sexualidade até o plano das relações cotidianas nas escolas. Há um longo caminho a percorrer. Um passo importante nessa direção corresponde à aproximação das pesquisas acadêmicas em relação ao universo das concepções e crenças sobre as questões de gênero e sexualidade. Vemos então como central o papel da educação nestas questões, onde a escola é um espaço no interior do qual e a partir do qual podem ser construídos novos padrões de aprendizado, convivência, produção e transmissão de conhecimento, mesmo com as dificuldades, sobretudo se forem ali subvertidos ou abalados valores, crenças representações e práticas associadas a preconceitos e discriminações. Construir um currículo em tempos atuais, que não leve em conta à diversidade sexual e de gênero parece impossível uma vez que Essa presença da sexualidade [na escola] independe da intenção manifesta ou dos Discursos explícitos, da existência ou não de uma disciplina de “educação sexual” da inclusão ou não desses assuntos nos regimentos escolares. A sexualidade esta na escola porque faz parte dos sujeitos, ela não é algo que possa ser desligado ou algo do qual alguém possa se “despir” (LOURO, 1997, p 81). A diversidade no espaço escolar não pode ficar restrita às datas comemorativas, ou pior, invisibilizada a diversidade não se trata de “mais um assunto” jogado nas costas dos educadores não se trata de mais um assunto para roubar tempo e espaço para trabalhar os “conteúdos”. Pode-se afirmar que o currículo escolar não é neutro. A diversidade está presente em cada entrelinha, em cada imagem, em cada dado, nas diferentes áreas do conhecimento, valorizando-a ou negando-a. É no ambiente escolar que as diversidades podem ser respeitadas ou negadas. É da relação entre educadores e educandos e entre os educandos que nascerá a aprendizagem da convivência e do respeito à diversidade. A diversidade, devidamente reconhecida, é um recurso social dotado de alta potencialidade pedagógica. A sua valorização é indispensável para o desenvolvimento e o acolhimento de todos os indivíduos É no ambiente escolar que os estudantes podem construir suas identidades individuais e de grupo, podem exercitar o direito e o respeito à diferença. Faz-se necessário contextualizar o currículo, cultivando uma cultura de abertura ao novo, sendo capaz de absorver e reconhecer a importância da afirmação da identidade, levando em conta os valores culturais dos estudantes e seus familiares, favorecendo que estudantes e educadores respeitem os valores positivos que emergem do confronto dessas diferenças, possibilitando, ainda, desativar a carga negativa e eivada de preconceitos que marca a visão discriminatória. A violência do preconceito não está na diferença que realizamos mentalmente,mas na forma como agimos com base nessa noção. Ou, pior, na estratégia apoiada na possibilidade de eliminar o outro que é diferente. A intolerância, por exemplo, é a atitude que responde pela vontade de eliminar o outro, ou que é a própria negação da existência do outro, que é diferente. E a atitude de recusa da aceitação do outro tal como é, [...] O outro, que é diferente, não é algo que não possa ou não deva existir. Ele existe (ITANI, 1998. p. 128) Olhar atentamente a partir das questões de gênero, sexualidade dando ênfase ao preconceito e a discriminação - é a melhor forma de explicar a estrutural desigual e excludente de nossa sociedade e suas instituições, bem como indicar a existência de outras possibilidades de lidar com a diversidade humana. Na escola, para tratarmos da diversidade sexual e de gênero, precisamos ir para além da discussão da homossexualidade como uma exceção à norma. Afinal, se discutir gênero não significa apenas “discutir mulher", discutir diversidade sexual não se reduz somente a “discutir a homossexualidade ou os homossexuais", pois a heteronormatividade não afeta apenas quem descumpre o roteiro tradicional, mas também produz angústia naqueles que se enquadram (ou tentam) nos modelos (inatingíveis) de masculinidade e feminilidade hegemônicos. Pensando em outra prática diante disso tudo, como podemos pensar uma prática pedagógica que tenha como pressuposto a inter-relação entre diferentes grupos e sujeitos – cujas identidades estão em permanente (re)construção – e mais que isso, a construção coletiva de uma escola que integre em seu currículo e cotidiano as diferenças, sem abrir mão da construção da igualdade? Para Candau (2007, p.4) [...] o problema não é afirmar um polo e negar o outro, mas sim termos uma visão integradora, sem silenciar seus aspectos conflitivos, da relação entre igualdade e diferença. Hoje em dia não se pode falar em igualdade sem incluir a questão da diferença, nem se pode abordar a questão da diferença dissociada da afirmação da igualdade. Assim, esta autora ainda faz-nos refletir que Em primeiro lugar, talvez seja importante pensar nessa questão não como um ponto, um objetivo a ser alcançado em algum momento, mas como “um processo permanente, sempre inacabado, marcado por uma deliberada intenção de promover uma relação democrática entre grupos involucrados e não unicamente uma coexistência pacífica num mesmo território.” (CANDAU, 2010, p.99). É preciso repensar a própria construção das normatizações de gênero e sexualidade, e isso significa falar de processos que necessariamente afetam todas as pessoas. A nossa escola brasileira ao longo da história estruturou-se a partir de pressupostos fortemente tributários de um conjunto dinâmico de valores, normas e crenças responsável por reduzir à figura do “outro” (considerado estranho, inferior, pecador, doente, pervertido e contagioso), ou seja, todos que não se enquadrassem ao padrão vigente (normal) seriam descriminados. [...] os sujeitos que, por alguma razão ou circunstância, escapam da norma e promovem uma descontinuidade na sequência sexo / gênero / sexualidade serão tomados como minoria e serão colocados à margem das preocupações de um currículo ou de uma educação que se pretenda para a maioria. Paradoxalmente, esses sujeitos marginalizados continuam necessários, pois servem para circunscrever os contornos daqueles que são normais e que, de fato, se constituem nos sujeitos que importam (LOURO, 2004b, p.27) Assim, faz-se necessário identificar e enfrentar as dificuldades encontradas no ambiente escolar frente ao Gênero e Diversidade Sexual, de forma a promover os direitos humanos e, especialmente, problematizar, desestabilizar e subverter a homofobia, cabendo soa profissionais da educação a conscientização de que o “[...] trabalho se relaciona com o quadro dos direitos humanos e pode contribuir para ampliar os seus horizontes, precisamos também reter que estamos envolvidos na tessitura de uma trama em que sexismo, homofobia e racismo produzem efeitos e que, apesar de nossas intenções, terminamos muitas vezes por promover sua perpetuação”. (BRASIL, 2009).