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Atendimento ao paciente politraumatizado

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MEDICINA DE EMERGÊNCIA 
Laura Borges 
ATENDIMENTO DO PACIENTE POLITRAUMATIZADO 
Histórico: 
 1980 – desenvolvimento do ATLS – avaliação sistematizada/habilidade cognitiva 
o Foi criado no intuito de sistematizar o atendimento do paciente politraumatizado. Até então o que 
se via eram prioridades diferentes, avaliações diferenciadas em diferentes grupos de médicos até no 
mesmo continente. Alguns priorizavam a parte aérea, outros o neurológico, a circulação, então era 
muito diferente, entendendo a necessidade de sistematizar de forma a dar prioridades no que se 
entende ser mais necessário para o paciente (ABCDE). 
o A habilidade cognitiva se encaixa porque muitos desses entendimentos da dificuldade que o 
paciente está apresentando vão exigir essa habilidade cognitiva, então por exemplo, a habilidade 
adquirida de intubação de forma rápida e precoce, drenagem de tórax, acesso venoso. Então são 
várias as habilidades que devem ser adquiridas para fazer esse atendimento. 
 1998 – novo código nacional de transito – nova conscientização: redução exponencial importante dos 
politraumas e de suas consequências. Mas depois de 10 meses – 1 ano esse número voltou a aumentar. 
 2002 – Lei 2049 – implementação SAMU(S): grande marco diferencial no que tange as morbidades, sequelas 
e mortalidade desses pacientes porque muitas dessas condições já estavam sendo tratadas no pré-hospitalar 
como a via aérea, identificação de problemas ventilatórios, circulatórios e neurológicos. 
 2005 – LAT-FAME 
 2005 – inauguração SAMU – Barbacena 
 2018 – ATLS 10 
Conceitos: 
 Sistematizado = Adj. Part. Pass. de sistematizar. O que se sistematizou, metodizado; ordenado  na medida 
em que isso é feito o atendimento ao paciente politraumatizado é capaz de livra-lo de consequências graves. 
Considerações: 
 Politrauma: 
o Pré-hospitalar: o paciente deve ter o atendimento iniciado aqui 
 GOLDEN HOUR 
 Cidadão leigo 
 Polícia rodoviária 
 Corpo de bombeiros 
 Resgate 
 SAMU 
o Hospitalar: 
 Pronto-atendimento 
 Hospital geral 
 Centro de trauma: idealmente o paciente deveria ser levado para o centro de trauma onde 
tem profissionais especializados. Falando disso em Minas Gerais pensa-se logo no Hospital 
João XXIII 
 Terceira causa geral de mortalidade 
 Primeira causa na faixa etária até 40 anos 
 A mortalidade exibe distribuição trimodal: 
o Imediata: até 30 minutos - advém de grandes traumas cranianos, torácicos, abdominais, vasculares 
o Precoce: até 2 horas – lesões ainda graves e importantes mas não tão graves assim 
o Tardia: após a primeira semana – consequência de alguns problemas como a sepse, insuficiência 
renal, tromboembolismo pulmonar 
 Repercussões físicas, emocionais, sociais e econômicas 
 Exige atendimento sistematizado 
 No pré-hospitalar, considerar “start” quando houver múltiplas vítimas 
 
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Laura Borges 
START – Simple triage and rapid treatment: 
 Sistema de triagem, classificando as vítimas em categorias, não exclusivamente em relação à gravidade, mas 
sim às situações em que mais se beneficiarão do socorro prestado, otimizando a ação do socorro 
o Este sistema identifica as vítimas por fitas ou etiquetas coloridas ou cartões de triagem 
 Cor vermelha – socorro imediato, prioridade imediata: atenção imediata no local ou 
prioridade no transporte: trauma grave, dificuldade respiratória, trauma de crânio, 
hemorragia com choque, queimaduras severas, etc. 
 Cor amarela – prioridade secundária: o socorro deve ser rápido, mas deve aguardar 
prioridade vermelha: fraturas, lesões torácicas ou abdominais sem choque, lesão de coluna 
ou queimaduras menores 
 Cor verde – prioridade tardia: vítimas deambulando, com lesões menores – não devem ser 
consideradas isentas de lesão! A reavaliação é muito importante porque esse paciente pode 
evoluir para piora do seu quadro. 
 Cor preta – prioridade zero ou última prioridade: morte óbvia ou grande dificuldade de 
reanimação 
 Fluxograma: importante para priorizar o atendimento e importante também que antes do transporte, no 
atendimento pré-hospitalar seja possível tentar fazer a estabilização do paciente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Mudança de prioridade: durante a avaliação contínua, muitas vítimas podem mudar de prioridade 
 Exemplo: uma vítima rotulada de verde pode apresentar lesão interna e evoluir para choque, ou lesão de 
crânio com piora do quadro de consciência 
Abordagem sistematizada: 
 É passar pela avaliação primária e tratamento inicial – risco imediato de vida 
 Avaliação secundária – exame e história clínica completos 
 Tratamento definitivo 
Avaliação primária – ABCDE: 
 Monitorização + reavaliação + evitar dano adicional 
A. Airway maintenance with cervical spine control – reavaliar 
B. Breathing and ventilation – revaliar 
C. Circulation with hemorrhage control – reavaliar 
D. Disability – reavaliar 
E. Exposure/environment – reavaliar 
A – Vias aéreas e coluna cervical: 
 Lesão de coluna cervical? Para todos os pacientes que são politraumatizados tem que ser feita a imobilização 
da coluna cervical, todos são tratados como portadores de coluna fraturada 
 
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MEDICINA DE EMERGÊNCIA 
Laura Borges 
o Colar cervical e acessórios – quando retirar? = regra canadense ATLS 10 - o paciente deve se 
movimentar e não ter dor na coluna cervical, não há necessidade nem de fazer varredura radiológica 
para poder retirar o colar cervical, se o paciente não tem dor local e não tem déficit motor está 
autorizada a retirada do colar. 
o Lembrando que o colar cervical não impede a lateralização da cabeça então devem ser usados 
acessórios para impedir a movimentação ou fazer a imobilização manual 
 Obstrução de vias aéreas? A melhor maneira de entender isso é fazendo perguntas ao paciente, se ele 
responde já está descartada essa possibilidade 
o Elevação do mento/tração da mandíbula para aliviar a via aérea do paciente 
o Aspiração e retirada de corpos estranhos vai ser feito com sonda rígida, não é permitida que essa 
aspiração seja feita no paciente politraumatizado com sondas flexíveis, uma vez que o paciente 
poderia conter também uma lesão por exemplo de continuidade, uma fratura de base de crânio e na 
cavidade oral poderia estar inserindo essa sonda no SNC e causaria muitos danos. 
 Ventilação com Ambu 
 Via aérea definitiva! Quando? Como? – via aérea definitiva é um tubo na traqueia com balonete insuflado 
recebendo oxigênio. 
o Proteção de vias aéreas: para evitar queda da língua e aspiração do conteúdo gástrico 
 Inconsciência (Glasgow < 8) – lembrando que pode intubar o paciente com um Glasgow > 8 e 
for observado queda progressiva e rápida do nível de consciência durante a evolução do 
quadro. 
 Fraturas faciais 
 Risco de aspiração e obstrução 
o Necessidade de ventilação: 
 Apneia 
 Mecânica inadequada – exemplo: paciente com respiração paradoxal no caso de tórax 
instável com múltiplas fraturas costais ou fraturas de arcos costais determinando uma 
mecânica inadequada, uma troca gasosa inadequada. 
 Troca gasosa ineficiente 
o Como? 
 Intubação oro/nasotraqueal = IOT assistida por drogas + liberação de videolaringoscopia 
para IOT – ATLS 10 
 Cricotireoidostomia por punção 
 Cricotireoidostomia cirúrgica 
 Traqueostomia em uma revisão de cricotireoidostomia 
B – Respiração (troca gasosa): 
 Como é a clínica do paciente? Está com cianose, dificuldade respiratória, utilização da musculatura acessória, 
segmentos assimétricos do tórax? Muito importante lançar mão da semiótica no paciente, fazer a varredura, 
examinar o paciente. 
o No exame cervical pode-se perceber por exemplo um pneumotórax hipertensivo, com desvio da 
traqueia para o lado contralateral, ingurgitamento jugular, dificuldade respiratória, não consegue 
falar frases completas. 
 Como está sua oximetria de pulso?