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01 - Resumo THAU II Renascimento Italiano

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 RENASCIMENTO ITALIANO 
História da Arquitetura e da Arte II 
 
(renascimento italiano) 
 
Introdução 
 
• “Renascimento”: aproximadamente do início do século XV até 
aproximadamente o primeiro terço do século XVI; 
• Construção intelectual a partir da observação e da 
interpretação, mas não é ficção; 
• Surgimento gradual; 
 
Fatores para o “fim da Idade Média” 
 
1. Fortalecimento do comércio: Revolução Comercial, início do 
capitalismo; 
2. Difusão da leitura para além das instituições religiosas; 
3. Renascimento da vida urbana; 
4. Surgimento da burguesia: mercadores e comerciantes; 
5. Formação dos primeiros estados modernos; 
6. Peste (aproximadamente 1347-1351): morte de cerca de 
30-60% da população europeia. 
 
O comércio que orbitava o mediterrâneo (portos de destaque: 
Veneza e Gênova – tinham contato com o Ocidente) ia ganhando 
cada vez mais força, e, assim, tornou-se necessário que os 
comerciantes dominassem a leitura, escrita e o cálculo. 
 
O renascimento da vida urbana também está muito atrelado ao 
fortalecimento do comércio pois, para ter cidades é necessário 
integrá-las em uma rede urbana, na qual a mercadoria possa ser 
transportada e trocada. 
 
A formação dos primeiros estados modernos significou a 
superação da política pulverizada dos tempos feudais (pequenos 
senhores da guerra que cuidavam dos seus pedaços de terra) – 
as pequenas unidades de poder foram se agrupando e constituindo 
unidades políticas maiores, em volta de um governante capaz de 
controlá-los (com o passar dos anos tornaram-se os reis). 
→ Primeiros estados modernos: Portugal, Espanha, França 
e Inglaterra; 
→ Os primeiros governantes destes estados vieram da 
burguesia. 
 
Legados da Peste: 
• Encarecimento da mão-de-obra; 
• Barateamento da comida; 
• Barateamento das terras. 
 
o Lei da oferta e da procura: 
→ Menos gente para trabalhar (mortes) = mão-de-obra 
mais cara; 
→ Menos gente para comer = comida mais barata; 
→ Mais terras disponíveis = terras mais baratas; 
 
“Início” do Renascimento: Florença (século XV) 
 
Por que a Itália? 
1. Permanência da herança antiga no território italiano 
(Império Romano); 
2. Força do comércio (capitalismo); 
3. 1453: Queda de Constantinopla – sábios gregos que 
dominavam textos antigos migraram para a Itália e fechou-
se o Mediterrâneo (descobrimentos). 
 
Antecedentes na Itália: Século XIV (1301-1400) 
• Difusão da leitura: vai deixando de ser monopólio de religiosos; 
• Avanço dos idiomas nacionais sobre o latim; 
• Humanismo; 
→ Antropocentrismo; 
→ Valorização da cultura greco-romana/antiguidade. 
• Laicização da cultura; 
• Retorno do papado de Avignon para Roma; 
→ Reunificação do cristianismo em Roma após o século de 
cisão: aumento do poder dos Papas = financiam a arte; 
• Redescoberta de Vitrúvio: proporções. 
 
Antecedentes fora da Itália: 
• Invenção da imprensa: Gutenberg, Mainz (aprox.. 1450); 
• Invenção da gravação em cobre (final do século XV): 
divulgação dos tratados de arquitetura (a partir de Alberti, 
sempre ilustrados). 
 
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Catedral de Florença: Santa Maria del Fiore 
 
o Aproximadamente 1296: Arnolfo di Cambio; 
o Campanário (1334-1359): Giotto di Bondone; 
o Cúpula (1420-1434): Philippo Brunelleschi. 
 
 
 
Considerada uma das obras inauguradoras do Renascimento, 
contudo ainda é considerada uma obra de transição entre o Gótico 
e o Renascimento por misturar características de ambos estilos. 
 
→ Brunelleschi se baseou nas soluções construtivas do 
Pantheon; 
 
 
 
 
 
 
Imagem do slide do professor Gabriel Dorfman 
 
Cúpula: cobre um octógono e não o círculo – Brunelleschi definiu 8 
painéis (mais ou menos independentes entre si), uma solução mais 
próxima da Idade Média do que da Antiguidade; 
→ 2 cascas (uma interna e uma externa) que formam um 
interior oco: mais leveza; 
→ Nervuras ligam as 2 cascas para que elas distribuam mais 
a carga; 
→ Construção de baixo para cima, anel por anel: a cúpula como 
uma casca e não como uma sucessão de 8 painéis (ideia 
gótica) – a casca como um todo é uma ideia renascentista; 
→ Mistura entre o gótico e o renascimento: a cúpula é 
considerada um marco da passagem de um estilo para o 
outro; 
→ O perfil ogival é mais gótico (mais alta e menos redondinha); 
→ As nervuras principais (que são 8) aparecem por fora, ele 
mandou aplicar sobre elas filetes de mármore. Os painéis 
ainda possuem nervuras internas, 2 por painel (totalizando 
24 quando somas com as 8 principais), que auxiliam na 
redução do peso próprio e deixa uma passagem para os 
trabalhadores fazerem a manutenção; 
 
Ospedale degli Innocenti 
 
o Brunelleschi, 1421-1445 
o Localizado na Piazza dela Santissima Annunziatta, é 
considerado a primeira obra puramente renascentista; 
 
 
 
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Possui 5 elementos na fachada que representam a redução dos 
elementos formais (características clássicas) : colunas, arcos, 
cornijas, janelas e pilastras; 
→ Restringir-se ao uso dos mesmos elementos é uma 
característica clássica, com uma lógica muito clara e 
rigorosa que não pode ser quebrada; 
→ Edifício com ênfase na extensão horizontal: outra 
característica clássica, pois é a direção do repouso, da 
tranquilidade, do autocontrole; 
→ Renascimento: retomada dos valores clássicos com 
características próprias; 
 
Harmonia e Proporção: Santa Maria Novella 
 
o Alberti, 1456-1470; 
o Alberti ordenou a fachada dentro do espírito clássico, os 
elementos góticos da decoração precedem o início de seu 
trabalho; 
 
 
 
Alberti criou uma modulação para trazer harmonia visual. 
→ Fez a fachada ficar 100% inscrita em um quadrado (figura 
simples e regular): busca pela fachada perfeita através da 
harmonia e da beleza (o equilíbrio de dimensões); 
→ Todos os elementos são modulados por meio de quadrados; 
A perfeição e a harmonia como construções mentais: no mundo 
físico o nosso olhar não nos permite ver tão perfeitamente, 
fazendo com que enxerguemos alguns defeitos e distorções; 
 
 
 
 
Centralização dos Partidos 
 
 
• Gótico: partido longitudinal, a caminhada até Deus, bem 
distante; 
• Renascimento: a humanidade no centro e ali ocupa um espaço 
que partilha com Deus, a racionalidade; 
• No renascimento eu não caminho tanto para chegar até 
Deus, eu domino a racionalidade do divino para me unir a Deus 
– a razão é o que eu tenho em mim igual a Deus; 
• Um quadrado que circunscreve um círculo (figura com centro 
perfeito), e os retângulos quando juntos possuem o mesmo 
tamanho do quadrado: modulação e perfeição; 
• O Deus renascentista (que nos deu a razão) ≠ do Deus do 
Gótico; 
 
Palácios Urbanos do Renascimento Italiano 
 
o Antecedentes: palácios medievais – pátio interno fechado 
e protegido, organicidade, elementos defensivos em 
destaque na fachada, poucas janelas e portas, coroa 
defensiva. 
 
o Palazzo Riccardi (ou Médici) – Michelozzo, Florença (1444-
1460): primeiro exemplar totalmente renascentista; 
 
Imagem do slide do professor Gabriel Dorfman 
 
 
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→ O palácio original estava 100% alinhado (seguindo o 
princípio da ordem renascentista), o acréscimo quebrou um 
pouco da ordem original; 
→ Marcação das horizontais, regularidade, alinhamento das 
janelas, mega beiral; 
→ O acréscimo quebrou um pouco da ordem original; 
→ Segundo andar: piano nobile – onde ficavam os salões e 
salas principais (espaços nobres e solenes); 
→ Terceiro andar: aposentos, zonas de uso íntimo, alojamento 
de criados, etc; 
→ Cortile: pátio; 
→ Ordenação abstrata (completamente diferente da 
organicidade medieval): o cortile é um dos espaços mais 
nobres do palácio; 
→ Beiral de coroamento: entrou no lugar do coroamento 
defensivo medieval (coroamento mais amistoso); 
→ O Palazzo foi feito para a vida urbana, portanto o pátio 
tem uma função muito menor. 
 
Villas do Renascimento Italiano 
 
o Villa Giulia – Vignola (1550-1555); 
 
Imagem do slide do professor