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H I S T O R I A R GILBERTO COTRIM JAIME RODRIGUES MANUAL DO PROFESSOR 99 Componente curricular: História Ensino Fundamental – Anos Finais CAPA_HISTORIAR_PNLD2020_VOL9_LP.indd 3 11/18/18 11:40 AM H I S T O R I A R 79 MANUAL DO PROFESSOR Componente curricular: História Ensino Fundamental – Anos Finais 3a edi•‹o Ð S‹o Paulo, 2018 GILBERTO COTRIM Bacharel em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) Licenciado em História pela Faculdade de Educação da USP Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (Mack-SP) Professor de História na rede particular de ensino Advogado inscrito na OAB de São Paulo JAIME RODRIGUES Bacharel em História pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) Doutor em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP) Professor de História na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ex-professor de História nas redes pública e particular de ensino FRONTIS_HISTORIAR_PNLD2020_LP.indd 4 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALII Direção geral: Guilherme Luz Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas Gestão de projeto editorial: Mirian Senra Gestão de área: Wagner Nicaretta Coordenação: Eduardo Guimarães Edição: Thais Regina Videira e Wellington Santos (editores), Ligia Torres Figueiredo (edit. assist.) Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga Planejamento e controle de produção: Paula Godo, Roseli Said e Márcia Pessoa Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula C. Malfa, Brenda T. M. Morais, Célia Carvalho, Flavia S. Vênezio, Gabriela M. Andrade, Hires Heglan, Marília Lima, Maura Loria, Patrícia Travanca, Rita de Cássia C. Queiroz, Sandra Fernandez, Sueli Bossi; Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias) Arte: Daniela Amaral (ger.), Claudio Faustino (coord.), Felipe Consales e Karen Midori (edição de arte) Diagramação: Lima Estúdio Grafico Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Denise Durand Kremer (coord.), Danielle de Alcântara e Mariana Sampaio (pesquisa iconográfica) Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.), Luciana Sposito (licenciamento de textos), Erika Ramires, Luciana Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso Sousa e Claudia Rodrigues (analistas adm.) Design: Gláucia Correa Koller (ger.), Aurelio Camilo (proj. gráfico e capa), Tatiane Porusselli e Gustavo Vanini (assist. arte) Foto de capa: Alamy/Fotoarena Todos os direitos reservados por Saraiva Educação S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 1o andar, Setor A – Espaço 2 – Pinheiros – SP – CEP 05425-902 SAC 0800 011 7875 www.editorasaraiva.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Julia do Nascimento - Bibliotecária - CRB-8/010142 2018 Código da obra CL 820651 CAE 631648 (AL) / 631740 (PR) 3a edição 1a impressão Impressão e acabamento 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 2 11/18/18 11:43 AM IIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Colega Professor, Esta obra foi elaborada com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento das competências e habilidades definidas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Anos Finais do Ensino Fundamental, em História. A coleção dialoga com seus leitores e apresenta a professores e estudantes caminhos para a cons- trução da cidadania vinculada a princípios éticos, democráticos e inclusivos. Nesse sentido, a cidadania é considerada uma tarefa coletiva da qual todos devemos participar ativamente. Acreditamos que, por meio da reflexão histórica, podemos ampliar a consciência do que fomos para transformar o que somos. O Manual do Professor, que integra esta coleção, está dividido em duas partes. A parte geral apresenta nossa concepção da obra, seus pressupostos teórico-metodológicos e sua organização geral, a correspondência dos conteúdos com a BNCC, o referencial teórico-metodológico da proposta de avaliação, sugestões que possibilitam ampliar o uso da obra em sala de aula, a estrutura da obra e orientações a respeito das novas perspectivas para o trabalho com a história e a cultura da África, dos afro-brasileiros e dos povos indígenas do Brasil. A parte específica refere-se a cada volume da coleção. Nessa seção, apresentamos os objetivos pedagógicos de cada capítulo, orientações gerais sobre atividades a serem trabalhadas no livro do aluno, alertas sobre os pontos essenciais relacionados à BNCC, propostas de leituras e atividades complementares e, ao final, uma bibliografia. Bom trabalho com sua turma! Os autores Apresentação 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 3 11/18/18 11:43 AM 1. Concepção da obra e seus pressupostos ................................... VI 1.1. Diálogo passado e presente ............. VI 1.2. Novos objetos, novos objetivos ...... VII 1.3. História: campo de interpretações. ..VIII 1.4. História Social.................................... VIII 1.5. Aula, livro e ensino ..............................IX 1.6. Cidadania e livro didático ..................IX Sumário 2. Organização geral da obra ............... X 2.1. Os volumes e sua estrutura ................X 2.2. Correspondência dos conteúdos com a BNCC .................... XII 2.3. Estruturação dos capítulos ......... XXXII 3. A proposta de avaliação ........... XXXIII 3.1. Avaliação e atividades desta coleção .......................................... XXXIII 3.2. Avaliação qualitativa ...................XXXIV 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 4 11/18/18 11:43 AM 4. Usos do livro e possibilidades de trabalho ............................... XXXIV 4.1. Interdisciplinaridade ....................XXXV 4.2. Mapas ..............................................XXXV 4.3. Iconografia e leitura de imagens ...........................................XXXVI 4.4. Literatura ................................... XXXVIII 4.5. Fontes orais .........................................XL 4.6. Filmes ................................................. XLII 4.7. Estudo do espaço ...........................XLIV 5. Protagonistas da História ........... XLVI 5.1. África e afrodescendentes ........... XLVI 5.2. Povos indígenas ............................. XLVII 6. Parte específica do Livro do Professor ..................... XLVIII Abdullah Coskun/Anadolu Agency 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 5 11/20/18 1:40 PM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALVI HISTORIAR Ao falar da concepção da obra e seus pressupostos teóri- co-metodológicos, precisamos explicitar aspectos da cons- trução do conhecimento histórico e do ofício do historiador. Evidentemente, um tema tão amplo como este se desdobra em várias dimensões, que serão destacadas adiante. De início, queremos salientar que esta coleção tem como objetivo formar estudantes dos Anos Finais do Ensino Funda- mental matriculados nas escolas brasileiras, bem como ser um instrumento para que as professoras e os professores desse nível de ensino aprimorem suas atividades nas aulas de História. Esse objetivo traz compromissos atrelados a princípios éticos, democráticos e inclusivos, e, sobretudo, à legislação que rege o funcionamento da Educação no país. 1.1. Diálogo passado e presente Estudar História é debruçar-se sobre toda e qualquer ex- periência humana, independentemente de condição social, renda, cor, gênero, orientação sexual, deficiência, crença, idade, modo de falar e todas as demais características pes- soais que, eventualmente, poderiam ser tratadas de forma preconceituosa. Essa afirmação revela um compromisso do ensino de História de contribuir para a formação cidadã dos jovens estudantes. Afirmar que toda vivência humana interessa ao conheci- mento histórico também desfaz uma visão existente no senso comum de que o historiador estuda apenas opassado longín- quo. É certo que os objetos do historiador estão temporalmen- te no passado. Também é certo que a maioria dos historiadores se dedica a estudar tempos e espaços às vezes distantes do mundo contemporâneo. Mas aprender a reconhecer mudanças e permanências do passado (distante ou recente) no presente e dialogar com os tempos atuais são características do ofício do historiador que procuramos valorizar nesta obra. No decorrer dos volumes, as conexões entre o passado e o tempo presente foram pensadas como uma forma de pos- sibilitar a apreensão e a produção do conhecimento histórico, tornando os livros instrumentos eficazes para os estudantes em seus primeiros contatos com os temas de História abor- dados aqui. Sabemos que, em condições normais, os quatro anos do Ensino Fundamental II estão voltados a adolescentes e jovens cuja cognição evolui gradativamente. A coleção leva isso em conta, ao adequar a linguagem e o grau de dificuldade das atividades propostas à faixa etária à qual se destina, do 6o ao 9o ano. Para garantir uma aprendizagem significativa, é preciso se apropriar de alguns pressupostos do conhecimento histórico e do ofício do historiador, que são, essencialmente, frutos de pesquisas, leituras, reflexões e atividades de ensino. No ofício do historiador, ensino e pesquisa são faces da mesma moeda. Por isso, quando falamos de historiadores, estamos nos diri- gindo a todos os profissionais da História, especialmente aos professores, cujo ofício de historiador está voltado à formação de estudantes com vistas ao pleno exercício da cidadania. O ofício do historiador tem uma dimensão social relevan- te graças, sobretudo, ao magistério. A ação de milhares de professores de História no Brasil e no mundo é fundamental para formar gerações de cidadãos. Sabemos que esses pro- fissionais contornam dificuldades de todo tipo no âmbito es- colar, desde aquelas mais cotidianas até as mais complexas, como a necessidade de formação continuada. Ao elaborarmos esta coleção, pretendemos colaborar para diminuir algumas dessas dificuldades. Os tempos da maturação de uma ideia, da elaboração de uma hipótese ou da construção do conhecimento histórico capazes de integrar os estudantes em situações de apren- dizagens significativas podem ser mais longos do que, por exemplo, os tempos da realização de uma pesquisa especí- fica em laboratório na área médica ou química. Esta coleção foi concebida com o objetivo de auxiliar professores e estu- dantes, respeitando seus tempos, oferecendo instrumentos e apresentando situações de estudos para a produção do conhecimento histórico. Muitas vezes, os historiadores acumulam uma massa crítica de evidências ou procuram manter certo distancia- mento temporal que lhes permite abordar um tema, evitando o “calor do momento” em que as experiências foram vividas. O historiador francês Marc Bloch nos ensina algo sobre essa dimensão do nosso ofício e as conexões entre o passado e “O passado que deve impulsionar a dinâmica do ensino-aprendiza- gem no Ensino Fundamental é aquele que dialoga com o tempo atual.” Base Nacional Comum Curricular, p. 395. 1. Concepção da obra e seus pressupostos 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 6 11/18/18 11:43 AM VIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL o presente. Em sua obra Apologia da História ou o ofício de historiador 1, ele formulou as noções de “História como pro- blema” e como “ciência dos homens no tempo”. Qualquer tempo. Para Bloch, a História não deveria ser entendida como ciência do passado, e os historiadores deveriam perceber a importância do presente para a compreensão do passado e vice-versa. Bloch também sugere uma definição do tempo presente: ele seria um ponto minúsculo que foge incessantemente, pa- lavras e atos que naufragam no reino da memória. O passado é reconstituído a partir das experiências cotidianas: qualquer pesquisa avança, normalmente, do mais conhecido ao mais obscuro, e isso nada tem a ver com a cronologia. É importante frisar ao menos duas coisas que interferem no trabalho do historiador e na formação cidadã a partir do conhecimento histórico: A. Existe um número cada vez mais expressivo de profis- sionais que se ocupam da chamada História Imediata, História do Tempo Presente ou História do Passado Re- cente. Fazem isso, entre outros motivos, impulsionados pelo aumento da velocidade das mudanças do mundo con- temporâneo, especialmente em função das novas mídias e tecnologias. Mas, ao fazê-lo, todos têm em mente que não se pode explicar o tempo presente por meio de um apagamento do passado. B. Os questionamentos que os historiadores fazem a si mes- mos ao consultar fontes e ao indagar o passado levam em consideração as questões do presente. É dele que emer- gem as angústias, as escolhas e os impulsos para o estudo do passado. Todos esses elementos estão enraizados no tempo. Isso porque o movimento da História não é dado apenas pela mudança, pela diferença e pela transforma- ção. A permanência e a semelhança são também dimen- sões da experiência humana que os historiadores devem buscar explicar e com as quais têm o dever de lidar. 1.2. Novos objetos, novos objetivos Os objetos e os objetivos dos historiadores são múltiplos. Tudo pode despertar interesse histórico e curiosidade pela pesquisa. No entanto, se tudo é História, a maneira de trans- formar essa imensidão de informações, objetos e objetivos em uma interpretação consistente (uma aula, um livro, um artigo, um audiovisual) pode diferir de uma pessoa para outra, de uma geração para outra, em função da variedade de concepções 1 BLOCH, Marc. Apologia da História ou o ofício de historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. historiográficas, da filiação teórica e metodológica. Ainda mais porque os historiadores também mudam de concepções, fi- liações e interesses. E no interior de uma mesma geração é possível encontrar diferentes filiações simultâneas. Os historiadores trabalham com documentos, desde o ato de escolhê-los, conferir-lhes sentido e interpretá-los segundo seus critérios e suas referências teóricas. Atualmente, enten- de-se por documento toda e qualquer evidência ou registro da experiência humana, qualquer fragmento pelo qual se possa ter acesso ao passado e que se presta ao exercício de “fazer história”. Desde a superação (com recaídas, é verdade) do positivismo, os historiadores vêm aprendendo a lidar com registros não necessariamente escritos ou textuais. Os posi- tivistas acreditavam que a verdade se concentrava nos textos oficiais e escritos – e, em nome disso, chegaram mesmo a dividir a humanidade em seres históricos (que tinham domínio da escrita) e pré-históricos (que não tinham essa habilidade). As hierarquias civilizatórias foram construídas com base nessa divisão – autores como Hegel (1770-1831), mas não só ele, chegaram a dizer que os povos africanos ágrafos não tinham História, pois suas vidas eram monótonas séries de lutas e disputas pelo poder que se materializavam em cha- cinas étnicas e não apresentavam particularidades nem interessavam a ninguém, exceto aos próprios africanos. O longo afastamento dos povos ágrafos do campo tradicional da História abriu brechas inclusive para o surgimento de outras disciplinas – como a Antropologia, que, em sua origem, tomou os chamados “povos primitivos” como objeto privilegiado de seus estudos. Essa visão foi transformada, mas parte dela ainda persiste. O século XX foi o século da ampliação do conceito de documen- to ou fonte histórica e, também, da ampliação dos interesses dos historiadores e das teorias historiográficas. Afinal, desde o século passado, os estudiosos tomaram consciência da diversificação da experiência humana e da possibilidade de torná-la objeto de seus estudos. Boa parte dessa diversifica- ção relaciona-se ao uso de novas tecnologias que impactaramo cotidiano. Não apenas os registros escritos, mas também de outros tipos, foram incorporados ao rol de fontes utilizadas na construção do saber histórico. Fotografias, vídeos, música, obras de arte em geral, mensagens eletrônicas, redes sociais, traçados viários, mobiliário, edificações, instrumento de tra- balho, documentos escritos que não fossem oficiais: tudo isso e muito mais são documentos para o historiador. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 7 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALVIII Todos os tipos de documento foram incorporados ao estudo da História tal como esta coleção propõe. Neste Manual do Professor, encontram-se sugestões de uso dos documentos, bem como orientações acerca dos métodos, linguagens e recursos didáticos dos quais se pode lançar mão na elaboração de suas aulas e dos projetos escola- res. Cada recurso foi pensado a partir dos vínculos que se pudessem estabelecer com os conteúdos específicos, e o professor deve sentir-se à vontade para ampliar essas ex- periências e o uso dos materiais ao lidar com os diferentes conteúdos abordados na coleção. 1.3. História: campo de interpretações Em que pesem os recursos mobilizados, a compreensão das características da escola e dos estudantes e da forma- ção cidadã, chamamos a atenção para uma peculiaridade do saber histórico, tanto o geral quanto o escolar: o passado não se resgata de forma definitiva, mas se apresenta como um campo de interpretações. Apesar de pesquisas contínuas e minuciosas, da multiplicidade de fontes ou documentos, os historiadores e os jovens estudantes jamais terão diante de si todos os registros que lhes permitam um acesso irrestri- to ao passado e aos objetos de estudo sobre os quais eles se debruçam. Não existe um retrato que condense todo o passado, nem uma coleção de dados que permita compor esse retrato. Lidamos sempre com fragmentos e recortes. A recons- trução do passado é fragmentária, repleta de indagações sem respostas fechadas, hipóteses que precisam ser ex- plicitadas mesmo sem comprovação derradeira, espaços para a imaginação histórica e para a composição de uma narrativa que, por vezes, se aproxima da literatura – ainda que um historiador não possa tomar as liberdades literárias de um autor de romances. Isso não significa que possa- mos relativizar o passado de forma arbitrária construindo, por exemplo, narrativas marcadas pelo viés de interesses político-partidários ou de congregações religiosas. Afinal, respeitamos e defendemos a laicidade do ensino público, tal como consta na Constituição Federal (e nas normas in- fraconstitucionais), do mesmo modo que defendemos a liberdade de cátedra e a autonomia do professor. Ao res- peitar estes princípios éticos e jurídicos, esta coleção con- tribui para a valorização da democracia e a promoção da qualidade do ensino escolar. Aqui, o rigor (sem rigidez) do método histórico está acima das exacerbações subjetivas e dos interesses pessoais. Os objetivos e desafios que descrevemos aqui podem dar a impressão de que estamos em meio a uma crise da História como área do conhecimento. Acreditamos no con- trário. Pensamos que a disciplina histórica passa por um de seus momentos mais férteis, repleto de possibilidades teóricas, abordagens metodológicas diferenciadas, utili- zação de fontes em diferentes suportes, acesso a temas instigantes para os quais quase ninguém dava importância tempos atrás. Vivemos um momento de visibilidade inusitada da Histó- ria, que se expressa, entre outros lugares sociais, nos meios de comunicação, no mundo artístico e na vida cotidiana, e cujo dinamismo talvez seja impulsionado pelo abandono de uma antiga ingenuidade que se traduzia na busca de uma “verdade unívoca, absoluta e irrefutável”, supostamente comum a to- dos os que participaram de um evento ou processo histórico. Essa visão simplista perdeu espaço entre os historiadores. Hoje, o que move a produção do conhecimento histórico é a inserção dos processos no campo das possibilidades de estudos e pesquisas. Não podemos reconstituir o passado como se fosse uma parede de tijolos ou um quebra-cabe- ças, em que cada peça se encaixa apenas em um único lugar. Entendemos a construção do conhecimento histórico como resultado de trabalhos contínuos, repletos de projetos não concretizados, ideias não realizadas, probabilidades que muitas vezes supomos, mas não podemos ainda confirmar. É por meio da historiografia, da interpretação incessante do processo histórico, que procuramos amarrar e dar sentido à imaginação e aos fatos, aos registros e às lacunas, às supo- sições e confirmações. Por tudo isso, a formação do professor-historiador nunca se encerra. Sempre haverá mais livros a ler, mais filmes a assistir, mais debates a travar, mais estudantes a formar. Sempre haverá novas maneiras de contribuir para que nossos estudantes possam “fazer história” sobre as relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo. 1.4. História social A obra, de forma geral, foi concebida a partir da preva- lência dos eventos de dimensão pública, que afetaram a vida de um grande número de indivíduos e sociedades, no passado e no presente. Evidentemente, aspectos da vida pri- vada ou da chamada Micro-História são capazes de iluminar essa dimensão pública e da História, e recorremos às fontes e aos métodos característicos dessas abordagens teóri- cas sempre que julgamos necessário. A coleção privilegia, 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 8 11/18/18 11:43 AM IXMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL sempre que possível, os protagonismos coletivos com base nos pressupostos da História Social sem perder de vista a importância das individualidades, das mentalidades, das conjunturas políticas e econômicas para a compreensão do processo histórico. Aplicada à realidade do Brasil, ainda marcada por desi- gualdades e questões sociais não resolvidas, a concepção na qual a obra se baseou tem por princípio a valorização do protagonismo de sujeitos coletivos, como os trabalhadores, as mulheres, os povos indígenas, os escravizados e os afro- -brasileiros. Procuramos desconstruir personalismos e vo- luntarismos, evitar anacronismos e não permitir que nossas expectativas recaíssem como tarefas a serem cumpridas pelos sujeitos do passado. Buscamos compreender as atua- ções desses sujeitos em seus contextos e possibilidades, como convém à produção de uma historiografia comprome- tida com o rigor do método e com a formação de jovens que julgamos capazes de se apropriar desse conhecimento para se tornarem, eles próprios, sujeitos conscientes de suas histórias e dos processos sociais nos quais estão inseridos. 1.5. Aula, livro e ensino Como o livro didático de História não é uma coletânea de aulas prontas e acabadas, ele não substitui o trabalho dinâmico de professores e estudantes em sala de aula. Este trabalho deve ser estimulado por relações de troca entre o que é estudado e o que é vivido, pela articulação com in- formações interdisciplinares e pela construção de novos conhecimentos. O livro didático subordina-se, portanto, ao processo vivo das aulas. A preparação de uma aula de História e sua efetivação são tarefas complexas. Elas comportam variáveis que somente são dominadas pelo educador em sua relação singular com os educandos. Afinal, é na sala de aula que surgem as questões, as formas mais adequadas de lidar com o material de estudo e as iniciativas de debates e tra- balhos. Nenhum livro pode dar conta dessa dinâmica tão ampla quanto ininterrupta. Por isso, consideramos o livro didático como um dos elementos da aula – e sabemos que ele é um recurso importante à disposição de professores e estudantes. Entendemos ser urgente e necessária uma descons- trução da visão segundo a qual o livro didático encerra verdades inquestionáveis. Assim, o livro não é repositóriode todo o passado ou uma enciclopédia capaz de reunir dados e conhecimentos a serem memorizados pelos es- tudantes. Em vez disto, o livro didático parte de uma con- cepção teórico-metodológica para, em seguida, selecionar conteúdos a serem abordados a partir dessa concepção, não necessariamente em sequências temporais lineares. Seu objetivo maior é oferecer subsídios à análise dos pro- cessos históricos. 1.6. Cidadania e livro didático A questão da cidadania na sociedade brasileira atual está fortemente marcada pelas consequências da trajetória que examinamos ao longo desta coleção. No Brasil, a cons- trução da cidadania foi muitas vezes guiada por ações dos governantes, e não pelas mãos da sociedade. O resultado desse processo são as graves distorções que verificamos hoje em nossa democracia. De fato, todos somos iguais perante a lei? Acreditamos, contudo, que a cidadania não é algo que se transmite como dádiva. Cidadania requer atividade, energia, disposição e participação popular. Cidadania é luta por pertencimento social e protagonismo em prol do bem comum. Neste sentido, acreditamos que o estudo da História pode contribuir para a construção da cidadania, da consciência e da ética. Sem consciência do que fomos, não transformaremos o que somos tendo em vista o que almejamos ser. Por isso, há um esforço da coleção para que, ao entrar em contato com temas e conteúdos do repertório da História, o estudante aprenda a pensar historicamente, ampliando sua capacidade de agir na sociedade de forma autônoma e crítica. Isso se torna mais explícito em alguns momentos, como na introdução de cada capítulo, em atividades sugeridas na seção Investigando e em outros trechos do Livro do Aluno, sempre que possível conectando o passado ao presente. Além disso, ao longo de toda a coleção, há textos, boxes e imagens que buscam levar o estudante a refletir sobre temáticas tais como: a promoção da igualdade social; a cons- trução de uma sociedade livre, justa e solidária; o repúdio ao racismo; e a defesa da pluralidade religiosa e da igualdade entre os gêneros. Nos múltiplos temas abordados, o alicerce que permeia a elaboração dos textos consiste em contextualizar as vivências histórico-sociais, trabalhando conceitos, valores e atitudes que contribuam para a construção da cidadania. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 9 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALX 2. Organização geral da obra Esta coleção de História, destinada aos anos finais do Ensino Fundamental, foi elaborada com o objetivo de contribuir para o de- senvolvimento das competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental. Para isso, foi organizada em quatro volumes, de forma que tais conteúdos se articulem e apresentem uma progressão cronológica. Vejamos, resumidamente, os temas de cada um dos volumes desta cole- ção, que privilegiam aspectos relevantes da história do Ocidente (América, Europa e África), especialmente da história do Brasil. 2.1. Os volumes e sua estrutura 6 ANO (das origens da humanidade ao século XV) O livro inicia recuperando e dando sequência a aspectos da aprendizagem do Ensino Fundamental – Anos Iniciais. Assim, apresenta os procedimentos próprios da História, as noções de tempo, espaço, cultura, memória e cidadania. As grandes temáticas deste volume dizem respeito às ori- gens da humanidade, aos primeiros povos americanos, à Anti- guidade na América, na África e no Oriente, à construção da Anti- guidade clássica e suas contraposições com outras sociedades, à Europa medieval, ao mundo islâmico e ao Império Bizantino. Ao final, o livro desenvolve um projeto temático sobre o uni- verso escolar que leva os alunos a pesquisar aspectos como o território social no qual compartilhamos conhecimentos, afetos, relações, projetos de vida. Unidade 1 – Tempo, espaço e cultura Capítulo 1: História: ação e reflexão Capítulo 2: Origens da humanidade Capítulo 3: Primeiros povos da América Unidade 2 – Antiguidade: América, África e Oriente Capítulo 4: América indígena Capítulo 5: Sociedades da Mesopotâmia Capítulo 6: Egito antigo e Reino de Cuxe Unidade 3 – Ocidente clássico: Grécia e Roma Capítulo 7: Grécia: das origens à pólis Capítulo 8: Grécia: vivências culturais Capítulo 9: Roma: a construção de um império Capítulo 10: Roma: vivências culturais Unidade 4 – Bizantinos, feudalismo e islamismo Capítulo 11: Império Bizantino Capítulo 12: Formação da Europa feudal Capítulo 13: Transformações na Europa feudal Capítulo 14: Mundo islâmico PROJETO TEMÁTICO: UNIVERSO ESCOLAR 7 ANO (final do século XV até final do século XVIII) O livro desenvolve as conexões entre Europa, América e África no contexto do mundo moderno debatendo aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais deste período. As grandes temáticas deste volume dizem respeito aos mar- cos da modernidade (monarquias nacionais, Humanismo e Renas- cimento, reformas religiosas, grandes navegações, absolutismo e mercantilismo), aos contatos e confrontos entre povos europeus, africanos e americanos (características dos povos africanos; a conquista e a colonização da América), à formação e à transforma- ção do Brasil colonial (Estado e religião, sociedade açucareira, es- cravidão africana, conquistas e fronteiras, sociedade mineradora). Ao final do livro, os alunos desenvolverão um projeto te- mático pesquisando vários aspectos sobre o meio ambiente, destacando: água e abastecimento; lixo e reciclagem; área verde e preservação; energia elétrica e consumo. Unidade 1 – Mundo moderno Capítulo 1: Modernidade e monarquias nacionais Capítulo 2: Humanismos e renascimentos Capítulo 3: Reformas religiosas Capítulo 4: Absolutismo e mercantilismo Unidade 2 – Contatos e confrontos Capítulo 5: Grandes Navegações Capítulo 6: Povos africanos Capítulo 7: Conquista da América Capítulo 8: Colonização da América espanhola Unidade 3 – Formação do Brasil colonial Capítulo 9: Início da colonização Capítulo 10: Estado e religião Capítulo 11: Sociedade açucareira 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 10 11/18/18 11:43 AM XIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Unidade 4 – Transformações do Brasil colonial Capítulo 12: Escravidão africana Capítulo 13: Conquistas e fronteiras Capítulo 14: Sociedade mineradora PROJETO TEMÁTICO: MEIO AMBIENTE 8 ANO (o século XIX) O livro tem como tema vários eventos relevantes do século XIX e a formação do mundo contemporâneo. As grandes temáticas deste volume dizem respeito aos as- pectos políticos, sociais e econômicos que, no cenário europeu, contribuíram para a passagem do súdito ao cidadão (Revolução Inglesa, Iluminismo, Revolução Francesa e a Era Napoleônica); aos processos que, no cenário americano, culminaram na in- dependência dos Estados Unidos, dos países da América es- panhola e, especialmente, do Brasil; à expansão das grandes potências, aos nacionalismos e imperialismos e aos processos de resistência a essas dominações; aos aspectos marcantes da trajetória histórica do Brasil Império. Ao final do livro, os estudantes desenvolverão um proje- to de pesquisa sobre saúde e educação, trabalhando temas como: atividade física; alimentação; descanso e concentração; emoção e autoestima. Unidade 1 – Súdito e cidadão Capítulo 1: Revolução Inglesa Capítulo 2: Era do Iluminismo Capítulo 3: Revolução Industrial Capítulo 4: Revolução Francesa Capítulo 5: Época de Napoleão Unidade 2 – Independências na América Capítulo 6: Independência dos Estados Unidos Capítulo 7: Independências na América Latina Capítulo 8: Independência do Brasil Unidade 3 – Brasil Império Capítulo 9: Primeiro Reinado Capítulo 10: Período regencial Capítulo 11: Segundo Reinado Capítulo 12: Da monarquia à república Unidade 4 – Domínio das grandes potências Capítulo 13: Europa no século XIX Capítulo 14: Imperialismo na Áfricae na Ásia Capítulo 15: América no século XIX PROJETO TEMÁTICO: ALIMENTAÇÃO E SAÚDE 9 ANO (os séculos XX e XXI) O livro desenvolve os eventos marcantes do mundo ociden- tal e da história republicana brasileira ao longo do século XX e nestes anos do século XXI. As grandes temáticas deste volume dizem respeito: às guerras e revoluções (Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa, crise capitalista, formação do nazifascismo; Segun- da Guerra Mundial); à cena republicana brasileira até a era Vargas (a consolidação da República, a vida política e eco- nômica, o protagonismo dos diversos grupos sociais; as re- voltas sociais, a era Vargas); ao pós-guerra e à globalização (os impactos da Guerra Fria, a questão árabe-israelense; as independências na África e na Ásia, as crises dos socialismos; as faces da globalização); aos desafios do Brasil contempo- râneo (democracia e populismo, as tensões e o modelo de desenvolvimento da ditadura militar; a construção da cida- dania nos tempos atuais). Ao final do livro, os estudantes desenvolverão um projeto de pesquisa sobre internet e cidadania, trabalhando temas como: conectar e isolar; exposição e privacidade; informação e confusão. Unidade 1 – Brasil República Capítulo 1: Nasce a República Capítulo 2: República oligárquica Capítulo 3: Revoltas na Primeira República Capítulo 4: Era Vargas Unidade 2 – Guerras e revoluções Capítulo 5: Primeira Guerra Mundial Capítulo 6: Revolução Russa Capítulo 7: Crise capitalista e totalitarismo Capítulo 8: Segunda Guerra Mundial Unidade 3 – Brasil contemporâneo Capítulo 9: Democracia e populismo Capítulo 10: Ditadura militar Capítulo 11: Construção da cidadania Unidade 4 – Pós-guerra e globalização Capítulo 12: Guerra Fria Capítulo 13: África, Ásia e Oriente Médio Capítulo 14: Crise do socialismo autoritário Capítulo 15: Faces da globalização PROJETO TEMÁTICO: CIDADANIA E MÍDIAS SOCIAIS 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 11 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXII 2.2. Correspondência dos conteúdos com a BNCC 2.2.1. Relação com as competências da BNCC A Base Nacional Comum Curricular estabelece que a Educa- ção Básica deve assegurar o desenvolvimento de competên- cias gerais da Educação Básica, competências específicas de área e competências específicas de componentes. O trabalho com essas competências tem como objetivo “estimular ações que contribuam para a transformação da so- ciedade, tornando-a mais humana”, ou seja, visam formar cida- dãos, capacitar os alunos a interpretar o mundo, compreenden- do processos e fenômenos sociais, políticos e culturais, para que possam atuar de forma ética, responsável e autônoma, e, em relação ao componente curricular História, garantir o desen- volvimento da compreensão dos acontecimentos históricos, das historicidades no tempo e no espaço e do desenvolvimento de uma atitude historiadora diante dos conhecimentos histó- ricos produzidos em sala de aula e fora dela. Nas tabelas a seguir explicitamos a correspondência entre as competências gerais, de área e de componente curricular preconizadas pela BNCC e os conteúdos de cada um dos vo- lumes desta coleção. Ao longo da parte específica deste Manual, você também encontrará a indicação do momento em que as competências são trabalhadas no corpo dos capítulos. COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CG1 Valorizar e utilizar os conhecimentos histo- ricamente construídos sobre o mundo físi- co, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma so- ciedade justa, democrática e inclusiva. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG2 Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para inves- tigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar solu- ções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG3 Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversifica- das da produção artístico-cultural. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG4 Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, ma- temática e científica, para se expressar e par- tilhar informações, experiências, ideias e sen- timentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 12 11/18/18 11:43 AM XIIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL COMPETÊNCIAS GERAIS DA EDUCAÇÃO BÁSICA CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CG5 Compreender, utilizar e criar tecnologias digi- tais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas di- versas práticas sociais (incluindo as escola- res) para se comunicar, acessar e dissemi- nar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG6 Valorizar a diversidade de saberes e vivên- cias culturais e apropriar-se de conheci- mentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciên- cia crítica e responsabilidade. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG7 Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, ne- gociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e pro- movam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com po- sicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG8 Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo- -se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrí- tica e capacidade para lidar com elas. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG9 Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, iden- tidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CG10 Agir pessoal e coletivamente com autono- mia, responsabilidade, flexibilidade, resi- liência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráti- cos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 13 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXIV COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CCH1 Compreender a si e ao outro como identi- dades diferentes, de forma a exercitar o respeito à diferença em uma sociedade plural e promover os direitos humanos. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH2 Analisar o mundo social, cultural e digital e o meio técnico-científico-informacional com base nos conhecimentos das Ciências Humanas, considerando suas variações de significado no tempo e no espaço, para intervir em situações do cotidiano e se posicionar diante de problemas do mundo contemporâneo. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH3 Identificar, comparar e explicar a inter- venção do ser humano na natureza e na sociedade, exercitando a curiosidade e pro- pondo ideias e ações que contribuam paraa transformação espacial, social e cultural, de modo a participar efetivamente das di- nâmicas da vida social. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH4 Interpretar e expressar sentimentos, cren- ças e dúvidas com relação a si mesmo, aos outros e às diferentes culturas, com base nos instrumentos de investigação das Ciências Humanas, promovendo o acolhi- mento e a valorização da diversidade de in- divíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH5 Comparar eventos ocorridos simultanea- mente no mesmo espaço e em espaços variados, e eventos ocorridos em tempos diferentes no mesmo espaço e em espaços variados. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CCH6 Construir argumentos, com base nos co- nhecimentos das Ciências Humanas, para negociar e defender ideias e opiniões que respeitem e promovam os direitos huma- nos e a consciência socioambiental, exerci- tando a responsabilidade e o protagonismo voltados para o bem comum e a constru- ção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 14 11/18/18 11:43 AM XVMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CEH1 Compreender acontecimentos históricos, relações de poder e processos e mecanis- mos de transformação e manutenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais ao longo do tempo e em diferen- tes espaços para analisar, posicionar-se e intervir no mundo contemporâneo. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH2 Compreender a historicidade no tempo e no espaço, relacionando acontecimentos e processos de transformação e manu- tenção das estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, bem como pro- blematizar os significados das lógicas de organização cronológica. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH3 Elaborar questionamentos, hipóteses, argumentos e proposições em relação a documentos, interpretações e contextos históricos específicos, recorrendo a dife- rentes linguagens e mídias, exercitando a empatia, o diálogo, a resolução de confli- tos, a cooperação e o respeito. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH4 Identificar interpretações que expressem visões de diferentes sujeitos, culturas e povos com relação a um mesmo contex- to histórico, e posicionar-se criticamente com base em princípios éticos, democráti- cos, inclusivos, sustentáveis e solidários. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH5 Analisar e compreender o movimento de populações e mercadorias no tempo e no espaço e seus significados históricos, le- vando em conta o respeito e a solidarieda- de com as diferentes populações. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CCH7 Utilizar as linguagens cartográfica, gráfica e iconográfica e diferentes gêneros tex- tuais e tecnologias digitais de informação e comunicação no desenvolvimento do raciocínio espaço-temporal relacionado a localização, distância, direção, duração, si- multaneidade, sucessão, ritmo e conexão. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 15 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXVI COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE HISTÓRIA CÓDIGO DESCRIÇÃO DA COMPETÊNCIA VOLUME CAPÍTULOS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 CEH6 Compreender e problematizar os conceitos e procedimentos norteadores da produção historiográfica. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano CEH7 Produzir, avaliar e utilizar tecnologias di- gitais de informação e comunicação de modo crítico, ético e responsável, com- preendendo seus significados para os diferentes grupos ou estratos sociais. 6o ano 7o ano 8o ano 9o ano 2.2.2. Relação com as habilidades da BNCC Da mesma forma que com as competências, a coleção também desenvolve o trabalho com as habilidades preconi- zadas pela BNCC. A seguir, explicitamos a correspondência dos conteúdos de História de cada um dos volumes da coleção com os obje- tos de conhecimento e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Fundamental II. 6o ano CAPÍTULO OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES 1 – H is tó ri a: a çã o e re fl ex ão A questão do tempo, sincronias e diacronias: re- flexões sobre o sentido das cronologias EF06HI01 - Identificar diferentes formas de compreensão da noção de tempo e de periodização dos processos históricos (continuidades e rupturas). Formas de registro da história e da produção do conhecimento histórico EF06HI02 - Identificar a gênese da produção do saber histórico e ana- lisar o significado das fontes que originaram determinadas formas de registro em sociedades e épocas distintas. 2 – O ri ge ns d a hu m an id ad e As origens da humanidade, seus deslocamentos e os processos de sedentarização EF06HI03 - Identificar as hipóteses científicas sobre o surgimento da espécie humana e sua historicidade e analisar os significados dos mitos de fundação. EF06HI05 - Descrever modificações da natureza e da paisagem reali- zadas por diferentes tipos de sociedade, com destaque para os povos indígenas originários e povos africanos, e discutir a natureza e a lógica das transformações ocorridas. 3 – P ri m ei ro s po vo s da A m ér ic a As origens da humanidade, seus deslocamentos e os processos de sedentarização EF06HI04 - Conhecer as teorias sobre a origem do homem americano. EF06HI05 - Descrever modificações da natureza e da paisagem reali- zadas por diferentes tipos de sociedade, com destaque para os povos indígenas originários e povos africanos, e discutir a natureza e a lógica das transformações ocorridas. EF06HI06 - Identificar geograficamente as rotas de povoamento no território americano. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 16 11/18/18 11:43 AM XVIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 4 – A m é ri ca in d íg e n a Povos da Antiguidade na África (egípcios), no Oriente Médio (mesopotâmicos) e nas Améri- cas (pré-colombianos) Os povos indígenas originários do atual territó- rio brasileiro e seus hábitos culturais e sociais EF06HI07 - Identificar aspectos e formas de registro das sociedades antigas na África, no Oriente e nas Américas, distinguindo alguns significados presentes na cultura material e na tradição oral dessas sociedades. EF06HI08 - Identificar os espaços territoriais ocupados e os aportes culturais, científicos, sociais e econômicos dos aste- cas, maias e incas e dos povos indígenas de diversas regiões brasileiras. 5 – S o ci e d a d e s d a M e so p o tâ m ia Povos da Antiguidade na África (egípcios), no Oriente Médio (mesopotâmicos) e nas Améri- cas (pré-colombianos) EF06HI07 - Identificar aspectos e formas de registro das sociedades antigas na África, no Oriente e nas Américas, distinguindo alguns significados presentes na cultura material e na tradição oral dessas sociedades. 6 – E g it o a n ti g o e R e in o d e C u xe Povos da Antiguidade na África (egípcios), no Oriente Médio (mesopotâmicos) e nas Améri- cas (pré-colombianos) EF06HI07 - Identificar aspectos e formas de registro das sociedades antigas na África, no Oriente e nas Américas, distinguindo alguns significados presentes na cultura material e na tradição oral dessas sociedades. As diferentes formas de organização política na África: reinos, impérios, cidades-estados e sociedades linhageiras ou aldeias EF06HI13 - Conceituar “império” no mundo antigo, com vistas à análise das diferentes formas de equilíbrio e desequilíbrio entre as partes envolvidas. Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimentoe as formas de organização do trabalho e da vida social em diferen- tes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. EF06HI17 - Diferenciar escravidão, servidão e trabalho livre no mun- do antigo. 7 – G ré ci a : d a s o ri g e n s à p ó li s As noções de cidadania e política na Grécia e em Roma • Domínios e expansão das culturas grega e romana • Significados do conceito de “império” e as lógi- cas de conquista, conflito e negociação dessa forma de organização política EF06HI10 - Explicar a formação da Grécia Antiga, com ênfase na formação da pólis e nas transformações políticas, sociais e culturais. EF06HI12 - Associar o conceito de cidadania a dinâmicas de inclusão e exclusão na Grécia e Roma antigas. Senhores e servos no mundo antigo e no me- dieval Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferen- tes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. EF06HI17 - Diferenciar escravidão, servidão e trabalho livre no mun- do antigo. O papel da mulher na Grécia e em Roma, e no período medieval EF06HI19 - Descrever e analisar os diferentes papéis sociais das mulheres no mundo antigo e nas sociedades medievais. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 17 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXVIII 8 – G ré ci a : v iv ê n ci a s cu lt u ra is O Ocidente Clássico: aspectos da cultura na Grécia e em Roma EF06HI09 - Discutir o conceito de Antiguidade Clássica, seu alcance e limite na tradição ocidental, assim como os impactos sobre outras sociedades e culturas. As noções de cidadania e política na Grécia e em Roma • Domínios e expansão das culturas grega e romana • Significados do conceito de “império” e as lógicas de conquista, conflito e negociação dessa forma de organização política EF06HI10 - Explicar a formação da Grécia Antiga, com ênfase na formação da pólis e nas transformações políticas, sociais e culturais. 9 – R o m a : a c o n s tr u çã o d e u m im p é ri o As noções de cidadania e política na Grécia e em Roma • Domínios e expansão das culturas grega e romana • Significados do conceito de “império” e as lógicas de conquista, conflito e negociação dessa forma de organização política EF06HI11 - Caracterizar o processo de formação da Roma Antiga e suas configurações sociais e políticas nos períodos monárquico e republicano. EF06HI12 - Associar o conceito de cidadania a dinâmicas de inclusão e exclusão na Grécia e Roma antigas. EF06HI13 - Conceituar “império” no mundo antigo, com vistas à análi- se das diferentes formas de equilíbrio e desequilíbrio entre as partes envolvidas. O Mediterrâneo como espaço de interação entre as sociedades da Europa, da África e do Oriente Médio EF06HI15 - Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, pro- dutos e culturas no Mediterrâneo e seu significado. Senhores e servos no mundo antigo e no me- dieval Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) Lógicas comerciais na Antiguidade romana e no mundo medieval EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferen- tes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. EF06HI17 - Diferenciar escravidão, servidão e trabalho livre no mun- do antigo. O papel da mulher na Grécia e em Roma, e no período medieval EF06HI19 - Descrever e analisar os diferentes papéis sociais das mulheres no mundo antigo e nas sociedades medievais. 1 0 – R om a: vi vê n ci as cu lt u ra is O Ocidente Clássico: aspectos da cultura na Grécia e em Roma EF06HI09 - Discutir o conceito de Antiguidade Clássica, seu alcance e limite na tradição ocidental, assim como os impactos sobre outras sociedades e culturas. 1 1 – Im p é ri o B iz a n ti n o A passagem do mundo antigo para o mundo me- dieval A fragmentação do poder político na Idade Média EF06HI14 - Identificar e analisar diferentes formas de contato, adaptação ou exclusão entre populações em diferentes tempos e espaços. O Mediterrâneo como espaço de interação entre as sociedades da Europa, da África e do Oriente Médio EF06HI15 - Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, pro- dutos e culturas no Mediterrâneo e seu significado. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 18 11/18/18 11:43 AM XIXMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 12 – F or m aç ão da E ur op a fe ud al A passagem do mundo antigo para o mundo medieval A fragmentação do poder político na Idade Média EF06HI14 - Identificar e analisar diferentes formas de contato, adaptação ou exclusão entre populações em diferentes tempos e espaços. Senhores e servos no mundo antigo e no me- dieval Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) Lógicas comerciais na Antiguidade romana e no mundo medieval EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferentes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. 13 – T ra ns fo rm aç õe s na E ur op a fe ud al O Mediterrâneo como espaço de interação entre as sociedades da Europa, da África e do Oriente Médio EF06HI15 - Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, pro- dutos e culturas no Mediterrâneo e seu significado. Senhores e servos no mundo antigo e no me- dieval Escravidão e trabalho livre em diferentes tem- poralidades e espaços (Roma Antiga, Europa medieval e África) Lógicas comerciais na Antiguidade romana e no mundo medieval EF06HI16 - Caracterizar e comparar as dinâmicas de abastecimento e as formas de organização do trabalho e da vida social em diferen- tes sociedades e períodos, com destaque para as relações entre senhores e servos. O papel da religião cristã, dos mosteiros e da cultura na Idade Média EF06HI18 - Analisar o papel da religião cristã na cultura e nos modos de organização social no período medieval. O papel da mulher na Grécia e em Roma, e no período medieval EF06HI19 - Descrever e analisar os diferentes papéis sociais das mulheres no mundo antigo e nas sociedades medievais. 14 – M un do is lâ m ic o O Mediterrâneo como espaço de interação entre as sociedades da Europa, da África e do Oriente Médio EF06HI15 - Descrever as dinâmicas de circulação de pessoas, pro- dutos e culturas no Mediterrâneo e seu significado. 7o ano CAPÍTULO OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES 1 – M od er ni da de e m on ar qu ia s na ci on ai s A construção da ideia de modernidade e seus impactos na concepção de História EF07HI01 - Explicar o significado de “modernidade” e suas lógicas de inclusão e exclusão, com base em uma concepção europeia. A formação e o funcionamento das monarquias europeias: a lógica da centralização política e os conflitos na Europa EF07HI07 - Descrever os processos de formação e consolidação das monarquias e suas principais características com vistas à compreen- são das razões da centralização política. 2 – H um an is m os e re na sc im en to s Humanismos: uma nova visão de ser humano e de mundo Renascimentos artísticos e culturais EF07HI04 - Identificar as principais características dos Humanismos e dos Renascimentos e analisar seus significados. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 19 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXX 3 – R e fo rm a s re li g io s a s Reformas religiosas: a cristandade fragmentada EF07HI05 - Identificar e relacionar as vinculações entre as reformas religiosas e os processos culturais e sociais do período moderno na Europa e na América.4 – A b s o lu ti sm o e m e rc a n ti li sm o A formação e o funcionamento das monarquias europeias: a lógica da centralização política e os conflitos na Europa EF07HI07 - Descrever os processos de formação e consolidação das monarquias e suas principais características com vistas à compreen- são das razões da centralização política. A emergência do capitalismo EF07HI17 - Discutir as razões da passagem do mercantilismo para o capitalismo. 5 – G ra n d e s N a ve g a çõ e s A ideia de “Novo Mundo” ante o Mundo Antigo: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno EF07HI02 - Identificar conexões e interações entre as sociedades do Novo Mundo, da Europa, da África e da Ásia no contexto das na- vegações e indicar a complexidade e as interações que ocorrem nos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. As descobertas científicas e a expansão marítima EF07HI06 - Comparar as navegações no Atlântico e no Pacífico entre os séculos XIV e XVI. As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI13 - Caracterizar a ação dos europeus e suas lógicas mercan- tis visando ao domínio no mundo atlântico. EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 6 – P o vo s a fr ic a n o s A ideia de “Novo Mundo” ante o Mundo Antigo: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno EF07HI02 - Identificar conexões e interações entre as sociedades do Novo Mundo, da Europa, da África e da Ásia no contexto das na- vegações e indicar a complexidade e as interações que ocorrem nos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Saberes dos povos africanos e pré-colombia- nos expressos na cultura material e imaterial EF07HI03 - Identificar aspectos e processos específicos das socie- dades africanas e americanas antes da chegada dos europeus, com destaque para as formas de organização social e o desenvolvimento de saberes e técnicas. As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 7 – C o n q u is ta d a A m é ri ca A construção da ideia de modernidade e seus impactos na concepção de História A ideia de “Novo Mundo” ante o Mundo Antigo: permanências e rupturas de saberes e práticas na emergência do mundo moderno EF07HI02 - Identificar conexões e interações entre as sociedades do Novo Mundo, da Europa, da África e da Ásia no contexto das na- vegações e indicar a complexidade e as interações que ocorrem nos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. Saberes dos povos africanos e pré-colombia- nos expressos na cultura material e imaterial EF07HI03 - Identificar aspectos e processos específicos das socie- dades africanas e americanas antes da chegada dos europeus, com destaque para as formas de organização social e o desenvolvimento de saberes e técnicas. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 20 11/18/18 11:43 AM XXIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 7 - C o n q u is ta d a A m é ri ca A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI08 - Descrever as formas de organização das sociedades americanas no tempo da conquista com vistas à compreensão dos mecanismos de alianças, confrontos e resistências. EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de re- sistência. As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI13 - Caracterizar a ação dos europeus e suas lógicas mercan- tis visando ao domínio no mundo atlântico. EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 8 – C o lo n iz a çã o d a A m é ri ca e sp a n h o la A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI08 - Descrever as formas de organização das sociedades americanas no tempo da conquista com vistas à compreensão dos mecanismos de alianças, confrontos e resistências. EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de re- sistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 9 – In íc io d a c o lo n iz a çã o A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 21 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXII 1 0 – E s ta d o e r e li g iã o Reformas religiosas: a cristandade fragmentada EF07HI05 - Identificar e relacionar as vinculações entre as reformas religiosas e os processos culturais e sociais do período moderno na Europa e na América. A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). 1 1 – S o c ie d a d e a çu c a re ir a A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesapor meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 1 2 – E s cr a v id ã o a fr ic a n a A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. As lógicas internas das sociedades africanas As formas de organização das sociedades ameríndias A escravidão moderna e o tráfico de escravizados EF07HI15 - Discutir o conceito de escravidão moderna e suas dis- tinções em relação ao escravismo antigo e à servidão medieval. EF07HI16 - Analisar os mecanismos e as dinâmicas de comércio de escravizados em suas diferentes fases, identificando os agentes responsáveis pelo tráfico e as regiões e zonas africanas de proce- dência dos escravizados. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 22 11/20/18 1:41 PM XXIIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 13 – C on qu is ta s e fr on te ir as A conquista da América e as formas de organi- zação política dos indígenas e europeus: con- flitos, dominação e conciliação EF07HI09 - Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência. A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 14 – S oc ie da de m in er ad or a A estruturação dos vice-reinos nas Américas Resistências, invasões e expansão na América portuguesa EF07HI10 - Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial. EF07HI11 - Analisar a formação histórico-geográfica do território da América portuguesa por meio de mapas históricos. EF07HI12 - Identificar a distribuição territorial da população brasilei- ra, em diferentes épocas, considerando a diversidade étnico-cultural (indígena, africana, europeia e asiática). As lógicas mercantis e o domínio europeu sobre os mares e o contraponto Oriental EF07HI14 - Descrever as dinâmicas comerciais das sociedades ame- ricanas e africanas e analisar suas interações com outras sociedades do Ocidente e do Oriente. 8o ano CAPÍTULO OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES 1 – R ev ol uç ão In gl es a As revoluções inglesas e os princípios do liberalismo EF08HI02 - Identificar as particularidades político-sociais da Inglaterra do século XVII e analisar os desdobramentos posteriores à Revolução Gloriosa. 2 – E ra d o Ilu m in is m o A questão do iluminismo e da ilustração EF08HI01 - Identificar os principais aspectos conceituais do ilumi- nismo e do liberalismo e discutir a relação entre eles e a organização do mundo contemporâneo. 3 – R ev ol uç ão In du st ri al Revolução Industrial e seus impactos na produção e circulação de povos, produtos e culturas EF08HI03 - Analisar os impactos da Revolução Industrial na produção e circulação de povos, produtos e culturas. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 23 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXIV 4 – R e v o lu ç ã o F ra n ce sa Revolução Francesa e seus desdobramentos EF08HI04 - Identificar e relacionar os processos da Revolução Fran- cesa e seus desdobramentos na Europa e no mundo. 5 – É po ca d e N ap ol eã o Revolução Francesa e seus desdobramentos EF08HI04 - Identificar e relacionar os processos da Revolução Fran- cesa e seus desdobramentos na Europa e no mundo. 6 – In de pe nd ên ci a do s Es ta do s U ni do s Independência dos Estados Unidos da América Independências na América espanhola • A revolução dos escravizados em São Do- mingo e seus múltiplos significados e des- dobramentos: o caso do Haiti Os caminhos até a independência do Brasil EF08HI06 - Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o entendimento de conflitos e tensões. EF08HI07 - Identificar e contextualizar as especificidades dos di- versos processos de independência nas Américas, seus aspectos populacionais e suas conformações territoriais. 7 – In de pe nd ên ci as na A m ér ic a La ti na Independência dos Estados Unidos da América Independências na América espanhola • A revolução dos escravizados em São Do- mingo e seus múltiplos significados e des- dobramentos: o caso do Haiti Os caminhos até a independência do Brasil EF08HI06 - Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o entendimento de conflitos e tensões. EF08HI07 - Identificar e contextualizar as especificidades dos di- versos processos de independência nas Américas, seus aspectos populacionais e suas conformações territoriais. EF08HI08 - Conhecer o ideário dos líderes dos movimentos indepen- dentistas e seu papel nas revoluções que levaram à independência das colônias hispano-americanas. EF08HI09 - Conhecer as características e os principais pensadores do Pan-americanismo. EF08HI10 - Identificar a Revolução de São Domingo como evento singular e desdobramento da Revolução Francesa e avaliar suas implicações. EF08HI11 - Identificar e explicar os protagonismos e a atuação de diferentes grupos sociais e étnicos nas lutas de independência no Brasil, na América espanhola e no Haiti. EF08HI13 - Analisar o processo de independência em diferentes países latino-americanos e comparar as formas de governo neles adotadas. 8 – In de pe nd ên ci a do B ra si l Rebeliões na América portuguesa: as conjura- ções mineira e baiana EF08HI05 - Explicar os movimentos e as rebeliões da América por- tuguesa, articulando as temáticas locais e suas interfaces com pro- cessos ocorridos na Europa e nas Américas. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 24 11/18/18 11:43 AM XXVMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 8 – In d e p e n d ê n ci a d o B ra si l Independência dos Estados Unidos da América Independências na América espanhola • A revolução dos escravizados em São Do- mingo e seus múltiplos significados e des- dobramentos: o caso do Haiti Os caminhos até a independência do Brasil EF08HI06 - Aplicar os conceitos de Estado, nação, território, governo e país para o entendimento de conflitos e tensões. EF08HI07 - Identificar e contextualizar as especificidades dos di- versos processos de independência nas Américas, seus aspectos populacionais e suas conformações territoriais. EF08HI11 - Identificar e explicaros protagonismos e a atuação de diferentes grupos sociais e étnicos nas lutas de independência no Brasil, na América espanhola e no Haiti. EF08HI12 - Caracterizar a organização política e social no Brasil desde a chegada da Corte portuguesa, em 1808, até 1822 e seus desdobramentos para a história política brasileira. EF08HI13 - Analisar o processo de independência em diferentes países latino-americanos e comparar as formas de governo neles adotadas. A tutela da população indígena, a escravidão dos negros e a tutela dos egressos da escra- vidão EF08HI14 - Discutir a noção da tutela dos grupos indígenas e a participação dos negros na sociedade brasileira do final do período colonial, identificando permanências na forma de preconceitos e estereótipos sobre as populações indígenas e negras no Brasil e nas Américas. 9 – P ri m e ir o R e in a d o Brasil: Primeiro Reinado O Período Regencial e as contestações ao po- der central O Brasil do Segundo Reinado: política e economia • A Lei de Terras e seus desdobramentos na política do Segundo Reinado • Territórios e fronteiras: a Guerra do Paraguai EF08HI15 - Identificar e analisar o equilíbrio das forças e os sujeitos envolvidos nas disputas políticas durante o Primeiro e o Segundo Reinado. EF08HI16 - Identificar, comparar e analisar a diversidade política, social e regional nas rebeliões e nos movimentos contestatórios ao poder centralizado. EF08HI17 - Relacionar as transformações territoriais, em razão de questões de fronteiras, com as tensões e conflitos durante o Império. 1 0 – P e rí o d o r e g e n ci a l Brasil: Primeiro Reinado O Período Regencial e as contestações ao po- der central O Brasil do Segundo Reinado: política e economia • A Lei de Terras e seus desdobramentos na política do Segundo Reinado • Territórios e fronteiras: a Guerra do Paraguai EF08HI16 - Identificar, comparar e analisar a diversidade política, social e regional nas rebeliões e nos movimentos contestatórios ao poder centralizado. EF08HI17 - Relacionar as transformações territoriais, em razão de questões de fronteiras, com as tensões e conflitos durante o Império. O escravismo no Brasil do século XIX: plan- tations e revoltas de escravizados, aboli- cionismo e políticas migratórias no Brasil Imperial EF08HI19 - Formular questionamentos sobre o legado da escra- vidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 25 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXVI 11 – S eg un do R ei na do Brasil: Primeiro Reinado O Período Regencial e as contestações ao po- der central O Brasil do Segundo Reinado: política e economia • A Lei de Terras e seus desdobramentos na política do Segundo Reinado • Territórios e fronteiras: a Guerra do Paraguai EF08HI15 - Identificar e analisar o equilíbrio das forças e os sujeitos envolvidos nas disputas políticas durante o Primeiro e o Segundo Reinado. O escravismo no Brasil do século XIX: planta- tions e revoltas de escravizados, abolicionismo e políticas migratórias no Brasil Imperial EF08HI19 - Formular questionamentos sobre o legado da escra- vidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas. Políticas de extermínio do indígena durante o Império EF08HI21 - Identificar e analisar as políticas oficiais com relação ao indígena durante o Império. A produção do imaginário nacional brasileiro: cultura popular, representações visuais, letras e o romantismo no Brasil EF08HI22 - Discutir o papel das culturas letradas, não letradas e artísticas na produção do imaginário e das identidades no Brasil do século XIX. 12 – D a m on ar qu ia à re pú bl ic a Brasil: Primeiro Reinado O Período Regencial e as contestações ao po- der central O Brasil do Segundo Reinado: política e eco- nomia • A Lei de Terras e seus desdobramentos na política do Segundo Reinado • Territórios e fronteiras: a Guerra do Paraguai EF08HI15 - Identificar e analisar o equilíbrio das forças e os sujeitos envolvidos nas disputas políticas durante o Primeiro e o Segundo Reinado. EF08HI17 - Relacionar as transformações territoriais, em razão de questões de fronteiras, com as tensões e conflitos durante o Império. EF08HI18 - Identificar as questões internas e externas sobre a atuação do Brasil na Guerra do Paraguai e discutir diferentes versões sobre o conflito. O escravismo no Brasil do século XIX: planta- tions e revoltas de escravizados, abolicionis- mo e políticas migratórias no Brasil Imperial EF08HI19 - Formular questionamentos sobre o legado da escravidão nas Américas, com base na seleção e consulta de fontes de diferentes naturezas. EF08HI20 - Identificar e relacionar aspectos das estruturas sociais da atualidade com os legados da escravidão no Brasil e discutir a importância de ações afirmativas. 13 – E ur op a no sé cu lo X IX Nacionalismo, revoluções e as novas nações europeias EF08HI23 - Estabelecer relações causais entre as ideologias raciais e o determinismo no contexto do imperialismo europeu e seus im- pactos na África e na Ásia. 14 – Im pe ri al is m o na Á fr ic a e na Á si a Nacionalismo, revoluções e as novas nações europeias EF08HI23 - Estabelecer relações causais entre as ideologias raciais e o determinismo no contexto do imperialismo europeu e seus im- pactos na África e na Ásia. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 26 11/18/18 11:43 AM XXVIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 14 – Im pe ri al is m o na Á fr ic a e na Á si a Uma nova ordem econômica: as demandas do capitalismo industrial e o lugar das economias africanas e asiáticas nas dinâmicas globais EF08HI24 - Reconhecer os principais produtos, utilizados pelos eu- ropeus, procedentes do continente africano durante o imperialismo e analisar os impactos sobre as comunidades locais na forma de or- ganização e exploração econômica. O imperialismo europeu e a partilha da África e da Ásia EF08HI26 - Identificar e contextualizar o protagonismo das popula- ções locais na resistência ao imperialismo na África e Ásia. Pensamento e cultura no século XIX: darwi- nismo e racismo, o silenciamento dos saberes indígenas e as formas de integração e destrui- ção de comunidades e povos indígenas A resistência dos povos e comunidades indí- genas diante da ofensiva civilizatória EF08HI27 - Identificar as tensões e os significados dos discursos civilizatórios, avaliando seus impactos negativos para os povos indígenas originários e as populações negras nas Américas. 15 – A m ér ic a no s éc ul o XI X Os Estados Unidos da América e a América Latina no século XIX EF08HI25 - Caracterizar e contextualizar aspectos das relações entre os Estados Unidos da América e a América Latina no século XIX. Pensamento e cultura no século XIX: darwi- nismo e racismo, o silenciamento dos saberes indígenas e as formas de integração e destrui- ção de comunidades e povos indígenas A resistência dos povos e comunidades indí- genas diante da ofensiva civilizatória EF08HI27 - Identificar as tensões e os significados dos discursos civilizatórios, avaliando seus impactos negativos para os povos indígenas originários e as populações negras nas Américas. 9o ano CAPÍTULO OBJETOS DE CONHECIMENTO HABILIDADES 1 – N as ce a R ep úb lic a Experiências republicanas e práticas autori- tárias: as tensões e disputas do mundo con- temporâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI01 - Descrever e contextualizar os principais aspectos so- ciais, culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil. EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. A questão da inserção dos negros no período republicano do pós-abolição Os movimentos sociais e a imprensa negra; a cultura afro-brasileira como elemento de resistênciae superação das discriminações EF09HI03 - Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados. EF09HI04 - Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil. Primeira República e suas características Contestações e dinâmicas da vida cultural no Brasil entre 1900 e 1930 EF09HI05 - Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive. 2 – R ep úb lic a ol ig ár qu ic a Experiências republicanas e práticas autori- tárias: as tensões e disputas do mundo con- temporâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI01 - Descrever e contextualizar os principais aspectos so- ciais, culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil. EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 27 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXVIII 2 – R e p ú b li ca o li g á rq u ic a A questão da inserção dos negros no período republicano do pós-abolição Os movimentos sociais e a imprensa negra; a cultura afro-brasileira como elemento de resistência e superação das discriminações EF09HI03 - Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados. EF09HI04 - Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil. Primeira República e suas características Contestações e dinâmicas da vida cultural no Brasil entre 1900 e 1930 EF09HI05 - Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive. A questão indígena durante a República (até 1964) EF09HI07 - Identificar e explicar, em meio a lógicas de inclusão e exclusão, as pautas dos povos indígenas, no contexto republicano (até 1964), e das populações afrodescendentes. Anarquismo e protagonismo feminino EF09HI08 - Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões da diversidade no Brasil durante o século XX e compreen- der o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema. EF09HI09 - Relacionar as conquistas de direitos políticos, sociais e civis à atuação de movimentos sociais. 3 – R e vo lt a s n a P ri m e ir a R e p ú b li ca Experiências republicanas e práticas autoritá- rias: as tensões e disputas do mundo contem- porâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. Primeira República e suas características EF09HI05 - Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive. A questão indígena durante a República (até 1964) EF09HI07 - Identificar e explicar, em meio a lógicas de inclusão e exclusão, as pautas dos povos indígenas, no contexto republicano (até 1964), e das populações afrodescendentes. 4 – E ra V a rg a s Experiências republicanas e práticas autori- tárias: as tensões e disputas do mundo con- temporâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. A questão da inserção dos negros no período republicano do pós-abolição Os movimentos sociais e a imprensa negra; a cultura afro-brasileira como elemento de resistência e superação das discriminações EF09HI03 - Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados. EF09HI04 - Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil. O período varguista e suas contradições A emergência da vida urbana e a segregação espacial O trabalhismo e seu protagonismo político EF09HI06 - Identificar e discutir o papel do trabalhismo como força política, social e cultural no Brasil, em diferentes escalas (nacional, regional, cidade, comunidade). 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 28 11/18/18 11:43 AM XXIXMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 4 – E ra V a rg a s Anarquismo e protagonismo feminino EF09HI08 - Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões da diversidade no Brasil durante o século XX e compreen- der o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema. EF09HI09 - Relacionar as conquistas de direitos políticos, sociais e civis à atuação de movimentos sociais. 5 – P ri m e ir a G u e rr a M u n d ia l O mundo em conflito: a Primeira Guerra Mundial EF09HI10 - Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vivenciados na Europa. 6 – R e vo lu çã o R u s s a A Revolução Russa EF09HI11 - Identificar as especificidades e os desdobramentos mun- diais da Revolução Russa e seu significado histórico. 7 – C ri s e c a p it a li s ta e t o ta li ta ri s m o A crise capitalista de 1929 EF09HI10 - Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vivenciados na Europa. EF09HI12 - Analisar a crise capitalista de 1929 e seus desdobramen- tos em relação à economia global. A emergência do fascismo e do nazismo EF09HI13 - Descrever e contextualizar os processos da emergência do fascismo e do nazismo, a consolidação dos estados totalitários e as práticas de extermínio (como o holocausto). 8 – S e g u n d a G u e rr a M u n d ia l O mundo em conflito: a Primeira Guerra Mundial EF09HI10 - Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vivenciados na Europa. A emergência do fascismo e do nazismo A Segunda Guerra Mundial Judeus e outras vítimas do holocausto EF09HI13 - Descrever e contextualizar os processos da emergência do fascismo e do nazismo, a consolidação dos estados totalitários e as práticas de extermínio (como o holocausto). 9 – D e m o cr a ci a e p o p u li s m o Experiências republicanas e práticas autoritá- rias: as tensões e disputas do mundo contem- porâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI02 - Caracterizar e compreender os ciclos da história repu- blicana até 1954. A questão indígena durante a República (até 1964) EF09HI07 - Identificar e explicar, em meio a lógicas de inclusão e exclusão, as pautas dos povos indígenas, no contexto republicano (até 1964), e das populações afrodescendentes. O Brasil da era JK e o ideal de uma nação mo- derna: a urbanização e seus desdobramentos em um país em transformação EF09HI17 - Identificar e analisar processos sociais, econômicos, culturais e políticos do Brasil a partir de 1946. EF09HI18 - Descrever e analisar as relações entre as transformações urbanas e seus impactos na cultura brasileira entre 1946 e 1964 e na produção das desigualdades regionais e sociais. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 29 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXX 9 – D e m o cr a ci a e p o p u li s m o Os anos 1960: revolução cultural? EF09HI19 - Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emergência de questões relacionadas à memória e à justiça sobre os casos de violação dos direitos humanos. 1 0 – D it a d u ra m il it a r Os anos 1960: revolução cultural? A ditadura civil-militar e os processos de re- sistência A questão indígena e negra e a ditadura EF09HI19 - Identificar e compreender o processo que resultou na ditadura civil-militar no Brasil e discutir a emergência de questões relacionadas à memória e à justiça sobre os casos de violação dos direitoshumanos. EF09HI20 - Discutir os processos de resistência e as propostas de reorganização da sociedade brasileira durante a ditadura civil-militar. EF09HI21 - Identificar e relacionar as demandas indígenas como forma de contestação ao modelo desenvolvimentista da ditadura. 1 1 – C o n s tr u çã o d a c id a d a n ia O processo de redemocratização A Constituição de 1988 e a emancipação das cidadanias (analfabetos, indígenas, negros, jovens etc.) A história recente do Brasil: transformações políticas, econômicas, sociais e culturais de 1989 aos dias atuais Os protagonismos da sociedade civil e as al- terações da sociedade brasileira A questão da violência contra populações marginalizadas O Brasil e suas relações internacionais na era da globalização EF09HI22 - Discutir o papel da mobilização da sociedade brasileira do final do período ditatorial até a Constituição de 1988. EF09HI23 - Identificar direitos civis, políticos e sociais expressos na Constituição de 1988 e relacioná-los com a noção de cidadania e ao pacto da sociedade brasileira de combate a diversas formas de preconceito, como o racismo. EF09HI24 - Analisar as transformações políticas, econômicas, so- ciais e culturais de 1989 aos dias atuais, identificando questões prioritárias para a promoção da cidadania e dos valores democráticos. EF09HI25 - Relacionar as transformações da sociedade brasileira aos protagonismos da sociedade civil após 1989. EF09HI26 - Discutir e analisar as causas da violência contra popula- ções marginalizadas (negros, indígenas, mulheres, homossexuais, camponeses, pobres etc.) com vistas à tomada de consciência e à construção de uma cultura de paz, empatia e respeito às pessoas. EF09HI27 - Relacionar aspectos das mudanças econômicas, culturais e sociais ocorridas no Brasil a partir da década de 1990 ao papel do País no cenário internacional na era da globalização. 1 2 – G u e rr a F ri a A Organização das Nações Unidas (ONU) e a questão dos Direitos Humanos EF09HI15 - Discutir as motivações que levaram à criação da Orga- nização das Nações Unidas (ONU) no contexto do pós-guerra e os propósitos dessa organização. EF09HI16 - Relacionar a Carta dos Direitos Humanos ao processo de afirmação dos direitos fundamentais e de defesa da dignidade huma- na, valorizando as instituições voltadas para a defesa desses direitos e para a identificação dos agentes responsáveis por sua violação. A Guerra Fria: confrontos de dois modelos políticos A Revolução Cubana e as tensões entre Esta- dos Unidos da América e Cuba EF09HI28 - Identificar e analisar aspectos da Guerra Fria, seus prin- cipais conflitos e as tensões geopolíticas no interior dos blocos lide- rados por soviéticos e estadunidenses. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 30 11/18/18 11:43 AM XXXIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL 12 – G ue rr a Fr ia As experiências ditatoriais na América Latina EF09HI29 - Descrever e analisar as experiências ditatoriais na Amé- rica Latina, seus procedimentos e vínculos com o poder, em nível nacional e internacional, e a atuação de movimentos de contesta- ção às ditaduras. EF09HI30 - Comparar as características dos regimes ditatoriais latino- -americanos, com especial atenção para a censura política, a opressão e o uso da força, bem como para as reformas econômicas e sociais e seus impactos. 13 – Á fr ic a, Á si a e O ri en te M éd io O colonialismo na África As guerras mundiais, a crise do colonialismo e o advento dos nacionalismos africanos e asiáticos EF09HI14 - Caracterizar e discutir as dinâmicas do colonialismo no continente africano e asiático e as lógicas de resistência das populações locais diante das questões internacionais. Os processos de descolonização na África e na Ásia EF09HI31 - Descrever e avaliar os processos de descolonização na África e na Ásia. A questão da Palestina EF09HI10 - Identificar e relacionar as dinâmicas do capitalismo e suas crises, os grandes conflitos mundiais e os conflitos vivencia- dos na Europa. 14 – C ri se d o so ci al is m o au to ri tá ri o A Guerra Fria: confrontos de dois modelos políticos A Revolução Chinesa e as tensões entre Chi- na e Rússia EF09HI28 - Identificar e analisar aspectos da Guerra Fria, seus principais conflitos e as tensões geopolíticas no interior dos blocos liderados por soviéticos e estadunidenses. 15 – F ac es d a gl ob al iz aç ão O fim da Guerra Fria e o processo de globa- lização Políticas econômicas na América Latina EF09HI32 - Analisar mudanças e permanências associadas ao pro- cesso de globalização, considerando os argumentos dos movimen- tos críticos às políticas globais. EF09HI33 - Analisar as transformações nas relações políticas locais e globais geradas pelo desenvolvimento das tecnologias digitais de informação e comunicação. EF09HI34 - Discutir as motivações da adoção de diferentes políticas econômicas na América Latina, assim como seus impactos sociais nos países da região. Os conflitos do século XXI e a questão do terrorismo Pluralidades e diversidades identitárias na atualidade As pautas dos povos indígenas no século XXI e suas formas de inserção no debate local, regional, nacional e internacional EF09HI35 - Analisar os aspectos relacionados ao fenômeno do terro- rismo na contemporaneidade, incluindo os movimentos migratórios e os choques entre diferentes grupos e culturas. EF09HI36 - Identificar e discutir as diversidades identitárias e seus significados históricos no início do século XXI, combatendo qualquer forma de preconceito e violência. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 31 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXXII 2.3. Estruturação dos capítulos Cada um dos volumes da coleção foi organizado em 4 uni- dades que, de modo geral, correspondem aos bimestres do ano letivo. Os capítulos do livro, por sua vez, apresentam seções articuladas entre si que buscam contemplar várias dimensões da aprendizagem. Os capítulos possuem a seguinte estrutura interna: • Abertura de capítulo: seção com texto introdutório, ima- gens e atividades. O professor pode utilizar a abertura do capítulo para promover debates, levantar questões e ins- tigar a curiosidade dos alunos. • Texto-base: escrito em linguagem adequada ao desenvol- vimento etário dos alunos dos Anos Finais do Ensino Fun- damental. Nesse sentido, há uma mudança gradual na lin- guagem em cada um dos volumes da coleção. Seu principal objetivo é organizar e promover conhecimentos históricos relevantes incorporando tanto quanto possível mudanças historiográficas, que exploram novos objetos e objetivos dos historiadores, suas hipóteses e seus debates. • Cartografia e iconografia: reproduções de fontes históri- cas (mapas, fotografias, obras arquitetônicas, pinturas, esculturas, etc.), que complementam e explicitam aspec- tos do tema estudado. Estas imagens constituem, em sen- tido amplo, um rico conjunto de documentos a ser utilizado na produção do conhecimento histórico. As reproduções de imagens apresentam legendas explicativas e, em muitos casos, são acompanhadas de atividades que estimulam sua interpretação. • Glossário: pequenos boxes laterais que, de forma sucinta, trazem uma explicação sobre palavras e expressões pouco usuais para os alunos. Sempre que julgar conveniente, o professor deverá complementar a explicação ou orientar os alunos a pesquisar outros sentidos para palavras e ex- pressões desconhecidas. • Investigando: boxe de atividades que visam sondar conhe- cimentos prévios, estabelecer relações passado-presente e aproximar os assuntos estudados da vida real dos es- tudantes. Essa seção aparece em todas as aberturas de capítulo e ao longo do texto-base do livro. • Observando o mapa: seção de atividades de leitura e in- terpretação de mapas. O objetivo é trabalhar o conceito de espaço e sua temporalidade, promovendo a interdiscipli- naridade com Geografia.• Outras histórias: seção com texto e atividades, muitas ve- zes acompanhados de imagens. Essa seção procura com- plementar ou aprofundar assuntos abordados no capítulo. • Painel: seção que apresenta temas novos ou aprofunda um assunto abordado no capítulo privilegiando imagens que constituem, por exemplo, mostras de arte, infográfi- cos ou detalhamentos de pinturas, objetos e construções arquitetônicas. • Oficina de história: seção de atividades para o aluno, es- truturada da seguinte maneira: Refletir e ampliar: reúne atividades variadas que, de modo geral, visam organizar e refletir sobre os conteúdos do ca- pítulo, bem como ampliar o repertório dos estudantes. Elas promovem, por exemplo, a interpretação e a produção de imagens e textos, a realização de debates e a construção de linhas do tempo e de mapas conceituais. Fontes históricas: apresenta atividades com fontes his- tóricas variadas (texto ou imagem). O professor poderá utilizar essa seção para estimular a reflexão dos alunos (individual e em grupo) sobre o processo de produção do conhecimento histórico e o ofício do historiador. Integrar com: apresenta atividades interdisciplinares que integram os conteúdos históricos com outros campos do saber, como Arte, Geografia, Língua Portuguesa, Matemá- tica, Ciências, etc. • Para saber mais: seção que, no fim de cada unidade, apre- senta sugestões de filmes, livros e sites para ampliar e enriquecer a aprendizagem. Todas as sugestões são acom- panhadas de pequenas resenhas. • Projetos temáticos: ao final de cada volume, é apresentado um projeto temático que reforça a dimensão experimental e interdisciplinar do ensino-aprendizagem mobilizando os estudantes a trabalhar com temas abrangentes das áreas do conhecimento, especialmente em Ciências Humanas e Linguagens. Os projetos temáticos de cada volume são: 6o ano – Universo escolar. 7o ano – Meio ambiente. 8o ano – Saúde e educação. 9o ano – Internet e cidadania. Os projetos propõem atividades em grupo de reflexão e in- vestigação que demandam, por exemplo: pesquisas e manejo de fontes variadas, seleção e interpretação de dados e informa- ções, uso de linguagens diferentes (textos, imagens, sons), en- trevistas com pessoas da comunidade, estudo do espaço social em que os alunos estão inseridos, construção e apresentação de argumentos a partir dos conhecimentos desenvolvidos. Os projetos podem (e devem) ser flexibilizados levando-se em consideração a diversidade nacional e as necessidades pedagógicas de professores e alunos. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 32 11/18/18 11:43 AM XXXIIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL A avaliação é um processo amplo que implica estimar o valor, a extensão e a intensidade do desempenho educacional. O objetivo da avaliação é diagnosticar e acompanhar os resul- tados da ação educativa sempre tendo em vista aprimorar a aprendizagem significativa dos estudantes. Com isso, devemos deixar bem claro que a finalidade da avaliação não é instituir formas de punição para os estudan- tes. Ao contrário, a avaliação deve contribuir para redimen- sionar a ação educativa (DCN para o Ensino Fundamental, art.32). Por isso, em relação ao estudante, a avaliação deve assumir um caráter processual, formativo e participativo. Vejamos: a) processual: atividades contínuas, bem dimensionadas e distribuídas ao longo dos programas de ensino-aprendi- zagem. Deste modo, a avaliação processual ocorre sem uma definição rigorosa que separe o momento de ensinar, aprender ou construir conhecimentos. b) formativo: atividades voltadas à formação integral do estudante, isto é, que promovam o desenvolvimento de conhecimentos, valores e atitudes. c) participativo: atividades capazes de envolver os estu- dantes, tanto individualmente quanto em grupo, e fa- zê-los falar em público, argumentar, produzir textos e mídias sociais, além de intervir no meio em que vivem exercendo a cidadania. Além disso, a avaliação possui outras facetas. Como parte do currículo, deve servir para: a) identificar potencialidades e dificuldades da aprendi- zagem; b) sinalizar problemas do ensino, permitindo repensar méto- dos e recursos utilizados pela professora ou pelo professor. Em princípio, quanto maiores forem as dificuldades de aprendizagem tanto maior será a necessidade de rever as estratégias de ensino. Isso implica redirecionar o trabalho em sala de aula e perceber o que funciona, o que envolve, o que facilita a aprendizagem. Outro aspecto importante é que a avaliação também deve ser apresentada aos pais ou responsáveis pelos estudantes. É fundamental que eles sejam informados sobre o desem- penho escolar de seus filhos neste momento de interação e diálogo entre a escola e a comunidade. Cultivar este diálogo com o estudante e sua família, discutindo os resultados da 3. A proposta de avaliação avaliação, é valioso para a criação de um ambiente favorável à educação. 3.1. Avaliação e atividades desta coleção Em suas diversas propostas, as atividades que integram esta coleção possibilitam uma avaliação processual, formati- va e participativa do ensino-aprendizagem de História. 3.1.1. Aspecto processual As atividades avaliativas dos volumes desta coleção foram dispostas em diferentes momentos da obra, tais como: nas aberturas dos capítulos (Investigando), ao longo dos textos e das imagens (Investigando, Observando o mapa, Outras histó- rias), ao final do capítulo (Oficina de história) e no fim de cada livro (Projetos temáticos). 3.1.2. Aspecto formativo e participativo As atividades avaliativas foram elaboradas levando- -se em conta o rol de competências e habilidades da BNCC (6o ao 9o) do Ensino Fundamental. Isso significa que, ao lado dos conteúdos desenvolvidos no livro, estas atividades são partes intrínsecas do projeto de formação dos estudan- tes. Nesse sentido, essas atividades contribuem, por exem- plo, para: • valorizar a diversidade das culturas e seus modos de ser, saber e viver; • reconhecer e compreender os conhecimentos historica- mente construídos ; • promover a construção de argumentos, questionamentos, hipóteses, interpretação de fontes diversas tanto da cul- tura material quanto da imaterial; • exercitar a empatia, o diálogo, a cooperação, o respeito mútuo e a solidariedade; • promover o exercício da cidadania de forma livre, proativa e responsável, estimulando a tomada de decisões com base em valores éticos, democráticos e inclusivos. Cada um dos objetivos do conjunto de atividades pre- sentes nesta obra (Investigando, Observando o mapa, Ofi- cina de história, Projeto temático) foi explicitado no tópico Organização geral da obra deste Manual. Cabe ao professor utilizar essas atividades à sua maneira para redimensionar sua ação educativa e estimular o diálogo com os alunos. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 33 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXXIV 3.2. Avaliação qualitativa Um aspecto relevante que merece ser ressaltado é que a avaliação não se reduz ao ato de “medir” ou “quantificar” o acúmulo de informações dos estudantes. Neste sentido, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) determina que o estudante seja avaliado de forma contínua e cumulativa, prevalecendo os aspectos qualitativos sobre os quantitativos e os resultados de longo prazo sobre os de eventuais provas finais (Art. 24, V, alínea a). Segundo a BNCC do Ensino Fundamental, o compromisso com a educação integral implica também esse olhar inova- dor e inclusivo sobre questões centrais como a avaliação do aprendizado. Desse modo, mais do que medir o acúmulo de informações, o que se pretende é desenvolver no aluno “competências para aprender a aprender, saber lidar com a informação cada vez mais disponível, atuar com discer- nimento e responsabilidade nos contextos das culturas digitais, aplicar conhecimentos para resolver problemas,ter autonomia para tomar decisões, ser proativo para identificar os dados de uma situação e buscar soluções, conviver e aprender com as diferenças e as diversidades.” (BNCC, p. 14). Na escola contemporânea, educar é compartilhar conhe- cimentos e afetos dentro de uma visão integral do estudan- te, voltada tanto para seus interesses e suas necessidades quanto para os desafios da sociedade contemporânea. Nesse sentido, a avaliação qualitativa requer que o acompanhamento das atividades em sala de aula e extra-aula seja realizado de forma individual ou coletiva. Além disso, a avaliação qualitativa implica considerar as- pectos múltiplos como as formas variadas de reflexão, comu- nicação, criatividade, resiliência ao lado das atitudes de cola- boração, empatia, solidariedade, participação e compromisso. Se o professor desejar complementar a avaliação dos estudantes por meio de provas periódicas, sugerimos que as questões que levem a uma resposta única ou os testes de múltipla escolha sejam menos valorizados. O formato que induz à resposta única e rígida dificulta a percepção de eventuais problemas no aprendizado e não cria oportunida- des para que os estudantes expressem mais plenamente suas capacidades. Além das provas discursivas, é preciso dar espaço para outras atividades promissoras, individuais e coletivas, privi- legiando o protagonismo do estudante na construção de sua aprendizagem. Entre estas atividades esta coleção incluiu propostas como: a) pesquisas sobre o local de atuação da escola; b) interpretações de temas e fontes variadas; c) leitura e interpretação de mapas e imagens; d) debates sobre temas do contexto social dos estudantes; e) realização de entrevistas com membros da comunidade; f) elaboração de “painéis” temáticos; g) realização de reportagens para um blog ou jornal, que pode ser criado na sala ou na escola; h) produção de textos com críticas a livros, filmes, exposições ou visitas a museus e outras instituições. Nestas atividades, sugerimos que o professor explicite para os estudantes os critérios com base nos quais eles serão avaliados, estabelecendo um cenário das expectativas e dos resultados pretendidos. Por fim, é necessário dizer que as atividades múltiplas de avaliação devem abranger não somente conteúdos específicos de História, mas também o desenvolvimento de saberes interdisciplinares voltados ao exercício da ci- dadania, ao mundo do trabalho, aos projetos de vida dos estudantes e à construção de uma sociedade livre, justa e solidária. Desenvolvemos temas, abordagens e atividades in- terdisciplinares em diversos momentos desta coleção. Além disso, utilizamos mapas, imagens, obras literárias, entrevistas e filmes como recursos pedagógicos importan- tes. É preciso levar em conta, porém, as especificidades desses materiais. O domínio de tecnologias e linguagens aplicáveis a documentos de diferentes tipos (escritos, iconográficos, orais, musicais, multimídias, etc.) requer um exercício constante e recorrente de pesquisa, pois não há uma fórmula pronta e uniforme para lidar com eles. De modo geral, recomendamos jamais analisar os documen- tos como reflexos ou resgates da “verdade”, pois todos são parte constitutiva de representações da realidade e das relações sociais em jogo. 4. Usos do livro e possibilidades de trabalho 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 34 11/18/18 11:43 AM XXXVMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL A seguir, sugerimos formas de usar o livro e as possibilida- des de trabalho em sala de aula. 4.1. Interdisciplinaridade [...] os desenvolvimentos disciplinares das ciências não só trouxeram as vantagens da divisão do trabalho, mas também os inconvenientes da superespecialização, do confinamento e do despedaçamento do saber. Não só produziram o conhecimento e a elucidação, mas também a ignorância e a cegueira. MORIN, Edgar. A cabeça bem-feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. Trad.: Eloá Jacobina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. p. 15. A partir do século XV, sobretudo nas sociedades ocidentais, as ciências ganharam certa autonomia e se subdividiram em disciplinas cada vez mais específicas. Esse processo teve como consequência a produção de uma “era dos especialis- tas”, cujos resultados consistiram na perda das visões de conjunto e na pulverização do saber. Essas perdas estimularam um movimento de busca pela interdisciplinaridade, uma busca por elos entre dife- rentes disciplinas que, mantendo a identidade dos cam- pos do conhecimento, estabelece um diálogo permanente entre eles. Nesta obra, quisemos superar a simples justaposição de uma área do saber sobre as outras. Ao mesmo tempo, entendemos que a interdisciplinaridade pode ser uma prática que leve o docente a intervir na realidade social e orientar seus alunos, agindo de forma autônoma e sensível para es- timular aquilo que não ocorreria de modo espontâneo na sala de aula. A prática interdisciplinar deve ser observada como princípio pedagógico na medida em que se percebem a necessidade, a coerência e os desafios de fazê-la, adotando atitudes de questionamento, confirmação, complementação e ampliação. O objetivo é fazer da interdisciplinaridade um recurso es- colar para lidar com problemas, processos e fenômenos que podem ser mais bem compreendidos quando considerados de perspectivas diversas. Para cumprir esse intento, incorporamos temas que dialogam com outras disciplinas escolares ao longo do li- vro. Para enfatizar isso, criamos uma seção específica no final dos capítulos, denominada Integrar com. Trata-se de um conjunto de atividades que procura promover conexões tanto com as disciplinas que, como a História, situam-se no campo das Humanidades (como Geografia, Arte e Língua Portuguesa), quanto com aquelas mais distantes, mas com as quais, conforme o conteúdo abordado, pode se promover formas de diálogo (como Matemática, Educação Física, Ciên- cias e Língua Estrangeria Moderna). Ao final de cada volume, esperamos que as atividades interdisciplinares contribuam para formar jovens capazes de agir de forma transformadora sobre o mundo em que vivem e que se tornem cada vez mais autônomos para construir métodos de estudo, interpreta- ções e saberes. 4.2. Mapas Os mapas são representações de um espaço construídas por meio de símbolos, escala e projeção cartográfica. Eles podem servir para orientação, para o conhecimento de um território e, sobretudo, podem ser utilizados como fontes históricas. Ao interpretar essas representações, devemos considerar que todo mapa é feito com objetivos específicos e por meio de técnicas específicas. Ao utilizar mapas históricos, podemos trabalhar com os estudantes aspectos como: • características geográficas de uma região; • orientação espacial, escala, título e legenda; • semelhanças e diferenças de um território ou de uma re- gião, ocorridas ao longo do tempo; • correspondência entre as fronteiras e os agrupamentos étnicos, a valorização de territórios que constituem pontos estratégicos, etc. Esses aspectos não são aleatórios. Em História, espaço e tempo são dimensões fundamentais para a compreensão dos fenômenos. Nesse sentido, os mapas e sua linguagem são essenciais para a construção de um conhecimento crítico acerca do espaço. Mapas permitem localizar lugares e pes- soas, traçar comparações a partir de características naturais e sociais neles representadas ou avaliar distâncias físicas e esforços para superá-las. Entender a organização espacial para além daquilo que nos cerca é ampliar o saber e, por que não, a imaginação. O território familiar aos estudantes não é o único passível de ser observado e apreendido: territórios distantes também são objeto de estudo e os mapas são instrumentos impor- tantes nesse processo. O recurso aos mapas, por si só, já configura uma forma de interdisciplinaridade. Todavia,como já expusemos no início deste Manual, documentos de todos os tipos são 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 35 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXXVI válidos para a produção do conhecimento histórico, entre os quais se incluem as representações cartográficas ou mapas. Os historiadores vêm acumulando experiência no uso dos mapas como fontes ou como meio de apresenta- ção dos resultados de seus estudos e de representação espacial da realidade. Cabe ao professor problematizar todas as fontes histó- ricas. Com os mapas não é diferente. Os mapas de hoje são representações da superfície do planeta ou de partes dela. Resultam de conhecimentos interdisciplinares e recursos tec- nológicos cada vez mais sofisticados, que incluem computa- dores e satélites. Mas sabemos que nem sempre foi assim. Os mapas também são históricos no sentido de que passaram por transformações na forma como são feitos e guardam per- manências – como a intenção de sistematizar dados a partir de interesses políticos, econômicos, demográficos, militares, etc. No passado mais distante, os mapas tinham usos seme- lhantes aos dos tempos atuais, mas com recursos técnicos próprios das épocas em que foram produzidos. Serviram para planejar ações, como a dominação de um povo sobre outros, o transporte de mercadorias por mar e por terra, a arrecadação de impostos nas fronteiras de um país, a concentração de recursos naturais em determinadas regiões, para mencionar alguns exemplos. Portanto, a elaboração e o uso dos mapas lidam, ao mesmo tempo, com as limitações técnicas e com as in- tenções políticas. A cartografia só pode ser compreendida no contexto em que é produzida e sua finalidade depende de quem faz uso dela. Aqui, a finalidade é educacional e crí- tica, mas, se julgar conveniente, o professor pode deter-se em algum momento na própria história da Cartografia ao planejar suas aulas. Outras indicações Além dos mapas apresentados nesta obra, sugerimos ao professor a utilização de atlas históricos em suas aulas. Além da bibliografia ao final do volume, recomendamos duas fontes para o trabalho com mapas: • LOCH, Ruth E. N. Cartografia tátil: mapas para deficientes visuais, disponível em: <http://www.uel.br/revistas/uel/ index.php/portalcartografia/article/view/1362/1087>, que destaca a importância de mapas táteis para estudan- tes com deficiência visual. • Portal de Mapas do IBGE, disponível em: <http://portal demapas.ibge.gov.br>, no qual há cerca de 20 mil mapas sobre temas variados, como saneamento ambiental, alfa- betização, terras indígenas, etc. 4.3. Iconografia e leitura de imagens Por muito tempo, as imagens foram utilizadas pelos historiadores como meras ilustrações ou elementos com- probatórios. No entanto, com as transformações na con- cepção de conhecimento histórico ocorridas no século XX e por conta também do desenvolvimento da história da cultura, as imagens passaram a ser compreendidas como fontes de informações, que devem ser lidas e interpreta- das. Atualmente, recursos iconográficos, como fotografias, pinturas, esculturas, gravuras, desenhos e caricaturas, são documentos históricos tão importantes quanto os registros escritos. Lidar com fontes e linguagens diferenciadas – princi- palmente visuais – requer certas habilidades, as quais podem ser desenvolvidas pelo exercício do olhar, que en- volve observar, identificar e compreender o significado das imagens. Há um ponto comum entre a documentação iconográ- fica e a escrita: ambas são, fundamentalmente, repre- sentações da realidade, ou seja, expressam versões dos eventos históricos. Ao trabalhar com recursos iconográficos como fontes his- tóricas, procure: • observar os detalhes da imagem, suas cores, persona- gens, paisagens, temas, etc.; • refletir sobre as impressões e os sentimentos que a ima- gem pode despertar nos estudantes; • identificar o tipo de obra (fotografia, desenho, pintura, es- cultura, caricatura, etc.) e a data e o local de sua produção; • pesquisar informações sobre o autor da obra (nacionali- dade, idade, outros trabalhos, etc.); • investigar se a obra tinha um público-alvo, quem teve aces- so a ela, etc.; • comparar a obra com outras que possam ajudar a com- preendê-la; • analisar o contexto de produção da imagem e como ela foi apropriada ao longo do tempo. Verifique, por exemplo, se as referências utilizadas na obra têm o mesmo significado no contexto de sua produção e no tempo presente. Ao longo desta coleção, há diferentes propostas de ativida- des com iconografia, que são parte constitutiva dos capítulos. Isso não limita a possibilidade de o professor propor outras atividades, já que é ele quem melhor conhece seus alunos e as potencialidades deles. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 36 11/18/18 11:43 AM XXXVIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Leituras para o professor O texto reproduzido a seguir traz uma discussão impor- tante sobre o uso das imagens em sala de aula (e não só as do livro didático) e a necessidade da formação continuada do professor para trabalhar com esse recurso. O uso de imagens em sala de aula exige uma nova postura de professores e alunos, que não diz respeito à formação de historiadores, mas ao fato de proporcionar mais autonomia intelectual ante os diversos registros humanos [...]. A condição de uso adequado das novas tecnologias e dos novos mediadores da aprendizagem como o uso coerente de imagens passa pela formação do professor. Segundo a Lei 9.394/96, a formação continuada dos professores é condição para o processo qualitativo, pois é o único meio de esses profissionais acompanharem os discursos, as novas propostas de ensino da disciplina, as novas interpretações e novas exigências do cotidiano escolar [...]. Devem ser buscados mecanismos e ferramentas para o uso eficiente das fontes imagéticas, as quais, chegando aos docentes, despertem o olhar de interesse em conhe- cer e usar de forma privilegiada a linguagem imagética em sala de aula, sem a possibilidade de se perder em generalizações grosseiras. Além disso, o uso de imagens diz respeito a alguns cuidados, como por exemplo não priorizar a forma em detrimento da ideia, ou vice-versa, ou homogeneizar a cultura de uma época a partir de uma única imagem (Peter Burke, Testemunha ocular: história e imagem. Bauru: Edusc, 2004, p. 52). Deve-se lembrar que, no registro de uma imagem, há escolhas feitas pelo produtor, além de um contexto da concepção, o que obriga estar atento às ideologias implícitas, às invenções e criações do artista, às possíveis apropria- ções e adequações. Importa, assim, observar o público ao qual a obra se destinou e perceber os silêncios, au- sências, vazios e lacunas deixados pelo produtor, dado que a imagem não é uma realidade total, embora traga porções, traços, aspectos, símbolos, representações e códigos registrados. O século XXI está mergulhado em uma cultura da imagem, consumida de forma indiscriminada, razão por que ela tanto pode servir como processo de massi- ficação como processo de construção e ressignificação. Como ferramenta privilegiada, a imagem cativa o olhar do aluno, que vive em uma sociedade cifrada em ícones e signos, os quais ele se acostumou a usar, geralmente de forma acrítica. O exercício de desvendar as mensagens intrínsecas presentes nas imagens pode significar não apenas um caminho para interpretar as representações do passado, mas o educar o olho para um excelente exercício de elucidação do presente. Essa problemática envolve a carência de orientações práticas e teóricas quanto ao uso do recurso imagé- tico pelos professores que estão em sala de aula, mas fora do círculo acadêmico em que essas questões são debatidas. As imagens, como linguagem visual, são valiosíssimas na reconstrução da cultura material do passado, como por exemplo o cotidianode pessoas comuns. Para a adoção de tal meio de comunicação com o passado, são exigidos o desenvolvimento de habilidades e uma busca epistemológica por parte do docente. A mesma atenção vale para as imagens do presente, devendo-se ter a consciência de que a imagem do passado ou do presente é sempre uma representação da realidade, não ela propriamente. Mesmo antes de proporcionar aos alunos condições de “lerem” imagens, o professor precisa [...] educar seu próprio olhar para a imagem, daí a necessidade de um aprofundamento teórico sobre o tema. A imagem como texto visual é reveladora de cultura, por isso a neces- sidade de aprender a observar e interpretar culturas visuais, como afirma Panofsky (apud BURKE, 2004, p. 45) deve-se exercitar os três níveis de interpretação: seu significado natural (objetos), seu significado con- vencional (o que quer representar) e seu significado intrínseco (o que está subliminar). O que torna, no con- texto da história cultural, o uso do suporte imagético um grande desafio. A partir da análise de Peter Burke, em Testemunha ocular: história e imagem, é possível buscar os limites, perigos e as possibilidades de uso das imagens de uma forma mais produtiva, utilizando-as como um recurso precioso para despertar o olhar do aluno para a realida- de do estudo proposto. Como fonte histórica privilegia- da, as imagens não restituem o real. Elas reconstroem, voluntariamente ou involuntariamente, a apreensão do real. “A imagem não explica a realidade. Convida a re- criá-la e revivê-la”, diz [Miriam M.] Leite (“Texto visual e texto verbal”. In: BIANCO, Bela; LEITE, Miriam M. (orgs.). Desafios da imagem. Campinas: Papirus, 1998, p. 34). [...] O educador deve tornar-se não um consumidor de imagens, mas um especialista em ler imagens, em deco- dificá-las. Para isso, deve dispor de grande bagagem cul- 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 37 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXXXVIII Outras indicações • A revista Acervo, editada pelo Arquivo Nacional (RJ), pu- blicou um número especial dedicado à fotografia como fonte histórica (v. 6, n. 1-2, jan./dez. 1993), disponível em: <http://www.arquivonacional.gov.br/media/v6_n1_2_ jan_dez_1993.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018. Nele, foram reunidos diversos artigos úteis para o trabalho a ser desen- volvido em sala de aula com imagens, dentre os quais des- tacamos o de Boris Kossoy, “Estética, memória e ideologia fotográfica: decifrando a realidade interior das imagens” (p. 13-24), que analisa fotografias de diversos períodos da história do Brasil e o papel do fotógrafo como “criador de realidades”. • Fotografia e História, de Boris Kossoy (São Paulo: Ateliê Editorial, 2009). • Revista Brasileira de História, Dossiê Arte e Linguagens (v. 18, n. 35, 1998, p. 13-224), disponível em: <http:// www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issuetoc&pid=0102- 018819980001&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 20 abr. 2015. A publicação, editada pela Associação Nacional de História (ANPUH), reúne importantes artigos sobre mú- sica popular, literatura, cinema, fotografia e pintura, em diversas épocas. • Revista Anos 90, Dossiê A História e suas fontes (v. 15, n. 28, dez. 2008), disponível em: <http://www.seer.ufrgs. br/index.php/anos90/issue/view/721/showToc>. Acesso em: 25 set. 2018. Destacamos, nesse dossiê, as reflexões contidas em dois artigos: o de Nilton Mullet Pereira e Fer- nando Seffner, “O que pode o ensino de História?, sobre o uso de fontes na sala de aula”, e o de Flávia Eloisa Caimi, “Fontes históricas na sala de aula: uma possibilidade de produção de conhecimento histórico escolar?”. tural e predisposição em continuar aprendendo sempre, consciente da obrigação de uma formação continuada, que extrapola os limites da formação acadêmica. Isso é fundamental para que possa acompanhar o dinamismo das ciências humanas, especialmente da ciência histó- rica, em tempos de democracia, globalização, alta tec- nologia e história cultural, ou seja, tempos propícios para a inovação da produção histórica e implantação de pedagogias renovadas. SANDRI, Sandra Mara D Ávila. Decifra-me ou devoro-te: limites e possibilidades do uso da iconografia – um estudo hermenêutico de imagens para a sala de aula. Anais do II Congresso Internacional de História da Universidade Federal de Goiás – História e Mídia, set. 2011. Disponível em: <http://www.congressohistoriajatai.org/anais2009/ doc%20%2860%29.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018. 4.4. Literatura A literatura, como todo registro da experiência humana, também pode ser utilizada como fonte histórica. Este é um dos campos da história da cultura. Ao serem utilizadas como fontes históricas, as obras literárias (como qualquer outra obra de arte) podem ser “desconstruídas” e analisadas em seu contexto de produção. Nas obras literárias, é possível observar aspectos como: • modos de vida, costumes e cotidiano das sociedades re- presentadas; • papel das personagens e sua inserção social; • ambientação; • relações sociais, familiares e de poder. Além do prazer e da dimensão informativa das obras literá- rias, sua análise pode resultar em um trabalho interdisciplinar proveitoso para professores e estudantes de História e Língua Portuguesa. Ao trabalhar a literatura como fonte histórica, procure: • identificar o tipo de texto (poema, crônica, carta, biografia, conto, romance, etc.), bem como a data e o local de sua produção; • pesquisar informações sobre o autor do texto (nacionali- dade, idade, outros trabalhos, etc.); • identificar palavras, expressões, conceitos utilizados no texto literário e seus significados no passado e no presente; • conhecer narradores, personagens e suas características; • especificar o tempo em que ocorre o que está sendo rela- tado e o espaço onde acontecem as ações; • compreender como as ações das personagens estão ar- ticuladas; • refletir sobre as impressões e os sentimentos que o texto pode despertar nos estudantes; • investigar se o texto literário tinha um público-alvo defini- do, quem teve acesso a ele, etc.; • comparar a obra com outras que possam ajudar a com- preendê-la; • analisar o contexto de produção da obra e como ela foi apropriada ao longo do tempo; verificar, por exemplo, se as referências utilizadas na obra literária têm o mesmo significado no contexto de sua produção e no momento presente. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 38 11/18/18 11:43 AM XXXIXMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL [...] Uma das muitas possibilidades é o trabalho que se pode fazer com a obra central da literatura e da civilização etíope, a Glória dos Reis (Kebra Nagast), escrito em ge’ez, a língua clássica da Etiópia, é um texto cuja forma atual foi fixada em finais do século XIII, na altura da ascensão da chamada dinastia salomônica ao trono imperial nos planaltos do Tigré e Amhara. A comemoração de uma ideologia do poder inspirada na literatura bíblica, a Glória dos Reis relata a origem de uma dinastia imperial que se entronca na linha real de David e Salomão, e faz dos etíopes os herdeiros do ‘povo escolhido’ do Deus hebraico, e da Igreja cristã monofisista a guardiã da arca da aliança (encerrada, segundo a tradição oficial, numa pequena capela jun- to da igreja de Santa Maria do Sião, na antiga capital imperial de Aksun) e que fora tomada dos hebreus e doada aos etíopes pela vontade divina. Alberto da Costa e Silva em seu livro A enxada e a lança: a África antes dos portugueses, faz referência ao Kebra Nagast: “[...] Tradições do Antigo Testamen- to espalham-se provavelmente na Etiópia muito antes que a Bíblia ali fosse traduzida. Uma dessas tradições, que se desenvolveu no Oriente Médio, num intricado e rico ciclo de lendas, está na base do mito nacional etíope, cuja forma se imobilizou no Kebra Nagast ou Glória dos Reis. Esse livro tomou forma escritaem gueze no início do século XIV, mas a história que conta, da rainha de Sabá, devia ter voga desde tempos muito antigos na Etiópia”. O Kebra Nagast narra a trajetória do filho da união de Salomão com Makeda, a “rainha do Sul”, cujo nome é Menelik I (Bayna Lehkem, “Filho do Sábio”, “Filho de Salomão”), é considerado o primeiro Negusa Nagast ou “rei dos reis” da Etiópia, pois quando retornou da terra do seu pai, juntamente com alguns nobres judeus e com a arca da aliança (símbolo da presença de Deus) levou para seu povo os costumes ordenados pelo Deus de seu pai e diante destes preceitos fundou o reino de Aksun, situado na capital da atual Etiópia. Beneficiário de uma dupla herança, israelita e etíope, ele é um importante símbolo de uma ideologia nacional. Historicamente, esta ideologia marcou a forte especificidade da civili- zação etíope (ou pelo menos das expressões político-re- ligiosas do núcleo central “semitizado”). Ao apresentar esta fonte em sala de aula, após a leitura pelos alunos é importante destacar alguns pontos per- tinentes de discussões e entendimentos de acordo com o Kebra Nagast: “Salomão o Rei voltou para seu palácio e reuniu seus conselheiros, seus oficiais e os antigos de seu reino, e disse a eles: Eu não consigo fazer meu filho permanecer aqui. E agora escutem o que direi a vocês. Vamos fazê-lo rei da Etiópia, junto com suas crianças [...]. E as crianças dos nobres de Israel, que foram coman- dados a partir com o filho do rei, formaram um conselho junto, dizendo: O que devemos fazer? Pois nós devemos deixar nosso país e nosso local de nascimento, e nossa família e o povo de nossa cidade. Vamos nos entristecer por conta de nossa senhora Zion (a arca da aliança, que simboliza a presença de Deus) pois eles estão nos fazendo deixá-la, pois nela eles nos comprometeram com Deus, [...] Então eu (Azariah) a colocarei (a arca da aliança) na habitação de Zion, e eu a guardarei na rouparia de Zion, e eu tomarei Zion, e então cavarei um buraco no chão e a colocarei lá, até que nós partamos e levemo-la conosco, mas não contarei nada ao rei até que já esteja- mos viajando”. Primeiramente é possível expor que: a história da arca da aliança no Kebra Nagast aponta a justificativa para que os etíopes se sentissem um povo “escolhido” e abençoado pela presença de Deus, podendo ser trabalhado nesta instância o conceito de “civilização”, com os alunos, as- sim como, mostrando-lhes que cada povo afirma ser o melhor, ser o “escolhido por Deus” tendo todos as suas justificativas; podendo ser inserido também o conceito de “tolerância” entre as diferentes nações, assim como trabalhar os conceitos e no que acreditamos nos dias atuais. Torna-se importante a partir de então frisar que o que expõe-se aqui sobre esta fonte, são possibilidades de análises e que os professores e alunos ao trabalharem com esta fonte escolhem e direcionam suas análises in- dividualmente, pois objetiva-se a divulgação e o aponta- mento de perspectivas e possibilidades e não traçar um “manual a ser seguido”. Percebendo-se, portanto, que a troca de olhares so- bre o outro e sobre a própria identidade é um instru- mento dinâmico, em constante ressignificação e com múltiplas variáveis. Com base no que afirmou Roger Chartier “[...] nenhum texto – mesmo aparentemente mais documental [...] – mantém uma relação transpa- rente com a realidade que apreende. O texto, literário ou documental, não pode nunca se anular como tex- to, ou seja, como um sistema construído consoante categorias, esquemas de percepção e de apreciação, Leituras para o professor A seguir, o texto selecionado traz indicações acerca do trabalho com a literatura de ficção aplicado à História da África, que podem ser sugestivas também para outras temáticas. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 39 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXL regras de funcionamento, que remetem para as suas próprias condições de produção”. Desta forma esta fonte também pode ser utilizada em contrapartida a outras fontes, para desmistificar ideias expostas, as- sim como falsos e estranhos relatos sobre a Etiópia, de acordo com alguns dos relatos europeus sobre os africanos desde a Antiguidade [...]. O pensamento histórico passa por (re)adequações, surgindo uma espécie de história científica. Levar es- tas teorias para dentro da sala de aula e apresentá-las engrandece a visão e as análises que os alunos podem fazer da fonte primária, o texto literário, neste caso do Kebra Nagast [...]. Uma das principais gerações de pensadores desse grupo [que defende que a África possui uma história] foi a dos intelectuais liderados pelos africanos Joseph Ki-Zerbo e Cheikh Anta Diop. [...]. Essa história que Ki-Zerbo propõe “não seria uma história-revanche, que relançaria a história colonialista como um bumerangue contra seus autores, mas de mudar a perspectiva e ressuscitar ima- gens ‘esquecidas’ ou ‘perdidas’”. Através destas palavras pode-se ter uma ideia do que se constituiria o ensino de História da África na atualidade, o mesmo seria um despertar para a exclusão realizada pelo ocidente, de forma que fosse possível elaborar uma história com o olhar destes povos, caminhos estes percorridos através de suas fontes, de acordo com a sua diversificação, cabendo a pesquisadores e estudantes atuais buscar métodos de melhor abordar tais aspectos [...]. Levar a literatura africana antiga como o Kebra Na- gast e apresentar aos alunos as teorias relativas a con- cepções sobre a existência de uma história da África (esta no mínimo intitulada como o berço da humani- dade) fornece uma análise crítica e de imediata des- mistificação dos conceitos “aprendidos” com respeito à história da África. LIMA, Stéphanie M. Zumba de; SOUZA NETO, José Maria Gomes de. A literatura, fonte primária para o ensino de história da África. Anais do XIII Encontro Estadual de História: entre o nacional e o regional [Paraíba], 2008. Disponível em: <http://www.anpuhpb.org/anais_xiii_eeph/ textos/ST%2004%20-%20St%C3%A9phanie%20Monick% 20Zumba%20de%20Lima%20TC.PDF>. Acesso em: 19 jul. 2018. considerados caminhos possíveis para a recuperação da história do Brasil a partir do período imperial. • Com palmos medida: terra, trabalho e conflito na literatura brasileira, livro organizado por Flávio Aguiar, com prefácio de Antonio Candido (São Paulo: Fundação Perseu Abramo/ Boitempo, 1999). • Revista Hydra, Dossiê História e Literatura (v. 2, p. 20-32, 2017), disponível em: <http://hydra.sites.unifesp.br/in- dex.php/pt/?option=com_content&view=article&id=55&- catid=17>. Acesso em: 23 jul. 2018. Destacamos o artigo de Denilson Botelho, “Um encontro inusitado: história e literatura nas páginas do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro na Primeira República”, no qual o autor apresenta uma reflexão sobre o uso da literatura como fonte para o trabalho do historiador, a partir do exemplo da obra Tris- te fim de Policarpo Quaresma, publicada originalmente como folhetim na imprensa do Rio de Janeiro no início do século XX. 4.5. Fontes orais O trabalho com fontes orais pode levar a bons resultados, envolvendo os estudantes em atividades diferentes daquelas normalmente apresentadas em sala de aula. Todos nós conhe- cemos histórias interessantes que nos foram contadas em família ou entre amigos. Essa experiência pode ser estimulada e aproveitada para ampliar a construção do conhecimento histórico. A sugestão é a elaboração de entrevistas e a coleta de depoimentos. Para trabalhar esse tipo de fonte com os estudantes, apre- sentamos as orientações seguintes: 1. Definição do tema: promova debates para escolher um tema que desperte o interesse dos estudantes. Ele deve estar relacionado a algum assunto abordado em sala de aula. 2. Objetivo do estudo: é importante estabelecer o objetivo do estudo, que deve estar ligado ao tema escolhido.Entrevis- tas e depoimentos podem ajudar a entender a relação que determinado grupo social mantém com uma manifestação cultural, um regime político, uma tecnologia, etc. 3. Seleção dos interlocutores: é preciso ficar atento à idade e à disponibilidade do depoente/entrevistado, bem como ao seu grau de envolvimento com o tema escolhido. 4. Elaboração de roteiros: a) identificação do interlocutor: nome, idade, gênero, na- cionalidade, lugar onde mora, escolaridade; Outras indicações • A história contada: capítulos de história social da literatura no Brasil, organizada por Sidney Chalhoub e Leonardo A. de M. Pereira (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1998). Nessa obra, a literatura e o mundo dos literatos brasileiros foram 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 40 11/18/18 11:43 AM XLIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Uma entrevista de história oral constitui uma ref le- xão e recuperação do passado levada a efeito ao longo de uma conversa. Uma conversa comum, entretanto, não é gravada e tampouco acompanhada de anotações. Se um aluno assiste a uma aula, é de se esperar que tome nota e que, portanto, não fique olhando para o professor durante todo o tempo. Numa conversa, ao contrário, não é costume tomar nota daquilo que o outro fala, e é possível que o recurso frequente a ano- tações durante uma entrevista produza no entrevistado um certo retraimento: ele pode se sentir inibido ao ver que aquilo que diz adquire peso semelhante ao de uma aula. Ou então, pode achar que aquilo sobre o que se Outras indicações • Este número especial da revista Projeto História, editada pela PUC/SP (n. 15, abr. 1997), disponível em: <http://revis tas.pucsp.br/index.php/revph/issue/view/786>, acesso em: 23 jul. 2018, reúne os trabalhos apresentados no even- to “Ética e história oral”, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Nos artigos reunidos, autores estrangeiros e brasileiros abordam a questão da individualidade coletiva e do cinema-documentário, ao lado de depoimentos de historiadores e cineastas sobre a forma como realizam seus trabalhos. b) investigação do tema: formular perguntas relacio- nadas ao tema escolhido e ao objetivo da pesquisa. Procurar elaborar perguntas precisas e evitar as questões muito longas, que podem confundir o en- trevistado/depoente. Além disso, é importante fazer uma pergunta de cada vez, das mais simples até as mais complexas. 5. Realização do trabalho: programar horário e local com seu entrevistado/depoente. 6. Registro das entrevistas: podem ser gravadas ou anota- das, de acordo com os recursos disponíveis e mediante a permissão do entrevistado/depoente. 7. Posturas e atitudes: evitar fazer comentários às respos- tas de seu interlocutor e expressar sua opinião pessoal durante a realização do trabalho. Além disso, deve-se observar nos entrevistados/depoentes sua postura, gestos, feições, tons de voz, etc. Esses sinais também podem ser informações preciosas para a compreensão do tema. 8. Conclusão: após a realização do trabalho, é importante analisar os depoimentos/entrevistas levando em conta as orientações do item 7 – Posturas e atitudes. Procurar relacionar essas análises aos objetivos do estudo, verifi- cando se eles foram alcançados. 9. Apresentação: as conclusões podem ser apresentadas em um texto escrito ou em um seminário, conforme decidido pelo professor e pelos estudantes. Leituras para o professor O texto a seguir traz informações úteis sobre a postura a ser adotada durante uma entrevista e pode auxiliar na orien- tação dos estudantes em projetos de História Oral. está tomando nota é especialmente importante para o pesquisador e que, portanto, é necessário falar mais a respeito. Tomar nota durante uma entrevista pode ter um efeito parecido com o de sua gravação: o fato de chamar a atenção do entrevistado para a responsabili- dade do depoimento. Pode-se dizer que uma situação de entrevista reúne os hábitos da conversa, por um lado, e da aula, por ou- tro. Da conversa, em virtude do que já dissemos acerca das vantagens de um relacionamento mais informal com o entrevistado; da aula, porque dela fazem parte tipos de registro e de fixação, como a gravação e as anotações. É bastante difícil para um único entrevis- tador desenvolver todas as funções exigidas pela con- junção de ambas as modalidades de interação: manter o olhar dirigido ao entrevistado, acompanhando seu discurso com sinais de compreensão e interesse; ouvir o que diz; consultar o roteiro; articular perguntas a partir de “ganchos” fornecidos pelo próprio entrevis- tado; verificar o funcionamento do gravador; tomar nota de palavras, nomes próprios e de questões a se- rem aprofundadas depois que o entrevistado concluir seu raciocínio; localizar, em meio aos fichamentos e ao material de apoio à entrevista (documentos, foto- grafias etc.), aspectos a serem explorados com mais vagar, e assim por diante. Digamos que fazer uma en- trevista é praticar no limite máximo nosso poder de concentração em mais de uma coisa ao mesmo tempo: utilizamos os olhos, os ouvidos, a fala, as mãos – para escrever e manusear o equipamento de gravação – e, essencialmente, a cabeça. E tudo deve funcionar har- monicamente, de modo que o entrevistado não fique ansioso ou de alguma forma ofuscado pela perturba- ção do pesquisador. ALBERTI, Verena. Manual de história oral. 3. ed. Rio de Janeiro: Ed. da FGV, 2005. p. 115-116. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 41 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXLII • Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais, de Antonio Chizzotti (São Paulo: Cortez, 2005), livro no qual há textos sobre coleta de dados quantitativos e qualitativos, com explicações sobre questionários, entrevistas dirigidas, entrevistas não diretivas e história de vida. • Memória e sociedade: lembranças de velhos, de Ecléa Bosi (2. ed. São Paulo: T. A. Queiroz, 1983), trata das lembran- ças de idosos entrevistados pela autora. A partir dessas memórias relatadas, a obra apresenta um estudo sobre a vida social, a transformação da cidade, a vida familiar e o trabalho, entre outros assuntos. • Memoria em branco e negro: olhares sobre São Paulo, de Terezinha Bernardo (São Paulo: Educ; Ed. da Unesp, 1998). A ideia do livro é trabalhar com a memória urbano- -industrial do início do século XX a partir de depoimentos em História Oral de dois grupos distintos, a saber: italia- nos e africanos. • Guia prático de história oral, de José Carlos Sebe Bom Meihy e Suzana Lopes Salgado Ribeiro (São Paulo: Contexto, 2011). A obra apresenta caminhos, sugestões e métodos para a condução do trabalho com entrevistas, bem como bibliografia e modelos de projetos. 4.6. Filmes Os filmes de ficção são objetos de pesquisas históricas e fontes históricas. Este é um dos campos da história da cul- tura. Trabalhamos com a seguinte hipótese e o postulado de Marc Ferro: A hipótese é que o filme, imagem ou não da realidade, documento ou ficção, intriga autêntica ou pura invenção, é História. Já o postulado é que aquilo que não se reali- zou, as crenças, as intenções e o imaginário do homem, é tanto História quanto a História. FERRO, Marc. História: novos objetos. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1995. p. 203. Antes de recomendar um filme, é fundamental que o professor conheça a obra. Recomendamos, também, que o professor consulte a classificação indicativa dos filmes, que pode ser obtida no site do Ministério da Justiça (http:// portal.mj.gov.br/ClassificacaoIndicativa/jsps/ConsultarObra Form.jsp). Lembramos que, nesta coleção, há atividades que propõem a análise e a interpretação de filmes na seção Integrar com. Ao analisar um filme, em primeiro lugar, con- vém considerar que o autor (diretor) fez um recorte da realidade, observando-a de determinado ângulo e fazendo seleções. Para trabalharesse tipo de fonte com os estudantes, apre- sentamos as seguintes orientações: • observar os detalhes do filme, como cores, personagens, paisagens, temas, etc.; • identificar o tipo de filme, se ele se apresenta como um documentário ou uma obra ficcional; • elaborar uma ficha técnica com os dados básicos do filme: título, ano de produção, diretor, atores principais, época em que se desenvolve a ação, local das filmagens, livro em que o roteiro se baseou (se for o caso), etc.; • pesquisar informações sobre o diretor do filme (nacionali- dade, idade, formação, outros trabalhos, etc.); • analisar os elementos mais significativos em relação a aspectos como cenário (ruas, casas, edificações varia- das, cidades, paisagens, instrumentos, etc.), persona- gens (vestuário, alimentação, costumes, modo de falar, etc.) e temporalidade (o que é presente/passado/futuro na obra); • compreender como as ações das personagens estão ar- ticuladas; • relacionar aspectos mostrados pelo filme com outros conteúdos históricos apresentados e discutidos em sala de aula; • investigar se o filme tinha um público-alvo, quem teve acesso a ele, etc.; • analisar o contexto de produção do filme e como ele foi apropriado ao longo do tempo. Verifique, por exemplo, se as referências utilizadas no filme têm o mesmo sig- nificado no contexto de sua produção e no momento presente. As orientações anteriores podem ser enriquecidas por in- dagações do tipo: 1. Que conflitos são narrados e sob qual perspectiva? 2. Qual é o peso da presença de “heróis” protagonistas? Que valores eles expressam? 3. Há um caráter de denúncia ou compromisso com a versão de uma personagem ou grupo social? 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 42 11/18/18 11:43 AM XLIIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL Usos inadequados em sala de aula a) Vídeo tapa-buraco: colocar vídeo quando há um pro- blema inesperado, como ausência do professor. Usar esse expediente eventualmente pode ser útil, mas, se for feito com frequência, desvaloriza o uso do vídeo e o associa – na cabeça do aluno – a não ter aula. b) Videoenrolação: exibir um vídeo sem muita ligação com a matéria. O aluno percebe que o vídeo é usado como forma de camuflar a aula. Pode concordar na hora, mas discorda do seu mau uso. c) Videodeslumbramento: o professor que acaba de des- cobrir o uso do vídeo costuma empolgar-se e passar vídeo em todas as aulas, esquecendo outras dinâmicas mais pertinentes. O uso exagerado do vídeo diminui a sua eficácia e empobrece as aulas. d) Videoperfeição: existem professores que questionam todos os vídeos possíveis, porque possuem defeitos de informação ou estéticos. Os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para des- cobri-los junto com os alunos e questioná-los. e) Só vídeo: não é satisfatório didaticamente exibir o vídeo sem discuti-lo, sem integrá-lo com o assunto de aula, sem voltar e mostrar alguns momentos mais importantes. Propostas de utilização a) Começar por vídeos mais simples, mais fáceis, e exi- bir depois vídeos mais complexos e difíceis, tanto do ponto de vista temático quanto técnico. Pode-se partir de vídeos ligados à televisão, vídeos próximos à sensibilidade dos alunos, vídeos mais atraentes, e deixar para depois a exibição de vídeos mais artísti- cos, mais elaborados. b) Vídeo como sensibilização. É, do nosso ponto de vista, o uso mais importante na escola. Um bom vídeo é interessantíssimo para introduzir um novo assunto, para despertar a curiosidade, a motivação para novos temas. Isso facilitará o desejo de pesquisa nos alunos para aprofundar o assunto do vídeo e da matéria. c) Vídeo como ilustração. O vídeo muitas vezes ajuda a mostrar o que se fala em aula, a compor cenários desconhecidos dos alunos. Por exemplo, um vídeo que exemplifica como eram os romanos na época de Júlio César ou Nero, mesmo que não seja totalmente fiel, ajuda a situar os alunos no tempo histórico. Um vídeo traz para a sala de aula realidades distantes dos alunos, como, por exemplo, a Amazônia, a África ou a Europa. A vida aproxima-se da escola através do vídeo. d) Vídeo como simulação. É uma ilustração mais so- fisticada. O vídeo pode simular experiências de quí- mica que seriam perigosas em laboratório ou que exigiriam muito tempo e recursos. Um vídeo pode mostrar o crescimento acelerado de uma planta, de uma árvore – da semente até a maturidade – em pou- cos segundos. e) Vídeo como conteúdo de ensino. Vídeo que mostra determinado assunto, de forma direta ou indireta. De forma direta, quando informa sobre um tema especí- fico orientando a sua interpretação. De forma indire- ta, quando mostra um tema permitindo abordagens múltiplas, interdisciplinares. f) Vídeo como produção. Como documentação: registro de eventos, de aulas, de estudos do meio, de experiências, de entrevistas, de depoimentos. Isso facilita o trabalho do professor, dos alunos e dos futuros alunos. O professor deve poder do- cumentar o que é mais importante para o seu trabalho, ter o seu próprio material de vídeo, assim como tem os seus livros e suas apostilas para preparar as suas aulas. O professor estará atento para gravar o material audiovisual mais utilizado, para não depender sempre do empréstimo ou aluguel dos mesmos programas. Como intervenção: interferir, modificar um determi- nado programa, um material audiovisual, acrescentando uma nova trilha sonora, ou editando o material de forma compacta ou introduzindo novas cenas com novos signi- ficados. O professor precisa perder o medo, o excessivo “respeito” ao vídeo. Assim como ele interfere num texto escrito, modificando-o, acrescentando novos dados, no- vas interpretações e contextos mais próximos do aluno, assim ele poderá fazê-lo com o vídeo. Como expressão: como nova forma de comunicação adaptada à sensibilidade principalmente das crianças e dos jovens. As crianças adoram fazer vídeo e a escola precisa incentivar o máximo possível a produção de pesquisas em vídeo pelos alunos. A produção em vídeo tem uma dimensão moderna, lúdica. Moderna, como Leituras para o professor O texto a seguir, escrito por um especialista em comuni- cação, alerta-nos para as possibilidades – adequadas ou não – do uso do audiovisual na sala de aula. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 43 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXLIV Outras indicações • Passado imperfeito: a história do cinema, organizado por Mark C. Carnes (Rio de Janeiro: Record, 1997), que traz análises de vários filmes com temáticas históricas. • Tudo sobre cinema, de Philip Kemp (São Paulo: Sextan- te, 2011), que apresenta um panorama completo sobre a história do cinema e dos movimentos cinematográficos. • Ver história: o ensino vai aos filmes, organizado por Marcos Silva e Alcides Freire Ramos (São Paulo: Hucitec, 2011), que reúne análises acerca de filmes variados, tanto rela- cionados à História do Brasil quanto a de outros tempos e espaços. • História e cinema: dimensões históricas do audiovisual, organizado por Maria Helena Capelato e outros (2. ed. São Paulo: Alameda, 2011), que analisa filmes, bem como a obra de outros historiadores que utilizam cinema como fonte em suas pesquisas, e políticas culturais cinemato- gráficas em diferentes tempos. 4.7. Estudo do espaço Os espaços públicos podem ser utilizados como fonte de pesquisa e recurso didático. Entre eles estão o local de atuação do professor, patrimônios históricos (materiais e imateriais) e espaços construídos e vivenciados pelos estudantes. Por isso, a escola, a cidade, museus, merca- dos, ruas, praças, parques, etc. devem ser investigados e interpretados. Em geral, as atividades extraclasse oferecem aos estu- dantes oportunidades de sociabilidade e aprendizado dife- rentes das que eles vivenciam em sala de aula. No entan- to, essas atividades exigem do professoruma preparação meio contemporâneo, novo e que integra linguagens. Lúdica, pela miniaturização da câmera, que permite brincar com a realidade, levá-la junto para qualquer lugar. Filmar é uma das experiências mais envolventes, tanto para as crianças como para os adultos. Os alunos podem ser incentivados a produzir dentro de uma de- terminada matéria ou dentro de um trabalho interdis- ciplinar. E também produzir programas informativos, feitos por eles mesmos e colocá-los em lugares visíveis dentro da escola e em horários em que muitas crianças possam assistir. [...]. MORÁN, José Manuel. O vídeo na sala de aula. Comunicação e Educação, p. 29-31. jan./abr. 1995. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br/comueduc/ article/view/36131>. Acesso em: 23 jul. 2018. criteriosa, para que sejam realizadas com segurança e não se transformem em simples passeios. Isso requer uma série de providências, como: • levantar materiais de consulta e informações básicas so- bre o local a ser visitado; • priorizar algumas questões a serem pesquisadas; • solicitar a ajuda de pais e/ou funcionários da escola no monitoramento dos estudantes durante o passeio; • programar o melhor trajeto e o horário de visita. Ao trabalhar o espaço social como fonte, o professor e os estudantes podem se inspirar no roteiro a seguir. Trata-se de uma sugestão que pode (e deve) ser flexibilizada levando-se em consideração a diversidade nacional e as necessidades pedagógicas do professor. Roteiro (com enfoque em visitações) 1. Para onde vamos? Nome e endereço do local a ser analisado. 2. Por que esse local será visitado? É importante visitar um local relacionado a assuntos abordados em sala de aula. 3. O que sabemos sobre esse espaço? (conhecimentos prévios) Antes da visita, o professor deve conversar com os estudantes para verificar o que eles sabem sobre o local a ser visitado e quais são suas expectativas sobre a visita. 4. O que devemos fazer antes da visita? Elabore uma ficha com perguntas relacionadas ao tema escolhido e ao obje- tivo da visita. 5. O que devemos fazer durante a visita? Durante a visita, os estudantes devem preencher suas fichas. Além disso, eles podem enriquecer sua análise observando aspectos como: • perfil dos moradores; • formas de interação das pessoas com o espaço; • maior ou menor presença de residências, indústrias, comércio, serviços e agricultura; • áreas verdes em contraste com áreas edificadas; • tipos de material utilizados nas construções; • sistema viário e meios de transporte disponíveis; • nomes dos logradouros; • estilos arquitetônicos e tamanho das construções, seu uso público ou privado, entre outras evidências. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 44 11/18/18 11:43 AM XLVMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL ainda presentes nas paisagens de seu cotidiano. O estudo do meio por intermédio do trabalho de campo como prática pedagógica torna mais próximo o conhecimento que os alunos estão adquirindo. O estudo com o Atlas Municipal aproximou a realidade. Os trabalhos de campo devem privilegiar locais significativos que permitirão ao professor retomar assuntos estudados. É importante levar os alunos a se apropriarem do lugar, observando as alterações provocadas pela passagem do tempo. HÖFLING, Maria Arlete Zülzke. As páginas de história. Cadernos Cedes, Campinas, v. 23, n. 60, p. 181-187. ago. 2003. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0101-32622003000200005&lng=pt&nrm= iso&tlng=pt>. Acesso em: 19 jul. 2018. Ensinar história é estimular os alunos a refletirem e faze- rem descobertas valorizando o saber do aluno. A história não existe apenas nos livros, ela é real; por meio de relatos de pais, avós, o aluno pesquisa, seleciona e produz um texto informativo. Essa nova maneira de ensinar história muda o foco: dos grandes homens e seus feitos para as pessoas comuns e seu cotidiano. Entram em cena os costumes da vida real que diminuem também a distância com relação ao passado: os alunos deixam de ver a história fragmentada e passam a vê-la como um todo do qual fazem parte. A pesquisa é um meio para se retomar todo o proces- so histórico, e a escola deve ser sinônimo de atuação, de crescimento, reconhecimento e de alunos felizes desco- brindo o valor de sua própria história como indivíduos atuantes no mundo em que vivem [...]. A reconstrução da história de um local é trabalho am- plo, desencadeia um conjunto de forças no imaginário individual e coletivo de todos. A história não existe ape- nas nos livros, ela é real e viva. A escola pode convidar os avós para conversar com os colegas de seus netos sobre sua infância. Esses encontros possibilitarão um passado construído no relatar do dia a dia desses velhos, como viviam na cidade, as brincadeiras de rua numa época em que a rua ainda era local de crianças brincarem. A preservação da memória, a reconstrução do pas- sado, leva as pessoas a terem um novo olhar diante do velho, do antigo, das marcas do passado, o novo e o velho juntos. Olhar a cidade com outro olhar [...]. O estudo do meio coloca a realidade dentro da sala de aula e tira os alunos da escola. Não é preciso viajar: numa volta ao bairro, ao Arquivo da cidade, ou até mesmo em volta da escola, aprende-se muito. É importante para esse estudo o trabalho em equipe dos professores e os saberes dos alunos, por exemplo, sobre as marcas do passado Outras indicações • ALMEIDA, Patricia Freire de (Org.). Territórios de Ururay: patri- mônio cultural. São Paulo: Movimento Cultural Penha, 2016. Ver também <http://ururaypatrimoniocultural.blogspot. com/p/projeto-territorios-de-ururay.html>. Acesso em: 19 jul. 2018. • REIS, Philippe Arthur dos Reis (Org.). Passeando pelas ruas: reflexões sobre o patrimônio paulistano. São Paulo: Pas- seando pelas Ruas, 2017. • ROCHA, Fábio Dantas; ZANELLI, Fernanda Fragoso. Guia dos itinerários da experiência negra: um passeio histórico por São Paulo. São Paulo: Crônicas Urbanas; Redes e Ruas, s/d. Ver também <https://coletivocronicasurbanas.wordpress. com/>. Acesso em: 19 jul. 2018. • PASSADOS presentes: memória da escravidão no Brasil. Disponível em: <http://passadospresentes.com.br/site/ Site/index.php>. Acesso em: 19 jul. 2018. • SANTA Afro Catarina: Programa de Educação Patrimonial sobre a Presença de Africanos e Afrodescendentes em Santa Catarina. Disponível em: <http://santaafrocatarina. blogspot.com/>. Acesso em: 19 jul. 2018. • SÃO PAULO: vestígios da cidade negra. Disponível em: <https://spnegra.wixsite.com/spnegra> e <https://spnegra. word press.com/roteiro/>. Acesso em: 19 jul. 2018. Resultados dos trabalhos de coletivos de pesquisadores, moradores, educadores, estudantes de História e professores do Ensino Fundamental e Médio, essas obras, sites e blogs re- fletem sobre os espaços como lugares de memória, sobretudo os temas e lugares das cidades que não tiveram um olhar mais atencioso por parte dos órgãos de preservação do patrimônio histórico. A consulta a esses trabalhos pode ser sugestiva para a elaboração de roteiros, reflexões e projetos envolvendo pro- fessores e estudantes. 6. O que devemos fazer depois da visita? Após a visita, é inte- ressante que estudantes e professores reflitam sobre as diferentes impressões e os sentimentos que eles tiveram ao realizar esse trabalho. 7. Como apresentar esse trabalho? O trabalho de estudo do espaço social pode ser apresentado de diferentes manei- ras. Entre elas estão a produção de textos, seminários, murais, blogs, etc. Leituras para o professor A seguir, trazemos excertos de um texto escrito por uma pesquisadora que avaliou a experiência de realizar estudos do meio. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 45 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXLVI para que se possa construir a igualdade no que se refere à apropriação da nossa história pelos brasileiros. Encontros, semináriose debates sobre os temas da história e da cultura da África e dos afrodescendentes têm propiciado o surgimento de vozes e argumentos esclarecedores. Neste sentido, destacamos as palavras de Rosa M. Rocha, que elencou alguns princípios norteadores para a avaliação da postura de autores, editores, professores, estudantes e da sociedade em geral quando se trata de discutir a questão racial em sala de aula: 1o - O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. 2o - Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro- -Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currí- culo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e História Brasileiras. Lei no 10 639, de 9 de janeiro de 2003. Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/ l10.639.htm>. Acesso em: 19 jul. 2018. 1. a questão racial deve ser um conteúdo multidiscipli- nar, debatido durante todo o ano letivo; 2. deve-se reconhecer e valorizar as contribuições reais do povo negro à nação brasileira; 3. estabelecer uma conexão entre as situações de di- versidade com a vida cotidiana nas salas de aula; 4. combater as posturas etnocêntricas para a descons- trução de estereótipos e preconceitos atribuídos ao grupo negro; 5. incorporar a história dos negros, a cultura, a si- tuação de sua marginalização e seus reflexos como conteúdo do currículo escolar; 6. extinguir o uso de material pedagógico contendo imagens estereotipadas do negro, com repúdio às atitudes preconceituosas e discriminatórias; 7. dar maior atenção à expressão verbal escolar coti- diana; 8. construir coletivamente alternativas pedagógicas com suporte de recursos didáticos adequados. ROCHA, Rosa Margarida de Carvalho. Princípios norteadores quanto ao trato da questão racial no cotidiano escolar. In: Almanaque pedagógico afro-brasileiro. Belo Horizonte: Mazza, 2006. p. 15-16. Apresentamos, a seguir, algumas considerações com o ob- jetivo de orientar o professor a respeito das perspectivas para o trabalho com a história e a cultura africana, afro-brasileira e dos povos indígenas. 5.1. África e afrodescendentes A Lei no 10 639, que entrou em vigor em 9 de janeiro de 2003, alterou as diretrizes e bases da educação no Brasil, tor- nando obrigatória no currículo escolar a abordagem de temas de história e cultura africana e afro-brasileira. 5. Protagonistas da Hist—ria Antes da promulgação da Lei no 10.639 já havia, tanto nas escolas como nos livros didáticos brasileiros, alguns estudos relacionados à história e à cultura africana e afro-brasileira. Esses temas, contudo, eram frequentemente tratados sob a marca da negatividade e se limitavam quase sempre à escra- vidão africana no Brasil e em outros países americanos, ao colonialismo do século XIX e às independências dos países afri- canos no século XX. Além disso, pode-se dizer que tais temas costumavam ser abordados por meio de um viés eurocêntrico. Neste contexto, a promulgação da Lei no 10.639 veio assina- lar uma mudança de perspectiva em relação a esses temas. À primeira vista, pode parecer que instituir conteúdos obrigatórios por meio de uma legislação seja um procedimento um tanto arbitrário. Mas as leis também têm sua história. E o processo que levou à promulgação da Lei no 10.639 decorreu de pressões democráticas de vários segmentos da sociedade, particular- mente do movimento negro no Brasil, que, legitimamente, exige um tratamento de sua história e cultura à altura da importância dos negros na construção da nação brasileira. Evidentemente, não será a mera existência da lei que resol- verá todas as questões relacionadas a esse assunto. Sabemos dos abismos que separam o país legal do país real. Por isso, são muitos os esforços que precisam ser feitos no cotidiano Os princípios apontados por Rosa M. Rocha podem orientar os agentes da escola envolvidos no processo de ensino-apren- dizagem, no qual o livro didático é um dos instrumentos. Nesta coleção de História destinada ao Ensino Funda- mental II, houve um esforço para incorporar um tratamento adequado de valorização da diversidade cultural brasileira, de recusa do etnocentrismo e de repúdio ao racismo e aos preconceitos de toda ordem. Para além da crítica ao que con- denamos, procuramos enfatizar uma visão altamente positiva de vários aspectos da cultura africana e afro-brasileira. A abordagem da temática sobre a África e os afrodescen- dentes percorre todos os volumes, fazendo-se presente nos textos, na iconografia, nas atividades e articulando-se com os demais conteúdos trabalhados ao longo desta coleção. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 46 11/18/18 11:43 AM XLVIIMANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERAL [...] [Em 1972], a historiadora norte-americana Karen Spalding chamou a atenção dos historiadores para um rico filão praticamente inexplorado pelos estudiosos da América espanhola: o “índio colonial”. Longe da figura obstinadamente conservadora, presa às amarras da tra- dição milenar, e mais longe ainda do mero sobrevivente de uma cultura destroçada e empobrecida pela transfor- mação pós-conquista, este novo “índio colonial” passava a desempenhar um papel ativo e criativo diante dos desafios postos pelo avanço dos espanhóis. Mesmo possuindo um horizonte cosmológico arraigado de longa data, as comu- nidades nativas e suas lideranças políticas e espirituais dialogavam abertamente com os novos tempos, seja para assimilar ou para rejeitar algumas das suas características [...]. Os estudos sobre a América portuguesa apresentam um contraste radical com esse quadro. A ausência quase total de fontes textuais e iconográficas produzidas por escritores e artistas índios por si só impõe uma séria res- trição aos historiadores. No entanto, o maior obstáculo impedindo o ingresso mais pleno de atores indígenas no palco da historiografia brasileira parece residir na re- sistência dos historiadores ao tema, considerado, desde há muito, como alçada exclusiva dos antropólogos [...]. Parecem prevalecer entre os historiadores brasileiros ainda hoje duas noções fundamentais que foram esta- belecidas pelos pioneiros da historiografia nacional. A primeira diz respeito à exclusão dos índios enquanto legítimos atores históricos: são, antes, do domínio da Antropologia, mesmo porque a grande maioria dos his- toriadores considera que não possui as ferramentas ana- líticas para se chegar nesses povos ágrafos que, portanto, se mostram pouco visíveis enquanto sujeitos históricos. A segunda noção é mais problemática ainda, por tratar os povos indígenas como populações em vias de desapa- recimento. Aliás, é uma abordagem minimamente com- preensível, diante do triste registro de guerras, epidemias, massacres e assassinatos atingindo populações nativas ao longo dos últimos 500 anos. Por estes motivos, pelo menos até a década de 1980, a história dos índios no Brasil resumia-se basicamente à crônica de sua extinção [...]. [...] Este quadro vem mudando graças ao esforço cres- cente – sobretudo de antropólogos porém também de alguns historiadores, arqueólogos e linguistas – que tem surgido em anos recentes em elaborar aquilo que podemos chamar de uma “nova história indígena” [...]. As questões postuladas a partir do final dos anos 1970 introduziram duas inovações importantes, uma prática e 1o: O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formaçãoda sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econô- mica e política, pertinentes à história do Brasil. Lei no 11 645, de 10 de março de 2008. Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2008/lei/l11645.htm>. Acesso em: 19 jul. 2018. 5.2. Povos indígenas Ao longo de quase todo o século XX, as relações entre o Estado brasileiro e os povos indígenas foram marcadas por políticas que visavam assimilar e integrar aqueles povos cul- turalmente diferentes à sociedade nacional. Apesar do viés protecionista, essa política negava aos indígenas seu direito à diferença e à identidade cultural. Com a promulgação da atual Constituição Federal (1988), operou-se uma transformação radical nas relações jurídicas entre o Estado e as populações indígenas, que conquistaram o direito de permanecer como indígenas. As normas constitucionais repercutiram em outras esferas da vida social. No âmbito da educação, a Lei no 11.645, de 10 de março de 2008, tornou obrigatório o estudo da história e da cultura indígena, com conteúdos que devem ser minis- trados em todo currículo escolar. Assim como no caso dos afrodescendentes, a mera insti- tuição de leis não resolve todas as questões que o assunto demanda. Sabemos que, frequentemente, os povos indígenas enfrentam um cotidiano de adversidades e discriminações. Além disso, não raro, vivenciam situações de violência extre- ma por parte de grupos que pretendem ocupar suas terras à força. Em face de tal situação, esta obra didática para o Ensino Fundamental II procura oferecer ao professor sugestões de trabalho, textos e imagens sobre a história e a cultura dos povos indígenas. Ao inserirmos esses conteúdos, temos como objetivo valorizar a diversidade cultural dos povos indígenas e combater o preconceito etnocêntrico. O pressuposto da nossa mensagem é que a espécie humana engrandece sua identida- de quando promove o respeito e a valorização da pluralidade cultural. O texto a seguir, escrito por um dos principais estudiosos da história indígena no Brasil, explica as formas pelas quais a historiografia lidou com a temática e as dificuldades enfren- tadas para se estudar o assunto nos últimos tempos – difi- culdades estas que se expressam também nos conteúdos dos livros didáticos. 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 47 11/18/18 11:43 AM MANUAL DO PROFESSOR - PARTE GERALXLVIII rica. Os estudos coloniais, de tradição antiga, tiveram uma espécie de renascimento neste período, com a ex- ploração de arquivos antes inexplorados [...] e com um novo aproveitamento dos ricos acervos portugueses, com certo destaque para os processos do Santo Ofício. O re- sultado foi uma verdadeira explosão de estudos sobre os escravos e a escravidão, sobre os cristãos novos e a Inquisição, sobre as mulheres, sobre os pobres, sobre os “desclassificados”, enfim sobre um vasto elenco de novas personagens que passaram a desfilar no palco da história brasileira, junto com novas perspectivas sobre a história social, demográfica, econômica e cultural. Mas se alguns esquecidos da história começaram a saltar do silêncio dos arquivos para uma vida mais agitada nas no- vas monografias, os índios permaneceram basicamente esquecidos pelos historiadores [...]. MONTEIRO, John M. Tupis, Tapuias e historiadores: estudos de história indígena e do indigenismo. Campinas, 2001. Tese de Livre-Docência – IFCH/Unicamp. p. 1-7. Disponível em: <http://etnolinguistica.wdfiles.com/ local--files/tese%3Amonteiro-2001/Monteiro_2001_Tupis_ tapuias_historiadores.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2018. outra, teórica. Surgiu, de fato, uma nova vertente de estu- dos que buscava unir as preocupações teóricas referentes à relação História/Antropologia com as demandas cada vez mais militantes de um emergente movimento indíge- na, que encontrava apoio em largos setores progressistas que renasciam numa frente ampla que encontrava cada vez mais espaço frente a uma ditadura que lentamente se desmaterializava. A reconfiguração da noção dos direitos indígenas en- quanto direitos históricos – sobretudo territoriais – es- timulou importantes estudos que buscavam nos docu- mentos coloniais os fundamentos históricos e jurídicos das demandas atuais dos índios ou, pelo menos, dos seus defensores [...]. A utilização inovadora de documentos históricos e de teoria social, enriquecida por novas leituras de mito, ritual e narrativas orais como formas alternativas de dis- curso histórico, apresentava um roteiro bastante atraente para explorações em histórias nativas, colocadas de forma instigante no plural. Ainda estamos colhendo os frutos deste esforço coletivo, porém é possível aferir alguns de seus pontos mais fortes e algumas de suas limitações no número cada vez maior de publicações sobre a história indígena. A geração de historiadores que vivenciou este mesmo período de mobilização política e de reorientação teórica continuou a deixar de lado a temática indígena [...]. A principal tendência da historiografia brasileira na década de 1980 foi o progressivo abandono de marcos teóricos generalizantes, sobretudo de inspiração marxista, e a crescente profissionalização do quadro de historiadores nas universidades, que fundamentavam seus trabalhos cada vez mais numa base mais sólida de pesquisa empí- Outras indicações Títulos de periódicos editados mais recentemente sobre as temáticas abordadas aqui podem ser consultados gratui- tamente na Scientific Eletronic Library Online (base de dados conhecida pela abreviatura SCIELO), disponível em: <http:// www.scielo.org/php/index.php>. Nela, encontram-se textos editados em países de língua portuguesa e espanhola (além de alguns em inglês e francês). Os periódicos científicos bra- sileiros podem ser consultados diretamente no site: <http:// www.scielo.br/?Ing=pt>. Acesso em: 19: jul. 2018. Essa parte do Livro do Professor apresenta orientações teóricas e práticas específicas para o trabalho do professor com o Livro do Aluno, incluindo as respostas das atividades. Ela contém as seguintes seções: • Objetivos do capítulo – informa os principais objetivos de aprendizagem de cada capítulo. • Correspondência dos conteúdos com a BNCC – reúne ta- belas com habilidades e competências da BNCC desenvol- vidas ao longo de cada capítulo. • Orientação didática – fornece informações complementa- res e sugestões de trabalho com os alunos em sala de aula. • Alerta – destaca pontos essenciais do livro do aluno nos quais são trabalhadas algumas habilidades e competências previstas na seção Correspondência dos conteúdos com a BNCC. • Leitura complementar – apresenta textos que visam apro- fundar ou enriquecer informações do livro do aluno. • Atividade complementar – propõe outras atividades que podem ser utilizadas para reforçar ou ampliar os estudos. • Outras indicações – recomenda sites, livros, filmes, mu- seus e centros culturais relacionados aos temas do Livro do Aluno. • Respostas – oferece sugestões respostas para as ativi- dades do Livro do Aluno, que podem (e devem) ser flexi- bilizadas sempre que o professor considerar necessário. 6. Parte específica do Livro do Professor 9HISTORIARg20Sa_MP_PC_002a048.indd 48 11/18/18 11:43 AM 1MANUAL DO PROFESSOR H I S T O R I A R 79 Componente curricular: História Ensino Fundamental – Anos Finais 3a edi•‹o Ð S‹o Paulo, 2018 GILBERTO COTRIM Bacharel em História pela Faculdade de Filoso�a, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) Licenciado em História pela Faculdade de Educação da USP Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (Mack-SP) Professor de História na rede particular de ensino Advogado inscrito na OAB de São Paulo JAIME RODRIGUES Bacharel em História pela Faculdade de Filoso�a, Letras e CiênciasHumanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) Doutor em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP) Professor de História na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Ex-professor de História nas redes pública e particular de ensino 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 1 11/18/18 11:44 AM MANUAL DO PROFESSOR2 Direção geral: Guilherme Luz Direção editorial: Luiz Tonolli e Renata Mascarenhas Gestão de projeto editorial: Mirian Senra Gestão de área: Wagner Nicaretta Coordenação: Eduardo Guimarães Edição: Thais Regina Videira e Wellington Santos (editores), Ligia Torres Figueiredo (edit. assist.) Gerência de produção editorial: Ricardo de Gan Braga Planejamento e controle de produção: Paula Godo, Roseli Said e Márcia Pessoa Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.), Kátia Scaff Marques (coord.), Rosângela Muricy (coord.), Ana Paula C. Malfa, Brenda T. M. Morais, Célia Carvalho, Flavia S. Vênezio, Gabriela M. Andrade, Hires Heglan, Marília Lima, Maura Loria, Patrícia Travanca, Rita de Cássia C. Queiroz, Sandra Fernandez, Sueli Bossi; Amanda T. Silva e Bárbara de M. Genereze (estagiárias) Arte: Daniela Amaral (ger.), Claudio Faustino (coord.), Felipe Consales e Karen Midori (edição de arte) Diagramação: Lima Estúdio Gra�co Iconografia: Sílvio Kligin (ger.), Denise Durand Kremer (coord.), Danielle de Alcântara e Mariana Sampaio (pesquisa iconográ�ca) Licenciamento de conteúdos de terceiros: Thiago Fontana (coord.), Luciana Sposito (licenciamento de textos), Erika Ramires, Luciana Pedrosa Bierbauer, Luciana Cardoso Sousa e Claudia Rodrigues (analistas adm.) Tratamento de imagem: Cesar Wolf, Fernanda Crevin Ilustrações: Carlos Bourdiel e Michel Ramalho Cartografia: Eric Fuzii (coord.), Mouses Sagiorato Prado (edit. arte) e Ericson G. Luciano Design: Gláucia Correa Koller (ger.), Aurelio Camilo (proj. grá�co e capa), Tatiane Porusselli e Gustavo Vanini (assist. arte) Foto de capa: Alamy/Fotoarena Todos os direitos reservados por Saraiva Educação S.A. Avenida das Nações Unidas, 7221, 1o andar, Setor A – Espaço 2 – Pinheiros – SP – CEP 05425-902 SAC 0800 011 7875 www.editorasaraiva.com.br Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Julia do Nascimento - Bibliotecária - CRB-8/010142 2018 Código da obra CL 820651 CAE 631648 (AL) / 631740 (PR) 3a edição 1a impressão Impressão e acabamento 2 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 2 11/18/18 11:44 AM 3MANUAL DO PROFESSOR Esta coleção foi inteiramente reformulada de acordo com a BNCC – Base Nacional Comum Curricular. Desse modo, ao longo dos volumes, os estudantes irão desenvolver, em História, todas as competências e habilidades dos Anos Fi- nais do Ensino Fundamental. Os livros foram escritos de forma clara e concisa, tendo em vista um ensino crítico e dinâmico. Além dos conteúdos de história social, dedicamos atenção a temas ligados ao cotidiano, aos esportes, à alimentação, entre outros. Também destacamos o protagonismo das mulheres, dos afrodescendentes e dos indíge- nas. Sempre tivemos em mente aproximar os conteúdos estudados das vivências dos alunos. Nosso principal objetivo é promover uma atitude historiadora aliada ao exercício democrático da cidadania. Assim, as atividades estimulam o debate, a pesquisa, a criatividade e a reflexão. Houve uma renovação das imagens, o que inclui fotografias, reprodução de obras de arte, mapas e outros recursos visuais. Ao estudar História, desejamos que os alunos produzam conhecimentos, desenvolvam autonomia intelectual e participem ativamente da realidade social. Acreditamos que a reflexão histórica é um instrumento valioso para a cons- trução da cidadania. Por isso, estudar História não é decorar um catálogo frio de datas e nomes, fatos e feitos. Estudar História significa ampliar consciência sobre si e sobre os outros. Consciência do que fomos para transformar o que somos. Tenha um ótimo ano de estudo! Os autores Apresenta•‹o 3 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 3 11/18/18 11:44 AM MANUAL DO PROFESSOR4 Conheça este livro M er id ia n o d e G re en w ic h 50° N 0° SUÉCIA NORUEGA DINAMARCA FRANÇA IMPÉRIO RUSSO ALEMANHA Estocolmo Cristiânia São Petersburgo Copenhague Amsterdã Berlim Londres Bruxelas Paris Viena Berna Lisboa Madri Roma Centinje Durazzo Atenas Istambul Bucareste Belgrado Só�a Sicília Sardenha Córsega Creta Chipre (Brit.) SÉRVIA PAÍSES BAIXOS ROMÊNIA BULGÁRIA GRÉCIA ALBÂNIA REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA E IRLANDA ISLÂNDIA (Dinamarca) Reykjavik LUXEMBURGO BÉLGICA ITÁLIA MONTENEGRO IMPÉRIO TURCO OTOMANO (TURQUIA – 1918) ESPANHA PORTUGAL ÁFRICA SUÍÇA ÁUSTRIA-HUNGRIA BÓSNIA- -HERZEGOVINA OCEANO ATLÂNTICO Mar Negro M ar Cáspio M ar B ál ti co Mar do Norte Mar Mediterrâneo Tríplice Aliança (1882) e aliados Tríplice Entente (1907) e aliados Maio 1915 – Itália entra na guerra, mas do lado da Tríplice Entente Países neutros Países invadidos pelas forças da Alemanha e Áustria-Hungria N 0 575 km Política de alianças Os governos de alguns países europeus se aliaram para enfrentar seus rivais. Depois de muitas negociações, a partir de 1907 a Europa estava dividida em dois grandes blocos: • Tríplice Aliança – era inicialmente formada pelas forças da Alemanha, da Áustria e da Itália, apoiadas por turcos e búlgaros. A Tríplice Aliança era tam- bém conhecida como aliança das potências centrais. • Tríplice Entente – era formada pelas forças da França, da Inglaterra e da Rússia. A Tríplice Entente contou ainda com o apoio de sérvios, belgas, gre- gos e romenos. Ao longo da Primeira Guerra Mundial, essas alianças sofreram alterações e al- gumas forças mudaram de lado, a exemplo da Itália, que passou para o lado da Entente em 1915, depois de receber promessas de compensações territoriais. Explode o conflito armado O estopim da Primeira Guerra Mundial ocorreu em 28 de junho de 1914, quando o arquiduque Francisco Ferdinando (1863-1914), herdeiro do trono austríaco, foi assassinado em Sarajevo. Essa cidade era a capital da Bósnia- -Herzegovina, que estava sob domínio do Império Austro-Húngaro. O autor do crime foi o estudante Gavrilo Princip (1894-1918), membro de um movimento nacionalista da Sérvia. Após o assassinato de Francisco Ferdinando, a Áustria declarou guerra à Sér- via. Devido à política de alianças, as forças militares de muitas nações entraram no conflito. Entre julho e agosto de 1914, os governos que compunham a Trí- plice Entente e a Tríplice Aliança declararam guerra uns aos outros. Observe o mapa, que mostra a divisão política da Europa em 1914 e a orga- nização dos países no contexto da Primeira Guerra Mundial. Entente: acordo ou entendimento entre dois ou mais governos. Europa – Política de alianças (1914) Observando o mapa • Quais países faziam parte da Tríplice Entente e quais faziam parte da Tríplice Aliança? Fontes: elaborado com base em DUBY, Georges. Atlas historique: l’histoire du monde en 317 cartes. Paris: Larousse, 1987. p. 84; ATLAS da história do mundo. São Paulo: Folha de S.Paulo/Times Books, 1985. p. 249. E ri c s o n G L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra 74 Investigando Atividades que visam aproximar os assuntos estudados da vida cotidiana, levantar conhecimentos prévios e estabelecer relações passado-presente. Painel Seção que, por meio de imagens, apresenta temas novos ou aprofunda um assunto abordado no capítulo. Traz, por exemplo, mostras de arte, infográficos ou detalhamentos de construções arquitetônicas, pinturas e objetos. Observando o mapa Atividades de leitura e interpretação de mapas que têm o objetivo de facilitar a compreensão de processos históricos e desenvolver o raciocínio espaço-temporal. Painel Arte gráfica russa As artes gráficas tiveram um papel importante na divulgação das ideias revolucionárias na Rússia.A seguir, observe algumas obras criadas na época. Precursores No período entre o final do século XIX e o começo do XX, nota-se uma mescla de estilos, com elementos de Art Nouveau, gravura japonesa e arte popular russa, além de influências visuais de tradição bizantina, características da Igreja ortodoxa. Em geral, os temas presentes nas represen- tações gráficas desse período são as guerras que afligiam o país. 1 Construtivismo Na década de 1920 o construtivismo ganhou força nas artes plásticas, privilegiando o uso de for- mas geométricas e de fotomontagens. O construtivismo russo propôs uma arte nova e libertária, a serviço da revolução e das questões próximas da vida das pessoas. 3 Litografia feita por Dmitry Moor (1883-1946), chamada Você já se alistou como voluntário?. Coleção particular. Trabalhar e construir sem se lamentar, litografia produzida por A. Deineko em 1933. Museu Central Estatal de História Contemporânea da Rússia, Moscou. Revolução e guerra civil Durante a guerra civil russa, os artistas foram incentivados a produzir cartazes com estrutura gráfica simples e con- teúdo político. O cartaz ao lado, por exemplo, produzido em 1918, estimulava os russos a aderir ao recrutamento, para continuar a defender a Revolução dos ataques de seus inimigos internos e externos. Os cartazes, em geral impressos por meios rápidos e baratos, alcançavam gran- de popularidade. 2 Batalha naval, litografia criada por Dmitry Mitrokhin (1883-1973) em 1914. Nesse ano, começou a Primeira Guerra Mundial e a Alemanha declarou guerra à Rússia. Museu Central Estatal de História Contemporânea da Rússia, Moscou. Pôster criado por Alexander Rodchenko em 1924 para uma editora estatal de Leningrado. A obra retrata a escritora russa Lilya Brik gritando “Livros!”. Coleção particular. Realismo socialista Nos anos 1930, passou a vigorar uma estética oficial da União Soviética: o realismo socialista. Essa forma de arte fazia propaganda política do estado soviético e combatia os valores burgueses e capitalistas. As obras dessa corrente artística eram figurativas e descritivas, utilizavam recur- sos que deveriam ser considerados “acessíveis ao povo”. Suas personagens centrais eram os ope- rários, camponeses, soldados e heróis nacionais, em geral em situações de trabalho, demonstran- do vigor e felicidade na construção do Estado. Nesse período, a censura a outras manifesta- ções culturais foi muito forte e os construtivistas passaram a ser perseguidos na União Soviética. Em 1930, por exemplo, o poeta, escritor e ar- tista gráfico Vladimir Maiakovski cometeu sui- cídio, provavelmente desiludido com os rumos que tomavam a política e a arte soviéticas, com perseguições a artistas. 4 R e p ro d u ç ã o /M u s e u C e n tr a l E s ta ta l d e H is tó ri a C o n te m p o râ n e a d a R ú s s ia , M o s c o u , R ú s s ia . R e p ro d u ç ã o /C o le ç ã o p a rt ic u la r P ic to ri a l P re s s L td /A la m y /F o to a re n a /C o le ç ã o p a rt ic u la r R e p ro d u ç ã o /M u s e u C e n tr a l E s ta ta l d a H is tó ri a C o n te m p o râ n e a d a R ú s s ia . 1 2 3 4 92 93 U n id a d e 2 R e v o lu •‹ o R u ss a C a p ’t u lo 6 92 Anita Malfatti Leia a seguir uma análise sobre a obra A Boba, de Anita Malfatti (1889-1964), que foi uma importante pintora modernista brasileira. Outras HISTÓRIAS Faça no cadernoAtividade • Observe a obra A Boba e responda às questões. a) Existe uma cor predominante na pintura? Qual? b) Qual é a expressão do rosto da mulher? Como ela está vestida e penteada? c) Que outro título você daria a essa pintura? Anita Malfatti foi considerada revolucionária ao fazer sua primeira exposição individual em São Paulo, em 1917, após seus estudos na Europa e nos Estados Unidos. Lá ela havia estudado com pintores expressionistas, que ensinaram a artista brasileira a liberar-se da representação realista, substituindo-a pela representação que captasse emoções e estados de espírito. Em A Boba, as cores do rosto, da roupa e do móvel que compõem a imagem se misturam. Os traços são fortes e soltos, transmitindo uma grande força no ato de pintar. [...] Essa mulher [representada na pintura] transmite fragilidade e mesmo um aspecto acabrunhado, por conta de detalhes como o cabelo repartido ao meio, o olhar doce mas perdido, a boca sem expressão, o conjunto um pouco reprimido. O efeito que o título dá à obra pode ter algo de autobiográfico, pois Anita Malfatti se considerava feia, desajeitada, por causa da atrofia que tinha na mão direita, que vivia escondendo. Era tímida. Esse acanhamento ou fragilidade, no entanto, se confrontam com a enorme força que a cor amarela emana. É como se o Sol estivesse sendo projetado de dentro da mulher, refletindo em toda a tela. [...] CANTON, Katia. Retrato da arte moderna: uma história no Brasil e no mundo ocidental. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 66. Acabrunhado: abatido, entristecido. A Boba, de Anita Malfatti, 1915-1916. Óleo sobre tela, 61 cm 3 50,6 cm. Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d e A rt e C o n te m p o râ n e a d a U S P, S ã o P a u lo , S P. 37 U n id a d e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C a p ’t u lo 2 Governo Médici (1969-1974) O governo Médici é considerado os “anos de chumbo” do período militar. Nas escolas, nas fábricas, nos teatros, na imprensa, enfim, em vários espaços sociais sentia-se o peso do autoritarismo. Para disfarçar a situação, a propaganda oficial buscava criar uma imagem de paz e prosperidade. Um dos lemas do governo era a seguinte frase: “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Grande parte da propaganda do governo foi veiculada pela televisão, que ampliava sua presença como meio de comunicação. Foi nessa época que a TV Globo se expandiu, tornando-se uma rede em cadeia nacional. • Em sua opinião, a censura à liberdade de expressão prejudica a vida artística e cultural de um país? Em grupo, debatam o tema. Investigando Confrontos violentos Diante do autoritarismo, alguns grupos de esquerda iniciaram a luta ar- mada contra o governo. Houve grupos guerrilheiros que assaltaram ban- cos para financiar sua luta política e sequestraram diplomatas estrangeiros para trocá-los por companheiros que estavam presos. Nessa luta morreram pessoas de ambos os lados (pró e contra o governo). Morreram, inclusive, algumas pessoas sem qualquer vinculação política. O governo reagiu duramente contra seus opositores, que foram cha- mados de “terroristas”. Entre os órgãos oficiais de repressão estavam o Serviço Nacional de Informações (SNI) e o Departamento de Ordem Política e Social (Dops). O SNI (1964-1990) vigiava as pessoas conside- radas subversivas usando métodos como escutas telefônicas e violação de correspondência. Nesse período, o governo recebeu o apoio de setores conservado- res da sociedade, como o chamado Comando de Caça aos Comunis- tas (CCC), que atuava nas universidades coletando informações sobre os “subversivos”. Charge do cartunista, pintor, dramaturgo e jornalista Ziraldo, sobre o lema do governo MŽdici. © Z ir a ld o A lv e s P in to /A c e rv o d o c a rt u n is ta 155 U n id a d e 3 D it a d u r a c iv il -m il it a r C a p ít u lo 1 0 Texto-base Escrito em linguagem clara e concisa, busca despertar seu gosto pela leitura historiográfica. Desenvolve as competências e as habilidades da BNCC, em História, voltadas para os Anos Finais do Ensino Fundamental. Outras histórias Boxe com textos e atividades que complementam e aprofundam assuntos abordados no capítulo. Glossário Pequeno texto que apresenta o significado de algumas palavras, com o objetivo de ampliar seu vocabulário. UNIDADE 3 10 Brasilcontemporâneo CAPÍTULO • Você já ouviu ou utilizou as palavras ditadura e democracia em seu dia a dia? Em que situações? Qual era o sentido dessas expressões? Investigando O Memorial da Resistência ocupa parte do prédio que abrigou, entre 1940 e 1983, o Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops), uma das polícias políticas mais violentas do país. Na fotografia, o interior de uma cela, parte da exposição permanente do Memorial. Fotografia de 2015. Memorial da Resistência em São Paulo, instituição dedicada à preservação das memórias da resistência à repressão política. Fotografia de 2015. Detalhe de exposição permanente no Memorial da Resistência, em São Paulo. Nesta fotografia de 2015, pode-se observar o corredor atrás das celas do edifício. Em 1964, a cúpula das Forças Armadas, apoiada por alguns setores civis, assumiu o governo do país. Esse período (1964- -1985) recebeu denominações diversas. Alguns historiadores designam o período com a expressão regime militar. Outros utilizam a expressão ditadura civil-militar. Nessa época, a democracia do período anterior foi interrompida. O poder � cou concentrado, sobretudo no alto coman- do militar e também na burocracia de Es- tado, que era composta majoritariamen- te de civis. J u c a M a rt in s /O lh a r Im a g e m In á c io T e ix e ir a /P u ls a r Im a g e n s J u c a M a rt in s /O lh a r Im a g e m Ditadura civil-militar 151150 Abertura de capítulo Nesta seção, um breve texto apresenta alguns dos temas que serão trabalhados ao longo do capítulo. Belas imagens e atividades visam promover debates, levantar questões e instigar sua curiosidade. 4 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 4 11/18/18 11:44 AM 5MANUAL DO PROFESSOR Artes plásticas e literatura O Modernismo foi um importante movimento de renovação das artes plás- ticas e da literatura, que se desenvolveu no Brasil a partir dos anos 1920. Esse movimento cultural teve como marco a Semana de Arte Moderna, realizada em 1922 na cidade de São Paulo. No evento, destacaram-se artistas como os escritores Mário de Andrade (1893-1945), Menotti del Picchia (1892-1988) e Oswald de Andrade (1890- -1954), o músico Heitor Villa-Lobos (1887-1959) e os artistas plásticos Di Caval- canti (1897-1976), Anita Malfatti (1889-1964), Tarsila do Amaral (1886-1973) e Victor Brecheret (1894-1955). Os modernistas criticavam os valores estrangeiros adotados na arte brasileira. Para Mário de Andrade e Oswald de Andrade, por exemplo, essa crítica não significava isolamento. Pretendiam dialogar com o mundo a partir das caracte- rísticas culturais do país. O Modernismo não reuniu apenas artistas que pensavam da mesma forma. Ao contrário, abrigou grupos de tendências diferentes. O grupo Verde-Amare- lo, por exemplo, pregava um nacionalismo de tipo autoritário e a ele estavam ligados escritores como Cassiano Ricardo (1895-1974), Menotti del Picchia e Plínio Salgado (1895-1975). R e p ro d u • ‹ o /C o le • ‹ o p a rt ic u la r Retrato de Mário de Andrade, carvão e pastel sobre papel, 51 cm 3 41 cm, feito por Anita Malfatti em 1922. Coleção particular. 35 U n id a d e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C a p ít u lo 2 50º N 16º L Mar do Norte Mar Báltico ALEMANHA POLÔNIA URSS ROMÊNIA MOLDÁVIA LITUÂNIA DINAMARCA SUÉCIA ESTÔNIA LETÔNIA FRANÇA SUÍÇA ITÁLIA ÁUSTRIA HUNGRIA Eslováquia Berlim Danzig (1939) Praga Bratislava Teschen (1939) Varsóvia Cracóvia Viena Munique Nuremberg NORUEGA Renânia Sudetos Anschluss Sarre Alemanha em 1935 Zona da Renânia militarizada Anexações alemãs Anexações da Hungria Limites da Alemanha em 1939 N 0 165 km Expansão alemã Inspirado na doutrina do espaço vital, o governo de Hitler planejou a ex- pansão da Alemanha. Em março de 1936, os alemães ordenaram que seus exércitos ocupassem a Renânia, região localizada na fronteira entre a França e a Alemanha. Embora o Tratado de Versalhes determinasse que a Renânia deveria ser desmilitarizada, Hitler a ocupou. Em março de 1938, o governo nazista anexou a Áustria, praticamente sem esforço militar, porque os membros do Partido Nazista austríaco haviam prepa- rado o caminho político para essa anexação, também chamada de Anschluss (união). Os nazistas da Áustria fizeram uma campanha alegando que alemães e austríacos faziam parte do mesmo povo germânico. O próprio Hitler era aus- tríaco. O Anschluss foi confirmado por um plebiscito realizado na Áustria em abril de 1938. Depois da Áustria, o governo de Hitler buscou dominar os Sudetos, região pertencente à Tchecoslováquia. Nessa região vivia uma minoria de origem ale- mã, composta de aproximadamente 3 milhões de pessoas. Em setembro de 1938, líderes europeus reuniram-se na Conferência de Mu- nique para resolver a questão dos Sudetos. As autoridades francesas e inglesas concordaram com a anexação dessa região ao território da Alemanha. Nesse período, os governos da França e da Inglaterra insistiram em manter uma política de apaziguamento, imaginando que seria a última reivindicação territorial de Hitler. Em outubro de 1938, seguindo as ordens de Hitler, o exército alemão ocu- pou os Sudetos. Posteriormente, ocupou toda a Tchecoslováquia, desrespeitan- do o que havia sido combinado na Conferência de Munique. U.S. Office of War Information/AP Photo/Glow Images Fonte: elaborado com base em DUBY, Georges. Atlas hist—rico mundial. Madri: Editorial Debate, 1992. p. 93. Expansão nazista (1935-1938) Mulher chorando faz a saudação nazista durante a entrada das tropas alemãs em Eger, que pertencia, então, à Tchecoslováquia. Fotografia de 1938. E ri c s o n G L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra 117 U n id a d e 2 S e g u n d a G u e rr a M u n d ia l C a p ’t u lo 8 Balanço social e econômico Um rápido balanço dos governos militares (1964- -1985) revela as distorções do modelo de desenvol- vimento adotado. A economia foi modernizada e houve crescimento em certo período. Entretanto, a renda ficou concentrada nas classes alta e média. A maioria dos pobres permaneceu excluída da distribuição de riquezas. As principais obras realizadas nos anos do regi- me militar ocorreram principalmente nos setores de infraestrutura: comunicações, transportes e energia. Apesar dessas obras, em várias regiões do país persistiam problemas sociais em áreas como educação, saúde e alimentação. Em certo momento, o próprio presidente Médici chegou a declarar que “a economia vai bem, mas o povo vai mal”. Quanto à distribuição de renda, o ministro Delfim Netto dizia na época que era preciso “fazer o bolo crescer para depois dividi-lo”. No entanto, o cresci- mento da economia não melhorou a renda da maioria dos brasileiros. Ou seja, o bolo cresceu, mas suas maiores fatias ficaram nas mãos de poucos. Nesse período, o setor educacional não recebeu os investimentos necessá- rios, principalmente a educação básica. A qualidade do ensino caiu juntamente com a queda na remuneração dos professores. Grande parte desses problemas persiste até os dias atuais. • Quais são os benefícios da vida democrática? Em grupo, reflita e comente sobre esse tema. Investigando C h ic o C a ru s o /A c e rv o d o c a rt u n is ta Charge de Chico Caruso publicada no Jornal do Brasil em 1979, fazendo alusão à famosa frase de Delfim Netto: “Primeiro é preciso fazer o bolo crescer para depois dividi-lo”. A rq u iv o /F o lh a p re s s Protesto do Movimento Contra a Carestia, ou seja, contra o aumento do preço dos alimentos e do custo de vida, na Praça da Sé, São Paulo. Fotografia de 1978. 161 U n id a d e 3 D it a d u r a c iv il -m il it a r C a p ít u lo 1 0 Oficina de História Apresenta três tipos de atividades: as que promovem a reflexão e a ampliação dos conteúdos estudados (Refletire ampliar); as que estimulam a interpretação de documentos variados (Fontes históricas); e as que trabalham a interdisciplinaridade com outros campos do saber, como Arte, Geografia, Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, etc. (Integrar com). O�cina de HISTÓRIAO�cina de HISTÓRIA Faça no caderno Refletir e ampliar 1. Sob a orientação do professor, organizem-se em grupos. Façam uma pesquisa sobre a bomba atômica utilizando jornais, revistas e internet. Em seguida, respondam às questões: a) Quais países têm produzido bombas nucleares na atualidade? b) Criem uma ilustração, um cartaz ou um texto expressando o que vocês pensam sobre esse tipo de armamento. 2. Observe a imagem a seguir e leia trechos de um texto escrito por Takashi Nagai (1908-1951). Ele era médico e estava em Nagasáqui no dia em que a bomba atômica foi lançada de um avião esta- dunidense. Mesmo ferido, Takashi participou do atendimento aos sobreviventes da explosão. A pressão imediata foi tamanha que, no raio de um quilômetro, todo ser humano que se encontrava do lado de fora, ou num local aberto, morreu instantaneamente ou dentro de poucos minutos. [...] O calor chegou a tal violência que, a qui- nhentos metros, os rostos foram atingidos a ponto de ficarem irreconhecíveis. A um quilômetro, as queimaduras atômicas ti- nham dilacerado a pele, [...] deixando à vista a carne sangrenta. A primeira impres- são não foi, segundo parece, a de calor, mas a) Observe a imagem e responda: por quem foi produzida? Que cidade japonesa está sendo retratada? b) Quem é o autor do relato? De que maneira esse relato foi feito? c) Descreva sua sensação ao observar os dois do- cumentos apresentados nessa atividade. Escreva um pequeno texto sobre o assunto e troque-o com os colegas. 3. Depois de estudar e refletir sobre a Primeira Guerra e a Segunda Guerra Mundiais, formem grupos e debatam os temas a seguir. a) Para vencer uma guerra, é válido utilizar qual- quer estratégia ou meio disponível? b) É possível julgar as ações dos dois lados envol- vidos no conflito? 4. Observe a imagem a seguir. O edifício retratado, na cidade de Hiroxima, no Japão, foi construído em 1915 e teve seu entorno destruído pelo bombardeio atômico de 1945. Essa foi a única edificação a per- manecer em pé após o bombardeio. Hoje, o local é considerado patrimônio mundial pela Unesco. De- pois da reconstrução da cidade, ele foi mantido como um símbolo das reivindi- cações pela paz e pelo fim das armas nucleares. • Na cidade em que você vive também existem memoriais? Por que é importan- te criá-los e preser- vá-los? Cena do filme A menina que roubava livros, de 2013, em que a protagonista Liesel recolhe um livro de uma fogueira. D iv u lg a ç ã o /A rq u iv o d a e d it o ra 5. Assista ao filme A menina que roubava livros (Estados Unidos/Alemanha, 2013), dirigido por Brian Percival. O filme conta a história de uma jovem alemã chama- da Liesel que perde sua mãe e é adotada por um ca- sal pobre no contexto da Segunda Guerra Mundial. Diante da censura nazista, a jovem se arrisca para aprender a ler e descobrir o mundo dos livros. Em seguida, reúna-se com os colegas e faça as atividades. a) Como a protagonista Liesel aprendeu a ler e a escrever? Quem a ajudou? b) Rudy é apaixonado por atletismo. Quem é seu ídolo? Por que ele é advertido de que não po- deria ser fã desse atleta? c) Leia um trecho do discurso do prefeito da ci- dade durante as celebrações do aniversário de Hitler. Nesse discurso, o prefeito expõe a po- sição do Estado nazista em relação às produções culturais da época: “Educação, teatro, cinema, literatura, imprensa: esses são os pilares que formam o caráter único da nossa nação”. • Como o aniversário de Hitler é comemorado na cidade em que vive Liesel? • Por que a população é forçada a queimar livros? • Relacione a frase do prefeito com as carac- terísticas da ideologia nazista abordada no capítulo 7. d) O que a esposa do prefeito mostra para Liesel? Como a menina reage a essa descoberta? Por que você acha que isso acontece? e) Com base no filme, debata a seguinte afirmação: “Entre as principais vítimas do nazismo esta- vam os próprios alemães”. Integrar com ARTE 2 0 th C e n tF o x /C o u rt e s y E v e re tt C o lle c ti o n /F o to a re n a a de dor intensa, seguida de frio excessivo. A pele levantada era frágil e saía facilmente. A maioria das vítimas morria com rapidez. Depoimento de Takashi (Paulo) Nagai (1910-1951). Os sinos de Nagasaki. In: DIAS JR., José Augusto; ROUYBICEK, Rafael. O brilho de mil s—is: história da bomba atômica. São Paulo: Ática, 1994. p. 48-49. Na imagem, capa da animação intitulada Gen – Pés descalços, baseada no mangá escrito e ilustrado por Keiji Nakazawa na década de 1970. Keiji morava em Hiroxima e sobreviveu ao bombardeio atômico de 1945. Como desenhista, decidiu fazer seu relato na forma de história em quadrinhos. Vista do Memorial da Paz de Hiroxima, também chamado Cúpula da Bomba Atômica, localizado na cidade de Hiroxima, no Japão. J iji P re s s /A g ê n c ia F ra n c e -P re s s e Para saber mais Nos livros • CLARK, Philip. A Revolução Russa. São Paulo: Ática, 1999. Apresenta a sociedade e a economia russas antes da Revolução, analisando o movimento que levou à queda do czarismo e à ascensão do governo social-democrata. • HOWARD, Michael. Primeira Guerra Mundial. Porto Alegre: L&PM Editores, 2010. Apresenta o contexto europeu em 1914, o início da guerra, suas principais batalhas e seus impactos ao longo do século XX. • ORWELL, George. A revolução dos bichos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. Romance em que as personagens, animais de uma fazenda, se revoltam contra a dominação a que são submetidos, remetendo a personagens da Revolução Russa. Nos filmes • O grande ditador (Estados Unidos). Direção de Charles Chaplin. Continental, 1940. 128 min. O diretor do filme é também seu protagonista, que vive dois papéis: um ditador claramente inspirado em Hitler e um barbeiro judeu que é confundido com o ditador. • O médico alemão (Argentina). Direção de Lucía Puenzo. Imovision, 2013. 93 min. Filme baseado em fatos reais. Depois da Segunda Guerra Mundial, o médico nazista Josef Mengele foge para a Argentina. Sem revelar sua verdadeira identidade, Mengele convive com uma das famílias locais e continua realizando seus experimentos com seres humanos. • O menino do pijama listrado (Estados Unidos/ Inglaterra). Direção de Mark Herman. Miramax, 2008. 94 min. Um oficial nazista trabalha em um campo de concentração nas proximidades de Berlim, na Alemanha. Seu filho, um menino de oito anos, faz amizade com um garoto singular: ele vive do outro lado de uma cerca eletrificada e sempre usa um pijama listrado. 130 131 U n id a d e 2 S e g u n d a G u e rr a M u n d ia l C a p ’t u lo 8 Projeto temático Internet e cidadania Neste livro, você estudou aspectos do pro- cesso de globalização no mundo contempo- râneo. Entre as características desse processo está a crescente velocidade nos meios de co- municação, proporcionada, em grande me- dida, pelo surgimento e popularização da internet. Agora, é hora de investigar os impactos da internet no cotidiano e entender como ela pode promover, ao mesmo tempo, a conexão e o isolamento, a exposição e a privacidade e a informação e a confusão. A internet é um importante meio de co- municação que permite a você exercer a cida- dania, sendo ator e autor de sua vida pessoal e coletiva. Por meio dela, você pode produzir conhecimentos e divulgar informações para sua comunidade, ajudando na construção de uma sociedade mais justa, livre e solidária. Mãos à obra! Bom projeto! Michel Ramalho/Arquivo da editora 242 243 Cartografia e Iconografia Variada seleção de representações, que vão desde mapas até cenas do cotidiano, obras arquitetônicas, pinturase esculturas famosas, entre outras, complementa aspectos dos textos. Além disso, muitas dessas imagens são fontes históricas importantes e, por isso, devem ser analisadas e interpretadas. Projeto temático Ao final de cada volume, é apresentado um projeto temático: 6o ano – Universo escolar; 7o ano – Meio ambiente; 8o ano – Saúde e educação; 9o ano – Internet e cidadania. Audiovisual Indica que há material audiovisual relacionado ao tema. Faça todas as atividades em seu caderno. Faça no caderno Para saber mais Seção que apresenta sugestões de filmes, livros e sites para ampliar seus conhecimentos e enriquecer seu repertório. 5 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 5 11/18/18 11:44 AM MANUAL DO PROFESSOR6 Sum‡rio J o ã o P ru d e n te /P u ls a r Im a g e n s Unidade 1 Brasil República . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 Capítulo 1 Nasce a República . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .10 Governo provisório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 Movimentos negros no início da República . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Constituição da República . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17 Primeiros presidentes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .20 Capítulo 2 República Oligárquica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .22 Primeira República . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24 Terra, produção e poder . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Urbanização e industrialização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32 Artes plásticas e literatura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 Painel: Abaporu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .36 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .38 Capítulo 3 Revoltas na Primeira República . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .40 Religiosidade e revoltas populares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Movimentos sociais urbanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .50 Capítulo 4 Era Vargas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .52 As crises da Primeira República . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 Governo provisório . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56 Governo constitucional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 Governo ditatorial, o Estado Novo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Brasil na Segunda Guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 Fim do Estado Novo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .68 6 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 6 11/18/18 11:44 AM 7MANUAL DO PROFESSOR R e p ro d u ç ã o /A g ê n c ia F ra n c e -P re s s e Unidade 2 Guerras e revoluções . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70 Capítulo 5 Primeira Guerra Mundial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .70 Tensões europeias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Explode o conflito armado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 Painel: A arte denuncia a guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .78 Pós-guerra e paz dos vencedores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .82 Capítulo 6 Revolução Russa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .84 Império Russo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 Rússia na Primeira Guerra Mundial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 Revolução de 1917 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Painel: Arte gráfica russa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .92 Construção da União Soviética . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .96 Capítulo 7 Crise capitalista e totalitarismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .98 Estados Unidos e os “anos felizes” . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .100 Crise econômica de 1929 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .102 Os regimes totalitários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .104 Fascismo na Itália . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .104 Nazismo na Alemanha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .106 Espanha: a ditadura de Franco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .109 Portugal: a ditadura de Salazar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .110 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 Capítulo 8 Segunda Guerra Mundial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 Totalitarismo e expansão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .116 Estopim da guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .118 Ofensiva dos aliados (1942-1945) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .121 Painel: Força Expedicionária Brasileira . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 Judeus e outras vítimas do Holocausto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .124 Fim da guerra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .126 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 130 7 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 7 11/18/18 11:44 AM MANUAL DO PROFESSOR8 Unidade 3 Brasil contemporâneo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Capítulo 9 Democracia e populismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132 Governo Dutra (1946-1950) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .134 Painel: Cultura: arte popular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 136 Governo Vargas (1951-1954) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .138 Governo Juscelino (1956-1961) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .140 Governo Jânio Quadros (1961) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .144 Governo Goulart (1961-1964) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .146 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 148 Capítulo 10 Ditadura civil-militar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 150 Militares no poder . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .152 Governo Castelo Branco (1964-1967) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .153 Governo Costa e Silva (1967-1969) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .154 Governo Médici (1969-1974) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .155 Painel: O Pasquim . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157 Governo Geisel (1974-1979) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .158 Governo Figueiredo (1979-1985) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .160 Balanço social e econômico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .161 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 162 Capítulo 11 Construção da cidadania . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 A luta por democracia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .166 Governo Sarney (1985-1990) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .166 Governo Collor (1990-1992) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .169 Governo Itamar Franco (1992-1994) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .170 Governo Fernando Henrique (1995-2002) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .170 Governo Lula (2003-2010) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .171 Governo Dilma Rousseff (2011-2016) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .173 Constituição e povos indígenas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .174 O Brasil no cenário internacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .174 Violência social e luta por direitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .175 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 176 8 © Ziraldo Alves Pinto/Acervo do cartunista 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 8 11/18/18 11:44 AM 9MANUAL DO PROFESSOR M & N /A la m y /F o to a re n a Unidade 4 Pós-guerra e globalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 Capítulo 12 Guerra Fria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 Início da Guerra Fria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . .180 Revolução Cubana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .186 Ditaduras na América Latina . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .188 Fim das ditaduras e neoliberalismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .191 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192 Capítulo 13 África, Ásia e Oriente Médio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 194 Fim dos impérios coloniais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .196 Ex-colônias inglesas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .198 Ex-colônias francesas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .201 Ex-colônias portuguesas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .202 Estados asiáticos e seus conflitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .204 Oriente Médio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .207 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 210 Capítulo 14 Crise do socialismo autoritário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 212 União Soviética: da reconstrução ao fim do socialismo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .214 Mudanças na Europa oriental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .218 China comunista . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .221 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 224 Capítulo 15 As faces da globalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 226 Mundo interligado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .228 Painel: Internet . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 230 Impactos da globalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .232 Estados Unidos na globalização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .235 Europa ocidental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .236 Japão: da derrota à recuperação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .238 África e Oriente Médio: a Primavera Árabe . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .239 Povos indígenas no século XXI . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .239 Oficina de História . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 240 Projeto temático: Internet e cidadania . . . . . . . . . 242 Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .246 Planisfério . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248 9 9HISTORIARg20Sa_MP_PE_INICIAIS_001a009.indd 9 11/18/18 11:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR10 UNIDADE 1 1 Brasil República CAPÍTULO Nas últimas décadas do século XIX, vários setores da sociedade estavam in- satisfeitos com a Monarquia. Surgiam no- vos grupos republicanos difundindo suas ideias políticas. Sem o apoio necessário para se manter no poder, a Monarquia fi cou enfraqueci- da e abriu-se o caminho para a proclama- ção da República. 1. De que maneira o pintor procurou representar o “nascimento da pátria”? 2. Como você representaria o “nascimento da pátria”? Que elementos você destacaria? Investigando A p‡tria, realizado em 1919 por Pedro Bruno, óleo sobre tela, 190 cm 3 278 cm, (1888-1949). Museu da República, Rio de Janeiro. A obra, em homenagem à proclamação da República no Brasil, representaria a “construção” ou o “nascimento” da “nova pátria”. Nasce a República 10 Objetivos do capítulo • Compreender o processo de instituição da República no Brasil. • Conhecer alguns aspectos dos primeiros governos re- publicanos. • Identificar e valorizar a atua- ção dos movimentos sociais e da imprensa negra na construção da sociedade brasileira e no combate às discriminações. A seção Investigando desen- volve as competências gerais e específicas CG3 e CEH3. Correspondência dos conteúdos com a BNCC Na abertura e ao longo do corpo dos capítulos você encontrará indicações dos momentos em que Habilidades preconizadas pela BNCC para a disciplina são trabalhadas. Objetos de conhecimento Habilidades Experiências republicanas e práticas autoritárias: as tensões e dispu- tas do mundo contemporâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI01 – Descrever e contextualizar os principais aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil. EF09HI02 – Caracterizar e compreender os ciclos da história republicana até 1954. Investigando 1. A atividade visa estimular a leitura e a interpretação de imagens. Observe que as pessoas representadas jun- to à bandeira republicana são mulheres e crianças. As mu- lheres costuram e bordam pedaços da bandeira. Além disso, cada criança foi retra- tada de uma maneira. Uma está segurando a bandeira, a outra está repousando sob seu tecido e uma terceira criança está sendo amamen- tada. Tudo isso representaria a “construção” ou o “nasci- mento” da “nova pátria”. 2. Resposta pessoal. O objetivo dessa atividade é estimular a criatividade dos estudan- tes. Para isso, eles podem, por exemplo, destacar carac- terísticas da população, ele- mentos da fauna e da flora, os limites territoriais, expres- sões culturais do Brasil. Soli- cite aos alunos que criem uma representação artística, como um desenho, uma co- lagem, etc. Para auxiliar em seu planeja- mento escolar e na organiza- ção de suas aulas, verifique o Plano de Desenvolvimento para o 1o bimestre, localizado no material digital do Manual do Professor. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 10 11/18/18 11:44 AM 11UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR R e p ro d u ç ã o /M u s e u d a R e p ú b lic a, P a lá c io d o C a te te , R io d e J a n e ir o , R J 11 Competências da BNCC Competência Geral • CG1; CG2; CG3; CG9; CG10 Competência Específica de Ciências Humanas • CCH1; CCH2; CCH4; CCH6 Competência Específica de História • CEH1; CEH3; CEH4 Orientações didáticas Neste capítulo, mencionare- mos alguns grupos que atua- ram entre o fim da Monarquia e a instauração da República, bem como as principais carac- terísticas da primeira Consti- tuição republicana. Na abertura e ao longo do corpo dos capítulos você en- contrará indicações dos mo- mentos em que são trabalha- das competências gerais e específicas, preconizadas pela BNCC. Quadros com a descrição das competências gerais (CG), competências es- pecíficas de Ciências Huma- nas (CCH) e competências es- pecíficas de História (CEH) podem ser encontrados a par- tir da página XII do Manual Pro- fessor. Objetos de conhecimento Habilidades A questão da inserção dos negros no período republicano do pós-abolição Os movimentos sociais e a imprensa negra; a cultura afro-brasileira como elemento de resistência e superação das discriminações EF09HI03 – Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasilei- ra pós-abolição e avaliar os seus resultados. EF09HI04 – Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil. Primeira República e suas características Contestações e dinâmicas da vida cultural no Brasil entre 1900 e 1930 EF09HI05 – Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 11 11/18/18 11:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR12 Governo provisório Em 15 de novembro de 1889, a monarquia foi extinta no Brasil e formou-se um governo provisório republicano (1889-1891). Esse governo era chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892). O novo governo, organizado por militares, cafeicultores e profissionais libe- rais, elaborou um Manifesto anunciando seus principais objetivos para o país. Entre eles destacavam-se: a defesa da ordem pública, a garantia da segurança e o direito dos proprietários, além do pagamento das dívidas externas contraídas pelo governo anterior. Nesse momento, o principal interesse era mudar a forma de governo sem promover mudanças profundas na sociedade. A maioria dos negros, pobres, mulheres e indígenas permaneceu excluída do poder político. Projetos políticos em disputa A instauração do governo republicano envolveu disputas entre alguns seg- mentos sociais. Na época, não havia um consenso, mesmo entre as elites, sobre qual modelo de República seria adotado no Brasil. Além disso, existiam grupos favoráveis, inclusive, à continuação da monarquia. A seguir, conheça alguns dos modelos republicanos em debate à época: • liberal – para muitos políticos de províncias como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a República deveria ser liberal e federativa, descentralizan- do o poder político-administrativo no Brasil. Esses políticos esperavam chegar ao poder garantindo a autonomia dos estados (novo nome dado às províncias do tempo do Império). Tal autonomia possibilitaria aos governos estaduais de- cidir que atividades econômicas seriam incentivadas, fazer empréstimos dire- tamente no exterior e administrar os impostos arrecadados no próprio estado; • positivista – um grupo numeroso de militares temia que a autonomia dos estados levasse à fragmentação do território brasileiro. Por isso, defendiam a implantação de um poder federal forte e centralizado. Influenciados por uma corrente filosófica chamada positivismo, esses militares consideravam-se o grupo mais preparado para assumir o poder. Consideravam, também, que eram capazes de representar os interesses públicos e impedir que os grandes fazendeiros usassem o Estado em defesa de interesses particulares; Positivismo: doutrina filosófica criada por Auguste Comte (1798- -1857). Fundada na valorização do método científico (baseado nos fatos e na experiência), essa doutrina caracterizou-se por um tom geral de confiança nos benefícios da industrialização, bem como por um otimismo em relação ao progresso capitalista, guiado pela técnica e pela ciência. W ik ip e d ia /W ik im e d ia C o m m o n s Capa do jornal O Jacobino, Rio de Janeiro. Em charge publicada nesse jornal carioca no dia 13 de outubro de 1894, o imigrante português foi retratado como um privilegiado. Diferentemente de outros grupos imigrantes e mesmo em comparação com os brasileiros, o português era popularmente associado à figura do colonizador. • jacobino – para alguns militares de baixa patente, funcioná- rios públicos de médio escalão, pequenos comerciantes e pro- fissionais liberais, a República deveria garantir a liberdade de expressão e de associação. Também deveria ampliar a participa- ção popular nas decisões políticas. As pessoas que faziam parte dessa corrente foram chamadas, pelos adversários, de jacobinos, numa referência à vertente radical popular da Revolução France- sa. Os jacobinos brasileiros pregavam o fim do voto censitário e da influência dos estrangeiros, em especial dos portugueses, que dominavam boa parte do comércio no Brasil. 12 Leitura complementar Nos primeiros anos da República, houve quem de- fendesse a monarquia e acreditasse que a família imperial deveria voltar a go- vernar o país. Afinal, a po- pularidade da princesa Isabel (herdeira do trono) era muito grande, principal- mente entre os brasileiros negros e mestiços. Grupos monarquistas con- tinuavam ativos, revelando a agitação política da época. A ação dos monarquistas in- comodava os republicanos, que acabaram mandando muitos de seus opositores para o exílio, a prisão e o con- finamento. Alguns ainda per- deram empregos públicos e direitos políticos. Casas e jor- nais favoráveis à família im- perial foram invadidos, para intimidar os simpatizantes da restauração monárquica. Ao estudar os grupos mo- narquistas, a historiadora Maria de Lourdes M. Janotti contraria a maioria dos estu- diosos do início da República, para os quais o movimento monarquista não teve gran- de importância. Leia, a seguir, um trecho escrito por essa historiadora. Após a proclamação da República consagraram-se dois mitos sobre o aconte- cimento: o do consenso nacional e o da indiferen- ça da população. [...] Ge- neralizou-se [...], a partir de então, a versão [...] de que não houve oposição ao novo regime nem houve discordâncias entre os re- publicanos sobre o modelo de República adotado. [...] dois grupos de opi- nião delinearam-se entre os políticos da Monarquia frente ao novo regime: o dos que achavam que a si- tuação era reversível e o daqueles que aderiram à si- tuação; restauradores de um lado e neorrepublica- nos de outro [...]. Em todas as antigas pro- víncias subsistiram peque- nos grupos de políticos que não aceitaram o novo regi- me. Os mais atuantes fo- ram os do Pará, [do] Ceará, [do] Rio Grande do Sul e, notadamente, os do Rio de Janeiro e de São Paulo. JANOTTI, Maria de Lourdes M. Os subversivos da República. São Paulo: Brasiliense, 1986. p. 7-9. O texto “Governo provisório” desenvolve a habilidade EF09HI01, pois descreve e contextualiza os principais aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil. Como sugestão para traba- lhar esses temas, acompa- nhe a Sequência Didática “Limites da Primeira Repú- blica brasileira”, localizada no material digital do Manual do Professor. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 12 11/18/18 11:44 AM 13UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Tanto liberais quanto positivistas não estavam muito interessados em que o governo republicano estimulasse a participação popular. Na visão deles, os brasileiroscomuns não estavam preparados para exercer a cidadania. En- tre esses “despreparados” eles incluíam os ex-escravos, os indígenas e as mulheres. Primeiras providências Durante o governo provisório, várias providências foram tomadas no Brasil. Entre elas, destacaram-se: • instituição do federalismo – as antigas províncias foram transformadas em estados da Federação. Isso dava aos estados maior autonomia em re- lação ao governo central. A cidade do Rio de Janeiro tornou-se sede do governo federal, ou seja, a capital da República; • separação entre a Igreja e o Estado – foi extinto o regime do padroado, por meio do qual o Estado controlava e sustentava a Igreja católica. O cato- licismo deixou de ser a religião oficial do Brasil. Como consequência, foram criados os registros civis de nascimento, casamento e óbito. Até então só havia a certidão de batismo, e a maioria das pessoas se casava na Igreja católica; • criação de novos símbolos nacionais – foram elaborados, por exemplo, uma nova bandeira e um novo hino nacional para substituir os símbolos da monarquia; • promulgação da lei da naturalização – o decreto da grande naturali- zação, de 1890, estabeleceu que os estrangeiros residentes no Brasil se tornariam cidadãos brasileiros. Quem quisesse manter a antiga cidadania deveria comunicar sua vontade ao governo. Um dos objetivos da gran- de naturalização foi amenizar o sentimento contrário aos portugueses (lusofobia); • convocação de uma Assembleia Constituinte – essa assembleia seria en- carregada de elaborar a primeira Constituição da República. 1. Você já viu sua certidão de nascimento? Que informações existem nela? 2. Em sua opinião, o que significa ser brasileiro? Reflita. Investigando R e p ro d u ç ã o /F u n d a ç ã o B ib lio te c a N a c io n a l, R io J a n e ir o , R J R e p ro d u ç ã o /F u n d a ç ã o B ib lio te c a N a c io n a l, R io J a n e ir o , R J Ilustrações de Angelo Agostini sobre a lei de naturalização. Revista Ilustrada, n. 572, 21 dez. 1889. A legenda da primeira ilustração dizia: “A notícia do decreto sobre a grande naturalização percorreu os Estados Unidos do Brasil provocando os maiores aplausos e as mais entusiásticas aclamações”. Já a legenda da segunda ilustração dizia: “Notícia que também receberemos com muito especial agrado será a da supressão das tabuletas colossais que tiram a beleza das ruas e obrigam os cidadãos a terem as maiores cautelas para não arriscarem a vida quando passam por baixo dessas perigosas armas homicidas, [...].”. 13 U n id a d e 1 N a sc e a R e p œ b li ca C a p ít u lo 1 A seção Investigando desen- volve as competências ge- rais e específicas CG1, CG9, CG10, CCH1, CCH2, CCH4, CCH6 e CEH1 e CEH3. Investigando 1. Resposta pessoal, em par- te. No Brasil, as certidões de nascimento apresentam in- formações como: CPF (Ca- dastro de Pessoa Física); nome completo; dia, mês, ano e hora do nascimento; naturalidade; munícipio de registro e UF (Unidade da Federação); munícipio de nascimento e UF; sexo; filia- ção; avós. Estimule os alu- nos a analisarem e cui- darem de seus próprios do- cumentos. Esse é um exer- cício de cidadania. 2. Resposta pessoal. Tema pa- ra reflexão e debate. Depois de ouvir as respostas, co- mente que existem aspec- tos jurídicos e filosóficos relacionados à questão da nacionalidade brasileira. Do ponto de vista jurídico, a Constituição Federal estabe- lece quem são os brasileiros natos e naturalizados no art. 12 (disponível em: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/constituicao. htm>, acesso em: 13 de ago. de 2018). Caso considere in- teressante, o professor pode ler esse artigo constitucional com os alunos. Do ponto de vista filosófico, é importante frisar que não existe uma única identidade cultural do povo brasileiro. Pro- cure retomar noções trabalha- das de diversidade cultural e etnocentrismo. O objetivo des- sa atividade é apresentar nossa identidade cultural co- mo plural e em construção. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 13 11/18/18 11:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR14 Bandeira, símbolo da República Com a proclamação da República, ocorreram disputas entre grupos sociais para decidir qual seria a nova bandeira do Brasil. Venceu a bandeira desenhada por Décio Villares, que foi instituída em 1889. A bandeira da República era parecida com a bandeira do Império. Isso porque Décio Villares manteve as formas e cores da bandeira anterior. De certo modo, preservar esses elementos representava a con- tinuidade e integridade da pátria. Apesar da semelhança, na bandeira da República não há o brasão imperial, que foi substituído por um círculo azul com estrelas, cortado por uma faixa branca. As 21 estrelas equivaliam às 21 unidades da Federação na época (20 estados e o Distrito Federal). Na faixa branca, estava escrito “Ordem e Progres- so”, lema inspirado no positivismo de Auguste Comte. Ao longo do tempo, a bandeira sofreu pequenas modificações, passando a ter 27 estrelas, corresponden- tes aos 26 estados mais o Distrito Federal. Além disso, suas cores foram reinterpretadas pelos brasileiros, que passaram a associar o verde à abundância das florestas brasileiras e o amarelo à riqueza do ouro. Outras HISTÓRIAS Faça no cadernoAtividades 1. Em que situações do dia a dia você vê a bandeira nacional? 2. Você conhece a bandeira de outros países? Qual(is)? Bandeira imperial, criada por Jean-Baptiste Debret, instituída em 1822. No centro do losango amarelo-ouro foram representados os emblemas imperiais: a cruz, a esfera, os armilos, a coroa, um ramo de café e um ramo de tabaco. R e p ro d u ç ã o /I B G E - I n s ti tu to B ra s ile ir o d e G e o g ra fi a e E s ta tí s ti c a T h in k s to ck /G e tt y I m a g e s Bandeira republicana, criada por Décio Villares, que manteve o padrão da bandeira imperial. O escudo de armas, porém, foi substítuido pela esfera azul com estrelas e o lema positivista “Ordem e Progresso“. 14 Leitura complementar Para complementar o es- tudo sobre a concepção da bandeira nacional, sugeri- mos a leitura do seguinte texto do historiador José Murilo de Carvalho, extraído de seu livro A formação das almas: A Bandeira Nacional A batalha em torno da simbologia republicana deu-se também em relação à bandeira e ao hino. [...] No caso da bandeira, a vi- tória pertenceu a uma fac- ção, os positivistas, mas ela se deveu certamente ao fato de que o novo símbo- lo incorporou elementos da tradição imperial. [...] Na concepção da ban- deira positivista, como em quase tudo, os ortodoxos seguiram as indicações de [Auguste] Comte. Segun- do este, na primeira fase de transição orgânica da humanidade deveriam ser mantidas as bandeiras vi- gentes, com o acréscimo da divisa política “Ordem e Progresso”. Tomaram então a bandeira imperial, conservaram o fundo ver- de, o losango amarelo e a esfera azul. Retiraram da calota os emblemas impe- riais: a cruz, a esfera armi- lar, a coroa, os ramos de café e tabaco. As estrelas que circulavam a esfera fo- ra m t ra nsfer idas para dentro da calota. A princi- pal inovação, a que gerou maior polêmica, a que ain- da causa resistência, foi a introdução da divisa “Or- dem e Progresso” em uma faixa que, representando o zodíaco, cruzava a esfera em sentido descendente da esquerda para a direita. Rui Barbosa, um convic- to liberal, deve ter sentido a dificuldade de vender a ideia de colocar uma divisa tão claramente positivista na bandeira nacional. Sem querer polemizar com seu colega Benjamim Cons- tant, que fora o verdadeiro ideólogo da república entre os militares, aceitou a ideia mas pediu a Teixeira Men- des que justificasse publi- camente o novo emblema. O decreto do governo pro- visório que adotava a ban- deira positivista saiu no dia 19 de novembro,quatro dias após a proclamação, numa demonstração da eficácia da ação dos ortodoxos. A justi- ficativa de Teixeira Mendes Outras Histórias 1. Resposta pessoal. A bandeira nacional pode aparecer em di- versas situações do nosso dia a dia, como em jogos esportivos da seleção brasileira, na frente de prédios públicos, em roupas e objetos. 2. Resposta pessoal. Conhecer a bandeira de outros países faz parte de um repertório cultural. Estimule os alunos a pesqui- sar e identificar bandeiras de outros países. Para isso, con- sulte, por exemplo, um atlas geográfico. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 14 11/18/18 11:44 AM 15UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Especulação e inflação Em 1890, ainda no governo provisório, o ministro da Fazenda Rui Barbosa (1849-1923) implantou uma reforma financeira com o objetivo de estimular o de- senvolvimento econômico, sobretudo da indústria. Para isso, o governo permitiu que alguns bancos emitissem dinheiro (papel-moeda). Essa mudança, contudo, provocou uma das maiores crises econômicas da República, ligada a três fatores: • inflação – os bancos emitiram mais dinheiro do que era necessário, gerando uma inflação que aumentou o preço dos produtos; • surgimento de empresas-fantasma – o grande volume de dinheiro e a falta de controle do governo possibilitou a formação de empresas-fantasma, criadas apenas para obter crédito fácil nos bancos. Nesses casos, o aumento da emissão de dinheiro não se transformava em um aumento da produção; • especulação financeira – os donos das empresas conseguiam dinheiro ven- dendo ações (cotas). Pessoas compravam ações a preços baixos e esperavam a valorização para vendê-las por um preço maior. Assim, obtinham lucro fácil sem produzir nada. Isso agravou a crise. A crise econômica resultante da reforma de Rui Barbosa ficou conhecida como encilhamento. O termo encilhar significa “arrear o cavalo, preparando- -o para uma corrida”. A reforma produziu um movimento tão grande na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro que, dizia-se, era semelhante ao de um hipódromo em dia de corrida e que os investidores se comportavam como apostadores tentando a sorte no jogo. Muitos cafeicultores protestaram contra essa política econômica, pois não tinham interesse em medidas que dessem mais incentivo à indústria do que ao café. A reforma financeira de Rui Barbosa foi criticada por muita gente, incluin- do colegas no ministério. Pressionado, o ministro demitiu-se do cargo em 1891. R e p ro d u ç ã o /I n s ti tu to H is tó ri c o e G e o g rá fi c o d e S ã o P a u lo , S P Charge representando Rui Barbosa. Este desenho foi publicado na Revista Arara, São Paulo, ano I, n. 35, 7 out. 1905. Arquivo Público do Estado de São Paulo, Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. 1. Você se lembra do preço que alguns produtos tinham há um ou dois anos? Lembra-se de quanto custava um lanche ou algo que você consumia com frequência? Houve aumento de preços? 2. Você acha importante prestar atenção no preço dos produtos? Por quê? Investigando 15 U n id a d e 1 N a sc e a R e p œ b li ca C a p ít u lo 1 saiu no Diário Oficial de 24 de novembro. Em sua [...] defesa, Teixei- ra Mendes [...] justifica a nova bandeira. Sempre de acordo com princípios posi- tivistas, alega que o emble- ma nac iona l de ve s er símbolo de fraternidade e ligar o passado ao presente e ao futuro. A ligação com o passado se dava pela con- servação de parte da ban- deira imperial. [...] Con- servavam-se o desenho im- perial e as cores, representa- ções de nossa natureza e nossas riquezas. Até mesmo a cruz permaneceu no Cru- zeiro do Sul, uma cruz leiga que podia ser vista com sim- patia pelos católicos. Reco- nhecia-se, desse modo, o passado, a tradição, tanto política como religiosa, pois a Monarquia e o catolicismo eram fases da evolução da humanidade, a ser supera- das, mas necessárias e porta- doras de aspectos positivos. A bandeira, continua Tei- xeira Mendes, tinha de re- p r e s e n t a r t a m b é m o presente, o novo regime, e o futuro. A divisa “Ordem e Progresso” cumpria esse papel. De um mundo até então divido entre as duas tendências, com excessos de ordem sendo substituídos por excessos de progresso, passava-se [...] a uma con- cepção que unia os dois po- los. Tal concepção era a base da nova dinâmica de confraternização universal [...]. A conciliação seria, se- gundo Teixeira Mendes, as- piração atual de todo o povo brasileiro. CARVALHO, José Murilo. A formação das almas. São Paulo: Companhia das Letras, 1990, p. 109, 112 e 113. * Raimundo Teixeira Men- des (1855-1927), filósofo e matemático, nascido na ci- dade de Caxias, no Maranhão, foi autor da concepção da Bandeira Nacional, que foi desenhada por Décio Villares. Investigando 1 e 2. Respostas pessoais, em parte. O objetivo dessas atividades é incentivar a educação financeira dos alunos e aproximar os conteúdos estudados de suas vivências pessoais. O professor pode comentar que é importante prestar atenção no preço dos produtos, porque essa informação permite verificar se houve aumento ou diminuição de preços, realizar um planejamento financeiro, tomar consciência do nosso custo de vida, etc. A seção Investigando desenvolve as competências gerais e espe- cíficas CG1, CG10, CCH2 e CEH1. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 15 11/18/18 11:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR16 Movimentos negros no início da República Após a proclamação da República, os negros no Brasil se organizaram de várias maneiras para defender seus direitos. Além de participar de associações de trabalhadores, a população negra or- ganizou movimentos sociais. O objetivo era combater a discriminação racial, que dificultava o acesso dos negros ao mercado de trabalho, à educação, à participação política e cultural. Se até hoje esses problemas existem no Brasil, eles eram ainda piores nos pri- meiros anos da República, uma época fortemente influenciada pela escravidão, que tinha sido abolida havia pouco tempo. Os movimentos sociais organizados por negros mobilizaram libertos, ex-es- cravos e seus descendentes. Veja alguns exemplos dessas organizações. Movimentos sociais: grupos sociais organizados que podem atuar sob uma liderança determinada ou não. Geralmente, pressionam as autoridades estatais para que sejam promovidas reformas e transformações na sociedade. Têm um programa, objetivos e planos. Suas ações baseiam-se em valores comuns e pretendem mudanças sociais. Organizações negras no Brasil (1891-1918) Nome Estado da Federação Ano de criação Sociedade Progresso da Raça Africana Rio Grande do Sul 1891 Clube 28 de Setembro São Paulo 1897 Club 13 de Maio dos Homens Pretos São Paulo 1902 Centro Literário dos Homens de Cor São Paulo 1903 Sociedade Propugnadora 13 de Maio São Paulo 1906 Sociedade de Socorros Mútuos Princesa do Sul (*) Rio Grande do Sul 1908 Centro Cultural Henrique Dias São Paulo 1908 Centro da Federação dos Homens de Cor Rio de Janeiro e São Paulo 1914 Sociedade União Cívica dos Homens de Cor São Paulo 1915 Associação Protetora dos Brasileiros Pretos São Paulo 1917 Centro Cívico Cruz e Souza Santa Catarina 1918 Fonte: DOMINGUES, Petrônio. Movimento negro brasileiro: alguns apontamentos históricos. Tempo, Rio de Janeiro, v. 12, n. 23, p. 103, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? pid=S1413-77042007000200007&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 11 jan. 2018. (*) Organização formada exclusivamente por mulheres. Essas e outras organizações prestavam assistência a seus membros e promo- viam atividades culturais e de recreação. Algumas delas também reuniam tra- balhadores de profissões em que a presença negra era maior e atuaram como sindicatos de categorias, como ferroviários e portuários. Vista da fachada do Museu Treze deMaio, em Santa Maria, estado do Rio Grande do Sul, fotografada em 2018. Fundado em 1903 como um clube de trabalhadores ferroviários negros, o espaço hoje é um museu comunitário. G e rs o n G e rl o ff /A c e rv o d o f o tó g ra fo 16 Leitura complementar Para complementar o es- tudo sobre o movimento negro brasileiro no começo do sé- culo XX, sugerimos a leitura do texto a seguir. Movimento Negro Brasileiro [...] pode-se caracterizar movimento social como um “grupo mais ou menos organizado, sob uma lide- rança determinada ou não; possuindo programa, objet ivos ou plano co- mum; baseando-se numa mesma doutrina, princí- pios valorativos ou ideolo- g i a ; v i s a n d o u m f i m específico ou uma mudan- ça social”. Mas, nesse ce- ná r io , como pode ser definido movimento ne- gro? Movimento negro é a luta dos negros na pers- pectiva de resolver seus problemas na sociedade abrangente, em particular os provenientes dos pre- conceitos e das discrimi- nações racia is , que os marginalizam no mercado de trabalho, no sistema educacional, político, so- cial e cultural. Para o mo- vimento negro, a “raça”, e, por conseguinte, a identi- dade racial, é utilizada não só como elemento de mo- bilização, mas também de mediação das reivindica- ções políticas. Em outras pa lavras, para o movi- mento negro, a “raça” é o fator determinante de or- ganização dos negros em torno de um projeto co- mum de ação. [...] Primeira fase do Movimento Negro organizado na República (1889-1937): da Primeira República ao Estado Novo Um ano após a abolição da escravatura, foi procla- mada a República no Bra- s i l , e m 18 8 9. O novo sistema político, entretan- to, não assegurou profí- cuos ganhos materiais ou simbólicos para a popula- ção negra. Ao contrário, esta, segundo Andrews, foi marginalizada, seja po- liticamente em decorrên- c ia d a s l i m it aç õ e s d a República no que se refere ao sufrágio e as outras for- mas de participação polí- t i c a ; s e j a s o c i a l e psicologicamente, em face das doutrinas do racismo científico e da “teoria do branqueamento”; seja ainda econo- micamente, devido às preferências em termos de emprego em favor dos imigrantes europeus. George Reid Andrews, O protesto político negro em São Paulo (1888-1988), Estudos Afro-Asiáticos, n. 21, Rio de Janeiro, 1991, p. 32. Para reverter esse quadro de marginalização no alvorecer da República, os libertos, ex-escravos e seus descendentes instituíram os movimentos de mobilização racial negra no Brasil, criando inicialmente dezenas de grupos (grêmios, clu- bes ou associações) em alguns estados da nação. [...] De cunho eminentemente assistencialista, recreativo e/ou cultural, as associações negras conseguiam agregar um núme- ro não desprezível de “homens de cor”, como se dizia na época. Algumas delas tiveram como base de formação “determinadas classes de trabalhadores negros, tais como: portuários, ferroviários e ensacadores, constituindo uma espécie de enti- dade sindical”. Pinto computou a existência de 123 associações negras em São Paulo, entre 1907 e 1937. Já Muller encontrou 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 16 11/18/18 11:44 AM 17UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR No mesmo período, ganhou força a chama- da imprensa negra, que publicava notícias e informações que outros jornais não se interes- savam em divulgar. Essa imprensa denunciava situações de racismo que aconteciam em várias partes do Brasil. O primeiro título da imprensa negra foi A Pá- tria, editado em 1889 em São Paulo. Seguiram- -se outros, como O Baluarte (1903), O Combate (1912) e O Menelick (1915). Até 1930, a impren- sa negra concentrou-se em São Paulo e, a partir daí, também em estados como Minas Gerais, Pa- raná e Rio Grande do Sul. Tanto as organizações quanto a imprensa ne- gra concentravam-se nas cidades. Nessa época, a urbanização tornava-se mais intensa no Bra- sil, trazendo uma modernização que nem sem- pre vinha acompanhada de melhores condições de vida. • Além do voto, existem outras formas de participação política nos dias atuais? Quais? Investigando Compor legenda. Constituição da República Em 1890, representantes estaduais eleitos reuniram-se em uma Assembleia Constituinte no Rio de Janeiro e elaboraram a primeira Constituição da Repúbli- ca, promulgada em 24 de fevereiro de 1891. Vejamos alguns tópicos principais dessa Constituição: • governo e Estado – adotou-se a forma de governo republicana, com siste- ma presidencialista. O presidente tornou-se chefe de governo e de Estado, auxiliado por ministros de sua confiança. O Estado passou a ser federalista e as antigas províncias foram transformadas em estados-membros, que tinham autonomia para eleger seu presidente (atual governador) e seus deputados estaduais. Os estados passaram a ter Constituições próprias, que não po- deriam contrariar a Constituição federal. O governo republicano, o sistema presidencialista e o Estado federalista vigoram ainda nos dias atuais; • divisão dos poderes – extinguiu-se o poder Moderador e mantiveram-se o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. Essa divisão vigora até hoje; • direito de voto – o voto baseado na condição econômica foi abolido e o di- reito de votar foi garantido somente aos brasileiros do sexo masculino maio- res de 21 anos. Analfabetos, mulheres, mendigos, soldados e membros de ordens religiosas ficaram proibidos de votar. Manteve-se, assim, no início da República, o mecanismo de exclusão, que impedia a maioria da população de participar das eleições. Isso levou alguns grupos a reivindicar seu espaço político. As conquistas se deram ao longo do século XX, como veremos ao longo deste livro. Capa do jornal A P‡tria, de 2 de agosto de 1889, que apresentava como manchete: ”Homenagem aos grandes abolicionistas”. São Paulo, ano I, n. 2. Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. R e p ro d u ç ã o /F u n d a ç ã o B ib lio te c a N a c io n a l, R io d e J a n e ir o , R J . 17 U n id a d e 1 N a sc e a R e p œ b li ca C a p ít u lo 1 registros da criação de 72 em Porto Alegre, de 1889 a 1920, e Lo- ner, 53 em Pelotas/RS, entre 1888 e 1929. Havia associações for- madas estritamente por mulheres negras, como a Sociedade Brinco das Princesas (1925), em São Paulo, e a Sociedade de So- corros Mútuos Princesa do Sul (1908), em Pelotas. Simultaneamente, apareceu o que se denomina imprensa ne- gra: jornais publicados por negros e elaborados para tratar de suas questões. Para um dos principais dirigentes negros da épo- ca, José Correia Leite, “a comunidade negra tinha necessidade de uma imprensa alternativa”, que transmitisse “informações que não se obtinha em outra parte”. Em São Paulo, o primeiro desses jornais foi A Pátria, de 1899, tendo como subtítulo Orgão dos Homens de Cor. Outros títulos também foram publicados nessa cidade: O Combate, em 1912; O Menelick, em 1915; O Ban- deirante, em 1918; O Alfinete, em 1918; A Liberdade, em 1918; e A Sentinela, em 1920. No município de Campinas, O Baluarte, em 1903, e O Getulino, em 1923. Um dos principais jornais desse período foi o Clarim da Alvorada, lançado em 1924, sob a di- reção de José Correia Leite e Jayme Aguiar. Até 1930, contabiliza-se a existência de, pelo menos, 31 desses jornais circulando em São Paulo. A imprensa negra conseguia reunir um grupo representativo de pessoas para empreender a batalha contra o “preconceito de cor”, como se dizia na época. Surgiram jornais dessa mes- ma natureza em outros esta- dos, como o Raça (1935), em Uberlândia/MG, o União (1918), em Curitiba/PR, O Exemplo (1892), em Porto Alegre/RS, e o Alvorada, em Pelotas/RS. Este último – publicado com pequenas in- terrupções de 1907 a 1965 – foi o periódico da impren- sa negra de maior longevida- de no país. Esses jornais enfocavam as mais diversas mazelas que afetavama população negra no âmbito do traba- lho, da habitação, da edu- cação e da saúde, tor- nando-se uma tribuna pri- vilegiada para se pensar em soluções concretas para o problema do racismo na sociedade brasileira. [...] DOMINGUES, Petrônio. Movimento Negro Brasileiro. Topoi (Rio J.), Rio de Janeiro, v. 6, n. 11, p. 381-384, dez. 2005. Disponível em: <http:// dx.doi.org/10.1590/ 2237-101X006011007>. Acesso em: 13 ago. 2018. O texto “Movimentos negros no início da República” traba- lha as habilidades EF09HI03, EF09HI04 e EF09HI05, pois aborda a importância da atua- ção dos negros na sociedade brasileira durante a Primeira República, e identifica con- tradições nos processos de modernização e urbanização ocorridos nesse período. Já a seção Investigando desen- volve as competências gerais e as específicas CG1, CG10, CCH2, CCH6 e CEH1. Investigando Sim, existem várias formas de participação política no mundo atual. Além do voto, os alunos podem citar exemplos como a participação em mani- festações públicas, associa- ções de moradores, grupos es- tudantis, etc. Explique que a participação política se apri- mora quando estudamos e nos informamos sobre a vida públi- ca do país. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 17 11/18/18 11:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR18 Primeiros presidentes Promulgada a Constituição de 1891, a Assembleia Constituinte foi transfor- mada em Congresso Nacional com poderes para propor e votar leis. Além disso, coube aos deputados e senadores eleger o presidente e o vice-presidente da República. Nessa primeira eleição, indireta, os representantes civis, que incluía o gru- po dos cafeicultores, apresentaram como candidatos o fazendeiro Prudente de Moraes (1841-1902) para presidente e o marechal Floriano Peixoto (1839- -1895) para vice-presidente. Por sua vez, os militares indicaram a candidatura de Deodoro da Fonseca para presidente e a do almirante Eduardo Wandenkolk (1838-1902) para vice. A legislação da época permitia que o eleitor votasse em candidatos de cha- pas distintas para presidente e vice. Assim, foram eleitos Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Governo de Deodoro da Fonseca Mesmo vencendo a eleição, Deodoro não tinha apoio político suficiente para governar. Ele sofria a oposição dos grandes cafeicultores paulistas, que o acusavam de ser autoritário e o responsabilizavam pela crise econômica do encilhamento. Os cafeicultores tinham poder e Deodoro não conseguia lidar com a oposi- ção. Por isso, em 3 de novembro de 1891, ele decidiu fechar o Congresso e prender seus principais líderes, ato que desrespeitava a Constituição. Em protesto contra seu autoritarismo, os trabalhadores da Estrada de Ferro Central do Brasil entraram em greve. Ao mesmo tempo, membros da Marinha ameaçaram bombardear o Rio de Janeiro com navios de guerra ancorados na baía de Guanabara. O episódio ficou conhecido como Primeira Revolta da Armada. Diante da força das oposições, Deodoro renunciou ao cargo em 23 de no- vembro de 1891. Floriano Peixoto passou a ocupar a presidência. H is to ri c I m a g e s /A la m y /F o to a re n a Fotografia do encouraçado Sete de Setembro, usado na Revolta da Armada. 18 Leitura complementar A seguir, leia trechos de uma biografia do marechal Deodoro da Fonseca: Deodoro da Fonseca Militar, nascido na cida- de de Alagoas, atual Mare- chal Deodoro, estado de Alagoas, em 5 de agosto de 1827. Cursou Artilharia na Escola Militar do Rio de Janeiro (1843-1847). Du- rante o Império participou da brigada expedicionária ao rio da Prata, do cerco a Montevidéu e da Guerra do Paraguai, onde coman- dou o 2o Batalhão de Vo- luntários da Pátria, além de ter combatido a Revolta Praieira em Pernambuco. Recebeu a comenda no grau de Cavaleiro da Or- dem do Cruzeiro em 1866, e no ano seguinte a Meda- lha do Mérito Militar. Co- mandante das Armas do Rio Grande do Sul (1883- -1888), foi também presi- d e n t e d a p r o v í n c i a (1885-1888). Elegeu-se o primeiro presidente do Clube Militar (1887-1889), comandando os setores an- tiescravistas do Exército. Foi nomeado comandante das Armas da província do Mato Grosso em 1888, re- gressando ao Rio de Janei- ro no ano seguinte, onde assumiu a chefia do gover- no provisório da República em 15 de novembro de 1889. Por meio de eleição indireta, passou a exercer a presidência em 25 de feve- reiro de 1891. Faleceu no Rio de Janeiro em 23 de agosto de 1892. [...] [Durante seu governo, após a crise econômica de 1890, houve a] formação de um novo ministério lidera- do pelo barão de Lucena, político vinculado à ordem monárquica, a tentativa de centralização do poder e as resistências encontradas no meio militar conduziram o país a uma crise política, que teve seu ápice na disso- lução do Congresso Nacio- na l . Imediatamente se organizaram as forças lega- listas que levaram à renún- cia de Deodoro da Fonseca em 23 de novembro de 1891. BRASIL. Biblioteca da Presidência da República. Biografias. Disponível em: <http://www.biblioteca. presidencia.gov.br/presidencia/ ex-presidentes/deodoro- fonseca/biografia>. Acesso em: 14 ago. 2018. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 18 11/18/18 11:44 AM 19UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR Governo de Floriano Peixoto Entre 1891 e 1894, durante o mandato de Floriano Peixoto, o governo rea- briu o Congresso Nacional e afastou chefes de governo estaduais considerados adversários. Como Deodoro deixou o cargo antes de completar dois anos de mandato, a Constituição estabelecia que novas eleições deveriam ser convoca- das. Mas Floriano assumiu a presidência e lá permaneceu. Isso gerou revoltas. Em relação à economia, o governo estimulou a industrialização, facilitando a importação de equipamentos e a concessão de empréstimos. Reformou o siste- ma bancário, proibindo os bancos particulares de emitir dinheiro. A emissão de moeda tornou-se responsabilidade exclusiva do governo federal. Isso conferia maior controle sobre o dinheiro em circulação e evitava um novo encilhamento. Além disso, Floriano adotou medidas populares, como baixar o preço da carne e dos aluguéis residenciais. Autoritarismo e oposição O governo de Floriano foi duramente criticado, e as opo- sições promoveram revoltas com o objetivo de convocar no- vas eleições presidenciais. Em setembro de 1893 ocorreu a Segunda Revolta da Armada no Rio de Janeiro. Durante essa revolta, navios de guerra ameaçaram bombardear a capital caso o presidente não convocasse novas eleições. Alguns dos mais influentes setores políti- cos do país temiam que esses confrontos colocassem em risco a estabilidade da República. Após receber o apoio do Partido Republicano Paulista (que representava os cafeicultores do estado) e de seto- res do Exército, o governo conseguiu reprimir a Revolta da Armada. Revolução Federalista Ainda em 1893, começou no Rio Grande do Sul um grave conflito entre duas forças políticas. De um lado, o Partido Republicano Gaúcho, liderado pelo presidente do estado Júlio de Castilhos (1860-1903). De outro, o Partido Federalista, liderado por Silveira Martins (1835-1901). Os membros do Partido Republicano Gaúcho, apelidados de pica-paus, de- fendiam o presidencialismo e apoiavam Floriano Peixoto. Já os membros do Partido Federalista, apelidados de maragatos, queriam um governo parlamen- tarista e contavam com o apoio de setores da Marinha. Eles também preten- diam reformar a Constituição gaúcha e depor Castilhos e o presidente Floriano. A guerra civil entre pica-paus e maragatos espalhou-se pelo Rio Grande do Sul e atingiu Santa Catarina e Paraná. O conflito, que ficou conhecido como Revo- lução Federalista, provocou cerca de 10 mil mortes e milhares de fugas para o Uruguai. A guerra durou mais de dois anos, só terminando em meados de 1895. Ao final, houve anistia para os revoltosos,mas suas reivindicações não fo- ram atendidas. A Constituição gaúcha permaneceu a mesma e os membros do Partido Republicano dominaram o cenário político do Rio Grande do Sul nas primeiras décadas do século XX. Apesar dos conflitos e críticas, Floriano não cedeu às pressões e ficou no poder até o fim do mandato. Devido à sua maneira enérgica de enfrentar os adversários políticos, Floriano ficou conhecido como Marechal de Ferro. M ô n ic a I m b u ze ir o /A g ê n c ia O G lo b o Em setembro de 1893, os tripulantes do encouraçado Aquidab‹ bombardearam a cidade do Rio de Janeiro com a intenção de desestabilizar o governo. Os tiros atingiram uma torre da igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, na Travessa do Comércio, no Centro. Fotografia de 2016. 19 U n id a d e 1 N a sc e a R e p œ b li ca C a p ít u lo 1 Leitura complementar A seguir, leia trechos de uma biografia do marechal Floriano Peixoto: Floriano Peixoto Militar, nascido em Ipio- ca, atual Floriano Peixoto, estado de Alagoas, em 30 de abril de 1839. Formado em engenharia, participou da Guerra do Paraguai e foi presidente da província de Mato Grosso. Alinhado com os setores antiescra- vistas do Exército, desta- cou-se no processo de instauração da República, passando a exercer a vice- -presidência em 25 de fe- vereiro de 1891. Com a renúncia de Deodoro da Fonseca, assumiu a presi- dência da República em 23 de novembro de 1891. Fa- leceu na cidade de Divisa, estado do Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1895. [.. .] Conhecido como Marechal de Ferro, Floria- no Peixoto enfrentou, na presidência, duas rebe- liões: a Revolta da Arma- da, resultado de conflitos entre o Exército e a Mari- nha, no Rio de Janeiro, e a Revolução Federalista, ini- ciada no Rio Grande do Sul, na qual enfrentaram- -se os republ icanos de orientação positivista e os liberais [...]. Esses eventos fizeram com que por di- versas vezes, ao longo de seu mandato, fosse decre- tado o estado de sítio. Nes- se período foram orga- nizadas, regulamentadas ou reformadas algumas instituições nascidas com o novo regime, na área da saúde e da educação tais como a Diretoria Sanitária na capital federal e o Peda- gogium, voltado para o en- sino prof issiona l . Foi , ainda, estabelecida a trans- ferência para a União da administração do ensino secundário, anteriormente integrada à Inspetoria Ge- ral da Instrução Primária e Secundária da Capital Fe- deral, marcando uma das faces do regime republica- no, de ênfase em um proje- to pedagógico através do ensino público e laico. BRASIL. Biblioteca da Presidência da República. Biografi as. Disponível em: <http://www.biblioteca. presidencia.gov.br/presidencia/ ex-presidentes/fl oriano-peixoto/ biografi a>. Acesso em: 14 ago. 2018. 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 19 11/18/18 11:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR20 O�cina de HISTÓRIAO�cina de HISTÓRIA Faça no caderno 1. Com base no que você leu neste capítulo, é pos- sível dizer que o governo provisório republicano pretendia fazer uma transformação radical na so- ciedade brasileira? Explique. 2. Crie uma charge sobre a agitação da Bolsa de Va- lores na época do encilhamento. 3. A bandeira nacional, encomendada pelo governo republicano, apresenta o lema “Ordem e Progres- so”. Em sua opinião, os republicanos estavam mais preocupados com a ordem ou com o progresso? 4. Leia o texto a seguir e, depois, faça uma síntese. Você deve utilizar o menor número de palavras possível: No Rio de Janeiro, explodiu em setembro de 1893 a Segunda Revolta da Armada, que exigia a con- vocação de novas eleições para o país. Apoiado por tropas do Exército e por setores da oligarquia cafeeira, Floriano Peixoto conseguiu dominar os revoltosos e impor sua vontade política. No mes- mo ano, estourou no Rio Grande do Sul a Revolu- ção Federalista, um violento conflito que envolveu dois partidos políticos rivais: o Partido Republicano Gaúcho e o Partido Federalista. O conflito teve fim somente no governo do presidente paulista Pru- dente de Morais. 5. A pintura Alegoria da Repœblica foi criada em 1889 por um autor desconhecido. Na obra, líderes republicanos, com o marechal Deodoro à frente, entregam a bandeira nacional a uma mulher. Reú- nam-se em duplas, observem a pintura e respon- dam às questões. a) Qual é o significado da palavra alegoria? Se ne- cessário, consultem um dicionário para responder. b) No quadro foram representados, com desta- que, líderes republicanos tirando o chapéu e entregando a bandeira nacional a uma mulher. O que essa mulher simboliza? c) Ao fundo, o pintor retratou alguns membros da família real entrando em uma pequena embar- cação. Quem está acenando? Por quê? d) Ao lado dos líderes republicanos, num plano mais baixo, vemos representadas duas mulhe- res negras. O que essa representação suge- re? De que maneira elas participam da cena? Expliquem. Refletir e ampliar R e p ro d u ç ã o /F u n d a ç ã o M a ri a L u iz a e O s c a r A m e ri c a n o , S ã o P a u lo , S P. Alegoria da República e a partida da família imperial, pintura de autor desconhecido, 1889. Óleo sobre tela, 82 cm 3 103 cm. Fundação Maria Luiza e Oscar Americano, São Paulo. 20 Oficina de História Refletir e ampliar 1. O governo provisório repu- blicano não pretendia rea- lizar uma transformação radical na sociedade brasi- leira. Assim, negros, po- bres, mulheres e indígenas permaneceriam excluídos das decisões políticas. 2. Produção pessoal. Essa atividade visa estimular a criatividade e o posiciona- mento crítico dos estudan- tes em relação a um evento da Primeira República. 3. Tema para reflexão. Depois de ouvir as respostas, ex- plique que os republicanos, sobretudo os positivistas, estavam mais preocupa- dos com a ordem do que com o progresso. Isso por- que, para eles, o progresso deveria estar subordinado à ordem. O francês Augus- te Comte, que desenvolveu o positivismo, acreditava que a sociedade deveria ser completamente reor- ganizada, com base na va- lor i z aç ão do mé to do científico da época e em uma confiança no progres- so capitalista industrial. Segundo a doutrina posi- tivista, há uma lei que rege a evolução cultural e his- tórica das sociedades de um estágio teológico para um estágio científico. É in- teressante ressaltar que, atualmente, muitos pen- sadores abandonaram a crença em uma “evolução” das sociedades e defen- dem que, nos processos históricos, há avanços e retrocessos. 4. Resposta pessoal, em parte. É importante que a síntese tenha algumas informações básicas, como: nome dos conflitos, ano e locais em que ocorreram e governos nos quais acabaram. O re- sumo do estudante pode ficar semelhante ao do texto a seguir: Em 1893, ocorreram dois conflitos violentos: a Segunda Re- volta da Armada no Rio de Janeiro e a Revolta Federalista no Rio Grande do Sul. O primeiro, que pedia novas eleições, foi sufocado por tropas do Exército a mando do presidente Floriano Peixoto. Já o segundo, que envolvia dois partidos rivais, só terminou no governo do presidente Prudente de Morais. 5. a) Alegoria: pintura ou escultura que representa uma ideia abstrata por meio de formas que a tornam compreensível; exposição de um pensamento de forma figurada. b) A mulher representa a República brasileira. É possível co- mentar que o uso de uma figura feminina para representar a República já havia se estabelecido entre os franceses desde 1792, durante a Revolução Francesa. Apesar disso, as mulheres continuaram excluídas da participação políti- ca. Para se aprofundar nesse assunto, recomendamos a lei- tura do capítulo 4, denominado “República-mulher: entre Maria e Marianne”, da obra A formação das almas, de José 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 20 11/18/18 11:44 AM 21UNIDADE 1 - CAPêTULO 1 - MANUAL DO PROFESSOR 6. No livro A forma•‹odas almas, publi- cado em 1990, o historiador José Mu- rilo de Carvalho defende que, após a proclamação da República no Brasil, os líderes do governo perceberam a necessidade de construir um herói que legitimasse o novo regime político. Para cumprir esse papel, escolheram a � gura de Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), o Tiradentes, que foi um dos participantes da Incon� dência Mineira. Durante o Império, os livros de Histó- ria quase não mencionavam a Incon- � dência, porque a família reinante no Brasil era a mesma que tinha con- denado os membros do movimento. Porém, a partir da República, foram criadas diversas representações exal- tando a � gura de Tiradentes. Observe as duas imagens ao lado e responda às questões. a) Que recursos os artistas utilizaram para representar Tiradentes como um herói ou mártir? b) Você acha importante construir símbolos nacionais? Debata o as- sunto com os colegas. Empréstimos bancários realizados em São Paulo Ano Valor (em mil contos de réis e valores nominais) 1886 25,7 1889 31,8 1890 77,3 1892 121,1 1895 121,0 1901 126,8 Fonte: MARCONDES, Renato Leite; HANLEY, Anne G. Bancos na transi- ção republicana em São Paulo: o � nanciamento hipotecário (1888-1901). Estudos Econ™micos, São Paulo, v. 40, n. 1, jan./mar. 2010. Disponível em: <www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-41612010000100004&script= sci_arttext>. Acesso em: 11 jun. 2018. 7. Em grupos, observem a tabela abaixo e façam as atividades. Integrar com ARTE Integrar com MATEMÁTICA a) Construam um grá� co de barras utilizando as informações da tabela. Para isso, façam dois eixos. No eixo horizontal, que vai representar o tempo, marquem traços indicando os anos de 1886, 1889, 1890, 1892, 1895 e 1901. No eixo vertical, que vai representar o valor total de crédito bancário, marquem traços indicando os valores de 20 a 140 mil contos de réis. Para cada ano, desenhem uma barra representando o to- tal de empréstimos bancários na província ou no estado de São Paulo. b) Em que ano o total de crédito bancário no es- tado de São Paulo dobrou? Nesse ano, que po- lítica econômica foi implantada no país? Estátua de Tiradentes, do artista italiano Virgílio Cestari, localizada na praça Tiradentes, em Ouro Preto (MG). Essa escultura começou a ser feita em 1891, por ordem da Assembleia Legislativa mineira, e traz a inscrição: “Ao protomártir da liberdade nacional”. J o ã o P ru d e n te /P u ls a r Im a g e n s R e p ro d u ç ã o /M u s e u H is tó ri c o N a c io n a l, R io d e J a n e ir o , R J . Pintura O martírio de Tiradentes, de Aurélio de Figueiredo, 1893. Nesse quadro, o artista faz uma alusão a Cristo e a seu martírio. Óleo sobre tela, 57 3 45 cm. Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro. 21 U n id ad e 1 N a sc e a R e p œ b li ca C ap ít u lo 1 Murilo de Carvalho (São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 75-108). c) Dom Pedro II acena para o povo em um gesto de despedida. Trata-se de uma alegoria do fim da Monarquia. d) Essas duas mulheres não participam ativamente da cena. Aparecem na cena apenas como espectadoras, representan- do a indiferença quanto à instalação do regime republicano. Integrar com Arte 6. a) Nesse quadro, Aurélio de Figueiredo faz uma alusão a Cris- to e a seu martírio. A cena é vista de baixo para cima e há uma pomba cruzando a escadaria, que pode ser interpretada co- mo uma referência à ascensão de Tiradentes. Do seu lado direito, há um padre com um crucifixo e, do lado esquerdo, o carrasco, de joelhos, esconde o rosto por trás das mãos. Ti- radentes inclina a cabeça para cima, como se estivesse cla- mando a Deus. É nesse sentido que podemos afirmar que tal cena constrói a imagem de Tiradentes como um herói, um mártir da nação brasileira. b) Resposta pessoal. Tema para reflexão e debate. De- pois de ouvir as respostas, comente que os símbolos nacionais estão ligados à história e à cultura do país e sua função é representar simbolicamente o Brasil co- mo uma nação. Destaque que, atualmente, o Brasil tem quatro símbolos nacio- nais oficiais: a Bandeira Na- cional, o Hino Nacional, o Brasão da República e o Se- lo Nacional. Ressalte que, além dos símbolos oficiais, podemos afirmar que exis- tem símbolos populares utilizados para representar o Brasil. É o caso, por exem- plo, de patrimônios cultu- rais (carnaval, capoeira, futebol) e naturais (a flo- resta Amazônica, o rio São Francisco e as praias). Integrar com Matemática 7. a) Os gráficos devem ser construídos a partir dos da- dos da tabela. Comente que saber fazer e interpretar gráficos e tabelas é utíl na vida pessoal e profissional. b) O total de crédito bancá- rio no estado de São Paulo mais do que dobrou em 1890, passando para 77,3 mil contos de réis. Para confirmar a resposta, o pro- fessor pode dividir por dois o valor de 77,3, o que resul- ta em 38,65, valor mais alto do que os 31,8 mil contos de réis emprestados em 1889. Foi em 1890 que o governo republicano auto- rizou o aumento de emis- são de papel-moeda, pro- vocando uma forte crise econômica conhecida co- mo encilhamento. Nessa seção, são desenvol- vidas as competências ge- rais e específicas: • CG2 (atividades 3 e 4); • CG3 (atividades 4 e 6); • CG10 (atividades 3 e 6); • CCH2 (atividade 6); • CCH6 (atividade 6); • CEH3 (atividades 4 e 6); • CE H4 (atividades 4 e 6). 9HISTORIARg20MP_U1_cap01_010a021.indd 21 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR22 UNIDADE 1 2 Brasil República CAPÍTULO 1. Você sabe dizer o nome de alguns representantes políticos atuais (vereadores, senadores, deputados estaduais e federais)? 2. Você sabe qual é a função de cada um deles? E a duração de seus mandatos? Investigando Na fotografia, comício realizado no Rio de Janeiro em 1933 em apoio à candidatura da advogada Natércia da Cunha Silveira. Na década de 1920, as mulheres brasileiras consolidaram a luta pelo direito de votar e de serem votadas. República oligárquica Nas eleições atuais, o voto é secreto. Por isso, o eleitor brasileiro não é obrigado a revelar seu voto. Na história da Repúbli- ca nem sempre foi assim. A liberdade de escolha e o voto secreto foram conquista- dos pelos cidadãos brasileiros ao longo do século XX. Se hoje temos liberdade de vo- tar, devemos esse direito aos que lutaram por um sistema eleitoral democrático, que precisamos manter e aprimorar. 22 A abertura deste capítulo, incluindo a seção Investigan- do, desenvolve as compe- tências gerais e específicas CG1, CCH2 e CEH1. Objetivos do capítulo • Refletir sobre o coronelis- mo e o funcionamento das chamadas “política dos go- vernadores” e “política do café com leite”. • Compreender a situação eco- nômica e social do período, destacando a cafeicultura, a indústria e o surgimento do movimento operário. • Conhecer aspectos da po- lítica indigenista e refletir sobre a situação da popu- lação negra no Brasil após a abolição da escravidão. • Valorizar as produções ar- tísticas do início do período republicano, com destaque para o Modernismo. • Analisar as mudanças so- ciais advindas da imigração. Orientações didáticas O texto de abertura do ca- pítulo aborda uma questão importante na democracia: o voto independente e cons- ciente. Sugerimos que, du- rante a conversa inicial com os alunos, seja feita uma re- flexão, com base na realidade vivida por eles, sobre even- tuais formas de pressão exis- tentes na época das eleições (troca de voto por cestas bá- sicas, brindes, promessas de emprego, etc.) e os critérios dos eleitores para a escolha dos candidatos (atributos pessoais, partido a que per- tencem, ideias, experiência, escolaridade, etc.). Correspondência dos conteúdos com a BNCC Objetos de conhecimento Habilidades Experiências republicanas e práticas autoritárias: as tensões e disputas do mundo contemporâneo A proclamaçãoda República e seus primeiros desdobramentos EF09HI01 – Descrever e contextualizar os principais aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos da emergência da República no Brasil. EF09HI02 – Caracterizar e compreender os ciclos da história republicana até 1954. A questão da inserção dos negros no período republicano do pós-abolição Os movimentos sociais e a imprensa negra; a cultura afro-brasileira como elemento de resistência e superação das discriminações EF09HI03 – Identificar os mecanismos de inserção dos negros na sociedade brasileira pós-abolição e avaliar os seus resultados. EF09HI04 – Discutir a importância da participação da população negra na formação econômica, política e social do Brasil. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 22 11/18/18 11:44 AM 23UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR A c e rv o I c o n o g ra p h ia /R e m in is c ê n c ia s 23 Competências da BNCC Competência Geral • CG1; CG2; CG3; CG6; CG9; CG10 Competência Específica de Ciências Humanas • CCH1; CCH2; CCH5; CCH6 Competência Específica de História • CEH1; CEH3; CEH4 Investigando 1. Resposta pessoal. Para co- nhecer o nome de alguns políticos brasileiros, reco- mendamos que os estudan- tes acessem sites como: • Câmara dos Deputados Fe- derais: <http://www2.ca mara.leg.br/>. • Senado Federal: <https:// www12.senado.leg.br/>. 2. No Brasil, o Poder Executivo federal é representado, so- bretudo, pelo presidente da República, cujo mandato é de 4 anos. O Poder Legisla- tivo é exercido, no âmbito federal, desde 1891, pelo Congresso Nacional, forma- do pela Câmara dos Deputa- dos e pelo Senado Federal. Atualmente, o Senado Fede- ral possui 81 senadores, elei- tos para mandatos de 8 anos. Já a Câmara dos De- putados possui 513 depu- tados, eleitos para exercer seus cargos por 4 anos. Objetos de conhecimento Habilidades Primeira República e suas características Contestações e dinâmicas da vida cultural no Brasil entre 1900 e 1930 EF09HI05 – Identificar os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e impactos na região em que vive. A questão indígena durante a República (até 1964) EF09HI07 – Identificar e explicar, em meio a lógicas de inclusão e exclusão, as pautas dos povos indígenas, no contexto republicano (até 1964), e das populações afrodescendentes. Anarquismo e protagonismo feminino EF09HI08 – Identificar as transformações ocorridas no debate sobre as questões da diversidade no Brasil durante o século XX e compreender o significado das mudanças de abordagem em relação ao tema. EF09HI09 – Relacionar as conquistas de direitos políticos, sociais e civis à atuação de movimentos sociais. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 23 11/18/18 11:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR24 Primeira República A partir de 1894, com a eleição de Prudente de Moraes, o governo federal passou a ser ocupado por políticos civis. Esse período, que vai de 1894 até 1930, ficou conhecido como República Velha, República do Café com Leite ou República dos Coronéis. Nos primeiros tempos da República, as regras eleitorais mudaram pouco. O di- reito ao voto foi reservado aos homens alfabetizados e maiores de 21 anos. Dessa maneira, ficaram excluídos de votar: os analfabetos (cerca de 80% da população masculina), as mulheres, os indígenas, os mendigos, os soldados e os religiosos. Além de o direito ao voto ser restrito, os eleitores não podiam votar livremente, já que os poderosos, principalmente os coronéis, não queriam perder as eleições. Por isso, faziam de tudo para vencer, utilizando pressões, violência e fraudes. Coronel e voto de cabresto Quem eram os coronéis? No Império, coronel designava o posto mais alto da Guarda Nacional e, também, o chefe político da cidade. Na República, quando a Guarda Nacional perdeu a importância, coronel passou a designar o chefe político de uma região, que geralmente era um fazendeiro. O sistema de domi- nação e alianças dos coronéis foi chamado de coronelismo. Durante a Primeira República, muitas pessoas que trabalhavam para os coro- néis eram exploradas, recebendo pagamentos miseráveis. Por vezes, os coronéis também favoreciam essas pessoas, oferecendo empregos, alimentos, remédios, roupas, uma vaga na escola ou um leito no hospital. A concessão de favores ficou conhecida como clientelismo. R e p ro d u ç ã o /F u n d a ç ã o B ib lio te c a N a c io n a l, R io d e J a n e ir o , R J Charge de Storni para a revista Careta, de 19 de fevereiro de 1927, fazendo referência ao voto de cabresto. Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. 24 Atividade complementar O texto “Primeira Repú- blica” apresenta alguns as- pectos da vida política brasileira, dando destaque para temas como o corone- lismo, o voto de cabresto e a política dos governadores. Sugerimos que, após a lei- tura desses textos, analise com seus alunos a charge da revista Careta desta pá- gina. Assim, pergunte: • Quando essa charge foi publicada? • Qual é o tema da charge? • Quais são os personagens da charge? Como eles fo- ram representados? Essa charge foi publica- da na revista Careta em 1927. O tema é a crítica ao voto de cabresto. Os perso- nagens aparecem com identificações: a mulher re- presenta a soberania (ou a República), o homem repre- senta o político e o burro re- presenta o eleitor. O texto “Primeira República” desenvolve a habilidade EF09HI01, pois descreve e contextualiza os principais aspectos sociais, culturais, econômicos e políticos do início da República no Brasil. Como sugestão para traba- lhar esse tema, acompanhe a Sequência Didática “Limi- tes da Primeira República brasileira”, localizada no ma- terial digital do Manual do Professor. Atividade complementar O coronelismo e a as fraudes eleitorais são temas que podem ser trabalhados por meio da seguinte atividade interdisciplinar com Arte: A ficção literária Vila dos Confins, do escritor Mário Palmério (1916-1996), narra a distância entre o mundo do trabalho rural e as eleições, como no trecho a seguir: João Soares estava com a razão: política só se ganha com muito dinheiro. A co- meçar pelo alistamento, que é trabalhoso e caro: tem-se que ir atrás de eleitor por eleitor, convencê-los a se alistarem e ensinar tudo, até a copiar o requerimento. Cabo de enxada engrossa as mãos — o laço de couro cru, machado e foice também. Caneta e lápis são ferramentas muito delicadas. A lida é outra: labuta pesada, de sol a sol, nos campos e nos currais [...]. Ler o quê? Escrever o quê? Mas agora é pre- ciso: a eleição vem aí e o alistamento rende a estima do patrão, a gente vira pessoa. PALMÉRIO, Mário. Vila dos Confins. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973. p. 62. Baseando-se na leitura desse trecho, qual é o significado da expressão “a gente vira pessoa”? Resposta: Nesse contexto, “virar pessoa” significa receber os favores dos coronéis, em lugares e períodos em que o poder público estava ausente e não 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 24 11/18/18 11:44 AM 25UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR R e p ro d u ç ã o /B ib lio te c a D ig it a l d a J u s ti ç a E le it o ra l R e p ro d u ç ã o /B ib lio te c a D ig it a l d a J u s ti ç a E le it o ra l Urna eleitoral feita de madeira e latão, usada nas votações do início do século XX. Museu do Voto, Brasília (DF). R e p ro d u ç ã o /B ib lio te c a D ig it a l d a J u s ti ç a E le it o ra l Título de eleitor do início do século XX (c. 1905). Museu do Voto, Brasília (DF). Em troca desses favores, os coronéis exi- giam, por exemplo, o voto nos candidatos de sua preferência. Desse modo, conseguiam ele- ger prefeitos, governadores, vereadores, de- putados, senadores e influenciar a escolha do presidente da República. Quem se negasse a votar nos candidatos dos coronéis perdia seus favores e podiasofrer com a violência dos ja- gunços armados que trabalhavam para os fa- zendeiros. Assim, as pessoas que dependiam dos coronéis ficavam numa situação difícil. Como dizia a expressão popular, “os amigos do coronel recebem pão e os inimigos rece- bem pau”. Essas pressões eram possíveis porque o voto era aberto, ou seja, os eleitores declara- vam publicamente o nome do seu candidato. Esse voto controlado ficou conhe- cido como voto de cabresto (instrumento de corda usado para guiar cavalos). Assim, os eleitores eram comparados a animais. Após o fechamento das urnas eleitorais, também ocorriam fraudes para ga- rantir o sucesso dos candidatos dos coronéis. Exemplos de fraudes eram: a falsificação dos documentos de eleitores; a utilização do nome de eleitores que já tinham morrido; o furto e a violação de urnas. Política dos governadores O coronelismo funcionava por meio de alianças entre os coronéis com o ob- jetivo de eleger os candidatos de sua preferência, como o presidente de estado (governador de estado). Depois de eleito, o governador retribuía o apoio dos coronéis com verbas e benefícios para seus correligionários, realizando, por exemplo, a nomeação de cargos e a construção de obras públicas. Esse esquema de alianças regionais foi ampliado para nível federal. Nesse sentido, o fazendeiro paulis- ta Campos Salles (1841-1913) foi um dos responsá- veis pela criação da política dos governadores. Ele foi o segundo presidente civil da República, ocupando o cargo de 1898 a 1902. Em linhas gerais, a política dos governadores fun- cionava assim: os governadores de estado apoiavam o governo federal, ajudando a eleger parlamentares fa- voráveis ao presidente da República. Em troca, o presi- dente concedia mais verbas e favores aos seus aliados. Ao longo da Primeira República, a troca de favores entre políticos, o clientelismo e a corrupção garantiram a permanência das oligarquias no poder. Nessa época, não existia uma justiça eleitoral independente. O que havia era uma Comissão de Verificação no Congresso que jul- gava, conforme sua vontade, o resultado das eleições. A prática de não reconhecer a vitória dos adversários ficou conhecida como degola. 25 U n id a d e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C a p ít u lo 2 cumpria seus deveres para com os cidadãos. “Gente que virava pessoa” não era o mesmo que “gente que virava cidadão”. Si- tuações mais recentes de ausência do poder público em certas comunidades brasileiras podem oferecer uma analogia impor- tante para se refletir sobre as transformações e permanências na sociedade e no Estado brasileiro. É possível comentar que a obra Vila dos Confins aborda al- guns temas deste capítulo: as práticas dos coronéis em re- lação aos eleitores, principalmente no campo, e as artimanhas usadas por esses políticos para interferir nos resultados eleitorais. Para se aprofundar na análise dessa obra, leia a monografia Análise da obra Vila dos Confins de Mário Palmério, disponível em: <http://www.letras.ufpr.br/documentos/graduacao/mo nografias/ss_2006/Delmar_Ferronato_II.pdf> (acesso em: 7 mar. 2012). 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 25 11/18/18 11:44 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR26 Disputas entre paulistas e mineiros Entre 1894 e 1930, vários presidentes da República foram indicados de acordo com as alianças entre os grupos políticos de Minas Gerais (produção de leite) e os grupos políticos de São Paulo (produção de café). Daí surgiu a expressão “política do café com leite”. Entretanto, estudos recentes mostram que mineiros e paulistas não controlaram de forma exclusiva o governo da República. Existiam outros estados importantes no cenário político, como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco. Ao lado de paulistas e mineiros, os grupos políticos desses estados participaram intensamente das eleições presidenciais. Além disso, nem sempre paulistas e mineiros concordavam quanto à sucessão presidencial. Em 1910, por exemplo, políticos paulistas queriam que Rui Barbosa sucedesse o governo de Afonso Pena/Nilo Peçanha, enquanto mineiros preferiam Hermes da Fonseca. R o g é ri o R e is /P u ls a r Im a g e n s Outras HISTÓRIAS Faça no cadernoAtividade • Como a “política do café com leite” é apresentada na charge e no texto? Compare essas duas interpretações. Charge de Storni publicada em exemplar da revista Careta, de 1925, representando o poder dos políticos de São Paulo e de Minas Gerais. Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. R e p ro d u ç ã o /F u n d a ç ã o B ib lio te c a N a c io n a l, R io d e J a n e ir o , R J . 26 Leitura complementar Recomendamos a leitura do seguinte texto sobre a vida de Bertha Lutz, que se mescla com a história da conquista do voto feminino no Brasil: Bertha Lutz (1894-1976) Pioneira das lutas femi- nistas no Brasil, Bertha Ma- ria Júlia Lutz nasceu em São Paulo (SP) no dia 2 de agos- to de 1894, filha da enfer- meira inglesa Amy Fowler e do cientista e pioneiro da medicina tropical Adolfo Lutz. Adolescente, foi comple- tar sua educação na Euro- pa. Lá tomou contato com a explosiva campanha su- fragista inglesa. Em 1918, em Paris, licenciou-se em ciências na Universidade de Sorbonne, voltando em seguida ao Brasil, onde in- gressou, através de concur- so público, como bióloga no Museu Nacional. [...] [Em 1919], Bertha Lutz representou o Brasil, junto com a paulista Olga de Pai- va Meira, no Conselho Fe- minino Internaciona l, órgão da Organização In- ternacional do Trabalho (OIT), onde foram aprova- dos os princípios de salário igual para ambos os sexos e a inclusão da mulher no serviço de proteção aos trabalhadores. De volta ao Brasil, Bertha empenhou- -se na luta pelo voto femi- nino e junto com outras mulheres, entre as quais Maria Lacerda de Moura, criou, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o em- brião da Federação Brasi- l e i r a p e l o P r o g r e s s o Feminino (FBPF). [...] Nos anos 1920, as mais importantes batalhas da lu- ta pelo direito ao voto fo- ram travadas no Congresso Nacional. Dentre os parla- mentares, as feministas en- contraram como aliado o deputado – e posteriormen- te senador – Juvenal La- m a r t i n e , m e m br o d a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, onde es- tava em exame um projeto de lei que estendia o direito de voto às mulheres. [...] Apesar dos esforços das feministas, o projeto em curso no Senado não foi transformado em lei. Outras Histórias Na charge, a “política do café com leite” é representada de forma artística e satírica. Nela, observamos vários homens tentando subir um morro. Cada personagem simboliza um es- tado do Brasil. No topo do morro, vemos apenas dois homens ao lado de uma cadeira com os dizeres “Presidência da Repú- blica”. Esses dois personagens que alcançaram o topo repre- sentam os estados de São Paulo e de Minas Gerais. A charge critica a política do café com leite, pela qual paulistas e minei- ros dominaram boa parte da vida política brasileira, alternan- do-se no poder federal. No texto, há uma interpretação sobre a “política do café com leite”, na qual se enfatiza que nem sem- pre os políticos dos estados de São Paulo e de Minas Gerais controlavam o governo de forma exclusiva e nem sempre con- cordavam quanto à sucessão presidencial. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 26 11/18/18 11:45 AM 27UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Na fotografia, participantes do Primeiro Congresso Internacional Feminista, ocorrido em dezembro de 1922, no Rio de Janeiro. Na fotografia é possível identificar Bertha Lutz, ao centro, de vestido e chapéu claros, além de Julia Lopes de Almeida, Margarida Lopes de Almeida e Carrie Chapman Catt (ao lado de Bertha Lutz). Arquivo Nacional, Rio de Janeiro. R e p ro d u ç ã o /A rq u iv o N a c io n a l, Rio d e J a n e ir o , R J . Mulheres na República Com a República veio a expectativa de que o voto feminino fosse permitido. Mas isso demorou para acontecer. Em 1920, Bertha Lutz (1894-1976) fundou a Liga pela Emancipação Intelec- tual da Mulher para lutar pela igualdade de salários e pelo direito das mulheres ao voto. No entanto, esse direito só foi conquistado a partir do Código Elei- toral de 1932. Desde então, a participação feminina na vida política brasileira vem crescendo. Atualmente, as mulheres têm ocupado vários cargos eletivos, na Presidência, nas Prefeituras, nos Governos estaduais e no Congresso Nacional. Também se ampliou a presença delas no Poder Judiciário. Além disso, houve mudanças significativas no mundo do trabalho. Em 1973, apenas 31% da população economicamente ativa era do sexo feminino; já em 2009, as mulheres eram 43,9% do total. No entanto, um problema ainda precisa ser resolvido: os salários das mulhe- res são, em média, menores que os dos homens, mesmo quando exercem a mesma função. 27 U n id a d e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C a p ít u lo 2 Bertha participou da cria- ção da União Universitária Feminina, em 1929, e in- gressou no curso de Direito, de modo a poder participar plenamente da vida política, com autoridade; graduou-se advogada em 1933. Finalmente, em 1930 tra- mitava no Senado um proje- to que estendia às mulheres o direito de voto e que che- gou a ser aprovado em se- gunda discussão naquela casa, mas com a Revolução de 1930 as atividades parla- mentares foram suspensas. Vitorioso o movimento re- volucionário, as forças polí- ticas democráticas se ar- ticularam para pressionar pela realização de eleições. Chegado o momento de re- digir o Código Eleitoral, o chefe do Governo Provisório nomeou uma comissão de juristas, encarregada de ela- borá-lo, dentre eles, uma mulher, Bertha Lutz. Por pouco, o direito de voto às mulheres não foi incorpora- do ao texto legal, uma vez que os membros da comis- são se dividiram a esse res- peito. O jurista Assis Brasil – coautor do anteprojeto do Código Eleitoral, apresenta- do ao exame da comissão em agosto de 1931 – e outros defendiam a tese de que a matéria deveria ser exami- nada pela Assembleia Cons- tituinte. Bertha e outros membros da comissão plei- tearam a imediata inclusão da matéria no novo Código, e na defesa firme de suas po- sições, Bertha teve o apoio de centenas de mulheres por ela representadas naquele fó- rum. Finalmente, em feve- reiro de 1932, Getúlio Var- gas assinou o novo Código Eleitoral, onde estava previs- to o direito de voto às mu- lheres. SCHUMAHER, S.; BRAZIL, Érico Vital (Org.). Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. p. 106-108. O texto “Mulheres na Repúbli- ca” desenvolve as competên- cias gerais e específicas CG1, CG2, CG6, CG9, CG10, CCH1, CCH2, CCH5, CCH6 e CEH1, bem como as habilidades EF09HI08 e EF09HI09, na medida em que analisam o protagonismo das mulheres na vida política do Brasil no início da República. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 27 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR28 Política indigenista Em 1910, com o objetivo de proteger os indígenas, o governo federal criou o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), dirigido pelo militar e sertanista Cândido Mariano da Silva Rondon (1865-1958), que ficou conhecido como Marechal Rondon. A criação do SPI ocorreu ao mesmo tempo em que as atividades eco- nômicas se expandiam pelo interior do país. Por isso, havia muitos conflitos por terras envolvendo posseiros e indígenas. O SPI deveria agir para preservar as terras e as culturas indígenas. Porém, na prática, isso não aconteceu. Muitos povos foram transferidos de suas terras e reunidos em territórios diferentes, nas chamadas “colônias indígenas”. Nessa época, ser indígena era considerado uma situação “transitória” por- que as políticas públicas na Primeira República tinham o objetivo de, aos pou- cos, transformar os indígenas em trabalhadores assalariados, obrigando-os a abandonar suas terras, seus hábitos e sua cultura. No plano jurídico, os indígenas foram tratados como “relativamente incapa- zes”, ou seja, não eram considerados cidadãos plenos e tinham de ser represen- tados por agentes do governo. O SPI funcionou em diversos formatos até 1967 quando, então, foi substituí- do pela Fundação Nacional do Índio (Funai), órgão que existe até hoje. Posseiro: aquele que detém a posse de alguma coisa: por exemplo, a posse da terra. C o m is sã o R o n d o n /A ce rv o d o M u se u d o Í n d io . Na fotografia, Cândido Rondon (que dirigiu o SPI) em reunião com indígenas do povo Parisí no Mato Grosso. Imagem do início do século XX, sem data definida. Museu do Índio, Rio de Janeiro. 28 Leitura complementar O texto a seguir explica, em linhas gerais, o que são políticas indigenistas: O que é política indigenista? A expressão “política in- digenista” foi utilizada por muito tempo como sinôni- mo de toda e qualquer ação política governamental que tivesse as populações indí- genas como objeto. As di- versas mudanças assistidas no campo do indigenismo nos últimos anos, no en- tanto, exigem que estabele- çamos uma definição mais precisa e menos ambígua do que seja a política indi- genista. Para dar conta desta tarefa, é importante d ist ing uir os d iversos agentes que interagem di- retamente com os povos indígenas situados em ter- ritório nacional. Primeiramente temos co- mo agentes principais os próprios povos indígenas, seus representantes e orga- nizações. O amadurecimen- to progressivo do mo- vimento indígena desde a década de 1970 e o conse- quente crescimento no nú- mero e d iversidade de organizações nativas, dirigi- das pelos próprios índios, nos sugere assim uma pri- meira distinção no campo indigenista: a “política indí- gena”, aquela protagonizada pelos próprios índios, não se confunde com a política in- digenista e nem a ela está submetida. Entretanto, co- mo pode ser visto na seção “Iniciativas Indígenas”, boa parte das organizações e li- deranças indígenas vem au- mentando sua participação na formulação e execução das políticas para os povos indígenas. Numa segunda distinção, encontramos outros seg- mentos que interagem com os povos indígenas e que, também como eles, têm au- mentado sua participação na formulação e execução de políticas indigenistas, antes atribuídas exclusivamente ao Estado brasileiro. Nesse conjunto encontramos prin- cipalmente as organiza- ções não governamentais (ONGs). Somam-se a este universo de agentes não in- dígenas as organizações reli- giosas católicas e protes- tantes que se relacionam com os povos indígenas há muito tempo em diversos O texto “Política indigenista” desenvolve a habilidade EF09HI07, pois identifica a questão da terra como uma demanda dos povos indíge- nas que viviam no Brasil du- rante a República Oligárquica. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 28 11/18/18 11:45 AM 29UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Terra, produção e poder Durante a Primeira República, o café foi o principal produto exportado pelo Brasil. Nesse período, o café brasileiro abasteceu dois terços do mercado mun- dial. A tabela a seguir mostra a participação do café e de outros produtos agrí- colas nas exportações brasileiras entre 1889 e 1933. Principais produtos agrícolas de exportação do Brasil (1889-1933)* Produto Período Café Açúcar Cacau Mate Fumo Algodão Borracha Couro e pele Outros 1889-1897 67,6 6,6 1,5 1,1 1,2 2,9 11,8 2,4 4,9 1898-1910 52,7 1 2,7 2,7 2,8 2,1 25,7 4,2 5,2 1911-1913 61,7 0,3 2,3 3,1 1,9 2,1 20 4,2 4,4 1914-1918 47,4 3,9 4,2 3,4 2,8 1,4 12 7,5 17,4 1919-1923 58,8 4,7 3,3 2,4 2,6 3,4 3 5,3 16,5 1924-1929 72,5 0,4 3,3 2,9 2 3,4 2,8 4,5 9,7 1930-1933 69,1 0,6 3,5 3 1,8 1,9 0,8 4,3 15,5 Fonte: VILELA, Annibal Villanova;SUZIGAN, Wilson. Política do governo e crescimento da economia brasileira, 1889-1945. Rio de Janeiro: Ipea/Inpes, 1973. p. 70. * Participação (em %) na receita das exportações. O aumento do consumo de café na Europa e nos Estados Unidos expandiu a cafeicultura brasileira. A riqueza acumulada com sua exportação possibilitou o desenvolvimento de atividades industriais e de serviços tipicamente urbanos, principalmente na capital paulista e em Santos. Nessa época, ampliaram-se os transportes urbanos, investiu-se na pavimen- tação das ruas, na iluminação, no fornecimento de água, e o comércio cresceu. Expandiram-se também as estradas de ferro. Em São Paulo, as ferrovias Soro- cabana, Noroeste e Alta Mogiana acompanharam a expansão das lavouras em direção ao interior. De modo geral, as ferrovias contaram com investimentos do Estado e de empresários brasileiros e estrangeiros, sobretudo ingleses. Com as exportações em alta, os cafeicultores aumentaram suas plantações. No entanto, em certo momento, a produção do café foi bem maior que o consumo mundial do produto. Isso gerou uma crise de superprodução, pois existia mais café do que consumidores dispostos a comprá-lo. Estoques imensos do produto se acumularam e os preços desabaram. Antiga estação ferroviária do Valongo, em Santos, que fazia parte da estrada de ferro Santos-Jundiaí. Hoje, a estação foi reformada e de lá partem bondes turísticos que percorrem o centro antigo da cidade. Fotografia de 2017. D ie g o G ra n d i/ A la m y /F o to a re n a 29 U n id a d e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C a p ít u lo 2 campos de atuação e com objetivos bastante diferen- tes (mobilização política dos índios em prol de seus direitos; assistência à saúde e educação; evangelização e tradução da Bíblia para lín- guas indígenas, etc.). Contemporaneamente, portanto, temos um quadro bastante complexo no qual a política indigenista oficial (formulada e executada pelo Estado), em muitos dos seus aspectos tem sido formula- da e implementada a partir de parcerias formais estabe- lecidas entre setores gover- namentais, organizações indígenas, organizações não governamentais e missões religiosas. Povos Indígenas no Brasil (PIB). Disponível em: <https:// pib.socioambiental.org/pt/ O_que_%C3%A9_pol% C3%ADtica_indigenista>. Acesso em: 15 ago. 2018. O texto “Terra, produção e poder” desenvolve as habi- l i d a d e s EF09HI01 e EF09HI02, pois aborda as- pectos políticos, econômicos e sociais do Brasil durante a República Oligárquica. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 29 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR30 Convênio de Taubaté Em 1906, os cafeicultores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro se reuniram para solucionar a crise da produção. Nesse encontro foi realizado um acordo, entre produtores e governo federal, conhecido como Convênio de Taubaté. De acordo com o Convênio, em épocas de superprodução, o governo adota- ria uma política de valorização do produto. Assim, o café excedente seria com- prado pelo governo e estocado, para ser vendido quando os preços subissem. Para comprar esse café, o governo faria empréstimos no exterior. A proposta, colocada em prática, garantiu o lucro dos cafeicultores. Só que os estoques do governo aumentavam ano após ano e nunca surgia uma opor- tunidade para vender o café. Isso se tornou um problema para os cofres públi- cos. Os produtores, por sua vez, investiram seus lucros na plantação de mais pés de café, já que a venda do produto estava garantida pelo governo. Borracha na Amazônia Além do café, a borracha se destacou na eco- nomia brasileira da Primeira República. Produzida com o látex extraído das seringueiras, a borracha tornou-se um produto de grande procura nos paí- ses industrializados, sendo utilizada especialmente na produção de pneus. A maior reserva de seringueiras do mundo estava na Amazônia. Naquele período, o Brasil passou a suprir quase toda a demanda mundial por borracha. Entre 1891 e 1918, a região amazônica atraiu trabalhado- res de outras regiões, sobretudo do Nordeste, além de investimentos nacionais e estrangeiros. Cidades como Manaus e Belém viveram uma época de esplendor. Porém, logo os problemas começaram a aparecer. A borracha brasileira teve dificuldades para concorrer com a borracha das colônias inglesas no sudeste da Ásia, que chegou a abastecer cerca de 65% do mercado mundial em 1915. Esta situação se reverteu apenas durante a Segunda Guerra Mundial, quando a procura cresceu e os produtores brasileiros voltaram a exportar o produto em maior escala. Ta le s A zz i/ P u ls a r Im a g e n s L u c ia n a W h it a k e r/ P u ls a r Im a g e n s Extração de látex da seringueira na comunidade de Jamaraquara, Floresta Nacional do Tapajós, em Belterra, Pará. Fotografia de 2017. Vista do centro histórico de Manaus fotografado a partir de drone em 2017. No centro da imagem, o Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, um dos símbolos da riqueza advinda da borracha. 30 Leitura complementar Para aprofundar a ques- tão da história do Amazonas e do Pará, sugerimos a lei- tura do seguinte texto: Norte Formada pelos estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, a região Norte corresponde a quase metade do território brasileiro. Do- minada pela floresta ama- zônica e pela imensidão de seus rios, seus principais centros urbanos guardam vestígios de seu período de maior riqueza, a era da bor- racha, entre o final do sécu- lo XIX e o início do XX, quando o látex das serin- gueiras fez da região a mais rica do país. Algumas cida- des preservam marcas ain- da mais remotas: as dos primeiros esforços da Coroa portuguesa de firmar sua posse na região. Amazonas Tudo no estado do Ama- zonas é grandioso: é o maior estado da federação, tem o maior rio do mundo em volume de água, abriga o pico da Neblina, o mais alto do país, e de todos os estados é o que tem a maior população indígena. Ma- naus, sua capital, é a maior cidade do Norte. Às mar- gens do rio Negro, a cidade formou-se a partir da cons- trução da Fortaleza de São José da Barra do Rio Negro, em 1669, e, em 1880, com a borracha, atingiu seu apo- geu urbanístico e arquitetô- nico, transformando-se numa cidade moderna, a “Paris dos Trópicos”, até en- trar em decadência nas pri- meiras décadas do século XX, com a concorrência da produção dos seringais do sudeste da Ásia. Várias edificações de Ma- naus atestam o período áu- reo da borracha. Entre elas estão o Porto de Manaus, inaugurado em 1907, uma construção f lutuante que acompanha o nível das águas do rio Negro; o Mer- cado Municipal Adolpho Lisboa, cópia do mercado Les Halles, de Paris, cons- truído em 1882 com uma es- trutura pré-fabricada vinda da Inglaterra; o Palácio Rio Negro, comprado em 1918 para ser sede do governo; e, sobretudo, o maior símbolo do ciclo da borracha: o Tea- tro Amazonas, inaugura- do em 1896. O préd io Orientações didáticas É interessante pesquisar e apresentar aos estudantes foto- grafias dos patrimônios históricos de Manaus e Belém relacio- nados à produção de borracha no começo do século XX. A Leitu- ra complementar, reproduzida nesta página, pode orientar a pesquisa. A seção Investigando desen- volve as competências ge- rais e específicas CG1, CG9, CG10, CCH1 e CEH4. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 30 11/18/18 11:45 AM 31UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Imigração Entre 1890 e 1930, calcula-se que cerca de 3,5 milhões de europeus e asiáticos imigraram para o Brasil. Eles vieram para o país buscando trabalho, melhores condições de vida e talvez sonhando em enriquecer. A maioria dos imigrantes foi trabalhar nas lavouras de café, e uma minoria, nas indústrias, no comércio e no setor de serviços. Nessas quatro décadas, os italianos representaram cerca de 33% dos imi- grantes que chegaramao país. Na sequência, vinham os portugueses (29%) e os espanhóis (15%). Outros grupos vieram em menor número, como alemães, japoneses, sírios, libaneses, russos, lituanos e austríacos. O estado de São Paulo recebeu, aproximadamente, 57% do total desses imigrantes. Mas o que explica essa força de atração exercida por São Paulo? Vejamos algumas explicações: • a expansão das plantações de café no estado, que dependia de mão de obra barata; • a política de incentivo à imigração do governo paulista, com propagandas no exterior, concessão de passagens e alojamento para os trabalhadores nos primeiros dias após a chegada. A vinda de imigrantes trouxe mudanças, principalmente no Sudeste e no Sul. Os hábitos dos imigrantes transformaram a alimentação, a moradia e a rotina de trabalho dos brasileiros. • Você é ou conhece algum descendente de imigrantes? Se sim, de que país? Procure descobrir a época em que esses imigrantes vieram para o Brasil e os motivos que os levaram a deixar seu país de origem. Investigando A c e rv o I c o n o g ra p h ia /R e m in is c • n c ia s Trabalhadores negros Os trabalhadores negros, após a abolição da escravidão, mantiveram-se nas mais diversas atividades produtivas. Tornaram-se assalariados, trabalhando tan- to no campo quanto nas cidades. Conviveram, em vários lugares, com os imi- grantes que chegavam ao país. A inserção dos negros no mercado de trabalho foi dificultada pela ausência de políticas públicas voltadas para essa população após a abolição. Homens e mulheres negros não foram compensados pelos danos causados pela escra- vidão. Os governos republicanos não se empenharam em promover acesso à educação e à terra para a população negra. Além disso, os negros enfrentaram o racismo, que prejudicava sua integração à cidadania e ao mundo do trabalho. Imigrantes japoneses trabalhando em lavoura de cafŽ. Fotografia dos anos 1930. 31 U n id a d e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C a p ít u lo 2 imponente pode ser visto de vários lugares da cidade, foi palco de grandes espetácu- los nacionais e internacio- nais e guarda preciosidades, como tapeçarias e pintura do teto assinadas por Dome- nico de Angelis; ornamentos sobre colunas do pavimento térreo, com máscaras em homenagem a dramaturgos e compositores clássicos; te- las sobre o teto abobadado pintadas em Paris com ale- gorias à música, dança, tra- gédia e uma homenagem ao compositor Carlos Gomes; a pintura do pano de boca do palco, que faz referência ao encontro das águas dos rios Negro e Solimões; e a cúpula revestida com 20 mil telhas vitrificadas com as cores da bandeira do Brasil. Par‡ Segundo maior estado do Brasil, com muita riqueza ecológica e recursos natu- rais diversificados, o Pará possui a beleza do mar e das montanhas. Belém, a capi- tal, nasceu em 1616, às mar- gens da baía de Guajará, nos estuários dos rios To- cantins e Guamá, perto de Marajó, a maior ilha fluvial do mundo. O povoado, edi- ficado a partir da implanta- ção do Forte Presépio, foi fundado como parte da es- tratégia de expansão do Im- pério Ibérico e de conquista do Amazonas. Foi a primei- ra capital da Amazônia. Durante o ciclo da borra- cha, Belém foi uma cidade muito próspera e suas edifi- cações luxuosas são um tes- temunho do período. [...] Belém também guarda sua memória no Theatro da Paz, inspirado no Teatro Scala de Milão, no Cinema Olympia, inaugurado em 1912, um dos mais luxuosos e moder- nos do seu tempo e o mais antigo em funcionamento no país; e no cartão-postal da cidade, o Mercado Ver-o- -Peso, antigo entreposto pa- ra conferir o peso das mer- cadorias, inaugurado em 1894. Construído com es- truturas e pórticos de ferro importados da França, da Inglaterra e dos Estados Unidos, esse mercado é úni- co no mundo pela quantida- de e diversidade de cores, sabores e cheiros dos produ- tos que lá são vendidos. [...] KOK, Glória. Memórias do Brasil – uma viagem pelo patri- mônio artístico, histórico, cultural e ambiental. São Paulo: Terceiro Nome, 2011. p. 199-203. Investigando Resposta pessoal. No Brasil, existem muitas pessoas que são descendentes de imigrantes ou são imigrantes de primeira ge- ração. Por isso, é interessante resgatar essas experiências e memórias. Essa atividade pode ser uma oportunidade para os alunos realizarem uma entrevista. O professor encontra orien- tações sobre entrevistas no Manual, Usos e possibilidades de trabalho, Fontes orais. Outras indicações Visite presencial ou virtualmente espaços culturais dedicados à preservação de memórias relacionadas à imigração no Brasil. No estado de São Paulo, por exemplo, existem o Museu Histórico da Imigração Japonesa (http://www.museubunkyo.org.br/) e o Museu da Imigração do Estado de São Paulo (http://museudaimigracao. org.br/). Além disso, é possível assistir com os alunos a um episódio do programa Conhecendo Museus, sobre o Museu da Imigração do Estado de São Paulo, disponível em: <https://youtu.be/mur9GjyA nh8> (acesso em: 15 ago. 2018). 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 31 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR32 Urbanização e industrialização Atualmente, a atividade econômica do Brasil é diversificada, tanto em ser- viços quanto na produção de bens industriais e agropecuários. Além disso, de acordo com o censo de 2010, podemos dizer que de cada 100 brasileiros, 84 vivem em cidades. Durante a Primeira República, porém, a situação do país era bem diferente. Analisando a tabela abaixo, você pode perceber que, em 1920, a sociedade e a economia brasileiras eram fortemente rurais. Quase 70% da população se dedicava à agricultura. População brasileira em atividade (1920) Tipo de atividade econômica Milhões de pessoas empregadas Porcentagem (%) Agricultura 6,3 69,7 Serviços 1,5 16,5 Indústria 1,2 13,8 Total 9,0 100,0 Fonte: Censo Geral de 1920. Disponível em: <https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv6383.pdf>. Acesso em: 21 ago. 2018. Ao longo da Primeira República, algumas cidades brasileiras cresceram com o aumento da população, o desenvolvimento do comércio e o avanço da indus- trialização. A urbanização impactou várias regiões do país, embora a atividade rural mantivesse sua importância econômica. Uma das causas do avanço indus- trial foi o processo de substituição de importações. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que será estudada mais adiante, o Brasil teve dificuldade de importar produtos industrializados, sobre- tudo da Europa, principal palco do conflito. Para substituir essas importações, houve um estímulo à instalação de fábricas que produzissem, por exemplo, rou- pas, calçados, materiais de construção, móveis e alimentos. Nesse contexto, a riqueza acumulada nas expor- tações de café contribuiu para expandir a indústria nacional. Em 1920, São Paulo tor- nou-se o principal centro in- dustrial brasileiro, com 31% das fábricas, seguido pelo Rio de Janeiro, com 20,8%, e pelo Rio Grande do Sul, com 11%. Destacavam-se os seto- res têxtil, de algodão, alimen- tação, bebidas e roupas. A c e rv o I c o n o g ra p h ia /R e m in is c ê n c ia s Fotografia retratando tecelãs no trabalho industrial, na cidade de São Paulo, por volta de 1920. 32 Leitura complementar A repressão contra os operários, nacionais ou es- trangeiros, era parte de uma política de Estado. O tema foi discutido no texto trans- crito a seguir. Neste texto, contrapo- nho-me à ideia de que, na Primeira República, a ação reivindicatória operária era tratada fundamentalmente como questão de polícia […]. Examinando-se múlti- plos casos […], notam-se al- guns traços constantes na ação governamental neste campo: a recusa do anar- quismo como interlocutor legítimo, o favorecimento a formas de associação ope- rária que não se chocassem com a concepção de ordem pública da época, como o cooperativismoetc. e a re- pressão quando se conside- rava estar em jogo essa ordem […]. Examinando-se os rela- tos de ação da polícia nas greves daquele período, constatam-se frequentes indícios de que os policiais envolvidos em atos de re- pressão à movimentação operária mantinham, com os patrões aos quais favore- ciam, laços muito próxi- mos e de que esses laços não se explicam pela refe- rência a uma política de Estado, e sim por compen- sações de diversas ordens, entre as quais a distribui- ção de propinas. Assim, quando o jornal A Nação fala, a respeito das greves de sapateiros e sapateiras de 1902-1903, no Rio, [afir- ma] que a polícia está “a serviço dos patrões” […]. Em dezembro de 1903, o jornal A Nação envia advo- gado para tentar soltar 5 grevistas. Obtida do chefe de polícia a soltura de 3 de- les, o jornalista fica saben- do, destes, que “o escrivão da delegacia e o agente pe- diram 100 mil réis a cada preso, garantindo-lhes a soltura”. O articulista co- menta: “É possível também que estes subalternos sejam agentes diretos dos ganan- ciosos e implacáveis patrões que, esses, não cansam em armar tropeços e ardis”. Se é possível soltar os grevistas por meio de propina, é pro- vável que os subalternos es- tivessem agindo por conta própria […], obtendo, pos- teriormente, o aval do chefe de polícia […]. O texto “Trabalhadores negros” desenvolve as competências gerais e específicas CG1, CCH1, CCH2 e CEH1, bem como as ha- bilidades EF09HI03, EF09HI04 e EF09HI07, sobretudo por abor- darem a situação dos negros no Brasil após a abolição da escravidão. Já o texto “Urbanização e industrialização” desen- volve a habilidade EF09HI05, pois identifica os processos de urbanização e modernização da sociedade brasileira, bem como seus impactos e contradições. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 32 11/18/18 11:45 AM 33UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Vida de operário Cada vez mais trabalhadores conseguiam emprego nas indústrias, o que trouxe mudanças para as cidades. Os operários e outros trabalhadores pobres enfrentaram problemas de exclusão social como: moradias precárias, falta de saneamento básico e ausência de acesso à saúde pública. Entre as moradias precárias estavam os cortiços, que se caracterizavam por um conjunto de pe- quenas casas onde os moradores tinham, por exemplo, que compartilhar um único banheiro ou um tanque para lavar roupas. Diante dessas condições, os operários passaram a lutar por direitos sociais e participação política. Nas fábricas, as condições de trabalho dos operários também eram difíceis. Trabalhava-se até 15 horas por dia, de segunda a sábado e, às vezes, aos do- mingos. Não havia direitos trabalhistas como salário mínimo, férias, horas ex- tras ou jornada de trabalho definida. As instalações industriais eram apertadas, mal iluminadas, quentes e sem ventilação. Geralmente, não se cuidava da higiene e da segurança nas fábricas. Por isso, ocorriam muitos acidentes de trabalho e doenças. As principais vítimas eram as crianças. Houve, então, protestos e reivindicações dos operários. As organizações operá- rias – como os sindicatos, que lutavam por direitos trabalhistas – se fortaleceram. Entre as correntes políticas que influenciaram o movimento operário, desta- cou-se, de início, o anarquismo. Mas havia outras tendências atuantes, como a corrente católica, que procurava afastar o operariado da influência anar- quista e socialista, e o sindicalismo revolucionário, que defendia a greve como principal instrumento de luta. A c e rv o I c o n o g ra p h ia /R e m in is c • n c ia s Operários de uma indústria paulista posam para fotografia, por volta de 1910. Entre eles, havia inúmeras crianças. 33 U n id a d e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C a p ít u lo 2 Em conclusão, não havia uma política fundamental- mente repressiva em relação ao movimento operário na Primeira República. O que havia era um acesso dife- renciado dos patrões aos meios de repressão, confor- me seu poder de influência sobre os policiais: relações privilegiadas com autorida- des públicas, coincidência da figura do patrão com a da autoridade e, pura e sim- plesmente, pagamento de propina. Assim, as grandes fábricas têxteis podiam es- perar contar com maior so- licitude dos policiais que as pequenas fábricas de sapa- tos, chapéus ou os canteiros de obras, já que o poder de solicitação do patrão estava relacionado também a sua capitalização […]. VARGAS, João Tristan. A polícia e o movimento operá- rio na Primeira República. In: Textos e apresentações do GT Mundos do Trabalho no XXIII Simpósio Nacional de História. Londrina: ANPUH: 2005. Disponível em <http://anpuh. org/anais/?p=17699> (acesso em: 12 maio 2014). Os textos “Vida de operário” e “Greve de 1917”, além da habilidade EF09HI05, de- senvolvem a habilidade EF09HI09, pois relacionam a conquista de direitos à atuação de movimentos sociais. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 33 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR34 Greve de 1917 Em julho de 1917, em São Paulo, foi organizada a primeira greve geral do Brasil, motivada pelo descontentamento dos operários com as condições de trabalho que enfrentavam. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d o N e g ro d e C a m p in a s , S P. • Além da greve, de que outras formas os trabalhadores podem reivindicar seus direitos atualmente? Pesquise. Investigando R e p ro d u ç ã o /A rq u iv o E d g a rd L e u e n ro th , U n ic a m p , C a m p in a s , S P. Durante a greve de 1917, houve repressão policial. Em uma manifestação, no dia 9 de julho, o jovem sapateiro e anarquista José Martinez morreu baleado por tropas do governo. Esse fato ampliou a greve, que se estendeu para outras fábricas de São Paulo e de diversas regiões do país. O enterro de Martinez se transformou em uma grande manifestação contrária à violência policial empre- gada contra os grevistas. Dezenas de fábricas tiveram suas atividades paralisadas. Em 12 de julho, pa- deiros, leiteiros e funcionários da companhia de gás e iluminação aderiram ao movimento e a cidade de São Paulo amanheceu sem leite, pão, energia ou trans- porte público. Estima-se que entre 50 e 70 mil trabalhadores tenham participado da greve geral. Os grevistas reivindicavam aumentos salariais de 20%, jornada de 8 horas de trabalho diário, direito de associação e libertação dos grevistas presos. Diante da força do movimento e da organização dos operários, o governo e os industriais tiveram de negociar. Concordaram em não punir os grevistas e prometeram aos operários melhores salários e condições de trabalho. No en- tanto, os compromissos não foram cumpridos, provocando novas greves em 1919 e em 1920. Fotografia do cortejo fúnebre do operário José Martinez (1896-1917), no centro de São Paulo, em 11 de julho de 1917. O jovem de 21 anos foi morto pela repressão policial na porta da fábrica Mariângela, no bairro do Brás, no dia 9 de julho de 1917, quando participava da greve. Na fotografia, sentado no canto à esquerda, Armando Gomes (1888-1944), ferroviário que participou da greve geral de 1917 em Campinas (SP). Depois da greve geral de 1917, na qual foi preso, voltou a atuar na greve de 1920 e foi um dos fundadores da Liga Humanitária dos Homens de Cor, em Campinas. Museu do Negro de Campinas. 34 Leitura complementar Para aprofundar os estu- dos acerca do movimento modernista brasileiro, leia o texto a seguir: Determinar o “início” do Modernismo no Brasil, já dissemos, não é uma tarefa simples. Se regredimos mui- to, podemos descaracterizar o movimento; se avança- mos, podemos ignorar ou esquecer figuras que te- nham pertencido à história, pioneiros ou participantes. Por exemplo: olhando estri- tamente para a história lite- rária, veremos que a ruptura da forma tradicionaldo ver- so já se encontrava em Má- rio Pederneiras (1868-1915), que caminhava do chamado verso polimétrico para o verso livre. Do mesmo mo- do, podemos observar nos livros de Lima Barreto, que se tornou um crítico dos modernistas, um enfoque social inovador, bem como uma quebra do padrão nar- rativo tradicional. [...] Mesmo a crônica urbana moderna – o retrato da ci- dade e seus habitantes – era praticada, em São Paulo e no Rio, por Ribeiro Couto (poesia), Hilário Tácito, Síl- vio Floreal e João do Rio (prosa e crônica), entre ou- tros, já no começo do sécu- lo. Os temas ligados ao regionalismo são, em litera- tura, anteriores a 22, e mes- mo a ideia de nacionalismo cultural pode ser vista em Euclides da Cunha, tam- bém nos primeiros anos do século XX. É interessante lembrar que, nesses mes- mos tempos, Mário de An- drade ou Manuel Bandeira ainda escreviam livros com formas próximas ao Neo- parnasianismo e ao Neo- -simbolismo. Assim, toda tentativa de demarcar “exatamente” o início do Modernismo é normalmente arbitrária. É sempre melhor pensar o movimento modernista, ou qualquer outro da história cultural, como um processo que vai se pontuando histo- ricamente, ao mesmo tempo que suas linhas e contornos vão se tornando mais fortes ou ganhando mais visibili- dade. Alguns historiadores cos- tumam eleger o ano de 1912 como marco simbólico do início do Modernismo em território brasileiro. Foi nes- se ano que Oswald de An- drade, um jovem intelectual filho da burguesia agrária paulistana, regressou da Europa trazendo informa- ções sobre o Futurismo, Investigando Resposta pessoal, em parte. Tema para reflexão e debate. Além da greve, os trabalhadores podem: buscar informações sobre di- reitos e deveres de sua categoria profissional, recorrer à Justiça do Trabalho, negociar com os patrões, eleger políticos comprome- tidos com determinados grupos profissionais, etc. Mais informa- ções sobre o assunto podem ser encontradas nos seguintes sites: • Tribunal Superior do Trabalho (http://www.tst.jus.br/web/ acesso-a-informacao/justica-do-trabalho). • Organização Internacional do Trabalho (https://www.ilo.org/ brasilia/lang-es/index.htm). (Acesso em: 15 ago. 2018.) A seção Investigando de- senvolve as competências gerais e específicas CG1, CG6, CCH2 e CEH1. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 34 11/18/18 11:46 AM 35UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Artes plásticas e literatura O Modernismo foi um importante movimento de renovação das artes plás- ticas e da literatura, que se desenvolveu no Brasil a partir dos anos 1920. Esse movimento cultural teve como marco a Semana de Arte Moderna, realizada em 1922 na cidade de São Paulo. No evento, destacaram-se artistas como os escritores Mário de Andrade (1893-1945), Menotti del Picchia (1892-1988) e Oswald de Andrade (1890- -1954), o músico Heitor Villa-Lobos (1887-1959) e os artistas plásticos Di Caval- canti (1897-1976), Anita Malfatti (1889-1964), Tarsila do Amaral (1886-1973) e Victor Brecheret (1894-1955). Os modernistas criticavam os valores estrangeiros adotados na arte brasileira. Para Mário de Andrade e Oswald de Andrade, por exemplo, essa crítica não significava isolamento. Pretendiam dialogar com o mundo a partir das caracte- rísticas culturais do país. O Modernismo não reuniu apenas artistas que pensavam da mesma forma. Ao contrário, abrigou grupos de tendências diferentes. O grupo Verde-Amare- lo, por exemplo, pregava um nacionalismo de tipo autoritário e a ele estavam ligados escritores como Cassiano Ricardo (1895-1974), Menotti del Picchia e Plínio Salgado (1895-1975). R e p ro d u • ‹ o /C o le • ‹ o p a rt ic u la r Retrato de Mário de Andrade, carvão e pastel sobre papel, 51 cm 3 41 cm, feito por Anita Malfatti em 1922. Coleção particular. 35 U n id a d e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C a p ít u lo 2 movimento intelectual ar- tístico italiano, chefiado pe- lo poeta Marinetti, que almejava uma arte ligada à nova civilização tecnológica que surgia. Vivia-se um momento no qual se buscava colocar o Brasil [...] em sintonia com as mudanças estéticas pro- postas pelos novos tempos. Esse foi, a princípio, o ideal artístico e político dos mo- dernistas. Mas eles teriam ainda de enfrentar, mesmo dentro dos meios cultos nacionais, uma mentalida- de avessa a transformações. Por isso, todas as ações que acabariam por desembocar na Semana de Arte Moder- na enquadraram-se num lento processo que envol- veu diversos personagens, muitas lutas e desentendi- mentos. Se, em 1912, podemos marcar a chegada de Os- wald de Andrade da Europa como um dos claros mo- mentos de necessidade e viabilidade de renovação, os anos posteriores nos darão, igualmente, elementos para demonstração não só do processo histórico que cul- minou na Semana, como também seus desdobra- mentos posteriores. Essa estada europeia e o contato com movimentos de vanguarda revelaram a Oswald de Andrade a ne- cessidade de modelar-se e atualizar as artes brasilei- ras, marcadas ainda pelo culto às formas do passado e pela ignorância das novas experiências e atitudes que aconteciam no mundo mo- derno. Sob essas inf luên- cias, Oswald chegou a es- crever um poema que foi destruído e perdido, tama- nha a zombaria que provo- cou entre amigos e artistas brasileiros. Dele só nos res- tou o título: “Último pas- seio de um tuberculoso pela cidade, de bonde”. Entretanto, apenas o título já evidenciava alguns dos procedimentos básico da primeira fase do Modernis- mo: a vida urbana como centro das ações (o “passeio” pela “cidade”), os frutos da civilização tecnológica mo- derna (o “bonde”), o humor e a ironia usados como arma contra a solenidade grandi- loquente da poesia tradicio- nal (o “último passeio de um tuberculoso”). [...] ALAMBERT, Francisco. A Semana de 22 Ð a aventura modernista no Brasil. São Paulo: Scipione, 1992. p. 28-30. O texto “Artes plásticas e literatura” desenvolve a competência geral CG3. Para contribuir no desenvolvimento do tema, exiba o Material Audiovisual “Origens da Semana de Arte Mo- derna: São Paulo como palco de transformação”, localizado no material digital do Manual do Professor. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 35 11/18/18 11:46 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR36 Painel Abaporu A pintura Abaporu é uma obra da artista brasileira Tarsila do Amaral. Esse quadro foi criado em 1928 para presentear o escritor Oswald de Andrade, com quem Tarsila era casada na época. Oswald decidiu chamar a obra de Abaporu, que, em tupi, quer dizer “antropófago”. É uma referên- cia à prática de alguns povos indígenas que acreditavam se apropriar das qualidades do inimigo depois de devorá-los. O quadro inspirou a criação do movimento antropofágico, liderado por Tarsila e Oswald. Esse movi- mento defendia que os modelos artísticos europeus deviam ser “devorados” e remodelados pela cultura brasileira para a criação de uma arte nacional. Abaporu, obra reproduzida abaixo, tornou-se um ícone do Modernismo brasileiro. Atualmente, per- tence ao Museu de Arte Latino-Americana (Malba), em Buenos Aires, Argentina. 1 O personagem retratado seria o in- dígena brasileiro, o nativo. 2 O pé e a mão gigantescos estariam plantados no chão brasileiro como o cacto, indicando que o indígena é o dono da terra. 3 O corpo é grande e desproporcio- nal à minúscula cabeça apoiada por um dos braços, também pequeno. 4 A enorme flor amarela que nasce no cacto representaria a força da natureza. 5 O Sol, que parece estar fora do quadro, ilumina o corpo do perso- nagem e a flor do cacto. 6 As cores azul, verde e amarelo são predominantes e correspondem às cores da bandeira nacional. 7 As formas são geométricas e dis- torcidas como as do Cubismo. As figuras são semelhantes às dos so- nhos do Surrealismo. O Cubismo e o Surrealismo são movimentos europeus de vanguardaartística do começo do século XX. Abaporu, pintura de Tarsila do Amaral, 1928. Óleo sobre tela, 85 cm 3 73 cm. Museu de Arte Latino-Americana, Buenos Aires, Argentina. T a rs ila d o A m a ra l E m p re e n d im e n to s /M u s e u d e A rt e L a ti n o -A m e ri c a n o d e B u e n o s A ir e s , A rg e n ti n a . 36 Leitura complementar A seguir, recomendamos que o professor leia um tre- cho da biografia da artista brasileira Tarsila do Amaral: Tarsila do Amaral (1886-1973) Nasceu em 1o de setembro de 1886 numa fazenda ca- feeira no município de Ca- pivari (SP). Sua mãe, dona Lídia, e uma professora bel- ga foram as responsáveis pela educação europeia que Tarsila teve na infância, contrastando com a vida interiorana no final do sé- culo XIX. Conforme os costumes da época, Tarsila casou-se ainda jovem com seu pri- mo André Teixeira Pinto, com quem teve sua única filha, Dulce. Logo após o nascimento da menina, separou-se do marido, causando escândalo para além do círculo familiar. Na capital paulista estu- dou escultura com Zadiz e Matoviani. Em 1917, passou a receber orientação de Pe- dro Alexandrino em dese- nho e pintura. O acade- micismo, no entanto, logo a enfastiou e seu caminho ar- tístico dirigiu-se para as ca- racterísticas impressionistas da pintura do alemão Georg Fischer Elpoms, que residia em São Paulo. Em junho de 1920, viajou para Paris, onde continuou seus estudos e frequentou ateliês de pintores como André Lhote, Albert Glei- zes e Fernand Léger. Sua pintura foi fortemente in- fluenciada por Léger, pas- sando a evidenciar claras tendências cubistas. Em 1922, apresentou uma tela no Salão dos Artistas Fran- ceses, em Paris, e em junho veio ao Brasil, aqui ficando até dezembro. Integrou-se ao movimento modernista em curso na cidade de São Paulo, formando com Ani- ta Malfatti, Menotti del Picchia, Oswald e Mário de Andrade, o chamado “gru- po dos cinco”. Tarsila pos- teriormente ficou sendo um dos símbolos do movi- mento. Ao encerrar seus estudos em Paris, com Lhote e Glei- zes, voltou mais uma vez a São Paulo em 1923. Na Se- mana Santa de 1924, em companhia de Oswald de Andrade, com quem se ca- saria em 1926, de Mário de Atividade complementar Formem grupos e pesquisem imagens de outras obras de Tarsila do Amaral e também pinturas e esculturas de outros ar- tistas brasileiros modernistas do início do século XX. Em segui- da, façam o que se pede: a) Produzam legendas para as imagens pesquisadas. As le- gendas devem conter informações como: nome da obra, no- me do artista, data em que a obra foi produzida, local em que a obra se encontra (custódia). b) Na interpretação de vocês, qual é o assunto da obra pes- quisada? c) Quais são as cores predominantes nesta obra? d) Que sentimentos a obra desperta em você? Resposta: Esta atividade, interdisciplinar com Arte e Língua Portuguesa, tem como objetivo fazer com que os estudantes va- lorizem e fruam as diversas manifestações artísticas e culturais, desenvolvendo a competência CG3 da BNCC. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 36 11/18/18 11:46 AM 37UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR Anita Malfatti Leia a seguir uma análise sobre a obra A Boba, de Anita Malfatti (1889-1964), que foi uma importante pintora modernista brasileira. Outras HISTÓRIAS Faça no cadernoAtividade • Observe a obra A Boba e responda às questões. a) Existe uma cor predominante na pintura? Qual? b) Qual é a expressão do rosto da mulher? Como ela está vestida e penteada? c) Que outro título você daria a essa pintura? Anita Malfatti foi considerada revolucionária ao fazer sua primeira exposição individual em São Paulo, em 1917, após seus estudos na Europa e nos Estados Unidos. Lá ela havia estudado com pintores expressionistas, que ensinaram a artista brasileira a liberar-se da representação realista, substituindo-a pela representação que captasse emoções e estados de espírito. Em A Boba, as cores do rosto, da roupa e do móvel que compõem a imagem se misturam. Os traços são fortes e soltos, transmitindo uma grande força no ato de pintar. [...] Essa mulher [representada na pintura] transmite fragilidade e mesmo um aspecto acabrunhado, por conta de detalhes como o cabelo repartido ao meio, o olhar doce mas perdido, a boca sem expressão, o conjunto um pouco reprimido. O efeito que o título dá à obra pode ter algo de autobiográfico, pois Anita Malfatti se considerava feia, desajeitada, por causa da atrofia que tinha na mão direita, que vivia escondendo. Era tímida. Esse acanhamento ou fragilidade, no entanto, se confrontam com a enorme força que a cor amarela emana. É como se o Sol estivesse sendo projetado de dentro da mulher, refletindo em toda a tela. [...] CANTON, Katia. Retrato da arte moderna: uma história no Brasil e no mundo ocidental. São Paulo: Martins Fontes, 2002. p. 66. Acabrunhado: abatido, entristecido. A Boba, de Anita Malfatti, 1915-1916. Óleo sobre tela, 61 cm 3 50,6 cm. Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo. R e p ro d u ç ã o /M u s e u d e A rt e C o n te m p o râ n e a d a U S P, S ã o P a u lo , S P. 37 U ni d ad e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C ap ít ul o 2 Andrade, de Olívia Guedes Penteado e do poeta francês Blaise Cendrars, que co- nhecera pouco antes na França, fez uma importante viagem pelas cidades histó- ricas de Minas Gerais. Essa viagem marcaria funda- mentalmente sua obra. O contato com o barroco bra- sileiro fez com que formas e cores se amalgamassem em seu espírito, definindo seu estilo puramente nacional. No ano anterior já executa- ra, em Paris, o quadro A negra, que refletia muito as cores de sua pátria. Mas foi a viagem a Minas (como também o contato com o carnaval carioca) que lhe proporcionou uma vivência mais direta, instrumentali- zando-a na fixação da vital brasilidade de sua pintura. Data de 1924, a ilustração que fez para a coletânea de poemas Feuilles de route e Le formose, de Blaise Cen- drars, sobre a viagem dele ao Brasil. Ao fazer a ilustra- ção do livro Pau-brasil, de Oswald de Andrade, publi- cado em 1925, Tarsila iden- tificou sua pintura com o movimento que tomou esse nome. Em 1926, além de uma viagem ao Oriente Mé- dio, realizou sua primeira exposição individual, em Paris, na Galeria Percier. Em 1928, já novamente no Brasil, pintou o Abaporu, obra que iria inspirar a emergência do movimento antropofágico, lançado por Oswald de Andrade e Raul Bopp. Novas viagens à Euro- pa e novas exposições indi- viduais foram se acres- centando à sua carreira. Em 1931, em Moscou, apresen- tando seus trabalhos no Mu- s eu de A r te Mo der na Ocidental, teve adquirida sua obra O pescador. [...] SCHUMAHER, S.; BRAZIL, Érico Vital [orgs.]. Dicionário mulheres do Brasil: de 1500 até a atualidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000. p. 503-504. Outras Histórias a) Nesta obra, observamos o uso de várias cores, como: ver- de, azul, vermelho/laranja e amarelo. Mas podemos dizer que a cor predominante é o amarelo. Comente que a cor amarela pode simbolizar uma luz solar irradiada pela própria perso- nagem da obra, o que contrasta com sua expressão facial. b) A mulher parece triste e acanhada. Ela veste uma camisa e seu cabelo está repartido ao meio. Explique que, segundo a crítica de arte Katia Canton, a fragilidade e o acanhamento da personagem podem estar relacionados à vida de Anita Malfatti, que se considerava feia, desajeitada e tímida. Assim, A boba seria uma espécie de retrato da vida interior da artista que o produziu. c) Resposta pessoal. Essa atividade tem o objetivo de esti- mular a criatividade do estudante e sua educação estética. A seção Painel intitulada “Abaporu” e a seção Outras Histórias intitulada “Anita Malfatti” desenvolvem as competências CG3 e CEH3. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 37 11/18/18 11:46 AMUNIDADE 1 - CAPÍTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR38 O� cina de HISTÓRIAO� cina de HISTÓRIA Faça no caderno 1. Refl etindo sobre a reduzida participação da popu- lação brasileira na vida política da Primeira Repúbli- ca, atribui-se ao escritor Lima Barreto (1881-1922) a seguinte afi rmação: “O Brasil não tem povo, tem público”. Em grupo, respondam às questões. a) Vocês concordam com essa afi rmação? Expliquem. b) Como vocês participam da vida política do país? 2. Vamos fazer entrevistas sobre o trabalho e o lazer? a) Forme um grupo com os colegas. b) Escolham pessoas de seu convívio para entrevistar. c) Proponham as perguntas seguintes aos entre- vistados e registrem os dados obtidos por escri- to ou em áudio. • Qual é sua profi ssão? Há quantos anos exer- ce essa profi ssão? Você gosta do que faz? Por quê? • Em sua opinião, a educação escolar é impor- tante como preparação para a vida profi s- sional? Que conhecimentos específi cos são necessários para exercer sua profi ssão? • O que você gosta de fazer em seus horários de lazer? A que opções de lazer você tem acesso na região onde mora? Você as utiliza? d) Apresentem os resultados de suas entrevistas em sala de aula. e) Debatam com os colegas a seguinte frase do pensador alemão Karl Marx (1818-1883): “O tra- balhador só se sente feliz em seus dias de folga, enquanto no trabalho permanece aborrecido”. 3. A respeito das eleições atuais, debata algumas ideias com seus colegas e seu professor. a) Em sua opinião, os meios de comunicação, como internet, jornal e televisão, infl uenciam o voto do eleitor? Justifi que. b) Como podemos combater as fake news que manipulam os eleitores? 4. Observe a imagem abaixo e responda às questões. a) Em que data e lugar esta fotografi a foi tirada? b) O que está sendo mostrado na fotografi a? c) Quem está sendo mostrado? d) O que mais chamou sua atenção? Comente. Refletir e ampliar A c e rv o I c o n o g ra p h ia /R e m in is c • n c ia s Laura Brandão (1891-1942) discursa em comício de 1o de maio de 1919, em São Paulo. 38 Oficina de História Refletir e ampliar 1. a) Resposta pessoal. Espe- ra-se que eles percebam que, para Lima Barreto, o “público” é o que assiste, sem participar da “cena” (a vida política, no caso). A partir da análise da frase, incentivar os alunos a refle- tir sobre o grau de participa- ção da população brasileira na vida política atual. b) Resposta pessoal. Os estudantes, mesmo jo- vens, podem participar da vida política do país acom- panhando notícias, conver- sando sobre o assunto com seus colegas e familiares, participando de manifesta- ções públicas ligadas a questões nacionais, etc. 2. Atividade experimental que visa aproximar os assuntos estudados das vivências dos alunos, trabalhar com fontes não escritas (entre- vistas) e desenvolver o po- sicionamento crítico e reflexivo dos estudantes. Auxilie os alunos na elabo- ração dos roteiros das en- tr e v is tas. P ar a mais orientações, consulte na parte geral deste Manual a seção Fontes orais. 3. a) Resposta pessoal. Tema para reflexão e debate. Essa discussão poderá ter como ponto de partida as expe- riências dos próprios alu- nos. É provável que muitos deles já tenham assistido a programas eleitorais de par- tidos políticos na televisão (esse espaço é gratuito e ga- rantido por lei). Ao desenvol- ver essa atividade, instigue os alunos a analisarem as propagandas veiculadas, observando elementos co- mo: tecnologias aplicadas, contratação de atores, ma- quiagem, técnicas de filma- gem, escolhas de imagens e músicas (fotos, caricaturas, jingles, etc.). b) Resposta pessoal. De- pois de ouvir as respostas dos estudantes, o profes- sor pode comentar que existem muitas formas de combater as fake news. Entre elas, checar as fon- tes de informação, conferir a autoria da mensagem, verificar a data de publica- ção, confrontar a mensa- gem com outras fontes de pesquisa, etc. 4. a) Em 1o de maio de 1919, em São Paulo. b) Um comício. Explique que comício é uma reunião pública, geralmente realizada ao ar livre, na qual as pessoas se ma- nifestam em relação a um assunto ou na qual um candida- to a cargo eletivo apresenta suas propostas para possíveis eleitores. c) e d) Respostas pessoais. A foto mostra uma multidão ou- vindo o discurso de Laura Brandão, proferido no Dia do Traba- lhador. As obser vações dos alunos poderão ser feitas oralmente. Espera-se que eles observem o grande número de pessoas presentes no comício e a militância política de uma mulher — Laura Brandão —, em uma época na qual não era comum a participação feminina na condução de atos públicos. 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 38 11/18/18 11:46 AM 39UNIDADE 1 - CAPêTULO 2 - MANUAL DO PROFESSOR 6. O romance Anarquistas, graças a Deus, de Zélia Gattai, relata as memórias de infância da escritora, cujos pais eram descendentes diretos de imigrantes italianos que vieram com a família para a cidade de São Paulo. Leia um trecho retirado dessa obra e responda à questão. Fontes históricas 5. Analise a fonte histórica abaixo, que consiste numa representação da população brasileira divulgada pelo Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio na década de 1920. R e p ro d u ç ã o /I B G E - I n s ti tu to B ra s ile ir o d e G e o g ra fi a e E s ta tí s ti c a Integrar com LÍNGUA PORTUGUESA Num casarão antigo, situado na alameda Santos número 8, nasci, cresci e passei parte de minha adolescência. Ernesto Gattai, meu pai, alugara a casa por volta de 1910, casa espaçosa, porém despro- vida de conforto. [...] Para quem vem do centro da cidade, a alameda Santos é a primeira rua paralela à avenida Paulista, onde residiam, na época, os ricaços, os graúdos, na maioria novos-ricos. Da praça Olavo Bilac até o largo do Paraíso, era aquele desparrame de ostentação! Pala- cetes rodeados de parques e jardins, construí- dos, em geral, de acordo com a nacionalida- de do proprietário: os de estilo mourisco, em sua maioria, pertenciam a árabes, claro! Os de varandas de altas colunas, que imitavam os palazzos romanos antigos, denunciavam — logicamente — moradores italianos. Não era, pois, difícil, pela fachada da casa, identificar a nacionalidade do dono. GATTAI, Zélia. Anarquistas, graças a Deus. São Paulo: Companhia das Letras, 2004. p. 13-14. • Em sua opinião, quem eram os novos-ricos mencionados por Zélia Gattai nesse trecho? Retome o texto do capítulo e busque possíveis explicações para esse enriquecimento, que se refletia como um “desparrame de ostentação”. Desparrame: ato de esparramar, espalhar. a) Que figura é usada para representar a população brasileira? b) Em sua interpretação, por que essa figura foi escolhida? Formule hipóteses. c) Como você representaria a população brasileira? Por quê? Representação da população brasileira a partir dos dados de Recenseamento de 1920. 39 U n id ad e 1 R e p ú b li ca o li g á rq u ic a C ap ít u lo 2 Integrar com Língua Portuguesa 6. Provavelmente, os novos- -ricos eram os industriais que estabeleceram mora- dia nessa região da cidade de São Paulo. A riqueza ob- tida por meio do café e da industrialização pode ser mencionada pelos alunos para justificar o “desparra- me de ostentação” a que se refere a escritora. Fontes históricas 5. Atividade de leitura e interpretação de imagem. A imagem mostra o aumento numérico da população brasileira ao longo de séculos. Reflita com seus alunos sobre o fato de o símbolo que representa a população ser a figura de um homem branco, relacionando ao lugar que as mulheres e os negros ocupavam na sociedade brasileira no início do século XX. Caso considere conveniente, estimule os estu- dantes a criar suas próprias representações da população brasileira inspirando-se na diversidade étnica e cultural do país. Nessa seção, são desenvol- vidas as seguintes compe- tênciasda BNCC: • CG1 (atividades 1, 2 e 3); • CG2 (atividade 5); • CG3 (atividade 3); • CG6 (atividade 2); • CG9 (atividade 2); • CG10 (atividade 1); • CCH1 (atividade 5); • CCH2 (atividades 1, 2 e 3); • CCH6 (atividade 2); • CEH1 (atividades 1, 2 e 3); • CEH3 (atividades 4, 5 e 6); • CEH4 (atividades 1 e 2). 9HISTORIARg20MP_U1_cap02_022a039.indd 39 11/18/18 11:46 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR40 UNIDADE 1 3 Brasil República CAPÍTULO 1. Você reage diante de injustiças sociais? Comente. 2. Você conhece movimentos sociais que lutam atualmente por melhores condições de vida? Dê exemplos. Investigando Representações de Lampião e Maria Bonita inspiradas na obra do artista popular Mestre Vitalino (1909-1963). No começo do século XX, milhões de brasileiros viviam na pobreza, sem acesso à terra, educação, saúde pública e justiça. Em reação a isso, surgiram movimentos diver- sos que, no fundo, buscavam melhores con- dições de vida. Foi o caso da Guerra de Ca- nudos, da Guerra do Contestado, da Revolta da Vacina, do tenentismo e do cangaço. Va- mos conhecer um pouco dessas histórias. Revoltas na Primeira República R o g é ri o R e is /P u ls a r Im a g e n s 40 Objetivos do capítulo • Analisar as revoltas popula- res lideradas por políticos e religiosos que ocorreram no início do Brasil República, como a Guerra de Canudos e a Guerra do Contestado. • Refletir sobre a ambiva- lência do cangaço no Nor- deste e seus impactos na cultura brasileira. • Compreender os movimen- tos sociais urbanos, iden- tificando as contradições da modernização e urbani- zação do Brasil no início da República. • Conhecer reivindicações de brasileiros que permanece- ram marginalizados após a instituição da República, sobretudo negros e pobres, na cidade e no campo. Investigando 1. Resposta pessoal. Tema para reflexão e debate. Pa- ra realizar essa atividade, questione os alunos sobre o que eles entendem por in- justiças sociais. É interes- sante escrever na lousa os exemplos de injustiças so- ciais apresentados pelos estudantes. Em seguida, a classe deve refletir e deba- ter formas de combater es- sas injustiças. 2. No Brasil, por exemplo, existem vários movimen- tos sociais. Entre eles, po- demos citar: Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Movimento dos Trabalhadores Sem Te- to (MTST) e diversos movi- mentos em defesa dos indígenas, dos negros e das mulheres. Incentive os estudantes a identificarem movimentos que atuam na região onde eles vivem. Correspondência dos conteúdos com a BNCC Objetos de conhecimento Habilidades Experiências republicanas e práticas autoritárias: as tensões e disputas do mundo contemporâneo A proclamação da República e seus primeiros desdobramentos EF09HI02 – Caracterizar e compreender os ciclos da história republicana até 1954. Primeira República e suas características EF09HI05 – Identificar os processos de urbanização e moderni- zação da sociedade brasileira e avaliar suas contradições e im- pactos na região em que vive. 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 40 11/18/18 11:45 AM 41UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR 41 Competências da BNCC Competência Geral • CG2; CG3; CG4; CG8; CG9; CG10 Competência Específica de Ciências Humanas • CCH1; CCH2; CCH4; CCH5; CCH6 Competência Específica de História • CEH3; CEH4 Orientações didáticas E s te capí tulo aborda a questão dos movimentos e das revoltas sociais ocorridos durante a Primeira República e também as estratégias utili- zadas pelos primeiros gover- nos republicanos brasileiros para lidar com as reivindica- ções populares. O conteúdo do capítulo possibilita a compreensão de como o desrespeito pelos di- ferentes modos de pensar e agir, isto é, o desrespeito às diferenças (políticas, étni- cas, religiosas, culturais) pode levar a consequências trágicas, como as que resul- taram nos massacres de Ca- nudos e do Contestado e nas revoltas da Vacina e da Chiba- ta, por exemplo. Além disso, diferentes formas de ação política podem ser confronta- das, considerando movimen- tos como a Coluna Prestes e o Tenentismo. Na conversa inicial com os estudantes, sugerimos uma reflexão sobre o Brasil con- temporâneo. Atualmente, há desigualdades que resultam em violência, assim como há tentativas de mudar essa si- tuação – por exemplo, os mo- vimentos sociais dos sem- -terra, dos sem-teto e outros voltados à luta pela igualdade de direitos de gênero e orien- tação sexual. Após o levanta- mento de problemas atuais referentes a injustiças so- ciais, pode-se iniciar os estu- dos sobre as revoltas e os movimentos sociais que agi- taram a Primeira República. Objeto de conhecimento Habilidade A questão indígena durante a República (até 1964) EF09HI07 – Identificar e explicar, em meio a lógicas de inclusão e exclusão, as pautas dos povos indígenas, no contexto republica- no (até 1964), e das populações afrodescendentes. 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 41 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR42 Religiosidade e revoltas populares A palavra messianismo deriva de messias, que significa “enviado de Deus”, “salvador”. É um termo ligado às religiões judaica e cristã. Na história do Brasil, o termo messianismo é usado para se referir aos mo- vimentos sociais em que milhares de pessoas formaram comunidades sob a influência de um líder político e religioso. De modo geral, essas comunidades acreditavam que seu líder tinha dons para guiar as pessoas, fazer milagres e curas. Durante a Primeira República, os principais movimentos desse tipo ocorreram em áreas rurais, sendo que os dois mais conhecidos foram: Canudos, na Bahia, e o Contestado, entre Santa Catarina e Paraná. Guerra de Canudos (1896-1897) No final do século XIX, milhares de nordestinos enfrentavam sérios problemas. Nessa região, a propriedade da terra concentrava-se nas mãos dos coronéis e a produção de açúcar diminuía. Além disso, as secas periódicas eram arrasadoras. Nesse contexto, destacou-se a figura de Antônio Vicente Mendes Maciel (1830-1897), conhecido como Antônio Conselheiro. Ele andava pelo sertão nordestino fazendo pregações políticas e religiosas que atraíam crescente nú- mero de pessoas. Em 1893, aos 65 anos, Antônio Conselheiro chegou a uma fazenda aban- donada às margens do rio Vaza-Barris, no interior baiano. Nesse lugar, liderou a formação do povoado de Belo Monte, depois chamado de Canudos. Suas ações conquistavam a admiração dos sertanejos. Um dos lemas de Conselheiro era: “A terra não tem dono, a terra é de todos”. Em Canudos, os moradores ti- nham uma vida diferente da de outros lugares do país. Ali viviam sertanejos sem terras, vaqueiros sem trabalho, ex-escravizados e pequenos proprietários pobres. A comunidade tornou-se um refú- gio para homens e mulheres que tentavam escapar da opressão dos coronéis. Em pouco tempo, a população de Canudos cres- ceu, reunindo de 20 mil a 30 mil habitantes. R e p ro d u ç ã o /S o n y P ic tu re s Nesse povoado, os frutos do trabalho eram repartidos entre seus mem- bros e os excedentes da produção eram trocados nos povoados vizinhos. Não se cobravam impostos e eram proibidas a prostituição e a venda de bebidas alcoólicas. Cartaz do filme Guerra de Canudos, de Sergio Rezende, 1997. 42 Leitura complementar Para complementar os estudos sobre Canudos, su- gerimos a leitura do texto a seguir, que aborda aspec- tos da organização desse povoado. A organização O arraial desenvolveu-se com rapidez, tornando-se logo uma cidade populosa. Diariamente chegava gran- de quantidade de pessoas, vindas de diversas regiões. Famílias inteiras vendiam o pouco que possuíam e par- tiam para a cidade, julgan- do-a sagrada ou, pelo menos, diferente das outras. Muitos foragidos, persegui- dos das autoridades policiais e políticas ou ex-cangacei- ros, também viam na nova cidade a possibilidade de vi- vermelhor. A população de Canudos foi, dessa forma, tornando-se heterogênea: entre os crentes fervorosos conviviam aqueles que usu- fruíam da vantajosa distân- cia da lei. Entretanto, não era mui- to simples estabelecer-se em Canudos. Tudo estava subordinado ao arbítrio do Conselheiro. Ele não só de- cidia quem podia ou não v iver no arraia l, como também estabelecera nor- mas rígidas de conduta. O uso de bebidas alcoólicas era terminantemente proi- bido, assim como as arrua- ças, a prostituição e crimes de morte. A penalidade ir- revogável era a expulsão. Desse modo, sob o co- mando do beato, o arraial foi crescendo sem nenhum planejamento. Em média, construíam-se 12 casas por dia. Eram feitas de tai- pa e espalhavam-se sem alinhamento pelo povoa- do, formando pátios inter- nos e becos es t re itos . Construídas irregular- mente, de frente, de lado ou de fundos, deram ao povoado um aspecto de la- birinto. Havia apenas uma rua, que partia da Praça da Igreja Velha e dividia a ci- dade em duas partes. Além das casas de mora- dia, a cidade contava com duas escolas, algumas far- mácias, oficinas, onde se fabricavam instrumentos de trabalho e armas rústi- cas, e alguns poucos esta- belecimentos comercias. Em Canudos todos ti- nham de trabalhar. A terra O texto “Religiosidade e revoltas po- pulares” desenvolve a competência específica CEH4. Já o texto “Guerra de Canudos (1896-1897)” trabalha a habilidade EF09HI07, na medida em que identifica ex-escravizados entre os habitantes do povoado de Canudos. 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 42 11/18/18 11:45 AM 43UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Os inimigos de Canudos diziam que ali vi- viam fanáticos e monarquistas. Para muitos líderes da Igreja católica, Antônio Conselhei- ro e seus seguidores desrespeitavam o cato- licismo. Para os latifundiários e autoridades do governo, Canudos era uma ameaça, pois seus moradores ocupavam terras e não pa- gavam impostos. As tropas dos coronéis locais e do governo estadual baiano tentaram destruir Canudos algumas vezes, mas a população resistiu aos ataques de seus inimigos. Contudo, em 5 de outubro de 1897, cerca de 10 mil homens armados foram enviados pelo ministro da Guerra, para atacar e des- truir Canudos. A grande maioria dos mora- dores morreu defendendo sua comunidade, numa das lutas mais trágicas da República. A Guerra de Canudos foi tema do livro Os Sert›es, do escritor Euclides da Cunha. Esse livro, publicado em 1902, alcançou grande sucesso e logo se tor- nou um clássico da literatura brasileira. Guerra do Contestado (1912-1916) Na divisa entre os estados do Paraná e de Santa Catarina ocorreu um movi- mento conhecido como Contestado. Nessa região, milhares de pessoas viviam em condições difíceis. Muitas trabalhavam para fazendeiros locais ou para as empresas estadunidenses Southern Brazil Lumber and Colonization, de coloni- zação e exploração de madeira, e Brazil Railway, de estradas de ferro. Os problemas sociais e a disputa pela terra se agravaram quando a Brazil Railway passou a contratar, em troca de baixos salários, pessoas de outras lo- calidades para construir a ferrovia que ligaria São Paulo ao Rio Grande do Sul. Guerra do Contestado (1912-1916) Fontes: elaborado com base em IBGE. Carta do Brasil ao milionésimo. Meio digital, 2003; QUEIROZ, M. V., 1981. Apud: FRAGA, Nilton César; LUDKA, Vanessa Maria. 100 anos da Guerra do Contestado, a maior guerra camponesa na América do Sul: uma análise dos efeitos sobre o território brasileiro. XII Colóquio de Geocrítica, Bogotá, 2012. p. 8. Disponível em: <www.ub.edu/ geocrit/coloquio2012/actas/09-N- Fraga.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018. 1. Existem ferrovias no Brasil atual? Cite uma delas. 2. Qual é o meio de transporte mais utilizado para levar mercadorias no país? Investigando Reprodução/Acervo Histórico do Museu da República/Ibram, Rio de Janeiro, RJ. População de Canudos que sobreviveu ao massacre pelo Exército brasileiro. Fotografia de Flavio de Barros, feita em 2 de outubro de 1897. Museu da República, Rio de Janeiro. E ri c s o n G L u c ia n o /A rq u iv o d a e d it o ra 54° O 53° O 52° O 51° O 50° O 54° O 53° O 52° O 50° O 26° S 27° S 28° S 26° S 28° S 27° SBRASIL PARANÁ SANTA CATARINA 51° O Região disputada Região da Guerra do Contestado Santa Catarina Paraná N 0 115 km N 0 185 km N 0 1200 km 43 U n id a d e 1 R e v o lt a s n a P ri m e ir a R e p œ b li ca C a p ’t u lo 3 era propriedade coletiva, portanto tudo o que se pro- duzia pertencia à comuni- dade. Cada um recebia uma cota, de acordo com sua necessidade. A produ- ção de milho, feijão, man- dioca, batata, abóbora, cereais, cana-de-açúcar, melancia etc. era farta e em quantidade muitas vezes superior ao consumo. Nes- ses casos, o excedente era armazenado ou vendido nas proximidades. Mas nem só da produção agrícola vivia o arraial. As atividades pastoris foram muito importantes para o seu desenvolvimento. Além de fornecer carne e leite, da criação de animais advinha a indústria de couro curti- do. As peles de cabrito e de carneiro foram largamente comercializadas. Os habi- tantes de Canudos, geral- mente as mulheres, tam- bém se ocupavam do arte- sanato. Fiavam, confeccio- navam objetos de cerâmica, faziam cestas, bolsas, estei- ras e redes. Durante todo dia os fiéis trabalhavam e, no fim da tarde, faziam a oração diá- ria. Às seis horas, o sino da igreja começava a tocar. As pessoas paravam seus afaze- res e se dirigiam à praça pa- ra ouv ir seu pregador. Acendiam-se fogueiras e ve- las, enquanto a multidão se ajoelhava. O Conselheiro, então, pregava. Apesar de não ter contato direto com seus adeptos, estava sempre bem informado de tudo o que acontecia e aproveitava as ocorrências diárias para compor suas prédicas. COIN, Cristina. A guerra de Canudos. São Paulo: Scipione, 1992. p. 26-28. Investigando 1. Sim, existem ferrovias no Brasil atual. Entre elas podemos ci- tar: Estrada de Ferro Carajás e Estrada de Ferro Vitória a Mi- nas. No entanto, de acordo com especialistas, as ferrovias representam apenas cerca de 15% da estrutura de transpor- tes no país. 2. O meio de transporte mais utilizado no país é o caminhão, que circula, sobretudo, por rodovias. Segundo especialistas, o trans- porte rodoviário representa por volta de 65% do total. Para mais informações sobre esse tema, sugerimos a leitura da matéria “Por que o Brasil não investe em ferrovias? E por que deveria investir”, da Revista Exame, disponível em: <https://exame.abril. com.br/brasil/por-que-o-brasil-nao-investe-em-ferrovias-e- -por-que-deveria-investir/> (acesso em: 15 ago. 2018). A seção Investigando desenvolve a competência geral CG2. 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 43 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR44 Em 1910, quando as obras acabaram, cerca de 8 mil trabalhadores perderam o emprego. Como não tinham condições de voltar para suas terras de origem, continuaram a viver na região. Sem casa e sem dinheiro, muitos participavam de invasões de terras, enquanto outros se ofereciam como jagunços aos coro- néis locais. A liderança de José Maria Antes mesmo do conflito pelas terras do Contestado, havia na região uma tradição messiânica inaugurada por um monge de ascendência italiana chamado João Maria de Agostini. No século XIX, ele foi um importante pregador e curandeiro entre as regiões de São Paulo e Rio Grande do Sul. Após sua morte, outros mon- ges messiânicos surgiriam para dar continuidade à tradição. O terceiro desses monges, um homem chamado José Maria de Santo Agostinho, reuniu cerca de 20 mil pessoas para fundar povoados conhecidos como Monarquia Celeste ou do Contesta- do. Os povoados do Contestado tinham governo próprio, normas igualitárias e não obedeciam às autoridades da República. Assim como em Canudos, osmoradores locais foram perse- guidos pela polícia, pelos coronéis e pelos empresários estrangei- ros, com o apoio do governo. Em novembro de 1912, José Maria morreu em combate e foi considerado santo pelos moradores da região. Seus seguidores criaram novos núcleos de povoamento, tam- bém combatidos pelo Exército. Os últimos núcleos foram des- truídos por 7 mil homens armados. Em 1916, para eliminar os últimos núcleos do Contestado, aviões foram usados pela primei- ra vez como arma de combate no Brasil. Cangaço no Nordeste Nas regiões do semiárido nordestino, formaram-se grupos de cangaceiros. Em meio a injustiças sociais, fome e seca, esses grupos muitas vezes praticavam crimes. Entre os grupos de cangaceiros mais conhecidos, destacaram-se o de Antô- nio Silvino (1875-1944) e o de Virgulino Ferreira (1898-1938), também cha- mado de Lampião. Os cangaceiros chefiados por Lampião viveram pelo sertão nordestino por quase duas décadas. Em 1938, a polícia massacrou o bando de Lampião e, depois disso, o cangaço de- clinou até desaparecer. Contudo, suas ações foram transformadas em lendas pela literatura de cordel. R e p ro d u ç ã o /M u s e u H is tó ri c o O rt y d e M a g a lh ã e s M a ch a d o , C a n o in h a s , S C . • Você conhece histórias ou canções sobre Lampião e Maria Bonita? Quais? Investigando Cordel: literatura criada por poetas populares, principalmente do Nordeste. Em geral, os livros de cordel são de baixo custo e vendidos em ruas e feiras, pendurados em varais (cordéis). Monge João Maria, detalhe de fotografia impressa em cartão-postal, 1916. R e p ro d u ç ã o /A c e rv o A b a F ilm , F o rt a le za , C E Maria Bonita, Lampião e seu grupo de cangaceiros. Fotografia de Benjamin Abrahão, feita nas proximidades do rio São Francisco em 1936. 44 Investigando Resposta pessoal. Existem muitas histórias, canções e xi- logravuras sobre Lampião e Maria Bonita. Essa atividade pode ser uma oportunidade para que os estudantes pes- quisem a biografia desses personagens que marcaram a História do Brasil. Há, inclusi- ve, uma canção de Luiz Gon- zaga sobre o tema chamada Lampião – Era Besta Não (le- tra disponível em: <https:// www.letras.mus.br/luiz-gon zaga/1561845/>, acesso em: 16 ago. 2018). Além disso, leia para os alunos o artigo sobre Lampião publicado pela Bri- tannica Escola e reproduzido a seguir: Virgulino Ferreira da Silva, que se tornou conhecido como Lampião, nasceu num sítio do vilarejo de Vila Bela (atual Serra Talhada), em Pernam- buco, na região Nordeste do Brasil, no dia 4 de junho de 1900. Aos 12 anos, era consi- derado o melhor vaqueiro do lugar e o líder da meninada. Rapaz alegre, Virgulino ani- mava os bailes tocando sanfo- na. Essa era a parte boa da vida, mas seu cotidiano era di- ferente. No sertão em que vi- via, de longas secas e grande desigualdade social, o poder estava nas mãos dos fazendei- ros, os “coronéis”, que briga- vam pelo comando da região. Para defender suas terras e seus interesses, eles criaram verdadeiros exércitos particu- lares. Os integrantes dessas milícias particulares eram chamados de jagunços. Com isso, surgiram também os cangaceiros, que percorriam o interior do Nordeste atacando as fazendas e praticando sua própria versão da justiça, a exemplo dos “coronéis”. A seção Investigando desenvolve a competência geral CG3. Como sugestão para traba- lhar essas habilidades, acompanhe a Sequência Di- dática “Primeira República no Brasil”, localizada no ma- terial digital do Manual do Professor. 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 44 11/18/18 11:45 AM 45UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR O cangaço na música Leia trechos da letra da música “Lampião falou”, dos compositores Aparício Nascimento e Venâncio, que foi gravada pelo cantor e compositor Luiz Gonzaga (1912-1989). Outras HISTÓRIAS Faça no cadernoAtividade • Qual é a crítica contida nos versos: “O cangaço continua / De gravata e jaquetão / Sem usar chapéu de couro / Sem bacamarte na mão / E matando muito mais [...] / Na cidade e no sertão [...] / Tá sobrando Lampião”? Lampi‹o falou Eu não sei por que cheguei Mas sei tudo quanto fiz Maltratei fui maltratado Não fui bom, não fui feliz Não fiz tudo quanto falam Não sou o que o povo diz [...] Aos 28 de Julho Eu passei por outro lado Foi no ano 38 Dizem que fui baleado E falam noutra versão Que eu fui envenenado Sergipe, Fazenda Angico Meus crimes se terminaram O criminoso era eu E os santinhos me mataram Um lampião se apagou Outros lampiões ficaram O cangaço continua De gravata e jaquetão Sem usar chapéu de couro Sem bacamarte na mão E matando muito mais [...] Tá assim de lampião [...] Na cidade e no sertão E matando muito mais Tá sobrando Lampião Aparício Nascimento e Venâncio. Lampião falou. © Universal Music Publishing MGB Brasil, Ltda. Movimentos sociais urbanos Outras mobilizações populares aconteceram em diferentes regiões do Brasil na primeira metade do século XX. Entre elas, destacam-se a Revolta da Vacina, a Revolta da Chibata e o tenentismo. Revolta da Vacina No período em que Rodrigues Alves (1848-1919) governou o Brasil, entre 1902 e 1906, a população do Rio de Janeiro – que era a capital e a maior cidade do país – enfrentava graves problemas sociais. Além da pobreza e do desempre- go, havia também epidemias de febre amarela, peste bubônica e varíola, que matavam milhares de pessoas todos os anos. Desde os primeiros governos republicanos, estava sendo elaborado um projeto de reforma urbana visando transformar o Rio de Janeiro na “capital do progresso”. A cidade deveria, assim, transmitir uma imagem moderna da jovem República. Bacamarte: arma de fogo de cano alongado com a boca larga. 45 U ni d ad e 1 R e v o lt a s n a P ri m e ir a R e p ú b li ca C ap ít ul o 3 Foi esse o caminho que o jovem Virgulino seguiu, tor- nando-se cangaceiro. Aos 17 anos, foi preso; para livrá-lo da prisão, seus irmãos mata- ram o filho do delegado, o que deu início a uma guerra entre as duas famílias. Quan- do o pai de Virgulino foi as- sassinado e a mãe morreu, o ódio dos filhos aumentou. Virgulino entrou para o ban- do do chefe de cangaceiros Sinhô Pereira com os irmãos mais velhos. Logo assumiu o comando do grupo, que vivia de assaltos e da taxa de pro- teção que cobrava aos fazen- deiros, além de se proteger fazendo pactos com chefes políticos. Foi então que ga- nhou o apelido de Lampião: diziam que sua espingarda atirava tanto que iluminava como um lampião. Os cangaceiros agiam por vingança ou sob encomenda. Quando estavam sem di- nheiro, entravam numa cida- de para pedir comida, abrigo e dinheiro. Se a população negasse, maltratavam as mu- lheres e matavam os homens. Lampião parecia invencível. Maria Dea de Oliveira, a Ma- ria Bonita, que se casou com ele, aprendeu a atirar e lutava como um soldado. Durante dezoito anos, lide- rando dezenas de bandolei- ros, Lampião envolveu-se em perto de duzentos combates com a polícia, que resulta- ram em cerca de mil mortes. Morreu numa emboscada em Angicos, no interior de Ser- gipe, em 28 de julho de 1938. A seu lado caíram Maria Bo- nita e outros companheiros do cangaço. Suas cabeças fo- ram levadas como troféu pa- ra Salvador e exibidas em praça pública. Lampião tor- nou-se um mito. Para mui- tos, era um herói do povo sofredor que atacava os fa- zendeiros ricos; para outros, não passava de um bandido cruel e sanguinário. LAMPIÃO. Britannica Escola. Disponível em: <https://escola. britannica.com.br/levels/ fundamental/article/ Lampi%C3%A3o/483333> (acesso em: 15 ago. 2018). Outras Histórias • Esses versos parecem denunciar as pessoas que, em posição privilegiada, “de gravata e jaquetão”, cometem crimes como des- vio de dinheiro, sonegação de impostos e outros que afetam a vida de grandes parcelas da população (“matando muitomais”). A seção Outras Histórias intitulada “O cangaço na música” desen- volve as competências gerais e específicas CG3, CEH3 e CEH4. Já o texto “Movimentos sociais urbanos” desenvolve a competência específica CEH4, bem como as habilidades EF09HI05 e EF09HI07, pois aborda os impactos e as contradições dos processos de ur- banização e modernização da sociedade brasileira, e também as diferentes pautas das populações afrodescendentes (sobretudo na Revolta da Chibata) durante a República Oligárquica. 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 45 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR46 Para isso, em 1904, realizaram-se diversas obras públicas na cidade. Alarga- ram-se ruas no centro, construiu-se a avenida Central (atual avenida Rio Branco), ampliaram-se o abastecimento de água e a rede de esgotos, e remodelou-se o porto. Muitos cortiços do centro foram demolidos, e seus moradores, desaloja- dos, passaram a viver em barracos nos morros ou em bairros do subúrbio. Além do embelezamento arquitetônico, alegava-se que um dos objetivos da reforma da capital era combater as epidemias. Por isso, em 1904, o médico sanitarista Oswaldo Cruz (1872-1917), diretor de Saúde Pública, convenceu o presidente Rodrigues Alves a instituir uma lei que tornava obrigatória a vacina- ção contra a varíola. Revolta e repressão A população não foi esclarecida sobre a importância da vacinação. Além do medo de tomar uma injeção, diversos setores da sociedade eram contrários à vacinação, pois consideravam que a aplicação de injeções em mulheres era imo- ral. Diziam também que essa lei não respeitava a liberdade individual. A demolição dos cortiços, a vacinação obrigatória e a impopularidade do governo contribuíram para a explosão de uma revolta popular que tomou con- ta das ruas cariocas entre 10 e 16 de novembro de 1904. Esse episódio ficou conhecido como Revolta da Vacina. A oposição política aproveitou a situação para tentar derrubar o presidente da República, mas não conseguiu. O governo domi- nou a revolta, na qual cerca de 30 pessoas morreram e muitas outras foram feridas. Mais de 400 homens e mulheres foram presos e deportados para o Acre, recém-incorporado ao território brasileiro. Avenida Central, em fotografias da época de sua construção (c. 1904) (à esquerda) e depois em sua inauguração (c. 1906) (à direita). Instituto Moreira Salles. F o to s : M a rc F e rr e z/ In s ti tu to M o re ir a S a lle s R e p ro d u ç ã o /F u n d a ç ã o B ib lio te c a N a c io n a l, R io d e J a n e ir o , R J • Você tem carteira de vacinação? Que vacinas você já tomou ao longo de sua vida? Investigando Detalhe da charge de Leônidas, feita para a revista O Malho, publicada no Rio de Janeiro em 1904. A charge interpreta a indignação popular na revolta iniciada em 10 de novembro. Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro. 46 Leitura complementar Para aprofundar os estu- dos sobre a Revolta da Vaci- na, sugerimos a leitura do texto a seguir: Nunca se contaram os mortos da Revolta da Vaci- na. Nem seria possível, pois muitos [...] foram morrer bem longe do palco dos acontecimentos. Se- riam inúmeros, centenas, milhares, mas é impossível avaliar quantos. [...] A ma- tança coletiva dirige-se, via de regra, contra um objeto unificado por algum pa- drão abstrato, que retira a humanidade das vítimas: uma seita, uma comunida- de peculiar, uma facção política, uma cultura, uma etnia. [...] [Já] os executores se representam a si mes- mos como heróis redento- res, cuja energia implacável esconjura a ameaça que pe- sa sobre o mundo. O preço a ser pago pela sua bravura é o peso do seu predomí- nio. A cor das bandeiras dos heróis é a mais variada, só o tom do sangue de suas vítimas permanece o mes- mo ao longo da história. A Revolta da Vacina, ocor- rida num momento decisivo de transformação da socie- dade brasileira, nos fornece uma visão particularmente esclarecedora de alguns ele- mentos estruturais que pre- ponderaram em nosso passado recente – repercu- tindo inclusive nos dias atuais. A constituição de uma sociedade predomi- nantemente urbanizada e de forte teor burguês no início da fase republicana, resulta- do do enquadramento do Brasil nos termos da nova ordem econômica mundial instaurada pela Revolução Científico-Tecnológica (por volta de 1870), foi acompa- nhada de movimentos con- vulsivos e crises traumá- ticas, cuja solução convergiu insistentemente para um sa- crifício cruciante dos grupos populares. Envolvidos que estamos com as condições postas por essas transforma- ções, pouco temos refletido sobre o seu custo social e humano. [...] A insurreição de que tra- ta este texto ocorreu na ci- dade do Rio de Janeiro, então Capital Federal, no ano de 1904. Seu pretexto imediato foi a campanha de vacinação em massa contra a varíola, desenca- de ad a p or de c i s ão d a Investigando Resposta pessoal. Essa atividade visa ampliar a consciência dos alunos sobre os cuidados com sua própria saúde. Além dis- so, a carteira de vacinação é um instrumento útil para a nossa organização pessoal. Para mais informações sobre vacinação, recomendamos a Cartilha de Vacinas, de Cristina Toscano e Ligia Kosim (Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2003), disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ cart_vac.pdf> (acesso em: 15 ago. 2018). A seção Investigando desenvolve a competência geral CG8. 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 46 11/18/18 11:45 AM 47UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Revolta da Chibata Desde a segunda metade do século XIX, eram comuns as revoltas de ho- mens recrutados pela Marinha brasileira. Isso ocorria porque a instituição man- tinha normas antigas, que incluíam castigos físicos como chibatadas. Em novembro de 1910, o marinheiro negro Marcelino Menezes foi conde- nado a 250 chibatadas, dez vezes mais do que a pena máxima estabelecida nas normas da própria Marinha. Essa condenação abusiva desencadeou o mo- vimento conhecido como Revolta da Chibata, que envolveu cerca de 2 mil homens, liderados por outro marinheiro negro, João Cândido (1880-1969). Os revoltosos tomaram, primeiro, o comando do navio de guerra Minas Ge- rais e, com o crescimento da rebelião, os marujos assumiram o controle dos navios São Paulo, Bahia e Deodoro. Com os canhões apontados para a capital federal, os marinheiros mandaram um comunicado ao presidente Hermes da Fonseca (1855-1923), explicando as razões da rebelião. Eles exigiam o fim dos castigos físicos, e reclamavam da má alimentação e dos salários miseráveis. O governo concordou em atender às exigências. Rapidamente, os deputados aprovaram um projeto que acabava com as chibatadas e anistiava os revoltosos. Mas, quando a situação ficou sob controle, o governo expulsou os marinheiros rebeldes e mandou prender os líderes da revolta. Diante da traição do governo, em 9 de dezembro, os marujos iniciaram outra rebelião. Dessa vez, o governo reagiu com mais violência. Dezenas de marinhei- ros foram mortos, centenas foram presos e enviados para a Amazônia e mais de mil foram expulsos da Marinha. Preso na ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, João Cândido foi julgado e absol- vido em 1912. Na memória popular, ele é celebrado como o Almirante Negro, que acabou com as chibatadas na Marinha do Brasil. Rebeldes tomam o couraçado São Paulo durante a Revolta da Chibata. Rio de Janeiro, 1910. A c e rv o I c o n o g ra p h ia /R e m in is c • n c ia s 47 U n id a d e 1 R e v o lt a s n a P ri m e ir a R e p œ b li ca C a p ’t u lo 3 própria presidência da Re- pública. Os setores da oposi- ção política, que desde um longo tempo vinham articu- lando um golpe contra o go- verno, aproveitaram-se das reações indignadas da popu- lação, a fim de abrir cami- nho para o seu intento furtivo. Essas oposições eram constituídasbasica- mente de dois agrupamen- tos. O primeiro, muito difuso, se compunha generi- camente do núcleo de forças que ascenderam e se impu- seram ao país durante a pri- mei r a f a s e do reg i me republicano, os governos militares de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto – sobretudo este último. Tra- tava-se primeiramente de jovens oficiais, formados nas escolas técnicas de prepara- ção de cadetes, onde pontifi- cavam as novas teorias científicas que propunham uma reorganização geral da sociedade, inspirada na teo- ria de Augusto Comte [...]. Acompanhavam esses jo- vens oficiais [...] toda uma enorme gama de setores so- ciais urbanos, trabalhadores do serviço público, funcio- nários do Estado, profissio- nais autônomos, pequenos empresários, bacharéis de- sempregados e a vasta multi- dão de locatários de imóveis, arruinados e desesperados, que viam o discurso estati- zante, nacionalista, traba- lhista e xenófobo dos cadetes como sua última tábua de salvação. [...] O outro agru- pamento dos conspiradores era formado pelos monar- quistas depostos pelo novo regime. [...] essas oposições se revelariam incompetentes para compreender as di- mensões mais abrangentes e de um caráter mais radical- mente contestador presentes nos movimentos da massa popular que iriam desenca- dear a Revolta da Vacina e se constituiriam numa das mais pungentes demonstra- ções de resistência dos gru- pos populares do país contra a exploração, a discrimina- ção e o tratamento espúrio a que eram submetidos pela administração pública nessa fase da nossa história. SEVCENKO, Nicolau. A Revolta da Vacina – mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo: Scipione, 1993. p. 9-11. 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 47 11/18/18 11:45 AM UNIDADE 1 - CAPÍTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR48 Tenentismo O tenentismo foi um movimento liderado por oficiais militares, principal- mente tenentes, que pretendiam reformar a República pela luta armada. Eles reivindicavam: a moralização da administração pública, o fim da corrupção elei- toral, a instituição do voto secreto, uma justiça eleitoral confiável, a defesa da economia nacional contra a exploração de empresários e do capital estrangeiro, além do ensino gratuito e obrigatório para todos os brasileiros. As propostas tenentistas tinham a simpatia da classe média urbana e de al- guns industriais e poucos produtores rurais. A primeira revolta tenentista ocor- reu no Rio de Janeiro em julho de 1922, envolveu cerca de 300 militares e foi chamada de Revolta do Forte de Copacabana. Os homens que serviam no Forte tentaram impedir a posse de Artur Bernar- des (1875-1955), presidente eleito da República, mas tropas fiéis ao governo cercaram os rebeldes e a maioria se rendeu. Apenas 17 tenentes e um civil resistiram, saindo às ruas para combater as tropas. Desses 18 homens, sobre- viveram apenas os tenentes Eduardo Gomes (1896-1981) e Siqueira Campos (1898-1930). O episódio ficou conhecido como Os Dezoito do Forte. Vista da entrada do Forte de Copacabana, Rio de Janeiro. Fotografia de 2015. B ja n k a K a d ic /A la m y /F o to a re n a 48 Leitura complementar Geralmente, as análises históricas sobre guerras, revoluções ou revoltas le- vam em conta os efeitos eco- nômicos e políticos desses processos sobre as nações. As narrativas acerca do co- tidiano dos conflitos já são mais difíceis de encontrar. Por isso, leia com os estu- dantes o seguinte texto, a respeito do cotidiano dos rebeldes na Coluna Prestes: Nem só de combates vivem os rebeldes – O cotidiano dos guerreiros Nem só de grandes planos estratégicos, elevados ideais patrióticos, sangrentos combates, retiradas, deser- ções, vitórias e heroísmos viviam os rebeldes. Tam- bém as pequenas tarefas do dia a dia tinham de ser cumpridas. Dormir, prepa- rar a comida, arranjar al- gum entretenimento e diversão, tudo entrava nas preocupações dos oficiais e soldados, e como não havia um organismo central en- carregado dessas tarefas, ca- da um tinha a obrigação de tomar conta de si mesmo. O Coronel Prestes e seus ajudantes imediatos resol- viam o problema de aloja- mento com um grande encerado estendido no chão, com o qual também se cobriam, não perdendo tempo com o constante armar e desarmar barra- cas. Já o General Miguel Costa não dispensava os confortos da civilização, que desfrutava ali mesmo, naqueles ermos. Fazia questão de barracas, de andar barbeado e trocava de cavalo – que ele mesmo escolhia dentre os melho- res disponíveis – várias vezes durante a marcha. Leitura complementar Sugerimos a leitura do texto a seguir, escrito pelo cientista social José de Souza Martins e relativo à revolta tenentista de 1924, em São Paulo. Na estrutura de classes da sociedade brasileira de então, a opção dos revolucio- nários era clara. Não se tratava de nenhuma “revolução russa” nem havia sovietes para exigir ou impor coisa nenhuma. A classe operária mal entendeu o que estava acontecendo. Apenas sofreu as cruentas consequências de uma revolução que não era a sua. Tampouco os militares sabiam exatamente o que queriam. Sabiam ape- nas, como também a elite dirigente, que não queriam a bolchevização da revolução. Só depois de vários dias conseguiram produzir um tosco documento em que anunciavam o objetivo de sua luta: renúncia do presidente Artur Bernardes, sua substituição por um governo provisório, convocação de uma Constituinte, re- dução do número de Estados, voto secreto, separação de Estado e Igreja (o que já estava na Constituição republicana), mas reconhecimento dos católicos como maioria, princípios que indicavam a objeção militar ao federalismo (...). Não ha- via nada que dissesse respeito à condição operária, a algumas reivindicações bá- sicas, como o salário e a jornada de trabalho, os chamados direitos sociais. Diante do morticínio, da fome, do grande número de feridos, dos mortos inse- pultos ou sepultados às pressas, uma proposta de armistício foi levada por Paulo 9HISTORIARg20MP_U1_cap03_040a051.indd 48 11/18/18 11:46 AM 49UNIDADE 1 - CAPêTULO 3 - MANUAL DO PROFESSOR Revolução de 1924 e Coluna Prestes Outras rebeliões tenentistas ocorreram durante e depois do governo de Artur Bernardes. Numa delas, conhecida como Revolução de 1924, os tenentistas, li- derados pelo general Isidoro Dias Lopes (1865-1949), ocuparam a capital paulista durante 23 dias. Em decorrência dos combates, mais de 500 pessoas morreram e milhares fugiram da cidade bombardeada. Diante da ofensiva do governo, as tro- pas tenentistas saíram da capital e aderiram ao grupo liderado por Miguel Costa. A tropa seguiu em direção ao sul do país, ao encontro de outra coluna mi- litar tenentista, liderada pelo capitão Luís Carlos Prestes (1898-1990). As duas forças uniram-se e iniciaram uma longa marcha pelo país, buscando o apoio da população. Surgia, assim, a Coluna Prestes, cujo objetivo era tentar unir os trabalhadores do campo contra as oligarquias que dominavam o governo. Entre 1924 e 1926, os membros da Coluna percorreram mais de 24 mil quilômetros, atravessando 12 estados brasileiros e escapando da perseguição governamental. Exaustos e sem apoio popular, refugiaram-se na Bolívia e des- fizeram a tropa em 1926. A Coluna Prestes não provocou revoltas capazes de ameaçar o governo, mas também não foi derrotada. A c e rv o I c o n o g ra p h ia /R e m in is c • n c ia s Residência danificada por bombardeio durante a Revolução de 1924, no bairro paulistano do Brás, em 5 de julho de 1924. 49 U n id a d e 1 R e v o lt a s n a P ri m e ir a R e p œ b li ca C a p ít u lo 3 Para a preparação da co- mida, a Coluna tinha os “fogões”, isto é, grupos de mais ou menos uma dúzia de pessoas, inclusos um co- zinheiro e um taifeiro. Es- tes dois eram dispensados de combater e encarrega- dos de zelar pelos apetre- chos e suprimentos da cozinha. Também era deles a tarefa de buscar,