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Homem e do Cidadão, elaborada por Lafayette e 
aprovada em 26 de agosto de 1789, devido às repercussões da Revolução 
Francesa, exerceu maior influência do que a norte-americana, apesar de estar 
nesta fundamentada. 
 
Parte da doutrina acredita que, a partir da segunda metade do século XX, 
após o flagelo da 2ª Guerra Mundial, que os direitos humanos, especialmente 
no plano internacional, adquiriram simultaneamente o caráter de 
universalidade e de dinamismo, devido ao seu grande potencial de inovação 
em face de mudanças sociais, econômicas, políticas e tecnológicas. 
 
 
 8 
Sistemas de Proteção dos Direitos Humanos 
Em relação ao âmbito jurídico em que se desenvolve a proteção dos direitos 
humanos no sistema internacional, duas são as classificações que se 
complementam. 
 
A primeira surge no reconhecimento da proteção dos direitos humanos num 
sistema global ou universal, desenvolvido no seio da ONU. 
 
A segunda leva em conta a vocação regional de alguns Estados que mais ou 
menos possuem valores aproximados, de acordo com suas experiências 
jurídicas, culturais e ideológicas. Nesse último sentido, foram aperfeiçoados 
os sistemas de proteção europeu, interamericano e africano. A figura abaixo 
facilita o entendimento da classificação dos sistemas de proteção dos direitos 
humanos: 
 
A essa classificação liga-se mais de perto o tema do relativismo cultural, que 
dificultaria, quando não impediria, o desenvolvimento apropriado do sistema 
universal de proteção.3 
 
 
3 MÔNACO, Gustavo Ferraz Campos. A proteção da criança no cenário internacional. Belo 
Horizonte: Del Rey, 2005. p. 108. 
 
 9 
As nomenclaturas utilizadas nesses dois sistemas variam 
entre os doutrinadores; uns preferem designar o 
primeiro de sistema universal ou também geral; e 
outros, para a segunda classificação, em regional ou 
particular e também específico. Há ainda os que 
preferem, de acordo com uma preocupação das pessoas 
envolvidas, utilizar as expressões: homogêneo, dito 
universal, e heterogêneo, para o sistema regional. Com 
efeito, [...] parece mais apropriado falar nesses sistemas 
sob a denominação sistema homogêneo e sistema 
heterogêneo. Pensa-se, sinceramente, que essa 
nomenclatura tem o condão de facilitar a compreensão 
do espectro de pessoas atingidas. Assim, no sistema 
homogêneo, dito universal, é a homogeneidade da 
condição de pessoa humana que garante a todos os 
seres humanos a proteção de seus direitos. Da mesma 
forma, no sistema heterogêneo, dito particular, a 
heterogeneidade da situação de determinado grupo 
humano que autoriza os maiores cuidados e as maiores 
preocupações dispensados pela sociedade internacional 
(global ou regionalmente considerada) em seu próprio 
benefício e na forma do que se convencionou chamar de 
discriminação positiva ou afirmativa.4 
 
Sistema Universal de Proteção dos Direitos Humanos 
Pode-se dizer, em termos gerais, que até o fim da Segunda Guerra Mundial 
não havia um sistema universal de proteção dos direitos humanos. Após a 
Segunda Guerra, com os horrores ocasionados pelo holocausto, foi preciso 
estabelecer uma sistemática de proteção dos direitos humanos de forma 
 
4 MONACO, Gustavo Ferraz Campos. A proteção da criança no cenário internacional. Belo 
Horizonte: Del Rey, 2005. p. 109. 
 
 10 
universal, o que contribuiu para o fortalecimento do processo de 
internacionalização e a sua expansão. Por isso, chega-se a classificar o direito 
internacional como anterior à segunda guerra e o direito posterior a ela.5 
 
Antes de 1939, a Liga das Nações, idealizada pelos 14 pontos de Wilson, não 
foi capaz de fornecer a proteção aos direitos humanos de forma adequada. A 
criação da ONU, em 1945, com as suas agências especializadas, determinou o 
surgimento de uma nova ordem internacional, que instaurou um novo modelo 
de atuação nas relações internacionais, sobretudo com a contribuição da 
Assembleia Geral para a efetivação dos direitos humanos, em que cada 
Estado comprometeu-se a cooperar entre si para a promoção dos direitos 
humanos. 
 
Dentro de um sistema protetivo universal dos direitos humanos, a 
Organização das Nações Unidas – ONU desempenha papel fundamental, pois 
um dos propósitos explícitos na Carta da ONU foi de conseguir uma 
cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter 
econômico, social, cultural ou humanitário, e para promover e estimular o 
respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais para todos, sem 
distinção de raça, sexo, língua ou religião. Foi nesse sentido que a principal 
organização internacional da atualidade promoveu diversos documentos 
internacionais. 
 
O sistema de proteção dos Direitos Humanos não pretende substituir o 
ordenamento jurídico interno, mas constitui forma subsidiária de efetivar tais 
direitos, mormente quando houver omissão ou lacuna, bem como falha das 
instituições nacionais. O sistema universal não se limita a determinada região 
e, por isso, pode alcançar qualquer Estado integrante da ordem internacional. 
 
 
5PIOVESAN, Flávia. Direitos Humanos e o Direito Constitucional Internacional. 11. ed. São 
Paulo: Saraiva, 2010. p. 130. 
 
 11 
As Conferências promovidas pela Organização das Nações Unidas, 
principalmente na década de 90 do século passado, conhecida como a 
Década das Conferências, tinham como principal preocupação o 
desenvolvimento sustentável e a proteção dos direitos humanos. 
Embora comumente se considere a Declaração de 1789 a mais famosa, a 
universalidade dos direitos humanos, de fato, só foi conquistada com a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, da Organização das 
Nações Unidas. O enunciado do conjunto de direitos previstos nesse 
documento internacional consagrou a certeza de direitos, exigindo que 
houvesse uma fixação prévia dos direitos e deveres; a segurança dos direitos, 
ao impor normas que garantissem o respeito aos mesmos; e a possibilidade 
dos direitos, ao exigir que fosse assegurado a todos os meios necessários à 
fruição do direito, por parte daqueles que gozam apenas de uma igualdade 
formal. 
 
A Declaração Universal dos Direitos Humanos apresentou um grande 
problema concernente a sua eficácia, visto que era considerada “soft law”, ou 
seja, possuía um valor meramente moral, sem qualquer caráter de 
obrigatoriedade para os Estados. No entanto, é preciso registrar que o 
entendimento moderno considera a referida Declaração como norma 
internacional, dotada de obrigatoriedade. 
 
À vista daquele antigo entendimento, procurou-se elaborar diversos Pactos e 
Convenções Internacionais sobre o patrocínio da ONU, visando assegurar a 
proteção dos direitos do homem, a exemplo do Pacto Internacional de 
Direitos Civis e Políticos e o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, 
Sociais e Culturais, aprovados pela Assembleia-Geral em Nova Iorque, em 16 
de dezembro de 1966, com o fim de conferir dimensão jurídica à Declaração 
de 1948, superando a obrigatoriedade apenas moral que a caracterizava. O 
Brasil só aderiu a esses pactos em 1992, porquanto do regime autoritário que 
o regia antes. 
 
 
 12 
A ONU também tem tratado dos direitos humanos em várias outras 
declarações e convenções que versam sobre temas específicos como a 
Declaração dos Direitos das Crianças de 1959, a Declaração sobre a 
eliminação de qualquer forma de discriminação racial de 1963, a Declaração 
sobre eliminação da discriminação à mulher de 1967, a Convenção sobre 
Genocídio de 1948, a Declaração sobre o Direito ao Desenvolvimento de 
1986, a Convenção sobre os Direitos Políticos da Mulher de 1988, sobre a 
eliminação de todas as formas de discriminação racial de 1966 e sobre a 
punição do crime de apartheid de 1973, dentre outras. 
 
O movimento de internalização

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