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Valéria da Silva Cavania Síntese e Purificação do Cloreto de t-Butila Relatório apresentado à disciplina de Química Orgânica Experimental, do Curso Superior de Licenciatura em Química da Universidade Federal da Grande Dourados - UFGD. Prof. Cristiane Storck Schwalm DOURADOS-MS 1. INTRODUÇÃO As reações de substituição nucleofilica envolve a substituição de um nucleofilo, ou seja, um nucleofilo que é “rico em elétrons” substitui uma espécie “pobre em elétrons” de uma molécula, como é mostrado na figura 1. Figura 1: Reação de substituição nucleofilica. Fonte: McMurry, J. Química Orgânica - Combo: Tradução da 9ª edição norte- americana. Existe dois tipos de reações de substituição, a Sn2 e a Sn1. A Sn2 é uma reação de substituição nucleofílica bimolecular é um processo de segunda ordem: a velocidade é proporcional à concentração do substrato e do nucleófilo. É um processo que ocorre em uma única etapa: há o ataque pela parte de trás, o que significa que o nucleófilo aproxima-se do substrato com um ângulo de 180º em relação ao grupo abandonador, assim a reação é favorecida quando realizada com um substrato sem impedimento e um nucleofilico carregado negativamente em um solvente aprótico polar, mas é desfavorecida quando realizada com um substrato impedido e um nucleofilo neutro em um solvente prótico. A Sn1 é uma reação de substituição nucleofílica unimolecular, é uma reação de primeira ordem, ou seja, a velocidade depende apenas da concentração do haleto de alquila e a velocidade da reação é aumentada pela presença de grupos volumosos no haleto de alquila. A reatividade para as reações Sn1 do grupo abandonador está diretamente envolvida na etapa limitante da velocidade, assim, o grupo OH- é um péssimo grupo de saída, seguido do Cl-, Br- até o I- que é um bom grupo de saída. As reações Sn1 ocorre sob condições ácidas, isto ocorre, por exemplo, quando um haleto de alquila é preparado a partir de um álcool terciário, por reação com HBr ou HCl. A natureza do nucleófilo desempenha um papel fundamental nas reações Sn2, mas não afeta uma reação Sn1. Uma vez que a reação Sn1 ocorre através de uma etapa determinante da velocidade na qual o nucleófilo não participa, o nucleófilo não pode afetar a velocidade de reação. As reações Sn2 são melhores em substratos metílicos e primários. Os substratos secundários reagem lentamente, e os substratos terciários não reagem através de um mecanismo Sn2. Os melhores substratos produzem os carbocátions mais estáveis. Como resultado, as reações Sn1 funcionam melhor para os haletos terciários, alílicos e benzílicos. Bons grupos abandonadores aumentam a velocidade da reação, pois diminuem o nível de energia do estado de transição que leva à formação do carbocátion, na Sn1, na Sn2 não se tem a formação de carbocátion. Para a reação de substituição feita no experimento, o mecanismo da reação Sn1 é entre um álcool terciário com o HCl para formar um haleto de alquila. É utilizado o álcool terc-butílico juntamente com ácido clorídrico concentrado, sendo o OH- do álcool um péssimo grupo de saída, como foi visto na revisão de reações do tipo Sn2 e Sn1, para que a reação aconteça é necessário realizar a protonação do OH- que irá sair na forma de água. Segue o mecanismo da reação na figura 2: Figura 2: Reação Sn1 do cloreto de terc-butíla. Fonte: Imagem modificada, retirada no livro McMurry, J. Química Orgânica - Combo: Tradução da 9ª edição norte-americana. Na primeira etapa o grupo OH- é protonado pelo HCl, a dissociação do álcool protonado ocorre em uma etapa lenta, o carbocátion intermediário então reage com o íon cloreto em uma etapa rápida para produzir o produto de substituição, nesse caso o Cloreto de terc-butíla. 2. OBJETIVO O objetivo nesta prática é de sintetizar o cloreto de t-butila por meio de um álcool terc-butílico e do ácido clorídrico concentrado, e a purificação do composto feito por meio de uma destilação simples e calcular o rendimento. 3. MATERIAS E MÉTODOS 3.1 Materiais e reagentes Na tabela 1 mostra os materiais e reagentes utilizados. Materiais Reagentes Funil de separação de 250 mL Béquer Funil de filtração Balão de 100 mL Papel filtro Manta de aquecimento Aparato de filtração simples Suporte e Garras Álcool t-butílico C4H10O Ácido clorídrico concentrado 36% HCl solução 5% de bicarbonato de sódio NaHCO3 Sulfato de sódio Na2SO4 3.2 Métodos Em um funil de separação foi adicionado 20 mL de álcool t-butílico e 45 mL de ácido clorídrico concentrado e agitou-se a mistura por cerca de 10 minutos aliviando sempre a pressão interna abrindo a tampa da vidraria, em seguida, separou-se a fase aquosa que foi descartada, da fase orgânica. A fase orgânica foi lavada com 25 mL de água destilada, seguido de 25 mL de uma solução de 5% de NaHCO3, e novamente com 25 mL de água destilada. Então a fase orgânica foi seca com sulfato de sódio anidro e filtrado num balão de 100 mL. Para a purificação, a solução presente no balão foi posta num sistema de destilação simples e coletado a fração entre 49 e 51ºC em um frasco previamente pesado para posteriormente se calcular o rendimento da reação. 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES Numa reação Sn1 acontece pela perda do grupo abandonador antes da aproximação do nucleófilo. Para que a reação aconteça, muitas vezes requer um meio ácido como é o caso do cloreto de t-butila. O álcool primeiro é protonado e, em seguida, perde H2O para gerar um carbocátion que reage com o íon haleto para formar o haleto de alquila. Sabendo que a reação Sn1 está envolvida na conversão de álcoois em haletos de alquila, é por essa reação que se funciona muito bem para álcoois terciários, pois eles reagem mais rapidamente formando carbocátions mais estáveis. A síntese do cloreto de t-butila trata-se de uma reação de substituição nucleofilica unimolecular, que ocorre em duas ou mais etapas, com preferência para carbonos terciários e possui a formação de um intermediário carbocátion. Para que ocorra a reação, se parte de 20 mL álcool t-butílico e 45 mL ácido clorídrico, e se obtém 5,005 g de cloreto terc-butíla, como produto final. C4H10O + HClconc → C4H9Cl +H2O A densidade do álcool t-butílico é 0,78 g/mL e a do ácido é de 1,19 g/mL, por meio da fórmula de densidade: 𝑑 = 𝑚 𝑣 se descobre a massa em gramas de cada reagente, e para se descobrir o número de mol, para isso é preciso saber a massa molar de cada um, a do álcool t-butílico é de 74,12 g/mol e a do ácido clorídrico é 36,46 g/mol. Por meio da fórmula: 𝑁 = 𝑚 𝑀𝑀 se encontra o número de mol. Usando essas fórmulas e essas dados, e sabendo que se trata de uma reação 1:1, a massa encontrada do álcool t-butílico foi de 15,6 gramas, logo o número de mols é de 0,21 mol. A massa do ácido clorídrico encontrada foi de 53,55 gramas, logo o número de mol é de 1,47, sendo assim, o ácido o reagente em excesso e o álcool o reagente limitante. A massa teórica experimental calculada é de 19,44 gramas, já que a massa molar do cloreto de terc-butila é de 92,57 g/mol, contudo a massa experimental obtida do foi de 5,005 g. Assim, o rendimento da reação foi de 25,75%. 𝑁 = (0,21 𝑚𝑜𝑙). (92,57 𝑔 𝑚𝑜𝑙 ) → 19,44 g 19,44g----100% 5,005g-----X% X: 25,75% 5. CONCLUSÃO Por meio do experimento foi possível constatar a efetividade do mecanismo de substituição nucleofilica unimolecular e o método de purificação por destilação simples em que durante a destilação foi possível observar que o produto evaporou em torno de 65ºC, um pouco acima dos 51°C, valor encontrado na literatura. O baixo rendimento pode ser explicado pelo fatode a molécula voltar ao reagente de partida, o álcool, nesse caso. Um mesmo trabalho também consta um baixo rendimento para essa síntese (9,8%), no qual é dito que isso se deve ao fato de que o cloreto de terc-butila é levemente solúvel em água, podendo ter perdido produto durante as lavagens para se remover as impurezas. 6. REFERÊNCIAS 1. McMurry, John. Química Orgânica - Combo: Tradução da 9ª edição norte- americana.[Minha Biblioteca]. 2. Farra, Dal. M. Síntese e purificação do cloreto de t-butila. Disponível em: <https://www.passeidireto.com/arquivo/46722391/relatorio-08-sintese-e-purificacao- do-cloreto-de-t-butila>. Acesso em 9 de outubro de 2019. 3. SOLOMONS, T.W. Graham. Química Orgânica - Vol. 1. [Minha Biblioteca]. https://www.passeidireto.com/arquivo/46722391/relatorio-08-sintese-e-purificacao-do-cloreto-de-t-butila https://www.passeidireto.com/arquivo/46722391/relatorio-08-sintese-e-purificacao-do-cloreto-de-t-butila