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inibidores da enzima conversora de angiotensina e bloqueadores de receptores da angiotensina

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MARIANA AFONSO COSTA 
FARMACOLOGIA E SINALIZADORES CELULARES – AULA 03 
iECA E BRA
CASO CLÍNICO 
Homem de 72 anos de idade apresenta-se ao 
consultório para acompanhamento de rotina. Ele está 
sob tratamento contra hipertensão e insuficiência 
cardíaca congestiva com enalapril e diurético. Sua 
pressão arterial está sob controle aceitável, e ele não 
tem sintomas de insuficiência cardíaca no momento da 
consulta. 
Queixa-se de tosses frequentes nos últimos 
meses. A anamnese e o exame não revelam nenhuma 
outra causa de tosse crônica; então, você decide 
interromper o enalapril e começar a losartana. 
INTRODUÇÃO 
 Os 
 (iECA) e os 
(BRA) são medicamentos de extrema 
importância no tratamento de doenças cardiovasculares.
 Algumas células do túbulo contorcido distal se 
modificam e se diferenciam em células da mácula densa. 
O mesmo acontece com células musculares da túnica 
média da arteríola aferente, que se diferenciam em 
células justaglomerulares. Ambas as células modificadas 
interagem através da secreção de moléculas que são 
utilizadas no controle da pressão arterial. 
 
 Sob algumas condições as células da macula 
densa secretam prostaglandinas (PG), que, ao se 
ligarem, receptores nas células justaglomerulares 
induzem-na a secretar renina. A secreção de renina 
também é estimulada pelas catecolaminas, que se ligam 
em receptores beta1, nessas mesmas células. Contudo, 
a adenosina (ADP) secretada pelas células da mácula 
densa, assim como o ATP e a angiotensina II podem 
inibir a secreção de renina pelas células 
justaglomerulares sob condições opostas às iniciais. 
 
 Baixa concentração de sódio na macula densa 
(pouco sódio foi filtrado); 
 Baixa pressão arterial nos vasos pré-glomerulares 
(arteríola aferente); 
 Ativação dos receptores B1 adrenérgicos (pelas 
catecolaminas) nas células justaglomerulares. 
SISTEMA RENINA – ANGIOTENSINA – ALDOSTERONA 
 O Sistema Renina Angiotensina Aldosterona – 
SRAA – apresenta uma interação mútua de ativação com 
o sistema nervoso autônomo simpático (indução 
recíproca). 
 
 Uma vez que a enzima renina foi produzida e 
liberada no sangue, ela quebra uma molécula plasmática 
produzida pelo fígado chamada angiotensinogênio, 
gerando como produto a angiotensina I (formado por 10 
aminoácidos). Essa angiotensina I é substrato para a ECA 
(enzima conversora de angiotensina) encontrada no 
plasma e em outros tecidos do corpo (pulmão, fígado, 
rins, etc.). A ECA quebra a angiotensina I tendo a 
angiotensina II (8 aminoácidos) como produto, o que 
gera diversos efeitos importantes no organismo, que 
acontecem quando ela se liga aos receptores de 
angiotensina (AT1 e AT2). 
 Na glândula suprarrenal, a ligação da 
angiotensina II em receptores induz a glândula a 
secretar a aldosterona. 
 Existem outras enzimas que convertem a 
angiotensina I em outros produtos (Quimase corta a 
angiotensina I virando outra angiotensina; amino 
peptidases – AP – transforma a angiotensina I em outro 
produto que é quebrado pela ECA formando 
angiotensina capaz de ligar em receptores; etc.) 
 
 O esquema acima, demonstra a principal via de 
síntese da angiotensina II, na qual, o angiotensinogênio, 
através da renina, é convertido em angiotensina I, que 
através da ECA é convertida em angiotensina II. Esta se 
liga preferencialmente em receptores AT1 para exercer 
seus efeitos. 
 No esquema também são representados outras 
enzimas como as quimases e amino peptidases que 
degradam a angiotensina I gerando novos produtos, os 
quais apresentam ações ao se ligar nos respectivos 
receptores. 
 
* A ECA, além de transformar angiotensina I em 
angiotensina II, degrada a bradicinina. A bradicinina 
induz a broncocosntrição e a tosse. 
EFEITOS DA ANGIOTENSINA II 
 O receptor AT1 é um receptor acoplado a 
proteína G, que, quando ativado, aumenta os níveis de 
cálcio no citoplasma gerando várias respostas na célula 
onde foi ativado. (Ex.: vasoconstrição se foi ativada no 
músculos liso do vaso; síntese de aldosterona se foi 
ativada na célula da suprarrenal; facilita a 
neurotransmissão se ativação aconteceu nos nervos 
simpáticos; tem feitos sobre SNC, rins, coração, etc.) 
 
Esses efeitos também são mantidos ao longo do 
tempo, o que acaba gerando, além de respostas 
imediatas, respostas mais duradouras. Ativação 
constante, diária, por muito tempo da angiotensina II 
com os receptores em diferentes células vão induzir 
respostas intracelulares que levam ao aumento da 
expressão de fatores de crescimento e de produção de 
proteínas da matriz extracelular, então as células sobre 
as quais a angiotensina II atuam, vão ser estimuladas a 
sofrer mitoses e produzir proteínas da mátria 
(fibroblastos, fibrócitos, mastócitos, célula muscular, 
etc.). 
Dessa forma, nos vasos sanguíneos e no coração 
há um quadro de produção de muita matriz extracelular 
nas paredes dos vasos e entre as células do musculo 
cardíaco, o que gera o chamado remodelamento 
cardíaco e remodelamento tecidual dos vasos. Com esse 
remodelamento, os vasos sanguíneos perdem a 
elasticidade e complacência e o coração perde a 
capacidade de realizar um débito cardíaco de forma 
efetiva, perdendo a capacidade de bombear. 
Esse efeito é gerado pela manutenção da 
produção e funcionamento da angiotensina II ao longo 
do tempo. 
INIBIDORES DA ENZIMA DE CONVERSÃO DA 
ANGIOTENSINA – iECA 
 
 : 
 Vasos: vasodilatação – redução da resistência 
vascular periférica – previne, reduz ou reverte a 
hipertrofia e fibrose da parede vascular. 
 Coração: previnem ou revertem o 
remodelamento miocárdico (secundária a 
hipertensão e infarto). 
 Rins: diminuem significativamente a pressão 
glomerular, e, consequentemente, diminui lesões 
renais. 
 : Inibição da ECA, ou seja, não 
há a produção da angiotensina II. 
 : Captopril; Enalapril; Lisinopril; Ramipril; 
Cilazapril; Benazepril; Trandalopril; Perindopril; 
Quinapril; Fosinopril; etc. 
 : Hipertensão Arterial (HAS); 
Insuficiência Cardíaca (IC); proteção renal (melhora a 
perfusão nos rins); Hipertrofia Ventricular Esquerda; 
Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). 
 : Tosse seca (acúmulo de 
bradicinina nos pulmões); Edema angioneurótico 
(bradicinina); Erupções cutâneas; Efeitos fotópticos 
(diminui o suprimento de nutrientes para o feto); 
etc. 
BLOQUEADORES DOS RECEPTORES AT1 DA 
ANGIOTENSINA II – BRA 
 
 
 : 
 Vasos: vasodilatação – redução da resistência 
vascular periférica – previne, reduz ou reverte a 
hipertrofia e fibrose da parede vascular. 
 Coração: previnem ou revertem o 
remodelamento miocárdico (secundária a 
hipertensão e infarto). 
 Rins: diminuem significativamente a pressão 
glomerular, e, consequentemente, diminui lesões 
renais. 
 : Antagonista Direto, se liga 
diretamente ao receptor AT1, impedindo-o de se 
ligar à angiotensina II (que é produzida 
normalmente). 
 : Losartan; Valsartan; Irbesartan; 
Candesartan; Telmisartan; etc. 
 : Hipertensão Arterial (HAS); 
Insuficiência Cardíaca (IC); proteção renal (melhora a 
perfusão nos rins); Hipertrofia Ventricular Esquerda; 
Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). 
 : Erupções cutâneas; Efeitos 
fetopáticos (diminui o suprimento de nutrientes 
para o feto); etc.