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AULA 4: SISTEMAS DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS 3 
INTRODUÇÃO 3 
CONTEÚDO 4 
DIREITOS HUMANOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS 4 
SISTEMAS DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS 8 
SISTEMA UNIVERSAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS 9 
SISTEMA REGIONAL DE PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS 13 
O BRASIL E A CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS 18 
TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL 19 
ATIVIDADE PROPOSTA 22 
REFERÊNCIAS 22 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 23 
CHAVES DE RESPOSTA 26 
ATIVIDADE PROPOSTA 26 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 26 
 
 
 
 
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Artigo/Case relacionado: 
Leia o artigo “ONU cobra investigação imediata sobre barbárie em presídio 
maranhense”. 
 
Introdução 
O reconhecimento dos direitos humanos está atrelado às conquistas do 
homem na longa trajetória histórica da limitação do poder. O período entre a 
Antiguidade e a Idade Média corresponderia à pré-história dos direitos 
humanos. A fase intermediária da evolução dos direitos humanos é 
denominada de fase de afirmação dos direitos naturais. A última etapa, dita 
fase de constitucionalização, é marcada pela consagração do Estado 
constitucionalista. 
 
Dentro dessa perspectiva, surgem os sistemas de proteção dos direitos 
humanos. Um sistema protetivo universal dos direitos humanos, desenvolvido 
pela Organização das Nações Unidas e outros, dada as especificidades de 
cada região, como os sistemas europeu, americano e africano. 
 
Destaca-se que o Tribunal Penal Internacional, criado pelo Estatuto de Roma, 
de 1998, desempenha papel importante na atualidade para coibir 
desrespeitos aos direitos humanos. 
 
Sendo assim, esta aula tem como objetivo: 
 
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1. Analisar a evolução e os sistemas de proteção dos direitos humanos 
como fulcro temático da atualidade e do Tribunal Penal Internacional. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Conteúdo 
Direitos Humanos e Direitos Fundamentais 
Embora os termos: direitos humanos e direitos fundamentais sejam utilizados 
como sinônimos, existe uma imprecisão doutrinária na utilização das 
terminologias empregadas, tais como direitos do homem, direitos públicos 
subjetivos, direitos humanos, liberdades públicas, direitos fundamentais, 
direitos humanos fundamentais, entre outras. A própria Constituição Federal 
 
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brasileira, à semelhança de outras constituições, faz referência a inúmeras 
terminologias a fim de designar o conteúdo do direito a ser protegido. 
 
É preciso assim reconhecer que a confusão entre as denominações não se 
revela como intolerável. Da mesma forma, o tratamento dos direitos humanos 
não segue uma uniformidade e, por isso, é concebido de variadas maneiras, 
de acordo com o paradigma científico vigente, bem como o modelo 
socioeconômico ideológico predominante. 
 
O valor atribuído à pessoa humana faz parte de uma tradição que remonta às 
origens da humanidade. Historicamente, constata-se que tal valor, enquanto 
fundamento dos direitos humanos, adquiriu um progressivo dinamismo, a 
despeito das diversas controvérsias suscitadas pelos princípios sobre os quais 
os direitos humanos assentavam-se. 
 
Durante todo trajeto evolutivo percorrido pela doutrina dos direitos humanos, 
vários de seus aspectos constituíram objeto de contestação, a exemplo do 
caráter de indeterminação e excesso de individualismo de que seriam 
portadores e da ausência de um valor jurídico real de seus preceitos, que 
representariam meros anseios e não direitos. 
 
Como já tivemos oportunidade de ressaltar, a doutrina clássica de Klaus Stern 
assevera que existem três etapas distintas de evolução dos direitos humanos, 
que passariam de uma fase denominada de pré-história para uma fase 
intermediária e, ao final, chegariam a atual fase de constitucionalização. 
As reivindicações pela codificação dos direitos humanos surgiram ao longo da 
história em face da necessidade da afirmação das pessoas em relação aos 
abusos cometidos por parte dos Estados. Historicamente, por via de 
codificação, merecem destaque célebres textos elaborados na Inglaterra em 
reação ao Poder Absoluto: A Magna Carta de 1215, a Petition of Rights, de 
1628 e o Bill of Rights, de 1689. 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Magna_Carta
http://www.conedh.mg.gov.br/conedh/petdir.htm
http://www.conedh.mg.gov.br/conedh/petdir.htm
 
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A Petition of Rights, de 1628, a exemplo da Magna Carta, objetivou também 
resguardar os direitos fundamentais naquela consagrados, tais como a 
liberdade de ir e vir, a propriedade privada, reconfirmando esses direitos e 
reclamando outros, como o respeito ao princípio do consentimento na 
tributação, o julgamento pelos pares para a privação da liberdade e a 
proibição de detenções arbitrárias. Igualmente, o Bill of Rights, de 1689, 
direcionou-se à proteção dos direitos dos ingleses, avultando a preocupação 
com a independência do Parlamento. 
 
Além da contribuição dada pela Inglaterra ao desenvolvimento da posterior 
codificação dos direitos humanos, merecem especial relevo as teorias 
contratualistas, que, impregnadas da doutrina do Direito Natural formulada 
por Thomas Hobbes, John Locke e Jean-Jacques Rousseau, compuseram a 
fase intermediária de evolução dos direitos humanos. 
 
A Declaração de Direitos do Bom Povo de Virgínia, elaborada por uma das 
treze colônias americanas, no dia 12 de janeiro de 1776 constituiu, segundo 
alguns, o registro de nascimento dos direitos humanos na história. No 
documento houve o reconhecimento expresso de que todos os homens 
seriam igualmente vocacionados ao aperfeiçoamento constante de si 
mesmos.1 Em artigo sobre a estratégia de segurança nacional dos Estados 
Unidos, Antônio Celso Alves Pereira reconhece que “considerando as tradições 
democráticas dos Estados Unidos, e, ainda, o pioneirismo do país na luta 
pelos direitos humanos – A Declaração da Virgínia, de 1776, inspirou a 
Declaração de Direitos do Cidadão de 1789, da Revolução Francesa”.2 
A Declaração de Virgínia de 1776 reuniu relevantes direitos como de que a) 
todos os homens são iguais, livres e independentes; b) todo poder emana do 
povo; c) o governo é, ou deve ser, instituído para o comum benefício, 
 
1 COMPARATO, Fábio Konder.A afirmação histórica dos direitos humanos. São Paulo: Saraiva, 
2003. p. 49. 
2 PEREIRA, Antônio Celso Alves. A nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos: Aspectos 
políticos e jurídicos. In: DEL’OLMO, F. S. (Org.). Curso de Direito Internacional Contemporâneo. 
Rio de Janeiro: Saraiva, 2003, p. 62. 
 
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proteção e segurança do povo, nação ou comunidade; d) ninguém tem 
privilégios exclusivos, nem os cargos ou serviços públicos são hereditários; e) 
os Poderes Executivo e Legislativo deverão ser separados e distintos do Poder 
Judiciário, e que os membros dos dois primeiros poderes devem ter 
investidura temporária e suas vagas preenchidas através de eleições 
periódicas e regulares; f) as eleições devem ser livres; g) seria ilegítimo todo 
poder de suspensão de lei ou de sua execução, sem o consentimento dos 
representantes do povo; h) assegurado o direito de defesa nos processos 
criminais, bem como o julgamento rápido por júri imparcial, e que ninguém 
poderia ser privado de sua liberdade, salvo pela lei da terra ou por 
julgamento de seus pares; i) vedadas fianças e multas excessivas e castigos 
cruéis; j) vedada a expedição de mandados gerais de busca e detenção, sem 
especificação exata e prova do crime; m) a liberdade de imprensa seria um 
dos grandes baluartes da liberdade; n) todos os homens têm igual direito ao 
livre exercício da religião. 
 
Contudo, tal declaração não possuía um caráter de universalidade, pois se 
preocupou mais em tutelar os direitos dos cidadãos americanos, munindo-os 
de garantias para fazer valer os seus direitos reconhecidos, protegendo-os, 
assim, de possíveis abusos de poder. 
 
A Declaração de Direitos do