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Resumo de Vulvovaginite

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tratamento ideal ainda não está estabelecido. O tratamento dos parceiros de pacientes com CVV recorrente permanece controverso. Recomenda-se uma higiene cuidadosa da região genital, evitando-se as duchas vaginais. O uso oral de lactobacilos com intuito de melhorar a flora vaginal parece estar relacionado à diminuição da recorrência, entretanto, faltam estudos com bom poder estatístico para definir sua eficácia. Ainda não há evidência científica da associação do uso de roupas sintéticas à recorrência de candidíase vaginal. Episódios isolados geralmente respondem aos esquemas anteriormente mencionados; entretanto, alguns especialistas recomendam tratamento tópico por 7 a 14 dias ou por VO (fluconazol 150 mg, total de três doses com intervalos de três dias). Após a remissão dos episódios agudos, podem ser utilizados esquemas de supressão com um comprimido de fluconazol (150 mg) uma vez por semana, durante seis meses. Outra opção são os tratamentos por via local, de maneira intermitente. Após o término do tratamento supressivo, aproximadamente 50% das mulheres permanecem livres dos episódios recorrentes. Para as manifestações severas como eritema extenso, edema, escoriações e fissuras, recomendam-se cursos prolongados de terapia, podendo ser utilizados medicamentos por via local, no período de 7 a 14 dias, ou fluconazol (150 mg) em duas doses, com intervalo de 72 horas. Não existem recomendações terapêuticas comprovadamente eficazes para tratamento das espécies não albicans. Alguns autores recomendam tratamento prolongado (7 a 14 dias) com medicamentos que não sejam fluconazol; outros recomendam a utilização de óvulos vaginais manipulados contendo 600 mg de ácido bórico.
* Seguimento da Paciente: totalmente desnecessário se os sintomas se resolvem. Só está indicado em pacientes com persistência ou recorrência dos sintomas nos dois primeiros meses após seu aparecimento inicial.
outras vulvovaginites
vaginite descamativa
* Vaginite purulenta, crônica, que ocorre na ausência de processo inflamatório cervical ou do trato genital superior.
* Etiologia desconhecida.
* Prevalência aumentada na perimenopausa.
* Cerca de 70% das culturas vaginais de pacientes portadoras de vaginite descamativa revelam a presença de estreptococos beta-hemolítico. O trato gastrointestinal funciona como um dos maiores reservatórios de estreptococos beta-hemolítico (Streptococcus agalactiae) ou GBS (Group B Streptococcus).
* As taxas de colonização do sistema geniturinário diferem de acordo com a raça, localização geográfica e idade.
* Critérios Diagnósticos:
· Conteúdo vaginal purulento em grande quantidade;
· pH vaginal alcalino;
· Microscopia:
· Processo descamativo vaginal intenso, com predomínio das células profundas (basais e parabasais);
· Flora vaginal do tipo 3 (ausência de lactobacilos): substituição da flora lactobacilar por cocos Gram-positivos;
· Número elevado de polimorfonucleares.
* Tratamento: clindamicina creme a 2% - 5 g via vaginal por sete dias. Preconiza-se nas pacientes menopausadas, além da clindamicina, o uso de estrogênio tópico, com uma aplicação vaginal diária, por uma a duas semanas consecutivas, com dose de manutenção de uma vez por semana.
* Diagnóstico Diferencial:
· Líquen plano erosivo vaginal.
· Tricomoníase.
· Vaginite atrófica complicada.
· Vaginite por estreptococos do grupo A.
· Vaginite por corpo estranho (tampão vaginal).
· Úlceras idiopáticas em mulheres HIV positivas.
· Síndromes penfigoides.
vulvovaginites inespecíficas
* Inflamação dos tecidos da vulva e da vagina, onde não se identifica um agente principal. 
* É importante ressaltar que na criança é mais comum se encontrar uma vulvite sem o comprometimento da mucosa vaginal.
* Vulvite: inflamação da mucosa vulvar, sem descarga vaginal. Pode ser desencadeada pelos germes da pele circundante ou ser secundária a uma reação de contato (substâncias químicas, materiais sintéticos) ou alérgica.
* Vaginite: inflamação da mucosa vaginal associada ao corrimento, que pode ser acompanhada ou não da vulvite.
* Fatores Predisponentes para a Vulvovaginite Inespecífica em Pré-Púbere
· Fatores anatômicos:
· Proximidade uretra – vagina – ânus.
· Menor coaptação das formações labiais.
· Tecido adiposo e pelos da região púbica pouco desenvolvidos.
· Fatores Fisiológicos:
· Epitélio vaginal delgado.
· pH alcalino (6,5 a 7,5).
· Hábitos/Costumes:
· Higiene pobre ou inadequada.
· Uso de roupas apertadas e de material sintético (não permitem a evaporação do suor e de outras secreções).
· Uso de irritantes químicos: sabonetes, loções.
· Uso de fraldas.
· Traumatismos: abuso sexual, masturbação.
· Corpo estranho.
· Fatores socioeconômicos e culturais.
· Comorbidades/Medicações:
· Doenças Sistêmicas: obesidade, diabetes, infecção das vias aéreas superiores.
· Parasitoses intestinais.
· Doenças dermatológicas (líquen escleroso, líquen plano, psoríase, dermatite atópica, dermatite de contato, dermatite das fraldas).
· Uso de antibióticos de amplo espectro.
* Etiologia: micro-organismos mais comumente associados às vulvovaginites inespecíficas são: Escherichia coli, Staphylococcus epidermidis, bacterioides, enterococos, entre outros.
* Quadro Clínico: leucorreia (aspecto variável); prurido vulvar; ardência vulvar; escoriação, hiperemia e edema de vulva; disúria e polaciúria; sinais de má higiene.
* Diagnóstico: anamnese cuidadosa levanta a suspeita diagnóstica. Antes de sua realização, o exame ginecológico deve ser explicado para a paciente e seu responsável. Deve-se tranquilizá-los de que o orifício himenal não será alterado pelo exame. A investigação se inicia pela coleta de material da vagina, através de sonda de nelaton acoplada a uma seringa, para realização de exame a fresco com SF a 0,9% e teste com hidróxido de potássio a 10% (1 gota da secreção vaginal + 1 gota de KOH) e bacterioscópico (Gram). Na suspeita da presença de corpos estranhos, o toque retal pode ser realizado. Está indicada também a solicitação de exame parasitológico de fezes com pesquisa de oxiúros e exame qualitativo de urina e urinocultura. A citologia não é necessária.
* Tratamento
· Boas medidas higiênicas com água abundante e sabão neutro;
· Prevenir contato com irritantes;
· Evitar roupas sintéticas;
· Banhos de assento com antissépticos;
· Tratamento sistêmico de infecção urinária, se presente;
· Tratamento de parasitoses intestinais, se confirmada;
· Antibioticoterapia tópica, em caso de identificação do agente.
vaginose citolítica
* Corrimento vaginal caracterizado por aumento excessivo de lactobacilos, citólise importante e escassez de leucócitos.
* Fisiopatologia: aumento excessivo da flora lactobacilar desencadeia um processo de citólise das células intermediárias do epitélio vaginal, com consequente liberação de substâncias irritativas provocando o corrimento e a ardência vulvovaginal.
* Quadro Clínico: prurido, leucorreia, disúria, dispareunia.
* Critérios Diagnósticos:
· pH vaginal entre 3,5 e 4,5.
· Microscopia com solução salina:
· Ausência de micro-organismos não pertencentes a microbiota vaginal normal;
· Raros leucócitos;
· Citólise (núcleos desnudos);
· Aumento significativo de lactobacilos.
* Tratamento: alcalinização do meio vaginal (aumento do pH vaginal) com duchas vaginais com 30 a 60 g de bicarbonato de sódio diluído em um litro de água morna. Deve-se usar de duas a três vezes por semana até a remissão do quadro clínico.
vaginite atrófica
* Surge em consequência da deficiência de estrogênio. Após a menopausa, seja ela natural ou cirúrgica (remoção dos ovários), os níveis circulantes de estrogênio (principalmente estradiol), são drasticamente reduzidos. O epitélio vaginal e uretral são estrogênio dependentes.
* Fatores de Risco:
· Menopausa
· Radioterapia
· Quimioterapia
· Ooferectomia
· Pós-parto
· Medicamentos: tamoxifeno, danazol, medroxiprogesterona, leuprolide, nafarelina.
* Quadro Clínico: sintomas de prurido vulvar intenso; ardência; dispareunia; conteúdo vaginal amarelo-esverdeado; disúria; hematúria; frequência urinária aumentada; infecção urinária;